Queda da Indústria Brasileira no Atual Contexto Mundial Benigno

Confira, no ranking mundial, a queda de PIB baseado em PPC do Brasil com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Em 2005, durante o Governo Lula, a indústria brasileira era 2,9% da mundial; em 2016, sua representatividade caiu para 1,8%. Enquanto isso, a China e a Índia, utilizando-se da alavancagem financeira propiciada por seus bancos públicos, elevam seus PIBs. A China ultrapassou os EUA em 2014.

Confirme abaixo a importância de líderes como Lula, Obama e Merkel para seus países adotarem estratégia desenvolvimentista e compare com o quadro depressivo atual em função do golpe de Estado “semi-parlamentarista”.

 

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Indústria 4.0 na Alemanha

A Carta IEDI 807, divulgada em 28.09.2017, tem como tema a Indústria 4.0 na Alemanha e foi elaborada a partir do documento de divulgação “Industrie 4.0: Smart manufacturing for the future”, publicado em 2014 pela Agência Alemã de Investimento e Comércio (GTAI, na sigla em alemão), que traz o ponto de vista do governo federal alemão e das principais empresas industriais participantes da iniciativa. 

Como contraponto à visão dominante, a resenha traz os principais argumentos de dois artigos acadêmicos.

  1. O primeiro artigo, “Social Innovation Policy for Industry 4.0” de autoria do professor Daniel Burh da Universidade Eberhard Karls, de Tübingen, publicado em 2015, discute as possíveis consequências da Indústria 4.0 no mundo do trabalho e defende que a iniciativa seja definida e entendida como uma inovação social e não apenas como uma inovação tecnológica.
  2. O segundo artigo, “The Challenges of Industry 4.0 for Small and Medium-sized Enterprises”, de autoria do pesquisador Christian Schröder, do Institut für Mittelstandsforschung, publicado em 2016, analisa a difusão da Indústria 4.0 e aponta os obstáculos e desafios para o segmento de pequenas e médias empresas alemãs (conhecido como Mittelstand).  Continue reading “Indústria 4.0 na Alemanha”

Peso da Exportação de Soja para a China

A pauta de exportação brasileira é formada principalmente por commodities que passaram por elevação de preço ou que tiveram alta de volume por conta de safra maior. Dos US$ 107,7 bilhões embarcados pelo Brasil no primeiro semestre, mais de 30% – US$ 34,8 bilhões – foram em minério de ferro, petróleo e soja. Enquanto a exportação do grão subiu 20% de janeiro a junho deste ano em relação a iguais meses de 2016, a de minério de ferro quase dobrou, com alta de US$ 4,7 bilhões para US$ 8,9 bilhões. A venda de petróleo mais do que dobrou no mesmo período, de US$ 4 bilhões para US$ 9,2 bilhões. A exportação do setor automotivo representou 7,3% do total; cresceu 31,8% no primeiro semestre de 2017, com alta de 11,7% na produção físicaPetróleo e combustível representam 7,5% do total exportado; minérios, 7,6%; complexo soja, 7,4%.

Há dez anos, o Brasil era o principal produtor e exportador de açúcar (41% do comércio mundial), café (23%) e suco de laranja (83%). Era o segundo produtor e primeiro exportador de álcool (38%), tabaco (27%), complexo soja (39%), carne bovina (33%) e carne de frango (39%). Era o terceiro produtor e terceiro exportador de milho (10%) e quarto exportador de carne suína (15%). Em exportação por produto, 26% dos produtos pertenciam à agroindústria.

Kauanna Navarro (Valor, 11/09/17) informa que, apesar do crescimento econômico mais lento, a China deverá ter uma demanda adicional de cerca de 35 milhões de toneladas de soja em dez anos, segundo o banco holandês Rabobank. De acordo com estudo, o Brasil poderá absorver 80% dessa demanda adicional. Se a previsão se confirmar, serão 28 milhões de toneladas a mais partindo dos portos brasileiros para o mercado chinês – o que, considerando o preço médio para o grão exportado em agosto, representa US$ 10,52 bilhões.

O estudo, assinado por Lief Chiang e Victor Ikeda, indica que a demanda chinesa crescerá ancorada na urbanização e consolidação da pecuária, especialmente do segmento de produção de suínos. A população urbana chinesa deverá sair de 56% para 65% do total do país em 2020, o que significa 150 milhões de pessoas a mais nas cidades. Nesse cenário, a importação de soja do país asiático deve sair de 91 milhões de toneladas no ciclo 2016/17 para 125 milhões de toneladas em 10 anos.

Na comparação com os Estados Unidos e Argentina, o Brasil – que já envia 80% da soja que exporta ao mercado chinês – é o país em melhores condições para atender a demanda da China. Para o Rabobank, em 10 anos, as exportações dos EUA crescerão apenas 5 milhões de toneladas, uma vez que não há muito espaço para aumento de produção. E, na Argentina, as exportações deverão crescer apenas 4 milhões de toneladas. Continue reading “Peso da Exportação de Soja para a China”

Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!

A sub-casta dos sábios-economistas neoliberais dizem coisas absurdas sem a menor vergonha! São mais realistas que o rei, ou seja, mais capitalistas que os donos do capital!

Pior, quando é um leviano observador “de fora”, costuma afirmar com empáfia coisas idiotas, não tendo consciência do mal que faz contra a própria reputação profissional e os demais idiotas que o acolhem e o louvam.

Leia (como exemplo dessa interferência externa descabida) sobre a Rede Atlas do movimento internacional direitista que esteve por trás do golpe no Brasil: Atlas Network. São ativistas neoliberais e/ou facistóides patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos que os lidera, conhecida agora simplesmente como a Rede Atlas. Ao tramar e apoiar o golpe de Estado atentou contra a soberania nacional.

O italiano Luigi Zingales, economista e professor da Universidade de Chicago, diz que “a Itália e o Brasil têm o mesmo nível de corrupção, o mesmo nível de intervenção governamental”. Ele é um dos mais reconhecidos especialistas — e crítico — do capitalismo de compadrio, em que alguns poucos setores empresariais formam aliança econômica e política com o governo, combinação rica na produção de ineficiência e corrupção. Seus dois livros tratam do tema: “Salvando o capitalismo dos capitalistas” e “Um capitalismo para o povo: Reencontrando a chave da prosperidade americana“.

O Brasil, infelizmente, é um dos grandes exemplos desse tipo de modelo pouco transparente. Em épocas de profundas mudanças na estrutura econômica nacional, Zingales sugere medidas radicais para que o país não apenas supere a pior crise de sua história, mas dê um salto institucional. Por exemplo: a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), alvo da ira de entidades empresariais, não é o bastante, diz o neoliberal. O oportunismo político apressado é aterrador!

“O BNDES é muito poderoso e muito forte”, diz. “Talvez fosse possível dividi-lo e privatizar algumas partes.” Sem medidas desse tipo, afirma, o Brasil está condenado a permanecer indefinidamente no ciclo negativo: “O capitalismo de compadrio populista está muito vivo e bem no Brasil.” Este representante da classe média “moralista e justiceira”, que não se enxerga, paradoxalmente, em nome de seu suposto saber, age contra os capitalistas e contra o povo!

Zingales participou do 8o Congresso de Mercados Financeiro e de Capitais, onde falou ao Estevão Taiar (Valor, 28/08/17): Continue reading “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas?!”

Economicismo ou Politicismo

Economicismo é quando o analista acha que a conjuntura econômica determina a escolha política. Politicismo é vice-versa, ou seja, a redução de tudo à política.

Cabe indagar: uma decisão “técnica” – tipo “certo ou errado” –  pode ser tomada por maioria de votos?!  Se não é por consenso técnico, é uma decisão política, isto é, por ação coletiva, atendendo a certos interesses (por exemplo, do capital) e não a outros (por exclusão, do trabalho).

A decisão “política” é neutra, imparcial, sábia?  Por suas filiações teóricas monolíticas, os membros do COPOM têm controvérsias analíticas entre si?  Não sofrem do viés heurístico da auto validação ilusória, pois só conversam com “gente que pensa igual”? Isso não os leva a cometer erros de avaliação?

Pela ausência de “mandato dual”, em que as decisões do Banco Central do Brasil seriam orientadas tanto para o combate à inflação como ao desemprego, não há “conflito de interesses” por parte dos fixadores da taxa de juros básica? Eles não deveriam se dizer “impedidos” de elevar os juros sem limite, beneficiando sua própria renda do capital financeiro?

A política econômica não é apenas a aplicação da teoria econômica. Ela requer que se ultrapassem as fronteiras estreitas da área econômica e que se leve em consideração, igualmente, a esfera da política e dos conflitos de interesses sociais.

A política econômica bem-sucedida existe apenas quando se combinam as ações econômicas e as ações políticas.  As experiências das sociedades democráticas de tipo ocidental resultam em Teoria da Política Econômica Democrática. Continue reading “Economicismo ou Politicismo”

Sonhador ou Abstracionista

Sonhador pode ser tanto quem sonha quanto pessoa que alimenta seu espírito de quimeras ou fantasias. Porém, um devaneador pode estar apenas distraído, desligado da realidade em torno de si, em um processo de abstração.

Abstração é a ação ou efeito de abstrair, ou seja, de isolar mentalmente um elemento ou uma propriedade de um todo, para o (ou a) considerar individualmente. Do latim “abstracione”, significa “separação”.

Abstração também é visto como um estado de alheamento do espírito, ficando fora de si, em um devaneio, para afastar o pensamento de modo a visualizar o conjunto e não apenas os componentes de um sistema complexo. Por extensão, poderia ser visto como falta de atenção ou distração, mas se trata de obter uma visão holística que procura compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade, ponderando suas partes.

Abstrato é tudo que não é concreto ou resulta de abstração. É o que só existe na ideia, no conceito. É o que possui alto grau de generalização, operando unicamente com noções.

O sonho, por extensão metafórica, pode ser visto como uma sequência de ideias vãs e incoerentes às quais o espírito se entrega em um processo de devaneio ou fantasia.com um plano ou desejo sem fundamento. Mas, em contraponto, é considerado também o ideal ou ideia dominante que se persegue com interesse e paixão. Nesse caso, é um desejo vivo, intenso, veemente e constante.

Niemeyer Almeida Filho é professor titular do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia e membro da direção da Sociedade Latino Americana de Economia Política e Pensamento Crítico (Sepla) e foi presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) de 2012 a 2016. O número temático a respeito de Uma Agenda Econômica Alternativa do Jornal dos Economistas n. 335 (julho de 2017), Órgão Oficial do CORECON-RJ e SINDECON-RJ, publica artigo seu intitulado “Incongruências da perspectiva do desenvolvimento brasileiro com transformações sociais”. Continue reading “Sonhador ou Abstracionista”

Proposições Inovadoras

Inovação é a ação ou o ato de inovar, modificando, entre outras coisas, antigos costumes, manias, legislações, processos. O efeito é renovação ou criação de uma novidade. Neste sentido, o ato de inovar significa a necessidade de criar caminhos ou estratégias diferentes, aos habituais meios, para atingir determinado objetivo. Inovar é inventar, sejam ideias, processos, ferramentas ou serviços.

A ideia de inovação, no entanto, não deve ficar fadada apenas à invenção de novos produtos, serviços ou tecnologias, mas também ao valor ou conceito de determinada coisa, por exemplo, como o modo de organizar uma empresa ou uma sociedade. Digamos que reorganizar esse sistema complexo é bem mais desafiante e praticamente um sonho irrealizável na duração de um mandato presidencial – e unicamente a partir do Estado.

Mas existem vários tipos viáveis de inovação, como a inovação de produtos, inovação de marketing, inovação organizacional, inovação radical, inovação incremental, e etc.

Atualmente, a inovação pode ser considerada um sinônimo de adaptação. Nesse sentido, as inovações são essenciais para que possam se moldar às mudanças que acontecem nas estruturas sociais e econômicas. No caso de inovação tecnológica, trata-se do processo de invenção, adaptação, mudança e evolução da atual tecnologia, melhorando e facilitando a vida ou o trabalho das pessoas.

O número temático a respeito de Uma Agenda Econômica Alternativa do Jornal dos Economistas n. 335 (julho de 2017), Órgão Oficial do CORECON-RJ e SINDECON-RJ, publica artigo de Carlos Frederico Rocha, doutor em Economia e professor do IE/UFRJ, intitulado “Progresso Técnico e Cidadania”. Resumo-o abaixo. Continue reading “Proposições Inovadoras”