Tesouro Direto ou Bolsa de Valores?

Teremos para sempre uma economia de endividamento (público e bancário), aliás, como predomina no resto do mundo, exceto nos EUA, onde existe uma economia de mercado de capitais, centralizada na Bolsa de Valores de Nova Iorque (New York para os esnobes)? Os PhDeuses lá neocolonizados, culturalmente, almejam extrair algo do tipo aqui à fórceps, baseados na premissa de “o bom para os States é bom para o Brasil“!

Depois de examinar os dados acima com as diferenças de rentabilidade real acumulado neste ano entre renda fixa (pós-fixada ou DI: 2,08% até novembro) e renda variável (volátil mensalmente, mas acumulando 13,18%), compare os dois artigos abaixo. Um diz a respeito do Tesouro Direto, outro aos ciclos do Ibovespa.

Qual é sua escolha:

  • estabilidade sem flutuação de valor-de-mercado acima da taxa de inflação para proteger o poder aquisitivo de o suado dinheirinho fruto de esforço laboral ou instabilidade com emoção da renda variável?
  • na Bolsa de Valores se ganha ou se perde mais; você tem capacidade de fazer escolha de ações com base em uma análise fundamentalista ou uma grafista?
  • Ou você é um especulador profissional com permanente acompanhamento online das altas e baixas e capacidade reativa rápida face às oportunidades ou aos riscos de perda? Acredita em sua percepção de “time-market“: entrar na baixa e sair na alta? Continue reading “Tesouro Direto ou Bolsa de Valores?”

Biologia Evolutiva: Finanças Darwinistas (por Charles Goodhart)

Época (25/11/18) publicou importante artigo-resenha do livro Mercados Adaptáveis — Evolução financeira na velocidade do pensamento, de Andrew W. Lo, publicado pela Alta Books (2018 | 504 páginas). A resenha foi escrita por Charles Goodhart, autor inglês, cuja obra sobre Finanças merece ser lida. Compartilho-a abaixo com propósitos didáticos.

“Andrew W. Lo é um autor prolífico. Professor de finanças na Sloan School of Management, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ganhou reconhecimento do público, por causa de seu livro A non-random walk down Wall Street (Uma caminhada não aleatória por Wall Street, sem edição em português), e dos profissionais, por seus artigos em periódicos importantes de finanças e economia. Lo conquistou muitos prêmios em sua carreira.

Em seu novo livro, Mercados adaptáveis — Evolução financeira na velocidade do pensamento (editora Alta Books), ele desafia a base científica de muitas teorias mainstream de finanças e economia. Seu argumento é que omainstreamestá baseado em uma abordagem estática derivada da física teórica. Ele afirma que a biologia evolutiva deve assumir esse lugar. Facile à dire, difficile à faire (Fácil de dizer, difícil de fazer).

As Ciências Sociais são sempre mais complexas do que as Ciências Naturais. Experimentos controlados raramente são possíveis. Seres humanos aprendem e se adaptam. Após a condução de um experimento, não há garantia de que os experimentos posteriores produzirão os mesmos resultados. O ambiente dos hábitos, regras, leis e costumes no qual os homens vivem está sempre mudando. Qualquer estado econômico inicial, usando a linguagem da física, é compatível com um grande número de desenvolvimentos evolutivos. Não conhecemos, no momento, a maioria deles. Eles correspondem a situações de incerteza, e não de risco.

O que fazer? Continue reading “Biologia Evolutiva: Finanças Darwinistas (por Charles Goodhart)”

Educação Financeira para Pobres; Ricos têm Recall Psicológico à vontade

Recall Psicológico é oferecido por “bankers” (consultores/gerentes de investimentos); é um “argumento de autoridade” para o cliente poder atribuir eventual fracasso em sua estratégia financeira e não perder também a autoestima. Em seu viés de auto-atribuição o sucesso é exclusivamente próprio — e o fracasso, naturalmente, é culpa de terceiros, no caso, o responsável pelo aconselhamento.

Marcelo d’Agosto (Valor, 22/11/18) avalia a educação financeira ser fundamental para o desenvolvimento pessoal e o progresso econômico do país.

“Na medida em que aprendemos o valor do dinheiro no tempo, somos capazes de tomar decisões mais embasadas. Elas levam a maior satisfação no longo prazo. Conjuntamente, as escolhas financeiras individuais terminam por impactar o bem estar de toda a população.

Opções tais como consumir hoje, poupar para o futuro, assumir um endividamento com prazo determinado e estratégia clara para a quitação, estabelecer um plano de investimentos com objetivos específicos ou administrar um negócio ficam mais fáceis de serem avaliadas se o conhecimento financeiro for alto.

A prática, no entanto, revela que a transmissão de conhecimento financeiro não é tarefa simples. Alguns programas de educação financeira acabam sendo mais bem sucedidos do que outros. Continue reading “Educação Financeira para Pobres; Ricos têm Recall Psicológico à vontade”

Bancos de Negócios “Rouba-Monte”: BTG X XP

Maria Luíza Filgueiras (Valor, 07/11/18) publicou uma reportagem cujo conteúdo fica mais inteligível juntando com outra notícia postada em seguida.

Com uma postura mais conservadora nas atividades de risco no último trimestre, o banco BTG Pactual do bilionário André Esteves, ex-sócio do Pérsio Arida, teve uma desaceleração de receita e rentabilidade, mas está com uma estrutura de capital mais robusta para um cenário de retomada de crescimento econômico. O que ainda não está claro, para a instituição, é quando esse ritmo vai aumentar.

“O Brasil vem de uma fase complicada, de uma recessão grave, equivalente a países em esforço de guerra. Pode acontecer um efeito de mola comprimida, impulsionando a economia a curto e médio prazo de modo significativo”, disse o diretor financeiro do BTG Pactual. “Mas isso depende das condições certas. Acredito que nas próximas semanas vai ficar mais claro qual o potencial desse efeito.”

Até que o cenário seja definido, o banco continuará com estratégia mais conservadora. “No quarto trimestre vamos continuar com alguma ineficiência de resultado porque temos preferido ficar com balanço bem líquido, desalavancados, e no momento é uma estratégia que está se mostrando bem acertada”, disse. “Temos um ‘dry powder‘ para usar quando precisar.” Continue reading “Bancos de Negócios “Rouba-Monte”: BTG X XP”

História da Primeira Gestora Independente de Patrimônio Financeiro

Sérgio Tauhata (Valor, 07/11/18) cita: “A primeira regra da pescaria é: pesque onde os peixes estão.” A frase de Charlie Munger, sócio de Warren Buffett na Berkshire Hathaway, aparece com destaque na carta aos clientes em que a IP Capital comemora seus 30 anos. Os peixes, no caso, são empresas fora de série, ou seja, “negócios muito sólidos, rentáveis no longo prazo e formados por pessoas excelentes”, resumem os sócios da primeira gestora independente a surgir no Brasil.

Quando a IP nasceu, em 1988, no Rio de Janeiro, os órgãos reguladores nem mesmo reconheciam a figura do gestor independente, ou seja, aquele não ligado a bancos. Tanto que o fundo mais antigo nasceu apenas cinco anos após a casa ter aberto as portas.

Quem fundou a gestora junto com um sócio, naqueles primeiros anos, entre 1988 e 1993, a IP administrou individualmente as carteiras dos clientes. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a reconhecer a figura do gestor independente só a partir de 1993. Foi quando criaram primeiro fundo IP Participações, para o qual transferiram todos os nossos clientes.

O IP Participações fez 25 anos em 2018. Desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, até setembro deste ano, o fundo acumula valorização nominal de 13.317%. A gestora prefere não contabilizar o ganho do primeiro ano justamente devido ao efeito da hiperinflação. Naquele ano, o IPCA acusou alta de 2.477%. Teria de calcular as rentabilidade em dólar” para considerar o ganho de 1993. Continue reading “História da Primeira Gestora Independente de Patrimônio Financeiro”

Inovação Financeira: Desintermediação Bancária

Adriana Cotias (Valor, 19/11/18) conta um caso representativo: depois de uma carreira de mais de uma década na assessoria a investidores de alta renda em instituições como Itaú, HSBC e Safra, uma gerente resolveu trocar a rotina da agência bancária pela de um escritório de agentes autônomos no Rio. Recém-chegada à Inove Investimentos, ela tem como meta pessoal consolidar, em 12 meses, uma carteira de cerca de R$ 100 milhões, mais de 60% do tamanho do portfólio sob sua gestão no Safra.

A transição voluntária da profissional é simbólica de um movimento ocorrendo no mercado brasileiro. Até poucos anos atrás considerada carreira acessória nas corretoras, a atividade deixou de ser mera opção para quem perdeu o emprego nos inúmeros cortes do setor e passou a ser almejada por “bankers“, profissionais que atendem o público mais endinheirado em instituições de primeira linha.

Hoje esse profissional é diretamente assediado pelos escritórios. Se antes o discurso da “desbancarização” das plataformas era dirigido ao investidor, agora o “canto da sereia” vem pela cadeia dos próprios agentes. O “inimigo” dos bancos pode estar dentro de casa.

A grande patrocinadora dessa mobilidade é a XP Investimentos. Em meio à meta de chegar a R$ 1 trilhão em ativos até 2020 – sendo R$ 250 bilhões só no private -, tem oferecido incentivos generosos a assessores novatos que trazem grandes volumes. Em 18 meses, o cheque pode chegar a R$ 200 mil para o profissional que forma uma carteira de R$ 80 milhões. A ideia é ser ofensivo enquanto a reação dos bancos não vem. Continue reading “Inovação Financeira: Desintermediação Bancária”

Fundos de Investimento Imobiliário (FII): Desmobilização do Imobilizado

A BM&F-BOVESPA (http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listados-a-vista-e-derivativos/renda-variavel/fundos-de-investimento-imobiliario-fii.htm) informa: o Fundo de Investimento Imobiliário (FII) é uma comunhão de recursos destinados à aplicação em ativos relacionados ao mercado imobiliário. Cabe ao administrador, uma instituição financeira específica, constituir o fundo e realizar o processo de captação de recursos junto aos investidores através da venda de cotas.

Os recursos captados na venda das cotas poderão ser utilizados para a aquisição de imóveis rurais ou urbanos, construídos ou em construção, destinados a fins comerciais ou residenciais, bem como para a aquisição de títulos e valores mobiliários ligados ao setor imobiliário, tais como cotas de outros FIIs, Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), ações de companhias do setor imobiliário etc.

Todo FII possui um regulamento e/ou prospecto para ser lido pelos investidores. Dentre outras disposições, determina a política de investimento do fundo. A política pode ser específica e estabelecer, por exemplo, o FII investir apenas em imóveis prontos destinados ao aluguel de salas comerciais, ou ser genérica e permitir ao fundo adquirir imóveis prontos em geral ou em construção, os quais poderão ser alugados ou vendidos.

Com a aquisição dos imóveis, o fundo obterá renda com sua locação, venda ou arrendamento. Caso aplique em títulos e valores mobiliários, a rendase originará dos rendimentos distribuídos por esses ativos ou ainda pela diferença entre o seu preço de compra e de venda (ganho de capital). Os rendimentos auferidos pelo FII são distribuídos periodicamente aos seus cotistas. Continue reading “Fundos de Investimento Imobiliário (FII): Desmobilização do Imobilizado”