Fragilidade Financeira de Um Pilar do Capitalismo de Estado Neocorporativista

Evou;cão do superávit e déficit das EFPCRentabilidade EFPC

Pelo segundo ano sem bater a meta de rentabilidade de seus investimentos, os fundos de pensão brasileiros que estão no vermelho apresentaram déficit de R$ 31,4 bilhões ao fim de 2014, ante R$ 21,4 bilhões no ano anterior. Em 2012, o saldo negativo era um terço do atual. Os dados foram apresentados ontem pela Abrapp, associação que reúne as fundações.

O déficita diferença entre o patrimônio de um plano e seus compromissos com o pagamento futuro de benefícios trazidos a valor presente. Esse déficit pode ser financeiro — quando o retorno dos investimentos é inferior à meta de rentabilidade — ou técnico — derivado de alterações nas premissas do plano, como mudança de expectativa de mortalidade dos participantes e taxa de juros. A maior parte do déficit do setor é derivado do desempenho financeiro abaixo do necessário.

Segundo a Abrapp, o retorno médio dos investimentos no ano de 2014 foi de 7,07%, ante meta de 12,07%. Em 2013, o retorno foi de 3,28%, bem abaixo da meta de 11,63%. A associação destaca, porém, que no acumulado dos últimos dez anos a rentabilidade do setor foi superior à meta: 250,9% ante objetivo de 201,1%. São investimentos de longa maturação. O importante é que o fluxo de caixa esteja alinhado com os benefícios que a fundação tem que pagar.

Tanto a Previc, órgão fiscalizador do setor, quanto a Abrapp consideram que não há um problema de solvência no sistema, já que o pagamento de benefícios está diluído nas próximas décadas e não é comprometido pela situação conjuntural ruim do curto prazo.

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Perfil do Investidor

Perfil de Risco

Luciana Seabra, ex-aluna do Mestrado do IE-UNICAMP, publicou reportagem sobre a definição do perfil do investidor. O autoconhecimento, inclusive de sua aversão ao risco, é fundamental para tomar boas decisões financeiras.

Conservador, moderado ou arrojado? A tradicional classificação do investidor está em xeque. As instituições financeiras discutem internamente se os perfis dizem algo ao cliente e propõem novas soluções.

O Itaú Unibanco concluiu que a nomenclatura atrapalha. “Todo mundo se diz conservador, mas a interpretação que se dá para a palavra é diferente”, diz Charles Ferraz, chefe de investimentos do private banking. O banco acaba de trocar os perfis por números: 1, 2, 3 e 4. A sequência não diz nada e essa é a intenção. “Adotamos a estratégia de evitar as palavras. E então o investidor passa a discutir a expectativa de retorno e risco associados a esses perfis.” Autoengano mental: é a melhor tática?

Para além da semântica, o debate diz respeito a risco do investidor. No perfil 2, por exemplo, a carteira é calibrada para um retorno esperado, em 12 meses, de 13%. Se o cenário for ruim, o ganho deve ficar por volta de 9,5%, e se for muito melhor do que o esperado, 16%. Já no perfil 3, o ganho pode ser de apenas 2,5% em um cenário ruim. A contrapartida é uma expectativa de retorno que chega a 25% no melhor dos cenários. Quando não se fala nomes, a discussão volta-se a esses números. Ah, se houvesse essa precisão sobre o futuro…

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Eu Não Disse? Era Um Erro Extinguir Títulos Pós-fixados…

Participação de LFTs no Total

Relembro os seguintes posts — observem as datas das postagens — neste modesto blog:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/09/25/eu-nao-disse/

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/06/15/eu-nao-disse-eu-ja-sabia-galvao-filma-eu/

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/21/leiloes-de-recompra-de-titulos-pelo-tesouro-nacional-eu-nao-disse/

Os leitores são testemunhos de minhas advertências que, naturalmente, não foram lidas por quem defendeu “o fim da indexação da dívida pública brasileira (leia-se extinção dos LFTs)”, como os renomados economistas Yoshiaki Nakano, Antônio Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e discípulos. Meu argumento era muito simples: em uma economia instável como a brasileira, cujas instituições (padrões de vida coletiva) financeiras adotavam os títulos pós-fixados e/ou a correção monetária há mais de 1/2 século, extinguir esse mecanismo de defesa dos portfólios imporia uma perda de capital aos investidores, inclusive os “trabalhadores-rentistas”, quando a taxa de juros Selic revertesse a tendência de queda para uma de alta, como ocorreu em meados de 2013. Dito e feito!

Essa política equivocada, provavelmente, impôs perdas ao FGTS, aos FIFs e a todos os fundos de pensão fechados e abertos que trocaram LFTs por LTNs e NTNs — e carregam, predominantemente, títulos de dívida pública prefixados. A “marcação-a-mercado” dessa renda fixa deve ter agravado as perdas ocorridas devido à queda da renda variável.

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Finanças Islâmicas: “Entrar em ROSCA” (Associações Rotativas de Crédito e Depósitos)

Sukuk

Recebi a seguinte mensagem de um seguidor: “descobri seu blog faz pouco tempo e estou sempre acompanhado. Confesso que não entendo alguns posts, pois sou formado em Ciências da Computação e meu conhecimento sobre economia ainda é básico, mas muitos trazem informações diversas e de fácil compreensão.

Bom, na verdade eu enviei este e-mail porque me surgiu algumas dúvidas quanto a reportagem do “Estadão” abaixo:

Finanças Islâmicas vivem boom apesar da religião proibir pagamento de juros

Eu não entendi muito o que é uma ROSCA. Você poderia escrever um post sobre isso ou me esclarecer algumas dúvidas?

Eu entendi que a pessoa faz o depósito nesta conta conjunta e deixa o dinheiro a disposição de outros, porém não tem retorno sobre isso, o foco é só ajudar e estimular que as pessoas que foram ajudadas prossigam com a ideia. É isto mesmo? Quem deixou o dinheiro a disposição pode retirá-lo depois? A pessoa que deixou o dinheiro à disposição dos outros perderia dinheiro por conta da inflação, pois pelo que entendi não existe ganho sobre isso, certo?

Espero que possa me esclarecer sobre essa dúvida, assim como já fez com vários de seus posts.

Parabéns pela qualidade das informações e pela frequência de atualização do blog.”

A reportagem citada, em resumo, era a seguinte. Continuar a ler

Previdência Privada Aberta e Private Banking em 2014: Preferência pela Isenção Fiscal

Previdência Privada em 2014

O resultado da Previdência Privada Aberta em 2014 poderia ser lido como mais um ano de crescimento para as seguradoras responsáveis pelos planos PGBL e VGBL: o patrimônio líquido, segundo levantamento das consultorias NetQuant e Towers Watson com 927 fundos do setor, cresceu expressivos 18,92%. Mas o número positivo esconde uma história de fortes oscilações e uma virada que se consolidou apenas a partir do segundo semestre. Até metade do ano passado a captação líquida estava 31% abaixo da registrada no mesmo período de 2013.

Os números do início do ano de 2014 indicavam muito pessimismo. Janeiro de 2014 repetiu os piores momentos de 2013, com o terceiro saldo negativo em sete meses nos fundos que recebem recursos dos planos PGBL e VGBL. Com a retomada da alta da taxa Selic, a marcação-a-mercado levou à perda nominal em carteiras dos investidores. Em julho de 2013, primeiro mês em que resgates superaram entradas desde a crise de 2008. Além disso, dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) mostram que, até meados de março de 2014, a captação bruta do setor se manteve abaixo de igual período do ano anterior.

A recuperação começou a partir de abril de 2014. O setor se beneficiou da melhora geral dos mercados no país como efeito das pesquisas eleitorais. Impulsionados pelo desempenho da renda fixa, os PGBLs e VGBLs mantiveram o ritmo de captação ao longo do segundo semestre rumo a um bom resultado.

Segundos o levantamento da NetQuant e da Towers Watson, em 2014, a renda fixa captou sozinha R$ 32,5 bilhões, líquidos, enquanto os multimercados contribuíram com mais R$ 1,4 bilhão. No entanto, portfólios com fatias em renda variável tiveram saldo negativo de R$ 4 bilhões em 12 meses até dezembro, o que levou a captação líquida dos fundos de pensão abertos para a casa dos R$ 30 bilhões no ano passado.

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Efeito da Variação dos Juros sobre Portfólios dos Fundos de Pensão

Valor Presente dos Fluxos

Outro pilar fundamental do Capitalismo de Estado Neocorporativista no Brasil, além das “big four” empresas estatais — Petrobras, BNDES, BB e Caixa –, é constituído pelos fundos patrocinados por essas empresas, especialmente, a PETROS, PREVI e FUNCEF. Como o capital de origem trabalhista reage às perdas provocadas por oscilação da taxa de juros básica — a média da taxa Selic nominal foi de 11,8% aa em 2011 para 8,2% aa em 2013 e está prevista voltar para 12,5% aa em 2015 — e consequente “marcação-a-mercado” de seus ativos prefixados? Além disso, qual é a postura face à ameaça de risco sistêmico devido à criminalização dos dirigentes das grandes empreiteiras de obras públicas brasileiras?

Conservadorismo e maior liquidez são as preferências das políticas de investimentos dos fundos de pensão para este ano de 2015. Taxa de juros local alta, escândalos políticos e empresariais e ajustes da economia brasileira desenham um cenário favorável à renda fixa e desinteressante para bolsa de valores e investimentos alternativos.

Para as grandes fundações, que têm enormes Planos de Benefício Definido (BD), entra em cena também a maturidade desses planos. Criados há cerca de 30 anos, esses fundos têm agora a maioria de seus participantes já aposentados, o que aumenta o volume de pagamento de benefícios.

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Custo do Hedge Cambial

Remessas de Lucros e Dividendos O regime de câmbio flexível contém o próprio antídoto contra a fuga de capitais: a depreciação da moeda nacional encarece muito o custo de oportunidade entre repatriar capital, comprando dólares mais caros, e mantê-lo internamente.

José de Castro e Sílvia Rosa (Valor, 23/12/14) informam que a nova rodada de desvalorização cambial, em dezembro de 2014, deveria impactar o volume de remessas de lucros e dividendos que as multinacionais enviariam para suas matrizes no exterior no fim do ano. Alguns bancos notaram um aumento na demanda por proteção contra a variação cambial (“hedge“), especialmente por setores que importam insumos, como o farmacêutico. No ano de 2014, até 23 de dezembro, o dólar subiu 14,68% em relação ao real. Só no último mês, a moeda acumulava alta de 4,81%, depois do pico de R$ 2,7341, em 16 de dezembro, maior nível desde 24 de março de 2005.

De acordo com dados do Banco Central, no ano, até novembro de 2014, o envio de lucros e dividendos somava US$ 22,429 bilhões, 5,7% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Apesar de algumas empresas terem antecipado as remessas para a matriz neste ano para se precaver de depreciações do real, boa parte das transferências de lucros e dividendos costuma se concentrar em dezembro, quando são fechados os balanços anuais. Continuar a ler