Remuneração de Executivos: Caixa-Preta

Letícia Arcoverde (Valor, 10/01/19) informa: pouco mais da metade dos profissionais de alto escalão, média gerência e de suporte à gestão receberam aumento acima da inflação em 2018, segundo levantamento da empresa de recrutamento PageGroup. Para cerca de 35%, houve manutenção do valor da remuneração ou reposição da inflação, enquanto 14% dos cargos pesquisados registraram queda nos ganhos.

Os dados são do guia salarial da consultoria. Ela mapeia a remuneração em 513 cargos de alto escalão, gerência e suporte de diversos setores e áreas. Cerca de seis mil profissionais foram consultados pela pesquisa.

O setor de bancos e outros serviços financeiros teve o número mais expressivo de cargos que receberam aumento real em 2018, com 75% das funções. A digitalização de produtos e a mudança de cultura em grandes bancos, bem como o surgimento de fintechs e outras pequenas empresas de serviços, mudaram o perfil profissional buscado pelas companhias, o que contribuiu para o aquecimento no setor. Continuar a ler

Queda da Força de Trabalho Rural e Desemprego Urbano

Thais Carrança (Valor, 21/01/19) informa: desde o início de 2018, uma questão atormenta analistas que acompanham estatísticas do mercado de trabalho brasileiro: por que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra há meses geração de vagas formais no acumulado de 12 meses, enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua segue apontando destruição de postos com carteira?

Especialistas não têm respostas fechadas para a questão, mas destacam que ambas as estatísticas apontam para um mesmo quadro de melhora muito lenta e gradual do emprego.

“Os dados seguem uma mesma tendência e dá para projetar que, em pouco tempo, a Pnad Contínua vai passar ao campo positivo”, prevê Daniel Duque, pesquisador do Ibre-FGV. Ele lembra que o trabalho formal é mais sensível que o emprego total ao crescimento econômico, previsto para acelerar este ano – de um Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3% em 2018 para 2,6% em 2019, segundo as estimativas do Focus. Continuar a ler

Desemprego Tecnológico devido à Automação Robótica

Robô YOUMI, da fabricante suíça ABB, em ação na fábrica da Unilever; com sensores, consegue avaliar as dimensões do desodorante e gerar relatórios para melhorar o processo

Ana Estela de Sousa Pinto (FSP, 28/01/19) informa: a possibilidade de ser trocado por um robô ou um programa de computador põe em risco 54% dos empregos formais no país, mostra estudo inédito feito com dados brasileiros. Até 2026 seriam fechados 30 milhões de vagas com carteira assinada, se todas as empresas decidissem substituir trabalhadores humanos pela tecnologia já disponível — o número leva em conta a tendência de contratações para as ocupações mais ameaçadas.

Feito pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da UnB (Universidade de Brasília), o trabalho avaliou as 2.602 ocupações brasileiras.

Considerando os trabalhadores com carteira assinada no fim de 2017 (segundo a Rais, do Ministério do Trabalho), cerca de 25 milhões (57,37%) ocupavam vagas com probabilidade muito alta (acima de 80%) ou alta (de 60% a 80%) de automação.

Entram nessas categorias engenheiros químicos (96%), carregadores de armazém (77%) e árbitros de vôlei (71%), por exemplo. Continuar a ler

Salário Mínimo: 43% do Salário Médio e 73% da Renda Mediana dos Ocupados

Arícia Martins (Valor, 11/01/19) informa: em seu último ano de vigência, a política de valorização do salário mínimo parece ter atingido seu limite para elevar o poder de compra da população que tem o rendimento atrelado a ele. Sob ao menos três diferentes óticas, a comparação entre o mínimo e outras medidas de renda ficou relativamente estagnada nos últimos três anos.

Segundo economistas, este é um argumento adicional para que o novo governo altere a regra de reajuste do mínimo. O principal deles é o impacto fiscal: o piso nacional é referência para quase 70% dos beneficiários da Previdência Social, maior rubrica de gasto primário do governo federal. O Itaú estima que, para cada R$ 1 de aumento além da inflação, há um custo adicional de R$ 350 milhões a cada ano, de caráter irreversível. Assim, em um período de dez anos, cada um ponto de alta real do piso gera mais 0,4 ponto de déficit primário.

Após o reajuste nominal de 4,61% sobre 2018, o piso nacional passou a valer R$ 998 a partir de janeiro de 2019, o equivalente a 43,3% da renda média em todo o país. Os cálculos foram feitos pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a pedido do Valor, com base na estimativa da entidade para a evolução da renda real dos ocupados neste ano.

Em 2018, essa a proporção ficou praticamente igual, em 43,2%, também considerando a projeção do instituto para a variação do rendimento médio dos trabalhadores no ano passado. O percentual é muito parecido ao de 2016 e 2017, quando o piso nacional equivaleu a 43,9% e 44,2% da renda média, respectivamente. Continuar a ler

Divulgação de Ilusão: Mobilidade Social

Bruno Villas Bôas (Valor, 28/01/19) informa: se as expectativas sobre a recuperação da economia se confirmarem, 3,9 milhões de famílias podem retornar para classes A, B e C ao longo dos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PSL), no embalo da melhora do emprego e da renda. Quem divulga esse cenário ilusório é da consultoria Tendências em estudo sob encomenda pela casta dos mercadores. Apoiaram o sujeito e agora, para não passarem mais vergonha, além do já passado no primeiro mês de governo, buscam continuar iludindo o eleitorado reacionário.

O estudo mostra: 4,1 milhões de famílias declinaram para as classes D e E (renda de até R$ 2.370) na fase mais aguda do golpismo com locaute empresarial, no biênio 2015-2016. O movimento anulou a ascensão social ocorrida no país de 2005 a 2012, quando o avanço da renda tirou 3,3 milhões de famílias desse piso da pirâmide social.

Iniciada a recuperação da economia, somente devido à comparação com o baixo patamar do ano anterior, ainda com um resto de política social ativa, as famílias teriam começado a retornar para degraus mais altos da renda em 2018. Esse processo poderá se acelerar nos próximos anos. Por que?! Qual será o motor do crescimento?!

O cenário da consultoria prevê mais famílias passarem a integrar as classes C (+1,8 milhão), B (+1,6 milhão) e A (+500 mil) de 2019 a 2022.

Se confirmado o cenário, as classes média e alta (A, B e C) vão representar 47% do total das famílias brasileiras em 2022, fatia maior do que a verificada em 2016 (43%), o pior momento da crise. Mesmo com a recuperação, não volta ao nível de 2014, o período pré-recessivo, quando eram 49% do total. Continuar a ler

Retrospectiva 2012-2018: Éramos Felizes na Era do PT… e Sabíamos!

A taxa de desocupação (11,6%) no trimestre móvel encerrado em dezembro de 2018, caiu -0,3 ponto percentual em relação ao trimestre julho a setembro de 2018 (11,9%). Em relação ao mesmo trimestre de 2017 (11,8%), o quadro é de estabilidade. Já a taxa média anual recuou 0,4 ponto percentual, de 12,7%, em 2017, para 12,3% em 2018.

Indicador/Período Out-Nov-Dez 2018 Jul-Ago-Set 2018 Out-Nov-Dez 2017
Taxa de desocupação 11,6% 11,9% 11,8%
Taxa de subutilização 23,9% 24,2% 23,6%
Rendimento real habitual R$ 2.254 R$ 2.237 R$ 2.241
Variação do rendimento real habitual em relação a: 0,8% (estabilidade) 0,6% (estabilidade)
MÉDIAS ANUAIS / Período 2018 2017 2012
Taxa de desocupação 12,3% 12,7% 7,4%
Taxa de subutilização 24,4% 23,9% 18,4%
Rendimento real habitual R$2.243 R$2.230 R$2.135
Variação do rendimento real habitual em relação a: 0,6% (estabilidade) 5,1%

população desocupada (12,2 milhões) caiu -2,4% (menos 297 mil pessoas) frente ao trimestre de julho a setembro de 2018. No confronto com igual trimestre de 2017, houve estabilidade. Entre 2014 e 2018, o contingente médio passou de 6,7 para 12,8 milhões (mais 6,1 milhões de pessoas), ou seja, quase dobrou (alta de 90,3%).

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Cenário 2019: Saúde

Leila Souza Lima (Valor, 28/12/18) avalia: muitas dúvidas e poucas certezas devem marcar o início do governo Bolsonaro na saúde. Os especialistas não sabem ainda muito bem o que esperar nessa área, mas a impressão geral é que entre as ideias apresentadas durante a campanha eleitoral nenhuma responde a fundo às necessidades mais urgentes do setor. O desafio é dar conta de questões como as rápidas transições demográfica e epidemiológica e os custos crescentes decorrentes delas e da incorporação tecnológica.

Para especialistas ouvidos pelo Valor, falta também uniformidade entre as ideias do presidente eleito e seu futuro ministro da Saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Teme-se, inclusive, retrocessos em velocidade como consequência das restrições impostas pelo teto dos gastos, defendido por Bolsonaro.

Atendimento precário a pacientes no corredor do Hospital Salgado Filho, no Rio: Estados e municípios não conseguem mais destinar recursos ao sistema de saúde, estrangulados por folhas de pagamento e alguns até quebrados

“De fato a saúde terá relevância? Na campanha não teve. Não expuseram nada à altura das expectativas e necessidades da população”, diz Mário Scheffer, especialista em medicina preventiva e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em política, planejamento e gestão em saúde. “As pesquisas sempre apontam a saúde como fator de maior importância para brasileiros. O SUS está de pé, tivemos momentos de compromisso, mas não foi suficiente. Ministros políticos, de fora da área, criam obstáculos. Esperemos então que o novo retome a liderança política como alguém que compreende o setor.”

As despesas com o consumo final de bens e serviços de saúde no Brasil atingiram R$ 546 bilhões em 2015, o equivalente a 9,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Conta-Satélite de Saúde do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, R$ 231 bilhões (3,9% do PIB) foram gastos do governo, e R$ 315 bilhões (5,2% do PIB), de famílias e instituições filantrópicas. Bolsonaro diz que não destinará mais recursos ao Sistema Único de Saúde (SUS) por considerar que o gasto do sistema é suficiente, mas mal empregado. Para os especialistas, esse diagnóstico não tem sustentação técnica e o novo governo terá que se equilibrar entre a cobrança social e as medidas de austeridade fiscal que promete abraçar. Continuar a ler