Resumo da Tese “Meritocracia de Laços”: Nomenklatura de Economistas no Brasil

Por conta de suas 851 páginas, fiz um resumo da tese de ELISA KLÜGER, Meritocracia de laços: gênese e reconfigurações do espaço dos economistas no Brasil (São Paulo: Universidade de São Paulo- Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas- Departamento de Sociologia – Programa de Pós-Graduação em Sociologia; 2017), para estimular sua leitura. Eu a achei por acaso, para baixar na internet, ao pesquisar sobre a origem institucional de “economistas midiáticos”.

DownloadELISA KLUGER. Meritocracia de Laços: Espaço dos Economistas no Brasil.São Paulo: FFLCH-USP 2017.

É uma pesquisa biográfica de economistas participantes de redes de relacionamentos de trabalho [networking] propícias à nomeação governamental, desde a revolução de 1930 no Brasil.

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Diagnóstico do Estado Atual da Economia Brasileira e Terapia Social-Desenvolvimentista

Muitos economistas progressistas estão contribuindo para o debate público no sentido de formar a opinião especializada em favor do sucesso de um novo governo social-desenvolvimentista a partir de 2023. Eu estudei suas contribuições, resumindo suas ideias e inserindo poucos comentários pessoais. Baixe o livro:

Fernando Nogueira da Costa – Diagnóstico do Estado Atual da Economia Brasileira. fev 2020.

Comentei umas contribuições recém-publicadas para um diagnóstico da economia brasileira. Em geral, é acompanhado de receita com a terapia recomendada ao caso pelos doutores. As propostas de decisões práticas são um apanhado de análises sobre os instrumentos de política econômica, angariadas em publicações jornalísticas.

Embora louváveis, tenho alguns reparos a reducionismos simplórios em torno de maus argumentos. Faz parte do dever de ofício de intelectual crítico: pensar e provocar seus pares para eles aprofundarem suas reflexões.

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Regras ou Arbítrio na Política de Juros: Padrões e Ruídos – Baixe o Livro

No meu estudo da semana passada (download do livro digital abaixo), fiz uma releitura do debate entre os defensores de rules (regras) e os de discretion (discricionaridade) na condução da política monetária à luz dos ensinamentos obtidos com a leitura do livro “Ruído“. Foi lançado em 28 de setembro de 2021, com coautoria de Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein.

No último capítulo, analiso os ruídos da política de juros sobre a estagnação e a concentração da riqueza financeira nos últimos 26 anos. Com base nele publiquei um artigo de divulgação, o qual compartilho abaixo: https://jornalggn.com.br/politica-monetaria/ruidos-da-politica-de-juros-desigualdade-e-estagflacao-por-fernando-nogueira-da-costa/

Em Terrae Brasilis, não ocorreu a chamada dominância fiscal. Refere-se à situação quando o Banco Central se veria impedido de elevar a taxa de juros, para combater a inflação, porque a elevação do pagamento de juros sobre a dívida pública amplificaria o desequilíbrio fiscal, no caso, o déficit nominal – e não o primário, onde se desconsidera os encargos com os juros. Com sua autonomia operacional, jamais se importou em coordenar a política monetária com a política fiscal.

Ainda por cima, ele se queixa de pressuposto desequilíbrio da demanda agregada, inflada pelo setor público, face à dada oferta agregada. Denuncia ela afugentar os investidores pelo “risco fiscal”, isto é, a falsa pressuposição de possível calote da dívida pública com risco soberano. Com emissão de moeda nacional e reservas cambiais bem acima da dívida externa pública, não há esse risco.

Entretanto, os economistas ortodoxos acham, por esse mecanismo de transmissão, a taxa de câmbio se depreciar e a taxa de inflação se acelerar. E daí o BCB aumenta ainda mais a taxa de juro.

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André Lara Resende: Fuga da Prisão Ideológica da Ortodoxia Econômica

A vanguarda teórica, por definição, é heterodoxa. Vanguarda significa frente, dianteira, parte anterior. É um substantivo feminino, do francês “avant-garde” (estar na frente, à dianteira de um movimento). São sinônimos de vanguarda: anteguarda, front. São antônimos de vanguarda: retaguarda, cauda. Esta é a ortodoxia conservadora.

Vanguarda é a parcela mais consciente e combativa, ou de ideias mais avançadas, de qualquer grupo social. Por extensão, é um grupo de indivíduos capaz de, por seus conhecimentos ou por uma tendência natural, exercer papel de precursor ou de pioneiro em determinado movimento cultural, artístico, científico etc.

Sendo assim, louvo os economistas dissidentes do mainstream inteligentes como o André Lara Resende. Bem vindo à heterodoxia teórica! Ajude-nos a divulgar o pensamento de fronteira pelo acesso à mídia não concedido aos social-desenvolvimentistas!

Publicou no Valor (11/02/22) um longo artigo, em uma revista não acadêmica de fim-de-semana, com apresentação de ideias pós-keynesianas. Para André Lara Resende, a incapacidade de entender a moeda como crédito, como passivo sem lastro do Estado, explica os descaminhos da teoria monetária.

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Transdisciplinaridade: Baixe o Livro

Este livro-resenha teria sido escrito a várias mãos, caso fosse resultante do encontro direto dos autores. Não sendo essa ambição possível, na realidade pessoal, embora possa ser imaginada, na realidade consensual, desenvolvi aqui minha atualização de leitura de livros recém-lançados, em inglês, e escrevi seus resumos para memorizar suas ideias principais. Fiz até certo ponto um esforço mais longo, face ao inicialmente pretendido, para obter esse trabalho cooperativo de juntar novas ideias na criação deste livrotexto de referência didática

Então, cada ideia apresentada aqui, nos distintos níveis de realidade onde se insere (realidade objetiva e realidade consensual, senão realidade pessoal), deve ser compreendida como fruto de uma criação coletiva – não é um trabalho autoral ou pessoal. A mistura consistente de ideias transdisciplinares gera criatividade.

Sob a forma de capítulos, fiz resumos das obras escolhidas, seja de autoria individual, seja de dupla de autores. Coerentemente com seu título, essa inteligência coletiva seria uma forma coerente de expressar o modo transdisciplinar de relacionamento e pensamento dos autores de áreas de conhecimento distintas: médica, física, de cientista de dados, tecnologia de informações, economia, etc. 

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Iceberg Econômico

Diversidade Econômica: Repensando Economia e 
Representação Econômica (por J. K. Gibson-Graham)

Iceberg Econômico (desenho de Ken Byrne)

O iceberg é uma representação econômica usada em projetos de pesquisa-ação para estimular conversas sobre ‘a economia’. Esta imagem é uma forma de ilustrar o geralmente considerado ‘a economia’: trabalho assalariado, troca de mercadorias no mercado e empresa capitalista

Compreende apenas um pequeno subconjunto das atividades pelas quais produzimos, trocamos e distribuímos valores. Ele exprime nosso conhecimento comum das múltiplas maneiras pelas quais todos nós estamos engajados na atividade econômica. 

Ele coloca pouco acima e muito abaixo da “superfície do mar” ao submergir diversas concepções de economia. Coloca a reputação da Economia [enquanto Ciência nomeado com maiúscula], um corpo de conhecimento abrangente e científico, sob suspeita crítica por ter esse foco estreito com efeitos mistificadores sobre o estritamente capitalista.

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André Lara Resende (ex-PUC-RJ) X José Júlio Senna (IBRE-FGV)

José Júlio Senna é chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV/Ibre e autor do livro “Política Monetária: Ideias, Experiências e Evolução” (Editora FGV, 2010). Foi diretor do Banco Central. Criticou (Valor, 16/04/21) o André Lara Resende e recebeu uma réplica (Valor, 23/04/21).

Dada a importância do debate sobre MMT (Teoria da Moeda Moderna) e a raridade de um debate plural, no jornalismo econômico brasileiro, compartilho os dois artigos abaixo. Ao Lara Resende se colocar como um dissidente da ortodoxia, ele abre espaço para divulgar ideias heterodoxas e os leitores pensarem melhor a respeito das alternativas existentes ao pensamento fiscalista predominante aqui, mesmo em época de Grande Depressão.

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Finanças Comportamentais para Trabalhadores

Com finalidade didática, traduzi extratos do livro Behavioral Finance for Private Banking, publicado em plena crise financeira de 2008. Sua 2a. Edição foi lançada em 2018.

A 2ª. Edição deste livro se beneficia de percepções de novas áreas de pesquisa, como Finanças Culturais, Neurofinanças e Fintech. Porém, traduzi apenas pequenos extratos mais interessantes para a leitura complementar de meus alunos.

Complementei o aprendizado e a aplicação dos leitores sobre Finanças Comportamentais ao apresentar informações sobre a realidade atual das finanças familiares no Brasil. Para tanto, utilizei da análise comparativa da última Pesquisa de Orçamentos Familiares com as anteriores, realizada pelo meu ex-professor de Econometria no mestrado em Economia na UNICAMP: Rodolfo Hoffmann. 

Ele e a coautora Daniela Verzola Vaz deram especial ênfase à contribuição das parcelas da renda familiar não normalmente investigadas ou cuja estimação depende de aproximações na PNAD, como a renda não monetária, a variação patrimonial, as aposentadorias e pensões de funcionários públicos e as transferências de programas sociais federais. Conhecer a contribuição desses componentes para a desigualdade da renda pode amparar os professores de Educação Financeira para ajudar a elaboração de planos de mobilidade social para seus alunos: os trabalhadores brasileiros.

Fernando Nogueira da Costa – Finanças Comportamentais para Trabalhadores.

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Castas e Párias

Com finalidade educacional, fiz uma tradução de extratos de um livro publicado no ano passado, nos EUA, sobre Castas [Caste], indicado na resposta a uma pergunta feita por mim à Lilia Schwarz: devemos rever a história do Brasil à luz das castas? Ela concordou. Fiz isso em Fernando Nogueira da Costa – Complexidade Brasileira: Abordagem Multidisciplinar. Sugiro a leitura do livro de autoria Isabel Wilkerson, cujas ideias centrais são resumidas abaixo, pois ele faz pensar a mistura entre sistema de castas e racismo, lá e aqui.

Fernando Nogueira da Costa. Castas e Párias. Blog Cidadania & Cultura. março de 2021

Coloquei como conclusão meu resumo do debate com outros textos contemporâneos, apresentados na coletânea, sobre políticas públicas para a superação da pobreza. Compartilho abaixo o artigo-resenha (publicado no dia 23/03/21 no GGN).

Esse foi o gesto racista, realizado pelo assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins, durante audiência do chanceler Araújo no Senado Federal. É crime de racismo propagandear esse símbolo de intolerância supremacista branca da extrema direita nos Estados Unidos e no mundo.

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Cartilha de Finanças Pessoais

Neste semestre letivo, 80 alunos matricularam na disciplina eletiva oferecida por mim para os alunos da graduação do IE-UNICAMP. Ela é intitulada Finanças Comportamentais Para Planejamento Financeiro Pessoal.

Sua ementa busca propiciar Educação Financeira. Na primeira parte, analisa as evidências empíricas brasileiras sobre distribuição das rendas do trabalho, do capital produtivo, do capital financeiro, do capital imobiliário, além da concentração da riqueza no Brasil. Na segunda parte, apresenta o neuromarketing e as prevenções contra impulsos emocionais para consumir, as neurofinanças ou psicologia dos investidores, as finanças comportamentais. Na última parte, ensina o planejamento financeiro da vida pessoal e/ou familiar, o planejamento financeiro da aposentadoria, e conclui com o debate sobre economia da felicidade ou da boa vida.

Coloco à disposição de todos interessados um guia-didático (ou “livro-texto”) para o seguir:

Fernando Nogueira da Costa. Cartilha de Finanças Pessoais. Blog Cidadania & Cultura; março de 2021

O grande diferencial em relação à literatura de auto-ajuda financeira, encontrada nas livrarias (e com preços bem cobrados), além da vantagem de eu o colocar para download de graça, é seu método científico. Não apela para a motivação emocional, mas sim para fatos e dados para cada leitor refletir, racional e objetivamente, sobre o planejamento de sua vida financeira futura.

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Por Uma Teoria Alternativa da Moeda

O monopólio da emissão de moeda nacional é, junto com o das armas, sustentáculo da soberania do Estado sobre seu território. Ambos monopólios estatais reúnem o poder econômico e o poder militar. 

A casta dos mercadores e a casta dos guerreiros-militares, desde o passado, se aliam para configurar uma oligarquia governante. Com a emergência da organização dos trabalhadores assalariados, seja sindical, seja partidária, e depois a formação de uma massa de trabalhadores intelectuais universitários, há a divulgação de ideias socialistas contra o capitalismo explorador da força do trabalho. 

A socialdemocracia europeia, após a II Guerra, e a norte-americana, no New Deal, após a Grande Depressão dos anos 30, foi reformista e civilizadora. Com um Estado de Bem-Estar Social obteve os melhores Índices de Desenvolvimento Humano. Aqui, no Brasil, o social-desenvolvimentismo (2003-2014) teve de se contrapor ao neoliberalismo da socialdemocracia à brasileira, projeto só de intelectuais, sem trabalhadores.

No mundo das ideias, sempre houve questionamento de ideias, mesmo feito no ostracismo, durante os estados-de-guerra ou de emergência, sob regimes tirânicos. por Meios de comunicação midiáticos costumam sabotar a divulgação das ideias de vanguarda, críticas ao pensamento dominante. Mas, de tempos em tempos, elas emergem e chegam à opinião especializada bem-formada.

Daí a tarefa da inteligência é sua divulgação didática para a formação da opinião pública. Pratica um debate plural, onde cada participante se posiciona com base em sua razão. 

Na Espanha da ditadura fascista de Franco havia uma figura ressentida por ser um militar mutilado, José Millán-Astray, cujo lema era “Viva la Muerte!” Além de celebrar a morte, condenava a razão. Clamou: “Abaixo a inteligência, viva a morte!”. Parece o capitão…

A inteligência está do lado da academia do saber, a truculência está do lado da academia militar e fisiológica. Parece haver uma relação inversamente proporcional entre músculo e cérebro! Os “bombados” estão do lado da morte! Estamos, pelo contrário, do lado da vida!

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