Concentração de Renda devido à Desigualdade Educacional

A renda média de pessoas com diploma universitário é pelo menos duas vezes maior quando comparado ao grupo daqueles que interromperam os estudos no ensino médio. Na faixa etária de 30 a 39 anos, o rendimento mensal das pessoas com ensino médio é de R$ 1,8 mil. Esse salário salta para R$ 4,7 mil quando se tem uma diploma de ensino superior, segundo informações do estudo “Valor Análise Setorial – Ensino Superior“, que foi lançado e custa R$ 3.400,00.

A renda dobra já nos primeiros anos da faculdade ou logo após a conclusão do curso. A grande diferença de salário entre as pessoas com e sem diploma universitário se mantém até a aposentadoria. Entre 50 e 64 anos, o rendimento das pessoas que se formaram atinge R$ 7 mil, quase três maior comparada com a de R$ 2,4 mil de quem só tem o segundo grau médio concluído.

Segundo o Ministério da Educação (MEC) havia, em 2015, pouco mais de 6,6 milhões de universitários em instituições privadas e públicas no país. No entanto, apenas 34,6% da população com idade entre 18 e 24 anos têm diploma de ensino superior. Os percentuais mudam de acordo com a classe social:

  • No grupo dos 25% mais ricos, 85% deles têm ensino superior.
  • No grupo dos 25% mais pobres, somente 12,3% têm diploma universitário.

Há uma demanda potencial de 10,341 milhões de alunos, sendo 2,2 milhões de estudantes que frequentam o ensino médio e mais 8,1 milhões com o ensino médio concluído.

Observa-se a formação de analistas e/ou estrategistas em Ciência Política, Ciências Sociais e Economia, predominantemente, em Universidades Públicas. Já a formação de gestores, advogados, gerenciamento e administração — talvez por ser ensinada por “homens práticos” e com custo mais barato — se dá em Privadas.

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Produtivismo Acadêmico e Destruição da Carreira Meritocrática Acadêmica

Desde que voltei para a Universidade, depois de cinco anos de licença para atuar na alta administração de um banco público federal, nunca publiquei tanto: 370 artigos-posts originais. Por que? Porque me recusei a entrar no jogo contemporâneo do academicismo de publicar apenas em revistas impressas ranqueadas por critérios duvidosos, onde “pareceristas cegos” que aceitam só o (pouco) que sabem e se recusam a aprovar qualquer artigo que vá contra sua crença ideológica não científica. Quando reconhecem o mérito de um colega, que pensa igual a eles, leva até dois anos para o artigo ser publicado, ou seja, perde o momentum do debate público. Resultado: quem lê revistas acadêmicas? São conhecidas pela chatice…

Prefiro publicar livros e textos por meios eletrônicos e/ou digitais. Submeto-os à crítica dos leitores. Se agradam, minha reputação profissional cresce, o número de visitas ao meu modesto blog pessoal aumenta — confira que está quase atingindo seis milhões (mais de quatro mil por dia útil) –, sou convidado para publicar mais em outros sites e palestrar. Enfim, escrevo com prazer e sou bastante lido, embora isso não contabilize pontinhos Qualis

Esta edição temática sobre “Produtivismo Acadêmico” (Produtivismo acadêmico – Revista Adusp 60 – maio 2017) busca atualizar o leitor a respeito de um tema que, infelizmente, se tornou familiar à Revista Adusp, mas que nem sempre foi possível abordar em todas as dimensões e implicações.

Decidiu, a par da publicação de material inédito, republicar textos que não são recentes, mas que considerou relevantes na perspectiva de um tratamento minimamente sistemático da questão.

Vários dos trabalhos que publicou, nesse número, revelam de que modo os irmãos siameses “Gestão (empresarial) das Universidades” e “Produtivismo Acadêmico” espalharam-se pelo mundo — e como colonizaram a vida universitária.

O “Manifesto Acadêmico” de autoria dos pesquisadores holandeses Willem Halffman e Hans Radder, publicado originalmente em 2013, abre esta edição por diferentes motivos: sagacidade analítica, humor corrosivo, mas em especial o saudável convite à rebelião das “ovelhas” contra o status quo. Há que reagir! Continue reading “Produtivismo Acadêmico e Destruição da Carreira Meritocrática Acadêmica”

Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros

Fiquei feliz com a avaliação oral que meus alunos fizeram da nova experiência didática no nosso curso Economia no Cinema: Cidadania e Cultura Brasileira.

  • Para avaliar o curso, utilizaram o conhecimento sobre as interpretações a respeito do Brasil para escrever um trabalho sobre Economia em Letras de Músicas, inspirado pela leitura da trilogia de Franklin Martins. Quem Foi Que Inventou o Brasil? A música popular conta a história da República. Vol. I – de 1902 a 1964. Vol. II – de 1964 a 1985. Vol. III – de 1985 a 2002. RJ, Nova Fronteira, 2015. Visite o site: http://quemfoiqueinventouobrasil.com/
  • Somaram à essa inspiração a audição da playlist do Spotify (12142604272), Economia em Letras de Música, com MPBE: Músicas Populares Brasileiras sobre Economia. As letras estão em: Fernando Nogueira da Costa – Economia em Letras de Música
  • Encontraram letras com temas econômicos em quase todos os gêneros musicais cantados pelo povo brasileiro. Muitas variantes abrigadas na chamada MPB (Música Popular Brasileira) puderam ser pesquisadas, classificadas e analisadas, seja por gêneros musicais, seja por temas.
  • Para pesquisa e apresentação áudio-oral do trabalho, a turma foi dividida em cinco grupos para a pesquisa que simula desafios que encontrarão na vida profissional:
    • Grupo I: dos sambas à bossa-nova,
    • Grupo II: das marchinhas de carnaval às músicas de protestos,
    • Grupo III: da Tropicália à MPB,
    • Grupo IV: das canções bregas, regionalistas e sertanejas aos rocks brasileiros,
    • Grupo V: dos raps aos funks.
  • Além de análise por gêneros musicais, classificaram os temas econômicos abordados que forneceram inspiração aos compositores. Eles analisaram se os compositores estiveram atentos aos principais eventos macroeconômicos ou se expressaram apenas a vida econômica pessoal. Concluíram que a MPBE podem ser escutadas como a expressão popular de reais problemas socioeconômicos.
  • Desde os primórdios, os letristas buscaram fazer a crônica musical de eventos, costumes, novidades, modismos e reviravoltas da vida nacional, de um modo geral – e da cena política e econômica, em particular. Concluíram também que a música popular brasileira segue fazendo a crônica da vida econômica nacional.
  • Foram criativos e demonstraram a capacidade analítica dessa expressão cultural dos sentimentos populares sobre a economia.
  • Serviram como inspiração os seguintes posts:

Economia em Letras de Música

Economia em Letras de Música: Dinheiro, Salário, Dívida, Vagabundagem…

Economia em Letras de Música: Desigualdade e Criminalidade

Economia em Letras de Música: Ostentação

Uma ótima apresentação, aplaudida espontaneamente pelos colegas, foi a seguinte:  ENRIQUE ALVAREZ & LUCAS BRIGANTI – Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros

Um debate que surgiu durante os seminários diz respeito ao rótulo MPB. Não é um “guarda-chuva” muito amplo sob o qual quase tudo é classificado?

Contra argumentei, aliás, como vimos o Chico dizer em sua cinebiografia, que a Bossa Nova e a MPB das Músicas de Protesto dos anos 60 eram ou muito elitistas ou muito vanguardistas… embora eu as aprecie muito. Tentei provar meu argumento exibindo o excelente documentário de que todos os alunos gostaram: Vou Rifar Meu Coração (2011; 1h19m).

Depois, houve um consenso que, desde a música brega, passando pela música caipira, até os raps e os funks (“ostentação”), nesses gêneros musicais há uma expressão emocional que fala diretamente ao coração. Não há metáforas indiretas ou poesia academicista. É porrada! Direto ao ponto! Dedo nas feridas!

Fiquei feliz, mais uma vez, por aprender ensinando. Vários alunos comentaram que passarão a assistir filmes e escutar músicas de outra maneira, depois deste curso, apreciando suas mensagens. Disseram-me que antes “não davam bola para filmes brasileiros e tinham preconceitos em relação a diversos gêneros musicais populares”. Aprenderam desde já, assim como eu aprendi ao longo de minha vida, a ter empatia com pessoas aparentemente distintas de nós, mas “tudo carne-e-osso” como nós!

Tomo os seguintes exemplos, dados pelos estudantes, de um gênero musical que eu, praticamente, não conhecia — a da música caipira. Adorei a estória — “não sei porque” 🙂 — da música sobre a causa judicial entre os mineiros e os paulistas descendentes dos italianos: Continue reading “Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros”

Mulheres como Protagonistas

Recebi um convite interessantes de Davi Carvalho, o designer/coordenador do novo Portal do IE-UNICAMP — visite-o: Portal do IE-UNICAMP. Escreverei, mensalmente, um artigo sobre minha experiência docente de reunir Cinema, Literatura e Música para ensinar Economia. Reproduzo o primeiro abaixo.

“Depois de oferecer quatro vezes uma disciplina eletiva no curso de graduação do IE-UNICAMP sob o título Economia no Cinema, em que focalizei o desenvolvimento mundial, ofereci no 1o. semestre de 2017 um curso denominado “Economia no Cinema: Cidadania e Cultura Brasileira”. Seu objetivo foi debater respostas apresentadas pelo cinema nacional e pela MPBE – Música Popular Brasileira sobre Economia à pergunta-chave: que país é este?

Os alunos e eu discutimos a dependência da trajetória brasileira, configurada através das interações entre diversos componentes de um sistema complexo, destacadamente, os direitos da cidadania (civis, políticos, sociais, econômicos e das minorias), conquistados ao longo da História do Brasil. Infelizmente, os deveres educacionais, culturais e comportamentais éticos e democráticos de todos os cidadãos ficaram relegados a segundo plano. Propiciarão essas interações a emergência de uma democracia socioeconômica e política?

O método didático adotado foi debater se as ideias abordadas pelos filmes ou por músicas são representativas (ou não) de distintas interpretações sobre o Brasil, aprendidas por leituras prévias da historiografia brasileira clássica, ou se são expressões de sentimentos populares a respeito de temas econômicos. Assim, estimulados por empatia, os estudantes obtiveram a apropriação intelectual dos temas apresentados. Continue reading “Mulheres como Protagonistas”

Financiamento Público e Regimes de Previdência

INSTITUTO DE ECONOMIA

Maiores Informações: Secretaria de Extensão  (das 09h00 às 21h00)

Fones: (019) 3521-5728 e 3521-5815

E-mail: extensao@eco.unicamp.br  / http://www.eco.unicamp.br

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA E GOVERNO

Financiamento Público e Regimes de Previdência

EMENTA: Modalidades de financiamento do setor público e/ou políticas públicas: arrecadação fiscal, emissão monetária, endividamento ou crédito público. Funções dos bancos públicos: missões sociais e ações comerciais. Reestruturação dos bancos públicos federais. Fontes de financiamento: fundos constitucionais (“parafiscais”), fundos sociais (FGTS, FAT, Fundo Soberano, etc.), captação comercial de funding e operações estruturadas de mercado de capitais. Modalidades de regimes previdenciários: regime geral (INSS), regimes próprios da União, DF, Estados e Municípios brasileiros (para servidores públicos), e regime de Previdência Complementar. Demografia e crise da Previdência Social. Posturas financeiras dos regimes de repartição e de capitalização: Ponzi (INSS), Especulativa (Benefício Definido) e Protegida (Contribuição Definida). FUNPRESP (Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público). Fundos de pensão fechados: papel estratégico no Capitalismo de Estado Neocorporativista. Fundos de pensão abertos (PGBL/VGBL): papel-chave da Previdência Privada na aposentadoria de profissionais com Ensino Superior.

PROFESSOR RESPONSÁVEL: Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

PROGRAMA E BIBLIOGRAFIA BÁSICA: Continue reading “Financiamento Público e Regimes de Previdência”

XXII Encontro Nacional de Economia Política (ENEP)

O Instituto de Economia da UNICAMP recebe o maior evento de Economia Política do Brasil. Mais de mil pessoas, em sua maioria professores e estudantes de Economia,  são esperadas no XXII Encontro Nacional de Economia Política (ENEP) que acontecerá entre os dias 30 de maio e 02 de junho. Leia a Programação e o Caderno de Resumos dos TrabalhosSEP 2017 Caderno de Resumos (p.ex., resumos da sessão abaixo nas páginas 93, 94 e 95).

Downloads dos trabalhos emhttp://www.sep.org.br/downloads

Obs.: veja no dia 2 de junho de 2017, sexta-feira, entre 14-16 horas:Destaco abaixo alguns trabalhos interessantes para leitura:
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Inovações no Ensino

Wow Room” é a primeira sala de aula digital de grandes proporções da Europa. Nela, existem 48 monitores que em um tapete digital de 45 metros quadrados em forma de “U“, que permite a interação com até 60 alunos simultaneamente.

A experiência de aprendizagem na escola de negócios espanhola IE Business School, eleita como o melhor curso de MBA on-line do mundo pelo Financial Times, acontece por meio de:

  1. inteligência artificial,
  2. simulações em tempo real,
  3. análises de “big data“,
  4. robôs interativos,
  5. sistemas de reconhecimento emocional, e
  6. presença de especialistas via hologramas.

O professor consegue interagir como se estivesse em uma sala de aula normal. Olhar o futuro significa investir em inovações tecnológicas como essa. Uma das apostas da escola é crescer no ensino on-line e/ou EAD (Ensino à Distância).

Mais do que incorporar novas tecnologias, se quiserem olhar para a frente, as escolas precisam:

  1. se afastar do conhecimento teórico [isto no caso de cursos de Gestão baseados em “banco de boas práticas” sem fundamentos teóricos] e
  2. focar cada vez mais no treino de comportamentos mentais e competências interpessoais.

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