A Economia em Machado de Assis: O Olhar Oblíquo do Acionista

A Economia em Machado de Assis

Machado de Assis escreveu cerca de seiscentas crônicas entre 1883 e 1900, muitas delas publicadas em jornais da época e que trataram de temas importantes como a Abolição da Escravatura, o Encilhamento e a Proclamação da República. A partir desse material historiográfico, o economista e ex-presidente do Banco Central, Gustavo H.B. Franco, produziu uma seleção inédita de textos do escritor, que tratam de temas econômicos e financeiros da época.

Além da seleção, Franco introduz e comenta os textos de Machado, contextualizando os fatos que ganharam a atenção e o olhar do cronista. A Economia em Machado de Assis é, assim, uma contribuição historiográfica que oferece a chance de visitar o passado econômico brasileiro, na passagem do século XIX para XX, com a companhia de um dos grandes escritores da literatura mundial e um dos economistas cultos do país.

Leia como exemplo da ironia e da crítica de costumes sociais de sua época uma crônica de Machado de Assis publicada em 4 de julho de 1883. Mutatis mutandis (mudando o que tem de ser mudado), adapta-se ao nosso tempo de uso (e abuso) mal-educado dos celulares em espaços públicos… Continuar a ler

Shakespeare e a Economia ou Economia e Teatro

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Busco ensinar Economia utilizando-me do Cinema como um instrumento instrutivo. É possível fazer isso com outras formas de Arte. Talvez a mais óbvia seja a Literatura. Gustavo Franco e Henry Farnam abordam outro tema multidisciplinar – Economia e Teatro – de diferentes formas. São métodos didáticos complementares, baseados em Artea representação e transmissão da habilidade de tomar decisões práticas em determinados contextos econômicos –, que revelam uma nova e interessante maneira de ensinar e/ou aprender Economia.

Shakespeare e a Economia (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora; 2009) reúne, em um só volume, dois ensaios complementares – escritos em épocas distintas (1931 e 2009) – que surpreendem ao mostrar como as finanças e os aspectos econômicos e empresariais estavam presentes na obra e na vida do dramaturgo inglês William Shakespeare.

Em A Economia de Shakespeare, Gustavo Franco fala sobre a economia do teatro, da linguagem e das companhias teatrais, sua organização e seus resultados financeiros. Mostra como Shakespeare conquistou uma fortuna considerável – cerca de 1500 libras na época, o que hoje equivaleria, em uma estimativa hipotética, a 14 milhões de libras. “O fato é que metade ou mesmo 10% disso são suficientes para que se tenha clareza de que Shakespeare morreu rico… enriqueceu como ator, autor e principalmente como empresário de um dos ramos especialmente dinâmicos da economia elisabetana, o entretenimento de massa.”

A Economia em Shakespeare, de Henry Farnam, discorre sobre a economia no interior das peças – na voz de diversos personagens, nas metáforas ou alegorias, e nas referências a comércio, profissões, agricultura, tributação ou distribuição de riqueza. O leitor encontrará nesse ensaio pioneiro de 1931 um interessante painel sobre o surgimento do capitalismo. Continuar a ler

Sabedoria e Amizade (Máximas de Epicuro – Ética)

epicuro X dios

Se queres enriquecer alguém, não lhe acrescentes riquezas: diminui-lhe os desejos.

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Encontro-me cheio de prazer corpóreo quando vivo a pão e água e cuspo sobre os prazeres da luxúria, não por si próprios, mas pelos inconvenientes que os acompanham.

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A quem não basta pouco, nada basta.

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Não deves corromper o bem presente com o desejo daquilo que não tens; antes, deves considerar também que aquilo que agora possuis se encontrava no número dos teus desejos. Continuar a ler

Objetivo da Filosofia segundo Epicuro

Fragmeto da Carta de Epicuro a Meneceu

Todo desejo incômodo e inquieto se dissolve no amor da verdadeira Filosofia o amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano consciente de sua própria ignorância.

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Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma.

E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz.

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Deves servir à Filosofia para que possas alcançar a verdadeira Liberdade. Continuar a ler

Airbed & Breakfast: Airbnb

Allen & Co. Media And Technology Conference

“Um restaurante com nome de uma tecnologia de rádio ultrapassada pode não parecer o lugar mais indicado para um almoço com o executivo-chefe de uma das mais bem-sucedidas companhias de internet. Mas Brian Chesky, o homem que lidera uma revolução na indústria do turismo, também gosta de manter as coisas locais. O Citizen’s Band (um “agradável restaurante” no bairro Soma, em San Francisco, que recebeu esse nome por causa das ondas curtas de rádio que na década de 70 eram sinônimo de motorista de caminhão) fica bem perto do prédio onde seis anos atrás Chesky teve a ideia de alugar colchões infláveis para estranhos em seu apartamento.

Na época, alugar um desses colchões para uma pessoa conhecida na internet parecia uma ideia maluca. Mas, como dizem em San Francisco, se não parece loucura, alguém já deve ter feito isso.

Ao criar a companhia em 2008, que recebeu o nome de Airbed & Breakfast, Airbnb para encurtar, Chesky, junto aos colegas de apartamento Joe Gebbia e Nathan Blecharczyk, esperava ganhar dinheiro para pagar o aluguel. Hoje, o valor da Airbnb supera os US$ 13 bilhões, sendo que no ano passado 16 milhões de pessoas usaram seu site e aplicativo para encontrar acomodações por períodos curtos.

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Psicologia Econômica: Experiências Ocasionais X Habituação com Bens Materiais

Experiências X Bens Materiais

Andrew Blackman (WSJ, 15/11/14) se coloca a pergunta antiga: o dinheiro pode comprar a felicidade?

Ao longo dos últimos anos, novas pesquisas têm nos dado uma compreensão mais profunda da relação entre o que ganhamos e como nos sentimos. Os economistas têm examinado as relações entre renda e felicidade nos países, e os psicólogos têm sondado as pessoas para descobrir o que realmente nos move quando se trata de dinheiro.

Os resultados, à primeira vista, podem parecer um pouco óbvios: Sim, as pessoas com renda mais alta são, em geral, mais felizes do que aquelas que lutam para sobreviver.

Mas analisando um pouco mais profundamente os resultados, eles se tornam bem mais surpreendentes — e muito mais úteis. Em suma, esta última pesquisa sugere que a riqueza por si só não fornece qualquer garantia de uma boa vida. O que importa muito mais que ter uma alta renda é a forma como as pessoas gastam. Doar dinheiro, por exemplo, deixa as pessoas muito mais felizes do que quando gastam com si próprias. E quando elas gastam com elas mesmas, ficam bem mais felizes quando usam o dinheiro para experiências como viagens do que quando compram bens materiais.

Aqui está o que a mais recente pesquisa revela sobre como as pessoas podem fazer uso inteligente de seu dinheiro e maximizar a sua felicidade. Continuar a ler

Dialógos sobre o Fim do Brasil… e do Mundo!

Formulário para o Fim do Mundo

Passada a campanha eleitoral, cujo resultado foi o melhor possível, considerando as circunstâncias conjunturais econômicas adversas, cabe voltar-nos à reflexão mais profunda sobre ideias que surgiram ao longo da campanha, algumas das quais levaram a posicionamentos políticos equivocados. Foi o caso, p.ex., dos “marineiros” (ecologistas radicais dissidentes do PT) que não “dilmaram” no segundo turno. Percebi que muitos dos radicais-chic moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro se tornaram adeptos do discurso anti-esquerda do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro do Museu Nacional-RJ. Eu o assisti, pela primeira vez, em uma mesa-redonda comandada por Eliane Brum, na FLIP de Paraty deste ano, transmitida online. Achei um espanto! No mau sentido…

Depois, li a reportagem que fala do Antropoceno à Idade da Terra, de Dilma Rousseff a Marina Silva, expressando o que o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e a filósofa Déborah Danowski pensam a respeito do planeta e do Brasil a partir da degradação da vida causada pela mudança climática.  Todas essas ideias apareceram na entrevista concedida a Eliane Brum em:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/29/opinion/1412000283_365191.html.

Minha impressão inicial foi que esse fundamentalismo ecologista beira o reacionarismo, isto é, a atitude de reação sistemática, contrária tanto ao espírito liberal original do Iluminismo do século XIX quanto à evolução político-social-desenvolvimentista no século XXI. Viveiros se opõe às ideias voltadas para a transformação da sociedade para o progresso socioeconômico e propõe uma certa “indianização” da população em sentido oposto à “globalização”. Confiram. Continuar a ler