Em Defesa do Social Desenvolvimentismo no BNDES

Na sexta-feira, participei de um ato político “Em Defesa do BNDES“, realizado pela AFBNDES, no auditório da sede do banco no Rio de Janeiro. Fiz uma apresentação que transcrevi como artigo (FERNANDO N. COSTA – Em Defesa do Social-Desenvolvimentismo no BNDES) e foi postada no Jornal GGN do Luís Nassif:
http://jornalggn.com.br/noticia/em-defesa-do-social-desenvolvimentismo-no-bndes-por-fernando-nogueira-da-costa

Voltei de “alma-lavada” do ato, como contei para minha amiga, a Professora Maria da Conceição Tavares, a quem visitei em seguida. E ela está atenta acompanhando a tudo!

Lá estavam todos os políticos cariocas da oposição (Lindberg Farias, Alessandro Molon, Chico Alencar, Jandira Feghali, etc.), uma frente ampla em que se juntaram representantes de associações patronais e sindicatos de trabalhadores. Eles assistiram e apoiaram minha exposição e a do Ernani Teixeira (UFRJ). Aliás, a dele foi ótima!

A senadora Gleisi Hoffmann (PR), também presente, disse que tentará viabilizar um convite para nós darmos nosso depoimento a respeito do BNDES no Senado Federal.

Déficit Habitacional: Sem Casa, Sem Vida

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Quando a serenidade voltar ao País, os discursos de ódio se esvaziarem, e o bom senso voltar a predominar na maioria do eleitorado em 2018, elegendo novamente um Governo Social-Desenvolvimentista, desta vez acompanhado de uma maioria como base governista composta por uma Frente Ampla de Centro-Esquerda, a história recente será revista. Todos os brasileiros lúcidos, baseados em números objetivos, perceberão que o primeiro mandato do Governo Dilma (2011-2014) foi quando mais se fez esforço no combate ao déficit habitacional brasileiro.

O mercado imobiliário apostava em projetos de moradia popular e social para estancar a queda nas atividades do setor há um ano atrás. Nas estatísticas do Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), a construção imobiliária caiu 9,3% no primeiro trimestre de 2016, em comparação a igual período de 2015. As vendas de unidades foram 17% menores. A retração se espalhava por todos os segmentos, com maior impacto no de alta renda. Em consequência da volta da Velha Matriz Neoliberal e do golpismo predominante, inclusive com locaute empresarial, o déficit habitacional para as famílias de baixa e média renda voltaria a crescer.

déficit por moradia alcançou 6,1 milhões de famílias em 2014 — o que significa 1,9% de aumento em relação ao número apurado em 2009. O acréscimo está relacionado à maior pressão sobre a renda das famílias com aluguel. O valor proporcional à renda cresceu nos últimos anos, ampliando a procura pela casa própria.

Entre 2009 e 2015, o programa MCMV contratou 4,157 milhões de unidades habitacionais, envolvendo R$ 287,8 bilhões em recursos. A maior parte das obras está concluída ou em fase final de produção. Apenas 17% das unidades contratadas (com investimentos orçados em R$ 49,2 bilhões) estavam com menos de 50% da obra executada até o final de 2015. O programa tem impactos importantes na melhoria da qualidade de habitação no país. É natural que mais famílias busquem esta forma de adquirir um imóvel.

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Desmanche Neoliberal do BNDES

Quem financia em longo prazoAssim como Trump está desmanchando os avanços da Era Obama, aqui o governo golpista, sem ter o apoio dos eleitores ao seu programa neoliberal de corte de direitos sociais e desmanche dos bancos públicos desenvolvimentistas, dá prosseguimento a sua sanha destruidora dos avanços da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

Busca implementar o que está na chamada “Proposta Arida“, publicada em 2005 pela Casa das Garças, um “ninho de tucanos”, organizada por ex-professores neoliberais da PUC-RJ. Em última análise, Pérsio Arida propõe deixar morrer por inanição os bancos públicos com a suposta hipótese que, assim, o mercado de capitais privados florescerá! Ilusão que logo a casta dos mercadores-industriais se dará conta

Em comunicado, a Associação dos profissionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz uma crítica à mudança em curso na metodologia de cálculo da TJLP, que prevê que a taxa de juros do banco flutue como uma taxa de mercado:

“Trata-se de uma mudança profunda na precificação do crédito do BNDES, com impactos significativos sobre o Banco e sobre o investimento em capital fixo no Brasil”.

Para os empregados, se a taxa de juros do BNDES virar uma taxa de mercado, o banco deixa de ser um banco de fomento e passa a ser uma instituição mais comercial. Confira a íntegra do texto: Continue reading “Desmanche Neoliberal do BNDES”

Oportunismo Liberalizante da Velha Matriz Neoliberal

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Os economistas neoliberais “chapas-brancas” atuam em defesa do governo golpista, dedicando-se, cotidianamente, em suas colunas no PIG, a louvar “remédios amargos [para quem, cara-pálida?] que estão dando certo”. Porém, nem torturando os números conseguem esconder a realidade para quem lê dados oficiais do IBGE e do BCB.

Em que ano o choque tarifário — liberalização de preços administrados — provocou o choque inflacionário com a taxa de inflação atingindo 10,7%, depois de dez anos abaixo do teto da meta? Em 2015, com a volta apologética de um neoliberal (Joaquim Levy) ao comando do MinFaz.

Qual foi o tratamento de choque fiscal aplicado pelos golpistas? Sabotagem da política econômica de Nelson Barbosa com aprovação de “pautas-bombas” no Congresso e impedimento do ajuste fiscal gradualista, seguido do tratamento de choque depressivo. Seu resultado — apontam os gráficos acima — foi agravar, drasticamente, a queda da absorção doméstica do mercado interno, mesmo que a exportação líquida tenha reagido ao choque cambial de 2015 e à Grande Depressão de 2015-16 com a queda das importações maior do que a queda das exportações.

Qual é a grande diferença entre a Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) e a volta da Era Neoliberal (2015-16)? A queda da População Ocupada (PO) e a elevação do desemprego, justamente, a partir da posse do Joaquim Levy em janeiro de 2015. Confira os gráficos acima, publicados pelo BCB, tendo como fonte o IBGE.

O resto dos argumentos dos neoliberais é retórica ou denúncia vazia! Eles não provam com números estatísticos o falso argumento da defasagem precisa da “bomba-relógio”, supostamente, implantada pela Nova Matriz Macroeconômica dos novos-desenvolvimentistas!

Agora, contra a Grande Depressão de 2015-2016, o causador principal — o Banco Central do Brasil com sua política de juros reais totalmente disparatada em relação ao resto do mundo (Selic real ex-post de 7,16% aa) — anuncia “band-aid” para estancar a sangria desatada!

Na verdade, usa o oportunismo do golpe parlamentarista para impor uma terapia equivocada a partir de um diagnóstico errado: “as causas das altíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos livres seriam as baixíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos direcionados”.

Este é o modelo gangorra dos neoliberais: para eles, o juro está no “céu” não por causa do nível da SELIC (referência para o custo de captação de funding) nem por razão do spread bancário (seu alargamento pela avaliação superestimada do risco de perda dos créditos), mas sim por causa do “inferno” do crédito direcionado dos bancos públicos que concorre com os bancos privados. É um modelo “2 neurônio” (sic), tipo Tico-e-Teco…

O ex-economista-chefe do Itaú-Unibanco, atual presidente do BCB — assim como o ex-MinFaz JL era presidente do BRAM (Bradesco Asset Management) e o atual, ex-presi do Bank of Boston –, aproveita a oportunidade política para conceder esse beneplácito — aprovação régia ou de autoridade de instância superior — para o ex-patrão ganhar market-share no mercado de crédito livre pela perda da concorrência dos bancos públicos.

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Riqueza Imobiliária

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O objetivo deste Texto para Discussão, elaborado por meus alunos do Doutorado, no segundo semestre de 2016, e por mim, é o estudo de caso da riqueza imobiliária no Brasil com novo método de análise econômica. A Economia da Complexidade propicia a integração de diversos insights e escalas de análises interdisciplinares.

A hipótese central é que a emergência dos valores de mercado da riqueza imobiliária advém das interações dinâmicas entre os participantes do mercado imobiliário brasileiro. Seus diversos comportamentos são moldados por lógicas de ação institucionais. A evolução dinâmica desse sistema de preços de imóveis auto organizado é o resultado das cadeias de interconexões que emergem e submergem em uma rede de relacionamentos entre seus componentes, tanto na formalidade, quanto na informalidade. A riqueza imobiliária é valorizada ou subvalorizada, periodicamente, dentro desse sistema complexo com múltiplos agentes interativos.

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Golpe dentro do Golpe: Esvaziamento do BNDES e o Pato Amarelo da FIESP

padra%cc%83o-de-financiamento-dos-investimentos-2-t-2016O TCU deu aval para os parlamentares golpistas derrubarem um governo eleito, democraticamente, com base na falsa alegação de “pedalada fiscal”: empréstimos dos bancos públicos ao seu controlador. Consumado o golpe, agora, o próprio TCU dá aval à espécie de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 100 bi do BNDES ao Tesouro Nacional!

Ora, isto agora não é “pedalada fiscal”?! É “despedalada”?! Não, a verdade “nua (pelada) e crua” é que os membros do TCU são da mesma laia dos parlamentares golpistas

O ponto central da avaliação sobre a legalidade da operação foi o enquadramento no Artigo 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veda a antecipação de recursos de empresas públicas para a União. O diagnóstico foi de que, no caso específico das operações entre o BNDES e o Tesouro, isso não ficou configurado! O que?!

O TCU abriu uma auditoria específica para fiscalizar os quase R$ 500 bilhões captados pelo Tesouro com captação de funding em longo prazo, via lançamento de títulos de dívida pública com risco soberano, para gerar fontes de financiamento para o banco de fomento, durante os anos de atuação anticíclica no governo petista. O PT socorreu os associados da FIESP e foi golpeado! Casta ingrata…
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Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende

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Tive o prazer de assistir a palestra no Congresso da ANGE e depois conhecer, pessoalmente, o Felipe Rezende, jovem professor do Hobart and William Smith Colleges – USA. Finalmente, vi um pós-keynesiano talentoso fazendo pesquisa empírica sobre a economia brasileira sem a preocupação de ficar louvando Keynes!

Antes de 2007, a economia brasileira experimentou um crescimento econômico significativo e um melhoria das condições econômicas de sua população. A crise financeira mundial, as respostas com política e regulamentação acionada para lidar com o colapso dos sistemas financeiros de uma série de países desenvolvidos, a propagação do risco sistêmico no sistema financeiro global e o impacto no desempenho da economia real, tudo isso foi decisivo para a reversão das expectativas otimistas predominantes até a explosão da bolha e fim do boom de exportação de commodities em setembro de 2011.

A este respeito, a resiliência e a estabilidade dos sistemas econômico e financeiro brasileiros receberam especial atenção por eles terem atravessado de forma relativamente suave, de imediato, a crise financeira global 2007-2008. Observando estes eventos, os tomadores de decisões políticas e os economistas apontavam antes para a robustez da economia do Brasil e sua resiliência à crise financeira global.

Centrando-se sobre as condições que existiam no sistema financeiro dos EUA, antes da crise “subprime”, os analistas ignoraram completamente a importância dos efeitos desestabilizadores de estabilidade em estruturas financeiras e a crescente fragilidade financeira da economia brasileira. Em particular, após uma década de crescimento e de melhoria das condições econômicas significativas, as consequências da crise financeira de 2007-2008 levaram a uma mudança fundamental no ambiente econômico brasileiro.

O artigo de Felipe Rezende – Financial Fragility, Instability and the Brazilian Crisis- WP MINDS – 2016-01  tenta fornecer uma visão alternativa da crise brasileira demonstrando a relevância do trabalho de Hyman P. Minsky para entender a crise atual da economia brasileira. Destaca os limites para o financiamento externo das empresas não-financeiras e a inadequação das políticas de ajuste fiscal para estabilizar a economia. Em particular, este artigo usa a abordagem de um Keynes-Minsky-Godley para analisar a pior crise econômica do Brasil desde os anos 1930. Continue reading “Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende”