Ri, Palhaço!

Divisão Democratas X Golpistas

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo em O Globo, 28/08/2016:

Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal.

Há dias li numa página interna de um grande jornal de São Paulo que o Temer está recorrendo às mesmas ginásticas fiscais que podem condenar a Dilma. O fato mereceria um destaque maior, nem que fosse só pela ironia, mas não mereceu nem uma chamada na primeira página do próprio jornal e não foi mais mencionado em lugar algum. Continue reading “Ri, Palhaço!”

Eu não voto Aécio não

Escute a música acima do Waldick Soriano, “Eu não sou cachorro não“, cantalorando outra letra:

Eu não voto Aécio não
 
Eu não voto Aécio não
Pra não ser mais humilhado.
Eu não voto Aécio não

Não quero mais ser desprezado.

Tu precisas compreender
Que ele mente, ele enrola.
Já votei, me arrependi

E por isso, é Dilma agora.

A pior coisa do mundo
É jogar seu voto fora.
Quem despreza trabalhador

Não merece meu respeito, nem tampouco ser votado.

Tu devias compreender
Que o PT é a solução.

Pelo amor de Deus, por nosso país

Não vote Aécio não.

 

Desemprego nos tempos do PSDB

Estado do Humor

Noite de Estreias

Diego Viana (Valor-Eu&Fim-de-Semana, 11/07/14) publicou reportagem sobre a próxima FLIP – Feira de Literatura de Paraty, cujo tema será o Humor. Há uma boa passagem sobre o debate a respeito do Estado do Humor no País, quando o PIO (Partido da Imprensa Oposicionista) venera tanto o “mau humor” de O Mercado.

“Esta FLIP coincide com um estado alterado de humor no país. Depois das manifestações de junho do ano passado, entre protestos e denúncias de violência, a polarização política parece ter se ampliado – principalmente na rede mundial de computadores -, favorecendo mais a tensão que a leveza.

“Que há um clima pesado não há duvida”, diz Luiz Fernando Verissimo. “É uma combinação de desencanto com o PT com um anti-petismo virulento, tudo agravado pela proximidade das eleições e o novo protagonismo da internet. Mas não acho que estamos perdendo o humor ou pelo menos a tradicional leveza brasileira de ser.”

O clima mudou, mas não para pior, pondera Antônio Prata. “Acho que perdendo o humor não estamos, mas não é um dos momentos em que se está mais livre, leve e solto por aí. E não sei se isso é necessariamente ruim”, afirma. “Num país que sempre camuflou os conflitos sob uma pátina de alegria, que sempre disse a si mesmo e ao mundo que era pacífico e não tinha racismo nem violência, às vezes é bom falar sério. E as vaias a Dilma [na abertura da Copa] são outro exemplo de que o humor continua vivo entre nós: a fatia da população que mais lucrou com ela no poder toda revoltadinha, mandando-a tomar…, não é hilário?Continue reading “Estado do Humor”

Envelhecimento

mineirim

Três velhinhos, “mineirim”, estavam conversando:

– Tenho 75 anos – disse o primeiro – mas estou em plena forma.

Só o meu estômago é que anda rateando um pouco.

Outro dia comi uma feijoada, acompanhada de umas e outras caipirinhas.

E depois me senti meio pesado, sonolento. . .

– Pois eu tenho 78 – disse o segundo – e também estou legal, mas acho que minhas pernas andam fraquejando.

Ontem eu joguei uma pelada na praia, depois nadei uns três quilômetros.

À noite, minhas pernas estavam um pouco doloridas.

mineirim na praia– Já eu, que tenho 80 anos – disse o terceiro – não sinto esses problemas.

Mas, minha memória está começando a falhar: ontem, de madrugada, eu bati na porta do quarto da patroa; ela acordou assustada e falou:

– “Que é isso, meu velho? Quer dar mais uma?!”

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