Matriz Energética Brasileira e o Fim de “O Petróleo é Nosso!”

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André Ramalho (Valor, 26/01/17) informa que, com o crescimento acelerado das renováveis, a matriz energética brasileira se tornará cada vez menos dependente do petróleo, ainda que o combustível fóssil se mantenha como o combustível dominante. A projeção é da petroleira britânica BP, que prevê que a energia eólica ultrapasse o gás natural como a segunda maior fonte de geração de energia elétrica do país em 2035.

A expectativa da BP é que o crescimento da importância da energia limpa, no Brasil, siga a tendência internacional. Globalmente, a previsão da britânica é que os combustíveis não fósseis respondam por metade do crescimento do fornecimento de energia nos próximos 20 anos. E que o petróleo e o gás, juntamente com o carvão, continuem como as principais fontes de energia que alimentarão a economia mundial, sendo responsáveis por mais de 75% da oferta mundial de energia em 2035, contra os 86% de 2015.

De acordo com o relatório BP Energy Outlook, divulgado pela multinacional, a parcela do petróleo na matriz de combustíveis, no Brasil, deverá cair dos atuais 41% para 34% em 2035, diante da tendência de crescimento das fontes limpas. A expectativa é que o consumo de renováveis (incluindo os biocombustíveis) cresça, em média, 4,8% ao ano no período.

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Desemprego Tecnológico na 4a. Revolução Industrial nos EUA

 

Por Andrew Tangel e Patrick McGroarty (WSJ, 18 de Dezembro de 2016) informam que as fábricas já estavam voltando a operar nos Estados Unidos antes mesmo da promessa de revitalizar o setor industrial que ajudou a levar Donald Trump à presidência do país.

Mas os números de postos de trabalho que estão sendo verificados não são os mesmos do passado, uma realidade que tornará difícil para Trump — ou qualquer outra pessoa — impulsionar as taxas de emprego no coração industrial dos EUA, como ele prometeu. A tecnologia e a automação tornaram possível para as empresas manufatureiras funcionar, e mesmo prosperar, com menos empregados do que nunca antes.

A produção industrial do país está próxima dos níveis anteriores à recessão. Mas cerca de 1,5 milhão de empregos em fábricas — aproximadamente 20% dos postos perdidos durante a recessão — não retornaram. As indústrias empregaram 12,3 milhões de pessoas em novembro de 2016, bem abaixo dos 13,7 milhões registrados em dezembro de 2007, quando a recessão começou oficialmente.

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Investimento em Infraestrutura

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A sociedade brasileira assiste (e sente na pele) a divulgação progressiva do custo do golpe parlamentarista no regime presidencialista. Tainara Machado (Valor, 19/12/16) avalia que o investimento brasileiro em infraestrutura deve ter sido o menor da história recente em 2016, segundo estudo da Pezco Microanalysis. No ano, os aportes para projetos na área diminuíram em R$ 96 bilhões, estima a consultoria, queda real de 6,2% em relação a 2015.

Com isso, os investimentos em infraestrutura devem ter caído para cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), nível não visto desde 2000, início da série calculada pela consultoria. Isso mal é suficiente para repor a depreciação do capital. Em 2015, o investimento já havia sido bastante baixo, de apenas 1,7% do PIB.

O estudo de Leonardo Correia e Hélcio Takeda não considera os investimentos no setor de óleo e gás e se baseia em uma série de dados de agências regulatórias a associações setoriais e balanços de empresas do ramo.

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Tutorial do Gapminder (elaborado por Gabriela Rocha)

 

Apresento abaixo um tutorial do Gapminder World Guide: Visite o Site, Baixe e Use o Programa, elaborado por Gabriela Rocha, minha aluna e promissora economista da nova geração formada no IE-UNICAMP.

“Foram muitas as ferramentas com as quais tivemos contato durante o curso de Métodos de Análise Econômica 2016, todas muito úteis, que acrescentaram muito à nossa formação pessoal e profissional. No entanto, uma das mais impressionantes, sem sombra de dúvida, foi o website chamado Gapminder e todas as possibilidades nele contidas!

A seguir será feito um tutorial sobre algumas das ferramentas, que tivemos contato durante o 2o. semestre de 2016, disponíveis em: https://www.gapminder.org/. Continue reading “Tutorial do Gapminder (elaborado por Gabriela Rocha)”

BNDES: Entre o Desenvolvimentismo e o Neoliberalismo (1982-2004)

BNDES - EntradaRecebi a seguinte mensagem de uma querida amiga, cuja obra recomendo fortemente a leitura:

Caríssimos amigos,

Talvez para vocês não tenha a importância que tem para mim, mas não posso deixar de compartilhar a alegria que sinto por mais um trabalho de fôlego que realizei.

Nos últimos dois anos, vivi enrolada e envolvida com essa pesquisa, me afastando de amigos, trabalhando nos finais de semana, virando noite … Hoje, recebi a notícia de que meu trabalho estava pronto e impresso. Este, sinceramente, é o terceiro trabalho importante que fiz. Tenho várias outras publicações, mas nada relevante…

Em 2004, ter escrito um artigo sobre O Poder das Telecomunicações dos EUA, publicado em O Poder Americano, do Prof. J. L. Fiori, me valeu o elogio do Paulo Arantes, professor da USP. Recentemente, com as denúncias do Snowden, percebi a importância do que havia escrito, mesmo que não soubesse muito bem a dimensão sistêmica quando escrevi o artigo.

Em 2010, o Centro Celso Furtado publicou uma pesquisa, coordenada pela Conceição Tavares, da qual participei. Escrevemos sobre o BNDES – 1952 a 1982, ou seja, escrevemos sobre a história do Banco desde a sua criação até a guinada que sofreu em meio à crise da dívida externa. Esta publicação é considerada de referência sobre o Banco, já esgotada.

Agora, em 2016, sob a minha coordenação, depois de muito lutar para que o Centro Celso Furtado financiasse a pesquisa, Memórias do Desenvolvimento nº 5 | BNDES: Entre o desenvolvimentismo e o neoliberalismo (1982-2004). Escrevemos sobre o período das privatizações, analisando o BNDES de 1982 a 2004. É um trabalho relevante, tenho certeza!

Analisamos o processo de evolução das privatizações dentro do BNDES. Entrevistamos vários divergentes, como o Persio Arida, o Mendonça de Barros, a Elena Landau, o Fernando Perrone, enfim, entrevistamos aqueles que comandaram e estruturaram as privatizações no Brasil. Creiam-me, é uma pesquisa importante e por nos termos, mesmo que aos trancos e barrancos, ter dado conta dela…

Beijo a todos,

Mando o link, pois vá lá que alguém queira dar uma olhadinha ….
  
http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/image/201612091725190.Mem%C3%B3rias%20do%20desenvolvimento%205.pdf  
 
Gloria Moraes

DSc. Engenharia de Produção
Professora de Economia da Universidade Mackenzie – Rio

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Vinte e Um Anos de Economia Brasileira (1995-2015)

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investimento-publico-2002-13Caros amigos (as),

Com um atraso quase imperdoável,  motivado por uma série de alterações imprevistas na disponibilidade e conteúdo dos dados e informações utilizadas, aí vai a nova edição dos “Vinte Anos”, que agora são XXI, incluindo os dados de 2015, cuja versão em PowerPoint estará disponível a partir do dia 7 de dezembro de 2016 no site do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI: www.altosestudosbrasilxxi.org.br/

Gerson Gomes

Download: Vinte-e-Um Anos de Economia Brasileira 1995-2015

FNC: trata-se da melhor publicação de gráficos disponível para comparar a Era Neoliberal (1995-2002) com a Era Socialdesenvolvimentista (2003-2014), agora acrescentada do ano do estelionato eleitoral com a volta da Velha Matriz Neoliberal (2015). Praticamente todas as curvas em ascensão dos gráficos se revertem com a política econômica levyana!

Desenvolvimento em Longo Prazo

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Em 1900, a renda per capita dos norte-americanos equivalia a 89,18% da renda per capita do Reino Unido, potência econômica no início do Século XX.

O Reino Unido caiu do primeiro lugar, em 1900, para o 7º lugar, em 2015, nesta lista de países selecionados de acordo com a disponibilidade de dados para 1900.

Países como Taiwan, Coréia do Sul, Noruega e Japão revelaram, no último século e início do Século XXI, um significativo crescimento de sua renda per capita.

Existe decadência econômica ou “regressão histórica”, pois alguns países ficaram mais pobres relativamente à potência econômica do início (Reino Unido) e do fim (Estados Unidos) desta série temporal: Reino Unido, Chile, Argentina e Índia.

O Brasil está regredindo (-7% do PIB) no biênio corrente (2015-2016), quando voltou a Velha Matriz Neoliberal, criando o locaute empresarial propício ao Golpe Parlamentarista, para adotar, de maneira temerosa, uma política de ajuste fiscal exclusiva, cortar direitos sociais, e garantir o pagamento da renda do capital financeiro em desfavor da renda do trabalho. Antes, quase conseguiu dobrar sua renda per capita em relação à da potência hegemônica.

A população brasileira em 1901 era composta de 17.901.245 habitantes, o PIB (em reais de 1999) era R$ 9.184 milhões, e o PIB per capita (também em reais de 1999), R$ 516, e em dólares de 2000, US$ 282, segundo o IBGE – Estatísticas do Século XX. No final do século passado, 166.112.518 habitantes, PIB de R$ 1.005.915 milhões, e per capita de R$ 6.056 e US$ 3.309, respectivamente. Então, a população se multiplicou em 9,3 vezes e o PIB em reais de 1999, em 109,5 vezes. Produtividade é isso aí…

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