Tendência Demográfica Efetivada: Falta de Mão de Obra na Alemanha

Pare o Monstro da Inflação!

Sabine Kinkartz (BONN/ALEMANHA Deutsch Weller, 02/08/22) informa: quem quiser comer fora por estes dias na Alemanha poderá até encontrar uma mesa, mas talvez não haja pessoal nem para cozinhar, nem para servir. E esse é apenas um setor em que no momento falta mão de obra no país: trens e aviões se atrasam ou são cancelados por falta de funcionários nas estações e aeroportos.

Segundo uma pesquisa da DIHT (Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio), cerca de 56% das companhias sofrem falta de pessoal, e todas as empresas consultadas consideram esse um dos maiores riscos que enfrentam atualmente.

A Agência Federal do Trabalho (BA) registrou gargalos em 148 áreas trabalhistas, além de risco em outras 122. Pode levar até oito meses para se preencher uma vaga num lar para idosos; nas companhias de construção, o prazo é de seis meses; em todo o país há mais de 1,7 milhão de postos de trabalho em aberto.

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Discriminação Internacional por Nacionalidade

Simon Kuper (FT, 28/07/22) resenhou um novo livro, “Inside Qatar”, o antropólogo John McManus pede a um barista nepalês em Doha para explicar a hierarquia do país no Golfo Pérsico: “Quem está no topo?”, pergunta o escritor. “Os qatarianos, é claro”, responde o barista. “Em segundo, os países europeus e os Estados Unidos. Em terceiro, outros países árabes e nacionalidades.” E embaixo? “Sempre Nepal, Índia, Sri Lanka.” Um escalão pode ter ficado faltando, como McManus sugere: “Todos os guardas de segurança são africanos negros”.

Temos familiaridade com as noções de discriminação de raça e de gênero, mas o que está sendo descrito aqui é uma discriminação pela nacionalidade. Ela se manifesta de sua forma mais crua e descarada no Qatar, em parte porque pessoas do mundo inteiro confluem para o país. Mas ela existe em todas as cidades globais e ambientes de trabalho internacionais. Há uma sobreposição apenas parcial entre a discriminação de nacionalidade e a racial: um americano negro geralmente terá um status maior que um ganense, assim como um sueco terá um maior que um lituano. Essa hierarquia tácita de nacionalidades provoca distorções no rumo de muitas vidas.

A ideia básica é a de que uma nacionalidade é vista como uma habilidade. O escritor Alex Bellos escreve: “A frase ‘jogador de futebol brasileiro’ é como as frases ‘chef francês’ ou ‘monge tibetano’. A nacionalidade expressa uma autoridade, uma vocação inata para o trabalho — qualquer que seja essa habilidade natural”. Um jogador de futebol brasileiro será, portanto, mais valorizado que um mexicano tão bom quanto, enquanto um engenheiro alemão será contratado mais rápido que um guatemalteco.

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Grande Reversão Demográfica

No livro A Grande Reversão Demográfica: Sociedades Envelhecidas, Desigualdade em Declínio e um Renascimento da Inflação, lançado em inglês em 2020, Charles Goodhart e Manoj Pradhan se concentram nos efeitos da demografia e da globalização nas tendências de longo prazo nas finanças e na economia produtiva. Essas tendências são lentas e operam em nível global – e, em geral, não são analisadas no plano conjuntural.

Nas próximas três ou quatro décadas, o declínio constante nas taxas de natalidade, iniciado na década de 1950 em muitas sociedades avançadas, notadamente na Europa, ficará abaixo da taxa na qual o tamanho da população é autossustentável. Isso trará uma redução acentuada no crescimento da força de trabalho em muitos países integrados ao sistema de comércio mundial, fenômeno ocorrido nas três últimas décadas com a ascensão da China e a abertura da Europa Oriental à União Europeia.

Haverá um declínio absoluto na força de trabalho em grandes economias: Japão, China e maior parte do norte da Ásia, bem como em vários países da Europa continental, como Alemanha, Itália, Espanha e Polônia. Enquanto isso, extensões da expectativa de vida, com melhorias nas taxas de morbidade e mortalidade, levarão a um rápido aumento no número de aposentados acima de 65 anos com maior longevidade.

Por isso, Goodhart e Pradhan apresentam um necessário estudo interdisciplinar com a demografia, onde se integra a perspectiva médica do envelhecimento populacional com a economia, destacando a incidência cada vez maior de dependência física e demência. Cabe explorar o progresso médico e as estimativas do custo de detecção, tratamento e cuidados para aqueles com sofrimento de demência.

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Grande Expansão Demográfica

No livro A Grande Reversão Demográfica: Sociedades Envelhecidas, Desigualdade em Declínio e um Renascimento da Inflação, lançado em inglês em 2020, Charles Goodhart e Manoj Pradhan se concentram nos efeitos da demografia e da globalização nas tendências de longo prazo nas finanças e na economia real. Essas tendências geralmente são lentas e operam em nível global – e não são analisadas no plano nacional.

Como a maior parte das análises macroeconômicas preocupam-se apenas com a oscilação cíclica e em nível local, a importância desses fatores de crescimento em longo prazo tem sido largamente ignorada. Os fatores demográficos e a globalização foram os grandes responsáveis pelas pressões deflacionárias nas últimas três décadas.

Mas essas forças estão se revertendo. Desse modo, as principais economias do mundo voltarão a enfrentar pressões inflacionárias nas próximas três ou mais décadas.

A ascensão da China e a demografia criaram uma combinação capaz de ditar a trajetória da inflação, taxas de juros e desigualdade nas últimas três décadas. Mas o futuro não será nada parecido com o passado – e estamos em um ponto de inflexão.

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Queda do Brasil no Ranking de Populações

O Brasil deve perder em breve o posto de sexta nação mais populosa do mundo. Com crescimento acelerado, a Nigéria vai ultrapassar o país ainda este ano, desbancando-o para a sétima posição, de acordo com projeções de relatório da ONU publicado nesta segunda-feira (11).

O Brasil chegará ao final de 2022 com 215,3 milhões de habitantes. Já o país da costa oeste da África alcançará 218,5 milhões. Chama a atenção o ritmo de crescimento nigeriano, que há 50 anos tinha população equivalente a 60% da do Brasil no mesmo período.

Os números compõem o relatório World Population Prospects, cuja edição deste ano traz estimativas inéditas que levam em conta a pandemia de Covid. Para o Brasil, o documento ajuda a preencher uma lacuna de dados deixada pela ausência do Censo Demográfico, adiado por dois anos consecutivos —a última edição é a de 2010, e a de 2022 está prevista para começar em 1º de agosto.

O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes e, então, entrar em decréscimo, chegando ao final do século com cerca de 184,5 milhões —14% a menos do que tem hoje.

Assim, o país chega em 2100 fora da lista dos dez mais populosos do mundo —deverá estar na 11ª posição, seguido pelo arquipélago das Filipinas. Até lá, será desbancado por República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia, Tanzânia e Egito.​

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Cadastro Central de Empresas 2020: número de assalariados cai, enquanto aumenta o número de empresas sem empregados (“pejotizados”) no ano inicial do Pandemônio da Pandemia

  • Resumo:
  • Em 2020, o número de pessoas ocupadas assalariadas em empresas e outras organizações ativas chegou a 45,4 milhões, recuando 1,8% frente a 2019, ou menos 825,3 mil postos de trabalho formais no país.
  • No mesmo período, o número de empresas e outras organizações ativas cresceu 3,7% frente a 2019, chegando a 5,4 milhões e o número de sócios e proprietários aumentou 4,3%, totalizando 7,3 milhões.
  • O número de empresas sem assalariados cresceu 8,6% (ou mais 227,3 mil). Já o número de empresas com assalariados recuou em todas as faixas de pessoal.
  • Em 2020, enquanto o número de homens assalariados caiu 0,9%, o de mulheres caiu 2,9%. Do total de 825,3 mil postos de trabalho perdidos entre 2019 e 2020, cerca de 593,6 mil (ou 71,9%) eram ocupados por mulheres.
  • Com isso, pela primeira vez desde 2009, caiu a participação feminina entre os assalariados das empresas formais do país: de 44,8% em 2019 para 44,3% em 2020. Foi a menor participação feminina desde 2016.
  • As maiores reduções de assalariados foram nas atividades de Alojamento e alimentação (-373,2 mil), Administração pública, defesa e seguridade social (-233,9 mil) e Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (-221,7 mil). Já o maior aumento (139,3 mil assalariados) foi em Saúde humana e serviços sociais.
  • A maior queda percentual de assalariados foi em Alojamento e alimentação (-19,4%), retração recorde dessa atividade na série histórica do CEMPRE. Em seguida está Artes, cultura, esporte e recreação (-16,4%), outra queda recorde.
  • Em 2020, a massa salarial (R$1,8 trilhão) recuou 6,0% frente a 2019, a maior queda na série histórica da pesquisa. Já o salário médio pago pelas empresas do país caiu 3,0% frente a 2019, chegando a R$3.043,81, ou 2,9 salários mínimos.

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Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021

O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% em 2021 e passou de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353. Este é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021, divulgada hoje (10) pelo IBGE. Norte e Nordeste foram as regiões que apresentaram os menores valores (R$ 871 e R$ 843, respectivamente) e também as maiores perdas entre 2020 e 2021 (de 9,8% e 12,5%, nessa ordem). Já as regiões Sul e Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos (R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente).

“Esse resultado é explicado pela queda do rendimento médio do trabalho, que retraiu mesmo com o nível de ocupação começando a se recuperar, e também pela diminuição da renda das outras fontes, exceto as do aluguel”, explica Alessandra Scalioni, analista da pesquisa, apontando a mudança nos critérios de concessão do auxílio-emergencial ocorridas em 2021 como uma das principais causas da queda no rendimento de outras fontes.

O percentual de pessoas com algum rendimento, de qualquer tipo, na população do país também caiu: de 61% para 59,8%, retornando ao percentual de 2012, o menor da série. Houve redução em todas as regiões, principalmente no Norte. O Sul (64,8%) continua com a maior estimativa, como aconteceu em todos os anos da série histórica. As menores são nas regiões Norte (53,0%) e Nordeste (56,3%).

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Modelo de Trabalho Híbrido: Presencial + Home Office

Barbara Bigarelli e Stela Campos (Valor, 27/05/22) informam: as empresas não desistiram da cultura presencial e agora se veem com o desafio de construir o “melhor dos dois mundos” ao adotar o modelo híbrido. Mas as tensões de alcançar esse equilíbrio estão apenas começando e o futuro do trabalho exige quebrar paradigmas que nem a pandemia foi capaz.

Uma pesquisa da consultoria Deloitte com 112 empresas, sendo 57% grandes corporações, indica que 46% delas já adotaram trabalho flexível, sendo que mais da metade está no híbrido e 17% com posições 100% home office. “É um modelo que promete flexibilidade em um nível diferente e também permite capitalizar com mais força as interações presenciais no escritório”, afirma Tatiana Iwai, professora de liderança do Insper.

A decisão pelo híbrido, e dos dias nos quais funcionários passarão remotos ou no escritório, é só o início de uma série de escolhas que precisam ser tomadas. “Para capitalizar o melhor dos dois mundos, a liderança agora tem um papel crucial em conciliar as tensões naturais deste modelo”, diz.

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MEI: Fim de Linha do Sonho Neoliberal do Microempreendedorismo

Maria Cristina Fernandes (Valor, 10/09/21) Com a resistência das empresas em reajustar a tarifa ou aumentar o valor dos repasses, um quarto dos motoristas de aplicativos já desistiu de rodar na capital paulista, nas contas da associação dos trabalhadores do setor. Crescem as reclamações de usuários sobre a demora no atendimento.

Dilson é um dos 32 milhões de brasileiros que, nas contas do instituto Locomotiva, conseguem renda por algum tipo de aplicativo. São pessoas que voltaram a trabalhar depois da aposentadoria, deixaram o mercado de trabalho formal ou não chegaram nem mesmo a nele ingressar. Uma parte deles abriu uma microempresa para isso.

Do entregador à manicure, agora todo mundo é MEI. São 11,8 milhões delas que respondem por 56% dos negócios feitos hoje no Brasil. Quem ainda não é MEI quer ser. No mapeamento de buscas do Google, a Bites identificou que o interesse pelas MEIs é o dobro daquele verificado em relação ao seguro desemprego. São 500 mil buscas por mês por informações sobre microempreendedor individual e um total de 6 milhões acumuladas.

No momento mais quente da tramitação da PEC do voto impresso, o interesse por MEI foi 20 vezes maior do que pela urna eletrônica. A MEI começou a ombrear até mesmo o auxílio emergencial. O interesse no benefício, que, em abril deste ano, chegou a ser 90 vezes aquele registrado pela microempresa individual, agora caiu para quatro.

Isso não se refletiu na produção de conteúdo nem no discurso da política. De maio para cá, produziram-se 18 mil artigos sobre voto impresso nas redes sociais, a grande parte por sites bolsonaristas. Já as MEIs originaram 676 artigos. Os políticos também pouco lhe deram bola. Foram 248 posts de deputados federais sobre o tema nos últimos 12 meses. No mesmo período, produziram-se 130 mil sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Quem se interessa por inflação e desemprego é economista e jornalista. Quem está na ponta da linha já vive ambos e busca mesmo é como se livrar de um e do outro. Se a política e as bolhas das redes sociais não lhe dão bola, os bancos já se ocupam deles, especialmente os digitais. Nos últimos 12 meses, este segmento de clientes teve um crescimento de 62% no Original e 98% no Inter.

O estouro das MEIs, ao contrário da fé bolsonarista, não traduz um povo que troca o assistencialismo pelo empreendedorismo. É antes reflexo da trava imposta pelo governo aos benefícios sociais. A restrição do acesso e a redução de valores mitigam a busca por benefícios como o Bolsa Família e o seguro-desemprego.

Se não dá para conseguir, de que adianta procurar? É o que mostra Marta Arretche em artigo, ainda inédito, com um grupo de outros três pesquisadores do Centro de Estudos da Metrópole (Pedro de Souza, Heloísa Fumiani e Rogério Barbosa).

O texto compara o desempenho de dois programas inscritos na Constituição que (ainda) têm como piso o salário mínimo, a aposentadoria do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (garantidos aos não contribuintes acima de 65 anos), com aqueles que, sujeitos às flutuações das políticas públicas adotadas por cada governo, têm seu valor real em declínio e seu acesso cada vez mais restrito: o Bolsa Família e o seguro-desemprego.

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Empobrecimento depois de Governos Social-Desenvolvimentistas de Lula/Dilma

Lucianne Carneiro (Valor, 25/04/22) informa: mesmo com alguma redução frente a 2021, a parcela dos pobres no total dos brasileiros deve encerrar 2022 acima da que estava há dez anos, em 2012. Um estudo da Tendências Consultoria prevê que a participação das classes D/E no total de domicílios brasileiros deve fechar o ano em 50,7%. Isso representa recuo em relação a 2021 (quando era de 51,3%), mas ainda acima da metade do total e também superior aos 48,7% de 2012.

As projeções de longo prazo da consultoria também apontam que levará sete anos, até 2028, para se retomar o nível observado em 2014, de 47%, o menor da série histórica do levantamento, iniciado em 1999.

O estudo considera como classe D/E aqueles domicílios com renda mensal até R$ 2,9 mil, a preços de novembro de 2021. O montante considera os recursos disponíveis para toda a família. Ou seja, quanto mais numerosa ela for, menor é o valor para cada um do domicílio. O grupo reúne, portanto, pobres e também extremamente pobres, ou miseráveis, com renda mais perto do limite inferior da faixa de renda das classes D e E.

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Estratificação Social

Lucianne Carneiro (Valor, 18/04/22) fez reportagem a respeito das diferenças entre classes sociais – mais ligadas à sociologia e aos aspectos culturais – e classes econômicas. Estas consideram essencialmente critérios de renda, apontam especialistas. Mesmo a divisão por classes de renda tem mais de um parâmetro, já que não há medida oficial da estratificação social no país.

Pesquisadores e consultorias constroem suas classificações, com faixas de renda diversas, a partir de dados de rendimento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de outras fontes, como transferências sociais, aposentadorias, aluguel e investimentos.

Pelo critério monetário, a classe média é a classe C, que está na média da renda da população brasileira. Em geral, é uma parcela da população que depende quase exclusivamente da renda do trabalho, seja ele formal ou informal. É um grupo que vive com mais vulnerabilidade econômica, por estar mais próximo da base da pirâmide de renda. Mesmo considerando diferentes divisões monetárias, analistas são unânimes em destacar o empobrecimento da classe C nos últimos anos.

É um processo que começou na recessão dos anos 2015 e 2016, não foi contornado no pós-crise por causa da recuperação fraca da economia e acabou sendo reforçado com a pandemia.

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Empreendedorismo em Favelas

João Luiz Rosa (Valor, 14/04/22) avalia: quem mora em uma das mais de 13 mil favelas existentes no Brasil sabe da força econômica do lugar onde vive: é das próprias favelas que muitos tiram seu sustento. Agora, com ações de empreendedorismo e inovação, comunidades que sempre ficaram à margem das políticas públicas estão ganhando visibilidade para mostrar aos demais brasileiros – os que vivem no asfalto – seu potencial para consumir produtos e serviços, criar negócios, gerar empregos e desenvolver tecnologia. É a favela como geradora de riqueza.

Por ano, a renda própria dos moradores de favela movimenta R$ 124,1 bilhões no país. É mais que a riqueza produzida por 20 das 27 unidades formadas por 26 Estados e o Distrito Federal ou por países inteiros como Uruguai, Paraguai e Bolívia, revela uma pesquisa inédita do instituto Data Favela. Se fosse um Estado, mostra o levantamento, a favela seria o 4o mais populoso do país, com 17 milhões de habitantes, atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio.

“Favela não é carência; é potência”, diz Celso Athayde, presidente da Favela Holding, que reúne 22 empresas, todas originadas na favela e orientadas a seus moradores. Em fevereiro, Athayde lançou um fundo de R$ 50 milhões para investir em startups com esse DNA. Amanhã, no World Trade Center, em São Paulo, ele vai abrir a Expo Favela, que durante dois dias reunirá empreendedores, marcas e investidores interessados em fazer negócios e aproximar o asfalto do morro.

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