Desmonte da Propaganda Fascista

Maria Cristina Fernandes (Valor, 30/09/22) avalia: nenhuma proposta construtiva apareceu na campanha marcada pelos valores que o bolsonarismo acredita professar e pela desconstrução daqueles de seus adversários.

O atraso do país não é sinal, mas sintoma. Revela o ruído da comunicação de um grupo político que não chegou ao poder para governar, mas para desfazer. Em um dos programas de sua reta final de campanha, Bolsonaro surgiu orgulhoso para apresentar como feito a retirada de 4 mil radares das estradas brasileiras!

Na tentativa de pautar a agenda pública com propostas ou feitos do seu governo, reforçou a agenda alheia. Foi isso que aconteceu com o Auxílio Brasil, por exemplo. Mesmo que as peças publicitárias deixassem claro que o programa tinha chegado para substituir o Bolsa Família, a ênfase só reforçou a agenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu à frente, em todas as pesquisas, no público que recebe o benefício.

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Bolsonaro e seus Seguidores: o Horror em 3.560 frases

Bolsonaro e seus Seguidores – o Horror em 3.560 frases

O livro para download acima é um registro histórico dessa lamentável fase da política contemporânea brasileira. Para o autor, Walter Barretto Jr., a produção do livro representou um misto de cansaço mental com a expectativa positiva de colaborar com a disseminação de conhecimento para uma reflexão pública sobre o projeto político da extrema direita brasileira. Ela surge em linha com movimentos extremistas e intolerantes verificados em diversos países do mundo.

Embora seja um livro de frases, propõe uma leitura para além delas. É preciso compreender a mensagem implícita. Lidas e interpretadas, cada uma delas, será possível perceber desconfortavelmente aonde já chegamos com o avanço neofascista. Como a maioria do eleitorado brasileiro permitiu isto em 2018?!

É hora da correção desse erro histórico! Vote contra a reeleição deste sujeito desqualificado para o cargo maior da República!

Beleza da Democracia

Na tensa véspera do primeiro turno da eleição de 2022, é necessário recorrer ao apoio emocional dos companheiros, para combater a insônia e a depressão. São provocadas pelas notícias de ataques à mão armada por parte de intolerantes com as diferenças ou divergências políticas. Nesse sentido, o humor é fundamental.

Contra a contínua, quase diária, divulgação de pesquisas com base científica, um sujeito ignorante anuncia não aceitar sua derrota esperada na apuração dos votos por conta de sua amostra… visual! Argumenta: em todos os comícios dele, vê muitos apoiadores…

O defensor do “Datapovo” questiona: “o Datafolha entrevistou 6.754 eleitores em todo o Brasil, distribuídas em 343 municípios, mas o Brasil tem mais de 5.600!” Em resposta, foi lhe sugerido: “quando você for fazer seu próximo exame de sangue, pede para tirar todo seu sangue…”

Análise de pesquisa eleitoral exige certa sutileza quanto às sobreposições dos dados. Por exemplo, na ânsia pela reeleição (e imunidade investigativa), ele lidera a rejeição entre os candidatos à Presidência da República: 52% não votariam de jeito nenhum no atual presidente, indica o Datafolha de 22/09/22.

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Redes Políticas por Proximidade e Raízes do Neofascismo em Santa Catarina

Nossos laços com outras pessoas influenciam, entre outros fatores, a evolução da situação econômico-financeira e política. As cadeias de interconexões se ramificam como raios, configurando padrões intricados por toda a sociedade humana.

Em uma rede social, o número de laços com outros seres humanos e a complexidade da ramificação aumentam em escala crescente. Quando pessoas estão conectadas em vastas redes, a influência social vai muito além das pessoas conhecidas.

Se influenciarmos nossas interconexões, e elas influenciarem seus outros laços, nossas ações coletivas podem, potencialmente, influenciar pessoas desconhecidas por nós. Os seres humanos se reúnem em ações coletivas para via Política realizar o não possível de se fazer sozinho.

Em campanha eleitoral, interessa-nos descobrir a origem das convicções políticas das pessoas e examinar como a tentativa de certa pessoa de resolver um problema social ou político influencia outros militantes e conquista votos dos eleitores. As redes prospectadas por cientistas sociais são muito mais complicadas, se comparadas às redes elétricas ou às redes de neurônios, por exemplo, porque os nós nessas teias sociais são seres humanos pensantes e reativos – e não células ou átomos passivos.

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Efeito Autocrata: Queda do Brasil no Ranking de Liberdade

Gideon Rachman (Financial Times, 22/04/22) avalia: Putin cultivou com sucesso o apoio do conservadorismo no mundo ao denunciar o ‘politicamente correto’. Estilo político ‘antiglobalista’ fincou raízes profundas em todas as regiões do mundo em 20 anos. Pior, a ascensão de Trump nos EUA legitimou política de ‘homens de direita’ até mesmo em democracias maduras do Ocidente.

Poucas semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia, o premiê da Hungria, Viktor Orbán, visitou o presidente Vladimir Putin em Moscou. Enquanto outros encontros de Putin com líderes ocidentais foram tensos e antagônicos, o clima entre eles foi quase festivo.

O governo de Orbán estava no meio de um confronto com o resto da União Europeia (UE) por estar minando a democracia e o estado de direito. “Os tempos são difíceis, mas estamos em muito boa companhia”, disse Orbán na entrevista coletiva após o encontro, arrancando um sorriso de Putin. O húngaro, que é o líder mais antigo no cargo na UE, gabou-se de seus muitos encontros com Putin. “Não pretendo sair”, disse. “Tenho boas esperanças de que poderemos trabalhar juntos por muitos anos.”

A expectativa de Orbán de que continuará comandando a Hungria por muito tempo foi confirmada no início de abril. O partido Fidesz, que ele lidera, venceu as eleições – beneficiando-se de um sistema eleitoral e da mídia que são tão profundamente a favor de Orbán que a Hungria passou a ser considerada um país apenas “parcialmente livre” pela Freedom House, centro de estudos dos EUA.

A eleição na Hungria e seu domínio por Orbán são um lembrete de que o estilo político do homem forte – tão associado a Putin – tem adeptos no mundo todo, inclusive dentro de democracias estabelecidas do Ocidente.

Desde 2000, a ascensão do líder forte tornou-se uma característica da política global. Em capitais tão diversas quanto Moscou, Pequim, Nova Déli, Ankara, Budapeste, Manila, Washington, Riad e Brasília, autointitulados “homens fortes” (e, até agora, todos eles são homens conservadores e autoritários) chegaram ao poder.

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Análise do Discurso de Ódio

João Cezar de Castro Rocha, professor da UERJ, é um intelectual militante por uma causa pública: o desvendamento da emergência do neofascismo no Brasil. Publicou, em 2021, o livro Guerra Cultural e Retórica do Ódio: Crônicas de Um Brasil Pós-Político.

Neste breve artigo-resenha de seu livro, tentarei descrever suas ideias-chave em palavras simples para os leitores-eleitores ainda indecisos tomarem suas decisões de maneira esclarecida. Como todo defensor da democracia, respeitador da alternância de poder via eleitoral, prescrita pela Constituição brasileira, ele reconhece: “a agenda da campanha bolsonarista, conservadora e até mesmo reacionária nos costumes, neoliberal na condução da economia e de orientação política de direita — ou até mesmo de extrema-direita — foi aprovada pelos eleitores do presidente”.

O eleito por acaso usou todo seu mandato presidencial para alcançar a meta da reeleição e manter a imunidade sua e de sua família, acusada de maneira documentada por uso de dinheiro frio de origem obscura para enriquecimento imobiliário. Expôs sua ausência de programa de união nacional sem ter nenhum tipo de (auto)censura e ditou sua retórica belicosa sequer com cuidados diplomáticos. É desqualificado para o cargo!

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Psicologia Coletiva do Fascismo Tupiniquim

Ao optar por viver apartado da vida em comunidade com formação acadêmica, em vez de estudar mais, o idiota se julga superior a esse coletivo desprezado por ele. Transmite essa intolerância ou negacionismo científico para seus descendentes e a compartilha com os amigos de sua “câmara de eco”.

Idiotas sem consciência de fazer mal a si mesmo e, pior, aos outros, não conseguem aceitar pontos de vista, ideias ou culturas divergentes de sua doutrina, imposta pela família, tradição religiosa e pela ideia deturpada de pátria como submissa às Forças Armadas. Estas receberam a missão constitucional exclusiva de defesa do território nacional, mas isso não é compreendido por gente inculta sem esforço educacional.

Os reacionários reagem contra, pois têm muita dificuldade de compreensão da diversidade pela qual é formado o mundo. Quem pensa diferentemente seria um doutrinado, seja pela “esquerda ateia e personificação do diabo”, seja pela Ciência, pesquisada em Universidades públicas, todas dominadas por essa “gente cumunista”.

Anacrônicos, imaginam pensar por si só ao compartilhar os memes de maneira robótica. O idiota acha estar bem defendido de questionamentos se ficar fechado na sua “bolha”.

Resolvi testar essas hipóteses, de maneira impressionista, ao assistir depoimentos apresentados na reportagem da BBC News Brasil, intitulada “Eleitores de Bolsonaro falam sobre governo e corrupção” (https://www.youtube.com/watch?v=suTmB_Zx3zs).

Típicos velhos reacionários, moradores de Copacabana, todos vestidos de verde-e-amarelo, disseram o seguinte. “Eu me considero bolsonarista porque não vejo outro político. O Brasil não tem outro”. “Eu não sou bolsonarista, mas sim um patriota”. “Eu não sou bolsonarista, sou sim contra a corrupção!” “Eu sou bolsonarista, sou pela família, por tudo normal, isto é, é a gente ter moral, ter princípios”.

Uma jovem com aparência de classe média alienada afirmou ter votado no dito cujo, “apesar de seu jeito agressivo contra as mulheres, para o Partido dos Trabalhadores não voltar ao Poder”. Outra idosa reconheceu: “ele é temperamental, ele fala tudo aquilo vindo à sua mente, e a gente estranha gente autêntica. Assusta um pouco, mas ele é maravilhoso!”

Disse uma agressiva: “Ele é franco, como eu…” Disse um macho: “Sempre foi assim mal-educado, não vejo por qual razão ele mudar no cargo de presidente”.

Uma adepta fervorosa clama: “Ele fez o possível dele fazer. Houve a pandemia… Mas ele acertou mais em relação a errar”. Um jovem não vê alternativa: “Ele hoje é o cavalo encilhado para a gente montar”. Outro condescendente justifica sua escolha: “Ele reduziu o preço da gasolina e concedeu o auxílio para melhorar muito a vida no dia a dia”.

Outra senhora reconhece: “eu não entendo nem acompanho política, mas sou contra qualquer tipo de corrupção, se for provado a da sua família, tem de punir”. Um senhor mais popular acha “a família dele está envolvido em ‘rachadinhas’, assim como todos os políticos. O mal dele é passar a mão na cabeça dos filhos. Quanto a ele, não vejo nada!”

Uma jovem fantasiada também de bandeira brasileira é perguntada sobre corrupção nos ministérios e na família do presidente desqualificado – e não consegue responder: “Hum… [ri]” Você vai votar nele?! “Lógico, aquele cara… como chama mesmo?” Alexandre Moraes. “Ah, é um homem super-corrupto! Tudo feito pelo presidente ele derrubou, soltou culpados, prendeu inocentes…”

Outra idosa afirma: “Quando a gente sai em passeata, pedindo liberdade, não diz respeito ao presidente, mas sim à ditadura da Suprema Corte.” Sem resposta para o argumento contraditório da repórter, ela só pergunta: “Você é comunista?!”

Esta é uma amostra do comportamento político desse nicho da classe média. É base de apoio para emergência do fascismo tupiniquim sobre a ordem armada na base de ameaças de violência e assassinatos. Para o compreender, vale reler Wilhelm Reich, “Psicologia de Massas do Fascismo” (São Paulo: Martins Fontes, original de 1933).

Acusar o comportamento conservador das massas de “irracional”, de constituir uma “psicose de massas” ou uma “histeria coletiva” em nada contribui para jogar luz sobre a raiz do problema e compreender a razão pela qual essa fração de classe social respalda o discurso fascista. Afinal, o neofascista ataca os interesses coletivos e reserva, para seu clã, uma riqueza imobiliária, adquirida com dinheiro vivo/sujo.

Reich localiza a expressão da psicologia de massas do fascismo em uma certa forma de família, tendo no centro a repressão à sexualidade, e no caráter da “classe média baixa”. Para ele, a repressão à satisfação das necessidades materiais difere da repressão aos impulsos sexuais. A primeira leva à revolta, enquanto a segunda impede a rebelião. Isto porque a retira do domínio consciente, “fixando-a como a defesa da moralidade”.

O próprio recalque do impulso é inconsciente, não visto pela pessoa como uma característica de seu caráter. O resultado, segundo Reich, “é o conservadorismo, o medo a liberdade, em resumo, a mentalidade reacionária”.

Essa amostra de classe média (carioca/paulistana/brasiliense) não é composta dos únicos a viver esse processo conservador, mas ela vive de maneira singular. Imagina-se estar acima dos outros (adversários a serem extirpados) e representarem a nação.

Praticam a defesa das barreiras sociais, impostas como garantia da sobrevivência da autoestima. Temem a quebra da ordem na qual se equilibram, precariamente, e, por isso, pedem controle e repressão dos pobres e negros desejosos de emergência social.

Alinhados à defesa militar da “nação” (pátria armada), adotam o “moralismo” quanto aos costumes, ligado a preconceitos, à misoginia, à homofobia, ao racismo etc. Arrematam esse discurso com a defesa da “família” e o clamor pela “ordem”. O comportamento fascista não pode ser reduzido à manipulação e à cilada, mas encontra-se sim na consciência imediata e nas relações afetivas quanto ao reconhecimento ou acolhimento por gente inculta também vestida de verde-e-amarelo.

O ato de acolher expressa uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão social, ocorrida também em templos evangélicos, mesmo sob a cobrança de dízimos para obter essa sensação de reconhecimento individual. Essa atitude implica na busca de estar em relação presencial com muita gente parecida consigo, seja em aparência, seja em posse de poucas ideias inteligentes.

Daí a leviana substituição do Datafolha, pesquisa feita com método científico de amostragem, pelo Datapovo, visualização impressionista de manifestações de rua. Tanto à direita, quanto à esquerda, muitos imaginam essas serem decisivas para o resultado eleitoral, como a minoria ruidosa em espaços delimitados em algumas poucas metrópoles expressasse uma vontade reprimida de a maioria silenciosa gritar em praça pública. Aquela não representa esta, pelo contrário, a maioria quer paz e não violência!

Uma amostra visual é uma pequena porção de alguma coisa dada para ver, mas não é suficiente para provar ou analisar determinada qualidade do todo. A visão holista necessita de uma amostra representativa para o comportamento coletivo de todo o eleitorado ser avaliado ou julgado a priori.

Em metodologia da pesquisa quantitativa, uma amostra é um conjunto de dados coletados e/ou selecionados de uma população estatística por um procedimento definido. Como a população é muito grande, fazer um censo ou uma enumeração completa de todos os valores existentes é impossível rapidamente com poucos recursos.

A amostra geralmente representa um subconjunto de tamanho manejável. Há método científico para se fazer inferências ou extrapolações da amostra à população. No entanto, a massa ignara não o (re)conhece.

A melhor forma de evitar viés ou não representatividade, presente em manifestações de rua, é selecionar uma amostra aleatória, também conhecida como amostra probabilística. Nela, cada membro individual da população tem uma chance conhecida e diferente de zero de ser selecionado como parte dela.

A amostragem estratificada, como é a sociedade, consiste em dividir ou estratificar a população em um certo número de subpopulações. Elas deveriam não se sobreporem, de modo a extrair uma amostra de cada estrato. Mas este tipo de amostragem nem sempre é usado, quando métodos diferentes de coleta de dados são aplicados em diferentes partes da população.

Na amostra da Datafolha, a faixa até 2 SM é 51%, enquanto a preferência pelo PT é 27%. Isso representa 42,2 milhões de votos. Minha “tese”, hipótese defendida com dados, é a esperada vitória de Lula, apesar da melhora do rival, se dar basicamente por causa dos pobres simpatizantes do PT. Nem todas as pesquisas eleitorais fazem amostra por partido de preferência. Um fator eleitoral decisivo é o PT ser o único partido com massa popular simpatizante. Esta é a verdadeira razão do “antipetismo”. Ressentimento.

Publicado originalmente em: https://aterraeredonda.com.br/psicologia-do-fascismo-tupiniquim/

7 de setembro: O #EleNão bolsonarista é Representativo apenas de sua Bolha ou Câmara de Eco

César Felício (Valor, 09/09/22) defende a hipótese de mobilização e radicalização andarem de mãos dadas. Para crescer da esquerda para o centro, a campanha do Lula não deseja conflitos de rua.

“O 7 de setembro, de um certo modo, foi o equivalente ao #EleNão do bolsonarismo. O golpismo teve ampla guarida no público vestido de verde e amarelo anteontem na praia de Copacabana, como mostrou o levantamento de um núcleo da USP, publicado no site do jornal “O Globo”, mas esta não foi a tônica das ruas.

Muito mais forte na retórica do presidente neofascista foi a diatribe contra o nove-dedos, o carniça, o cachaceiro, o ladrão, o comunista, o ameaçador das tradições, o pervertedor das famílias.

A aposta nas ruas implica naturalmente em radicalismo, não há outra maneira de se conseguir uma mobilização. Prega-se aos convertidos. Bolsonaro ontem reuniu uma plateia de aficcionados – 91% dos presentes votaram nele em 2018, de acordo com a pesquisa divulgada pelo “O Globo”. O saldo mais concreto em termos eleitorais é uma energização da base que leva o seu eleitor a se empenhar mais na persuasão ou intimidação de quem pensa diferente.

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Conflito de Interesses no Agronegócio

A publicação do Mapa da Pesquisa Eleitoral do IPEC por Estados e Regiões provocou comentários críticos ao atraso dos Estados do Sudoeste brasileiro.

Fora os ex-territórios em fronteiras do Norte com diminutos eleitorados (RR 0,2%, AC 0,4%, RO 0,8% dos eleitores), Lula não lidera apenas no DF (1,4%), no MT (1,6%) e em SC (3,5%). Está em empate técnico com vantagem numérica para o desqualificado ocupante atual do cargo de Presidente da República no MS (1,3%), GO (3,1%) e PR (5,4%).

Lula lidera em 14 estados, inclusive nos dois maiores (SP 22,2% e MG 10,4%), e tem também empate técnico com vantagem numérica no ES (1,9%), RS (5,5%) e Rio de Janeiro (8,2%). Lembremos: ao contrário dos Estados Unidos, aqui não há a regra “the winer takes it all”, ou seja, uma vitória implicar em ganhar todos os votos/delegados do Estado.

Esses comentários críticos ao atraso provocaram reações sob a alegação dos estados do Oeste estarem apresentando maior crescimento demográfico, econômico e, principalmente, das exportações. Em 2000, MS, MT, RO, AC e RR respondiam por 4,0% da população do Brasil e por 2,5% das exportações. Em 2021, aumentaram para 4,6% da população e 10,9% das exportações do Brasil.

Os indignados defenderam, em vez de classificá-los como “atrasados”, ser preciso buscar entender a dinâmica desses Estados e apresentar uma agenda política melhor frente à atual para essa região.

Também reagi contra o economicismo deles ao afirmar: a economia não determina diretamente a política. Votar contra uma candidatura social e nacionalmente progressista em nome de suposta defesa dos interesses dominantes nessas regiões do agronegócio a meu ver é sim sintoma bairrista de atraso político e cultural.

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Minas Gerais: Síntese Política do Brasil

Cibelle Bouças (Valor, 05/09/22) informa: Minas Gerais é um Estado considerado síntese do país, pois congrega áreas com características semelhantes a outras regiões. É comum empresas testarem novos produtos no Estado. No meio político, Minas é vista como o melhor retrato político do Brasil.

O Estado tem a mesma composição da população brasileira, com 45% autodeclarados brancos, 44% pardos, 9% pretos e 1% indígena. “A heterogeneidade econômica e social faz com que Minas se torne uma amostra do Brasil”, diz Helga de Almeida, professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco e da pós- graduação em ciência política da Universidade Federal do Piauí.

Por ser uma versão do Brasil em menor escala, o Estado costuma refletir o desempenho eleitoral nacional. Dos nove presidentes eleitos por votação direta, apenas um não recebeu maioria de votos em Minas Gerais. Aconteceu em 1950, quando Getúlio Vargas (PTB) tentava se eleger presidente da República após comandar o Brasil de 1930 a 1945.

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200 Anos Depois: Desafio de Buscar Independência Econômica com Integração às Cadeias Globais de Valor

Amália Safatle (Valor, 02/09/22) escreveu reportagem sobre os 200 anos de Independência Política do Brasil, apesar da dependência tecnológica por causa do baixo investimento em Educação, Ciência e Tecnologia.

Em seu bicentenário de formação como nação soberana, qual independência falta ao Brasil obter? A agenda é extensa, mas há poucos elementos determinantes dos demais. Tais elementos criaram traços da identidade nacional e por isso exigem imenso esforço para serem alterados, na avaliação de historiadores e estudiosos do tema.

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Lula lidera disputa à Presidência em 14 Estados com maior número de eleitores

Ricardo Mendonça (Valor, 05.09.22) informa: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é líder isolado em intenções de voto para presidente da República em 14 Estados. Além disso, aparece em situação de empate técnico, mas numericamente à frente, em outros três.

Candidato à reeleição, o passageiro presidente, desqualificado para o cargo, ostenta dianteira isolada em cinco Estados e no Distrito Federal. Lidera numericamente em mais três Estados onde, conforme as margens de erro, os quadros são de empate técnico. Lamentável esse atraso político e cultural do faroeste nacional…

Em apenas um Estado, no pequeno Amapá, há rigoroso empate numérico entre Lula e Bolsonaro. No colégio eleitoral que reúne 0,4% do eleitorado nacional, cada um tem 39% das intenções totais de voto em simulação de primeiro turno.

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