Carteira de Ativos Financeiros: Predominância de Títulos de Dívida Pública

Carteira de Ativos Financeiros

O objetivo da NOTA CEMEC 04-2016 CARTEIRA DE POUPANÇA FINANCEIRA 25052016 é examinar a evolução da “poupança financeira” das entidades não financeiras e das mudanças de sua composição em uma conjuntura de altas taxas de juros, desemprego e desvalorização cambial. A composição final da poupança financeira, através dos movimentos de estoque dos instrumentos financeiros disponíveis, como instrumentos de captação bancária, dívida pública, ações e títulos corporativos, o que o CEMEC denomina de carteira consolidada de ativos financeiros, é o resultado da decisão de vários tipos de investidores.

O CEMEC consegue estimar a carteira de três tipos de investidores:

  1. Investidores institucionais segregados em cinco grupos de entidades: fundos de pensão (fonte: PREVIC, ABRAPP), entidades de previdência aberta, fundos de investimento (fonte: ANBIMA), companhias de seguros (fonte: SUSEP) e companhias de capitalização (fonte: SUSEP);
  2. Investidores estrangeiros (Fonte: CVM);
  3. Outros investidores não financeiros: pessoas físicas, pessoas jurídicas não financeiras e outras entidades (Fonte: por resíduo através da carteira consolidada pelo CEMEC da estimativa do total da poupança financeira doméstica1 através de várias fontes de dados como: BACEN, CETIP, ANBIMA, BM&FBovespa, CVM, Ministério do Trabalho, CEF e Secretaria do Tesouro Nacional).

Embora eu tenha algumas discordâncias analíticas, aprecio muito o trabalho quantitativo da Equipe Técnica do CEMEC: Diretor: Carlos Antonio Rocca; Superintendente Técnico: Lauro Modesto dos Santos Junior; Analistas: Fernando Fumaggali e Marly Paes. Continue reading “Carteira de Ativos Financeiros: Predominância de Títulos de Dívida Pública”

Detentores de Títulos da Dívida Pública

Segmento de Investidor Fundos de Investimento 2014-16 Distribuição FIF por Invesidor Detentores dos Títulos Públicos em Mercado TPF em Carteira abr 2016 Quem são os carregadores do títulos da dívida pública mobiliária brasileira? Eu, você, nós? Em boa parte (43%), somos nós, se todos nos estivermos classificados como  PF (Pessoas Físicas) investidores de Fundos de Investimentos, seja do varejo (tradicional — 66% — ou alta renda — 33%), seja do private banking (1%). Respectivamente, desconsiderando os depositantes de poupança, em dezembro de 2015, nós das castas éramos 6,3 milhões com riqueza financeira média per capita de  R$ 12 mil, 3,1 milhões com R$ 113 mil e 110 mil pessoas com R$ 6,5 milhões. Combinados, mas desiguais

Desconsiderando essa Administração de Recursos de Terceiros, em abril de 2016, os bancos carregavam em suas Tesourarias como recursos próprios 21% e os investidores não-residentes (estrangeiros) 18%. Pessoa Física, em Tesouro Direto, carregava apenas 1,7%. O restante de títulos estavam classificados como “não vinculados” ou “outros”.

A ANBIMA informa também que a Distribuição do Patrimônio Líquido dos Fundos por Segmento de Investidor ficou bastante estável desde dezembro de 2014 até abril de 2016:

  • Institucional (fundos de pensão fechados de empresas públicas e privadas, seguradoras, fundos de pensão abertos, etc.) com 39,2%;
  • Corporate (grandes e médias empresas) com 14% superado por Private Banking (ricaços) com 14,3%;
  • ambos com menos que o Varejo (eu, você, nós, gente de baixa e alta renda) com 16,3%;
  • juntos superamos também o Poder Público com 9% e outros/estrangeiros com 7,2%.

Como os fundos de pensão possuem também capital de origem trabalhista, unidos, venceremos! A luta continua!

Risco em Rendimento Pós-Fixado

Risco em LFT

Risco, no mercado financeiro, é considerado a variação dos rendimentos esperados em investimentos financeiros. Quando se aplica em fundos lastreados em Renda Fixa Pós-Fixada, imagina-se que seus rendimentos acompanharão a evolução do CDI que, por sua vez, acompanham, mal ou bem, a da Selic. E esta os diretores do Banco Central do Brasil cuidam de colocar sempre bem acima da taxa de inflação, para evitar o risco de eutanásia dos rentistas. Porém, nesta Terra de Surpresas, “onde até o passado é incerto”, tudo pode acontecer…

Marcelo d’Agosto (Valor, 25/05/16) informa que, nos últimos meses, os aplicadores em Letras Financeiras do Tesouro (LFT) tiveram rendimento diferente conforme o prazo de vencimento que escolheram investir. O título é atrelado à taxa Selic e considerado como sendo o de menor risco de mercado.

No ano, as LFTs com resgate estipulado para datas mais distantes registram ganhos inferiores ao dos papéis que vencem em períodos mais próximos. A conta considera tanto os juros acumulados no período quanto o ganho de capital e a diferença entre as taxas de compra e venda.

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Juro Negativo é como Jurar dizer Mentira!

Juro de pés juntos que jamais imaginei (re)viver o que estou vivendo! Um novo golpe no Brasil! Uma volta dos neoliberais derrotados nas quatro últimas eleições! O velho Delfim — agora já Tataraneto –, assinante do AI-5, ainda ditando regras para o desmanche do Estado social-desenvolvimentista!

Jurar de pés juntos é uma expressão que surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados juntos e era torturado “pra dizer nada além da verdade”.  Tipo “delação premiada” da República de Curitiba, onde o juiz pauta a confissão que deseja obter. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz — sob tortura…

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Inovação Financeira e Tecnológica: Fintech

Fintech-Basics

Contra a pretensa ameaça de “desintermediação bancária” os grandes bancos brasileiros de varejo reagem também fornecendo aplicativos aos clientes para “mobile banking”, tanto para acesso a conta corrente e investimentos quanto para consultas e pagamentos com cartão de crédito.

Sérgio Tauhata (Valor, 09/05/16) avalia que o maior pesadelo dos bancos tradicionais hoje está bem aí no seu bolso ou bolsa. A chamada tecnologia financeira – ou, no jargão do mercado, “fintech“, uma contração dos termos em inglês “financial technology” – usa e abusa da mobilidade e da internet para implementar de modo eficiente e conveniente serviços antes restritos às instituições financeiras. Os principais palcos onde essa disputa tem sido travada são justamente os smartphones e tablets.

O que assusta os executivos é a possibilidade de o consumidor pular a intermediação, ou seja, o próprio serviço das instituições financeiras. Ainda é cedo para saber se os bancos têm motivos para preocupações, mas, em alguns poucos anos, as respostas estarão ao alcance de suas mãos.

O canal móvel avança a passos largos no Brasil. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com os sete maiores grupos financeiros do país, divulgada em dezembro, mostra que, no primeiro semestre do ano de 2015, 21% das transações se originaram de smartphones e tablets. No fim de 2014, as operações por meio de dispositivos móveis representavam apenas 14% do total.

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Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria

Idade de Aposentadoria

Gleise de Castro (Valor, 10/12/2015) informa que os trabalhadores brasileiros querem parar de trabalhar mais cedo e manter o padrão de vida que têm na ativa, mas não se preparam para isso. Essa é a principal conclusão de pesquisas recentes feitas por operadoras de Previdência Privada, como a Icatu Seguros. Em levantamento feito pela empresa com seus 400 clientes de previdência, 45% disseram querer se aposentar aos 55 anos. Para isso, 37% informaram destinar apenas 3% da renda mensal ao plano de previdência privada. Outros 22% disseram aplicar 6%.

Calcula-se que o valor mínimo de investimento na previdência privada deve ser de 10% da renda mensal, nível de contribuição que apenas 17% afirmaram aplicar no plano, conforme a pesquisa.

[FNC: por meus cálculos, se investir 20% da renda mensal durante 30 anos em renda fixa com juros de 0,5% a.m., ao final desse período o trabalhador já terá renda do capital similar à renda do trabalho em termos nominais.]

Para 47,79% dos entrevistados, a principal preocupação em relação à aposentadoria é conseguir manter o padrão de vida atual, enquanto 22% disseram estar mais preocupados com dificuldades financeiras e 18,58%, com despesas de saúde. Continue reading “Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria”

Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Luciana Seabra (Valor, 18/04/2016) avalia que, em um momento político tão conturbado, a aversão a risco do investidor brasileiro está em níveis máximos. Duas pesquisas, uma da BlackRock e outra da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que ele está excessivamente concentrado em liquidez, gostaria de estar menos, mas tem medo e falta de informação. O histórico não ajuda: a pessoa física sempre erra a hora certa de abrir mão de liquidez e correr risco na bolsa brasileira.

No viés heurístico classificado pelas Finanças Comportamentais como “diversificação ingênua” — via Regra dos 3 Terços, 1/3 para curto prazo, 1/3 para médio prazo e 1/3 para longo prazo, ou 1/3 para LTN, 1/3 para LFT e 1/3 para NTN-B, ou ainda 1/3 para RF prefixada, 1/3 para RF pós-fixada e 1/3 para Renda Variável, pois “a mente humana abomina complexidade” — o “brasileiro” (sic — veja a desigualdade da riqueza financeira per capita na tabela acima) gostaria de ter 32% do patrimônio em ativos líquidos, como poupança, fundos e títulos de curto prazo.

Na realidade, tem 67%, segundo entrevistas da BlackRock com mil investidores locais, sendo 606 de varejo e 394 do segmento afluente, com pelo menos R$ 200 mil em patrimônio investido. Na faixa de idade entre 55 e 64 anos, essa fatia é ainda maior, de 76%. Lógico, está em fase de pré-aposentadoria, prefere ter mobilidade do capital.

A indústria de fundos é um retrato dessa concentração. Os dados da Anbima, associação que representa o mercado, mostram que as carteiras de renda fixa têm hoje 48% de todo o dinheiro alocado em fundos no Brasil, um total de R$ 1,5 trilhão. A fatia administrada pelos gestores de ações é de somente 4,7% desse bolo, ou R$ 144,93 bilhões. Em outras palavras, o único agente que dá importância à Bovespa é o PIG, já que ela lhe fornece manchetes escandalosas tipo “a Bolsa ou O Mercado caiu ou subiu em função das oscilações do golpe em andamento”:) Continue reading “Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros”