Emprego e Questões Sociais no Mundo

Perda salarial globalAssis Moreira (Valor, 19/05/15) informa que o déficit de demanda global alcança US$ 3,7 trilhões, por causa do impacto do desemprego e dos salários baixos sobre consumo, investimentos e receita pública, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT). No relatório “Emprego e Questões Sociais no Mundo“, a entidade aponta uma profunda mutação no trabalho, em período em que a economia mundial não cria empregos suficientes.

A organização estima que o desemprego atingia 201 milhões de pessoas no mundo em 2014, ou 30 milhões a mais do que antes do início da crise financeira global, em 2008. Nesse cenário, criar empregos para mais de 40 milhões de pessoas que chegam cada ano ao mercado de trabalho é um verdadeiro desafio.

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Déficit na Rede de Saneamento

Déficits na rede de saneamento Déficit de Saneamento nas capitaisCoisa que aprendi na Caixa: não falta dinheiro federal para diminuir o déficit de saneamento no Brasil. Falta sim vontade política dos governos locais, sejam estaduais, sejam prefeituras, para superar a incapacidade técnica de elaborar projetos aceitáveis para o financiamento.

Andrea Vialli (Valor, 15/05/15) informa que o déficit de saneamento básico afeta todas as regiões brasileiras, os Estados ricos e pobres, reduz a expectativa de vida da população e até seu salário. De Norte a Sul do país, é possível verificar extremos como os Estados de Rondônia, onde 94% das moradias não são atendidas pela coleta de esgoto, e São Paulo, onde a falta de saneamento afeta 13,3% das residências. Em números de moradias, as carências se espalham: o Rio Grande do Sul concentra 3 milhões de domicílios sem coleta de esgoto (84% do total) e a Bahia tem 2,2 milhões de casas que não estão ligadas à rede coletora, segundo dados de 2010 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Os números foram compilados para a publicação “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro“, estudo coordenado pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) para traçar uma radiografia dos impactos econômicos da falta de saneamento, além dos benefícios que sua universalização traria em indicadores econômicos e de qualidade de vida, como saúde, educação, trabalho e renda, valorização de imóveis e incrementos na indústria do turismo.

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Causas da Alta da Inflação de Serviços

Demand for Services

Alex Ribeiro (Valor, 18/05/15) informa que um estudo feito por um economista do Banco Central mostra que, ao contrário do que muitos acreditam, a nova classe média não é a principal responsável pelo aumento da inflação de serviços nos últimos anos. Na verdade, o maior “culpado” são os brasileiros que ascenderam ao topo da pirâmide de renda.

A partir de dados coletados na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), André de Queiroz Brunelli chegou à conclusão de que os cerca de 9 milhões de brasileiros que ascenderam às classes A e B entre 2003 e 2009 responderam por 53,4% do aumento de gastos agregados com serviços ocorrido no mesmo período.

Já os 42 milhões de brasileiros que ascenderam à classe C — o que representa mais de quatro vezes o número de pessoas que subiram aos patamares mais altos de renda — responderam por 45,2% do aumento dos gastos com serviços entre 2003 e 2009.

A íntegra do trabalho, com o título em inglês “Demand for Services Rendered to Families in Brazil in the 2000’s: An Empirical Analysis of Consumer Patterns and Social Expansion”, de Andre de Queiroz Brunelli, está disponível no seguinte endereço na página do BC na internet: http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps381.pdf

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Rotatividade de Mão-de-Obra por Setor

Rotatividade da mão-de-obra por setor

A alteração na regra de concessão do seguro-desemprego atinge em cheio atividades como construção civil e agricultura, onde a rotatividade é crônica e é muito difícil permanecer por 18 meses em um ou mais empregos com carteira assinada no prazo de 24 meses, como define a nova regra. Esses setores já estão se movimentando para forçar uma mudança na nova proposta de legislação.

Juntas, construção civil e agricultura representaram, entre janeiro e novembro de 2014, 3,6 milhões de demissões, ou quase 20% do total de 19,4 milhões de desligamentos que ocorreram no período no país. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

As medidas anunciadas pelo governo atingem as pessoas mais vulneráveis. É claro que há distorções e abusos em algumas situações. Mas é difícil aceitar novas regras de acesso ao seguro-desemprego sob o ponto de vista de reduzir rotatividade, pois nesse caso o efeito é nulo.

Nos últimos anos, houve benefícios para diversos setores como, por exemplo, a desoneração da folha de pagamento e redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros. Agora, a “lógica do mercado” quer fazer ajuste fiscal em cima da parcela mais vulnerável.

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Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil

Mais da metade da população no Brasil (55,9%) residia, em 2010, em municípios que formavam os arranjos populacionais, ou seja, agrupamentos de dois ou mais municípios com forte integração populacional, devido aos movimentos pendulares para trabalho ou estudo, ou à contiguidade entre manchas urbanas. Isso representava 106,8 milhões de pessoas em 294 arranjos, formados por 938 municípios. Deslocavam-se, entre os municípios do próprio arranjo a que pertencem, 7,4 milhões de pessoas, por motivo de trabalho e/ou estudo. Levando-se em conta que 27 arranjos são fronteiriços, ou seja, formados também por unidades político-administrativas em outros países, o número de residentes totalizava 107,7 milhões.

É o que revela o estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil”, que mostra, ainda, o Sudeste com o maior número de arranjos (112), que englobam 72,0% da população da região (57,8 milhões) e o Norte com o menor número (17), envolvendo 23,5% da população local (3,7 milhões). Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Palmas (TO) são as únicas capitais estaduais que não formam arranjos populacionais. As cinco maiores concentrações urbanas eram:

  1. “São Paulo/SP” (19,6 milhões de habitantes),
  2. “Rio de Janeiro/RJ” (11,9 milhões),
  3. “Belo Horizonte/MG” (4,7 milhões),
  4. “Recife/PE” (3,7 milhões) e
  5. “Porto Alegre/RS” (3,6 milhões).

As concentrações urbanas se caracterizam por forte deslocamento para trabalho e estudo entre seus municípios. Nas duas maiores, os deslocamentos envolvem mais de 1 milhão de pessoas. É o caso de “São Paulo/SP”, com 1.752.655 pessoas se deslocando entre seus municípios, e do “Rio de Janeiro/RJ”, com 1.073.831. Os maiores fluxos ocorrem entre os municípios de Guarulhos (SP) e São Paulo (SP), Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), Duque de Caxias (RJ) e Rio de Janeiro (RJ) e entre Osasco (SP) e a capital paulista.

Apesar de separados por aproximadamente 430 quilômetros de distância, o eixo Rio de Janeiro – São Paulo apresenta um movimento de 13,4 mil pessoas entre seus arranjos, 57,7% delas se deslocando somente em função do trabalho e 40,5% somente devido ao estudo. Da mesma forma, a ligação entre os arranjos de “Goiânia/GO” e “Brasília/DF” promovia um fluxo de 8,8 mil pessoas.

Além de possibilitar um maior conhecimento da realidade urbana brasileira, o estudo fornece subsídios adicionais para a elaboração de políticas públicas, assim como, estimula a parceria entre os municípios envolvidos. É possível acessar a íntegra do estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil” no link abaixo:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/geografia_urbana/arranjos_populacionais/default.shtm.

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IBGE: Mapas das Áreas Urbanizadas do Brasil – 2005

O IBGE disponibiliza, no seu portal na internet, um conjunto de mapas das “Áreas Urbanizadas do Brasil”.

Este trabalho é fruto da análise e mapeamento (vetorização) de áreas urbanizadas a partir de imagens de satélite CBERS-2B, em escala 1:100.000 (1cm = 1km). A maioria das imagens que serviram de base para o mapeamento é do período de 2005 a 2007.

Os mapas estão disponíveis, em formato digital, na página do IBGE na Internet, no link:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/geografia_urbana/areas_urbanizadas/default.shtm

Mapas (em formato PDF):

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Economista Carioca: Bairrista ou Cosmopolita?

Rio-São-Paulo

Meu avô paterno era português. Morava na Avenida Visconde do Pirajá, em Ipanema, no Rio. Meus avós maternos eram mineiros, mas moraram, nos anos 50s, na Avenida Atlântica em Copacabana em apartamento com varandão voltado para o mar. Parte das férias na minha infância eram sempre passadas lá.

Meu pai era mineiro, assim como são nascidos em Minas Gerais minha mãe e meus quatro irmãos. Cada qual já morou em algum canto do mundo. Minha mulher é carioca, filha de paraibanos, meus filhos são paulistas. Já morei em Beagá, Rio, Campinas, Brasília e 2 a 3 dias por semana, durante 4,5 anos, em São Paulo. Portanto, sou apenas um brasileiro!

Bairrista é aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados. Não é raro encontrar cariocas voltados apenas para o mar e de costas para o Brasil…

Chico Santos e Alessandra Saraiva (Valor, 13/02/15) publicaram uma reportagem tipo “porque eu me ufano de ser economista carioca!”. Rio desse bairrismo, pois eu me identifico muito com os colegas cariocas. Acho que eles preferem ser vistos como cosmopolitas. É aquele que se porta como um cidadão que habita as grandes cidades e capitais mundiais, visitando-as com frequência e adotando-lhes o espírito urbano, um cidadão do mundo.

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