Complexidade Brasileira: Baixe o Livro

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Meu livro “Complexidade Brasileira: Abordagem Multidisciplinar” foi recém lançado, também para download gratuito, uma nova tendência face à crise das livrarias e editoras brasileiras. Tem a finalidade de ainda participar, no rescaldo da luta político-eleitoral, do debate da resposta à pergunta-chave do Renato Russo (vocalista da Legião Urbana): “que País é este?!”.

Você poderá baixá-lo, clicando em: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2018/12/13/livro-para-download-gratuito-complexidade-brasileira-abordagem-multidisciplinar/ Continuar a ler

Revisionismo e Evolução Sistêmica

A Nomenklatura (Nomenclatura) é palavra de origem latina russificada. Designava a classe dirigente da União Soviética, ligada à gestão administrativa do Partido Comunista.

A Nomenklatura constituía a lista dos postos mais importantes: as candidaturas indicadas por “camaradas” (ou “companheiros”) eram previamente examinadas, recomendadas e sancionadas por um comitê do Partido do bairro, da cidade, do estado, etc. Era preciso igualmente a concordância do Comitê Central para atribuir e demitir de funções administrativas as pessoas admitidas a ocupar esses postos-chave.

Desde os anos 20 do século XX, formou-se uma camada social particular por camaradas filiados e burocratas do SOREX – Socialismo Realmente Existente. A URSS constituiu o primeiro modelo totalitário de direção de Estado sobre todas as atividades econômicas. Começou a divulgar seu fracasso em 1956, quando no XX Congresso do PC foram revelados os crimes da era stalinista. Até a derrocada total desse regime, foi ficando claro, para a esquerda democrática, a URSS não corresponder ao socialismo de sua utopia, isto é, crítica à realidade do capitalismo.

O SOREX era sim uma sociedade de classes, ou melhor dito, de castas de natureza ocupacional, dominada por determinada casta de oligarcas governantes – a Nomenklatura – relativamente pouco numerosa. O Estado totalitário explorava a maior parte da população, mas não conseguia entregar a abundância econômica prometida.

Stalin foi a emanação desta Nomenclatura, quando o órgão do secretariado do PC realizava as nomeações, não somente no aparelho do partido, mas em todos os organismos administrativos, seções do Governo, polícia política, Exército Vermelho, economia, cultura, etc. O fenômeno burocrático foi a característica dominante do chamado stalinismo.

Antes mesmo da má experiência soviética já havia questionamentos do marxismo quanto à unilateralidade da concepção materialista da história, à insuficiência da Teoria da Mais-Valia para explicar o valor adicionado e apropriado inteiramente em “atividades improdutivas”, à análise da concentração progressiva, ao “objetivo último do socialismo”. Abandonado o marxismo, a realidade passa a ser vista pelos revisionistas como permanente “movimento”: a ampliação gradual de conquistas de direitos (civis, políticos, sociais, econômicos e de minoria) da cidadania, isto é, para todos os cidadãos, independentemente de classes sociais ou castas profissionais.

Em decorrência, esses revisionistas foram taxados de renegados. Seus “camaradas” logo cuidaram de expulsá-los do Partidão. Entretanto, a revisão do marxismo era fato: depois de “inventadas as ideias” não é possível mais as “desinventar”. Continuar a ler

Eu vou te ensinar a ser rico

Oba! Estudei tanto para descobrir o significado de “ser rico”… e o autor de um livro de autoajuda me ensinará rapidamente a prática! Como desperdicei meu tempo… snif, snif…

Somos tão ricos quanto nos sentimos, e as pessoas de nosso convívio oferecem, não raramente, o parâmetro para esse sentimento. Aprendi com o satírico H.L. Mencken: “um homem rico ganha 100 dólares a mais por ano em relação ao marido da irmã de sua mulher”.

Se for renda relativa, o rendimento do trabalho por pessoa ocupada era rendimento do trabalho por pessoa ocupada (PNAD 2012 – BRASIL) era em média R$ 1.497 (75%). A mediana era R$ 900 (50%); 1º quartil R$ 622; 3º quartil R$ 1.500; 9º decil R$ 3.000; 95º percentil R$ 4.500; 99º percentil R$ 10.000. Então, qual é o seu relativo: está entre o 1% mais rico ou entre o 0,1%?

Se for riqueza relativa, os 7,5 milhões clientes do segmento do varejo tradicional tinham em média per capita (ANBIMA set 2018) R$ 46.103 em fundos e títulos e valores mobiliários; os 4 milhões clientes do segmento de alta renda tinham R$ 181.320; os 123.370 clientes do Private Banking tinham R$ 8,5 milhões cada um. Você é Private?

Ben Zruel não analisa estatística em seu livro “Eu vou te ensinar a ser rico: três passos simples para quitar as dívidas em doze meses e construir sua liberdade financeira” (São Paulo: Editora Gente, 2016). Como é praxe em membros da casta dos mercadores quando escrevem, ele faz narrativa de suas impressões sobre casos pessoais, tipo: “meninos, eu vi!”. Esse casuísmo está longe de ser um método científico.

Um critério de estratificação social seria: em 2015, cerca de 8,4% da população ocupada (92 milhões no 4º. Trimestre de 2015) ou 7,7 milhões de pessoas ganhavam renda do trabalho acima de 5 salários mínimos (R$ 4.770,00 em 2018). Então, seriam 5 milhões na classe média, 2 milhões na média alta e 0,7 milhão na alta. Grosso modo, quem tem apenas o ensino médio completo recebe até o rendimento médio real habitual das 93 milhões pessoas ocupadas (R$ 2.230); quem tem o superior completo R$ 5.000; mestrado R$ 6.750; doutorado R$ 10 mil. Continuar a ler

Exportações Brasileiras: Metade com 7 Commodities

Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador oficial de inflação avançou 0,32% em janeiro de 2019. Os bens comercializáveis ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,12% no mês passado, ante 0,13% em dezembro. Esse grupo representa cerca de 30% do IPCA. Nele, estão alimentos derivados de commodities, bens de consumo semiduráveis e duráveis — itens que podem ser comercializados com o exterior e, por isso, sofrem influência do câmbio. Em 12 meses, os comercializáveis subiram 1,81% até janeiro, também abaixo da inflação total, de 3,78%. O bom desempenho registrado no balanço comercial justifica parte da estabilidade cambial e daí parte da estabilidade inflacionária.

Sergio Lamucci (Valor, 11/02/19) informa: sete commodities responderam por metade do valor das exportações brasileiras em 2018, o percentual mais alto desde os 51,4% registrado em 2011. No ano passado, as vendas do complexo soja, óleos brutos de petróleo, minério de ferro, complexo carnes, celulose, açúcar e café renderam US$ 120,3 bilhões ao país, o equivalente a 50,2% do total exportado.

Houve em 2018 um forte aumento das exportações de soja, petróleo e celulose, produtos que ganharam espaço na pauta com alta simultânea de preços e volumes negociados com o exterior, num ano de crescimento ainda razoavelmente expressivo da economia global. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos manufaturados mostraram pouco dinamismo, um reflexo do impacto da crise da Argentina – grande compradora desses bens — e da crônica falta de competitividade da indústria brasileira.

Parte importante do aumento da concentração da pauta nessas commodities se deve à recuperação dos preços de alguns produtos, diz o economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A participação dessas sete commodities caiu para a casa de 45% do total exportado em 2015 e 2016, período em que a média das cotações de venda dos produtos básicos ao exterior recuou quase 35%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Em 2017 e 2018, os preços de exportação dos básicos reagiram, subindo 21%.

Isso levou a participação das sete commodities no total exportado para a casa de 50%, um nível bastante elevado, mas ainda um pouco abaixo do recorde atingido em 2011. Foi quando muitas commodities atingiram o seu pico histórico. Continuar a ler

Perda de Intensidade Tecnológica e Déficit Comercial na Indústria Brasileira

Ana Conceição (Valor, 04/02/19) informa: a indústria brasileira vem perdendo participação no Produto Interno Bruto (PIB) há décadas. Um estudo mostra seus segmentos mais avançados tecnologicamente terem tido uma perda de peso prematura – e por isso mais grave.

O peso dos setores industriais de alta intensidade tecnológica chegou a quase 10% do PIB em 1980, no seu melhor momento, e caiu a 5,8%, a preços de 2016. O segmento de elétrica, informática e eletrônicos saiu de 1,1% do PIB e caiu para 0,9% no mesmo período. Esse setor, que nunca chegou a ter grande fatia na economia nacional, caminhou na contramão global, já que ganhou importância na indústria e no comércio internacionais nas últimas décadas.

No agregado, o peso da indústria brasileira no PIB chegou a 21,3% em 1980 e reverteu a tendência a partir de 1981. Desde então, deixou de ser “o motor” do crescimento. Em 2016, chegou a 12,5%.

Os números foram calculados pelo economista e pesquisador Paulo César Morceiro, do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus/USP), autor do estudo ao lado de Joaquim José Martins Guilhoto. O trabalho criou séries inéditas, a preços constantes, da participação de 13 segmentos no PIB entre 1970 e 2016, a partir de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles foram reunidos em dois grupos, de alta e baixa intensidade tecnológica. Continuar a ler

Sete Pecados da Língua

Em vez em quando gosto de ler a Dad Squarisi. Eu conheci suas dicas quando morei em Brasília e lia seus artigos no Correio Braziliense, onde é Editora de Opinião. Um aprendizado recente com livro dela foi eliminar o “queísmo”. Pode reparar, hoje fujo dos “que(s)” como o diabo da cruz! E o abuso deles em textos de outros autores, principalmente de jornalistas, me incomoda muito.

Desta feita fui ler seu livro “Sete pecados da língua” (SP: Editora Contexto; 2017). Saí de sua leitura um pouco desapontado. Para não deixar de registrar alguns conselhos, resumo seu último capítulo, denominado “A oitava maravilha da língua”. Na verdade, são dez mandamentos para a boa escrita.

1 Seja adequado

Confundir as vestes tem nome. É inadequação. O mesmo princípio orienta o texto. Horóscopo exige palavras genéricas. Reportagens, fatos e vocábulos concretos. Salas de bate-papo, abreviaturas inventadas, troca de letras, signos incompreensíveis a muitos mortais. Não se trata de certo ou errado. Mas do português adequado à ocasião.

2 Seja claro

Montaigne, há 400 anos, disse: o estilotem três virtudes. A primeira: clareza. A segunda: clareza. A terceira: clareza. Graças a ela, o receptor entende a mensagem sem ambiguidades.

3 Seja preciso

A precisão tem íntima relação com as palavras. Buscar o vocábulo certo para o contexto é trabalho árduo. Exige atenção, paciência e pesquisa. Consultar dicionários, textos especializados e profissionais da área deve fazer parte da rotina de quem escreve.

Quem fala de Economia, por exemplo, tem de distinguir o significado de salário, vencimento, provento, pensão, subsídio ou verba de representação. Uma reportagem sobre política não pode dizer que os deputados vetaram um projeto: quem veta é o presidente da República. A Câmara rejeita. Continuar a ler

Taxar dividendos e acabar com o benefício fiscal das empresas na distribuição de juros sobre capital próprio

A proposta de tributar dividendos e simultaneamente reduzir a carga tributária sobre o lucro das empresas é bem recebida por analistas. Para eles, a medida segue a tendência mundial e pode estimular investimentos no país.

Tudo isso está em linha, na verdade, com já feito por outros países depois da desoneração realizada pelo governo Trump nos EUA. Provavelmente, muitas empresas segurarão a distribuição de dividendos. Não as grandes, mas as menores. Elas vão buscar novas estratégias de remuneração.

Se a tendência for de reinvestimento, gera-se mais imposto com alíquota menor. Só não se sabe até qual ponto os empresários vão reduzir a distribuição de lucro, então é uma incógnita. O empresário não se nega a pagar impostos: sonega, alegando querer pagar o justo.

É uma decisão complexa, mas na direção correta. Há percepção de muitos analistas: faz todo o sentido. Primeiramente, porque o Brasil tem uma composição de carga tributária de incidência indireta, sobre produção e consumo, em vez de taxar renda e patrimônio, a forma direta. A despeito do impacto na arrecadação, a medida é apropriada e coloca o país em um campo mais favorável e competitivo.

É positiva a tributação sobre dividendos, se houver redução da carga sobre lucro das empresas. Retirar a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, porém, outra medida em estudo pelo governo, não deve contribuir para elevar a arrecadação e levará os sócios a reorganizar a forma de investimento na companhia. Continuar a ler

Pesquisa Anapar Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018

Com o objetivo de compreender a percepção dos brasileiros sobre a previdência e identificar comportamentos que determinam as decisões dos cidadãos quanto a seu futuro, a Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão (ANAPAR) realizou uma pesquisa inédita com a população. Entre as descobertas, uma constatação preocupante: três fatores, combinados, levam a maioria a não guardar dinheiro para a aposentadoria, produzindo um quadro de verdadeiro “desalento previdenciário” no país:

  1. renda insuficiente,
  2. falta de perspectiva e
  3. um elevado grau de endividamento.

Pesquisa ANAPAR Finanças Pessoais e Previdência Brasil 2018, encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, realizou entrevistas domiciliares com 2.045 pessoas a partir de 16 anos, em 152 municípios, entre 8 e 13 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Continuar a ler