Web Cara: Desigualdade Digital no Brasil

Assis Moreira (Valor, 23/10/18) informa: a internet no Brasil só tem preço acessível para 40% da população. Isso significa que o acesso à rede mundial de computadores tem custo proibitivo para quase 126 milhões de pessoas, mantendo um enorme fosso de desigualdade social e, justamente, quando o espaço digital torna-se, cada vez mais, uma necessidade básica.

Para as classes de maior renda, o preço de 1 gigabyte (GB) representa 0,60%
de sua renda. Para os 20% mais pobres, é necessário percentual muito maior do rendimento mensal, de 9,42% — quase cinco vezes mais em relação ao preço considerado acessível, equivalente a 2% da renda ou menos, segundo metodologia usada internacionalmente.

As conclusões são da Aliança para uma Internet Acessível (A4AI, na sigla em inglês), uma iniciativa da Web Foundation, organização criada pelo inventor da “‘world wide web”, Tim Berners-Lee.

A Aliança, que reúne empresas, governos e representantes da sociedade civil, publica hoje o Relatório de Acessibilidade 2018, no qual o Brasil perde sete posições, caindo de 6a para 13a posição entre 61 países de renda média ou baixa. O relatório mostra que há problemas no acesso de grande parte da população à internet.

A equipe de especialistas da Aliança calcula que, entre 2010 e 2011, o crescimento do número de usuários da web no Brasil (como percentual da população total) foi de 5,4%. Mas caiu para 3% entre 2015 e 2016. Continue reading “Web Cara: Desigualdade Digital no Brasil”

Inovações Tecnológicas no Comércio de Varejo

Luciana Marinelli e Cibelle Bouças (Valor, 22/11/18) informam: moradores do centro de São Paulo já podem comprar um aparelho celular pela internet num fim de tarde e contar com seu recebimento em casa horas depois, à noite. O serviço foi colocado em teste há pouco mais de dois meses pela Via Varejo, para os sites de Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.

Assim como a varejista de eletroeletrônicos, grandes redes como Carrefour, Magazine Luiza, C&A e Riachuelo fizeram movimentos recentes que indicam como será a concorrência no varejo brasileiro em 2019. Ela envolve a integração cada vez maior das operações de comércio eletrônico e lojas físicas. Veja quais são essas tendências:

Entrega no mesmo dia

Nos Estados Unidos o serviço já faz parte das expectativas básicas do consumidor. Aqui, a corrida está apenas começando. A Via Varejo oferecia a opção para pedidos feitos até 12h30 em seus sites. No projeto-piloto iniciado em agosto no centro da na capital paulista, em parceria com o aplicativo de entregas Rapiddo, as encomendas podem ser feitas até as 17h.

Neste primeiro momento, o cliente precisa estar até 5 km da loja da Casas Bahia onde está sendo feito o teste, no bairro da Liberdade. A ideia é expandir o serviço para os demais bairros de São Paulo e outras cidades do país no primeiro trimestre de 2019. “Em um futuro próximo, nossas bandeiras deverão diminuir ainda mais o tempo entre a compra e o produto na casa do cliente”, disse a Via Varejo, em nota divulgada em 12 de novembro.

Por enquanto, a comodidade custa caro: R$ 40 de frete. A ideia é que o valor diminua à medida que o serviço ganhe escala. Na modalidade de entrega no mesmo dia que já funciona em várias partes do país, desde que o pedido seja feito até 12h30, o frete cobrado pela Via Varejo custa R$ 27. Continue reading “Inovações Tecnológicas no Comércio de Varejo”

Psicometria

Em vídeo divulgado no grupo, homem atira em assaltante que usa camiseta vermelha e grita 'Bolsonaro neles' Foto: Reprodução/Whatsapp

A uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, a notícia pipocou: o Facebook havia descoberto um ataque virtual à sua plataforma, tornando vulneráveis dados pessoais de “quase 50 milhões” de usuários. Passados 14 dias, perto do segundo turno, a empresa atualizou o informe – os afetados eram quase 30 milhões. Usuários foram orientados a fazer novo login.

Invasores não identificados acessaram e-mails e telefones associados a 15 milhões de contas; outros 14 milhões tiveram expostos dados como gênero, local/idioma, status de relacionamento, religião, cidade natal, cidade atual, nascimento, educação, trabalho, 10 últimos check-ins ou locais em que foi marcado, páginas que segue, e até as 15 pesquisas mais recentes.

“Há uma possibilidade razoável de que a vulnerabilidade que o Facebook sofreu tenha correlação com a obtenção de dados para um tipo de ativo altamente valioso, a venda no mercado de psicometria e influência eleitoral”, diz o advogado e especialista em direito digital Rafael Zanatta, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Psicometria une estatística e psicologia. É o uso de método matemático para medir como e o que alguém pensa e sente. A técnica permite traçar padrões de comportamento online ou perfis psicológicos. Ouro puro em período eleitoral.

A partir de um conjunto de dados, você consegue manipular uma pessoa, virar um comportamento ou até mesmo levá-la a um radicalismo”, lembra Zanatta. Para entender melhor: o invasor descobre, por exemplo, que entre as 14 milhões que tiveram dados expostos, há um grupo relevante que relatou assaltos em postagens, ou visitou uma delegacia nos últimos meses. Certamente se trata de alguém sensível a mensagens sobre como a insegurança nos aflige. Agora, repita o padrão para cada vestígio deixado pelo usuário no mundo virtual. Continue reading “Psicometria”

Papel dos Robôs e das Redes Sociais nas Eleições de 2018

Antônio Augusto de Queiroz é Jornalista, consultor, analista político, diretor de Documentação do DIAP e sócio-diretor da Queiroz Assessoria. Reproduzo seu artigo abaixo sobre a última campanha eleitoral.

As eleições de 2018 revelam mudança de paradigma na forma de fazer campanha no Brasil, com o ingresso definitivo da era digital nas disputas eleitorais, inclusive com o emprego da inteligência artificial no impulsionamento e direcionamento de mensagens a determinadas comunidades nas redes sociais. Saem os cabos eleitorais e entram os robôs na disseminação e até “diálogo” com os internautas.

De fato, estas eleições romperam com os parâmetros das campanhas anteriores. Historicamente, 4 condições, além de bons programas de governo, sempre foram indispensáveis para se ganhar eleição no Brasil:

1) maiores e melhores palanques,

2) mais financiamento,

3) mais tempo de rádio e televisão, e

4) militantes de rua.
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Desaparecimento dos Cartões de Pagamento: Comunicação por Proximidade

Sérgio Tauhata (Valor, 22/10/18) informa: apesar de muita gente imaginar um futuro sem dinheiro físico, quem corre risco ainda maior de extinção, na verdade, são os cartões de crédito e débito. As pesquisas sobre meios de pagamento conduzidas pelo instituto britânico RBR (Retail Banking Research), especializado em automação bancária, mostram: tecnologias em evolução concorrem com o uso de papel moeda. Porém, conseguem substituir de maneira ainda mais eficiente o plástico emitido pelos bancos.

Na verdade, o uso de papel moeda continua a crescer, em especial nos países em desenvolvimento. No curto e médio prazo, claramente, o dinheiro não irá desaparecer e estamos a um longo caminho de isso realmente acontecer.

Muitas pessoas perguntam: o que vai desaparecer primeiro, o dinheiro ou os cartões de crédito e débito?

Os cartões definitivamente vão desaparecer antes do dinheiro. Soluções como cartões virtuais para pagamento sem contato e outras formas de transferência de valores por meio de celulares tornam a experiência do usuário “sem fricção”, ou seja, acrescentam conveniência e comodidade.

No Brasil existem quase 60 milhões de desbancarizados. Em países com um cenário como esse, o dinheiro provavelmente não vai deixar de ser usado tão cedo, ou irá entrar em declínio e eventualmente desaparecer em um horizonte que ainda não podemos enxergar. Continue reading “Desaparecimento dos Cartões de Pagamento: Comunicação por Proximidade”

Bolhas Ideológicas ou Câmaras de Eco

O ser humano tem capacidade de manter uma rede de amizade composta por, em média, 150 pessoas. Conhecido como “número de Dunbar”, ele foi estipulado, na década de 90, pelo antropólogo inglês Robin Dunbar. Este professor da Universidade de Oxford é um dos mais importantes estudiosos da Psicologia Evolutiva.

Esse número se mantém o mesmo desde os primórdios da humanidade. Entre os primatas, a quantidade de amigos é determinada pelo tamanho do cérebro. Ele não mudou com a popularização das redes sociais digitais. Compartilhar informações pessoais com quem não se tem intimidade cria uma falsa sensação de amizade.

Dessa média 150 amigos, inclusive parentes próximos, cinquenta são considerados bons amigos. Desses, apenas quinze podem ser chamados de melhores amigos. Entre eles, somente cinco pertencem à categoria dos amigos íntimos. São aqueles procurados por você quando está com problemas, pede conselhos, busca consolo e até mesmo aceita dinheiro emprestado. Os diferentes graus de amizade são determinados pela frequência do contato. Dependente dela, esse número médio de amigos tende a se renovar em 1/5.

A cooperação e o compartilhamento de informações entre pares confiáveis são cruciais para a sobrevivência, seja no passado, seja no presente. Em 70% dos casos, o encontro do par romântico, para a reprodução, acontece por intermédio de uma dessas pessoas.

A personalização pela ação de algoritmos de informações, filmes e músicas oferecidos nas grandes plataformas como Google, Facebook, WhatsApp, Twitter, Instagram e outras como Netflix e Spotfy, leva as pessoas a serem expostas, cada vez mais, a opiniões e ideias similares às suas próprias visões de mundo. O efeito dessas bolhas ideológicas,conhecido como “bolha online” (filter bubble) ou “câmara de ecos”, sobre as sociedades democráticas ainda não é conhecido por completo. Continue reading “Bolhas Ideológicas ou Câmaras de Eco”

Efeito Manada e Economia da Atenção na Internet

As multidões estão sujeitas ao que se chama de “efeito manada”. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem a decisão passar, necessariamente, por uma reflexão individual. Em situações de pânico ou comoção, tendem a reagir em ímpeto, em um mesmo sentido, sem autocrítica ou raciocínio de parte de cada indivíduo, perdendo o senso, arrasando tudo.

Quem navega pelas várias possibilidades de relações e intercâmbios comunitários na internet encontra a toda hora reações coletivas sem reflexão, apenas indo na onda e causando estragos às reputações dos alvejados.

Sendo assim, será desejável a maioria dos cidadãos, diretamente, decidir as questões legislativas e de gestão coletiva, manifestando diariamente suas opinião e vontade por meio de mecanismos de rede social?

As reações coletivas temperamentais e exacerbadas, os ditos “efeitos de manadas”, não contaminarão e comprometerão o processo democrático, transformando a democracia direta tão sonhada em perda de capacidade de discernimento das multidões exaltadas?

Serão desejados plebiscitos realizados em momentos de forte ilusão coletiva para legitimar regimes ditatoriais e medidas autoritárias?

Multidões não devem ser tribunais penais porque, quando julgarem, cometerão os mais graves equívocos e causarão tragédias. O devido processo legal filtra e previne para a emoção coletiva não julgar. Continue reading “Efeito Manada e Economia da Atenção na Internet”