O que fazemos com todos esses dados importantes?

Susan Etlinger, em Palestra TED (What do we do with all this big data?) defende o uso inteligente, bem considerado e ético dos dados. Necessitamos ter cuidado, pois é possível pegar dados e dá-los qualquer significado. Torturando os números eles confessam qualquer coisa!

O desafio é que nós temos a oportunidade de tentar fazer sentido disso nós mesmos, porque, francamente, dados não criam significado. Nós criamos. Então como pessoas de negócios, como consumidores, como pacientes, como cidadãos, temos uma responsabilidade, acredita Susan Etlinger, de passar mais tempo focando nossas habilidades de pensamento crítico. Continue reading “O que fazemos com todos esses dados importantes?”

Três Modos de Identificar uma Estatística Ruim

Mona Chalabi fez uma Palestra TED sobre estatísticas. Quando o assunto é números, principalmente agora, seja cético. Mas você precisa saber diferenciar números confiáveis de números não confiáveis.

Então Chalabi dá ferramentas para fazer isso. Mas antes disso, quer esclarecer sobre quais números está falando. Hoje, as pessoas questionam estatísticas como: “A taxa de desemprego nos EUA é de 5%”. Este dado é diferente porque ele não vem de uma empresa privada, mas sim do governo.

Cerca de quatro entre dez americanos não confia nos dados econômicos fornecidos pelo governo. Entre os apoiadores do presidente Trump, esse número é ainda maior: cerca de sete entre dez. Temos muitas linhas divisórias em nossa sociedade hoje, e muitas delas começam a fazer sentido, quando se entende o relacionamento das pessoas com os números do governo.

Por um lado, há aqueles que dizem que as estatísticas são cruciais. Precisamos delas para entender a sociedade como um todo, a fim de deixar de lado questões emocionais e medir o progresso de forma objetiva. Há outros céticos incultos que dizem que as estatísticas são elitistas, talvez até manipuladas. Para eles, elas não fazem sentido e realmente não mostram o que está acontecendo no dia a dia das pessoas.

Parece que este último grupo do “pós-verdade” está vencendo a discussão. Vivemos em “um mundo de fatos alternativos”, onde não há um consenso sobre as estatísticas serem um ponto de partida para os debates. Isso é um problema. Continue reading “Três Modos de Identificar uma Estatística Ruim”

Austeridade no Brasil: Corte de Direitos e Desconstrução da Cidadania

A Fundação Friedrich Ebert, que foi parceira do GT de Macroeconomia da SEP (Sociedade de Economia Política) no documento Austeridade e Retrocesso, propôs a criação do “Observatório da Austeridade“. Esse servirá para divulgar análises sobre os efeitos da austeridade e também funcionará como rede com entidades e movimentos da área social, como educação, saúde, direitos humanos,etc. que já fazem uso do discurso da austeridade e desse documento.

Nessa iniciativa, os economistas darão subsídios aos profissionais da área social com um discurso crítico à gestão do orçamento público, enquanto a área social nos ajuda a entender melhor os efeitos perversos da austeridade na população.

Nessa terça-feira (amanhã), haverá uma primeira reunião em São Paulo, com jornalistas, o pessoal da Campanha Nacional pela Educação e o pessoa de Direitos Humanos e segurança alimentar (Plataforma Dhesca).

Segue para download um “policy paper” preliminar sobre Austeridade no Brasil, que servirá de subsidio para esse debate:  FES – Austeridade e Impactos no Brasil

O custo social da overdose de juros de 14,25% aa durante quinze meses está em 14 milhões de desempregados . Para que serve a queda de inflação se a pessoa deixa de receber salário?! Continue reading “Austeridade no Brasil: Corte de Direitos e Desconstrução da Cidadania”

Injustiça no Tucanistão

Segui toda a carreira acadêmica, baseada no mérito de defesas de teses e publicações, a partir de 1985. Já podia me aposentar desde 2011, porém não o fiz pelo prazer de ser ainda intelectualmente produtivo, conseguindo aprender e ensinar. Mas minha frustração é, no final de uma longa carreira, estar ganhando hoje, em termos líquidos, o mesmo valor nominal que ganhava em 2012, cinco anos atrás!

Graças ao capricho pessoal do governador do Estado mais rico do País, codinome Santo, que não reajusta seu salário há quatro anos, pois ele não necessita dele para financiar sua campanha de “fake de caçador de marajás” na eleição presidencial de 2018. Por ter se tornado o terceiro salário mais baixo de todos os governadores, impõe-me um redutor constitucional todo o mês de R$ 4.332,29, ou seja, furta-me R$ 56.319,77 por ano desde julho de 2015. No total, já dá R$ 112.639,54.

A reação imediata é exclamar: juro, vai me pagar com juro!

No entanto, recorrer à Justiça paulista é perda de tempo, pois o conluio promíscuo entre os Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, no Tucanistão, é total. Construíram um pacto de autoproteção conforme registra a excelente resenha “O consórcio bandeirante dos Três Poderes”, publicada por Maria Cristina Fernandes (Valor, 21/07/17). Reproduzo-a abaixo para que você, eleitor no próximo ano, veja a face real do Santo — ou de seu afilhado, o prefeito “coxinha” de SP.  Continue reading “Injustiça no Tucanistão”

Vínculos entre Complexidade Econômica, Instituições e Desigualdade de Renda

Assisti, no IE-UNICAMP, no dia 9 de agosto de 2017, interessante palestra de Dominik Hartmann da The MIT Media Lab de Cambridge – USA, Fraunhofer Center for International Management and Knowledge Economy IMW de Leipzig – Germany, e da University of Leipzig – Germany. Em coautoria com Miguel R. Guevara e Cristian Jara-Figueroa (ambos da Universidad de Playa Ancha, Valparaíso – Chile e Universidad Técnica Federico Santa María de Valparaíso – Chile), Manuel Aristaran e César Hidalgo (ambos do MIT), todos assinaram o texto Linking Economic Complexity Insitutions and Income Inequality. WD_May2017 [Vinculando Complexidade Econômica, Instituições e Inequidade de Renda], em maio de 2017.

Defendem com uso de big data (mega banco de dados) e bons argumentos que a mistura de produtos de um país prevê o seu subsequente padrão de diversificação e crescimento econômico. Eles se colocam a seguinte pergunta-chave: esse mix de produtos também pode prever a desigualdade de renda do país?

Para responde-la, eles combinam métodos de Econometria, Ciência da Rede e Complexidade Econômica. Mostram que os países que exportam produtos complexos, com maior valor agregado propiciado por conhecimento tecnológico e múltiplos encadeamentos de insumos-produtos, medidos pelo Índice de Complexidade Econômica, têm níveis mais baixos de desigualdade de renda que os países que exportam produtos mais simples.

Com a análise de regressão multivariada, mostram que a complexidade econômica é, significativamente, previsora da desigualdade de renda – quanto menor aquela, pior esta última. Essa relação é robusta ao controle de medidas agregadas de renda, instituições, concentração na pauta de exportação e capital humano.

Além disso, apresentam uma medida que associa um produto a um nível de desigualdade de renda igual ao Índice de Gini médio dos países que exportam esse produto, ponderada pela participação do produto na pauta de exportação do país. Usam essa medida junto com a rede de produtos relacionados, ou “espaço de produtos”, para ilustrar como o desenvolvimento de novos produtos está associado a mudanças na desigualdade de renda.

Essas descobertas mostram que a Complexidade Econômica captura informações sobre o nível de desenvolvimento de uma economia que é relevante para as formas como uma economia gera e distribui sua renda. Além disso, esses achados sugerem que a estrutura produtiva de um país pode limitar seu alcance de bem-estar pela desigualdade de renda. Para socialização desse novo conhecimento, os autores colocaram seus resultados disponíveis para consulta através de um recurso on-line que permite aos usuários visualizar a transformação estrutural de mais de 150 países e suas mudanças associadas na desigualdade de renda durante 1963-2008. Continue reading “Vínculos entre Complexidade Econômica, Instituições e Desigualdade de Renda”

Como medir complexidade econômica por Hausmann e Hildalgo via Paulo Gala

Encontra-se no blog de Paulo Gala, entre outros temas de estudo que aprecio, o seguinte post, parte de seu livro. Aqui compartilho por sua importância como uma Introdução à Economia da Complexidade, estimulando a leitura do livro “Complexidade Econômica” de sua autoria.

Como medir a “complexidade econômica” de uma economia? Hausmann e Hildalgo criaram um método de extraordinária simplicidade e comparabilidade entre países. A partir da analise da pauta exportadora de uma determinada economia são capazes de medir de forma indireta a sofisticação tecnológica de seu tecido produtivo.

Os dois conceitos básicos para se medir se um país é complexo economicamente ou sofisticado são a ubiquidade e a diversidade de produtos encontrados na sua pauta exportadora.

Se uma determinada economia é capaz de produzir bens não ubíquos que não estão ou existem ao mesmo tempo em toda parte, ou seja, não onipresentes –, há indicação de que tem um sofisticado tecido produtivo. Claro que há um problema aqui de escassez relativa, especialmente de produtos naturais como diamantes e urânio, por exemplo.

Os bens não ubíquos devem ser divididos entre:

  1. aqueles que têm alto conteúdo tecnológico e, portanto, são de difícil produção (aviões por exemplo) e
  2. aqueles que são altamente escassos na natureza (nióbio por exemplo) e, portanto, tem uma não ubiquidade natural. Continue reading “Como medir complexidade econômica por Hausmann e Hildalgo via Paulo Gala”

Complexidade econômica: uma nova perspectiva para entender a antiga questão da riqueza das nações

O próprio Paulo Gala apresenta seu livro Complexidade econômica: uma nova perspectiva para entender a antiga questão da riqueza das nações. Reproduzo sua apresentação abaixo.

“O processo de desenvolvimento sempre intrigou os economistas. Pensadores do passado – como o italiano Antonio Serra, de Nápoles, no início do século XVII; John Cary, de Bristol, no final do século XVII; ou Duarte Ribeiro de Macedo, de Portugal, na mesma época – indagavam sobre o que fazer para acelerar o progresso do reino e alcançar riqueza para todos. Muito antes de Adam Smith ter escrito o livro que se tornou clássico, esses economistas já observavam a questão da riqueza e da pobreza das nações, que perdura até hoje e continua inflamando corações e mentes.

Desde os clássicos da economia, como David Ricardo, Karl Marx e Adam Smith, passando pelos antigos economistas do desenvolvimento da tradição  anglo-saxã, como Ragnar Nurkse, Gunnar Myrdal e Rosestein-Rodan, ou da tradição latino-americana, como Raúl Prebisch e Celso Furtado, ou ainda pelo pensamento mais recente de economistas institucionalistas, como Douglass North, e de economistas mais neoclássicos, como Dani Rodrik e Daron Acemoglu – o que, afinal explica a pobreza e a riqueza das nações? O que explica o desenvolvimento econômico?

O livro procura responder essa questão a partir de duas perspectivas:

(i) a antiga tradição estruturalista em economia, para a qual a chave para a riqueza das nações estava na especialização produtiva em atividades econômicas com retornos crescentes de escala e

(ii) a moderna concepção da complexidade econômica, que parte de um enfoque parecido com o dos estruturalistas, mas usa muito a abordagem empírica, analisando enormes bancos de dados de Big Data e redes para o comércio internacional. Continue reading “Complexidade econômica: uma nova perspectiva para entender a antiga questão da riqueza das nações”