Mobilidade Urbana Após a Pandemia

Melisa Murialdo me envia, gentilmente, suas pesquisas muito informativas. Compartilho-a abaixo.

As cidades, assim como os organismos vivos, estão em constante movimento e transformação. Desde alguns anos atrás, principalmente nos grandes centros urbanos, a locomoção é um tema importante nas agendas públicas. Encontrar a melhor forma de gestão do trânsito, planejar e investir para promover melhorias na mobilidade urbana é sempre um desafio.

Muito se estimulou a utilização de veículos mais amigáveis com o meio ambiente, há uma grande inversão nas últimas décadas para promover o uso de bicicletas e de carros elétricos que ao reduzir a poluição sonora e a emissão de gás de efeito estufa trazem benefícios ao meio ambiente, se comparados com os tradicionais veículos movidos por combustíveis fósseis. 

Também se estava promovendo muito o uso de meios de transporte coletivos, como ônibus e trens, e o uso compartilhado dos meios. Estímulos que tiveram muita adesão por parte dos usuários, principalmente com o surgimento dos aplicativos como Uber, 99 e outros. Com isto, não só se colabora com o meio ambiente, também promove menor congestionamento do trânsito nas grandes cidades.

Mas, com a chegada da Covid-19 algumas dessas iniciativas ficaram paralisadas. Muitos dos entusiastas com a ideia de compartilhar os meios de transportes tiveram que repensar a ideia diante da possibilidade de contágio da doença; as pessoas que podem evitar as aglomerações e o uso de transportes públicos, evitam. 

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SIS 2021 – Síntese dos Indicadores Sociais

De 2019 para 2020, as proporções da população na extrema pobreza e na pobreza, no Brasil, segundo as linhas do Banco Mundial, recuaram, respectivamente, de 6,8% para 5,7% e de 25,9% para 24,1% da população. Mas, sem os benefícios dos programas sociais, a proporção de pessoas em extrema pobreza teria sido de 12,9% e a taxa de pessoas na pobreza subiria para 32,1%.

O rendimento médio domiciliar per capita de 2020 foi de R$ 1.349, com queda de 4,3% ante 2019 (R$1.410). Em 2020, caso não houvesse programas sociais, esse rendimento teria sido 6,0% menor (R$ 1.269), e a queda em relação a 2019 seria de 8,4%. O décimo da população com a menor remuneração teria reduzido em 75,9% os seus rendimentos, sem esses programas sociais.

Com a pandemia de Covid-19, o nível de ocupação no Brasil foi o menor da série: 51,0%. Entre os jovens com 14 a 29 anos, esse indicador caiu de 49,4% em 2019 para 42,8% em 2020. No mesmo período, a taxa de informalidade da população ocupada do país caiu de 41,4% para 38,8%. Entre os pretos ou pardos, essa taxa em 2020 era de 44,7%, ante 31,8% da população ocupada branca. Além disso, pretos ou pardos representavam 53,5% da população ocupada, mas 64,5% dos subocupados por insuficiência de horas.

Em média, a população ocupada branca (R$ 3.056) tinha um rendimento mensal médio real do trabalho principal 73,3% maior que o da população preta ou parda (R$ 1.764) em 2020. Para os homens, este rendimento (R$ 2.608) era 28,1% maior do que o para as mulheres (R$ 2.037).

A pandemia também deixou 10,8% dos estudantes de 6 a 17 anos de idade sem aulas presenciais e sem atividades escolares, em novembro do ano passado, segundo a PNAD Covid. Na educação básica, 42,6% das escolas promoveram aulas ao vivo pela Internet, sendo 35,5% na rede pública e 69,8% na rede privada. No entanto, no período pré-pandemia, apenas 48,6%% dos alunos de 15 a 17 anos de idade em escolas públicas tinham computador e acesso à internet em suas casas.

Em 2019, segundo o Ministério da Saúde, o crescimento médio anual do número de óbitos no país foi de 1,9%. Já de 2019 para 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, o a alta foi de 15,0%, chegando a 1,6 milhão de óbitos.

Em 2020, segundo o Ministério da Saúde, a infecção por coronavírus de localização não especificada tirou a vida de 57.681 homens pretos ou pardos e de 56.942 homens brancos. Nos grupos etários abaixo dos 70 anos, o número de óbitos dos pretos ou pardos superou o dos brancos. Nos grupos etários de 0 a 4 anos, morreram duas vezes mais crianças pretas ou pardas do que crianças brancas.

Segundo a POF 2017-2018, para 51,4% da população que residia em domicílios alugados, o contrato de locação era apenas verbal. Esse grupo representava 8,6% da população do país.

A mesma POF mostrou que 10,3% da população do país viviam em domicílios sujeitos a inundação. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, 28,2% da população estavam nesta situação, o maior percentual entre as áreas urbanas das capitais brasileiras.

Na mesma região metropolitana do Rio, 26,2% dos trabalhadores demoravam mais de uma hora para chegar ao seu local de trabalho. Nesse indicador, as regiões metropolitanas de São Paulo (22,8%) e Belo Horizonte (16,5%) vinham a seguir.

Em maio de 2020, 35,8% da população locatária residia em domicílios onde o aluguel era igual ou superior a 30% do rendimento domiciliar.

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Causas do Desemprego Após a Pandemia nos Estados Unidos

BBC News (04/07/21) informa: o número recorde de pedidos de demissões nos Estados Unidos em abril parece materializar uma tendência que o pesquisador Anthony Klotz, especialista em psicologia organizacional, batizou há alguns anos de “a Grande Renúncia” — um realinhamento no mercado de trabalho em que uma parcela considerável de pessoas, por diversos motivos, estão escolhendo largar seus empregos.

Naquele mês, quase 4 milhões de trabalhadores, o equivalente a 2,7% de toda a força de trabalho do país, deixaram seus empregos. É um recorde desde 2000, quando esse tipo de dado começou a ser registrado.

A pandemia de coronavírus atingiu o emprego nos EUA com força brutal. Em apenas dois meses, entre fevereiro e abril de 2020, o número de desempregados passou de 5.717.000 para 23.109.000. A partír daí, começou uma gradual retomada, à medida que governos, empresas e funcionários encontraram uma forma de se adaptar ao novo cenário.

Com essa recuperação parcial, a taxa de desemprego ficou em 5,8% no último mês de maio, bastante abaixo dos 14,8% em abril de 2020 — porém acima dos 3,5% registrados antes da pandemia.

A onda de demissões compõe um quadro ambíguo: ela ocorre no mesmo país onde há mais de 9,3 milhões de desempregados, segundo dados de maio de 2021 do Departamento do Trabalho.

Então, por que enquanto milhões de americanos estão procurando empregos, há outros milhões que estão pedindo demissão?

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Perfil dos CEOs X Diversidade de Gêneros e Etnia

Stela Campos (Valor, 09/12/21) informa: uma pesquisa realizada com dirigentes de empresas brasileiras com o objetivo de mostrar o perfil de quem ocupa o cargo de CEO no país mostra ainda existir pouca diversidade no topo. Apenas 8% dos 149 pesquisados eram mulheres e só 9% eram de ‘outras etnias’.

A maioria dos que ocupam o posto número um das empresas é homem e branco. O levantamento feito pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a Page Executive, incluiu empresas nacionais de grande e médio portes.

“A falta de diversidade acontece pela maneira como as empresas estruturam as carreiras internamente”, diz Paul Ferreira, diretor do Centro de Liderança da FDC. “Esses dados só mostram uma percepção que já existia, mas são importantes porque quando se olha para o CEO estamos falando de uma posição emblemática para toda a organização”, diz Ricardo Basaglia, diretor geral da Page Executive.

A composição das equipes abaixo desses CEOs reforça a falta de diversidade nos postos mais altos das empresas. Os participantes informam que 70% de seus times diretos têm até 20 pessoas e 80% mencionam que menos da metade dos que se reportam a eles são mulheres. É provável que esses CEOs venham a fazer sucessores homens.

Hoje há uma preocupação maior das empresas no recrutamento externo para que as “short lists” incluam mais candidatas mulheres para os cargos de CEO e de conselheiro. Quando alguém de fora é trazido é uma oportunidade para oxigenar e ampliar a diversidade.

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Consequência de Elevação da Escolaridade na Era Social-Desenvolvimentista sobre Baixa da Informalidade e Alta da Renda

Três décadas de aumento da escolaridade tiveram impactos profundos na economia brasileira, contribuindo para reduzir a informalidade e elevar o rendimento dos trabalhadores. Sem a universalização das matrículas em escolas públicas a partir de 1990, o Brasil teria hoje ainda mais pessoas na informalidade, com salários praticamente estagnados. A conclusão é de estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) apresentado ao Hugo Passarelli (Valor, 01/12/21).

De acordo com o levantamento, a taxa de informalidade do Brasil era de 56,4% em 1992 e, apesar da piora recente, a trajetória de longo prazo mantinha a tendência de queda, para 47% no ano 2020. Mas, se a força de trabalho tivesse hoje a mesma quantidade de anos de estudo de 30 anos atrás, o dado teria saltado para 62,8% no intervalo, segundo simulação do FGV Ibre. O cálculo considera os trabalhadores sem carteira assinada, os por conta própria e os que auxiliam parentes, sem remuneração.

De 1992 a 2020, a média de escolaridade da população ocupada no Brasil passou de 6,5 anos para pouco mais de 11 anos. Ou seja, em média, hoje os trabalhadores chegam ao mercado pelo menos com o ensino médio incompleto. Antes, nem sequer avançavam muito além dos anos iniciais do ensino fundamental

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Queda dos Rendimentos em 2020

Participação no rendimento domiciliar per capita, por tipo de rendimento – Brasil (%)

De 2019 a 2020, a proporção de domicílios com pessoas recebendo outros programas sociais saltou de 0,7% para 23,7%, aumentando em todas as regiões, sobretudo no Norte (0,5% para 32,2%) e Nordeste (0,8% para 34,0%). Isso se deveu ao Auxílio Emergencial, criado pelo governo federal devido à pandemia do coronavírus e destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados. Na Pnad Contínua 2020, este benefício entrou na rubrica de “outros rendimentos”, que engloba rendimentos provenientes de programas sociais, aplicações financeiras, seguro-desemprego, seguro-defeso etc.

Caiu a proporção de domicílios que recebiam o Bolsa Família (de 14,3% para 7,2%), pois parte dos beneficiários passou a receber o Auxílio Emergencial. Já a proporção de domicílios que recebiam BPC-LOAS passou de 3,5% para 3,1% no período.

O número de pessoas com outros rendimentos saltou de 16,4 milhões em 2019 para 30,2 milhões (de 7,8% para 14,3% da população) em 2020, enquanto o de pessoas com rendimento de trabalho caiu de 92,8 milhões para 84,7 milhões (de 44,3% para 40,1% da população). Esta queda está relacionada à redução da população ocupada, em 2020. Além disso, pela primeira vez, desde 2012, o grupo dos outros rendimentos superou o das pessoas que recebiam aposentadoria e pensão (26,2 milhões ou 12,4%).

De 2019 para 2020, os outros rendimentos ganharam participação na composição do rendimento domiciliar per capita no Brasil, passando de 3,4% para 7,2%. Já o peso do rendimento de trabalho caiu de 74,4% para 72,8%. Também caíram, no período, os rendimentos de aposentadoria ou pensão (de 18,7% para 17,6%), aluguel e arrendamento (de 2,4% para 1,5%) e pensão alimentícia, doação ou mesada (de 1,2% para 0,8%).

O rendimento médio real de todas as fontes caiu 3,4%, passando de R$2.292 em 2019 para R$2.213 em 2020. O maior valor estava no Sudeste (R$2.575) e o menor, no Nordeste (R$1.554), a única região onde não houve queda.

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Efeito Pandemônio da Pandemia: Futura Queda Populacional

Lucianne Carneiro (Valor, 19/11/21) informa: a pandemia alterou de forma significativa os números de mortes, nascimentos e casamentos no país, como confirmam os dados das Estatísticas do Registro Civil 2020, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O ano de 2020 teve o maior crescimento no registro de mortes no país em quase 40 anos, desde 1984, e também o maior patamar, com 1.513.575 óbitos. A alta foi de 14,9% frente a 2019, o que representa um contingente de 195.965 a mais. Até então, a maior variação tinha sido na passagem de 1992 para 1993, quando houve expansão de 56.402 óbitos, uma alta de 6,7%, para 841.234.

Já o número de registros de nascimentos em cartórios no Brasil foi de 2.678.992, uma retração de 4,7% frente a 2019, a maior desde 2016 (-5,1%), quando o país foi afetado pela epidemia de zika. Neste caso, o efeito da pandemia pode ocorrer, segundo o IBGE, tanto sobre o número de nascimentos em si – devido ao adiamento da decisão de ter filhos – como também no número de registros, em razão do isolamento social e do fechamento de cartórios.

Outro recorde apontado pela pesquisa foi no número de casamentos, que caiu 26,1% em 2020, frente a 2019, a maior queda da série histórica das Estatísticas do Registro Civil, iniciada em 1974. O número total passou de 1.024.676 em 2019 para 757.179 no ano passado, uma diferença de quase 270 mil casamentos.

O número identificado pela pesquisa do IBGE de 195.965 mortes a mais em 2020 ficou próximo ao montante total de mortes por covid-19 em 2020, segundo o compilado pelo consórcio de imprensa junto a secretarias de Saúde, que foi de 194.976, indicando o efeito da pandemia sobre esse resultado.

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Burocracia Tributária e a Girafa

Joice Bacelo (Valor, 06/10/21) informa: cerca de R$ 180 bilhões são gastos pelas empresas, por ano, com a burocracia tributária. Todo esse volume de dinheiro serve para manter profissionais, sistemas e equipamentos para dar conta dos cálculos de impostos a pagar, preenchimento de guias e acompanhamento das mudanças na legislação. São 53 novas normas fiscais a cada dia útil – 2,21 por hora.

Para estar em dia com as obrigações fiscais no Brasil, hoje, uma empresa precisa seguir o que consta em 4.626 normas – 51.945 artigos, 121.033 parágrafos e 386.993 incisos.

Quantidade que, se impressa em formato A4, ocuparia as pistas de ida e de volta da Avenida Paulista, de um extremo ao outro, e ainda sobraria papel. Seriam 6,5 quilômetros.

Esses dados constam em um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) sobre a quantidade de normas editadas no Brasil desde a promulgação da Constituição Federal, Ela completou 33 anos no início de outubro de 2021.

O estudo apresenta informações referentes às normas gerais editadas desde 1988 – foram 6,7 milhões – e um recorte específico sobre a legislação tributária. Somadas as esferas federal, estadual e municipal chega-se a 443.236 regras fiscais. Desse total, no entanto, 6,96%, ou 30.837, estavam em vigor em 30 de setembro. Esse número engloba as normas direcionadas às empresas e também às pessoas físicas.

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Trabalho Informal

Marsílea Gombata (Valor, 10/11/21) informa: a crise da covid-19 deteriorou o mercado de trabalho brasileiro e fez o nível de informalidade acelerar. A proporção de trabalhadores informais na população ocupada é a maior em uma década no Brasil. Economistas afirmam a tendência ser esse percentual crescer no curto prazo e, sem crescimento econômico, dificilmente haver a reversão desse quadro.

O volume de trabalhadores informais chegou a 48,7% da população ocupada, no fim do segundo trimestre de 2021 – dado mais recente -, ante 45,7% no primeiro trimestre de 2012 e o pico anterior de 48,5% no terceiro trimestre de 2019, segundo levantamento da consultoria iDados, com base em microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral.

Isso significa o Brasil ter hoje mais de 42,7 milhões de informais. Essa conta inclui todos os trabalhadores sem carteira assinada e os por conta própria, cuja maioria é informal, mas exclui os empregadores, que são em sua maioria formais.

Na metodologia que inclui trabalhadores sem carteira assinada, os por conta própria e empregadores sem CNPJ, mas exclui os com CNPJ, o percentual de informais chega a 43% no segundo trimestre deste ano, ante 40,9% no primeiro trimestre de 2016 e 44,1% no terceiro trimestre de 2019.

Foi em 2016 que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou a identificar trabalhadores por conta própria com CNPJ, assim como os empregadores sem CNPJ.

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Herança Maldita para um próximo Governo Social-Desenvolvimentista

Marsílea Gombata e Anaïs Fernandes (Valor, 14/10/21) avaliam: a pandemia deixou marcas na economia brasileira que devem se estender pelos próximos anos e levar a desdobramentos que pesarão sobre o produto potencial do país. Mais do que aprofundar a crise pela qual o Brasil passava antes da covid-19, a pandemia pode ter prejudicado em caráter mais duradouro a alocação de recursos, a produtividade e a capacidade de crescimento, dizem economistas.

Diferentemente do que se temia no início da crise sanitária, as cicatrizes não se dão tanto no sentido de perda de capital, com fechamento de empresas, mas no que diz respeito à recuperação do emprego e às perdas de aprendizado com escolas interditadas.

“Não houve fechamento de muitos negócios, como se temia, o que levaria à destruição do estoque de capital e a uma retomada mais lenta no pós-pandemia. Isso foi evitado, as empresas mostraram capacidade de resiliência tremenda e medidas de liquidez ajudaram a atravessar isso sem muitos danos estruturais”, diz Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs. “Mas vamos sair da pandemia extremamente endividados, tanto o governo quanto as famílias, o que levará a um crescimento com debilidade pela frente.”

Há cicatrizes no mercado de trabalho, sofrendo desde a crise de 2014. “Houve contração de proporções bíblicas no mercado de trabalho, que já mostrava ociosidade. Há uma franja de desemprego de longa duração expressiva, com pessoas sem trabalho há anos, o que deve pesar sobre o crescimento.”

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Mercado de Trabalho nos EUA: Falta de Mão-de-Obra

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A falta de mão de obra está se tornando um problema constante da economia dos EUA, fator que está remodelando o mercado de trabalho e levando as empresas a se adaptar elevando os salários, reinventando os serviços e investindo em automação.

Após mais de um ano e meio de pandemia, os EUA ainda estão com 4,3 milhões de trabalhadores a menos. Isso mostra quão maior seria o mercado de trabalho americano se a taxa de participação – a parcela da população de 16 anos ou mais que está ocupada ou procurando emprego – tivesse voltado ao nível de 63,3% de fevereiro de 2020. Em setembro, essa taxa estava em 61,6%.

A falta de trabalhadores ocorre num momento em que os empregadores americanos enfrentam dificuldades para preencher mais de 10 milhões de novas vagas e para atender à disparada da demanda de consumo. Em outro sinal do grau de aperto por que passa o mercado de trabalho, os pedidos de seguro-desemprego – um indicador das demissões em todo o território americano – caíram para 293 mil no começo do mês, a primeira vez desde o início da pandemia em que recuaram para abaixo de 300 mil, segundo o Departamento do Trabalho.

A participação caiu de maneira generalizada, em todos os grupos demográficos e campos profissionais, mas recuou especialmente entre mulheres, trabalhadores sem curso superior e os que operam em setores de serviços de baixa remuneração, como hotéis, restaurantes e atenção à infância.

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Clima Extremo: Calor, Crise Hídrica e Demais Catástrofes Naturais

Em 2012, as autoridades chinesas emitiram um grave aviso em relação à escassez de água. No alerta, elas advertiam a situação piorar a cada dia e mais de dois terços das cidades do país estarem afetados. A segunda maior economia do mundo já estava lutando para enfrentar os custos da degradação ambiental acompanhante do crescimento econômico.

Novos recordes de temperatura foram quebrados pelo mundo no mês de agosto de 2021, com a Sicília (Itália) estabelecendo a nova marca europeia de 48,8o C, e a Espanha atingindo recorde nacional de 47,4o C.

Embora o calor não seja incomum no Mediterrâneo em agosto, uma nova modelagem indica que ondas de calor se tornarão mais longas e intensas se as emissões de gases-estuda aumentarem.

O impacto seria especialmente forte no Hemisfério Sul. No fim do século, o número de dias com temperaturas acima de 35o C pode subir em mais de 200 por ano em partes da América do Sul, no cenário de aumento das emissões. No entanto, num cenário com queda rápida das emissões, o aumento é muito menor: cerca de 58 dias adicionais com temperaturas acima de 35o C até o fim do século.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no mês passado, destacou a diferença entre cenários climáticos possíveis dependendo de quanto o mundo aquecer. Se o planeta aquecer 4o C, então um evento de calor extremo que ocorreria uma vez em 50 anos, teria 39,2 vezes mais probabilidade de ocorrer. Se aquecer 1,5o C, o mesmo evento teria 8,6 vezes mais probabilidade de ocorrer, em comparação com o período de referência, de 1850-1900.

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