Comprovação da Tese de Jessé Souza: a inteligência (sic) brasileira demoniza o Estado, enquanto o povão o santifica.

Estado X Mercado

É impressionante como a leitura maniqueísta do mesmo texto por leitores de ideologias antagônicas torce e distorce a favor de cada qual. O que o escritor escreve nas linhas o antagonista lê o oposto nas entrelinhas!

Este parece ser o caso das últimas resenhas do livro de Jessé Souza publicadas por Sérgio Lamucci (Valor, 10/02/16) e Marcus André Melo (FSP, 31/01/16). O primeiro respalda o credo liberal de seu jornal e o segundo também não trai seu locus profissional: Marcus André Melo é professor titular de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco e foi professor visitante nas universidades Yale e MIT.

Ambos buscam rebater o mal entendimento da alegação do sociólogo Jessé Souza, no livro recém publicado — A Tolice da Inteligência Brasileira: como o País se deixa manipular pela elite –, de que haveria “uma demonização do Estado na sociedade brasileira“. Eles acabam por comprovar o acerto do título! 

Dão a impressão de não terem refletido profundamente nem sobre o título do livro ao generalizar para “a sociedade brasileira” o que Jessé Souza designa, especificamente, para “os (supostos) indivíduos de grande inteligência, cabeça, cérebro, sumidade”. Assim, Melo acha que contra-argumenta bem ao dizer que, “pelo contrário, na história do Brasil o poder e o papel do Estado têm sido exaltados, em contraste com a tradição da democracia liberal”.

Ora, ora, o que Jessé Souza aponta é a divisão ideológica nesse olhar para a sociedade brasileira:

  • a inteligência dos párias brasileiros (e seus defensores), que dependem de (e defendem) os gastos sociais do Estado, e
  • a desinteligência de sua casta de sábios, que — como sacerdotes prestadores de serviços à casta de comerciantes-financistas — se ocupam em pregar, continuamente, o credo liberal contra o Estado desenvolvimentista e a favor do Estado mínimo.

Confira as duas resenhas neoliberais abaixo. Antes, lembre-se que maniqueísta é aquele que:

  1. pertence à seita do maniqueísmo — qualquer visão do mundo que o divide em poderes opostos e incompatíveis;
  2. crê no dualismo religioso ou filosófico;
  3. só concebe o bem e o mal em termos absolutos.

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Documentos que desmontam mais uma farsa

lula

Agora que a avaliação política tem sido que a tentativa de golpe parlamentar via impeachment fracassou, devido à falta de votos da oposição golpista para constituir uma maioria, a tática de “fazer o governo, o PT e o Lula sangrarem até 2018”. A campanha de 2014 não terminou devido ao não reconhecimento da derrota eleitoral pela oposição. Esta logo emendou uma campanha difamatória através de plantação de falsas (mas escandalosas) notícias para pressionar o Lula a desistir da sua nova candidatura.

Vale-tudo para esses antidemocratas: impedir a Dilma, proibir o PT, queimar a reputação do Lula. Só não conseguem votos junto a um eleitorado esclarecido por fatos e documentos.

Entenda, passo a passo, mais uma armação contra o ex-presidente

http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa

Paleta sem Cinza

 

Paleta sem CinzaSolidariedade Social: em princípio, ela se referia aos laços familiares encontrados em clãs e tribos nômades, porém, conforme cresciam as civilizações, ela passou a significar um senso de pertencimento.

Se o sentido de propósito e destino compartilhados diminui à medida que a sociedade cresce e envelhece, enfraquece-se a civilização. Quando uma sociedade torna-se vítima de uma derrota psicológica, aí sim está o fim de uma Nação.

Daí a importância de Solidariedade e Coesão Social na sociedade brasileira. Relacionam-se às ideias de Comunidade e Espírito Cívico. Continue reading “Paleta sem Cinza”

PEC de Iniciativa Popular: Lei de Reforma do Congresso

Congresso Nacional

PEC (Proposta de Emenda à Constituição Federal) de Iniciativa Popular: Lei de Reforma do Congresso

1. Fica abolida qualquer sessão secreta e não-pública para qualquer deliberação efetiva de qualquer uma das duas Casas do Congresso Nacional. Todas as suas sessões passam a ser abertas ao público e à imprensa escrita, radiofônica e televisiva.

2. O congressista será assalariado somente durante o mandato. Não haverá ‘aposentadoria por tempo de parlamentar’, mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente à sua profissão civil.

3. O Congresso (congressistas e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo atual de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores Congressistas participarão dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

4. Os senhores congressistas e assessores devem pagar por seus planos de aposentadoria assim como todos os brasileiros.

5. Aos Congressistas fica vetado aumentar seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.

6. O Congresso e seus agregados perdem seus atuais seguros de saúde pagos pelos contribuintes e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

7. O Congresso deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo brasileiro, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna do Congresso.

8. Exercer um mandato no Congresso é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não uma carreira. Parlamentares não devem servir em mais de duas legislaturas consecutivas.

Leia mais:  Um Pais Sem Excelências e Mordomias – Claudia Wallin

A farsa do impeachment

Não deixe de assistir a entrevista acima de Ciro Gomes e ler o artigo (FSP, 18/12/15) abaixo de Miguel Rossetto, ministro do Trabalho e Previdência Social e vice-governador do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002. Eles analisam muito bem a essência dos acontecimentos políticos recentes. Por sua capacidade de síntese, compartilho o artigo abaixo.

“O Brasil já enfrentou crises em sua história e aprendeu uma valiosa lição: a democracia é o melhor remédio para superar impasses.

Infelizmente, o PSDB e setores da oposição, derrotados nas eleições de 2014, se juntaram ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), para trilhar a aventura de rasgar a Constituição e golpear a democracia. Não há nada que justifique um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, fora o desejo de ocupar o poder por atalhos.

Construiu-se uma tese política que pleiteia o impedimento deste mandato. Por esse motivo, tão logo começou o segundo governo Dilma, o PSDB pediu um parecer sobre a possibilidade do impeachment.

Iniciou-se, assim, a busca por um crime de responsabilidade que não existe. Sem disfarces, o impeachment se tornou uma obsessão, um vale-tudo para tentar um terceiro turno eleitoral. Continue reading “A farsa do impeachment”

Perfil da Maioria Defensora da Democracia

Paulista 15.12.15 Contragolpe 15.12.15 Fora Cunha

Bernardo Mello Franco (FSP, 18/12/15) avalia que “a PM de Geraldo Alckmin tem um modo peculiar de contar manifestantes. Quando o protesto agrada, multiplica. Quando desagrada, divide. Na quarta, a polícia informou que apenas 3.000 pessoas foram à avenida Paulista gritar contra o impeachment. Ontem, desmoralizada pelas imagens do ato e pelo Datafolha, revisou a conta para 50 mil“.

Na renda e na escolaridade, os 40,3 mil manifestantes anti-Dilma que fizeram ato na avenida Paulista no domingo (13/12/15) e os 55 mil que foram à mesma via nesta quarta (16/12/15) defender o mandato da petista são estratos sociais distintos entre si e, dedutivamente, distintos da média da população paulistana.

A constatação é do Datafolha, que, além de contar a quantidade de pessoas em cada protesto, investigou o perfil do público de cada evento.

O problema é que a estratificação social baseada em renda, escolaridade, idade e gêneros não definem, exatamente, o perfil político-ideológico. Para identificar valores culturais, evitando tanto o economicismo quanto o sociologismo, em uma suposta determinação automática, tenho preferido analisar através das castas os valores culturais relacionados às ocupações.

Mas mesmo as ocupações não são determinantes precisas, pois há dependência de trajetória [path dependence] de cada indivíduo, ou seja, a história pessoal e as circunstâncias presentes importam. Posicionamento ideológico massivo é um fenômeno emergente complexo. Vejam que a tipologia abaixo aponta meras tendências e/ou predominâncias.

Castas Valores e Ocupações

Representantes das castas dos guerreiros-atletas, dos aristocratas e proprietários rurais, dos comerciantes-financistas “firmes” e dos sábios-tecnocratas e sábios-sacerdotes devem ter comparecido à manifestação golpista. Já representantes das castas dos sábios-criativos, comerciantes-financistas “brandos” e trabalhadores em geral reagiram em defesa da democracia brasileira. Continue reading “Perfil da Maioria Defensora da Democracia”

Por que o impeachment desandou nas ruas? (por Tereza Cruvinel, colunista do 247)

Fiasco do verde-e-amarelo

Do Brasil 247: Por que o impeachment desandou nas ruas?

“As manifestações de ontem [domingo, 13/12/15, aniversário do AI5] a favor do impeachment foram um anticlímax. Estão aí os dados do Datafolha mostrando a curva descendente de participação e uma retração superior a 70% em relação a março.  É claro que isso pode mudar, tudo pode mudar no processo social. Mas por que, justamente agora, com o processo aberto, a ideia do impeachment desandou nas ruas?

Por vários motivos, quase todos representados por erros da oposição.
1) O primeiro e maior erro dos adversários de Dilma e do PT foi apostar num impeachment liderado por Eduardo Cunha. Mesmo depois que ele começou a ser investigado pela Lava Jato a oposição manteve a aposta. Ensaiou um rompimento mas realinhou-se de forma ambígua depois que ele acolheu o pedido Bicudo/Reale. O povo não é bobo. Entendeu que Cunha chantageou o PT para votar a seu favor e vingou-se quando o partido tomou decisão oposição.
2) O segundo erro foi tentar atropelar as regras e a própria Constituição. O povo não é bobo. Sabe diferenciar um impeachment imperativo de uma armação golpista. Afora a fragilidade jurídica da acusação, houve a tentativa de controlar a comissão especial através de um inusitado “bate chapa” com voto secreto e até a interpretação de que a Câmara, e não o Senado,  terá o poder de tirar Dilma do cargo se o julgamento dela for autorizado por 3/5 dos deputados.
3) Ficou também explícita demais a ambição do vice-presidente Michel Temer pelo cargo. As “caneladas” dentro do PMDB para empurrar o partido rumo ao impeachment também foram muito bandeirosas e culminaram com a truculenta derrubada do líder Picciani,  que é contra o impeachment e continua sendo. As articulações precipitadas do PSDB sobre a participação num eventual governo Temer, da mesma forma, pegaram mal.
4) Boa parte da inteligência nacional posicionou-se contra tal impeachment. Artistas, juristas, intelectuais, sindicalistas, religiosos e reitores, entre outros, são setores sociais que têm peso específico na formação da opinião média. Daqueles que observam o rumo do vento antes de se posicionarem.
5) Por fim, a narrativa do impeachment não colou, ao passo que a denúncia do golpismo fez sentido e reverberou forte, afastando das manifestações aqueles que não querem figurar numa história antidemocrática. A narrativa do impeachment não colou, entre outros motivos, porque o discurso foi ambíguo. A acusação formal a Dilma foi de crime de responsabilidade por conta de pedaladas fiscais. Mas para a rua, a oposição falava em corrupção, mar de lama, pixuleco e outras metáforas do grande escândalo em curso, que já atingiu tanta gente, inclusive do PT, mas não chamuscou Dilma. Tanto que, no pedido formal, não foi acusada de ato de improbidade, mas de má gestão…”