Inteligência Artificial X Burrice Natural

Dora Kaufman, Professora da PUC-SP e autora de “A Inteligência Artificial Irá Suplantar a Inteligência Humana?” e “Desmistificando a Inteligência Artificial”, publicou artigo (FSP, 02/07/22) relevante sobre o tema IA. Compartilho-o abaixo.

Cada vez mais difundida, a inteligência artificial trouxe ganhos expressivos para a sociedade em geral, ao mesmo tempo que provoca receio por questões éticas envolvendo privacidade, discriminação e propagação de mentiras e golpes. É fundamental, portanto, que a sociedade seja capacitada para usufruir de seus benefícios e mitigar os efeitos deletérios.

​Em palestra proferida em 1985, Richard Feynman, prêmio Nobel de 1965 e um dos mais reconhecidos físicos teóricos, debateu temas críticos do campo da IA (inteligência artificial). O diálogo com o público teve início com a pergunta-chave: “Haverá uma máquina que pode pensar como os humanos e ser mais inteligente que os humanos?”.

Para Feynman, as futuras máquinas não pensarão como os seres humanos, da mesma forma que um avião não voa como os pássaros. Entre outras diferenças, os aviões não batem asas; são processos, dispositivos e materiais distintos. Quanto à questão de as máquinas superarem a inteligência humana, na visão do físico o ponto de partida está na própria definição de inteligência.

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Pobres Brasileiros: Sem Dinheiro para Comprar de Microcomputadores e Estudar

O número de domicílios com acesso à internet em áreas rurais e urbanas aumentou durante a pandemia. O celular continuou como principal canal para acessar a internet, mas de 2019 a 2021, a televisão ultrapassou o computador.

Os dados são da pesquisa TIC (tecnologias da informação e comunicação) Domicílios, feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O Cetic.br faz parte do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Em 2019, 51% dos domicílios rurais tinham acesso à internet – em 2021, a fatia subiu a 71%. Nas áreas urbanas, eram 75% dos domicílios em 2019, e 85% no ano passado.

O estudo mostra, em relação ao dispositivo usado para conexão, a TV ter ultrapassado o computador. Em 2014, apenas 7% das pessoas acessavam internet pela televisão, índice que disparou para 50% em 2021. Enquanto isso, o uso do computador caiu de 80%, em 2014, para 36%, em 2021. O celular é o campeão para acesso à internet – saindo de 76%, em 2014, para 99%, em 2021.

O acesso à internet por meio da TV é principalmente para atividades culturais como assistir filmes, séries, esportes e programas, e ouvir música.

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Guerra Cibernética X Senhas Fáceis

Daniela Braun (Valor, 10/03/22) informa: o uso de senhas fracas, repetidas, e a troca de senhas entre funcionários que trabalham de forma remota ou híbrida são um prato cheio para o cibercrime, cuja ameaça foi intensificada diante da guerra cibernética deflagrada após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Entre as organizações que sofreram perda de dados após ciberataques em suas redes, em 2021, 85% dos vazamentos envolvem roubos de credenciais de acesso, golpes de phishing, que buscam convencer a vítima a clicar em um link ou arquivo falso para instalar um software malicioso em sua máquina, e erro humano. Os dados fazem parte de um estudo da operadora americana Verizon que avaliou mais de 5.250 violações confirmadas no ano passado.

Neste cenário, não só os investimentos em infraestrutura de redes, backup e gestão de cibersegurança são necessários, como também a atenção redobrada à gestão senhas das organizações. Neste ponto entram em cena empresas que vendem serviços de gerenciamento de senhas como LastPass, 1Password e MyCena. Esse tipo de serviço inclui criar, criptografar e armazenar as senhas em um cofre digital, para que o usuário memorize somente uma “senha mãe” de acesso.

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Caminho da Coréia do Sul: Investimento Massivo em Educação, Ciência e Tecnologia para Inovações no Brasil

Robson Braga de Andrade é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele apresentou (Valor, 02/03/22) uma proposta para um próximo governo Social-Desenvolvimentista.

A Era da Digitalização, da Tecnologia da Informação e das Telecomunicações proporcionou o desenvolvimento de computadores pessoais, instrumentos de controle digitais, softwares e circuitos integrados, em uma enorme gama de produtos e serviços inovadores. Vivemos a transição para uma nova revolução tecnológica, que nasce da nanotecnologia, da biotecnologia, da computação quântica e da inteligência artificial, em que há possibilidade de convergência dos mundos físico, digital e biológico, tornando o custo das coisas mais acessível e abrindo novas oportunidades de desenvolvimento econômico e social. Aí está a ignição para a Quinta Revolução Tecnológica.

Apesar do crescimento maciço dos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e do aumento dos registros de propriedade intelectual, parece que os recentes desenvolvimentos tecnológicos não dinamizaram o crescimento econômico e a produtividade nas economias de alta renda. Alguns fatores, provavelmente, contribuíram para essa situação, tais como o envelhecimento populacional e o aumento da desigualdade de renda e riqueza. Não obstante, a estagnação parece não ser global, porque o dinamismo da inovação acelerou na maioria das economias emergentes, especialmente as asiáticas.

No Brasil, infelizmente, a última década foi insignificante em termos de crescimento econômico e da redução de desigualdades sociais, bem como da incorporação de ações inovativas, principalmente nas pequenas e médias empresas.

Uma visão otimista do futuro sugere a pandemia da covid-19 e as consequentes medidas de bloqueio global ampliarem a velocidade e a disseminação de novas tecnologias. Estamos testemunhando o início do “Renascimento da Inovação”.

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Renda do Trabalho de Profissionais de Tecnologia de Informações

alta demanda por profissionais qualificados na área de tecnologia possibilita eles definirem as regras do jogo. São raras as situações, hoje, quando um candidato conta apenas com uma proposta em mãos.

As barreiras geográficas antes da pandemia já eram mais frágeis em TI, mas foram completamente ultrapassadas. Nunca houve uma procura tão forte de empresas internacionais por profissionais brasileiros.

Por isso, o fator de atração e retenção é tão crítico em TI. Para reter os melhores talentos, as empresas precisam rever suas estratégias de engajamento para mantê- los motivados e constantemente desafiados, além de demonstrar propostas de investimentos na área.

Entre100 CIOs ouvidos pela Robert Half em uma pesquisa recente quase metade deles (49%) disseram estar muito preocupados com a capacidade da empresa em reter profissionais de TI.

Esse cenário impacta diretamente na remuneração dos profissionais de TI, indica o Guia Salarial da Robert Half.

Conheça os salários em TI, em diferentes funções:

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Se o Brasil fosse um país digital?

A maioria dos países desenvolvidos elegeu a transformação digital como uma de suas prioridades nacionais. Quem afirma isso (Valor, 18/01/22) são: Francisco Gaetani, professor da Ebape/FGV e ex-Secretário Executivo dos Ministérios do Meio Ambiente e Planejamento e presidente do Conselho de Administração do Instituto República & Virgilio Almeida, professor associado ao Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, professor emérito da UFMG e ex-secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.

Se fôssemos um país digital, as crianças e jovens não teriam ficado sem aulas, como aconteceu em 2020 e 2021, por falta de acesso a internet.

Se fôssemos um país digital já teríamos todas escolas e centros de saúde integrados na internet, com serviços de qualidade, inclusive com um prontuário único de saúde para cada um.

Se fôssemos um país digital, teríamos uma identidade digital única para todos cidadãos.

Se fôssemos um país digital, teríamos voz ativa nas discussões internacionais sobre o estabelecimento das regras para a regulação – e talvez tributação? – – das plataformas globais.

Se fôssemos um país digital teríamos lideranças políticas criando políticas e legislações para acelerar o avanço digital no Brasil.

Mas não somos um país digital. Fizemos avanços ali e acolá – curiosamente no gov.br -, mas não de uma maneira integrada para toda a sociedade, deixando setores e grupos fora do processo de transformação digital.

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Tecnologia Digital no Varejo

A crise fez disparar os custos das empresas, travar cadeias de abastecimento e exigiu uma aceleração nunca vista dos projetos on-line. Ela vem obrigando a indústria a oferecer tecnologias aplicáveis já no presente.

As novidades são para ontem, e precisam, agora, facilitar a vida do cliente durante e no pós- pandemia. Aquela era da ficção científica perdeu força. O foco é eficiência, produtividade e aplicabilidade das iniciativas.

A Gartner estima os investimentos em tecnologia deverem superar, pela primeira vez, os US$ 200 bilhões em 2022 no mundo, segundo relatório no fim de 2021. É pouco mais de 7% de alta, ritmo superior ao do ano passado (5,9%). Até 2025, serão mais US$ 60 bilhões, equivalente à receita anual da Apple em seu aplicativo.

Segundo consultores, nesse ambiente de cadeia de abastecimento pressionada, avançaram iniciativas que ajudam redes a melhorar a gestão de níveis de estoque e o planejamento. São tecnologias de rastreamento em tempo real da coleta à distribuição dos produtos, e comunicação do problema de forma mais rápida. Isso aumenta a eficiência no on-line, que no Brasil cresceu 30% em 2021, e vem ajudando a sustentar lojas na crise.

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10 Tendências Tecnológicas para 2022. 

João Luiz Rosa e Daniela Braun (Valor, 03/01/22) informam: o metaverso promete eliminar as fronteiras entre o mundo físico e o digital. Eles está no centro da lista das dez tendências tecnológicas para 2022.

Ainda é difícil determinar que contornos esse novo ambiente assumirá no futuro, mas a recente decisão do Facebook de mudar seu nome corporativo para Meta, numa alusão a esse conceito, mostra como as “Big Techs” estão determinadas a construir essa rede e definir os modelos de negócio que a tornarão viável e lucrativa.

Os usuários poderão tanto imergir em universos virtuais, na pele de representações digitais ou avatares, como sobrepor imagens e dados digitais ao mundo concreto, podendo interagir com essas informações.

Na prática, trata-se de uma combinação de duas vertentes tecnológicas já existentes – a realidade virtual e a realidade aumentada – acrescida do caráter aglutinador das redes sociais.

“O metaverso é o próximo paradigma computacional da humanidade”, diz Hugo Barra, executivo brasileiro que já passou por cargos internacionais de comando em empresas como Google, Xiaomi e Facebook.

A cada 15 ou 20 anos, afirma Barra, a tecnologia ingressa em um novo ciclo. Foi assim com os mainframes nos anos 50, os minicomputadores nos 60, os PCs na década de 80, e os dispositivos móveis a partir de meados dos anos 90, quando o uso da internet passou a se disseminar. A fase atual, caracterizada pelos smartphones e os aplicativos, começou em 2010.

“Faz 11 anos que entramos nesse paradigma. Então, se a história se repetir, teremos um novo salto até o fim da década. Em cinco anos, já veremos mudanças significativas.”

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Crise de Chips e Preparação para Economia Digital

Carlos Prieto (Valor, 24/11/21) avalia: a falta de semicondutores hoje no mundo para atender segmentos tão distintos como eletroeletrônicos e montadoras se tornou o ícone dos problemas enfrentados pela indústria na cadeia de fornecedores. Mas ao apontar a pandemia da covid-19 como a grande responsável pelo caos logístico, muitas empresas acabam escondendo suas ineficiências internas e erros de estratégias.

Pesquisa realizada pela Accenture mostrou o estágio de vários segmentos da economia em relação ao chamado de “maturidade operacional”. Inclui os critérios adotados na hora de definir de quem e de onde virão seus insumos e componentes.

Quais os riscos de concentrar sua estratégia apenas nos custos, de não saber compartilhar informações com seus fornecedores e de ignorar os dados gerados diariamente nos diversos setores das empresas foram pontos abordados na pesquisa.

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Trens e Metrôs ou Carro Elétrico / “Alcoolizado”

As operadoras de metrôs e trens urbanos alcançaram em outubro o maior índice de recuperação de passageiros perdidos ao longo da pandemia. O número de usuários transportados em dias úteis representou 74% da quantidade registrada antes das medidas de distanciamento social. Há seis meses, ainda durante a segunda onda de covid-19 no Brasil, esse indicador estava em 52%.

Essa é a notícia boa no setor. Agora a ruim: as operadoras acumulam perdas tarifárias (diferença entre bilhetagem esperada e efetivamente verificada) de R$ 15 bilhões desde o início da pandemia, de acordo com a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).

Assim como ocorre na política brasileira, o tema referente à principal fonte de energia das próximas gerações de carros no país transformou-se em discussão polarizada. De um lado, estão os que defendem carros elétricos e do outro, os que apostam na sobrevida do motor a combustão mais limpo com a ajuda do etanol.

O assunto é polêmico e abre espaço a diversos fóruns de debate. Mas a realidade brasileira facilmente se impõe quando um executivo à frente da revolução tecnológica em veículos na Europa fala. É como ouvir alguém de outro mundo, segundo Marli Olmos (Valor, 01/12/21).

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Agrotech 4.0: Canaviais Inteligentes

Camila Souza Ramos (Valor, 23/11/21) informa: os dias quando os agrônomos andavam quilômetros e quilômetros percorrendo linhas de canaviais para identificar ervas daninhas a olho ficaram para trás na Tereos. Nos 300 mil hectares de lavoura que a companhia francesa opera no Brasil – próprias e em parceria com terceiros -, a identificação de plantas que concorrem com a cana pelos recursos do solo agora é feita por inteligência artificial, a partir de imagens de satélite.

O uso dessa e de outras tecnologias tornou-se viável com a adoção do sistema de computação em nuvem (cloud) da Amazon Web Services (AWS), empresa do grupo Amazon. Está sendo implementado em várias frentes de operação da companhia e pelo qual trafegam atualmente 70 terabytes (TB) de dados.

A Tereos começou a utilizar o serviço da Amazon em 2017, quando decidiu ingressar na era das transformações digitais sem precisar recorrer a servidores grandes e custosos, e sim à nuvem. Mas neste ano a companhia passou a empregar o sistema de cloud para todos os dados gerados na área agrícola.

“A decisão de começar o processo com os dados em nuvem veio da necessidade de dar escala, de poder crescer rápido, e de flexibilidade, caso quiséssemos decrescer por algum ajuste. Foram os dois grandes drivers para escolher a nuvem no nosso processo de transformação digital e uso de dados”, diz o diretor de TI, Supply Chain e Negócios Agrícolas da Tereos.

A transformação digital avança hoje em quatro áreas na estrutura da empresa no Brasil: 1. cadeia de suprimento, 2. produção agrícola, 3. operação industrial e 4. decisões comerciais. Para tal, a companhia montou uma equipe própria de profissionais de ciência de dados. Ela analisa a infindável quantidade de dados chegadas das operações.

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Amplificação Algorítmica de Conteúdo Político no Twitter

Por Rumman Chowdhury e Luca Belli

Quinta-feira, 21 de outubro de 2021

É fundamental estudar os Efeitos do Aprendizado de Máquina (ML) nas conversas públicas e compartilhar as descobertas publicamente. Esse esforço é parte de um trabalho contínuo para examinar algoritmos em uma variedade de tópicos. 

Recentemente, esses autores compartilharam suas descobertas de Análise de Viés em algoritmo de recorte de imagem. Elas informaram as mudanças nesse produto.

Publicam, agora, os aprendizados de outro estudo: uma análise aprofundada para saber se os algoritmos de recomendação amplificam o conteúdo político

A primeira parte do estudo examina Tweets de governantes eleitos* em sete países (Canadá, França, Alemanha, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos). Como os tweets dos eleitos cobrem apenas uma pequena parte do conteúdo político na plataforma, também estudam se os algoritmos de recomendação amplificam o conteúdo político dos veículos de notícias.

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