Ascensão e Queda de Bilionários Brasileiros

As pessoas mais ricas da Terra não são imunes ao coronavírus. À medida que a pandemia se intensificava na Europa e na América, os mercados acionários globais implodiram, impactando muitas fortunas. Em 18 de março, quando finalizamos essa lista, a Forbes contava 2.095 bilionários, 58 a menos do que um ano atrás e 226 a menos do que apenas 12 dias antes, quando calculamos inicialmente os patrimônios líquidos. Dos bilionários que permanecem, 51% estão mais pobres do no ano passado. Em termos brutos, os bilionários do mundo valem US$ 8 trilhões, uma queda de US$ 700 bilhões em relação a 2019.

Jeff Bezos é a pessoa mais rica do mundo pelo terceiro ano consecutivo, apesar de ter dado US$ 36 bilhões em ações da Amazon a sua ex-mulher MacKenzie Bezos como parte do acordo de divórcio no ano passado. Ele vale US$ 113 bilhões, impulsionado por um aumento de 15% nas ações da Amazon desde a lista de 2019. A gigante do comércio eletrônico está no centro das atenções em meio à pandemia: está contratando 100 mil funcionários em período integral e parcial para ajudar a atender à crescente demanda dos consumidores que ficam em casa e fazem compras online.

Bill Gates mantém seu lugar como vice, seguido pelo magnata dos artigos de luxo Bernard Arnault, que empurrou Warren Buffett e aparece entre os três primeiros pela primeira vez. Alice Walton, herdeira da fortuna do Walmart, é a mulher mais rica da lista, com US$ 54,4 bilhões. Ao todo, 241 mulheres estão no ranking, sendo que sete compartilham a fortuna com cônjuge, irmão ou filho.

VEJA TAMBÉM: Quem são os brasileiros no novo ranking dos Bilionários do Mundo

Continuar a ler

17,2 Milhões Domicílios com Moradores sem Renda do Trabalho: 23,5%

Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva (Valor, 19/05/2020) informa: com o isolamento afetando trabalhadores informais, além do aumento de aposentadorias, o número de lares sem renda do trabalho bateu recorde no país no primeiro trimestre deste ano, superando o pior momento da recessão de 2014-2016, mostra levantamento da consultoria IDados a pedido do Valor. A consultoria compilou microdados da PNADC do IBGE.

O Brasil tinha 17,2 milhões domicílios com moradores sem renda do trabalho, o que correspondia a 23,5% dos lares brasileiros. Os dois números são recordes da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Quando comparado ao quarto trimestre de 2019, o total de domicílios sem renda do trabalho cresceu em 1 milhão de unidades, 6,5% a mais. Por fatores sazonais, como a dispensa de pessoal temporário, o primeiro trimestre costuma registrar piora do indicador. Desta vez, porém, o ritmo foi recorde.

Dados do IBGE mostram que o número de trabalhadores ocupados (empregados, empregadores, trabalhadores por conta própria, servidores) recuou em 2,5% no primeiro trimestre deste ano, o equivalente a 2,3 milhões de pessoas a menos ocupadas. A maior parte foi de trabalhadores informais. Continuar a ler

Desigualdade Salarial piora no Primeiro Trimestre de 2020

Bruno Villas Bôas (Valor, 18/05/2020) informa: os primeiros impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho no primeiro trimestre, ainda que limitados à segunda quinzena de março, foram suficientes para mudar a tendência da desigualdade salarial no país, especialmente no Sudeste, mostra levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O índice de Gini da renda domiciliar per capita do trabalho foi de 0,633 no primeiro trimestre de 2020 – o indicador varia de um a zero, sendo zero a sonhada distribuição perfeita da renda. Trata-se de uma variação de +0,002 em relação ao mesmo período de 2019, quando o indicador estava em 0,631.

Uma variação de 0,001 do índice de Gini corresponde à primeira casa decimal de um número na ordem das dezenas. Isso quer dizer que a variação é significativa. Mas o mais importante é o que ele aponta como tendência. A desigualdade voltou a apontar para uma piora.

Depois da volta da Velha Matriz Neoliberal, a disparidade da renda do trabalho piorou rapidamente por conta da recessão e pelos empregos de má qualidade gerados no período de recuperação da atividade econômica. O índice de Gini aumentou de 0,600 do quarto trimestre de 2014 para 0,628 no quarto trimestre de 2018. Continuar a ler

Concentração Latifundiária

Daniela Chiaretti (Valor, 11/05/2020) informa: a desigualdade da distribuição de terras no Brasil é uma das mais altas do mundo. Um novo estudo, que aplica o Índice de Gini para medir este cenário, mostra que a pontuação brasileira na divisão de terras do país é de 0,73. O maior desequilíbrio ocorre em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e na região produtora conhecida por Matopiba – parte do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

São Estados onde a produção de grãos normalmente ocorre em grandes imóveis. A desigualdade é mais baixa em Santa Catarina, Amapá e Espírito Santo, onde há mais agricultores familiares e a produção é diversificada.

O Índice de Gini é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos, variando de zero a um. Um cenário de igualdade, onde todos teriam a mesma quantidade de terra, é expresso pelo valor zero. No extremo oposto está o valor um, ou seja, quando uma só pessoa seria dona de tudo.

No Pará, o índice de Gini chega a 0,85, indicam dados que agregam imóveis com o mesmo dono a partir do CPF e CNPJ do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

A análise “Quem são os poucos donos das terras agrícolas no Brasil – O Mapa da Desigualdade”, foi feita por 15 autores de nove universidades e institutos de pesquisa. Usa dados do Incra e do CAR, considerando também os assentamentos rurais, com sua desagregação em lotes individuais. Continuar a ler

Pobreza Extrema: 13,88 Milhões de Miseráveis Brasileiros

Bruno Villas Bôas (Valor, 07/05/2020) anuncia: a pobreza extrema (< US$ 1,90/dia PPC) cresceu pelo quarto ano consecutivo no país — desde o fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), somando 13,88 milhões de pessoas no ano passado, o maior nível em oito anos, mostram cálculos da LCA Consultores, a partir dos microdados Pnad Contínua. A linha de pobreza nacional (< US$ 5,50/dia PPC), comparativa com países com o mesmo nível de renda per capita, porém, mostrou uma pequeníssima redução em 2019, assim como a desigualdade da renda.

Especialistas estão cautelosos sobre o que esperar para a pobreza extrema no país durante a pandemia. O Banco Mundial estima o número de miseráveis crescer em 5,7 milhões de pessoas neste ano sem medidas sociais do governo. Com a liberação do auxílio emergencial de R$ 600, a miséria poderia ficar estável ou até encolher este ano, temporariamente.

Segundo o levantamento da LCA, a pobreza extrema cresceu 1,9% no primeiro ano de governo da aliança entre a casta dos militares e a casta dos mercadores, com mais 259 mil pessoas em situação de miséria. A linha de corte adotada foi a mesma do Banco Mundial, de US$ 1,90 por dia per capita (R$ 150 mensais). Há outros critérios de pobreza extrema, como o do Bolsa Família e da FGV Social. Continuar a ler

PNADC 2019: Distribuição de Rendimentos

Em 2019, o rendimento médio mensal real do trabalho do 1% da população com os rendimentos mais elevados era de R$ 28.659, o que corresponde a 33,7 vezes o rendimento dos 50% da população com os menores rendimentos (R$ 850).

Em 2019, a massa mensal de rendimento habitual foi de aproximadamente R$ 213,4 bilhões, 2,2% maior que a estimada para 2018 e 12,0% maior que a de 2012. Já a massa mensal de rendimento domiciliar per capita alcançou R$ 294,4 bilhões. A parcela dos 10% com os menores rendimentos da população detinha 0,8% dessa massa, enquanto os 10% com os maiores rendimentos detinham 42,9%.

O número de pessoas com rendimento de todos os trabalhos subiu de 43,4% da população (90,1 milhões) em 2018 para 44,1% (92,5 milhões) em 2019.

Já a aposentadoria ou pensão era recebida por 14,7% da população em 2019, mantendo estabilidade em relação a 2018 (14,6%) e subindo 1,6 ponto percentual em relação a 2012 (13,1%).

O rendimento médio real de todas as fontes, após subir 2,8% em 2018 (para R$ 2.247), manteve-se praticamente inalterado em 2019 (R$ 2.244). O Sudeste registrou o maior valor (R$ 2.645), seguido pelo Sul (R$ 2.499) e pelo Centro-Oeste (R$ 2.498), enquanto os menores valores estavam no Nordeste (R$ 1.510) e no Norte (R$ 1.601).

Em 2019, permanecem as grandes discrepâncias entre o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas (R$ 2.999), pardas (R$ 1.719) e pretas (R$ 1.673). Também perduram as diferenças de gênero: o rendimento de todos os trabalhos dos homens (R$ 2.555) é 28,7% mais alto que o das mulheres (R$ 1.985).

O rendimento médio dos trabalhadores com ensino superior completo (R$ 5.108) era, aproximadamente, 3 vezes maior que o daqueles com somente o ensino médio completo (R$ 1.788) e cerca de 6 vezes o daqueles sem instrução (R$ 918).

O percentual de domicílios atendidos pelo Bolsa Família caiu de 13,7% em 2018 para 13,5% em 2019. Em 2012, 15,9% dos domicílios do país recebiam o Bolsa Família. Já o BPC-LOAS era recebido em 3,7% dos domicílios do país em 2019, percentual praticamente igual ao de 2018 (3,6%) e 1,1 ponto percentual acima do de 2012 (2,6%).

O Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita teve ligeira queda entre 2018 e 2019, variando de 0,545 para 0,543. Já o Gini para o rendimento de todos os trabalhos ficou estável em 0,509 no mesmo período, mantendo-se no maior nível, desde 2012.

Essas e outras informações fazem parte do módulo Rendimento de Todas as Fontes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Obs.: confira abaixo do post mais downloads.

Continuar a ler

Assistência Social aos Miseráveis e aos Pobres Informais

Hugo Passarelli (Valor, 13/04/2020) avalia: apesar da lentidão inicial, as medidas anunciadas pelo governo para diminuir os efeitos da novo coronavírus já atingiram R$ 568,6 bilhões (7,8% do Produto Interno Bruto), segundo um levantamento de Manoel Pires, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Embora mais robusto, o plano de socorro guarda incertezas. Para analistas, a dúvida é se o pacote chegará a tempo de amparar empresas e trabalhadores. Outra incógnita é até onde vai o fôlego do governo caso a crise persista.

A maior preocupação do momento é sobre as operações de crédito a empresas, ainda “emperradas” e com alto risco de inadimplência. A demora para que os empréstimos cheguem mais rapidamente à cadeia produtiva é um sinal de alerta, porque as medidas necessárias de isolamento social geram queda abrupta de receita.

Na comparação internacional, o Brasil está em nível parecido ao da Austrália, com 7,2% do PIB, e acima do pacote de 6,7% do PIB no Chile, mas segue distante das nações avançadas: os EUA devem desembolsar o equivalente a 9,5% do PIB e a Itália, um dos epicentros da doença, 21,1% do PIB.

“Do ponto de vista de atuação direta, já nos equiparamos em termos de reação a outros países. Mas tem uma perna que me parece ainda complicada na atuação do crédito”, disse Pires em debate de pesquisadores do Ibre/FGV e o Valor. Continuar a ler