Seminário da AFBNDES Em Defesa do BNDES

 

Obs.: veja acima a queda do lucro do BNDES e do BNDESPAR, devido à volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015 e ao golpe de Estado em 2016.

Ideias para fortalecer a contribuição do BNDES na retomada do desenvolvimento econômico do Brasil

10:00 – 10:10 – Abertura – Thiago Mitidieri – Presidente da AFBNDES

10:10 – 12:00 – Mesa 1: Ideias da Área Acadêmica e de Parlamentares

Academia: 

  • Ernani Teixeira – UFRJ
  • Fernando Nogueira da Costa – Unicamp
  • Download da Apresentação (Completa):

FERNANDO N. COSTA – Em Defesa do BNDES 17.03.2017 Continue reading “Seminário da AFBNDES Em Defesa do BNDES”

Desindustrialização Conjuntural ou Estrutural?

Denise Neumann (Valor, 06/03/17) informa que, nos últimos três anos, durante a mais brutal e longa recessão do Brasil, quando o Produto Interno Bruto (PIB) recuou quase 8% e a produção industrial encolheu 17%, um terço da indústria amargou uma crise ainda pior.

Ela foi fulminante (retração entre 50% e 66%) para oito segmentos e grave (retração entre 25% e 49%) para outros 25 subsetores, segundo definições estabelecidas em um estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que tomou como base nos dados de produção industrial no país do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda no investimento – público e privado – é o principal fio condutor da forte queda da indústria, diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, ainda que alguns setores com crise “fulminante” ou “grave” também tenham sido afetados pela retração em bens de consumo duráveis. O destaque negativo são cabines e carrocerias para veículos automotores e caminhões e ônibus, ambos com queda na casa de 60% entre 2014 e 2016.

O investimento foi afetado tanto pelo ajuste fiscal do setor público como pela aversão ao risco, que restringiu o volume de crédito disponível para o setor privado, além dos efeitos diretos e indiretos da operação Lava-Jato sobre a economia brasileira e o setor de infraestrutura. E junto com essas causas reais, a crise foi potencializada pela piora na confiança de empresários e consumidores.

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Produtividade Estagnada desde 1980

Sérgio Lamucci (Valor, 07/03/17) informa que a produtividade do trabalho no Brasil mostra estagnação desde 1980, sendo o principal fator a explicar o baixo crescimento da renda per capita no período, de acordo com estudo do Credit Suisse. A diferença entre o rendimento per capita do país e o das economias desenvolvidas aumentou, ao mesmo tempo em que o de outros emergentes se aproximou do brasileiro.

Em 1980, a renda por habitante no Brasil equivalia a 36,5% da americana; em 2016, o percentual foi de apenas 26,2%. O rendimento per capita da Colômbia, que correspondia a 64% do brasileiro em 1980, quase alcançou a paridade no ano passado.

O relatório do Credit Suisse diz que a alta da taxa de emprego explica toda a alta do rendimento por habitante registrada entre 1981 e 2016, de 0,7% ao ano. Enquanto a produtividade do trabalho teve variação zero no período, o número de pessoas empregadas no total da população cresceu a uma média de 0,7% ao ano. A renda per capita pode ser decomposta em produtividade do trabalho e taxa de emprego, como explica o banco.

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IED: Quem Te Viu, Quem Te Vê…

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Carlos Luque é professor da FEA/USP e presidente da Fipe; Simão Silber é professor da FEA-USP — este professor eu tive oportunidade de conhecer em uma reunião no Rio da ANPEC. Roberto Zagha foi secretário da comissão sobre o crescimento e o desenvolvimento organizada pelo Banco Mundial. Reproduzo abaixo um artigo deles (Valor, 20/02/17), onde eles comentam uma informação sobre IED – Investimento Estrangeiro Direto, que meu ex-orientando, Fernando Alberto Rocha, chefe-adjunto do DEPEC-BCB, deu em palestra no IE-UNICAMP no ano passado.

É um conhecimento técnico relevante para todos os economistas. Evita a bobagem dita no editorial do jornal Valor (20/02/17) propagada ao lado do artigo. A imprensa econômica brasileira (junto com seus pares tucanos) tem de deixar de louvar o governo golpista desde já, senão sua credibilidade se afundará ainda mais (em conjunto com ele) neste anoContinue reading “IED: Quem Te Viu, Quem Te Vê…”

Formação de Preço de Automóvel no Brasil

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Dora Martinelli e Alberto Cataldi (Valor, 03/03/17) informam que a carga tributária não é o único fator que justifica o preço alto dos carros no Brasil. Cinco são as principais causas desses preços mais elevados.

O primeiro fator são os impostos: o preço final quase dobra por conta deles, pois nos EUA, por exemplo, a média do imposto cobrado é de 7% a 9%, enquanto aqui ultrapassa os 40%

Os juros também são muito mais altos: o custo que as montadoras têm para financiar as vendas é muito maior que no resto do mundo, a falsa propaganda de “taxa zero” no financiamento, evidentemente, está embutida no preço.

Outro ponto é o custo da parte eletrônica, que geralmente não é fabricada no País e tem que se importar essa tecnologia, por isso, o carro no Brasil normalmente tem menos tecnologia eletrônica.

O volume de produção é outro fator que compõe o preço, devido à economia de escala: quanto maior a produção, mais baixo o custo unitário; a indústria automobilística brasileira instalou um parque para mais de quatro milhões de carros por ano e está fabricando dois milhões, então, todas as fábricas têm um custo variável maior que o possível.

Finalmente, em alguns casos, as marcas podem ditar o preço de oligopólio no mercado, porque têm carros mais procurados: o Corolla, por exemplo, é líder de vendas mundial, tem uma imagem que faz com que seja mais desejado, nesse caso, a Toyota pode cobrar um pouco mais, porque as pessoas estão dispostas a pagar.

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Matriz Energética Brasileira e o Fim de “O Petróleo é Nosso!”

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André Ramalho (Valor, 26/01/17) informa que, com o crescimento acelerado das renováveis, a matriz energética brasileira se tornará cada vez menos dependente do petróleo, ainda que o combustível fóssil se mantenha como o combustível dominante. A projeção é da petroleira britânica BP, que prevê que a energia eólica ultrapasse o gás natural como a segunda maior fonte de geração de energia elétrica do país em 2035.

A expectativa da BP é que o crescimento da importância da energia limpa, no Brasil, siga a tendência internacional. Globalmente, a previsão da britânica é que os combustíveis não fósseis respondam por metade do crescimento do fornecimento de energia nos próximos 20 anos. E que o petróleo e o gás, juntamente com o carvão, continuem como as principais fontes de energia que alimentarão a economia mundial, sendo responsáveis por mais de 75% da oferta mundial de energia em 2035, contra os 86% de 2015.

De acordo com o relatório BP Energy Outlook, divulgado pela multinacional, a parcela do petróleo na matriz de combustíveis, no Brasil, deverá cair dos atuais 41% para 34% em 2035, diante da tendência de crescimento das fontes limpas. A expectativa é que o consumo de renováveis (incluindo os biocombustíveis) cresça, em média, 4,8% ao ano no período.

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Desemprego Tecnológico na 4a. Revolução Industrial nos EUA

 

Por Andrew Tangel e Patrick McGroarty (WSJ, 18 de Dezembro de 2016) informam que as fábricas já estavam voltando a operar nos Estados Unidos antes mesmo da promessa de revitalizar o setor industrial que ajudou a levar Donald Trump à presidência do país.

Mas os números de postos de trabalho que estão sendo verificados não são os mesmos do passado, uma realidade que tornará difícil para Trump — ou qualquer outra pessoa — impulsionar as taxas de emprego no coração industrial dos EUA, como ele prometeu. A tecnologia e a automação tornaram possível para as empresas manufatureiras funcionar, e mesmo prosperar, com menos empregados do que nunca antes.

A produção industrial do país está próxima dos níveis anteriores à recessão. Mas cerca de 1,5 milhão de empregos em fábricas — aproximadamente 20% dos postos perdidos durante a recessão — não retornaram. As indústrias empregaram 12,3 milhões de pessoas em novembro de 2016, bem abaixo dos 13,7 milhões registrados em dezembro de 2007, quando a recessão começou oficialmente.

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