Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria

Idade de Aposentadoria

Gleise de Castro (Valor, 10/12/2015) informa que os trabalhadores brasileiros querem parar de trabalhar mais cedo e manter o padrão de vida que têm na ativa, mas não se preparam para isso. Essa é a principal conclusão de pesquisas recentes feitas por operadoras de Previdência Privada, como a Icatu Seguros. Em levantamento feito pela empresa com seus 400 clientes de previdência, 45% disseram querer se aposentar aos 55 anos. Para isso, 37% informaram destinar apenas 3% da renda mensal ao plano de previdência privada. Outros 22% disseram aplicar 6%.

Calcula-se que o valor mínimo de investimento na previdência privada deve ser de 10% da renda mensal, nível de contribuição que apenas 17% afirmaram aplicar no plano, conforme a pesquisa.

[FNC: por meus cálculos, se investir 20% da renda mensal durante 30 anos em renda fixa com juros de 0,5% a.m., ao final desse período o trabalhador já terá renda do capital similar à renda do trabalho em termos nominais.]

Para 47,79% dos entrevistados, a principal preocupação em relação à aposentadoria é conseguir manter o padrão de vida atual, enquanto 22% disseram estar mais preocupados com dificuldades financeiras e 18,58%, com despesas de saúde. Continue reading “Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria”

Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Luciana Seabra (Valor, 18/04/2016) avalia que, em um momento político tão conturbado, a aversão a risco do investidor brasileiro está em níveis máximos. Duas pesquisas, uma da BlackRock e outra da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que ele está excessivamente concentrado em liquidez, gostaria de estar menos, mas tem medo e falta de informação. O histórico não ajuda: a pessoa física sempre erra a hora certa de abrir mão de liquidez e correr risco na bolsa brasileira.

No viés heurístico classificado pelas Finanças Comportamentais como “diversificação ingênua” — via Regra dos 3 Terços, 1/3 para curto prazo, 1/3 para médio prazo e 1/3 para longo prazo, ou 1/3 para LTN, 1/3 para LFT e 1/3 para NTN-B, ou ainda 1/3 para RF prefixada, 1/3 para RF pós-fixada e 1/3 para Renda Variável, pois “a mente humana abomina complexidade” — o “brasileiro” (sic — veja a desigualdade da riqueza financeira per capita na tabela acima) gostaria de ter 32% do patrimônio em ativos líquidos, como poupança, fundos e títulos de curto prazo.

Na realidade, tem 67%, segundo entrevistas da BlackRock com mil investidores locais, sendo 606 de varejo e 394 do segmento afluente, com pelo menos R$ 200 mil em patrimônio investido. Na faixa de idade entre 55 e 64 anos, essa fatia é ainda maior, de 76%. Lógico, está em fase de pré-aposentadoria, prefere ter mobilidade do capital.

A indústria de fundos é um retrato dessa concentração. Os dados da Anbima, associação que representa o mercado, mostram que as carteiras de renda fixa têm hoje 48% de todo o dinheiro alocado em fundos no Brasil, um total de R$ 1,5 trilhão. A fatia administrada pelos gestores de ações é de somente 4,7% desse bolo, ou R$ 144,93 bilhões. Em outras palavras, o único agente que dá importância à Bovespa é o PIG, já que ela lhe fornece manchetes escandalosas tipo “a Bolsa ou O Mercado caiu ou subiu em função das oscilações do golpe em andamento”:) Continue reading “Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros”

Investidor Brasileiro: média de R$ 28,5 mil em Aplicações Financeiras

Saldo das Aplicações por Domicílio

Número de Investidores com Depósitos de PoupançaNúmero de Investidores sem Poupança

Queda nos Depósitos de PoupançaUm universo de 71,7 milhões de clientes e R$ 2,04 trilhões de saldo total possui, em média per capita, R$ 28,5 mil em aplicações financeiras, distribuídas por títulos e valores mobiliários de renda fixa (34%), fundos de investimento (31,6%), poupança (29,6%) e renda variável (4,8%). Os dados estão em relatório inédito que a ANBIMA lançou no dia 07/04/2016. A publicação permite uma visão integrada do segmento de distribuição. Porém, integrando investidores Private Banking e varejo com depositantes de poupança, através dessa média per capita esconde-se mais do que revela-se a imensa desigualdade de riqueza financeira.

Essas estatísticas abrangem os (71.738.234 – 9.557.985 =) 62.180.249 (48%) “poupadores” com saldo igual ou acima de R$ 100,00, cuja média per capita é R$ 9.707,00. Não inclui 67.415.660 (52%) dos 129.595.909 depositantes de poupança com saldo menor do que R$ 100,00. Logo, a caderneta de poupança não pode ser considerada um “investimento”, mas sim uma quase “conta corrente” onde não se paga tarifas bancárias.

Na verdade, são apenas 9.557.985 os investidores brasileiros, o mesmo número de pessoas pertencentes às castas com formação universitária, que investem nos demais produtos financeiros.

Os 52.050 grupos econômicos do Private Banking têm em média R$ 13.688.377,00. Estes 109.894 clientes resultantes da soma de CPFs e CNPJs dos “super-ricos” têm patrimônio financeiro médio per capita de R$ 6.483.339,00. Isto mesmo, cada um desses indivíduos de grupos familiares super-ricos tem, em média, cerca de seis e milhões e meio de reais em produtos financeiros, sem considerar os ativos imobiliários e automotores! E ainda tem “massa-de-manobra” da classe média estúpida que bate “panela-vazia” por eles…

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“Fintech”: Financial Technology — Uma Ideia na Cabeça, Uma Tecnologia à Mão…

$ sobre $

A Wikipedia define, convencionalmente, um banco. “Bancos são instituições intermediárias entre agentes superavitários e os agentes deficitários, que exercem, além de outras, a função de captar os recursos dos superavitários e emprestá-los a juros aos deficitários, gerando a margem de ganho denominada de spread bancário. Os bancos têm também por funções captar capital em formas de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas internacionais, realizar pagamentos, entre outros”.

Se fosse definir essa “coisa” apenas por suas funções, destacaria as três principais:

  1. prover um sistema de pagamentos;
  2. captar depósitos de terceiros, oferecendo aplicações financeiras seguras, líquidas e rentáveis;
  3. oferecer financiamentos para alavancagem financeira da rentabilidade dos capitalistas.

Mas não esqueceria que, por ser responsável por guardar recursos de terceiros, é uma instituição que necessita de autorização da Autoridade Monetária, i.é, necessita de concessão e fiscalização do Banco Central, para “abrir suas portas” ao público. Afinal, este que garante em última instância a segurança dos depósitos.

Dito isso, alerto que não basta “uma ideia na cabeça, uma tecnologia à mão” para virar banqueiro. Assim como não basta “uma ideia na cabeça, uma câmara à mão” para virar cineasta…

Essa advertência é necessária nos tempos atuais de inovações tecnológicas, cujos inventores se imaginam, de uma hora para outra, se tornar empreendedores em todas as áreas, mesmo que tenham “desconhecimento de causa”. Continue reading ““Fintech”: Financial Technology — Uma Ideia na Cabeça, Uma Tecnologia à Mão…”

Analfabetismo Funcional X Educação Financeira

Educação e Orçamento Doméstico

Há mais de 15 anos, organizei um Curso de Extensão em Economia Financeira na UNICAMP. Depois de minha licença (5 anos) para cuidar de Finanças e Mercado de Capitais na Caixa Econômica Federal, retornei com uma visão de Economia Aplicada a respeito das necessidades mais práticas dos alunos já formados em curso superior. Eles buscam aprender e entender tanto o jargão econômico quanto as melhores práticas em decisões financeiras, sejam corporativas, sejam pessoais.

Parto da hipótese de que se todos os estudantes, desde a Educação Fundamental, tivessem acesso à Educação Financeira, suas famílias sofreriam menos danos em sua qualidade de vida, devido à má administração do orçamento doméstico. O acesso à cidadania financeira é um direito e o conhecimento de Finanças Pessoais é um dever por parte de todos!

Camilla Veras Mota (Valor, 28/03/16) informa que o aumento do desemprego, a inflação em nível ainda elevado e os demais desdobramentos da recessão não são os únicos elementos que pesam sobre a renda das famílias. Pesquisa conduzida recentemente pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela Ação Educativa mostra que quase um terço dos tomadores de decisões financeiras nos domicílios brasileiros são analfabetos funcionais – e, assim, mais vulneráveis a situações de inadimplência ou de descontrole do endividamento.

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Infidelidade Conjugal-Financeira

contrato de casamento

Gosto da definição de casamento civil e/ou religioso: é uma contratação de prestação de serviços por prazo indeterminado. Se fosse bom não seriam necessárias testemunhas!

Os votos de casamento mais conhecidos constituem o inacreditável: “Eu, fulana, te recebo sicrano, como meu marido e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe”.

Chris Taylor (Valor, 11/02/16) avalia que, quando o assunto é amor e dinheiro, as perspectivas de harmonia nem sempre dependem do que é revelado. Dependem também do que não é. Basta perguntar à advogada que estava noiva alguns anos atrás, considerava seu noivo evasivo quando ela trazia à baila questões de dinheiro. Ela não sabia nada: quanto ele estava ganhando, quanto ele devia, quais eram suas despesas. A advogada, por ironia do destino, é especializada em Direito Financeiro…

Enquanto a infidelidade física pode envolver flerte com um colega de trabalho ou encontros com estranhos por meio de um site de relacionamentos na rede social, a infidelidade financeira pode envolver trapaças, como a ocultação de contas bancárias ou de faturas de cartão de crédito. “Esse é um dos principais fatores que podem impactar relacionamentos”, diz a advogada, que acabou cancelando o casamento.

De fato, você não saber nada sobre a renda, as dívidas ou as despesas de seu parceiro é um grande e desconcertante sinal de perigo. E, a julgar pelos novos dados divulgados pelo CreditCards.com, é grande quantidade de sinais de perigo por aí.

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Perfil dos Investidores no Brasil

PF na Bovespa

Algo que nunca deve se esquecer ao ler reportagens sobre Finanças Pessoais nos Estados Unidos é que, lá, o investimento em renda variável (ações) é a preferência nacional. Há “o mito fundador” do pequeno investidor se associar às grandes corporações, seja para o mal (crash) seja para o bem (boom). Aceita-se a volatilidade da riqueza, isto é, a falência e a recuperação como regras do jogo capitalista.

Aqui, o investimento preferencial é em renda fixa (pós-fixada e/ou indexada a percentual da variação do CDI), onde o risco da volatilidade em taxas de câmbio, inflação, salário, juro, crescimento do PIB, etc., é vivenciado como traumático. É bobagem falar — como os pós-keynesianos — em “preferência por liquidez“, quando predomina a “preferência por segurança” ou a aversão ao risco de perda. Em Finanças (não em Política), é prudente assumir um perfil conservador: ganhar dinheiro no mercado de trabalho e defender seu poder aquisitivo contra a inflação no mercado de renda pós-fixada.

Sérgio Tauhata (Valor, 03/02/16) mostra como o ano de 2013 representou uma guinada na estratégia como investidor na bolsa brasileira. Muitos tinham passado a investir em ações desde meados de 2009, primeiro ano após a crise financeira americana, quando o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, marcou uma valorização acima de 82%. O resultado, como seria de se esperar, arregalou os olhos de pessoas físicas em todo o país para o investimento em papéis de empresas abertas, tanto que, em menos de um ano, entre dezembro de 2009 e setembro de 2010, mês que registra o segundo maior número da série histórica de pessoas físicas cadastradas na bolsa, 78 mil novas inscrições foram realizadas.

No fim de 2013, ao checar sua carteira como se deve fazer, regularmente, o investidor se deu conta de que o prejuízo de quase 60% dos recursos investidos desde sua estreia na bolsa dificilmente seria recuperado. Muitos iniciantes acham que sabem operar, mas a verdade é que tem pouco conhecimento sobre O Mercado.

Provavelmente, dezenas de milhares de outros pequenos investidores na bolsa se questionaram sobre a manutenção dos recursos na renda variável. Se um ano antes, a mínima histórica da taxa Selic, de 7,25%, alcançada em outubro de 2012, parecia a deixa para se buscar retornos maiores em ações, no fim de 2013, a certeza esmaeceu com a queda de 15,5% do Ibovespa.

Depois da euforia vem o pânico, durante a crise, vendo todo dia a bolsa cair e achar que no dia seguinte haverá recuperação. A grande lição que se aprende na ocasião é admitir a perda.. Descobre, por exemplo, a importância de ter disciplina em usar sempre o ‘stop loss‘ em qualquer operação e assim, se for perder, perder pouco.

Seleção de Carteiras

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