Eu vou te ensinar a ser rico

Oba! Estudei tanto para descobrir o significado de “ser rico”… e o autor de um livro de autoajuda me ensinará rapidamente a prática! Como desperdicei meu tempo… snif, snif…

Somos tão ricos quanto nos sentimos, e as pessoas de nosso convívio oferecem, não raramente, o parâmetro para esse sentimento. Aprendi com o satírico H.L. Mencken: “um homem rico ganha 100 dólares a mais por ano em relação ao marido da irmã de sua mulher”.

Se for renda relativa, o rendimento do trabalho por pessoa ocupada era rendimento do trabalho por pessoa ocupada (PNAD 2012 – BRASIL) era em média R$ 1.497 (75%). A mediana era R$ 900 (50%); 1º quartil R$ 622; 3º quartil R$ 1.500; 9º decil R$ 3.000; 95º percentil R$ 4.500; 99º percentil R$ 10.000. Então, qual é o seu relativo: está entre o 1% mais rico ou entre o 0,1%?

Se for riqueza relativa, os 7,5 milhões clientes do segmento do varejo tradicional tinham em média per capita (ANBIMA set 2018) R$ 46.103 em fundos e títulos e valores mobiliários; os 4 milhões clientes do segmento de alta renda tinham R$ 181.320; os 123.370 clientes do Private Banking tinham R$ 8,5 milhões cada um. Você é Private?

Ben Zruel não analisa estatística em seu livro “Eu vou te ensinar a ser rico: três passos simples para quitar as dívidas em doze meses e construir sua liberdade financeira” (São Paulo: Editora Gente, 2016). Como é praxe em membros da casta dos mercadores quando escrevem, ele faz narrativa de suas impressões sobre casos pessoais, tipo: “meninos, eu vi!”. Esse casuísmo está longe de ser um método científico.

Um critério de estratificação social seria: em 2015, cerca de 8,4% da população ocupada (92 milhões no 4º. Trimestre de 2015) ou 7,7 milhões de pessoas ganhavam renda do trabalho acima de 5 salários mínimos (R$ 4.770,00 em 2018). Então, seriam 5 milhões na classe média, 2 milhões na média alta e 0,7 milhão na alta. Grosso modo, quem tem apenas o ensino médio completo recebe até o rendimento médio real habitual das 93 milhões pessoas ocupadas (R$ 2.230); quem tem o superior completo R$ 5.000; mestrado R$ 6.750; doutorado R$ 10 mil. Continuar a ler

Pesquisa Anapar Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018

Com o objetivo de compreender a percepção dos brasileiros sobre a previdência e identificar comportamentos que determinam as decisões dos cidadãos quanto a seu futuro, a Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão (ANAPAR) realizou uma pesquisa inédita com a população. Entre as descobertas, uma constatação preocupante: três fatores, combinados, levam a maioria a não guardar dinheiro para a aposentadoria, produzindo um quadro de verdadeiro “desalento previdenciário” no país:

  1. renda insuficiente,
  2. falta de perspectiva e
  3. um elevado grau de endividamento.

Pesquisa ANAPAR Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018, encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, realizou entrevistas domiciliares com 2.045 pessoas a partir de 16 anos, em 152 municípios, entre 8 e 13 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Continuar a ler

Ciência de Ficar Rico

Desconfie de um livro cujo Prefácio do Autor afirma: “este livro é pragmático, não filosófico. Um manual prático, não um tratado teórico. Ele é feito para homens e mulheres cuja necessidade mais urgente é o dinheiro, é para quem quer ficar rico primeiro e filosofar depois”.

Ao esnobar a pesquisa científica, Wallace D. Wattles, autor de “A Ciência de Ficar Rico”, revela apenas não se necessitar de nenhuma sabedoria especial para ficar rico! São outros fatores – virtuosos ou não, sorte do berço, acasos de fazer o certo no tempo e lugar certo, etc. – os determinantes do enriquecimento.

É uma questão de valores. Sábio possui valores espirituais, morais, éticos, afetivos, científicos. Rico pobre de espírito possui o que? Só dinheiroDinheiro? Graças a Deus nunca me faltou! 🙂 Continuar a ler

Private Banking e Varejo (Tradicional e de Alta Renda) em 2018

O total de recursos alocados nos segmentos private e varejo, sem considerar os recursos destinados à previdência do segmento private, alcançou R$ 2,8 trilhões em dezembro de 2018, um incremento de 9% em relação a 2017. Dentro dos três segmentos o varejo alta renda foi o que apresentou o maior crescimento no ano, de 12%, totalizando R$ 872 bilhões, seguido pelo private com variação de 11% e estoque de R$ 966,2 bilhões. O varejo tradicional registrou elevação de 5% de crescimento encerrando o ano com R$ 958,7 bilhões.

No volume financeiro por aplicações a participação de cada tipo se manteve estável. Os fundos de investimento representaram 40% dos ativos, e os títulos de renda fixa empataram com a poupança, 26% da carteira. Dentro dos fundos de investimento, o volume alocado em fundos de ações apresentou crescimento de 57% em relação a 2017, totalizando R$ 82,9 bilhões contra R$ 52,9 bilhões em 2017. Nos títulos de renda fixa o ativo que apresentou o maior aumento em relação a 2017 foram as debêntures, – elevação de 20% – acumulando R$ 31,1 bilhões.

Confirmou-se, mais uma vez, a economia brasileira ser uma “economia de endividamento”, e não uma “economia de mercado de capitais”, como forçam a casta dos mercadores-especuladores de posse do Ministério da Economia. Quem deseja carregar renda variável em uma Bolsa de Valores sujeita aos investidores estrangeiros? Os investidores optam por carregar um risco soberano dos títulos de dívida pública alocados em fundos de investimentos. Continuar a ler

Alavancagem Financeira em lugar da Parcimônia

Paradoxalmente, na análise do sistema capitalista constituído pela relação de produção estabelecida entre o capital-dinheiro e o trabalhador livre para vender sua força de trabalho, Marx e a literatura de esquerda destacam a revolução industrial, talvez por causa do surgimento de operários capazes de se organizarem em sindicatos e partidos, em vez da prévia revolução financeira, ocorrida originalmente na Holanda do século XVII. Até hoje parte da esquerda se comporta como os cristãos medievais antissemitas e contra os usurários (e/ou rentistas) na hora de pagar juros de dívida.

Os holandeses não tinham uma Monarquia Absolutista. Os governos do Estado e das cidades eram administrados por mercadores e outros burgueses – moradores das cidades – voltados para os negócios, então, cidadãos de classe de renda média. As leis locais favoreciam a iniciativa privada. Os impostos eram diminutos. As receitas arrecadadas eram gastas em investimentos ligados aos negócios, como melhorias no porto, em vez de ir para os cofres privados de nobres dinastias.

Havia poucas barreiras de classe ou religiosas impeditivas de um homem comum para abrir um negócio. Qualquer filho de agricultor imigrante, qualquer judeu fugindo da Espanha, Quaker da Inglaterra ou luterano da Alemanha era bem-vindo para aplicar seu dinheiro em um empreendimento comercial na economia local.

A arte de vender é um sentimento de empatia — uma abordagem, uma atitude, um sentimento a respeito de um comprador para se colocar no lugar dele e fazer uma proposta adequada. Alguns homens têm, outros não, independentemente de seu nível de ensino. O capitalismo comercial “pacificou” o mundo, relativamente ao passado medieval, em lugar da conquista de territórios alheios pela morte dos proprietários. Quando surgiu a divisão de trabalho perdeu o sentido matar os fornecedores! Continuar a ler

Transição entre Mercado de Capitais e Mercado de Bens e Serviços

O estudo de caso realizado pela reportagem de Leila Abboud e Arash Massoudi (Financial Times apud Valor, 29/01/2019), intitulada “Sem um grande negócio, AB InBev se desvaloriza”, propicia uma reflexão sobre a transição de banqueiros de negócios, tal como o atual czar do Ministério da Economia do Brasil, para exploração financeira do mercado de bens e serviços. Eles se dão melhor explorando diretamente o negócio de multiplicar dinheiro com o próprio dinheiro em vez de produzir e vender mercadorias para acumulação de dinheiro com geração de emprego e renda para trabalhadores.

A distribuidora Garantia foi comprada, em 1972, pela sociedade entre um operador de open-market e um dono de corretora. Foram financiados por um amigo ex-banqueiro. Ele lhes emprestou 1 milhão de dólares para a alavancagem financeira. O nascente grupo Garantia cresceu no mercado através de telefonemas em uma mesa de open.

Em sigilo o Garantia começou, em 1982, a comprar papéis das Lojas Americanas. Através da transação, o Garantia adquiriu 20% do volume de ações em Bolsa, atingindo o controle total com 63% das ações das Lojas Americanas dois anos mais tarde. Em três anos, vendeu 19% da companhia e recuperou os US$ 23 milhões investidos, sem perder o controle com 43% dela, então cotada a US$ 1 bilhão em Bolsa.

Em 1989, o Garantia arrematou em 60 dias o maior volume das ações da Brahma disponíveis no mercado. Terminada essa fase estratégica, o banco partiu para a negociação direta com o presidente da companhia. Ele detinha 33% do capital votante, através de uma holding. A necessidade de investir grandes somas na modernização das unidades e na ampliação da capacidade produtiva levou à sociedade entre a Brahma e o Garantia. Este banco de negócios deveria entrar com o aporte de capital, para a implantação do programa de investimentos, sem a Brahma se endividar.

Quando adquiriu o controle da Brahma, em novembro de 1989, a capitalização em mercado era de US$ 280 milhões. Cinco anos após, era 10 vezes maior, com uma taxa de retorno composta de 50% ao ano. Dez anos depois, houve a associação com a maior competidora, a Antarctica, formando a Ambev. Posteriormente, com sua venda para a InBev, com sede na Bélgica, a maior cervejaria mundial em termos de vendas, ela se tornou a proprietária da brasileira AmBev, a maior cervejaria do país. No entanto, colocou entre seus dirigentes os brasileiros acionistas controladores da AmBev. Continuar a ler

Fundos de Investimentos em 2018: Captação e Rendimentos

Grafico_1_FI_201901.pngNo acumulado do ano, o setor de Fundos de Investimento apresentou captação líquida positiva de R$ 84,7 bilhões, redução de 68% ante o resultado de 2017 (recorde da série histórica iniciada em 2002). Diferente do ano anterior, quando diversas classes ANBIMA sustentaram o recorde de captação, o resultado de 2018 foi concentrado em três classes: Multimercados, Ações e Previdência, que juntas captaram R$ 94,9 bilhões. Por outro lado, a classe Renda Fixa registrou saída de R$ 12,3 bilhões no ano.

O resultado reforça o movimento dos investidores de maior disposição ao risco, o que já vem ocorrendo desde 2017. Diante da perspectiva de manutenção da taxa Selic no menor patamar da história (6,5% aa), a busca por rentabilidade resultou em maior diversidade na alocação de recursos nas carteiras dos fundos de investimentos. Continuar a ler