Richard Thaler (Economista Comportamental): Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2017

Daniel Kahneman, psicólogo ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2002, jamais se apresenta como um Economista Comportamental, no máximo, como um Psicólogo Econômico. De fato, Kahneman nunca cursou qualquer cadeira em Economia e afirma que aquilo que ele sabe sobre o assunto foi o que ele e seu parceiro Amos Tversky aprenderam com colaboradores como Richard Thaler.

Quinze anos depois, Richard Thaler, um economista comportamental, ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 2017. Outro seguidor dessa linha de pensamento — Robert Shiller — ganhou esse Nobel em 2013. Ela é conhecida por estabelecer uma base cognitiva sobre os erros humanos comuns, usando a heurística e desenvolvendo a prospect theory [Teoria da Perspectiva ou do Prospecto]. Thaler também é um teórico da behavioural finance, a qual combina a Economia com a Psicologia Cognitiva para explicar o comportamento aparentemente não racional da gestão do risco pelos seres humanos.

Seu livro em coautoria com Cass Sunstein, Nudge – O Empurrão para a Escolha Certa (Rio de Janeiro, Elsevier, 2009), tem como subtítulo atraente para leitores o imperativo “aprimore suas decisões sobre saúde, riqueza e felicidade”. No entanto, isso pode sugerir que é mais um livro de autoajuda. Longe disso, ele se caracteriza mais por ser uma introdução acessível a essa linha de pensamento relativamente desconhecida entre economistas brasileiros: a Economia Comportamental. Continue reading “Richard Thaler (Economista Comportamental): Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2017”

Consultor-Robô ou Desintermediação Bancária

Adriana Cotias (Valor, 22/08/17) informa que um tema do mundo tecnológico que é pouco conhecido é a alternativa baseada em modelos matemáticos que tira a emoção de cena na hora de investir. Trata-se do Ueslei, o consultor-robô da Vérios Investimentos. Investidores podem distribuir suas aplicações na Magnetis, Warren, Monetus e Vérios, deixando apenas uma reserva de emergência em um banco digital.

Serve para os inseguros que deixam todas as economias em depósitos de poupança por ser fácil e atender aos acomodados. Com o Ueslei, é uma forma de ainda ser acomodado e ter um rendimento melhor. Ao ler mais sobre risco e retorno e mix de investimentos, acham que o robô pode fazer melhor, sem emoções. Em gestão de portfólios, no longo prazo, nenhuma carteira ativa ultrapassa o benchmark.

Em comum, esses investidores buscam um melhor desempenho para suas carteiras, sem passar pelo dilema “qual é a melhor opção?” Ao delegar essa tarefa para os tais algoritmos, o aplicador responde ao questionário de perfil e o robô define a distribuição dos ativos de acordo com a tolerância a risco.

As experiências existentes no Brasil começam a apresentar os seus primeiros resultados e já contemplam na curta trajetória um real teste de estresse: o vazamento de conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, que virou os valores de mercado dos ativos em meados de maio de 2017 é considerado um “cisne-negro”, fator aleatório inesperado. Ora, quando se dá corda para gente vulnerável à corrupção, ela se enforca! Foi o caso do temeroso que achava não haver o que temer por se sentir impune pelo fato de ser o líder do quadrilhão do peemedebismo.

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Mercado de Capitais X BNDES

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A falsa hipótese dos neoliberais, não comprovada pelos dados existentes, é que a retração do BNDES levará à ocupação do vácuo pelo mercado de capitais brasileiro. O “sonho dos PhDeuses” é edificar, em um processo de Tropicalização Antropofágica Miscigenada, um mercado de capitais similar ao norte-americano! É o que aprenderam nos States: “tudo que é bom para os USA, é bom para o Brasil”…

Aqui, o volume no mercado de capitais chega a ser influenciado pela estratégia de captação de uma única companhia. No entanto, a ANBIMA avalia, p.ex., que “o número de ofertas de Notas Promissórias pode sinalizar que, com a expectativa de redução mais acentuada das taxas de juros, as empresas estejam optando por instrumentos de curto prazo, visando a troca por dívidas de custos ainda mais baixos nos próximos meses, com possível alongamento dos vencimentos”.

Do total do volume captado com notas promissórias em 2017, 70,5% dos recursos foram para companhias de capital aberto, o que representa uma mudança de perfil em comparação a 2016, quando houve equilíbrio entre as captações de companhias abertas (50,3%) e fechadas (49,7%).

De janeiro a agosto de 2017, as operações no mercado de capitais doméstico chegaram a R$ 93,3 bilhões, um crescimento expressivo (59%) em comparação ao mesmo período do ano passado. O avanço das ofertas foi puxado pelas ações, 275% superiores às de 2016, seguidas das notas promissórias (154%), FIDCs (153%) e debêntures (32,5%). Os CRIs e CRAs foram os únicos instrumentos que tiveram queda nos volumes captados, de 63% e 1,6%, respectivamente. Continue reading “Mercado de Capitais X BNDES”

“Deus dará… E o Diabo tomará!”

Adriana Cotias (Valor, 03/0717) informa que, em meio às discussões para a reforma da Previdência, “o brasileiro” [mas quem é este tipo representativo da heterogeneidade dos habitantes no Brasil, heim?] aumentou a sua reserva para a aposentadoria, mas ainda poupa menos do que o necessário para manter a sua renda e qualidade de vida, segundo uma pesquisa mundial da gestora americana Legg Mason.

No recorte de Brasil, a instituição ouviu 900 investidores, separando-os por grupos geracionais, de gênero e classes de renda. A percepção geral dos entrevistados é que um ano de salário seria suficiente para viver os anos da velhice fora do trabalho, e mesmo nas classes de renda mais alta se observa esse tipo de ilusão financeira.

Ao redor do mundo, os entrevistados têm poupado entre 3,7% e 14,6% do que precisariam, de fato, para prover um sustento estimado em 70% do que tinham na ativa por 20 anos, como recomenda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil se fica com uma reserva de 5,3% do valor considerado adequado.

Pelo levantamento, na média:

  • quem já tem algum dinheiro para a aposentadoria acredita que R$ 170 mil acumulados são suficientes para viver a fase da velhice.
  • Os “millenials” (de 18 a 35 anos) calculam que R$ 133 mil bastam.
  • Já o grupo da geração X (de 36 a 52 anos) pensa que R$ 189,5 mil é um valor adequado.
  • Os “baby boomers” (de 53 a 71 anos) falam em R$ 233 mil.
  • Mesmo entre os indivíduos da alta renda afluente uma acumulação de R$ 519,8 mil é considerada o bastante.

O algoritmo 1 – 3 – 6 – 9 (abaixo) oferece maior realismo quanto às necessidades de reservas financeiras para manter o padrão de vida durante vinte anos de aposentadoria.


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Jovens Investidores X Velhos Acionistas

Tesouro Direto (Títulos de Dívida Pública): Bolsa de Valores (ações):

Nathália Larghi (Valor, 31/07/17) escreveu uma reportagem interessante sobre a faixa etária de investidores. Lembrei-me de dados da Bolsa de Valores que pesquisei recentemente. Estão nas tabelas acima para comparação.

De cara, uma observação: quando se soma os investidores ativos no Tesouro Direto (493 mil) com os da Bovespa (592 mil), atinge-se 1,085 milhão, ou seja, 10% dos 10,426 milhões em Fundos e Títulos e Valores Mobiliários. Em termos de valor, o total no mercado de renda variável era R$ 138,43 bilhões, enquanto no mercado de renda fixa (TVM + FIF) o saldo era de R$ 979,90 bilhões no varejo (tradicional + alta renda) e R$ 877,59 bilhões no Private Banking. E ainda tem PhDeus colonizado querendo que o Brasil deixe de ter uma economia de endividamento para se tornar uma economia de mercado de capitais!

Mais uma evidência do que é a concentração no mercado de ações no País. Idosos a partir dos 66 anos (eu! eu! eu!) eram 17% dos acionistas, porém possuíam 45% do valor de mercado. Que jovem investidor vai confrontar um “velho profissa de O Mercado”?!  

Como são 98.034 acionistas com mais de 66 anos possuindo R$ 61,84 bilhões em ações, a dedução que essa riqueza acionária per capita deles é R$ 630.801,56. São sete milhões de reais a menos do que a riqueza em FIFs e TVMs per capita dos 114.802 clientes Private Banking  (R$ 7.644.417,33), embora seja bem superior à riqueza financeira per capita do varejo de alta renda (R$ 177.345,42). É provável que muitos desses senhores sejam herdeiros e/ou acionistas PF expressivos no controle de capital de sociedades abertas — e não especuladores.

O grupo de jovens entre 16 e 25 anos já soma quase 162 mil investidores no Tesouro Direto e é o que mais cresce nesse tipo de aplicação. A alta no último ano foi de 142%. Eles representam hoje 10,9% do conjunto de 1,485 milhão de pessoas que constrói parte de seu portfólio pessoal investindo em títulos públicos pela internet, segundo os dados mais recentes, referentes a junho de 2017. Um ano atrás, a participação desses estreantes era de 8% para um total de 835 mil aplicadores. O aumento do acesso à informação e a difusão dos debates sobre investimentos e previdência são os fatores que explicam a tendência.

Na bolsa de valores, a presença dos mais jovens ainda é tímida, mas também foi a fatia que mais cresceu no último ano. Em junho de 2016, eram 11.547 investidores de 16 a 25 anos de um total de 559.518, ou 2,07%. No mês passado, o número chegou a 14.249 em um universo de 592.386 investidores (ou seja, 2,4%). Continue reading “Jovens Investidores X Velhos Acionistas”

Brechas dos Regimes de Previdência

O benefício de Previdência Privada Fechada inclui-se no rol das exceções do artigo 1.659, VII, do Código Civil de 2002 e, portanto, é excluído da partilha em virtude da dissolução de união estável, que observa, em regra, o regime da comunhão parcial dos bens. A decisão é da 3a Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tomada em julgamento de recurso especial interposto contra acórdão que negou a ex-companheira a partilha de montante investido em Previdência Privada fechada pelo ex-companheiro.

De acordo com as alegações da recorrente, a Previdência Privada é um contrato optativo e de investimento futuro, sendo uma das formas de acumulação de patrimônio. Por isso, segundo ela, não haveria impedimento de resgate do dinheiro a qualquer momento pelo contratante, até mesmo em razão da natureza de ativo financeiro.

O relator, ministro Villas Bôas Cueva, não acolheu os argumentos. Para ele, a verba destinada à Previdência Privada Fechada faz parte do rol de rendas excluídas da comunhão de bens previsto no artigo 1.659, VII, do CC/02. De acordo com o dispositivo, excluem-se da comunhão as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.

Para o ministro, a previdência privada fechada se enquadra no conceito de renda semelhante por tratar-se de uma espécie de pecúlio, bem personalíssimo. Ele salientou ainda que o benefício não poderia ter sido desfrutado no interregno da relação considerando que o requerido nem sequer estava aposentado durante a relação. O número deste processo não foi divulgado em razão de segredo judicial.

Em outras palavras, investimentos em EAPC (Entidade Aberta de Previdência Complementar) é uma salvaguarda não só contra custo de inventários, mas também contra dissolução matrimonial — e de fortuna –, fenômeno comum na atualidade. E contra as EFPC (Entidade Fechada de Previdência Complementar) e RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social)?

Confira a notícia abaixo, dada por Ribamar Oliveira (Valor, 22/06/17) sobre as brechas dos Regimes de Previdência.

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Juros Reais Líquidos Ex-Ante

Quando toma decisões de alocação do capital, o investidor financeiro deve estimar a taxa de juros real (acima da taxa de inflação), líquida (descontados o imposto de renda e a taxa de administração), ex-ante (antes do período considerado e não ex-post, i.é, resultado do passado). E com base nela, considerar o custo de oportunidade (o ganho de capital que se poderia obter com o mesmo montante de dinheiro aplicado em investimento alternativo).

Diana Benfatti (Valor, 31/07/17) responde à consulta financeira se um investidor com investimentos em renda fixa deve se preocupar com a queda da taxa de juros.

“Essa preocupação é natural e muito válida. A trajetória da taxa de juros é sim importante, mas o seu movimento isoladamente não determina o rendimento dos investimentos.

Muitos outros fatores são relevantes, como:

  1. o indexador do investimento,
  2. os preços da curva de juros futuros,
  3. a oferta e a demanda por títulos,
  4. as diretrizes da política monetária,
  5. o movimento da inflação,
  6. os impostos, etc.

São temas ricos e todos merecem aprofundamento. Aqui iremos focar no impacto da inflação e do imposto de renda, principalmente sobre os juros pós-fixados diários (Selic e CDI). Continue reading “Juros Reais Líquidos Ex-Ante”