Educação Superior nos Estados Unidos: História e Estrutura

Reginaldo de Moraes

Eleonora Lucena (FSP, 21/03/14) resenha o livro “Educação Superior nos Estados Unidos: História e Estrutura” (Editora Unesp), que percorre as metamorfoses do sistema desde a colônia. A obra mostra como os norte-americanos transformaram um modelo elitista e privado em outro flexível e majoritariamente público.

Massificar, descentralizar, popularizar. Esses devem ser os objetivos do ensino superior no Brasil, na visão de Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes, 64, professor de Ciência Política da Unicamp. Sua análise foi consolidada com a pesquisa sobre os modelos de educação em vários países.

Doutor em filosofia e autor de “O Peso do Estado na Pátria do Mercado” (2013), Moraes afirma que o dinheiro público foi decisivo para essa evolução. “Em lugar nenhum do mundo o ensino superior se paga”, diz.

Leia a entrevista a seguir. Continuar a ler

Aprender a Aprender com a Web

Ronaldo Lemos (FSP, 10/02/15) publicou um artigo interessante com dicas para aprender com a internet, que é a proposta deste modesto blog Cidadania & Cultura há cinco anos. Compartilho-o abaixo com os links.

“Se não caiu a ficha, está na hora de cair: a maior parte do conhecimento teórico e prático já produzido pela humanidade está disponível na internet, de graça e abertamente. Quem tiver a curiosidade e a energia necessárias pode tomar nas mãos os caminhos do próprio aprendizado. Esse é um desafio para o sistema educacional: a missão da escola nos dias de hoje passa a ser ensinar a aprender dentro desse novo contexto em que vivemos.

Quem viu o documentário acima sobre Aaron Swartz (“O Menino da Internet“), disponível também de graça e abertamente no YouTube, deve se lembrar da cena em que ele, com poucos anos de idade, aprende a ler sozinho. Em depoimento para a câmera, seus pais dizem: “Aaron aprendeu muito cedo a aprender“. Apesar de nunca ter completado a faculdade, circulava entre professores das melhores universidades e conversava com eles como igual.

[O filme narra a história do jovem Aaron Swartz (1986-2013), um jovem programador norte-americano que acreditava na mudança radical do mundo através da internet e da computação. Durante toda a sua vida, Aaron usou a programação computacional como uma forma de nos ajudar a resolver problemas e tornar o mundo um lugar mais democrático, justo e eficiente. Em uma destas tentativas, Aaron irá usar a rede do MIT (Massachusetts Institute of Technology) para realizar o download massivo de milhões de artigos acadêmicos de uma base de dados privada chamada JSTOR. Nesse meio-tempo, o Ministério Público dos Estados Unidos irá conduzir um processo criminal contra Aaron, que termina por levá-lo ao suicídio.]

Swartz aprendeu no mesmo lugar — a internet — tanto a programar quanto a ler clássicos da filosofia política (como Henry David Thoreau, um dos seus favoritos). Qualquer um pode seguir seu caminho. Continuar a ler

Concurso para Professor Titular da UNICAMP

Estória da Conceição

Estória da Conceição

Caso sobre Conceição

Caso sobre Conceição

FOTO_042-Conceição vitoriosa FOTO_043-Conceição vibrando FOTO_044-Conceição sorrindo FOTO_046-Conceição Tavares

À Mestra Com Carinho

À Mestra Com Carinho

Dia 2 de março de 2015

Dia 2 de março de 2015

Homenagem à Conceição

Homenagem à Conceição

Fernando e Conceição Tavares

Fernando e Conceição Tavares

Prezados Seguidores,

o dia 2 de março de 2015 foi um dia especial para mim. Prestei o Concurso para Professor-Titular da UNICAMP. Simboliza atingir o topo da carreira acadêmica.

Acredito que também foi um dia especial para todos (mais de 50 pessoas) que participaram do jantar em homenagem à Conceição. Foram dados muitos depoimentos espontâneos, afetivos, bem humorados e emocionados sobre como ela mudou a vida de quem falava.

Meu concurso para Professor-Titular, então, foi ótimo!

Notas do Concurso para Titular FNC 02.03.2015Se a nota significar alguma coisa, os 5 membros da banca deram-me a média 10 em currículo, 10 em didática e 9,9 no memorial. A Professora Maria da Conceição Tavares conferiu-me 10 nos 3 quesitos.

Jamais esquecerei tanta emoção.

Vou compartilhar algumas anotações do que me foi dito na Arguição.

A Professora Maria da Conceição Tavares disse que meu “currículo é espetacular”! Comentou que meu “memorial acadêmico fugiu do lugar-comum ao defender duas teses, uma sobre Ensino, outra sobre Pesquisa, reunindo muldisciplinaridade” e “memórias contadas como um trovador”. Contei “estórias desiguais, mas combinadas”. Registrou que “as teses foram bem defendidas”.

O Professor João Antônio de Paula dirigiu-me uma pergunta-chave, cuja resposta vai merecer uma reflexão até o fim da minha vida: “Se você pudesse refazer sua trajetória pessoal, faria tudo de novo? Escolheria a mesma profissão? Estudaria tudo de novo?”. Em referência ao meu Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada, inspirada em Oswald de Andrade, ele citou uma brilhante ideia do Manifesto do Pau-Brasil, anterior ao Manifesto da Antropofagia: “a contribuição milionária de todos os erros”. Será que aprendemos com nossos erros?

O Professor Luiz Fernando de Paula perguntou-me: “por que você está prestando o Concurso para Titular só agora, já que tem reputação como um intelectual senior, com trajetória muito reconhecida, há muito tempo?“.

A Professora Ana Célia Castro disse-me: “gostei muito de participar e de poder compartilhar da sua reflexão fecunda, iconoclasta e sobretudo criativa”. Acrescentou: “você conseguiu expressar suas angústias intelectuais, fazendo perguntas-chaves existenciais”.

Concurso para Titular 02.03.15

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Abuso Infantil: Doutrinação de Crianças Em Qualquer Religião

Criacionismo CristãoDarwinismoEvolucionismo Teísta

Os desenhos acima (Élder Galvão) em matéria de Reinaldo José Lopes (Folhinha, 18/10/14), dirigida às crianças , são tolerantes com o multiculturalismo. No entanto, deveria alertar que os criacionistas, quando não os católicos, são comumente intolerantes com os cientistas ateus.

“Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?” (epígrafe de Richard Dawkins em “Deus, um Delirio”).

Neste livro, Richard Dawkins, um dos intelectuais mais respeitados da atualidade, escreveu um texto sarcástico para atacar com muito fundamento o que considera um dos grandes equívocos da humanidade: a fé em qualquer entidade divina ou sobrenatural, seja Alá, seja o Deus católico, evangélico ou judeu.

“Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem” , diz ele no prefácio — não sem reconhecer sua presunção. Dawkins admite que dificilmente convencerá os fiéis recalcados, mas quer, pelo menos, atingir aqueles que creem por inércia e fazê-los assumir o ateísmo com orgulho. Ele quer mudar o mundo, pois acha de modo científico que “outro mundo é possível”!

Para tal, o biólogo usa argumentos muito bem embasados para questionar a tese do design inteligente e a própria existência de Deus, sugerindo hipóteses darwinistas para nossa predisposição psicológica a acreditar em uma entidade divina. Por causa disso, Dawkins faz um apelo racional contra a doutrinação de crianças em qualquer religião. Para ele, o simples fato de dizermos “criança católica” ou “criança judia” é uma forma de abuso infantil, comparável até ao abuso sexual, tão absurdo como falar de “criança neoliberal”. Continuar a ler

Universidades Federais Durante os 8 Anos de Governo do PSDB

Evolução da matrículas, ingressantes e concluintes no Ensino Superior

grafico-concessão-de-bolsas-de-pós

De 2002 a 2012, o número de ingressantes nas Universidades cresceu 91,9%, o número de concluintes cresceu 124,5%, atingindo 1.050.413 formandos. Os matriculados na graduação dobraram, passando de 3,5 milhões em 2002 para 7 milhões! Antes, durante os governos FHC (1995-2002) as universidades federais brasileiras foram sucateadas e sofreram um esfacelamento geral. Vejamos alguns indicadores:

1) Contratação de novos professores: Durante 5 anos (1997-2001) foram proibidas quaisquer contratações de professores, ao mesmo tempo que mudanças nas leis sobre as IFES levaram a uma enorme quantidade de pedidos de aposentadorias precoces;

2) Vagas: ao longo dos 8 anos do governo FHC não houve qualquer expansão de vagas nas universidades públicas federais, fazendo com que a escala social de acesso ao ensino público e gratuito se verticalizasse cada vez mais;

3) Novas universidades: durante os 8 anos não foi criada nenhuma nova universidade federal;

4) Novos campi: o número de campi federais se manteve inalterado ao longo dos 8 anos de governo FHC;

5) Orçamento: durante todo o governo FHC ocorreram cortes sequenciais de verbas orçamentários, tanto para infraestrutura como para as atividades de ensino, pesquisa e extensão;

6) Salários de professores: por mais de 5 anos os salários dos docentes das IFES ficaram congelados levando a perdas salariais significativas para o conjunto da categoria, obrigando a mesma a desencadear greves em praticamente todos os anos do Governo FHC;

7) Programas de qualificação docente: restrição enorme de bolsas para programação de doutorado e de pós-doutorado visando qualificar melhor a mão-de-obra docente;

8) Bolsas aos estudantes de pós-graduação: restrição enorme de bolsas de estudos, mantendo-se, inclusive, os valores congelados por muitos anos;

9) Bolsas aos estudantes de graduação: restrição enorme de bolsas para estudantes de graduação, especial nas áreas de iniciação científica e de extensão;

10) Programa internacionais de intercâmbio para os estudantes de graduação: nenhuma ação para este segmento estudantil foi implementada ao longo de 8 anos. Ao contrário, até mesmo as poucas bolsas existentes foram reduzidas.

11) Técnico Administrativos em Educação: restrição sequencial de contratações de novos servidores com implicação negativa sobre o funcionamento das universidades;

12) Salários do TAEs: arrocho salarial durante todo período com perdas salariais ao longo dos dois mandatos do governo FHC;

13) Expansão do ensino superior privado: uma política clara de opção pelo ensino superior privado no país, inclusive com o ministro da Educação virando consultor das instituições privadas de ensino superior e do próprio Banco Mundial.

Então, estudantes universitários que desejam a continuidade do ProUni-FIES-Ciência Sem Fronteira: vote em Dilma no segundo turno!

Dicas de Ensino: Formação Multidisciplinar

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O amigo virtual deste modesto blog, Reinaldo Christo, cientista ateísta militante (ver link para seu blog destacado na coluna ao lado), a próposito de todos os comentários sobre a formação doutrinária, seja ortodoxa, seja heterodoxa, principalmente enviados por parte de estudantes do IE-Unicamp que “acham a grama do vizinho mais verde”, ele pode observar que “a visão dos estudantes de Economia depende da instituição em que estuda”. E, eu acrescento, ela sofre do viés heurístico de autovalidação ou validação ilusória.

Há diversas Escolas de Pensamento Econômico e conflitos de interesses no tratamento de seus objetos de pesquisa e ensino. Não há instituição perfeita ou completa. As Faculdades e Universidades podem somente dar uma formação básica sobre certos temas, indicando um caminho a seguir. A etimologia do verbo “conhecer” é “procurar saber, tomar conhecimento de, reconhecer”. Ensinar é “dar uma senha” para o aluno “aprender a conhecer”.  Se ele “aprender a aprender”, vai longe como autodidata! Continuar a ler

Carta Aberta do Instituto de Economia da UNICAMP

cropped-unicamp_entrada-i.jpgA propósito dos agressivos ataques dos gurus econômicos da Marina (ler em Debate Tacanho e Fundamentalismo do Livre-Mercado + Fundamentalismo Religioso = Deus nos Acuda!) ao IE-UNICAMP — isso sem falar na desqualificação ignorante lançada ao Celso Furtado –, a resposta institucional é sóbria. Por eles serem persona non grata, isto é, “pessoas não bem-vindas”, essa resposta representa um “tapa-de-luva”: demonstra seus erros de avaliação e com educação e elegância possibilita eles reverem seus conceitos. Reproduzo abaixo a carta-aberta do IE-UNICAMP.

O Instituto de Economia da Unicamp vem a público reiterar seu compromisso com o Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil. Defendemos e exercitamos a qualidade e pluralidade do debate acadêmico e político e refutamos todas as agressões infundadas e levianas à nossa instituição por motivações ideológicas, partidárias e eleitorais. Continuar a ler