Leituras de Cabeceira: Arte do Roteiro

Os hábitos mudam. A substituição de ver poucos lançamentos de filmes bons no circuito comercial por assistir muitos filmes on demand em streaming, na residência, em especial séries de TV, leva a se debater menos os filmes. Hoje, só se dá dicas de séries no Netflix. Meu papel de resenhador ou explicador está desaparecendo! Snif, snif

Percebi isto ao examinar meus posts-resenhas sobre filmes vistos no circuito comercial. Diminuiu muito a frequência quase semanal de antes. Em 2017 e 2018, quase não assisti grandes filmes na telona. No ano passado, só me lembro do Bohemian Rhapsody, aliás, premiado com o Globo de Ouro. Será, depois do golpe, eu ter entrado em estado misantropia, agravado com a eleição de 2018?

Misantropia é ódio pela humanidade, falta de sociabilidade, melancolia, depressão, tristeza. Talvez seja o que está sendo chamado de “melancolia da esquerda”…

Como passatempo comemorativo do aniversário deste modesto blog pessoal, resolvi reordenar e/ou classificar o aqui já escrito sobre a Arte dos Roteiros. Essa releitura para mim foi muito prazeirosa: verifiquei em meus comentários sobre os filmes ter aprendido os contextualizar. Permitiram-me um crítica de costumes sociais.

Revendo os roteiros — sim, porque muitas imagens voltam à mente –, admirei mais um pouquinho a arte de contar estórias. Todo o ser humano culto gosta de uma boa história.

Experimente sentir o mesmo prazer com a leitura sentido por mim ao organizar esta compilação comemorativa dos 9 anos do Blog Cidadania & CulturaFernando Nogueira da Costa – Leituras de Cabeceira – Arte do Roteiro

O Abraço da Serpente

Assisti no aplicativo Telecine este filme argentino-colombiano-venezuelano, totalmente original, cujos protagonistas são nativos da América pré-colombiana. INDICADO AO OSCAR 2016: FILME ESTRANGEIRO. Passa-se na Amazônia colombiana. O último sobrevivente de uma tribo trabalha com dois exploradores estrangeiros ao longo de 40 anos. Juntos, supostamente, eles buscam “uma rara planta medicinal”.

Karamakate, outrora um poderoso xamã da Amazônia, é o último sobrevivente de seu povo. Vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva.

Os anos de solidão absoluta o tornam vazio, privado de emoções e memórias. Sua vida sofre uma reviravolta quando chega ao seu esconderijo remoto Evan, um etnobotânico alemão em busca da Yakruna, uma poderosa planta capaz de ensinar a sonhar.

O xamã decide acompanhar o estrangeiro em sua busca. Juntos embarcam em uma viagem ao coração da selva amazônica, onde passado, presente e futuro se confundem, fazendo-o aos poucos recuperar suas memórias. Essas lembranças trazem uma dor profunda capaz de libertar Karamakate quando ele transmitir o conhecimento ancestral que antes parecia destinado a perder-se para sempre.

Com essa narrativa on the road (em canoa por afluentes amazônicos) o filme com belíssima fotografia preto-e-branco vai fazendo comentários sobre a cultura de posse dos brancos e desapropriação da cultura nativa. O contexto é o da Guerra Mundial quando o extrativismo estrangeiro da borracha levava a escravidão ou a morte aos nativos

Em tempos de assassinato coletivo em plena Igreja Católica e assédio sexual, estupro, crime com base no constrangimento a relações sexuais por meio de violência ou grave ameaça religiosa, violação, ou qualquer ato libidinoso contra a vontade da vítima, em nome de João de Deus, recomendo a reflexão.

Veja emO Abraço da Serpente