Blog Cidadania & Cultura

Fernando Nogueira da Costa. Professor Titular do IE-UNICAMP.

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O Capital no Século XXI de Thomas Piketty

 

PikettyPaul Krugman resenhou “o livro da hora”, O Capital no Século XXI, de autoria de Thomas Piketty: Why We’re in a New Gilded Age by Paul Krugman _ The New York Review of Books. A Folha de S.Paulo reproduziu sua resenha, no dia 26 de abril de 2014, porém não deseja sua reprodução neste modesto blog mesmo que seja com a finalidade educativa com longa defasagem em relação à data de publicação.

Sou assinante desde que o jornal teve um papel relevante na “Campanha pelas Diretas Já“, há 30 anos. Depois que “Seu Frias” morreu, seu filho Otavinho “endireitou” e/ou “tucanou” o jornal. Esvaziou o conteúdo noticioso e encheu sua colunas de direitistas e neoliberais provocadores, cujo único objetivo é atacar os petistas e as ideias de esquerda.

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Leia maisApresentação sobre o livro de Thomas Piketty

Thomas Piketty, professor na Escola de Economia de Paris, não é um nome muito conhecido, ainda que isso possa mudar com a publicação em inglês de sua abrangente e magnífica meditação sobre a desigualdade, “Capital in the Twenty-First Century“. Mas sua influência é profunda. Tornou-se comum afirmar que estamos vivendo uma segunda Gilded Age [Era Dourada] – ou, nas palavras de Piketty, uma segunda Belle Époque -, definida pela incrível ascensão do “1%”. Mas essa afirmação só se tornou lugar comum graças ao trabalho de Piketty. Ele e alguns colegas (especialmente Anthony Atkinson, de Oxford, e Emmanuel Saez, de Berkeley) são, especialmente, responsáveis pelo desenvolvimento de técnicas estatísticas pioneiras que tornam possível rastrear a concentração de renda e de riqueza no passado distante – até o começo do século 20, no Reino Unido e Estados Unidos, e até o final do século 18 no caso da França.

O resultado foi uma revolução em nossa compreensão sobre as tendências da desigualdade em longo prazo. Antes dessa revolução, a maioria das discussões sobre a disparidade econômica mais ou menos desconsiderava os muito ricos. Alguns economistas (para não mencionar políticos) tentavam sufocar aos gritos qualquer menção à desigualdade: “De todas as tendências prejudiciais a um estudo sólido da Economia, a mais sedutora, e em minha opinião mais venenosa, é tomar por foco as questões de distribuição”, declarou Robert Lucas, da Universidade de Chicago, o mais influente macroeconomista de sua geração, em 2004. Mas mesmo aqueles que se dispunham a discutir a desigualdade se concentravam, em geral, na disparidade entre os pobres da classe trabalhadora e as pessoas prósperas, mas não mencionavam os verdadeiramente ricos – o foco eram os formandos universitários cuja renda superava a de trabalhadores com nível mais baixo de educação, ou a sorte comparativa dos 20% mais prósperos da população ante os 80% menos afortunados, e não a rápida ascensão da renda dos executivos e banqueiros.

Portanto, foi uma revelação quando Piketty e seus colegas demonstraram que as rendas do hoje famoso “1%”, e de grupos ainda mais estreitos, na realidade representavam a história mais importante na ascensão da desigualdade. E essa descoberta surgiu acompanhada por uma segunda revelação: as menções a uma nova Gilded Age, que podiam parecer hiperbólicas, na verdade nada tinham de exagerado. Nos Estados Unidos, especialmente, a proporção da renda nacional reservada ao 1% mais rico da população seguiu uma curva em U. Antes da Primeira Guerra Mundial, o 1% mais rico detinha 20% da renda nacional, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. Por volta de 1950, essa proporção havia sido reduzida a menos da metade. Mas de 1980 para cá a parcela reservada ao 1% disparou de novo – e nos Estados Unidos ela retornou ao ponto em que estava um século atrás.

Ainda assim, a elite econômica atual é muito diferente da elite do século 19, não? Na época, as grandes fortunas tendiam a ser hereditárias; a elite econômica atual não é formada por pessoas que conquistaram suas posições com base no mérito? Bem, Piketty nos diz que isso não é tão verdade quanto podemos imaginar, e que de qualquer forma esse estado de coisas pode se provar não mais duradouro do que a sociedade de classe média que floresceu por uma geração depois da Segunda Guerra Mundial. A grande ideia de “Capital in the Twenty-First Century” é não só a de que retornamos ao século 19 em termos de desigualdade de renda como a de que estamos no caminho de volta ao “capitalismo patrimonial”, no qual os grandes píncaros da economia são ocupados não por indivíduos talentosos mas por dinastias familiares.

É uma afirmação notável – e é precisamente por ser tão notável que ela precisa ser examinada de maneira crítica e cuidadosa. Antes que eu trate desse assunto, porém, permita-me afirmar já de saída que Piketty escreveu um livro verdadeiramente soberbo. O trabalho combina grande abrangência histórica – quando foi a última vez que você ouviu um economista invocar Jane Austen e Balzac? – com análise minuciosa de dados. E ainda que Piketty zombe dos economistas, como profissão, por sua “paixão infantil pela matemática”, a base de sua argumentação é um tour de force de modelagem econômica, uma abordagem que integra a análise do crescimento econômico à da distribuição de renda e riqueza. Esse é um livro que mudará a maneira pela qual pensamos sobre a sociedade e pela qual concebemos a economia.

1. O que sabemos sobre a desigualdade econômica, e sobre os momentos específicos nos quais adquirimos conhecimento sobre ela? Até que a revolução de Piketty varresse o campo, a maior parte do que sabíamos sobre desigualdade de renda e riqueza vinha de pesquisas nas quais domicílios escolhidos aleatoriamente são convidados a preencher um questionário, e suas respostas são computadas a fim de produzir um retrato estatístico do todo. O padrão internacional para essas pesquisas é o levantamento anual conduzido pelo Serviço de Recenseamento dos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) também conduz uma pesquisa trienal sobre a distribuição de riqueza.

As duas pesquisas são um guia essencial quanto à mudança da forma da sociedade dos Estados Unidos. Entre outras coisas, elas apontam para uma virada dramática no processo de crescimento econômico norte-americano, iniciada por volta de 1980. Antes disso, famílias de todos os níveis viam suas rendas crescerem mais ou menos em linha com o ritmo de crescimento da economia como um todo. Depois de 1980, porém, a parte do leão dos ganhos passou a caber ao topo da escala de renda, e as famílias na metade inferior ficaram muito para trás.

Historicamente, outros países não mostravam igual eficiência em rastrear quem fica com o que; mas a situação mudou ao longo do tempo, em larga medida devido ao Estudo de Renda do Luxemburgo (do qual em breve farei parte). E a crescente disponibilidade de dados de pesquisa que podem ser comparados entre diferentes países resultou em novas percepções importantes. Sabemos agora, especialmente, tanto que os Estados Unidos têm uma distribuição de renda muito mais desigual que a das economias avançadas da Europa quanto que boa parte dessa diferença pode ser atribuída diretamente a ações do governo. As nações europeias em geral têm rendas altamente desiguais como resultado das atividades de mercado, como os Estados Unidos, ainda que talvez não na mesma extensão. Mas conduzem redistribuição muito maior por meio de taxas e transferências do que os Estados Unidos fazem, o que resulta em desigualdade muito menor em termos de renda disponível.

No entanto, apesar de toda a sua utilidade, os dados dessas pesquisas têm limitações importantes. Tendem a subestimar, ou desconsiderar de todo, a renda que cabe ao punhado de indivíduos que ocupam o verdadeiro topo da escala de renda. Também apresentam profundidade histórica limitada. Os dados de pesquisa norte-americanos, por exemplo, remontam a apenas 1947.

É aí que entram Piketty e seus colegas, que se voltaram a uma fonte de dados inteiramente diferente: os registros tributários. Essa ideia não é novidade. De fato, as análises iniciais de distribuição de renda dependiam de dados tributários, porque não havia muitos outros dados com que pudessem contar. Piketty e seus colaboradores, porém, encontraram maneiras de combinar dados tributários e outras fontes a fim de produzir informações que complementam de maneira crucial os dados das pesquisas. E as estimativas baseadas nos impostos podem recuar muito mais ao passado. Os Estados Unidos têm um imposto sobre a renda em vigor desde 1913; no Reino Unido, ele surgiu em 1909; a França, graças aos seus registros elaborados de coleta de impostos sobre propriedades e aos seus históricos detalhados, tem dados sobre patrimônio que remontam ao final do século 18.

Explorar esses dados não é fácil. Mas usando todos os truques da profissão, e alguns palpites bem informados, Piketty consegue produzir um sumário da queda e ascensão da desigualdade extrema ao longo dos últimos 100 anos.

Como eu disse, descrever nossa era como uma nova Gilded Age ou Belle Époque não é simples hipérbole; é a verdade pura e simples. Mas como foi que isso aconteceu?

Piketty lança um repto intelectual imediato, por meio do título do seu livro: “Capital no Século 21”. Economistas ainda podem falar assim?

Não é apenas a alusão evidente a Marx que torna o título tão surpreendente. Ao invocar o capital desde o começo, Piketty abandona as discussões mais modernas sobre a desigualdade e retorna a uma tradição mais antiga.

A suposição geral da maior parte dos pesquisadores sobre a desigualdade era a de que a renda auferida, em geral na forma de salário, é o aspecto mais importante, e que a renda gerada pelo capital não é nem importante e nem interessante. Piketty demonstra, porém, que mesmo hoje é a receita do capital, e não a renda do trabalho, que predomina no topo da distribuição de renda. Ele também demonstra que, no passado – durante a Belle Époque europeia e, em menor escala, a Gilded Age norte-americana [período de grande expansão econômica entre 1870 e 1900]- a propriedade desigual de ativos, e não o salário desigual, foi o principal propulsor da disparidade de renda. E ele argumenta que estamos no caminho de volta àquela espécie de sociedade. E não se trata de especulação casual de sua parte. “Capital in the Twenty-First Century”, afinal, é um trabalho que respeita os princípios do empirismo, e é propelido por um arcabouço teórico que busca unificar a discussão do crescimento econômico e da distribuição tanto de renda quanto de riqueza. Piketty basicamente vê a história econômica como a história de uma corrida entre a acumulação de capital e os demais fatores que propelem o crescimento, como o crescimento populacional e o progresso tecnológico.

É certo que essa é uma corrida que não pode ter vencedor permanente. Em prazo muito longo, o estoque de capital e a renda total precisam crescer mais ou menos no mesmo ritmo. Mas um lado ou outro pode permanecer décadas ininterruptas em vantagem. Na véspera da Primeira Guerra Mundial, a Europa havia acumulado capital seis ou sete vezes maior que a renda nacional de cada país. Ao longo das quatro décadas seguintes, porém, uma combinação de destruição física e de desvio de poupança para esforços de guerra reduziu essa proporção à metade. A acumulação de capital foi retomada depois da Segunda Guerra Mundial, mas o período registrou crescimento econômico espetacular – os “Trente Glorieuses”, ou “30 anos gloriosos”. Por isso, a razão entre capital e renda permaneceu baixa. Desde os anos 70, porém, a desaceleração do crescimento implicou em alta na razão entre capital e renda, de modo que o capital e a riqueza vêm caminhando de volta aos níveis que detinham na Belle Époque. E essa acumulação de capital, diz Piketty, terminará por recriar desigualdade ao estilo da Belle Époque, a menos que seja combatida por tributação progressiva.

Por quê? É tudo uma questão de r vs. g – a taxa de retorno sobre o capital (r) versus o ritmo de crescimento econômico (g).

Quase todos os modelos econômicos nos dizem que, caso g caia – o que vem acontecendo desde os anos 70, um declínio que deve continuar devido ao crescimento menor da população em idade de trabalho e ao progresso tecnológico mais lento -, r também cairá. Mas Piketty assevera que r cairá menos que g. Isso não tem necessariamente de ser verdade. Mas se for suficientemente fácil substituir trabalhadores por máquinas – se, para usarmos o jargão técnico, a elasticidade de substituição entre capital e trabalho for superior a um -, o crescimento lento, e a alta consequente na razão entre capital e renda, de fato ampliarão a disparidade entre r e g. E Piketty argumenta que é isso que os registros históricos provam acontecerá.

Se ele estiver certo, uma consequência imediata será uma redistribuição da renda, dos trabalhadores para os detentores de capital. A sabedoria dominante foi sempre a de que não precisávamos nos preocupar que isso acontecesse, e que as parcelas respectivas do capital e do trabalho na renda total se provam fortemente estáveis ao longo do tempo. Em prazo muito longo, porém, há prova de que isso não seja verdade. No Reino Unido, por exemplo, a parcela do capital na renda – quer em forma de lucros empresariais, dividendos, renda fixa ou vendas de propriedades, por exemplo – caiu de cerca de cerca de 40% antes da Primeira Guerra Mundial para pouco mais de 20% em 1971, e de lá para cá recuperou cerca de metade do terreno perdido. Nos Estados Unidos, esse arco histórico é menos claro, mas aqui também a redistribuição em favor do capital está em curso. É especialmente importante apontar que os lucros das empresas dispararam desde o começo da crise financeira, enquanto os salários – incluindo os salários das pessoas com nível mais elevado de educação – se estagnavam.

Uma parcela maior para o capital, por sua vez, eleva diretamente a desigualdade, porque a propriedade do capital é sempre distribuída de modo mais desigual do que a renda do trabalho. Mas os efeitos não se limitam a isso, porque, quando o ritmo de retorno sobre o capital excede fortemente o ritmo de crescimento econômico, “o passado tende a devorar o futuro”: a sociedade tende inexoravelmente a ser dominada pela riqueza hereditária.

Considere como esse processo transcorreu na Europa da Belle Époque. Na época, os proprietários de capital podiam esperar retornos de 4% a 5% sobre seus investimentos, com tributação mínima; enquanto isso o crescimento econômico era de apenas cerca de 1% ao ano. Assim, os indivíduos ricos podiam facilmente reinvestir parte suficiente de sua renda para garantir que sua riqueza, e com ela sua renda, crescesse mais rápido que a economia, o que reforçava seu domínio econômico, e ao mesmo tempo gastar o suficiente para levar vidas de grande luxo.

E o que acontecia quanto esses indivíduos ricos morriam? Sua riqueza era legada aos seus herdeiros – uma vez mais, com tributação mínima. Dinheiro transferido à geração seguinte respondia por entre 20% e 25% da renda anual; a maior proporção das riquezas – cerca de 90% – era herdada e não auferida com a renda do trabalho. E essa riqueza hereditária se concentrava nas mãos de minorias muito pequenas. Em 1910, o 1% mais rico da população controlava 60% da riqueza da França; na Grã-Bretanha a proporção era de 70%.

Não admira, portanto, que os romancistas do século 19 fossem obcecados por heranças. Piketty discute extensamente os conselhos do canalha Vautrin a Rastignac em “Pai Goriot”, de Balzac, que podem ser resumidos na afirmação de que nem mesmo a mais bem sucedida das carreiras poderia resultar em mais que uma fração da fortuna que Rastignac seria capaz de adquirir de um golpe ao se casar com a filha de um homem rico. E a verdade é que Vautrin estava certo: ser parte do 1% mais rico dos herdeiros do século 19 conferia a alguém um padrão de vida cerca de 2,5 vezes superior ao que essa pessoa poderia atingir por meio de esforço que a conduzisse ao 1% mais bem pago dos trabalhadores.

Seria tentador dizer que a sociedade moderna em nada se parece com isso. Na realidade, porém, tanto a renda do capital quanto a riqueza hereditária, ainda que menos importantes do que na Belle Époque, continuam a ser poderosos propulsores da desigualdade – e sua importância está crescendo. Na França, demonstra Piketty, a parcela hereditária da riqueza total caiu acentuadamente na era das guerras e no pós-guerra; por volta de 1970, ela era de menos de 50%. Mas agora retornou aos 70% e continua a crescer.

Da mesma forma, houve primeiro queda e depois nova alta na importância das heranças no que tange a fazer de alguém parte da elite. O padrão de vida do 1% de herdeiros mais ricos caiu abaixo do 1% de trabalhadores mais bem pagos, entre 1910 e 1950, mas voltou a crescer depois de 1970. Ainda não estamos plenamente de volta ao padrão de Rastignac, mas uma vez mais se tornou mais valioso ter os pais certos (ou escolher os sogros certos ao casar) do que ter o emprego certo.

E isso pode ser apenas o começo. As estimativas de Piketty sobre o r e g mundiais em longo prazo sugerem que a era da equalização ficou no passado e que as condições são agora propícias ao restabelecimento do capitalismo patrimonial.

Dado esse quadro, por que a riqueza hereditária desempenha papel tão pequeno quanto de fato faz no discurso político moderno? Piketty sugere que as dimensões das fortunas hereditárias, por serem tão vastas, as tornam invisíveis, de certa forma: “A riqueza é tão concentrada que um grande segmento da sociedade literalmente não tem consciência de sua existência, de forma que algumas pessoas imaginam que pertença a entidades surreais ou misteriosas”. É um argumento muito bom. Mas certamente não constitui a explicação completa. Pois o fato é que o exemplo mais conspícuo de uma disparada na desigualdade no mundo moderno – a ascensão do 1% de muito ricos no mundo anglo-saxão, especialmente nos Estados Unidos, não tem muito a ver com acúmulo de capital, pelo menos por enquanto. Tem mais a ver com remuneração e renda salarial excepcionalmente altas.

“Capital in the Twenty-First Century”, como espero ter deixado claro, é um trabalho excelente. Em um momento no qual a concentração de renda e riqueza nas mãos de uns poucos ressurgiu como questão política central, Piketty não oferece apenas documentação inestimável sobre o que está acontecendo, e com profundidade histórica incomparável. Também oferece o que podemos descrever como uma teoria do campo unificado para a desigualdade, integrando crescimento econômico, a distribuição de renda entre o capital e o trabalho e a distribuição de renda e riqueza entre os indivíduos em um só arcabouço.

E no entanto há uma coisa que subtrai algum mérito a essa realização – uma espécie de prestidigitação intelectual, se bem que ela não envolva nenhuma trapaça ou falsidade da parte de Piketty. Mesmo assim, eis: O principal motivo para que houvesse necessidade de um livro como esse é a ascensão não só do 1% mas do 1% dos Estados Unidos, especificamente. Mas essa ascensão, como se pode verificar, aconteceu por motivos que não fazem parte do escopo da grande tese de Piketty.

Ele é um economista bom e honesto demais, é claro, para tentar enrolar com relação a fatos inconvenientes. “A desigualdade nos Estados Unidos em 2010”, afirma, “é quantitativamente tão extrema quanto na velha Europa da primeira década do século 20, mas a estrutura dessa desigualdade é – muito claramente – distinta”. De fato, o que vimos nos Estados Unidos e estamos começando a ver em outros lugares é algo de “radicalmente novo”: a ascensão dos “supersalários”.

O capital ainda importa. Nos escalões mais elevados da sociedade, a renda do capital ainda excede a renda dos salários e bonificações. Piketty estima que a desigualdade aumentada da renda do capital responda por cerca de um terço do aumento da desigualdade nos Estados Unidos. Mas a renda salarial no topo também disparou. Os salários reais da maioria dos trabalhadores dos Estados Unidos cresceram pouco, se alguma coisa, do começo dos anos 70 para cá, mas os salários do 1% de trabalhadores mais bem pagos subiram em 165%, e os do 0,1% mais bem pago em 362%. Se Rastignac estivesse vivo hoje, Vautrin talvez reconhecesse que ele poderia se sair tão bem arrumando emprego como administrador de um fundo de hedge quanto se arrumasse um casamento rico.

O que explica essa ascensão dramática na desigualdade de renda, com a parte do leão dos ganhos reservada às pessoas no topo da escala? Alguns economistas dos Estados Unidos sugerem que a tendência seja propelida por mudanças na tecnologia. Em um famoso estudo publicado em 1981, intitulado “A Economia dos Superastros”, Sherwin Rosen, economista de Chicago, argumentava que a moderna tecnologia de comunicação, ao estender o alcance dos indivíduos talentosos, criava mercados nos quais todas as recompensas cabiam aos vencedores, mesmo que eles fossem apenas modestamente melhores naquilo que fazem do que rivais menos bem pagos.

Piketty não aceita essa teoria. Ele aponta que economistas conservadores adoram falar sobre os altos salários de astros de uma ou outra ordem, como os de cinema ou do esporte, como maneira de sugerir que as altas rendas são realmente merecidas. Mas esse tipo de pessoa forma uma fração muito pequena da elite da renda. O que encontramos, em lugar disso, são principalmente executivos de uma ou outra ordem – pessoas cujo desempenho é, de fato, muito difícil de avaliar ou de definir em termos de valor monetário.

O que determina o valor de um presidente-executivo em uma grande companhia? Bem, existe um comitê de remuneração, indicado pelo presidente-executivo mesmo. Na prática, argumenta Piketty, os executivos de alto nível ditam sua remuneração, restringidos apenas pelas normas sociais e não por qualquer forma de disciplina de mercado. E ele atribui a disparada nos salários a uma erosão das normas sociais. Na prática, ele atribui a disparada na renda salarial entre os mais bem pagos a forças sociais e políticas, e não estritamente econômicas.

É justo apontar que ele oferece uma possível análise econômica sobre essa mudança de normas, argumentando que a queda das alíquotas tributárias para os ricos na verdade fez com que a elite salarial ganhasse em ousadia. Quando um importante executivo retinha apenas uma pequena fração da renda que poderia receber violando as normas sociais e estabelecendo para si mesmo um salário muito alto, ele talvez decidisse que o opróbrio que sofreria não valeria a pena. Mas o corte drástico de sua alíquota tributária pode levar uma pessoa como essa a se comportar diferentemente. E quanto mais os titulares de supersalários violarem as normas, mais essas normas mesmas mudarão.

Há muito a elogiar nesse diagnóstico, mas lhe falta claramente o rigor e a universidade da análise de Piketty sobre a distribuição e retornos da riqueza. Além disso, não acho que “Capital in the Twenty-First Century” rebata adequadamente a crítica mais reveladora quanto à hipótese sobre o poder dos executivos: a concentração de rendas muito altas nas finanças, onde é possível, em certa medida, avaliar desempenhos. Não mencionei administradores de fundo de hedges irrefletidamente. Pessoas como eles são pagas com base em sua capacidade de atrair clientes e obter retornos sobre seus investimentos. Pode-se questionar o valor social das finanças modernas, mas os Gordon Gekkos do mercado são claramente bons em alguma coisa, e sua ascensão não pode ser atribuída apenas a relações de poder, ainda que eu imagine que seja possível argumentar que a disposição de se envolver em transações financeiras dúbias, assim como a disposição de violar as normas sociais quanto aos salários, é incentivada pelos impostos baixos.

No geral, a explicação de Piketty sobre a alta na desigualdade salarial me parece convincente, ainda que o fato de que não inclua a desregulamentação no quadro analítico seja um desapontamento significativo. Mas, como afirmei, a análise dele quanto a isso carece do rigor de sua análise sobre o capital, para não mencionar sua imensa e inspiradora elegância intelectual.

No entanto, não devemos exagerar em nossa reação a isso. Mesmo que a disparada na desigualdade norte-americana até o momento tenha sido propelida principalmente por renda salarial, o capital ainda assim exerceu papel significativo. E de qualquer jeito, a história no futuro deve se provar bastante diferente. A atual geração de norte-americanos muito ricos pode consistir em larga medida de executivos e não rentiers, ou seja, pessoas que vivem de capitais acumulados. Mas esses executivos têm herdeiros. E dentro de duas décadas os Estados Unidos podem ser uma sociedade dominada pelos rentiers, com desigualdade ainda maior do que a da Europa na Belle Époque.

O que não significa que isso precise inevitavelmente acontecer.

Há momentos em que Piketty parece oferecer uma visão determinista da História, sob a qual tudo deriva do ritmo de crescimento populacional e de progresso tecnológico. N a realidade, porém, “Capital in the Twenty-First Century” deixa claro que a política pública pode fazer imensa diferença, que mesmo se as condições econômicas subjacentes apontarem para desigualdade extrema, aquilo que Piketty define como “deriva em direção à oligarquia” pode ser detido e até revertido, se o organismo político assim decidir.

O ponto chave é que, quando fazemos a comparação crucial entre a taxa de retorno sobre a riqueza e a taxa de crescimento econômico, o que importa é o retorno obtido pela riqueza após os impostos. Assim, uma estrutura de taxação progressiva – especialmente a tributação da riqueza e das heranças – pode se tornar uma força poderosa de limitação da desigualdade. Piketty conclui sua obra-prima, de fato, como um apelo por uma forma de tributação como essa. Infelizmente, a história que ele mesmo cobre em seu livro não oferece motivos para otimismo.

É verdade que, por boa parte do século 20, uma forte tributação progressiva ajudou a reduzir a concentração de renda e riqueza, e você poderia imaginar que uma alta tributação para as rendas mais elevadas seja o desfecho político natural quanto uma democracia precisa enfrentar desigualdades extremas. Mas Piketty rejeita essa conclusão: o triunfo da tributação progressiva durante o século 20, ele argumenta, foi apenas “o efêmero produto do caos”. Se não tivessem acontecido as guerras e os tumultos da moderna guerra dos 30 anos europeia, ele sugere, nenhuma tendência parecida teria surgido.

Como provas, ele oferece o exemplo da Terceira República francesa [1870-1940]. A ideologia oficial da república era altamente igualitária. Mas a riqueza e a renda eram quase tão concentradas, os privilégios econômicos quase tão dominados pelas heranças, quanto na monarquia constitucional britânica do lado de lá do Canal da Mancha. E a política pública quase nada fazia para se opor ao domínio econômico dos rentiers: os impostos sobre as heranças, especialmente, eram quase ridiculamente baixos.

Por que os cidadãos franceses, dotados do sufrágio universal, não votavam em políticos que assumissem o compromisso de enfrentar a classe dos rentiers? Bem, então, como agora, a riqueza comprava muita influência – não apenas sobre a política, mas sobre o discurso público. O escritor norte-americano Upton Sinclair, em uma citação que se tornou famosa, disse que “é difícil fazer com que um homem compreenda alguma coisa quando seu salário depende de que ele não a compreenda”. Piketty, contemplando a história de seu país, chega a uma observação semelhante: “A experiência da França na Belle Époque prova, se é que provas são necessárias, que nenhuma hipocrisia é grande demais quando as elites econômicas e financeiras se veem obrigadas a defender seus interesses”.

O mesmo fenômeno é visível hoje. Na verdade, um aspecto curioso do cenário norte-americano é que a política da desigualdade parece estar caminhando até à frente da realidade. Como vimos, a essa altura as elites econômicas dos Estados Unidos ainda devem seu status principalmente aos salários, e não à renda do capital.

Mesmo assim, a retórica econômica conservadora já enfatiza e celebra o capital, de preferência ao trabalho – os “criadores de empregos”, não os trabalhadores.

Em 2012, Eric Cantor, líder da maioria republicana na Câmara dos Deputados, optou por celebrar o Dia do Trabalho – o Dia do Trabalho! – com uma mensagem no Twitter em honra dos donos de empresas: “Hoje celebramos aqueles que assumiram riscos, trabalharam duro, construíram um negócio e mereceram o sucesso que têm”.

Talvez abalado pela reação adversa, ele teria supostamente sentido a necessidade de lembrar aos colegas de partido, em um evento posterior dos republicanos, que a maioria das pessoas não é dona de empresas – mas isso basta, em si, para mostrar até que ponto o Partido Republicano se identifica com o capital, virtualmente excluindo o trabalho.

E essa orientação favorável ao capital tampouco é apenas retórica. A carga tributária sobre os norte-americanos de alta renda vem caindo de forma generalizada desde os anos 70, mas as maiores reduções aconteceram nos impostos sobre a renda gerada pelo capital – o que inclui uma forte queda nos impostos das empresas, o que indiretamente beneficia seus acionistas – e nos impostos sobre heranças. Às vezes, parece que porção substancial de nossa classe política está trabalhando ativamente para restaurar o capitalismo patrimonial que Piketty descreve. E se observarmos as fontes de doações políticas, essa possibilidade parece muito menos absurda do que poderia ser.

Piketty conclui “Capital in the Twenty-First Century” com um chamado às armas – um apelo, especialmente, por impostos sobre a riqueza, se possível em escala mundial, a fim de restringir o crescente poder da riqueza hereditária. É fácil ser cínico sobre as perspectivas de sucesso dessa empreitada. Mas certamente o magistral diagnóstico de Piketty sobre a situação em que estamos e a situação a que estamos nos encaminhando torna o êxito consideravelmente mais provável. Por isso, “Capital in the Twenty-First Century” é um livro extremamente importante em todas as frentes. Piketty transformou nosso discurso econômico; jamais voltaremos a falar sobre renda e desigualdade da maneira que fazíamos.

Paul Krugman é colunista do “New York Times” e professor de Economia e assuntos internacionais na Universidade de Princeton. Recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2008.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

“Capital in the Twenty-First Century”
AUTOR Thomas Piketty,
EDITORA Belknap Press/Harvard University Press,
QUANTO A partir de US$ 22 (685 págs.)

Resenha no The Economist:

Reading “Capital”: Introduction

LAST year Thomas Piketty, an economist at the Paris School of Economics and a renowned expert on global inequality, published a book titled “Capital in the Twenty-first Century”—in French. It will be released in English on March 10th. We reviewed the book earlier this year, but it is detailed and important enough, in our opinion, to deserve additional discussion. We will therefore be publishing a series of posts over the next few weeks—live-blogging the book, as it were—to draw out its arguments at slightly greater length. Starting today, with the book’s introduction.

Capital, as I will refer to Mr Piketty’s book from here on out, is an incredibly ambitious book. The author has self-consciously put the book forward as a companion to, and perhaps the intellectual equal of, Karl Marx’s Capital. Like Marx, Mr Piketty aims to provide a political economy theory of everything. More specifically, he attempts to re-establish distribution as the central issue in economics, and in doing so to reorient our perceptions of the trajectory of growth in the modern economic era. Mr Piketty’s great advantage in attempting all this, relative to past peers, is a wealth of data and analysis, compiled by himself and others over the last 15 or so years.

Mr Piketty begins in an introduction that proceeds in two parts. He first describes the intellectual tradition into which the book falls. The second, which is the basic outline of his theory, I will tackle in the next post.

The study of political economy emerged in the first decades of the Industrial Revolution, in the late 18th century, in Britain and France. The great thinkers of the era were attempting to understand the dramatic societal and economic changes of the day and to describe their mechanics in a way that would allow them to anticipate future developments. To a great extent they focused on distributional issues—and worried that distribution spelled serious trouble for the capitalist system. The Reverend Thomas Malthus, for instance, famously worried that overpopulation would drive down wages to subsistence level, leading to dangerous political upheaval. To short-circuit this possibility the compassionate reverend recommended that governments cut off assistance to the poor and limit their reproduction.

David Ricardo’s 19th century analysis was more measured but nonetheless similar in its concern about the sustainability of the contemporary economic system. He focused his attention on the relative scarcity of factors of production, and the effect of scarcity on shares of national income. Output and population were rising fast, he noted, while land supplies remained fixed, suggesting that land prices might rise without bound. As a result, he speculated, land rents would come to eat up a steadily rising share of national income, threatening the capitalist system.

Ricardo was wrong in the long run—soaring agricultural productivity (which both he and Malthus failed to anticipate) meant that agricultural land was not the scarce factor for very long. But he was right in the short run, and the short run matters. A period of a few decades in which the price of a scarce resource soars can lead to enormous accumulation of wealth in the hands of relatively few owners of capital. That concentration can persist even after technological change eases the initial scarcity: a point Mr Piketty notes is relevant in thinking about soaring prices for urban property or natural resources.

And then there was Marx. He (along with Friedrich Engels) was the first of the great political economists to wrestle directly with the effects of industrial capitalism. Marx was reacting to the reality of industrial growth at the time: through the first century or so of industrialisation output grew steadily, but there was virtually no meaningful increase in real wages. In the “hungry 1840s”, when the Communist Manifesto was published, capitalism seemed like an incredibly raw deal for workers. That had begun to change by the time Marx published the first volume of Capital, in 1867. But the emergence of steady wage growth did little to diminish concentrated wealth.

Marx saw capitalism as fundamentally flawed, containing the roots of its own destruction. As owners of capital gobbled up the gains from growth, they would accumulate still greater piles of capital—”infinite accumulation”. This would either drive the return on capital down to nothing, leading the capitalists to destroy the system by battling it out with each other, or it would allow the capitalists to capture a rising share of national income (like Ricardo’s landowners), leading the workers to revolt. But Marx also turned out to be mistaken. He did so in large part, says Mr Piketty, because of a lack of data, and because he and others failed to anticipate that rapid technological growth could reduce the relevance of past wealth accumulation.

This latter factor helps shape one of the main elements of Mr Piketty’s theory of everything: that the rate of growth is hugely important in determining how long a shadow old wealth casts. If not exactly an equaliser, fast growth nonetheless puts a finger on the scale on the side of those without great wealth.

Now, this entire line of theoretical work was thrown into upheaval by the events of the period from 1914-1945. The chaos and policy shifts of the period wiped out much of the world’s previously accumulated wealth and set the stage for a burst of rapid, broad-based growth. Meanwhile, economists were for the first time gathering detailed data on personal incomes. And so when Simon Kuznets began looking at inequality trends in the 1950s, the data suggested to him that in “advanced phases” of capitalist development inequality tended to fall. The idea that inequality rose and then fell as an economy developed became known as the Kuznets curve. For the first time hard data had been brought to bear on distributional questions, and the news seemed pretty good. Kuznets’ view became the foundation from which modern economics approach distributional issues, despite the fact that it was based on a very limited period during which declining inequality could not remotely be considered the result of natural economic processes.

That, as Mr Piketty sees it, is where he comes in. For most of the 20th century the distribution of incomes was a minor issue within economics. Growth and management of the business cycle were the sexy economic issues.

That is now changing, based in part on the academic work Mr Piketty has done (much of which is accessible at the World Top Incomes Database). While emerging-market growth has narrowed global inequality, income inequality within countries, including many large emerging markets, has been rising. The return of the importance of scarce land, resources, and intellectual property has contributed to a resurgence in wealth accumulation. Distributional worries are back, and Mr Piketty argues that that is the natural state of affairs rather than an aberration.

“In a way”, Mr Piketty writes, “we are in the same position at the beginning of the twenty-first century as our forebears were in the early nineteenth century: we are witnessing impressive changes in economies around the world, and it is very difficult to know how extensive they will turn out to be…”. It can be frightening and disorienting to find oneself at such an economic juncture. We look back on Malthus’ worrying with the smugness of hindsight. But those who read Malthus at the turn of the 19th century and concluded that industrialisation would result in political upheaval, misery, and war turned out to be right. It also led to quite a few good things. But the process of getting there has been anything but smooth, and distributional issues inevitably play a role when the march toward prosperity slows or beats a temporary retreat.

This is an important book arriving at an appropriate moment. It’s also an entertaining and informative read, and so I hope you’ll join me in reading through and discussing it.

In the first half of Capital’s introduction, Thomas Piketty lays out the intellectual background for the work. In the second he shares the main results of the book. The first is that levels of inequality represent the result of political choices, rather than deterministic technological or economic outcomes (a point reinforced by recent IMF research). Whether or not structural economic shifts generate rising or falling, low or high inequality is down to the structure of the political system and the way it chooses to accommodate those changes. “Skill-biased technological change” or “superstar economics” are incomplete explanations of rising inequality. They may actually leave out the more interesting half of the story.

The second result is that economies do not naturally evolve toward more equal distributions of resources as they mature. There are some forces pushing toward greater equality, like the spread of new technologies from rich areas to poor—what he calls “the principal force for convergence”. And there are some forces pushing toward less equality, one of the most important of which is the ability of the rich to secure further economic and political benefits for themselves. Importantly, he notes, the equalising power of the diffusion of knowledge is closely linked to state policy: to investment in infrastructure, education, research, and a regulatory environment conducive to entrepreneurship and competition. It isn’t a natural force for convergence at all, but must be actively cultivated (and may be resisted by those with wealth and power).

At the moment, Mr Piketty observes, the world is looking at two key dynamics pushing the world toward greater income divergence. One is soaring inequality in labour income. This trend is especially noticeable in America, where the top 10% of earners now captures close to 50% of national income, up from about 35% for the first three postwar decades. The second dynamic is the return of wealth.

Mr Piketty introduces a statistic that features prominently throughout the book: the ratio of private wealth in an economy to GDP. Across most rich countries this ratio was consistently high in the 19th century, tumbled during the interwar period, and has since rebounded back within shouting distance of 19th century highs. To explain this, Mr Piketty unveils a “fundamental force for divergence”: r>g.

The r in r>g is the return on capital. It’s worth mentioning now that capital in Capital is equivalent to wealth, and wealth means anything other than labour which generates income: land, financial assets, physical capital, and so on. (Human capital doesn’t count, as that augments labour income.) R, then, is the income generated by that wealth (meaning rents, dividends, profits, and so on) as a share of total wealth. The g, on the other hand, is simply the growth rate of the economy.

If and when r>g, then, wealth grows faster than output, the ratio of wealth to output increases, and the share of capital income in total income rises. And there is an important corollary: a slowdown in overall economic growth is itself a force for greater concentrations of wealth. This relationship forms a critical part of the book’s argument, though it is not necessarily intuitive: shouldn’t lower g imply lower r? But we’ll get to that. We should be clear, though, about what Mr Piketty is after: breaking much of modern economic history down into a few constituent forces that can be easily captured in statements like r>g. The value of his book will depend, in part, on how much we need to abstract away from the world to accept that r>g matters across times and places. The more reality you strip away from a model the easier it is to divine universal truths, and the less interesting the truths become.

It’s worth mentioning that Mr Piketty very much wants to explain the real world. He closes the Introduction with an interesting discussion of his motivations, not easily summarised here, which includes the factoid that he left America to return to his native France because he found American economists too interested in theory and generally unconvincing. That’s not particularly charitable—there are a lot of American economists working on a lot of different things! It is of a piece with the francophilia that suffuses the book, and which the author (rather unsuccessfully) argues has nothing to do with home-side bias. Nothing wrong with that, of course, but it is a recurrent and noticeable enough part of the book that it seems worth pointing out.

policy in the world Mr Piketty describes. As this section contains some of the book’s weaker arguments, this seems like an appropriate place to end our discussion with a grand assessment of the work’s biggest contributions and shortcomings. I’ll start with the former.

So what are the books main contributions? First and perhaps most important is the data. As impressive as “Capital” is, it may ultimately prove less influential and significant than the World Top Incomes Database, on which much of the book is based. That, and the data on the distribution and evolution of wealth, represents an enormous achievement and the basis for the narrative. It’s worth pointing out again that Mr Piketty has been just one of many economists working to pull these figures together. Were it not for this effort, the ongoing discussion on inequality would not be as serious and relevant as it is.

Second, the book challenges conventional wisdom concerning the economic history of the rich world in several important ways. Once again, Mr Piketty is not alone in demonstrating, for instance, that Simon Kuznets’ view that inequality would rise and then fall as industrialisation proceeded, or that the shares of national income flowing to capital and labour are not constant. But Mr Piketty has given these ideas new prominence, and with them the view that the 20th century’s dramatic compression of wealth and incomes was largely down to the one-off shock of the interwar era. Putting this all together, Mr Piketty’s book goes a long way toward challenging the 20th century orthodoxy that distribution is not particularly important.

Third, “Capital” provides a framework for thinking about how inequality might evolve in future. Mr Piketty’s data gives us a view of the past. He also gives us his thoughts on how things might unfold in future (albeit with plenty of caveats). But even if readers doubt his forecasts for the rate of return on capital or of economic growth, they will have a way to think about how key distributions will change thanks to this book. Among pundits, policy discussions have already begun to reflect this: the distributional effects of possible policy changes are beginning to be discussed in terms of how the policy might shift r or g (or s, the savings rate, or other key variables).

And fourth, “Capital”, by dint of its extraordinary success, has created a focal point for an important discussion. It is the right book at the right time, you might say. It has given the debate about inequality a boost, and it has provided that debate with a mechanical framework to help shape and deepen the discussion.

It is undoubtedly an important book, which is why this newspaper has devoted so much space to its discussion.

Now, the shortcomings.

First, there have been criticisms of the book that Mr Piketty probably ought to have seen coming and addressed pre-emptively. Writing a book is hard, and the temptation is often to try to address every criticism a reader might possibly have. That can make for an unwieldy and less persuasive book. Given the success “Capital” has had, I’m reluctant to second guess Mr Piketty, but it does seem as though it would have been worth dwelling a bit more on how his r relates to other interest rates. While the secular stagnation discussion had not really gotten going when Mr Piketty was writing this book, interest rates on rich-world government bonds had fallen to historically low levels and looked like staying there for years to come. Given the thrust of his argument, that r is typically larger than g, the prospect of low rates for years to come ought to have gotten some discussion.

Second, given the nature and potential severity of the problem he describes, the proposed solutions look pretty uninspiring. In Chapter 13, Mr Piketty briefly looks at the social welfare state and its prospects. Perhaps a much larger state would be a good thing at some point, he suggests, but not until bureaucracies can be reformed and shown capable of managing two-thirds or more of national output. In the meantime, he reckons, governments need to examine how they provide education for their citizens, and they should reform pensions. How? He writes, for instance, that, “One of the most important reforms the twenty-first century social state needs to make is to establish a unified retirement scheme based on individual accounts with equal rights for everyone, no matter how complex one’s career path.” Well, all right.

In Chapter 14, he turns to income taxes. He states, interestingly, that progressive taxation is important in maintaining political support for globalisation. He observes that it was famously tax-antagonistic America that first toyed with top rates above 70%, first on income and then on estates. He argues that higher top tax rates were not particularly detrimental to growth. The main effect of their reduction was to encourage executives to bargain harder for big rises in pay packages, leading to soaring top incomes but not necessarily to faster growth. As a result, he says, higher top rates would be welcome, but he is not optimistic on this score; the egalitarian spirit and pressures of war that drove initial rises in top tax rates have faded.

And then in Chapter 15 he lays out his primary recommendation: a progressive global tax on capital. This, he freely admits, is a “utopian idea” which is unlikely to be adopted anytime soon. It is nonetheless a useful thing to talk about, he reckons, if only as a reference point for other policy proposals. He describes what a capital tax might look like, and he argues that alternatives (like communism, protectionism, or capital controls) would be much more costly.

And that’s the gist of it. But surely there should be more. If the threat to society is that r is growing by more than g, then why not outline proposals to dramatically expand capital ownership? Why not propose a universal basic income: an inheritance, effectively, for everyone? The space allocated to Part 4 feels wasted.

And that gets to the third shortcoming, which strikes me as the biggest. The economics gets a serious treatment in this book, but the politics does not. That’s somewhat ironic; Mr Piketty winds down his conclusion by saying that economics should focus less on its aspirations to be a science and return to its roots, to political economy. But theories of political economy should be theories of politics. And there is no r>g for politics in this book.

There are nods at the importance of the interdependence between the political and economic. He notes that epoch-ending political shifts, like the French and American revolutions, were motivated in large part by fiscal questions. Similarly, he observes that progressive income taxation tended to emerge alongside the development of democracy and the expansion of the franchise. (Though, he also admits, the fiscal demands of world war one deserve most credit for adoption of meaningful income taxation across the rich world.) And he discusses how concern about rising inequality (often among elites) helped motivate rising tax rates in America in the early 20th century.

But the ending the book deserved was another look back at the data, to see whether patterns in the interaction between wealth concentration and political shifts could be detected and described. That’s not Mr Piketty’s area of expertise, necessarily, but neither is most of the stuff in Part 4. And this really is the critical question. If the most likely outcome of the trends Mr Piketty describes is that somewhere down the line a left-of-centre government is elected and passes higher top income tax rates, higher estate tax rates, and pension reforms, and that defuses the crisis, well, that puts the rest of the book in perspective. If the most likely outcome is revolution, well, that does too. And while it would be absurd to expect Mr Piketty to say definitely whether one possibility or another is bound to occur, I don’t think it’s asking too much, given the ambition of the rest of the book, to think we ought to be given some sense of his view on how social and political movements generally evolve in response to widening inequality, and how that evolution tends to be reflected in policy. What good is it to suggest utopian ideas about how to fix these problems without at least gesturing toward the political mechanisms needed to bring them about?

Maybe that is grist for “Capital 2: Capitalized!“. But it belonged here.

For my part, I would say I generally think Mr Piketty’s analysis is on the mark, with a few exceptions related to my particular view of how labour markets have been evolving. But “Capital” was critical to me in forming that view. I think the really fascinating dynamic in this book is the substitutability between labour and capital, something Mr Piketty mentions but does not devote an especially long amount of time to. But the stories we might tell in which capital becomes a dominant, potentially malign force are those in which many of the world’s workers can only hold off the automation of their work by accepting ever lower levels of compensation. But that’s my hobby horse and not his, and I don’t fault him for not devoting masses of pages to it.

At any rate, I am grateful for the opportunity to think through these issues and debate them, and to have views of mine upended. It’s not often a book manages that, and this one did. I hope all of you, readers, have gotten something out of the book, and this series, as well.

You can see the previous entry in the series here“Capital in the Twenty-first Century” by Thomas Piketty

#55. A Summary of ‘Capital in the Twenty-First Century’ by Thomas Piketty

April 4, 2014

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Table of Contents:

i. Introduction/Synopsis

PART I: AN INTRODUCTION TO WEALTH AND CAPITAL

1. Wealth and Capital

2. The Capital/Income Ratio

3. The Rate of Economic Growth

4. The Rate of Return on Capital

5. The Capital/Income Ratio Revisited

  • 5a. The Tendency of the Capital/Income Ratio to Increase Over the Long-Term
  • 5b. Limits to the Growth of Capital (and the Capital/Income Ratio)

6. The Capital/Income Ratio and Inequality: The Unequal Distribution of Capital

  • 6a. The Unequal Distribution of Capital
  • 6b. Why Capital Is Distributed Unequally (and Why This Inequality Tends to Grow)

PART II: A SHORT HISTORY OF CAPITAL AND INEQUALITY (1700 TO THE PRESENT)

Section A. From Agrarian Societies to the Industrial Revolution to WWI

7. The Agrarian Societies in Europe in the 18th and Early 19th Century

8. The 19th Century in Europe: The Industrial Revolution, and the Race to Colonize the World

9. The United States in the 18th and 19th Century

Section B. The Interwar Years 1914-1950: The Fall of Capital (and Inequality)

10. The Physical Destruction of War

11. WWI

12. The Stock Market Crash of 1929, and the Great Depression

13. WWII (and Aftermath)

  • 13a. WWII (and Aftermath)
  • 13b. The Fall of the Rich and the Rise of the Middle Class

Section C. Post-WWII to Present

14. 1950-1980

15. 1980-Present

PART III: THE FUTURE OF CAPITAL (AND INEQUALITY)

16. The Future of Capital (and Inequality)

17. The Fairness Issue

18. The Solution: A Progressive Tax on Capital

19. Conclusion

i. Introduction/Synopsis

The unequal distribution of wealth in the developed world has become a significant issue in recent years. Indeed, the data indicate that in the past 30 years the incomes of the wealthiest have surged into the stratosphere (and the higher up in the income hierarchy one is, the greater the increase has been), while the incomes of the large majority have stagnated. This has led to a level of inequality in wealth in the developed world not seen since the eve of the Great Depression. This much is without dispute.

Where there is dispute is in trying to explain just why the rise in inequality has taken place (and whether, and to what degree, it will continue in the future); and, even more importantly, whether it is justified. These questions are not merely academic, for the way in which we answer them informs public debate as well as policy measures—and also influences more violent reactions. Indeed, we need look no further than the recent Occupy Movement to see that the issue of increasing inequality is not only pressing, but potentially incendiary.

Given the import and the polarizing nature of the issue of inequality, it is all the more crucial that we begin by way of shedding as much light on the situation as possible. This is the impetus behind Thomas Piketty’s new book Capital in the Twenty-First Century.

One of Piketty’s  main concerns in the book is to put the issue of inequality in its broader historical context. Specifically, the author traces how inequality has evolved from the agrarian societies of the 18th and early 19th centuries; through the Industrial Revolution and up to the First World War; throughout the interwar years; and into the second half of the twentieth century (and up to the first part of the twenty-first).

With this broad historical context we are able to see much more clearly the causes of inequality. As we might expect, what we find is that inequality is influenced by a host of societal factors—including economic, political, social and cultural factors. However, what we also find is that inequality is influenced by a broader set of factors associated with how capital works in capitalist societies (and market economies more generally).

Specifically, we find that capital (and the wealth it generates) tends to accumulate faster than the rate of economic growth in capitalist societies. What this means is that capital tends to become an increasingly prevalent and influential factor in these societies (at least up to a point). What’s more, wealth not only tends to accumulate, but to become more and more concentrated at the top (mainly because those with more capital are able to earn a higher rate of return on their capital investments). For these reasons, capitalism on its own tends to produce a relatively high degree of inequality.

The natural tendency of capital to accumulate and to become ever more concentrated largely explains the high degree of inequality that was witnessed in the developed world in the early part of the twentieth century. This inequality was largely dashed, however, in the interwar years. The reason for this is that the major events of the first half of the twentieth century (including the two world wars, and the Great Depression) thwarted capital’s natural tendency to accumulate, and also destroyed large stocks of wealth. The end result was that by the time World War II was over, inequality in the developed world had reached an all-time low.

After the Second World War, the natural tendency of capital to accumulate resumed. However, various political and economic measures (including progressive taxation, rent control, increasing minimum wages, and expanded social programs) worked to redistribute this growing capital, thus preventing inequality from growing as quickly as it would have otherwise.

In the 1980s, though, the developed countries did an about-face, and began eliminating many of the measures that had prevented inequality from rising according to its natural tendency. The consequence was that inequality reasserted itself in a major way, such that it is nearly as extreme today as it was on the run up to the Great Depression. Furthermore, the historical evidence indicates that capital will likely continue to accumulate and become ever more concentrated, such that we will witness an even greater level of inequality moving forward.

As far as justifying the growing inequality that we are currently seeing, Piketty raises serious doubts as to whether it may rightly be considered fair. What’s more, as inequality continues to grow, it is increasingly likely that large parts of the population will also come to see it as unfair and unjustified—thereby increasing the likelihood of political opposition.

For Piketty, the best and fairest solution to these problems would be to steepen the progressive taxation applied to the wealthiest individuals. The problem, though, is that in a world of financial globalization (where there is a high degree of competition for capital—as witnessed by tax havens), it is extremely difficult to apply the appropriate tax scheme without the cooperation and coordinated efforts of the international community—and this is simply not something that is easy to achieve.

The alternative, however, is much more troubling for it is likely that it will involve reverting to protectionism and nationalism—and this is really in no one’s interest.

Here is Thomas Piketty introducing his new book:

What follows is a full executive summary of Thomas Piketty’s Capital in the Twenty-First Century.

PART I: AN INTRODUCTION TO WEALTH AND CAPITAL

1. Wealth and Capital

Before embarking on our discussion of the unequal distribution of wealth, it is important to begin by way of reminding ourselves where wealth comes from. In general terms, wealth comes from 2 main sources: that which is inherited, and that which is earned by way of income (the author excludes wealth accrued through theft and pillage, despite the fact that these do have some historical significance) (loc. 6571).

Income may be further broken down into two sources: income from labor and income from capital. As Piketty explains, “income consists of two components: income from labor (wages, salaries, bonuses, earnings from nonwage labor, and other remuneration statutorily classified as labor related) and income from capital (rent, dividends, interest, profits, capital gains, royalties, and other income derived from the mere fact of owning capital in the form of land, real estate, financial instruments, industrial equipment, etc., again regardless of its precise legal classification” (loc. 429).

Wealth that is accrued through any of the means mentioned above may either be spent or saved. That is, wealth may either be used to cover living expenses (which includes the purchase of durable goods, such as cars, furniture and appliances [loc. 3073]), or (re)invested in capital.

As mentioned in the quote, capital has a number of different forms, including savings and checking accounts; land and buildings (real estate); and stocks and bonds (financial assets). All capital assets yield a certain return on investment, though at different interest rates (this point will be returned to below).

Wealth that is used to cover living expenses evaporates, of course, and thus only capital may be considered wealth in the true sense—and Piketty does indeed equate wealth with capital (loc. 890-912).

Within any given nation, capital may be owned either by private individuals or the government (or a mixture of both), and thus the total amount of capital in any nation is equal to private capital (minus private debt) plus public capital (minus public debt) (loc. 912).

Now, capital is an integral part of any capitalist society, for indeed at least some of it is used to establish new entrepreneurs and businesses (and it is also used by existing businesses to expand their operations), and thus capital is an important precondition and driver of economic growth (we call this ‘dynamic’ capital) (loc. 1979, 6872). However, if and when capital accumulates and becomes concentrated in fewer and fewer hands, serious of issues of inequality are virtually inevitable.

And herein lies the problem, for it is Piketty’s contention that certain natural tendencies operating within  capitalist systems ensure that, all things being equal, capital does indeed tend to accumulate and grow to significant levels, and to be concentrated in fewer and fewer hands—and in a way that is at odds with the meritocratic principles of democracy (loc. 584-88, 7348-53).

Let us unpack this argument one element at a time, beginning with the tendency of capital to accumulate.

2. The Capital/Income Ratio

The relative level and importance of capital within a society is best captured by the amount of capital as it relates to income (meaning net income from both labor and capital combined—including net income on foreign assets [loc. 815-28]). This is most appropriately expressed as the total amount of capital divided by the total yearly income, known as the capital/income ratio (loc. 455, 972). As the author explains, “income is a flow. It corresponds to the quantity of goods produced and distributed in a given period (which we generally take to be a year). Capital is a stock. It corresponds to the total wealth owned at a given point in time. This stock comes from the wealth appropriated or accumulated in all prior years combined. The most natural and useful way to measure the capital stock in a particular country is to divide that stock by the annual flow of income. This gives us the capital/income ratio, which I denote by the Greek letter β. For example, if a country’s total capital stock is the equivalent of six years of national income, we write β = 6 (or β = 600%)” (loc. 953).

To give you an idea of what the capital/income ratio is in different places in the developed world today, consider the following numbers: “in the developed countries today, the capital/income ratio generally varies between 5 and 6, and the capital stock consists almost entirely of private capital. In France and Britain, Germany and Italy, the United States and Japan, national income was roughly 30,000-35,000 euros per capita in 2010, whereas total private wealth (net of debt) was typically on the order of 150,000-200,000 euros per capita, or five to six times annual national income” (loc. 957).

The free articles are available here: Free Articles


Capital in the 21st century

Thomas Piketty

Harvard University Press – March 2014

(book cover) (HUP video) (HUP flyer) (presentation slides) (order this book)

(version française) (english version)

This internet site includes the following material:

 the table of contents (pdf) of the book “Capital in the 21st century”

– the set of figures and tables (pdf) presented in the book

– the set of supplementary figures and tables (pdf) to which the book refers to

– the technical appendix (pdf) describing the set of sources, methods and references used in the book (in particular to construct the statistical series used in figures and tables)

– the set of spreadsheet files (xls) including all figures, tables and statistical series

– a zip file including all these files

One can also access all these files by browsing the following directories:

– directory “figures and tables (pdf)” or “(xps)

– directory “supplementary figures and tables (pdf)” or “(xps)

– directory “spreadsheet files (xls)

Ce site internet comprend les éléments suivants:

– le sommaire et la table des matières (pdf) du livre “Le capital au 21e siècle”

– l’ensemble des graphiques et tableaux (pdf) présentés dans le livre

– l’ensemble des graphiques et tableaux supplémentaires (pdf) auxquels le livre fait référence

– l’annexe technique (pdf) décrivant l’ensemble des sources, méthodes et références bibliographiques utilisées dans le livre (en particulier pour établir les séries statistiques utilisées dans les graphiques et tableaux)

– l’ensemble des fichiers (xls) contenant les graphiques, tableaux et séries statistiques

– un fichier zip contenant la totalité de ces fichiers

Il est également possible d’accéder directement à ces différents fichiers en parcourant les répertoires suivants:

– répertoire “graphiques et tableaux (pdf)” ou “(xps)

– répertoire “graphiques et tableaux supplémentaires (pdf)” ou “(xps)

– répertoire “fichiers (xls)

Si vous souhaitez me faire part de vos réactions ou commentaires, merci de m’envoyer un message (piketty@ens.fr).

Une revue de presse (incomplète) est disponible ici.

“Thomas Piketty é um francês de 42 anos que leciona na Paris School of Economics (leia entrevista com autor).. Com a ajuda de colegas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, ele passou mais de uma década reunindo dados sobre a distribuição de riqueza em mais de 20 países ao longo dos séculos XIX e XX.

Geralmente, esse tipo de levantamento é feito através de pesquisas como as do censo, que escolhem alguns domicílios por amostragem e extrapolam os resultados para a população total.

A inovação de Thomas foi olhar para as declarações de imposto. Como a elite acumula riquezas que vão muito além da renda do trabalho, essa é uma forma muito mais eficiente para diferenciar, por exemplo, quanto tem os 1% e os 0,1% mais ricos da população.

Sua conclusão: estamos voltando para um estado de “capitalismo patrimonial”, no qual uma minoria vive de riqueza acumulada – e transmitida aos seus descendentes – enquanto todo o resto vive de trabalho.

Os salários nunca tiveram uma participação tão baixa no total da economia americana – e os lucros corporativos nunca tiveram uma participação tão alta.

Enquanto isso, o 0,1% mais rico do país tem hoje uma parcela da renda nacional maior do que em qualquer outro momento da história. Em outros países desenvolvidos, a situação é menos grave, mas similar (ele não dedica grande espaço aos emergentes).”

Por João Pedro Caleiro – Revista Exame.

Le capital au XXIe siècle. Richesse des données, pauvreté de la théorie

 

 

Le capital au XXIè siècle (Seuil, 2013) de Thomas Piketty a été salué unanimement. Au delà d’une mise en perspective inédite des données historiques sur les inégalités de revenus et de patrimoines, l’ambition d’interprétation d’économie politique qui l’accompagne est particulièrement bienvenue. Les faits stylisés qu’il présente et les questions qu’il pose jettent les jalons d’un programme de recherche passionnant et vital sur les transformations des rapports de classe dans le long terme.

Piketty prend le risque de quitter le ghetto de la technicité néoclassique pour confronter aux enjeux politiques et sociaux de notre époque, cela doit être salué. Mais on demeure loin de l’économie politique… Las, comme le souligne Robert Boyer, le rapport salarial, « le rapport de domination propre à l’organisation de la production dans une économie capitaliste » est le grand absent du livre…

Dans la recension que nous publions, Michel Husson pense cet oubli et en dissèque la logique dans les deux « lois » fondamentales autour desquelles s’articule l’interprétation de Piketty.

La première fait découler la part des revenus du capital dans le revenu total du rendement du capital et du rapport du stock de capital au revenu global. Or, cette relation comptable n’explique rien : le rendement du capital n’est pas une propriété intrinsèque du capital mais le résultat des processus sociaux et des dynamiques technologiques au niveau de la production et, au niveau macro-institutionnel, du rapport de force entre travail et capital.

La seconde loi, avance que la part du stock de capital dépend (positivement) du taux d’épargne et (négativement) du taux de croissance du PIB. Là encore l’économie est pensée à l’envers. Ce qu’il faut penser c’est le ralentissement de la croissance, et donc le fait que le capital a perdu en efficacité. In fine, nous dit Husson, Piketty n’explique pas les phénomènes qu’il met magistralement en évidence car il est dépourvu de théorie du capital.

 

Le livre de Thomas Piketty, Le capital au XXIème siècle a été célébré comme il se doit : il fournit une base de données monumentale sur l’histoire du capitalisme et offre à tout économiste des éléments essentiels pour l’étude de sa dynamique à moyen et long terme. Il se situe ainsi dans la lignée d’auteurs comme Angus Maddison1 ou Pierre Villa2. Il faut aussi saluer le souci de mettre à libre disposition l’ensemble de ces matériaux3.

On retrouve dans l’ouvrage les données sur les inégalités de revenu à travers le monde, et il n’est pas exagéré de dire que le « réseau Piketty » (notamment Anthony Atkinson et Emmanuel Saez) a fourni une grande partie des arguments des mouvements sociaux récents (Occupy Wall Streetindignados, etc.) et même l’un de leurs mots d’ordre : « nous sommes les 99 % ».

Les commentaires qui suivent seront néanmoins critiques, parce que le cadre théorique utilisé par Piketty n’est pas à la hauteur de la richesse de ses données. Pour le montrer, on examinera surtout les deux lois fondamentales du capitalisme, dont Piketty se sert comme grille de lecture de ses données. Le fil directeur de cette investigation est l’idée selon laquelle Piketty mélange de manière incohérente deux définitions du capital, comme « facteur de production » et comme ensemble de « droits de tirage » sur le revenu.

 

Première loi fondamentale du capitalisme : la part des profits

Cette première loi met en relation la part des revenus du capital α avec le taux de rendement moyen du capital r et le rapport capital/revenu C/R que Piketty note aussi β. Elle s’écrit donc : α = r.β.

Piketty précise lui-même qu’il ne s’agit pas vraiment d’une loi, mais d’une relation comptable. Comme une relation comptable est par définition toujours vérifiée, il faut donc un cadre théorique minimal permettant de choisir dans quel sens on la lit, autrement dit de lui imputer un sens de causalité. A priori, il semblerait plus naturel de l’écrire en sens inverse comme une définition du taux de rendement du capital, autrement dit du taux de profit. On rapporterait le profit au capital et on écrirait : r = α/β.

C’est ce que fait la théorie marxiste (comme d’ailleurs les classiques de l’économie politique) : la masse de profit dépend du taux d’exploitation et elle est ensuite rapportée au capital pour déterminer le taux de profit. Dans la formule r = α/β, la part des profits α est un bon indicateur du taux d’exploitation, et β ou C/R correspondrait à ce que Marx appelle la composition organique du capital. Bref le capital, même (et surtout ?) au XXIème siècle, fonctionne ainsi : les capitalistes cherchent à maximiser le taux de profit en exploitant autant que faire se peut le travail salarié, tout en évitant que le capital accumulé ne pèse trop sur la rentabilité du capital. Il paraît en tout cas assez raisonnable de penser que le taux de rendement du capital est un résultat du processus de production, et non quelque chose de donné par ailleurs, une sorte de taux de profit garanti, qu’il suffirait d’appliquer au capital. Ce serait d’ailleurs une représentation absurde, puisqu’il suffirait alors d’accumuler du capital pour en tirer un profit supplémentaire.

L’inversion opérée par Piketty fait donc problème d’un point de vue théorique, même si chacun est au départ libre d’écrire une relation comptable dans un sens ou dans l’autre. Certes, la part des profits est effectivement une variable essentielle dans la détermination des inégalités, ce qui est au fond le sujet d’étude de Piketty. Mais l’écriture de sa première « loi » suggère que cette part des profits dépend de l’évolution du taux de profit r et du rapport capital/revenu β. Mais si tel est le cas, comment définir le taux de rendement du capital autrement qu’en comparant le profit au capital engagé ? On risque de tourner en rond : si r se calcule à partir de α, on ne peut pas calculer α à partir de r, et encore moins en tirer une « loi fondamentale du capitalisme ».

Si Piketty raisonne à l’envers, c’est pour une raison essentielle : alors qu’il fait l’histoire d’un rapport social qui permet à une petite couche de la société de s’approprier une part croissante du revenu national, il renonce en pratique à faire intervenir de manière centrale les facteurs sociaux de cette lutte permanente pour le partage des richesses. Certes, Piketty souligne que « cette évolution à la hausse [l’augmentation de la part du capital] est cohérente non seulement avec une élasticité de substitution supérieure à un, mais également avec une amélioration du pouvoir de négociation du capital vis-à-vis du travail au cours des dernières décennies » (p.351).

Il aurait donc pu choisir de combiner deux types d’explications : une explication technologique (« une élasticité de substitution supérieure à un ») et une explication sociale (« une amélioration du pouvoir de négociation du capital »). Mais tous les développements à vocation théorique sont en réalité fondés sur une lecture purement technologique qui n’est possible que dans un cadre néo-classique où r n’est pas un résultat mais une propriété du capital : sa productivité marginale.

 

Quelle mesure du capital ?

Piketty définit le capital comme « l’ensemble des actifs non humains qui peuvent être possédés et échangés sur un marché ». Cette définition très extensive englobe « notamment l’ensemble du capital mobilier (immeubles, maisons) utilisés pour le logement et du capital financier et professionnel (bâtiments, équipement, machines, brevets, etc.) utilisés par les entreprises et les administrations » (p.82). Bref, comme le reconnaît Piketty « pour simplifier l’exposition, nous utiliserons les mots « capital » et « patrimoine » comme des synonymes parfaits » (P 54). Ce choix simplifie peut-être l’exposition, mais il introduit un flou théorique permanent.

Pour le montrer, on commencera par une sorte d’« enquête statistique » sur cette première « loi fondamentale », afin de pointer une difficulté centrale qui porte sur le mode de valorisation du capital. Par souci de simplification, on considérera le cas de la France sur la période 1978-2010 pour laquelle les données portant sur le patrimoine4 et le capital fixe5 sont disponibles auprès de l’Insee. Elles permettent de calculer différentes estimations du capital. Plusieurs définitions sont possibles : du côté du patrimoine, on peut considérer l’ensemble de l’économie ou le seul secteur des sociétés non financières. Sur chacun de ces champs, on choisira de retenir les actifs non financiers, a priori les seuls « productifs ». Une nouvelle distinction peut être introduite, selon que l’on prend ou non en compte les « actifs non produits » qui correspondent pour l’essentiel aux terrains bâtis et que l’on désignera sous l’appellation « terrains ». Cela donne quatre définitions du capital :

A actifs non financiers de l’économie nationale

Ap actifs non financiers de l’économie nationale hors terrains

AE actifs non financiers des sociétés non financières

AEp actifs non financiers des sociétés non financières hors terrains

Ces mesures du capital diffèrent de la définition du « capital » de Piketty, mais c’est justement l’impact de ces différences (sur lesquelles on reviendra) qu’il s’agit d’évaluer. Ces quatre estimations sont ensuite rapportées au PIB – qui est une approximation acceptable du revenu national tel que le définit Piketty – et comparées à la série analogue obtenue par Piketty, qui rapporte le capital privé au revenu national (graphique 5.3 de son livre).

Entre 1978 et 2012 notre ratio A, le plus global, passe approximativement de 4 à 7 fois le PIB. Cet ordre de grandeur est compatible avec les résultats de Piketty : la courbe « A » est raisonnablement voisine de la courbe « Piketty » (graphique 1). Mais c’est déjà beaucoup moins vrai si on compare cette dernière à la courbe « Ap » qui exclut les « terrains » de la définition des actifs non financiers de l’économie nationale.

Graphique 1

Ratio capital/revenu pour l’ensemble de l’économie (Sources : Insee, Piketty)

Dans un second temps, on rapproche la courbe « Piketty » des courbes établies sur le seul champ des sociétés non financières, moyennant un changement d’échelle. Jusqu’en 1998, les courbes « Piketty » et « AE » sont voisines ; mais elles divergent ensuite, la courbe « Piketty » augmentant beaucoup plus vite. Enfin, quand on retire les terrains, la courbe « AEp » varie dans une marge très étroite par rapport aux précédentes (graphique 2).

Graphique 2

Ratio capital/revenu pour les sociétés non financières (Sources : Insee, Piketty)

 

Dans un troisième temps, on va utiliser les séries de capital net de l’Insee à prix courants. On distinguera le capital total K et le capital Kp obtenu en excluant le capital de la branche « activités immobilières ». La configuration est analogue à la précédente : la courbe « K » augmente à partir de 2000 mais beaucoup moins que la courbe « Piketty », tandis que la courbe « Kp » fluctue dans une bande étroite (graphique 3).

Graphique 3

Ratio capital/revenu selon le capital fixe (Sources : Insee, Piketty)

Les différences observées entre ces différents indicateurs proviennent en partie du mode de valorisation du capital6 et de l’évolution du prix des terrains. On retrouve ici un résultat discuté dans une contribution antérieure7. On y montrait, sur le champ des sociétés non financières, que le capital total et le capital « hors terrains » se mettaient à diverger à partir de la fin des années 1990. Sur la période 1998-2008, la valeur des actifs non produits (les terrains) est multipliée par 4,7 alors que celle des actifs produits (le capital fixe hors terrains) est multipliée par 1,7 tandis que le capital « hors terrains » évolue plus ou moins en phase avec la valeur ajoutée brute (graphique 4).

Graphique 4

Valeur ajoutée et capital (Source : Insee)

 

Ces différences dans l’évaluation du capital se répercutent sur les estimations du taux de profit. En faisant tourner à l’envers la loi fondamentale n°1, on calcule le taux de profit  comme le rapport entre la part des profits et le ratio capital/PIB. Les deux évaluations fondées sur les grandeurs Kp (capital de l’ensemble de l’économie hors activités immobilières) et AEp (actifs non financiers hors « terrains » des sociétés non financières) conduisent à un profil similaire. On observe classiquement un fort rétablissement entre 1982 et 1989, une hausse moins rapide jusqu’en 1998, puis une tendance à la baisse qui s’accélère évidemment avec l’entrée en crise (graphique 5).

Graphique 5

Trois évaluations du taux de profit (Sources : Insee, Piketty)

 

En revanche, la courbe « à la Piketty » conduit à une baisse vertigineuse du taux de profit à partir de 1998 : il aurait même atteint, dès 2005, un niveau inférieur à celui du tout début des années 1980. Cette lecture de la dynamique du capitalisme français est en réalité un artefact qui résulte du gonflement de la valorisation du capital.

 

Substitution capital/travail et baisse de la part des salaires

Ce détour statistique (un peu fastidieux) permet de souligner ses implications quant à l’interprétation des évolutions du partage entre profit et salaires. Les données produites par Piketty montrent que la tendance à l’augmentation de la part du profit est très nette dans les pays dits avancés depuis le début des années 1980 (graphique 6). Dans le schéma de Piketty, cette hausse tendancielle de la part des profits – et donc la baisse concomitante de la part des salaires – renvoie soit à une augmentation du taux de profit r, soit à une augmentation du rapport capital/revenu β, de telle sorte qu’elle ne dépend pas directement du salaire.

Graphique 6

La part du capital dans les pays riches, 1970-2010

Europe + Etats-Unis (moyenne arithmétique). (Source : Piketty [tableau 6.5])

Pourtant, toute baisse de la part des salaires équivaut rigoureusement (s’agirait-il là d’une nouvelle « loi fondamentale » du capitalisme ?) à une progression du salaire inférieure à celle de la productivité du travail. Pour Piketty, une baisse de la part des salaires renvoie au contraire à la substitution du capital au travail. On retrouve là un vieil argument qui consiste à dire la chose suivante : si la production emploie plus de capital et moins de travail, il est après tout logique – si l’on considère le capital et le travail comme des « facteurs de production » – que la part du capital soit plus élevée. En réalité, ce n’est vrai que si l’élasticité de substitution est supérieure à un, et telle est l’explication privilégiée par Piketty.

Il y a pourtant un schéma causal plus simple que l’on peut résumer ainsi : le taux de chômage pèse sur le rapport de forces entre capital et travail, de telle sorte que le salaire progresse moins vite sur la productivité du travail, ce qui entraîne une baisse de la part des salaires. Tous les économistes mainstream cherchent à faire disparaître cette explication sociale au profit d’une explication technologique8. Et Piketty leur emboîte le pas. Dans une présentation récente9, il résume ainsi son modèle : « La question de savoir si une augmentation de β conduit également à une augmentation de la part de capital α=β.r dépend de l’élasticité de substitution [du capital au travail]: si σ>1, alors la baisse de r=FK est moindre que la hausse de β, de sorte que α=β.r augmente. C’est exactement ce qui s’est passé depuis les années 1970-1980 ». Or, le hiéroglyphe FK désigne la productivité marginale du capital. La formule r=FK signifie que le taux de profit est égal à cette productivité marginale du capital (définie en quantités physiques), autrement dit qu’il est un attribut « technique » du stock de capital, son « rendement ».

Mais en faisant ainsi passer sa loi fondamentale n°1 à la moulinette de la théorie néo-classique10, Piketty introduit une confusion supplémentaire. Cette relation comptable baptisée « loi » porte en effet sur des grandeurs mesurées « en valeur », autrement dit en euros, alors que la théorie néo-classique mobilise des grandeurs « en volume ». Le passage entre les deux n’est pas maîtrisé et il est d’ailleurs théoriquement et empiriquement impossible en raison des évaluations biaisées et ambiguës du capital.

Piketty ne donne par ailleurs aucun argument en faveur de sa thèse selon laquelle une élasticité de substitution supérieure à 1 pourrait expliquer la baisse continue de la part des salaires. Il affirme que « sur la base de données historiques, on peut estimer une élasticité comprise entre 1,3 et 1,6 » (p.350) et renvoie sur ce point à l’annexe technique. On s’attendrait à y trouver des références à des études établissant ce résultat mais ce n’est pas le cas puisque Piketty se borne à expliquer que « compte tenu des variations de la part du capital observées au cours du 20e siècle, et de la hausse observée dans les pays riches au cours de la période 1970-2010, on peut en conclure que ces variations peuvent être correctement expliquées par une élasticité de substitution légèrement supérieure à 1 (du type 1,3-1,6) ». Le schéma théorique est donc compatible avec une élasticité supérieure comprise entre 1,3 et 1,6 mais cette propriété n’est en rien établie et la théorie reste à l’état d’hypothèse.

En réalité, il n’existe aucun lien entre le taux de substitution du capital au travail (mesuré par la variation du capital par tête11) et la part des profits. Des armées d’économistes d’inspiration néo-classique n’ont réussi à produire aucun résultat solide sur ce point. C’était à vrai dire une tâche impossible, comme le montre le graphique 7 : la liaison entre le rythme de la substitution capital/travail et la part des profits est peu significative. Elle va même dans le « mauvais » sens au cours de la décennie 1980 : durant cette période, la part des profits a fortement augmenté alors même que le rythme de substitution capital-travail fléchissait de manière continue.

Graphique 7

Substitution capital/travail et part des profits (Source : Ameco)

 

Deuxième loi fondamentale du capitalisme : le ratio capital/revenu

Cette loi dit que le coefficient capital/revenu β dépend du taux d’épargne s et du taux de croissance g. Il s’agit d’une loi « valable uniquement dans le long terme » : « si un pays épargne une proportion s de son revenu indéfiniment et si le taux de croissance de son revenu national est égal à g de façon permanente, alors son rapport capital/revenu tend à se rapprocher de plus en plus de β = s/g, puis se stabilise à ce niveau (p.265).

C’est vrai, à condition justement de postuler que le taux d’épargne et le taux de croissance sont donnés et constants. Mais cette proposition n’a pas de sens parce que Piketty raisonne de nouveau à l’envers : pourquoi en effet augmenter le capital si le taux de croissance est donné par avance ? Et ce taux de croissance peut-il être considéré comme indépendant du stock de capital ? Les inventeurs de cette « loi fondamentale », Harrod12 et Domar13, cités par Piketty, raisonnaient autrement, parce qu’ils cherchaient à jeter les bases d’une théorie de la croissance. Ils écrivent donc la relation à l’envers de ce que fait Piketty : g = s/β. Et là encore, c’est le bon sens : le taux de croissance g dépend de deux choses de la  propension de l’économie à investir s et du coefficient de capital β.

La démonstration est simple : en notant K le capital et Y le produit, et en supposant que toute l’épargne est accumulée, on obtient s=ΔK/Y. Si β=K/Y est constant alors on a aussi β=ΔK/ΔY et on trouve facilement que g = ΔY/Y est égal à (ΔK/Y)/(ΔK/ΔY) soit g = s/β. CQFD.

Le point important sur lequel il faut insister est que cette relation ne peut être établie que si on suppose β constant, alors que Piketty se sert de cette « loi fondamentale » pour étudier les variations de β.

Que cette relation ne puisse être utilisée qu’à moyen terme est assez évident, puisque β aurait une valeur négative à chaque récession, quand g devient négatif. Cette loi fondamentale ne peut donc servir qu’à comparer différentes périodes pour un seul pays, où différents pays pour une même période. Dans la présentation déjà citée de son livre, Piketty donne un exemple numérique en comparant deux périodes. Dans la première, on a s=10 %, g=3 % et par conséquent β=300 %. Au cours de la seconde période, le taux d’épargne s reste égal à 10 % mais le taux de croissance g baisse à 1,5 %, de telle sorte que le ratio capital/revenu β double et vaut dorénavant 600 %. Et Piketty d’en conclure : « le capital est de retour parce que la faible croissance est de retour » (capital is back because low growth is back). On voit clairement que la causalité va de la croissance au capital mais ce schéma n’a encore une fois aucun sens : si le même taux d’investissement conduit à une moindre croissance, cela veut dire que le capital a perdu en efficacité, autrement dit que le même investissement conduit à un moindre produit supplémentaire. Le rapport capital/produit ne se déduit pas de la croissance, c’est l’inverse.

Si on applique la loi en question sur la période 1970-2010, on obtient à partir des données de Piketty (tableau 5.1) la décomposition du tableau 1 ci-dessous. On peut constater une relative proximité entre la France et l’Allemagne. En revanche, les Etats-Unis font figure d’exception : plus de croissance avec beaucoup moins d’épargne et, par conséquent, un coefficient de capital β inférieur de moitié aux autres pays. Autrement dit le capital serait deux fois plus « efficaces » aux Etats-Unis qu’en Allemagne ou en France.

 

Tableau 1. Calculs de β

s g β = s/g β*
Etats-Unis 7,7% 2,8% 2,8 2,4
Allemagne 12,2% 2,0% 6,1 3,0
France 11,1% 2,2% 5,0 2,8

 

Si l’on se reporte aux données de la Commission européenne14, les résultats sont cependant très différents : certes, le ratio capital/produit est plus bas aux Etats-Unis, mais dans des proportions bien moindres (voir la colonne β* du tableau précédent et le graphique 8 ci-dessous). Autrement dit, la deuxième loi fondamentale ne fonctionne pas à partir de sources directes, ce qui renvoie sans doute aux imprécisions dans la mesure du capital et de l’accumulation de capital à travers le coefficient s.

Graphique 8

Ratio capital/revenu (Source : Piketty)

 

Quelle analyse des trajectoires du capitalisme ?

Le capitalisme est plongé depuis cinq ans dans une grave crise. Il est donc légitime de se demander si l’appareil théorique de Piketty permet d’en offrir une lecture utile, y compris en se situant dans une perspective de plus long terme embrassant l’ensemble des trois dernières décennies, autrement dit la phase néolibérale du capitalisme.

Ce n’est pas le cas, parce que les deux « lois » mobilisées par Piketty ne peuvent conduire qu’à des périodisations essentiellement descriptives. Il existe pourtant une très abondante littérature sur les « cycles longs » ou les « ondes longues » du capitalisme, mais elle n’est pas mobilisée.

Faute de cadre théorique, ces périodisations sont en outre incertaines. C’est particulièrement flagrant dans le cas de la France depuis la dernière guerre mondiale. Voici comment Piketty commente l’évolution de la part des profits : « le partage profits-salaires a connu trois phases bien distinctes depuis la Seconde Guerre mondiale, avec une forte hausse de la part des profits de 1945 à 1968, puis une baisse extrêmement prononcée de la part des profits de 1968 à 1983, et enfin une remontée très rapide à partir de 1983 et une stabilisation à compter des années 1990 » (pp.357-358).

Il suffit d’examiner le graphique 9 pour constater que ce commentaire ne correspond pas à l’histoire du capitalisme français. Nous y avons fait figurer la courbe équivalente établie par l’Insee pour s’assurer qu’elle était comparable à celle de Piketty, ce qui est le cas. Premièrement, il est faux d’écrire qu’il y a eu une « forte hausse de la part des profits de 1945 à 1968 ». La forte hausse intervient entre 1945 et 1950 ; toute la période 1950-1974 est ensuite caractérisée par une part des profits qui fluctue autour de 31 %, sans tendance marquée. Deuxièment, il n’y a pas eu non plus de « baisse extrêmement prononcée de la part des profits de 1968 à 1983 » : cette baisse a commencé avec la récession de 1974-75, et la part des profits était au contraire à la hausse entre 1968 et 1974.Cette double erreur est assez révélatrice des risques d’une périodisation sans théorie : Piketty efface le quart de siècle « fordiste », caractérisé par une relative constance de la part des profits, et déconnecte sa chute ultérieure de la récession du milieu des années 1970.

Graphique 9

Part des profits dans la valeur ajoutée des entreprises (Sources : Piketty, Insee)

Plus fondamentalement encore, Piketty ne mobilise pas une lecture fondée sur les tendances historiques de la productivité du travail. Le dynamisme du capitalisme est pourtant fondé sur sa capacité à dégager des gains de productivité. Certes, la productivité du travail apparaît comme une composante du taux de croissance, mais ce dernier est en pratique une variable exogène, de sorte que les tendances de la productivité sont considérées comme des données, qui plus est indépendantes de l’accumulation du capital.

L’exercice de prospective proposé le montre : Piketty se contente de postuler à l’horizon 2010 une croissance de 1,2 % pour les pays les plus riches et de 5 % pour les autres (p.166). Il applique ensuite sa seconde loi pour calculer le rapport capital/revenu moyennant un taux d’épargne de 10 %. Mais il n’y a dans ce calcul purement arithmétique aucune réflexion sur les déterminants de la productivité, encore moins sur la soutenabilité d’un point de vue écologique de tels taux de croissance.

Cet exercice, comme le souligne Robert Boyer15, « fait clairement ressortir la fragilité des bases théoriques de l’ouvrage ». Dans ces conditions, il n’est pas complètement étonnant que l’on ne trouvera pas dans l’ouvrage de Piketty le moindre éclairage sur la crise actuelle. Il relativise même le rôle de la montée des inégalités qu’il « serait tout à fait excessif » de présenter comme « la cause unique – ou même principale – de la crise financière de 2008, et plus généralement de l’instabilité chronique du système financier international » (p.471).

 

Conclusion : une absence de théorie du capital

Il y aurait d’autres critiques à introduire, par exemple sur la lecture très contestable de Marx16 ou sur l’inégalité r > g présentée en conclusion comme la « contradiction centrale du capitalisme » : sauf périodes exceptionnelles, le rendement du capital aurait été supérieur au taux de croissance. Sur ce point, on renvoie à Boyer17, pour qui « les raisons pour lesquelles r est plus grand que g sont soit triviales et tautologiques, soit insatisfaisantes en termes de théorie »18. 

L’essentiel de la critique porte finalement sur la définition du capital de Piketty. On a vu qu’elle était très large puisqu’elle englobe les logements, la terre, les équipements, les titres financiers (obligations, actions, etc.) et la propriété intellectuelle. Brando Milanovic19souligne que cette définition « est voisine de ce qu’on appelle souvent richesse20 » et que Piketty « rejette la distinction entre la richesse mise en oeuvre dans des activités « improductives » ou « productives » (…) Tout actif qui permet de procurer un rendement à son propriétaire est du capital ».

Tout le problème est au fond que cette définition n’est pas compatible avec la théorie néo-classique qui a besoin d’une quantité physique de capital. De ce point de vue, il est significatif que Piketty n’ait pas saisi les enjeux du débat « entre les deux Cambridge » qu’il réduit à une controverse sur la volatilité de la croissance et qui aurait selon lui « davantage contribué à obscurcir la réflexion économique qu’à l’éclaircir » (p.366). Cette fascination pour la théorie néo-classique, déjà pointée par Bernard Guerrien21 à propos d’un autre ouvrage de Piketty22 a pour résultat une ignorance à peu près totale des conflits de répartition. La grille de lecture de Piketty est essentiellement mécaniciste et, bien qu’il s’en défende, tributaire des « caprices de la technologie » (p.370). Pour reprendre la litote de Boyer23, il s’agit d’une « théorisation en retard par rapport à la richesse des observations ».

 

 

date:

10/02/2014 – 13:16

Michel Husson

9 thoughts on “O Capital no Século XXI de Thomas Piketty

  1. Caros,
    Esse livro entrou no topo da longa lista de leitura. um e-book seria providencial, desde já agradeço-lhes.
    Pelo artigo, primoroso, arisco que é um trabalho com pinta de Nobel, veremos.
    mas não vamos nos iludir, isso não muda a realidade estrutural do mundo desde sempre, para mudar erra realidade serão gerações, duas no mínimo (ou séculos) para mudar a rota, a tendência, que continua a mesma, o que foge ao nosso tempo de vida, como dizia John Maynard Keynes, “a longo prazo estaremos todos mortos”, mas se mudar a tendência a expectativa da conjuntura atual, já será um bom sinal.
    Estou comprando o livro com um curso online que fiz ano passado na Universidade de Hong Kong (The Hong Kong University of Science and Technology – A New History for a New China, 1700-2000: New Data and New Methods, Part 1), na qual o governo central da China, abriu de forma pública, pela primeira vez, os dados da China de antes da revolução comunistas, e mostraram entre as teses defendidas para a revolução, como a grande concentração da posse da terra, não eram o que divulgavam na luta pela revolução.
    Esse livro, creio, não muda a dinâmica estrutural das mudanças que estão ocorrendo, com já observou, o visionário, o nosso filósofo social, Celso Furtado, no fim do século XX:

    (…) “O interesse crescente pelos trabalhos científicos e suas aplicações tecnológicas é traço marcante da civilização ocidental. As grandes civilizações orientais haviam amealhado uma massa enorme de conhecimentos, mas não chegaram a captar as complexas relações entre conhecimento ordenado (ciência), a riqueza ordenada (bens e serviços), e a faculdade normativa de exercer o poder. Hoje, esse quadro já não é mais o mesmo: as posições de vanguarda do Ocidente na ciência e em suas aplicações, que o singularizaram até o fins do século XIX, esvaneceram-se nos últimos decênios do século XX. Com efeito, as projeções mais recentes a respeito da distribuição espacial dos frutos do desenvolvimento, tanto econômico como científico, indicam que nos próximos dois a três decênios o mundo Oriental terá alcançado, ou mesmo superado, o Ocidente.” (“A responsabilidade dos cientistas” – Discurso de Posse na ABL, 04 de julho de 2003 – Celso Furtado Essencial, 2013 p: 489).
    Quem viver verá!

    • Prezado Oswaldo,
      se olharmos para todos os produtos que estão ao nosso redor, quase que 100% deles são fabricados na China. Eu trabalho diretamente com montagem de equipamentos computacionais e posso lhe dizer que não importa a marca ou fabricante, praticamente 100% das peças são fabricadas na China.
      Os Chineses se tornaram campeões em empacotar o conhecimento de outros povos na forma de produtos, mas para fazer esse empacotamento é necessário muito conhecimento, investimento maciço em educação tecnológica, logística, comércio internacional, etc.
      Essa capacidade produtiva ajuda a construir os motores do capital de hoje. Abs.

  2. O Capital no Século XXI de Thomas Piketty, Introduction page 2:
    (…) “Indeed, the distribution of wealth is too important an issue to be left to economists, sociologists, historians, and philosophers. It is of interest to everyone, and that is a good thing.”

  3. O Capital no Século XXI de Thomas Piketty, Introduction (24,2 / 1645):

    (…) “It would be a serious mistake to neglect the importance of the scarcity principle for understanding the global distribution of wealth in the twenty-first century. To convince oneself of this, it is enough to replace the price of farmland in Ricardo’s model by the price of urban real estate in major world capitals, or, alternatively, by the price of oil. In both cases, if the trend over the period 1970–2010 is extrapolated to the period 2010–2050 or 2010–2100, the result is economic, social, and political disequilibria of considerable magnitude, not only between but within countries—disequilibria that inevitably call to mind the Ricardian apocalypse.”

  4. Estranho é que ninguém perceba o cabresto imposto aos 6 membros do antigo G 8 desde 1946! faz tempo, não? O resto é masturbação mental de subintelectuais desocupados. Problema no$ U$A? É $ó rodar a guitarra! Certo?

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