Juro Real Brasileiro: Rentistas não desistem do Brasil!

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A taxa de juro real segue em trajetória de baixa e volta para patamares não vistos desde o fim de 2014, na casa de 5,5% ao ano, antes da volta da Velha Matriz Neoliberal com Joaquim Levy. O swap de juro de 360 dias é negociado a 10,41%, enquanto o IPCA para os próximos 12 meses é de 4,62%, segundo o último boletim Focus. Disso resulta um juro real de 5,53%. Quando o Copom começou o atual ciclo de afrouxamento monetário, em outubro de 2016, depois de quinze meses com juro nominal básico de 14,25% aa, o juro real estava em 6,90% aa — reflexo de taxa de mercado de 12,3% e de projeção de inflação de 5%.

Já foi pior no início do fim da Primeira Era Neoliberal: em março de 1999, o Banco Central aumentou a Selic em 20 pontos percentuais, de 25% para 45% ao ano. Em abril do primeiro ano do segundo mandato de FHC, a taxa básica já estava em 34%; em setembro em 19% e permaneceu nesse patamar por seis reuniões consecutivas do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesse vaivém, a Selic subiu 20 pontos percentuais e caiu 26 pontos.

O salto do juro no primeiro trimestre de 1999 ocorreu no contexto de:

  1. a quebra do regime de banda cambial e
  2. a chegada do regime de metas inflacionárias, adotado por Armínio Fraga no BCB.

De setembro de 2002 até maio de 2003, portanto, em nove meses, o Banco Central — já com o Henrique Meirelles desde janeiro de 2003 — recorreu a mais aperto monetário. Desta vez, o juro foi elevado em 8,5 pontos percentuais.

Para o ciclo de pequeno alívio monetário que está em curso desde outubro de 2016, analistas projetam queda de Selic entre 4,0 e 4,75 pontos percentuais e para taxa de um dígito. No anterior, de 2011 a 2012, o corte foi de 5,25 pontos.

A economia brasileira obteve média de crescimento de PIB entre agosto de 1994 (introdução do Plano Real) e janeiro de 2017 de apenas 2,5% ao ano, com 7,7% de inflação média anual. Nesta Nação cujas conquistas democráticas não são preservadas, nos últimos vinte e dois anos e meio, R$ 1 mil investidos na Bolsa de Valores e no CDI teriam se chegado, respectivamente, em R$ 15.400 (renda variável com retorno médio de 13% ao ano) e R$ 43.500 (renda fixa com média de 18,25% ao ano).

O juro real médio de 9,8% ao ano explica parte do ganho modesto do Ibovespa de só 4,9% sobre a inflação no período, exatamente a metade da renda fixa. Quem se arrisca em um mercado de ações raquítico e manipulável?

É mais prudente, em uma economia instável e com taxas de crescimento, inflação, juros e câmbio voláteis, ficar carregando risco soberano dos títulos de dívida pública pós-fixados!

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Balanço Anual de 2016 em Fundo dos Investimentos

captac%cc%a7a%cc%83o-liquidad-da-industria-de-fundos-2012-2016captac%cc%a7a%cc%83o-liquida-de-fundos-de-previde%cc%82ncia-2012-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-do-pl-por-classe-2012-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-do-pl-por-segmento-do-investidor-dez-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-por-ativos-fi-2012-16renda-fixa-em-2016Dica: inscrever seu e-mail para receber as mensagens da ANBIMA avisando quando estão disponíveis suas publicações de dados e informações.

Já estão disponíveis os Boletins ANBIMA de janeiro de 2017 com todos os resultados do ano passado. É uma boa referência para seleção de carteira de ativos financeiros verificar as tendências do mercado financeiro, especialmente dos segmentos de clientes e suas escolhas de portfólio. Confira:

Fundos de investimento
Indústria registra captação líquida de R$ 109,1 bi em 2016 »

Renda fixa
Índices de maior duration apresentaram a melhor performance do ano »

Mercado de capitais
Emissões no mercado de capitais superam em 27,7% o total de 2015 »
Acesse tabelas de registros »

Nestas publicações você poderá ler que o Patrimônio Líquido dos Fundos atingiu R$ 3,417 trilhões. A captação líquida da indústria em 2016 alcançou R$ 109,1 bilhões, a segunda maior da série, superada, apenas pela de 2010, quando registrou R$ 113,5 bilhões. A captação líquida da classe Previdência no ano também foi recorde (R$ 48,2 bilhões) e respondeu pela maior parte do ingresso líquido de recursos no ano, sendo seguida pela classe Renda Fixa, com R$ 45,9 bilhões.

Observe também que as EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar: PGBL/VGBL) se tornaram os maiores investidores institucionais (45,7%), ultrapassando as EFPC (Entidades Fechadas de Previdência Complementar patrocinadas por empresas públicas – 15,2% – e privadas – 21,5%). A classe média de alta renda e o Private Banking demonstram estar adquirindo essa consciência da necessidade de complementar a Previdência Social.

No ano de 2016, os Fundos de Ações lideraram as rentabilidades na indústria, aproveitando a primeira valorização anual do Ibovespa desde 2012. O período também foi favorável à rentabilidade das carteiras dos Fundos de Renda Fixa com maior duration, que se beneficiaram da perspectiva da redução dos juros, iniciada em outubro de 2016. Na classe Multimercados, os maiores retornos foram registrados pelos tipos Long and Short Neutro (21,14%) e Macro (19,8%).

No entanto, todos esses fundos de renda variável são de maiores riscos, i.é, volatilidade em seus retornos. Se você tem em renda fixa uma “garantia” de elevada taxa de juros real, em comparação mundial, para que correr risco e não apenas proteger seu patrimônio financeiro da elevada taxa de inflação brasileira? Aqui, a diretoria do Banco Central cuida muito bem de evitar a “eutanásia dos rentistas”...

Os Fundos de Renda Fixa Duração Baixa Soberano (TDPb) teve rentabilidade de 13,92% no ano, os de Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento (“Crédito Privado”), 14,16%. O CDI médio do ano de 2016 foi 14%. E o IPCA no ano passado ficou em 6,29%.

Em Calcular Taxa de Juro Real você poderá estimar que a taxa de juro real ex-post ficou então em 7,25% no ano de 2016! Em outras palavras, o Banco Central do Brasil te ofereceu em RF DI, sem correr maior risco, mais do que o dobro da taxa de inflação!!!

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Bancos: Migração de Clientes para Atendimento Digital

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Felipe Marques e Vinícius Pinheiro (Valor, 27/12/16) informam sobre a possibilidade de resolver a maior parte da vida financeira via celular, fora de horário comercial, com um gerente de prontidão do outro lado da tela é o benefício mais visível da transformação digital do sistema financeiro do Brasil. Mas a mudança que facilitou a vida dos clientes trouxe também ganhos expressivos de eficiência porta giratória adentro e explica por que os grandes bancos vêm apostando tão alto na digitalização de suas interações com correntistas.

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander traduzem em números os ganhos trazidos pelo modelo de atendimento digital. No BB, os clientes atendidos pelos canais eletrônicos têm uma margem de contribuição, que mede o consumo de produtos e serviços do banco, 40% superior à dos clientes “analógicos” do banco. No Itaú, o índice de eficiência — relação entre despesas (DP + ODA) e receitas (RBIF + RPS) — de uma agência digital é entre 10 e 15 pontos percentuais melhor que o do ponto de atendimento físico.

O que diferencia o modelo digital de atendimento bancário do tradicional? Embora as minúcias da resposta variem de banco para banco, em linhas gerais a grande diferença é que o gerente responsável pelo cliente não fica mais localizado em uma agência de rua tradicional, mas sim em uma espécie de escritório.

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Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos

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Os membros da casta dos mercadores-financistas se apossaram dos cargos-chave na área econômico-financeira do governos temeroso: ex-presi de banco estrangeiro é o MinFaz e ex-economista-chefe de banco nacional privado é presi do BCB. Daí vão brotando “ideias-geniais” para elevar a riqueza financeira enquanto a economia brasileira vive uma Grande Depressão já trienal. Ela foi provocada com a volta da Velha Matriz Neoliberal ao comando da economia, em 2015, e se mantém, recebendo a louvação ilusória, cotidianamente, de colunistas idolatras do PIG.

A última ideia de “gênio-da-raça” foi esvaziar o funding da Caixa para financiamento de construção de Habitações de Interesse Social, cujos mutuários necessitam de recursos subsidiados do FGTS. De acordo com esse “populismo de direita”, o dinheiro sairá do FGTS e, provavelmente, irá abastecer o regime de capitalização dos fundos de Previdência Privada Complementar.

Sob o ponto de vista individualista do detentor de FGTS é uma manobra racional deixar de receber 3% aa + TR e passar a receber, p.ex., 13,04% como ocorreu no ano passado (2016) em PGBL com RF Crédito Privado.

Sob o ponto de vista social, considerando que a sociedade brasileira necessita cobrir o déficit habitacional em que 95% se refere às famílias que recebem menos de 5 salários mínimos, a medida é irresponsável!

Sob o ponto de vista dos financistas, a carência de ativos que agregam valor na produção levará à busca aos dados ativos financeiros. O choque de demanda na caça por “formas de manutenção de riqueza” (ativos) levará a uma alta artificial dos ativos — p.ex., ações de grandes empresas brasileiras — e, com o enriquecimento súbito de alguns apaniguados de O Mercado, a uma falsa euforia. Depois, quando a bolha de ativos se revelar sem sustentação em valor agregado, virá o pânicoContinue reading “Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos”

Cidades: Caras X Baratas

aluguel-de-dois-mil-e-quinhentos-reais-por-cidadeO ZAP Imóveis realizou uma pesquisa em 11 capitais brasileiras sobre imóveis para alugar com R$ 2.500, cerca de três salários mínimos em 2016, sem considerar o valor do condomínio.  Existe uma enorme variação no tamanho do imóvel. É possível alugar casas que vão de 93m² até 187m² e apartamentos que variam de 62m² até 139m².

A pesquisa mostra que em Fortaleza (CE), dá para alugar uma casa com 187m², mais que o dobro do que se encontra no Rio de Janeiro (RJ), capital com o aluguel mais caro para um imóvel de 93m². Em Vitória (ES), com R$ 2.500 é possível alugar um apartamento de 139m², porém em São Paulo (SP), quem só pode alugar com essa quantia, vai conseguir um apartamento de apenas 62m².

Segundo a pesquisa, Curitiba é a segunda cidade com o m² mais barato para locação de uma casa. Na cidade paranaense, é possível alugar uma residência de 164m². Belo Horizonte e Florianópolis aparecem em terceiro lugar, em ambas se paga R$ 18,23/m², o que permite alugar uma casa de 137m² com R$ 2.5000 por mês.

Menores imóveis são alugados nas cidades mais caras, como Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital carioca, com esse valor encontra-se uma casa de 93m² (R$ 26,96/m²), e na capital paulista é possível alugar uma casa de 95m² (R$ 26,4/ m²). Continue reading “Cidades: Caras X Baratas”

Mercado Imobiliário como Sistema Complexo

prec%cc%a7os-de-imoveis-bh-sp-rj-jul-2015Uma análise mais detalhada da evolução dos preços de imóveis no país mostra que o ajuste de preços já se aprofundou em muitas regiões do Brasil. Apesar do preço médio mostrar uma trajetória gradual e ainda ter um pequeno aumento em 2015, já era possível observar queda nominal de preços em 5 das 25 cidades para as quais há índice construído: Brasília, Niterói, Curitiba, Osasco e Guarulhos.

Adicionalmente, mesmo nas outras 20 cidades que a Fipe e o ZAP acompanham, diversos bairros apresentaram queda no valor do metro quadrado anunciado. Considerando as três cidades com maior peso no cálculo do Índice FipeZap, foram observadas quedas nominais de preço em 28% dos bairros monitorados: São Paulo (17%), Belo Horizonte (34%) e Rio de Janeiro (35%). São substanciais as diferenças de preços de imóveis entre alguns “bairros nobres” (com m2 mais elevados) dessas três capitais.

A tabela acima destaca esse fenômeno comparando não só Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, como também “bairros nobres”, isto é, com maiores preços por m2, que tiveram queda nominal no primeiro semestre de 2015. Revela os diferentes custo-de-vida para morar em cada qual: pagando-se o mesmo valor, nessa amostra, mora-se em residências maiores em Belo Horizonte. Mostra também que, em São Paulo, menos “bairros de gente rica” tiveram redução nominal nos preços de imóveis por m2. Continue reading “Mercado Imobiliário como Sistema Complexo”

Crash no Mercado Imobiliário

indice-fipezap-e-credito-imobiliarioO gráfico acima ilustra a grande correlação existente entre o estoque de crédito habitacional e os preços dos imóveis no Brasil, medida pelo Índice FipeZap. As linhas representam as variações das duas medidas na comparação com o mesmo mês do ano anterior e apontam que a variação dos preços segue a evolução do estoque de crédito, ao menos no período analisado.

Eduardo Zylberstajn (set/2015) diagnostica, quanto ao crash no mercado imobiliário, que “não se trata apenas de uma crise do setor, mas sim de uma crise macroeconômica ampla que também afeta o setor imobiliário”.

Nos primeiros sete meses de 2015, o preço anunciado do m2 para venda subiu 1,5% na média das 20 cidades que compõem o Índice FipeZap. Com uma inflação que se aproximava de 7% no mesmo período, os preços dos imóveis acumulavam queda de 5% em termos reais no ano. Isso significava que os preços de então já tinham voltado ao patamar do início de 2013 em termos reais.

Na primeira edição do Boletim FipeZap, em abril de 2015, argumentou-se que “2015 marcava o fim do ciclo de expansão de preços e o início de um período de queda nos valores de mercado dos imóveis no Brasil”. Continue reading “Crash no Mercado Imobiliário”