Debênture da Petrobras: Elevação do Custo de Oportunidade

Debênture da PetrobrasVinicius Pinheiro (Valor, 28/05/15) informa que a Petrobras ofereceu uma taxa considerada elevada para atrair investidores para uma captação de pelo menos R$ 3 bilhões que pretende realizar no mercado de capitais com uma oferta de debêntures.

A oferta de debêntures da Petrobras será dividida em cinco séries, com prazos e taxas voltadas a públicos distintos. Nas duas primeiras, destinadas principalmente a fundos de investimento, a companhia propôs uma remuneração atrelada ao CDI (taxa equivalente à Selic) mais um spread de até 2,15% ao ano. O custo final para a companhia poderá ser menor dependendo da demanda dos investidores.

Caso a taxa saia no teto proposto, a Petrobras pagará quase três vezes o que a credenciadora de cartões Cielo assegurou em sua emissão de R$ 4,6 bilhões em debêntures em abril. A oferta saiu a 105,8% do CDI, equivalente a um spread de 0,72%, nos cálculos de uma fonte de mercado.

As operações não são perfeitamente comparáveis, já que a emissão da Cielo tem prazo de três anos, enquanto a Petrobras pretende captar os recursos em CDI por cinco anos. Ainda assim, a diferença surpreendeu, já que ambas são classificadas como empresas com rating “AAA”, em escala local.

Continuar a ler

Desigualdade Financeira nos Depósitos de Poupança

Desigualdade FinanceiraSérgio Tauhata (Valor, 19/05/15) informa que a saída líquida de R$ 29 bilhões da poupança nos quatro primeiros meses do ano lançou uma interrogação sobre o comportamento desse fluxo de recursos, ou seja, para onde foi e porque esse dinheiro está deixando a aplicação? Segundo especialistas, as respostas apontam para três fatores principais:

  1. uma reação dos grandes poupadores à subida dos juros,
  2. a diminuição da renda que sobra para guardar e
  3. a alta do endividamento.

No entanto, dessas três variáveis que impactam a captação da poupança, a correção de rumo dos maiores poupadores para aproveitar a subida dos juros provavelmente responde pela maior parcela do movimento de saída líquida de recursos. Isso porque, segundo o levantamento semestral divulgado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a concentração de valores depositados na caderneta nas mãos de poucos clientes, desde 2006, nunca foi tão alta quanto nos últimos dois anos.

Segundo os dados mais atuais do FGC, de dezembro de 2014 (ainda não postada em seu site):

  • embora 73,2% dos clientes de poupança tenham fechado o ano com depósitos de, no máximo, R$ 1 mil,
  • sendo que 55% fizeram aportes de até R$ 100 em suas contas,
  • 85% dos recursos aplicados na tradicional caderneta estão na faixa acima de R$ 10 mil, porém, esses aportes foram feitos por um grupo de apenas 9% dos investidores.

Continuar a ler

As Manadas e os Neurônios-espelho (por Aquiles Mosca)

Aquiles Mosca

Outro autor que aprecio é Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“.  Li este último e considero-o um ótimo resumo do assunto.

Confira seu artigo (Valor, 09/04/15) a respeito de um tema de Finanças Comportamentais. Continuar a ler

Juro Real em Longo Prazo em NTN-B

Resistência do juro real em NTN-B

Em homenagem ao Dia do Trabalhador, vamos lembrar do rentista, aquele que vive exclusivamente de rendas, de rendimentos que podem ser juros, aluguéis, lucros… e salários! Ou o valoroso rentista não trabalha?

A NTN-B — tiítulo de dívida pública de longo prazo — paga ao investidor uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Por isso, representa o juro real esperado por O Mercado. A taxa do papel com vencimento em 2050 já caiu para baixo de 4% aa, no fim de 2012, durante “a Cruzada da Dilma” para buscar tirar o Brasil dos primeiros lugares do ranking de maiores taxas de juros reais do planeta. Chegou a testar os 7% aa, quando houve um movimento internacional de desalavancagem em função da aposta em elevação de juros nos Estados Unidos. Mas, com a campanha golpista que ameaça a democracia brasileira, esse rendimento não consegue recuar para menos de 6% aa.

O que chama a atenção dos especialistas é que, desde o fim de março de 2015, O Mercado passou por um ajuste de preços, seguindo uma melhora na aversão ao risco global. A volatilidade do dólar diminuiu, abrindo espaço para investidores estrangeiros voltarem a aplicar nos atrativos rendimentos oferecidos no Brasil. Eles já superaram os fundos de investimentos no carregamento dos títulos de dívida pública, detendo mais que 1/5 do total.

Na cena brasileira, o auge da instabilidade política ficou para trás e a sensação de paralisia do Congresso arrefeceu, encerrando a falsa discussão midiática sobre a saída de Levy do posto de defensor do ajuste fiscal. Com todos esses factóides sendo superados, “o juro longo ainda resiste”, exatamente porque esses fatos políticos não têm relação direta de causalidade com juros! Jornalistas têm o péssimo hábito não científico de correlacionar fatos que ocorrem em simultâneo como tivessem, necessariamente, uma relação de causalidade entre eles. Misturam alhos com bugalhos…

Continuar a ler

Fragilidade Financeira de Um Pilar do Capitalismo de Estado Neocorporativista

Evou;cão do superávit e déficit das EFPCRentabilidade EFPC

Pelo segundo ano sem bater a meta de rentabilidade de seus investimentos, os fundos de pensão brasileiros que estão no vermelho apresentaram déficit de R$ 31,4 bilhões ao fim de 2014, ante R$ 21,4 bilhões no ano anterior. Em 2012, o saldo negativo era um terço do atual. Os dados foram apresentados ontem pela Abrapp, associação que reúne as fundações.

O déficita diferença entre o patrimônio de um plano e seus compromissos com o pagamento futuro de benefícios trazidos a valor presente. Esse déficit pode ser financeiro — quando o retorno dos investimentos é inferior à meta de rentabilidade — ou técnico — derivado de alterações nas premissas do plano, como mudança de expectativa de mortalidade dos participantes e taxa de juros. A maior parte do déficit do setor é derivado do desempenho financeiro abaixo do necessário.

Segundo a Abrapp, o retorno médio dos investimentos no ano de 2014 foi de 7,07%, ante meta de 12,07%. Em 2013, o retorno foi de 3,28%, bem abaixo da meta de 11,63%. A associação destaca, porém, que no acumulado dos últimos dez anos a rentabilidade do setor foi superior à meta: 250,9% ante objetivo de 201,1%. São investimentos de longa maturação. O importante é que o fluxo de caixa esteja alinhado com os benefícios que a fundação tem que pagar.

Tanto a Previc, órgão fiscalizador do setor, quanto a Abrapp consideram que não há um problema de solvência no sistema, já que o pagamento de benefícios está diluído nas próximas décadas e não é comprometido pela situação conjuntural ruim do curto prazo.

Continuar a ler

Perfil do Investidor

Perfil de Risco

Luciana Seabra, ex-aluna do Mestrado do IE-UNICAMP, publicou reportagem sobre a definição do perfil do investidor. O autoconhecimento, inclusive de sua aversão ao risco, é fundamental para tomar boas decisões financeiras.

Conservador, moderado ou arrojado? A tradicional classificação do investidor está em xeque. As instituições financeiras discutem internamente se os perfis dizem algo ao cliente e propõem novas soluções.

O Itaú Unibanco concluiu que a nomenclatura atrapalha. “Todo mundo se diz conservador, mas a interpretação que se dá para a palavra é diferente”, diz Charles Ferraz, chefe de investimentos do private banking. O banco acaba de trocar os perfis por números: 1, 2, 3 e 4. A sequência não diz nada e essa é a intenção. “Adotamos a estratégia de evitar as palavras. E então o investidor passa a discutir a expectativa de retorno e risco associados a esses perfis.” Autoengano mental: é a melhor tática?

Para além da semântica, o debate diz respeito a risco do investidor. No perfil 2, por exemplo, a carteira é calibrada para um retorno esperado, em 12 meses, de 13%. Se o cenário for ruim, o ganho deve ficar por volta de 9,5%, e se for muito melhor do que o esperado, 16%. Já no perfil 3, o ganho pode ser de apenas 2,5% em um cenário ruim. A contrapartida é uma expectativa de retorno que chega a 25% no melhor dos cenários. Quando não se fala nomes, a discussão volta-se a esses números. Ah, se houvesse essa precisão sobre o futuro…

Continuar a ler

Eu Não Disse? Era Um Erro Extinguir Títulos Pós-fixados…

Participação de LFTs no Total

Relembro os seguintes posts — observem as datas das postagens — neste modesto blog:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/09/25/eu-nao-disse/

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/06/15/eu-nao-disse-eu-ja-sabia-galvao-filma-eu/

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/21/leiloes-de-recompra-de-titulos-pelo-tesouro-nacional-eu-nao-disse/

Os leitores são testemunhos de minhas advertências que, naturalmente, não foram lidas por quem defendeu “o fim da indexação da dívida pública brasileira (leia-se extinção dos LFTs)”, como os renomados economistas Yoshiaki Nakano, Antônio Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e discípulos. Meu argumento era muito simples: em uma economia instável como a brasileira, cujas instituições (padrões de vida coletiva) financeiras adotavam os títulos pós-fixados e/ou a correção monetária há mais de 1/2 século, extinguir esse mecanismo de defesa dos portfólios imporia uma perda de capital aos investidores, inclusive os “trabalhadores-rentistas”, quando a taxa de juros Selic revertesse a tendência de queda para uma de alta, como ocorreu em meados de 2013. Dito e feito!

Essa política equivocada, provavelmente, impôs perdas ao FGTS, aos FIFs e a todos os fundos de pensão fechados e abertos que trocaram LFTs por LTNs e NTNs — e carregam, predominantemente, títulos de dívida pública prefixados. A “marcação-a-mercado” dessa renda fixa deve ter agravado as perdas ocorridas devido à queda da renda variável.

Continuar a ler