Carta Aberta aos Colegas: Boas Práticas em Ensino Remoto

Em destaque

Fiquei estarrecido com o dito pelos alunos na reunião semestral entre eles e nós, professores, sob a coordenadoria da graduação. Por estar surpreso, perplexo, horrorizado ou apavorado, tive uma insônia e fiquei matutando a respeito. Compartilho com vocês.

Temos de refletir sobre a atual prática de Ensino Remoto de maneira demorada: pensar, cismar, meditar. Depois, projetar metas, ações, planos, enfim, combinar uma estratégia para compartilharmos e adotarmos boas práticas didáticas.

Não estaremos todos cometendo um autoengano em “pacto de mediocridade”? Nós achamos estar ensinando e os alunos acham estarem aprendendo com as aulas remotas?

Continuar a ler

Efeito estatístico causado pelo repique da inflação eleva o tamanho do PIB nominal brasileiro

Fabio Graner (Valor, 20/11/2020) informa: um efeito estatístico causado pelo repique da inflação vai elevar fortemente o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Cálculos da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia apontam: o tamanho da economia brasileira em 2021 será mais de R$ 100 bilhões superior ao projetado em setembro, chegando a R$ 7,81 trilhões. Para 2020, a estimativa de PIB nominal é de R$ 7,22 trilhões, também maior que a projeção feita em setembro, mas com variação menos intensa.

O principal fator para esse movimento foi a forte elevação do “deflator do PIB”. Este é a medida de inflação considerada para o cálculo da produção de riquezas do país. A projeção da SPE para este indicador subiu mais de um ponto percentual entre setembro e novembro, passando de 3,65% para 4,82% em 2021. Para este ano, o deflator projetado subiu de 3,98% para 4,19%.

Apesar de a alta mais forte ser concentrada no próximo ano, o movimento reflete a subida mais recente dos preços, que impactaram indicadores como IGP-M e IPCA. O subsecretário de Assuntos Macroeconômicos, Fausto Vieira, explica que esses dois índices de inflação são considerados na equação matemática feita para realizar projeções para se estimar o deflator e, consequentemente, o valor nominal do PIB.

Continuar a ler

Aceleração da inclusão financeira durante a pandemia da Covid-19

Segundo o novo estudo “Aceleração da inclusão financeira durante a pandemia da Covid-19” realizado pela Americas Market Intelligence em parceria com a Mastercard, o número de brasileiros desbancarizados, ou seja, que não possuem conta em bancos e fintechs, diminuiu 73% nos últimos cinco meses. Esse aumento se dá, principalmente, pela necessidade dos brasileiros em utilizarem serviços online para realizarem suas transações, por conta do distanciamento social.

O estudo, realizado com consumidores do Brasil, México, Argentina e Colômbia, mostra os primeiros subsídios governamentais terem sido essenciais para aumentar o acesso ao sistema bancário em toda a região. O Auxílio Emergencial no Brasil, o Ingreso Solidario na Colômbia e o Ingreso Familiar de Emergencia da Argentina impulsionaram a criação de contas bancárias pelos usuários para o depósito do auxílio. O estudo revela, devido aos programas de benefícios sociais criados para minimizar os impactos da Covid-19, a população não bancarizada em toda a América Latina teria sido reduzida em 25%.

O Auxílio Emergencial, entregue pelo Governo Brasileiro, sofreu mudanças importantes desde sua implementação em maio desse ano. A criação de uma norma proibindo a transferência ou saque da conta por 30 dias foi um divisor de águas na forma como os consumidores estavam utilizando o benefício. Enquanto em maio menos de 5% das transações eram realizadas de forma digital e cerca de 35% das transações eram de saque, em agosto, as transações digitais realizadas pelo aplicativo atingiram a marca de 63% e os saques caíram para 15%.

Continuar a ler

Má Compra: Automóvel Zero X Boa Compra: Seminovo

Marli Olmos (Valor, 20/11/2020) informa: a pandemia exacerbou a distância entre classes sociais de várias formas. Entre os exemplos mais marcantes, a necessidade de isolamento expôs o abismo que separa o estudante de baixa renda daquele que conseguiu acompanhar todas as aulas a distância graças a uma boa velocidade de conexão à internet.

Na área da saúde, logo no início do surto de covid-19 apareceram no noticiário cenas de pacientes endinheirados que deixavam suas cidades a bordo de jatimhos particulares rumo a hospitais de ponta em São Paulo.

Não faltaram histórias de quem pôde, por exemplo, dar-se ao luxo de cumprir a quarentena em uma confortável fazenda, enquanto a famílias que dividem um único cômodo restava apenas torcer para que ninguém fosse contaminado.

Do lado da mobilidade, há também muito para contar. O transporte público transformou-se num vilão, foco de disseminação do novo vírus. Quem pôde, fugiu de ônibus, trens e demais meios compartilhados, seguindo, assim, uma direção contrária a tudo o que até então se propagava como futuro para o deslocamento sensato nos grandes centros urbanos.

Nas concessionárias de veículos, vendedores se apavoraram, nos primeiros dias com o “sumiço” do consumidor e a obrigação de fechar as portas para cumprir novas normas sanitárias. Mas, depois, aos poucos, com a permissão para reabertura do comércio, começaram a aparecer clientes com um punhado de novas razões para desejar o transporte individual.

Proteger-se do vírus dentro de um carro levou muita gente que guardara dinheiro a trocar planos de viajar pela compra de um automóvel, nem que fosse pequeno, ou mesmo usado.

Continuar a ler

Bancos Desvalorizados: Vendas de Partes acima da Soma do Todo

Talita Moreira (Valor, 19/11/2020) informa: os três maiores bancos privados brasileiros estão neste momento debruçados sobre processos de reestruturação, e não há coincidência nenhuma nisso. Com lucros em queda e desempenho das ações fraco desde o início da pandemia, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander buscam formas não apenas de destravar o valor de alguns ativos, mas também de gerar mais eficiência.

O passo mais recente foi dado pelo Santander. O banco anunciou estudar separar a credenciadora de cartões Getnet em uma empresa à parte, que deverá ter ações listadas na B3 e ADRs nos Estados Unidos.

É estratégia parecida com a pretendida pelo Itaú dar à sua participação na XP Investimentos: segregar essas ações em uma nova empresa. Depois, será cindida e terá o capital aberto. Os especuladores passam a valorizar à parte aquele ativo — forma de manutenção de riqueza — antes incorporado na carteira do banco.

Nos dois casos, os acionistas dos bancos receberão proporcionalmente ações dessas novas companhias. A expectativa é se beneficiem de múltiplos melhores dos proporcionados hoje pelos papéis das instituições financeiras. A diferença é a XP já ter um preço identificável, pois é negociada em bolsa, enquanto os analistas ainda discutem qual o valor justo para a Getnet – os cálculos abrangem uma faixa tão ampla que vai de R$ 5 bilhões a R$ 20 bilhões.

Continuar a ler

Economistas Sectários: Colaboradores Relutantes

The Economist – 14/11/2020

Para os epidemiologistas, 2020 foi uma prova de fogo. Os economistas deveriam ter sido capazes de se relacionar com empatia. Há pouco mais de uma década suas próprias práticas e previsões foram submetidas aos duros olhos do público após a crise financeira global. Em vez disso, a relação entre as duas disciplinas tem sido difícil.

 Alguns economistas até questionaram se os epidemiologistas estavam intelectualmente equipados para o ensaio. “Quão inteligentes são eles? Quais são as suas pontuações gre médias?” perguntou-se Tyler Cowen da George Mason University em abril. O snootiness é lamentável. 

Os desafios colocados pela pandemia do coronavírus – e aqueles ainda por vir, conforme as vacinas são distribuídas – clamam por cooperação. Mas com muita frequência, quando os economistas se aventuram em outras áreas acadêmicas, sua chegada parece mais uma força de invasão desajeitada do que uma missão diplomática útil.

Continuar a ler

Cenário para 2021

The Economist – 14/11/2020

VOCÊ SE SENTE com sorte? O número 21 está relacionado com sorte, risco, arriscar e lançar os dados. É o número de pontos em um dado padrão e o número de xelins em um guinéu, a moeda das apostas e das corridas de cavalos. É a idade mínima exigida para você entrar em um cassino na América e o nome de uma família de jogos de cartas, incluindo blackjack, populares entre os jogadores.

Tudo isso parece estranhamente apropriado para um ano de incerteza incomum. O grande prêmio oferecido é a chance de controlar a pandemia do coronavírus. Mas, entretanto, os riscos abundam, para a saúde, vitalidade económica e estabilidade social. Com a aproximação de 2021, aqui estão dez tendências a serem observadas no próximo ano.

Continuar a ler

Criação das Primeiras Instituições Financeiras nos Estados Unidos

Nos primeiros anos da nova República, muitos dos mesmos problemas de fraude financeira persistiram. O país não era o lugar homogêneo com a esperança de mais tarde se tornar.

Os negócios entre comerciantes, a tábua de salvação da economia inicial, podiam ser conduzidos em libras esterlinas, francos franceses ou dobrões espanhóis, bem como em novos dólares americanos. Quando as transações se revelaram especialmente arriscadas, o pagamento era frequentemente solicitado em espécie: ouro ou barras de prata. 

Na ausência de impostos estaduais ou federais ou altos custos trabalhistas, grandes fortunas foram acumuladas pela classe mercantil americana. Mas o mercado não era tão eficiente quanto os das metrópoles, Grã-Bretanha e Holanda. Ainda faltavam instituições básicas. 

O novo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos não foi instituído até seis meses depois de George Washington tomar posse como presidente em 1789. Outra instituição faltante ao novo país era uma troca de ações organizada, um lugar onde as ações das empresas comerciais e dos primeiros fabricantes podiam mudar de mãos. 

Sem uma troca organizada, o comércio no novo país não se desenvolveria bem ou rapidamente. As trocas eram necessárias para os investidores poderem se familiarizar com as empresas e seus produtos. 

Somente quando os comerciantes começaram a voltar sua atenção para fornecer dinheiro para novos empreendimentos, a ideia de negociar ações e títulos se tornou mais atraente. Um mercado para esses tipos de ativos intangíveis já existia na Europa há cerca de cem anos, mas a ideia demorou a cruzar o Atlântico. 

Continuar a ler

Instituição da Propriedade Passiva

Adolf A. Berle em novo prefácio para a reedição do livro The Modern Corporation and Private Property (original de 1932, traduzido na Coleção Os Economistas; Abril Cultural; 1984) adverte: o comprador de ações, geralmente em mercado secundário, não contribui com suas economias para uma empresa, possibilitando-a aumentar suas instalações ou suas operações.

Não assume o risco de uma operação econômica nova ou maior. Simplesmente, avalia a possibilidade do aumento do valor das ações da empresa. 

A contribuição dada com sua compra de ações é a manutenção da liquidez para outros acionistas poderem converter suas ações em dinheiro. O acionista minoritário não pode e não pretende contribuir para as realizações ou serviços administrativos ou empresariais.

A ética social promove um debate legal: por qual razão é necessário ter acionistas? Quais são suas contribuições de modo a ter direito a pelo menos 25% dos lucros distribuídos sob forma de dividendos, senão sob a forma de maiores valores de mercado das ações, resultantes indiretos dos ganhos não distribuídos da empresa?

Os acionistas não trabalham nela para merecer essa recompensa. São beneficiários somente por sua posição acionária.

Continuar a ler

Primeiros Anos do Capitalismo Norte-americano (1790-1840): Riqueza Imobiliária

Lembre-se: tempo é dinheiro (Benjamin Franklin) 

A América em 1790 era um lugar diverso e uma terra de oportunidades incomparáveis. A classe de comerciantes existentes, principalmente britânicos e holandeses de origem, já havia conquistado carreiras lucrativas como comerciantes. Eles ganhavam a vida de inúmeras maneiras, mas a maioria girava em torno do comércio de mercadorias essenciais cobiçadas pelos europeus, como peles, recursos naturais e tabaco. 

A especulação imobiliária foi outra área de negócio capaz de chamar a atenção porque os americanos tinham abundância de terras e os europeus a desejavam provavelmente mais além de qualquer outro tipo de propriedade. 

Nesses esforços, as grandes fortunas americanas – aquelas de Girard, Astor, Biddle e outros – seriam feitas e ocasionalmente destruídas. A maior parte das riquezas da América baseava-se na abundância de terras

Continuar a ler

Novo Conceito de Propriedade

Segundo Adolf A. Berle e Gardiner C. Means (The Modern Corporation and Private Property, original de 1932, traduzido na Coleção Os Economistas; Abril Cultural; 1984), os advogados estão acostumados a conceber a propriedade em termos de uma classificação antiga. 

Quanto tangível, era “real”, isto é, terra ou direitos derivados da terra, ou “pessoal”, móvel, passível de ser usada, tomada, deslocada, transferida, etc., por seus donos. Quando intangível, era um direito sobre ou contra outros indivíduos ou entidades, passível de ser imposto ou garantido pelos tribunais. 

Parte dessas propriedades era “negociável”, sendo regulada pela Lei do Comércio. Supunha-se a relação entre ou o indivíduo ou possuidor com sua propriedade (real, pessoal ou direito) fosse algo estável.

Mudou o conceito de “propriedade”. Divide-se agora em duas categorias:

  1. propriedade de consumo;
  2. propriedade produtiva, dedicada à produção de manufaturas, serviços ou comércio, com a finalidade de oferecer, por certo preço, bens ou serviços ao público, com os quais seu possuidor espera obter um lucro.

Continuar a ler

Wall Street: Uma História

Baixe um resumo traduzido do livro: Fernando Nogueira da Costa. Tradução Resumida da História de Wall Street. novembro de 2020.

Charles R. Geisset, em seu livro Wall Street: A History from its beginnings to the fall of ENRON –, publicado pela Oxford University Press em 1997 (e reeditado em 2004), narrou pela primeira história completa de Wall Street em 1997. Desde os primórdios, nunca teve ninguém contando sua história completa, narrando os principais eventos nas finanças e no governo capazes de mudarem a maneira como os títulos eram criados e negociados. 

Apesar de sua tradição de autossuficiência, as Finanças Corporativas (e Pessoais) não se desenvolveram sem influência externa. Ao longo dos anos, o governo teve muito a ver com o desenvolvimento de Wall Street, mais além do admitido pelos financistas. 

Como a sociedade à qual reflete, Wall Street se tornou extraordinariamente complicada nos últimos dois séculos. Novos mercados surgiram, as funções foram divididas e o tamanho do volume de negócios aumentou dramaticamente. 

Mas o núcleo do negócio de Street ainda seria logo reconhecido por um comerciante do século XIX. Daniel Drew e Jacob Little ainda reconheceriam muitas técnicas de negociação e instrumentos financeiros básicos. Felizmente, suas filosofias de tirar proveito dos outros foram substituídas por proteções ao investidor e um bando de leis de valores mobiliários destinadas a manter as raposas fora do galinheiro, onde residiram confortavelmente por quase 150 anos. 

Mercados em alta e mercados em baixa são as coisas da qual Wall Street é feita. O ciclo de expansão e retração começou cedo, quando a Street era apenas um mercado ao ar livre no sul de Manhattan. O primeiro grande trauma a abalar o mercado foi uma bolha provocada pela especulação imobiliária desenfreada. 

Continuar a ler