Plano de Aposentadoria

Mulheres

Homens

O caminho a percorrer até a aposentadoria ficou mais longo para a maior parte dos brasileiros a partir da reforma previdenciária em 2019, que instituiu como regra as idades mínimas para concessão do benefício aos 62 anos, para mulheres, e aos 65 anos, para homens.

Aposentadorias ditas precoces —antes dos 60 anos— ficaram restritas a regras de transição para grupos como os que estavam perto de completar os critérios para requerer o direito.

Considerando a inviabilidade da antecipação do benefício previdenciário, que também funcionava como renda extra para aposentados que permaneciam trabalhando, especialistas em finanças pessoais consultados pela Folha (26/06/22) alertam para o fato de a mudança só ter aumentado a importância da preparação de longo prazo para evitar o rebaixamento do padrão de vida no futuro.

O plano sugerido pelos especialistas é iniciar o quanto antes uma carteira de investimentos diversificada e resistente aos ciclos econômicos por meio da combinação entre previdência complementar e alguns tipos de aplicação de renda fixa. A Bolsa de Valores pode entrar na composição de quem tem estômago para suportar o sobe e desce das ações.

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Endividamento com Cartões de Crédito

O percentual de famílias com dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 77,7% em abril, o maior nível desde janeiro de 2010, início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Há um ano, a proporção de endividados era de 67,5%, 10,2 pontos percentuais abaixo.

A inflação alta, persistente e disseminada (IPCA em 11,3% ao ano naquele mês), e a taxa de desocupação (10,5% da PEA) mantêm elevadas as necessidades de crédito para recomposição da renda. As famílias encontram nos recursos de terceiros uma saída para manter seu nível de consumo. Pior, usam e abusam de um instrumento emergencial – cartões de crédito – com juros elevadíssimos (350% aa).

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso bateu um novo recorde, atingindo 28,6% do total de famílias, 4,3 pontos percentuais acima do apurado em abril de 2021, mostrando significativa piora na evolução no ano corrente. O cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais procurado pelos consumidores em geral (88,8%), mesmo sendo a modalidade com os custos mais elevados.

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Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias

O lucro que as seis principais empresas estatais tiveram no ano passado renderá R$ 46 bilhões em receita primária para o governo federal, nos cálculos do Ministério da Economia. Em 2021, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Correios e Eletrobras apresentaram resultado líquido positivo de R$ 186 bilhões, conforme apurado pela pasta depois de as assembleias das companhias terem chegado ao fim, na última semana do mês passado.

Parte dos R$ 46 bilhões já foi adiantada pela Petrobras no ano passado. Mesmo assim, a tendência é que a maior parcela do montante total entre nos cofres da União em 2022.

A princípio, em um processo normal, é de se esperar que esse dinheiro entre neste ano. Às vezes a empresa retém dividendos. Ela aprova, mas tem um estresse de caixa e acaba retendo dividendos para pagá-los quando o estresse passar.

Somente a Petrobras foi responsável por R$ 107 bilhões dos R$ 186 bilhões de lucro do ano passado.

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Contra a Jabuticaba dos Cartões de Crédito à Brasileira

Os americanos escolhem um cartão de crédito por conta dos benefícios oferecidos, a anuidade cobrada, a conveniência de não dispor de papel-moeda na hora e, também, pela taxa de juros. Isso acontece porque nos Estados Unidos o crédito se inicia – e, portanto, a incidência de juro – a partir da data da compra, enquanto no Brasil os usuários do cartão têm, no limite, até um mês e uma semana para efetuar o pagamento da fatura, na “data do aniversário”, sem nenhuma cobrança de juros.

Sendo assim, para os brasileiros, o principal atrativo de um cartão é a possibilidade de postergar o pagamento de uma conta para uma data fixa mais adiante. É pressuposto, equivocadamente, a facilidade no parcelamento das despesas resultar em aumento do poder de consumo, simplesmente, caso “a parcela caiba no bolso”.

Ora, os vendedores forçam os consumidores, inclusive os capazes de pagar à vista, comprarem a prazo ao não diferenciarem o preço à vista com desconto de o preço a prazo. O PREÇO PIX deveria ser diferenciado!

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FMI preocupado com Endividamento Mundial

O crescimento recorde da dívida privada deve retardar a recuperação econômica, mas o grau de atraso da retomada vai variar entre os países e dentro deles, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa variação terá impactos nas medidas de aperto ou alívio fiscal e, consequentemente, nas taxas de crescimento econômico desses países.

Em seu relatório “Dívida do setor privado e a recuperação global”, divulgado ontem, o FMI avalia que as ações dos governos diminuíram o sofrimento econômico da pandemia de covid-19, fornecendo liquidez para consumidores e empresas por meio de garantias de crédito, empréstimos subsidiados e moratórias no pagamento de juros. Mas essas medidas também elevaram o endividamento privado, ampliando a alavancagem iniciada pelas condições de juros ultrabaixos a partir da crise financeira global de 2008.

A dívida privada global aumentou para 13% do produto interno bruto mundial em 2020 – mais do que durante a crise financeira de 2008. Para os analistas do FMI, tal alavancagem pode reduzir a recuperação econômica em 0,9% do PIB nas economias mais ricas e em 1,3% nos países emergentes, em média, nos próximos três anos.

“Durante a pandemia, em particular em sua fase mais aguda, as políticas de estímulo governamentais ajudaram a manter acesso ao crédito, evitando que a recessão fosse ainda mais profunda em 2020”, afirma o documento. “Com os países se preparando agora para normalizar sua política monetária, avaliar como essa alavancagem está distribuída é fundamental para prever o ritmo da recuperação e calibrar a retirada dos estímulos dados durante a pandemia”, alerta o estudo.

O impacto da pandemia nas finanças das famílias e empresas variou não só entre os países como também no âmbito doméstico deles, observou o FMI, ressaltando a complexidade do monitoramento a ser realizado. “As diferenças entre os países são grandes, com importantes implicações para o crescimento futuro”, assinala o documento.

À medida que as economias iniciam uma retomada e a inflação se acelera, os governos precisam levar em conta o impacto do aperto fiscal e monetário sobre consumidores e empresas para ajustar o ritmo de retirada das políticas de apoio extraordinárias.

Segundo o FMI, os setores não financeiros mais alavancados durante a emergência da pandemia foram os de semicondutores, software e serviços de tecnologia de informação (TI), farmacêutico e de biotecnogia e de equipamentos de saúde.

“As análises mostram que a recuperação deve ser mais lenta em países onde a alavancagem está concentrada em empresas vulneráveis e famílias de baixa renda, o espaço fiscal é limitado, os processos de insolvência são ineficazes e a política monetária precisa ser apertada mais rápido”, diz o FMI.

Para evitar que o aperto rápido da política monetária cause rupturas grandes e potencialmente duradouras, os governos devem estar atentos a consequências adversas no setor financeiro.

Essa atenção é especialmente importante em países nos quais uma onda de falências em setores fortemente atingidos pela pandemia podem se espalhar para o restante da economia.

Para evitar essas consequências, o Fundo recomenda que os países incentivem a reestruturação em vez da liquidação e, se necessário, estendam o apoio à solvência. Mecanismos de reestruturação serão necessários para promover a rápida realocação de capital e trabalho para empresas mais produtivas.

O Fundo considera fundamental, para calibrar o ritmo de retirada das medidas de estímulo, o monitoramento cuidadoso dos balanços das famílias de baixa renda e de empresas vulneráveis.

“Para estimar o impacto da recessão da covid-19 no endividamento das famílias, é preciso acompanhar, além de dados macroeconômicas, variáveis como renda e dívida”, diz o estudo. “Dados regionais e setoriais como salários, emprego, desemprego, preços da habitação e empréstimos bancários devem ser são usados para estimar as mudanças no padrão de endividamento”, conclui.

Os bancos em países emergentes passaram a exibir níveis recordes de dívida soberana em seus balanços ao longo da pandemia, informa o Fundo Monetário Internacional (FMI) no capítulo 2 do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GSFR, na sigla em inglês) de abril de 2022. Segundo o órgão, “nível de dívida soberana dos bancos sobe para um recorde à medida que os governos gastam para amortecer impacto da pandemia”.

O FMI enxerga um aumento do risco à estabilidade financeira pelas pressões sobre as finanças do setor público. “As autoridades devem agir rapidamente para minimizar esse risco”, aponta a entidade. Governos de todo o mundo têm gastado agressivamente para ajudar as famílias e empregadores a enfrentar o impacto econômico da pandemia, na visão do fundo. “A dívida pública aumentou porque os governos emitiram títulos para cobrir seus déficits orçamentários.”

A razão média de dívida pública em relação ao PIB – uma medida chave da saúde fiscal de um país – subiu para um recorde de 67% no ano passado em países de mercados emergentes, de acordo com o capítulo 2 do GSFR.

Conforme o FMI, os bancos de mercados emergentes forneceram a maior parte desse crédito. Esse cenário fica claro quando se observa o patamar da participação de dívida do governo em relação aos ativos das instituições financeiras. Segundo o fundo, essa fatia também atingiu um recorde de 17% em 2021.

“Em algumas economias emergentes, a dívida do governo equivale a um quarto dos ativos bancários”, diz o órgão. O resultado, de acordo com o fundo, é que os governos emergentes dependem muito de seus bancos para crédito, e esses bancos dependem muito dos títulos do governo como investimentos que podem ser usados como garantia de financiamentos do banco central.

O cenário de risco se eleva diante do aperto das condições financeiras globais, aumento das tensões geopolíticas e grandes necessidades de financiamento público. “Dada a natureza multifacetada do vínculo soberano-banco, a resposta política para mitigar os riscos deve ser adaptada às circunstâncias específicas do país”, afirma o FMI.

O órgão sugere que os governos façam melhor direcionamento dos gastos em países com espaço fiscal e restrições de endividamento para aumentar a resiliência e mitigar o impacto de um choque adverso e preservem recursos bancários para absorver perdas, restringindo a distribuição de capital quando necessário.

Outra medida recomendada é a realização de testes de estresse bancário, levando em consideração os múltiplos canais de transmissão dessa relação entre governo e bancos. A busca de opções para reduzir as vulnerabilidades trazidas por essa relação, como sobretaxas de capital sobre as participações dos bancos em títulos soberanos acima de certos limites, também é uma iniciativa desejável, segundo o Fundo – uma vez que a recuperação econômica tenha se consolidado e relacionado à pandemia as medidas de apoio ao setor financeiro foram retiradas. Há ainda a recomendação para que os países promovam esforços contínuos para incentivar uma base de investidores profunda e diversificada, e assim fortalecer a resiliência nos mercados de títulos em moeda local subdesenvolvidos.

O FMI sugere que o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia considere retomar esforços para desenvolver padrões internacionais, com uma “discussão sobre uma [eventual] regulamentação e supervisão”. O fundo propõe que, dentro desse escopo, os bancos sejam obrigados a divulgar dados sobre todas as exposições relevantes soberanas.

Imóveis: Imobilização da Riqueza

Conclui o último artigo, publicado em https://jornalggn.com.br/habitacao/moradia-quanto-vale-o-maior-bem-familiar-por-fernando-nogueira-da-costa, alertando: “contra a aquisição da “casa própria”, considera-se a imobilização de capital por longo prazo, dada sua baixa liquidez, o comprometimento de renda em lugar de receber juros com investimentos financeiros, a depreciação natural (+/- 1% ao ano) e o custo de manutenção. Isso sem considerar os recursos necessários para uma eventual reforma”.

Neste, meu objetivo é analisar a imobilização de capital por longo prazo, dada sua baixa liquidez, e o comprometimento de renda em lugar de receber juros com investimentos financeiros ou liberar capital para investimentos alternativos em outras atividades.

Lembro-me: meu avô, um self-made man em negócios imobiliários, dizia jamais ter morado em casa própria. Justificava-se, pois perderia capital de giro para compras e vendas de novos imóveis. Isso ocorreu antes das reformas realizadas em 1964: a bancária e do mercado de capitais, com a plena instalação do capitalismo financeiro.

Será essa lição ancestral ainda válida?

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Moradia: quanto vale o maior bem familiar?

Nas DIRPF, o subtotal de ativos imobiliários nos bens e direitos das Pessoas Físicas, declarados à Secretaria da Receita Federal, representa cerca de 40%. As moradias (apartamentos, casas, prédios residenciais), declarado por valores históricos, isto é, não corrigidos para valores de mercado atuais, representam ¼ do total desses bens ou 2/3 dos ativos imobiliários.

Os aluguéis de imóveis atingiram R$ 7,9 bilhões ou 2% do total de pagamentos e doações no ano calendário de 2020. Surpreende a muitos ao tomar conhecimento da distribuição da população por condição de ocupação do domicílio: 67,2% residem em imóvel próprio de algum morador, 6,3% ainda sendo pago, ou seja, 73,5% ou quase 3/4 da população brasileira possui a própria moradia. Alugadas são 17,7% e cedidas, 8,7%.

Lembro: nos anos 60, antes da política habitacional financiada pela Caixa Econômica Federal, os domicílios alugados eram 27,6% do total. A população estava abaixo de “90 milhões… em ação”.

Em 2019, os domicílios com rendimento per capita inferior a US$ 5,50 PPC diários, não se distinguiam desse todo: 67,7% moravam em imóvel próprio e 3% ainda sendo pagos. Eram 70% nesse componente e menor proporção (15,9%) era locatária, enquanto 13,1% residiam em imóveis cedidos.

Naquele ano, existiam 13.151 favelas no Brasil com 14 milhões (6,6%) moradores. Em cinco regiões metropolitanas – Rio de Janeiro (22%), Recife (23%), São Luís (25%), Salvador (26%) e Belém (54%) – mais de 1/5 da população moravam em favelas.

Cerca de 12% da população brasileira é residente em domicílios com condições inadequadas.  Entre os pobres (menos de US$ 5,5 PPC / dia ou R$ 387 mensais de renda domiciliar per capita), 26% são inadequadas. O déficit habitacional gira em torno de 7,8 milhões unidades habitacionais, 52% por ônus excessivo com aluguel (mais de 30% da renda), 28% por coabitação familiar, 15% em habitação precária e 5% em adensamento excessivo.

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Contexto de Desdolarização: Estudo do Caso Brasileiro

Juntar ideias de cenário macrossistêmico para tomada de decisões financeiras individuais é um desafio. Para tanto, cabe reunir ideias de artigos afins e/ou complementares. O primeiro foi publicado em Valor, 04/04/22 e o segundo em Valor, 10/03/22.

Carlos Eduardo Carvalho é professor da PUC-SP, Departamento de Economia e Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unesp/Unicamp/PUC-SP), Núcleo de Estudos e Análises Internacionais (NEAI).

João Paulo Nicolini Gabriel é doutorando em Ciência Política na UFMG

A China é o único país que reúne comércio externo e estrutura financeira para ampliar substancialmente o uso internacional de sua moeda, não apenas por parceiros em busca de proteção, mas também por agentes privados interessados em diversificação de carteira e em oportunidades de negócios usuais. Movimentos mais firmes na direção do que se chama de desdolarização, contudo, envolvem grandes desafios para Pequim.

O comunicado oficial da videoconferência entre Xi Jinping e Biden, em 18 de março, reiterou o compromisso com a validade das regras internacionais vigentes, reafirmando a estratégia de ascensão chinesa há décadas: avançar dentro da ordem existente e explorar seus limites, ou seja, avançar na internacionalização do yuan, mas sem pretender “desbancar” o dólar. O yuan não tem condições de substituir o dólar neste momento, nem Pequim deseja isso. A estratégia chinesa é avançar dentro da ordem liderada pelo dólar e fortalecer suas posições, mas sem rupturas.

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Por qual razão se arriscar com Renda Variável se o investidor tem continuamente uma maior Renda Fixa?

Marcelo D’Agosto (Valor, 18/03/22) avalia:

Foram cinco anos em que as teorias de finanças funcionaram na prática no Brasil. Entre maio de 2017 e fevereiro de 2022, os investidores que escolheram as modalidades mais arrojadas oferecidas no mercado financeiro brasileiro conseguiram taxa de retorno que compensou o maior risco das aplicações.

Os números contrastam com o período de pouco mais de 19 anos entre fevereiro de 1998 e abril de 2017. Nessa época, os conceitos de diversificação de portfólio e prêmio de risco eram discutidos apenas nos programas de pós-graduação das melhores universidades brasileiras.

A diferença entre os dois períodos é o patamar da taxa básica de juros. Nos últimos cinco anos a Selic sempre esteve abaixo de 1% ao mês. E apenas 12 meses atrás era de 2% ao ano, o menor nível da série histórica.

Em contrapartida, quando os juros eram mais altos, a taxa básica de juros ficou acima de 1% ao mês em 70% do tempo. Nesse período, pouquíssimas aplicações financeiras superavam consistentemente a remuneração oferecida pelas modalidades mais conservadoras e com liquidez diária.

O Banco Central passou a fixar a taxa básica de juros em termos anuais a partir da 21a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 28 de janeiro de 1998. Antes disso, entre junho de 1996 e novembro de 1997, a taxa era estabelecida em termos mensais. A maior do intervalo foi de 3,05% ao mês e a menor de 1% ao mês.

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Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil: “Capital Paciente”

Marília de Camargo Cesar (Valor, 23/03/22) publicou reportagem sobre algo relativamente desconhecido: a indústria de fundos patrimoniais no Brasil cresceu substancialmente na última década, passando de 16 instituições para 52 em 2021, com uma soma de R$ 78,8 bilhões em patrimônio, segundo levantamento inédito do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, com apoio do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife).

O estudo “Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil” faz pela primeira vez um raio-x desse setor também conhecido como de endowments, ou capital “paciente”, por reunir recursos de doações de pessoas físicas ou empresas para manutenção de longo prazo de causas específicas de organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos.

O IDIS listou 52 fundos ativos e seis em fase de estruturação. Eles estão concentrados no Estado de São Paulo (38 do total), mais focados em educação (24), seguida por cultura (9), saúde (8) e ciência e tecnologia (5). A maioria tem patrimônio entre R$ 1 milhão R$ 5 milhões e, em seguida, vêm os com R$ 100 milhões a R$ 500 milhões.

Destacam-se como detentores das reservas mais robustas a Fundação Bradesco, com a quantia majoritária (82% do total), ou R$ 65,5 bilhões, Fundação Itaú para Educação e Cultura, com R$ 5,6 bilhões, Associação Umane (ligada ao Hospital Samaritano, de São Paulo), com R$ 1,9 bilhão e Fundo Patrimonial do IMS (Instituto Moreira Salles), com R$ 1,25 bilhão.

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FUNPRESP ou PGBL?

A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público (Funpresp) pretende intensificar os investimentos em crédito privado neste ano e começar, em 2023, a direcionar recursos para fundos de imobiliários. Com isso, a ideia é ampliar a carteira de ativos dos atuais R$ 5 bilhões para R$ 7,5 bilhões até o fim do próximo ano, e para R$ 21 bilhões em 2030. A expectativa do novo diretor-presidente da Funpresp, Cristiano Heckert, é que o número de participantes salte dos atuais 89 mil para 105 mil em 2023 e 230 mil em 2030.

Seu principal desafio é fazer com que o fundo seja o 25o do país em ativos e o 6o em número de participantes quando terminar seu mandato em 2023.

Ele disse ainda que, neste cenário de incertezas, com aumento da inflação e da taxa de juros e impactos da guerra na Ucrânia, a manutenção da estratégia de diversificação de ativos é fundamental para conseguir alavancar a rentabilidade do fundo, principalmente no longo prazo.

Em 2021, a carteira consolidada alcançou resultado de 4,5% no ano (algo superior ao CDI), número inferior ao índice de referência do plano, de 14,5%, devido, principalmente, ao cenário adverso observado no mercado financeiro e à obrigação de marcar os títulos públicos a mercado. Mas a avaliação é que oscilações de curto prazo tendem a se acomodar no longo prazo.

Para este ano, a política de investimentos do fundo prevê atingir a marca de 12,3% dos ativos em crédito privado. Atualmente, esse percentual é residual. Por outro lado, no início de 2022, o fundo reduziu, praticamente pela metade, investimentos em ativos no exterior, que passaram de algo em torno de 6% para 3% da carteira, devido às turbulências no mercado.

Até o fim do ano, a intenção é finalizar os estudos de mercado para começar em 2023 a alocar recursos para fundos imobiliários.

Servidor público da carreira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e ex-secretário de gestão do Ministério da Economia, Heckert tomou posse no cargo de diretor-presidente da Funpresp em janeiro, em substituição a Ricardo Pena. Dentre as prioridades do executivo estão a proximidade com os participantes, solidez dos investimentos e robustez na governança e gestão.

Ele destacou que um dos produtos que teve forte aceitação entre os participantes é o crédito consignado e, portanto, deve ser oferecido para participantes de outros planos do fundo. A concessão de crédito nessa modalidade somou R$ 46,3 milhões no ano passado, um crescimento de 149% em relação ao ano anterior. Esse empréstimo, que hoje é concedido apenas para os participantes do plano do Poder Executivo, passará a ser ofertado também para os do Poder Legislativo.

Segundo o diretor-presidente da Funpresp, a negociação com representantes da Câmara dos Deputados já está avançada e a ideia é disponibilizar o produto para esse público no início do segundo semestre.

Heckert avalia também a possibilidade de incorporar os antigos planos de previdência complementar de servidores de órgãos como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

A Funpresp completou nove anos em fevereiro e foi criada com o objetivo de atenuar o elevado déficit do regime de previdência dos servidores públicos, dando sustentabilidade ao sistema no longo prazo.

Com a medida, trabalhadores que ingressaram no serviço público a partir de 2013 passaram a ter a aposentadoria limitada ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – que atualmente é de R$ 7.087,22 – e, se quiserem receber um valor maior que esse limite, os servidores têm de aderir à Funpresp.

O benefício fiscal é uma característica relevante dos Planos Previdenciários Abertos. Acabam sendo escolhidos como investimento em detrimento de outras aplicações financeiras.

Há duas modalidades de previdência privada, o VGBL e o PGBL, sendo que apenas essa última possui o benefício de redução do imposto de renda na declaração de ajuste anual, de até 12% sobre a renda tributável. Os aportes em planos PGBL só fazem sentido para quem faz a declaração do tipo completa e preenche os outros requisitos legais.

Diante do contexto de déficit da previdência pública e da limitação de renda futura, considerando que o INSS tem um teto no valor da aposentadoria, hoje de R$ 7.087, surgiu a necessidade de alternativas privadas para sua complementação. Então, em especial para as pessoas que têm renda superior ao teto da Previdência Social, e por consequência estão na maior faixa de alíquota do imposto de renda, a contribuição em PGBL pode ser interessante.

Com uma renda tributável de R$ 100 mil, por exemplo, aplicando R$ 12 mil, o imposto devido cairá de R$ 17.067 para R$ 13.767, uma diminuição ou restituição de R$ 3.300.

No momento da contratação do plano, você precisará escolher o regime tributário: progressivo ou regressivo. O regime tributário indica a forma como os recursos serão tributados no resgate.

No progressivo, o cálculo obedece à tabela progressiva de imposto de renda, ou seja, quanto maior o resgate, maior será a alíquota incidente, e esse valor é somado a outras rendas tributáveis na declaração de ajuste anual. Portanto, é recomendado para quem pretende fazer retiradas menores.

Já no regressivo, a alíquota é definida pelo prazo da aplicação. Quanto maior o tempo, menor a alíquota. Utilizando o mesmo exemplo, os R$ 12 mil aplicados em um PGBL regressivo, após dez anos, acarretarão uma incidência de 10% de imposto de renda, lembrando que no PGBL o imposto incidirá sobre o principal e os rendimentos, resultando num montante de R$ 1.200, correspondente a cerca de um terço do valor economizado anteriormente.

O fundamental é escolher um plano coerente com seus objetivos e perfil de risco, e acompanhar a rentabilidade do fundo e seus custos com taxas de administração e carregamento. Ademais, o benefício fiscal permanece no caso de portabilidade, ou seja, é possível mudar de plano sem precisar resgatar, não gerando tributação.

Resolvidos os aspectos financeiros, outras considerações são válidas. Os benefícios fiscais funcionam justamente para incentivar poupanças destinadas à utilização do dinheiro em longo prazo. A maioria dos planos possui carência entre um resgate e outro, você deve avaliar se o valor aportado não será necessário em curto prazo e ter uma reserva de liquidez para eventuais imprevistos.

Por último, mas não menos importante, contratar uma previdência é uma escolha que altera o comportamento pessoal, uma vez que ao aderir ao plano acaba-se poupando todo mês parte dos recursos para que seja destinada à aposentadoria. Por isso, você deve saber bem quanto de renda espera ter no futuro e, para tanto, quanto precisará contribuir e distribuir entre a previdência pública, a privada e outros tipos de investimentos.

Entrada na Baixa e Saída na Alta para Realização dos Ganhos: Investidores Estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo

Depois de receber mais de R$ 73 bilhões em recursos estrangeiros até o último dia 16 de março de 2022, valor acima do recorde anual da série histórica iniciada em 1994, o segmento secundário da B3 (ações já listadas) pode sentir um abrandamento deste fluxo nos próximos meses, conforme o cenário global de ações passa por ajustes.

Investidores globais ainda enxergam suporte para ações ligadas a commodities, mas uma mudança de foco para ativos mais dependentes da economia local parece menos provável, conforme as pressões inflacionárias se intensificam e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dá início ao ciclo de aperto monetário.

Em 2022, o Ibovespa acumula ganhos de 9,8%, enquanto o S&P 500 perde 6,3%, o Nasdaq devolve 11,6% e o europeu Stoxx 600 cede 6,8%. O desempenho positivo, no entanto, é fortemente concentrado em empresas com maior peso no índice local e nos setores de mineração e siderurgia, óleo e gás e financeiro, os favoritos do investidor global por sua liquidez.

Antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro, agentes enxergavam um possível transbordamento dos recursos internacionais para ativos mais ligados à economia local, ao esperarem um abrandamento da inflação e uma reversão da política monetária apertada após a eleição. Agora, esse cenário já parece distante.

Os bancos centrais da América Latina vinham se preparando há meses para este ciclo de aperto monetário, tentando se manter à frente da curva, mas o impacto da guerra é essencialmente inflacionário, com alta nos preços de alimentação e energia. Não é catastrófico, mas torna o ambiente mais desafiador e atrasa expectativas de reversão no cenário. A recomendação é “neutra” para os ativos do país.

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