Fone Antirruído

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Geoffrey A. Fowler (WSJ, 24 de Junho de 2016) publicou uma reportagem que compartilho abaixo, dado o interesse de todos os “urbanoides” e de gente como eu, que mora “quase-na-roça” (ao lado do Campus da Unicamp), mas possui como vizinhos cachorros cujos donos viajam e abandonam os infelizes latindo, dia-e-noite, continuamente, para a infelicidade de todos que os escutam…

Às vezes, tudo o que você quer é que o mundo se cale.

O estrondo de um jato, o barulho de uma estação de metrô e o murmúrio de um escritório conspiram para tirar a sua concentração. Suas opções:

1) Mudar para a floresta e deixar os aviões, metrôs e colegas de trabalho para trás.

2) Ficar surdo, aumentando o volume de seu fone de ouvidos para 11.

3) Usar a tecnologia para superar a cacofonia.

Recomendo os fones de ouvido que bloqueiam ruídos, já utilizado por pilotos e motoristas e que são tão convenientes que merecem ser avaliados por passageiros de metrô e moradores de pequenos apartamentos.

  • Os fones de ouvidos normais apenas cobrem seus ouvidos e tentam ser mais barulhentos que tudo o mais.
  • Os que bloqueiam ruídos externos usam microfones e software para detectar e eliminar o som, antes que ele atinja seus ouvidos.

O resultado: paz e silêncio — ou um áudio limpo. Continue reading “Fone Antirruído”

10 Feirinhas Culturais em São Paulo

Feira Boliviana

Assim como o Brasil é multi-étnico — embora já tenha sido mais democrático entre 1985 e 2015, antes do golpe de 2016 –, São Paulo é uma cidade multicultural, tem feira livre e feirinha gastronômica de vários povos através de seus imigrantes italianos, japoneses, bolivianos, árabes, africanos, etc.  Conheça as 10 melhores feiras com comida típica em SP segundo o site Momondo:

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Difusão da Pressão pela Previdência e Autocontrole

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Norbert Elias, no segundo tópico da Sinopse “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, afirma que o que empresta ao processo civilizador no Ocidente seu caráter especial e excepcional é o fato de que, aqui, a divisão de funções atingiu um nível, os monopólios da força e tributação uma solidez, e a interdependência e a competição uma extensão, tanto em termos de espaço físico quanto do número de pessoas envolvidas, que não tiveram iguais na história mundial.

Até então, redes extensas de moeda ou comércio, com monopólios razoavelmente estáveis de força física em seus centros, haviam se desenvolvido quase exclusivamente ao longo de vias navegáveis, isto é, acima de tudo nas margens de rios e costas de oceanos. As grandes áreas do interior permaneciam mais ou menos no nível da economia de troca, isto é, as pessoas continuavam na maior parte autárquicas e eram curtas suas cadeias de interdependência, mesmo quando algumas artérias de comércio cruzavam as áreas e existiam alguns grandes mercados.

Tendo a sociedade ocidental como ponto de partida, desenvolveu-se uma teia de interdependência que não só abrange os oceanos em maior extensão do que em qualquer tempo no passado, mas se estende às terras aráveis mais distantes do interior remoto.

Correspondendo a tudo isso, surgiram a necessidade de sincronização da conduta humana em territórios mais amplos e a de um espírito de previsão no tocante a cadeias mais longas de ações como jamais haviam existido. Ocorreu ainda o fortalecimento do autocontrole e a permanência das compulsõesa inibição de paixões e o controle de pulsões — impostas pela vida no centro dessas redes. Continue reading “Difusão da Pressão pela Previdência e Autocontrole”

O Processo Civilizador: Volume 2 – Formação do Estado e Civilização

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Na apresentação do livro “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, Renato Janine Ribeiro informa que o autor “Norbert Elias demorou a ser reconhecido, ou sequer conhecido, no mundo acadêmico. Ele faleceu a 1º de agosto de 1990, em idade avançada — menos de dois meses antes, completara noventa e três anos. E no entanto, embora tenha escrito este Processo Civilizador na década de 1930 (primeira edição, 1939, na Suíça), somente nos anos 70 é que ele alcançou um reconhecimento mais amplo, começando sua obra a ser citada e a inspirar novas pesquisas. Com efeito, muitas questões que se consideravam menores, por exemplo a da etiqueta ou das boas maneiras, adquiriram, graças ao uso que Elias fez da ideia de “processo”, um sentido. Provavelmente, aliás, é a questão do sentido que deve nortear uma apreciação das indicações mais notáveis desse sociólogo de vocação interdisciplinar”.

O Volume I de O Processo Civilizador intitula-se Uma história dos Costumes. Ele consiste de dois capítulos. O Volume II, publicado em inglês pela primeira vez em 1982, consistia inicialmente do Capítulo 3 (em duas Partes) e de uma Sinopse. Essas divisões são designadas na edição da Zahar como Parte I (composta de dois capítulos) e Parte II: Sinopse.

Ao olhar para o passado, não devemos nunca nos esquecer que a sociedade humana se torna predominantemente urbana há pouco tempo. Em dimensão planetária, isso ocorreu em 2010, quando a população urbana chinesa ultrapassou a rural. No Brasil, o Censo Demográfico de 1970 registrou essa ultrapassagem. Na Índia, com apenas cerca de 1/3 de sua população morando em cidades, embora tenha o maior número de grandes metrópoles do mundo, isso ainda demorará algumas décadas para ocorrer.

Antes, em uma sociedade rural, a riqueza predominante era constituída pela posse de terras. Houve época em que a conquista de terras se dava pela força da violência…

As lutas entre a nobreza, a Igreja e os príncipes por suas respectivas parcelas no controle e produção da terra prolongaram-se durante toda a Idade Média. Nos séculos XII e XIII, emerge mais um grupo como participante nesse entrechoque de forças: os privilegiados moradores das cidades, a “burguesia”. Continue reading “O Processo Civilizador: Volume 2 – Formação do Estado e Civilização”

Discussão da Conduta Humana

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Norbert Elias, no livro “O Processo civilizador: volume 1 – Uma História dos Costumes” (Rio de Janeiro; Zahar; 1995), pergunta-se: o que aborda o tratado de autoria de Erasmo de Rotterdam, De civilitate morum puerilium (Da civilidade em Crianças), que veio à luz em 1530?

Com grande cuidado, Erasmo delimita em seu tratado toda a faixa de conduta humana, as principais situações da vida social e de convívio. Com a mesma naturalidade fala das questões mais elementares e sutis das relações humanas.

No primeiro capítulo, trata das “condições decorosa e indecorosa de todo o corpo”, no segundo da “cultura corporal”, no terceiro de “maneiras nos lugares sagrados”, no quarto em banquetes, no quinto em reuniões, no sexto nos divertimentos e no sétimo no quarto de dormir. Na discussão dessa faixa de questões Erasmo deu um novo impulso ao conceito de civilitas.

Nem sempre pode nossa consciência, sem hesitação, recordar essa outra fase de nossa própria história. Perdeu-se para nós a franqueza despreocupada com que Erasmo e seu tempo podiam discutir todas as áreas da conduta humana. Grande parte do que ele diz ultrapassa nosso patamar de delicadeza.

Mas este é precisamente um dos problemas que Norbert Elias, no livro “O Processo civilizador: volume 1 – Uma História dos Costumes”, se propõe a estudar. Rastreando a transformação de conceitos através dos quais diferentes sociedades procuraram se expressar, recuando do conceito de civilização para seu ancestral civilité, descobrimo-nos de repente na pista do próprio processo civilizador, da mudança concreta no comportamento que ocorreu no Ocidente. Continue reading “Discussão da Conduta Humana”

Desenvolvimento do Conceito de Civilidade

Civilidade em ÔnibusNorbert Elias, no livro “O Processo civilizador: volume 1 – Uma História dos Costumes” (Rio de Janeiro; Zahar; 1995), pergunta-se: o que aborda o tratado de autoria de Erasmo de Rotterdam, De civilitate morum puerilium (Da civilidade em Crianças), que veio à luz em 1530? Seu tema deve nos explicar para que fim e em que sentido era necessário o novo conceito. Deve conter indicações das mudanças e processos sociais que puseram a palavra em moda.

O livro de Erasmo trata de um assunto muito simples: o comportamento de pessoas em sociedade — e acima de tudo, embora não exclusivamente, “do decoro corporal externo”. É dedicado a um menino nobre, filho de príncipe, e escrito para a educação de crianças.

Contém reflexões simples, enunciadas com grande seriedade, embora, ao mesmo tempo, com muita zombaria e ironia, tudo isso em linguagem clara e polida e com invejável precisão. Pode-se dizer que nenhum de seus sucessores jamais igualou esse tratado em força, clareza e caráter pessoal.

Examinando-o mais detidamente, percebemos por trás dele um mundo e um estilo de vida que, em muitos aspectos, para sermos exatos, assemelha-se muito ao nosso, embora seja ainda bem remoto em outros. O tratado fala de atitudes que perdemos, que alguns de nós chamaríamos talvez de “bárbaras” ou “incivilizadas”. Fala de muitas coisas que desde então se tornaram impublicáveis e de muitas outras que hoje são aceitas como naturais. Continue reading “Desenvolvimento do Conceito de Civilidade”

O Processo Civilizador: Volume 1 – Uma História dos Costumes

O Processo Civilizador I

Eu jamais imaginei o grau de intolerância humana a que chegamos, depois de séculos de processo civilizatório e de lições da história como os genocídios. Achava que nas Américas, continente-refúgio das intolerâncias europeias, com sociedades multiétnicas, através de autocontrole, os descendentes de imigrantes não deixariam seus instintos primários aflorarem.

Infelizmente, a reação à crise mundial atual, tal como a de 1929, está nos trazendo de volta o pior de nós, seres humanos: a intolerância com “rivais”, o fascismo, o xenofobismo, a violência estúpida, etc. E ainda não retrocedemos ao “mundo de escassez” de outrora…

Vale, então, reler o livro de Norbert Elias, “O Processo civilizador: volume 1 – Uma História dos Costumes” (Rio de Janeiro; Zahar; 1995), para verificar o que fazer, baseado nas lições da História. Como resgatar a cortesia e o trato civilizado entre os homens?

Esse livro de Norbert Elias foi escrito nos anos 1930, durante a ascensão do nazismo, na Alemanha. Ele teve sua primeira edição, em 1939, na Suíça. Com o autor exilado nos EUA, depois de muitos anos, em 1978, o livro ganhou uma edição inglesa e apenas em 1990 a primeira edição em português. Continue reading “O Processo Civilizador: Volume 1 – Uma História dos Costumes”