Concentração e Centralização do Capital: Aqui-e-Agora

Estou escrevendo a respeito da atualidade da obra da Professora Maria da Conceição Tavares. Observo como seus temas reaparecem na realidade atual. Um deles é a concentração e centralização do capital necessária para dar competitividade internacional aos agentes econômicos sediados na economia brasileira. A hipótese era a transnacionalização de empresas originadas no Brasil ter impacto no balanço de pagamentos do País.

Bom estudo de caso, aqui-e-agora, é a compra da Fibria pela Suzano Papel e Celulose. Ela foi oficialmente notificada no dia 2 de julho de 2018 no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), de acordo com despacho publicado no “Diário Oficial da União” (DOU). O prazo de 240 dias prorrogáveis por outros 90 começou a contar. Assim, a autoridade antitruste tem até o fim do primeiro semestre de 2019 para autorizar ou vetar o negócio.

A operação, anunciada em meados de março, representará a fusão das duas maiores fabricantes de celulose de eucalipto do mundo. Hoje, juntas, as duas empresas têm um valor de mercado de R$ 90 bilhões.

Na instauração do processo, as empresas apontaram: o negócio atinge os setores de produção de celulose e outras pastas para a fabricação de papel, cultivo de eucalipto, extração de madeira em florestas plantadas, fabricação de papel e administração da infraestrutura portuária. Continue reading “Concentração e Centralização do Capital: Aqui-e-Agora”

Por um BNDES relevante

A Carta IEDI 857 volta ao tema do financiamento de longo prazo e do investimento privado no Brasil, a partir do trabalho preparado pelo professor da URFJ e ex-vice-presidente do BNDES João Carlos Ferraz, cuja versão integral está disponível no site do IEDI.

Este é o quinto exemplar da série recente de estudos sobre este tema. Inclui os documentos:

  1. “O BNDES em uma encruzilhada: como evitar sua desmontagem” (Carta IEDI n. 828 de 30/1/18) preparado pelo economista Ernani Teixeira;
  2. “Para um novo desenvolvimento, um novo BNDES” (Carta IEDI n. 834 de 5/3/18) realizado pelo consultor do IEDI, João Furtado;
  3. “Aliviando as restrições de crédito em países emergentes: o impacto dos financiamentos do BNDES na produtividade das firmas industriais brasileiras” (estudo publicado em 1/6/18), de autoria de Filipe Sousa e Gianmarco Ottaviano;
  4. “Financiamento do investimento no Brasil e o papel do mercado de capitais” (Carta IEDI n. 850 de 6/6/18) de Carlos Rocca.

Como se sabe, o país atravessa um momento de retração dos investimentos ao mesmo tempo em que estão em curso transformações nos padrões de produção, concorrência, modelos de negócio, consumo e estilos de vida. Neste momento de incerteza, ganha grande relevância discutir como preparar o BNDES para que mantenha um papel relevante para o futuro do país.

Esse é o ponto de partida do trabalho de João Carlos Ferraz. Qual deve ser a contribuição do BNDES para a evolução futura do país, a partir do seu estágio de desenvolvimento e em meio a transformações importantes na economia real, tanto no Brasil como no mundo? Continue reading “Por um BNDES relevante”

Evolução Recente do Crédito no Segmento de Pessoas Jurídicas

O Relatório de Inflaçãodo Banco Central do Brasil divulgado em dezembro de 2017 apresenta box sob o título acima. O mercado de crédito tinha registrado desempenho melhor no segmento de pessoas físicas comparado ao de pessoas jurídicas, embora ambos observem queda significativa desde 2015, agravada no período do golpismo de 2016.

O objetivo desse boxe é identificar os aspectos centrais da dinâmica do crédito para pessoas jurídicas (PJ), em especial:

  1. a influência do tamanho das empresas e
  2. a substituição de fontes de financiamento.

Uma perspectiva de análise interessante é aborda a evolução dos empréstimos às empresas pelo seu porte. Para tanto, considerou-se o período entre dezembro de 2014 a outubro de 2017, desmembrado em dois intervalos:

  • dezembro de 2014 a dezembro de 2015 e
  • dezembro de 2015 a outubro de 2017.

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Calamidade Habitacional e Economista Neoliberal Prega Fim do FGTS!


Nilson Teixeira, Ph.D. em economia pela Universidade da Pensilvânia. Já atuou como economista-chave no Brasil do Chase Manhattan Bank. É engenheiro formado pela UFRJ, bem como mestre em Economia pela PUC-RJ. Com essa formação doutrinária o PhDeus não tem nenhuma sensibilidade social. Sai da Gávea e, depois de lavagem cerebral, volta abestalhado dos States.

Ele ignora a segmentação do financiamento imobiliário entre o habitacional por interesse social e o mercado de classe média. Ignora também o FGTS ser, de um lado, patrimônio trabalhista, e, de outro, funding para financiamento de habitações populares.

Confira sua falta de discernimento no artigo abaixo (Valor, 02/05/18), representativa da ignorância predominante no debate público brasileiro. Só esse tipo de gente tem tribuna na imprensa brasileira. Continue reading “Calamidade Habitacional e Economista Neoliberal Prega Fim do FGTS!”

‘Crowding Out’ do Setor Privado A Partir de 2014

Sérgio Lamucci (Valor, 18/04/18) informa que com a forte piora da situação fiscal do país, especialmente a partir de 2014, uma fatia expressiva e crescente da poupança financeira passou a ser drenada para financiar o desequilíbrio das contas públicas. No fim do ano de 2017, 72,2% de todos recursos captados pelo sistema bancário financiavam o setor público, na forma de títulos de dívida pública, operações compromissadas ou empréstimos, segundo estudo do Centro de Mercado de Capitais (Cemec) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): http://cemecfipe.org.br

Esse movimento ocorre “em detrimento do setor privado”, como destaca o economista Carlos Antônio Rocca, diretor do Cemec. Nesse cenário, sobra menos de 28% do dinheiro levantado pelas instituições bancárias para serem destinados a empresas e famílias.

Rocca ressalta a evolução de outros indicadores que evidenciam como o setor público abocanha uma fatia significativa da poupança financeira no país. Em 2014, por exemplo, os títulos públicos representavam 37% da carteira dos investidores institucionais (fundos de investimento, fundos de pensão, planos de previdência aberta e seguradoras), a menor fatia desde 2007; em 2017, esse número atingiu 52%.

A dívida pública bruta em relação ao PIB subiu de pouco menos de 51% do PIB em 2013 para mais de 73% do PIB no fim de 2017, aponta o estudo. No mesmo período, o endividamento de empresas e famílias passou de 60% para 56,3% do PIB, tendo atingido 64,5% do PIB em 2015. Com isso, a participação do setor público aumentou entre 2013 e 2017 de 47% para 57% do endividamento total (a soma da dívida pública com a privada). Continue reading “‘Crowding Out’ do Setor Privado A Partir de 2014”

Processo de Desmanche do BNDES… e do Desenvolvimento do País

Bruno Villas Bôas, Catherine Vieira e Fernando Torres (Valor, 15/03/18) informam que o peso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos investimentos do país está no menor nível em, pelo menos, 13 anos.

Os economistas ortodoxos abominam o crédito ir além da poupança pré-existente porque, de acordo com a Lei de Say pré-keynesiana, pressupõem que ele desequilibra a demanda agregada com a oferta agregada, causando inflação. Por isso, desmancham o Estado desenvolvimentista brasileiro através da descapitalização dos bancos públicos que propiciaram o ingresso do País no grupo BRIC dos grandes países emergentes. Praticam um crime lesa-pátria!

Mas estão tão felizes quanto “pinto-no-lixo” com os gráficos abaixo e acima. A economia caminha para um “equilíbrio” com 12,3 milhões de desempregados… Viva o Keynes! Morte ao Hayek! 🙂

Os desembolsos do banco responderam por 5,3% do financiamento da formação bruta de capital fixo (FBCF, conta que mede os investimento na economia) em 2017, após três anos em queda. Para especialistas, o financiamento de longo prazo passa por um processo de transição de fontes, e o BNDES deixa de ser um forte termômetro dos investimentos.

Levantamento realizado por Carlos Antonio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec) da Fipe, mostra que os desembolsos do BNDES representavam 15,2% dos investimentos em 2014. Naquele ano, as liberações somaram R$ 187,8 bilhões, lideradas pela infraestrutura. No ano seguinte, o governo reduziu repasses ou empréstimos ao banco. Desde então, essa proporção recuou paulatinamente: 11% (2015), 6% (2016) e 5,3% (2017). E a taxa de investimento despencou do patamar de 20% para 15,6% do PIB. Coloquem como responsabilidade da ortodoxia a existência do desemprego de 12,3 milhões pessoas no fim de 2017. Continue reading “Processo de Desmanche do BNDES… e do Desenvolvimento do País”

Neoliberais encolhem Bancos Públicos e abrem espaço para Bancos Privados

Alex Ribeiro e Eduardo Campos (Valor, 30/01/18) informam que os bancos públicos perderam participação no mercado de crédito em 2017 pela primeira vez em mais de uma década, revertendo a política de aumento da presença do setor público no sistema financeiro adotada nos governos social-desenvolvimentistas de Lula e Dilma. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que a participação no mercado de crédito do conjunto de bancos públicos encolheu de 56% em 2016 para 54% em 2017, em um mercado de R$ 3,086 trilhões.

Foi a primeira queda na participação dos braços financeiros do governo no crédito desde 2007, quando o conjunto de instituições oficiais controlavam 33,8% do mercado. Eles tiveram o seu papel ampliado depois da adoção de políticas anticíclicas a partir da crise financeira mundial de 2008 e com o seu uso como instrumento indutor da queda dos juros e dos spreads bancários em 2012.

O encolhimento da participação de mercado dos bancos públicos em 2017 ocorreu em virtude, sobretudo, de:

  1. a queda na demanda por financiamentos por investimentos e
  2. a restrição na oferta de crédito por alguns bancos oficiais para cumprir as regras prudenciais de Basileia 3.

O governo golpista está entregando aos bancos privados o que sua ideologia neoliberal prometia: um desmanche das políticas creditícias do governo Lula e Dilma, achando que os bancos privados e o mercado de capitais preencherão o vazio. Ledo engano. Continue reading “Neoliberais encolhem Bancos Públicos e abrem espaço para Bancos Privados”