Aprendizagem Proativa

No meu curso de graduação, na FACE-UFMG, eu já criticava o método didático puramente expositivo adotado por professores. Quando tomei conhecimento do Método Paulo Freire, elevou minha consciência a respeito do método “bancário”, aquele que faz depósitos na mente do aluno para tentar sacar nas provas de memorização. O educador Paulo Freire desenvolveu um método para a alfabetização de adultos que alfabetizou 300 cortadores de cana-de-açúcar em apenas 45 dias. O processo educativo se deu em apenas quarenta horas de aula e sem cartilha.

Freire criticava o sistema tradicional de alfabetização, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa ou fonética, por exemplo, “Ivo (ou Eva) viu a uva”.

As etapas do Método Paulo Freire são três:

  • Primeira, investigação, é a busca conjunta do professor e do aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
  • Segunda, tematização: é o momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
  • Finalmente, problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão acrítica do mundo, adotando uma postura consciente frente a ele.

Na minha primeira experiência docente, no primeiro semestre do meu curso de Mestrado, fui como professor-convidado a Poços de Caldas. O sucesso foi tão grande junto aos alunos rebeldes e o fracasso tão retumbante junto aos conservadores que fui logo convidado a nunca mais voltar à Poços de Caldas! Continue reading “Aprendizagem Proativa”

Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?

Após a morte precoce do pai, gente “sorteada pela cegonha a nascer em berço-de-ouro” precisa assumir sozinha a empresa da família ainda sem ter formação em Ensino Superior de boa qualidade. Muitos herdeiros ricos foram malcriados ou mimados, sendo formados em cursos de Administração de Empresas sem a exigência de desenvolver pensamento estratégico ou adquirir visão holística. O jovem herdeiro não pensa logo que precisa profissionalizar um negócio que já existe há décadas. Ao perceber essa necessidade, ele procura um curso voltado para executivos com foco em Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial.

A demanda de jovens herdeiros — ou até mesmo de seus pais — por preparação para assumir as empresas da família tem crescido no Brasil, país em que apenas 6% das companhias familiares chegam até a terceira geração, segundo dados da consultoria PwC. Por isso, estabelecimentos e institutos educacionais e até gestoras de fortunas têm investido em programas de formação para ajudar esses futuros executivos e acionistas a cuidar não só da empresa como de todo seu patrimônio. Continue reading “Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?”

Como se adequar à Pejotização por Motivação Tributária

Em abril de 2016, um mês antes do golpe semi-parlamentarista, a Secretária da Receita Federal do Ministério da Fazenda, ainda sob um ministro representante da casta dos sábios-pregadores (professores universitários e artistas criativos) em aliança com a casta dos trabalhadores organizados (sindicalistas e militantes partidários), produziu um documento que reúne informações úteis para a nova geração – a dos meus filhos – que enfrentará a perda de direitos trabalhistas por causa da “flexibilização neoliberal do mercado de trabalho”.

A reforma trabalhista foi logo implantada pela casta dos oligarcas governantes (aliados do peemedebismo corrupto) em aliança com a casta dos mercadores-industriais-rentistas (apoiadores do golpe e corruptores), sob o beneplácito da casta dos guerreiros (militares), que pretende se alçar ao Poder Executivo na próxima eleição.

“Amor ao conhecimento” é necessário para formular uma estratégia de sobrevivência neste período obscurantista.

Leia tambémComo Planejar a Vida Profissional e Financeira do Pejotizado

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Ensino de Economia: aprendendo a lidar com o mundo real desde o início dos cursos

A revista The Economists (Sep 21st 201) reconhece que os economistas podem ser vistos como um grupo arrogante. Mas uma década de trauma teve um efeito de castigo. Eles estão repensando ideias antigas, fazendo novas perguntas e, de vez em quando, acolhem os hereges de volta à linha principal. A mudança, no entanto, foi lenta para alcançar o currículo econômico da universidade.

Muitas instituições ainda bombeiam os alunos através de cursos introdutórios não sustentados pela história econômica recente ou as deficiências de O Mercado que ilumina. Alguns poucos reformadores estão trabalhando para corrigir isso: é uma grande ideia, embora atrasada. Revolucionar o modo como a economia é ensinada deve produzir estudantes mais capazes de entender o mundo moderno. Ainda melhor, deveria melhorar a própria economia.

Pode ser uma triste ciência, mas a Economia é popular no campus. Isso representa mais de 10% dos diplomas concedidos em universidades de elite a cada ano, em uma estimativa [não no Brasil, que forma cerca de 6.000 economistas por ano], e muitos outros alunos fazem uma disciplina introdutória como parte de seus requisitos de educação geral. Continue reading “Ensino de Economia: aprendendo a lidar com o mundo real desde o início dos cursos”

Educação no Brasil versus na OCDE

Ligia Guimarães (Valor, 13/09/17) informa que a rotina do professor brasileiro envolve salários mais baixos e salas mais cheias quando comparada a outros países. Apesar disso, a escolha pela carreira de professor entre os jovens brasileiros que se formam no ensino superior é maior que a média verificada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE).

No Brasil, o índice de alunos que abandonam o ensino médio é o dobro da média do bloco. Quem consegue se formar, no entanto, tem empregabilidade e recompensa salarial maiores na comparação internacional.

Há dualidade também no investimento em educação:

  1. o gasto representa % do Produto Interno Bruto (PIB) maior que a dos países da OCDE;
  2. o investimento por aluno brasileiro, no entanto, ainda está bem abaixo ao da média dos países do bloco.

Essas contradições da educação brasileira estão expostas no relatório “Education at a Glance 2017”, divulgado pela OCDE. Ele reúne dados sobre a educação nos 35 países que compõem o bloco, mais parceiros como Brasil e Rússia.

Education at a Glance 2017 – download:

Um Novo Modo de Ensinar Economia

 

John Cassidy (The New Yorker, 11/09/17) informa que, com o início de novo ano letivo, na América do Norte, há uma boa notícia para os estudantes ingressantes em curso de Economia – e qualquer outra pessoa que queira aprender sobre questões como a desigualdade, a globalização e as formas mais eficientes de enfrentar a mudança climática. Um grupo de economistas de ambos os lados do Atlântico, fazendo parte de um projeto chamado Core Econ, organizou um novo currículo de Introdução à Economia, que é moderno, abrangente e disponível gratuitamente online (clique para download no link verde).

Nos Estados Unidos, muitas faculdades encorajam os estudantes da Econ 101 a comprar (ou alugar) livros didáticos caros, que podem custar até trezentos dólares, ou mesmo mais para algumas edições de capa dura. O currículo básico inclui um longo e-book intitulado “The Economy“, slides de conferência e questionários para testar a compreensão. Alguns dos materiais já foram utilizados com sucesso em faculdades como University College London e Sciences Po, em Paris.

O projeto é um esforço colaborativo que surgiu após a crise financeira mundial de 2008-2009 e a Grande Recessão, quando muitos estudantes (e professores) se queixaram de que os livros didáticos existentes não faziam um bom trabalho para explicar o que estava acontecendo. Em muitos países, grupos de estudantes exigiram uma revisão do modo como a Economia era ensinada, com menos ênfase nas doutrinas do mercado livre e mais ênfase nos problemas do mundo real.

You can find an interactive version of this figure athttp://tinyco.re/7434364.

https://jackblun.github.io/Globalinc/html/fig_1980.html

Na Figura acima, por exemplo, o Core Econ mostra a distribuição de renda entre e dentro dos países em 2014. A altura de cada barra no gráfico varia ao longo de dois eixos. O primeiro eixo de variação, da esquerda para a direita da figura, é uma classificação de países de acordo com a renda interna bruta per capita dos mais pobres à esquerda (Libéria), aos mais ricos à direita (Cingapura). O segundo eixo, de frente para trás da figura, mostra a distribuição de renda da camada pobre até a rica em cada país.

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Impressões sobre XXII Congresso Brasileiro de Economistas

Estive no XXII Congresso Brasileiro de Economia, realizado em Belo Horizonte de 6 a 9 de setembro. Assisti e participei do debate com os palestrantes em três mesas: Ensino de Economia e Futuro da Ciência Econômica, A Economia Brasileira na Perspectiva do Jornalismo Econômico, Economia Brasileira e Internacional: Cenários e Perspectivas. Fui palestrante e debatedor na mesa final sobre Política Macroeconômica e a Retomada do Crescimento. Além desses debates, assisti as apresentações em comemoração aos 200 anos da publicação da obra Princípios de Economia Política e Tributação de autoria de David Ricardo e 150 Anos da Publicação do Volume 1 de O Capital por Karl Marx.

Elogiado pelos participantes pela programação e qualidade dos debates promovidos, o CBE também se destacou pela presença expressiva de estudantes. Ao todo, quase 1.200 pessoas de 26 estados estiveram no Minas Centro, em Belo Horizonte, prestigiando a programação do evento.

Um estudo de autoria do professor Roberto Macedo (ex-FEA-USP), publicado na revista Economistas do COFECON em março de 2016, analisa os microdados do Censo de 2010. Considerando o maior nível de instrução, identifica 234.287 graduados, 18.341 mestres e 5.410 doutores na área de Economia. Entre os graduados, 59.346 são presumivelmente aposentados ou desempregados. A participação dos mestres e doutores é maior e crescente nas faixas etárias mais jovens.

Segundo os dados da DataViva sobre o Ensino Superior de Economia no Brasil, o curso de Economia é o 37º em número de matrículas no Brasil. A universidade que possui mais alunos é Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com 1,64 mil estudantes. No total, o curso de Economia possui 49,4 mil alunos matriculados em todo o país. Nos últimos seis anos (2010 a 2015), foram 36,6 mil concluintes, ou seja, a média de 6,1 mil / ano. Se essa fosse a média nos últimos 35 anos (e todos os concluintes exercessem a profissão), estariam na vida profissional ativa cerca de 213,4 mil economistas. Em 2015, número de alunos matriculados atingiu 50,4 mil, o número de ingressantes, 12,6 mil, e o número de concluintes, 6,23 mil. Para comparação, nesse ano, o IE-UNICAMP tinha 547 matriculados e teve 91 concluintes com idade média de 22 anos.

Pelo segundo ano consecutivo o Instituto de Economia da Unicamp foi premiado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon) como destaque acadêmico do ano. Abaixo meu colega Paulo Fracalanza (diretor do IE-UNICAMP) e meu ex-colega (VP da Caixa) Paulo Bretas (presidente do CORECON-MG).

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