Rússia: Controle de Grande Território por Líderes Autoritários

Hoje à noite, em meu curso Economia no Cinema 2015, faremos um seminário sobre a Rússia, motivados por ter assistido o filme Alexandre Nevsky. É um épico sobre a vida do príncipe russo Alexander Nevsky que venceu os cavaleiros Teutónicos. Sergei Eisenstein fez uma analogia entre 1242, quando o príncipe pescador Alexander Nevsky da Rússia reage contra a invasão dos teutônicos (alemães), na Batalha do Gelo, e 1938, véspera da II Guerra Mundial, quando a URSS está na iminência de ser atacada por Hitler. Porém, neste ano, Stalin firma o pacto de não-agressão Germânico-Soviético, talvez para ganhar tempo na preparação da defesa militar.

Com este filme, Eisenstein superou (incorporando) o seu trabalho experimental de montagens, partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Após um longo período de fracassos e de uma longa estadia no exterior, este filme trouxe-lhe a glória que há tanto tempo lhe era devida. Neste trabalho conjunto com Sergei Sergeyevich Prokofiev (23 April 1891 — 5 March 1953 — leia  Prokofiev), ele aprofunda-se na integração do som e da imagem. Embora com roteiro ideológico ultranacionalista, é um espetáculo estético de fotografia, posicionamentos da câmara, montagem e trilha sonora. A tela se transforma em arte plástica, quase pictórica.

Leia mais: Revolução no Cinema: O Encouraçado Potemkin; Outubro de 1917 de Sergei Eisenstein

Humberto Saccomandi é Editor Internacional. Publicou artigo (Valor, 08/05/2015) no dia seguinte ao que o líder russo, Vladimir Putin, completou 15 anos no poder, com um breve balanço de sua Era. Ele é satanizado no Ocidente, mas aprovado em seu país. “Os primeiros 15 anos”, ironizam muitos russos, já que ninguém acredita que Putin deixará de dar as cartas em Moscou tão cedo. Ele terá desafios internos, em especial na economia. Mas provavelmente continuará sendo por muito tempo um desafio para o resto do mundo. Continuar a ler

Documentário “Um Sonho Intenso” sobre Desenvolvimentismo em Cartaz

CartazUmSonhoIntenso

Depois de bem recebido pelo publico e pela imprensa no Festival É Tudo Verdade de 2014, o documentário Um sonho intenso, do cineasta José Mariani foi exibido no ano passado em algumas universidades, seguido de debates com professores e alunos, em congressos acadêmicos e em encontros promovidos por centros de estudos e de cultura.

Agora, no mês de abril de 2015 chega finalmente ao circuito de cinema das principais capitais brasileiras, começando por São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Brasília, onde estreia no dia 23 de abril. As exibições serão no Espaço Itaú de Cinema, menos a de Niterói, que acontecerá no Centro das Artes da Universidade Federal Fluminense.

O grande trunfo de Um sonho intenso é sua forma ágil, clara e prazerosa de abordar um tema  a princípio denso e complexo: a história social e econômica do Brasil dos anos 30 aos dias de hoje. Continuar a ler

O Nascimento de uma Nação Racista e a Conquista dos Direitos Civis pelos Afroamericanos

Rodrigo Suzuki Cintra é filósofo e doutor em direito pela USP, leciona na Universidade Mackenzie. Publicou belo artigo-resenha cinematográfica, propiciando conhecimento sobre a História do Cinema e ilustrando as práticas da direita racista. É interessante contrapor o filme “O Nascimento de Uma Nação” ao filme recente “Selma” (2014), que registra os 50 anos de uma conquista real da cidadania: o direito ao voto dos afrodescendentes nos EUA.

Em outros termos, esse direito político só foi conquistado, nos EUA, 100 anos após o fim da Guerra Civil, quando houve lá a extinção da escravidão!

O filme Selma mostra os bastidores da marcha das cidades de Selma até Montgomery, no Alabama, em 1965. O episódio é um momento crucial na luta pelo direito de voto dos negros nos EUA, que não era plenamente garantido até então. “Selma” mostra bem a dificuldade de conciliação das muitas posições antagônicas de cada grupo no evento: governo federal (o texano presidente Lyndon Johnson sucessor de John Kennedy), estadual (o racista George Wallace do Alabama), polícia conservadora local, população racista do Alabama, brancos progressistas que aderiram à luta, movimentos negros que defendiam a violência (Malcom X e os Panteras Negras) e especialmente os ativistas liderados por Martin Luther King Jr.. Foram muitas pequenas vitórias e derrotas até a marcha triunfante.

“O discurso começa mal e termina pior. No entanto, é filme genial e uma das maiores referências da história do cinema. “O Nascimento de uma Nação“, do diretor americano D. W. Griffith (1875-1948), completa cem anos e ainda dá o que falar. A questão gira em torno de uma dupla constatação. Formalmente, do ponto de vista estritamente técnico, o filme é absolutamente inquestionável como referência para a linguagem cinematográfica. Porém, o conteúdo da história narrada é altamente problemático: trata-se de um filme racista.

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Melhores do Ano de 2014


Registro as listas dos “Melhores do Ano de 2014“, na área de entretenimento, no caso, as listas de O Globo. É um incentivo para ver, ler e escutar o que ainda não apreciamos. Embora tenha visto, lido e escutado a maioria, confesso que cada vez menos a “sociedade do espetáculo” me atrai a ponto de sair de casa. Neste ano, o mais atraente nessa área, para mim, foram os acessos domésticos baratos ao que gosto: filmes via Netflix (baixando na internet apenas o que não está nele disponível), livros eletrônicos nos sites da minha lista de “Favoritos” (aba acima), e músicas no imenso acervo do Spotfy — e suas excelentes sugestões para playlists.

Recentemente, pude “fuçar” mais o Spotfy e acessei seu aplicativo “Music of the World“. Você consegue com um clique nos mapas de todos os países uma excelente amostra das músicas locais, classificadas por gênero. Por exemplo, “Desert Blues” de Mali, país do  melódico Ali Farka Touré. É possível escutar toda a diversidade da Música Africana, assim como a Árabe, a Indiana (sitar e tabla), etc., saindo da mesmice!

Outra dica: a partir da elaboração de um post neste modesto blog — Dicas do Trio Música-Literatura-Filme –, conheci a cantora ídiche Chava Alberstein, que canta na abertura do filme Free Zone. Coloquei algumas de suas Yiddish Songs em um playlist no Spotfy que denominei Cabaret. Problema que não consegui resolver: trocar meu nome de usuário no Spotfy. Não sei por que razão, em vez de meu nome Fernando Costa, como está no Facebook, fiquei registrado com o número 12142604272, tal como um prisioneiro sem identidade. Quem quiser acessar minhas playlists (e compartilhar dicas não comerciais), sugiro pesquisar tal número.

Tem também no Spotfy, entre outros, um aplicativo denominado “Rolling Stones Recommends“. Gosto de me orientar por listas de críticos, colocando-as em playlists ou descartando-as conforme meu gosto, é claro… Continuar a ler

Filmografia Completa de Almodóvar

Almodóvar - Obras Completas

Deu-me vontade de rever pela enésima vez a filmografia de Pedro Almodóvar — a ser apresentada na XXXVIII Mostra Internacional de Cinema de São Paulo — ao ler Pedro Butcher (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 10/10/14) que resume, sumariamente, sua biografia. Quem ainda não o (re)viu, sugiro ler (e escutar) antes os seguintes posts, além do link acima em seu nome:

Las Canciones de Almodóvar

Metamorfose Ambulante: A Pele que Habito do Pigmaleão Almodóvar

“Nascido na pequena e conservadora cidade de La Mancha, em 1949, Pedro Almodóvar Caballero mudou-se para Madri em 1968. Começou a fazer cinema após comprar uma câmera Super-8 com o dinheiro que conseguiu economizar como funcionário de uma companhia telefônica. Filho legítimo da “movida madrileña”, movimento boêmio e de contracultura que marcou a cidade de Madri após a ditadura franquista, Almodóvar realizou, entre 1974 e 1978, dezenas de curtas e um longa-metragem em Super-8, todos exibidos apenas em bares ou na casa de amigos. Fez parte também do grupo musical Almodóvar & McNamara (há registros, no YouTube, de apresentações de hits como “Suck It to Me” e “Voy a Ser Mamá”). Seu primeiro longa distribuído comercialmente na Espanha foi “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão“, de 1980. Continuar a ler

Privatizações: a Distopia do Capital (2014)

O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital.

Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.

Sem Rótulos, Sem Discursos de Ódio

No dia do meu aniversário, desejo que eliminemos os rótulos e tenhamos empatia. Talvez, com isso, conseguiremos abandonar o Discurso de Ódio

Não criminalizemos a priori “figuras sociais”, independentemente, de (des/re) conhecermos cada indivíduo. Para a conquista de direitos civis, políticos, sociais e econômicos foi (e é) necessário reconhecer o direito do outro ser… outro! Sem ódio pessoal a ele — ou ódio dele por ti.

Chega de ser antissemita, antirrentista, anticomunista, antipetista, antiaborto, antiateu, antirracional, antiético. Sejamos apenas antirracistas e antihomofóbicos!

Vamos nos definir pelo positivo e não optar só pela negação!

Post-Scriptum:

Façamos o debate político-eleitoral sem vitimação. Não consideremos “coitadinha” aquela que busca tornar(-se) vítima, sacrificar(-se), imolar(-se), no caso, por ter passado a eleição de 2010 sem receber nenhum contraditório ao seu discurso leviano (superficial) por parte dos adversários, pois contavam com os votos dos seus eleitores no segundo turno, e agora se choca com o confronto de ideias antagônicas. Quem agride aos concorrentes com calúnias e injúrias — e depois passa a fazer-se de vítima, lastimar-se como vítima — possui uma falsa moralidade…