Ceticismo de O Mercado quanto a um Governo sem Futuro

O Mercado tratado como sobrenatural por ser visto como onipresente, onipotente e onisciente está demonstrando essa incoerência lógica: ou não sabe o que ocorrerá no futuro (deixando de ser onisciente) ou não poderá mudar de opinião (deixando de ser onipotente)!

Roberto Padovani (Valor, 17/05/21) é economista do Banco BV. Publicou artigo sobre cenário futuro a ser enfrentado pela política monetária brasileira. Para a estratégia do BCB funcionar, muita coisa tem de dar certo em um ambiente atipicamente incerto. Justamente por isso, os mercados futuros de juros têm atribuído uma baixa probabilidade de um processo de normalização parcial dos juros.

Com a rápida volta do crescimento e da inflação no mundo, os investidores têm mostrado ceticismo em relação às estratégias dos bancos centrais. Esta mesma desconfiança existe no Brasil.

Por um lado, há o receio que os incentivos fiscais e monetários sejam prolongados por mais tempo que o necessário, mas, por outro, os governos temem retirar precocemente os estímulos em função da ociosidade ainda elevada na economia. No caso brasileiro, os mercados financeiros trabalham com um cenário de altas contínuas da taxa de juros mesmo com o Banco Central (BC) indicando uma estratégia de normalização parcial da taxa de juros.

A comunicação do BC tem sido clara. Dada a velocidade da retomada e a presença de choques, o nível de estímulo desenhado no pior momento da recessão tornou-se excessivo. No entanto, as dúvidas em relação à ociosidade e ao ritmo da recuperação apoiam a manutenção de parte dos estímulos, justificando um realinhamento parcial da taxa de juros.

As projeções dos economistas refletem esta sinalização. A mediana das expectativas para a taxa básica indica valores de 5,50% para final deste ano, 6,25% em 2022 e 6,50% a partir de 2023.

Continuar a ler

Conservadorismo Reacionário contra Biden

A União Europeia (UE) avançou ontem na direção para abrir suas fronteiras para turistas de fora do bloco, ao definir normas para a para permitir a entrada de visitantes totalmente vacinados, sem a necessidade de quarentena. Brasileiros, no entanto, continuarão impedidos de entrar.

Os 27 países da UE acertaram o relaxamento dos critérios para que um país seja considerado seguro em relação à covid-19, o que permitirá aos cidadãos desses países viajar para a UE, a depender de seu status com respeito ao coronavírus e à vacinação. Pelos critérios atuais, a lista só inclui sete países. O Brasil, porém, deverá continuar na lista de países não seguros.

Este é o resultado provocado por um governo de extrema-direita apoiado por gente estúpida!

Enfrentar o conservadorismo reacionário é difícil em todo o mundo. Biden está pedindo aos americanos para absorverem um rompimento na doutrina econômica junto com uma mudança do contexto social, mas seu mandato é frágil para depositar tanta atividade

Janan Ganesh (Financial Times, 26/05/21) avalia isso: até mesmo o maior dos líderes democráticos do último século escolheu suas batalhas. Ao moldar uma nova política econômica, o New Deal, Franklin Roosevelt preservou grande parte do velho pacto na cultura. A causa dos direitos civis foi adiada para outra geração. Leis rígidas de imigração foram mantidas, mesmo com massas oriundas da Europa suplicando para entrar nos EUA.

Se havia no ar uma vileza pós-Era do Jazz, ela não se limitou a Washington. Hollywood começou a fazer valer seu código contra temas obscenos.

É difícil prestar conta da mistura de reforma material e retrocesso cultural naqueles anos. Mas uma teoria se apresenta. Uma sociedade só consegue absorver um número limitado de mudanças por vez.

Se as regras da vida econômica estão em evolução, as pessoas anseiam por estabilidade e mesmo uma regressão em outras áreas. Visto desse ângulo, o conflito dos anos 60 pode ser interpretado como os espasmos de uma nação tentando mudar demais em frentes demais em um período de tempo muito curto.

A questão é se o suposto herdeiro de Roosevelt aceita essa limitação. Uma alta recente da inflação vem alimentando a ideia de que está a caminho uma reação ao “Estado Grande” do presidente Joe Biden. Mas não é sua ousadia econômica por si só, que é excepcional. É sua coincidência com outra grande mudança.

Continuar a ler

Economistas do IBRE-FGV reconhecem a Necessidade do Fim do Neoliberalismo

Além do mais, seca e inflação de alimentos!

Até onde Étore Sanchez (Valor, 04/05/21) consegue ver com relativa precisão, as perspectivas para o Brasil não são positivas.

O renomado investidor americano Ray Dalio, no livro “Principles: Life and Work”, explica muito bem uma das bases utilizadas para chegar na exclamativa acima. O conceito usado por Dalio é bem simples: gasto via crédito é antecipação de receita, seja de empresas, pessoas ou Estado.

Tomar crédito no presente, principalmente quando o consumo de fatores não incrementará sua produtividade, é abrir mão de renda no futuro. A dívida contraída no passado terá de ser paga em algum momento.

O Brasil, em função da pandemia, promoveu duas antecipações de renda futura: uma via emissão de dívida para sustentar um pacote fiscal, ao qual os neoliberais criticam o excesso, e outra via expansão de crédito clássico, para empresas e pessoas.

Desse modo, o saldo total de crédito (pessoa física mais jurídica) em proporção do PIB saltou de 46% para quase 54%, revertendo uma tendência baixista e superando o pico da série histórica, observado em dezembro de 2015. Com isso, o endividamento das famílias galopou de 48,9% para 56,4% ao longo de 2020.

Os dados acima representam uma expressiva antecipação de renda para sobrevivência das famílias. Mas, em um futuro breve, deverão abrir mão de consumo presente para liquidar dívida contraída.

De maneira análoga, observou-se a dívida bruta em proporção do PIB saltar de algo ao redor de 75%, no início de 2020, para quase 90% em janeiro de 2021.

O objetivo de neoliberal parece cogitar a possibilidade de não suporte aos paupérrimos na pior crise sanitária da história! Deseja apenas construir um cenário pessimista condutor à perspectiva supracitada.

Continuar a ler

Bidenomics: Radical ou Moderada?

Edward Luce (Financial Times, 30/04/2021) afirma: não importa se você perguntar a americanos ou estrangeiros, esquerdistas ou direitistas, a Presidência de Joe Biden é vista pela maioria das pessoas como surpreendentemente radical. Em seus primeiros cem dias, Biden elevou os gastos do governo dos EUA em cerca de 15% do PIB, embarcou em ofensiva de sedução dos aliados, voltou a reivindicar a liderança americana contra o aquecimento global e deixou Donald Trump para trás no resort de Mar-a-Lago.

Alguns dos fãs mais extravagantes de Biden o comparam a Franklin Roosevelt, cuja arrancada inicial no governo 1. criou a base do Estado de bem-estar social dos EUA e 2. aniquilou o fantasma do fascismo americano. É difícil achar uma troca presidencial mais abrupta face à vista entre Trump e Biden.

Mas em certos aspectos há menos radicalismo em Biden do que se crê à primeira vista. O elemento mais surpreendente neste início de governo é o volume de gasto desejado ser aprovado no Congresso:

US$ 1,9 trilhão, da Lei de Socorro Americano, já aprovada em março, que ajudará a estimular um crescimento em torno de 7% na economia dos EUA neste ano;

US$ 2,3 trilhões, do Plano de Empregos Americanos, para atualizar a infraestrutura do país, incrementar a ajuda a idosos e vários outros investimentos, como o US$ 50 bilhões para a indústria americana de semicondutores; e

US$ 1,8 trilhão, do Plano Famílias Americanas, proposto nesta semana, que equipararia os benefícios sociais de trabalhadores, pais e crianças nos EUA aos de outros países ricos.

A ocasião anterior quando os gastos públicos saltaram dessa forma foi na Segunda Guerra Mundial. A farra fiscal dos EUA, porém, começou há 400 dias, com os US$ 2,3 trilhões do primeiro pacote de estímulo de Trump, seguidos por US$ 900 bilhões aprovados em dezembro para ajudar o país a atravessar a pandemia. Os objetivos de Biden são bem diferentes. Mas o rio de dólares começou a fluir meses antes de ele assumir o cargo.

Continuar a ler

Paraísos Fiscais X Brasil… e Demais Países

Assis Moreira (Valor, 12/04/2021) informa: o Brasil é o terceiro maior perdedor no mundo de receita em termos absolutos com transferência de lucros de companhias multinacionais para paraísos fiscais, ficando só atrás dos EUA e da Alemanha, segundo a Tax Justice Network, uma ONG especializada em questões tributárias.

Como só fica atrás dos americanos e alemães, o Brasil tem assim a posição de perder mais arrecadação do que qualquer outro país fora do grupo de nações ricas, afirma Alex Cobham, diretor-geral da entidade.

Essa situação deverá mudar com um acordo tributário global em negociação na Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), que os EUA agora querem impulsionar em busca de recursos para seu enorme programa de infraestrutura.

A estimativa da ONG é que o Brasil deixa de arrecadar US$ 14,9 bilhões por ano com “abuso fiscal global”: são US$ 14,6 bilhões com a otimização fiscal legal de múltis que usam as brechas nos sistemas tributários e enviam parte dos lucros para jurisdições com taxas baixas. E outros US$ 280 milhões resultados de evasão fiscal por pessoas físicas.

Continuar a ler

Tributação Progressiva e Imposto Mínimo Global: Proposta do Governo Biden

Os investidores em ações dos Estados Unidos estão tentando avaliar a força de uma “tempestade” formada no horizonte, enquanto o presidente Joe Biden pressiona por aumentos de impostos. Reverteriam parcialmente a bonança histórica concedida à América corporativa por seu antecessor.

As ações atingiram novos picos, enquanto administradores de fundos descartavam riscos. Eles vão de aumentos nos custos dos empréstimos a valorizações elevadas descoladas de bons fundamentos. Está no horizonte uma nova onda de coronavírus a atingir partes dos Estados Unidos e outras importantes economias globais.

Mas a proposta de Biden de aumentar os impostos corporativos de 21% para 28% e instituir um novo imposto mínimo global representa uma nova ameaça. Alguns analistas reacionários advertem: ela poderá descarrilar o aumento constante das ações americanas.

Continuar a ler

André Lara Resende: A quem interessa a alta dos juros?

André Lara Resende (Valor, 01/04/21), com acesso à mídia, para pronunciar ideias consideradas “heterodoxas” pelos neoliberais fiscalistas, publicou hoje artigo de interesse público. Compartilho-o abaixo.

Nas últimas semanas, tanto aqui como nos Estados Unidos, muitas vozes se levantaram para anunciar que a inflação, em breve, estará de volta. Os mercados tremeram, as bolsas caíram e aqui o dólar se valorizou.

EUA e Brasil são os dois países com maior número de mortes por covid no mundo. Somados, podem chegar ao trágico número de 1 milhão de mortos. Nos EUA, a vacinação está finalmente a pleno vapor, e a economia já dá efetivamente sinais de recuperação. No Brasil, a segunda onda da pandemia se agrava, bate recordes de pessoas contaminadas e de mortos. Apesar da resistência do governo federal, governadores e prefeitos foram, mais uma vez, obrigados a fechar o comércio e as atividades não essenciais. Tenta-se evitar que a superlotação dos hospitais deixe pessoas morrerem sem atendimento.

Depois de uma queda de mais de 4% do PIB no ano passado, quando se imaginava que a economia fosse começar a se recuperar, assistimos a um novo mergulho recessivo.

Faz sentido falar na volta da inflação num contexto de recessão com desemprego altíssimo?

Por que o mercado financeiro, tanto nos EUA quanto aqui, está tão nervoso?

Algo poderia ser feito para acalmar os mercados e garantir uma rápida recuperação da economia sem pressionar a inflação?

As respostas exigem que revisemos o entendimento de questões básicas sobre as quais ainda há grande discordância entre os economistas.

Continuar a ler

Zé Regrinhas

O homem é o único animal capaz de se aprisionar… Pensa necessitar de
uma regra para sobreviver!

Aos amigos, os favores; aos inimigos, a leiRegra para os outros
seguirem, livre-arbítrio para minha autonomia individual, assim pensam
todos os desejosos de autodeterminação.

Os Zé Regrinhas, no Brasil, criaram diversas regras fiscais: Regra de
Ouro, LRF, Regra do Teto, etc. São — e serão — um atraso para o país
recuperar-se de sua regressão econômica.

Na imaginação criativa nacional, os neoliberais assumem o governo de
um Estado, ao qual odeiam
, para amordaçá-lo, destruí-lo e deixá-lo mínimo. Desejam impor suas regras até para futura (e certeira) alternância de poder.

A regra fiscal é uma restrição duradoura sobre a política fiscal por meio de limites numéricos para agregados orçamentários. São imaginados para constituir uma correção de incentivos distorcidos e para a contenção de pressões excessivas sobre o gasto público. Elas são sempre imaginadas como garantia para haver “a responsabilidade fiscal dos adversários”!

Enfim, no longo debate, entre regras ou arbítrio [rules or discretion], um libertário não-neoliberal tende a confiar na inteligência humana da equipe especializada ao tomar decisões sob vigilância institucional. O problema é quando, como agora, é muito escassa a inteligência humana no poder…

A maioria dos eleitores paga por erro no voto. Dentro da democracia, não há como escapar de aguardar nova eleição, se ela não for violentada.

Pior é quando o Centrão faz uma maioria para mudar a Constituição sem ser uma Assembleia Constituinte. Depois, para mudar face à força dos novos fatos, novas PECs serão necessárias…

Todas as possibilidades futuras são medidas e enquadradas como regras “definitivas” para um tempo a ser superado?

Há inúmeros exemplos de estupidezes anacrônicas, entre as quais, o propagandeado Tripé Econômico com o superávit primário como peça central, somado ao regime cambial flexível e à meta inflacionária. Em estado de emergência social e Grande Depressão, ele é possível — e o necessário?!

No fundo, regras são reducionismos para mentes humanas terem capacidade de processamento. São incapazes de lidar com complexidades emergentes de múltiplas e imprevistas interações de diversos componentes, inclusive novos, como um “viruzinho”…

Viva a inteligência! Morte à burrice das regras!

Assinado,

Libertário

Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2021

Edna Simão, Lu Aiko Otta e Mariana Ribeiro (Valor, 28/01/2021) informam: diante da permanência de um cenário de incertezas relacionadas à pandemia, a dívida pública federal (DPF) deve variar neste ano entre R$ 5,6 trilhões e R$ 5,9 trilhões, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2021, divulgado pelo Tesouro Nacional. No ano passado, a dívida surpreendeu e ultrapassou a marca dos R$ 5 trilhões, ou seja, ficou acima da banda de R$ 4,6 trilhões e R$ 4,9 trilhões, revisada em setembro.

Os limites para a dívida neste ano não consideram, por exemplo, a possibilidade de renovação do auxílio emergencial, mesmo diante da forte pressão que o Ministério da Economia vem sofrendo até dentro do próprio governo. Segundo o Tesouro, a margem da banda para endividamento dá flexibilidade para reforço do colchão de liquidez, caso haja uma deterioração do cenário. Uma das diretrizes do PAF é a manutenção da reserva de liquidez acima do seu nível prudencial.

No momento, a situação é confortável pois o colchão de liquidez é suficiente para cobrir os vencimentos dos títulos no primeiro semestre. Do total de vencimentos no ano, de R$ 1,405 trilhão, R$ 705,1 bilhões acontece até abril. Há recursos “mais que suficientes” para fazer frente aos vencimentos do primeiro quadrimestre.

Continuar a ler

Imposto menor para ricos não melhora PIB nem emprego

Daniel Rittner (Valor, 28/01/2021) informa: reformas tributárias que diminuem impostos para os mais ricos acentuam a desigualdade social, mas sem consequências significativas sobre o crescimento econômico nem sobre a criação de empregos. O achado está em um trabalho de dois acadêmicos de Londres. Chega em momento de crescente debate sobre a sustentabilidade das contas públicas no mundo pós- pandemia.

O estudo, recém-lançado pelos professores David Hope (London School of Economics) e Julian Limberg (King’s College), analisou o impacto da redução de impostos para o segmento mais rico da população durante meio século: entre 1965 e 2015. Foram observados 18 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo os Estados Unidos e vários europeus.

Uma das principais conclusões é que, três anos depois dos cortes de impostos, a participação dos 1% mais ricos na renda nacional avançou 0,6 ponto percentual em média. Após cinco anos, essa participação ficou 0,8 ponto percentual maior. Enquanto isso, praticamente não há evidências de reflexos positivos sobre o PIB per capita e os indicadores de desemprego, que recebem uma influência muito marginal desse alívio tributário.

Continuar a ler

Afrouxamento Monetário à Brasileira e Crítica à MMT (Moderna Teoria da Moeda) por causa da Inflação de Ativos

A liberação de depósitos compulsórios somou R$ 251,7 bilhões no ano passado, informou o Banco Central (BC) a Estevão Taiar (Valor, 18/01/2021). O montante corresponde a 96,5% do impacto potencial de R$ 260,8 bilhões da liberação total anunciada pela autoridade monetária em 2020. Embora não seja possível medir exatamente quanto dessa quantia se transformou em crédito, a avaliação tanto do BC quanto de economistas é esses recursos terem ajudado a impulsionar os empréstimos ao longo da crise.

“Todo o potencial estimado dessas medidas [de liberação] foi efetivamente disponibilizado”, disse o BC em nota.

Os depósitos compulsórios são arrecadados por meio de alíquotas cobradas pelo BC sobre recursos das instituições financeiras. O objetivo é que eles sirvam como um colchão de liquidez para o sistema bancário em momentos de crise.

A grande liquidez injetada na economia durante a pandemia diminuiu, entretanto, o volume líquido do corte de compulsórios. Na prática, mesmo com a queda das alíquotas cobradas dos bancos, parte da liquidez acabou voltando para a autoridade monetária na forma justamente de compulsórios.

Continuar a ler

Banco Central do Brasil em Atuação Anticíclica

Estevão Taiar (Valor, 04/01/202) informa: o crédito para as empresas chegou ao fim de 2020 com crescimento em quase todos os setores da economia. Números apresentados pelo Banco Central (BC) em sua nota mensal mostram: até novembro, o estoque de empréstimos cresceu em 36 de 38 segmentos. No mesmo período de 2019, havia alta em 14 dos mesmos 38 segmentos.

No acumulado de janeiro a novembro de 2020, o saldo de crédito para pessoas jurídicas teve alta de 19,9%, para R$ 1,75 trilhão. Entre os 38 segmentos, os únicos em que houve queda foram serviços de informação e comunicação e serviços financeiros, com recuos de 5,7% e 10%, respectivamente. Alguns dos segmentos mais importantes apresentaram expansão próxima da média, como construção (14,8%) e administração pública (17,9%).

A forte injeção de liquidez promovida pelo BC no começo da crise (com potencial de atingir R$ 1,2 trilhão, quase 17% do Produto Interno Bruto) fez com que as empresas corressem para o mercado de crédito. No início, entretanto, a maior parte dos empréstimos acabou no caixa das grandes empresas. Em março, por exemplo, as maiores companhias haviam absorvido 88% dos R$ 93 bilhões de expansão do crédito para pessoas jurídicas no mês. Isso deixou as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) com apenas R$ 11 bilhões em recursos novos.

Continuar a ler