Investimentos de PJ e de PF em Longo Prazo (VGBL/PGBL) em Plataformas: Retorno X Segurança

Adriana Cotias (Valor, 26/07/21) informa sobre inovações financeiras recentes.

Os mercados de Previdência Complementar e de investimentos das empresas são a próxima fronteira das plataformas digitais. Depois de subirem alguns degraus no universo da pessoa física, principalmente pelo canal de distribuição dos agentes autônomos de investimentos (AAI), agora tentam ganhar mercado onde os bancos tradicionais ainda levam larga vantagem.

À medida que a Selic caiu para a casa de um dígito, nos últimos cinco anos, o investidor buscou mais informações, demonstrou disposição à tomada de risco, ao mesmo tempo no qual a tecnologia derrubou a barreira de pensar só em poupança, CDB e fundo de renda fixa. Agora, esse comportamento ecoa nas empresas.

O movimento na Pessoa Jurídica de um ano e meio para cá faz sentido porque toda PJ tem uma pessoa física por trás, um gerente financeiro, um diretor, o acionista. Tradicionalmente, a sobra de caixa para capital de giro era deixada no “feijão com arroz” do fundo de liquidez.

Depois de conhecerem fundos de crédito privado, bitcoin e outras coisas, por que não pegar o dinheiro da empresa, parado na renda fixa, e tentar algo diferente? É essa a segunda onda segundo entusiastas das “palavrinhas-mágicas”, isto é, o lugar-comum repetido seguidamente por vendedores do mercado financeiro.

A leitura repetitiva se estende à previdência. Antes era “algo intocável”, o investidor não cogitava nada diferente da renda fixa. Mas quando começou a ver resultados melhores na carteira diversificada, por que não replicar o modelo também nos aportes para a aposentadoria?

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IPOs: Capitalização de SAs, Enriquecimento dos Acionistas Majoritários e Perda dos Minoritários

Boa parte das empresas, depois de terem feitos suas Ofertas Públicas Iniciais (IPO, na sigla em inglês), constataram ter precificado suas ações no piso ou abaixo da faixa indicativa de preços, segundo levantamento feito pelo Santander com base nos prospectos públicos das operações. Das 72 aberturas de capital no acumulado de 2019 até 27 de julho deste ano, 18 ofertas ficaram na base da faixa e 24 tiveram de dar mais descontos para irem à bolsa – ou 58% do total.

O descasamento entre o valor de mercado projetados pelos bancos de investimentos para as empresas e o de fato aportado pelos investidores compradores das ações explica uma parte dos fortes descontos das companhias.

Com maior demanda das empresas para acessar o mercado de capitais, a concorrência entre os bancos para conseguir os mandatos das operações ficou mais acirrada. As incertezas sobre a retomada da economia e a crise política no país afugentam investidores, sobretudo os estrangeiros, isso também afetam a precificação das ações.

Mas, mesmo assim, os volumes são recordes. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram: os IPOs e ofertas subsequentes de ações (“follow- on”) movimentaram R$ 119,2 bilhões, com 52 operações em 2020. A expectativa para 2021 é as ofertas ficarem entre R$ 150 bilhões e R$ 180 bilhões.

Foram 28 IPOs em 2020, movimentando R$ 44,3 bilhões. Neste ano corrente, só até o dia 27 de julho, 39 operações foram precificadas, totalizando R$ 50,4 bilhões.

Uma das operações mais aguardadas do ano, o IPO da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, teve sua oferta ajustada – a empresa vai emitir 20% a menos de ações que o plano original. A expectativa inicial era levantar até R$ 13 bilhões, com lotes extras. Agora, a base deve movimentar cerca de R$ 6,7 bilhões. No topo da faixa, a Raízen pode levantar R$ 10,5 bilhões.

Cerca de 80% dos recursos iriam para expansão de fábricas de segunda geração de etanol e biogás. Com a recuperação dos preços das commodities, a companhia reduziu sua necessidade de caixa.

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Comprar automóvel seminovo/usado

Minha sugestão, a partir dos dados acima e de minha experiência pessoal, é comprar um automóvel importado usado com revisões, seja de um modelo clássico alemão, seja de marca japonesa, fabricado no Brasil. Manutenções na concessionária comprovam um carro com boa conservação.

Comprar marca de qualidade, pois aí o carro não dará defeito e seu valor-de-troca cai menos, se comparado a outras marcas (10% versus 20% por ano). Trocar só depois de usufruir do seu valor-de-uso por cerca de dez anos ou 100.000 km, senão você “rasgará dinheiro”.

Tiago Medeiros e Julio Cabral (Autoesporte, 13/08/21) informam: provocada pelo coronavírus, a maior crise sanitária das últimas três gerações se desdobrou em uma crise econômica. Com a produção e o comércio parados, represados ou reduzidos, o Brasil vive simultaneamente fenômenos raros no setor automotivo, como:

1. o aumento expressivo do custo do combustível,

2. a falta de carros novos nas lojas,

3. o travamento da produção em virtude das restrições à circulação e da escassez de componentes,

4. a valorização repentina de carros usados e até mesmo

5. o envelhecimento da frota circulante.

Um coisa é certa, os percalços econômicos em cascata vão afetar os brasileiros pelos próximos anos, ainda que a pandemia acabe muito antes disso.

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Mercado de Treasuries e Mercado de Títulos de Dívida Pública Brasileira

O mercado de títulos de dívida do governo dos Estados Unidos, de US$ 22 trilhões, corre o risco de ser sacudido por frequentes surtos desestabilizadores. Eles ameaçam a solidez dos mercados financeiros mundiais, caso não sejam feitas reformas urgentes para incrementar a liquidez, segundo um grupo de ex- autoridades econômicas de grande renome.

Um relatório do grupo, entre outros, inclui os ex-secretários do Tesouro dos EUA Timothy Geithner e Larry Summers, assim como presidentes aposentados de Bancos Centrais, como Mervyn King, do Banco da Inglaterra, propôs amplas mudanças na forma com os Treasuries são negociados, regulamentados e garantidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O relatório, também avalizado por Bill Dudley, ex-presidente do Fed regional de Nova York, e por Axel Weber, ex-presidente do Bunbesbank, o Banco Central alemão, e hoje presidente do Conselho de Administração do UBS, defende a necessidade de reformas para garantir que o mercado de bônus mais importante e volumoso do mundo consiga funcionar sem percalços – especialmente durante períodos de alto estresse.

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Escolha de Portfólio em Turbulência Econômica, Social e Política

O discurso de participantes de O Mercado, louvado seja o divino, é muito tosco ou simplório. Dizem: “o cenário interno traz incertezas nos campos político e econômico, como os rumos da inflação e da dívida pública brasileira. E a aproximação das eleições deve aumentar a volatilidade”.

Em lugar de análises fundamentalistas sérias, o discurso lugar-comum é o seguinte. “A questão fiscal voltou a ser uma das principais preocupações de O Mercado, após um período de boas surpresas com a relação dívida bruta/PIB ser possível encerrar o ano em torno de 80%, bem abaixo das expectativas de 2020, quando os previsores de O Mercado anunciaram ela ultrapassar os 100% do PIB”.

A retomada ao crescimento anterior –1,1% neste ano, além de devolver a queda de -4,1% do produto real no ano passado — da economia e maior da inflação, propiciando aumento nominal do PIB, contribuíram para a melhora do indicador.

Mas agora o receio com o descontrole fiscal voltou a entrar em cena por causa de uma antecipação do processo eleitoral. O temor é de o candidato da extrema-direita adotar medidas populistas, elevando os gastos públicos para se fortalecer para o pleito em busca de uma reeleição pouco provável. A eventual ascensão de um candidato à esquerda, ao propor o abandono da Regra do Teto de Gastos, também tira o sono dos gestores.

Por que? Porque os idiotas extremistas acham, caso isso ocorra será anunciado o fim-do-mundo! Perguntinha: por qual razão antes dessa regra, adotada no governo golpista temeroso, a economia brasileira tinha um desempenho muito superior?

Atitudes antidemocráticas como a seguinte deveria levar o sujeito a devolver o diploma de economista ou pelo menos o banco o demitir para não perder clientes: https://revistaforum.com.br/politica/economista-do-santander-defende-golpe-para-evitar-retorno-de-lula/

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Ficar ou fugir do mercado de ações?

O investidor pessoa física chega à bolsa com valores cada vez mais baixos. Dados da própria B3 mostram: 42% dos novos entrantes em junho investiram até R$ 200, o que resultou em uma mediana de R$ 352, representando o valor mais baixo da série histórica.

Na média, porém, o valor da primeira aplicação dos novos investidores é de R$ 10 mil. Os números evidenciam o “mito” de ser preciso muito dinheiro para investir no mercado financeiro vem caindo por terra.

O levantamento também mostrou as mulheres serem ousadas ao investir e diversificam tanto quanto os homens. A mediana do primeiro investimento mensal feito por elas é de R$ 481, contra R$ 303 dos homens. Além disso, no segundo trimestre de 2021, 51% das mulheres investiam apenas em ações e 12%, só em Fundos Imobiliários (FIIs). Outras 24% investem em ações e FIIs, e 7% em ações, FIIs e fundos de índices (ETFs).

Entre os homens, 50% investem só em ações e 8% somente em FIIs, enquanto 27% investem em ações e FIIs e 9%, em ações, FIIs e ETFs.

Conforme dados da bolsa, o número de contas de pessoas físicas cadastradas na B3 cresceu 43% no primeiro semestre de 2021, totalizando 3,8 milhões, na comparação com o mesmo período de 2020. Já o número de CPFs cadastrados é de 3,2 milhões, alta de 42% na mesma base comparativa.

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Economia de Mercado de Capitais à Brasileira. Baixe o Livro.

Quais são os fundamentos teóricos para o pensamento econômico da atual Secretaria de Política Econômica (SPE) do ministério da Economia? Parecem ser os da Escola Austríaca

Três ideias-chave de Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich Hayek (1899-1992) inspiram a ideologia ultraliberal. São três “bandeiras de luta” contra o keynesianismo.

1.         Cálculo Econômico: sistema de preços relativos livres indica melhor alocação de capital contra a “tirania da maioria coletivista”; 

2.         Estado Mínimo: empresários se abstêm de investir quando temem gastos públicos levarem a aumento de impostos ou inflação; 

3.         Lei de Say: recessões são consequências de ciclo artificial de crédito a serem suportadas, mas não curadas pelo Estado.

Para esses autores, é necessário distinguir entre a “Macroeconomia” deduzida o individualismo metodológico dos austríacos e a Macroeconomia keynesiana. Nesta, os gastos de consumo e de investimento mover-se-iam sempre no mesmo sentido. 

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Queda dos Encargos Financeiros com Subsídios Financeiros e Creditícios

Abaixar a taxa de juros básica é a variável-chave para melhorar as contas públicas e estimular o mercado de capitais no Brasil. Ficou óbvia com o teste dessa hipótese no laboratório econômico do ano passado. A Ciência Econômica nunca teve laboratório tão propício a experimentar suas ideias controversas — e torná-las clarividentes.

Os subsídios em tributos e operações de crédito e financiamento pagos pela União alcançaram R$ 346,6 bilhões (4,65% do PIB) em 2020, segundo levantamento do ministério da Economia, obtido por Fábio Graner (Valor, 26/07/21). O montante teve uma pequena redução ante os R$ 359,6 bilhões contabilizados em 2019, que equivaleram a 4,85% do PIB.

Um dos motivos para essa nova redução, que colocou o orçamento de subsídios em seu patamar mais baixo em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2011, foi a pandemia. Isso porque a crise econômica por ela gerada derrubou as taxas de juros e, consequentemente, o custo dos subsídios creditícios e financeiros.

Essa conta no ano passado foi de R$ 26 bilhões (0,35% do PIB) e teve o segundo menor nível da série histórica, iniciada em 2003, quando observado em proporção do PIB. O menor resultado foi em 2018, mas por um ajuste de contas envolvendo o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

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Fuga de Capitais: Imóveis no Exterior

Assis Moreira (Valor, 05/08/21) informa: Jacob J. Safra, responsável pelas atividades do Grupo J. Safra fora do Brasil, adquiriu uma mansão em Genebra pelo montante de 56,840 milhões de francos suíços (R$ 328 milhões), na maior transação imobiliária deste ano nessa que é uma das cidades mais caras do mundo.

A mansão Hauterive, com vista para o lago de Genebra e 18.799 metros quadrados de terreno, tinha sido comprada por uma filha do antigo rei Farah da Arábia Saudita em 2013. Os herdeiros venderam agora o imóvel por um milhão de francos a menos do que tinha sido adquirido.

O Diário Oficial de Genebra registra o comprador ser Jacob Safra. Ele preside o Banco J. Safra Sarasin (Suíça), o Safra National Bank de Nova York e supervisiona as atividades do grupo fora do Brasil. O grupo Safra faz operações desse tipo todo o tempo, segundo uma fonte.

Relatório anual do Banco Safra Sarasin informa que os ativos imobiliários da J. Safra consistem em mais de 200 propriedades comerciais, residenciais, de varejo e de terras agrícolas no mundo, como o complexo de escritórios 660 da Madison Avenue em Nova York e o icônico Gherkin Building de Londres. O grupo controla mais de 2 milhões de pés quadrados de imóveis comerciais nas principais cidades do mundo.

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Recolhimentos Diversos ao INSS durante Carreiras Profissionais

Edna Simão (Valor, 13/07/21) informa: em média no Brasil, um trabalhador fica registrado, ou seja com a carteira assinada, durante 51% do tempo de sua carreira, mas nem todo esse período é revertido em contribuições para a Previdência Social. Estudo do CAF, banco de desenvolvimento de América Latina, a ser divulgado hoje, mostra que 28% dos trabalhadores no Brasil contribuem para Previdência menos de um quarto da vida laboral.

“A elevada rotatividade entre as situações com e sem contribuição, e a curta duração dos períodos de contribuição, faz com que o tempo de contribuição acumulado ao longo da vida laboral seja reduzido”, explica o CAF em estudo intitulado “Os sistemas de pensões e saúde na América Latina: Os desafios do envelhecimento, as mudanças tecnológicas e a informalidade”.

Mas essa distorção não acontece apenas no Brasil. O trabalhador na Argentina fica, em média, 35% do tempo de sua carreira registrado. No Equador, esse porcentual é de 47%, e, no Uruguai, de 50%. Por outro lado, 50% dos trabalhadores na Argentina contribuem com menos de um quarto do tempo que poderiam ter contribuído para o sistema. Essa proporção é de 34% no Equador e 30% no Uruguai.

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Desempenho dos Fundos

As gestoras de recursos fora do bloco dos grandes conglomerados financeiros já detêm a maior parte dos volumes em fundos de ações e multimercados. Os cinco maiores – BB DTVM, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa – e as fundações com gestão própria, por sua vez, dominam em renda fixa e previdência. Isso é mostrado pelo levantamento feito pela Economática, considerando-se os portfólios líquidos, que estão sob as regras da instrução 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo Adriana Cotias (Valor, 12/07/21).

Por meio de uma ferramenta que exclui valores alocados pelos fundos em outros fundos, para eliminar a dupla contagem, os dados trazem que, em ações, as assets classificadas pela plataforma de informações financeiras como independentes já reúnem R$ 404,1 bilhões, ou 74% do bolo de R$ 542,8 bilhões. Em multimercados, as gestoras sem vínculo com cinco grupos financeiros dominantes totalizam R$ 671,5 bilhões, respondendo por 65,2% do conjunto. Os dados são referentes a junho.

Nas independentes, a captação no primeiro semestre foi mais expressiva nas carteiras de ações, com R$ 22,2 bilhões, o equivalente a 53,6% do que o setor atraiu no período. Já em multimercados, os cinco maiores bancos e as fundações receberam R$ 43,1 bilhões, 53% do total. Isso mostra uma reação dos principais bancos para oferecer produtos de maior valor agregado à sua base de clientes e fazer frente à concorrência.

Itaú, Santander, BB e Bradesco, por exemplo, criaram carteiras de alocação com diversos ativos e baixo valor de aplicação que têm feito sucesso nas suas redes de agências. O Itaú também tem investido num pool multimesas para alimentar seus principais multimercados e tem ganhado volume nas estratégias de retorno absoluto, que eram pouco representativas.

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Queima do Capital Excedente: Fusões e Aquisições de Concorrentes no Mercado de Capitais

O movimento de consolidação de empresas acelerou na pandemia e vai continuar intenso nos próximos meses, impulsionado por grandes negócios. O volume de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) anunciadas de janeiro até o dia 7 de julho já bateu em US$ 52,6 bilhões, encostando no recorde de 2017, quando o valor das transações no ano todo foi de US$ 52,7 bilhões.

A cifra também representa um salto em relação aos US$ 6,6 bilhões movimentados até 7 de julho do ano 2020, segundo a consultoria Dealogic. Em 2020, as operações de M&As totalizaram US$ 45,8 bilhões.

Grandes cheques foram desembolsados neste ano, afirmam executivos do mercado financeiro. As dez maiores operações realizadas até agora somaram US$ 36,7 bilhões, quase 70% do valor total de transações realizadas até julho, indicam os dados da Dealogic. Entre os principais negócios anunciados estão a cisão da fatia de 41,05% do Itaú Unibanco na XP, as fusões da Hapvida e Intermédica e da Raízen com Biosev, e a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM) para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi.

De janeiro a 7 de julho, a consultoria registrou 274 transações, frente a 230 no mesmo período do ano passado. Em 2017, houve 421 negócios de janeiro a dezembro.

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