O que o Nexo está lendo

“O que estamos lendo” é a newsletter do Nexo com uma seleção de indicações da redação para seus assinantes, mas todo conhecimento deve ser compartilhado para não ser restrito à casta dos sábios intelectuais. Portanto, pesquise as fontes de seu interesse ao clicar nos links em azul. Há boas dicas para sua leitura.

Tradução? Não é mais desculpa, para não estudar, pois está cada vez melhor o copiar-colar no:

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Cognição

Cognição é a capacidade de processar informações e transformá-las em conhecimento. É adquirida com base em um conjunto de habilidades mentais e/ou cerebrais como a percepção, a atenção, a associação, a imaginação, o juízo, o raciocínio e a memória.

As informações a serem processadas estão disponíveis no meio-ambiente natural e institucional onde vivemos. O cérebro interpreta todas as informações captadas pelos cinco sentidos. Faz a conversão dessa interpretação na nossa forma de ser.

O processo cognitivo, para a formação de qualquer conhecimento, ocorre através de atividade mental. Desenvolve-se desde o nascimento até a fase de envelhecimento.

As funções cognitivas trabalham em conjunto para adquirirmos novos conhecimentos e criarmos interpretações. Algumas delas são: percepção, atenção, aprendizagem, pensamento, memória, linguagem ou comunicação.

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Filosofia da Ciência

O conhecimento científico opera por indução. Isso significa trabalhar a partir de observações particulares, por exemplo, “todo cisne visto é branco”. Se esses princípios não podem ser comprovados, apenas refutados, por exemplo, pela observação de um cisne negro na Austrália, inexistente na Europa, adotamos eles, de maneira provisória, em direção a princípios gerais. Portanto, se uma afirmação científica trata da realidade, ela deve ser falsificável, afirma Karl Popper (1902-1994).

A incapacidade de falar sobre o futuro com alguma certeza é chamada de problema da indução. Não foi reconhecida pela primeira vez por economistas pós-keynesianos, na década de 70 no século XX, mas sim por David Hume no século XVIII.

O que é raciocínio indutivo? A indução é o processo de deslocar-se de um conjunto de fatos observados para conclusões mais gerais sobre o mundo.

Em contrapartida, o raciocínio dedutivo, ao contrário da indução de se deslocar do caso particular para o geral, desloca-se do geral para o particular. Por exemplo, começa de duas premissas e obtém uma conclusão.

Simplifica-se os argumentos dedutivos, escrevendo-os em notação. Se P, então Q; uma vez P, portanto, Q. 

Todos argumentos desse tipo são válidos, porque suas conclusões seguem inevitavelmente suas premissas. O fato de um argumento ser válido não significa suas conclusões serem verdadeiras.

Se a premissa for falsa, mesmo se o argumento em si for válido, a conclusão também será falsa. Argumentos válidos com premissas verdadeiras são “sólidos”.

Os argumentos dedutivos são como programas de computadores. As conclusões alcançadas (output) são tão satisfatórias quanto as informações recebidas (input).

O raciocínio dedutivo tem papel-chave na Ciência, mas, por si só, não diz nada sobre o mundo real. Ele apenas afirma: “se isto, então, aquilo”.

Temos de contar com indução para nossas premissas. Assim, a Ciência tem de carregar o fardo da indução.

Por essa razão, de acordo com Popper, não podemos provar nossas teorias serem verdadeiras. O que faz uma teoria ser componente não apenas de uma Ciência Abstrata, mas também de uma Ciência Aplicada às decisões práticas, não é o fato de ela ser provada, mas de ser testada na realidade e demonstrada como potencialmente falsa.

Uma teoria falsificável não é uma teoria apenas falsa, mas uma demonstrada como falsa por meio de uma observação empírica. As teorias impossíveis de ser testadas, por exemplo, um ser sobrenatural acompanhar cada ser humano de maneira vigilante com prêmios e castigos, não faz parte da Ciência Natural. Simplesmente, dogmas não compõem o tipo de teoria testada e aprovada por Ciência.

Infelizmente, a ideia de falsificabilidade (ou falseamento) não invalida os crentes acreditarem em ideias sobrenaturais impossíveis de serem falsificadas. As crenças religiosas resistem a testes repetidos, ou seja, à tentativas de falsificação.

Elas se mantém como “âncoras seguras”, para pessoas inseguras, porque mesmo as melhores teorias estão sempre abertas à possibilidade de um novo resultado demonstrar sua falsidade. Os crentes acreditam não porque aquela fé é verdadeira, mas simplesmente porque outras pessoas de sua comunidade acreditam naquilo e lhe apoiam emocionalmente.

Enfim, o pensamento sempre funcionou por oposição. As oposições definem o modo como pensamos o mundo.

Temos a tendência de agrupar elementos do mundo real e imaginário em pares opostos, tais como certo/errado, verdadeiro/falso, deus/diabo… 

Esses pares são sempre classificados hierarquicamente. São sustentados por uma tendência de considerar um elemento superior ou dominante, associado com o ativo, enquanto o outro elemento mais frágil é associado com o passivo.

O jogo de repropor oposições binárias de vencedores e vencidos não é a meta de um pensamento a respeito de um sistema complexo. Ele é analítico de múltiplos componentes – e não apenas de pares antagônicos.

Não podemos fazer suposições a priori com certeza a respeito de resultante de múltiplas interações conhecidas e outras tantas desconhecidas. A única atitude possível é observar e esperar, ativamente, até ver o resultado.

Método Racionalista

Frequentemente, a Filosofia moderna é apresentada dividida em duas escolas;

  1. a dos racionalistas, incluindo René Descartes, Bento de Espinosa e Immanuel Kant;
  2. a dos empiristas, incluindo John Locke, George Berkeley e David Hume.

Vários filósofos não se encaixam, automaticamente, neste ou naquele grupo. A diferença essencial entre as duas escolas era epistemológica. Elas divergiam em suas opiniões sobre: 

  1. o que podemos saber e 
  2. como sabemos o que sabemos.

Os empiristas sustentavam o conhecimento derivar da experiência, enquanto os racionalistas afirmavam o conhecimento poder ser adquirido exclusivamente por meio da reflexão racional.

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Método Científico

O filósofo Francis Bacon (1561-1626) estabeleceu um novo método para conduzir experiências científicas, baseado em observações detalhadas e raciocínio dedutivo. Sua metodologia forneceu um novo sistema para investigar o mundo.

Ele enfatizou a necessidade de testar uma nova teoria. É dever do cientista buscar exemplos negativos, chamados de “cisnes negros” por falsear a teoria de “todos os cisnes são brancos”.

Colocou em primeiro plano a experiência prática na Ciência. Foi criticado por negligenciar a importância dos saltos imaginativos para impulsionar todo progresso científico.

O conhecimento científico avança cumulativamente, descobrindo leis (padrões) e tornando possíveis as invenções. Permite se fazer atividades antes impossíveis. 

Bacon considerava as aplicações práticas das descobertas científicas serem seu objetivo principal. Por isso, conhecimento é poder.

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Método Socrático contra a Vida Irrefletida dos Crentes

Para viver uma vida virtuosa, segundo a Filosofia de Sócrates, é necessário distinguir entre o “bom” e o “mau”. Como são conceitos absolutos – e não relativos –, só podem ser julgados por meio de um processo de questionamento e raciocínio.

Por isso, a moralidade e o conhecimento estão relacionados. Uma vida alienada e não questionada é uma vida de ignorância, isto é, sem conhecimento nem moralidade. Sócrates conclui seu raciocínio: “a vida irrefletida não vale a pena ser vivida”.

Ele não procurava respostas ou explicações definitivas. Somente investigava a base dos conceitos aplicados a nós mesmos. Compreender quem somos é primeira tarefa da Filosofia.

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Visão de Estratégia de Soberania Nacional contra Aquisições das Big Tech

A Apple tem valor de mercado acima do PIB do Brasil. As FAAMGs são cinco gigantes de tecnologia americanas, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, e Google.

Tom Braithwaite (Financial Times, 01/12/2020) informa: as gigantes de tecnologia da atualidade foram erigidas com base na inovação, mas nem sempre a delas. Em momentos cruciais de sua história, Google e Facebook fizeram aquisições bem pensadas, de empresas menores. Elas amplificaram o crescimento de ambas ou tiraram de cena futuros concorrentes.

Agora essa estratégia depara-se com grandes obstáculos. O mais novo sinal veio no mês de novembro, quando o Departamento de Justiça entrou com processo para impedir a compra do grupo Plaid, de tecnologia de serviços financeiros, pela Visa, por US$ 5,3 bilhões. O negócio “precisa ser impedido”, alegaram os advogados do governo, pois “eliminaria uma nascente ameaça competitiva provavelmente capaz de resultar em economias substanciais e serviços de débito on-line mais inovadores para comerciantes e consumidores”.

A Visa controla cerca de 70% das transações de débito on-line nos Estados Unidos. A Plaid, fundada em 2013 como uma programadora de softwares que compartilham dados financeiros entre contas bancárias e aplicativos de terceiros, não está presente no mercado de meios de pagamento, mas vem desenvolvendo sua própria ferramenta de débito.

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Fim do Livro Impresso? Fim da Leitura? Quem lê se destaca

Danilo Thomaz (Valor, 11/09/2020) informa: pela primeira vez, a pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro e o Itaú Cultural, foi a campo em 208 municípios do Brasil para conhecer não somente o leitor brasileiro, mas também o consumidor de literatura, seja no formato físico, seja em outras plataformas. A pesquisa quadrienal, em sua quinta edição, foi realizada entre 2019 e 2020 por meio de 8.076 entrevistas residenciais.

A amostra apresenta comportamentos comuns entre os leitores de literatura e os leitores de livros – aqui sem especificar o gênero – no que diz respeito à maneira de ler as obras. Sessenta e cinco por cento dos leitores de livros de literatura abandonam um título antes do fim, enquanto 66% dos leitores em geral o fazem. Vinte e nove por cento leem mais de um livro por vez no primeiro grupo, enquanto 28% o fazem no segundo grupo. A principal diferença entre os dois segmentos nesse aspecto é quanto ir até o fim com a leitura de um livro – mesmo sem gostar dele: 53% dos leitores de livros de literatura o fazem ante 47% dos leitores gerais.

A pesquisa perguntou, pela primeira vez, qual é a principal influência para o interesse pela literatura. Para 52% das pessoas, a escola e os professores foram os meios que os levaram à literatura. “Certamente a pandemia deve impactar na indicação do professor como o principal influenciador, em especial no fundamental I e nas faixas etárias entre 11 e 17 anos. Já a mãe é mais citada entre 5 e 10 anos. A torcida é para que, com o isolamento social, os pais assumam esse papel na mediação da leitura”, afirma a socióloga Zoara Failla, coordenadora da pesquisa. Continuar a ler

Liberdade de Expressão para negacionismo e macarthismo?!

Helena Celestino (Valor,10/07/2020) entrevistou uma intelectual norte-americana de 78 anos muito lúcida a respeito das dificuldades da vida cultural e política atual.

Quando Donald Trump foi eleito, a historiadora Joan Scott começou a sentir-se ansiosa, com medo de ameaça indeterminada, ao acompanhar medidas do novo governo dos EUA. “Era, de alguma maneira, o retorno do que estava reprimido, não só para mim, mas para o país inteiro”, escreve ela em artigo sobre como a direita fez da liberdade de expressão uma arma.

Era como se o macarthismo (1950-1957) tivesse voltado: naquela época, quando ela tinha 10 anos, seu pai, professor orgulhoso do seu trabalho, foi demitido por recusar-se a dizer se era ou não comunista, em nome da defesa da liberdade acadêmica. Passaram-se sete décadas até professores voltarem a entrar na mira da extrema-direita americana. “A expertise do conhecimento está sob ataque”, diz.

Historiadora, professora de Princeton, autora de livros, Joan Scott, de 78 anos, é uma feminista aclamada como uma das criadoras do conceito de gênero. Continuar a ler

29 Minutos Para Falar Bem Em Público – Parte V

Prossigo com o resumo das principais ideias do livro de autoria de Rachel Polito e Reinaldo Polito: “29 minutos para falar bem em público” (Rio de Janeiro: Sextante, 2015).

COMO SER BOM DE PAPO

  • Seja natural. Essa é uma das regras mais importantes para quem deseja conversar bem.
  • Demonstre ouvir com interesse. Use expressões fisionômicas ou palavras indicativas de estar acompanhando e se interessando pela conversa.
  • Aprenda a contar histórias curtas e interessantes. Essa é uma combinação importante, pois, em uma boa conversa, de maneira geral, não adianta a história ser curta se não for interessante, nem ser interessante se não for curta.
  • Desenvolva seu lado espirituoso e bem-humorado. Esses recursos tornam as conversas atraentes e instigantes.
  • Faça perguntas fechadas (“quem?”, “onde?”, “quando?”) ou abertas (“por quê?”, ”como?”, “de que maneira?”), dependendo do rumo desejado dar à conversa.
  • Tenha interesse verdadeiro pelas pessoas com quem conversa.

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29 Minutos Para Falar Bem Em Público – Parte IV

Prossigo com o resumo das principais ideias do livro de autoria de Rachel Polito e Reinaldo Polito: “29 minutos para falar bem em público” (Rio de Janeiro: Sextante, 2015).

COMO DAR UM SHOW NO PALCO

  • Descubra o feito por você de melhor e use em suas apresentações. Você sabe contar piadas ou histórias interessantes? Sabe fazer imitações? Leve para os ouvintes essas habilidades. Esse é o espetáculo necessário para sua apresentação ser bem-sucedida.
  • Pratique contar histórias interessantes para amigos e familiares. Essas situações são as mais adequadas para ensaiar esses ingredientes espetaculares. Se funcionar nos ambientes mais íntimos, também poderá dar resultado diante dos ouvintes.
  • Saiba dosar o show de acordo com o tipo de plateia pela frente. Quanto mais numeroso e inculto o público, mais espetacular poderá ser a apresentação. Quanto menor e mais instruído o público, mais moderado deverá ser o espetáculo.

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29 Minutos Para Falar Bem Em Público – Parte III

Prossigo com o resumo das principais ideias do livro de autoria de Rachel Polito e Reinaldo Polito: “29 minutos para falar bem em público” (Rio de Janeiro: Sextante, 2015).

COMO EXPOR PARA APROVAR UMA PROPOSTA

  1. Grupos são diferentes
  2. Conheça os ouvintes / público-alvo
  3. Teste a reação da plateia
  4. Estabeleça a profundidade do tema
  5. Não confunda o tipo de resistência do grupo ao assunto com à sua pessoa
  6. Concorde com os pontos em comum
  7. Demonstre seu conhecimento
  8. Tranquilize os ouvintes
  9. Trabalhe previamente nos bastidores
  10. Leve o melhor possível
  • Antes de apresentar uma proposta, converse pessoalmente “nos bastidores” com os envolvidos na avaliação dela. Assim, será mais fácil afastar as possíveis resistências.
  • Os ouvintes apresentam características peculiares. Procure descobrir a faixa etária, o nível intelectual e o conhecimento possuído sobre o assunto. Dessa forma, será mais simples adequar a mensagem ao interesse e às características das pessoas.
  • Avalie se há resistência dos ouvintes. Se ela for em relação a você, mostre conhecimento e autoridade. Se for relacionada ao assunto, inicie tocando nos pontos com os quais o público concorda. Se o problema for o ambiente, prometa ser breve na exposição.
  • Não use um argumento polêmico para apoiar outro argumento polêmico.

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