Razão do Ajuste Fiscal – Realinhamento Tarifário-Tributário-Cambial-Inflacionário-Depressivo: Lógica do Capital

PNAD Contínua - Emprego e RendaBTC Saldos mensais 2015Balanço Comercial com China 2014-15Encontramos na NOTA CEMEC 03/2015 – FATORES DA QUEDA DO INVESTIMENTO: 2010-2014 (São Paulo; Centro de Estudos do IBMEC; Março 2015) as razões objetivas, baseadas em dados de balanços contábeis das empresas, para a reviravolta econômica a favor do Capital e em desfavor do Trabalho, condição econômica para a retomada do crescimento no Capitalismo de Mercado. O “nivelamento por baixo”, para “zerar tudo” — as conquistas sociais durante a fase do Capitalismo de Estado –, e recomeçar de novo um Capitalismo Liberal é desanimador, dado o fracasso anterior dessa tentativa. Bem, isso ocorrerá até essa ideologia ser derrotada, eleitoralmente, mais uma vez, lá na frente, em outra alternância de Poder dentro da democracia. Essa nova fase de neoliberalismo representará um atraso social-histórico. Não tenho nenhuma saudade da Era Neoliberal dos anos 90… E muito menos dos anos pós-golpe de Estado!

Os dados de Contas Nacionais revistos até 2014 revelam leve queda da taxa de investimento que era de 20,6% em 2010 para 19,7% em 2014, esta bem superior à taxa de 17,0% divulgada anteriormente. Levando em conta os dados anteriores das Contas Nacionais (ver gráfico abaixo), Carlos Antonio Rocca, diretor do CEMEC, afirma que “a maior parte foi ocorrida nas empresas não financeiras. Tudo indica que a queda da taxa de retorno sobre o capital investido para níveis inferiores ao custo médio da dívida dessas empresas, desde 2012, seja um dos fatores mais relevantes para explicar esse desempenho. Especialmente no setor industrial, o problema aparece na forma de redução de margens, que resulta da dificuldade de repassar aos preços de venda os aumentos de custos, especialmente do custo unitário do trabalho que se elevou muito acima do preço em reais dos produtos importados, estes reduzidos pela valorização do real”.

Rocca acha que “a recente correção de preços relativos, inclusive câmbio, contribui para a recuperação de margens, enquanto que o sucesso do ajuste fiscal pode sustentar mais adiante a redução do custo de capital. Este movimento, sendo combinado com a criação de condições favoráveis à participação privada em infraestrutura, pode ajudar na reversão do cenário em favor da retomada do investimento”. Continuar a ler

Retomada do Investimento: Confiança na Rentabilidade Esperada

Investimentos 2005-2015Rentabilidade em Queda 2005-2014Flávia Lima (Valor, 08/07/15) afirma que, embora a falta de confiança do empresário esteja no centro das discussões sobre a retomada do crescimento econômico, a forte queda dos investimentos verificada a partir do segundo semestre de 2010 não pode ser entendida, muito menos revertida, sem que se coloque nessa conta o expressivo recuo da rentabilidade das empresas. Essa foi a variável que mais interferiu da decisão de investir das empresas ao longo dos últimos anos e isso só não aparece na argumentação central de especialistas porque não é um dado corrente, segundo sugere estudo de Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Cemec).

Rocca indica que desde 2010 teve início um processo de forte queda da rentabilidade das empresas. No mesmo ano, a formação bruta de capital fixo (medida do que é investido na economia) atinge seu pico mais recente e começa um processo expressivo de desaceleração. A diferença entre as taxas de retorno do capital investido e o custo do capital (retorno exigido para investir), que era inferior a um ponto percentual em 2010, chegou a nove pontos em 2014, quando a taxa média de retorno das companhias analisadas foi de 6,7%, enquanto o custo do capital chegou a 15,9%. “Isso significa que tenho que tirar um pedaço da remuneração do capital para pagar juros, por exemplo, condição fundamental para a tomada de decisão de investir”, explica Rocca.

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Rankings de PIB Nominal e por Paridade de Poder de Compra

PIB nominal dos países - 2010LegendaRankings PIB nominal 2012-2013% PIB PPC no Mundo - FMI 2014Países por PIB PPC 2013Quando se analisa os rankings disponíveis por PIB nominal, embora sejam referentes ao mesmo ano, observam-se discrepâncias entre as fontes. Talvez um dos motivos esteja no valor do dólar usado para a conversão cambial: cotação do fim de ano ou cotação média durante o ano. O critério de estimar o custo de vida em cada país também diferencia bastante o cálculo. Veja a diferença de cerca de um trilhão de dólares no PIB PPC do Brasil em 2013 entre o WB (US$ 3.413 bi) e a CIA (US$ 2.416 bi), sendo que o FMI (US$ 3.012,8 bi) fica no “meio-termo”.

Estas são três listas de países do mundo organizadas pelo seu Produto Interno Bruto (PIB) (o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em uma nação durante um ano) apresentadas na Wikipedia. As estimativas em dólar internacional derivam do modo de calcular paridade do poder de compra (PPC).

Usar uma base PPC é útil quando comparado às diferenças generalizadas nos padrões de vida gerais das populações, isto porque o PPC leva em conta o custo relativo da vida e as taxas de inflação do país, em vez de usar apenas as taxas de câmbio, o que poderia distorcer as reais diferenças de renda. No entanto, as economias se autoajustam às mudanças de moeda ao longo do tempo. A tecnologia intensiva e bens de luxo, matérias-primas e preços de energia são os mais afetados pela diferença de moeda, apesar de serem críticos ao desenvolvimento da nação. Portanto, a real capacidade de compra interna é medida com mais precisão pelo PIB PPC e a capacidade de compra externa pelo valor nominal do seu PIB em dólares.

Várias economias que não são consideradas países (Mundo, UE, e alguns territórios dependentes) são incluídas na lista porque elas aparecem nas fontes. Estas economias não estão classificadas, porém são listadas em sequência pelo PIB em comparação.

Por que as taxas de juros estão tão baixas (no Resto do Mundo)? Por que o dólar está tão forte?

Juro no Brasil X EmergentesDólar X CommoditiesDesempenho das Moedas Emergentes até 15.05.15 Recuperação dos EUADentro deste dossiê sobre o (triste) Estado do Mundo, leia mais dois artigos de Martin Wolf, editor e principal analista de economia do FT (Financial Times). Enquanto os cronistas escrevem claramente em jornais, os economistas acâdemicos insistem em provar que “ser academicista é acreditar que acúmulo é aprofundamento e que chatice [da literatura acadêmica] é precisão”…

Por que as taxas de juros estão tão baixas? A melhor resposta é que os países avançados ainda estão em uma “depressão administrada”. A doença é grave. Não vai ser curada tão cedo.

É possível identificar três aspectos indicando que as taxas de juros dos papéis considerados “seguros” nas principais áreas monetárias de alta renda (Estados Unidos, região do euro, Japão e Reino Unido) estão excepcionalmente baixas.

  1. Primeiro, as taxas de intervenção de curto prazo dos bancos centrais estão em 0,5% ou menos.
  2. Segundo, os rendimentos dos títulos governamentais convencionais de longo prazo estão extremamente baixos: os títulos alemães de 30 anos rendem 0,7%; os japoneses, perto de 1,5%; os do Reino Unido, 2,4%; e os dos EUA, 2,6%.
  3. Por fim, as taxas de juros reais de longo prazo são desprezíveis: os “gilts” britânicos de dez anos atrelados a índices rendem menos 0,7%; os equivalentes dos Estados Unidos rendem mais, mas ainda assim uma taxa positiva de apenas 0,4%.

Se você dissesse há dez anos que esta seria a realidade de hoje, a maioria das pessoas teria concluído que você estava louco. A única forma de que você estivesse certo seria que a demanda, produção e inflação ficassem profundamente deprimidas – e houvesse expectativa de que continuassem assim.

Efetivamente, o fato de fortes programas de estímulos monetários terem resultado em aumentos tão parcos da produção e da inflação indica o grau de fraqueza das economias. Hoje, contudo, ouvimos uma explicação diferente para as taxas de juros estarem tão baixas: a culpa é da política monetária – e, em especial, do afrouxamento monetário quantitativo, a compra de ativos de longo prazo pelos bancos centrais. Essa “impressão de dinheiro” é considerada especialmente irresponsável.

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Debate sobre Ciclo Econômico ou Tendência à Estagnação Secular

Taxa de Crescimento da Renda Per Capita 0-2100O gráfico acima, encontrado no livro de Thomas Piketty, O Capital do Século XXI, representa o “crescimento rastejante” (próximo de zero) da renda per capita mundial do ano zero até o período da Revolução Industrial (1700-1820). Beira 1% aa até o final do entre-guerras (1913-1950). O salto maior, para mais de 2% aa, se dá com a reconstrução no pós-guerra (1950-1990) e a emergência internacional de outros países em seus períodos de bônus demográfico (1990-2030), que leva o crescimento médio da renda per capita para taxa anual em torno de 2,5%. Findando esta “janela de oportunidade”, a tendência esperada é de queda na renda per capita até o final do século XXI (2030-2100).

J. Bradford DeLong é professor de Economia da University of California, em Berkeley, e pesquisador associado do Gabinete Nacional de Análises Econômicas dos EUA. Publicou artigo (Valor, 08/05/15) intitulado “Uma Ciência Ainda Mais Lúgubre“, onde delineou as posições em Debate sobre Ciclo Econômico ou Tendência à Estagnação Secular. Compartilho-o abaixo.

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Livros do IPEA

O Estado Empreendedor: Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado

O Estado Empreendedor Eu implico com o conceito de “financeirização” que muitos colegas heterodoxos e a própria Mariana Mazzucato se utiliza. Acho que é uma reminiscência da visão católica medieval anti-usura, que aliás já era um cinismo social na época, pois os banqueiros cristãos emprestavam com cobrança de juros e cristãos devedores inadimplentes recorriam ao antissemitismo para não pagar suas dívidas!

Sou contra todos os “discursos de ódio”, tipo anti-rentista ou anti-banqueiro, coerentemente com meu desprezo por discursos anti-comunista ou anti-petista. Acho que reflete pura ignorância e apelo à violência de quem o profere. Por isso, lamento quando meus camaradas de esquerda fazem tal discurso, reduzindo todos os problemas do capitalismo contemporâneo à “financeirização”.

Desde quando a relação de produção capitalista não se deu com o encontro do Capital-Dinheiro, acumulado previamente, com a Força-de-Trabalho livre, porque desapropriada, depois de libertada da escravidão ou da servidão feudal? O capital sempre foi financeiro! Ora bolas…

O capitalismo “industrial” nunca foi melhor do que este “financeiro” que está aí para todo o mundo ver e sentir. Só que agora os trabalhadores de renda média para cima já tem oportunidade de fazer investimentos financeiros para atender à necessidade de complementar sua Previdência Social, mantendo o padrão de vida após sua aposentadoria.

Apresento abaixo o argumento mais inteligente da Mariana Mazzucato, em tópico denominado “Financeirização“, no seu livro MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Ela o apresenta como “fato da vida capitalista” que devemos aprender a lidare não condenar, moralmente, como faz a classe média histérica, seja à direita, seja à esquerda, com seu discurso de ódio imbecil…

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