Queda das Emissões Domésticas em 2019

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Em 2014, fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), o total de financiamento empresarial foi R$ 336,6 bilhões, sendo R$ 148,8 bilhões em emissões de debêntures e ações. Em 2018, o total baixou para R$ 281,4 bilhões, mas essas emissões atingiram R$ 212,1 bilhões, ou seja, o aumento de R$ 63,3 bilhões nessas emissões no mercado de capitais não compensou a queda de R$ 118,5 bilhões nos financiamentos do BNDES.

Em abril de 2019, segundo a ANBIMA, as emissões no mercado de capitais doméstico (sem contar com as demais ofertas públicas ainda não encerradas) registraram um volume de R$ 9,0 bilhões, 55% abaixo do mês anterior. O resultado acumulado em 2019 foi de R$ 60,7 bilhões contra R$ 74,0 bilhões do mesmo período do ano passado, o equivalente às 180 operações contra 265 do ano anterior.

As debêntures registraram em abril um volume de R$ 4,7 bilhão, 59% abaixo do volume emitido em março. O total das emissões deste ativo no ano foi de R$ 29,1 bilhões contra R$ 46,2 bilhões do mesmo período de 2019, o que corresponde à uma queda de 37,0%.

Todos os papéis foram colocados através de sete emissões pela Instrução nº 476, sendo a de maior volume referente à uma emissão do segmento de transporte e logística (R$ 1,4 bilhões), três de energia elétrica (R$ 1,7 bilhão) e as restantes referentes à   Educação, Financeiro e Comunicação. Não houve registro de colocação de debênture incentivada, emitida através da Lei n° 12.431. Continuar a ler

Mercado de Debêntures: Substituição do BNDES?

Partindo da premissa muito otimista de a economia brasileira crescer 2,5% a.a. nos próximos 12 anos, o impacto sobre a base atual de ativos seria de um crescimento anual médio de 6,4% para o período de 2019 a 2030. Esse aumento da base viria acompanhado de uma mudança na composição das carteiras dos investidores, fruto do crescimento do estoque de ações e debêntures, ao mesmo tempo que a emissão de títulos públicos decairia, dada a menor necessidade de financiamento da dívida pública. Enquanto os títulos do governo sairiam de uma participação relativa de 54% em 2018 para 36% em 2030, as ações avançariam de 19% para 30% e as debêntures corporativas (somadas com as notas promissórias) elevariam sua participação de 6% para 9%.

Se do lado do investidor o momento é de disputa – e algum estresse – por títulos de crédito corporativo, no lado das empresas emissoras elas estão captando a taxas mais favoráveis, próximas ao CDI, e os prazos estão cada vez mais alongados.

Em resumo, o mercado atual é “do emissor e não do comprador”. O tamanho do mercado de debêntures está sendo dado pela capacidade das empresas de tomar recursos. Hoje, a demanda pelos papéis é muito maior face à quantidade de operações indo a mercado. Continuar a ler

Desmanche do BNDES: Devolução do Funding do FAT

Edna Simão (Valor, 30/04/19) informa: o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) conta com a devolução de R$ 54 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 2019 e 2021, para fechar as contas no equilíbrio, segundo boletim de informações financeiras do FAT referente ao último bimestre de 2018.

Nos últimos anos, o Tesouro cobriu boa parte do rombo para viabilizar o pagamento de seguro-desemprego e abono salarial sem que tivesse que solicitar ao BNDES a devolução de recursos ou reduzir patrimônio do fundo. Somente de 2013 a 2017, a União injetou no fundo R$ 52,4 bilhões. Com a restrição fiscal, o governo interrompeu os aportes.

Em 2017, o FAT registrou superávit nominal de R$ 1,1 bilhão em 2017 graças a uma ajuda financeira de R$ 13,8 bilhões do Tesouro. No ano passado, no entanto, o FAT encerrou o ano passado com um rombo de R$ 7,8 bilhões. No ano passado, o repasse da União ao fundo foi de apenas R$ 145,2 milhões. Entre este ano e 2021, a previsão do FAT é de que o déficit seja crescente. O resultado nominal é a diferença entre todas as receitas do fundo e as obrigações.

Para 2019, o rombo estimado é de R$ 12,9 bilhões, saltando para R$ 16,3 bilhões em 2020 e R$ 19,7 bilhões em 2021. Para cobrir o resultado negativo, segundo o boletim, o BNDES deverá devolver ao fundo R$ 12 bilhões neste ano, R$ 19 bilhões no ano que vem e R$ 23 bilhões em 2021. Continuar a ler

Emissões para Financiamento de Corporações via Mercado de Capitais: Encarteiramento de FIFs e Bancos

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As emissões no mercado de capitais em março totalizaram R$ 8,7 bilhões, 42,4 % abaixo do mês anterior. No ano, o resultado acumulado registra R$ 40,4 bilhões contra R$ 42,6 bilhões do mesmo período do ano passado.  Em 2019, foram registradas 125 operações contra 197 do primeiro trimestre de 2018.

As notas promissórias, títulos corporativos que normalmente apresentam um prazo inferior às debêntures, foram os títulos mais representativos das emissões domésticas em março, com 23% do total, seguida das próprias debêntures (22%), CRA e FII (20% cada). Continuar a ler

Limitação da Economia de Mercado de Capitais

O processo de crescimento de empresas não-financeiras é limitado pela capacidade de financiamento dos ativos a serem adquiridos pelas empresas. Talvez esta seja a maior restrição quando elas encontram oportunidades de investimentos operacionais para fazerem uma inovação técnica favorável à disputa com a concorrência.

Há conjunturas, como a atual brasileira, quando elas não conseguem criar novas atividades produtivas lucrativas. Em uma economia estagnada, não adicionam muito valor novo. Elas se restringem a disputar a apropriação de ativos existentes.

O financiamento da expansão de empresa capitalista tem duas origens. Internamente, através dos lucros retidos e aos quais podem ser incorporados capitais através da subscrição de mais ações por parte dos acionistas fundadores da empresa. Externamente, através do capital de terceiros, tomados emprestados, ou através da emissão de ações para novos acionistas em sociedade aberta.

O auto financiamento depende do poder de geração e retenção de lucros. Estes são resultantes de investimentos anteriores na expansão da capacidade produtiva, pela margem bruta de lucro, e pela distribuição de dividendos. Esta é decidida em função de lucro no processo de produção e vendas e do plano de novos investimentos.

Estudo do CEMEC-FIPE revela no ciclo de investimentos 2004-2006 (FBCF em torno de 17% do PIB) o uso de recursos próprios ter declinado de 69% a 60% do total financiado. Nos ciclos de 2007-2014 (FBCF em média próxima de 21% do PIB) e 2015-2018 (FBCF no patamar médio de 15% do PIB), o uso de recursos próprios foi entre o máximo de 57% em 2008 ao mínimo de 37% em 2014 – e daí girou em torno de 43% do total.

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