Diálogo entre Hipóteses a respeito das Concepções de Indivíduo: Abordagem Metodológica

social-darwinismManuel Ramon Souza Luz, nas conclusões de sua Tese de Doutorado, “Porque a Economia não é uma Ciência Evolucionária: Uma hipótese antropológica a respeito das origens cristãs do Homo Economicus”, afirma que é importante ressaltar que apesar de livre das amarras religiosas, o indivíduo do Renascimento não perde, e não perderá jamais sua aura divina, ele é fundamentalmente o mesmo “individuo-fora-do-mundo” de sempre.

O que podemos ver, de Maquiavel a Smith, não é a definição de uma ideia de indivíduo, esta ideia já estava lá. O que os pensadores da “pré-história” da Economia construíram foi uma explicação acerca da ordem social destes “indivíduos-fora-do-mundo”. É uma questão absolutamente nova porque nunca esta noção de pessoa havia descido à Terra. O que necessitava ser descoberto naquele momento é como estes homens, desenhados primeiramente para se relacionar apenas com Deus, poderiam se organizar em sociedade.

As descrições de um estado de natureza era figura recorrente nas ideias que partem do movimento inaugurado por Maquiavel e mostram exatamente a magnitude do problema que surgia. Homens, que são antes de tudo indivíduos, seres a-históricos, associais, independentes e autônomos, são figuras precárias para pensar uma ordem social. Estes indivíduos não foram feitos para se relacionarem com outros homens, mas sim com Deus! Continuar a ler

Diálogo entre Hipóteses a respeito das Concepções de Indivíduo: Abordagem Antropológica

darwirnismManuel Ramon Souza Luz, nas conclusões de sua Tese de Doutorado, “Porque a Economia não é uma Ciência Evolucionária: Uma hipótese antropológica a respeito das origens cristãs do Homo Economicus”, analisa a visão antropológica a respeito do Homem como indivíduo. Ela promove uma ruptura com o hermetismo explicativo da abordagem histórica, negando a ênfase de que a ideia de indivíduo ocidental tenha sido gerada a partir Renascimento.

Apesar de também ser uma visão histórica, a perspectiva antropológica recua mais no tempo que a análise da abordagem histórica. Ela identifica que a emergência da ideia de indivíduo moderno é anterior à Renascença, algo que Latouche (1984:103-104), ao analisar este ponto de vista, deixa explícito: “ela se inscreve no cristianismo primitivo”.

O “indivíduo-dentro-do-mundo-fora-do-mundo” já estava lá quando da Reforma Protestante e das tentativas inicias de entender o homem e a ordem social do Renascimento. Nesse sentido, é importante frisar que a hipótese antropológica estabelece que existe uma continuidade entre o indivíduo de um cristianismo original e as visões do homem inauguradas a partir da Renascença. Continuar a ler

Diálogo entre Hipóteses a respeito das Concepções de Indivíduo: Abordagem Histórica

march-legoevolutionManuel Ramon Souza Luz, nas conclusões de sua Tese de Doutorado, “Porque a Economia não é uma Ciência Evolucionária: Uma hipótese antropológica a respeito das origens cristãs do Homo Economicus”, afirma que “cumpriu-se aquilo que foi prometido. (…) Buscamos na organização social e na noção de pessoa indiana uma referência para entender o nosso objeto de uma maneira inovadora. Coletamos pistas, analisamos e organizamos as evidências para finalmente criarmos uma hipótese abdutiva”.

Segundo Luz, “entender o indivíduo ocidental exigiu um ponto de vista inovador, uma referência a outro homem, o homem indiano. A nossa viagem àquele país nos ajudou a marcar e organizar os elementos do mundo ocidental, os quais iriam ser entendidos através de sua própria história. O resultado é um diagnóstico interessante: a ideia de indivíduo como uma instituição moderna é uma decorrência direta da maneira pela qual o cristianismo avançou nas ideias no mundo ocidental”.

Se nos concebemos hoje idealmente como seres independentes, autônomos, um tanto a-históricos e associais, isto não decorreria das luzes de nossa razão, mas sim de um hábito de pensamento que há muito tempo se perpetuou na ideologia moderna. O indivíduo é um valor ocidental indiscutível sendo que a Economia, e em especial a sua Vertente Neoclássica, o leva a frente como estandarte. Continuar a ler

Porque a Economia não é uma Ciência Evolucionária: Uma hipótese antropológica a respeito das origens cristãs do Homo Economicus

primatasManuel Ramon Souza Luz defendeu sua Tese de Doutorado, Porque a Economia não é uma Ciência Evolucionária: Uma hipótese antropológica a respeito das origens cristãs do Homo Economicus”, sob orientação do Prof. Dr. Paulo Sérgio Fracalanza, no IE-UNICAMP, no dia 31/07/2013. Curiosamente, sua resposta à questão colocada no título é indireta, através do subtítulo. Para entendê-la é necessário saber qual é a concepção cristã do indivíduo, ou melhor, qual das (diversas) concepções cristãs a metáfora do Homo Economicus adota.

Como a minha hipótese, levantada no meu Memorial para Concurso de Professor-Titular, é que essa metáfora se baseia em outro credoo individualismo liberal –, fiquei curioso: devo falsear a minha hipótese, humildemente, para permitir o avanço da Ciência? :)

Inspirada pelos escritos do antropólogo francês Louis Dumont, a Tese de Manuel Ramon Souza Luz apresenta uma interpretação inovadora para compreender a gênese da ideia de indivíduo econômico. O trabalho procura mostrar como a ideia de indivíduo, que na Ciência Econômica adquiriu o rótulo de Homo Economicus, pode ser entendida como o resultado do avanço e da hegemonia da doutrina cristã no pensamento ocidental. Continuar a ler

Métodos de Análise Econômica 2015

UnicampUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
Instituto de Economia

CE-542 – MÉTODOS DE ANÁLISE ECONÔMICA V — 2º semestre de 2015

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Ementa: Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais.

Horário: segunda-feira e quarta-feira no mesmo horário (8:00-10:00). Reservada a Sala IE-12?

Programa:

Bibliografia Básica:

COSTA, Fernando Nogueira da. Ensino e Pesquisa em Economia – Métodos de Análise Econômica. Campinas, IE-UNICAMP, 2014. Continuar a ler

“Evolução” Teleológica em Milton Friedman

Editorial_cartoon_depicting_Charles_Darwin_as_an_ape_(1871)Manuel Ramon Souza Luz, em sua Dissertação de Mestrado, “Por uma Concepção Darwiniana de Economia Evolucionária: Abordagens Pioneiras, Conflitos Teóricos e Propostas Ontológicas”, defendida em 28 / 08 / 2009, no IE-UNICAMP, destaca que o economista norte-americano Milton Friedman teve papel de destaque na Controvérsia Marginalista, como um dos mais importantes representantes da reação neoclássica neste debate metodológico.

Em seu trabalho de 1953, The Methodology of Positive Economics, Milton Friedman apresenta uma “nova” abordagem acerca da maximização. Tal concepção reafirma os fundamentos da teoria da firma neoclássica em termos inovadores. Segundo Hodgson (1998), Friedman fez uma verdadeira apropriação parcial de certos conceitos evolucionários para justificar as hipóteses neoclássicas: “o uso da metáfora de Friedman da Seleção Natural reforçou um elemento-chave no Paradigma Mecanicista. Friedman aplicou de forma simplista ideia mal assimilada da Biologia darwiniana para reforçar o paradigma mecanicista da Economia Neoclássica” (Hodgson, 1998: XXII). Continuar a ler

Adequação Cerimonial

socialmedia_darwinism“O ponto de vista do economista clássico, em sua maior ou definitiva síntese das generalizações, não pode apropriadamente ser chamado do ponto de vista da adequação cerimonial. As leis e os princípios últimos que eles formularam são leis da normalidade ou naturais, de acordo com um preconceito em relação aos fins a que, na natureza das coisas, todas as coisas tendem ” (VEBLEN, 1898a: 382).

Manuel Ramon Souza Luz, em sua Dissertação de Mestrado, com essa citação explica como Veblen (1904) rotula de “adequação cerimonial” o método que caracteriza a Economia Neoclássica, a qual constrói leis que apontam para um fim determinado como uma tendência. Isto se faz através de uma pré-concepção que visa um dado télos – ponto ou estado de caráter atrativo ou concludente para o qual se move uma realidade –, no caso, o equilíbrio como fim. Segundo Veblen, a “adequação cerimonial” pode ser compreendida como, “a tendência de fazer os fatos se conformarem com a lei, e não de fazer a lei ou a regra geral conformar-se com os fatos” (Veblen, 1904: 162).

A construção do indivíduo como “calculador hedonista” e seu congênere, a firma maximizadora, aparece nesse sentido como uma exigência de “adequação cerimonial” para que se alcance o fim teleológico de equilíbrio. Continuar a ler