O Que É Transdisciplinaridade (por Akiko Santos)

Akiko Santos publicou, no periódico Rural Semanal, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (I parte: na semana de 22/28 de agosto de 2005; II parte: na semana de 29/04 de setembro de 2005), um excelente artigo explicativo de “o que é transdisciplinaridade”. Abaixo, eu edito e sintetizo suas principais ideias.

As estruturas e normas universitárias por longos anos têm se apoiado nos princípios cartesianos: fragmentação, descontextualização, simplificação, redução, objetivismo e dualismo.

Esse modo cartesiano de ser direciona o olhar das pessoas, exclusivamente para o que é objetivo e racional, desconsiderando as dimensões da vida cotidiana: a emoção, o sentimento, a intuição, a sensibilidade e a corporeidade.

A identidade do homem é construída a partir das profissões estabelecidas na modernidade. A identidade dos jovens é formatada nas parcelas do conhecimento com uma cultura, linguagem e leituras pertinentes a tais parcelas e não estimula abertura e diálogos entre as diversas profissões.

A disciplinaridade se sobrepõe a transdisciplinaridade, a visão articulada do conhecimento. Na vida, somos todos “transdisciplinares”, mas quando entramos nas salas de aula, somos disciplinares.

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Aplicação da Interdisciplinaridade na Ciência e na Educação

A interdisciplinaridade surge no século XX como um esforço de:

  1. superar o movimento de especialização da ciência e
  2. superar a fragmentação do conhecimento em diversas áreas de estudo e pesquisa.

A Ciência, no século XX, tornou-se especializada ao ponto de não ser mais possível realizar o movimento pretendido quando do início da especialização. Era chegar ao reducionismo unitário para conseguir ver o todo de forma plena e completa.

Também se chegou ao ponto onde, em algumas áreas, não ser mais possível continuar aprofundando no conhecimento, tendo chegado ao limite do possível a determinadas especialidades pesquisar. Então a interdisciplinaridade surge como proposta para a realização do movimento inverso, partir do micro – ou o individualismo metodológico – e retornar ao todo.

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Metodologia Transdisciplinar

Aprecio a fácil consulta à maior Enciclopédia de toda a História da Humanidade: Wikipedia. Não tenho preconceito “academicista” a respeito. Isto é próprio de quem só se excita com citações…

Aprendi e pesquisei algo desconhecido por mim no verbete abaixo. Obtive dicas de novos livros para ler — e diminuir minha infinita ignorância.

Um dos principais impactos culturais da revolução quântica foi o questionamento do dogma filosófico contemporâneo da existência de um único nível de Realidade. A revolução quântica desempenhou um papel importante no nascimento de uma nova abordagem, ao mesmo tempo científica, cultural, social e espiritual, a Transdisciplinaridade.

A Metodologia Transdisciplinar foi formulada pelo físico teórico Basarab Nicolescu em 1999. Partindo da área Física, fundamentada na lógica quântica, Nicolescu considerou os conceitos da teoria da Complexidade e formulou a Lógica do Terceiro Incluído.

A Transdisciplinaridade é sustentada por três pilares:

  1. Diferentes Níveis de Realidade
  2. Lógica do Terceiro Termo Incluído
  3. Complexidade

Os três pilares da metodologia transdisciplinar estão mutuamente relacionados, sendo o foco fundamental recaído na Lógica do Terceiro Termo Incluído, a qual funciona como uma espécie de ferramenta conceitual. Busca explicar a multiplicidade de interações difíceis de serem compreendidas segundo a Lógica Clássica. Isso, contudo, só é possível quando são introduzidos diferentes níveis de realidade e percepção. Continuar a ler

Transdisciplinaridade

Aprecio a fácil consulta à maior Enciclopédia de toda a História da Humanidade: Wikipedia. Não tenho preconceito “academicista” a respeito. Isto é próprio de quem só se excita com citações…

Aprendi e pesquisei algo desconhecido por mim no verbete abaixo. Obtive dicas de novos livros para ler – e diminuir minha infinita ignorância.

A transdisciplinaridade é uma abordagem científica cuja meta é a unidade do conhecimento. Desta forma, procura estimular uma nova compreensão da realidade articulando elementos atravessam entre, além e através das disciplinas, em busca de compreensão da complexidade do mundo real. Além disso, do ponto de vista humano, a transdisciplinaridade é uma atitude empática de abertura ao outro e seu conhecimento.

É um termo originalmente criado por Jean Piaget. No I Seminário Internacional Sobre Pluridisciplinaridade e Interdisciplinaridade, realizado na Universidade de Nice, também conhecido como Seminário de Nice, em 1970, divulgou, pela primeira vez, o termo. Deu, então, início ao estudo sobre o mesmo, pedindo para os participantes pensarem no assunto.

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Grande Mestre: Carlos Lessa, Intérprete do Brasil (1936-2020)

  

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa era professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2003. Lessa foi professor do Instituto Rio Branco, ministrou cursos na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e no Instituto Latino-americano de Pesquisas (Ilpes), da ONU, da Universidade do Chile e da Unicamp. Foi ainda consultor da Fundação para o Desenvolvimento da Administração Pública (Fundap). É autor dos livros “Quinze anos de Política Econômica”, “O Conceito de Política Econômica: Ciência ou Ideologia?”, e “O Rio de todos os Brasis”, entre outros.

Foi meu professor de “Economia Brasileira”, dividindo a docência com a professora Maria da Conceição Tavares, ela ensinando a evolução cíclica, ele dando aulas sobre a política econômica, no primeiro curso oferecido em conjunto por eles no Mestrado da UNICAMP, em 1976. Era um espetáculo, cada qual dando o melhor de si. Considero o Lessa o melhor orador entre todos os economistas. Ninguém o consegue superar em metáforas humorísticas!

Sempre o admirei por sua imensa cultura e prazeroso humor. Assisti-lo ou conversar com ele era divertidíssimo. Mesmo quando tínhamos nossas diferenças políticas, ambos sendo militantes no início dos anos 80, reencontrávamos em reuniões político-sindicais, provocávamos um ao outro, e ríamos!

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Homenagens ao Wilson Cano

André Biancarelli, professor do Instituto de Economia da Unicamp

Wilson Cano era um grande professor. Dentre os maiores que conheci. Abriu fronteiras entre as disciplinas de Economia e Geografia. Escreveu diversos clássicos sobre a industrialização e desenvolvimento regional. Conhecia a teoria do desenvolvimento como poucos. É autor do melhor livro de introdução à economia, independentemente do idioma.

Também era uma figura ímpar. Andava em um carrão velho que não sei se chegou a trocar antes de morrer. Tinha uma bengala companheira que erguia sobre as cabeças dos alunos quando estes teimavam em contestá-lo. A bengala era tão temida que foi a única vez que vi a professora Maria da Conceição Tavares recuar em uma discussão pública, por causa dela. Depois fez uma cirurgia na perna que o fez aposentar a peça. Chamava seus alunos pelo nome desde a primeira aula.

Era getulista roxo, nacionalista até os ossos. Amava Celso Furtado como se fosse filho dele. Nunca gostou de aplausos ou elogios. Sempre, sempre mesmo, leu com rigor e detalhe as incontáveis monografias, dissertações e teses das quais foi banca. Era conhecido pela exigência como orientador, às vezes ultrapassava seus limites na definição dos temas de pesquisa de seus orientandos. Nunca fazia pesquisa sozinho, era um grande coordenador de projetos estruturantes na área de desenvolvimento regional.

Formou uma incontável legião de pesquisadores desenvolvimentistas, durante pelo menos três gerações e em todas as regiões do Brasil. É, sem dúvida, o principal responsável pela força do Instituto de Economia da Unicamp para além de Campinas. Viveu a Universidade em seu sentido mais profundo. Foi mesmo um Professor.

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Wilson Cano (1937-2020): Mestre, Orientador, Mentor

Nina, minha filha, e Wilson Cano, meu mentor 15.06.12

Lançamento de livro na Livraria Cultura 15.06.12

Mestre escuta Discípulo 15.06.12

Aprendi História Econômica do Brasil com o Professor Wilson Cano. Em passagem do seu curso, apontou, entre outras lacunas do conhecimento sobre a economia brasileira, ninguém saber por qual razão os bancos privados mineiros se sobressaíram no País.

Como único mineiro da segunda turma de mestrado do Departamento de Economia do IFCH-UNICAMP, a pergunta parecia ter sido dirigida a mim. Cumprido os créditos, não tive a menor dúvida: convidei-o a ser meu orientador para pesquisar e escrever uma Dissertação de Mestrado a respeito daquela pergunta-chave para entendimento do sistema financeiro nacional.

Com muita honra para mim, ele, então Diretor do IFCH (1976-1980), além de manter suas tarefas docentes, aceitou! Sempre foi assim: um Mestre prestativo, simples, deixando tudo às claras. Todos os capítulos entregues eram lidos de imediato e devolvidos com anotações manuscritas pertinazes, inclusive para eu jamais usar adjetivos em texto técnico, só dizer coisas substantivas. Fiz a pesquisa de campo em 1977 e fui o primeiro aluno da turma a defender sua Dissertação no ano seguinte.

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Manifesto de Professores(as) e Pesquisadores(as) Abaixo-Assinados do IE-UNICAMP

Manifesto de Professores(as) e Pesquisadores(as) Abaixo-Assinados do Instituto de Economia (IE) da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Coronacrise e Medidas de Enfrentamento

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia do COVID-19. Ele produz uma combinação de crise sanitária, econômica e social sem precedentes na história recente.

Devido a seu enorme potencial de contágio, o novo coronavírus sobrecarrega os sistemas de saúde e exige medidas restritivas, como o isolamento social e a decretação de quarentenas. Evidentemente, essas medidas sanitárias, fundamentais para conter o espraiamento do vírus, promovem a paralisação da atividade econômica, levam à perda de empregos e renda da população, e provocam a falência de diversas empresas, em particular as de menor porte e sem capital de giro.

A quarentena em diversas localidades rompe a divisão internacional do trabalho interdependente e especializada. Interrupções nas cadeias globais de produção culminam em depressão econômica em nível mundial.

Nesse cenário, a atuação conjunta da Comunidade, do Estado e do Mercado torna-se fundamental para impedir a crise tomar proporções catastróficas. No plano da política econômica, em curto prazo, cabe a utilização massiva da política fiscal. Política monetária, isoladamente, será insuficiente.

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Orientações Gerais sobre Ensino e Aprendizagem

  1. Introdução
  2. Comunicados e Documentos Institucionais
  3. Tutoriais
    1. Orientações sobre o Planejamento de Disciplina e Organização do Ambiente Virtual de Aprendizagem
    2. Uso de ambientes virtuais de aprendizagem (Moodle e Classroom), para docentes e alunos
    3. Para realizar aulas on-line (Google Meet)
    4. Para gravar aulas (Powerpoint e Quicktime)
    5. Para publicar suas aulas online (Youtube)
  4. Apoio ao Ensino Digital para cursos de Extensão
  5. Bancos de Aulas
  6. Disciplinas online disponibilizadas pela UNIVESP
  7. Sites relacionados
  8. Algumas dicas sobre o ED diante da Suspensão de Aulas Presenciais
  9. Atendimento e apoio
  10. Espaço para discussão – Grupo ED

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Plataforma Antonio Barros de Castro

Antonio Barros de Castro foi economista, Professor Emérito da UFRJ, Professor Titular do Instituto de Economia da UFRJ, Ex-Presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ex-diretor do Banco, Consultor do Centro Empresarial Brasil-China, Economista da CEPAL, Professor Visitante do Institute for Advanced Study de Princeton (USA), Professor Visitante de várias Universidades no mundo (Oxford, Munique, Universty of California Berkeley, entre outras), autor de numerosos livros, capítulos de livros e artigos.

E foi meu Professor no Mestrado em três disciplinas! E, em 1980, fizemos seminários em sua casa no Bairro Humaitá, no Rio de Janeiro, sobre o novo pensamento da esquerda europeia, inclusive o sindicato polonês Solidariedade e o eurocomunismo italiano. Era um Grande Mestre!

Os arquivos, organizados e disponíveis, seguem a convenção de Creative Commons e Science Commons”, podendo ser livremente acessados.

  • Livros publicados isentos de direito autoral;
  • Artigos publicados em Revistas acadêmicas;
  • Artigos publicados em jornais de ampla circulação;
  • Artigos e Editoriais do Boletim de Conjuntura do Instituto de Economia (UFRJ);
  • Entrevistas (desde 1983) e artigos de imprensa sobre o autor;
  • Coluna quinzenal publicada no Jornal Folha de São Paulo.

Clique no link e veja a aba acimahttp://agora.ie.ufrj.br/index.html

Complementariedade Profissional Cooperativa

Barbara Bigarelli (Valor, 06/02/2020) avalia: o debate sobre o futuro do trabalho está concentrado prioritariamente nos trabalhadores a serem substituídos pelas máquinas. Os estudos com mais sucesso sobre o tema apresentam previsões da eliminação massiva de empregos já na próxima década. Dessa discussão de robôs versus humanos (e quem irá triunfar), Frank Neffke, diretor de pesquisa do Growth Lab – instituto do Center for International Development (CID), da Universidade de Harvard – prefere se ausentar.

Em um estudo recente, publicado no final de dezembro na Science Advances, preferiu analisar a probabilidade dos profissionais serem substituídos por seus próprios colegas. “O mecanismo é semelhante: se uma máquina ou uma pessoa entra no seu local de trabalho e pode fazer o que você faz, isso não é bom para a carreira. No momento, a discussão se concentra principalmente nas pessoas a serem deslocadas pelas tecnologias, não nas pessoas a serem complementadas por elas e como as últimas poderiam compensar as primeiras”.

Ao criar um “ecossistema de habilidades” a partir das informações educacionais de nove milhões de trabalhadores da Suécia, Neffke e seu time concluíram: apenas ter habilidades valiosas é insuficiente para um profissional ganhar mais, ser bem- sucedido e ajudar a elevar a produtividade de sua equipe profissional.

Tão importante quanto investir em educação e novas competências, estão as habilidades de seus colegas de trabalho. Se eles possuírem habilidades semelhantes, a interação será menos produtiva e a remuneração de ambos não aumentará com o tempo. Caso tenham habilidades completares, o cenário é o oposto e a tendência dessa colaboração é, no longo prazo, de melhorias na remuneração, salário e carreira.

Os efeitos salariais da complementaridade são fortes: para trabalhadores com formação superior, ter colegas de trabalho altamente complementares é tão valioso quanto o próprio diploma. A interação certa também ajudaria a diminuir o turnover, à medida que os profissionais qualificados tendem a deixar a empresa se seus colegas têm conhecimento parecido e podem substituí-los.

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Educação sob Demanda: Conteúdo Personalizado… e Bem Pago

Jacílio Saraiva (Valor, 10/02/2020 informa: negócios do vinho, investimentos em startups, transformação digital, fintechs e gestão de carreiras de figuras públicas. Essas modas são alguns dos novos temas de cursos de pós-graduação. Quatro grandes instituições privadas de ensino vão os lançar em 2020. Ao todo, são 25 opções inéditas.

As escolas apontam novas tendências, como:

  1. a personalização (ou customização) de disciplinas de acordo com as necessidades do aluno,
  2. um avanço de 20% das aulas on-line sobre o total das grades e
  3. uma queda estimada de até 60%, ao ano, desde 2017, da quantidade de empresas bancando a formação dos funcionários.

Em lugar do Ensino de Excelência Público e Gratuito, disponível nas Universidades Federais e Estaduais, os preços começam em R$ 5,4 mil e podem atingir R$ 91,9 mil, de acordo com o tipo de programa, duração e conteúdo. O ensino pago também estão adotando o pagamento facilitado, com a ampliação do prazo de parcelamento, de 24 para até 36 meses. Continuar a ler