Futuro da Mente: Inteligência Artificial (IA)

Susan Schneider escreveu artigo para a Edge (Época, 27/06/2019). Reproduzo-o abaixo.

Penso na natureza fundamental da mente e na natureza do “eu”. Ultimamente, tenho refletido sobre essas questões tendo em vista tecnologias emergentes. Tenho pensado sobre o futuro da mente e, mais especificamente, sobre como a tecnologia de inteligência artificial (IA) pode remodelar a mente humana e criar mentes sintéticas. À medida que a IA fica mais sofisticada, uma coisa que me interessa bastante é saber se os seres que talvez consigamos criar poderão ter experiências conscientes.

A experiência consciente é o aspecto sensorial de sua vida mental. Quando você vê os exuberantes tons de um pôr do sol ou sente o aroma de café pela manhã, você está tendo uma experiência consciente. Ela lhe é bastante familiar. Inclusive, não há um momento de sua vida em que você não seja um ser consciente.

O que quero saber é, se tivermos uma inteligência artificial geral — capaz de conectar ideias de maneira flexível através de diferentes domínios e de talvez ter algo similar a uma experiência sensorial —, seria ela consciente ou tudo estaria sendo computado no escuro — envolvendo coisas como tarefas de reconhecimento visual de uma perspectiva computacional e pensamentos sofisticados, mas sem ser verdadeiramente conscientes?

Ao contrário de muitos filósofos, especialmente aqueles na mídia e transumanistas, costumo ter uma abordagem de “esperar para ver” em relação à consciência das máquinas. Primeiro porque rejeito a linha totalmente cética. Existiram filósofos muito conhecidos no passado que não acreditavam na possibilidade de consciência das máquinas — notoriamente John Searle —, mas creio que seja cedo demais para falar. Haverá muitas variáveis que determinarão se máquinas conscientes existirão.

Em segundo lugar, temos de nos perguntar se a criação de máquinas conscientes é ao menos compatível com as leis da natureza. Não sabemos se a consciência pode ser implementada em outros substratos. Não sabemos qual será o microchip mais rápido, portanto não sabemos de que material uma inteligência artificial geral será feita. Então, até este momento, é muito difícil dizer que algo altamente inteligente será consciente.

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Ocupações em Risco pela IA: Disputa com Robôs

Ana Conceição (Valor, 18/07/19) pergunta: na era das máquinas, o emprego é de quem? Um trabalho recente da Universidade de Brasília (UnB) sobre o avanço da tecnologia no mercado de trabalho brasileiro assim como inúmeras pesquisas no mundo tentam responder a essa questão. Na verdade, ela é feita pelo menos desde a primeira revolução industrial, 200 anos atrás. A diferença agora é que a Inteligência Artificial (IA) pode criar máquinas com capacidades cognitivas até então exclusivas dos humanos.

Assim, a resposta é complexa, mas um resumo possível é que boa parte das ocupações conhecidas serão radicalmente transformadas, ou mesmo extintas, para dar lugar a dispositivos dotados de IA. Outras, contudo, serão criadas. E a capacidade de ocupá-las é o que fará a diferença entre emprego e desemprego no futuro.

O estudo que faz a pergunta acima, do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (Lamfo), da UnB, avaliou 2.062 ocupações e concluiu que 25 milhões de empregos (ou 54% do total) estão alocados em funções com probabilidade alta (de 60% a 80%) ou muito alta (80%) de automação. A base é a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2017, do Ministério da Economia, analisada por 69 acadêmicos e especialistas em aprendizado de máquina. Estariam a perigo trabalho repetitivo, como cobradores de ônibus e operadores de telemarketing, mas também especializados como fonoaudiólogos e advogados.

Sobreviverá por mais tempo o que depender de empatia, cuidado, interpretação subjetiva, como assistentes sociais, babás e psicanalistas. E há ainda ocupações em que apenas uma parte é “robotizável”: 40% do trabalho de um contador, por exemplo. O trabalho replica uma conhecida metodologia que os cientistas Carl Frey e Michael Osborne, da Universidade de Oxford, usaram para estimar o potencial de automatização das ocupações nos EUA: 47%. As estimativas do Lamfo/UnB são preliminares, mas dão uma dimensão do que vem por aí. Continuar a ler

Imagine uma Moeda Única sem Fronteiras

Imagine não existir países (…)

Nada pelo que matar ou morrer

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz (…)

Imagine não existir propriedades (…)

Sem necessidade de ganância ou fome (…)

Imagine todas as pessoas

Compartilhando o mundo inteiro (…)

E o mundo será como um só

(Imagine – John Lennon)

“Moedas sociais” são moedas não-oficiais, utilizadas por um certo grupo, como participantes de eventos ou de uma comunidade. Para troca de serviços ou produtos, essa comunidade busca sobreviver fora do conflito entre O Mercado ou O Estado.

Uma moeda comunitária surgiria nessa economia solidária como uma alternativa ao escambo, isto é, a troca direta de mercadorias. Seria considerada um instrumento de desenvolvimento local, destinada a beneficiar o mercado de bens e serviços dos produtores participantes da economia da localidade.

De início, seu uso seria restrito porque sua circulação beneficiaria apenas a redistribuição dos recursos na esfera da própria comunidade. O aumento da quantidade de moeda social corresponderia ao aumento das transações realizadas pelos participantes da economia local.

Como ponto de partida para esse exclusivismo comercial, cada moeda comunitária corresponderia a uma moeda oficial do mesmo valor como lastro. Representaria uma espécie de pacto comercial para os associados se comprometerem com a aquisição de bens e serviços produzidos na comunidade.

Os consumidores teriam descontos nos preços quando a usasse. Com isso os bens e serviços locais ficariam mais competitivos se comparados aos de outros lugares. Os comerciantes e os produtores de serviços locais poderiam abaixar os preços porque compensariam com a venda em maior escala. Evitaria o vazamento monetário para outras comunidades. A moeda comunitária atuaria em favor do desenvolvimento local.

Muitos adeptos dessa economia solidária imaginam essa alternativa na produção e comercialização de produtos “vai além da lógica capitalista” por não visar lucro, mas sim o escambo monetizado. Essa moeda comunitária cumpriria apenas duas funções clássicas do dinheiro: unidade de conta e meio de pagamento. Não seria plenamente dinheiro por não constituir reserva de valor, ou seja, estoque líquido de riqueza para ser usado em todo o território nacional. Melhor ainda seria em toda a economia mundial.

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Fim de Soberanias Nacionais na Emissão Monetária: Dossier sobre Libra

Hannah Murphy (Valor, 19/06/19) anuncia: o Facebook revelou os planos para lançar sua ambiciosa moeda digital, a Libra, pondo fim a meses de especulação sobre o projeto. O trabalho está em seus estágios iniciais e a companhia de tecnologia divulgou documentos revelando ideias para a moeda e alguns parceiros pesos-pesados do projeto.

Muitos dos detalhes serão discutidos publicamente nos próximos meses. Abaixo está o sabido até agora: Continuar a ler

Impacto das mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e demográficas

Carlos Rydlewski (Valor -Eu&FdS, 03/05/19) imagina manchetes. “Software de inteligência artificial ganha Nobel de Física.” “Carros autônomos protestam contra empresas de teletransporte.” “Inaugurada uma nova colônia em Marte.” “China concede novo empréstimo aos EUA.” Todos esses títulos são um exercício de ficção, mas que tal imaginar quais serão as manchetes em 2050, quando chegaremos à metade deste intrincado século XXI?

A tarefa não é simples. Niels Bohr (1885-1962), o físico dinamarquês, já dizia que é muito difícil fazer previsões. Ainda assim, o exercício de traçar grandes cenários é imprescindível nos dias correntes. Isso porque, em uníssono, argumentam especialistas de diversas áreas do conhecimento, as mudanças que se avizinham tendem a ter um impacto brutal, talvez único, na espécie humana. Tentar identificá-las seria um pré-requisito para a sobrevivência.

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Modelos de Negócios com base no Grátis

Chris Anderson, no livro “Free: grátis. O futuro dos preços”, mostra existirem inúmeros exemplos de modelos de negócios Grátis já em aplicação atualmente. Veja 50 exemplos organizados pelo tipo de modelo Grátis no qual eles mais se encaixam.

GRÁTIS 1: SUBSÍDIOS CRUZADOS DIRETOS

  • Dê serviços, venda produtos (suporte técnico Genius Bar da Apple Stores)
  • Dê produtos, venda serviços (brindes para quem abrir uma conta bancária)
  • Dê software, venda hardware (oferecer o Linux com produtos da IBM e HP)
  • Dê hardware, venda software (o modelo de console de videogames, em que aparelhos como o Xbox 360 são vendidos a um preço muito abaixo do custo)
  • Dê telefones celulares, venda minutos de ligação (várias operadoras)
  • Dê tempo de ligação, venda telefones celulares (muitas ligações das mesmas operadoras, com planos de pulsos grátis à noite e nos fins de semana)
  • Dê o show, venda as bebidas (clubes de strip-tease)
  • Dê as bebidas, venda o show (cassinos)
  • Grátis com a compra (preços “isca” de varejistas)
  • Compre um e leve o outro de graça (supermercados)
  • Contém um brinde (cereais matinais)
  • Remessa grátis para pedidos acima de $25 (Amazon)
  • Amostras grátis (tudo, de cestas de brindes para novas mães a distribuição de amostras em supermercados)
  • Períodos gratuitos de experiência (assinaturas de revistas)
  • Estacionamento grátis (shoppings)
  • Condimentos grátis (restaurantes)

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Encontre o Melhor Modelo Freemium para Você

Chris Anderson, no livro “Free: grátis. O futuro dos preços”, anuncia: existem inúmeras variações do modelo freemium, mas como exemplo de como escolher um, pense em uma empresa de software corporativo oferecendo seu produto na forma de um serviço on-line. Inicialmente, ela cobrava de todos os usuários de $ 99 a dezenas de milhares de dólares por ano pelo software. Mas queria usar o Grátis para atingir um público maior.

Veja quatro modelos levados em consideração:

1.Tempo limitado (30 dias de graça, depois pago. Esse é o modelo da força de vendas.)

  • Vantagem: Fácil de implementar, baixo risco de canibalização.
  • Desvantagem: Muitos clientes potenciais não estarão dispostos a realmente testar o software, por saberem que, se não pagarem, não receberão qualquer benefício depois de transcorridos os 30 dias.

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