Relatório Final da CPI sobre Cartões de Crédito: “Terminou em Pizza” paga com Cartões!

Vale a pena ler, devido à relevância do tema: Senado Federal – Relatório Final da CPI dos Cartões de Crédito – julho de 2018

Mas os senadores não tocaram na questão-básica: a razão dos preços à vista serem inflados; eles são similares aos preços a prazo. Portanto, tornam o custo de vida mais elevado no País do que poderia ser.

Leia a respeito em:

Fernando Nogueira da Costa – Diferenciação entre os preços à vista e a prazo – 21-12-2015

Paulo Springer de Freitas – Não se deve proibir a diferenciação de preços entre compras a vista e com cartão de crédito

O Bacen e o Cade vêm contribuindo para aumentar a concorrência na indústria de cartões. Entretanto, a indústria é ainda muito concentrada e há indícios de uso de práticas não competitivas.

Em relação às bandeiras, Visa e Mastercard dominam o mercado, como, de resto, ocorre na grande maioria dos países. Entre 2008 e 2016, a participação dessas gigantes do mercado nas transações de crédito aumentou de 89,5% para 91,1% do total. Já na função débito, a participação de Visa e Mastercard caiu significativamente, de 97% para menos de 80%.

Essa queda foi decorrente da entrada da bandeira Elo em 2010 e que, em 2016, já possuía 18,5% do mercado. Não é bem claro porque essa desconcentração manifestou-se somente na função débito, e não na função crédito. Continue reading “Relatório Final da CPI sobre Cartões de Crédito: “Terminou em Pizza” paga com Cartões!”

“Dream Team”, Você pagou com traição A quem sempre Lhe deu a mão

Você pagou com traição
A quem sempre
Lhe deu a mão

Mas chora!

Chora!
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar

A previsível crise política, agravada pela imprevisível greve dos caminhoneiros, se somou à “derrapagem” do Banco Central do Brasil (BCB) e do Tesouro Nacional no seu arsenal anticrise, na avaliação de estrategistas de investimentos, o que contribuiu para a deterioração dos ativos domésticos.

O primeiro erro foi o BCB não intervir mais fortemente no câmbio no dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de manter a Selic em 6,5% ao ano, quando dois terços do mercado esperavam uma queda de 0,25 ponto percentual. O BCB não atuou na volatilidade na crença da apreciação do dólar ser global e não deu hedge para o mercado.

Só piorou a situação. Isso fez com que o dólar subisse de R$ 3,30 para mais de R$ 3,90 de forma ininterrupta. Mecanismos de “stop loss“, a zeragem de posições para limitar perdas, foram acionados por tesourarias e fundos de investimentos, o que só exacerbou o impacto nas cotações.

Outro equívoco foi o Tesouro Nacional prosseguir ofertando papéis de longo prazo em um momento em que não havia compradores habituais como estrangeiros ou fundos de pensão. Só depois do fracasso entrou no modo anticrise e recomprando ativos, dando saída para os investidores.

A mudança do regime de volatilidade no mundo coincidiu com um momento de aumento de risco dos grandes fundos no Brasil. Eles já vinham comprados em bolsa, apostando na queda dos juros e fazendo hedge com o dólar. Só que na hora de crise sistêmica, as proteções de diversificação de risco não funcionam, pois todos os ativos têm cotações em quedas. Estas não se compensam com eventuais ganhos.

Não era um bom momento para o BCB ver a sua credibilidade arranhada porque O Mercado entendeu errado a mensagem do líder do “dream team”, Ilan Goldfajn, presidente do BCB e ex-economista-chefe do Itaú. O ex-companheiro queria passar outra dica para os especuladores.

Também era um período em que o estrangeiro começava a desmontar a bolsa brasileira, por ser um mercado de mais liquidez entre emergentes. Os investidores estrangeiros (49% do total) dominam e manipulam essa raquítica bolsa de valores.

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Comportamento dos Milionários: Padrão de Consumo Essencial

A prioridade é fazer investimentos e não consumir. A maioria dos milionários não compram carros importados zero quilômetro, nem o modelo do ano de automóvel de luxo norte-americano.

Preferem comprar carros seminovos de modelos clássicos alemães com menor custo de manutenção e depreciação anual. Ficam com eles como valor-de-uso por muitos anos. Podem demorar meses antes de fazer a escolha na hora de trocar seu usado devido ao obsoletismo tecnológico programado.

São muito sensíveis a variações de preço e estão muito mais dispostos a negociar com gente sem muito dinheiro. As melhores compras são feitas justamente de novo-rico comprador de carro de luxo com forte depreciação depois de sair da loja. Muitos endividado, logo deseja vender, antes mesmo de acabar a garantia.

Outras diferenças relevantes entre quem consegue acumular riqueza e quem não atinge esse objetivo estão no tipo de trabalho. Entre os acumuladores de riqueza mais eficientes, quase 60% são autônomos. Esse número cai para menos de 25% quando se fala dos acumuladores abaixo da média. Continue reading “Comportamento dos Milionários: Padrão de Consumo Essencial”

Educação Financeira para se Tornar Milionário

Para a postura de privilegiar investimento em vez de consumo dê certo, toda a família deve cooperar. É muito mais fácil acumular patrimônio se todos na casa lidam da mesma forma com o dinheiro.

O que se pode esperar de crianças educadas em famílias onde o nível de consumo é muito alto, planeja-se pouco e não há disciplina? Essas crianças, quando crescerem, dificilmente conseguirão se livrar do modelo vivido na infância e na adolescência. Pior, provavelmente, nunca ganharão o suficiente para manter o estilo de vida perdulário acostumado na infância.

O contrário também é verdadeiro. Os pais exemplares com gastos muito menor em relação ao recebido, mensalmente, criam filhos disciplinados. Eles, em geral, se tornam autossuficientes quando adultos.

Os pais gastadores muito se afligem, em geral, com preocupações muito características em relação a seus filhos. Têm medo deles pensarem ser o patrimônio dos pais a fonte permanente de sua renda. Temem ter de sustentar seus filhos quando adultos.

Os filhos, por sua vez, têm inquietações parecidas: meu pai terá condições de me sustentar por todo o tempo de minha vida?! Muitos filhos de pais indisciplinados não conseguem comprar nem um pequeno imóvel sem a ajuda do pai e da mãe.

Cria-se um círculo vicioso. A situação de dependência traz mais medo e insegurança, dificultando ainda mais a sua autonomia. Os gastadores não conseguem abandonar o conforto espiritual da frase-feita: “eu mereço, eu me premio, é um luxo ao que me permito”. E tome gastos com restaurantes de alto custo e viagens selfies exibicionistas! Continue reading “Educação Financeira para se Tornar Milionário”

Independência Financeira

Quanto dinheiro, exatamente, é preciso para ter independência financeira? Afinal de contas, quem é considerado milionário?

Milionário é quem tem um patrimônio líquido de 1 milhão de dólares, ou mais, sem contabilizar o valor imobilizado da residência principal. Vendendo-a, terá 6 meses para recomprar outra, senão o imposto de renda cobra boa parte do ganho de capital. Por isso, a classe de alta renda investidora em moradia de luxo em condomínio, cuja vizinhança impõe, psicologicamente, elevado padrão de consumo exibicionista de luxo, para si e sua família, é o caminho para “se achar milionário de maneira ilusória”.

Com base nessa definição, somente 3,5% dos americanos podem ser considerados milionários. Entre esses — estimados em 4,458 milhões –, 95% têm patrimônio líquido entre 1 milhão e 10 milhões de dólares. Gente com patrimônio líquido maior do que isso é a minoria da minoria.

O passo seguinte é qualificar melhor a definição dada acima. Sim, porque todo mundo precisa ter no mínimo 1 milhão de dólares para ser considerado milionário, mas nem todo mundo possuidor de 1 milhão de dólares pode ser considerado um milionário.

Segundo os autores Thomas Stanley e William Danko do livro The Millionaire Next Door – The Surprising Secrets of America’s Wealthy (O Milionário Mora ao Lado – Os Surpreendentes Segredos dos Americanos Ricos. São Paulo: Manole, 1999), o que define mais precisamente se uma pessoa é milionáriaé o tamanho do seu patrimônio líquido de acordo com sua renda e sua idade atuais. Obviamente, quanto maior o tempo de investimento em renda fixa, mais os juros compostos propiciarão acumulação de riqueza financeira de juros sobre juros. Em outras palavras, o envelhecimento corresponde a enriquecimento dos investidores. Continue reading “Independência Financeira”

O Milionário mora ao lado X Consumismo para ostentação

Qual é o estilo de vida do milionário norte-americano tradicional, self-made-man:

  • Ele não troca de carro há pelo menos quatro anos. A última vez que fez isso, desembolsou 24 800 dólares e comprou uma caminhonete Ford.
  • O seu terno não é Armani nem de nenhuma grife conhecida. Não custou mais do que 400 dólares.
  • Nada de gastar 2 000 dólares – ou mais – em relógio Rolex, em Cartier ou em alguma outra preciosidade. O relógio do milionário americano de verdade não custa mais do que 235 dólares.
  • Ele é, tipicamente, um pequeno empreendedor. Pode ser o dono de uma lanchonete, de uma frota de ambulâncias ou de um serviço de dedetização, um negociante de moedas e selos, um dono de estacionamento para camping…
  • Sua renda familiar anual é de 247 000 dólares, em média. Está bem longe de milhões por ano.
  • Ele mora na mesma casa há cerca de 20 anos. Ela fica num bairro de classe média e vale, em média, 320 000 dólares.

Os verdadeiros 4,5 milhões de milionários norte-americanos e, provavelmente, os 149 mil brasileiros milionários em dólares (sem considerar o valor da residência) não se parecem em absolutamente nada com quem a mídia apresenta como “milionários”. Na realidade, as “celebridades” vistas em destaque são novos-ricos com estilo de vida de consumo perdulário em função da renda.

Eles não se vestem como “milionários”, não viajam como “milionários”, não agem como milionários do lugar-comum ou imaginário social. Eles não ostentam riqueza, nem gastam fortunas. Eles não frequentam resorts exclusivos no exterior, não viajam de primeira classe, não se movimentam regularmente de helicóptero.

Há muita gente rica com renda acima de um milhão de dólares mensais, cujas vidas correspondem perfeitamente ao modelo convencional – astros do entretenimento, barões da indústria ou finanças, executivos turbinados das megacorporações internacionais. Mas trata-se, apenas, de uma pequena minoria, altamente visível e estatisticamente irrelevante. Em geral, tiveram uma enorme mobilidade social ao sair de uma camada de baixa renda e riqueza — e sem adquirir cultura exigente de sabedoria e esforço.

A imensa maioria, na média, se encaixa no perfil não suntuário apresentado anteriormente — resultante de uma pesquisa realizada, durante 20 anos, com 11000 milionários nos Estados Unidos, pelos americanos Thomas Stanley e William Danko. As conclusões aparecem em seu livro The Millionaire Next Door – The Surprising Secrets of America’s Wealthy (O Milionário Mora ao Lado – Os Surpreendentes Segredos dos Americanos Ricos. São Paulo: Manole, 1999). Stanley e Danko são especialistas em marketing e estudam os chamados afluentes desde 1973. Continue reading “O Milionário mora ao lado X Consumismo para ostentação”

Desilusão Monetária

Ilusão monetária se refere ao engano das pessoas quando, em regime inflacionário, interpretam como aumento de seu poder aquisitivo em função de qualquer aumento nominal de seus salários, juros recebidos, etc. Um aumento salarial abaixo da inflação induz a uma ilusão monetária se ele for expressivo em termos nominais.

Igualmente, a renda mensal de 10% obtida em investimentos em renda fixa pode levar a outra ilusão monetária caso a taxa de inflação seja superior. Se a inflação estiver a 11% ao mês e um rendimento tiver elevado 14% nesse mês, então seu aumento poderá ser decomposto em: 11% de correção monetária (ou “ilusão monetária”) e aproximadamente 3% de aumento real.

Outro exemplo: se o banco divulga a rentabilidade de um determinado investimento em 10% de juros no ano, este é o juro nominal. Se a inflação no mesmo período for 6%, com essas duas informações (juro nominal e inflação) calcula-se os juros reais. São os juros recebidos acima da inflação. A fórmula para fazer o cálculo de juros reais é:

Juros Reais = (1 + Juros Nominais) / (1 + Inflação) – 1

No caso, o juro real deduzido precisamente é 3,773% aa.

Porém, alcançado um grande volume de investimentos, há um resultado interessante para a reflexão a respeito de estratégia de Finanças Pessoais. Por exemplo, aplicações mensais de R$ 1.000 com taxa de juros de 0,5% a.m. leva o investidor a tornar-se milionário em 30 anos. Com taxa de juros de 1% a.m. ele adianta o processo de acumulação de capital financeiro em 10 anos! Continue reading “Desilusão Monetária”