Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2018

Esperando o Metrô” foi a grande vencedora do concurso de marchinhas Mestre Jonas 2018. O resultado foi divulgado no fim da noite de domingo (4) durante evento realizado no Mercado Distrital do Cruzeiro em Belo Horizonte. O segundo lugar ficou com o “Bloco do Torresmo” e, em terceiro, “A Dancinha da Tornozeleira“.

O grande vencedor levou um prêmio de R$ 5.000; o segundo ficou com R$ 3.000; e o terceiro lugar, R$ 1.500. Cerca de 500 pessoas acompanharam o evento da grande final.

“Das dez Marchinhas que estavam na final, 80% falavam de política. Outras duas, abordaram comportamento, como o de homens e mulheres, ao falar do assédio, por exemplo”, disse o organizador do concurso, Kuru Lima.

Apesar disso, ele avalia que as eleições deste ano não exerceram grande influência no tema das músicas. “Há apenas uma marchinha que faz referência a um político que se declarou candidato a presidente (Jair Bolsonaro). As eleições ainda não estão na ordem do dia, pois o cenário ainda é bem nebuloso”, afirma.

Nesta edição, foram inscritas 93 marchinhas, sendo 73 validadas. Em 2017, foram 141 canções inscritas. Lima diz que o volume foi menor neste ano porque o Carnaval é no início do mês, mais perto das férias.

OUÇA AS MARCHINHAS VENCEDORAS:

1ª – Esperando o Metrô

2º – Bloco do Torresmo 

3º – A Dancinha da tornozeleira

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Remix do Golpe: Contragolpe com Marchinhas de Carnaval

Gregório Matos, gentilmente, me enviou versões de vinte marchinhas clássicas — aquelas que todo mundo sabe de cor. São sátiras ao Judiciário, à Lava-Jato, ao Congresso, ao Supremo, à imprensa, aos tucanos, aos americanos, à classe média trouxa que se deixou usar, aos fascistas…

Porque a arte popular pode ser revolucionáriaaté mais que a política.

Nota: sempre que a sílaba tônica mudar de posição em relação à letra original da marchinha, esta será destacada. Por exemplo, no primeiro verso da marchinha Aurora (SE você fosse sincera…), o “Se” é a sílaba tônica. Na paródia, a sílaba tônica passa para a última palavra (“cega”).

AURORA

Se você fosse mesmo CEGA
Ô ô ô ô, Justiça
Sacava o tanto que escorrega
Ô ô ô ô, Justiça

Se você fosse mesmo cega
Ô ô ô ô, Justiça
Sacava o tanto que escorrega
Ô ô ô ô, Justiça

O pobre e o rico você trata diferente
O amigo e o desafeto um você livra o outro prende
Agora não me venha
Dar uma de castiça
Ô ô ô ô, Justiça!

Se você fosse mesmo cega (…)

RETRATO DO VELHO

Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
Bota o retrato do Lula outra vez
Bota no mesmo lugar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Eu já botei o meu
E tu? Não vais botar?
Eu já enfeitei o meu
E tu? Vais enfeitar?
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar
No sorriso do velhinho
A gente volta a sonhar

Bota o retrato do Lula outra vez (…)

 

Percursos Musicais entre Espaços e Tempos

Fiquei tão satisfeito com esse feito, que já estou com saudade de “quando eu era professor”, nesse novo ano pré-aposentadoria. Consegui Licença-Prêmio (“privilégio” depois de uma vida dedicada a ensinar e aprender, passando por todos os concursos públicos com títulos e publicações) e férias acumuladas para enfrentar novos desafios: dar um acabamento literário a três livros que montei com base em +/- 300 artigos pessoais que aqui postei (+/- 600 páginas), dois livros do meu Memorial para Titular (+/- 250 páginas), e minha Cartilha de Finanças Comportamentais (+/- 100 páginas). Também quero repetir a experiência de EaD, inédita para mim antes de gravar um curso sobre “Bancos Públicos no Brasil”, agora sobre o tema Finanças dos Trabalhadores. Além disso, quero ter mais tempo para atender convites para o debate público no próximo ano eleitoral. Só.

Foi com satisfação que obtive novas informações propiciadas por caderno especial (FSP, 15/12/17) com o mapeamento da popularidade dos diversos gêneros musicais no Brasil (veja figuras acima). Expressa também meu percurso no tempo e entre espaços.

Eu era adolescente quando morava em BH nos anos 60: adorava rock e blues. Apreciei bossa-nova e MPB no Rio de Janeiro. Passei a gostar mais de reggae e dub em férias na Lagoa da Conceição/Praia Mole de Florianópolis, embora já o escutasse quando visitei Belém do Pará e São Luís do Maranhão. Tenho grande satisfação tanto com o humor quanto com o forró nordestino. Gostava de escutar novos(as) cantores(as) de jazz em Brasília. O funk paulista conheci durante o curso citado. Depois de 32 anos de Campinas, finalmente, fiz uma “desconstrução” dos meus preconceitos em relação à música caipira, mas ainda não cheguei a tanto “populismo” 🙂 : conhecer o “sertanejo universitário” e o “feminejo”. Outro desafio é escutar a mistura latino-americana/brasileira do reggaeton.

Esse percurso é lógico no espaço e emocional no tempo! Eu gosto de todos os gêneros de raízes africanas que misturaram seus ritmos com músicas europeias! Eu gosto mesmo é da mistura das etnias humanas sem discriminação!

Gustavo Alonso é historiador e autor do livro “Cowboys do Asfalto: Música Sertaneja e Modernização Brasileira” (ed. Civilização Brasileira, 2015). Escreveu um artigo interessante para o Especial da Folha de SP (15.dez.2017) que mapeou a popularidade regional dos distintos gêneros musicais através da audiência do YouTube. Pós-caipira, “o Sertanejo é a face recente da antropofagia das massas” no Brasil. Reproduzo-o abaixo.

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Evolução da Indústria Musical: Revolução do Streaming

O Spotify, empresa provedora de serviço de transmissão de música, viu crescer de forma explosiva o número de usuários pagos no ano de 2016, mas também dobrou o tamanho da sua perda líquida. A companhia terá de pagar um mínimo de 2 bilhões de euros (US$ 2,23 bilhões) em royalties pela transmissão das músicas nos próximos dois anos, devido a um acordo fechado recentemente.

Como outras companhias de mídia, como a Netflix, o Spotify investiu em acordos com provedores de conteúdo e criadores para atrair ouvintes e assinantes. A empresa está se preparando para abrir o capital neste ano. Os potenciais investidores acompanharão de perto o crescimento de usuários totais e pagos, pois esse número revela um potencial de rentabilidade.

A receita em 2016 subiu 52%, para 2,93 bilhões de euros. O Spotify registrou no período um prejuízo líquido de 539,2 milhões de euros, ante um prejuízo de 231,4 milhões de euros em 2015. A maior parte do prejuízo foi atribuída ao aumento dos custos financeiros.

A companhia informou que o total de assinantes cresceu 38%, para 126 milhões, enquanto o grupo de pessoas que pagam pelo serviço premium cresceu 71%, para 48 milhões. O serviço de transmissão de música gera quase 90% de sua receita de assinaturas, ainda que os assinantes representem a minoria dos usuários. O serviço gratuito é suportado por anúncios.

A indústria de música viu sua receita global cair 60% desde 2000. Ela esperava que os serviços de transmissão paga cresceriam o suficiente para compensar o declínio nas vendas de CD e download de músicas. Nos últimos anos, o número crescente de serviços de transmissão competem pelos ouvintes pagantes, incluindo Pandora Media e Apple Music. Em 2016, o serviço de transmissão respondeu por 51% da receita do mercado de música, que cresceu mais de 11% no período, para US$ 7,7 bilhões, de acordo com a Associação das Gravadoras dos EUA.

Pois bem, diante desse intrigante assunto da Economia Criativa contemporânea, minha ex-aluna Júlia Gallant Ferreira escreveu uma excelente monografia sob orientação do meu colega Márcio Wohlers de Almeida (clique para download): Júlia Gallant – Evolução da Indústria Musical – Revolução do Streaming. Campinas, IE-UNICAMP, 2017.

Ela demonstrou notável iniciativa e capacidade de pesquisa ao tratar de tema inédito na literatura acadêmica. Na minha participação na banca de julgamento, expressei meus votos para ela continuar a pesquisa na pós-graduação, embora eu ache que seu talento provavelmente será disputado por quem a conhecer no mercado profissional.

Edito abaixo o resumo feito por ela em sua primeira versão. Continue reading “Evolução da Indústria Musical: Revolução do Streaming”

Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros

Fiquei feliz com a avaliação oral que meus alunos fizeram da nova experiência didática no nosso curso Economia no Cinema: Cidadania e Cultura Brasileira.

  • Para avaliar o curso, utilizaram o conhecimento sobre as interpretações a respeito do Brasil para escrever um trabalho sobre Economia em Letras de Músicas, inspirado pela leitura da trilogia de Franklin Martins. Quem Foi Que Inventou o Brasil? A música popular conta a história da República. Vol. I – de 1902 a 1964. Vol. II – de 1964 a 1985. Vol. III – de 1985 a 2002. RJ, Nova Fronteira, 2015. Visite o site: http://quemfoiqueinventouobrasil.com/
  • Somaram à essa inspiração a audição da playlist do Spotify (12142604272), Economia em Letras de Música, com MPBE: Músicas Populares Brasileiras sobre Economia. As letras estão em: Fernando Nogueira da Costa – Economia em Letras de Música
  • Encontraram letras com temas econômicos em quase todos os gêneros musicais cantados pelo povo brasileiro. Muitas variantes abrigadas na chamada MPB (Música Popular Brasileira) puderam ser pesquisadas, classificadas e analisadas, seja por gêneros musicais, seja por temas.
  • Para pesquisa e apresentação áudio-oral do trabalho, a turma foi dividida em cinco grupos para a pesquisa que simula desafios que encontrarão na vida profissional:
    • Grupo I: dos sambas à bossa-nova,
    • Grupo II: das marchinhas de carnaval às músicas de protestos,
    • Grupo III: da Tropicália à MPB,
    • Grupo IV: das canções bregas, regionalistas e sertanejas aos rocks brasileiros,
    • Grupo V: dos raps aos funks.
  • Além de análise por gêneros musicais, classificaram os temas econômicos abordados que forneceram inspiração aos compositores. Eles analisaram se os compositores estiveram atentos aos principais eventos macroeconômicos ou se expressaram apenas a vida econômica pessoal. Concluíram que a MPBE podem ser escutadas como a expressão popular de reais problemas socioeconômicos.
  • Desde os primórdios, os letristas buscaram fazer a crônica musical de eventos, costumes, novidades, modismos e reviravoltas da vida nacional, de um modo geral – e da cena política e econômica, em particular. Concluíram também que a música popular brasileira segue fazendo a crônica da vida econômica nacional.
  • Foram criativos e demonstraram a capacidade analítica dessa expressão cultural dos sentimentos populares sobre a economia.
  • Serviram como inspiração os seguintes posts:

Economia em Letras de Música

Economia em Letras de Música: Dinheiro, Salário, Dívida, Vagabundagem…

Economia em Letras de Música: Desigualdade e Criminalidade

Economia em Letras de Música: Ostentação

Uma ótima apresentação, aplaudida espontaneamente pelos colegas, foi a seguinte:  ENRIQUE ALVAREZ & LUCAS BRIGANTI – Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros

Um debate que surgiu durante os seminários diz respeito ao rótulo MPB. Não é um “guarda-chuva” muito amplo sob o qual quase tudo é classificado?

Contra argumentei, aliás, como vimos o Chico dizer em sua cinebiografia, que a Bossa Nova e a MPB das Músicas de Protesto dos anos 60 eram ou muito elitistas ou muito vanguardistas… embora eu as aprecie muito. Tentei provar meu argumento exibindo o excelente documentário de que todos os alunos gostaram: Vou Rifar Meu Coração (2011; 1h19m).

Depois, houve um consenso que, desde a música brega, passando pela música caipira, até os raps e os funks (“ostentação”), nesses gêneros musicais há uma expressão emocional que fala diretamente ao coração. Não há metáforas indiretas ou poesia academicista. É porrada! Direto ao ponto! Dedo nas feridas!

Fiquei feliz, mais uma vez, por aprender ensinando. Vários alunos comentaram que passarão a assistir filmes e escutar músicas de outra maneira, depois deste curso, apreciando suas mensagens. Disseram-me que antes “não davam bola para filmes brasileiros e tinham preconceitos em relação a diversos gêneros musicais populares”. Aprenderam desde já, assim como eu aprendi ao longo de minha vida, a ter empatia com pessoas aparentemente distintas de nós, mas “tudo carne-e-osso” como nós!

Tomo os seguintes exemplos, dados pelos estudantes, de um gênero musical que eu, praticamente, não conhecia — a da música caipira. Adorei a estória — “não sei porque” 🙂 — da música sobre a causa judicial entre os mineiros e os paulistas descendentes dos italianos: Continue reading “Das Canções Bregas, Regionalistas e Sertanejas aos Rocks Brasileiros”

Big Data Musical

João Luiz Rosa (Valor, 09/06/17) reporta que já faz algum tempo que empresas de diversos setores usam o Big Data – o enorme volume de dados proporcionado pelas novas tecnologias – para melhorar seus negócios. Pode ser um sistema que analisa os hábitos do usuário para sugerir filmes ou livros ou um programa que identifica tudo que consumidor põe em seu carrinho de supermercado. Agora, porém, a Oracle decidiu empregar o Big Data em algo inusitado: fazer música.

A companhia americana de software recorreu a algumas das principais redes sociais — Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn — para perguntar ao público que instrumentos, ritmos e até palavras gostaria de ouvir na nova versão da música “El Perdedor”, do cantor colombiano Maluma. Em pouco menos de um mês, alcançou 54,3 milhões de pessoas na América Latina, com 8 milhões delas respondendo às perguntas.

Os brasileiros foram maioria, com 40,7% dos comentários, seguidos dos venezuelanos (38,5%) e colombianos (7,3%). Desde que a experiência teve início, o total de pessoas envolvidas na web ultrapassa 61 milhões, com mais de 9 milhões de mensagens enviadas. No Twitter, o tema chegou a entrar nos “trend topics” global, a lista dos dez assuntos mais discutidos do mundo. Continue reading “Big Data Musical”