Spread Elevado no Refinanciamento

Alex Ribeiro (Valor, 20/02/2020) informa: um estudo feito por três economistas do Banco Central mostra os bancos privados adotarem a estratégia de primeiro cortar os juros dos empréstimos para seduzir novos clientes e, logo depois, subir as taxas a percentuais ainda maiores para extraírem lucros excessivos.

Eles examinaram 13 milhões de operações da base de dados do BC e constataram que, para atrair novos clientes empresariais, os bancos privados oferecem um spread bancário 0,32 ponto percentual menor do que os concorrentes. Mas, no sexto empréstimo, os bancos já cobram um spread 0,5 ponto maior; e, na 15a operação, 1 ponto mais alto. A estratégia — conhecida como “atraia e extraia rendas” — afeta mais as microempresas. Elas pagam spread 1,5 ponto maior na quarta operação. A partir da 18a, o sobrepreço é ao menos 4,5 ponto.

Os empresários não têm muita alternativa para fugir dos custos. Ao migrarem a outro banco com quem já tiveram relacionamento, pagam spreads 0,15 ponto maiores. Essa é uma evidência, segundo os pesquisadores, de que os bancos exercem poder de mercado sobre os clientes porque têm acesso a informações exclusivas sobre eles.

Nos bancos públicos, ocorre algo diferente: os spreads são menores não apenas no primeiro empréstimo, mas também nos subsequentes. São 2 pontos percentuais mais baratos na 20a operação. A partir da 38a, as instituições oficiais retiram um pouco do ganho concedido aos clientes, mas os custos seguem abaixo da primeira operação. Continuar a ler

Crise de Crédito: Fase de Desalavancagem Financeira Atrasada

John Plender (Financial Times, apud Valor 06/03/2020) informa: o choque provocado pelo coronavírus nos mercados internacionais coincide com um cenário financeiro de crise, marcado pelo forte crescimento do endividamento mundial. Segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), a associação mundial do setor bancário, a taxa de endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial chegou ao recorde de 322% no terceiro trimestre de 2019, e a dívida total a quase US$ 253 trilhões.

A implicação é, se o vírus continuar a se disseminar, qualquer fragilidade do sistema financeiro terá potencial para desencadear uma nova crise no mercado de títulos de dívidas.

No curto prazo, o comportamento dos mercados de crédito será crucial. Apesar das quedas do rendimento dos bônus e dos custos de captação desde que os mercados se assustaram com o vírus, as condições financeiras ficaram mais difíceis para as empresas mais vulneráveis que precisam captar recursos. Seu acesso ao mercado de títulos ficou mais difícil.

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Ciclo de Endividamento Mundial

Sérgio Lamucci (Valor, 27/01/2020) escreveu artigo sobre o atual ciclo de endividamento mundial. Reproduzo-o abaixo por conta de suas informações factuais.

“Em um mundo marcado por juros extremamente baixos, o endividamento global atinge níveis cada vez mais elevados. No terceiro trimestre de 2019, a dívida de famílias, governos, empresas não-financeiras e bancos dos principais países desenvolvidos e emergentes alcançou o recorde de US$ 253 trilhões, o equivalente a 322% do PIB, de acordo com números do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

A expectativa é de o endividamento seguir em alta em 2020, batendo em US$ 257 trilhões no primeiro trimestre, impulsionado pelos juros baixos e por condições financeiras relaxadas, apontam os analistas do IIF.

Por enquanto, não há temores de problemas imediatos relacionados a esses níveis globais de endividamento, mas eventuais aumentos dos juros ou movimentos mais expressivos de moedas podem causar estresse nos mercados. Como parte das dívidas das empresas está denominada em divisas estrangeiras, pode haver estragos em caso de desvalorizações cambiais fortes e abruptas.

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Socialdemocracia e/ou Neoliberalismo no Mercado Imobiliário

Relatório especial da revista The Economist (16 de janeiro de 2020) avalia, nos últimos 70 anos, a habitação ter sofrido uma transformação notável. Até meados do século XX, os preços das casas em todo o mundo rico eram bastante estáveis. A partir do pós-guerra, porém, eles cresceram tanto em relação aos preços de outros bens e serviços quanto em relação à renda da maioria das pessoas. Os aluguéis aumentaram também.

Terras agrícolas, no século XVIII, eram a maior classe de ativos do mundo. No século XIX, as fábricas da Revolução Industrial se destacaram. Desde meados do século XX, a habitação passou a ser a maior garantia patrimonial de riqueza possuída por famílias.

Distingue-se das outras formas de manutenção de riqueza por sua liquidez. Os ativos monetários são plenamente líquidos. Os ativos financeiros apresentam uma certa liquidez, além de propiciarem rendimentos em juros. Os ativos imobiliários são imóveis ou, contabilmente, imobilizados.

Justamente por isso, as residências próprias, usadas como moradia principal, não são consideradas nos rankings internacionais de riqueza pessoal. Só os demais imóveis, colocados à venda ou para alugar ou fim-de-semana, são contabilizados como riqueza.

Três fatores principais explicariam a estabilidade de preços das moradias no capitalismo anterior a 1945. Primeiro, os mercados hipotecários se desenvolveram pouco. Segundo, as rápidas melhorias no transporte permitiram as pessoas viver mais longe do local de trabalho, aumentando a quantidade de terras economicamente úteis nas periferias das metrópoles. Terceiro, não havia muita regulamentação fundiária do uso do solo urbano. Os construtores de casas podiam construir da maneira mais conveniente para eles.

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Crédito Hipotecário para Tomar a Casa Própria

Um crédito hipotecário é um tipo de crédito na qual o devedor pode dar como garantia um outro imóvel, se esse estiver livre de encargos ou outras hipotecas. Senão, um outro bem equiparado, como automóveis, navios e aeronaves.

Este tipo de crédito confere aos bancos uma maior garantia de pagamento, tendo o direito de ficar com o bem hipotecado em caso de incumprimento do devedor. O bem imóvel ou equiparado pode pertencer ao credor ou a uma terceira pessoa, desde que a terceira pessoa concorde em hipotecar o seu bem como garantia do respetivo empréstimo.

Pode solicitar um crédito hipotecário junto da entidade bancária onde vai fazer o seu crédito quem possui casa própria. Para estar apto a este crédito terá de preencher, paralelamente, outros requisitos, tais como: idade apropriada para o crédito e uma percentagem baixa da taxa de LTV (Loan to Value).

Após a solicitação do crédito hipotecário, a instituição bancária terá que fazer uma avaliação do imóvel ou do bem que está a hipotecar para verificar se o seu valor cobre o montante que está a solicitar de empréstimo. Para além disto, também será feita uma análise ao seu perfil, para verificar se é elegível ao crédito e se tem capacidades para liquidar mensalmente as prestações do mesmo. Este é um processo possível de levar algumas semanas.

Talita Moreira (Valor, 30/01/2020) informa: o governo neocolonizado culturalmente e submisso aos EUA do Trump deve adotar medidas para facilitar o uso de garantias em operações de crédito tal lá como cá. Os objetivos são destravar a oferta de empréstimos e financiamentos mais baratos e, ao mesmo tempo, melhorar as condições de recuperação de colaterais, atacando um dos principais componentes do spread bancário. Continuar a ler

Oferta de Crédito Imobiliário sem Indexação e Desmanche do MCMV

O crescimento médio anual da carteira de crédito da Caixa foi 3,5% entre 2015 e 2019, em comparação a 40% entre 2008 a 2014. Esta é uma das diferenças entre o social-desenvolvimentismo e o neoliberalismo.

Jairo Saddi é pós-doutor pela Universidade de Oxford, doutor em Direito Econômico (USP) e professor da Escola de Direito da FGV-Rio. Publicou artigo (Valor, 27/01/2020) sobre o crédito imobiliário. Reproduzo-o abaixo.

“Tradicionalmente, o crédito imobiliário é espécie da qual o crédito bancário é gênero. É claro que pode haver crédito imobiliário sem a intermediação de bancos, por exemplo, com o financiamento direto ao tomador pelo incorporador ou pelo proprietário. Mas, convenhamos, é o sistema financeiro, em qualquer lugar e tempo, a melhor forma de canalizar e conceder crédito imobiliário tanto por razões de volume como de risco.

O crédito bancário, portanto, é instrumentalizado por diversos meios, dentre os quais, o mútuo. O termo que designa quem o contrai – mutuário – tornou-se corriqueiro no imaginário popular.

No momento em que o Brasil ensaia sua retomada econômica, nada melhor do que discutir esta importantíssima forma de geração de emprego via indústria da construção civil e meio conhecido de desenvolvimento nacional, em razão da demanda habitacional que há entre nós, historicamente deficitária.

Há aqui um ponto de partida que é relevante alinhavar. É o Estado, não o setor privado, quem possui tamanha massa crítica no volume imobiliário, e muitas vezes com características orçamentárias, por exemplo, o Programa Minha Casa, Minha Vida.

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Perspectivas para o Crédito Imobiliário

Rafaela Vitoria é economista-chefe do Banco Inter, MBA pela Wharton Business School, professora da pós-graduação da PUC e da Fundação Dom Cabral. Publicou artigo se alertar para os riscos em certos contratos de crédito imobiliário (Valor, 22/01/2020). Confira abaixo.

Os dados recentes do PIB indicaram que a construção voltou a crescer depois de 4 anos de crise. No terceiro trimestre, o setor cresceu 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, cerca de quatro vezes superior ao desempenho da economia como um todo. Um dos principais estímulos é a redução da taxa de juros no Brasil, que impulsiona o financiamento imobiliário no país.

O ajuste fiscal, a estabilidade monetária e a consequente redução dos juros podem levar o crédito imobiliário para um novo patamar, atendendo às necessidades de demanda por habitação, promovendo a construção, gerando emprego e renda. Em nenhum outro momento da história do país, o financiamento imobiliário mostrou condições tão positivas e promissoras como agora. [?!]

O déficit habitacional no Brasil está hoje em cerca de 7,8 milhões de moradias, conforme estudo da FGV de 2018, sendo 75% se refere a famílias entre 1 a 3 salários mínimos. Apesar do significativo crescimento do crédito imobiliário nos últimos 15 anos, o Brasil ainda possui um enorme potencial de expansão quando comparado aos demais países desenvolvidos.

O crédito para financiamento a habitação ainda se baseia na regulamentação do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) que direciona recursos com taxas e regras pré-estabelecidas. O SBPE tem duas principais fontes de recursos, o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).

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