24 livros da Coleção “Grandes Cientistas Sociais” para download gratuito! E também Histórias em Quadrinhos!

por Luiz Antonio Ribeiro 27 de outubro de 2021 fonte: https://notaterapia.com.br/2021/10/27/24-livros-da-colecao-grandes-cientistas-sociais-para-download-gratuito/

“Coleção Grandes Cientistas Sociais” foi publicada pela editora Ática, entre 1978 e 1990

A “Coleção Grandes Cientistas Sociais” foi publicada pela editora Ática, entre 1978 e 1990 . Ela foi coordenada pelo sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995).

A coleção é composta, no total, por 60 volumes, cada um dedicado a (58) “Autores” diferentes. Os livros são classificados em sete “disciplinas fundamentais”: sociologia (18“Autores”/volumes), política (14), economia (8), história (7); antropologia (5), psicologia (5), geografia (3).

O conteúdo dos livros apresenta duas frações: uma na qual o(s) “Autor(es)” são “focalizados através de introdução crítica e biobibliográfica”, assinada por “especialistas da universidade brasileira”; a segunda, a apresentar “uma coletânea dos textos mais representativos de cada autor.

No texto introdutório, o “especialista” versa sobre a vida e a obra do “Autor” de cada volume, justifica os critérios que nortearam sua seleção dos excertos e apresenta uma bibliografia complementar

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Igualitários versus Desigualitários: Nota sobre a Escola Austríaca

Economistas da Escola Austríaca argumentam o único meio de elaboração de uma teoria econômica válida ser a derivação lógica a partir dos princípios básicos da ação humana, um método denominado praxeologia experimental. É uma tentativa-e-erro ou acerto. Os agentes econômicos buscariam repetir a ação bem-sucedida.

Daí, catalogando essa prática instintiva, imaginam construir uma teoria das melhores decisões, útil como guia cotidiano. Para eles, a Economia restringe-se à análise da ação humana, segundo a perspectiva dos agentes individuais.

Este individualismo metodológico permitiria a descoberta de leis econômicas fundamentais, válidas para toda a ação humana. Distingue-se do holismo metodológico, onde se busca captar as leis de movimento social, ou seja, os fatores responsáveis pela dinâmica – variações ao longo do tempo – do sistema capitalista.

Os “austríacos” buscam a explicação para os fenômenos macroeconômicos com base na ação dos indivíduos, e não em entidades coletivas, como por exemplo faz o historicismo ou o marxismo. Rejeitam quaisquer conceitos e agregados macroeconômicos se não forem fundamentados na ação individual.

Nesse sentido, discordam de Aristóteles. Há mais de 2.500 anos, afirmou: “o todo é distinto da mera soma de suas partes”.

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Dogmas Econômicos da Extrema-Direita

É necessário “ter estômago” ou abnegação – uma forma de sacrifício ao ignorar os próprios interesses – ao infiltrar-se em hostes de “patriotários”, clamando por golpe e ditadura aos militares. O investigador agiria em nome da Ciência Política e/ou da Psicologia da Turba (“Loucura Coletiva”) ao fazer esse levantamento de campo sobre o perfil social, etário e educacional dessa gente golpista.  

Não tendo idade nem aptidão para tal tarefa, meu autoflagelo na Terra, para alcançar um lugar no Paraíso, se deu com breve visita ao site do Instituto Mises Brasil. Fiz um levantamento dos títulos de artigos postados de meados até o fim deste ano eleitoral.

Com essa pequena amostra já se percebe serem representativos da ideologia de extrema-direita, onde o pressuposto ultraliberalismo de von Mises, crítico do intervencionismo econômico, se transforma em apoio ao pedido de “intervenção militar ou federal” em Terrae Brasilis. Vale-tudo para o anacrônico discurso anticomunista: os “austríacos tupiniquins”, em sua luta cega contra o Estado – escrevem “estado” em minúscula para demonstrar o pouco apreço –, acabam se opondo ao Estado de Direito no Brasil!

Confira os títulos, são típicas bandeiras-de-luta contra o fantasma do comunismo – e do keynesianismo:

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Camisa Verde-e-Amarela

Camisa da Seleção da Áustria (epa!)

Vestiu uma camisa verde-e-amarela / E saiu por aí / Tirou o seu anel de doutor / Para não dar o que falar / E saiu, dizendo, eu quero mamá/ Mamãe, eu qué mamá, mamãe, eu quer mamá / Levava uma arma no cinto…

Carmem Miranda ao cantar mais ou menos isso antecipava o futuro de uma Nação atrasada, em termos de desenvolvimento socioeconômico, e particularmente inculta. O Brasil figura só acima da África do Sul, cujo regime de profunda e violenta segregação racial – o apartheid – foi mantido de 1948 a 1994, como penúltimo colocado entre os países emergentes e desenvolvidos em número de pessoas com curso superior. Isto sem falar na falta de cultura de inúmeros diplomados em faculdades particulares.

Haja vista a reação de O Mercado, vulgos Faria Limers, frente à nomeação de um professor universitário, Dr. Fernando Haddad, com grande experiência como ministro da Educação e prefeito da maior cidade brasileira, para o cargo de ministro da Fazenda. Desde logo, pautou próceres do PIG (Partido da Imprensa Golpista) para o desmoralizar!

O PIG retomou o hábito de desinformar a opinião pública, posicionando-se a priori contra quaisquer “temas heterodoxos”, por exemplo, a chamada Teoria Monetária Moderna (ou MMT), moeda comum do Mercosul e o novo/velho papel do BNDES. Como é contumaz, a diretora-adjunta de redação do jornal Valor Econômico intitulou sua coluna com uma afirmação leviana: “MMT é uma traquinagem juvenil”. Faz citações de desconhecidos “especialistas” (sic), pois só falam sob a condição de anonimato.

O covarde diz leviandades sem ser apresentada sua identidade (será fictícia?) e/ou um contraponto de quem defende posição oposta. “Começar a falar de MMT é uma bobagem sem tamanho. Assim como se falar sobre moeda comum do Mercosul e de acabar com a TLP [taxa de juros de longo prazo] do BNDES e voltar ao velho esquema de subsídios são iniciativas na vertente da ‘traquinagem juvenil’.”

Na “grande” (sic) imprensa brasileira, não há debate público plural, desde o início do golpismo contra a Presidenta Dilma Roussef. Economistas social-desenvolvimentistas, especialmente os da UNICAMP, onde ela fez o curso de Doutorado, não foram mais aceitos em suas páginas com a rara exceção (Professor Belluzzo) para confirmar a regra.

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Intervencionismo, o Pavor do Ultraliberalismo

Entre os dogmas sagrados da Escola Austríaca, Ludwig von Mises no livro “Ação Humana” destaca: “os economistas [austríacos], a partir de suas investigações, concluíram os objetivos da maior parte das pessoas podem ser mais bem alcançados, através de seu esforço e trabalho e da política econômica, quando o sistema de livre mercado não é obstruído por decretos governamentais”.

Ao contrário da impressão de todos os leitores ao ler tal distonia com a realidade, ele afirma não haver razão para considerar esta conclusão como preconcebida ou fruto de uma análise superficial. Garante ser o resultado de “um exame rigorosamente imparcial de todos os aspectos do intervencionismo”. Vamos conferir.

A priori, Mises e seus discípulos sectários e dogmáticos apelam à opinião de uma autoridade vaga, atribuída à sabedoria antiga. A ideia é presumida como verdadeira somente porque foi originada em um passado distante. É como fosse “prova social”.

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Menos Mises, Mais Keynes

Menos Marx, Mais Mises: Uma Gênese da Nova Direita Brasileira (2006-2018)” é o título de uma tese de Doutorado em Ciência Política, defendida por Camila Rocha, na FFLCH-USP. Inspirou-se no slogan de jovens direitistas, apresentado em cartazes na rua, quando perderam a vergonha existente desde a ditadura militar para se manifestarem.

As ideologias políticas são um conjunto de ideias, crenças, opiniões e valores. Possuem uma relação estreita com a prática política, permeando conflitos existentes na esfera pública em torno do desenho de macro-programas a respeito de políticas sociais e econômicas, os quais mobilizam policymakers e opinião pública.

No caso dos defensores do Estado mínimo, contraditoriamente, buscam se apossar da governança dele para se omitirem diante da calamidade da saúde pública e do desemprego. Cortam orçamento inclusive da Educação Pública, Ciência e Tecnologia!

Misturam, em sua ideologia conservadora, argumentos racionais e não-racionais. São performáticos e “poéticos” nas redes de ódio. Liberalismo, conservadorismo, fascismo, socialismo, comunismo, e outras grandes ideologias, virtualmente, se confrontam como atores políticos antagônicos. Cada qual imputa o nazifascismo ao outro lado.

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Efeito Rede em Sistema de Contabilidade de Riqueza: Baixe o Texto para Discussão

Obtive, na primeira aula de Introdução à Economia, um saber inestimável: a diferença entre o conhecimento teórico-conceitual de economistas e o conhecimento prático dos homens de negócios. A especificidade do primeiro é a análise macrossistêmica.

Essa dedução recupera o Sofisma da Composição: a simples soma das partes não representa a qualidade distinta de o todo. O termo nasceu com os “sofistas”, professores na Grécia antiga nos séculos V e IV aC. Ensinaram “virtude” ou “excelência”, predominantemente, para jovens estadistas e nobres.

Em linguagem popular, é dito “a verdade para um indivíduo não é, necessariamente, a verdade coletiva”. E vice-versa, ou seja, critica tanto o dogma da extrema-esquerda de ser interesse social adotar completo coletivismo quanto o dogma da direita de o governo de um país ser administrado como fosse uma empresa ou, como dizem os políticos demagogos em campanha eleitoral, “tal como você, dona-de-casa, administra seu orçamento doméstico”.

Uma Nação não é um lar nem tampouco uma empresa. É equivocado extrapolar experiências individualmente vivenciadas para a administração pública.

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Política Pública em Sistema Complexo

A referência mental, para muitos economistas ortodoxos, ainda é o Modelo de Equilíbrio Geral. Inspirado na Física de Isaac Newton, existente no século XVIII, imaginam a reversão a um equilíbrio estável do sistema de preços relativos seria tal como um centro gravitacional ao atrair uma bola rolando em uma tigela.  

Ao fim e ao cabo, terminaria no fundo. Por isso, laissez faire, laissez aller, laissez passer, le monde va de lui-même [deixe fazer, deixe ir, deixe passar, o mundo vai por si mesmo].

Por exemplo, em um processo inflacionário em escala global como o atual, o Viés da Ação, adotada na política discricionária do Banco Central do Brasil de juros disparatados em relação aos do resto do mundo, é vista como de pouca eficácia. Afinal, trata-se de um problema mundial de inflação de custos por quebra de oferta.  

Em contrapartida, o Viés da Omissão, típico da equipe atual do Ministério da Economia, é justificado por adeptos do laissez-faire. Adotam o argumento de nenhuma política fiscal seria capaz de reverter o retrocesso econômico brasileiro no ranking mundial dos maiores PIB. Seria um destino inapelável das economias da América do Sul.

A discussão sobre a política econômica adequada foi enquadrada entre duas opções polares: ou deixar tudo por conta do livre mercado ou contar somente com o governo para a solução. Há só uma escolha: ou laissez-faire ou ativismo governamental.

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Macroeconomia de Controle

A teoria econômica ortodoxa, antes dos anos 30, no século XX, excluía a possibilidade de uma depressão.  A ideologia do liberismo (liberalismo exclusivamente econômico) adotava a Microeconomia por colocar o foco sobre indivíduos racionais, dotados de informações perfeitas, e deduzir através de suas negociações o alcance do equilíbrio.

O livre mercado alocaria os recursos com eficiência. Caso os economistas fizessem essas suposições irrealistas, de maneira suficiente, poderiam provar, matematicamente, uma economia de mercado descoordenada ser capaz de funcionar de maneira adequada.

Porém, na Grande Depressão, apesar dos trabalhadores aceitarem abaixar seus salários até o nível de subsistência, o desemprego involuntário massivo não era superado. Os economistas fiscalistas, defensores da política de austeridade permanente, foram ultrapassados pela força dos fatos.

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Efeito de Rede em Riqueza

A população brasileira está estimada em quase 215 milhões de pessoas. A população adulta passava 172 milhões, no fim de 2021, embora na força de trabalho estivessem menos de 108 milhões, sendo quase 96 milhões ocupados e 12 milhões desocupados.

Em 2020, no mercado de trabalho formal, o número de pessoas ocupadas assalariadas em empresas e outras organizações ativas chegou a 45,4 milhões. No mesmo primeiro ano da pandemia, o número dessas entidades atingiu 5,4 milhões e o número de sócios e proprietários totalizou 7,3 milhões pessoas.

O número de empresas sem assalariados cresceu 8,6% ou mais 227,3 mil. Diante do desemprego, essas pessoas resolveram abrir o próprio negócio. Se a empresa aberta tinha CNPJ, declarava o eSocial e não fosse MEI, ela era considerada no CEMPRE-IBGE.

Como a Ciência Social analisa uma sociedade tão complexa com tamanha diversidade de indivíduos e empresas? No caso das Pessoas Físicas, classificando-as por gêneros, faixas etárias, níveis de escolaridade, castas de natureza ocupacional e párias etc.? No caso das Pessoas Jurídicas, classificando-as por porte, natureza jurídica e atividade?

A fronteira do conhecimento da Ciência Econômica move-se para uma visão macrossistêmica submeter a perspectiva sociológica das classes de renda e riqueza. Estuda o sistema complexo, emergente de interações entre múltiplos agentes.

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Bem-vindo ao Time, André

O que seria a Economia sem as hipóteses? Contabilidade.

Um economista é um profissional pago para adivinhar coisas erradas sobre o futuro da atividade econômico-financeira. Contabilidade é uma Ciência Aplicada sem abstração.

Ela registra os dados do passado ao presente. Os economistas fazem uma média dos dados passados e a extrapolam para o futuro porque, afinal, por definição, não existem “dados do futuro”.

Se o presente estiver acima ou abaixo dela, prognosticam a reversão. Se estiver flutuando em torno dela, esperam “o cenário andar de lado”…

A equação fundamental da Contabilidade é escrita na forma A=P+PL , ou seja, o total de ativos (A) sempre é igual à soma do total de passivos (P) com o patrimônio líquido (PL). A diferença entre as formas de manutenção de riqueza (A) e as dívidas (P), contratadas para a adquirir, constitui o patrimônio líquido (PL).

Ela tem como principal objeto de estudo o patrimônio, seus fenômenos e variações, registrando os fatos e os atos de natureza econômico-financeira causadores de consequências na dinâmica financeira. Em suma, a Contabilidade mede a riqueza (patrimônio) e a sua evolução a fim de permitir planejamento e controle adequados.

A escrituração, consistente em efetuar, de forma sistematizada, os registros das ocorrências influenciadoras da evolução patrimonial, leva em consideração a ordem cronológica de todos os acontecimentos. A técnica contábil da escrituração é baseada em documentos comprobatórios, ou seja, todos os acontecimentos escriturados devem corresponder a documentos legalizados, comprovantes da veracidade por auditorias.

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Tempo e Dinheiro nas Compras ou Vendas a Prazo

Consumidores compram coisas das quais não precisam, a fim de impressionar gente da qual não gostam, com dinheiro o qual não têm” (Robert Quillen).

Neste Texto para Discussão (link abaixo), argumento: muitas empresas não-financeiras negociam com o tempo – e não com o dinheiro, pois não o têm! Buscam pagar a prazo e receber à vista. Com o dinheiro das vendas pagam os compromissos de compra.

Paradoxalmente, em Terrae Brasilis, o vendedor força o comprador a pagar a prazo com cartões de crédito! O comprador pensa: gosto de ele pensar estar me enganando com preço a prazo igual ao preço a vista, mas ao pagar mais adiante vou contar com mais rendimentos de juros, em tese, perdido por ele, vendedor.

O problema dessa “inversão ao espelhar” é o custo de vida no país ser mais elevado em relação a uma economia com diferenciação de preços. Ocorre por conta do repasse do custo das vendas a prazo para todos os compradores com o mesmo preço, usando ou não cartões de crédito.

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