Desmanche Neoliberal do BNDES

Quem financia em longo prazoAssim como Trump está desmanchando os avanços da Era Obama, aqui o governo golpista, sem ter o apoio dos eleitores ao seu programa neoliberal de corte de direitos sociais e desmanche dos bancos públicos desenvolvimentistas, dá prosseguimento a sua sanha destruidora dos avanços da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

Busca implementar o que está na chamada “Proposta Arida“, publicada em 2005 pela Casa das Garças, um “ninho de tucanos”, organizada por ex-professores neoliberais da PUC-RJ. Em última análise, Pérsio Arida propõe deixar morrer por inanição os bancos públicos com a suposta hipótese que, assim, o mercado de capitais privados florescerá! Ilusão que logo a casta dos mercadores-industriais se dará conta

Em comunicado, a Associação dos profissionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz uma crítica à mudança em curso na metodologia de cálculo da TJLP, que prevê que a taxa de juros do banco flutue como uma taxa de mercado:

“Trata-se de uma mudança profunda na precificação do crédito do BNDES, com impactos significativos sobre o Banco e sobre o investimento em capital fixo no Brasil”.

Para os empregados, se a taxa de juros do BNDES virar uma taxa de mercado, o banco deixa de ser um banco de fomento e passa a ser uma instituição mais comercial. Confira a íntegra do texto: Continue reading “Desmanche Neoliberal do BNDES”

Oportunismo Liberalizante da Velha Matriz Neoliberal

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Os economistas neoliberais “chapas-brancas” atuam em defesa do governo golpista, dedicando-se, cotidianamente, em suas colunas no PIG, a louvar “remédios amargos [para quem, cara-pálida?] que estão dando certo”. Porém, nem torturando os números conseguem esconder a realidade para quem lê dados oficiais do IBGE e do BCB.

Em que ano o choque tarifário — liberalização de preços administrados — provocou o choque inflacionário com a taxa de inflação atingindo 10,7%, depois de dez anos abaixo do teto da meta? Em 2015, com a volta apologética de um neoliberal (Joaquim Levy) ao comando do MinFaz.

Qual foi o tratamento de choque fiscal aplicado pelos golpistas? Sabotagem da política econômica de Nelson Barbosa com aprovação de “pautas-bombas” no Congresso e impedimento do ajuste fiscal gradualista, seguido do tratamento de choque depressivo. Seu resultado — apontam os gráficos acima — foi agravar, drasticamente, a queda da absorção doméstica do mercado interno, mesmo que a exportação líquida tenha reagido ao choque cambial de 2015 e à Grande Depressão de 2015-16 com a queda das importações maior do que a queda das exportações.

Qual é a grande diferença entre a Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) e a volta da Era Neoliberal (2015-16)? A queda da População Ocupada (PO) e a elevação do desemprego, justamente, a partir da posse do Joaquim Levy em janeiro de 2015. Confira os gráficos acima, publicados pelo BCB, tendo como fonte o IBGE.

O resto dos argumentos dos neoliberais é retórica ou denúncia vazia! Eles não provam com números estatísticos o falso argumento da defasagem precisa da “bomba-relógio”, supostamente, implantada pela Nova Matriz Macroeconômica dos novos-desenvolvimentistas!

Agora, contra a Grande Depressão de 2015-2016, o causador principal — o Banco Central do Brasil com sua política de juros reais totalmente disparatada em relação ao resto do mundo (Selic real ex-post de 7,16% aa) — anuncia “band-aid” para estancar a sangria desatada!

Na verdade, usa o oportunismo do golpe parlamentarista para impor uma terapia equivocada a partir de um diagnóstico errado: “as causas das altíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos livres seriam as baixíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos direcionados”.

Este é o modelo gangorra dos neoliberais: para eles, o juro está no “céu” não por causa do nível da SELIC (referência para o custo de captação de funding) nem por razão do spread bancário (seu alargamento pela avaliação superestimada do risco de perda dos créditos), mas sim por causa do “inferno” do crédito direcionado dos bancos públicos que concorre com os bancos privados. É um modelo “2 neurônio” (sic), tipo Tico-e-Teco…

O ex-economista-chefe do Itaú-Unibanco, atual presidente do BCB — assim como o ex-MinFaz JL era presidente do BRAM (Bradesco Asset Management) e o atual, ex-presi do Bank of Boston –, aproveita a oportunidade política para conceder esse beneplácito — aprovação régia ou de autoridade de instância superior — para o ex-patrão ganhar market-share no mercado de crédito livre pela perda da concorrência dos bancos públicos.

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Riqueza Imobiliária

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O objetivo deste Texto para Discussão, elaborado por meus alunos do Doutorado, no segundo semestre de 2016, e por mim, é o estudo de caso da riqueza imobiliária no Brasil com novo método de análise econômica. A Economia da Complexidade propicia a integração de diversos insights e escalas de análises interdisciplinares.

A hipótese central é que a emergência dos valores de mercado da riqueza imobiliária advém das interações dinâmicas entre os participantes do mercado imobiliário brasileiro. Seus diversos comportamentos são moldados por lógicas de ação institucionais. A evolução dinâmica desse sistema de preços de imóveis auto organizado é o resultado das cadeias de interconexões que emergem e submergem em uma rede de relacionamentos entre seus componentes, tanto na formalidade, quanto na informalidade. A riqueza imobiliária é valorizada ou subvalorizada, periodicamente, dentro desse sistema complexo com múltiplos agentes interativos.

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Golpe dentro do Golpe: Esvaziamento do BNDES e o Pato Amarelo da FIESP

padra%cc%83o-de-financiamento-dos-investimentos-2-t-2016O TCU deu aval para os parlamentares golpistas derrubarem um governo eleito, democraticamente, com base na falsa alegação de “pedalada fiscal”: empréstimos dos bancos públicos ao seu controlador. Consumado o golpe, agora, o próprio TCU dá aval à espécie de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 100 bi do BNDES ao Tesouro Nacional!

Ora, isto agora não é “pedalada fiscal”?! É “despedalada”?! Não, a verdade “nua (pelada) e crua” é que os membros do TCU são da mesma laia dos parlamentares golpistas

O ponto central da avaliação sobre a legalidade da operação foi o enquadramento no Artigo 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veda a antecipação de recursos de empresas públicas para a União. O diagnóstico foi de que, no caso específico das operações entre o BNDES e o Tesouro, isso não ficou configurado! O que?!

O TCU abriu uma auditoria específica para fiscalizar os quase R$ 500 bilhões captados pelo Tesouro com captação de funding em longo prazo, via lançamento de títulos de dívida pública com risco soberano, para gerar fontes de financiamento para o banco de fomento, durante os anos de atuação anticíclica no governo petista. O PT socorreu os associados da FIESP e foi golpeado! Casta ingrata…
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Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende

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Tive o prazer de assistir a palestra no Congresso da ANGE e depois conhecer, pessoalmente, o Felipe Rezende, jovem professor do Hobart and William Smith Colleges – USA. Finalmente, vi um pós-keynesiano talentoso fazendo pesquisa empírica sobre a economia brasileira sem a preocupação de ficar louvando Keynes!

Antes de 2007, a economia brasileira experimentou um crescimento econômico significativo e um melhoria das condições econômicas de sua população. A crise financeira mundial, as respostas com política e regulamentação acionada para lidar com o colapso dos sistemas financeiros de uma série de países desenvolvidos, a propagação do risco sistêmico no sistema financeiro global e o impacto no desempenho da economia real, tudo isso foi decisivo para a reversão das expectativas otimistas predominantes até a explosão da bolha e fim do boom de exportação de commodities em setembro de 2011.

A este respeito, a resiliência e a estabilidade dos sistemas econômico e financeiro brasileiros receberam especial atenção por eles terem atravessado de forma relativamente suave, de imediato, a crise financeira global 2007-2008. Observando estes eventos, os tomadores de decisões políticas e os economistas apontavam antes para a robustez da economia do Brasil e sua resiliência à crise financeira global.

Centrando-se sobre as condições que existiam no sistema financeiro dos EUA, antes da crise “subprime”, os analistas ignoraram completamente a importância dos efeitos desestabilizadores de estabilidade em estruturas financeiras e a crescente fragilidade financeira da economia brasileira. Em particular, após uma década de crescimento e de melhoria das condições econômicas significativas, as consequências da crise financeira de 2007-2008 levaram a uma mudança fundamental no ambiente econômico brasileiro.

O artigo de Felipe Rezende – Financial Fragility, Instability and the Brazilian Crisis- WP MINDS – 2016-01  tenta fornecer uma visão alternativa da crise brasileira demonstrando a relevância do trabalho de Hyman P. Minsky para entender a crise atual da economia brasileira. Destaca os limites para o financiamento externo das empresas não-financeiras e a inadequação das políticas de ajuste fiscal para estabilizar a economia. Em particular, este artigo usa a abordagem de um Keynes-Minsky-Godley para analisar a pior crise econômica do Brasil desde os anos 1930. Continue reading “Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende”

Consequência do Juro Absurdo: Encarecimento e Queda do Crédito Agrícola

Funding do Crédito Rural

Não é só o crédito imobiliário que sofre a consequência da manutenção do juro nominal de referência em 14,25% aa  e elevação do juro real, devido à queda da inflação, elevada em 2015 pelo choque tarifário neoliberal de Joaquim Levy. O crédito agrícola também sofre pela perda de competitividade dos depósitos da poupança rural no Banco do Brasil e sua substituição por LCA que custa % de CDI, ou seja, é um funding muito mais caro.

Anotem o que estou dizendo, daqui a pouco, a própria “bancada ruralista” estará gritando contra este governo, que assumiu via um golpe parlamentarista, lembrando-se que “era feliz e não sabia”!

Cristiano Zaia (Valor, 27/07/ 16) informa que, com a situação fiscal ainda crítica, uma taxa básica de juros elevada e margem de manobra cada vez menor para arcar com subsídios, o BB apoia-se nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) como fonte de recursos complementares para financiar o agronegócio. Sem alternativas capazes de gerar resultados no curto prazo, a ideia é facilitar e ampliar o uso desses títulos e tirar um pouco do peso das tradicionais fontes que alimentam o crédito rural no país – depósitos à vista e poupança rural, que já dão mostras de estrangulamento pela elevadíssima taxa de juro real.

Num mundo ideal, diz uma autoridade graduada (e cínica) da equipe econômica, a Selic seria baixa o suficiente para desidratar de vez a dependência dos agropecuaristas do crédito rural com juros subsidiados – fixados, em média, em 9,5% nesta safra 2016/17, que começou em 1o de julho. Mas com a taxa básica ainda em 14,25% e distante de um nível mais civilizado até onde a vista alcança, não restam muitas opções a não ser perseguir mudanças nas regras de direcionamento das LCAs e torná-las logo mais populares e acessíveis não só entre os grandes produtores. Pagarão % de CDI como é o custo de LCA?!

Uai, o governo neoliberal não anunciou que acabaria com todo e qualquer subsídio? 🙂

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Consequência do Juro Absurdo: Queda do Financiamento Imobiliário

Financiamento do SBPE 1 S 2016

Muitos pensam que por as taxas de juros de financiamento imobiliário serem, em geral, prefixadas (fora correção com TR), este não sofre a consequência da manutenção da Selic no patamar de 14,25% aa, mesmo com a queda do IPCA, cuja variação foi de 8,84% nos últimos 12 meses, elevando então o juro real ex-post.  Isto é bom para alimentar o rentismo das castas brasileiras, porém tira competitividade dos depósitos de poupança efetuados acentuadamente (R$ 522 bilhões no total de R$ 593,5 bilhões) pelo varejo de baixa renda.

Cerca de 58 milhões de pessoas do povão têm depósito médio per capita de R$ 9.019,00. Em outros termos, são pessoas pobres que fornecem 88% do funding para financiamento habitacional com base em recursos de cadernetas de poupança. E agora a Caixa, sob nova direção em um governo anti-democrático, está financiando imóveis com valor até R$ 3 milhões!

Fernando Torres e Flávia Lima (Valor, 22/07/16) afirmam que uma parcela de R$ 28.961,34 é o valor da primeira prestação mensal que o beneficiário da mais nova linha de financiamento imobiliário lançada pela Caixa Econômica Federal poderá desembolsar.

O cálculo foi feito pelo simulador do site do próprio banco e considera imóvel de R$ 3 milhões, 80% do valor financiado, prazo de amortização de 420 meses, e taxa de juros efetiva de 12% ao ano mais TR. Estes são os novos limites estabelecidos pela Caixa, tanto para valor do bem quanto para a cota financiada.

Como a regra prudencial adotada pelos bancos exige que a prestação não comprometa mais de 30% dos rendimentos, é possível calcular que os indivíduos ou casais com rendimento mensal acima de R$ 96,5 mil conseguirão tomar o crédito nas condições limites autorizadas na nova linha.

A linha de financiamento vigente antes financiava no máximo 70% de imóveis de até R$ 1,5 milhão. A parcela máxima nesse caso chegava a R$ 12,85 mil, o que pressupunha um rendimento mensal familiar acima de R$ 42,8 mil.

Fazendo a correção pela inflação dos dados informados à Receita Federal referentes a 2014, estes constituem o 1% mais rico entre os que declaram Imposto de Renda (considerando renda de duas pessoas da mesma faixa de renda).

A renda per capita média do brasileiro em 2015 chegou a R$ 1.113, variando entre os R$ 2.252 do Distrito Federal – o maior valor em todo o país – e os R$ 509 do Maranhão, o de menor peso. Em fevereiro de 2014, a renda era de R$ 1.052. As estimativas de rendimento nominal domiciliar per capita em 2015, para as 27 unidades da Federação, são decorrentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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