Taxa de Informalidade: ocupa, mas não emprega

Thais Carrança (Valor, 05/02/18) informa que a informalidade se comportou de maneira oposta nos dois extremos da pirâmide social durante a recessão. Enquanto ela cresceu para a classe E acima do avanço médio para a população total, ela caiu nas classes A e B, aponta levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

A taxa de informalidade da economia chegou a 44,5% em setembro de 2017, avanço de 3,5 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2014 – considerado o início da recessão. Ocupações como motorista de aplicativos, ambulante de alimentos e doméstica ganharam espaço no mercado laboral.

O patamar é o mais elevado da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, e não houve recuo ao longo de 2017, mesmo com a melhora da economia e queda da taxa de desemprego. Antes da crise, a taxa de informalidade havia diminuído dois pontos percentuais desde o início da série.

Na classe E, pessoas que ganham até dois salários mínimos e representavam em setembro 67% da população ocupada, a taxa de informalidade também vinha caindo antes da recessão, mas desde o segundo trimestre de 2014 até setembro de 2017, avançou 4,4 pontos percentuais, a 52,8%, velocidade maior do que para a população em geral.

De maneira oposta, nas classes A e B, que ganham mais de dez salários mínimos e representam cerca de 5% da população ocupada, a taxa de informalidade recuou 3,3 pontos percentuais desde o início da recessão até o dado mais recente, de 14,8% a 11,5%. Continue reading “Taxa de Informalidade: ocupa, mas não emprega”

Número de Beneficiários da Bolsa Família: Resistência ao Desmanche Neoliberal da Era Social-Desenvolvimentista

Lucas Marchesini (Valor, 05/02/18) informa que os beneficiários do Bolsa Família, programa social lançado durante o Governo Lula, representam mais de um terço da população de 11 Estados brasileiros, todos das regiões Norte e Nordeste. No Brasil, 21% da população vive com os benefícios do programa. Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) evidenciam a importância dos recursos para a população daquelas regiões.

O Maranhão é o Estado com a maior relação entre a população e quem vive dos valores do Bolsa Família. De acordo com o ministério, 48% da população do Estado recebe os recursos. Piauí e Acre vêm a seguir, ambos com 41%.

O cálculo chega ao número de beneficiários a partir do tamanho das famílias inscritas no programa. Em seguida, o ministério calcula quanto isso representa na população do município a partir das estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são referentes a dezembro de 2017. Por serem baseados em estimativa do IBGE, o percentual pode diferir da realidade já que o último Censo foi realizado em 2010. Continue reading “Número de Beneficiários da Bolsa Família: Resistência ao Desmanche Neoliberal da Era Social-Desenvolvimentista”

Imprensa Deformadora de Opinião Pública em País de Iletrados

Distribuição das pessoas de 25 anos ou mais de idade, por cor ou raça, segundo o nível de instrução – Brasil – 2016

A volta da Velha Matriz Neoliberal foi resultado da pressão da casta dos mercadores. A “grande” (sic) imprensa brasileira, consequentemente, louvou o retorno do Joaquim Levy e seus colegas ortodoxos ao comando do Ministério da Fazenda em 2015, mesmo tendo um programa social-desenvolvimentista ganhado a eleição presidencial de 2014.

Agora, os mistificadores e deformadores da opinião pública brasileira, sob a ameaça da campanha popular por “Volta Lula!“, querem imputar ao PT a responsabilidade por ter tornado novamente pobres quase um quarto dos 40 milhões de brasileiros que retirou da pobreza em seu governo, entre 2004 e 2014! Podes crer, os idiotas não percebem a contradição no argumento apelativo…

A profunda recessão provocada pelo ajuste fiscal neoliberal, que dizimou empregos e renda, depois da eleição de 2014, e causou a queda de 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim de 2016 e de 10,2% do PIB per capita, acabou também empurrando 9 milhões de brasileiros para abaixo da linha da pobreza, delimitada por renda diária de até US$ 5,50 pelo Banco Mundial. Mais da metade desses novos pobres, ou 5,4 milhões de pessoas, estão, na verdade, na extrema pobreza, pois ganham até US$ 1,5 por dia.

O IBGE divulgou que 52,2 milhões de pessoas viviam abaixo da linha da pobreza em 2016, 25,4% da população, entre as quais 13,35 milhões, ou 6,5%, na extrema pobreza, na Síntese de Indicadores Sociais (SIS). Com base nas informações apresentadas e em históricos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) fez os comparativos, apesar de diferenças metodológicas. Dados do Banco Mundial também mostram aumento de 6,7 milhões de pobres apenas em 2016, dos quais 4,45 milhões em extrema pobreza. É o resultado social do locaute empresarial golpista… Continue reading “Imprensa Deformadora de Opinião Pública em País de Iletrados”

Cenário Social para 2018

Bruno Villas Bôas (Valor, 18/12/17) informa que, depois de uma década em queda, a pobreza cresceu fortemente no país durante a recessão. De acordo com levantamento do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), pouco mais de 9 milhões de brasileiros foram empurrados para baixo da linha de pobreza em 2015 e 2016, reflexo da deterioração do emprego e da renda. Desses, algo como 5,4 milhões tornaram-se extremamente pobres (ou miseráveis).

O retrato foi traçado a partir do cruzamento de dados da “Síntese de Indicadores Sociais“, divulgada elo IBGE, com a série histórica disponível da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). As linhas de cortes foram as usadas pelo Banco Mundial e pelo IBGE: US$ 1,90 per capita por dia (R$ 133,72 mensais) para extrema pobreza e US$ 5,50 por dia (R$ 387,07 mensais) para a pobreza moderada.

Conforme divulgou o IBGE, no SIS, 52,2 milhões de pessoas viviam abaixo da linha de pobreza em 2016, ou 25,4% da população. No caso da pobreza extrema, eram 13,35 milhões de pessoas, 6,5% da população. Ao divulgar esses números, porém, o IBGE não apresentou comparativos de anos anteriores, devido a uma mudança no questionário da pesquisa no fim de 2015. Porém, o Iets cruzou as linhas de cortes e criou uma série comparável, embora frise diferenças metodológicas. Continue reading “Cenário Social para 2018”

PIB dos Municípios – 2015

De 2002 a 2015, em 20 dos 26 estados brasileiros o PIB das capitais perdeu participação no PIB nacional (-2,9 pontos percentuais). Já a participação dos municípios fora das capitais subiu de 63,9% para 66,9% do PIB, um avanço de 2,9 pontos percentuais no período.

Em 2015, sete municípios (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Manaus) concentravam cerca de 25,0% do PIB do país. Juntos, eles abrigavam 14,3% da população. Os cinco primeiros mantêm a mesma posição no ranking desde 2010.

Os dez municípios com os maiores PIB per capita somaram 1,3% do PIB brasileiro e apenas 0,1% da população do país, em 2015. O maior PIB per capita foi de Presidente Kennedy (ES), município produtor de petróleo e o menor foi Novo Triunfo (BA).

Entre as capitais, em 2015, São Paulo ocupou a primeira posição em termos de contribuição ao PIB do país, enquanto Palmas ficou em último lugar. Os 25 municípios com maiores PIB somavam 37,7% de participação e apenas 23,5% da população.

Em 2015, em 3.170 municípios (56,9% do total) a principal atividade econômica era a Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social. Excluindo o serviço público, em 3.129 municípios (56,2% dos municípios do país) a Agropecuária era a principal atividade econômica. Clique aqui para acessar a publicação completa.

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Caiu a Ficha, Golpistas? Reforma Trabalhista golpeia Previdência Social!

A DANÇA DAS FATIASComo o novo mercado de trabalho está afetando a Previdência

Ana Estela de Sousa Pinto (FSP, 17/12/17) informa que mudanças no mercado de trabalho brasileiro têm ampliado a fatia dos “sem previdência” e contribuído para o rombo no sistema de aposentadorias e pensões.

Os números do INSS mostram que vêm minguando os contribuintes assalariados de maior renda. De 1996 a 2015, o contingente dos que recebem acima de sete salários mínimos (equivalente a R$ 6.559 em 2017) encolheu 14%.

Em uma faixa de renda superior, a dos que ganham mais de 15 salários mínimos, a redução foi mais que o dobro: 33%.

Isso significa que um número menor de pessoas paga contribuições mais altas, em um regime de repartição — geração ativa paga para inativa — em que, ano a ano, as despesas crescem em velocidade superior à das receitas (veja quadro acima).

Um dos principais motivos para o “sumiço” dos contribuintes assalariados com valor mais alto é que eles estão virando empresas, isto é, CPFs viram CNPJs por exigência dos empregadores, um movimento imposto pela casta dos mercadores que vem se agravando após a reforma trabalhista. Vale-tudo com a “flexibilização” neoliberal…

De 2009 a 2015, o número de contribuintes não empregados (trabalhadores por conta própria, empresários e outros) cresceu a taxas maiores do que o de empregados; ao mesmo tempo, a queda de empregados com maiores salários acelera.

O impacto sobre as contas da Previdência só não é maior porque a fatia de contribuintes com salário maior que o teto tem se mantido estável entre 5% e 6% desde 2004, quando houve o último aumento real do valor do teto.

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Demonização da Globo

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com. Como é seu hábito, escreveu excelente reportagem investigativa sobre “a demonização da Globo” em El País (28/11/17).

Nenhuma rede de comunicação foi – e ainda é – tão influente na história recente do Brasil como a Globo. Na época da ditadura civil-militar, o grupo Globo se consolidou como o maior do país e um dos maiores do mundo. A redemocratização chegou, e as Organizações Globo seguiram fortes.

Nos protestos de junho de 2013, a cobertura da TV Globo e da Globo News foram decisivas para consolidar a narrativa de que os manifestantes eram “vândalos”. A Globo influenciou a opinião nacional na forma como cobriu a Lava Jato, os movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff e contra o PT, assim como na divulgação dos grampos ilegais da conversa gravada entre Lula e a então presidente do país.

E, finalmente, foi em O Globo, principal jornal do grupo, que foi denunciada uma conversa altamente comprometedora entre o presidente Michel Temer (PMDB) e Joesley Batista, dono da JBS, à noite, no palácio residencial e fora da agenda, e que culminou com um editorial defendendo a renúncia de Temer – mas não eleições diretas. Como todos sabem, Temer não caiu até hoje.

Há algo novo no horizonte da Globo neste momento. Para parte daqueles identificados com a esquerda, a Globo é “golpista”. Essa parcela aponta a rede, em especial a TV Globo e a Globo News, como protagonista do “golpe parlamentar” que tirou Dilma Rousseff, uma presidente ruim, mas legitimamente eleita, do poder.

Essa narrativa é alimentada não só pelos fatos atuais, mas pelo passado da emissora: em especial a edição do último debate entre Fernando Collor de Melloe Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 1989. Era o primeiro pleito presidencial após o fim de uma ditadura que durou 21 anos, detonada por um golpe civil-militar que a Globo apoiou, fato pelo qual pediu desculpas em 2013.

A desconfiança contra a Globo, disseminada em uma parcela considerável dos que pertencem ao campo progressista, é permanente. E vem se acirrando desde 2013, amplificada pela facilidade de difusão das redes sociais. Essa ligação com o “golpismo”, mais incisiva neste momento, está intimamente ligada ao passado da Globo, mas também a algumas escolhas do presente.

A novidade, porém, está em outro campo, na parcela da sociedade que chama a Globo de “comunista”. Essa é a parte surpreendente mesmo para aqueles que sempre consideraram a Globo responsável por todos os problemas do Brasil. De comunista, virou também “pró-Lula” e “pró-PT” e até mesmo “pró-Cuba”.

Até bem pouco tempo atrás seria difícil alguém acreditar que viveria para ver a Globo ser chamada de “comunista”. Mas, no atual momento do país, o impossível é um conceito desidratado pelo sem limites da realidade política.

A esse clamor tem se juntado parte do fundamentalismo evangélico, concentrado numa parcela das igrejas pentecostais e neopentecostais, que tem dado novos sentidos ao que chamam de comunismo. Desde que essa parcela do evangelismo começou a crescer no país, a se articular como força política no Congresso e a ter na TV um de seus principais meios de proselitismo religioso (e também político), as escaramuças com a Globo, por um lado, e as tentativas de aproximação da rede com lideranças evangélicas, por outro, têm sido uma constante especialmente desde 2010. É fundamental lembrar que a principal concorrente da Globo é, já há algum tempo, a Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Bispo Edir Macedo. Continue reading “Demonização da Globo”