Continuação do Redutor Arbitrário do Salário por mais 4 Anos

O redutor constitucional artificial imposto pelo ex-governador de São Paulo do PSDB foi não elevar seu salário por anos. Naturalmente, o atual candidato de O Mercado não depende dele. Assim, extinguiu, arbitrariamente, a carreira universitária baseada em mérito acadêmico. Provocou fuga de cérebros nas Universidades paulistas.

Expropriou-me R$ 4.332,29 por mês ou cerca de R$ 52.000 por ano há três anos! Sinto-me lesado em algo pelo que batalhei toda minha vida: alcançar independência financeira apenas com meu trabalho na Universidade.

A referência para o teto da remuneração de servidores públicoscasta dos sábios-tecnocratas — é o rendimento da casta da aristocracia governante, no caso, o dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Sem considerar demais benesses (auxílio-moradia, automóvel com motorista e combustível, plano de saúde, passagens aéreas, etc.). Eles tiveram aumento de 16,38%, com o salário passando dos atuais R$ 33.763 para R$ 39.293,38, ou seja, 44,65 salários mínimos.

Finalmente, no último dia 05 foi aprovada em segundo turno a PEC 05 (PEC do Teto), agora Emenda Constitucional Nº 46 (EC Nº 46), que estabelece como teto remuneratório para o funcionalismo no estado de São Paulo o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ-SP). Emendas Constitucionais não são sancionadas pelo governador, portanto não estão sujeitas a vetos do mesmo e entram em vigor assim que publicadas no Diário Oficial do Estado.

Está é uma luta histórica do movimento docente das três universidades estaduais paulistas e de uma parcela significativa do funcionalismo público do estado de São Paulo. Aqui na Unicamp essa luta ganhou força em 2014, inclusive com deliberação de Assembleia da ADunicamp, que legitimou ainda mais as ações da diretoria da ADunicamp, junto com outras entidades representativas do funcionalismo, na Alesp para que fosse protocolada e aprovada uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que alterasse o teto do subsídio do governador para o dos Desembargadores. Continue reading “Continuação do Redutor Arbitrário do Salário por mais 4 Anos”

Educação Financeira no Currículo Escolar

Escrevi uma Cartilha de Finanças Comportamentais para Trabalhadores, tema de curso preparado por mim tanto para a extensão no IE-UNICAMP, quanto para dar dicas de Finanças Pessoais em EaD. Eu defendo a Educação Financeira entrar no currículo escolar desde o ensino fundamental. Na verdade, deveria se iniciar com a  educação familiar, de maneira natural, através de bons exemplos.

Leia:

Educação Financeira para Boas Práticas de Finanças Pessoais

Planejamento Familiar do Orçamento e Acompanhamento das Finanças Domésticas

Adriana Cotias (Valor, 14/05/18) noticia: desde o início do calendário escolar deste ano, as instituições de ensino brasileiras começaram a se adequar à nova diretriz da Base Nacional Curricular (BNCC). Esta classificou a educação financeira como habilidade prioritária para crianças e jovens dos ciclos médio e fundamental. Pelas dimensões continentais do país, ainda vai levar algum tempo para que a iniciativa esteja amplamente disseminada, mas esse não deixa de ser um marco.

Passados oito anos que a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) foi definida – como parte da rede internacional supervisionada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) -, o piloto feito com o Banco Mundial envolvendo 25 mil alunos de mais de 800 escolas em cinco estados e mais o Distrito Federal agora vai medir o impacto das ações de educação financeira naquelas ex-crianças já na vida adulta.

Conforme a segunda edição do mapeamento feito pela Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), entre as iniciativas reportadas em escolas, 78% estão em instituições públicas, com o conteúdo incluído de forma transversal, ou seja, em mais de uma disciplina, na grade. Matemática (82%), Língua Portuguesa (49%), História (42%) e Geografia (40%) é que lideram a abordagem. Continue reading “Educação Financeira no Currículo Escolar”

Fernando Cardim Carvalho

 

28 de março de 2018
Estimado Fernando,

desde sempre sou um admirador de você. Por seu bom caráter, educação, bom senso, inteligência e cultura, entre outras virtudes. É uma das boas pessoas que tenho a honra de compartilhar uma velha amizade. Mesmo que distantes, amigos se engatam de imediato.

Foi assim que me senti quando li sua mensagem. Meu sentimento foi a respeito de sua exemplar serenidade.

Ontem, dei uma palestra e transmiti a seguinte ideia que me recordei agora: “necessitamos alcançar a serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificarmos aquelas que podemos, e a sabedoria para distinguirmos umas das outras”.

Sem dúvida, você possui essa sabedoria.

Mantenha essa admirável serenidade e lembre-se: enquanto existirmos, a morte não existe. Quando a morte existir, não existiremos

Com todo o afeto e a amizade, desejo-lhe o restabelecimento.

Abraços para toda a família (Fernanda, Tiago, nora e netos),

em especial, para você,

do amigo

Fernando

1 de abril de 2018

Caro Fernando,

você é muito importante na nossa vida. Aprendemos muito contigo, tanto Economia quanto sua postura exemplar.

Abraço afetuoso,

Fernando
26 de abril de 2018

Estimado Fernando,

boas notícias, meu amigo!

A Medicina parece a Economia, não cura, mas busca dar um bem-estar. Individual, uma. Social, outra.

Seus netos já estão grandinhos! Deve ser uma alegria conviver com eles.

O Tiago se adaptou perfeitamente, não?

Envio abraços para ele e a Fernanda,

e um grande abraço para você,

Fernando

PS: deixo compartilhadas aqui, com muita tristeza, minhas últimas mensagens ao meu colega e amigo.

Biblioteca Digital Mundial

A Biblioteca Digital Mundial da UNESCO — https://www.wdl.org/pt/  — reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, um caráter patrimonial cultural, antecipou Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”. Continue reading “Biblioteca Digital Mundial”

O discreto medo dos eleitores assombra as castas

Achei muito interessante o artigo de Edward Luce (Financial Times apud Valor, 08/02/2018) para ser submetido a um exercício intelectual de sua releitura sob a ótica da estratificação social por castas de natureza ocupacional. Cada casta destaca seus valores morais e posicionamentos políticos. Permite-nos entender melhor os conflitos de interesses entre elas e os preconceitos mútuos. Com isso, podemos analisar de forma mais adequada o resultado eleitoral nos EUA — e avaliar o possível resultado aqui em Terrae Brasilis.

Começo substituindo o título “O discreto terror que assombra a burguesia dos EUA” por “O discreto terror dos eleitores que assombra as castas dos EUA“. Deixa de fazer a referência ao filme de Luís Bunuel “O Discreto Charme da Burguesia“, mas corresponde mais aos fatos.

As castas são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação com base em classificações tais como a etnia, a cultura, a ocupação profissional, etc. Casta é uma forma de estratificação social caracterizada pela endogamia (inclusive corporativa entre colegas de profissão), pela transmissão hereditária de um estilo de vida que frequentemente inclui um ofício (profissão), status e ritual relacionado a certa hierarquia. Suas interações sociais são consuetudinárias (habituais), baseadas nos costumes. Faz exclusão social levando em conta artificiais noções culturais de pureza, esnobando os “impuros”.

Tomo a liberdade de reescrever o artigo abaixo, substituindo classes sociais por castas, para terror dos dogmáticos que não abrem mão da categoria marxista “luta de classes”. Mas os fundamentalistas não conseguem explicar o conflito interno entre “as elites norte-americanas” da mesma classe de riqueza.

Antes, vale ter uma informação: Bill Clinton é um ex-aluno da Universidade de Georgetown, onde foi membro das sociedades Kappa Kappa Psi and Phi Beta Kappa e ganhou uma bolsa de estudos Rhodes para estudar na Universidade de Oxford. Ele é casado com Hillary Rodham Clinton. Ambos os Clintons receberam diplomas de Direito da Universidade Yale, onde se conheceram. Portanto, oriundos da casta dos sábios universitários, emigraram para a casta dos oligarcas governantes.

Donald Trump, por sua vez, nasceu e cresceu no Queens, um dos cinco distritos da cidade de Nova York, e recebeu um diploma de bacharel em economia da Wharton School da Universidade da Pensilvânia em 1968. Em 1971, recebeu de seu pai, Fred Trump, o controle da empresa de imóveis e construção Elizabeth Trump & Son, renomeando-a para The Trump Organization.

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Big Data: Estatísticas em Tempo Real

Robin Wigglesworth (Financial Times apud Valor, 02/02/18) informa que, quando Alberto Cavallo era criança na Argentina, no fim dos anos 80, o país latino-americano sofria mais uma de suas crises ocasionais. A inflação era desenfreada, o que tornava uma tarefa simples, como ir ao mercado, uma corrida diária frenética.

Cavallo e sua mãe iam ao banco todos os dias retirar os pesos suficientes para as compras necessárias e mantinham o resto das economias no banco, em dólares. Depois, corriam ao mercado local e compravam o que precisavam o mais rápido possível, na esperança de chegar à caixa registradora antes que o preço fosse remarcado.

“Se não chegássemos à caixa registradora a tempo, então tínhamos que voltar ao banco e começar tudo de novo”, recorda.

Mas a experiência plantou as sementes do que se tornaria uma dos experimentos mais intrigantes no mundo normalmente sossegado da estatística econômica: uma tentativa de usar o surgimento do “big data”, bases com enormes volumes de dados, para aprimorar, complementar e, talvez em algum momento, substituir as formas tradicionais de estatísticas, que ainda informam e moldam os pontos de vista de autoridades econômicas, políticos e acadêmicos e guiam investimentos de trilhões de dólares.

Cavallo hoje é professor de Economia Aplicada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde comanda o Billion Prices Project com Roberto Rigobon, outro professor do instituto. O projeto começou em 2006, durante um período em que o governo argentino era acusado de manipular os dados da inflação.

Os professores Cavallo e Rigobon perceberam que, reunindo os dados dos preços na internet, podiam criar um indicador mais preciso e atualizado da inflação real no país. Após a mudança de governo em 2015-2016, a Argentina passou a divulgar um índice mais preciso da inflação. Continue reading “Big Data: Estatísticas em Tempo Real”

Texto Literário e Texto Não Literário

 

   

José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli, no manual Lições de Texto – Leitura e Redação (São Paulo: Ática, 2011), comentam que “ouvimos muito falar em literatura. Cabe, então, perguntar o que é que distingue o texto literário do não literário”.

Esse assunto já foi objeto de muita discussão e, apesar disso, não há respostas definitivas para ele. Os autores, no entanto, apresentam os critérios mais usados atualmente para caracterizar o texto literário.

Antes de mais nada, é preciso descartar qualquer critério que se fundamente no tema abordado pelo texto. Não há conteúdos exclusivos da literatura nem avessos a seu domínio.

Nesse aspecto, a única coisa que se pode afirmar é que, em certas épocas, os textos literários privilegiam certos temas e uma determinada maneira de figurativizá-los, por exemplo:

  • no barroco, aparece muito nítido o tema da transitoriedade da vida e da inevitabilidade da morte;
  • no simbolismo, não aparecem paisagens com luz chapada, ensolaradas, mas lugares enluarados, com figuras imateriais e etéreas.

Se o conteúdo é questão de preferência de época, não serve de critério para estabelecer a diferença entre texto literário e não literário. Continue reading “Texto Literário e Texto Não Literário”