FinTechs e Gestão da Sobra de Recursos: Poupança ou Investimento Financeiro?

Sobra de RecursosO aplicativo de Finanças Pessoais Guia Bolso foi criado por uma das startups brasileiras na área de tecnologia financeira, as chamadas fintechs. O cofundador do GuiaBolso quer adicionar novas funcionalidades ao aplicativo e continuar aumentando sua base de usuários. Desde o lançamento do aplicativo, em agosto do ano de 2014, o número chegou a 1 milhão. A meta agora é atingir 5 milhões até o fim do ano que vem. Até lá, o número de funcionários da empresa pode mais que dobrar, chegando a 100 pessoas. “Assim como as pessoas olham o Waze para saber do trânsito, queremos que elas usem o GuiaBolso para cuidas das finanças”, disse o executivo.

Entre os propulsores do crescimento, destaca-se o cenário econômico do país, que faz com que os consumidores busquem mais informações e conhecimento sobre serviços financeiros. Os brasileiros necessitam entender como podem usar da melhor forma as opções que têm para proteger e ampliar seu patrimônio.

A diferença do GuiaBolso para outros aplicativos de finanças pessoaisa possibilidade de fazer uma ligação direta com contas de bancos. Assim, não é preciso cadastrar manualmente os gastos. O próprio aplicativo puxa as informações e calcula receitas e gastos.

Entre as novidades que podem ser desenvolvidas, destaca-se a oferta de serviços financeiros como empréstimos e seguros com base no perfil do usuário. A ideia é fazer isso por meio de parcerias com outras bancos e seguradoras. A agência tem um alcance limitado, não atende todo mundo. Os bancos estão enxergando que existe espaço para esse tipo de parceria.

Outros aplicativos disponíveis na web:

NuBank, que faz um cartão de crédito totalmente administrado por meio de um aplicativo;

BankFacil, que faz empréstimos com garantia de bens como carros e imóveis.

Mint.com, a versão americana do GuiaBolso

Endeavor, 10 ferramentas para empreendedores.

Algoritmo para Investimentos Necessários à Aposentadoria: o conceito 1, 3, 6, 9

Previdência Privada no 1 Sem 2015Alessandra Bellotto e Sérgio Tauhata (Valor, 05/08/15) informam que, no banco Itaú, o grande fluxo de recursos para investir em Previdência Privada (PGBL/VGBL) vem de um grupo de pessoas que costumam fazer contribuições maiores, mas representante do banco nota também o aumento da base — hoje formada por 2 milhões de clientes — como resultado de um esforço de venda de planos com contribuições mensais. Esse é um cliente que não tem muita sobra de dinheiro, mas começa a ter uma disciplina maior de “poupança”, na verdade, investimento financeiro. São aportes menores, mas que já representam 20% do volume de captação do banco e têm começado cada vez mais cedo.

A partir da adoção pelo banco de um algoritmoo conceito 1, 3, 6, 9 -, ficou mais fácil para o cliente saber quanto tem de acumular para manter o padrão de vida atual na aposentadoria:

  • quem tem 35 anos, precisa ter acumulado uma reserva de um salário anual, p.ex., se ganha R$ 5.000 / mês, terá de ter no mínimo R$ 60.000,00 de reservas no PGBL.
  • aos 45 anos, três salários anuais, p.ex., quem recebe R$ 10.000 / mês (R$ 120.000 ao ano), necessitará de saldo de R$ 360.000,00;
  • aos 55 anos, seis salários anuais, p.ex., quem recebe R$ 15.000 / mês (R$ 180.000 ao ano), necessitará de saldo de R$ 1.080.000,00, ou seja, ser milionário em reais; e,
  • aos 65 anos, nove salários anuais, p.ex., quem recebe R$ 25.000 / mês (R$ 300.000 ao ano), necessitará de saldo de R$ 2.700.000,00, ou seja, tentar ser “quase milionário em dólares”.

O trabalhador-investidor nessa última faixa de idade está na pré-aposentadoria. Com três milhões de reais em volume de negócios, ele se torna um cliente de Private Banking. Existem apenas 58.000 pessoas nessa situação no Brasil.

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Finanças Pessoais: Aplicativos para Orçamento Familiar e Investimentos Financeiros

Tabelas mês a mês

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    Todas as famílias

    Uma tabela com os gastos mais comuns da família brasileira para prever e controlar tudo de acordo com a renda da família.

    Baixe aqui.

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    Estudantes

    Faça a lição de casa contando tudo que gasta, inclusive com os estudos.

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    Donas de casa

    Cuidar do lar, dos filhos, das compras.

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    Aposentados

    Ideal para quem recebe aposentadoria e quer organizar sua vida financeira.

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Jiane Carvalho (Valor, 11/08/15) afirma que uma gestão adequada do orçamento doméstico, com controle de gastos e definição de metas e estratégias para alcançá-las, é a essência de qualquer projeto de educação financeira e, pode-se dizer, uma fórmula bastante difundida. Ainda assim, para boa parte dos brasileiros, manter os gastos sob controle é uma realidade distante. O uso excessivo do cheque especial, quando há linhas de crédito mais baratas disponíveis, o pagamento do valor mínimo do cartão de crédito, no lugar de parcelamentos disponíveis na fatura, são só alguns exemplos de que, na prática, a teoria é outra.

E em momentos como o atual, de crise econômica e desemprego, o quadro agrava-se. Segundo levantamento da Serasa Experian, no fim de junho, o número de inadimplentes no país alcançava 56,4 milhões, com R$ 243 bilhões em dívidas em atraso De olho nesse contingente, as iniciativas de Educação Financeira dos bancos avançam, abrangendo não só a teoria, por meio de cursos e textos informativos, como o fornecimento de ferramentas práticas. Disponível hoje para correntistas ou não, há desde simuladores de projetos, que ajudam na definição de metas, e planilhas de controles de gastos, algumas já associadas à movimentação das contas correntes, até dispositivos que alertam o cliente quando os gastos se aproximam de um descontrole.

A tendência é que as ferramentas de gestão pessoal disponíveis, ainda pouco conhecidas pelo público, ganhem adeptos principalmente com o desenvolvimento de aplicativos (app) para uso em mobile, como celulares e tablets. Hoje, a maioria dos dispositivos está disponível apenas nos sites dos bancos.

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Debênture da Petrobras: Elevação do Custo de Oportunidade

Debênture da PetrobrasVinicius Pinheiro (Valor, 28/05/15) informa que a Petrobras ofereceu uma taxa considerada elevada para atrair investidores para uma captação de pelo menos R$ 3 bilhões que pretende realizar no mercado de capitais com uma oferta de debêntures.

A oferta de debêntures da Petrobras será dividida em cinco séries, com prazos e taxas voltadas a públicos distintos. Nas duas primeiras, destinadas principalmente a fundos de investimento, a companhia propôs uma remuneração atrelada ao CDI (taxa equivalente à Selic) mais um spread de até 2,15% ao ano. O custo final para a companhia poderá ser menor dependendo da demanda dos investidores.

Caso a taxa saia no teto proposto, a Petrobras pagará quase três vezes o que a credenciadora de cartões Cielo assegurou em sua emissão de R$ 4,6 bilhões em debêntures em abril. A oferta saiu a 105,8% do CDI, equivalente a um spread de 0,72%, nos cálculos de uma fonte de mercado.

As operações não são perfeitamente comparáveis, já que a emissão da Cielo tem prazo de três anos, enquanto a Petrobras pretende captar os recursos em CDI por cinco anos. Ainda assim, a diferença surpreendeu, já que ambas são classificadas como empresas com rating “AAA”, em escala local.

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Desigualdade Financeira nos Depósitos de Poupança

Desigualdade FinanceiraSérgio Tauhata (Valor, 19/05/15) informa que a saída líquida de R$ 29 bilhões da poupança nos quatro primeiros meses do ano lançou uma interrogação sobre o comportamento desse fluxo de recursos, ou seja, para onde foi e porque esse dinheiro está deixando a aplicação? Segundo especialistas, as respostas apontam para três fatores principais:

  1. uma reação dos grandes poupadores à subida dos juros,
  2. a diminuição da renda que sobra para guardar e
  3. a alta do endividamento.

No entanto, dessas três variáveis que impactam a captação da poupança, a correção de rumo dos maiores poupadores para aproveitar a subida dos juros provavelmente responde pela maior parcela do movimento de saída líquida de recursos. Isso porque, segundo o levantamento semestral divulgado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a concentração de valores depositados na caderneta nas mãos de poucos clientes, desde 2006, nunca foi tão alta quanto nos últimos dois anos.

Segundo os dados mais atuais do FGC, de dezembro de 2014 (ainda não postada em seu site):

  • embora 73,2% dos clientes de poupança tenham fechado o ano com depósitos de, no máximo, R$ 1 mil,
  • sendo que 55% fizeram aportes de até R$ 100 em suas contas,
  • 85% dos recursos aplicados na tradicional caderneta estão na faixa acima de R$ 10 mil, porém, esses aportes foram feitos por um grupo de apenas 9% dos investidores.

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As Manadas e os Neurônios-espelho (por Aquiles Mosca)

Aquiles Mosca

Outro autor que aprecio é Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“.  Li este último e considero-o um ótimo resumo do assunto.

Confira seu artigo (Valor, 09/04/15) a respeito de um tema de Finanças Comportamentais. Continuar a ler

Juro Real em Longo Prazo em NTN-B

Resistência do juro real em NTN-B

Em homenagem ao Dia do Trabalhador, vamos lembrar do rentista, aquele que vive exclusivamente de rendas, de rendimentos que podem ser juros, aluguéis, lucros… e salários! Ou o valoroso rentista não trabalha?

A NTN-B — tiítulo de dívida pública de longo prazo — paga ao investidor uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Por isso, representa o juro real esperado por O Mercado. A taxa do papel com vencimento em 2050 já caiu para baixo de 4% aa, no fim de 2012, durante “a Cruzada da Dilma” para buscar tirar o Brasil dos primeiros lugares do ranking de maiores taxas de juros reais do planeta. Chegou a testar os 7% aa, quando houve um movimento internacional de desalavancagem em função da aposta em elevação de juros nos Estados Unidos. Mas, com a campanha golpista que ameaça a democracia brasileira, esse rendimento não consegue recuar para menos de 6% aa.

O que chama a atenção dos especialistas é que, desde o fim de março de 2015, O Mercado passou por um ajuste de preços, seguindo uma melhora na aversão ao risco global. A volatilidade do dólar diminuiu, abrindo espaço para investidores estrangeiros voltarem a aplicar nos atrativos rendimentos oferecidos no Brasil. Eles já superaram os fundos de investimentos no carregamento dos títulos de dívida pública, detendo mais que 1/5 do total.

Na cena brasileira, o auge da instabilidade política ficou para trás e a sensação de paralisia do Congresso arrefeceu, encerrando a falsa discussão midiática sobre a saída de Levy do posto de defensor do ajuste fiscal. Com todos esses factóides sendo superados, “o juro longo ainda resiste”, exatamente porque esses fatos políticos não têm relação direta de causalidade com juros! Jornalistas têm o péssimo hábito não científico de correlacionar fatos que ocorrem em simultâneo como tivessem, necessariamente, uma relação de causalidade entre eles. Misturam alhos com bugalhos…

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