Inovação

Marcas e Patentes Empresas Inovadoras

Vanessa Jurgenfeld (Valor, 06/04/15) deu informações que necessitarei para um próximo debate a respeito de “Brasil do Futuro — fazer mais com menos: indústria, inovação e desenvolvimento produtivo“. Fui convidado pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu da FEA-USP para debater com o Prof. Dr. Roberto Vermulm (FEA-SP / Embrapii) e o Prof. Dr. Samuel Pessoa (FGV-RJ / Ibre). Na minha “santa ignorância” de modesto blogueiro, “jogarei na retranca-e-contra-ataque” ou “partirei como um livre-atirador”, já que não sou especialista, mas apenas leitor curioso? Oh, dúvida cruel, mas como não tenho nada a perder…

A informação da minha ex-aluna, Fernanda de Negri (IPEA), é preciosa. Ela diz que “a Petrobras sozinha responde por cerca de 20% a 25% do total de inovações feitas no país; é a principal empresa a puxar a inovação”. Todos os cidadãos brasileiros devem tomar consciência disso — e botar a mão na consciência antes de atacar nossa maior empresa.

Também sei — informação do João Carlos Ferraz, VP-BNDES / UFRJ — que “os fornecedores da Petrobras contratam cerca de 1/4 da força de trabalho formal no País”. Fantástico, não? E quem duvida que a economia brasileira terá uma Economia do Petróleo na próxima década?! Só os pessimistas / derrotistas / golpistas…

Chega de golpismo! Os corruptores-e-corruptos já começaram a ser punidos. E a vida continua

Ou os brasileiros querem ser estúpidos e paralisar o País? Não vamos dar mais “tiro-no-pé”!

Naturalmente, haverá algum atraso na estratégia de nossa independência econômica, porém não será “o fim do Brasil” como prega a direita golpista, querendo vender o que puder. Com Acordos de Leniência (leia: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/03/23/cartel-e-acordo-de-leniencia/), dará para recuperar os R$ 6 bilhões subtraídos pelo cartel das empreiteiras. Isto cabe nos balanços de grandes CNPJs. Porém, nossos pobres CPFs se impressionam muito com a soma. Pessoas físicas se corrompem por poucos milhões… Para que? Consumir mais? Sexo, droga e… decadência esnobe?! Gente estúpida…

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Fragilidade Financeira de Um Pilar do Capitalismo de Estado Neocorporativista

Evou;cão do superávit e déficit das EFPCRentabilidade EFPC

Pelo segundo ano sem bater a meta de rentabilidade de seus investimentos, os fundos de pensão brasileiros que estão no vermelho apresentaram déficit de R$ 31,4 bilhões ao fim de 2014, ante R$ 21,4 bilhões no ano anterior. Em 2012, o saldo negativo era um terço do atual. Os dados foram apresentados ontem pela Abrapp, associação que reúne as fundações.

O déficita diferença entre o patrimônio de um plano e seus compromissos com o pagamento futuro de benefícios trazidos a valor presente. Esse déficit pode ser financeiro — quando o retorno dos investimentos é inferior à meta de rentabilidade — ou técnico — derivado de alterações nas premissas do plano, como mudança de expectativa de mortalidade dos participantes e taxa de juros. A maior parte do déficit do setor é derivado do desempenho financeiro abaixo do necessário.

Segundo a Abrapp, o retorno médio dos investimentos no ano de 2014 foi de 7,07%, ante meta de 12,07%. Em 2013, o retorno foi de 3,28%, bem abaixo da meta de 11,63%. A associação destaca, porém, que no acumulado dos últimos dez anos a rentabilidade do setor foi superior à meta: 250,9% ante objetivo de 201,1%. São investimentos de longa maturação. O importante é que o fluxo de caixa esteja alinhado com os benefícios que a fundação tem que pagar.

Tanto a Previc, órgão fiscalizador do setor, quanto a Abrapp consideram que não há um problema de solvência no sistema, já que o pagamento de benefícios está diluído nas próximas décadas e não é comprometido pela situação conjuntural ruim do curto prazo.

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Aliança entre Castas de Sábios, Artesãos e Comerciantes

Sistema indiano de castas

David Priestland, em seu ensaio Uma Nova História do Poder: Comerciante, Guerreiro, Sábio (São Paulo; Companhia das Letras; 2014), cita Steve Jobs, nascido em 1955 e morto de câncer em 2011, como a personificação da aliança entre o comerciante e o sábio-criativo. Ele tinha valores que buscavam reconciliar a geração neohippie dos anos 60s com o comerciante neoliberal dos anos 80s.

Os mercados, longe de contradizer os valores libertários dos anos 60s, personificavam esses valores românticos de sábio-homem santo, que valorizava a autorrealização e a criatividade. Os produtos da Apple se tornaram símbolos do capitalismo globalizado de hoje.

O próprio Jobs, tal como muito outros neohippies, em certa época, usou sua empresa para fazer proselitismo da sua visão do mundo, moldada pela contracultura dos anos 60s: exortava seus clientes a “pensar diferente”. Propagandeava: “saudamos os loucos, os desajustados, os rebeldes, os que perturbam a ordem”.

Jobs assimilou não só o interesse dos artesãos com experiência tecnológica pela eletrônica, no Vale do Silício – Califórnia, como também o orgulho perfeccionista que tinham na fabricação e no acabamento dos seus produtos. Desejava entregar o melhor para o consumidor, cobrando um “preço justo” para um produto superior ao de seus concorrentes.

A Califórnia é um lugar favorável ao mercado. Ganhar dinheiro lá não é condenado como pecado por uma moral cristã-católica de tradição anti-usura, antissemita e antirrentista. Priestland salienta que essa aliança entre o sábio-romântico, o artesão-eletrônico e o comerciante-industrial foi importantíssima para a legitimidade do novo capitalismo de livre mercado, pois os criativos estavam se tornando uma casta muito mais influente no mundo desenvolvido. Continuar a ler

Dominância do Éthos do Comerciante-Financista

Castas na India - IstoE

Agora que está se voltando aos níveis de desigualdade social da Belle Époque, após trinta anos de dominância do comerciante, ninguém deveria estar perplexo com a extraordinária transferência de riqueza: o comerciante, quando livre de amarras, ama a flexibilidade e odeia imobilizar seu capital por medo de perder lucro maior – o eufemismo do custo de oportunidade. Entregar o controle empresarial do sábio para o comerciante, fatalmente, criaria uma elite de executivos e investidores super-ricos com base na ideologia da meritocracia e com pouco interesse com o bem-estar social das castas abaixo da deles.

Pior, houve a propagação do seu éthos, sua mentalidade, para faixas cada vez maiores da população. A classe média “instruída” sonha em imitar os banqueiros, tornando-se mais “flexível” em seus valores e adotando os que dão boa resposta às necessidades do mercado. Continuar a ler

Estado Neoliberal: Hegemonia da Lógica do Mercado

Ignacio_María_Barreda_-_Las_castas_mexicanas

A casta do comerciante brando aprendeu a lição desde a última vez em que esteve no controle, nos anos anteriores à crise de 1929. Tinha aceitado a necessidade de uma especialização vinda dos sábios, apropriada para uma época de mais profissionalismo. Segundo David Priestland, em seu ensaio Uma Nova História do Poder: Comerciante, Guerreiro, Sábio (São Paulo; Companhia das Letras; 2014), abriu-se, então, o caminho para o sucesso das futuras gerações de pessoas formadas em universidades de elite, inteligentes, liberais (“progressistas” no sentido americano), altamente qualificadas em alguma profissão de status cada vez mais elevado.

Seus objetivos eram os mesmos, de modo geral, que os das elites econômicas neoliberais da época pós-70’s: transformar o capitalismo sábio e administrativo de Bretton Woods em uma versão mais puramente mercantil. Estavam convencidos de que a flexibilidade do comerciante, sua competitividade e sua busca do lucro máximo, tudo isso traria prosperidade para todos.

Achavam que apenas permitindo os donos do capital correrem apenas atrás do lucro, e não do maior bem-estar social, poder-se-ia libertar o capital e redirecioná-lo para novos setores produtivos em qualquer lugar do mundo – até mesmo na China “comunista”, na Índia ou no Sudeste Asiático. As barreiras para a maximização do lucro, sejam elas acordos sindicais ou restrições ao comércio exterior e aos fluxos de capital no estrangeiro, tinham de ser removidas. Na prática, isso significava dar mais poder aos donos do capital e a seus agentes financeiros, os bancos. Continuar a ler

Estado de Bem-Estar Social: Acordo entre Castas

Mistura de castas

No pós-guerra, enquanto todo o mundo desenvolvido ia passando para os valores do sábio e do trabalhador, de planejamento estatal e bem-estar social, o equilíbrio das forças sociais entre as diversas castas diferia, dependendo das condições nacionais, segundo David Priestland, em seu ensaio Uma Nova História do Poder: Comerciante, Guerreiro, Sábio (São Paulo; Companhia das Letras; 2014).

O comerciante era mais fraco e o trabalhador, mais forte nos países escandinavos, onde os socialdemocratas estavam no poder. Nessas sociedades, os operários desfrutavam da generosidade dos Estados de bem-estar social: os benefícios eram altos e concedidos a todos, fosse qual fosse a contribuição de cada um havia dado em trabalho.

Mais comum no continente europeu foi o tipo de capitalismo favorecido pelos partidos democráticos-cristãos de centro-direita que dominaram a política europeia a partir de 1945. Nesse caso, o operário e o sábio eram mais fracos que nos países nórdicos. Prevaleciam as velhas ideias paternalistas enraizadas no seguro social de Bismarck ou na visão católica de sociedade solidária ou, mais precisamente, caritativa.

Será que, no caso brasileiro, a socialdemocracia implementada pelos social-desenvolvimentistas não resultará em um Estado de bem-estar social menos igualitário que o europeu e fundado em esquemas de segurança social “caritativos” que mantém as distinções entre as classes econômicas? Pela força da pressão social-midiática (e da lógica religiosa conservadora) — a centro-direita hegemônica atualmente –, não será ele muito mais generoso para a classe média do que para as classes trabalhadoras e os pobres? Continuar a ler