Filme Extraordinário e Belíssimo: Loving Vincent

Assisti, ontem à noite, um filme extraordinário. Pela inovação estética, eu o coloco ao lado do filme chinês Eu não sou Madame Bovary  como um dos (poucos) filmes que me impressionaram, emocionalmente, no período recente.  É uma animação realizada a partir de pinturas sobre filmagem! Os quadros de Van Gogh ganham vida, isto é, movimentação!

“Loving Vincent” reúne cerca de 65 mil pinturas inspiradas no mestre holandês. A história se baseia nas centenas de cartas escritas por Van Gogh ao seu irmão Theo e retrata o último ano de vida do pintor, os problemas psíquicos seguidos de seu suicídio.

Download do filmeTorrent de Loving Vincent

Legenda:  Legenda de Loving Vincent

Pouca gente sabe, mas a música Vincent (Starry, Starry Night), escrita por Don McLean nos anos 70, que é tocada no fim do filme, é um atributo a Vincent Van Gogh. O título da canção refere-se ao quadro “Starry Night” (Noite Estrelada), uma das mais famosas pinturas do artista holandês, e descreve diferentes quadros do pintor. O compositor escreveu a letra após a leitura da biografia de Van Gogh.

Na tela, Van Gogh retratou a vista que tinha à noite da janela de seu quarto, durante seu confinamento no Hospital Psiquiátrico Saint-Paul de Mausolée Asylun. Ao contrário de muitas outras de suas obras, “Noite Estrelada” foi pintada de memória, durante o dia.

Starry Night” serviu de inspiração para Don McLean compor a canção que homenageia Vincent Van Gogh. Continue reading “Filme Extraordinário e Belíssimo: Loving Vincent”

Vossos Velhos da Dayse Torres na Final do Prêmio Jabuti!

O Prêmio Jabuti, principal troféu literário do país, divulgou ontem (03/10/17), a lista de livros que concorrem à sua final. A categoria romance mostra uma hegemonia da Companhia das Letras -que tem crescido nos prêmios literários deste ano, em especial nesse gênero. Sete dos dez selecionados são da editora.

Entre os selecionados, está “Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas”, de Elvira Vigna, escritora morta em julho que era uma das principais vozes da literatura contemporânea brasileira.

Com ela, concorrem o escritor Cristovão Tezza, com “A Tradutora” (Record), e Bernardo Carvalho, com “Simpatia pelo Demônio” (Companhia das Letras). Ambos são colunistas da Folha.

Na lista também aparecem “Descobri que Estava Morto” (Tusquets), de João Paulo Cuenca, e “Machado” (Companhia das Letras), de Silviano Santiago, entre outros. A única casa menor é a @linkeditora, cujo romance “Tristorosa”, de Eugen Weiss, foi eleito.

Já em outras categorias importantes há mais diversidade. Em contos e crônicas, concorrem a “Caixa Rubem Braga” (Autêntica), com crônicas organizadas por André Seffrin, Bernardo Buarque de Hollanda e Carlos Didier; “Sul” (ed. 34), de Veronica Stigger; “Trinta e Poucos” (Companhia das Letras), de Antonio Prata (também colunista da Folha); e “Vossos Velhos“, de Dayse Torres, em edição do autor.

Dayse Torres é minha companheira e/ou esposa há 33 anos! Estou muito orgulhoso!

Fernando e Dayse – 1985

Leia mais:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2016/11/23/vossos-velhos/

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Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira

O Ministério da Cultura (MinC) está lançando um trabalho inédito no País: a Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira. Os dois primeiros volumes da coleção, que será composta de seis obras — lançados em evento no Itaú Cultural, em São Paulo — são o pontapé inicial para o que promete ser a ferramenta que faltava para uma maior valorização da Cultura como um importante segmento na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. 

Atualmente, o Brasil carece de um sistema unificado e padronizado para aferir a participação da Cultura no PIB nacional. Apelidado de “PIB da Cultura”, este sistema é chamado de Conta Satélite da Cultura e já existe em 21 países no mundo, sendo sete da América do Sul (Colômbia, Chile, Uruguai, Argentina, Peru, Bolívia e Equador). No Brasil, os dados existentes não são construídos com a periodicidade necessária para poderem ser comparados e não há consenso no setor sobre quais setores e subsetores deveriam ser acompanhados.

 O Atlas trará dados construídos com uma metodologia padrão para as diferentes regiões do Brasil. Os dois primeiros volumes, que trazem o marco referencial teórico e metodológico que será usado para aferição dos dados, esclarecem que o estudo será apoiado em quatro eixos: empreendimentos culturais, mão de obra do setor cultural, investimentos públicos e comércio exterior.

Atualmente só existem trabalhos que abordam emprego e empreendimentos no setor cultural. Ainda assim, de forma dispersa e usando diferentes metodologias. O Atlas aponta ainda para algumas das cadeias produtivas que serão estudadas de forma prioritária: audiovisual, games, mercado editorial, música e museus e patrimônio.

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Palavras

Como Escrever Bem, livro de autoria de William Zinsser, publicado em 1976, finalmente, em 2017, foi traduzido pela Editora Três Estrelas. Continuo apresentando minhas anotações de sua leitura.

Evite jargão, seja jornalês, seja economês. É uma mistura de palavras vulgares, palavras inventadas e chavões tão difundidos que dificilmente um escritor consegue evitar seu uso inconsciente ou fácil.

Para não ser um escrevinhador qualquer, combata esses lugares-comuns. Você nunca deixará a sua “marca no mundo” como escritor se não desenvolver respeito pelas palavras e uma curiosidade quase obsessiva em relação aos vários matizes de seus significados.

Eu adoro dicionários, especialmente, os etimológicos! De onde vêm as palavras? Continue reading “Palavras”

Estilo de Escrita

Como Escrever Bem, livro de autoria de William Zinsser, publicado em 1976, finalmente, em 2017, foi traduzido pela Editora Três Estrelas. Continuo apresentando minhas anotações de sua leitura.

Os escritores mostram-se com maior naturalidade quando escrevem na primeira pessoa. A escrita é uma relação íntima entre duas pessoas levada ao papel e ela será tão boa quanto a sua capacidade de preservar a sua humanidade. Por isso, Zinsser estimula a escrita na primeira pessoa, seja do singular (“eu” e “mim”), seja do plural (“nós” e “nossos”). Abandone a terceira pessoa ou o sujeito indefinido. Continue reading “Estilo de Escrita”

Como Escrever Bem por William Zinsser

Este livro foi publicado em 1976, chegando agora à terceira geração de leitores, tendo suas vendas superado mais de um milhão de exemplares. Finalmente, em 2017, foi traduzido e publicado pela Editora Três Estrelas no Brasil.

As preocupações de William Zinsser como professor se modificaram. Ficou mais interessado em coisas intangíveis que produzem bons textos: confiança, prazer, intenção, integridade. Seus alunos pretendem usar a escrita para tentar entender quem eles são e qual a herança que carregam dentro de si.

Facilitada pelos processadores de texto em computadores, a essência do escrever é reescrever. Apenas escrever fluentemente não significa escrever bem.

Bons escritores adoram a possibilidade de remexer em suas frases, podando, revisando e remodelando. Escritores ruins se tornaram ainda mais verborrágicos com a facilidade de escrever em computadores pessoais.

Este livro sobre o ofício de escrever não teve seus princípios modificados desde que foi escrito há quarenta anos. Escrever exige o velho e duro hábito de pensar com originalidade e o manejo das velhas ferramentas da língua. Continue reading “Como Escrever Bem por William Zinsser”