Conclusões Parciais do Livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”

No fim de cada capítulo do livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (Rio de Janeiro: Record, 2019) de coautoria de Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund, eles fazem um resumo das principais lições. Sintetizo-as abaixo.

Instinto de Separação

O que você precisa para caçar, capturar e substituir concepções equivocadas? Dados. Você tem de mostrar os dados e descrever a realidade por trás deles.

Seu desafio é reconhecer quando uma história diz respeito a uma separação. Se isso pinta um quadro de dois grupos divididos, com uma lacuna no meio, confronte-a com a realidade. Ela, frequentemente, não é nem um pouco polarizada. Geralmente, a maioria está bem ali, no meio, onde supostamente deveria haver uma separação.

Para controlar esse instinto, procure a maioria, isto é, a moda estatística.

Tenha cautela em relação a comparações de médias. Se puder conferir as extensões, você provavelmente vai descobrir haver uma sobreposição. Provavelmente não existe nenhuma lacuna.

Tenha cautela em relação a comparações extremas. Em todos os grupos, de países ou pessoas, há alguns no topo e alguns na base. A diferença às vezes é extremamente injusta. Mas mesmo nesse caso a maioria geralmente está em alguma parte no meio, bem onde a separação deveria estar.

Cuidado com a visão daqui de cima. Lembre-se: olhar do alto para baixo distorce a visão. Todo o resto parece igualmente baixo, mas não é.

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Instinto da Generalização

Hans Rosling, no livro póstumo “Factfulness: O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”, diz respeito ao instinto de reducionismo genérico.

Todos, em todas as partes, sabem que pessoas de tribos diferentes têm costumes diferentes. Porém, todo mundo automaticamente categoriza e generaliza o tempo inteiro. De forma inconsciente.

Não é uma questão de ser preconceituoso ou esclarecido. Categorias são absolutamente necessárias para buscar análise do mundo real. Elas estruturam nossos pensamentos. Imagine se víssemos cada indivíduo e cada cenário como verdadeiramente únicos — nem mesmo teríamos uma linguagem para descrever o mundo ao redor.

O necessário e útil instinto de generalizar, como todos os outros instintos tratados nesse livro, também pode distorcer nossa visão de mundo. Pode fazer agruparmos de forma equivocada coisas, pessoas ou países. Eles, na realidade são bastante diferentes.

Pode fazer assumirmos tudo ou todos em uma categoria serem similares. E, talvez o pior de tudo, pode fazer nos apressarmos em tirar conclusões sobre toda uma categoria com base em alguns poucos exemplos raros, ou mesmo um único.

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Instinto de Negatividade

O segundo capítulo do livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (Rio de Janeiro: Record, 2019) de coautoria de Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund é sobre o instinto de negatividade: nossa tendência de prestar atenção mais nas coisas ruins em vez de nas boas. Esse instinto está por trás da segunda grande e equivocada concepção.

“As coisas estão piorando” é a afirmação mais escutada sobre o mundo. É absolutamente verdade haver muitas coisas ruins neste planeta.

O número de mortes por guerra vem caindo desde a Segunda Guerra Mundial, mas com a guerra síria houve uma reversão nessa tendência. O terrorismo também está crescendo de novo.

Em sua opinião de médico com desconhecimento de Economia, Hans Rosling diz: “O colapso do mercado imobiliário dos EUA em 2008, que não foi previsto por nenhuma autoridade reguladora, decorreu das amplamente disseminadas ilusões quanto à segurança de investimentos abstratos. Quase ninguém os entendia. O sistema continua tão complexo hoje como na época, e uma crise semelhante poderia acontecer de novo.

Para o nosso planeta ter estabilidade financeira, paz e recursos naturais protegidos, há uma coisa imprescindível: a colaboração internacional, fundada em uma compreensão global compartilhada e baseada em fatos. A atual falta de conhecimento sobre o mundo é, portanto, o mais preocupante problema de todos.”

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Mundo Binário: Equivocadamente Analisado por Comparações de Médias, Comparações de Extremos e Visão de Cima

O livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (Rio de Janeiro: Record, 2019) de coautoria de Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund argumenta: porque os seres humanos têm um forte instinto dramático direcionado a um pensamento binário, há uma compulsão básica para dividir as coisas em dois grupos distintos, com nada exceto uma lacuna no meio.

Adoramos dicotomias. Bem versus mal. Heróis versus vilões. Meu país versus o resto. Dividir o planeta em dois lados distintos é simples e intuitivo, e também dramático porque implica conflito. Nós fazemos isso sem pensar, o tempo inteiro.

Jornalistas sabem disso. Eles constroem suas narrativas como conflitos entre duas pessoas, visões ou grupos opostos. Eles preferem histórias de extrema pobreza e bilionários, em vez de histórias sobre a vasta maioria das pessoas lentamente se arrastando na direção de uma vida melhor.

Jornalistas são contadores de histórias. Assim como as pessoas produtoras de documentários e filmes. Os documentários mostram o frágil indivíduo enfrentando a grande e maligna corporação. Filmes blockbusters geralmente apresentam uma luta entre o bem e o mal.

O instinto de separação faz imaginarmos:

  • uma divisão onde há apenas uma variação suave;
  • uma diferença onde há convergência; e
  • um conflito onde há concordância.

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Instinto de Separação

É grande e equivocada a concepção usual de “o mundo estar dividido em dois”.

O primeiro capítulo do livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (Rio de Janeiro: Record, 2019) de coautoria de Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund é sobre o primeiro de nossos dez instintos dramáticos. São eles:

  • O instinto de separação
  • O instinto de negatividade
  • O instinto de linha reta
  • O instinto de medo
  • O instinto de tamanho
  • O instinto de generalização
  • O instinto de destino
  • O instinto de perspectiva única
  • O instinto de culpar
  • O instinto de urgência

O instinto de separação é aquela tentação irresistível de dividir todos os tipos de coisas em dois grupos distintos e frequentemente conflitantes, com uma lacuna imaginária — um enorme abismo de injustiça — no meio. Esse instinto de separação cria uma imagem na cabeça das pessoas com um mundo rachado em dois tipos de países ou dois tipos de pessoas: rico versus pobre.

Não é fácil rastrear uma concepção errônea. As grandes e equivocadas concepções têm um impacto enorme sobre a maneira errada com a qual é enxergado o mundo. Ao dividir o mundo em duas categorias enganadoras — pobres e ricos —, esse instinto de separação distorce completamente todas as proporções globais na cabeça das pessoas.

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Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos

Hans Rosling (1948-2017) foi o palestrante TED mais didático e desafiador visto por mim. Ele testava o conhecimento da plateia como um professor faz em sala-de-aula, motivando a busca por maior atualização em termos de fatos e dados. Ele foi médico de saúde pública, inclusive na África, pesquisador e palestrante sobre saúde global.

Foi lançado um livro póstumo com sua obra: “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos” (Rio de Janeiro: Record, 2019). É de coautoria dele e sua família colaboradora. As ilustrações e gráficos são baseados em material gratuito da Fundação Gapminder (https://www.gapminder.org/), criados por Ola Rosling e Anna Rosling Rönnlund.

Em 2005, fundaram a Fundação Gapminder, com a missão de combater a ignorância com uma visão de mundo baseada em fatos. Ola e Anna ficaram responsáveis pela análise de informações, explicações visuais inventivas, histórias envolvendo dados e um design de apresentação simples. Foi ideia deles medir sistematicamente a ignorância. Eles projetaram e programaram os gráficos dinâmicos de bolhas proporcionais, marca registrada das palestras de Hans Rosling.

Este livro é sobre o mundo real e sobre como compreendê-lo. Compartilhado com o leitor um conjunto de ferramentas simples para pensar. Elas irão ajudá-lo a compreender bem o quadro geral. Melhorará seu senso de como o mundo funciona, sem precisar aprender todos os detalhes estatísticos.

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Público Alvo dos Sabidos Pastores Evangélicos


Mulheres respondem por 58% do naco religioso evangélico, seis pontos acima da parcela feminina do país (52%), segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 5 e 6 de dezembro de 2019, com 2.948 entrevistados em 176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Entre as congregações neopentecostais, em igrejas como a Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo a participação do mulherio chega a 69%.

A ala feminina nos templos evangélicos fica ainda mais evidente se comparada com o catolicismo — ainda a maior crença nacional, embora em processo contínuo de retração (preferência de 90% nos anos 1980 e 50% hoje). Entre adeptos dessa fé, mulheres são 51%, e homens, 49%. Compatível, portanto, com a representação dos dois gêneros na sociedade.

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