Rendimentos do Trabalho no Brasil: 1976-2015

Os seguintes gráficos partem de um levantamento da iniciativa Brasil em Dados com base em dados da Pnad e analisam a evolução do rendimento real mensal (ajustado pela inflação) dos brasileiros, de 1976 a 2015, para diferentes grupos sociais.

Para todos os gráficos, é considerado o rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos, ou seja, não é considerada renda de aluguéis, lucros e juros.

Link para matéria no Nexohttps://www.nexojornal.com.br/grafico/2018/10/22/A-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-renda-do-trabalho-dos-brasileiros-desde-1976

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Pós-Golpe: Reconcentração de Renda e Classe Média Em Queda


Amália Safatle (Valor, 31/05/2019) publicou reportagem comparando o presente tenebroso com um contexto auspicioso da economia brasileira: a Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) iniciada no Governo Lula. Na primeira década dos anos 2000, a junção entre estabilidade da moeda, alta das commodities, expansão de emprego, renda e crédito, valorização do salário mínimo, políticas sociais e redistributivas abriu o horizonte de oportunidades para as classes desfavorecidas.

O brasileiro pôde comprar mais alimentos, como proteína, mas também investiu em moradia, saúde, transporte, estética pessoal e bens duráveis – o consumo deste último saltou 104% entre 2000 e 2012, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O maior acesso a bens culturais, à formação técnica e à educação superior veio no bojo do crescimento econômico. As estatísticas tradicionais que contabilizam a venda de livros físicos, ingressos de cinema e CDs não captam bem a realidade.

Segundo esses indicadores, o consumo de bens culturais não teria acompanhado o de bens duráveis que houve na ascensão da classe média entre 2003 e 2012. Mas, diferentemente do que dizem os números, o especialista em economia do entretenimento Fábio Sá Earp, professor da UFRJ, suspeita que o consumo de bens culturais, na verdade, tenha crescido — e muito. Continuar a ler

Problemas no Regime de Capitalização da Previdência

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Eduardo Penido (Opportunity Gestora de Recursos), Uwe Schillhorn (Principal Internacional), Lance Schoening (Principal) e Maree Pallisco (EY)

Estados Unidos, Chile e Austrália têm sistemas previdenciários diferentes, mas alguns desafios comuns: aumentar os níveis de educação financeira e incrementar as contribuições voluntárias aos planos, de forma a permitir que as pessoas tenham renda suficiente após a aposentadoria. As peculiaridades dos sistemas de previdência dos três países e a experiência de cada um deles com a capitalização foram o tema de um painel realizado na tarde desta quinta-feira, no 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento moderado por Eduardo Penido, Opportunity Gestora de Recursos.

O sistema chileno mudou da repartição para a capitalização em 1981, mas, ao longo dos anos, foi se transformando e hoje conta com três pilares:

  1. solidário (público),
  2. obrigatório (privado) e
  3. voluntário (privado).

O pilar solidário é de repartição, voltado para 60% da população mais pobre, financiado por impostos.

Já o pilar obrigatório é totalmente privado, gerido por seis AFPs (Associaciones de Fondos de Pensiones), e de capitalização. Os trabalhadores contribuem com 10% do salário para esse pilar (sem contribuição do empregador). Há cinco planos com diferentes perfis de risco. E há também as contribuições voluntárias às AFPs, mas que são pouco usadas apesar dos benefícios fiscais. Continuar a ler

Desigualdade Social: Riqueza X Educacional

Até a crise de 1929, 1% dos norte-americanos ficavam com 48% da riqueza, porcentagem que caiu para 28% em 1968, mas voltou aos 48% na crise do período 2008/09. Nos últimos dez anos, os salários perderam para os lucros dez pontos percentuais de sua participação na renda nacional dos EUA.

Paul Krugman, ganhador de Nobel em Economia, publicou artigo (NYT/FSP, 23/04/19) onde afirma: o bordão do “1%” se tornou um problema, obscurecendo a natureza da divisão de classes nos Estados Unidos do século 21.

O foco no 1% de pessoas com renda mais alta era visto originalmente como forma de corrigir a ideia reconfortante, mas falsa, de que a desigualdade cada vez maior era simplesmente resultado dos avanços na escolaridade. A realidade é que, nas últimas décadas, o formando universitário médio registrou avanço modesto em sua renda, e o dinheiro grosso foi para as pessoas bem no alto da pirâmide. Falar do “1%” era uma forma de reconhecer essa realidade de maneira sucinta, e vinculá-la a dados amplamente disponíveis.

Sim, existe uma grande diferença entre as pessoas que têm renda suficiente para não se preocuparem demais com dinheiro, e as que precisam viver na insegurança financeira que aflige muitos americanos que se consideram como parte da classe média.

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Classe Média Esmagada por Castas de Natureza Ocupacional

“Sob Pressão: Classe Média Esmagada” [Under Pressure: The Squeezed Middle Class] é o relatório de pesquisa mais recente da OCDE. Ela registrou, na última década, o aumento das desigualdades em diversas sociedades, no mundo, tornando mais difícil para muitos cidadãos sobreviverem.

Classe social se refere a um grupo de pessoas com compartilhamento do mesmo status socioeconômico. Esse status é definido de acordo com diferentes tradições acadêmicas. Nas análises econômicas se usa renda com o indicador-chave desse status. No restante das Ciências Sociais, as medidas são baseadas no prestígio do emprego, ou melhor, na estratificação em castas básicas (e suas subcastas) com base nos rendimentos de natureza ocupacional e nos valores políticos, sociais e culturais.

A classe média tem sido também definida com o uso de medidas subjetivas tais como a auto identificação em determinada classe social. Curiosamente, a maioria (2/3) das pessoas nos países da OCDE se considera de classe média. Essa auto identificação é maior nos países nórdicos, Holanda, Luxemburgo e Suíça. No Brasil, menos de 40% se identifica nessa classe, embora o agrupamento de renda média seja acima desse percentual.

A classe média encolheu na maioria dos países da OCDE, porque se tornou mais difícil para as gerações mais jovens chegarem à classe média, definida como ganhando entre 75% e 200% da renda nacional mediana. Enquanto quase 70% da geração dos babies boomers (nascida no pós-guerra) faziam parte de famílias de renda média na faixa dos 20 anos, apenas 60% dos millennials (nascidos no novo milênio) são hoje.

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Investimentos dos Ricaços do Private Banking

Quando comecei a pesquisar a história bancária brasileira para elaborar minha Dissertação de Mestrado (“Bancos em Minas Gerais: 1889-1964“), em 1977, as informações eram dispersas em “papel-velho” e bibliotecas espalhadas. Visitei-as em arquivos de bancos, inclusive em Juiz de Fora-MG, e no antigo Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro. Tinha de xerocar tudo. E tinha de ler e anotar até colunas sociais sobre o high-society ou necrologia em jornais velhos para levantar as biografias de banqueiros.

Hoje, com a internet parece ser tudo uma facilidade online para os pesquisadores. No entanto, não é tanto como deveria ser. Por exemplo, a SRF não divulga a consolidação da DIRPF 2018 – AC 2017, como ordena a Lei de Acesso às Informações.

Outras informações sobre a concentração de riqueza no Brasil poderiam ser melhor apuradas. Não há um ranking de private banking oficial, mas, pelos números publicados por Adriana Cotias (Valor, 11/04/19), o Credit Suisse ocupa a segunda posição na gestão de fortunas feita dentro de bancos no país com R$ 180 bilhões, atrás do Itaú, com cerca de R$ 430 bilhões. Pelas estatísticas da Anbima, o segmento reúne mais de R$ 1,1 trilhão. Continuar a ler

Brasil: De Mal a Pior (Efeito Orloff do Golpista ao Capitão)

 A tecnocracia formada na velha Escola de Chicago acha bastar a diminuição da proteção social e soltar as amarras da regulamentação do trabalho para O Mercado se encarregar de prover empregos e renda. A reforma trabalhista já caminha para completar dois anos e o efeito desastroso, para os trabalhadores, está registrado acima.

Criada pela reforma trabalhista, a demissão por comum acordo vem aumentando e atingiu quase 17,8 mil contratos de trabalho em janeiro deste ano corrente de 2019. Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) indicam algumas empresas estarem coagindo funcionários. Eles não desejam ser dispensados, mas são obrigados a aceitar este tipo de acordo como forma da empresa pagar menores verbas rescisórias.

Levantamento feito pela Procuradoria-Geral do Trabalho aponta para pelo menos 16 procedimentos instaurados, quatro ações civis públicas, dois termos de ajustamento de conduta (TACs) e seis pareceres apresentados em processos judiciais referentes a fraudes ou possíveis fraudes em demissões por acordo.

Com medo da demora da Justiça, trabalhadores acabam se sujeitando à pressão da empresa. O novo texto da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não prevê punições para companhias que incorrerem na ilegalidade.

Este governo autista, sustentado pela polarização privilegiada do mundo dos pensamentos ideológicos conservadores com progressistas, em suas representações e sentimentos pessoais, tem perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo real circundante. Ele se submete aos EUA ao pleitear a entrada na OCDE, clube dos ricos. Será um integrante diferenciado — e envergonhado de si próprio.

A renda salarial média dos 35 países integrantes do bloco é de US$ 40 mil anuais. A do Brasil é de US$ 8 mil. O brasileiro ganha metade dos “ricos mais pobres”, os mexicanos, aqueles que se compadeciam por estarem tão perto dos Estados Unidos e tão longe de Deus.

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