Pergunta-Chave: Economistas são necessários?

Relação:C:V 1991-1996-2002Número de Cursos Matrículas e Concluintes 1990-95-2002A queda da relação candidato / vaga do curso de Economia em IES privada vem desde a Era Neoliberal (1990-2002) como a Tabela 3 acima indica. Em que pese isso, a oferta de vagas em faculdades privadas continuou se expandindo.

Em 2014, formaram-se 5.569 economistas, ou seja, número abaixo do de 2002 (7.654) e pouco acima do de 1990 (5.343) — ver Tabela 4. Grosso modo, nesse quarto de século, é possível estimar que graduou-se um número próximo de 150 mil economistas. Será que todos estão ocupados? Exercem a profissão?

Face ao debate a respeito dos motivos da queda da demanda por cursos de Economia que não pertencem a centros de ensino de excelência, é comum se confundir demanda por formação em Ciências Econômicas com demanda do mercado de trabalho. Para essa hipótese ser verdadeira, os adolescentes-vestibulandos teriam informações perfeitas sobre flutuações da conjuntura econômica! E, sendo assim, dispensariam estudar Economia… Continue reading “Pergunta-Chave: Economistas são necessários?”

Profissão: Economista

Área de Negócios 2003 X 2014

Coordenadores de Ensino têm se queixado da queda da demanda de vestibulandos pelo Curso de Economia. Muitos cursos ficam em torno da média, por exemplo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL): 3 candidatos / vaga (C/V). Em 2015, PUC-SP ficou com C/V de 2,3 e a PUC-RJ, 4,9 (541 por 110). Esta aumentou para 5,3 em 2016. No caso da UFRJ, em 2010, teve 1.292 candidatos para 160 vagas, ou seja, C/V de 8,1. Em 2011, diminuiu a oferta de vagas para 120 e com 1.389 candidatos aumentou sua relação para 11,6. Ela fica na Praia Vermelha.

Na Praia de Botafogo, a FGV/EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças, apenas no período diurno, conceito 5 (Máximo) no ENADE, obteve relação C/V de 15,1 no vestibular de 2015. A FGV/EESP – Escola de Economia de São Paulo, cobrando mensalidade de R$ 3.506,00, exigindo período integral, também obteve relação C/V de 15 no primeiro vestibular do mesmo ano 2015.

Por sua vez, o INSPER, cujo valor da mensalidade para Administração e Economia durante o ano de 2016 é R$ 3.920,00, enquanto o de Engenharia é R$ 3.136,00, oferece 150 vagas em Administração (concorrência de 6,62 candidatos/vaga) e 75 em Economia (concorrência de 4,81 candidatos/vaga). Seu aluno pode obter dupla titulação em Administração e Economia, cumprindo horário integral (manhã e tarde) com apenas um ano a mais de estudo. Com apenas mais um ano de pagamento dessa mensalidade, ele pode se graduar em ambos os cursos. Como isso é possível? O INSPER afirma que sua grade curricular é fortemente integrada.

A FUVEST 2016, encarregada do vestibular da USP, anunciou para Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuária em São Paulo 590 vagas para 5745 candidatos, ou seja, a relação C/V de 9.7. Para Economia Empresarial e Controladoria em Ribeirão Preto, respectivamente, 63; 373; e 5,9. Para Economia em Piracicaba: 40; 299; e 7,5. Para Economia em Ribeirão Preto: 40; 465; e 11,6.

O IE-UNICAMP tem uma trajetória histórica distinta em termos de sua demanda comparada com a desses cursos. No vestibular de 1996, ofereceu 70 vagas e teve 1.190 inscritos: C/V de 17. Em 2003, já com a ampliação de mais 35 vagas em Curso Noturno, teve neste a C/V de 21,2 e aumentou no Integral para 21,5. Em 2015, aumentou neste Integral para 24,4 e em 2016 para 25,6. No Noturno, nesses últimos anos, C/V de 21,7 e 26,1. Em outras palavras, sua graduação (“heterodoxa”, sic) se destaca por ter demanda “fora-da-curva”, isto é, com inclinação positiva e crescente! Continue reading “Profissão: Economista”

Formação Tardia da Sub-Casta dos Sábios-Universitários no Brasil

Evolução das Estatísticas do Ensino Superior no Brasil 1962-1998Gráfico 1962-1998

O atraso cultural de nosso País está revelado na história brasileira da formação tardia da sub-casta dos sábios-universitários. Ela se diferencia da casta dos sábios-pregadores ou sacerdotes de outrora. Está bem ilustrada no gráfico acima. Antes da “modernização conservadora” da ditadura, ocorrida após o Golpe Militar de 1964, só se formaram 19.049 profissionais universitários em 1963. Eram 4,3 alunos matriculados por docente.

Depois da retomada da democracia, no final dessa série temporal, em 1998, essa relação já tinha se multiplicado para 12,9. E a sub-casta recebia 274.384 profissionais universitários no ano. No total acumulado nesses 35 anos já tinham se formado 5.954.028 universitários no País que possuía população total de 169,5 milhões de habitantes. Essa minoria (elite intelectual?) era apenas 4%.

Vejamos outros aspectos quantitativos dessa história. Continue reading “Formação Tardia da Sub-Casta dos Sábios-Universitários no Brasil”

Nova Página: Cursos à Distância

Guia de Início Rápido do Excel 2016

Prezado Seguidor,

em via de receber 5.000.000 visitas (acumuladas desde 22/01/2010) e ter 1.500 seguidores, acrescento mais uma página (coluna à esquerda) neste modesto blog pessoal: Cursos à Distância. Como tudo nele, é um compartilhamento social de um conhecimento que é útil para mim.

No caso, trata-se principalmente de treinamento em Excel.  Um Sistema Complexo emerge de interações entre seus diversos componentes. Sua análise exige o desafio de transformar Complexidade em Simplicidade. No caso, transformar planilhas de inúmeras linhas e colunas com dados e informações já disponíveis na rede social em indicadores simples e analíticos.

Outros instrumentos muitos úteis para o planejamento da vida financeira, que coloco acessível sob forma de links,  referem-se à Matemática Financeira Aplicada às Finanças Pessoais, com o uso tanto de planilha Excel, quanto de calculadora financeira HP 12C, inclusive online ou virtual.

Acrescento vários simuladores automáticos com fórmulas já inseridas e planilhas com exemplos de usos. E a dica: se você ainda não abaixou um aplicativo de Finanças Pessoais, sugiro que o faça, gratuitamente, em https://www.guiabolso.com.br.

Educação Executiva Continuada

sucesso-e-felicidade

Françoise Terzian (Valor, 27/06/16) cita: “Não há nada tão inútil quanto fazer eficientemente o que não deveria ser feito.” A frase do austríaco Peter Drucker, o pai da Administração moderna, resume bem o resultado de uma escolha mal feita.

Ter um MBA de peso no currículo, o projeto da maioria dos profissionais, é mais difícil do que se supõe. Não pelo desafio de ser aceito na escola, frequentar todas as aulas e sair-se exemplarmente bem. Antes de todo esse processo, é preciso muito cuidado na hora de escolher a instituição e o MBA mais adequados ao seu perfil e, consequentemente, às metas profissionais.

O Brasil tem, pelo menos, 1.000 cursos de MBAs, segundo o Guia do MBA de 2016, lançado recentemente pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em parceria com a Associação Nacional de MBA (Anamba). É tanta opção que a escolha equivocada pode levar à perda de tempo e de dinheiro.

Com a crise, a busca por MBAs aumentou, o que é um fator importante para se diferenciar no momento da recolocação. Afinal, um profissional que fica fora da escola por cinco anos está literalmente fora do mercado. Motivo: falta de atualização deixa o indivíduo, por mais experiente que seja, aquém dos outros.

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Proposta de Cotas na Pós-Graduação

Escolaridade da População Ocupada 2010

Grupos Étnicos no IE e na UNICAMP

Um debate importante sobre a sociedade brasileira que desejamos iniciou-se agora com a reinvindicação de política afirmativa de cotas seja expandida também para a pós-graduação. Dada sua importância social, não devemos reduzi-lo a uma querela entre “elitistas de direita” e “populistas de esquerda”.

De acordo com o GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa), as ações afirmativas são “políticas focais que alocam recursos em benefício de pessoas pertencentes a grupos discriminados e vitimados pela exclusão socioeconômica no passado ou no presente. Trata-se de medidas que têm como objetivo combater discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero ou de casta, aumentando a participação de minorias no processo político, no acesso a educação, saúde, emprego, bens materiais, redes de proteção social e/ou reconhecimento cultural”.

A discussão diz respeito à implementação de reserva de vagas para negros, indígenas e deficientes nos processos de seleção da Pós-Graduação do Instituto de Economia da Unicamp. Esta proposta defende também políticas de acompanhamento, como direito às bolsas estudantis e ao auxílio moradia. Continue reading “Proposta de Cotas na Pós-Graduação”

Era Social-Desenvolvimentista: Formação de Doutores em Escala Nacional

Mapa dos Doutores

Lígia Guimarães (Valor, 05/07/16) informa que o número de doutores e mestres no Brasil cresceu expressiva e consistentemente nas últimas décadas, mas ainda está abaixo da média mundial. Os doutores brasileiros ficaram mais jovens, em torno dos 37 anos de idade, o que é boa notícia; eles chegam mais cedo ao mercado de trabalho e têm vida produtiva mais longa.

Houve também uma descentralização geográfica na formação dos pesquisadores: a região Sudeste deixou de ser a única formadora de mestres e doutores do Brasil, graças à expansão de centros acadêmicos pelo interior no país. Em 2014, o Brasil formou 50,2 mil mestres e 16,7 mil doutores, mais que em 2010, ano em que titulou 39,5 mil mestres e 11,3 mil doutores. Na comparação com 1996, o crescimento impressiona: a expansão de títulos concedidos em mestrado e doutorado entre 1996 e 2014 foi, respectivamente, de 379% e 486%.

Os dados integram um estudo inédito do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) que divulgado em Porto Seguro (BA), durante a 68a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A pesquisa cruzou as bases de dados da Rais/MTE, Coleta Capes e Plataforma Sucupira/Capes.

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