Acionistas em longo prazo e acionistas em curto prazo ou especuladores

Adrian Wood em seu livro, denominado “Uma Teoria dos Lucros” (Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 1980), disserta a respeito do tempo de conservação de determinada ação por um acionista. Nem todos os acionistas alteram constantemente suas carteiras de ações de acordo com os preços correntes das ações e suas expectativas da situação futura. Se houvesse uma propensão à variação de ações em suas carteiras, o interesse dos acionistas não focalizaria o comportamento das empresas.

Consideradas as condições de incerteza, são as variações as facilitadoras da especulação, baseada em tentativas de superar os outros investidores quanto às previsões do comportamento das empresas e às expectativas do mercado de ações. Porém, na realidade, os acionistas não consistem em um grupo tão mutável, porque o período médio de conservação de ações ocorre entre cinco e dez anos. Uma parcela significativa das ações boas pagadoras de dividendos são mantidas por períodos ainda mais longos.

Nenhum acionista antecipa o momento exato das flutuações dos preços das ações e das expectativas em relação a elas de modo a alterar sua carteira em intervalos curtos e frequentes, mesmo porque ele incorreria em elevados custos de transação. Estes explicam em parte:

  1. os longos períodos de conservação das ações,
  2. a inércia e a irracionalidade dos investidores.

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Interesses dos Acionistas

Adrian Wood publicou um livro clássico, denominado “Uma Teoria dos Lucros” (Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 1980). Nele, destaca serem os dois aspectos principais do comportamento financeiro de empresas abertas, relacionado aos interesses dos portadores de suas ações:

  1. a política de dividendos e
  2. as emissões de novas ações.

A maior preocupação do acionista é obter a maior taxa de retorno possível de suas ações, considerando sua aversão ao risco.

A taxa de retorno de uma ação em dado período depende de três fatores:

  1. da cotação no início do período;
  2. do valor dos dividendos líquidos distribuídos durante o período;
  3. do valor do ganho ou perda de capital, descontados impostos e custos de transação com ações, resultante da alteração de sua cotação no período.

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Renda Fixa Pós-Fixada: Em Busca da Rentabilidade Perdida

Flávio Mattos (Valor, 28/03/19) informa: em março de 2019, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) atingiram o patamar de cinco dígitos, o valor de R$ 10 mil.

As LFT são títulos com rentabilidade diária vinculada à taxa de juros básica da economia, a Selic, e iniciaram com o valor de R$ 1 mil em julho de 2000. Portanto, em pouco mais de 18 anos e meio, os investidores ao aplicarem nas LFT conseguiram acumular uma valorização de 900% – ou seja, decuplicaram (multiplicaram por 10 vezes o seu investimento).

As LFTs foram criadas em novembro de 1987 aproveitando o sucesso da Letra do Banco Central (LBC), título com a mesma característica, sendo as primeiras de responsabilidade do Tesouro Nacional e destinadas especificamente para financiamento dos déficits orçamentários. As sucessivas crises macroeconômicas vividas pelo país nessa época, com níveis de inflação e incerteza elevados, permitiram que esses títulos fossem praticamente a única forma de financiamento da dívida. Continuar a ler

Cursos para Educação Financeira: Capacitação para o Planejamento Financeiro Pessoal

Danylo Martins (Valor, 18/03/19) avalia: assim como em outros setores, a tecnologia invadiu o mercado financeiro. Prova disso é o avanço de fintechs, bancos digitais e plataformas on-line de investimentos. Tal cenário exige profissionais com habilidades que vão muito além de compreender a dinâmica do setor, produtos e regulação.

De olho nisso, nascem escolas de formação para quem deseja trilhar carreira nesse novo mercado financeiro. Ao mesmo tempo, instituições tradicionais começam a aprimorar metodologias de ensino e a incluir novas disciplinas na grade dos cursos de graduação e pós. Continuar a ler

Inteligência Artificial X Ignorância Natural dos Investidores

Martha Funke (Valor, 31/01/19) avalia: as tecnologias de inteligência artificial abrem espaço em corretoras e gestoras de investimentos. Além de facilitar a vida de investidores sem acesso aos tradicionais serviços de gestão de patrimônio, ajudam a compor fundos sustentados por regras automáticas para pesquisa de padrões e implementação de operações.

Seival Investimentos e Visia estão entre as gestoras de fundos baseados na tecnologia.

Em 2018, o Seival FGS, por exemplo, rendeu 41% com modelos quantitativos seguidores de tendências.

A Visia, com patrimônio sob gestão perto de R$ 900 milhões, busca ineficiências de mercado em repetição de padrões e usa aprendizado de máquina (machine learning) para executar ordens de compra sem impactar o mercado. Seu fundo Zarathustra anuncia ter rendido 240% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) em 2018. [Sem esquema de Pirâmide Ponzi?!]

A falta de familiaridade com conceitos e lógica das finanças colabora para a popularização dos robôs para aconselhamento. Para o CEO da Warren, 85% dos investidores brasileiros preferem delegar decisões de investimentos por falta de conhecimentos suficientes sobre o tema. Continuar a ler

Disputas Competitivas em Fintechs

Raquel Balarin (Valor, 02/04/19) informa: uma instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), desatualizada para os novos tempos, está no centro da disputa entre dois dos principais supermercados de investimento do país, a XP Investimentos e o BTG Pactual Digital.

A Instrução 497, de junho de 2011, regula a função de agente autônomo e estabelece que esses agentes (pessoas físicas ou jurídicas) precisam ter exclusividade com uma corretora para oferecer valores mobiliários a seus clientes.

Por causa de uma disputa com o Banco Central, a CVM determinou estar sob sua supervisão ativos como ações, debêntures e derivativos. Se a captação é feita pelo governo, como títulos públicos, ou por bancos, como CDBs e outros papéis de renda fixa, a supervisão é de responsabilidade do BC e, portanto, não há regra de exclusividade entre agente autônomo e corretora. Continuar a ler

Novas Tecnologias com Algoritmo agravam a Volatilidade (Risco) dos Rendimentos Esperados

Robin Wigglesworth (FT, 08/01/19) informa: Philippe Jabre representava a mais pura essência aventureira dos investidores, irrompendo nos mercados financeiros, primeiro pela CLG Partners e depois por seu fundo hedge homônimo, fundado em 2007, na época um dos maiores lançamento já feitos no setor. Em dezembro de 2018, porém, jogou a toalha. Fechou a Jabre Capital após acumular enormes perdas. A culpa, disse, foi das máquinas.

“Os últimos anos foram particularmente difíceis para os gestores ativos”, disse, em sua carta derradeira aos clientes. “Os mercados financeiros evoluíram substancialmente nos últimos dez anos, guiados por novas tecnologias, e o seu comportamento está se tornando mais difícil de ser antecipado, à medida que os participantes tradicionais são substituídos de maneira imperceptível por modelos computadorizados.”

Jabre não está sozinho. Uma enxurrada de antigos “mestres do Universo”, agora de cabeças baixas, vem apontando dedos acusatórios para as máquinas. Argumentam que a crescente influência das chamadas operações de alta frequência (HFTs, na sigla em inglês) e dos investimentos “quantitativos” vem devastando os mercados e tornando obsoletas as análises tradicionais e o bom senso. Continuar a ler