Apresentação sobre Impacto do Juros em Riqueza Financeira e Desigualdade Social

Segue o link da apresentação em Preziclique em setas para ver a apresentação e no mouse para zoom  — de minhas alunas no curso Métodos de Análise Econômica 2017 sobre Fontes e Usos de Informações: Ana Carolina Cabrino, Ana Clara Trivelato, Natália Vial.

Veja o Gapminder com Gráfico Dinâmico do Coeficiente de Gini do Brasil e outros países para comparação na linha do tempo: Gapminder sobre Desigualdade

Confira sua posição social na Calculadora da Desigualdade na América Latina: Calculadora da Desigualdade

Evolução da Desigualdade de Renda no Brasil e no MundoNexo Jornal

Aumento da Desigualdade ou Diminuição da Pobreza: o que mais importa para a sociedade?

Em entrevista a Ricardo Balthazar (FSP, 01/10/17), o economista Ricardo Paes de Barros, responsável por alguns dos principais estudos publicados sobre pobreza e desigualdade no Brasil, afirma que trabalhos como o do irlandês Marc Morgan estão longe de negar os avanços feitos pelo país nos últimos anos.

Os dados de Morgan indicam maior concentração de renda no topo da pirâmide social, mas confirmam que também houve ganhos significativos para as camadas mais pobres da população, diz Paes de Barros, que é economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor do Insper.

Para ele, seria importante rediscutir o sistema tributário brasileiro, para torná-lo mais justo e eficiente, mas o debate sobre os impostos dos ricos não deveria deixar em segundo plano esforços para aprimorar as políticas sociais do governo e tornar mais produtiva a economia brasileira. Continue reading “Aumento da Desigualdade ou Diminuição da Pobreza: o que mais importa para a sociedade?”

Debate sobre a Trajetória da Desigualdade de Renda no Brasil

Além de ser minha amiga — “o que é o mais importante para mim” [ 🙂 ] –, Marta Arretche é Professora Titular do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Centro de Estudos da Metrópole. Publicou artigo (Valor, 06/10/17) original e interessante como todos os demais que escreve. Reproduzo-o abaixo. Continue reading “Debate sobre a Trajetória da Desigualdade de Renda no Brasil”

A Grande Saída: Saúde, Riqueza e as Origens da Desigualdade

Está na minha cabeceira, desde seu lançamento, o livro “A Grande Saída: Saúde, Riqueza e as Origens da Desigualdade” de autoria de Angus Deaton (Intrínseca, 336 págs., R$ 59,90). O tema e o fato do autor ser ganhador do Prêmio Nobel de Economia me levaram a comprá-lo sem ler nenhuma resenha. Diego Viana (Valor, 06/10/17), finalmente, supriu essa carência na imprensa brasileira.

Um mundo de miséria, fome, doenças e obscurantismo representado como um campo de prisioneiros nazista, do qual a humanidade laboriosa e inventiva tenta escapar: alguns conseguem, muitos ficam para trás. Esse é o roteiro do ganhador do Prêmio Nobel Angus Deaton em “A Grande Saída“, que aborda o desenvolvimento econômico dos últimos 250 anos a partir de seus efeitos sobre a saúde, a felicidade e outros dados mensuráveis.

O livro busca demonstrar que a vida é melhor do que em qualquer outra era da humanidade (e continua melhorando), mas que essa melhora beneficiou pessoas e países de maneira desigual. Por isso, carrega um otimismo que não é laudatório, mas entremeado de sobriedade.

Deaton toma o título do livro emprestado do épico hollywoodiano “Fugindo do Inferno” (“The Great Escape“), de 1963, dirigido por John Sturges e protagonizado por Steve McQueen, Richard Attenborough e outras estrelas. O filme é baseado na história de oficiais aliados internados no campo de prisioneiros Stalag Luft III, considerado o mais próximo do inexpugnável no lado nazista.

Os prisioneiros são considerados difíceis para seus carcereiros alemães: em vez de se conformarem com a condição de prisioneiros, tentam repetidamente escapar. Esse é o primeiro ponto da analogia: também no mundo da miséria, da fome e das doenças, não são todos que demonstram inconformismo com a situação a que estão sujeitos.

Um segundo ponto está na própria fuga: no filme, como na fuga real, muitos dos oficiais são recapturados, outros são mortos na fuga, outros são fuzilados, e apenas três conseguem atravessar uma fronteira do Reich. Na história do desenvolvimento dos últimos séculos, também muitas pessoas ficaram para trás, não puderam colher seus frutos ou sucumbiram aos lados menos brilhantes da história. Com a analogia cinematográfica, Deaton procura contar a história dos sucessos obtidos e do que ficou por fazer. Nas palavras do autor, é um livro sobre “a eterna dança entre progresso e desigualdade“.

Nascido em Edimburgo, na Escócia, e professor na Universidade Princeton desde 1983, Deaton é conhecido pela aplicação rigorosa da econometria a problemas de diversas naturezas. Em 2015, recebeu o Nobel de Economia por suas análises do consumo, da pobreza e do bem-estar. Continue reading “A Grande Saída: Saúde, Riqueza e as Origens da Desigualdade”

Proposta de Thomas Piketty: Democracia Radical

O economista Thomas Piketty participou, pela primeira vez, do fórum de palestras Fronteiras do Pensamento. Ao dar entrevista ao Valor (06/10/17), Piketty afirmou que o novo presidente francês não incorporara as sugestões do economista, no segundo turno da eleição francesa, como passaporte para seu apoio ao candidato do Em Marcha. A proposta, transformada em livro (“Por uma Europa Democrática“, Intrínseca, 2017), é a de que a única saída para a União Europeia é radicalizar a democracia.

A aposta de Piketty, cujo candidato (Benoît Hamon, do Partido Socialista), ficou em quinto lugar, é de que a UE não encontrará seu rumo enquanto suas decisões derivarem do embate de seus ministros de Finanças e não dos eleitos pelos parlamentos nacionais.

Foi sua segunda passagem pelo Brasil. Na primeira, em 2014, cumpria o circuito de lançamento de “O Capital no Século XXI“. O livro fez do economista de 46 anos, nascido de um casal de militantes de esquerda da geração de 1968, um bestseller mundial, com mais de 2 milhões de cópias vendidas em todo o mundo e 150 mil no Brasil.

O compêndio ficou desfalcado de informações mais precisas sobre o Brasil, que só seriam liberadas pela Receita no ano passado. Os dados sobre imposto de renda foram pioneiramente processados pelos economistas Marcelo Medeiros e Pedro Ferreira de Souza, mas são os estudos de seu orientado, o irlandês Marc Morgan, que levaram Piketty a ser mais assertivo: “Os países mais ricos do mundo adotam, há mais de um século, uma política de progressividade fiscal cujo desconhecimento no Brasil bloqueia seu desenvolvimento”, disse ao Valor.

Rechaçou a resiliente percepção da elite nacional de que é preciso crescer para distribuir: “Os países mais ricos se desenvolveram porque distribuíram”.

O economista fala como escreve. Explora a mesma ideia por vários caminhos até que esteja seguro de que foi bem assimilada. Restringiu o número de entrevistas desde que seu best-seller lhe impôs uma agenda de arauto da desigualdade, mas preservou o tom da ofensiva. Agora investe em estudos sobre os obstáculos políticos à redução da desigualdade e em ampliar seus contatos com pesquisadores do tema mundo afora.

Traz no seu tablet a fotografia da capa do livro “Tributação e Desigualdade“, organizado pelo economista José Roberto Afonso, que está para ser lançado com um artigo de sua autoria. Aos 23 anos, o matemático, doutor em economia, cruzou o Atlântico para dar aulas no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Hoje permanece na EHESS, Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e se limita a cruzar a Mancha para dar quatro dias de aula por ano na LSE (Escola de Economia de Londres).

Espera voltar ao Brasil para conhecer as praias do Ceará com a mulher, a economista Julia Cagé, e as filhas Juliette, Deborah e Hélène, agora que o pai casou-se novamente com uma cearense residente na França.

A seguir, a entrevista concedida à Maria Cristina Fernandes: Continue reading “Proposta de Thomas Piketty: Democracia Radical”

Leitura Comentada da Entrevista de Marc Morgan sobre a Desigualdade Brasileira

O economista irlandês Marc Morgan Milá, 26 anos, reconhece que houve declínio da desigualdade de renda no mercado de trabalho, como mostra a PNAD, a pesquisa por domicílio realizada pelo IBGE. Mas os mais ricos não respondem a pesquisa ou escondem fontes de riqueza. Então, não há representação acurada do topo.

O grupo dos 1% mais ricos tem cerca de 1,4 milhão de pessoas, com renda anual a partir de R$ 287 mil.

O 0,1% mais rico reúne 140 mil pessoas com renda mínima anual de R$ 1,4 milhão.

Enquanto isso, a renda média anual de toda a população é de R$ 35 mil.

É uma discrepância muito grande. Esse é o ponto importante no caso brasileiro: a concentração do capital é muito alta. Veja no gráfico acima a representação da distribuição do estoque da riqueza, muito pior que a distribuição do fluxo da renda: os 10% mais ricos detém 74,2% do patrimônio total, mas como o Top 1% possui 47,9%, sobra para os 9% mais ricos 26,3%, que é mais do que têm os 90% restantes: 25,8%!

E ainda tem colega/companheiro me criticando quando eu afirmo que o conflito de interesses na estratificação social brasileira é mais bem representada por categorias de natureza ocupacional, como castas versus párias, tal como na Índia, do que por “luta de classes”.

Continue reading “Leitura Comentada da Entrevista de Marc Morgan sobre a Desigualdade Brasileira”

Memória Curta ou Falseamento da História Recente: Pós-Verdade

O afã direitista de “queimar” a imagem da candidatura mais popular — a do Lula (PT) — apela para tudo que tiver ao seu alcance. Antes do golpe, tudo de ruim era “culpa da Dilma e/ou da Nova Matriz Macroeconômica”. Agora, como não consegue mostrar nenhum indicador social positivo durante o governo golpista, deseja recontar a história de outra maneira da que foi a vivência da maioria da população em uma “pós-verdade”. Quer provar contra a maioria da opinião pública — como ela tivesse “memória curta” — que sua boa lembrança da Era Social-Desenvolvimentista é falsa!

Veja a narrativa histórica em que o antipetista Vinicius Torres Freire (FSP, 01/10/17) faz em enorme esforço para deturpar o que houve de bom no que chama de “anos petistas” como fosse um mero ilusionismo. Para análise de sua parcialidade, reproduzo seu artigo abaixo. O que interessa são os dados, embora ele se esforce, não é possível brigar contra os números oficiais.

Continue reading “Memória Curta ou Falseamento da História Recente: Pós-Verdade”