Ascensão dos Charlatões (por Peter Burke)

Artigo publicado em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/ascensao-dos-charlatoes/

Vivemos numa era de charlatões?

Já se disse muitas vezes que escritores possuem sensibilidade particular para as mudanças culturais de seu tempo. Portanto, a publicação em língua inglesa, nos últimos anos, de dois romances intitulados Charlatans – um de Robin Cook, outro de Jezebel Weiss – pode ser um sinal de alerta de que isso esteja acontecendo.

Talvez esses livros sejam um aviso para que tomemos cuidado com esses indivíduos que, em número crescente, prometem o que não podem cumprir, arrogam-se qualidades que não possuem ou oferecem produtos nada confiáveis, como notícias falsas, remédios suspeitos e trapaças online. A lista desses mestres da ilusão (para usar uma expressão bem-educada) pode incluir também alguns evangelizadores, curandeiros e políticos, bem como, convém não esquecer, certos intelectuais.

O que explica a proliferação dos charlatões em nosso tempo?

Uma das respostas possíveis é que ela resulta das pressões e da sedução exercidas pelos meios de comunicação, sobretudo a televisão e as redes sociais. Mas em que medida essa tendência, essa “charlatanização” da vida pública (para cunhar, agora, um termo pesado) deve nos alarmar?

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Impulsos e Emoções na Hora de Investir

As mudanças na legislação do imposto de renda do mercado financeiro propostas pelo governo na reforma tributária deverão gerar um aumento de arrecadação de R$ 14,19 bilhões no próximo ano, informou ontem a Receita Federal. No segundo e terceiro anos de vigência, contudo, o resultado dessas simulações aponta para a neutralidade.

O resultado forte em 2022 é determinado principalmente pela cobrança sobre o estoque dos fundos familiares fechados, que vai gerar ganho de R$ 14,47 bilhões. O Fisco estimou que parte do aumento será perdida nos próximos sete anos porque a tributação reduzirá o estoque desses fundos.

Já nos fundos abertos, de acordo com os técnicos da Receita, o fim da tributação regressiva (que hoje vai de 15% a 22,5%) deve gerar perda de R$ 1,5 bilhão no próximo ano aos cofres federais.

Mais de duas semanas depois de ter enviado ao Congresso sua proposta de reforma do IR, a Receita apresentou o detalhamento de as projeções de impacto das medidas. De acordo com os cálculos, o projeto deve gerar um aumento líquido de arrecadação de R$ 2,47 bilhões no próximo ano, passando para R$ 1,6 bilhão em 2023 e R$ 2,08 bilhões em 2024.

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Dia de Luta das Mulheres Negras Latino-Americanas

Li o texto da Magda Barros Biavaschi e Marilane Oliveira Teixeira: Desigualdades, Feminismo e Teorias Libertadoras. Foi publicado em: 

http://www.justificando.com/2021/07/15/desigualdades-feminismo-e-teorias-libertadoras-mulheres-que-combinaram-de-nao-morrer/

Minha primeira impressão, talvez preconceituosa, foi ser mais uma denúncia marxista do capitalismo, no caso, focado na tentativa de defender sua hipótese – “sem trabalho doméstico, os trabalhadores não se reproduzem e, sem trabalhadores, o capital não pode ser reproduzido” – como uma tese. No sentido de reprodução sexual, esse postulado seria um axioma sem necessidade de ser demonstrado.

As coautoras cometem um erro metodológico de análise. Afirmam uma contribuição dado pelo marxismo ao feminismo seria um “método para compreender as bases materiais das relações sociais de desigualdade, exploração e opressão”.

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Economia da Boa Vida em lugar da Economia da Felicidade

Criador do chamado paradoxo felicidade-renda, ao qual foi conferido seu nome, e pioneiro no estudo da relação entre satisfação pessoal e dinheiro, Richard A. Easterlin chega aos 95 anos, completados em janeiro, batendo na mesma tecla que o inspira desde 1974, quando publicou seu primeiro estudo sobre a questão. Um aumento de renda pode significar no curto prazo uma maior sensação de bem-estar, mas a médio e longo prazos não é o dinheiro que traz felicidade, diz ele, que se considera feliz em parte por se dedicar exatamente a esmiuçar o tema, como disse ao Valor, por e-mail.

Seu mais recente livro, “An Economist’s Lessons on Happiness – Farewell Dismal Science!” (“Lições de um economista sobre felicidade – Adeus, ciência triste!”, em tradução livre), entrou na lista das 16 melhores obras de economia do primeiro semestre de 2021 do “Financial Times”, na seleção feita por Martin Wolf, o principal analista econômico do jornal. Wolf destaca: mais e mais pessoas estão aceitando um ponto fundamental das teses de Easterlin – de ser possível medir (e produzir) a felicidade, e é tarefa dos governos promovê-la, em vez de mirar apenas o aumento da renda.

Download:

Richard A. Easterlin – An Economist’s Lessons On Happiness_ Farewell Dismal Science! -Springer (2021)

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Educação Financeira X Influenciadores

Volatilidade do retorno esperado é considerado o risco no mercado financeiro. Por definição, renda variável (ações e demais ativos especulativos como dólar, ouro e bitcoin) tem de oferecer maior retorno para compensar o risco, senão o investidor opta por renda fixa em lugar da especulação. Quem tem aversão ao risco sai na oscilação para baixo e entra na alta, ou seja, tem o comportamento emocional inverso ao racional.

O Banco Central (BC) quer ampliar o foco da Educação Financeira, levando noções da área não apenas para adultos, mas também para crianças e adolescentes. Para isso, entrará em vigor nacionalmente no segundo semestre o Aprender Valor, voltado ao ensino fundamental da rede pública. Até 22 milhões de estudantes podem ser beneficiados diretamente.

“Assim, você corrige o problema antes de ele nascer”, diz o diretor de relacionamento, cidadania e supervisão de conduta do BC, Maurício Moura, em entrevista ao Valor (11/06/21), sobre a faixa etária.

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Brasil: Paciente em Estado de Negação

Amália Safatle (Valor, 21/05/21) escreveu reportagem com certa repercussão. O Brasil já nutria uma péssima autoimagem, que agora está evoluindo para um comportamento autodestrutivo.

Fosse o Brasil uma pessoa, dificilmente se levantaria do berço esplêndido para se deitar em um divã. É preciso admitir a existência de problemas para buscar um tratamento psicanalítico, mas esse sujeito se encontra em estado de negação. O negacionismo, palavra tão em voga, decorre da tentativa de fugir do trauma, um núcleo perturbador, constitutivo do sujeito, que portanto todo mundo tem, em maior ou menor grau. Mas, em vez de atravessar seu trauma, essa pessoa prefere contornar o sofrimento e optar por ideias exógenas, que lhe são mais convenientes.

Essa saída cobra seu preço. O sujeito age como um adolescente, embora já esteja envelhecendo, tendo acumulado questões não resolvidas de um passado doloroso, marcado por violência, autoritarismo e desilusões em série. A idade adulta chegou da pior forma, tornando esse indivíduo melancólico ou até mesmo depressivo. Mas há caminhos de cura – se o paciente aceitar ajuda terapêutica.

Este é um conjunto de visões descritas por psicanalistas convidados pelo Valor a imaginar um certo paciente Brasil, seus traços de personalidade, dores e crises. O exercício de imaginação foi encarado como um jogo por alguns, como Ricardo Goldenberg. Outros, como Sérgio de Castro, membro da Escola Brasileira de Psicanálise, viram como válida a extensão da psicologia individual para uma dimensão social.

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Luto da Nação e Comemoração do Genocida

João Luiz Rosa (Valor, 20/05/21) avalia: com mais de 440 mil brasileiros mortos pela covid-19 desde o início da pandemia, não são apenas as famílias das vítimas que precisam enterrar seus mortos. O Brasil também deve contar as perdas simbólicas e viver o luto, diz o psiquiatra e psicanalista Mario Eduardo Costa Pereira, professor livre-docente de psicopatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Precisamos fazer o luto de tudo que aconteceu no país: de como encaramos a pandemia, de nossa atitude mental e de solidariedade, de nossa postura científica, política.”

O processo de luto não é apenas individual, explica Pereira. “Existe o luto coletivo. E esses são momentos potencialmente importantes para a história de uma nação”. O passo mais importante é reconhecer as perdas. É só depois disso que se abre a possibilidade – para o indivíduo ou sociedade – de avançar e alcançar novos patamares. “Ao assimilar o que perdeu, você pode repatriar o que estava colocado naqueles objetos e trazer tudo novamente para dentro [de si]. É um resgate da energia mental a ser reinvestida em novas maneiras. Mas antes é preciso encarar a perda, fazer um balanço do que aconteceu, no que acertamos, no que erramos gravemente.”

Mesmo em relação a companheiros dos Brics, cujo cenário econômico e social é mais parecido com o brasileiro, a comparação é bastante desfavorável: na Índia, por exemplo, a média foi de 2,97 no mesmo período.

Esses números vêm se traduzindo, nos últimos meses, em cenas que os brasileiros assistem estarrecidos da sala de casa. São imagens de doentes morrendo por falta de oxigênio, cemitérios abrindo covas às pressas e familiares que não conseguem se despedir das vítimas. O que antes parecia distante, tornou-se próximo. “É difícil, hoje, encontrar uma família que não tenha alguém que ficou gravemente ferido ou morreu. Não é só um número vazio, de estatística”, diz Pereira. “Estamos em um momento de impacto, de trauma.”

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Ruído em Avaliação: Falha no Julgamento Humano

Ana Estela de Souza Pinto (FSP, 18/05/21) informa sobre o lançamento de novo livro sobre Neuroeconomia.

“Fala-se muito de preconceito, e com razão. Mas, por trás de decisões infelizes e julgamentos equivocados, existe outro tipo de erro que é preciso perceber, o ruído”, afirmou neste domingo Daniel Kahneman, professor emérito de psicologia em Princeton e ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2002.

Conhecido pela longa pesquisa sobre raciocínio e intuição que resultou no best-seller “Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar” e na vertente da Economia Comportamental, Kahneman lançou neste dia (18/05/21) um livro sobre essa fonte de erros menos percebida.

Noise: A Flaw in Human Judgment” (Ruído: uma falha no julgamento humano, ainda sem tradução no Brasil) foi escrito em parceria com o professor de direito de Harvard Cass Sunstein e o professor de Estratégia na Escola de Negócios HEC Paris Olivier Sibony.

No livro, eles detalham e exemplificam uma ideia apresentada já em 2016 pelo psicólogo israelense e outros três colegas: o inconsciente pode cobrar um alto custo em tomadas de decisão empresariais.

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Esboço do Livro “Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective” (abril 2021)

Baixe a Introdução do Livro:

Lall Ramrattan e Michael Szenberg – Fundamentos da Felicidade Uma Perspectiva Econômica – abril 2021

Capítulo 1: Introdução e visão geral da felicidade econômica

Neste primeiro capítulo, pintamos o pano de fundo sobre o qual desenharemos nossos conceitos econômicos de felicidade. Descobrimos o domínio do conceito ser um conjunto aberto de ideias. 

O conceito de utilidade é proeminente nesse domínio e é de suma importância no desenvolvimento da economia. Diz respeito à felicidade dos indivíduos e da sociedade. Ambos têm desafios de mensuração. 

Pode-se adotar uma abordagem subjetiva ou objetiva para a felicidade econômica com base em sua inclinação. Essa é a visão panorâmica do projeto em questão. Ela é elucidada em diferentes capítulos especializados nas ideias substanciais encontradas na literatura.

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Escopo da Felicidade

Antigos pensamentos sobre felicidade estão ligados à ideia do bem supremo. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o supremo bem-criado é o mundo mais perfeito, ou seja, um mundo no qual todos os seres racionais são felizes e são dignos de felicidade” (Kant, 1963, p. 6). Isso implica existirem algumas considerações éticas subjacentes à felicidade.

Se alguém alcança a felicidade por meios injustos, então não será digno de felicidade. Visto do ponto de vista do conceito antigo do bem supremo, a riqueza e a saúde são necessárias para o bem-estar, mas devem estar associadas ao mérito e também ao fazer o bem.

A unidade de bem-estar e bem-estar pode ser rastreada até o conceito de simplicidade do cínico e do epicurista sobre prudência

Como Lall Ramrattan e Michael Szenberg mostram no capítulo seguinte do livro Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective, outras escolas, como a do Sofista, foram ligadas a Sócrates, Platão e Aristóteles e ancoraram esses conceitos no conhecimento e na sabedoria. 

Por exemplo, pessoas sábias anseiam pela verdade e apreendem coisas ainda mais distantes dos sentidos. Isso contrasta com os cirenaicos a buscarem apenas o prazer.

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Felicidade na Literatura

No romance The History of Rasselas: Prince of Abyssinia, Samuel Johnson (1889) fez um relato da busca do príncipe pela felicidade. Rasselas morava no Vale da Felicidade. Um dia ele decidiu buscar a felicidade no mundo exterior ao viajar para fora do vale. 

Ele descobriu várias verdades sobre a felicidade

  • primeiro, precisamos de estímulo mental para enfrentar a estagnação da vida; 
  • segundo, ninguém está perfeitamente feliz
  • terceiro, o prazer não pode satisfazer o desejo infinito da alma ansiosa e, portanto, deve-se buscar alguma atividade produtiva ou criativa (Kalpakgian, 2018).

As Teorias de Felicidade, elaborada por Johnson, sustentam uma pessoa não dever “negligenciar o estudo de si mesma, o conhecimento de sua própria posição, nas fileiras do ser humano, e suas várias relações com as inúmeras multidões em torno de si, e com as quais seu Criador o ordenou para estarem unidas para a recepção e comunicação da felicidade” (Probyn, 1978, p. 259).

Essa visão é baseada em preocupações éticas modernas, desde John Locke, a respeito de o autoconhecimento e a prática da piedade cristã (p. 259).

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Uma Medida Métrica de Felicidade

Ao desenvolver a Teoria da Utilidade, Jeremy Bentham fez a proposição da maior felicidade para a maioria das pessoas. Ele sugeriu o prazer dever ser medido por variáveis ​​como intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade, pureza e extensão. 

Pode-se seguir Robert McNaughton ao traduzir esse conceito para uma medida métrica de preferências (McNaughton, 1953). Ele especificou um intervalo curto o suficiente para a experiência de felicidade ser a mesma no momento. 

Podemos então comparar esses momentos em experiências com outro momento. Dados dois desses momentos nas experiências, podemos ter relações de preferência e equivalentes entre eles. Então, podemos criar axiomas para medição métrica da seguinte maneira.

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