Evangélicos: de Bíblia a Dinheiro, Passando pela Política

The Economist (Special Report, 05/06/21) narra: todos os domingos às 16h na Barra de Pojuca, uma cidade pobre da Bahia, as ruas de repente ficam vazias. Você pode pensar que as pessoas estão fazendo uma sesta, até que avista as igrejas lotadas. “Para cada irmã na igreja, há um irmão no bar”, brinca Cremilda, um membro das Assembléias de Deus, enquanto sobe para a capela de blocos de concreto. Mas nos 20 anos desde que ela ajudou a construir a igreja, mais homens estão escolhendo Bíblias em vez de cervejas.

Em 1970, apenas 5% dos brasileiros eram evangélicos. Agora, um terceiro é. O movimento deve seu crescimento à rápida urbanização. Os pastores chegaram com pouco mais do que uma Bíblia e pregaram em palavras que as pessoas entendiam.

O pentecostalismo ofereceu adoração viva e soluções para problemas terrenos como pobreza, abuso de álcool ou violência doméstica. Um estudo com homens brasileiros em 2014 descobriu que a fé protestante estava ligada a um aumento nos ganhos, especialmente entre homens negros com menor escolaridade.

“Tornar-se evangélico não é apenas uma aposta no sobrenatural, mas uma escolha” por uma vida melhor, escreve Juliano Spyer, um antropólogo, em um novo livro.

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População Subutilizada: 33,2 milhões de pessoas!

taxa de desocupação (14,7%) do trimestre móvel de janeiro a março de 2021 foi recorde da série histórica, iniciada em 2012, com alta de 0,8 pontos percentuais (p.p.) frente ao trimestre de outubro a dezembro de 2020 e alta de 2,5 p.p. ante ao mesmo trimestre de 2020.

Indicador/PeríodoJan-Fev-Mar 2021Out-Nov-Dez 2020Jan-Fev-Mar 2020
Taxa de desocupação14,7%13,9%12,2%
Taxa de subutilização29,7%28,7%24,4%
Rendimento real habitual R$ 2.544R$ 2.566R$ 2.524
Variação do rendimento real habitual em relação a:-0,9 (estável)0,8 (estável)

população desocupada (14,8 milhões de pessoas) também é recorde da série histórica, crescendo 6,3% (mais 880 mil pessoas desocupadas) ante o trimestre de outubro a dezembro de 2020 (13,9 milhões de pessoas) e subindo 15,2% (mais 1,956 milhão de pessoas) frente ao mesmo trimestre móvel do ano anterior (12,9 milhões de pessoas).

população ocupada (85,7 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao trimestre móvel anterior e caiu 7,1%, (menos 6,6 milhões de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2020.

nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) chegou a 48,4%, caindo 0,5 p.p. frente ao trimestre móvel de outubro a dezembro (48,9%) e recuando 5,1 p.p. em relação a igual trimestre de 2020 (53,5%).

taxa composta de subutilização (29,7%) subiu 0,9 p.p. frente ao trimestre móvel anterior (28,7%) e subiu 5,3 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2020 (24,4%).

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Queda da Taxa de Natalidade na China

Os resultados de censo de uma década apresentam à China e seu presidente, Xi Jinping, uma escolha extrema: acabar com os controles do Partido Comunista sobre o planejamento familiar e a imigração, ou manter as políticas e correr o risco de incorrer numa queda do crescimento econômico.

Há poucos dias, o governo da China disse que os nascimentos caíram pelo quarto ano seguido em 2020 e a taxa geral de crescimento da população diminuiu ao ponto de quase estagnar, com o número total da população crescendo para 1,41 bilhão. Quase 20% dos cidadãos têm 60 anos ou mais.

Wang Feng, professor de sociologia da Universidade da Califórnia em Irvine, acredita que a população da China começará a encolher dentro de cinco anos. “Será um declínio sem fim.”

A estagnação do crescimento populacional, mesmo para a populosa China, se traduz em menos pessoas jovens para gerar poder econômico, uma vez que o crescente número de idosos representa um dreno para as finanças. Isso é o inverso do perfil demográfico que sustentou o milagre econômico chinês, basicamente um aumento da produtividade baseado numa oferta sem fim de mão-de-obra barata.

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Nos EUA, covid-19 afetou mais a renda de pessoas com baixa escolaridade

As consequências econômicas da pandemia de covid-19 se concentraram entre as minorias, as mulheres e os trabalhadores sem terminarem o ensino médio, segundo nova pesquisa do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA).

Cerca de 75% dos adultos americanos informaram que tinham uma condição econômica ao menos satisfatória em novembro de 2020, parcela mantida inalterada se comparada a anos anteriores.

Mas esse dado mascara divergências significativas no bem-estar econômico entre os trabalhadores que mantiveram seus empregos e os demitidos, entre famílias com maior grau de instrução e as com menor grau e as que têm filhos e as que não têm.

Entre adultos com escolaridade inferior ao ensino médio completo, 45% informaram que estão em condição econômica satisfatória, parcela inferior aos 54% que deram essa resposta em 2019. Entre os com nível universitário ou pós-graduação esse percentual sobe para 89%, de 88% em 2019, disse o Fed em sua pesquisa de Economia e Tomadas de Decisão das Famílias, com mais de 11 mil indivíduos.

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Inação do Genocida contra a Nação: Brasil foi o 10º em mortalidade em 2020

Gabriel Vasconcelos (Valor, 18/05/21) informa: o desempenho brasileiro na pandemia em 2020 foi ainda pior do que se tem notícia na comparação com outras nações. Eliminadas as diferenças de pirâmide demográfica, o Brasil teve a décima maior mortalidade por covid-19 entre 179 países monitorados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revela estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).

A situação do país era, portanto, pior do que a de 95% dos países analisados. Sem o ajuste, o país ocupava a 20a posição do ranking que leva em conta somente o número de óbitos a cada 100 mil habitantes. O Ipea mostrou que o Brasil também foi o 11o com a maior queda na taxa de ocupação da população entre 64 países acompanhados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Marcos Hecksher prepara atualização da nota técnica com dados de 2021. Para ele, não há horizonte de melhora do país no cenário internacional em nenhuma das frentes. Mesmo na comparação sem ajustes, o Brasil vem desbancando países até então em situação pior, como a Itália, ultrapassada ontem. Levantamento da universidade americana Johns Hopkins mostrou que o Brasil tem hoje 205,98 mortes por 100 mil habitantes contra 205,75 no país europeu.

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Documento entregue a CPI da Covid

Prezados senhores, prezadas senhoras:

O Brasil vive um momento extremamente difícil: a pandemia do coronavírus/Covid 19 nos atingiu em cheio e o desgoverno do governo Bolsonaro tornou uma situação inevitavelmente dramática em enorme tragédia. Muitos milhares de vidas sem razão se perderam e ainda se perderão.

O documento que em anexo lhe enviamos – nós os pesquisadores que o assinam – foi entregue a CPI da Covid.   Este documento reúne, sucintamente, a sequência de erros e descasos do governo federal mediante os quais chegamos a essa insuportável situação.

Ele detalha a desastrosa resposta política do Poder Executivo, as atividades do Legislativo e do Judiciário, como o orçamento foi produzido e tem sido mal e tão-somente parcialmente aplicado, a funesta atuação do Ministério da Saúde e a estrambólica atividade do Ministério das Relações Exteriores no curso da pandemia.  

Queremos disponibilizar e divulgar este documento amplamente junto à imprensa e às organizações da sociedade civil. Por esta razão lhe estamos enviando o documento, solicitando lhe dar a maior divulgação possível.  

Agradecendo desde já sua atenção e interesse,

Cordialmente,
Os autores

Download do Documento:

Tragédia Brasileira pela Inação frente ao Covid

Renda Básica de Cidadania para Desqualificados pela 4a. Revolução Tecnológica

A determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para o governo definir, até 2022, os valores de um programa de renda básica nacional aos mais pobres tem o mérito de pressionar por uma decisão em um tema importante do qual a gestão Jair Bolsonaro – mas não só ela – se esquiva, avaliam especialistas. Por outro lado, do modo como foi feito, desconsidera realidades das políticas sociais vigentes e os desafios fiscais, criticam alguns.

A decisão do STF responde a uma ação da Defensoria Pública da União (DPU), sob o argumento de, passados mais de 17 anos da lei criadora da Renda Básica de Cidadania, o Executivo não regulamentou o benefício. Todos os ministros foram favoráveis ao pagamento, mas alguns queriam fixar um valor temporário de um salário mínimo e sem distinção socioeconômica. Prevaleceu, porém, a tese de apenas a população em situação de pobreza e extrema pobreza ser elegível.

Como sempre, era esperado a reação dos reacionários: economistas neoliberais da EPGE-FGV e INSPER, entre outros contabilistas-fiscalistas. Estão sempre de plantão para atuarem como Zé Regrinhas, i.é, protetores da Regra do Teto, Regra de Ouro, LRF, etc.

A recuperação do emprego com a pandemia mais controlada no Brasil deve vir do setor informal, principalmente do trabalhador por conta própria sem registro. Mas a categoria de autônomos pode ser um motor para o mercado mesmo entre os formais. Em conjunto, dados sinalizam que as empresas não têm gerado vagas de maneira expressiva, e os trabalhadores se viram como podem.

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Polêmica sobre População Chinesa

A China deverá informar seu primeiro declínio populacional desde a catastrófica fome que acompanhou o Grande Salto para Frente, a desastrosa política econômica de Mao Tsé-tung do fim dos anos 50 que causou a morte de dezenas de milhões de pessoas.

A atual queda acontece apesar de um relaxamento das rígidas políticas de planejamento familiar, cujo objetivo foi reverter uma queda da taxa de natalidade na nação mais populosa do mundo.

O mais recente censo chinês foi concluído em dezembro de 2020, mas seus resultados ainda não foram divulgados. Ele deverá mostrar a população total do país em menos de 1,4 bilhão, segundo fontes a par do estudo. Em 2019, a população da China foi anunciada como tendo superado a marca de 1,4 bilhão.

Esse número é considerado muito sensível e não será anunciado até que vários órgãos do governo não chegarem a um consenso sobre a informação e suas implicações.

“Os resultados do censo terão um impacto enorme sobre a maneira como a população chinesa vê seu país e como funcionam os vários órgãos do governo”, diz Huang Wenzheng, sócio do Center for China and Globalization, um centro de estudos de Pequim.

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Castas Profissionais e Herança Educacional

As castas de natureza ocupacional se aliam para governar. No atual governo miliciano-militarizado, além do Poder das Armas da Casta dos Guerreiros (da Farda), apoiavam-no o Poder Econômico da Casta dos Mercadores (do Colarinho Branco) e a parte evangélica do Poder Religioso da Casta dos Sábios-Sacerdotes (da Batina ou do Púlpito).

O Poder Midiático da Casta dos Sábios-Jornalistas (da Pena ou do Microfone) já estava em dissidência, assim como tinha rachado o Poder Judiciário da Casta dos Sábios-Juristas (da Toga). O Poder Político ou Legislativo da Casta dos Oligarcas (da Gravata) tornou o Poder Executivo da Casta dos Sábios-Tecnocratas (do Terno-e-Gravata) refém do fisiologismo do “Centrão”, isto é, o baixo clero ao qual o capitão reformado tão bem conhece…

Esses “rachas” ou fraturas nas alianças entre castas no bloco de poder ocorrem, periodicamente, quando uma tenta impor suas respectivas lógicas de ações às demais. Elas se distinguem por seus Éthos culturais, caráter moral, hábitos, crenças, costumes. Então, há reação política às tentativas de subjugação absoluta.

Para análise das configurações dinâmicas emergentes das interações desses diversos componentes de um sistema complexo, temos de entender os conflitos de interesses, devido às distintas visões ideológicas do mundo. A casta dos guerreiros segue a lógica militar de coragem, fama, glória, violência, vingança, etc. Por sua vez, a casta dos mercadores adota a lógica de mercado, defendendo valores como liberalismo, empreendedorismo, competitividade, eficiência em custos/benefícios, etc.

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Urbanização das Favelas: Transformação em Bairros Populares e Inclusão Social dos Párias

João Luiz Rosa (Valor, 29/03/2021) narra: aos 60 anos recém-completados, Eunice de Souza Rodrigues se lembra bem de quando decidiu morar na Vila Itália, única favela de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Diarista, ela vivia de aluguel em outro bairro, o Parque Jaguaré, mas se viu sem dinheiro depois de contrair uma pneumonia, cujo tratamento consumiu quase tudo que conseguira poupar. Sem trabalho e com as contas atrasadas, o jeito foi desocupar o local. E a mudança foi rápida.

No mesmo dia em que o proprietário pediu a casa, ela ouviu a vizinha comentar sobre uma área invadida. No dia seguinte, foi até o terreno. “Comprei tábuas, oito caibros e 20 telhas Eternit, daquelas bem fininhas, porque não dava para pagar pelas mais grossas”, conta. Com o material, mandou construir o barraco onde vive até hoje. “É banheiro, quarto e cozinha, de comprido. E tudo de madeira”, descreve.

Com ganhos de R$ 1,2 mil por mês, sem descontar o transporte, dona Eunice é o retrato da Vila Itália, onde 51% dos lares são sustentados exclusivamente por mulheres e a renda média é de R$ 1.127. Nos próximos três anos, a comunidade de 249 famílias será alvo de um projeto inédito no país. É o Favela 3D (Digna, Digital e Desenvolvida).

Com participação de governo, iniciativa privada e terceiro setor, o projeto prevê regularizar o uso da área, construir casas e melhorar a infraestrutura. A maior novidade, no entanto, é a criação de ferramentas sociais como programas de capacitação e iniciativas de empreendedorismo que se mostrem capazes de dar autonomia financeira aos moradores e tornar a favela autossustentável.

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Economia Prateada, Etarismo e Multigerações

Lucianne Carneiro (Valor, 29/03/2021) informa: um novo estudo da Fundação Dom Cabral (FDC), do projeto FDC Longevidade, com apoio técnico da Hype50+, aponta as dez profissões do futuro ligadas ao fenômeno da longevidade. Algumas já são realidade hoje, como cuidadores de idosos e geriatras, mas tendem a ter um aumento de demanda nos próximos anos. Outras começam a ganhar espaço ou tendem a se desenvolver, como conselheiros de aposentadorias, curadores de memórias pessoais e especialistas em adaptação de casas.

A economia prateada, em alusão aos cabelos grisalhos da terceira idade, oferece oportunidades de ocupações diversificadas tanto em relação à área de formação – saúde, economia, arquitetura – quanto ao nível de instrução – alguns exigem curso superior e outros não.

O potencial deste mercado é claro pelos números envolvidos. No Brasil, as pessoas com mais de 60 anos já ultrapassam em número as crianças. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no fim de 2020, o país tinha quase 39 milhões de pessoas com mais de 60 anos (18,4% da população) e 35,2 milhões até 13 anos de idade (16,6%). A parcela de idosos tende a crescer.

“É fato que existe um mercado consumidor crescente com o aumento da expectativa de vida, mas quem quiser trabalhar nessa área deve entender como a longevidade muda a trajetória da sociedade. Na verdade, todo mundo precisa entender. A longevidade é uma causa”, diz a coordenadora do FDC Longevidade Michelle Queiroz Coelho.

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Doença do Trabalho no Home Office

Lucianne Carneiro (Valor, 29/03/2021) informa: quase 20% dos trabalhadores brasileiros estão em ocupações de alto risco para o contágio por doenças infecciosas, como a covid-19. Um estudo da consultoria IDados mostra que 15,98 milhões de pessoas (19,2% dos trabalhadores) se encontram em postos de trabalho que demandam maior proximidade física ou estão mais expostos à contaminação. Essas ocupações se situam principalmente na área de saúde, mas também no setor de serviços, como vendedores, cabeleireiros e garçons.

“A maior exposição se dá principalmente entre aqueles estão na linha de frente da área de saúde, mas quem lida com pessoas, em ambientes com alta proximidade física, também está exposto, como vendedores, cuidadores e policiais, por exemplo”, afirma a economista Ana Tereza Pires, pesquisadora responsável pelo estudo.

O levantamento da IDados foi realizado a partir da adaptação de metodologia de uma pesquisa dos Estados Unidos, que faz a relação entre as atividades profissionais e a maior probabilidade de contágio. Foram usadas as mais de 400 ocupações brasileiras e os dados do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), relativa ao 4o trimestre de 2020.

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