Geração Covid: Eterna Nem-Nem!

Lucianne Carneiro (Valor, 04/05/21) avalia: após mais de um ano de ensino remoto – que pode chegar a dois anos a depender da evolução da pandemia -, a nova força de trabalho chegará ainda mais crua ao mercado de trabalho, com menos habilidades socioemocionais, como capacidade de se relacionar em equipe e criatividade, e também impacto em habilidades técnicas, apontam especialistas.

A influência na formação tende a ocorrer tanto no ensino técnico quanto no universitário, mas principalmente em áreas que exigem mais prática e de treinamentos específicos, como Mecânica, Engenharias e Saúde.

“Em geral, os cursos são estruturados com a parte mais teórica no início e a mais prática no fim, com laboratório e estágio. A parte prática tende a ser mais prejudicada, embora o efeito se dê de maneira diferente entre os cursos. A tendência é que os alunos cheguem com menos experiência no mercado”, afirma o professor do Insper e da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Naércio Menezes.

Ele é um dos autores de um estudo onde compara o desempenho de estudantes de graduação presencial e de ensino a distância (EAD). Mostra mais da metade dos estudantes tem desempenho pior no EAD. O trabalho compara alunos dos dois formatos de ensino com perfis semelhantes – sexo, raça, renda e nível educacional da mãe, entre outros.

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Formação Anacrônica da Casta dos Militares Brasileiros

Ítalo Nogueira (FSP, /05/21) fez reportagem investigativa sobre os valores morais conservadores da casta dos militares brasileiros.

Pedro Amorim, 17, fala em estabilidade financeira e em servir à pátria. Um emprego seguro também motiva Eduarda Nicolau, 20, a seguir o sonho que nasceu pelo fascínio com a farda quando criança. Thiago Pimenta, 19, nunca imaginou seguir uma profissão diferente da do pai, militar da reserva, e mantém o desejo após ouvir em casa que, na carreira, “não ficaria rico, mas também não seria pobre”.

Os três estudam para tentar ingressar na EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército), porta de entrada para a Aman (Academia das Agulhas Negras). Essa é a escola responsável pela formação dos oficiais do Exército Brasileiro que podem alcançar o generalato, o topo da carreira. Foi lá onde se formaram o presidente Jair Bolsonaro, em 1977, e todos os oficiais ocupantes temporários de cargos políticos no governo federal.

A estabilidade financeira e a vocação militar são os principais motivos declarados pelos jovens que decidem disputar um dos concursos mais concorridos do país. No ano passado foram 40.545 inscritos na prova da EsPCEx, para 440 vagas em jogo. A relação candidato-vaga para homens era 77 e, para mulheres, 244 —a taxa para Medicina na USP no ano passado foi de 154 candidatos por vaga.

A elite do Exército tem origem principalmente em famílias de classe média, segundo dados divulgados em tese de doutorado do coronel Denis de Miranda pela PUC-RJ em 2018. Embora em queda, o número de filhos de militares ingressantes na Aman segue alto: eram 44% em 2017, tendo chegado a 60% em 1993.

O conservadorismo é um traço marcante entre os jovens em busca do oficialato do Exército, segundo professores de cursos preparatórios para o exame. Por esses cursos passaram 78% dos aprovados na EsPCEx em 2016, de acordo com dados do estudo de Miranda.

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Castas por Natureza Ocupacional: Dinastias por Níveis de Escolaridade

Érica Fraga e Fernanda Brigatti (FSP, 28/03/2021) publicaram oportuna reportagem sobre problema social brasileiro na área de Educação. Compartilho-a abaixo.

A chance de um filho repetir a baixa escolaridade de sua família no Brasil é o dobro da probabilidade de isso ocorrer nos EUA.

Em média, quase 6 em cada 10 brasileiros (58,3%) cujos pais não tinham o ensino médio completo em 2014 – último ano para o qual há dados, ou seja, no fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) – também pararam de estudar antes de concluir esse ciclo.

Entre os americanos, esse percentual cai à metade, para 29,2%. Já a média na OCDE, grupo que reúne quase quatro dezenas de nações ricas e emergentes, era de 33,4%.

Se o filho brasileiro pertencer a grupos populacionais menos favorecidos, a distância é ainda maior.

Entre o estrato 20% mais pobre da população brasileira, 80,8% dos filhos cujos pais (palavra empregada, no estudo, como plural de pai) não tinham o ensino médio completo repetiram esse desfecho educacional. No grupo dos 20% mais ricos do país, esse percentual era de 32,6%, um pouco abaixo da média da OCDE.

O contraste entre brancos e negros brasileiros também é significativo. Entre os filhos de pais pretos e pardos que não terminaram o ensino médio, 64% não avançaram além disso. Nas famílias brancas, essa proporção era de 51,6%.

Esse conjunto de dados é parte de um estudo inédito do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social). Ele situou as transformações educacionais ocorridas entre gerações brasileiras em um amplo contexto internacional.

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Sociedade de Executivos: Concentração de Renda e Misoginia

Misoginia é a repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres. Esta forma de aversão à mulher é centrada em uma visão sexista. Coloca a mulher em uma relação de subalternidade em relação ao homem.

O desprezo ou ódio dirigido às mulheres está diretamente relacionado com a violência praticada contra a mulher. A misoginia é a principal responsável por grande parte dos assassinatos de mulheres, também conhecido por feminicídio, que configura-se como formas de agressões físicas e psicológicas, mutilações, abusos sexuais, torturas, perseguições, entre outras violências relacionadas direta ou indiretamente com o gênero feminino.

Barbara Bigarelli (Valor, 11/03/2021) informa: embora os Conselheiros de Administração não tenham escapado da redução temporária de remuneração em 2020, por conta da pandemia, um novo estudo aponta: nos últimos dois anos eles passaram a ganhar mais no Brasil. De 2018 para 2020, considerando apenas honorários fixos, os Presidentes de Conselhos de Administração (PCA) tiveram um aumento médio de 19% na remuneração e os conselheiros de 14%.

O pacote total de pagamento inclui fixos, incentivos de curto prazo (ICP) e ações. Nele, o aumento foi de 33% para PCA e 24% para conselheiros. Os dados foram levantados pela consultoria Korn Ferry. Foram ouvidas 83 empresas sendo 32% com receita líquida acima de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões em 2019 – 21% da amostra atua na indústria, 20% no varejo, 10% em serviços e 10% no setor financeiro.

A pesquisa também indica: a remuneração total de um PCA representa, em média, 34%, do pacote total que o CEO de sua empresa recebe. Considerando o controle acionário, nas empresas com controle familiar, o pacote pago ao presidente do conselho é acima da média, chegando a 51% do pago ao CEO.

De forma geral, os pacotes de remuneração dos conselheiros estão crescendo muito mais que a inflação e muito mais que os dos executivos.

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Conflito de Interesses: Casta dos Mercadores X Casta dos Sábios-Tecnocratas

Ana Luiza de Carvalho (Valor, 24/11/2020) informa: a remuneração média dos membros dos Conselhos de Administração de companhias de capital fechado no Brasil é de R$ 10 mil a R$ 15 mil, segundo dados da 1a Pesquisa Remuneração de Conselheiros em Empresas de Capital Fechado, promovida pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). A pesquisa ouviu 269 conselheiros de administração e conselheiros consultivos no país.

Observação: isto é um “bico”, ou seja, uma remuneração complementar da casta dos mercadores com salários e bônus elevadíssimos em termos anuais. O temido por ela não a perda de status social com a comparação com a casta dos sábios-tecnocratas, mas sim a ameça de um reforma tributária acabar com o privilégio de isenção de lucros e dividendos ou mesmo impor um Imposto sobre Grande Fortuna. Por isso, prega contra os servidores públicos, para o corte de gastos do setor público retirar essa ameaça.

O estudo do IBGG foi motivado pela curiosidade dos profissionais acerca das práticas de remuneração em empresas fechadas. No caso das companhias de capital aberto, os dados são públicos e frequentemente relatados em pesquisas da área.

A remuneração é sempre um dado sensível e há muito receio de passar essas informações. Então, a pesquisa estruturou os valores dentro de uma faixa e entrou em contato com os próprios contatos do Instituto pedindo apoio.

A pesquisa aponta: 82,5% dos conselheiros são remunerados em seus cargos. Do total de entrevistados, 25% recebem entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Nos extremos, 12,4% dos conselheiros afirmam terem rendimentos de até R$ 5 mil mensais, enquanto 11,7% faturam mais de R$ 30 mil em seus cargos.

No caso de presidentes dos Conselhos, 27,6% recebem entre R$ 20 e R$ 25 mil, enquanto 17,2% possuem remuneração de até R$ 5 mil mensais. No outro extremo, com montante superior a R$ 30 mil, estão 10,3% dos presidentes dos colegiados.

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Aprendizagem e Ensino de Economia: Baixe o Livro

Temos de refletir sobre a prática de Ensino Remoto, realizado durante a pandemia, de maneira demorada. Depois de pensar, cismar, meditar, poderemos projetar metas, ações, planos, enfim, combinar uma estratégia para compartilharmos e adotarmos boas práticas didáticas.

A Maldição do Conhecimento é, depois de aprender, esquecer a dificuldade inicial de aprender. Em função desse fenômeno de perda de empatia com os iniciantes, estes, se desejosos de obterem uma verdadeira aprendizagem, devem se engajar de maneira ativa na aquisição do conhecimento, focalizando seu desafio intelectual. 

Para ir atrás desse conhecimento, de maneira proativa, em condições normais sem pandemia ou distanciamento social, o estudante poderia conversar com colegas a respeito do desafio. Quem aprendeu, recentemente, ainda tem na memória o passo-a-passo de seu aprendizado. É mais capaz de transmiti-lo ao seu colega em linguagem coloquial ou geracional.

Infelizmente, essa parte representativa de 1/5 da abordagem 70:20:10 – 70% de autodidatismo, 20% de conversas com colegas e 10% de dicas do professor – se perdeu no atual Ensino Remoto. Os estudantes reclamam da falta de conexões interpessoais com os colegas, devido ao distanciamento social.

EaD (Educação à Distância) não pode ser igual à Educação Presencial, com a única diferença de ser via Google Meet, Moodle ou Zoom. É necessário resumir os longos conteúdos, expostos anteriormente em cerca de duas horas, em aulas-sintéticas de apenas vinte minutos. São inteiramente suficientes para motivação de estudo posterior por conta própria dos alunos.

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Economistas Negros Bem-Sucedidos por Igualdade de Oportunidades

Érika Fraga (FSP, 28/11/2020) informa: Sergio Luiz da Silva, 49, e Natalie Victal, 31, são economistas negros bem-sucedidos no mercado financeiro em São Paulo. Desde 2011, ele é sócio da AZ Quest, gestora de fundos de investimentos cujas carteiras somam R$ 18 bilhões. Antes, passou por instituições como GAP Asset Management, Citibank e Merrill Lynch.

Ela atua, desde 2019, como economista da Garde, empresa que administra R$ 4,5 bilhões em ativos. Após concluir o mestrado na PUC-Rio, em 2014, trabalhou em outras três empresas do setor: Kyros, Kondor e BlueLine.

O termo “a exceção da exceção” se encaixa na trajetória de profissionais como Sergio e Natalie no Brasil, onde, embora sejam 55,4% da população, só 11% dos negros com mais de 25 anos têm ensino superior, contra 24,9% de brancos.

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Carta Aberta aos Colegas: Boas Práticas em Ensino Remoto

Fiquei estarrecido com o dito pelos alunos na reunião semestral entre eles e nós, professores, sob a coordenadoria da graduação. Por estar surpreso, perplexo, horrorizado ou apavorado, tive uma insônia e fiquei matutando a respeito. Compartilho com vocês.

Temos de refletir sobre a atual prática de Ensino Remoto de maneira demorada: pensar, cismar, meditar. Depois, projetar metas, ações, planos, enfim, combinar uma estratégia para compartilharmos e adotarmos boas práticas didáticas.

Não estaremos todos cometendo um autoengano em “pacto de mediocridade”? Nós achamos estar ensinando e os alunos acham estarem aprendendo com as aulas remotas?

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Dicas para uso do Google Classroom integrado ao Google Meet

ROTEIRO PASSO-A-PASSO PARA USO DO GOOGLE CLASSROOM/MEET:

Entre em sua conta institucional (…@unicamp.br) no Gmail e ela dirigirá para autenticação com senha pessoal na instituição, no exemplo, da UNICAMP.

Carregará então sua conta Gmail da instituição, distinta do seu Gmail pessoal.

Aplicativos Google: acessar no alto à esquerda entre o símbolo da instituição e/ou sua foto na conta de Gmail da instituição e o botão das Configurações,  onde você poderá ter acesso aos programas da Google com o qual você trabalhará, na ordem: Classroom, Meet e Drive.

Clique no Classroom e com sua conta institucional abrirá o Google Sala-de-Aula com os portais das salas-de-aulas (ou turmas das disciplinas) já criadas.

Lembre-se: o Classroom é seu “Diário de Classe” e o Meet, integrado ao Classroom, propicia sua vídeo-aula virtual. O Drive é o armazenamento depositário do material didático, inclusive livros e aulas-gravadas no Meet, em uma pasta da disciplina nomeada por você.

A abertura da sala-de-aula gerará um número de acesso a ser distribuído para os alunos-convidados terem acesso ao material didático como Programa e Bibliografia, Atividades e Notas.

Terá no Mural (primeira aba) o código da turma e o link para o Meet. Para você o gerar, vá em Configurações da Turma, no alto à direita do Mural, e torne visível para os alunos o Google Meet. Gerará um link para passar aos alunos.

Google Meet exige: username + senha

No Diário de Classe do Classroom, há as abas Mural – Atividades – Pessoas – Notas.

Selecione Pessoas. Em +figura aparece: “Convidar Alunos“. Selecione e digite endereços de e-mail (pode copiar e colar uma lista disponível, p.ex., em Excel fornecida pela Secretaria do Curso). Os convidados receberão e-mail e terão de confirmar a aceitação do convite. Aí seus nomes/e-mails deixaram de ficar “cinzas” e se destacarão, inclusive aparecendo na agenda.

Também no alto à direita, entre a Conta e o botão das Configurações, você tem o Google Apps. Selecione Agenda.

Agende todas suas aulas nos horários determinados. Ao editar o agendamento, coloque “Entrar com Google Meet” com o endereço/link gerado no Google Classroom. Selecione também “Convidar outras Pessoas“. Clique em “Convidados” para ver os nomes confirmados no Classroom.

No dia/horário, há “Copiar link da Conferência“. Copie-o e envie-o para os e-mails da turma no Classroom.

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O Que É Transdisciplinaridade (por Akiko Santos)

Akiko Santos publicou, no periódico Rural Semanal, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (I parte: na semana de 22/28 de agosto de 2005; II parte: na semana de 29/04 de setembro de 2005), um excelente artigo explicativo de “o que é transdisciplinaridade”. Abaixo, eu edito e sintetizo suas principais ideias.

As estruturas e normas universitárias por longos anos têm se apoiado nos princípios cartesianos: fragmentação, descontextualização, simplificação, redução, objetivismo e dualismo.

Esse modo cartesiano de ser direciona o olhar das pessoas, exclusivamente para o que é objetivo e racional, desconsiderando as dimensões da vida cotidiana: a emoção, o sentimento, a intuição, a sensibilidade e a corporeidade.

A identidade do homem é construída a partir das profissões estabelecidas na modernidade. A identidade dos jovens é formatada nas parcelas do conhecimento com uma cultura, linguagem e leituras pertinentes a tais parcelas e não estimula abertura e diálogos entre as diversas profissões.

A disciplinaridade se sobrepõe a transdisciplinaridade, a visão articulada do conhecimento. Na vida, somos todos “transdisciplinares”, mas quando entramos nas salas de aula, somos disciplinares.

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Aplicação da Interdisciplinaridade na Ciência e na Educação

A interdisciplinaridade surge no século XX como um esforço de:

  1. superar o movimento de especialização da ciência e
  2. superar a fragmentação do conhecimento em diversas áreas de estudo e pesquisa.

A Ciência, no século XX, tornou-se especializada ao ponto de não ser mais possível realizar o movimento pretendido quando do início da especialização. Era chegar ao reducionismo unitário para conseguir ver o todo de forma plena e completa.

Também se chegou ao ponto onde, em algumas áreas, não ser mais possível continuar aprofundando no conhecimento, tendo chegado ao limite do possível a determinadas especialidades pesquisar. Então a interdisciplinaridade surge como proposta para a realização do movimento inverso, partir do micro – ou o individualismo metodológico – e retornar ao todo.

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Metodologia Transdisciplinar

Aprecio a fácil consulta à maior Enciclopédia de toda a História da Humanidade: Wikipedia. Não tenho preconceito “academicista” a respeito. Isto é próprio de quem só se excita com citações…

Aprendi e pesquisei algo desconhecido por mim no verbete abaixo. Obtive dicas de novos livros para ler — e diminuir minha infinita ignorância.

Um dos principais impactos culturais da revolução quântica foi o questionamento do dogma filosófico contemporâneo da existência de um único nível de Realidade. A revolução quântica desempenhou um papel importante no nascimento de uma nova abordagem, ao mesmo tempo científica, cultural, social e espiritual, a Transdisciplinaridade.

A Metodologia Transdisciplinar foi formulada pelo físico teórico Basarab Nicolescu em 1999. Partindo da área Física, fundamentada na lógica quântica, Nicolescu considerou os conceitos da teoria da Complexidade e formulou a Lógica do Terceiro Incluído.

A Transdisciplinaridade é sustentada por três pilares:

  1. Diferentes Níveis de Realidade
  2. Lógica do Terceiro Termo Incluído
  3. Complexidade

Os três pilares da metodologia transdisciplinar estão mutuamente relacionados, sendo o foco fundamental recaído na Lógica do Terceiro Termo Incluído, a qual funciona como uma espécie de ferramenta conceitual. Busca explicar a multiplicidade de interações difíceis de serem compreendidas segundo a Lógica Clássica. Isso, contudo, só é possível quando são introduzidos diferentes níveis de realidade e percepção. Continuar a ler