Geração da Riqueza

Lauren Greenfield retrata o Império Americano ao capturar uma série de reportagens fotográficas de uma cultura materialista, workaholic e obcecada por imagens. Ensaio simultaneamente autobiográfico e histórico, o filme testemunha a globalização do “sonho americano corrompido” (e corruptor) e os custos pessoais do capitalismo em estágio avançado, vivenciado em torno de narcisismo e ganância.

Nos últimos 25 anos, a aclamada fotógrafa e cineasta Lauren Greenfield (A Rainha de Versalhes, Magra, crianças + dinheiro, #likeagirl) viajou o mundo, documentando com precisão etnográfica e a sensibilidade de um artista uma vasta gama de movimentos e momentos culturais. No entanto, depois de tanto buscar e pesquisar, ela percebeu que muito de seu trabalho apontava para um fenômeno unificador: a cultura da riqueza.

Com seu novo filme, Generation Wealth, ela junta as peças do trabalho de sua vida em uma investigação incendiária sobre as patologias vivenciadas na sociedade mais rica do mundo. Abrangendo consumismo, beleza, gênero, mercantilização do corpo, envelhecimento e muito mais, Greenfield criou um conto de advertência abrangente sobre uma cultura indo direto para o precipício.

Generation Wealth é, simultaneamente uma jornada profundamente pessoal, ensaio histórico rigoroso e exposição de fatos lamentáveis e espantosos, testemunha a evolução das gerações desde o início da Era Neoliberal, no governo Reagan nos anos 80. Levanta a hipótese do fim do padrão-ouro ter levado ao excesso de consumismo pela facilidade de endividamento e multiplicação do dólar.

Observa de perto (e entrevista) pessoas cujo o desejo por prosperidade pessoal, seja pela venda do corpo, seja pela venda da moral, se tornou a força motriz e o objetivo principal de suas vidas.

Esse documentário chocante, com retratos da sociedade norte-americana consumista de dinheiro, sexo e status, mostra o pesadelo emergente de “o sonho americano”, exportado para os neocolonizados culturalmente. Encontra-se na Amazon Prime. Imperdível!

Economia no Cinema 2020

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE ECONOMIA

CURSO DE GRADUAÇÃO

CE- 858 – TÓPICOS ESPECIAIS DE ECONOMIA III –
“ECONOMIA NO CINEMA” (ELETIVA)

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa: fercos@unicamp.br

AVISO IMPORTANTE – a Resolução 35/2020 da reitoria da Unicamp (24/03/2020) expressou:

“Fica recomendado que, quando possível, as disciplinas tenham continuidade integral ou parcial com o emprego de estratégias de aprendizagem não presenciais.

§ 2º – Os planos de estudos das disciplinas, incluindo a atuação de PADs e PEDs e BAS, se for o caso, deverão ser encaminhados à Pró-Reitoria de Graduação para documentação e apresentação posterior aos órgãos correspondentes.”

Planejo como emprego de estratégias de aprendizagem não presenciais encomendar aos alunos a leituras e resenha do livro-apostila “Economia em Documentários”, com o conteúdo das cinco partes do curso.

Esse método fica mais flexível para cada aluno alocar seu tempo. A interação digital com “aulas à distância” com simultaneidade de horários, sem constituir uma real EaD sob demanda com recursos gráficos e gravação profissional, parece ser muito dispersiva.

Nos links abaixo poderá baixar os cinco livros a serem lidos, caso deseje aumentar o conhecimento. O primeiro é para ser resenhado (clique no link para baixar) e instrução de como escrever resenhas — 4 páginas são suficientes:

Como Escrever Resenhas

Fernando Nogueira da Costa – Economia em Documentários – Coletânea de Textos para Discussão em Seminários

NIALL FERGUSON – Civilização: Ocidente X Oriente.epub

DANIEL YERGIN – A Busca: Energia, Segurança e Reconstrução do Mundo Moderno.epub

FERGUSON, Niall – A Ascensão do Dinheiro.pdf / A Ascensão do Dinheiro.epub

RAY DALIO – Crise da Grande Dívida.pdf

Ainda não consegui me comunicar com todos os alunos. Favor avisar aos seus colegas sobre essa possibilidade.

Solicitei à Coordenação da Graduação a aprovação desse Plano de Estudos substituir, para quem escrever a resenha, a exigência de frequência em aulas, sejam presenciais, sejam virtuais.

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Parasita

Esta resenha escrita por Pedro Butcher (Valor 08/11/2019) contém spoiler. Porém, eu a reproduzo abaixo para quem já assistiu o inusual filme — mistura de gêneros com comentários sociais críticos — e como recomendação de assistir para quem ainda não teve a oportunidade de assisti-lo.

“Vivemos um tempo de extremos, não muito apropriado às sutilezas. Se polarizações demandam paciência para manter a sanidade, exigem, também, um posicionamento. É preciso saber de que lado se está.

Um ambiente assim representa um desafio especial para quem trabalha com cinema. Não deixa de ser extremamente significativo que, em 2019, o circuito comercial tenha recebido três filmes com respostas à altura para os desafios de tempos extremos: o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; o americano “Coringa”, de Todd Philips, e, agora, o coreano “Parasita”, de Bong Joon-ho.

São trabalhos que não podem ser propriamente chamados de sutis, mas que, dentro de um quadro que exige uma tomada de posição evidente, as sutilezas se fazem ver de outras maneiras.

“Bacurau”, “Coringa” e “Parasita” são “diretos” e “simples” no que querem dizer e, ao mesmo tempo, complexos em suas estruturas. Em alguns momentos, chegam a causar espanto detalhes que os filmes trazem em comum, como certos traços de comportamento de personagens, a importância que os objetos ganham na narrativa, o uso pontual da música e, no caso dos filmes brasileiro e coreano, as referências aos EUA. Todos são também atualíssimos, mas recorrendo a um fazer cinematográfico que remete a outra época (os anos 70, em especial).

O mais forte elo entre os filmes é uma visão política que aborda, de maneiras distintas, a luta de classes. Em “Parasita”, tudo começa quando o jovem filho de uma família pobre consegue trabalho como professor particular de uma jovem filha de família rica. A família pobre, cujos pais estão desempregados e os filhos estão fora da universidade por falta de dinheiro, aos poucos passa a fazer parte do corpo de empregados da família rica. Continuar a ler

Origens dos EUA, o Coringa e o Ocaso da Supremacia Branca (por Franklin Frederick)

«Nas raízes do capitalismo encontram-se não apenas a escravidão e a supremacia branca, mas também o ‘ethos’ do gangster.» (Gerald Horne)

O filme ‘Coringa’ apresenta um fenômeno contemporâneo presente em vários países, mas que só pode ser compreendido em sua complexidade através da história das origens dos EUA.

O historiador Afro-Americano Gerald Horne argumenta no livro ‘The Counter- Revolution of 1776: Slave Resistance and the origins of the United States of America’ que o movimento pela independência dos EUA nasceu, por um lado, do receio das classes ricas da colônia de um crescente movimento abolicionista na metrópole, a Inglaterra, que poderia acabar com a base de sua riqueza – os escravos. Por outro lado, a Inglaterra também impedia o avanço dos colonos para o oeste, que deveria permanecer como território indígena. Para Horne, a guerra pela independência dos EUA  foi em parte uma ‘contra-revolução’ liderada pelos ‘pais fundadores’ com o objetivo de preservar o seu direito de escravizar outros povos, sobretudo africanos, e de continuar a expandir a jovem nação para o oeste, roubando mais terras dos povos indígenas onde implantar mais trabalho escravo.

Em um outro livro, ‘The Apocalypse of Settler Colonialism: The Roots of Slavery, White Supremacy and Capitalism in 17th Century North America and the Caribbean’, Horne resumiu assim este processo:

«(…) em 1776, eles (os pais fundadores ou a elite econômica da colônia) deram o último golpe e exibiram o seu novo patriotismo ao expulsar Londres (o poder colonial) das colônias ao sul do Canadá, convencendo os iludidos e ingênuos – até hoje – de que esta pura manobra para se apossar de terras, escravos e lucro tenha sido de alguma maneira um grande salto adiante para a humanidade.»

Neste contexto ocorreu um outro processo de relevância fundamental para os dias de hoje: o nascimento do poderio militar dos EUA. O exército dos EUA teve sua origem na guerra pela independência contra os britânicos, que foi também uma guerra contra a imensa maioria de escravos africanos que se aliaram ao Império Britânico – que prometeu a sua liberdade – e contra os muitos povos indígenas que também se aliaram aos britânicos – conscientes do que viria à seguir para eles assim que a nova república se tornasse independente. E com efeito, logo após a vitória contra os britânicos e a paz estabelecida, o recém criado exército dos EUA  engajou-se em sua nova tarefa: a guerra genocida contra os povos indígenas para garantir a expansão territorial da nova república. Continuar a ler

Alegoria a um Populista de Direita

Confira cenas do filme ‘Silvio e os Outros’

Agora, quando estamos convivendo novamente com a cultura brega de um populista de direita ocupante do cargo maior da República, vale assistir o filme do cineasta italiano Paolo Sorrentino com espécie de alegoria à biografia do ex-primeiro-ministro e magnata das telecomunicações Silvio Berlusconi.

Silvio e os Outros”  é o título no Brasil para o original franco-italiano: “Loro“.

Suas festas “bunga-bunga”, com multidões de prostitutas  seminuas, parecem moldadas para as sequências em câmera lenta de hedonismo e exuberância visual pelas quais o diretor ganhou fama com “A Grande Beleza”, vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2014.

Originalmente dividido em duas partes, foram reunidas em 151 minutos (2:30 h) na cópia disponível na web. Cobre o período entre 2006 e 2010, um ano antes de Berlusconi renunciar ao segundo mandato como primeiro-ministro.

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