Rotatividade de Mão-de-Obra por Setor

Rotatividade da mão-de-obra por setor

A alteração na regra de concessão do seguro-desemprego atinge em cheio atividades como construção civil e agricultura, onde a rotatividade é crônica e é muito difícil permanecer por 18 meses em um ou mais empregos com carteira assinada no prazo de 24 meses, como define a nova regra. Esses setores já estão se movimentando para forçar uma mudança na nova proposta de legislação.

Juntas, construção civil e agricultura representaram, entre janeiro e novembro de 2014, 3,6 milhões de demissões, ou quase 20% do total de 19,4 milhões de desligamentos que ocorreram no período no país. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

As medidas anunciadas pelo governo atingem as pessoas mais vulneráveis. É claro que há distorções e abusos em algumas situações. Mas é difícil aceitar novas regras de acesso ao seguro-desemprego sob o ponto de vista de reduzir rotatividade, pois nesse caso o efeito é nulo.

Nos últimos anos, houve benefícios para diversos setores como, por exemplo, a desoneração da folha de pagamento e redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros. Agora, a “lógica do mercado” quer fazer ajuste fiscal em cima da parcela mais vulnerável.

Continuar a ler

Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil

Mais da metade da população no Brasil (55,9%) residia, em 2010, em municípios que formavam os arranjos populacionais, ou seja, agrupamentos de dois ou mais municípios com forte integração populacional, devido aos movimentos pendulares para trabalho ou estudo, ou à contiguidade entre manchas urbanas. Isso representava 106,8 milhões de pessoas em 294 arranjos, formados por 938 municípios. Deslocavam-se, entre os municípios do próprio arranjo a que pertencem, 7,4 milhões de pessoas, por motivo de trabalho e/ou estudo. Levando-se em conta que 27 arranjos são fronteiriços, ou seja, formados também por unidades político-administrativas em outros países, o número de residentes totalizava 107,7 milhões.

É o que revela o estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil”, que mostra, ainda, o Sudeste com o maior número de arranjos (112), que englobam 72,0% da população da região (57,8 milhões) e o Norte com o menor número (17), envolvendo 23,5% da população local (3,7 milhões). Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Palmas (TO) são as únicas capitais estaduais que não formam arranjos populacionais. As cinco maiores concentrações urbanas eram:

  1. “São Paulo/SP” (19,6 milhões de habitantes),
  2. “Rio de Janeiro/RJ” (11,9 milhões),
  3. “Belo Horizonte/MG” (4,7 milhões),
  4. “Recife/PE” (3,7 milhões) e
  5. “Porto Alegre/RS” (3,6 milhões).

As concentrações urbanas se caracterizam por forte deslocamento para trabalho e estudo entre seus municípios. Nas duas maiores, os deslocamentos envolvem mais de 1 milhão de pessoas. É o caso de “São Paulo/SP”, com 1.752.655 pessoas se deslocando entre seus municípios, e do “Rio de Janeiro/RJ”, com 1.073.831. Os maiores fluxos ocorrem entre os municípios de Guarulhos (SP) e São Paulo (SP), Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), Duque de Caxias (RJ) e Rio de Janeiro (RJ) e entre Osasco (SP) e a capital paulista.

Apesar de separados por aproximadamente 430 quilômetros de distância, o eixo Rio de Janeiro – São Paulo apresenta um movimento de 13,4 mil pessoas entre seus arranjos, 57,7% delas se deslocando somente em função do trabalho e 40,5% somente devido ao estudo. Da mesma forma, a ligação entre os arranjos de “Goiânia/GO” e “Brasília/DF” promovia um fluxo de 8,8 mil pessoas.

Além de possibilitar um maior conhecimento da realidade urbana brasileira, o estudo fornece subsídios adicionais para a elaboração de políticas públicas, assim como, estimula a parceria entre os municípios envolvidos. É possível acessar a íntegra do estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil” no link abaixo:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/geografia_urbana/arranjos_populacionais/default.shtm.

Continuar a ler

IBGE: Mapas das Áreas Urbanizadas do Brasil – 2005

O IBGE disponibiliza, no seu portal na internet, um conjunto de mapas das “Áreas Urbanizadas do Brasil”.

Este trabalho é fruto da análise e mapeamento (vetorização) de áreas urbanizadas a partir de imagens de satélite CBERS-2B, em escala 1:100.000 (1cm = 1km). A maioria das imagens que serviram de base para o mapeamento é do período de 2005 a 2007.

Os mapas estão disponíveis, em formato digital, na página do IBGE na Internet, no link:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/geografia_urbana/areas_urbanizadas/default.shtm

Mapas (em formato PDF):

Continuar a ler

Economista Carioca: Bairrista ou Cosmopolita?

Rio-São-Paulo

Meu avô paterno era português. Morava na Avenida Visconde do Pirajá, em Ipanema, no Rio. Meus avós maternos eram mineiros, mas moraram, nos anos 50s, na Avenida Atlântica em Copacabana em apartamento com varandão voltado para o mar. Parte das férias na minha infância eram sempre passadas lá.

Meu pai era mineiro, assim como são nascidos em Minas Gerais minha mãe e meus quatro irmãos. Cada qual já morou em algum canto do mundo. Minha mulher é carioca, filha de paraibanos, meus filhos são paulistas. Já morei em Beagá, Rio, Campinas, Brasília e 2 a 3 dias por semana, durante 4,5 anos, em São Paulo. Portanto, sou apenas um brasileiro!

Bairrista é aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados. Não é raro encontrar cariocas voltados apenas para o mar e de costas para o Brasil…

Chico Santos e Alessandra Saraiva (Valor, 13/02/15) publicaram uma reportagem tipo “porque eu me ufano de ser economista carioca!”. Rio desse bairrismo, pois eu me identifico muito com os colegas cariocas. Acho que eles preferem ser vistos como cosmopolitas. É aquele que se porta como um cidadão que habita as grandes cidades e capitais mundiais, visitando-as com frequência e adotando-lhes o espírito urbano, um cidadão do mundo.

Continuar a ler

Rio: 450 Anos de História do Brasil

Rio 400 AnosRio 450 AnosViolência no Rio

Fazer declaração de amor ao Rio é redundante, principalmente por parte de quem se casou com uma carioca, embora tenha se apaxionado por muitas… Frequento o Rio praticamente desde que nasci. Lá morei quando ainda era bebê (confira foto ao lado) e no início de minha carreira profissional (1978-1985), ou seja, entre os 26 e os 34 anos. Bom tempo para lá viver e fazer militância pelo fim da ditadura. Luta & Prazer. Fiz tantos amigos — e o lugar que a gente gosta é onde estão os amigos — que até hoje, depois de viver trinta anos entre Campinas, Brasília e alguns dias em São Paulo, sinto-me mais à vontade no Rio, mais até do que em Belo Horizonte, minha terra-natal. Talvez ainda realize meu desejo de voltar a morar perto das (praias) cariocas… :)

O que me surpreende é que quando pergunto aos meus alunos e amigos paulistas, muitos dizem que, devido ao medo, nunca foram ao Rio! Digo que nenhum brasileiro deve se privar do prazer de conhecer pessoalmente o que é o “bem-estar” na Cidade Maravilhosa. É uma cidade do prazer da Rua e não do conforto da Casa, como são as outras.

Hoje, comemora-se 450 anos do Rio de Janeiro. Compartilho dois artigos polêmicos que representam o “espírito carioca”, para o bem, para o mal…

Continuar a ler

Verticalização das Favelas: Onde?

MCMV 020215

Sabetai Calderoni é urbanista, economista e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. José Pedro Santiago é agrônomo e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. Ambos demonstram maior sensibilidade social que os pesquisadores do Ibre-FGV citados no post anterior. Publicaram o seguinte artigo (Valor, 02/02/15), avaliando o Programa MCMV.

“Nossas cidades, sobretudo as áreas metropolitanas, estão se transformando em praça de guerra, no confronto entre polícia e moradores envolvidos em frequentes episódios de invasão de edifícios e até de parques públicos. Conflitos com os sem-teto vão se repetir e as cidades brasileiras vão virar campo de batalha se não for resolvido, com urgência, o problema da falta de moradia.

As maiores dificuldades para eliminar o déficit habitacional brasileiro, de 5,8 milhões de moradias, são a escassez e os elevados custos dos terrenos e da infraestrutura, sobretudo nas grandes cidades. A opção por construções populares de um único andar, sequer geminadas, agrava esse quadro. Por que subutilizar terrenos caros e raros, elevando ainda mais os custos da infraestrutura?

Alternativa promissora para solução do problema é implantar edificações verticalizadas nas próprias favelas. O caminho é promover a permuta de habitações situadas em áreas planas dessas comunidades por apartamentos a serem edificados no mesmo local, em prédios, por exemplo, de dez ou doze andares.

Continuar a ler

Pensão por Morte

casamento-oportunista

Ribamar de Oliveira (Valor, 8/1/15) publicou artigo que é uma prestação de serviço de utilidade pública. Compartilho-o abaixo.

Pensão por Morte

“Uma leitura atenta da Medida Provisória 664, editada no fim do ano passado, mostra que os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores da União terão regras diferentes para a pensão por morte, contrariando uma tendência que vem desde 1998, no sentido da harmonização e da uniformidade das normas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e dos Regimes Próprios dos Servidores Públicos. Os segurados do INSS serão os únicos que terão o valor do benefício reduzido.

A pensão por morte é um benefício concedido ao dependente em caso de falecimento do segurado. Até agora, no caso de morte do segurado do RGPS (mais conhecido do grande público como INSS), os dependentes recebiam 100% do valor da aposentadoria que ele ganhava.

Com a MP 664, cujas regras só valem para as novas aposentadorias, o valor mensal da pensão por morte no RGPS corresponderá a 50% da aposentadoria que o segurado recebia, acrescido de tantas cotas individuais de 10% do valor da mesma aposentadoria, quantos forem os dependentes do segurado, até o máximo de cinco.

Traduzindo:

  • pelas regras atuais, se o segurado do RGPS morre e deixa viúva e dois filhos, por exemplo, os seus dependentes terão direito a dividir 100% de sua aposentadoria, sendo o valor rateado entre todos em partes iguais;
  • com a MP 664, os três pensionistas desse segurado (a viúva e os dois filhos) terão direito a 80% da aposentadoria (50% mais três cotas individuais de 10%).

Haverá, portanto, uma redução de 20% do valor do benefício para este caso. O benefício mínimo continua sendo de um salário mínimo. Continuar a ler