Lista de Vieses Heurísticos

ver-o-mundo-com-lentes-cor-de-rosaPesquisando um viés heurístico, achei uma lista deles no Wikipedia! Compartilho-os, pois podem ser úteis a outros como foi para mim tê-los à mão.

Vieses cognitivos são as tendências de pensar de certas maneiras — aprendidas na “escola-da-vida” — que podem levar a desvios sistemáticos de lógica e a decisões irracionais. São frequentemente estudadas em Psicologia Econômica ou Economia Comportamental.

Embora a realidade desses preconceitos seja confirmada pela pesquisa replicável, muitas vezes há controvérsias sobre como classificar esses vieses ou como explicá-los. Alguns deles são consequências de nossas regras de processamento de informações (ou seja, atalhos mentais), chamados de heurística, que o cérebro usa para produzir decisões ou julgamentos.

Tais efeitos são chamados tendências cognitivas. Os vieses tem uma variedade de formas e podem ser vistos como viés cognitivo (“frios”), tais como ruído mental, ou vieses cognitivos motivacionais (“quentes”), tal como quando as decisões são distorcidas por crenças e desejos. Ambos os efeitos podem estar presentes ao mesmo tempo.

Também há controvérsias quanto ao fato de algumas destas tendências ser sempre inúteis e irracionais ou se são comportamentos úteis. Por exemplo, quando conhecem alguém, as pessoas tendem a fazer perguntas importantes que parecem favorecer e confirmar suas suposições sobre a pessoa. Esse tipo de viés de confirmação pode ser visto como um exemplo de habilidade social, ou seja, uma forma de estabelecer uma conexão com a outra pessoa.

Muitos dos vieses afetam:

  1. a formação de crenças,
  2. as decisões de negócios e financeiras e
  3. o comportamento humano em geral.

Eles emergem como resultados replicáveis em condições específicas. Quando confrontado com situações específicas, o desvio pode normalmente ser caracterizado como: Continue reading “Lista de Vieses Heurísticos”

Porque o Coletivo odeia o Individual

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), afirma que, na Biologia, a antifragilidade funciona graças às camadas. Essa rivalidade entre suborganismos contribui para a evolução:

  • as células dentro de nossos corpos competem; e,
  • dentro delas, as proteínas competem o tempo todo.

Vamos traduzir a questão para os empreendimentos humanos. A economia tem uma estratificação equivalente: indivíduos, artesãos, pequenas empresas, departamentos dentro das corporações, corporações, indústrias, economia regional e, no topo, a economia em geral — pode-se até fazer cortes mais finos, com um número maior de camadas.

Para que a economia seja antifrágil e sofra o que se chama de evolução, cada empresa deve necessariamente ser frágil, exposta à ruptura — a evolução precisa que os organismos (ou seus genes) morram quando suplantados por outros:

  • a fim de conquistar alguma melhoria, ou
  • para evitar a reprodução quando não estejam tão aptos quanto outro indivíduo.

Assim, a antifragilidade de nível superior pode requerer fragilidade — e sacrifícios — das de nível inferior. Continue reading “Porque o Coletivo odeia o Individual”

“Não se deve repetir os erros do passado quando há tantos novos erros a cometer”

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), aborda os erros e como os lapsos de algumas pessoas beneficiam as outras.

Podemos simplificar as relações entre fragilidade, erros e antifragilidade como se apresentam a seguir.

  • Quando você está frágil, depende que as coisas sigam o exato curso planejado, com um mínimo de desvio possível — pois os desvios são mais prejudiciais do que úteis. É por isso que o frágil precisa ser muito preditivo em sua abordagem, e, inversamente, os sistemas preditivos causam fragilidade.
  • Quando você quer desvios, e não se preocupa com a possível dispersão de resultados que o futuro pode trazer, já que a maioria será útil, você é antifrágil.

Além disso, o elemento aleatório da tentativa e erro não é totalmente aleatório se for conduzido de forma racional, utilizando os erros como fonte de informação.

Se cada tentativa lhe fornecer informações sobre o que não funciona, você começa a focar em uma solução — portanto, cada tentativa se torna mais valiosa, mais como uma despesa do que como um erro. E é claro que você fará descobertas ao longo do caminho.

Este capítulo do livro de Taleb é sobre camadas, unidades, hierarquias, estrutura fractal e a diferença entre os interesses de uma unidade e de suas subunidades. Por isso, geralmente, são os erros dos outros que beneficiam a todos nós — e, infelizmente, não a eles. Continue reading ““Não se deve repetir os erros do passado quando há tantos novos erros a cometer””

Evolução e Imprevisibilidade

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), ressalta que tudo o que é vivo ou orgânico na natureza tem uma vida finita e acaba morrendo. Mas, geralmente, morre após produzir uma descendência com um código genético, de uma maneira ou de outra diferente daquele dos progenitores, com suas informações modificadas.

A natureza não considera seus membros muito úteis depois que suas capacidades reprodutivas se esgotam. A natureza prefere deixar o jogo continuar no nível informativo, o código genético. Dessa maneira, os organismos precisam morrer para que a natureza seja antifrágil — a natureza é oportunista, cruel e egoísta.

Como exemplo, pensemos em um organismo imortal, construído sem data de expiração. Para sobreviver, ele precisa estar completamente apto a:

  • todos os possíveis acontecimentos aleatórios que venham a ocorrer no ambiente,
  • todos os futuros acontecimentos aleatórios.

Por alguma propriedade desagradável, um acontecimento aleatório é, digamos, aleatório. Ele não anuncia antecipadamente sua chegada, tornando possível que o organismo se prepare e faça ajustes para aguentar os impactos. Continue reading “Evolução e Imprevisibilidade”

Erro, Evolução e Antifragilidade

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O livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015) de autoria de Nassim Nicholas Taleb tem um capítulo sobre erro, evolução e antifragilidade, tratando, em grande parte, dos erros dos outros — a antifragilidade de alguns surge, necessariamente, à custa da fragilidade de outros.

Em um sistema, os sacrifícios de algumas unidades — ou seja, unidades frágeis, ou pessoas — são, muitas vezes, necessários para o bem-estar de outras unidades ou do todo. A fragilidade de cada startup, por exemplo, é necessária para que a economia seja antifrágil, e isso é o que faz, entre outras coisas, o empreendedorismo funcionar: a fragilidade dos empreendedores individuais e sua taxa necessariamente elevada de fracasso.

A antifragilidade, então, fica um pouco mais complicada — e mais interessante — na presença de camadas e hierarquias. Um organismo natural não é uma só unidade final; ele é composto de subunidades, e ele próprio pode ser a subunidade de alguns coletivos mais amplos. Essas subunidades podem ser confrontadas entre si. Continue reading “Erro, Evolução e Antifragilidade”

Necessidade Humana de Ambiente Com Variabilidade ou Aleatoriedade

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), afirma que o leitor pode obter uma pista do principal problema que enfrentamos com a adulteração de cima para baixo de sistemas políticos ou sistemas complexos similares. O fragilista confunde a economia com uma máquina, que precisa de manutenção mensal, ou interpreta erroneamente as propriedades de seu corpo e aquelas de um leitor de discos compactos.🙂

O próprio Adam Smith fez analogia entre a economia e um relógio de pulso ou de parede que, uma vez posto em movimento, continua trabalhando por conta própria. Mas Taleb está certo de que ele não chegou a pensar as questões sob esses termos, que ele analisou a economia em termos de organismos, mas lhe faltava uma estrutura para expressar isso. Smith compreendia a opacidade dos sistemas complexos, bem como as interdependências, uma vez que desenvolveu a ideia da “mão invisível”.

Porém, infelizmente, ao contrário de Adam Smith, Platão não chegou a compreender essa opacidade. Ao promover a bem conhecida alegoria do navio do Estado, ele argumenta, em última análise, que os únicos homens aptos a se tornar capitães deste navio são os reis filósofos, homens benevolentes com poder absoluto, que têm acesso à Forma do Bem. E, de vez em quando, ouvem-se gritos de “Quem está nos governando?”, como se o mundo precisasse de alguém para governá-loContinue reading “Necessidade Humana de Ambiente Com Variabilidade ou Aleatoriedade”

O Complexo e A Dicotomia Mecânico-Orgânico

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), aponta o fato de o artificial precisar ser antifrágil para que sejamos capazes de usá-lo se torna, praticamente, uma notável diferença entre o biológico e o sintético. Máquinas mecânicas, eventualmente, se desgastam e não se autorregeneram.

Enquanto os seres humanos se autorregeneram, eles se desgastam (deixando para trás seus genes, livros ou qualquer outra informação — mas essa é outra discussão). No entanto, o fenômeno do envelhecimento é mal compreendido, em grande parte devido a preconceitos mentais e falhas lógicas. Observamos as pessoas de idade e as vemos envelhecer, então associamos envelhecimento perda de massa muscular, fraqueza óssea, perda da função mental, gosto pela música de Frank Sinatra e outros efeitos degenerativos.🙂

Mas essas insuficiências de autorregeneração são provenientes, em grande parte, de desajustes — muito poucos agentes estressores ou muito pouco tempo de recuperação entre eles —, e desajuste, para esse autor, é o descompasso entre seu projeto e a estrutura da aleatoriedade do ambiente (o que Taleb chama, em vocabulário mais técnico, de suas “propriedades distributivas ou estatísticas”). Continue reading “O Complexo e A Dicotomia Mecânico-Orgânico”