Livros do IPEA

O Estado Empreendedor: Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado

O Estado Empreendedor Eu implico com o conceito de “financeirização” que muitos colegas heterodoxos e a própria Mariana Mazzucato se utiliza. Acho que é uma reminiscência da visão católica medieval anti-usura, que aliás já era um cinismo social na época, pois os banqueiros cristãos emprestavam com cobrança de juros e cristãos devedores inadimplentes recorriam ao antissemitismo para não pagar suas dívidas!

Sou contra todos os “discursos de ódio”, tipo anti-rentista ou anti-banqueiro, coerentemente com meu desprezo por discursos anti-comunista ou anti-petista. Acho que reflete pura ignorância e apelo à violência de quem o profere. Por isso, lamento quando meus camaradas de esquerda fazem tal discurso, reduzindo todos os problemas do capitalismo contemporâneo à “financeirização”.

Desde quando a relação de produção capitalista não se deu com o encontro do Capital-Dinheiro, acumulado previamente, com a Força-de-Trabalho livre, porque desapropriada, depois de libertada da escravidão ou da servidão feudal? O capital sempre foi financeiro! Ora bolas…

O capitalismo “industrial” nunca foi melhor do que este “financeiro” que está aí para todo o mundo ver e sentir. Só que agora os trabalhadores de renda média para cima já tem oportunidade de fazer investimentos financeiros para atender à necessidade de complementar sua Previdência Social, mantendo o padrão de vida após sua aposentadoria.

Apresento abaixo o argumento mais inteligente da Mariana Mazzucato, em tópico denominado “Financeirização“, no seu livro MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Ela o apresenta como “fato da vida capitalista” que devemos aprender a lidare não condenar, moralmente, como faz a classe média histérica, seja à direita, seja à esquerda, com seu discurso de ódio imbecil…

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O Estado Criativo

 

Mariana MazzucatoRecebi uma mensagem do nosso saudoso “correspondente europeu”, o português Miguel Amaral:

“Espero que esteja tudo bem com você. Faz tempo que não lhe escrevo, mas hoje decidi fazê-lo porque encontrei algo interessante e creio que vale a pena partilha-lo com você. Hoje, o Partido Socialista fez uma apresentação no ISEG daquilo que poderá ser o seu programa de governo.

Convidaram uma acadêmica italiana, Mariana Mazzucato, que falou do papel do Estado Empreendedor, nomeadamente, da importância do sector público na inovação.  Não sabia que o Sillicon Valley no seu inicio tinha sido financiado pelo sector público, sempre pensei que fosse uma obra exclusiva do sector privado. Tal como não sabia que o Iphone usava tecnologia que tinha sido desenvolvida pelo Departamento de Defesa Americano.

Fernando, deixou aqui o link do artigo e um pdf em português da parte inicial do seu livro O Estado Empreendedor.

http://www.publico.pt/politica/noticia/e-para-pensar-a-grande-que-o-ps-quer-o-investimento-publico-1693065?page=1

Um Abraço,
Miguel.”

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A Sabedoria dos Mercados Financeiros (por João Sayad)

João-sayad-Foto-Jair-Bertolucci

Sempre apreciei os artigos metafóricos de João Sayad, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. Metáfora é a designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança. A metáfora atinge seu máximo de eficiência retórica só no início do debate ou na apresentação de certas proposições originais. No decorrer da controvérsia, o argumento que se apresente menos carregado de metáforas tem maior plausibilidade. Esta é uma regra na Arte da Retórica. Mas regras foram feitas para ser quebradas ou, pelos menos, abertas certas exceções…

Confira o estilo do artigo abaixo (Valor, 22/04/15), onde Sayad trata de Economia da Complexidade com grande didatismo, devido aos exemplos metafóricos. Continuar a ler

Reinventando o Capitalismo de Estado

Reinventando o Capitalismo de Estado

Aldo Musacchio é professor associado de administração de empresas da Harvard Business School e Faculty Research Fellow do National Bureau of Economic Research. Sérgio G. Lazzarini é professor de Organização e Estratégia do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa. Dentro do contexto surgido a partir da onda de liberalização (e privatização a la brasileira com fundos de pensão paraestatais), que varreu os mercados nas décadas de 1980 e 1990, e afetou as maneiras como os governos gerenciam as suas economias, o livro de Aldo Musacchio e Sergio G. Lazzarini analisa a ascensão de uma nova espécie de capitalismo de Estado, em que os governos interagem com os investidores privados e, muitas vezes, usam sua influência para auxiliar setores ou empresas de olho em dividendos políticos. Entre os exemplos estudados estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Vale.

O tema de pesquisa é o mesmo do meu Capitalismo de Estado Neocorporativista, TDIE lançado em julho de 2012, porém o enfoque ideológico é oposto: o deles é neoliberal, o meu é socialdesenvolvimentista. O adjetivo Neocorporativista significa que esse sistema, datado e localizado, para dar salto de etapas históricas no processo de “tirar o atraso socioeconômico histórico”, sob liderança de um partido trabalhista, costura interesses estatais, trabalhistas, privados nacionais e estrangeiros, associando-os em projetos estratégicos para o desenvolvimento do País. Continuar a ler

Petróleo: Produção em Alta, Preços em Queda

Produção em alta e preços em baixa

Nicole Friedman (WSJ, 02/01/15) informa que os preços do petróleo em queda livre no segundo semestre de 2014 anularam as previsões econômicas globais [inclusive levando a crer em um ritmo menor e/ou atraso dos investimentos na extração no pré-sal brasileiro], impulsionaram os gastos dos consumidores e deixaram os mercados em polvorosa de Moscou até o Texas. Agora que os preços nos Estados Unidos caíram de US$ 107,26 o barril, em junho, para menos de US$ 45 o barril, os analistas e investidores estão considerando que os preços baixos são a nova realidade. [Até quando? Ninguém pode prever data com precisão, apenas processo. Porém, os economistas tentam…]

Investidores e operadores dizem que uma recuperação dos preços provavelmente só virá no segundo semestre de 2015, já que no momento a produção petrolífera americana continua subindo e o crescimento global fraco pesa sobre a demanda. Vão se passar meses até que o excesso global de petróleo diminua, segundo participantes do mercado. Os produtores vão demorar para reduzir a quantidade de perfurações e os consumidores não vão mudar seus hábitos de consumo de imediato. Continuar a ler

Geopolítica do Petróleo: Arábia Saudita-EUA X Irã-Rússia-Venezuela ou OPEP X EUA?

Média da produção mundial de petróleo

A mensagem de Nasser al-Dossary rompeu com décadas da ortodoxia saudita, que buscava manter os preços elevados limitando a produção global de petróleo. Isso criou o cenário para os sauditas derrubarem o preço do petróleo no fim de novembro, depois de persuadirem outros membros da Opep a manter a produção estável.

Os países mais afetados, como Irã, Rússia e Venezuela, suspeitam que a queda foi um esforço coordenado entre os sauditas e o seu aliado de longa data, os EUA, para enfraquecer a economia e a posição geopolítica de seus inimigos.

Mas a história da nova estratégia de petróleo da Arábia Saudita, segundo entrevistas com autoridades do Oriente Médio, dos EUA e da Europa, não é a da velha aliança. É uma história de crescente rivalidade, movida pelo que os sauditas consideram uma ameaça imposta pelas empresas de petróleo americanas, dizem essas autoridades.

A produção de petróleo de xisto no Texas e na Dakota do Norte elevou a oferta americana, substituindo as exportações de membros da Opep para os EUA, o que aumentou o volume excedente global.

A mensagem de outubro de Dossary sinalizava um desafio direto para as empresas de petróleo americanas, de que a monarquia árabe acredita que elas geraram o excesso de oferta ao usar as novas tecnologias de petróleo de xisto.

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