Registro da Candidatura de Luladdad

“Registrei hoje a minha candidatura a Presidência da República, após meu nome ter sido aprovado na convenção do PT e com a certeza de que posso fazer muito para tirar o Brasil de uma das piores crises da história.

A partir dessa aprovação do meu nome pelas companheiras e companheiros do PT, do PCdoB e do Pros, passei a ter o direito de disputar as eleições.

Há um ano, um mês e três dias, Sérgio Moro usou do seu cargo de juiz para cometer um ato político: ele me condenou pela prática de “atos indeterminados” para tentar me tirar da eleição. Usou de uma “fake News” produzida pelo jornal O Globo sobre um apartamento no Guarujá.

Desde então o povo brasileiro aguarda, em vão, que Moro e os demais juízes que confirmaram a minha condenação em segunda instância apresentem alguma prova material de sou o proprietário daquele imóvel. Que digam qual foi o ato que eu cometi para justificar uma condenação. Mas o que vemos, dia após dia, é a revelação de fatos que apenas reforçam uma atuação ilegítima de agentes do Sistema de Justiça para me condenar e me manterem na prisão…”

Leia no link a integra da carta de Lula: https://lula.com.br/quero-que-o-povo-possa-decidir-se-me-dara-a-oportunidade-de-consertar-o-pais-diz-lula-em-carta-apos-registro/

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Independência Intelectual ou Partido: Escolha de Sofia

A escolha de Sofia” é uma expressão referente à imposição de se tomar uma decisão difícil sob pressão e enorme sacrifício pessoal, como a vista no filme homônimo de 1982. Valeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz. A trama dirigida por Alan J. Pakula, a partir do romance de William Styron, conta a história de Sofia, uma polonesa que, sob acusação de contrabando, é presa com seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, no campo de concentração de Auschwitz durante a II Guerra. Um sádico oficial nazista dá a ela a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando-a à terrível decisão. O trauma é relembrado por Sofia em 1947, quando ela, morando em Nova York e casada com um judeu americano, vive um triângulo amoroso com um aspirante a escritor.

Fui organizador do Núcleo de Economistas do PT no Rio de Janeiro em 1979, antes mesmo da fundação oficial do Partido dos Trabalhadores em janeiro de 1980. Na época o “basismo“, i.é, organizar movimentos sociais pela base, seja em ONG, seja em categorias profissionais, norteava nossa militância política espontânea na luta contra a ditadura militar. Era quando a sociedade civil brasileira disse um basta à casta dos guerreiros-militares! 

Participei de todos os Encontros e Congressos do PT no Rio até 1984. No ano seguinte, iniciei o doutorado no IE-UNICAMP e mudei-me para Campinas-SP. Em exigência de nova filiação, eu não me filiei mais a nenhum partido. Optei por ser um livre pensador — e explicador.

A Sofia [sabedoria: filosofia = amor pela sabedoria] me aconselhou a manter minha independência intelectual em vez de ingressar em alguma tendência política dentro de um aparelho partidário. Eu já tinha visto os militantes independentes não terem nenhuma força em lutas internas. Como intelectual eu pensava ser mais influente em tomada de posição e formação de opinião pública. E ter a liberdade de pensamento, inclusive como eleitor.

Daí, depois de ter assumido esse posicionamento há muitos anos, gostei de ler a coluna de Fernando Limongi (Valor, 13/08/18) com interessante reflexão a respeito dessa relação, intitulada “Independentes Sem Juízo“. Ele é professor do DCP/USP e pesquisador do Cebrap. Continue reading “Independência Intelectual ou Partido: Escolha de Sofia”

Candidato da Extrema Direita + Assessor Econômico Ultraliberal = Explosão do País

Ricardo Mendonça, Sérgio Lamucci, Maria Cristina Fernandes e César Felício (Valor, 02/07/18) entrevistaram à parte o economista ultraliberal, Paulo Guedes, porque ele se recusou a submeter suas ideias imbecis ao debate público com outros representantes dos principais candidatos presidenciais. Formado na Universidade de Chicago, ele “se acha” um gênio incompreendido pelos colegas tapuias. Estes o menosprezam por ele sofrer do “vício ricardiano”: pregar suas ideias teóricas (equivocadas) serem aplicáveis diretamente a qualquer realidade.

Cortar despesas é o ponto central do programa de Paulo Guedes, economista que auxilia Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela Presidência. “Meu diagnóstico é o seguinte: gasto público, gasto público, gasto público; reforma fiscal, reforma fiscal, reforma fiscal.” Em outras palavras, o desmanche do Estado brasileiro. Detalhe: este paga a boa-vida da casta dos militares aposentados, o “partido” de seu candidato.

Sua defesa do teto constitucional de gastos estabelecido no governo Temer é radical. “Gosto e tem que aprofundar”, afirma. Ele demonstra incômodo também com o gasto com juros. ” Eu estou botando teto em todas as minhas despesas. Financeiro também. Não quero gastar mais que R$ 300 bilhões”, afirma.

Observe o uso da primeira pessoa do singular em seu discurso. Imagina seu candidato extremista poder, pessoalmente, fazer tudo. Ignora o Poder Legislativo e o Poder Judiciário! A eleição do representante da casta dos guerreiros-militares fechará o Congresso Nacional, caso venha ser contrariado?!

Na Previdência, defende um modelo de capitalização [em O Mercado], que conviveria com o da repartição, já ajustado por regras de aposentadoria mais duras. [Também para os militares?] Não detalha como financiaria a transição de sistema. [Aí está o problema dessa transição: foi realizada apenas no Chile sob a ditadura militar de Pinochet.] Diz apenas que o segurado com menos de 20 anos poderia optar entre os dois modelos.

Apresentado em eventos partidários como ministro da Fazenda de Bolsonaro, Guedes reconhece que tem divergências com o chefe. Eles discordam sobre:

  1. o alcance das privatizações,
  2. a imposição de restrições a investimentos estrangeiros, sobretudo da China, e
  3. a pactuação de alianças com o chamado “Centro” depois da eleição.

[O economista ultraliberal, ingênuo e oportunista, defensor do capitalismo selvagem será descartado de imediato na primeira discussão com o homem primata.]

A seguir, os principais trechos da entrevista de duas horas e meia ao Valor. Eu os editei, para dar um mínimo de consistência, porque suas respostas são curtas e pífias. Continue reading “Candidato da Extrema Direita + Assessor Econômico Ultraliberal = Explosão do País”

Plano de Governo do PT

Ricardo Mendonça e César Felício (Valor, 23/07/18) entrevistaram o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele está com o plano de governo do PT pronto para representar ao partido: um programa para a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad nega essa situação peculiar ter levado o PT a uma proposta radical. Quem radicalizou foi o presidente Michel Temer com iniciativas que agravaram a situação social.

O programa irá propor o que Haddad chama de “choques liberais“:

  1. Um é a regulação aos meios de comunicação.
  2. Outro é a criação de um sistema de prêmios e punições tributárias para bancos reduzirem o spread.

O plano de governo do PT tem quatro dimensões: a econômica, a social, a política, e a ecológica.

A encomenda do programa não tinha como pressuposto o isolamento político, muito antes pelo contrário. O pressuposto era a radicalidade da crise, muito agravada pelas medidas de Temer. Um governo claramente anti-nacional e antissocial. Faz todo o peso da crise recair sobre os mais vulneráveis. Em virtude disso, da posição de um governo ilegítimo, a encomenda foi de enfrentar os problemas estruturais para tirar o país da crise. O PT pretende reunir os partidos de centro-esquerda em torno da candidatura Lula. Agregar. Continue reading “Plano de Governo do PT”