Entrevista na Sala de Visitas com Luis Nassif

A quem convém a política econômica de Temer?

Nesta edição do Sala de Visitas com Nassif: os interesses de casta por trás por trás da Selic, a capital do país que conseguiu reduzir a criminalidade pela metade, e o bandoneon de Martin Mirol.

BLOCO 1 : Fernando Nogueira da Costa 1:05
BLOCO 2 : Renan Filho 35:04
BLOCO 3 : Martín Mirol 53:19

Reportagem Completa: http://jornalggn.com.br/noticia/sala-…

Troca de Causa e Efeito: Dominância Financeira por Dominância Fiscal

nfsp-2014-2016Primeiro, a causa principal (7,8% do PIB) da elevação do déficit nominal (NFSP: 10,1% do PIB) foi a brutal elevação da taxa de juros com a volta da Velha Matriz Neoliberal (VMN) em 2015 — elevação do pagamento de juros de 5,5% do PIB em 2014 para 8,5% do PIB em 2015 — e não tanto “benefícios sociais” (déficit primário de 2,3% do PIB) como os farsantes sugerem, contrariando os dados oficiais do BCB (veja tabela acima). Em nome de manter o governo brasileiro solvível, isto é, podendo pagar os juros abusivos que deve aos rentistas, os golpistas impõem enorme sacrifício social.

pib-1962-2016pib-per-capita-desocupac%cc%a7a%cc%83o-e-ipca-com-vmnVeja que o turning point [ponto de inflexão] nas curvas dos principais indicadores macroeconômicos (renda, desemprego e inflação) ocorre, em 2015, com o processo de estelionato eleitoral (VMN), locaute empresarial e golpe parlamentarista.

divida-em-altaAgora, trocando efeito (elevação da dívida) por causa (alta dos juros), os “chapa-brancas” buscam vender a ideia de que o que governo golpista e usurpador está aprovando no Congresso Nacional, de maneira oportunista, é inelutável.

Dizem: “é inegável que o país enfrenta uma grave crise fiscal. O salto na dívida bruta (de quase 20 pontos percentuais desde dez/13) e a volta dos déficits primários em 2014 (que andavam desaparecidos desde 1997) são apenas dois exemplos de que a situação anda complicada. As perspectivas para os próximos anos, sobretudo levando em conta a transição demográfica, adicionam mais preocupação ao quadro, tornando-o uma verdadeira tragédia”.

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Finalmente, um colunista (Marcos Nobre, professor de Filosofia Política da Unicamp e pesquisador do Cebrap – Valor, 17/10/16) escreveu (+/-) o que eu penso a respeito da tal PEC 241:

“Salvo engano, a única a explicitar corajosamente o pressuposto político maior da PEC foi Zeina Latif. Ao comentar o prazo de 20 anos do Novo Regime Fiscal, disse a economista, em reportagem de Tainara Machado no Valor: ‘Essa questão temporal é importante para acalmar agentes econômicos.[?!] Se, em 2018, ganhar um governo populista, de esquerda ou de direita, teremos um regime fiscal institucionalmente mais sólido’.

[FNC: veja como os sábios-pregadores tendem a ver a democracia eleitoral como risco de um “governo populista, de esquerda ou de direita”! Ora, populista é todo aquele presidente que vai priorizar demandas populares e não raciocínios supostamente “científicos” de donos-da-verdade, ou seja, a razão prática e não a razão pura. Os “intelectuais-coxinhas” preferem o oportunismo golpista de um governo sem votos para implementar suas ideias que beneficiam as castas dominantes — comerciantes-industriais-financistas, guerreiros-policiais-juízes, sábios-tecnocratas — em prejuízo da castas dos trabalhadores e párias…] Continue reading “Troca de Causa e Efeito: Dominância Financeira por Dominância Fiscal”

Austeridade Fiscal e Salarial e PEC 241

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Meus colegas do IE-UNICAMP, Luiz Gonzaga Belluzzo e Pedro Paulo Bastos criticam, na Folha de S.Paulo (09/10/16), a austeridade fiscal e salarial e a PEC 241, que congela o gasto público no nível real de hoje por vinte anos!

Dada a história de volatilidade da Constituição brasileira, esta regra estapafúrdia  é “linguiça para amarrar cachorro”. Imagine se porventura os futuros governos desejarem fazer uma política fiscal e de crédito anticíclica, i.é, contra a grande depressão instalada na economia brasileira, e a regra constitucional impedir. Simplesmente, a futura base governista mudará a regra sob o apoio do eleitorado!

O artigo tem duas versões: uma no jornal impresso, caderno Ilustríssima, de página inteira, e outra bem maior no site, que compartilho por aqui: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/10/1820798-uma-critica-aos-pressupostos-do-ajuste-economico.shtml

Esta versão discute a austeridade fiscal e salarial no Brasil, mas também explica didaticamente as diferenças entre ortodoxia neoclássica e as heterodoxias, particularmente a Keynesiana, que levam a recomendações de política econômica tão diferentes.

Os economistas social-desenvolvimentistas continuam a polêmica com os economistas neoliberais, Samuel Pessôa e Marcos Lisboa, tendo sido citados em artigo crítico a eles escrito por Luiz Fernando de Paula e Elias Jabbour.

A luta contra a PEC 241 continua!

Para quem tiver interesse na polêmica, que se estende desde fevereiro de 2016, os links são os seguintes: Continue reading “Austeridade Fiscal e Salarial e PEC 241”

Aparente Paradoxo: PIB caiu, Carga Tributária subiu

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Os seguidores da Velha Matriz Neoliberal ainda não perceberam que sua política econômica depressiva leva à deterioração de diversos indicadores relativos ao PIB, ou seja, o denominador cai muito, mas o numerador ou se eleva (caso da dívida bruta inflada pela disparidade dos juros) ou cai menos (caso da arrecadação tributária).

Cristiane Bonfanti e Edna Simão (Valor, 20/09/16) informam que, dado o cenário de contração da economia, a carga tributária brasileira subiu 0,24 ponto percentual — de 32,42% do Produto Interno Bruto (PIB) para 32,66%, entre 2014 e 2015.

Esse resultado reflete a combinação de um decréscimo, em termos reais, de 3,8% do PIB e de recuo de 3,15% da arrecadação tributária do governos federal, estaduais e municipais, disse o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias. “A carga tributária se manteve num patamar semelhante ao de 2014, apesar da contração da atividade econômica.”

Nas contas de 2015, o governo considerou PIB de R$ 5,904 trilhões e uma arrecadação tributária bruta de R$ 1,928 trilhão. Na União, a carga tributária passou de 22,17% do PIB para 22,29% entre 2014 e 2015 e de 8,23% do PIB para 8,28% nos Estados. No caso dos municípios, subiu de 2,01% do PIB para 2,08%.

Segundo série histórica da Receita Federal, a carga total se mantém estável na faixa de 32% do PIB desde 2012. Na comparação com 2006, quando ele estava em 33,31% do PIB, houve queda.

[FNC: já já veremos golpistas arrependidos dizendo que, durante o Governo Dilma, eram felizes e não sabiam…]

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Espada de Damocles: Banco Central Acometido de “Doença Holandesa”

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Os novos-desenvolvimentistas acham que a maxidesvalorização da moeda nacional, a la Delfim Netto em 1979 e 1983 (cujos efeitos subsequentes derrubaram o regime militar e substituíram-no pelo regime de alta inflação), é uma panaceia. Eles argumentam com base na chamada Doença Holandesa.

Discordo. Não é o volume de exportação dos “recursos naturais abundantes e competitivos” que leva à apreciação do real.  A disparidade da taxa de juros brasileira face à internacional que, via conta de capital e não conta comercial, leva à tendência de apreciação da moeda nacional.

Então, essa “doença” acometeu o Banco Central do Brasil! Sem duplo mandato, ele se tornou, a partir do exclusivismo do Regime de Meta de Inflação, uma instituição extrativista: extrai renda do trabalho para garantir renda ao capital financeiro!

Rodrigo Zeidan é professor da New York University Shanghai e Fundação Dom Cabral. Publicou artigo (Valor, 09/09/16) sobre a chamada Trindade Impossível (ou Trilema) intitulado “Desvalorização cambial e os limites da política econômica“. Ele acha que “não há muito o que fazer”.

O chamado Tripé Macroeconômico — superávit primário, câmbio flexível e regime de meta inflacionário –, defendido eternamente para o País, i.é, independentemente da conjuntura, é uma Espada de Damocles  (leia a lenda mitológica no final deste post), imperando sobre as cabeças dos economistas brasileiros. Trata-se da insegurança daqueles com grande poder, devido à possibilidade deste poder lhes ser tomado de repente, ou, mais genericamente, a qualquer sentimento de danação iminente.

O Trilema sugere que não é possível conciliar:

  • plena abertura comercial e financeira;
  • regulação via política monetária;
  • taxa de câmbio estabilizada.

Os responsáveis pela política econômica não poderão alcançar, simultaneamente, esses três objetivos, então:

  • Ou se restringe a mobilidade de capital;
  • Ou se aceita a taxa de juros interna acompanhar a taxa de juros internacional;
  • Ou se adota o regime de câmbio flutuante.

Por isso, optou-se ao longo da história econômica do pós-guerra por um dos três Regimes Monetário-Cambiais:

  • Bretton Woods (ē + Ms¯c p + K¯)
  • Currency Board (ē + K° => Ms °)
  • Câmbio Flutuante (Ms¯ + K° => e °)

Reproduzo seu artigo abaixo.

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Gente, perdoai, os economistas não sabem o que dizem…

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Estudo Economia há 45 anos. E quanto mais estudo, mais tenho a dimensão de minha ignorância

E quanto mais leio meus colegas, mais percebo que eles não sabem o que dizem. Mas se arvoram de um saber que, absolutamente, não têm.

Arrogância é o ato ou o efeito de arrogar(-se), de atribuir a si direito, poder ou privilégio de responder a uma pergunta não porque sabe a resposta, mas apenas porque foi perguntado. É uma qualidade ou caráter de quem, na minha corporação profissional, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros.

Trata-se de um orgulho ostensivo, altivez, junto com uma atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras. Dá para perceber a insolência, o atrevimento e a ousadia dos economistas ortodoxos com os heterodoxos e/ou os leigos — aqueles que são estranhos a ou que revelam ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão, etc.

Lendo hoje o jornal econômico (Valor, 26/09/16), constato na segunda página, em reportagem de Sérgio Lamucci, que “em um cenário de grave recessão, o desemprego tem subido com força, mas os salários não mostram uma queda tão expressiva. Essa resistência da renda ajuda a explicar o lento recuo da inflação, mesmo com a forte contração da economia, segundo vários economistas“!

Ora, ora, penso que meus colegas midiáticos deveriam se apresentar não como serviçais-do-capital, mas sim como os bobos-da-corte. Bobo da corte ou bufão era o nome pelo qual era chamado o “funcionário” da Monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos, uma vez que sua função era fazê-lo rir, assim como os palhaços fazem.

O bobo-da-corte podia ser inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte. Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e expondo as ambições do rei.

Na primeira notícia, a inflação brasileira é diagnosticada como inflação de custos, no caso, dos custos salariais. Economistas se lamentam por a depressão, provocada pela disparidade do juro real, e a inflação, dobrada pelo choque tarifário neoliberal de 2015, não terem sido ainda suficientes para provocar um “arrocho salarial” como antigamente…

Na segunda notícia, a inflação brasileira é diagnosticada como inflação de oligopólios e/ou cartéis. Qualquer consumidor brasileiro sabe que os preços de combustíveis são dominados por cartel dos postos de gasolinas.

Por exemplo, moro no Distrito de Barão Geraldo, onde se situa o campus da Unicamp. Fica a 20 minutos (18 km) da maior Refinaria da Petrobras (REPLAN) na vizinha Paulínia. Aqui todos os postos de gasolina têm o mesmo preço da comum (R$ 3,499) e bem acima dos postos situados em Campinas — e mesmo em São Paulo — que ficam a uma distância maior: custos de transportes diferenciados?! Ou falta de fiscalização pela omissão do PROCON da Prefeitura de Campinas?

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