Disputa Ideológica entre o Individualismo Metodológico e o Holismo Metodológico

Voltando agora para uma descrição da disputa em si, Julie Zahle e Finn Collin, editores do livro “Rethinking the Individualism-Holism Debate – Essays in the Philosophy of Social Science”, publicado pela editora Springer International Publishing (2014), dizem haver poucos proponentes de forte holismo metodológico. Como resultado, o debate se desenrola principalmente entre individualistas metodológicos e holistas metodológicos fracos.

Como ambas partes concordam quanto às explicações individualistas deverem ser avançadas, individualistas colocam todos os seus esforços em mostrar que as explicações holísticas podem, e devem ser dispensadas, enquanto os holistas metodológicos fracos se concentram em mostrar as explicações holistas não podem e não devem ser dispensadas. Um sem número de argumentos foram oferecidos em apoio e contra essas posições.

Vale a pena registrar alguns pontos relacionados ao desenvolvimento do debate. Continuar a ler

Debate entre o Individualismo Metodológico e o Holismo Metodológico

Por que a economia europeia está em recessão? Por que a taxa de natalidade na Tanzânia recentemente subiu? E por que as revoluções tendem a ser seguidas por fomes?

O debate metodológico do individualismo-holismo, segundo Julie Zahle e Finn Collin, editores do livro “Rethinking the Individualism-Holism Debate – Essays in the Philosophy of Social Science”, publicado pela editora Springer International Publishing (2014), é sobre o foco apropriado das explicações científicas avançadas em resposta a questões como essas. Mais especificamente, diz respeito ao grau no qual as explicações científicas sociais podem (e devem) focar nos indivíduos e nos fenômenos sociais, respectivamente.

A discussão assume várias formas. Entre estas, destacam-se duas:

  1. o debate sobre dispensabilidade, e
  2. o debate sobre microfundamentos.

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Debate entre o Individualismo e Holismo Ontológico

Segundo Julie Zahle e Finn Collin, editores do livro “Rethinking the Individualism-Holism Debate – Essays in the Philosophy of Social Science”, publicado pela editora Springer International Publishing (2014), o debate entre individualismo-holismo ontológico diz respeito ao status ontológico dos fenômenos sociais (ou fatos) e, como parte disso, sua relação com os indivíduos (ou fatos sobre indivíduos).

Ontológico é relativo a (ou próprio da) ontologia, a investigação teórica do ser. No heideggerianismo, é relativo ao ser em si mesmo, em sua dimensão ampla e fundamental, em oposição ao ser ôntico. Este se refere aos entes múltiplos e concretos da realidade.

Os holistas ontológicos argumentam: os fenômenos sociais existem sui generis, ou acima de indivíduos, enquanto individualistas ontológicos negam isso. Antes de olhar para várias interpretações da ideia de fenômenos sociais existirem de modo sui generis, é instrutivo brevemente caracterizar as noções de fenômenos sociais e indivíduos.

Sui generis é uma expressão em latim com significado “de seu próprio gênero” ou “de espécie única”. Representa a ideia de unicidade, raridade e particularidade de algo ou alguma coisa. Quando se diz, no ramo filosófico, determinada coisa ser sui generis significa ser “especial”, ou seja, dotada de uma particularidade e peculiaridade não comparável a qualquer outra coisa. Continuar a ler

Repensando o Debate do Individualismo-Holismo: Ensaios na Filosofia das Ciências Sociais

Julie Zahle e Finn Collin são os editores do livro “Rethinking the Individualism-Holism Debate – Essays in the Philosophy of Social Science”, publicado pela editora Springer International Publishing (2014). Eles escreveram também a introdução. Fornece uma visão geral dos aspectos ontológico e metodológico dos debates sobre individualismo-holismo. Além disso, esses debates são brevemente discutidos em relação a duas disputas semelhantes: a relação micro-macro e a estrutura de agência. Finalmente, as contribuições para este livro são apresentadas resumidamente.

O debate individualismo-holismo é uma velha, mas ainda assim vibrante, disputa dentro da Filosofia das Ciências Sociais e das próprias Ciências Sociais. Ao longo de sua história, existem três fases nas quais a discussão foi particularmente animada.

A primeira foi em torno da virada do século XIX com contribuições significativas de, entre outros, Emile Durkheim e Max Weber.

A segunda fase ocorreu em torno dos anos 50, onde as defesas ardentes do individualismo metodológico por Friedrich Hayek, Karl Popper e J.W.N. Watkins estimularam o debate.

Finalmente, a terceira e última fase se estende a partir da década de 1980 até hoje. Conta com contribuições pioneiras dadas por um número expressivo de teóricos, incluindo Roy Bhaskar, Raymond Boudon, James S. Coleman, Jon Elster, Alan Garfinkel, Daniel Little, Harold Kincaid e Philip Pettit.

O debate individualismo-holismo tem girado em torno de dois problemas:

  1. Qual é o status ontológico – a investigação teórica do ser – dos fenômenos sociais e, como parte disso, seus relacionamentos com os indivíduos?
  2. Até que ponto as explicações científicas sociais devem se concentrar nos indivíduos ou fenômenos sociais, respectivamente?

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Individualismo Metodológico na Economia Neoclássica

A Economia, como as outras Ciências Sociais, e a Psicologia em particular, também era fortemente influenciada pelo “cientificismo”, especialmente a mecânica. A visão mecanicista trouxe para as Ciências Naturais as possibilidades de previsão usando novas ferramentas matemáticas (cálculo) de poder considerável. De todas as Ciências Sociais, seu impacto na Economia foi o maior, e isso continua a ser, embora o newtonismo do equilíbrio geral tenha passado sua hora de glória em Física.

Nenhuma outra ciência ilustra melhor que a Economia o impacto do entusiasmo pela epistemologia mecanicista sobre a sua evolução. Duas grandes tendências na economia neoclássica, ou seja, o individualismo metodológico (MI), liderado pela Escola Austríaca e, posteriormente, a Economia Positivista, defendida pela escola de Chicago, marcou o afastamento da abordagem holística típica de economistas políticos clássicos como Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx.

A economia neoclássica, monopolizando os meios de comunicação, domina o debate sobre teoria econômica, talvez excluindo a Teoria do Desenvolvimento Econômico, elaborada pela heterodoxia latino-americana. A mainstream tenta analisar todos os fatos socioeconômicos, partindo dos comportamentos maximizadores dos indivíduos.

Neste post-resenha do livro de autoria de Vijay Kumar Yadavendu, “Shifting Paradigms in Public Health: From Holism to Individualism”, analisaremos os fundamentos metodológicos da economia neoclássica em oposição à economia política clássica. Continuar a ler

Crítica ao Coletivismo Marxista

Geralmente, o marxismo é considerado cientifico, materialista, holístico, antipositivista, dialético e histórico, enquanto a teoria burguesa é considerada individualista e positivista. Mas estudiosos como Jon Elster (1985), John Roemer (1994), Adam Przeworski (1977) e G.A. Cohen (1995) contestaram esta interpretação padronizada de Marx.

O argumento influente e controverso de Elster, segundo Vijay Kumar Yadavendu, no livro “Shifting Paradigms in Public Health: From Holism to Individualism”,  é o individualismo metodológico (MI) também orientar certos aspectos do pensamento de Marx. Sua reivindicação é interessante não só porque rompe com a noção generalizada de o pensamento de Marx não envolver MI, mas também porque ele a usa para se concentrar nas “microfundamentos” da afirmação de Marx sobre causalidade.

Marx fornece um relato exemplar de como desvendar o complexo labirinto de relações entre ações individuais situadas e seus resultados não intencionais, relações através das quais as forças sociais e históricas ganham suas lógicas quase independentes. Ao adotar essa abordagem, escreve Elster, Marx conseguiu transformar a percepção de seus antecessores de Vico a Hegel de a história ser o resultado da ação humana, mas não de design humano.

Além disso, Elster argumenta Marx nem sempre seguir sua metodologia, muitas vezes não elaborar relações entre ações individuais e resultados sociais. Isso, em parte, explica o fato de tantos marxistas usarem conceitos referentes a atores coletivos, como classes ou Estados nacionais, como se esses atores tivessem e intenções com um poder explicativo autônomo.

O projeto de Elster é fornecer uma explicação teórica dos microfundamentos implícitos do trabalho de Marx através da Teoria do Ator Racional. Isso é o que o motiva a ler Marx à luz de MI. Continuar a ler

Lições sobre a Sociologia do Conhecimento

Segundo Vijay Kumar Yadavendu, no livro “Shifting Paradigms in Public Health: From Holism to Individualism”, na suposição central sobre a posição individualista não existiria tendência social inalterável se os indivíduos se preocupassem em alterá-la ao possuírem as informações apropriadas. Na realidade, eles podem querer alterar a tendência histórica (ou a do mercado), mas, pela ignorância dos fatos e/ou falha em resolver algumas das implicações de sua ação, não conseguem alterá-la ou até mesmo intensificá-la.

Então, “social” são aquelas tendências determinadas por fatores físicos incontroláveis. Pode haver explicações incompletas ou incompletas de fenômenos sociais de larga escala (por exemplo, inflação) em termos de outros fenômenos de grande escala (por exemplo, pleno emprego), mas nós não devemos chegar a explicações dos fundamentos básicos de tais fenômenos de larga escala até termos deduzidos por conta deles um punhado de declarações sobre as disposições, crenças, recursos e inter-relações de indivíduos.

As pessoas podem permanecer anônimas e apenas capturarmos suas típicas disposições atribuídas a elas.) Assim como o mecanismo é contrastado com a ideia organicista de campos físicos, o individualismo metodológico é contrastado com o holismo metodológico ou organicismo sociológico.

Nesta última visão, os sistemas sociais constituem “totalidades” pelo menos no sentido de alguns dos seus comportamentos em grande escala serem regidos por leis macro essencialmente sociológicas no sentido de serem sui generis e não serem explicadas como meras regularidades ou tendências resultantes do comportamento da interação entre indivíduos. Pelo contrário, o comportamento dos indivíduos deveria (de acordo com holismo) ser explicado pelo menos em parte em termos de tais leis, talvez levando em conta, primeiro, os papéis dos indivíduos dentro das instituições, depois, as funções de instituições com todo o sistema social.

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