Cidadania & Cultura

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Reinventando o Capitalismo de Estado

Reinventando o Capitalismo de Estado

Aldo Musacchio é professor associado de administração de empresas da Harvard Business School e Faculty Research Fellow do National Bureau of Economic Research. Sérgio G. Lazzarini é professor de Organização e Estratégia do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa. Dentro do contexto surgido a partir da onda de liberalização (e privatização a la brasileira com fundos de pensão paraestatais), que varreu os mercados nas décadas de 1980 e 1990, e afetou as maneiras como os governos gerenciam as suas economias, o livro de Aldo Musacchio e Sergio G. Lazzarini analisa a ascensão de uma nova espécie de capitalismo de Estado, em que os governos interagem com os investidores privados e, muitas vezes, usam sua influência para auxiliar setores ou empresas de olho em dividendos políticos. Entre os exemplos estudados estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Vale.

O tema de pesquisa é o mesmo do meu Capitalismo de Estado Neocorporativista, TDIE lançado em julho de 2012, porém o enfoque ideológico é oposto: o deles é neoliberal, o meu é socialdesenvolvimentista. O adjetivo Neocorporativista significa que esse sistema, datado e localizado, para dar salto de etapas históricas no processo de “tirar o atraso socioeconômico histórico”, sob liderança de um partido trabalhista, costura interesses estatais, trabalhistas, privados nacionais e estrangeiros, associando-os em projetos estratégicos para o desenvolvimento do País. Continuar a ler

Petróleo: Produção em Alta, Preços em Queda

Produção em alta e preços em baixa

Nicole Friedman (WSJ, 02/01/15) informa que os preços do petróleo em queda livre no segundo semestre de 2014 anularam as previsões econômicas globais [inclusive levando a crer em um ritmo menor e/ou atraso dos investimentos na extração no pré-sal brasileiro], impulsionaram os gastos dos consumidores e deixaram os mercados em polvorosa de Moscou até o Texas. Agora que os preços nos Estados Unidos caíram de US$ 107,26 o barril, em junho, para menos de US$ 45 o barril, os analistas e investidores estão considerando que os preços baixos são a nova realidade. [Até quando? Ninguém pode prever data com precisão, apenas processo. Porém, os economistas tentam…]

Investidores e operadores dizem que uma recuperação dos preços provavelmente só virá no segundo semestre de 2015, já que no momento a produção petrolífera americana continua subindo e o crescimento global fraco pesa sobre a demanda. Vão se passar meses até que o excesso global de petróleo diminua, segundo participantes do mercado. Os produtores vão demorar para reduzir a quantidade de perfurações e os consumidores não vão mudar seus hábitos de consumo de imediato. Continuar a ler

Geopolítica do Petróleo: Arábia Saudita-EUA X Irã-Rússia-Venezuela ou OPEP X EUA?

Média da produção mundial de petróleo

A mensagem de Nasser al-Dossary rompeu com décadas da ortodoxia saudita, que buscava manter os preços elevados limitando a produção global de petróleo. Isso criou o cenário para os sauditas derrubarem o preço do petróleo no fim de novembro, depois de persuadirem outros membros da Opep a manter a produção estável.

Os países mais afetados, como Irã, Rússia e Venezuela, suspeitam que a queda foi um esforço coordenado entre os sauditas e o seu aliado de longa data, os EUA, para enfraquecer a economia e a posição geopolítica de seus inimigos.

Mas a história da nova estratégia de petróleo da Arábia Saudita, segundo entrevistas com autoridades do Oriente Médio, dos EUA e da Europa, não é a da velha aliança. É uma história de crescente rivalidade, movida pelo que os sauditas consideram uma ameaça imposta pelas empresas de petróleo americanas, dizem essas autoridades.

A produção de petróleo de xisto no Texas e na Dakota do Norte elevou a oferta americana, substituindo as exportações de membros da Opep para os EUA, o que aumentou o volume excedente global.

A mensagem de outubro de Dossary sinalizava um desafio direto para as empresas de petróleo americanas, de que a monarquia árabe acredita que elas geraram o excesso de oferta ao usar as novas tecnologias de petróleo de xisto.

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Ondas Anticorrupção: Aqui e na China!

Onda Anticorrupção

Verificar as (boas e más) experiências alheias é uma maneira de evitar erros já cometidos por outros. É o direito de cometer os próprios erros!

Como equilibrar as decisões entre não deixar impunes os corruptos e os corruptores e não atrasar os cronogramas de obras públicas de infraestrutura necessárias para o crescimento sustentado do País? Há um dilema entre a evolução civilizatória e a evolução econômica? O ritmo é desigual e combinado, mas ambas não podem parar…

Brian Spegele (WSJ, 26/12/14) informa que a maior petrolífera da China está cortando tudo, de negócios multibilionários a bolos de aniversário para empregados. Uma empresa que fornecia álcool para fabricantes de bebidas destiladas de luxo está agora produzindo químicos industriais, enquanto uma rede de restaurantes que antes servia peixes apimentados para altas autoridades passou a investir na área de análise de dados.

A economia da China está lutando para continuar vivendo sem a corrupção generalizada e os gastos extravagantes de autoridades, que sustentavam tantas empresas. O impacto está se propagando para os nichos mais variados da economia, prejudicando tanto grandes estatais quanto pequenas empresas privadas.

A campanha anticorrupção que o presidente Xi Jinping vem empreendendo desde que se tornou o líder da China, no fim de 2012, deixou alguns temerosos de que um escrutínio intenso do governo paralisaria partes da economia, criando desafios ainda maiores para o futuro.

O empenho em direção à austeridade e contra a corrupção é uma das razões porque a China pode não atingir a meta de 7,5% de crescimento econômico neste ano. Lu Ting, economista do Bank of America para a China, estima que a campanha esteja reduzindo em torno de 0,6 a 1,5 ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto do país. Continuar a ler

Mercado de Moedas e Cenário para 2015

A alta do dólar e a queda dos preços das commodities, que têm gerado alívio para os consumidores dos Estados Unidos, estão desnorteando os bancos centrais de outras regiões ao alargar a distância entre a revigorada economia americana e a dos países da Europa e Ásia.

O dólar está subindo em relação às moedas de todo o mundo. Recentemente, ele manteve a alta em relação ao iene, sustentando a maior cotação em sete anos, e atingiu um pico de dois anos ante o euro. A moeda americana também avançou em relação ao real, ao dólar australiano e à rupia indiana e continua batendo recordes na Rússia, levando o banco central a intervir para amparar o rublo.

A valorização do dólar têm intensificado o declínio dos preços das commodities, incluindo alimentos, metais e, em especial, o petróleo, que já recuou quase 40% desde meados de junho. O crescimento lento na Europa e na Ásia vem minando a demanda por esses bens e deixando os mercados inundados com um excesso de oferta. A maioria das commodities é cotada em dólares, de forma que os consumidores e empresas fora dos EUA veem seu poder de compra encolher quando suas moedas enfraquecem.

Essa tendência apresenta novos desafios para os formuladores de políticas na Europa e no Japão, que lutam para preservar uma minguada recuperação econômica e combater a inflação baixa. Os bancos centrais estão cogitando — ou adotando — medidas drásticas que vão desde taxas de juros negativas à compra de bilhões de dólares em títulos de dívida. Durante sua reunião mensal, o Banco Central Europeu discutiu a possibilidade de recorrer à compra de ativos para estimular a economia (prática chamada de relaxamento quantitativo), embora tenha decidido esperar até o início de 2015 para reavaliar suas políticas, disse Mario Draghi, o presidente do BCE.

Mas a queda abrupta do preço do petróleo — o produto de importação mais caro para muitos países — está reduzindo a eficácia de medidas para gerar inflação e fortalecer a economia. Continuar a ler

Retomada dos EUA X Cenário de Baixo Crescimento Mundial

Múltiplas frentes sinalizam a perda de vitalidade da economia ao redor do globo.

Na Europa, os preços ao consumidor, em novembro, avançaram no passo mais lento registrado em cinco anos, aumentando o receio de que o continente possa estar caminhando para a deflação. No Japão, o importante índice de preços ao consumidor de outubro de 2014 registrou o menor crescimento deste ano.

Nas duas economias, a queda nos preços do petróleo estragou uma estratégia planejada pelos bancos centrais para evitar a deflação e alimentar a confiança do consumidor e das empresas.

Nos países emergentes, o cenário não é muito melhor. Na Índia, o crescimento desacelerou no terceiro trimestre. Os dados do Brasil mostram que a economia saiu por pouco da recessão no terceiro trimestre graças aos gastos do governo, mas os economistas alertam para o potencial de uma estagnação prolongada.

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China e o Futuro dos Países Produtores de Minério de Ferro

No topo da lista estão grandes participantes do mercado de commodities, como Austrália e Brasil, mas há outros países ricos em recursos naturais, como Guiné, Indonésia e Mongólia, onde os minerais constituem uma parte desproporcional da economia e do emprego.

Em países especializados em commodities básicas, como minério de ferro e carvão, a demanda fraca e os preços em queda das matérias-primas estão:

  1. reduzindo a receita fiscal do governo,
  2. ampliando os déficits comerciais e
  3. enfraquecendo a moeda.

Em novembro de 2014, o dólar australiano atingiu seu menor nível em quatro anos em relação ao dólar americano, em parte devido ao declínio nos preços das commodities e à desaceleração do crescimento da demanda chinesa.

O banco J.P. Morgan cortou sua previsão para o crescimento econômico da Austrália em 2015, de 3,3% para 2,8%, enquanto o Brasil reduziu pela metade sua própria previsão de crescimento para 2014, de 1,8% para 0,9%. Os lucros do setor de mineração como proporção da economia dos dois países mais do que duplicaram nos últimos 15 anos, segundo o Banco Mundial.

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