Intolerância contra os Não Religiosos, Ateístas ou Agnósticos

ateusImportante reportagem sobre a intolerância dos religiosos contra os não religiosos e os ateus foi realizada por André Bernardo para a BBC Brasil em 6 novembro 2016. Reproduzo-a abaixo.

Antes saliento os significados das seguintes palavras:

Ateu: quem não crê em Deus ou nos deuses; ateísta. Antônimo de crente ou supersticioso.

Agnosticismo: doutrina que reputa inacessível ou incognoscível ao entendimento humano a compreensão dos problemas propostos pela metafísica ou religião (a existência de Deus, o sentido da vida e do universo etc.), na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica.

Religião: crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência.

Sobrenatural: que ultrapassa o natural, fora das leis naturais, fora do comum, sobre-humano. Portanto, não-científico, pois não sujeito à observação e/ou experimentação.

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Bolha OnLine: Viés Heurístico da Auto Validação Ilusória

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Há tempos, seja no Brasil, seja nos EUA,  apresenta-se uma divisão política não tão alinhada com a desigualdade social na apropriação da renda. Lá está separando republicanos e democratas, conservadores de liberais. Cá, separando tucanos e petistas e aguçando a clivagem entre a direita e a esquerda.

Mas as divisões que apareceram em 2016, nos EUA, não apresentam “precedentes”, diz Bill McInturff, pesquisador republicano e um dos coordenadores da pesquisa realizada para o “Wall Street Journal”/NBC News. As rupturas deste ano foram de natureza mais fundamental, quase primitiva, ocorrendo ao longo das linhas mais básicas da sociedade: gênero, raça e educação. Um olhar detalhado na pesquisa pré-eleitoral do “WSJ”/NBC, concluída neste fim de semana, ilumina essas linhas.

Mais notavelmente, uma nova lacuna educacional foi aberta. Quando foi apresentada aos eleitores a opção dos dois principais candidatos, Hillary apareceu na liderança com 51% das intenções de voto entre os brancos com diplomas universitários ante os 41% de Trump. Ele liderou entre brancos sem ensino superior com uma proporção de 2 para 1.

Ele conseguiu o apoio de 3 em cada 5 americanos moradores de áreas rurais, enquanto ela conquistou 3 em cada 5 habitantes de zonas urbanas. E as divisões mais tradicionais são agora como abismos escancarados. Ela liderou entre os eleitores não brancos por uma margem de 75% a 15%.

Além disso, esta foi uma eleição em que os eleitores de Trump e de Clinton não discordaram apenas sobre quem escolher. Muitos eleitores de um candidato sequer podem imaginar como cidadãos poderiam escolher o outro!

Talvez o mais alarmante seja que 90% dos eleitores de Hillary disseram na pesquisa que não se sentiriam confortáveis em apoiar Trump como presidente, enquanto pouco mais de 90% dos eleitores de Trump expressaram os mesmos sentimentos em relação a Hillary como presidente. Mais de 50% dos eleitores de Trump e Hillary disseram que o país permaneceria dividido após as eleições.

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Virgilio Almeida é professor visitante na Universidade de Harvard e foi secretário de política de informática no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no período 2011-2015. Danilo Doneda é professor da Escola de Direito da UERJ, doutor em Direito Civil e especialista em privacidade e proteção de dados. São coautores de um artigo (Valor, 08/11/16) sobre o que em Economia Comportamental se denomina viés heurístico de auto validação ilusória. É tipo “eu só converso com minha turma, vá procurar sua turma!”

Com esse sectarismo o ser humano erra, pois não conversa com quem poderia lhe mostrar seus equívocos. Só troca ideias com quem concorda a priori. Nunca é alertado do risco de estar errado. Quando levanta uma hipótese, só pesquisa dados que a confirmam, “varrendo prá debaixo do tapete” aqueles que a desmentem!

Reproduzo o pertinente artigo abaixo.

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Rede de Relacionamentos: Panaceia

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O segredo da felicidade não é a ignorância, tampouco a redução das expectativas. Riqueza e fama, obsessões dos mais jovens, também não garantem nada. A chave para uma vida longa e feliz, revelam pesquisadores de Harvard, nos Estados Unidos, é a força dos relacionamentos com o parceiro, principalmente, mas também com a família e os amigos.

Atual diretor do estudo que descobriu a “fórmula mágica”, o psiquiatra Robert Waldinger se tornou uma celebridade disputada em todo o mundo. Na internet, uma palestra que ele proferiu sobre o tema já teve mais de 10 milhões de visualizações.

Em entrevista concedida à Folha (FSP, 06/09/16), o psiquiatra afirma que os resultados foram além do esperado. “Não me surpreende saber que relações fortes não só tornam as pessoas mais felizes, mas também as tornam mais saudáveis”, diz.

Com base em dados coletados durante quase oito décadas, os pesquisadores observaram que a manutenção de relacionamentos significativos é o principal fator de influência para o bem-estar e a saúde, capaz de reduzir o risco de doenças crônicas e mentais e a perda de memória. Continue reading “Rede de Relacionamentos: Panaceia”

Metas contra o Consumismo

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Os ecologistas, como Erik Assadourian, Pesquisador Sênior do Worldwatch Institute e Diretor de Projeto do Estado do Mundo 2010, acham que o papel do consumo e a aceitação de diferentes tipos de consumo podem ser alterados culturalmente. Mais uma vez, embora a noção exata disso possa variar nos diferentes sistemas culturais, três metas simples deveriam ser válidas universalmente. Para os social-desenvolvimentistas, a impressão é que eles tratam questões complexas com simples palavras.

Em primeiro lugar, o consumo que desestabiliza de modo acentuado o bem-estar precisa ser fortemente desestimulado. Os exemplos nessa categoria são muitos: consumo excessivo de alimentos industrializados e junk foods, tabagismo, produtos descartáveis, casas gigantescas que levam à ocupação desordenada de áreas suburbanas e dependência do automóvel, bem como a males sociais como obesidade, isolamento social, longos trajetos para e do trabalho e maior uso de recursos.

Através de estratégias como regulamentação governamental das escolhas disponíveis aos consumidores, pressão social, educação e marketing social, é possível transformar certos comportamentos e escolhas de consumo em tabu. Ao mesmo tempo, é importante criar fácil acesso a alternativas mais saudáveis – como a oferta de frutas e legumes a preços compatíveis, como um substituto a alimentos não saudáveis. Continue reading “Metas contra o Consumismo”

Raízes Institucionais do Consumismo

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Desde a última década do século 17, mudanças sociais na Europa começaram a criar os fundamentos para o surgimento do consumismo. O aumento populacional e uma base fundiária fixa, aliados ao enfraquecimento de fontes tradicionais de autoridade, tal como a igreja e estruturas sociais comunitárias, fizeram com que o percurso usual de um jovem rumo ao progresso social – herdar o pedaço de terra familiar ou o ofício do pai – deixasse de ser o caminho óbvio. As pessoas passaram a buscar novos canais de identificação e autossatisfação, sendo que a aquisição e uso de bens passaram a ser substitutos admirados.

Enquanto isso, os empreendedores rapidamente tiraram proveito dessas mudanças para estimular a compra de seus artigos: utilizando novas modalidades de propaganda e aprovação de gente de prestígio, expondo produtos à venda, vendendo produtos abaixo do preço de custo como forma de atrair clientes para a loja, recorrendo a opções criativas de financiamento, inclusive pesquisa com o consumidor, e atiçando novas modas passageiras. Continue reading “Raízes Institucionais do Consumismo”

Consumismo em Diferentes Culturas

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Continuamos apresentando os argumentos expressos no capítulo “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo“, escrito por Erik Assadourian, no relatório Estado do Mundo em 2010, publicado pela WorldWatch.

Para entender o que é consumismo, é necessário primeiramente entender o que é cultura. Cultura não se resume simplesmente às artes, ou aos valores, ou aos sistemas de crença. Não é uma instituição distinta funcionando ao lado de sistemas econômicos ou políticos. Ao contrário, são todos esses elementos – valores, crenças, costumes, tradições, símbolos, normas e instituições – combinados para criar as matrizes abrangentes que forjam o modo como os homens percebem a realidade.

Em função de existirem sistemas culturais distintos, uma pessoa pode interpretar um ato como insultante e outra pode considerálo amável – como por exemplo, fazer um sinal com o “polegar para cima” é um gesto extremamente vulgar em certas culturas. A cultura leva algumas pessoas a crer que os papéis sociais são designados pelo nascimento, determina onde os olhos da pessoa devem focar ao conversar com outra, e até mesmo dita que formas de relacionamentos sexuais (como monogamia, poliandria, ou poligamia) são aceitáveis.

As culturas, como sistemas mais amplos, são provenientes de interações complexas entre muitos elementos diferentes de comportamentos sociais e guiam os homens em um nível quase invisível. Elas são, nas palavras dos antropólogos Robert Welsch e Luis Vivanco, a soma de todos os “processos sociais que fazem com que aquilo que é artificial (ou construído pelos homens) pareça natural”. São esses processos sociais – a interação direta com outras pessoas e com artefatos ou “coisas” culturais, a exposição na mídia, leis, religiões e sistemas econômicos – que constroem as realidades dos povos. Continue reading “Consumismo em Diferentes Culturas”

Ausência de Sustentabilidade dos Atuais Padrões de Consumo

https://i0.wp.com/www.wwiuma.org.br/estado_2010.pdf
http://www.wwiuma.org.br/estado_2010.pdf

Desenvolvimentismo e Ambientalismo têm discordâncias a respeito do consumismo. Para os primeiros, o crescimento da demanda fomenta o desenvolvimento. Para os últimos, esse desenvolvimento não seria sustentável. Para os social-desenvolvimentistas, os ecologistas necessitam de, em vez de propor crescimento zero e manutenção do status quo, imaginar uma solução para alterar a condição de miséria social com políticas de emprego e distribuição de renda e sem regressão histórica a um suposto idílico passado sem consumismo.

Vamos ter empatia e nos colocar no lugar dos ambientalistas. Leiamos seus argumentos expressos no capítulo “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo“, escrito por Erik Assadourian, no relatório Estado do Mundo em 2010, publicado pela WorldWatch ( WWW.WORLDWATCH.ORG.BR).

Em 2006, pessoas no mundo todo gastaram US$ 30,5 trilhões em bens e serviços (em dólares de 2008). Esses dispêndios incluíram necessidades elementares, como alimentação e moradia. No entanto, com o aumento da renda discricionária, as pessoas passaram a gastar mais em bens de consumo: alimentos mais pesados, moradias maiores, televisões, carros, computadores e viagens de avião. Só em 2008, pessoas no mundo todo compraram 68 milhões de veículos, 85 milhões de geladeiras, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones móveis (celulares).

O consumo teve um crescimento tremendo nos últimos cinquenta anos, registrando um aumento de 28% em relação aos US$ 23,9 trilhões gastos em 1996 e seis vezes mais do que os US$ 4,9 trilhões gastos em 1960 (em dólares de 2008). Parte desse aumento é resultante do crescimento populacional, mas o número de seres humanos cresceu apenas a uma razão de 2,2 entre 1960 e 2006. Sendo assim, os gastos com consumo por pessoa praticamente triplicaram. Continue reading “Ausência de Sustentabilidade dos Atuais Padrões de Consumo”