Definições do Velho e do Novo Institucionalismo: Tratamentos Distintos de Questões Institucionais

J R Commons

Ao longo da história do pensamento econômico, têm sido feitas tentativas de incorporar as questões relativas à instituições e à mudança institucional dentro da disciplina denominada Economia. O exemplo mais óbvio é o da tradição institucionalista norte-americana de Veblen, Mitchell, Commons, e Ayres. Mas análise institucional de vários tipos também podem ser encontradas nas obras de economistas clássicos como Adam Smith e John Stuart Mill; membros da escolas históricas alemã, inglesa, americana; Marx e outros marxistas; membros da Escola Austríaca, como Menger, von Wieser, e Hayek; Schumpeter; e neoclássicos, tais como Marshall.

O livro Institutions in Economics: The Old and the New Institutionalism de autoria de Malcolm Rutherford, publicado em 1994, centra-se nas duas principais tradições de pensamento institucionalista em Economia.

  • A primeira é a tradição institucionalista americana que começou na virada do século e tem continuado, ininterruptamente, embora com grandes variações na popularidade e prestígio, até o presente dia.
  • O segundo é um desenvolvimento mais recente, mas que pode ser visto como uma revitalização e uma expansão considerável dos elementos institucionalistas encontrados em economia clássica, neoclássica, e austríaca.

São elementos que haviam caído em um tratamento negligente durante um certo intervalo. A primeira tradição agora é muitas vezes chamada de “Velha” Economia Institucionalista, ou OIE, enquanto a última é normalmente chamada de “Nova Economia institucionalista, ou NIE. Continuar a ler

Instituições em Economia: O Velho e O Novo Institucionalismo

Thorstein-Veblen-Quotes-3O livro Institutions in Economics: The Old and the New Institutionalism de autoria de Malcolm Rutherford, publicado em 1994, examina e compara as duas principais tradições da pensamento institucionalista em Economia:

  1. o “velho” institucionalismo de Veblen, Mitchell, Commons, e Ayres, e
  2. o “novo” institucionalismo que se desenvolveu mais recentemente a partir de fontes neoclássicas e austríacas, incluindo os escritos de Coase, Williamson, North, Schotter, e muitos outros autores.

A discussão é organizado em torno de um conjunto de temas metodológicos, teóricos e de problemas normativos que necessariamente tem de enfrentar qualquer tentativa de incorporar instituições (definidas de forma a incluir organizações, leis e normas sociais) em Economia. Esses problemas são identificados em termos das questões que envolvem:

  1. a utilização de métodos analíticos formais ou não formais,
  2. individualismo metodológico ou abordagens holísticas,
  3. os respectivos papéis da escolha racional e comportamento de seguir uma regra,
  4. a importância relativa da evolução espontânea e do design deliberado das instituições, e
  5. as perguntas que dizem respeito à apreciação normativa das instituições.

O velho e o novo institucionalismo, muitas vezes, foram emparelhados em lados opostos sobre cada uma dessas questões e os problemas se apresentavam em uma série de agudas dicotomias. O Professor Rutherford argumenta, no entanto, que tanto mais complexas são as questões, mais desafiadoras elas se tornam. Continuar a ler

Reflexões sobre o Progresso do Pensamento Econômico

institucionalismoA. W. Coats oferece algumas reflexões gerais sobre as perspectivas na cena da corrente heterodoxa do pensamento econômico. A insurreição da Economia Comportamental inclui contribuições do mainstream econômico, além dos de uma ampla variedade de outras disciplinas das Ciências Sociais. No entanto, membros dessa corrente expressam críticas à Economia Ortodoxa, endossadas por economistas heterodoxos, tais como:

  1. a confiança no positivismo como a fundação metodológica da pesquisa econômica;
  2. a confiança na argumentação dedutiva como uma base suficiente de uma Ciência (Social);
  3. preferência por análise estática do equilíbrio resultante mais do que processo de desequilíbrio;
  4. aderência a um modelo simplista de agentes racionais exibindo comportamento otimizador.

A segunda questão, para desbastar o pensamento do mainstream ou trabalhar construtivamente em direção a uma aproximação, tem tanto antecedentes históricos quanto implicações para o futuro. Ela reclama a diferença básica entre:

  • o institucionalismo de Veblen, colocado como uma alternativa à Economia Ortodoxa, e
  • o de Commons e Mitchell, que acreditam que ambos se complementam. Continuar a ler

Path Dependence: Algumas Observações Introdutórias

Abstract-word-cloud-for-Path-dependence-with-related-tags-and-terms-Stock-PhotoLars Magnusson e Jan Ottosson (The Evolution of Path Dependence. UK-USA, Edward Elgar, 2009) dizem que não há dúvida sobre o papel pioneiro de Paul David e Brian Arthur, que foram os primeiros a iniciar uma discussão sobre a relevância da path dependency [dependência de trajetória], na década de 1980 e 1990. Eles usaram path dependence em suas obras originais como uma descrição dos efeitos lock-in em termos de tecnologia.

Um fator-chave foi o reconhecimento dos sistemas não-ergódicos, enfatizando que é difícil se desligar da história anterior. Paul David (1985) usou o exemplo do teclado QWERTY para ilustrar como as escolhas da nova tecnologia foram influenciadas por outras forças que não as meras “escolhas ótimas em um mercado perfeito”. O argumento básico desse influente artigo era que a organização das letras no teclado foi resultado de pequenos eventos fortuitos, dando assim origem a um padrão, apesar da disposição do teclado competidor Dvorak ser melhor, de acordo com David.

Qualificar um evento como contingente tem os seguintes significados:

  1. que pode ocorrer ou não ocorrer; incerto;
  2. que ocorre por acaso ou por acidente; acidental; casual, fortuito, aleatório;
  3. diz-se de plano elaborado para substituir outro, no caso de eventualidades;
  4. na filosofia escolástica, diz-se de qualquer ocorrência fortuita e casual quando considerada isoladamente, mas necessária e inevitável ao ser relacionada às causas que lhe deram origem;
  5. no spinozismo, diz-se de circunstância aparentemente eventual, em decorrência de uma limitação do conhecimento humano na compreensão de sua origem causal;
  6. na filosofia contemporânea, em polêmica com a tradição, diz-se de evento natural ou humano que se caracteriza por sua absoluta indeterminação e imprevisibilidade.

Em termos gerais, David argumentou que não é possível entender porque certas tecnologias foram escolhidas sem analisar os eventos anteriores e seu impacto sobre as escolhas tecnológicas existentes. Isto foi discutido em termos de que “a história importa”. Continuar a ler

Políticas Deduzidas de Economia Evolucionária

v52 n03.indbRichard Nelson e Sidney Winter, em Uma Teoria Evolucionária da Mudança Econômica (Campinas; Editora da Unicamp; 2005 – original de 1982; página 582), afirmam que “toda pesquisa econômica pode ser vista como pesquisa de políticas”. Nos termos mais amplos, a Teoria Evolucionária está preocupada com os destinos das “maneiras de fazer as coisas”.

Ela vê as organizações em funcionamento:

  • como depositárias de uma parte importante do know-how da sociedade, e
  • também como criadoras de novos tipos de know-how.

Essas preocupações centrais sugerem os tipos de questões de políticas às quais essa teoria é mais diretamente aplicável. Revelam também a natureza da perspectiva que oferece. Continuar a ler

Uma Digressão sobre a Autarquia Intelectual em Economia

Darwin X SpencerRichard Nelson e Sidney Winter, em um tópico do livro Uma Teoria Evolucionária da Mudança Econômica (Campinas; Editora da Unicamp; 2005 – original de 1982), afirmam que os economistas, em média, parecem esquecer singularmente a existência do viés produzido por seu jargão técnico – um “economês” obscuro para os leigos – e reagem um tanto fracamente ao ideal intelectual de “ver o problema por inteiro”.

Nelson & Winter não tem dúvidas de que essa postura desafiadoramente autárquica é em grande parte consequência da extrema inflexibilidade das abstrações utilizadas na teoria ortodoxa. Os autores desta depositam uma confiança indevida no princípio metodológico do “como se” [as if] – uma confiança que às vezes chega à afirmação “não me incomode com os fatos”!

Nossa disciplina parece ter uma afeição obsessiva pelas suas respostas de primeira aproximação a várias questões. Os economistas não abrem mão de suas queridas visões adotadas quando foram estudantes… Continuar a ler

Rotina, Busca e Inovação

Richard NelsonA Teoria Ortodoxa faz uma distinção precisa entre:

  1. o que está envolvido na operação de uma determinada técnica, e
  2. o que está envolvido na decisão de qual técnica utilizar.

Em sua Teoria Evolucionária, Nelson & Winter veem fortes semelhanças entre elas.

Há um caráter parecido com “seguir a regra” na formação de decisão das firmas, evidenciado em estudos empíricos, sobre:

  1. o comportamento na formação de preços,
  2. o gerenciamento de estoques, e
  3. as políticas de publicidade.

A rotinização controla campos particulares de tomadas de decisões, porque a cena principal está em outro lugar, talvez em:

  1. finanças,
  2. política de P&D, ou
  3. enfrentamento de regulamentação. Continuar a ler