10 Mandamentos das Finanças Pessoais

The Index Card

Helaine Olen e Harold Pollack são os coautores do novo livro “The Index Card: Why Personal Finance Doesn’t Have to be Complicated”. A obra oferece dez regras a serem seguidas por pessoas comuns para administrar seus próprios investimentos, sem ter de se formar em Finanças ou pagar altas taxas de administração e comissões.

O que você precisa saber é tão óbvio, argumentam eles, que pode ser anotado em um pedaço de papel e pregado na sua geladeira. A ideia surgiu em 2013, depois que Helaine Olen, uma jornalista de Finanças Pessoais, e Pollack, um professor da Universidade de Chicago, conversaram sobre o tema durante uma videoconferência, cuja gravação, tempos depois, tornou-se viral.

Eu (FNC) costumo resumir qualquer livro sobre Finanças, que podem ter cerca de mil páginas, para meus alunos, em apenas três conceitos-chaves, contidos na sabedoria popular:

  1. Tempo é dinheiro.
  2. Não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto.
  3. Não se consegue enganar todas as pessoas durante todo o tempo.

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Resgate de PGBL e VGBL

PGBL X VGBL

Por falta de conhecimento, quando o investidor concentra todos investimentos financeiros em Previdência Privada, mas, de maneira imprevista, precisa resgatar uma quantia considerável, p.ex., para a reforma da casa, qual é a melhor forma de fazer estes resgates? No caso em exame, ele possui PGBL e VGBL, parte em tabela progressiva e outra parte em tabela regressiva. Existe alguma estratégia para não pagar tanto imposto?

Lucas Radd (Valor, 11/01/16) é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Ele responde: Continue reading “Resgate de PGBL e VGBL”

Recompra de Bônus

Recompra de Bônus

Chrystiane Santos (Valor, 20/11/15) informa que, com a queda no preço dos títulos da dívida no mercado internacional, as empresas que têm dinheiro em caixa estão aproveitando para recomprar seus papéis e diminuir os passivos em dólar.

As operações de recompra de títulos da dívida estão sendo feitas em duas modalidades.

O primeiro tipo de transação é conhecido como “tender offer“, na qual a companhia anuncia ao mercado que vai recomprar os bônus por um preço superior ao negociado no mercado secundário e avisa que vai cancelar a dívida.

Essa transação foi escolhida pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que anunciou a recompra de até US$ 3,7 bilhões em bônus, com vencimentos em 2019, 2020 e 2023. A recompra equivale a 67% do total da dívida com vencimento nesses prazos, que é de US$ 5,6 bilhões em principal.

O Banco do Brasil (BB) fez a mesma escolha e anunciou a recompra de até US$ 600 milhões em bônus perpétuos. O valor total em circulação dos títulos que o banco pretende recomprar é de US$ 6,153 bilhões em valor do principal.

A outra forma de recompra de bônus globais é conhecida como “open market repurchase“, quando a companhia adquire os bônus sem avisar previamente ao mercado e não cancela a dívida. Mas, nesse tipo de operação há limites máximos estabelecidos para a compra. É uma medida para evitar uma possível manipulação de preços.

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Diferenciação entre Preços à Vista e a Prazo

Cartões de Pagamento

Hoje foi publicado (Valor, 21/12/15) um artigo de minha autoria avaliando o modelo brasileiro de cartões de pagamento. Ele peca por manter a memória inflacionária, ou seja, por ser remanescente do regime de alta inflação (1964-1994), quando havia aversão ao uso de cartões para pagamentos eletrônicos. É uma “herança maldita” que necessita ser superada. Compartilho os argumentos abaixo.

“Ao analisar um recurso da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte contra o Procon-MG, o relator da causa entendeu que “o cartão de crédito também é uma modalidade de pagamento à vista, uma vez que a administradora assume inteiramente a responsabilidade pelo pagamento”. Seria descabida qualquer diferenciação entre preços à vista e a prazo. Em outras palavras, “lojista não pode dar desconto para pagamento em dinheiro”.

Esse argumento jurídico configura, em Ciência Econômica, uma contradição em seus próprios termos. Ora, o crédito (pré-compromissado através de cartões) é uma transação em que o comprador, investido de confiabilidade pela loja credora, adquire um bem ou serviço que irá pagar em uma ou mais parcelas, durante tempo determinado por aquela.

Baseado nos princípios das Finanças, aquele argumento é falso. “Tempo é dinheiro”. Isto significa que o mesmo valor nominal pago no fim do “período de graça” – até 40 dias no modelo brasileiro de cartões de crédito – vale menos. Há custo de oportunidade seja pela perda de juro para remunerá-lo durante esse prazo, seja pela corrosão inflacionária de seu poder aquisitivo. Continue reading “Diferenciação entre Preços à Vista e a Prazo”

Como Escolher a Tributação na Previdência Privada

PGBL X VGBLMarcus Matos é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Respondeu, didaticamente, a uma consulta (Valor, 23/11/15) sobre como escolher a tributação na Previdência Privada. Compartilho sua resposta abaixo, pois poderá útil para muitos leitores.

“A escolha do regime de tributação, necessária no momento da contratação de toda previdência, é muito relevante e pode trazer grandes benefícios no recebimento de renda. Apesar disto, esta decisão costuma ser tomada sem uma maior reflexão e entendimento das opções disponíveis.

Apesar de ser intuitivo que, tendo um horizonte de longo prazo como o da vida profissional ativa, buscar por meio da tabela regressiva a alíquota de 10% (inferior ao mínimo de 15% que se tem na maior parte dos investimentos financeiros), é importante ter em mente que esta tributação é definitiva.

Por outro lado, a tabela progressiva de IR, cuja alíquota máxima é hoje de 27,5%, vai gerar imposto que poderá ser compensado na declaração anual, por meio do abatimento de despesas (saúde, dependentes, entre outras). Ou seja, nesta última tabela, o valor final que será pago de IR vai depender do total de sua renda (somando previdência, INSS e outras rendas tributáveis) e como esta se encaixa na tabela progressiva vigente.

Vale lembrar que a partir dos 65 anos de idade, a faixa de isenção da tabela progressiva (hoje em R$ 1.904), para efeito de rendas provenientes da Previdência oficial e/ou privada, dobra. Assim, pessoas com até R$ 3.808 de renda previdenciária a partir dos 65 anos são isentas de IR. Continue reading “Como Escolher a Tributação na Previdência Privada”

9 Milhões de Planos Individuais de Previdência Complementar

9 Milhões de Planos Individuais de Previdência Complementar

VGBL X PGBLEstimo a elite econômico-financeira no Brasil em torno de 9 milhões de pessoas com a seguinte estratificação social:

  • 9.601.162 pessoas com Ensino Superior Completo, sendo 8.979.706 com graduação, 451.209 com mestrado e 170.247 com doutorado;
  • 9% da população ocupada em classes de renda acima de 5 salários mínimos (R$ 3.940);
  • 10% das pessoas que moram em domicílios cuja renda familiar é classificada na faixa B [R$ 5.275 – R$ 7.974] ou na faixa A [acima de R$ 7.974];
  • 8.967.859 investidores em Fundos, em junho de 2015, sendo 6.103.165 em Varejo (68% com média per capita de R$ 45.265,78), e 2.864.694 em Varejo de Alta Renda (32% e R$ 161.952,10), além dos 57.505 clientes Private Banking com média per capita de R$ 12.069.350,71.
  • Eram 8.572.627 depositantes (6,6% do total de clientes) que tinham, em junho de 2014, reservas em suas cadernetas de poupança acima de R$ 15.000,00, porém, possuíam 79,8% dos depósitos totais.

Outra fonte de informação a respeito de forma de manutenção de riqueza indica que são 9 milhões em planos individuais em VGBL/PGBL. Ao todo, são 91,3 mil pessoas já beneficiárias, em um universo de 12,19 milhões de participantes, inclusive empresariais, de Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), disponíveis no mercado brasileiro desde 2002 em todo o país.

As aplicações em PGBL cresceram em média 24% ao ano desde então, tendo acumulado, em agosto de 2015 um saldo de R$ 97 bilhões. No caso do VGBL, o ritmo foi mais forte, com incremento anual médio de 55% e saldo, em agosto, de R$ 349 bilhões, segundo números da FenaPrevi, a federação nacional que reúne as empresas de Previdência Complementar.

Aposentadoria Precoce Continue reading “9 Milhões de Planos Individuais de Previdência Complementar”

Arbitragem entre Juros Internos e Externos: descontados ou acrescidos da conversão cambial esperada

Rentabilidade Anual com Cupom Cambial

Luiz G. Belluzzo foi meu professor no Instituto de Economia da Unicamp. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists. Gabriel Galípolo, professor do Departamento de Economia da PUC/SP, é sócio da Galípolo Consultoria. Ambos publicaram um artigo (Valor, 01/12/15) sobre o tema do meu post “Rentabilidade Média Anual dos Investidores com o Cupom Cambial“. Para complementar a análise, compartilho abaixo o artigo deles.

“Keynes propôs a “Clearing Union“, uma espécie de Banco Central dos bancos centrais. O plano visava, sobretudo, eliminar o papel perturbador exercido por qualquer divisa-chave enquanto último ativo de reserva do sistema. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país emissor, mas também de evitar que a moeda internacional assumisse a função de um perigoso agente da “fuga para a liquidez”.

A referência indica o reconhecimento implícito da diferença de qualidade entre os títulos de riqueza denominados nas moedas nacionais e os carimbados com o selo da moeda universal: são substitutos imperfeitos. Ao invés de proporcionar a esperada convergência das taxas de juros, a mobilidade de capitais tem proporcionado ganhos aos mercados financeiros decorrentes da arbitragem entre juros internos e externos, descontados ou acrescidos os diferenciais de inflação. Continue reading “Arbitragem entre Juros Internos e Externos: descontados ou acrescidos da conversão cambial esperada”