Algumas Medidas Gerais de Felicidade

A correlação entre felicidade, dinheiro, riqueza, utilidade e renda foi feita ao longo da história. Por exemplo, a Boa Sociedade:

“Há, em primeiro lugar, o requisito absoluto e inescapável de todas as pessoas, em sociedades boas e decentes, terem uma fonte básica de renda. E se isso não está disponível no livre mercado, como agora é chamado. Deve vir do Estado. Nada, não esqueçamos, impõe um limite mais forte à liberdade do cidadão senão a total ausência de dinheiro no bolso (ou no banco)” (Galbraith, 1994, p. 167)

Uma medida do bem-estar de uma nação é o Produto Interno Bruto (PIB). Adam Smith, o pai da economia clássica, queria aumentar a riqueza de uma nação mais rapidamente. Ele escolheu um sistema de interesse próprio em parte porque as pessoas seguidoras de seu interesse próprio beneficiariam, involuntariamente, os outros.

Desde então, os economistas têm se preocupado com o desempenho inferior do sistema capitalista. Para David Ricardo, estava se lutando contra os retornos decrescentes da natureza; para Thomas Malthus, foi o rápido crescimento populacional; e para Karl Marx, era um conflito de classes. 

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Visão Geral da Felicidade Econômica

Nos tempos antigos, medievais e modernos, as pessoas lutaram pela busca da felicidade. Os humanos tentaram localizar a felicidade do ponto de vista do divino, do homem na terra, e alguma combinação conhecida como Deus-homem ou super-homem. 

A terra foi criada com recursos possíveis de fazer uma pessoa feliz por algum esforço, ação ou escolha guiada pela razão. Alguns psicólogos acham “buscar a felicidade” por meio da intuição, do acaso ou da graça é um conceito primitivo. Alguns filósofos pensam não haver caminho ou método para a felicidade. 

Um conjunto de pessoas pensa ser possível obter felicidade por meio da graça ou um dom de Deus, do Criador ou de um ser sobrenatural. Outro grupo de pessoas pensa a felicidade vir como uma coisa secundária de uma vida virtuosa. Enfim, muitas pessoas pensam isso se relacionar com o ganho de riqueza e renda.

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Fundamentos da Felicidade: Prefácio de Vernon Smith

O tema onipresente da Felicidade não foi tão bem tratado em parte alguma como em apenas cinco capítulos compactados deste livro. Junto com dezenas de outros, os coautores – Lall Ramrattan e Michael Szenberg – do livro Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective (Edward Elgar Online, abril de 2021) fazem um ótimo trabalho ao incluir o que meu estudioso favorito tinha a dizer: Adam Smith, em The Theory of Moral Sentiments (1759).

Minha edição preferida de Dugald Stewart tem um subtítulo magnífico: Um ensaio para uma análise dos princípios pelos quais os homens julgam naturalmente a respeito da conduta e do caráter, primeiro de seus vizinhos e depois de si mesmos. A isso ele acrescenta (modestamente, garanto-lhe): Uma dissertação sobre as origens das línguas. Nova edição. Com uma memória biográfica e crítica do autor, de Dugald Stewart (Londres: Henry G. Bohn, 1853). Este Prefácio me dá uma desculpa para embelezar um pouco a discussão.

A palavra “felicidade” aparece 156 vezes na edição de Stewart, incluindo as memórias de Stewart de Adam Smith. Em que consiste a felicidade? Muito simplesmente, acredito, é ser amado e amável. Mas se não tivermos autenticidade, não pode haver amor, alegria ou propósito.

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Cannabis Sativa: Uso Recreativo e Medicinal da Maconha

Como de costume, a pauta de costumes conservadores no Brasil atrasa o país em termos culturais e econômicos. É mais um desserviço prestado pelas Igrejas/Templos aos brasileiros!

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, sancionou, no dia 01/04/2021, o projeto de lei a legalizar o uso recreativo e medicinal da maconha no Estado norte-americano.

Com a sanção, Nova York se torna o 16o Estado a legalizar a cannabis recreativa nos EUA e será o segundo maior mercado do produto no país, atrás da Califórnia.

Segundo o governo de Nova York, a liberação do uso recreativo da maconha pode gerar US$ 350 milhões por ano em impostos e criar até 60 mil novos empregos.

A lei permite maiores de 21 anos comprarem maconha e cultivarem pés para consumo próprio. Estabelece ainda limite de porte para uso pessoal de até 85 gramas.

O projeto é visto não apenas como forma de melhorar a arrecadação do governo estadual em meio à crise decorrente da pandemia, mas também como uma medida de promoção da justiça racial.

Estudos mostram: jovens negros e latinos abordados pela polícia com pequenas quantidades de maconha têm mais chances de serem denunciados do que usuários brancos.

A lei prevê anulação das condenações anteriores por porte superior ao novo limite, além de destinar 40% da receita tributária para comunidades negras e latinas.

Cuomo afirmou, com a sanção do projeto, o Estado “abraçará” um novo setor. Ele fará sua economia crescer, e priorizará comunidades marginalizadas, corrigindo erros do passado.

Casta dos Sabidos-Pastores: Good-Business com Isenção Fiscal

Bruno Carazza é mestre em economia, doutor em direito e autor de “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”. Publicou artigo (Valor, 12/04/21) sobre a escandalosa isenção fiscal de Igrejas/Templos: a lucrativa exploração das cobranças de esmolas/dízimos do povo pobre em busca de reconhecimento pessoal e pregação contra os vícios dos parentes. O “rebanho” fica entre duas extorsões: de um lado, evangelismo, de outro, milicianismo!

Nos primórdios, a ordem era a seguinte: em primeiro lugar a Igreja, depois a unidade do Estado e as leis e só então viria o interesse da população.

“Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império e fazer observar a Constituição Política da Nação Brasileira, e demais Leis do Império, e prover ao bem geral do Brasil”, exigia o art. 103 da nossa primeira Constituição, proclamada por Pedro I em 25 de março de 1824.

Logo após a Independência, a liberdade de culto existia apenas no papel, pois o catolicismo era o credo oficial; o único com direito a possuir templos – as demais práticas religiosas eram permitidas apenas em residências ou espaços fechados, sem demonstração externa. E havia um detalhe: para ser deputado, era preciso ter pelo menos 400 mil réis de renda líquida e professar a religião do Estado – ou seja, ser católico.

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“Boquinha” da Elite Econômica da Casta dos Mercadores

Juliana Schincariol (Valor, 12/04/2021) informa: os Conselheiros de Administração, eleitos na assembleia da Petrobras, terão a missão de ajudar a construir a estratégia de uma das maiores empresas do país. Apesar da visibilidade e do status que o cargo traz, o salário não está entre os maiores das companhias que compõem o Ibovespa. As informações constam em levantamento elaborado pelo ex-diretor da Previ e especialista em governança, Renato Chaves, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na petroleira, os gastos com o Conselho de Administração foram de quase R$ 3 milhões no ano passado. Na assembleia de hoje, serão eleitos oito nomes para o conselho de um total de 11. No sentido oposto, empresas como Natura (R$ 81,1 milhões) e Bradesco (R$ 90,8 milhões) são as que mais gastaram com estes representantes em 2020. Em muitos casos, os ganhos vão além dos salários e se multiplicam com a participações em comitês, por exemplo.

Considerando apenas o pagamento de salários de conselheiros, a estatal desembolsou R$ 1,6 milhão em 2020. Não há remuneração por comitês, mas “outros gastos” e “cessação de cargos” (remuneração por outra função, em geral da diretoria) quase dobram o gasto total para R$ 2,9 milhões. Todos os números do levantamento constam nos formulários de referência de 2019 e de 2020 das companhias. Apenas na Natura, os dados foram colhidos das demonstrações financeiras.

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Biografia da Depressão: Psíquica e/ou Econômica

Uma Biografia da Depressão

Christian Dunker Paidós 240 págs., R$ 46,90

Sérgio Telles é psicanalista e escritor, autor de vários livros, entre eles “Posto de Observação” (Editora Blucher, 2017). Escreveu uma resenha sobre o livro de Christian Dunker (Valor, 26/03/21). Compartilho-a abaixo.

Christian Dunker – conhecido psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e presença na mídia – organiza de forma criativa essa abrangente história da depressão, ao organizá-la como uma biografia com episódios intitulados de forma sugestiva, que atiçam a curiosidade do leitor.

Inicia a biografia com os nobres “antecedentes familiares” da depressão: a melancolia e a tristeza (acídia), descritos por Aristóteles e por monges medievais, bem como por escritores como Richard Burton (“A Anatomia da Melancolia”, de 1621).

O “nascimento” da depressão se dá em 1785, quando William Cullen retira a melancolia de suas origens ilustres e a inscreve no domínio da medicina, transformando-a numa das “doenças dos nervos”.

O aparecimento da “depressão” coincide com a instalação do romantismo nas artes, o que dá oportunidade a Dunker de estabelecer aproximações entre o transtorno e vários artistas, como Turner, Edvard Munch, Edward Hopper, Lewis Carroll, Samuel Beckett e Van Gogh.

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Fase 3 do Arco da Vida: Terceira Idade

Esta terceira fase da vida, segundo Ray Dalio, é oposta em vez de ser semelhante à segunda fase. Na terceira fase, você tem uma abundância de liberdade porque: 

  1. você deixa seu trabalho e obrigações parentais para trás, não tem de cuidar de seus pais quando eles se foram, 
  2. você não tem que provar a si mesmo, ninguém está te guiando e 
  3. você tem muito tempo livre para saborear sua família, seus amigos e suas atividades favoritas.

Normalmente, é na parte inicial desta fase quando se tem netos, o que é quase universalmente considerado uma alegria excepcional. (Posso atestar isso.) 

No entanto, como todas as transições de vida, de sua segunda para a terceira fase leva tempo para se acostumar. Porque na fase anterior você provavelmente era muito necessário e se sentia importante por isso. Então, pode ser difícil fazer a transição para esta fase quando você não é mais tão necessário como costumava ser, até você aprender a amar o que é essa fase da vida tem a oferecer.

A boa notícia é os anos 70 serem relatados como os anos mais felizes de toda a vida, de acordo com pesquisas sobre felicidade em todo o mundo. A outra boa notícia é você chegou a essa idade – e aqueles tendo chegado aos 70 têm uma expectativa de vida de mais 15 anos. 

Então, acrescenta cerca de 5 anos a mais em relação ao tido quando nasceu e tem muito o que desfrutar. Nesta fase, você terá mais sabedoria e habilidades para transmitir a outras pessoas. Poderá ajudá-las a ter sucesso, e terá muito tempo para saborear a vida de várias maneiras.

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Fase 2 do Arco da Vida: Profissional

A segunda fase da vida, segundo Ray Dalio, é oposta em vez de ser semelhante à primeira fase. Ao passar da primeira para a segunda fase, você sairá do caminho para o qual foi orientado e se tornará livre para fazer suas próprias escolhas. Elas são amplas. 

Você pode morar em qualquer lugar do mundo onde quiser, trabalhar em qualquer emprego possível de acordo com sua rede de relacionamentos e capacidade laboral, e estar com quem quiser. Em outras palavras, você pode fazer praticamente tudo o que quiser se for inteligente e capaz o suficiente para fazer isso acontecer

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Fase 1 do Arco da Vida: Fase Escolar

Na primeira fase, você nasce com certas inclinações naturais e em diferentes circunstâncias. Embora existam diferenças, nesta fase todos são dependentes de quem os orienta, provavelmente, um dos pais ou os dois. Passarão por quatro subfases correspondentes à pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e graduação.

Em cada uma dessas subfases, o cérebro está pronto para aprender coisas diferentes. 

Por exemplo, nos anos pré-escolares, o bebê e depois a criança pequena obtêm vários graus de segurança, curiosidade e determinação. Nos anos elementares, o jovem está mais receptivo para aprender linguagens e interações sociais. 

Nos anos do ensino médio, a puberdade altera muito a função cerebral de uma pessoa, então, ajuda-lo nessa transição é importante. Nos anos de ensino médio ou pós-puberdade, o cérebro é mais adequado para aprender habilidades sociais, emocionais e analíticas.

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Exercício para seu Arco de Vida (por Ray Dalio)

O artigo abaixo foi publicado no Linkedin, em 17 de março de 2021, por Ray Dalio. Ele é Co-Diretor de Investimentos e Co-Presidente da Bridgewater Associates, L.P. Traduzi-o para ilustrar a aula sobre Modelo de Ciclos de Vida Financeira no meu curso sobre Finanças Comportamentais ou Finanças Pessoais para o Planejamento da Vida Financeira.

“Este exercício tem como objetivo ajudá-lo a colocar sua vida e a vida das pessoas de quem você gosta em perspectiva e planejar o futuro para ajudá-lo a conseguir a vida desejada. Essa perspectiva me ajudou e muitas pessoas com quem compartilhei. 

Espero ajudar a você. Se quiser experimentar uma versão interativa do exercício, você pode acessar o aplicativo gratuito Princípios em Ação aqui: https://principles.app.link/fonGGoiDzeb.

Como você sabe, descobri quase tudo acontecer, repetidamente pelos mesmos motivos. Então, para entender qualquer coisa, vale a pena entender como um caso típico se desdobra e observar as relações de causa e efeito capazes de o fazerem se desdobrar dessa maneira.

Então, com esse caso típico em mente, pode-se examinar as diferenças entre os casos individuais e o caso típico para entender as razões para as diferenças. Neste exercício, vou pedir a você observar tanto o arco da vida típico, quanto o de sua própria vida, e refletir sobre eles. Este exercício o ajudará a imaginar o que provavelmente vai acontecer com você, planejar e lidar com isso quando vier.

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Para entender Discursos de Ódio

Além de potencialmente psicótico, o jovem moderno, forjado no niilismo, tem uma tendência a demonizar as gerações anteriores, embora ele próprio não tenha lá tanta bagagem intelectual. Ele se radicaliza na história de “o nada ser o fundamento de tudo e, portanto, eu posso criar o que eu quiser em cima do nada, porque tudo é mentira mesmo, tudo é construção social, e você está construindo socialmente no Instagram, no Twitter, e isso pode ganhar eleição”.

E ganhou. O capitão eleito é um recalcado por sua formação militar e expulsão do exército. Daí optou pela carreira política oportunista e corporativista. Desenvolveu ódio pela elite intelectual progressista e adotou o negacionismo científico.

Colhe os frutos de uma geração marcada pelas redes sociais com seus discursos de ódio contra a sociedade (e seus representantes como o PT) e pelo relativismo. Mesmo antes de ser presidente, o político já há algum tempo tinha apoio dos jovens e se comunicar no baixo nível (e baixo calão) da língua idiota dos memes e das frases de efeito de redes sociais.

Psicopatas e sociopatas sofrem de Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS) e a principal diferença entre os dois está no modo como eles desenvolveram a doença.

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