Finanças Islâmicas: “Entrar em ROSCA” (Associações Rotativas de Crédito e Depósitos)

Sukuk

Recebi a seguinte mensagem de um seguidor: “descobri seu blog faz pouco tempo e estou sempre acompanhado. Confesso que não entendo alguns posts, pois sou formado em Ciências da Computação e meu conhecimento sobre economia ainda é básico, mas muitos trazem informações diversas e de fácil compreensão.

Bom, na verdade eu enviei este e-mail porque me surgiu algumas dúvidas quanto a reportagem do “Estadão” abaixo:

Finanças Islâmicas vivem boom apesar da religião proibir pagamento de juros

Eu não entendi muito o que é uma ROSCA. Você poderia escrever um post sobre isso ou me esclarecer algumas dúvidas?

Eu entendi que a pessoa faz o depósito nesta conta conjunta e deixa o dinheiro a disposição de outros, porém não tem retorno sobre isso, o foco é só ajudar e estimular que as pessoas que foram ajudadas prossigam com a ideia. É isto mesmo? Quem deixou o dinheiro a disposição pode retirá-lo depois? A pessoa que deixou o dinheiro à disposição dos outros perderia dinheiro por conta da inflação, pois pelo que entendi não existe ganho sobre isso, certo?

Espero que possa me esclarecer sobre essa dúvida, assim como já fez com vários de seus posts.

Parabéns pela qualidade das informações e pela frequência de atualização do blog.”

A reportagem citada, em resumo, era a seguinte. Continuar a ler

Previdência Privada Aberta e Private Banking em 2014: Preferência pela Isenção Fiscal

Previdência Privada em 2014

O resultado da Previdência Privada Aberta em 2014 poderia ser lido como mais um ano de crescimento para as seguradoras responsáveis pelos planos PGBL e VGBL: o patrimônio líquido, segundo levantamento das consultorias NetQuant e Towers Watson com 927 fundos do setor, cresceu expressivos 18,92%. Mas o número positivo esconde uma história de fortes oscilações e uma virada que se consolidou apenas a partir do segundo semestre. Até metade do ano passado a captação líquida estava 31% abaixo da registrada no mesmo período de 2013.

Os números do início do ano de 2014 indicavam muito pessimismo. Janeiro de 2014 repetiu os piores momentos de 2013, com o terceiro saldo negativo em sete meses nos fundos que recebem recursos dos planos PGBL e VGBL. Com a retomada da alta da taxa Selic, a marcação-a-mercado levou à perda nominal em carteiras dos investidores. Em julho de 2013, primeiro mês em que resgates superaram entradas desde a crise de 2008. Além disso, dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) mostram que, até meados de março de 2014, a captação bruta do setor se manteve abaixo de igual período do ano anterior.

A recuperação começou a partir de abril de 2014. O setor se beneficiou da melhora geral dos mercados no país como efeito das pesquisas eleitorais. Impulsionados pelo desempenho da renda fixa, os PGBLs e VGBLs mantiveram o ritmo de captação ao longo do segundo semestre rumo a um bom resultado.

Segundos o levantamento da NetQuant e da Towers Watson, em 2014, a renda fixa captou sozinha R$ 32,5 bilhões, líquidos, enquanto os multimercados contribuíram com mais R$ 1,4 bilhão. No entanto, portfólios com fatias em renda variável tiveram saldo negativo de R$ 4 bilhões em 12 meses até dezembro, o que levou a captação líquida dos fundos de pensão abertos para a casa dos R$ 30 bilhões no ano passado.

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Efeito da Variação dos Juros sobre Portfólios dos Fundos de Pensão

Valor Presente dos Fluxos

Outro pilar fundamental do Capitalismo de Estado Neocorporativista no Brasil, além das “big four” empresas estatais — Petrobras, BNDES, BB e Caixa –, é constituído pelos fundos patrocinados por essas empresas, especialmente, a PETROS, PREVI e FUNCEF. Como o capital de origem trabalhista reage às perdas provocadas por oscilação da taxa de juros básica — a média da taxa Selic nominal foi de 11,8% aa em 2011 para 8,2% aa em 2013 e está prevista voltar para 12,5% aa em 2015 — e consequente “marcação-a-mercado” de seus ativos prefixados? Além disso, qual é a postura face à ameaça de risco sistêmico devido à criminalização dos dirigentes das grandes empreiteiras de obras públicas brasileiras?

Conservadorismo e maior liquidez são as preferências das políticas de investimentos dos fundos de pensão para este ano de 2015. Taxa de juros local alta, escândalos políticos e empresariais e ajustes da economia brasileira desenham um cenário favorável à renda fixa e desinteressante para bolsa de valores e investimentos alternativos.

Para as grandes fundações, que têm enormes Planos de Benefício Definido (BD), entra em cena também a maturidade desses planos. Criados há cerca de 30 anos, esses fundos têm agora a maioria de seus participantes já aposentados, o que aumenta o volume de pagamento de benefícios.

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Custo do Hedge Cambial

Remessas de Lucros e Dividendos O regime de câmbio flexível contém o próprio antídoto contra a fuga de capitais: a depreciação da moeda nacional encarece muito o custo de oportunidade entre repatriar capital, comprando dólares mais caros, e mantê-lo internamente.

José de Castro e Sílvia Rosa (Valor, 23/12/14) informam que a nova rodada de desvalorização cambial, em dezembro de 2014, deveria impactar o volume de remessas de lucros e dividendos que as multinacionais enviariam para suas matrizes no exterior no fim do ano. Alguns bancos notaram um aumento na demanda por proteção contra a variação cambial (“hedge“), especialmente por setores que importam insumos, como o farmacêutico. No ano de 2014, até 23 de dezembro, o dólar subiu 14,68% em relação ao real. Só no último mês, a moeda acumulava alta de 4,81%, depois do pico de R$ 2,7341, em 16 de dezembro, maior nível desde 24 de março de 2005.

De acordo com dados do Banco Central, no ano, até novembro de 2014, o envio de lucros e dividendos somava US$ 22,429 bilhões, 5,7% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Apesar de algumas empresas terem antecipado as remessas para a matriz neste ano para se precaver de depreciações do real, boa parte das transferências de lucros e dividendos costuma se concentrar em dezembro, quando são fechados os balanços anuais. Continuar a ler

Planejamento da Vida Financeira

PGBL X VGBL

Érica Polo (Valor, 15/12/14) avalia que, para chegar à aposentadoria em situação considerada ideal não há outra receita além da combinação entre disciplina e planejamento – de preferência, de longo prazo. Apesar de as pessoas enfrentarem realidades distintas, com rendas e necessidades diferentes ao longo da vida, há um cenário ideal comum que é manter o padrão de vida. De preferência, viver sem aperto financeiro caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar.

Para isso seria recomendável aposentar-se em condições de receber mensalmente uma renda equivalente a, no mínimo, 70% do último salário. Seria o suficiente para bancar gastos básicos. Esse dinheiro poderá vir de mais de um canal: do INSS e de produtos como os de previdência privada ou outros tipos de investimentos financeiros e da venda ou aluguel de imóveis. Uma combinação de todos – mais de um canal de renda e o acúmulo de patrimônio – seria o cenário ideal, na visão de especialistas.

Uma importante diretriz é poupar entre 10% a 30% da renda mensal obtida no presente para a economia relacionada à aposentadoria. É claro que a renda recebida no futuro dependerá também do tempo de acúmulo, mas esse é um bom parâmetro. É necessário também prudência, para ir além desse teto, porque senão a pessoa corre o risco de ficar inadimplente no presente. Continuar a ler

PGBL/VGBL: Retirada Total, Programada ou Vitalícia

Renda Vitalícia ou Saque Total

Rosângela Capozoli (Valor, 15/12/14) informa que, quando se trata de Previdência Privada, todo mundo pode ganhar, mas enquanto alguns lucram mais, outros lamentam as escolhas feitas. Não à toa, especialistas na área são unânimes em dizer que a previdência privada é uma das apostas mais complexas e cheia de riscos. Diante do volume disponível de recursos, a tentação de uma retirada única pode levar ao “risco loteria”, quando o consumidor acha que sua vida está resolvida e que pode arriscar à vontade.

Há os que ficam entre as retiradas programadas — ao longo de 60 ou 120 meses — e aqueles que optam pela renda vitalícia, retiradas que se estendem pelo resto da vida. São escolhas que dependem do perfil de cada um, de uma mistura de fatores que têm a ver com projetos de vida, com a saúde e com quanto tempo a pessoa imagina que vai viver.  Continuar a ler

Insuficiência da Previdência Social e Necessidade de Escolher Previdência Complementar

Escolha de Melhor Plano de Previdência Complementar

Paulo Vasconcellos (Valor, 15/12/14) informa que a longevidade põe em xeque o sistema previdenciário de muitos países. Mesmo no Chile, que evoluiu para um regime de contribuição definida gerido integralmente pela iniciativa privada com reservas acumuladas equivalentes a 60% do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da expectativa de vida da população começa a preocupar o governo. Os 10% de contribuição básica já não são suficientes para atender as mulheres que chegam aos 60 anos e devem viver até os 83 e os homens que na mesma idade hoje podem ter uma sobrevida até os 80. O debate é sobre um aumento de mais 10% na alíquota.

Na pioneira Alemanha, que tem um seguro obrigatório para proteger os trabalhadores nos casos de doença, acidentes de trabalho, invalidez e envelhecimento desde o fim do século 19, criado por Bismarck, a conta da aposentadoria de cada cidadão que hoje é paga por quatro trabalhadores deve ser custeada por apenas dois daqui a trinta anos. Continuar a ler