Causação Ascendente e Descendente

Neuroeconomia em Plugs

Encerro o resumo das ideias-chave do artigo de Geoffrey M. Hodgson, What Is the Essence of Institutional Economics?, publicado em Journal of Economic Issues, vol. 34 (June 2000): 317–29.

Tendo identificado o tema comum mais importante no velho institucionalismo, é necessário indagar mais profundamente a respeito de seu significado. Várias versões desta doutrina têm surgido ao longo dos anos. Também é necessário lidar com alguns possíveis mal-entendidos e refutações.

Talvez o ataque mais frequente à noção de que os gostos individuais e preferências são moldadas pelas circunstâncias é a crítica de que isso leva a algum tipo de determinismo estrutural ou cultural. O indivíduo, como é dito, é feito um autômato de circunstâncias sociais ou culturais.

Autômato é indivíduo de comportamento maquinal, executando tarefas ou seguindo ordens como se destituído de consciência, raciocínio, vontade ou espontaneidade. Nessa concepção, ele parece se mover ou funciona por meios puramente mecânicos. Será que ele funciona por si, dispensando operadores, ou sua operação independe da intervenção consciente da vontade, sendo maquinal, não deliberado? Se o comportamento humano for automático, ele necessariamente se realiza, sem intervenção de novas causas.

É certo que, alguns velhos institucionalistas promoveram tal visão determinística. Quando se escreveu que “não há tal coisa como um indivíduo”, isso estava dando apoio a essas ideias. Continue reading “Causação Ascendente e Descendente”

Essência da Economia Institucional

Buy

Geoffrey M. Hodgson (1946-) é um professor da pesquisa em Estudos de Negócios no da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido), Editor-in-Chief da Journal of Institutional Economics e foi, em 2006, presidente da Association for Evolutionary Economics. Ele é o autor de mais de uma dúzia de livros e quase duzentos acadêmicos artigos. Sua investigação centrou-se sobre as instituições. Ele também teve um longo interesse na História e Metodologia da Economia Institucional e Evolucionária. Resumo abaixo as ideias-chave do seu artigo publicado em Journal of Economic Issues, vol. 34 (June 2000): 317–29.

O termo “Economia Institucional” foi anunciada pelo Walton Hamilton em uma reunião da American Economic Association, em 1918. Institucionalismo foi dominante no pensamento econômico de norte-americanos, pelo menos até o ano de 1940. Listando um número de atributos percebidos nesta escola, Hamilton afirmou que “só a Economia Institucional poderia unificar a Ciência Econômica, mostrando como as partes do sistema econômico estão relacionadas com o todo”.

Entretanto, a Economia Institucional não foi definida em termos de Economia Normativa, ou seja, não tinha nenhuma proposição de o que deveria ser a economia. Hamilton [1919, 313] declarou: “Não é a pretensão da Economia Institucional fazer julgamentos sobre propostas concretas”. No entanto, seu apelo como teoria era que, alegadamente, poderia ser utilizada como uma base de referência para a proposição política.

De acordo com Hamilton [1919, 314-18], os economistas institucionais reconhecem que: “o objeto adequado de teoria econômica é o foco em instituições (…). A teoria econômica está em causa por focalizar apenas questões de processo (…). A teoria econômica deve basear-se em uma aceitável Teoria do Comportamento Humano”. Continue reading “Essência da Economia Institucional”

O Mercado como um Processo Criativo

Desenho na lousa

As contribuições em Física teórica moderna e Química sobre o comportamento de sistemas não lineares, exemplificadas pelo trabalho de Ilya Prigogine sobre a termodinâmica em sistemas abertos, têm atraído crescente atenção em Economia.

James Buchanan e Viktor Vanberg relacionam essa nova orientação nas Ciências Naturais a uma determinada vertente não ortodoxa de pensamento econômico. Tudo o que é necessário para esta finalidade é alguma apreciação da orientação geral da empresa, que envolve uma mudança de perspectiva do determinismo da Física convencional (que presumivelmente inspirou o programa de pesquisa neoclássico em Economia) ao caráter aberto não teleológico, criativo e não predeterminado que está na própria natureza dos processos evolutivos.

Essa mudança de perspectiva é referida como uma reconceituação das Ciências Físicas, como um movimento dos processos determinísticos e reversíveis para os estocásticos e os irreversíveis. A ênfase está deslocada do equilíbrio para o não equilíbrio como uma fonte de auto-organização espontânea. Processos de auto-organização em aberto constituem sistemas longe do equilíbrio termodinâmico. Continue reading “O Mercado como um Processo Criativo”

Economistas e a Ignorância da Psicologia

Cabeça em Dinheiro

Vilfredo Pareto considerava Mussolini “um grande estadista” e, em outubro de 1922, via um telegrama enviado da Suíça, no qual escreveu “agora ou nunca”, encorajou-o a lançar a Marcha sobre Roma e tomar o poder. A importância dele para o fascismo era equivalente a do Karl Marx para o socialismo. Em 1923, Vilfredo Pareto foi nomeado senador do Reino de Itália. Publicou então dois artigos, nos quais se aproximou do fascismo, recomendando aos adeptos desta ideologia uma atitude liberal.

Ignorar a Psicologia, postura que o reaça Vilfredo Pareto defendia explicitamente, foi consagrada por Milton Friedman (1953) no seu desenvolvimento da Economia Positiva. Friedman e os muitos economistas influenciados por seu ponto de vista defenderam dois princípios para julgar as teorias que utilizam premissas A para fazer uma predição formal de P:

  1. Pressuposto A deve ser julgado pela precisão que, matematicamente, implica nas previsões P.
  2. Uma vez que premissas falsas podem gerar previsões precisas [?!], mesmo que os pressupostos pareçam falsos, a sua fraqueza empírica deve ser tolerada se eles levam a previsões precisas de P.[?!]

Colin F. Camerer apoia sem reservas o primeiro princípio (1), mas não aceita o corolário do princípio (2). Continue reading “Economistas e a Ignorância da Psicologia”

Neuroeconomia: Usando Neurociência para fazer Previsões Econômicas

Neuroeconomia

Colin F. Camerer (1959-) foi educado na Universidade Johns Hopkins e da Universidade de Chicago e, desde 1994, tornou-se professor de Economia no California Institute de Tecnologia. A pesquisa de Camerer se encontra entre os limites de Psicologia Cognitiva, Neurofisiologia e Economia. Ele está profundamente envolvido com Economia Experimental, e seu livro, Teoria dos Jogos Comportamental, é a mais abrangente e recente pesquisa de experimentação em Economia.

Neuroeconomia pretende fundamentar a teoria econômica em mecanismos neurais detalhados que são expressos matematicamente e fazer previsões comportamentais.

  1. Um achado dela é que os tipos simples de economizar para decisões de vida e morte (comida, sexo e perigo) ocorrem no cérebro exatamente como as teorias racionais assumem.
  2. Outro conjunto de achados parece apoiar a base neural de construções postas em Economia Comportamental, tais como a preferência por imediatismo e a ponderação não-linear de pequenas e grandes probabilidades.
  3. A terceira direção mostra circuitos neurais (como os ligados à compreensão) permitem previsões e experimentos causais que mostram o estado-dependência de cada preferência revelada, exceto quando tais estados são variáveis biológicas e neurais. Continue reading “Neuroeconomia: Usando Neurociência para fazer Previsões Econômicas”

Economia no Laboratório

economia-experimental Experimental Economics

Vernon Smith trabalha sobre Economia Experimental. Ele se pergunta: por que os economistas conduzem experimentos?

Para responder a essa pergunta, primeiro é necessário especificar, brevemente, os ingredientes de uma experiência. Cada experimento em laboratório é definido por um ambiente, especificando as dotações iniciais, as preferências e os custos que motivam a troca. Este ambiente é controlado, usando recompensas monetárias para induzir a específica configuração relação valor / custo desejada.

Uma experiência também usa uma instituição para definir:

  1. o canal de comunicação (mensagens) com o mercado (lances, ofertas, aceitações),
  2. as regras que regem as trocas de informações, e
  3. as regras em que as mensagens se tornam contratos vinculativos.

Esta instituição é definida por instruções experimentais que descrevem as mensagens e os procedimentos do mercado, que são na maioria das vezes controladas por computador.

Finalmente, há o comportamento observado dos participantes nas experiências como uma função do ambiente e da instituição. Estas constituem as variáveis controladas. Continue reading “Economia no Laboratório”

Metodologia da Economia Positiva

Hausman 3a ed

Embora o já bem conhecido ensaio de Friedman, The Methodology of Positive Economics (1953, Capítulo 7 na antologia organizada por Daniel M. Hausman (The Philosophy of Economics: An Anthology. Cambridge University Press 1984, 1994, 2008; Third Edition in print format: 2007), não se refira à Filosofia da Ciência contemporânea, ele também tenta mostrar que a Economia satisfaz amplamente os padrões positivistas.

Durante décadas após a sua publicação, o ensaio de Friedman dominou o trabalho sobre Metodologia da Economia. Embora quase todos os muitos ensaios que foram escritos em resposta a ele terem sido críticos, o ensaio de Friedman, no entanto, manteve-se como a obra mais influente sobre a metodologia econômica do Século XX.

Friedman inicia seu ensaio prestando uma homenagem ao pai do Keynes.

“Em seu livro admirável sobre The Scope and Method of Political Economy, John Neville Keynes distingue entre “uma Ciência Positiva, um corpo de conhecimento sistematizado sobre o que é; e uma Ciência Normativa ou Reguladora, um corpo de critérios de conhecimento discutir sistematizadas de o que deve ser ; uma Arte, um sistema de regras para a obtenção de um determinado fim”. Enfim, o que deveria ser.

Comenta que “a confusão entre eles é comum e tem sido a fonte de muitos erros perniciosos”; e insta a importância do “reconhecimento uma Ciência Positiva distinta da Economia Política”. Continue reading “Metodologia da Economia Positiva”