Economista Carioca: Bairrista ou Cosmopolita?

Rio-São-Paulo

Meu avô paterno era português. Morava na Avenida Visconde do Pirajá, em Ipanema, no Rio. Meus avós maternos eram mineiros, mas moraram, nos anos 50s, na Avenida Atlântica em Copacabana em apartamento com varandão voltado para o mar. Parte das férias na minha infância eram sempre passadas lá.

Meu pai era mineiro, assim como são nascidos em Minas Gerais minha mãe e meus quatro irmãos. Cada qual já morou em algum canto do mundo. Minha mulher é carioca, filha de paraibanos, meus filhos são paulistas. Já morei em Beagá, Rio, Campinas, Brasília e 2 a 3 dias por semana, durante 4,5 anos, em São Paulo. Portanto, sou apenas um brasileiro!

Bairrista é aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados. Não é raro encontrar cariocas voltados apenas para o mar e de costas para o Brasil…

Chico Santos e Alessandra Saraiva (Valor, 13/02/15) publicaram uma reportagem tipo “porque eu me ufano de ser economista carioca!”. Rio desse bairrismo, pois eu me identifico muito com os colegas cariocas. Acho que eles preferem ser vistos como cosmopolitas. É aquele que se porta como um cidadão que habita as grandes cidades e capitais mundiais, visitando-as com frequência e adotando-lhes o espírito urbano, um cidadão do mundo.

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Rio: 450 Anos de História do Brasil

Rio 400 AnosRio 450 AnosViolência no Rio

Fazer declaração de amor ao Rio é redundante, principalmente por parte de quem se casou com uma carioca, embora tenha se apaxionado por muitas… Frequento o Rio praticamente desde que nasci. Lá morei quando ainda era bebê (confira foto ao lado) e no início de minha carreira profissional (1978-1985), ou seja, entre os 26 e os 34 anos. Bom tempo para lá viver e fazer militância pelo fim da ditadura. Luta & Prazer. Fiz tantos amigos — e o lugar que a gente gosta é onde estão os amigos — que até hoje, depois de viver trinta anos entre Campinas, Brasília e alguns dias em São Paulo, sinto-me mais à vontade no Rio, mais até do que em Belo Horizonte, minha terra-natal. Talvez ainda realize meu desejo de voltar a morar perto das (praias) cariocas… :)

O que me surpreende é que quando pergunto aos meus alunos e amigos paulistas, muitos dizem que, devido ao medo, nunca foram ao Rio! Digo que nenhum brasileiro deve se privar do prazer de conhecer pessoalmente o que é o “bem-estar” na Cidade Maravilhosa. É uma cidade do prazer da Rua e não do conforto da Casa, como são as outras.

Hoje, comemora-se 450 anos do Rio de Janeiro. Compartilho dois artigos polêmicos que representam o “espírito carioca”, para o bem, para o mal…

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Verticalização das Favelas: Onde?

MCMV 020215

Sabetai Calderoni é urbanista, economista e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. José Pedro Santiago é agrônomo e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. Ambos demonstram maior sensibilidade social que os pesquisadores do Ibre-FGV citados no post anterior. Publicaram o seguinte artigo (Valor, 02/02/15), avaliando o Programa MCMV.

“Nossas cidades, sobretudo as áreas metropolitanas, estão se transformando em praça de guerra, no confronto entre polícia e moradores envolvidos em frequentes episódios de invasão de edifícios e até de parques públicos. Conflitos com os sem-teto vão se repetir e as cidades brasileiras vão virar campo de batalha se não for resolvido, com urgência, o problema da falta de moradia.

As maiores dificuldades para eliminar o déficit habitacional brasileiro, de 5,8 milhões de moradias, são a escassez e os elevados custos dos terrenos e da infraestrutura, sobretudo nas grandes cidades. A opção por construções populares de um único andar, sequer geminadas, agrava esse quadro. Por que subutilizar terrenos caros e raros, elevando ainda mais os custos da infraestrutura?

Alternativa promissora para solução do problema é implantar edificações verticalizadas nas próprias favelas. O caminho é promover a permuta de habitações situadas em áreas planas dessas comunidades por apartamentos a serem edificados no mesmo local, em prédios, por exemplo, de dez ou doze andares.

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Pensão por Morte

casamento-oportunista

Ribamar de Oliveira (Valor, 8/1/15) publicou artigo que é uma prestação de serviço de utilidade pública. Compartilho-o abaixo.

Pensão por Morte

“Uma leitura atenta da Medida Provisória 664, editada no fim do ano passado, mostra que os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores da União terão regras diferentes para a pensão por morte, contrariando uma tendência que vem desde 1998, no sentido da harmonização e da uniformidade das normas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e dos Regimes Próprios dos Servidores Públicos. Os segurados do INSS serão os únicos que terão o valor do benefício reduzido.

A pensão por morte é um benefício concedido ao dependente em caso de falecimento do segurado. Até agora, no caso de morte do segurado do RGPS (mais conhecido do grande público como INSS), os dependentes recebiam 100% do valor da aposentadoria que ele ganhava.

Com a MP 664, cujas regras só valem para as novas aposentadorias, o valor mensal da pensão por morte no RGPS corresponderá a 50% da aposentadoria que o segurado recebia, acrescido de tantas cotas individuais de 10% do valor da mesma aposentadoria, quantos forem os dependentes do segurado, até o máximo de cinco.

Traduzindo:

  • pelas regras atuais, se o segurado do RGPS morre e deixa viúva e dois filhos, por exemplo, os seus dependentes terão direito a dividir 100% de sua aposentadoria, sendo o valor rateado entre todos em partes iguais;
  • com a MP 664, os três pensionistas desse segurado (a viúva e os dois filhos) terão direito a 80% da aposentadoria (50% mais três cotas individuais de 10%).

Haverá, portanto, uma redução de 20% do valor do benefício para este caso. O benefício mínimo continua sendo de um salário mínimo. Continuar a ler

Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) – 2014

Distribuição da Renda Familiar Per Capita 2004-2008-2013

A escolaridade média da população de 25 anos ou mais aumentou entre 2004 e 2013, passando de 6,4 para 7,7 anos de estudo. Esse incremento foi mais intenso entre os 20% com os menores rendimentos, que elevaram de 3,7 para 5,4 os seus anos de estudo. Entre 2004 e 2013, a proporção de pessoas da faixa etária 25 a 34 anos com ensino superior praticamente dobrou, passando de 8,1% para 15,2%. Porém, o percentual é o menor, se comparado aos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No mesmo período, os estudantes que fazem parte dos 20% com os maiores rendimentos (5°quinto) deixaram de ser maioria tanto nas universidades públicas (38,8%) quanto nas particulares (43,0%), aumentando o acesso a esse nível de ensino dos demais estratos de renda, inclusive dos mais pobres. Em 2004, apenas 1,7% dos estudantes do ensino superior pertencentes aos 20% com os menores rendimentos (1° quinto) frequentavam universidades públicas. Em 2013, essa proporção chegou a 7,2%.

Por outro lado, os estudantes do ensino fundamental regular de 13 a 16 anos de idade que faziam parte do quinto mais pobre possuíam taxa de distorção idade-série 3,3 vezes maior do que a taxa dos 20% mais ricos (5°quinto), fazendo com que o atraso escolar afetasse mais da metade desses estudantes (54,0%) em 2013. Em 2004, a distância entre essas taxas para o 1° quinto e o 5° quinto era ainda maior (4,3 vezes).

É o que revela o estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2014, que mostra, ainda, que, apesar de avanços, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda persiste, principalmente quando a jornada de trabalho é conjugada aos afazeres domésticos. Entre as mulheres ocupadas de 16 anos ou mais, 88% realizavam afazeres domésticos, enquanto, entre os homens, este percentual era 46%. As mulheres tinham uma jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens (20,6 horas/semana). Considerando a jornada no mercado de trabalho e aquela com a realização de afazeres domésticos, a jornada feminina semanal era de 56,4 horas, superior em quase 5 horas à masculina.

A SIS também detectou mudanças nos arranjos familiares entre 2004 e 2013, período em que houve redução na proporção de casais com filhos e aumento dos sem filhos, além do aumento dos arranjos unipessoais.O estudo mostra ainda que, em 2013, no Brasil, em 25,7% dos domicílios urbanos alugados (ou 5,2% do total de domicílios urbanos), o aluguel ultrapassava 30% do rendimento domiciliar.

A SIS 2014 tem como principal base de informações a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, além de fontes de dados como o Censo Demográfico 2010, a Projeção da População do Brasil por sexo e idade 2013, além de bases de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação, e Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Seus resultados completos estão disponíveis no link:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2014/default.shtm. Continuar a ler

Imigração dos Emigrantes Brasileiros

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Feliz Natal! E feliz regresso ao Brasil a aqueles que passam o Natal longe de suas famílias!

Como “presente de Natal”, compartilho informações com os emigrantes brasileiros para ajudar na hora da escolha de imigrar de volta sem Síndrome do Regresso — este é o tema de um post deste modesto blog que é um dos mais visitados por brasileiros que moram no exterior.

Lígia Guimarães (Valor, 16/12/14) publicou reportagem de utilidade pública sobre o regresso de brasileiros. Reproduzo-a abaixo para aqueles que não tiveram a oportunidade de lê-la.

“Nos últimos anos, o número de brasileiros vivendo no exterior caiu em alguns dos destinos mais tradicionais. De 2011 para 2013, a comunidade brasileira residente no Japão diminuiu de 230 mil para 181 mil; baixou de 1,4 milhão para 1 milhão nos Estados Unidos, e de 111,4 mil para 92,1 mil em Portugal. Embora não haja estatísticas comprovando que todos esses emigrantes tenham voltado ao Brasil definitivamente, há indicações de que o movimento de retorno à terra natal cresceu expressivamente desde 2007. Continuar a ler