Hit Latino Global: Maior Número de Acessos do “Streaming” de Música Digital.

Durante uma apresentação audio-oral no curso Economia no Cinema e na Música: Cidadania e Cultura Brasileira meus alunos me apresentaram o vídeo acima, chamando atenção para o sucesso da música latina. Embora eu aprecie muito reggae, ska, rock steady, dub, entre outros ritmos jamaicanos, caribenhos ou latinos, o reggaeton eu ainda não conhecia. Depois de ver o vídeo, fiz um comentário de macho, mas não machista, o contrário da misoginia (a repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres): — “Gostei mais da moça do vídeo do que da música…” 🙂

Anna Nicolaou (Valor, 21/07/17) reporta que, a cada primavera, executivos do setor fonográfico recrutam candidatos à música do verão. Abrem, com isso, ricos filões de marketing na esperança de obter um sucesso onipresente em restaurantes, rádios e sistemas de som de carros.

A principal canção participante deste ano tem uma origem impensável: uma música em espanhol inspirada no reggaeton, gravada por Luis Fonsi, um cantor porto-riquenho de 39 anos conhecido por baladas românticas lentas, com a participação de Daddy Yankke, um “rapper” porto-riquenho.

Em poucas semanas, “Despacito“, distribuída pela Universal Music, da Vivendi, se propagou de discotecas colombianas a shoppings de Londres, encabeçando as listas dos maiores sucessos em 35 países, do Reino Unido até a Rússia. No dia 19 de julho de 2017, a canção alcançou um novo marco: 4,6 bilhões de acesso em serviços de música pela internet como o Spotify — o maior número da história do “streaming” de música digital.

O fato de a canção de maior sucesso do mundo ser um lançamento em espanhol pela primeira vez em décadas não é uma coincidência, dizem executivos. Em vez disso, o sucesso de “Despacito” reflete a realidade da distribuição de gravações em 2017. Continue reading “Hit Latino Global: Maior Número de Acessos do “Streaming” de Música Digital.”

Do Country ao Caipira: Percurso de Conhecimento e Empatia

Fui aluno bolsista, escolhido por concurso e com exigência de mérito para manter a bolsa de estudos, durante minha graduação na FACE-UFMG. Inesquecível foi receber a primeira bolsa e correr à loja para comprar meu primeiro disco: Willy and the Poor Boys, lançado em 1969 pela banda de country rock californiana Creedence Clearwater Revival.

Gostava dessa fusão do rock com a música country, um verdadeiro revival, pois o Rock and Roll, antecedente do rock, tinha nascido de uma combinação do Rhythm and Blues com a música Country and Western, uma fusão evidente no rockabilly dos anos 1950. Anotei, então, meu primeiro (e último) “modelo de economista”: R&R = R&B + C&W. 🙂

Essa paixão pelo rock me despertou o desejo de conhecer suas raízes. Quando o blues rural afrodescendente, em versão urbana com guitarras elétricas, reuniu-se com a música rural dos brancos pobres e/ou cowboys do Oeste, teve início uma revolução nos costumes – e na tolerância étnica. Essa miscigenação resultou em música popular norte-americana tão boa quanto a brasileira, pois ambas compartilharam as mesmas raízes nos ritmos africanos. Continue reading “Do Country ao Caipira: Percurso de Conhecimento e Empatia”

Economista Panfletário de Direita: Ódio Antipetista em Lugar de Ideias Originais

Prometo que, por ora, será a última, pois não suporto mais qualquer leitura de entrevistas dos economistas defensores do Capitalismo de Livre-Mercado, aquele ser fictício (ou inexistente) que ninguém nunca viu em tempo algum e lugar nenhum.

Desta feita, comento as poucas ideias de um obsessivo publicador de panfletos contra a Nova Matriz Macroeconômica e em defesa da Velha Matriz Neoliberal: o economista Renato Fragelli, da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para ele, um antipetista radical, eleitor preferencial de Boçalnaro (sic), “o problema do gigantismo do Estado é um dos principais fatores que explicam a promiscuidade entre o setor privado e o sistema político no Brasil, e foi ainda mais ampliado nos governos do PT”!

Soberania nacional, para ele, não existe. “A mudança no marco regulatório do petróleo, ao reservar à Petrobras o papel de operadora única do pré-sal, ampliou as oportunidades para a promiscuidade. Após a gigantesca capitalização de 2010, a Petrobras ficou cheia de dinheiro para distribuir aos amigos do poder”, afirma Fragelli, para quem a injeção pelo Tesouro de cerca de 10% do PIB no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi na mesma linha. Ele ignora com má-fé a importante atuação anticíclica do Banco, investindo em infraestrutura (energia e mobilidade urbana em destaques), sustentando o PIB e baixando a taxa de desemprego.

Para combater esse problema, o economista diz que é fundamental reduzir o tamanho do Estado, com privatização generalizada. “Por que o país precisa de uma estatal do petróleo? Como se viu no petrolão, a Petrobras não foi capaz de proteger o cidadão que a sustenta.” [A direita moralista, agora, adotou essa tese supostamente moralizante: a volta da privataria tucana!]

Outro motivo para a relação promíscua entre empresas e o sistema político é o caráter fechado da economia brasileira, afirma Fragelli, para quem o problema também se acentuou nos governos petistas. [Eu não disse que ele é obcecado com o PT?! E não pondera tudo mais de muito pior na política brasileira…] Ignora que foi o único período seguido de cinco anos de superávit no balanço de transações correntes.

“Quando o Estado fixa índices de nacionalização ousados na indústria petrolífera, há majoração de preços por fornecedores agraciados pelas regras, o que é regiamente retribuído sob forma de propina aos legisladores que instituíram o privilégio.”

Por fim, também causa problemas a legislação partidária e eleitoral, ao estimular a multiplicação de partidos e elevar o custo das campanhas. “Com duas dúzias de partidos representados no Congresso, o governo só consegue angariar apoio à sua agenda legislativa distribuindo cargos na mastodôntica máquina administrativa federal e em empresas estatais”, diz Fragelli. Segundo ele, os muitos indicados políticos, “que ocupam postos e comandam verbas, extorquem os fornecedores do Estado” com o objetivo de financiar campanhas caras, além de guardarem para si “parte do butim”.

Na entrevista concedida a Sérgio Lamucci (Valor, 30/05/17), Fragelli também fala da nova crise política. Para ele, sem a aprovação da reforma da Previdência, não haverá a recuperação sustentada do emprego, um dos motivos pelos quais Michel Temer precisa sair da Presidência. O outro é de ordem moral: “Um presidente que recebe um notório corruptor na calada da noite, fora da agenda presidencial, e o ouve relatar crimes, tinha a obrigação de denunciá-lo aos órgãos competentes”, diz Fragelli, ao comentar a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, de uma conversa com Temer. É o único consenso, por motivos distintos, entre a direita e a esquerda brasileira: Fora, Temer!

Reproduzo abaixo apenas as partes que apresentam a visão de Capitalismo de Livre-Mercado, idealizado pelos neoliberais, mas jamais implantado em lugar nenhum, nem lá nos States, onde os PhDeuses fizeram a lavagem cerebral.

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E agora, Armínio? Quer ir para Aecim, Aecim não há mais…

Dando a continuidade à série de posts “para tentar entender a cabeça de economistas da direita“, cuja leitura provoca muitas vezes enjôo, náuseas ou mesmo vômito, vamos neste analisar o pensamento do ex-futuro Ministro da Fazenda do ex-futuro presidente da República, o Aecim da Casta dos Aristocratas Governantes, herdeiro de dinastia de São João D’ El Rey das Minas Gerais, aquele que toma “empréstimo” forçado pelo credor, o açougueiro da JBS. Para Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, a eventual saída de Michel Temer da Presidência da República não vai atrasar a recuperação da economia, cujo ritmo está sendo ditado pelo processo sucessório de 2018 e suas incertezas.

“O econômico, agora, não é tão importante”, disse ele. “O mais importante é que as instituições funcionem” e resolvam a crise política e moral sem apelar para a economia. “Se houver perda de credibilidade nas instituições, porque elas estão agindo de forma errática, será mais grave”, salientou. Na sua opinião, a situação de Temer deteriorou-se bastante após a divulgação da gravação e da delação de Joesley Batista, da JBS.

Em entrevista a Cláudia Safatle (Valor, 12/07/17), Arminio lançou ao debate a ideia de ampla privatização das empresas estatais, inclusive da Petrobras e do Banco de Brasil, velhas joias da coroa tratadas como tabus quando o assunto é privatização. Veja com ele não se coloca como membro da casta dos sábios-intelectuais orgânicos, mas sim como um verdadeiro membro da casta dos mercadores-financistas. O que ele quer é oportunidade para fazer um bom negócio, para si e para seus clientes dos quais é o “testa-de-ferro”!

“Se não estava claro até o caso da Petrobras, agora não pode haver mais dúvida de que esse modelo de estatal é muito vulnerável, cheio de problemas e precisa ser repensado. Eu não vejo, sinceramente, justificativa para se ter empresa estatal. Nenhuma“, disse ele, referindo-se ao propinoduto instalado na Petrobras e desvendado pela Operação Lava-Jato. Que visão de história! Que visão de futuro para o Brasil! Sem Estado, seja Estado empreendedor, seja Estado-de-Direito!

Se Temer for substituído pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como desfecho do processo que corre no Congresso e no Judiciário, Armínio defende a permanência da equipe econômica liderada por Henrique Meirelles durante esse período. “Isso seria o ideal”, disse. O que lhe importa é apenas manter os representantes diretos de sua casta lá no Planalto Central, “dando as cartas”, favoráveis aos empresários, desastrosas aos trabalhadores!

Quanto à possibilidade de vir a ocupar o cargo de Ministro da Fazenda em alguma administração futura, ele responde que já esteve por duas vezes no governo e não tem intenção de voltar. “Muito menos” de vir a ser um eventual candidato à Presidência da República, como um dia sugeriu Larry Summers, economista e ex-secretário do Tesouro americano. Não é de dar vômito a subserviência aos próceres estrangeiros por parte dos PhDeuses formados lá nos States?!

A seguir, a pesquisa se nessa entrevista ele fala algo relevante e/ou original sobre o futuro do País: Continue reading “E agora, Armínio? Quer ir para Aecim, Aecim não há mais…”

Cabeça da Casta dos Mercadores-Financistas

Luis Stuhlberger, gestor do Verde, um dos fundos mais antigos e bem-sucedidos do mercado brasileiro, vem carregando uma visão pessimista do país. O motivo, talvez, seja o que ele chama de “ilusão de ótica” e sua aparente sensação de normalidade. Enquanto O Mercado 3 Os (Onipotente, Onisciente e Onipresente) continua a ver a situação do Brasil como “um copo meio cheio”, o que Stuhlberger consegue enxergar, diante da situação fiscal, econômica e do presidencialismo de coalizão adotado por aqui, é um copo muito prestes a transbordar — e no sentido negativo da metáfora. A gota d’água, no entanto, é difícil saber qual será e quando virá.

O Verde, com patrimônio de R$ 20,8 bilhões, e seu gestor garantiram assento no “olimpo” do mercado de fundos brasileiro com um histórico de sucesso. Desde o início, em janeiro de 1997, até maio deste ano, o ganho acumulado foi de 14.176,66%, enquanto o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ficou em 1.811,19%. O fundo, que completou 20 anos em janeiro, só em dois deles teve rentabilidade inferior ao CDI. Em 2008, o retorno ficou no terreno negativo. Neste ano, a rentabilidade do fundo até maio não vai bem: 2,13% contra um CDI de 4,81%.

O gestor seu fundo tende a ter “retornos pobres”. Isso porque ele não consegue ter aquilo que sempre o levou aos grandes movimentos — e ganhos: “Eu não tenho uma grande convicção, então prefiro não fazer muita coisa”.

Praticamente metade da carteira hoje está em NTN-Bs de prazos mais curtos, que pagam uma taxa pouco acima de 5,5% enquanto ele vê um juro real de equilíbrio na casa dos 4% para os próximos um a dois anos. Na visão do gestor, o lado bom do Brasil hoje é o cenário de juro mais baixo, ainda que por conta do ambiente fortemente recessivo.

A seguir, os principais pontos da entrevista concedida a Alessandra Bellotto e Catherine Vieira (valor, 23/06/17). Ela é representativa da visão de País que [não] possui a casta dos mercadores-financistas. Submissa a O Mercado controlado de fora. Oportunista. Ou pragmática e aética?

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Defesa Ultraliberal da Lei de Say

Per Bylund foi consultor de negócios na Suécia e hoje é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e professor na Hankamer School of Business, da Baylor University, no Texas. Encontra-se no site Mises Brasil seu artigo, postado em 11 de julho de 2017, em que ele defende a Lei de Say como esta fosse natural como a Lei da Gravidade… Mas a reduz à Lei da Oferta e Demanda. 🙂

A ideologia ultraliberal torce (para Mises) e distorce (o pensamento de Keynes) no intuito de apregoar sua fé infinita no Capitalismo de Livre Mercado. Alguém já viu este em algum lugar e/ou em qualquer tempo?! Ele só existe nas cartilhas de seus ideólogos – e nos discursos da casta dos mercadores quando interessa que o Estado lhe ceda mercados sem nenhuma regulação para explorar trabalhadores e consumidores.

Vamos à catilinária ultraliberal com acusação violenta e eloquente contra Keynes. É uma imprecação, denúncia acerba e arrogante, defendendo o indefensável: a Lei de Say em uma economia monetária! Continue reading “Defesa Ultraliberal da Lei de Say”

Livro Verde do BNDES

No ano em que faz 65 anos, com a divulgação do Livro Verde, o BNDES toma a iniciativa de fazer uma prestação de contas à sociedade brasileira acerca de sua atuação ao longo do atual século, no período 2001-2016.

A publicação se destina a um duplo propósito. Por um lado, expor o conjunto de temas controversos que cercaram a atuação da instituição nesse período. Por outro, apresentar uma espécie de relatório, na forma de um balanço, de forma integrada e abrangente, de sua atuação em diversos campos ao longo desses 16 anos.

O arquivo disponível poderá sofrer alterações até o lançamento da versão final.