Economia no Cinema 2020

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE ECONOMIA

CURSO DE GRADUAÇÃO

CE- 858 – TÓPICOS ESPECIAIS DE ECONOMIA III –
“ECONOMIA NO CINEMA” (ELETIVA)

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa: fercos@unicamp.br

AVISO IMPORTANTE – a Resolução 35/2020 da reitoria da Unicamp (24/03/2020) expressou:

“Fica recomendado que, quando possível, as disciplinas tenham continuidade integral ou parcial com o emprego de estratégias de aprendizagem não presenciais.

§ 2º – Os planos de estudos das disciplinas, incluindo a atuação de PADs e PEDs e BAS, se for o caso, deverão ser encaminhados à Pró-Reitoria de Graduação para documentação e apresentação posterior aos órgãos correspondentes.”

Planejo como emprego de estratégias de aprendizagem não presenciais encomendar aos alunos a leituras e resenha do livro-apostila “Economia em Documentários”, com o conteúdo das cinco partes do curso.

Esse método fica mais flexível para cada aluno alocar seu tempo. A interação digital com “aulas à distância” com simultaneidade de horários, sem constituir uma real EaD sob demanda com recursos gráficos e gravação profissional, parece ser muito dispersiva.

Nos links abaixo poderá baixar os cinco livros a serem lidos, caso deseje aumentar o conhecimento. O primeiro é para ser resenhado (clique no link para baixar) e instrução de como escrever resenhas — 4 páginas são suficientes:

Como Escrever Resenhas

Fernando Nogueira da Costa – Economia em Documentários – Coletânea de Textos para Discussão em Seminários

NIALL FERGUSON – Civilização: Ocidente X Oriente.epub

DANIEL YERGIN – A Busca: Energia, Segurança e Reconstrução do Mundo Moderno.epub

FERGUSON, Niall – A Ascensão do Dinheiro.pdf / A Ascensão do Dinheiro.epub

RAY DALIO – Crise da Grande Dívida.pdf

Ainda não consegui me comunicar com todos os alunos. Favor avisar aos seus colegas sobre essa possibilidade.

Solicitei à Coordenação da Graduação a aprovação desse Plano de Estudos substituir, para quem escrever a resenha, a exigência de frequência em aulas, sejam presenciais, sejam virtuais.

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Parasita

Esta resenha escrita por Pedro Butcher (Valor 08/11/2019) contém spoiler. Porém, eu a reproduzo abaixo para quem já assistiu o inusual filme — mistura de gêneros com comentários sociais críticos — e como recomendação de assistir para quem ainda não teve a oportunidade de assisti-lo.

“Vivemos um tempo de extremos, não muito apropriado às sutilezas. Se polarizações demandam paciência para manter a sanidade, exigem, também, um posicionamento. É preciso saber de que lado se está.

Um ambiente assim representa um desafio especial para quem trabalha com cinema. Não deixa de ser extremamente significativo que, em 2019, o circuito comercial tenha recebido três filmes com respostas à altura para os desafios de tempos extremos: o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; o americano “Coringa”, de Todd Philips, e, agora, o coreano “Parasita”, de Bong Joon-ho.

São trabalhos que não podem ser propriamente chamados de sutis, mas que, dentro de um quadro que exige uma tomada de posição evidente, as sutilezas se fazem ver de outras maneiras.

“Bacurau”, “Coringa” e “Parasita” são “diretos” e “simples” no que querem dizer e, ao mesmo tempo, complexos em suas estruturas. Em alguns momentos, chegam a causar espanto detalhes que os filmes trazem em comum, como certos traços de comportamento de personagens, a importância que os objetos ganham na narrativa, o uso pontual da música e, no caso dos filmes brasileiro e coreano, as referências aos EUA. Todos são também atualíssimos, mas recorrendo a um fazer cinematográfico que remete a outra época (os anos 70, em especial).

O mais forte elo entre os filmes é uma visão política que aborda, de maneiras distintas, a luta de classes. Em “Parasita”, tudo começa quando o jovem filho de uma família pobre consegue trabalho como professor particular de uma jovem filha de família rica. A família pobre, cujos pais estão desempregados e os filhos estão fora da universidade por falta de dinheiro, aos poucos passa a fazer parte do corpo de empregados da família rica. Continuar a ler

Origens dos EUA, o Coringa e o Ocaso da Supremacia Branca (por Franklin Frederick)

«Nas raízes do capitalismo encontram-se não apenas a escravidão e a supremacia branca, mas também o ‘ethos’ do gangster.» (Gerald Horne)

O filme ‘Coringa’ apresenta um fenômeno contemporâneo presente em vários países, mas que só pode ser compreendido em sua complexidade através da história das origens dos EUA.

O historiador Afro-Americano Gerald Horne argumenta no livro ‘The Counter- Revolution of 1776: Slave Resistance and the origins of the United States of America’ que o movimento pela independência dos EUA nasceu, por um lado, do receio das classes ricas da colônia de um crescente movimento abolicionista na metrópole, a Inglaterra, que poderia acabar com a base de sua riqueza – os escravos. Por outro lado, a Inglaterra também impedia o avanço dos colonos para o oeste, que deveria permanecer como território indígena. Para Horne, a guerra pela independência dos EUA  foi em parte uma ‘contra-revolução’ liderada pelos ‘pais fundadores’ com o objetivo de preservar o seu direito de escravizar outros povos, sobretudo africanos, e de continuar a expandir a jovem nação para o oeste, roubando mais terras dos povos indígenas onde implantar mais trabalho escravo.

Em um outro livro, ‘The Apocalypse of Settler Colonialism: The Roots of Slavery, White Supremacy and Capitalism in 17th Century North America and the Caribbean’, Horne resumiu assim este processo:

«(…) em 1776, eles (os pais fundadores ou a elite econômica da colônia) deram o último golpe e exibiram o seu novo patriotismo ao expulsar Londres (o poder colonial) das colônias ao sul do Canadá, convencendo os iludidos e ingênuos – até hoje – de que esta pura manobra para se apossar de terras, escravos e lucro tenha sido de alguma maneira um grande salto adiante para a humanidade.»

Neste contexto ocorreu um outro processo de relevância fundamental para os dias de hoje: o nascimento do poderio militar dos EUA. O exército dos EUA teve sua origem na guerra pela independência contra os britânicos, que foi também uma guerra contra a imensa maioria de escravos africanos que se aliaram ao Império Britânico – que prometeu a sua liberdade – e contra os muitos povos indígenas que também se aliaram aos britânicos – conscientes do que viria à seguir para eles assim que a nova república se tornasse independente. E com efeito, logo após a vitória contra os britânicos e a paz estabelecida, o recém criado exército dos EUA  engajou-se em sua nova tarefa: a guerra genocida contra os povos indígenas para garantir a expansão territorial da nova república. Continuar a ler

Alegoria a um Populista de Direita

Confira cenas do filme ‘Silvio e os Outros’

Agora, quando estamos convivendo novamente com a cultura brega de um populista de direita ocupante do cargo maior da República, vale assistir o filme do cineasta italiano Paolo Sorrentino com espécie de alegoria à biografia do ex-primeiro-ministro e magnata das telecomunicações Silvio Berlusconi.

Silvio e os Outros”  é o título no Brasil para o original franco-italiano: “Loro“.

Suas festas “bunga-bunga”, com multidões de prostitutas  seminuas, parecem moldadas para as sequências em câmera lenta de hedonismo e exuberância visual pelas quais o diretor ganhou fama com “A Grande Beleza”, vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2014.

Originalmente dividido em duas partes, foram reunidas em 151 minutos (2:30 h) na cópia disponível na web. Cobre o período entre 2006 e 2010, um ano antes de Berlusconi renunciar ao segundo mandato como primeiro-ministro.

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Documentário Imperdível: Longe da Árvore

Assisti em São Paulo e considero imperdível o documentário “Longe da Árvore“. Todos cidadãos terão um ganho em humanidade se o assistirem.

Com dezenas de prêmios no currículo, o autor nova-iorquino Andrew Solomon foi diagnosticado com dislexia na infância. Na época, o pequeno Andrew contou com toda a atenção e dedicação de sua abastada família para tratar o transtorno. Mas tudo mudou durante a adolescência, quando o escritor assumiu sua homossexualidade. “Minha mãe imaginava que seu primeiro filho seria parte do grupo dominante, uma criança popular na escola, atlética, sem conflitos com o mundo e basicamente convencional”, diz. “E, ao contrário, ela teve a mim”.

Para entender os conflitos entre as expectativas de pais e filhos, o autor mergulhou por uma década no universo da diversidade, chegando a entrevistar mais de 300 famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. Surdosanões, portadores de síndrome de Downautistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, crianças prodígios, filhos concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores. Sua extensa pesquisa sobre as mais diversas famílias deu origem ao livro Longe da árvore: pais, filhos e a busca da identidade, publicado em 24 idiomas e premiado mais de 50 vezes, nacional e internacionalmente.

Uma adaptação documental da obra chegou aos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro de 2019. Ele também está disponível para pré-venda no iTunes com preço especial.

“Eu gostaria de pensar que o filme traz uma mensagem não apenas de tolerância, mas de admiração por pessoas diferentes”, afirma Solomon. “Trata de resiliência, claro, mas fala ainda mais profundamente da grande questão de ter uma sociedade que em sua totalidade acolhe várias experiências humanas”.

O documentário Longe da árvore é dirigido e produzido pela vencedora do Emmy® Rachel Dretzin e conta com todos os recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva: legenda descritiva, audiodescrição e libras.

São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre teve sessões gratuitas até o dia 22 de setembro. Espectadores paulistanos e cariocas ainda foram brindados com sorvetes oferecidos pela Ben&Jerry’s. A ação é um oferecimento da distribuidora Flow, em parceria com a Diageo, o Instituto Alana, A Taba e Cia das Letras, com apoio institucional da ONU, por meio da campanha Livres & Iguais e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Leia mais: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,documentario-com-andrew-solomon-traz-pais-e-filhos-em-busca-da-identidade,70003017390

Sumário e Prefácio de Longe da Árvore

Hollywood há 100 anos conta as mesmas seis histórias

 

“Críticos culturais, estudiosos da narrativa, professores de oficinas de escrita criativa e demais especialistas no tema não chegam a um acordo sobre quantas são (três?, cinco?, sete?). Mas todos assumem que, ao menos em nosso âmbito, o da cultura ocidental, há uma série de tramas básicas, esquemas narrativos ou meta-argumentos. Neles se encaixam quase todas as ficções contemporâneas, dos romances ao cinema, passando pelo teatro, as séries e até mesmo a ópera.

Hollywood, em especial, costuma ser acusada, não sem fundamento, de usar e reciclar deliberadamente esses padrões básicos, essas histórias contadas milhões de vezes. Combina-os, amadurece-os, enriquece-os e os serve de novo como se fossem pratos recém-cozidos, e não um guisado rançoso feito de sobras roídas até a náusea.

Já os formalistas russos, encabeçados por um dos pais do moderno estudo da narrativa, Vladimir Propp, insistiam em que a frase do Eclesiastes, “nada novo sob o sol”, é tão desanimadora quanto exata. A originalidade é uma pretensão ingênua e vazia. Tudo já foi inventado. Após milênios de tradição narrativa, seja oral, escrita ou audiovisual, todas as histórias essenciais já foram contadas, e a única coisa que resta é combiná-las e refiná-las, se possível de um jeito criativo.

Propp distinguia 31 funções narrativas básicas, ou seja, 31 elementos concretos. Combinados entre si, servem de base ou de estrutura profunda a qualquer narração. Da combinação entre estes elementos sairiam todas as meta-histórias concebíveis.

Depois de repassar de maneira superficial o que se escreveu a respeito, chegamos à conclusão (provisória, claro, pois o tema é complexo e não se esgota em um par de parágrafos) as seis abaixo são as que o cinema em geral, e Hollywood em particular, vem nos contando toda vez, lá se vai mais de século. Continuar a ler

World Music de Almodóvar

Em 11 de dezembro de 2007, Pedro Almodóvar convocou uma coletiva de imprensa no Museu Reina de Sofía em Madri para celebrar o lançamento do CD duplo B.S.O. Almodóvar (Banda Sonora Original, trilha sonora original) durante o qual ele também anunciou início de filmagem para seu décimo sétimo filme, Los abrazos rotos / Broken Abraços Partidos (2009).

Como sua audiência já não tivesse notado a consistente imbricação de música e cinema, música e história, em seu corpo de trabalho, o diretor chamou atenção para esta ligação em suas palavras de apresentação: “Las canciones en mis películas filho parte esencial del guión. . . Tienen una função drámatica y narrativa, son tan descriptivas como los colores, la luz, los decorados, o los diálogos” (As canções nos meus filmes são uma parte essencial do roteiro. Elas têm uma função dramática e narrativa; elas são tão descritivas quanto o uso de cor, iluminação, cenário ou diálogo) (Almodóvar 2007).

Em vez de tentar ilustrar a precisão desses comentários, o objetivo deste capítulo do livro A Companion to Pedro Almodóvar (First Edition. Edited by Marvin D’Lugo and Kathleen M. Vernon. Blackwell Publishing Ltd. Published; 2013) é explorar os contornos globais dos textos e contextos do universo criativo Almodovariano maior, focando menos no filmes em si em lugar do chamado por Kathleen M. Vernon de discografia de Almodóvar.

Portanto, o Almodóvar estudado por Vernon não é o cineasta contemporâneo de um Lars von Trier, Quentin Tarantino ou Gus Van Sant, mas em vez disso é o músico-produtor-transcultural empresário, cujos companheiros praticantes são Ry Cooder, Paul Simon e David Byrne ou mesmo um colaborador acidental de Almodóvar, Caetano Veloso.

Este modelo do empreendedor cultural também lembra as comparações de longa data entre Almodóvar e Andy Warhol. Este, em seus múltiplos papéis de “pintor e escultor, promotor de rock, produtor de cinema, anunciante, starmaker e stargazer” é descrito por Juan A. Suárez como uma “versão do chamado por Walter Benjamin de ‘autor como produtor’: um trabalhador cultural atuante não apenas no conteúdo artístico, mas nos meios culturais de produção” (2006: 217) .

B.S.O. Almodóvar foi, de fato, a terceira parcela na discografia do diretor, iniciado em 1997 com Las canciones de Almodóvar (Hispavox) e seguido em 2002 de Viva la tristeza (Edições Milan Music). Não estão incluídos nesta lista os “oficiais” lançamentos de álbuns de trilha sonora. Começam com a pontuação de Ennio Morricone para ¡Átame! / Amarre-me! Me amarre! (1990) conseguiram vendas crescentes e desde La flor de mi secreto / A Flor do Meu Segredo (1995), a primeira colaboração entre Almodóvar e compositor Alberto Iglesias, atenção crítica positiva e múltipla nomeações de prêmios para o último.

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Músicas nos Filmes de Pedro Almodovar: Maturidade Artística

A terceira fase se inicia em 1997, com “Carne Trêmula“, e mostra Almodóvar em sua maturidade. Três dos filmes lançados desde então são considerados obras-primasː Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Volver.

Carne trêmula (1997)

Ver artigo principal: Carne trémula

“Carne Trêmula” explora amor, perda e sofrimento com um sistema de retenção sóbrio apenas brevemente vislumbrado em trabalhos anteriores do diretor. O filme conta a história de vários personagens envolvidos em cada um dos outros destinos de formas que estão além de seu controle. “Carne Trêmula” é, historicamente, moldado a partir de 1970, quando Franco decretou estado de emergência, até 1996, quando a Espanha estava completamente abalada fora das restrições do regime de Franco. Com este filme, Almodóvar iniciou a sua colaboração com Penélope Cruz.

Tudo Sobre Minha Mãe (1999)

Ver artigo principal: Todo sobre mi madre

Almodóvar, em seguida, continuou a trabalhar em mais sérios limites dramáticos, dirigindo “Tudo Sobre Minha Mãe” (Todo sobre mi madre). O filme surgiu de uma breve cena em “A Flor do Meu Segredo”, contando a história de uma mãe de luto que, depois de ler a última entrada no diário de seu filho morto sobre como ele quer conhecer seu pai pela primeira vez, decide viajar a Barcelona em busca do pai do menino. Ela deve dizer ao pai que teve seu filho depois que ela deixou há muitos anos, e que ele já morreu. Uma vez lá, ela encontra uma série de caracteres estranhos – uma travesti, uma freira grávida, e uma atriz lésbica – tudo de quem ajudá-la a lidar com sua dor. O filme é levemente inspirado e A Malvada, estrelado por Bette Davis, declaradamente um dos filmes preferidos de Almodóvar.

Fale com Ela (2002)

Ver artigo principal: Hable con ella

Dois anos depois, Almodóvar atingiu outro auge de sua carreira com Fale com Ela. O filme gira em torno de dois homens que se tornam amigos enquanto cuidam das mulheres que eles amam, que estão em estado de coma. Suas vidas seguem fluxos em todas as direções, passado, presente e futuro, puxando-os para um destino inesperado. Combinando elementos de dança moderna e do cinema mudo, com uma narrativa que envolve coincidência e destino, o filme foi aclamado internacionalmente pela crítica e pelo público.

Má Educação (2004)

Ver artigo principal: Má Educação

“Má Educação” (La mala educación), é um conto barroco sobre abuso sexual de crianças e identidades mistas. Duas crianças, Ignacio e Enrique, descobrem o amor, o cinema e o medo num colégio religioso no início dos anos 1960. Padre Manolo, o diretor da escola e seu professor de literatura, é testemunha e parte dessas descobertas. Os três personagens se encontram mais duas vezes, no final da década de 1970 e na década de 1980. Trata-se de um dos roteiros mais complexos de Almodóvar, com uma série de digressões, paralelismos e retomadas.

Volver (2006)

Ver artigo principal: Volver

Volver é uma mistura de comédia, drama, família e história de fantasmas. O filme começa mostrando dezenas de mulheres esfregando furiosamente os túmulos de seus mortos, que institui a influência dos mortos sobre os vivos como um tema chave. O enredo segue a história de três gerações de mulheres da mesma família que sobrevivem ao fogo, ao vento e até mesmo à morte. O filme é uma ode à resistência feminina, onde os homens são, literalmente, descartáveis. Junto com Fale com ela e Tudo Sobre Minha Mãe, Volver representa o ponto alto da carreira do diretor.

A Vereadora Antropófaga (2009)

Curta-metragem retirado do filme Abraços Partidos, é um monólogo de uma mulher narrando suas perversões sexuais. No filme, Almodóvar adota os pseudônimos “Harry ‘Huracán’ Caine” para assinar os créditos e “Mateo Blanco” para assinar a direção.[carece de fontes] No Brasil, o curta foi lançado como “extra” no DVD de Abraços Partidos.

Abraços Partidos (2009)

Ver artigo principal: Los abrazos rotos

Trata-se do mais longo e caro filme do diretor. A trama segue o destino trágico de um diretor de cinema que ficou cego em um acidente de carro quatorze anos antes. O filme tem uma estrutura fragmentada, enigmática, misturando passado e presente e filme dentro de um filme que Almodóvar, recursos que o diretor explorou anteriormente em Má Educação. Abraços Partidos é uma homenagem ao ofício de fazer filmes e tem algumas incursões pelo cinema de Roberto Rossellini e por Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, do próprio Almodóvar.

A Pele que Habito (2011)

Ver artigo principal: La piel que habito

Criatividade, identidade e sobrevivência, temas frequentes nos filmes de Almodóvar dão uma reviravolta inesperada em “A Pele que Habito”, seu 13º filme, que representa sua primeira incursão no gênero horror. O filme se centra em Vera, Elena Anaya, uma bela mulher mantida em cativeiro por um cirurgião plástico amoral que realiza experimentos em sua pele, encontrando, na Arte, um refúgio para enfrentar o horror que estava passando. O médico é interpretado por Antonio Banderas, que se reúne com o diretor 21 anos após um longo período de colaboração, no início da carreira de ambos. Na lista de personagens almodovarianos do filme, estão uma dona de casa e carcereira cheia de segredos, um violentador usando uma fantasia de tigre e um médico que está mentalmente perturbado pela morte da filha. O filme lança mão de diversos elementos do cinema noir, tais quais a fotografia e a predominância de tons sorumbáticos.

Os Amantes Passageiros (2013)

Ver artigo principal: Os Amantes Passageiros

Terminado de rodar no início de setembro de 2012, o filme estreou na primavera europeia de 2013 (outono no hemisfério sul). O roteiro, inspirado nos anos 1990, é de uma comédia aos moldes de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, sendo estrelado por Cecilia Roth. O filme, totalmente filmado no interior de um avião que, após problemas técnicos, sobrevoa os céus da Espanha sem capacidade para pousar com segurança, é uma metáfora para um país em crise e com destino incerto, que é a situação espanhola atual.

Julieta (2016)

Ver artigo principal: Julieta

Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte) é uma mulher de meia-idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Entretanto, um encontro fortuito na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Ela resolve se mudar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri, e lá começa a escrever uma carta para a filha relembrando o passado entre as duas.

Dor e Glória (2019)

Data de lançamento 13 de junho de 2019 (1h 52min)

Direção: Pedro Almodóvar

Elenco: Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia mais

Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema.

Músicas nos Filmes de Pedro Almodovar: Consagração Internacional

II – Consagração internacional: segunda fase com carreira internacional do diretor.

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988)

Ver artigo principal: Mujeres al borde de un ataque de nervios

Este foi o primeiro grande sucesso almodovariano. A comédia estrelada por Carmen Maura, Antonio Banderas e Rossy de Palma, conta os detalhes de um período de dois dias na vida de Pepa (Carmen Maura) uma dubladora profissional de filmes que foi abruptamente abandonada por seu amante casado e que freneticamente tenta localizá-lo. No curso de sua busca, ela descobre alguns de seus segredos, e percebe seus verdadeiros sentimentos. O filme lançou Almodóvar para fora da Espanha, sendo indicado como o melhor filme estrangeiro no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.

Ata-me! (1990)

Ver artigo principal: Ata-me!

O próximo filme de Almodóvar, marcou o rompimento com a sua atriz de referência, Carmen Maura, e o início de uma frutífera colaboração com outra grande atriz do cinema espanhol e europeu: Victoria Abril. Atame! também foi a quinta colaboração e mais importante do diretor com Antonio Banderas. Ricky (interpretado por Antonio Banderas) é um paciente psiquiátrico recém-liberado que sequestra e mantém como refém uma atriz (interpretada por Victoria Abril), a fim de fazê-la se apaixonar por ele. Ao invés de preencher o filme com muitos personagens, como em seus filmes anteriores, aqui a história centra-se na relação entre os dois: a atriz e seu sequestrador literalmente lutando por poder e por amor.

De Salto Alto (1991)

Ver artigo principal: Tacones lejanos

“De Salto Alto” é construído em torno da relação entre uma mãe egocêntrica, uma famosa cantora, e a filha crescida que ela abandonou quando criança e que agora trabalha como apresentadora de televisão. A filha se casou com o ex-amante de sua mãe. Canções populares, sempre um elemento chave na obra de Almodóvar, nunca estiveram tão presentes do que neste filme repleto de boleros.

Kika (1993)

Ver artigo principal: Kika

Depois da intensidade melodramática de “De Salto Alto”, Almodóvar deu outra reviravolta em sua carreira, rodando um dos seus filmes mais inclassificáveis​​: Em Kika, cada personagem pertence a um gênero de filme diferente, gerando assim um filme muito livre e heterodoxo. O enredo centra-se em Kika, uma maquiadora habilidosa e de bom coração, que se envolve com um velho escritor americano expatriado e seu enteado desnorteado. Um repórter de televisão sensacionalista segue as desventuras de Kika.

A Flor do Meu Segredo (1995)

Ver artigo principal: La flor de mi secreto

Em “A Flor do Meu Segredo”, o diretor explora o melodrama como um tema, e não como enredo. Na obra, uma romancista de sucesso que tem de enfrentar tanto uma crise profissional e pessoal. O filme marcou a transição da fase mais agitada, no início da carreira de Almodóvar, para o momento mais maduro artisticamente. Contudo, o filme não foi bem recebido pela crítica, sendo uma das obras menos conhecidas do diretor espanhol.