Risco em Rendimento Pós-Fixado

Risco em LFT

Risco, no mercado financeiro, é considerado a variação dos rendimentos esperados em investimentos financeiros. Quando se aplica em fundos lastreados em Renda Fixa Pós-Fixada, imagina-se que seus rendimentos acompanharão a evolução do CDI que, por sua vez, acompanham, mal ou bem, a da Selic. E esta os diretores do Banco Central do Brasil cuidam de colocar sempre bem acima da taxa de inflação, para evitar o risco de eutanásia dos rentistas. Porém, nesta Terra de Surpresas, “onde até o passado é incerto”, tudo pode acontecer…

Marcelo d’Agosto (Valor, 25/05/16) informa que, nos últimos meses, os aplicadores em Letras Financeiras do Tesouro (LFT) tiveram rendimento diferente conforme o prazo de vencimento que escolheram investir. O título é atrelado à taxa Selic e considerado como sendo o de menor risco de mercado.

No ano, as LFTs com resgate estipulado para datas mais distantes registram ganhos inferiores ao dos papéis que vencem em períodos mais próximos. A conta considera tanto os juros acumulados no período quanto o ganho de capital e a diferença entre as taxas de compra e venda.

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Juro Negativo é como Jurar dizer Mentira!

Juro de pés juntos que jamais imaginei (re)viver o que estou vivendo! Um novo golpe no Brasil! Uma volta dos neoliberais derrotados nas quatro últimas eleições! O velho Delfim — agora já Tataraneto –, assinante do AI-5, ainda ditando regras para o desmanche do Estado social-desenvolvimentista!

Jurar de pés juntos é uma expressão que surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados juntos e era torturado “pra dizer nada além da verdade”.  Tipo “delação premiada” da República de Curitiba, onde o juiz pauta a confissão que deseja obter. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz — sob tortura…

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Inovação Financeira e Tecnológica: Fintech

Fintech-Basics

Contra a pretensa ameaça de “desintermediação bancária” os grandes bancos brasileiros de varejo reagem também fornecendo aplicativos aos clientes para “mobile banking”, tanto para acesso a conta corrente e investimentos quanto para consultas e pagamentos com cartão de crédito.

Sérgio Tauhata (Valor, 09/05/16) avalia que o maior pesadelo dos bancos tradicionais hoje está bem aí no seu bolso ou bolsa. A chamada tecnologia financeira – ou, no jargão do mercado, “fintech“, uma contração dos termos em inglês “financial technology” – usa e abusa da mobilidade e da internet para implementar de modo eficiente e conveniente serviços antes restritos às instituições financeiras. Os principais palcos onde essa disputa tem sido travada são justamente os smartphones e tablets.

O que assusta os executivos é a possibilidade de o consumidor pular a intermediação, ou seja, o próprio serviço das instituições financeiras. Ainda é cedo para saber se os bancos têm motivos para preocupações, mas, em alguns poucos anos, as respostas estarão ao alcance de suas mãos.

O canal móvel avança a passos largos no Brasil. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com os sete maiores grupos financeiros do país, divulgada em dezembro, mostra que, no primeiro semestre do ano de 2015, 21% das transações se originaram de smartphones e tablets. No fim de 2014, as operações por meio de dispositivos móveis representavam apenas 14% do total.

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Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria

Idade de Aposentadoria

Gleise de Castro (Valor, 10/12/2015) informa que os trabalhadores brasileiros querem parar de trabalhar mais cedo e manter o padrão de vida que têm na ativa, mas não se preparam para isso. Essa é a principal conclusão de pesquisas recentes feitas por operadoras de Previdência Privada, como a Icatu Seguros. Em levantamento feito pela empresa com seus 400 clientes de previdência, 45% disseram querer se aposentar aos 55 anos. Para isso, 37% informaram destinar apenas 3% da renda mensal ao plano de previdência privada. Outros 22% disseram aplicar 6%.

Calcula-se que o valor mínimo de investimento na previdência privada deve ser de 10% da renda mensal, nível de contribuição que apenas 17% afirmaram aplicar no plano, conforme a pesquisa.

[FNC: por meus cálculos, se investir 20% da renda mensal durante 30 anos em renda fixa com juros de 0,5% a.m., ao final desse período o trabalhador já terá renda do capital similar à renda do trabalho em termos nominais.]

Para 47,79% dos entrevistados, a principal preocupação em relação à aposentadoria é conseguir manter o padrão de vida atual, enquanto 22% disseram estar mais preocupados com dificuldades financeiras e 18,58%, com despesas de saúde. Continue reading “Renda do Capital como Substituta da Renda do Trabalho para Manutenção do Padrão de Vida na Aposentadoria”

Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Luciana Seabra (Valor, 18/04/2016) avalia que, em um momento político tão conturbado, a aversão a risco do investidor brasileiro está em níveis máximos. Duas pesquisas, uma da BlackRock e outra da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que ele está excessivamente concentrado em liquidez, gostaria de estar menos, mas tem medo e falta de informação. O histórico não ajuda: a pessoa física sempre erra a hora certa de abrir mão de liquidez e correr risco na bolsa brasileira.

No viés heurístico classificado pelas Finanças Comportamentais como “diversificação ingênua” — via Regra dos 3 Terços, 1/3 para curto prazo, 1/3 para médio prazo e 1/3 para longo prazo, ou 1/3 para LTN, 1/3 para LFT e 1/3 para NTN-B, ou ainda 1/3 para RF prefixada, 1/3 para RF pós-fixada e 1/3 para Renda Variável, pois “a mente humana abomina complexidade” — o “brasileiro” (sic — veja a desigualdade da riqueza financeira per capita na tabela acima) gostaria de ter 32% do patrimônio em ativos líquidos, como poupança, fundos e títulos de curto prazo.

Na realidade, tem 67%, segundo entrevistas da BlackRock com mil investidores locais, sendo 606 de varejo e 394 do segmento afluente, com pelo menos R$ 200 mil em patrimônio investido. Na faixa de idade entre 55 e 64 anos, essa fatia é ainda maior, de 76%. Lógico, está em fase de pré-aposentadoria, prefere ter mobilidade do capital.

A indústria de fundos é um retrato dessa concentração. Os dados da Anbima, associação que representa o mercado, mostram que as carteiras de renda fixa têm hoje 48% de todo o dinheiro alocado em fundos no Brasil, um total de R$ 1,5 trilhão. A fatia administrada pelos gestores de ações é de somente 4,7% desse bolo, ou R$ 144,93 bilhões. Em outras palavras, o único agente que dá importância à Bovespa é o PIG, já que ela lhe fornece manchetes escandalosas tipo “a Bolsa ou O Mercado caiu ou subiu em função das oscilações do golpe em andamento”:) Continue reading “Preferência pela Liquidez ou Aversão ao Risco dos Investidores Brasileiros”

Investidor Brasileiro: média de R$ 28,5 mil em Aplicações Financeiras

Saldo das Aplicações por Domicílio

Número de Investidores com Depósitos de PoupançaNúmero de Investidores sem Poupança

Queda nos Depósitos de PoupançaUm universo de 71,7 milhões de clientes e R$ 2,04 trilhões de saldo total possui, em média per capita, R$ 28,5 mil em aplicações financeiras, distribuídas por títulos e valores mobiliários de renda fixa (34%), fundos de investimento (31,6%), poupança (29,6%) e renda variável (4,8%). Os dados estão em relatório inédito que a ANBIMA lançou no dia 07/04/2016. A publicação permite uma visão integrada do segmento de distribuição. Porém, integrando investidores Private Banking e varejo com depositantes de poupança, através dessa média per capita esconde-se mais do que revela-se a imensa desigualdade de riqueza financeira.

Essas estatísticas abrangem os (71.738.234 – 9.557.985 =) 62.180.249 (48%) “poupadores” com saldo igual ou acima de R$ 100,00, cuja média per capita é R$ 9.707,00. Não inclui 67.415.660 (52%) dos 129.595.909 depositantes de poupança com saldo menor do que R$ 100,00. Logo, a caderneta de poupança não pode ser considerada um “investimento”, mas sim uma quase “conta corrente” onde não se paga tarifas bancárias.

Na verdade, são apenas 9.557.985 os investidores brasileiros, o mesmo número de pessoas pertencentes às castas com formação universitária, que investem nos demais produtos financeiros.

Os 52.050 grupos econômicos do Private Banking têm em média R$ 13.688.377,00. Estes 109.894 clientes resultantes da soma de CPFs e CNPJs dos “super-ricos” têm patrimônio financeiro médio per capita de R$ 6.483.339,00. Isto mesmo, cada um desses indivíduos de grupos familiares super-ricos tem, em média, cerca de seis e milhões e meio de reais em produtos financeiros, sem considerar os ativos imobiliários e automotores! E ainda tem “massa-de-manobra” da classe média estúpida que bate “panela-vazia” por eles…

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“Fintech”: Financial Technology — Uma Ideia na Cabeça, Uma Tecnologia à Mão…

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A Wikipedia define, convencionalmente, um banco. “Bancos são instituições intermediárias entre agentes superavitários e os agentes deficitários, que exercem, além de outras, a função de captar os recursos dos superavitários e emprestá-los a juros aos deficitários, gerando a margem de ganho denominada de spread bancário. Os bancos têm também por funções captar capital em formas de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas internacionais, realizar pagamentos, entre outros”.

Se fosse definir essa “coisa” apenas por suas funções, destacaria as três principais:

  1. prover um sistema de pagamentos;
  2. captar depósitos de terceiros, oferecendo aplicações financeiras seguras, líquidas e rentáveis;
  3. oferecer financiamentos para alavancagem financeira da rentabilidade dos capitalistas.

Mas não esqueceria que, por ser responsável por guardar recursos de terceiros, é uma instituição que necessita de autorização da Autoridade Monetária, i.é, necessita de concessão e fiscalização do Banco Central, para “abrir suas portas” ao público. Afinal, este que garante em última instância a segurança dos depósitos.

Dito isso, alerto que não basta “uma ideia na cabeça, uma tecnologia à mão” para virar banqueiro. Assim como não basta “uma ideia na cabeça, uma câmara à mão” para virar cineasta…

Essa advertência é necessária nos tempos atuais de inovações tecnológicas, cujos inventores se imaginam, de uma hora para outra, se tornar empreendedores em todas as áreas, mesmo que tenham “desconhecimento de causa”. Continue reading ““Fintech”: Financial Technology — Uma Ideia na Cabeça, Uma Tecnologia à Mão…”