Como funciona o Bitcoin

Tenho dado entrevistas sobre o Bitcoin: Reportagem do G1 sobre Bitcoin Ontem, foi a vez da TV Record vir aqui em casa e o Gerson Dias gravar uma entrevista comigo que será apresentada domingo à noite. Escrevi um artigo sobre o assunto para o Jornal GGN: Bitcoin: Nova Forma para Velha Especulação. Antes de o ler, vale ter algumas informações técnicas para entender mais o tema.

O blockchain, também conhecido como “o protocolo da confiança”, é uma tecnologia que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que possuem a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros.

Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada , isto é, qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações, obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído.

A blockchain é vista como a principal inovação tecnológica do bitcoin visto que é a prova de todas as transações na rede. Seu projeto original tem servido de inspiração para o surgimento de novas criptomoedas e de bancos de dados distribuídos.

Apesar da relativa popularidade, o bitcoin e as moedas criptografadas ainda geram muitas dúvidas, tanto operacionais quanto legais, especialmente para quem não opera nesse segmento. Essas são algumas das questões mais frequentes que envolvem o bitcoin. Fernando Torres (Valor, 14/11/17) tira algumas dúvidas a respeito. Continue reading “Como funciona o Bitcoin”

Educação Financeira e Equívocos de “Economistas Especialistas”


Ana Estela de Souza Pinto (FSP, 11/12/17) publicou longa reportagem sobre assunto sobre o qual me surpreende a quantidade de asneiras com que “economistas-especialistas” pautam a imprensa: o suposto “hábito de poupança”. Os colegas com formação ortodoxa tratam esse tema macroeconômico e social como fosse:

  1. uma questão de força-de-vontade individual,
  2. um “sacrifício para chegar ao paraíso do consumo futuro”, via uma parcimônia religiosa, ou
  3. um imediatismo/consumismo de O Brasileiro — mas quem é, hein? –, devido ao Estado de Bem-Estar Social brasileiro!

Acreditem: já li colega-colunista afirmando isso sem nenhum pudor — e ainda achando que reforçava seu argumento ao dizer que “o Estado chinês por não oferecer essa nossa extraordinária qualidade de vida tornou os chineses poupadores”! Podes crer…

Tendo a ignorância chegado a esse patamar inacreditável, mas que eu não ousaria dizer insuperável, pois ela pode sempre surpreender, é prudente eu lembrar aos leitores um be-a-bá keynesiano ou de Finanças Comportamentais, comentando a citada reportagem. Não se deixem engabelar por “economistas-especialistas” com a péssima formação ortodoxa! Continue reading “Educação Financeira e Equívocos de “Economistas Especialistas””

Finanças dos Trabalhadores: Investir para Aposentadoria

Segundo reportagem de Gilmara Santos (FSP, 27/11/17), a dúvida sobre as regras em vigor na Previdência Oficial fez muitos recorrerem  Planos de Aposentadoria Complementar para tentar assegurar uma renda do capital financeiro no futuro.

Em agosto de 2017, esses planos (PGBL/VGBL) ganharam mais de 1 milhão de participantes ante o mesmo mês do ano passado, de acordo com a Fenaprevi (federação que reúne as entidades do setor). A captação líquida, ou seja, a diferença entre contribuições e resgates, estava positiva em R$ 34,17 bilhões no ano.

A tendência é que as discussões envolvendo a reforma impulsionem ainda mais a procura por esses planos. Embora o intuito da previdência privada sempre tenha sido importante, todos profissionais que recebem mais de dois salários mínimos — média do INSS — estão preocupados porque vão ter que contribuir fora da Previdência Social.

É preciso buscar alternativas na Previdência Complementar, pois a oficial está deficitária por causa da Grande Depressão — e os golpistas estão mudando as regras durante o jogo. O plano do governo temeroso precisa ser apreciado no plenário da Câmara e do Senado, em dois turnos. Continue reading “Finanças dos Trabalhadores: Investir para Aposentadoria”

Gestão da Dívida Pública pelo Tesouro Nacional

demanda estrutural por títulos prefixados mais longos, sustentada especialmente por Fundos de Previdência Aberta (PGBL/VGBL), segundo José Franco Medeiros de Morais, subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional. Essa obrigação normativa dos investidores em alongar posições levou a uma redução do custo do Tesouro na venda desses papéis a mínimas históricas na comparação com os juros de mercado. Para a STN, pagar spreads negativos por títulos longos pode ser “o novo normal“. Será verdade?

Na verdade, é conjuntural a demanda mais forte por papéis prefixados, pois ocorreu em função da firme tendência de queda da Selic. Ela ajudou o Tesouro a elevar o seu colchão de liquidez para perto de dez meses, prazo em torno de máximas históricas. Tradicionalmente, essa “folga” fica entre três e seis meses. Editei abaixo os principais trechos da entrevista a José de Castro (Valor, 17/11/17), para no final do post tirar lições para uma estratégia adequada aos investidores pessoas físicas trabalhadoras. Continue reading “Gestão da Dívida Pública pelo Tesouro Nacional”

Captações via Mercado de Capitais X BNDES

Os “gênios da profissão” estão “felizes como pinto no lixo” porque já obtiveram o que almejavam:

  1. criminalizar o financiamento desenvolvimentista do BNDES;
  2. nivelar por baixo o BNDES;
  3. inferiorizar o BNDES face ao Banco Mundial;
  4. abrir espaço para o mercado de capitais privado, derrubando o BNDES.

Sérgio Tauhata (Valor, 09/11/17) informa que Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec- Ibmec) afirma que:

  • o crescimento recente do mercado de capitais e
  • a tendência de manter essa expansão nos próximos anos têm ligação direta com:
  1. a queda da taxa de juros para perto da mínima histórica e
  2. a mudança da política de desembolsos do BNDES.

Segundo o pesquisador, a maior parte das companhias financiadas pelo banco de fomento até o início da crise econômica eram de porte grande, com modelo de governança, transparência e balanço auditado, ou seja, aptas a recorrer ao mercado de capitais. “Essa fonte alternativa de recursos mais interessante afastou essas companhias das emissões”. Continue reading “Captações via Mercado de Capitais X BNDES”

I PRÊMIO LARES IBAPE/SP

Caros seguidores deste modesto blog: compartilho uma boa notícia. O artigo que meus alunos e eu fomos coautores, escrito no curso de Doutoramento do IE-UNICAMP, na disciplina “Economia Interdisciplinar”, ministrada no segundo semestre de 2016,  foi o trabalho vencedor do I PRÊMIO LARES IBAPE/SP.

O I PRÊMIO LARES IBAPE/SP foi conferido na XVII Conferência Internacional da LARES 2017. Veja: http://lares.org.br/lares2017/
 
Leia o trabalho vencedor: TDIE 284 – Riqueza Imobiliária

Milionários “Poupadores” e “Investidores” em Automóvel: Maus Exemplos de “Bons Clientes”

Danielle Brant (FSP, 23/10/17) publicou reportagem sobre um aparente mistério de irracionalidade sem esclarecer o perfil dos clientes milionários que investem em caderneta de poupança. Qual é a faixa etária? Será que é ainda o trauma do “confisco da poupança” pelo Collor há ¼ de século?! O argumento é que “um novo confisco de depósitos de poupança por O Governo criaria uma grande tensão social”?!

Estamos vivendo sob o império da burrice. Na rede social — e na vida pública –, se perdeu o pudor de demonstrar a ignorância, pois sempre se acha algum ignorante que concorda consigo. É o viés heurístico da auto validação ilusória.

Além de abrir mão de um ganho maior, quem deixa mais de R$ 1 milhão na caderneta ainda tem que lidar com o risco de perder parte do dinheiro em caso de quebra da instituição financeira em que os recursos estão. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) assegura depósitos até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. No caso de quem tem mais que R$ 1 milhão, seria necessário dividir os valores em bancos diferentes para contar com a garantia integral do FGC. Leia: FGC Censo 2016 e FGC-06.2017. Continue reading “Milionários “Poupadores” e “Investidores” em Automóvel: Maus Exemplos de “Bons Clientes””