Tudo Sobre Minha Música

Kathleen M. Vernon, no livro A Companion to Pedro Almodóvar (First Edition. Edited by Marvin D’Lugo and Kathleen M. Vernon. Blackwell Publishing Ltd. Published; 2013) quer olhar para uma série de seleções e estratégias musicais específicas, adotadas por Pedro Almodóvar, na tentativa de entender as forças concorrentes em jogo tanto na produção quanto na recepção de seus filmes, além de seu papel como produtor cultural.

Em um estudo anterior, a autora analisou o papel privilegiado concedido à música e à letra latino-americanas, especialmente o bolero, em seu cinema (2005). Neste capítulo, Vernon se propõe considerar a natureza e a função de seu repertório de música mais amplamente em relação a outro quadro de referência, ou seja, o fenômeno e corpus da “world music“, tomado como uma matriz e uma proxy para o funcionamento do atual mercado cultural global e globalizado nos quais filmes e gravações de Almodóvar são produzidos e consumidos.

Esse desejo de estabelecer um contexto crítico mais amplo vem em resposta à convergência de dois desenvolvimentos em sua prática criativa:

  • por um lado, a expansão da habitual geografia temática e textual de Almodóvar em filmes recentes como o Todo sobre mi madre / Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Volver (2006), e La piel que habito / The Skin I Live In (2011); e,
  • por outro, a busca pessoal e comercial colaborações produtivas com três pan-americanos – ou o que poderíamos denominar latinos globais – cantores / intérpretes como Chavela Vargas, Caetano Veloso e Concha Buika.

No que diz respeito aos filmes, vários críticos comentaram o que Marvin D’Lugo (2006: 100) define os “realinhamentos geoculturais” por Todo sobre mi madre, onde a ação principal se move da cidade natal do diretor e da habitual filmagem de Madrid a Barcelona e os destinos dos personagens traçam um longo arco narrativo capaz de abranger a Galiza, a Argentina e Paris. Uma expansão adicional da órbita geográfica e afetiva do filme é sinalizada pelo aparecimento de um dos maiores sucessos da discografia de Almodóvar, “Tajabone”, do músico senegalês Ismaël Lô.

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Vídeos Memoráveis: Pink Floyd

O YouTube em smartTV propicia reencontros inesperados. No caso acima, meu algoritmo sugeriu escutar novamente, mas desta vez vendo seus vídeos, dois dos álbuns preferidos na minha adolescência: Echoes e Dark Side of The Moon com o rock progressivo de Pink Floyd. Eu os escutava continuamente ao fim das tardes de estudo.

No passado, não havia vídeos para a gente assistir. O visual ficava por conta da imaginação de cada um. Hoje, os desenhos digitais com mistura de técnicas vão além da imaginação de outrora! Confira abaixo.

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Quero Haddad Presidente 13

Escutem essa música de um companheiro estudante de Medicina da Univasf em Petrolina.

MÚSICA: Quero Haddad Presidente 13
Letra e Música: José Everton Fagundes da Silva, Petrolina-PE.
Produção e gravação: P-10 Studio. Cleido José Ferreira

O que Os Racionais podem ensinar sobre Consumo e Finanças?

No último curso dado por mim em Economia no Cinema, no último ano da graduação do IE-UNICAMP, foi sobre o Brasil. Na última parte, inspirado pelas cinebiografias por décadas e gêneros musicais — Vinicius (50’s), Chico (60’s), Raul Seixas (70’s), Rock Brasília (80’s), Vou Rifar Meu Coração (90’s), Rap e Funk Ostentação (2000’s) –, apresentei um desafio aos grupos de alunos: cada qual pesquisar os temas econômicos contidos nas letras de músicas dos diversos gêneros. Foram geniais as descobertas! Levantaram até Música Caipira de Protesto!

A reportagem abaixo tem tudo a ver com o nosso programa de curso e trabalho de pesquisa sobre Economia na Música. Foi escrita por Giovanna Costantipublicado por CartaCapital em 08/07/2018

A dissonância entre o mercado financeiro e o cotidiano das finanças pessoais incomodava a economista Gabriela Mendes Chaves. No trabalho, o contato era com ativos financeiros que superavam o PIB nacional, mas quando se voltava para o dia-a-dia, via na população um déficit de conhecimento dos conceitos mais básicos de economia.

Com base nas estatísticas e na própria vivência pessoal, ela notou que os negros e negras eram subrepresentados no mundo das finanças. Há dois anos, ela e a contadora Gabriela Gomes se uniram e criaram uma empresa focada no empoderamento financeiro, a NoFront. Ela começou de vez suas atividades em maio deste ano e que terá lançamento oficial neste mês. O público alvo? A comunidade negra das periferias. Continuar a ler