O Mercado Estúpido

O desempenho da Bolsa de Valores no Brasil não indica o comportamento dos fundamentos, seja microeconômicos, seja “mesoeconômicos” (setoriais) ou macroeconômicos. A economia brasileira passa pela maior e mais longa depressão de sua história e a bolsa sobe!  É pura especulação, insuflada por profecias auto realizáveis e determinada pelas entradas e saídas manipulativas por parte do capital estrangeiro em curto prazo. Este é pouco, mas suficiente para manipular essa bolsa raquítica — e ganhar dinheiro de incautos

André Rocha é analista certificado pela Apimec e atua há 20 anos como especialista na avaliação de companhias listadas na bolsa. Tenta defender o indefensável. Para tanto, faz análise grafista e não análise fundamentalista do desempenho da bolsa.

Em artigo (Valor, 08/03/17), insiste em louvar o governo golpista: “iniciativas importantes para a disciplina fiscal como o congelamento dos gastos reais do governo federal e o início do debate das reformas da Previdência e trabalhista deram um fôlego ao mercado acionário brasileiro”. Ainda assim, uma pergunta se impõe: com a recente alta, a bolsa brasileira ficou cara, i.é, descolada dos fundamentos?

Seleção da Carteiras de Ativos (ou Portfólio)

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Eu, FNC, defendo que o pequeno investidor (PF) brasileiro deve se preocupar, em primeiro lugar, com sua formação escolar, para ganhar dinheiro no mercado de trabalho, e, em segundo lugar, em obter Educação Financeira, para defender contra a inflação o dinheiro que lhe custou muito a ganhar, investindo no mercado financeiro com a  finalidade principal de defender o poder aquisitivo de sua sobra de renda. Em outras palavras, o importante é acumular capital humano, inclusive para saber proteger seu capital financeiro! A capacidade pessoal de ganho do pequeno investidor “amador” está no seu capital intelectual, ele jamais enriquecerá no mercado de capitais!

Logo, ele tem de escolher, no país que paga a maior taxa de juros do mundo em títulos de risco soberano pós-fixados, uma carteira de ativos conservadora. E não ser conservador em política e costumes!

Marcelo d’Agosto (Valor, 23/02/17) ensina a escolher os ativos — formas de manutenção de riqueza — financeiros.

Considere que, após fazer um teste para avaliar o seu perfil de investidor, você tenha a opção de aplicar em três carteiras com características diferentes: conservadora, moderada ou agressiva.

  1. A carteira conservadora engloba títulos atrelados ao CDI, papéis prefixados e fundos multimercados.
  2. A carteira moderada inclui, além das opções da carteira conservadora, ativos indexados à inflação e ações negociadas no Brasil.
  3. carteira agressiva reúne, também, ações negociadas no mercado internacional.

A participação de cada modalidade de ativo no total varia conforme o perfil da carteira.

  • Na carteira conservadora, o peso dos títulos atrelados ao CDI é equivalente a 85% do total do patrimônio.
  • Na carteira agressiva, o percentual cai para apenas 10%.

A participação das ações negociadas no mercado local é inexistente na carteira conservadora, representa 5% na carteira moderada e sobe para 15% na carteira agressiva.

O peso de cada classe de ativo nas três carteiras pode ser ilustrado no gráfico. Mas Marcelo d’Agosto sugere 5% em Fundos Multimercados na carteira conservadora: para que? Qual diferença nominal fará em elevar o retorno esse pequeno percentual de risco? Por que não no máximo 15% em prefixados para completar os 85% aplicados em pós-fixados, um menor risco em MtM (marcação-a-mercado) caso se reverta uma tendência de queda da taxa de juros?

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Investir em Devolução de Imposto

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Nicholas Megaw (Valor, 23/02/17) informa que o governo da Suécia tem uma queixa incomum: está recolhendo impostos demais. As taxas de juros negativas tornaram alguns dos impostos mais altos do mundo menos dolorosos. Empresas e indivíduos correm para transferir dinheiro para o Estado por causa dos retornos oferecidos, que são relativamente mais compensadores do que pagar para deixar reservas depositadas em bancos.

O governo sueco teve um superávit fiscal de 85 bilhões de coroas (US$ 9,5 bilhões) em 2016, com cerca de 40 bilhões de coroas vindos de pagamentos excessivos de impostos. O governo terá de devolver quase US$ 4,5 bilhões, depois que empresas e cidadãos pagaram impostos demais intencionalmente em 2016.

O governo quer desencorajar mais pagamentos excessivos, mas o órgão responsável pela dívida pública já admitiu que seus esforços provavelmente não serão suficientes. Isso simplesmente é consequência dos juros negativos atuais.

FNC: este “laboratório” confirma mais uma vez a interconexão e, portanto, a necessidade de coordenação sábia entre política fiscal e política de juros. Na Suécia e aqui!

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Juro Real Brasileiro: Rentistas não desistem do Brasil!

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A taxa de juro real segue em trajetória de baixa e volta para patamares não vistos desde o fim de 2014, na casa de 5,5% ao ano, antes da volta da Velha Matriz Neoliberal com Joaquim Levy. O swap de juro de 360 dias é negociado a 10,41%, enquanto o IPCA para os próximos 12 meses é de 4,62%, segundo o último boletim Focus. Disso resulta um juro real de 5,53%. Quando o Copom começou o atual ciclo de afrouxamento monetário, em outubro de 2016, depois de quinze meses com juro nominal básico de 14,25% aa, o juro real estava em 6,90% aa — reflexo de taxa de mercado de 12,3% e de projeção de inflação de 5%.

Já foi pior no início do fim da Primeira Era Neoliberal: em março de 1999, o Banco Central aumentou a Selic em 20 pontos percentuais, de 25% para 45% ao ano. Em abril do primeiro ano do segundo mandato de FHC, a taxa básica já estava em 34%; em setembro em 19% e permaneceu nesse patamar por seis reuniões consecutivas do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesse vaivém, a Selic subiu 20 pontos percentuais e caiu 26 pontos.

O salto do juro no primeiro trimestre de 1999 ocorreu no contexto de:

  1. a ruptura com o regime de banda cambial e
  2. a adoção do regime de metas inflacionárias.

De setembro de 2002 até maio de 2003, portanto, em nove meses, o Banco Central — já com o Henrique Meirelles desde janeiro de 2003 — recorreu a mais aperto monetário. Desta vez, o juro foi elevado em 8,5 pontos percentuais.

Para o ciclo de pequeno alívio monetário que está em curso desde outubro de 2016, analistas projetam queda de Selic entre 4,0 e 4,75 pontos percentuais e para taxa de um dígito. No anterior — denominado de “Cruzada da Dilma”–, de 2011 a 2012, o corte foi de 5,25 pontos.

A economia brasileira obteve média de crescimento de PIB entre agosto de 1994 (logo após o Plano Real) e janeiro de 2017 de apenas 2,5% ao ano, com 7,7% de inflação média anual. Nesta Nação, cujas conquistas democráticas não são preservadas, nos últimos vinte e dois anos e meio, R$ 1 mil investidos na Bolsa de Valores e no CDI teriam acumulado, respectivamente, R$ 15.400 (renda variável com retorno médio de 13% ao ano) e R$ 43.500 (renda fixa com média de 18,25% ao ano).

O juro real médio de 9,8% ao ano explica parte do ganho modesto do Ibovespa de só 4,9% sobre a inflação no período, exatamente a metade da renda fixa. Quem se arrisca em um mercado de ações raquítico e manipulável?

É mais prudente, em uma economia instável com taxas de crescimento, inflação, juros e câmbio voláteis, ficar carregando risco soberano dos títulos de dívida pública pós-fixados!

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Balanço Anual de 2016 em Fundo dos Investimentos

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Já estão disponíveis os Boletins ANBIMA de janeiro de 2017 com todos os resultados do ano passado. É uma boa referência para seleção de carteira de ativos financeiros verificar as tendências do mercado financeiro, especialmente dos segmentos de clientes e suas escolhas de portfólio. Confira:

Fundos de investimento
Indústria registra captação líquida de R$ 109,1 bi em 2016 »

Renda fixa
Índices de maior duration apresentaram a melhor performance do ano »

Mercado de capitais
Emissões no mercado de capitais superam em 27,7% o total de 2015 »
Acesse tabelas de registros »

Nestas publicações você poderá ler que o Patrimônio Líquido dos Fundos atingiu R$ 3,417 trilhões. A captação líquida da indústria em 2016 alcançou R$ 109,1 bilhões, a segunda maior da série, superada, apenas pela de 2010, quando registrou R$ 113,5 bilhões. A captação líquida da classe Previdência no ano também foi recorde (R$ 48,2 bilhões) e respondeu pela maior parte do ingresso líquido de recursos no ano, sendo seguida pela classe Renda Fixa, com R$ 45,9 bilhões.

Observe também que as EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar: PGBL/VGBL) se tornaram os maiores investidores institucionais (45,7%), ultrapassando as EFPC (Entidades Fechadas de Previdência Complementar patrocinadas por empresas públicas – 15,2% – e privadas – 21,5%). A classe média de alta renda e o Private Banking demonstram estar adquirindo essa consciência da necessidade de complementar a Previdência Social.

No ano de 2016, os Fundos de Ações lideraram as rentabilidades na indústria, aproveitando a primeira valorização anual do Ibovespa desde 2012. O período também foi favorável à rentabilidade das carteiras dos Fundos de Renda Fixa com maior duration, que se beneficiaram da perspectiva da redução dos juros, iniciada em outubro de 2016. Na classe Multimercados, os maiores retornos foram registrados pelos tipos Long and Short Neutro (21,14%) e Macro (19,8%).

No entanto, todos esses fundos de renda variável são de maiores riscos, i.é, volatilidade em seus retornos. Se você tem em renda fixa uma “garantia” de elevada taxa de juros real, em comparação mundial, para que correr risco e não apenas proteger seu patrimônio financeiro da elevada taxa de inflação brasileira? Aqui, a diretoria do Banco Central cuida muito bem de evitar a “eutanásia dos rentistas”...

Os Fundos de Renda Fixa Duração Baixa Soberano (TDPb) teve rentabilidade de 13,92% no ano, os de Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento (“Crédito Privado”), 14,16%. O CDI médio do ano de 2016 foi 14%. E o IPCA no ano passado ficou em 6,29%.

Em Calcular Taxa de Juro Real você poderá estimar que a taxa de juro real ex-post ficou então em 7,25% no ano de 2016! Em outras palavras, o Banco Central do Brasil te ofereceu em RF DI, sem correr maior risco, mais do que o dobro da taxa de inflação!!!

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Bancos: Migração de Clientes para Atendimento Digital

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Felipe Marques e Vinícius Pinheiro (Valor, 27/12/16) informam sobre a possibilidade de resolver a maior parte da vida financeira via celular, fora de horário comercial, com um gerente de prontidão do outro lado da tela é o benefício mais visível da transformação digital do sistema financeiro do Brasil. Mas a mudança que facilitou a vida dos clientes trouxe também ganhos expressivos de eficiência porta giratória adentro e explica por que os grandes bancos vêm apostando tão alto na digitalização de suas interações com correntistas.

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander traduzem em números os ganhos trazidos pelo modelo de atendimento digital. No BB, os clientes atendidos pelos canais eletrônicos têm uma margem de contribuição, que mede o consumo de produtos e serviços do banco, 40% superior à dos clientes “analógicos” do banco. No Itaú, o índice de eficiência — relação entre despesas (DP + ODA) e receitas (RBIF + RPS) — de uma agência digital é entre 10 e 15 pontos percentuais melhor que o do ponto de atendimento físico.

O que diferencia o modelo digital de atendimento bancário do tradicional? Embora as minúcias da resposta variem de banco para banco, em linhas gerais a grande diferença é que o gerente responsável pelo cliente não fica mais localizado em uma agência de rua tradicional, mas sim em uma espécie de escritório.

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Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos

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Os membros da casta dos mercadores-financistas se apossaram dos cargos-chave na área econômico-financeira do governos temeroso: ex-presi de banco estrangeiro é o MinFaz e ex-economista-chefe de banco nacional privado é presi do BCB. Daí vão brotando “ideias-geniais” para elevar a riqueza financeira enquanto a economia brasileira vive uma Grande Depressão já trienal. Ela foi provocada com a volta da Velha Matriz Neoliberal ao comando da economia, em 2015, e se mantém, recebendo a louvação ilusória, cotidianamente, de colunistas idolatras do PIG.

A última ideia de “gênio-da-raça” foi esvaziar o funding da Caixa para financiamento de construção de Habitações de Interesse Social, cujos mutuários necessitam de recursos subsidiados do FGTS. De acordo com esse “populismo de direita”, o dinheiro sairá do FGTS e, provavelmente, irá abastecer o regime de capitalização dos fundos de Previdência Privada Complementar.

Sob o ponto de vista individualista do detentor de FGTS é uma manobra racional deixar de receber 3% aa + TR e passar a receber, p.ex., 13,04% como ocorreu no ano passado (2016) em PGBL com RF Crédito Privado.

Sob o ponto de vista social, considerando que a sociedade brasileira necessita cobrir o déficit habitacional em que 95% se refere às famílias que recebem menos de 5 salários mínimos, a medida é irresponsável!

Sob o ponto de vista dos financistas, a carência de ativos que agregam valor na produção levará à busca aos dados ativos financeiros. O choque de demanda na caça por “formas de manutenção de riqueza” (ativos) levará a uma alta artificial dos ativos — p.ex., ações de grandes empresas brasileiras — e, com o enriquecimento súbito de alguns apaniguados de O Mercado, a uma falsa euforia. Depois, quando a bolha de ativos se revelar sem sustentação em valor agregado, virá o pânicoContinue reading “Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos”