Rankings de PIB Nominal e por Paridade de Poder de Compra

PIB nominal dos países - 2010LegendaRankings PIB nominal 2012-2013% PIB PPC no Mundo - FMI 2014Países por PIB PPC 2013Quando se analisa os rankings disponíveis por PIB nominal, embora sejam referentes ao mesmo ano, observam-se discrepâncias entre as fontes. Talvez um dos motivos esteja no valor do dólar usado para a conversão cambial: cotação do fim de ano ou cotação média durante o ano. O critério de estimar o custo de vida em cada país também diferencia bastante o cálculo. Veja a diferença de cerca de um trilhão de dólares no PIB PPC do Brasil em 2013 entre o WB (US$ 3.413 bi) e a CIA (US$ 2.416 bi), sendo que o FMI (US$ 3.012,8 bi) fica no “meio-termo”.

Estas são três listas de países do mundo organizadas pelo seu Produto Interno Bruto (PIB) (o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em uma nação durante um ano) apresentadas na Wikipedia. As estimativas em dólar internacional derivam do modo de calcular paridade do poder de compra (PPC).

Usar uma base PPC é útil quando comparado às diferenças generalizadas nos padrões de vida gerais das populações, isto porque o PPC leva em conta o custo relativo da vida e as taxas de inflação do país, em vez de usar apenas as taxas de câmbio, o que poderia distorcer as reais diferenças de renda. No entanto, as economias se autoajustam às mudanças de moeda ao longo do tempo. A tecnologia intensiva e bens de luxo, matérias-primas e preços de energia são os mais afetados pela diferença de moeda, apesar de serem críticos ao desenvolvimento da nação. Portanto, a real capacidade de compra interna é medida com mais precisão pelo PIB PPC e a capacidade de compra externa pelo valor nominal do seu PIB em dólares.

Várias economias que não são consideradas países (Mundo, UE, e alguns territórios dependentes) são incluídas na lista porque elas aparecem nas fontes. Estas economias não estão classificadas, porém são listadas em sequência pelo PIB em comparação.

Por que as taxas de juros estão tão baixas (no Resto do Mundo)? Por que o dólar está tão forte?

Juro no Brasil X EmergentesDólar X CommoditiesDesempenho das Moedas Emergentes até 15.05.15 Recuperação dos EUADentro deste dossiê sobre o (triste) Estado do Mundo, leia mais dois artigos de Martin Wolf, editor e principal analista de economia do FT (Financial Times). Enquanto os cronistas escrevem claramente em jornais, os economistas acâdemicos insistem em provar que “ser academicista é acreditar que acúmulo é aprofundamento e que chatice [da literatura acadêmica] é precisão”…

Por que as taxas de juros estão tão baixas? A melhor resposta é que os países avançados ainda estão em uma “depressão administrada”. A doença é grave. Não vai ser curada tão cedo.

É possível identificar três aspectos indicando que as taxas de juros dos papéis considerados “seguros” nas principais áreas monetárias de alta renda (Estados Unidos, região do euro, Japão e Reino Unido) estão excepcionalmente baixas.

  1. Primeiro, as taxas de intervenção de curto prazo dos bancos centrais estão em 0,5% ou menos.
  2. Segundo, os rendimentos dos títulos governamentais convencionais de longo prazo estão extremamente baixos: os títulos alemães de 30 anos rendem 0,7%; os japoneses, perto de 1,5%; os do Reino Unido, 2,4%; e os dos EUA, 2,6%.
  3. Por fim, as taxas de juros reais de longo prazo são desprezíveis: os “gilts” britânicos de dez anos atrelados a índices rendem menos 0,7%; os equivalentes dos Estados Unidos rendem mais, mas ainda assim uma taxa positiva de apenas 0,4%.

Se você dissesse há dez anos que esta seria a realidade de hoje, a maioria das pessoas teria concluído que você estava louco. A única forma de que você estivesse certo seria que a demanda, produção e inflação ficassem profundamente deprimidas – e houvesse expectativa de que continuassem assim.

Efetivamente, o fato de fortes programas de estímulos monetários terem resultado em aumentos tão parcos da produção e da inflação indica o grau de fraqueza das economias. Hoje, contudo, ouvimos uma explicação diferente para as taxas de juros estarem tão baixas: a culpa é da política monetária – e, em especial, do afrouxamento monetário quantitativo, a compra de ativos de longo prazo pelos bancos centrais. Essa “impressão de dinheiro” é considerada especialmente irresponsável.

Continuar a ler

Debate sobre Ciclo Econômico ou Tendência à Estagnação Secular

Taxa de Crescimento da Renda Per Capita 0-2100O gráfico acima, encontrado no livro de Thomas Piketty, O Capital do Século XXI, representa o “crescimento rastejante” (próximo de zero) da renda per capita mundial do ano zero até o período da Revolução Industrial (1700-1820). Beira 1% aa até o final do entre-guerras (1913-1950). O salto maior, para mais de 2% aa, se dá com a reconstrução no pós-guerra (1950-1990) e a emergência internacional de outros países em seus períodos de bônus demográfico (1990-2030), que leva o crescimento médio da renda per capita para taxa anual em torno de 2,5%. Findando esta “janela de oportunidade”, a tendência esperada é de queda na renda per capita até o final do século XXI (2030-2100).

J. Bradford DeLong é professor de Economia da University of California, em Berkeley, e pesquisador associado do Gabinete Nacional de Análises Econômicas dos EUA. Publicou artigo (Valor, 08/05/15) intitulado “Uma Ciência Ainda Mais Lúgubre“, onde delineou as posições em Debate sobre Ciclo Econômico ou Tendência à Estagnação Secular. Compartilho-o abaixo.

Continuar a ler

Livros do IPEA

O Estado Empreendedor: Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado

O Estado Empreendedor Eu implico com o conceito de “financeirização” que muitos colegas heterodoxos e a própria Mariana Mazzucato se utiliza. Acho que é uma reminiscência da visão católica medieval anti-usura, que aliás já era um cinismo social na época, pois os banqueiros cristãos emprestavam com cobrança de juros e cristãos devedores inadimplentes recorriam ao antissemitismo para não pagar suas dívidas!

Sou contra todos os “discursos de ódio”, tipo anti-rentista ou anti-banqueiro, coerentemente com meu desprezo por discursos anti-comunista ou anti-petista. Acho que reflete pura ignorância e apelo à violência de quem o profere. Por isso, lamento quando meus camaradas de esquerda fazem tal discurso, reduzindo todos os problemas do capitalismo contemporâneo à “financeirização”.

Desde quando a relação de produção capitalista não se deu com o encontro do Capital-Dinheiro, acumulado previamente, com a Força-de-Trabalho livre, porque desapropriada, depois de libertada da escravidão ou da servidão feudal? O capital sempre foi financeiro! Ora bolas…

O capitalismo “industrial” nunca foi melhor do que este “financeiro” que está aí para todo o mundo ver e sentir. Só que agora os trabalhadores de renda média para cima já tem oportunidade de fazer investimentos financeiros para atender à necessidade de complementar sua Previdência Social, mantendo o padrão de vida após sua aposentadoria.

Apresento abaixo o argumento mais inteligente da Mariana Mazzucato, em tópico denominado “Financeirização“, no seu livro MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Ela o apresenta como “fato da vida capitalista” que devemos aprender a lidare não condenar, moralmente, como faz a classe média histérica, seja à direita, seja à esquerda, com seu discurso de ódio imbecil…

Continuar a ler

O Estado Criativo

 

Mariana MazzucatoRecebi uma mensagem do nosso saudoso “correspondente europeu”, o português Miguel Amaral:

“Espero que esteja tudo bem com você. Faz tempo que não lhe escrevo, mas hoje decidi fazê-lo porque encontrei algo interessante e creio que vale a pena partilha-lo com você. Hoje, o Partido Socialista fez uma apresentação no ISEG daquilo que poderá ser o seu programa de governo.

Convidaram uma acadêmica italiana, Mariana Mazzucato, que falou do papel do Estado Empreendedor, nomeadamente, da importância do sector público na inovação.  Não sabia que o Sillicon Valley no seu inicio tinha sido financiado pelo sector público, sempre pensei que fosse uma obra exclusiva do sector privado. Tal como não sabia que o Iphone usava tecnologia que tinha sido desenvolvida pelo Departamento de Defesa Americano.

Fernando, deixou aqui o link do artigo e um pdf em português da parte inicial do seu livro O Estado Empreendedor.

http://www.publico.pt/politica/noticia/e-para-pensar-a-grande-que-o-ps-quer-o-investimento-publico-1693065?page=1

Um Abraço,
Miguel.”

Respondi-lhe: Continuar a ler

A Sabedoria dos Mercados Financeiros (por João Sayad)

João-sayad-Foto-Jair-Bertolucci

Sempre apreciei os artigos metafóricos de João Sayad, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. Metáfora é a designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança. A metáfora atinge seu máximo de eficiência retórica só no início do debate ou na apresentação de certas proposições originais. No decorrer da controvérsia, o argumento que se apresente menos carregado de metáforas tem maior plausibilidade. Esta é uma regra na Arte da Retórica. Mas regras foram feitas para ser quebradas ou, pelos menos, abertas certas exceções…

Confira o estilo do artigo abaixo (Valor, 22/04/15), onde Sayad trata de Economia da Complexidade com grande didatismo, devido aos exemplos metafóricos. Continuar a ler