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Márcio Pochmann para Prefeito de Campinas, Fernando Haddad em São Paulo

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Marcio Pochmann é meu colega, ex-aluno e amigo. É Professor Titular do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É casado e pai de dois filhos.

Marcio nasceu em 1962, na cidade gaúcha de Venâncio Aires, região central do Estado, a 130 km de Porto Alegre. Filho de Clyde Pochmann e de Lilian Pochmann, formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1984. Entre 1985 e 1988 concluiu sua pós-graduação em Ciências Políticas e foi supervisor do Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Distrito Federal, além de docente na Universidade Católica de Brasília.

Em 1989, mudou-se para o Estado de São Paulo, onde iniciou seu doutorado (e foi meu aluno), concluído em 1993, em Ciência Econômica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tornando-se pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do qual seria diretor-executivo anos mais tarde, assim como membro do corpo docente da Unicamp. Continue reading “Márcio Pochmann para Prefeito de Campinas, Fernando Haddad em São Paulo”

Delfim Netto: “Em Economia, toda ideia nova é, por definição, heterodoxa”

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Nosso economista decano, velho golpista e de novo conselheiro de golpista velho, como o Temer, foi ministro da Fazenda durante o período da ditadura militar. O ex-deputado federal Antônio Delfim Netto disse “não se arrepender de ter assinado, em 1968, o Ato Institucional número 5, que extinguiu direitos civis e levou ao período de maior repressão no país”!

Ele (Valor, 20/09/16) fez mais uma típica descoberta do óbvio — aquilo que todo economista heterodoxo há muito tempo já sabia e ficava boquiaberto dos colegas ortodoxos não saberem: a vanguarda intelectual em Economia é heterodoxa!

Delfim usa (e abusa da) ironia. Por meio da qual se passa uma mensagem diferente, muitas vezes contrária, à mensagem literal, geralmente com objetivo de criticar ou promover humor. Por isso, seu texto é atraente em forma, embora seja muitas vezes repetitivo em conteúdo. Reproduzo a última auto complacência abaixo, onde ele descobre o óbvio e, como sempre, “joga para a plateia” (ou “dança conforme a música”) com seguidas tentativas de humor, em uma mixórdia de frases-feitas e seus costumeiros clichês.

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Metas contra o Consumismo

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Os ecologistas, como Erik Assadourian, Pesquisador Sênior do Worldwatch Institute e Diretor de Projeto do Estado do Mundo 2010, acham que o papel do consumo e a aceitação de diferentes tipos de consumo podem ser alterados culturalmente. Mais uma vez, embora a noção exata disso possa variar nos diferentes sistemas culturais, três metas simples deveriam ser válidas universalmente. Para os social-desenvolvimentistas, a impressão é que eles tratam questões complexas com simples palavras.

Em primeiro lugar, o consumo que desestabiliza de modo acentuado o bem-estar precisa ser fortemente desestimulado. Os exemplos nessa categoria são muitos: consumo excessivo de alimentos industrializados e junk foods, tabagismo, produtos descartáveis, casas gigantescas que levam à ocupação desordenada de áreas suburbanas e dependência do automóvel, bem como a males sociais como obesidade, isolamento social, longos trajetos para e do trabalho e maior uso de recursos.

Através de estratégias como regulamentação governamental das escolhas disponíveis aos consumidores, pressão social, educação e marketing social, é possível transformar certos comportamentos e escolhas de consumo em tabu. Ao mesmo tempo, é importante criar fácil acesso a alternativas mais saudáveis – como a oferta de frutas e legumes a preços compatíveis, como um substituto a alimentos não saudáveis. Continue reading “Metas contra o Consumismo”

Cartilha de Finanças Pessoais

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Caro(a) amigo(a),

resolvi compartilhar meu conhecimento sobre Finanças Pessoais:

Fernando Nogueira da Costa – Cartilha de Finanças Pessoais – 28-set-2016

Minha Cartilha de Finanças Pessoais tem o seguinte conteúdo:

  1. Renda do Trabalho
  2. Renda do Capital Financeiro
  3. Desigualdade na Tributação da Renda do Trabalho e da Renda do Capital
  4. Riqueza e Renda Imobiliária
  5. Finanças Comportamentais
  6. Aplicações dos Conceitos da Matemática Financeira às Finanças Pessoais
  7. Plano de Aposentadoria

Ao tratar desses temas, eu apresento também a estratificação social da renda e riqueza no Brasil de acordo com os últimos dados disponíveis.

Espero que você a aprecie e, caso positivo, a divulgue para seus parentes, colegas e amigos.

Comentários serão bem-vindos.

Coloco-me à disposição para dar palestra ou curso a respeito. Favor sugerir meu nome, cujo contato pode ser realizado pelo e-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com

Leia maisCursos à Distância

Fonte de Dados PrimáriosSRF-MINFAZ-distrib_renda_centis_ac_2014

Obs.: suspeito de erro da SRF na Tabela III – RB2

Raízes Institucionais do Consumismo

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Desde a última década do século 17, mudanças sociais na Europa começaram a criar os fundamentos para o surgimento do consumismo. O aumento populacional e uma base fundiária fixa, aliados ao enfraquecimento de fontes tradicionais de autoridade, tal como a igreja e estruturas sociais comunitárias, fizeram com que o percurso usual de um jovem rumo ao progresso social – herdar o pedaço de terra familiar ou o ofício do pai – deixasse de ser o caminho óbvio. As pessoas passaram a buscar novos canais de identificação e autossatisfação, sendo que a aquisição e uso de bens passaram a ser substitutos admirados.

Enquanto isso, os empreendedores rapidamente tiraram proveito dessas mudanças para estimular a compra de seus artigos: utilizando novas modalidades de propaganda e aprovação de gente de prestígio, expondo produtos à venda, vendendo produtos abaixo do preço de custo como forma de atrair clientes para a loja, recorrendo a opções criativas de financiamento, inclusive pesquisa com o consumidor, e atiçando novas modas passageiras. Continue reading “Raízes Institucionais do Consumismo”

Velha Matriz Neoliberal: Meta de Cortar Direitos de Gente Pobre

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Camilla Veras Mota (Valor, 26/09/16) informa que as regiões do Brasil onde se começa a trabalhar mais cedo são também aquelas em que as pessoas levam mais tempo para se aposentar. No Norte e Nordeste, 78,5% e 74,2% das aposentadorias contabilizadas pela Previdência no mês de junho de 2016 foram pagas a quem deu entrada no benefício por idade, com mais de 65 anos, no caso dos homens, e mais de 60 anos, para as mulheres. No Sudeste, por exemplo, a principal modalidade é o tempo de contribuição – em que a idade média de entrada é de 54,7 anos -, que responde por 66,4% do total de aposentadorias.

Nas regiões mais pobres do país, os contribuintes não apenas demoram mais para se aposentar, como também ganham menos – no Nordeste, 74% dos benefícios previdenciários, que incluem, além das aposentadorias, categorias como auxílio- doença, valem até um salário mínimo, proporção que cai a 34,3% no Sudeste.

O retrato social, extraído do boletim regional do INSS, mostra, para especialistas “chapas-brancas”, que uma reforma da Previdência que estabelecesse uma idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição afetaria principalmente os trabalhadores hoje mais cobertos pelo sistema de proteção social, e não aqueles que entram com menos idade no mercado. O argumento de atingir, injustamente, os mais pobres tem sido usado por grupos contrários à reforma.

“Como o nível de informalidade é mais alto no Norte e Nordeste, é de se esperar que, nessas regiões, os trabalhadores tenham maior dificuldade para comprovar o tempo de serviço e acabem se aposentando por idade“, observa Fernando de Holanda Barbosa Filho, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

[FNC: isso é um sofisma — argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa –, aparentemente “populista”, dos seguidores da Velha Matriz Neoliberal, pois com se verá abaixo, simplesmente, relativiza diferenças entre recebedores de um ou dois salários mínimos — aposentados por idade, R$ 888,60, e  aposentados por tempo de contribuição, R$ 1.817,00 !]

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Volta da Velha Matriz Neoliberal: Reconcentração da Renda do Trabalho

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Enquanto economistas midiáticos se lamentam por o arrocho no salário médio real ainda não estar “como nos bons tempos neoliberais” — leia Gente, perdoai, os economistas não sabem o que dizem… –, Camilla Veras Mota (Valor, 21/09/16) informa que o rendimento médio real dos trabalhadores mais bem pagos continuou crescendo durante a recessão.

Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostra que a renda daqueles que estão entre os 10% mais bem remunerados no país aumentou 2,4% em termos reais no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Ao lado dos trabalhadores que recebem exatamente um salário mínimo, esse foi o único grupo em que o rendimento cresceu nos últimos 12 meses.

A divisão por decis mostra que as maiores perdas foram registrados entre os mais vulneráveis, que recebem menos que o mínimo, e entre o penúltimo decil, com rendimento médio de R$ 2 mil. Nos três grupos, a queda média no intervalo de 12 meses foi de 8,8%. Os dados fazem parte da nova edição da Carta de Conjuntura do Ipea.

Diante do desempenho, o Índice de Gini da renda do trabalho daqueles que continuam empregados caiu de 0,492 no último trimestre de 2014, pouco antes do início da recessão do mercado de trabalho, para 0,487 no segundo trimestre de 2016.

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