Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico: Em Comemoração dos 10 Anos do Blog Cidadania & Cultura

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Hoje, data de aniversário do meu pai  (98 anos caso estivesse vivo), comemoro os dez anos deste meu blog pessoal. Não poderia imaginar, em 22 de janeiro de 2010, ir tão longe. Por que se prolongou por toda essa década?

Sem dúvida, por eu ter prazer em o alimentar com novo conhecimento, adquirido a cada dia, para o compartilhar com outras pessoas eventualmente interessadas. Foram postados 8.836 Artigos, classificados em 69 Categorias e 25 Etiquetas. Receberam 8.232.225 visualizações e 9.111 comentários. Há 1.732 Seguidores no site e 673 no Twitter.

Este blog pessoal constitui um banco de dados para meu proveito em preparar aulas e palestras, além de possibilitar escrever com base nessas fontes, motivado por acessá-lo facilmente. Eu já não teria memória mental para guardar tantas informações.

Enquanto estiver em vida intelectual ativa, penso em mantê-lo, dada sua utilidade. Por quanto tempo? O futuro é incerto…

Para comemorar os 10 anos, “o presente de aniversário” é um novo Texto para Discussão: Fernando Nogueira da Costa – Capitalismo Financeiro como Sistema Complexo e Dinâmico.

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Desemprego Rural com Aumento da Tecnologia e Produtividade e Reconhecimento de Erro Estratégico

Thais Carrança (Valor, 20/01/2020) informa: o setor agropecuário deixou de empregar quase 1,8 milhão de pessoas desde 2012. Entre o terceiro trimestre daquele ano e o de 2019, a população ocupada diretamente na atividade diminuiu de 10,3 milhões para 8,5 milhões. Somente na passagem de 2018 ao ano passado, foram 174 mil pessoas a menos trabalhando no campo, apesar de um crescimento estimado de 2,39% da produção agropecuária.

Os ganhos de produtividade, o avanço da mecanização e a maior concentração da produção explicam a redução ano a ano da mão de obra na agricultura, apesar do crescimento quase contínuo da produção no país, dizem especialistas. Segundo eles, no entanto, a renda gerada pelo agronegócio fomenta a criação de empregos em outros ramos da atividade, como a indústria e o setor de serviços. Continuar a ler

Página Infeliz na História do Brasil: Década de 2010

Uma grande motivação para manter este modesto blog pessoal durante os dez últimos anos foi, em metade da década pelo menos, ser uma “página infeliz de nossa história”. Nesta época de regressão de valores democráticos e volta ao obscurantismo evangélico-militar com sua intolerância aos intelectuais e à cultura diversa, é um instrumento de luta para tomarmos consciência da necessidade de resistência. A volta da Velha Matriz Neoliberal representa também uma reversão no crescimento econômico brasileiro!

Bruno Villas Bôas (Valor, 20/01/2020) informa: mais de 80% dos países cresceram mais rapidamente em comparação ao Brasil nos anos 2010 (2010-2019), um dos piores períodos de crescimento econômico da história brasileira, mostra levantamento do economista Marcel Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com o levantamento, 160 dos 193 países da amostra (ou 83% do total analisado) tiveram uma expansão média do Produto Interno Bruto (PIB) mais forte do que o Brasil nos anos 2010. O PIB brasileiro cresceu 1,3% ao ano na média de 2010 a 2019 – para este último ano, foram consideradas a projeção do boletim Focus, do Banco Central (BC), para o Brasil e as do FMI para os demais países da pesquisa.

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Juiz de Garantias para evitar Perseguição Política ou Lawfare

Lawfare originalmente se refere a uma forma de guerra na qual a lei é usada como arma. Basicamente, seria o emprego de manobras jurídico-legais como substituto de Força Armada, visando alcançar determinados objetivos de política externa ou de segurança nacional.

O ministro do Supremo Luiz Fux suspendeu ontem a implantação do juiz de garantias, criado no pacote anticrime aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Bolsonaro. A decisão vale até o tema ser analisado pelo plenário da corte, mas isso não tem prazo para acontecer. / o globo

A decisão revoga uma outra determinação, do presidente do Supremo, Dias Toffoli. Ela definia a figura jurídica entrar em vigor em julho de 2020. Para Fux, o Judiciário ainda tem de analisar a constitucionalidade da nova lei em plenário. / estadão

O ministro da Justiça, Sergio Moro, elogiou a decisão. A criação da nova figura é vista principalmente como uma resposta à sua atuação como juiz na Lava Jato. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chamou a determinação de Fux “desrespeitosa com o Parlamento”. / folha

Filipe Magliarelli (Valor, 16/01/2020), sócio das áreas de Penal Empresarial e Compliance & Investigações do KLA Advogados, explica abaixo a importância de se ter um Juiz de Garantias. Juízes respeitados internacionalmente expressaram enorme espanto quanto ao processo movido pelo ministro da Justiça do adversário do candidato mais popular para aprisioná-lo e tirá-lo do páreo eleitoral. É um escândalo no mundo jurídico e está registrado na história como uma página vergonhosa do nosso país.

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Antipluralismo Bolsonarista (por Cláudio Gonçalves Couto)

Obs.: veja acima o resultado da submissão do atual (des)governo ao Trump: elevação do superávit do balanço comercial em favor dos EUA contra o Brasil!

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP. Como colunista convidado do Valor (09/01/2020) publicou uma análise realista sobre o neofascismo tupiniquim.

“Uma das principais referências políticas do bolsonarismo é a Hungria de Viktor Orbán — como já deixou claro em mais de uma ocasião o filho 03, Eduardo Bolsonaro, líder ideológico local do movimento capitaneado pelo pai. Em célebre discurso de 2014, Orbán expressou seu desejo de transformar a Hungria em uma “democracia iliberal”, como já o seriam a Rússia de Vladimir Putin e a Turquia de Recep Tayyp Erdogan. Nesses regimes, o apoio plebiscitário de uma maioria ao líder entronizado lhe permite governar passando por cima de eventuais limites.

Assim, restringe-se ou mesmo se elimina a liberdade de imprensa; perseguem-se e até se encarceram opositores; combate-se a independência dos centros de produção intelectual autônoma – como as universidades e as artes; deslegitima-se a oposição, apontando-lhe como formada por traidores da pátria – não existiria, como no Reino Unido, uma oposição “de” Sua Majestade, mas apenas “a” Sua Majestade.

O modus operandi da democracia iliberal passa por sufocar as divergências e subalternizar as minorias não alinhadas à linha dominante, personificada pelo líder máximo e amparada plebiscitariamente no apoio de uma maioria baseada em critérios identitários – como valores, etnia, religião ou um conjunto de todas essas coisas. Continuar a ler

Nós contra Eles: Reducionismo da Complexidade à Luta Binária

Jorge Luís Borges disse: “Existem somente os indivíduos: tudo o mais – as nacionalidades e as classes sociais – é mera comodidade intelectual”. Ele tinha ½ razão!

Não existem apenas indivíduos como supõe o individualismo metodológico intuitivo: “ver o mundo em torno do próprio umbigo”. Como cada qual possui essa tendência natural, esse método tende a estabelecer as explanações sobre os fenômenos sociais, políticos ou econômicos. Somente são consideradas adequadas pela ortodoxia se colocadas em termos de crenças, atitudes e decisões dos indivíduos.

O princípio do holismo metodológico postula os conjuntos sociais terem objetivos maiores ou funções impróprias a serem reduzidos às crenças, atitudes e ações dos indivíduos. Sua complexidade sistêmica nasce da emergência das interações entre todos seus componentes.

Se as ações humanas são impulsionadas (mas também delimitadas) por normas, estas instituições (formais ou informais) compõem igualmente o campo de estudo da investigação social. A explanação da Ciência Social Aplicada deveria ocorrer em termos das motivações e intenções de indivíduos, moldadas por regras e instituições, mas, em processo de retroalimentação, a visão holística pondera o peso de cada nódulo, dentro de uma rede de fluxos de encadeamentos. Parte da visão do todo para ir às partes.

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Epílogo do Livro “Factfulness: o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”

“Em setembro de 2015, Hans e nós dois decidimos escrever juntos um livro. Em 5 de fevereiro de 2016, Hans recebeu um diagnóstico de câncer incurável no pâncreas. O prognóstico era ruim. Deram a ele dois ou três meses de vida ou, se os tratamentos paliativos tivessem muito sucesso, talvez um ano.

Após o terrível choque inicial, Hans refletiu sobre a situação. A vida continuaria por algum tempo. Ele ainda poderia desfrutar de momentos com a mulher, Agneta, a família e os amigos. Mas, no dia a dia, sua saúde seria imprevisível. Assim, após uma semana, ele cancelou todas as 67 palestras planejadas para o próximo ano, bem como todas as entrevistas de TV e rádio e produções de filmes. Hans ficou triste em fazer isso, mas viu que não tinha alternativa. E essa mudança dramática em sua vida profissional tornou-se suportável por uma coisa: o livro. Após o diagnóstico, houve alegria na tristeza à medida que o livro se transformou de um fardo junto às outras tarefas em algo prazeroso e inspirador intelectualmente para Hans.”

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