Mercado de Capitais: volume recorde de captação

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O mercado de capitais doméstico registrou captação de R$ 268,9 bilhões em 2019 (até setembro), 42% superior ao volume captado, R$ 189,5 bilhões, no mesmo período do ano passado. Esse resultado é o maior da série histórica, mesmo na comparação com os dados de janeiro até dezembro dos anos anteriores. As debêntures mantêm-se a parcela mais representativa desse montante, com 45,5% do total – o equivalente ao volume de R$ 122,3 bilhões.

Os investidores institucionais são os principais demandantes nas ofertas públicas de debêntures, com 60,6%, seguidos das instituições coordenadoras das ofertas, com 35,5%.

O refinanciamento dos passivos representa o maior montante da destinação dos recursos das emissões, com 44,3% (incluindo nessa parcela a recompra ou resgate de debêntures de emissão anterior), seguido do financiamento do capital de giro, com 29%. Continuam as grandes empresas brasileiras em fase de desalavancagem financeira, abaixando o custo financeiro e alongando o perfil de suas dívidas.

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Captações em ações registram o maior volume semestral da série histórica, mas são diminutas face ao mercado de crédito

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Em 2019, o mercado de capitais doméstico registrou captação semestral de R$ 164,9 bilhões contra R$ 130,4 bilhões do mesmo período do ano passado (aumento de 26,5%), o que corresponde às 377 operações contra 445 do ano anterior. O grande destaque foi a recuperação das captações em ações, que registrou o maior volume semestral desde o início da série histórica em 2002. No total foram captados R$ 29,3 bilhões: R$ 4,5 bilhões por meio de ofertas primárias iniciais (IPOs) e R$ 24,8 bilhões por ofertas subsequentes de ações (follow-ons).

No ano, as debêntures foram o principal instrumento de captação, com 51% do total contra 59% do mesmo período do ano anterior.

Outros ativos que merecem menção neste ano são a oferta subsequente de ações (follow-on). Ela praticamente não registrou captação no primeiro semestre do ano passado (2018) e este ano detém parcela de 15% do total captado, seguida das notas promissórias, com 11% (contra 14% no mesmo período de 2018). Em número de operações, as debêntures detiveram 35% do total, seguidas dos FIDCs com 18%.

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Novas Regras do FGTS: Desmanche da Política Habitacional

As novas regras para os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não provocarão nenhuma redução na rotatividade no mercado de trabalho, como o governo boçalnaro imagina. As medidas apenas contribuirão para reduzir a poupança compulsória do país. Terá um efeito negativo sobre o funding (fonte de financiamento) habitacional.

A habitacional é a política pública mais redistributiva de riqueza familiar, vide o MCMV. Ao não se aproveitar a inelasticidade da demanda efetiva pela própria moradia se deduz a baixa capacidade de crescimento da economia brasileira.

A introdução do saque-aniversário permitirá resgates parciais todos os anos. Evidentemente, não reduzirá a rotatividade por diminuir o estímulo do trabalhador a sair do emprego. Esta é uma ideia estúpida de quem adota o individualismo metodológico para explicar o desemprego como culpa dos trabalhadores! Ora, se a casta dos mercadores não gasta em investimentos produtivos, não há oferta de empregos! Continuar a ler

Financiamento Habitacional e IPCA 

Tabela 1 – hipótese de taxa anual segundo a nova linha de financiamento habitacional em comparação às taxas praticadas no ano indicado

O DIEESE – Subseção APCEF/SP enviou-me o Informe semanal – nº 229 – 22 de agosto de 2019. É um tema relevante para acompanhamento.

A Caixa anunciou linha de financiamento habitacional indexada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial. O release distribuído pelo banco destaca a nova linha como meio para a redução do custo do financiamento. Não será assim, necessariamente. Por óbvio, maior ou menor custo do financiamento dependerá da variação inflacionária conjugada à taxa contratada, mínima de 2,95% à máxima de 4,95%.

A nova fórmula será interessante para o credor, que irá dispor de ganho acima da inflação. E, ao que se anuncia, será utilizada pela Caixa para operações de Certificados de Recebíveis Imobiliários, uma forma de transferir o saldo e eventual risco. A ver o que acontece.

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De Volta Castelo Branco, Roberto Campos… e a Correção Monetária!

Estevão Taiar, Edna Simão e Renan Truffi (Valor, 21/08/19) conta: gente estúpida desconhece a história e repete erros!

A Caixa Econômica Federal detalhou a sua nova linha de financiamento imobiliário. Ela será indexada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A modalidade cobrará, além da inflação, uma taxa a variar de 2,95% a 4,95% ao ano. Quanto melhor a relação do cliente com o banco, menor a taxa. Os contratos terão prazo máximo de 360 meses e cota de financiamento de até 80% do valor do imóvel. As regras valem para novos contratos e já estarão vigentes a partir da próxima segunda-feira.

A linha de financiamento antiga da Caixa, baseada na taxa referencial (TR)
mais juros anuais de 8,75% a 9,75%, continuará em vigor. O tomador de empréstimo poderá decidir por qual delas optar, mas o presidente da instituição financeira, ex-banqueiro de negócios como sua chefia, e a equipe do banco afirmaram a nova fonte de financiamento permitir a queda de 30% a 50% da parcela inicial. “Me engana mais porque já me enganei votando errado!”

No caso de um imóvel de R$ 300 mil, o financiamento, levando em conta a TR, teria uma parcela de R$ 3.168. Com o IPCA, o desembolso mensal cairia para R$ 2 mil, nas simulações da Caixa. Não será permitida a troca de um contrato com indexador antigo por um novo indexado à inflação.

O preposto acredita, mesmo com a redução das taxas, a nova operação de crédito ser rentável para o banco. A ideia é destinar R$ 10 bilhões para a modalidade vinculada à inflação, viabilizando o atendimento de 50 mil famílias ou 200 mil pessoas e gerando 230 mil empregos diretos e indiretos. Esse funding virá de Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Continuar a ler

Ameaças ao FGTS

Edna Simão (Valor, 20/08/19) anuncia nova ameaça à política social ativa por parte da equipe econômica contra O Estado e a favor de O Mercado, pouco se importando com A Comunidade.

Com a queda da taxa de juros, a equipe econômica quer reformular não só a política de investimentos do FGTS como também o montante de recursos destinados como subsídios à compra da casa própria para famílias de baixa renda do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e as taxas cobradas pela Caixa Econômica Federal para garantir sua sustentabilidade ao longo de dez anos.

O diretor do departamento do FGTS no Ministério da Economia, Igor Villas Boas, que também é presidente do conselho curador do FGTS, anunciou a permissão de saque vai retirar do fundo R$ 40 bilhões entre este e o próximo ano para estimular a economia. De imediato, por já estarem muito baixos, não haverá redução dos investimentos em habitação, saneamento básico e infraestrutura urbana. O fundo social tem R$ 100 bilhões aplicados em títulos públicos e não será necessário antecipar a venda de papéis para fazer frente aos saques no fundo.

No longo prazo, no entanto, a situação é bem diferente. Segundo Villas Boas, a conta não fecha porque 60% dos ativos do fundo estão aplicados no setor de habitação. Se forem incorporados os subsídios de algo em torno de R$ 9 bilhões ao ano, esse percentual tem retorno zero, chegando, às vezes, a ser negativo para o FGTS. Por isso, os 40% restantes devem ter uma rentabilidade de modo a compensar essa perda e garantir a retorno dos saldos das contas dos trabalhadores de 3% mais TR, o que corresponde a praticamente R$ 15 bilhões por ano.

Esse é o desafio do fundo para os próximos dez anos. O FGTS precisa de um equilíbrio, boa solução e boa aplicação dos recursos. Continuar a ler

De Financiamento para Finanças: Criação de uma Bolha Imobiliária

Talita Moreira (Valor, 09/08/19) informa: o governo discute com o setor imobiliário o projeto de locação social. A proposta é o PAR – Programa de Arrendamento Residencial com baixa inadimplência substituir o Minha Casa Minha Vida (MCMV) para as famílias com renda enquadrada na faixa 1. Uma possibilidade é relançar o programa perto de 7 de setembro, Dia da Independência, como ato marqueteiro.

As famílias de menor renda, cuja inadimplência é alta por conta do desemprego, receberiam algum benefício para alugar o imóvel e poderem comprá-lo com o tempo, numa espécie de leasing. Nas demais faixas, o modelo continuará sendo o de compra.

O FGTS deve bancar, neste ano, R$ 9 bilhões em subsídios ao MCMV. O fundo representa 90% dos benefícios concedidos no programa. O restante vem do Orçamento da União. A medida é um pleito das construtoras para agilizar as obras paralisadas.

As discussões sobre os recursos para o MCMV mostram, na habitação social, não existir apenas uma questão de funding, mas também de capacidade de gerar dinheiro para subsidiar as famílias.

O segmento de baixa renda precisa de crédito imobiliário com subsídio e juros baixos, o que requer políticas governamentais. No mundo todo, o comprador de baixa renda é subsidiado.

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