Orientalismo – O Oriente como Invenção do Ocidente

Orientalismo

O livro Orientalismo – O Oriente como invenção do Ocidente (Companhia de Bolso, 528 páginas, lançado em 29/06/2007, R$ 34,00), de autoria de Edward W. Said é “um ensaio erudito sobre um tema fascinante”: como uma civilização fabrica ficções para entender as diversas culturas a seu redor. Para entender e para dominar.

Neste livro de 1978, um clássico dos estudos culturais, Edward W. Said mostra que o “Oriente” não é um nome geográfico entre outros, mas uma invenção cultural e política do “Ocidente” que reúne as várias civilizações a leste da Europa sob o mesmo signo do exotismo e da inferioridade.

Recorrendo a fontes e textos diversos – descrições de viagens, tratados filológicos, poemas e peças, teses e gramáticas –, Said mostra os vínculos estreitos que uniram a construção dos impérios e a acumulação de um fantástico e problemático acervo de saberes e certezas europeias.

A investigação da origem e dos caminhos do Orientalismo como disciplina acadêmica, gosto literário e mentalidade dominadora, vai e volta do século XVIII aos dias de hoje, das traduções das Mil e Uma Noites à construção do canal de Suez, das viagens de Flaubert e “Lawrence da Arábia” às aventuras guerreiras de Napoleão no Egito ou dos Estados Unidos no golfo Pérsico. Reproduzo sua Introdução (editada) abaixo. Continue reading “Orientalismo – O Oriente como Invenção do Ocidente”

Uma História dos Povos Árabes

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O livro “Uma História dos Povos Árabes”, de autoria de Albert Hourani (704 páginas), lançado em 21/08/2006 pela Companhia de Bolso, narra a explosiva situação do Oriente Médio, com os intermináveis conflitos entre israelenses, palestinos e seus vizinhos, a guerra Irã-Iraque, a guerra do Golfo, o fortalecimento do fundamentalismo islâmico. Desde a Segunda Guerra, os árabes estão no centro das questões mais turbulentas de nossa época. No entanto, deles e de sua história sabemos muito pouco. É esta lacuna grave e lamentável que Uma história dos povos árabes vem sanar e meu curso Economia no Cinema, no primeiro semestre letivo de 2016, tentará remediar para os alunos do IE-UNICAMP.

Albert Hourani, durante décadas professor em Oxford, escreveu um livro de leitura obrigatória não apenas para os interessados nas raízes da atual crise internacional, mas para todos aqueles que têm curiosidade por uma cultura de extraordinária riqueza, cuja importância em termos mundiais só tende a aumentar. Reproduzo, editando-a, a Parte I – A Criação de um Mundo (Séculos VII-X) – abaixo. Continue reading “Uma História dos Povos Árabes”

Cultura e Culinária Africanas

Culinária africana

A cultura da África reflete a sua antiga história e é tão diversificada como foi o seu ambiente natural ao longo dos milênios. A África é o território terrestre habitado há mais tempo. Supõe-se que foi neste continente que a espécie humana tenha surgido. Os mais antigos fósseis de hominídeos encontrados na África (Tanzânia e Quênia) têm cerca de cinco milhões de anos.

O Egito foi provavelmente o primeiro Estado a constituir-se na África, há cerca de 5000 anos, mas muitos outros reinos ou cidades-estados se foram sucedendo neste continente, ao longo dos séculos, por exemplo, Axum, o Grande Zimbabwe. Para além disso, a África foi, desde a antiguidade, procurada por povos de outros continentes, que buscavam as suas riquezas.

O continente africano cobre uma área de cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, um quinto da área terrestre da Terra, e possui mais de 50 países. Suas características geográficas são diversas e variam de tropical úmido ou floresta tropical, com chuvas de 250 a 380 centímetros, a desertos.

O monte Kilimanjaro com 5895 metros de altitude permanece coberto de neve durante todo o ano, enquanto o Saara é o maior e mais quente deserto da Terra. A África possui uma vegetação diversa, variando de savana, arbustos de deserto e uma variedade de vegetação crescente nas montanhas bem como nas florestas tropicais.

Como a natureza, os atuais 800 milhões de habitantes da África evoluíram um ambiente cultural cheio de contrastes e que possui várias dimensões. As pessoas através do continente possuem diferenças marcantes sob qualquer comparação:

  1. falam um vasto número de diferentes línguas,
  2. praticam diferentes religiões,
  3. vivem em uma variedade de tipos de habitações e
  4. envolvem-se em um amplo leque de atividades econômicas.

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Economia da África

Divisão Política da África

A África é o continente mais pobre do mundo, onde estão quase dois terços dos portadores do vírus HIV do planeta e há continuidade dos conflitos armados. O avanço de epidemias e o agravamento da miséria põem em causa o seu desenvolvimento. Algumas nações alcançaram relativa estabilidade política, como é o caso da África do Sul, que possui sozinha um quinto do PIB de toda a África.

Distinguindo-se pelas elevadas taxas de natalidade e de mortalidade e pela baixa expectativa de vida e abrigando uma população jovem, a África caracteriza-se pelo subdesenvolvimento. Aparecendo ao mesmo tempo como causa e consequência desse panorama, os setores econômicos em que os países africanos apresentam algum destaque constituem herança do seu passado colonial: o extrativismo e a agricultura. São setores em que são baixos os investimentos e o custo da mão-de-obra. Sua produção é destinada a abastecer o mercado externo de matérias-primas.

A África detém grandes reservas minerais, destacando-se o ouro e os diamantes da África do Sul, do Zaire e de Gana, que respondem pela maior parte da produção mundial. É igualmente rica em fontes energéticas como petróleo e gás natural, explorados principalmente na Nigéria, no Gabão, na Líbia, na Argélia e no Egito.

O subsolo africano fornece também em abundância os seguintes minerais: antimônio (África do Sul), fosfatos (Marrocos, grande produtor mundial), manganês (Gabão e África do Sul), cobre (Zâmbia e Zaire), urânio (África do Sul e Gabão). Continue reading “Economia da África”

Demografia, Composição Étnica-Cultural e Problemas Socioeconômicos e Políticos da África

Mapa Etnolinguístico da África Regiões Metropolitanas mais populosas na África

África é o terceiro continente em extensão territorial e o segundo continente mais populoso (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão de pessoas (estimativa para 2005), representando cerca de um sétimo da população do mundo. Tem uma densidade demográfica de cerca de 30 habitantes por quilômetro quadrado.

Essa pequena ocupação demográfica encontra explicações nos seguintes fatores:

  1. grande parte do continente é ocupada por áreas desfavoráveis a concentrações humanas: desertos, florestas densas e emaranhadas e formações vegetais típicas de solos pobres;
  2. os índices de mortalidade são muito altos, embora tenham diminuído nos últimos 50 anos, ainda se mantêm superiores aos de outros continentes;
  3. a África é um continente que pouco recebeu correntes migratórias, ao contrário, perdeu inúmeros habitantes na época do tráfico de escravos.

A população africana caracteriza-se também pela distribuição irregular. O vale do Nilo, por exemplo, possui densidade demográfica de 500 hab./km2, enquanto os desertos e as florestas são praticamente despovoados. Outros pontos de alta densidade são o golfo da Guiné, as áreas férteis em torno do lago Vitória e alguns trechos no extremo norte e no extremo sul do continente. As regiões das savanas, de maneira geral, são áreas de densidades demográficas médias.

Poucos países africanos apresentam população urbana numericamente superior à rural. Entre os que se enquadram nesse caso estão Argélia, Líbia e Tunísia. Continue reading “Demografia, Composição Étnica-Cultural e Problemas Socioeconômicos e Políticos da África”

Regiões da África

Países africanos

Regiões da ÁfricaNão é fácil fazer o agrupamento dos países da África em conjuntos que apresentem homogeneidade. Mas, para facilitar o estudo, o continente pode ser dividido em cinco regiões principais:

  1. Norte da África,
  2. África Ocidental,
  3. África Centro-ocidental,
  4. África Centro-oriental e
  5. África Meridional.

O Norte da África, que os geógrafos também chamam de África Setentrional e de África do Norte, é a maior região do continente em extensão territorial. Comporta três subdivisões:

  1. os países do Maghreb,
  2. os países do Saara e
  3. o vale do Nilo.

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África

Africa_satellite_orthographic

Hoje, dia 20 de novembro, é a efeméride Dia da Consciência Negra. Necessitamos conhecer nossas profundas raízes na outra margem do rio chamado Atlântico. No meu próximo curso “Economia no Cinema”, no primeiro semestre letivo de 2016, pretendo dedicar uma parte dele, que trata do Desenvolvimento Mundial da Humanidade, para focalizar a sociedade, a economia e a cultura desse continente.

Por incrível que pareça, pois a África foi o nosso passado e será o nosso futuro das trocas Sul-Sul, ainda é desconhecido pela maioria de nós, brasileiros. Comecemos nosso aculturamento com uma visita à Wikipedia, a maior enciclopédia de todos os tempos. Resumo, brevemente, o verbete.

A África é o terceiro continente mais extenso (atrás da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3 % da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão de pessoas (estimativa defasada para 2005), representando cerca de um sétimo da população mundial, e 54 países independentes.

A chamada (pelos colonialistas eurocêntricos) “África Negra” não é homogênea, muito antes pelo contrário. Apresenta grande diversidade étnica, cultural, social e política. Dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnutrição, analfabetismo, baixa expectativa de vida), pelo menos 21 são africanos. Apesar disso, existem alguns países com um padrão de vida razoável, embora não exista nenhum país realmente desenvolvido na África. Continue reading “África”