Perda de Renda durante Atual Desgoverno

Leonardo Vieceli (FSP, 10/06/22) informa: a perda de renda afetou pobres e ricos em 2021, mas foi mais intensa para os brasileiros com menos condições financeiras, indica pesquisa divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Conforme o levantamento, que vai além do mercado de trabalho e também analisa outras fontes de recursos, incluindo programas sociais, os 5% da população com menor renda tiveram queda de 33,9% no rendimento médio de 2020 para 2021.

A baixa é a mais intensa entre 13 classes pesquisadas pelo IBGE. Todas elas amargaram recuos na comparação dos dois últimos anos, sinaliza o instituto.

De 2020 para 2021, os 5% mais pobres viram o rendimento médio domiciliar per capita recuar de R$ 59 para R$ 39 por mês. Vem dessa comparação a queda de 33,9%.

A renda domiciliar per capita corresponde ao ganho total dividido pela quantidade de pessoas em cada residência.

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Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021

O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% em 2021 e passou de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353. Este é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021, divulgada hoje (10) pelo IBGE. Norte e Nordeste foram as regiões que apresentaram os menores valores (R$ 871 e R$ 843, respectivamente) e também as maiores perdas entre 2020 e 2021 (de 9,8% e 12,5%, nessa ordem). Já as regiões Sul e Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos (R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente).

“Esse resultado é explicado pela queda do rendimento médio do trabalho, que retraiu mesmo com o nível de ocupação começando a se recuperar, e também pela diminuição da renda das outras fontes, exceto as do aluguel”, explica Alessandra Scalioni, analista da pesquisa, apontando a mudança nos critérios de concessão do auxílio-emergencial ocorridas em 2021 como uma das principais causas da queda no rendimento de outras fontes.

O percentual de pessoas com algum rendimento, de qualquer tipo, na população do país também caiu: de 61% para 59,8%, retornando ao percentual de 2012, o menor da série. Houve redução em todas as regiões, principalmente no Norte. O Sul (64,8%) continua com a maior estimativa, como aconteceu em todos os anos da série histórica. As menores são nas regiões Norte (53,0%) e Nordeste (56,3%).

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Erros do Auxílio Brasil: Volta, Bolsa-Família!

A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a Medida Provisória (MP) 1.076/2021, que fixou em R$ 400 o valor do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, e tornou o benefício permanente. Apoiado por 418 deputados, com sete votos contrários, o texto segue agora para análise do Senado. A votação da MP deve ser concluída até 16 de maio para não expirar.Já tinha passado da hora de reajustar o Auxílio Brasil, cujo valor médio é de R$ 224, especialmente no cenário de escalada da inflação dos últimos meses. Em abril, o IPCA-15 saltou 1,73%, a m a i o r e l e v a ç ã o m e n s a l desde 1995 , acumulando alta de 12,03 % em 12 meses, puxado pelos combustíveis, mas também transporte e alimentos.

A experiência com o Auxílio Emergencial durante a pandemia mostrou a importância das políticas de transferência de renda. O auxílio da pandemia só chegou a R$ 600 por pressão do Congresso. O governo Bolsonaro queria a metade disso.

De acordo com cálculos do pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV Ibre Daniel Duque, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da Pnad Covid-19 do I IBGE, graças ao benefício, a pobreza diminuiu no país, mesmo com a pandemia. Em 2019, 6,6% dos brasileiros estavam em extrema pobreza e 24% em pobreza não extrema; em julho de 2020, essas taxas tinham caído para 2,4% e 20,3%. Com o fim do benefício, as taxas pioraram e 7% dos brasileiros estão em extrema pobreza e 27% em pobreza não extrema.

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Nivelamento por Baixo diminui Desigualdade e aumenta Pobreza

Daniel Mariani, Diana Yukari, Leonardo Vieceli (FSP, 24/04/22) fizeram repotragem sobre o tema do título.

crise gerada pela Covid-19 e a disparada da inflação chegaram até o bolso dos trabalhadores com salários mais altos, que têm mais condições para enfrentar as dificuldades no cenário econômico.

Sinal disso é que a renda média do trabalho do grupo 1% mais rico no país caiu 16,4%, em termos reais, desde o começo da pandemia.

Mesmo com a redução, o rendimento dessa parcela ainda é 80,9 vezes maior (R$ 26.899) do que o dos profissionais 10% mais pobres (R$ 332) na média.

As conclusões são de um levantamento da Folha a partir de microdados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No quarto trimestre de 2019, antes da explosão da pandemia, a renda média do trabalho da fatia 1% mais rica era de R$ 32.157 por mês.

Dois anos depois, no quarto trimestre de 2021, já com a crise sanitária em curso, o rendimento baixou para R$ 26.899.

Vem dessa comparação a queda de 16,4% —ou menos R$ 5.258. O indicador avaliado é o da renda média habitual de cada pessoa que está ocupada com trabalho formal ou informal.

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Exclusão de Pobres do Mercado de Consumo

Dois levantamentos recém-concluídos, das empresas de pesquisas GfK e NielsenIQ, obtidos pelo Valor, que cruzam renda e perfil de compra, mostram os efeitos da crise na ponta ao cliente. Há um recuo na fatia dos mais pobres nas vendas do comércio, e maior dependência de indústrias e varejistas da demanda dos mais ricos – sinal claro de aumento na desigualdade social. O percentual de pessoas cautelosas com o gasto, mesmo com recursos no bolso, está em 45%, acima da média global.

As classes alta e média alta chegaram a uma fatia de 56% na venda de bens duráveis (TVs, refrigeradores, lavadoras) de outubro a dezembro de 2021, a maior taxa em 12 trimestres (três anos), o período de análise da pesquisa. De janeiro a março de 2020, com a pandemia na fase inicial, essas classes respondiam por 51% da compra e um ano antes, por 50%.

Aqueles com menos renda (classes baixa e média baixa) fizeram 39% das vendas no fim de 2021, quando Selic e inflação já pesavam nos custos de crédito e nas compras, versus 47% ao fim de 2020, período de liberação do auxílio emergencial. Pelos critérios da pesquisa, são renda baixa as famílias com ganho mensal inferior (sem impostos) a R$ 1.600; na média baixa, de R$ 1.601 a R$ 3 mil; na média alta, de R$ 3.001 a R$ 5.200 e na alta, acima de R$ 5.201.

Pela pesquisa da GfK, se concluiu que a renda “segura”- das pessoas empregadas (parte delas, das classes A e B) e de aposentados – está sustentando o consumo de bens duráveis. O trabalhador empregado respondeu por 49% das compras no quarto trimestre, a maior taxa desde o início de 2020. Os desempregados participaram com 14%.

Já entre outubro a dezembro de 2020, com o “coronavoucher” (auxílio do governo federal) sendo distribuído, os empregados fizeram 44% das compras, e os desempregados, 18%. Foram ouvidas a cada trimestre, entre 10,5 mil a 11,5 mil pessoas, em questionários que cobrem vendas em lojas físicas e pela internet.

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Aumento da Desigualdade de Gêneros no Mercado de Trabalho

João Saboia é professor emérito do Instituto de Economia da UFRJ IE/UFRJ). E-mail: saboia@ie.ufrj.br. Mireille Razafindrakoto e François Roubaud são pesquisadores do Institut de Recherche pour le Développement (IRD) de Paris e pesquisadores visitantes do IE/UFRJ. Compartilho artigo deles abaixo.

Este (Valor, 11/08/22) é o terceiro artigo dos autores sobre o aumento das desigualdades no mercado de trabalho durante a pandemia, destacando alguns grupos sociais que já possuíam condições mais desfavoráveis no período pré-pandêmico. No primeiro artigo, mostramos a situação mais precária dos jovens frente aos adultos (Valor Econômico, 25/10/2021). No segundo, comparamos os brancos com os pretos/pardos (Valor de 13/12/2021). Aproveitando a recente comemoração do Dia Internacional da Mulher, neste novo artigo discutimos a questão de gênero, contrapondo homens e mulheres durante a pandemia.

A divulgação recente dos dados das Contas Nacionais e da Pnad Contínua do último trimestre de 2021 permite que sejam apresentados os números existentes mais atualizados da economia e do mercado de trabalho. Destacaremos três momentos – o quarto trimestre de 2019 (4T/2019), último antes da pandemia chegar ao Brasil; o terceiro de 2020 (3T/2020), quando a economia e o mercado de trabalho atingiram o fundo do poço; e o quarto trimestre de 2021 (4T/2021).

Depois de cair 3,9% em 2020, o PIB se recuperou, crescendo 4,6% em 2021. Em 4T/2021 o PIB cresceu 0,5% em relação a 3T/2021 e 1,6% em relação a 4T/2020. Ao compará-lo com 4T/2019 (trimestre mais favorável antes da pandemia), houve crescimento de 0,5%. Em outras palavras, após dois anos de pandemia, o nível de produção do país voltou praticamente ao mesmo nível em que se encontrava no final de 2019, até mesmo superando-o um pouco.

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Crise alcança renda média-alta após castigar pobres nas metrópoles

Leonardo Vieceli (FSP, 29/01/22) informa: após castigar o bolso dos mais pobres, a crise econômica começa a afetar com maior força a renda do trabalho da classe média-alta nas regiões metropolitanas do Brasil. É o que indica a sexta edição do Boletim Desigualdade nas Metrópoles.

Conforme o estudo, a renda domiciliar per capita do trabalho dos 10% mais ricos caiu para R$ 6.411, em média, no terceiro trimestre de 2021. O valor é 8% menor do que o verificado em igual trimestre de 2020 (R$ 6.967) nas regiões metropolitanas.

Na visão dos responsáveis pelo boletim, a queda reflete a combinação entre fraqueza da atividade econômica e escalada da inflação —os dados levam em conta o avanço dos preços no país.

A pesquisa é produzida em parceria entre PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Observatório das Metrópoles e RedODSAL (Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina).

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Desigualdade no Setor Público

Eduardo Cucolo (FSP, 25/01/22) informa: as remunerações do setor público possuem grande disparidade, mesmo entre pessoas com mesmo nível de escolaridade. Algumas dessas diferenças estão ligadas a fatores como sexo, nível de governo, Poder e tipo de carreira, segundo estudos elaborados por especialistas na área.

Se for considerada apenas a renda do trabalho no mercado formal, a desigualdade na esfera pública tem aumentado e supera a verificada no setor privado.

A desigualdade no setor público só perde para o privado quando se coloca na conta a informalidade e outros tipos de renda.

Atualmente, diversas carreiras protestam contra a decisão do governo federal de dar reajuste somente a policiais, que já tiveram ganhos salariais nos últimos anos.

Um trabalho de referência sobre o serviço público é o Atlas do Estado Brasileiro, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Entre os dados está a separação dos rendimentos por decis, que dividem o total de remunerações em dez classes com o mesmo número de vínculos de trabalho.

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“Índice Mozarela” compara preço da pizza e revela desigualdade social na cidade de São Paulo

Ricardo Mendonça (Valor, 28/01/22) informa: um morador do Alto de Pinheiros, distrito da zona oeste de São Paulo, paga, em média, R$ 51,80 por uma pizza grande de muçarela em restaurantes de seu bairro. Se fosse pagar um valor proporcional à sua renda na mesma equivalência do que é cobrado pela rodela de oito fatias em Lajeado, área com o pior poder de compra da cidade, a pizza no Alto de Pinheiros custaria quase o triplo: R$ 131,60.

A constatação é um dos achados de um curioso estudo de professores e alunos da Fatec Sebrae que criaram o Índice Mozarela de São Paulo. Trata-se de um indicador que, levando em consideração a renda média de cada localidade, compara os preços do produto mais popular das pizzarias nos 96 distritos do município.

O trabalho é inspirado no famoso Índice Big Mac, criado em 1986 pela revista “The Economist”, estudo que compara o preço do principal lanche do McDonald’s em diversos países. Além de apresentar os bairros com as pizzas mais caras e mais baratas da cidade, o Índice Mozarela (escrito assim mesmo, com grafia aproximada da palavra em italiano) oferece um retrato da dimensão das desigualdades na capital.

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Armadilhas da Pobreza

A revolução keynesiana na HPE (História do Pensamento Econômico) foi propiciar uma visão macro sistêmica aos economistas, diferenciando-a da visão microeconômica dos homens de negócios. Estes — e os economistas não dotados dessa visão holística — padecem do individualismo metodológico e extrapolam as experiências vivenciadas para o todo.

Não percebem as interações entre os agentes econômicos resultarem em um todo distinto da mera agregação das partes porquanto elas se alteram em suas interdependências e/ou interconexões. Consequência disso foi Keynes mostrar o desemprego não ser responsabilidade individual de trabalhadores, embora um compete com outro quando há poucas vagas, mas sim da criação massiva de empregos por gastos de investimentos dos capitalistas, expandindo capacidade produtiva.

Observe como o viés do individualismo metodológico prejudica a análise da chamada “armadilha da pobreza” no artigo compartilhado abaixo de autoria do Tiago Cavalcanti (Valor, 05/01/22), professor de Economia da Universidade de Cambridge e da FGV-SP.

Em artigo de 2007 publicado no Journal of Economic Perspectives, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, vencedores do prêmio Nobel de Economia de 2019, investigaram de forma detalhada a vida de pessoas que vivem na extrema pobreza em um conjunto de 13 países.

Verificou-se serem indivíduos que vivem em famílias numerosas, gastando de 56 a 75% da renda com alimentação. Cerca de 10% dos gastos dessas famílias são com ritos sociais, a exemplo de casamentos e velórios, enquanto, em média, 10% dos gastos são com álcool ou cigarro. Tais famílias quase não investem em educação e dependem do Estado ou de organizações não governamentais para receberem algum tipo de investimento em capital humano.

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Custo Unitário do Trabalho: Muito Abaixo do Pleno Emprego da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014)

Salário baixo não cria empregos! Este é um beabá do keynesianismo: quem cria empregos é a taxa de investimentos com expansão da capacidade produtiva não poupadora de mão-de-obra!

Mesmo com recuperação neste ano, a mão de obra brasileira ainda está com um custo bem barato em termos históricos. Calculado pelo Banco Central, o chamado Custo Unitário do Trabalho (CUT) fechou outubro de 2021 em 90,6 pontos.

A alta é de 26,3% em 2021, mas está bem abaixo da média histórica (110,1 pontos) e também do período entre 2015 e a pandemia (118,4 pontos), quando esse indicador já teve um ajuste relevante para baixo.

O CUT é um dos elementos de análise do ambiente de negócio para as empresas em um país. Seu movimento reflete uma combinação de fatores.

Um dos motivos para o indicador seguir abaixo dos seus níveis históricos (ver gráfico acima) é a taxa de câmbio, pois ele é calculado em relação ao dólar. A outra razão é a perda de renda de boa parte dos trabalhadores que segue em curso, mesmo parcialmente dissipada neste ano com o arrefecimento da pandemia.

Diante dos números , é natural se questionar se o ajuste no mercado de trabalho não foi longe demais. A pergunta vale até para quem se beneficia de mão de obra barata, cujo reverso é um trabalhador com pouca capacidade de consumo. Salário não é só custo, é também demanda!

World Inequality Report 2022: Desigualdade Social no Brasil

Marsílea Gombata (Valor, 08/12/21) informa: a pandemia junto com um governo inerte aumentou a desigualdade em todo o mundo, com os mais ricos enriquecendo ainda mais e o total de pobres crescendo. No Brasil, a parcela 10% mais rica detinha 58,6% da renda nacional em 2019; hoje, concentra 59%, segundo o “World Inequality Report 2022”, divulgado ontem. A metade mais pobre, por sua vez, possuía 10,1% antes da pandemia e hoje concentra 10%.

O documento, elaborado pelo World Inequality Lab, codirigido pelo economista Thomas Piketty, mostra ainda, no Brasil, a parcela 1% mais rica ser dona de cerca de metade (50%) da riqueza nacional. A metade mais pobre detém menos de 1% da riqueza nacional – muito abaixo de vizinhos como a Argentina, onde os 50% mais pobres possuem 6% da riqueza nacional.

O World Inequality Lab utiliza dois conceitos para medir desigualdade: renda e riqueza. A renda considera a soma de toda a renda recebida por indivíduos de um país, como o salário ao longo de um ano, antes de pagar Imposto de Renda. A riqueza é a soma de valores de todos os ativos detidos por indivíduos em um país, o estoque de acumulação de capital, como poupança e rendimentos.

Atualmente, mostra o documento, a desigualdade no Brasil é mais alta se comparada à dos EUA, onde os 10% mais ricos capturam 45% da renda nacional, ou na China, onde essa parcela mais rica detém 42%.

Na América Latina, o Brasil é o segundo país mais desigual depois do Chile, onde os 10% mais ricos detêm 58,9% da renda total. Em ambos os países, porém, os 10% mais ricos ganham 30 vezes mais do que os 50% mais pobres – na Argentina e no Canadá essa proporção é de 13%, nos EUA, de 17%, e, na França, 6%.

No G-20 (grupo que reúne algumas das maiores economias globais), o Brasil também ocupa o segundo lugar na lista dos mais desiguais, atrás somente da África do Sul. No país africano, a parcela dos 10% mais ricos possui 66,5% da renda nacional e ganha 60 vezes mais do que a metade mais pobre.

No ranking mundial, o Brasil é o 11o mais desigual, atrás de Chile, África do Sul, República Centro-Africana, Moçambique, Namíbia, Zâmbia, Guiné Bissau, Botsuana, Zimbábue e Iêmen.

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