Planos dos Candidatos à Presidência dos EUA

Estratificação nos EUA

Bob Davis (Valor, 05/01/16) informa que os candidatos à presidência dos Estados Unidos dos partidos Democrata e Republicano dizem que um crescimento econômico mais rápido é crucial para melhorar a vida da classe média americana. Mas eles discordam significativamente sobre como conseguir isso.

No nível mais amplo, os candidatos se dividem por partido, com os republicanos seguindo uma fórmula da época de Ronald Reagan, que presidiu os EUA nos anos 80, e defende que a redução de impostos e a eliminação de brechas fiscais são a resposta. Já os democratas defendem a ampliação de gastos, especialmente em projetos de infraestrutura, além do aumento dos impostos para pessoas de maior renda como forma de ter recursos para projetos como licença-maternidade e programas sociais.

Embora a campanha até agora não tenha abordado política econômica, as diferentes fórmulas para atingir o principal objetivo nacional — crescimento econômico — mostram como a divisão entre os dois partidos permanece profunda, talvez intransponível. Continue reading “Planos dos Candidatos à Presidência dos EUA”

Literatura da Crise

Crunch Lit

Andrew Hill (FT, 01/12/15) resenha o livro “Crunch Lit” de autoria de Katy Shaw (208 págs., US$ 29,95; Bloomsbury).

Escritores de ficção podem, às vezes, nos ajudar a compreender melhor o mundo das finanças do que os jornalistas? Teria sido melhor prestar atenção aos romancistas, em vez de aos economistas, nos primeiros sinais de alerta da crise financeira de 2007-08? Pode a onda de livros, filmes e peças sobre a crise do crédito mudar nossa atitude em relação às finanças?

Em “Crunch Lit“(“Literatura da Crise” em tradução livre), resultado de sua pesquisa sobre os “escritos da recessão” daquele período, Katy Shaw sugere que a resposta é “sim” para as três perguntas. Mas ela está certa apenas em relação à primeira. Continue reading “Literatura da Crise”

“Pescando Tolos” de George Akerlof e Robert Shiller

 

650x1000 - Pescando Tolos

A editora Alta Books comprou o direito da tradução e publicação do livro no Brasil com o título “Pescando Tolos – A Economia da Manipulação e Fraude“.

http://www.altabooks.com.br/pescando-tolos-a-economia-da-manipulacao-e-fraude.html

Greg Ip (WSJ, 25/09/2015) do jornal liberal The Wall Street Journal está injuriado. Suas fontes contumazes — economistas ultraliberais — estão sendo atacados por gente mais sensata… Reproduzo sua indignação abaixo.

“O mês foi bom para os céticos do livre mercado. No Reino Unido, um socialista confesso é o novo líder do Partido Trabalhista. O papa Francisco, que condena o mercado por promover o “consumismo extremo”, foi recebido, ao chegar nos EUA como um astro do rock. E agora, justo aqueles que supostamente deveriam sair em defesa do mercado, os economistas, estão aderindo ao ataque!

“Mercados competitivos, por sua própria natureza, produzem engano e trapaça”, escrevem dois ganhadores do Prêmio Nobel, George Akerlof e Robert Shiller, em seu novo livro, “Phishing for Phools“, que deve ser lançado no Brasil pela Alta Books.

Com base em lições da Economia Comportamental, os autores sustentam que o mercado incentiva empresas a explorar fraquezas comportamentais, como o desejo do consumidor de gratificação imediata em detrimento do bem-estar de longo prazo. Empresas que se negam a descer a esse nível seriam sobrepujadas pelas menos escrupulosas. E isso “não é um infortúnio ocasional. Ocorre em tudo quanto é lugar”, escrevem. Continue reading ““Pescando Tolos” de George Akerlof e Robert Shiller”

Poder da Moeda: Entendendo a Rivalidade Monetária

Currency PowerCyro Andrade (Valor, 15/09/15) publicou uma resenha do livro “Currency Power ­- Understanding Monetary Rivalry” de autoria de Benjamin J. Cohen. 304 págs., US$ 29,95 (Princeton Univ. Press).

Em “Currency Power: Understanding Monetary Rivalry”, Benjamin Cohen, professor de Economia Política na Universidade da Califórnia, vai aos bastidores das disputas de poder que se dão no tabuleiro da “geografia monetária”, como ele diz. É o universo em que, entre muitas outras moedas com níveis diversos de relevância, estão o dólar de Obama e o yuan de Xi — um, em posição de líder já há décadas; o outro, querendo elevar-se no ranking. Cohen explora esse campo de observação para fazer detalhada análise política, transcendente à visão econômica, mais comum, do que está por trás dos signos do dinheiro.

A introdução deste seu novo livro — o mais recente entre vários que escreveu, como “The Future of Money” e “International Political Economy: An Intellectual History” — vem com uma frase em epígrafe de Robert Mundell, Nobel de Economia em 1999: “Great powers have great currencies”. O que esse aforismo realmente significa?, pergunta Cohen. Qual é, precisamente, a relação entre moeda e poder? O que é causa, o que é efeito, e quais são as implicações para a distribuição de riqueza e autoridade mundo afora?

Mundell pode estar certo quando diz que há relações entre dimensões de poder e relevância de moedas — nessa ordem ou vice-versa, os dois sentidos de causalidade de que Cohen se ocupa em sua análise. E disso, ele supõe, os líderes chineses parecem convencidos. Tanto que vêm trabalhando sistematicamente para inscrever o yuan (ou renmimbi) no livro das moedas de amplo e acabado caráter internacional.

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Fugger: Banqueiro de Reis no Século XVI, o homem mais rico que já existiu

Banqueiro dos ReisLauren Young (Valor, 19/08/15) entrevista o autor do livro sobre Fugger: banqueiro de reis no séc. XVI. Jacob Fugger, o financista alemão que, durante o Renascimento:

  1. monopolizou o mercado da prata,
  2. tornou-se banqueiro de reis,
  3. convenceu o papado a legalizar o empréstimo de dinheiro e
  4. preparou o caminho para o atual mercado de bônus.

No auge de sua carreira no século XVI, Fugger acumulou uma fortuna imensa, correspondente a uma parcela significativa da atividade econômica da Europa. Mesmo assim, poucas pessoas ouviram falar dele.

Um novo livro sobre Fugger, “The Richest Man Who Ever Lived” [O homem mais rico que já existiu, na tradução livre], inclui lições sobre dinheiro para os investidores. Abaixo, trechos de uma entrevista com o autor do livro, Greg Steinmetz, que é analista de ações e já trabalhou como jornalista em Nova York.

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Nomenclatura Chinesa e Desvalorização do Yuan

Zhou - BCChJamil Anderlini (FT, 18/09/15) conta que, no início da década de 1980, um promissor aluno de doutorado de uma preeminente família política chamou a atenção de um dos mais elevados dirigentes comunistas, ao conclamá-los a suspender os controles de preços e a autorizar importações de aparelhos de TV.

Três décadas depois, Zhou Xiaochuan, o presidente do BC chinês de mais longo mandato, ainda está convencendo os autoritários líderes do país das benesses da reforma econômica. Ao persuadi-los, no dia 11 de agosto de 2015, a desvalorizar a moeda, ele pode ter realizado a proeza culminante de sua carreira — ao preparar o caminho para a livre flutuação do yuan, que poderá desafiar o dólar americano como a moeda de reserva mundial.

O anúncio do Banco do Povo da China, o BC do país, de que tinha desvalorizado o yuan no câmbio com o dólar em quase 2% durante a noite — maior queda desde 1994 — pegou os mercados de surpresa e elevou a perspectiva de realização da assim chamada guerra cambial. Zhou apresentou a medida internamente, ao presidente do país, Xi Jinping, como uma questão de interesse nacional, necessária para impulsionar a economia em uma época de acentuada desaceleração do crescimento.

Para o mundo externo, o BC chinês retratou a desvalorização como um passo rumo a uma moeda chinesa mais voltada para o mercado e mais livremente negociável. Ele esperava que a iniciativa evitasse desvalorizações competitivas, ao mesmo tempo em que convenceria o Fundo Monetário Internacional (FMI) a incluir o yuan em uma cesta de moedas de reserva.

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Razão do Ajuste Fiscal – Realinhamento Tarifário-Tributário-Cambial-Inflacionário-Depressivo: Lógica do Capital

PNAD Contínua - Emprego e RendaBTC Saldos mensais 2015Balanço Comercial com China 2014-15Encontramos na NOTA CEMEC 03/2015 – FATORES DA QUEDA DO INVESTIMENTO: 2010-2014 (São Paulo; Centro de Estudos do IBMEC; Março 2015) as razões objetivas, baseadas em dados de balanços contábeis das empresas, para a reviravolta econômica a favor do Capital e em desfavor do Trabalho, condição econômica para a retomada do crescimento no Capitalismo de Mercado. O “nivelamento por baixo”, para “zerar tudo” — as conquistas sociais durante a fase do Capitalismo de Estado –, e recomeçar de novo um Capitalismo Liberal é desanimador, dado o fracasso anterior dessa tentativa. Bem, isso ocorrerá até essa ideologia ser derrotada, eleitoralmente, mais uma vez, lá na frente, em outra alternância de Poder dentro da democracia. Essa nova fase de neoliberalismo representará um atraso social-histórico. Não tenho nenhuma saudade da Era Neoliberal dos anos 90… E muito menos dos anos pós-golpe de Estado!

Os dados de Contas Nacionais revistos até 2014 revelam leve queda da taxa de investimento que era de 20,6% em 2010 para 19,7% em 2014, esta bem superior à taxa de 17,0% divulgada anteriormente. Levando em conta os dados anteriores das Contas Nacionais (ver gráfico abaixo), Carlos Antonio Rocca, diretor do CEMEC, afirma que “a maior parte foi ocorrida nas empresas não financeiras. Tudo indica que a queda da taxa de retorno sobre o capital investido para níveis inferiores ao custo médio da dívida dessas empresas, desde 2012, seja um dos fatores mais relevantes para explicar esse desempenho. Especialmente no setor industrial, o problema aparece na forma de redução de margens, que resulta da dificuldade de repassar aos preços de venda os aumentos de custos, especialmente do custo unitário do trabalho que se elevou muito acima do preço em reais dos produtos importados, estes reduzidos pela valorização do real”.

Rocca acha que “a recente correção de preços relativos, inclusive câmbio, contribui para a recuperação de margens, enquanto que o sucesso do ajuste fiscal pode sustentar mais adiante a redução do custo de capital. Este movimento, sendo combinado com a criação de condições favoráveis à participação privada em infraestrutura, pode ajudar na reversão do cenário em favor da retomada do investimento”. Continue reading “Razão do Ajuste Fiscal – Realinhamento Tarifário-Tributário-Cambial-Inflacionário-Depressivo: Lógica do Capital”