Herança Maldita para um próximo Governo Social-Desenvolvimentista

Marsílea Gombata e Anaïs Fernandes (Valor, 14/10/21) avaliam: a pandemia deixou marcas na economia brasileira que devem se estender pelos próximos anos e levar a desdobramentos que pesarão sobre o produto potencial do país. Mais do que aprofundar a crise pela qual o Brasil passava antes da covid-19, a pandemia pode ter prejudicado em caráter mais duradouro a alocação de recursos, a produtividade e a capacidade de crescimento, dizem economistas.

Diferentemente do que se temia no início da crise sanitária, as cicatrizes não se dão tanto no sentido de perda de capital, com fechamento de empresas, mas no que diz respeito à recuperação do emprego e às perdas de aprendizado com escolas interditadas.

“Não houve fechamento de muitos negócios, como se temia, o que levaria à destruição do estoque de capital e a uma retomada mais lenta no pós-pandemia. Isso foi evitado, as empresas mostraram capacidade de resiliência tremenda e medidas de liquidez ajudaram a atravessar isso sem muitos danos estruturais”, diz Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs. “Mas vamos sair da pandemia extremamente endividados, tanto o governo quanto as famílias, o que levará a um crescimento com debilidade pela frente.”

Há cicatrizes no mercado de trabalho, sofrendo desde a crise de 2014. “Houve contração de proporções bíblicas no mercado de trabalho, que já mostrava ociosidade. Há uma franja de desemprego de longa duração expressiva, com pessoas sem trabalho há anos, o que deve pesar sobre o crescimento.”

Continuar a ler

“Tempestade Perfeita”: Crise Pandêmica Sistêmica

Joe Biden obteve promessas do Walmart e das empresas de remessas UPS e FedEx de que aumentarão seu expediente de trabalho para tentar atenuar os gargalos da cadeia de suprimentos que estão emperrando as recuperações econômicas dos EUA e mundiais.

As três empresas se comprometeram a adotar um modelo de 24 horas e sete dias por semana de trabalho, como parte de um esforço para eliminar o descompasso entre o forte crescimento da demanda e a recuperação mais lenta da oferta e atenuar a escassez.

Autoridades do governo Biden observaram que, juntas, a UPS e a FedEx, remeteram 40% das encomendas americanas, em termos de volume em 2020, e que sua iniciativa levará outras a fazer o mesmo. Elas também solicitaram a Target, a Home Depot e a Samsung para adotar medidas para tirar mais contêineres dos portos.

O governo Biden tem pressionado empresas de frete ferroviários, transporte rodoviários e de portos a aumentar sua capacidade a fim de atender à demanda crescente. Mas muitos enfrentaram dificuldades para encontrar mão de obra suficiente e a escassez de espaços de armazenagem próximos aos portos exacerbou os gargalos.

As perspectivas para a economia mundial estão mais sombrias, com uma série de dados da Europa e da Ásia sugerindo que o crescimento foi mais fraco no terceiro trimestre, afetado pelos problemas com cadeias de suprimentos globais, forte aceleração da inflação e impacto da variante delta da covid-19, altamente contagiosa.

Da Suécia ao Reino Unido e da Alemanha ao Japão, portos congestionados e gargalos no fluxo mundial de matérias-primas e componentes abalaram os fabricantes, interrompendo a produção das fábricas e levando as empresas a alertarem seus clientes que terão de esperar por produtos de que precisavam com urgência.

Dados divulgados ontem mostram que o Reino Unido – uma das poucas grandes economias a publicar mensalmente números sobre seu PIB – teve uma modesta expansão de 0,4% em agosto, depois de contrair em julho.

Continuar a ler

Legado de Governos do PT: Investimentos para Extração de Petróleo do Pré-Sal

A produção nacional de óleo e gás caiu 0,44% em setembro, em relação a agosto, para 3,839 milhões de barris diários de óleo equivalente (BOE/dia), segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Este foi o segundo mês consecutivo de baixa no indicador. Na comparação anual, por outro lado, houve um aumento de 3,9% nos volumes, sustentado, sobretudo, por novos recordes do pré-sal.

Ao todo, a extração na camada abaixo do sal foi de 2,85 milhões de BOE/dia em setembro, um crescimento de 2,9% em relação ao mês anterior e de 10% na comparação anual. A produção no pré-sal representou 74,1% da produção nacional – o maior percentual da história.

O aumento gradual (ramp-up) do FPSO (plataforma flutuante) Carioca, tendo entrado em operação em agosto, no campo de Sépia, ajuda a explicar, em parte, a marca histórica das operações no pré-sal.

Segundo a ANP, a produção acumulada no pré-sal, desde a descoberta de Tupi (ex- Lula), em abril de 2009, soma 5,02 bilhões de barris de óleo equivalente. Esse número já ultrapassou, por exemplo, toda a produção acumulada em campos terrestres desde 1941, de 4,96 bilhões de barris óleo equivalente.

Continuar a ler

Direito à Resposta na Imprensa Partidarizada

Guilherme Mello: Professor do IE-Unicamp (Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas), coordenador do programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico do IE-UNICAMP e coordenador do Núcleo de Economia ligado a Fundação Perseu Abramo

Eduardo Fagnani: Professor colaborador do Instituto de Economia da Unicamp

Aloizio Mercadante: Doutor em economia, é presidente da Fundação Perseu Abramo, ex-deputado e senador (PT-SP), ex-ministro de Ciência e Tecnologia e da Educação e ex-chefe da Casa Civil da Presidência (Dilma Rousseff)

“No final de semana, a Folha publicou o artigo “Lula presidente?”, do economista Rodrigo Zeidan, no qual o autor comenta a possibilidade de sucesso de um novo governo Lula e deixa claro que prefere uma suposta “terceira via”. Na conclusão, diz que o saldo dos governos petistas foi negativo e acusa a esquerda de incompetência.

Cada cidadão brasileiro tem o direito de ter suas preferências políticas. Mas isso não autoriza a distorcer os dados e a história para forçar a realidade e se enquadrar nas suas preferências ideológicas. Assim só se criam narrativas fantasiosas que tantas vezes enganam o cidadão eleitor.

Não há dados que sustentem a surrada narrativa de que o sucesso do estilo de desenvolvimento distributivista dos governos petistas tenha sido um sucesso apenas no primeiro governo Lula. Para ‘demonstrar’ seus desejos, o autor ignora completamente a rápida superação da crise de 2008-2009, a saída do mapa da fome, a contínua redução da pobreza, da miséria e do desemprego, todas conquistas posteriores a 2007.

Luiz Inácio Lula da Silva – Ueslei Marcelino – 08.out.2021/Reuters

Continuar a ler

Mercado de Trabalho nos EUA: Falta de Mão-de-Obra

censo-nos-eua-2010

A falta de mão de obra está se tornando um problema constante da economia dos EUA, fator que está remodelando o mercado de trabalho e levando as empresas a se adaptar elevando os salários, reinventando os serviços e investindo em automação.

Após mais de um ano e meio de pandemia, os EUA ainda estão com 4,3 milhões de trabalhadores a menos. Isso mostra quão maior seria o mercado de trabalho americano se a taxa de participação – a parcela da população de 16 anos ou mais que está ocupada ou procurando emprego – tivesse voltado ao nível de 63,3% de fevereiro de 2020. Em setembro, essa taxa estava em 61,6%.

A falta de trabalhadores ocorre num momento em que os empregadores americanos enfrentam dificuldades para preencher mais de 10 milhões de novas vagas e para atender à disparada da demanda de consumo. Em outro sinal do grau de aperto por que passa o mercado de trabalho, os pedidos de seguro-desemprego – um indicador das demissões em todo o território americano – caíram para 293 mil no começo do mês, a primeira vez desde o início da pandemia em que recuaram para abaixo de 300 mil, segundo o Departamento do Trabalho.

A participação caiu de maneira generalizada, em todos os grupos demográficos e campos profissionais, mas recuou especialmente entre mulheres, trabalhadores sem curso superior e os que operam em setores de serviços de baixa remuneração, como hotéis, restaurantes e atenção à infância.

Continuar a ler

Estratificação Social e Moradia em São Paulo

Ana Luiza Tieghi (FSP, 17/10/21) informa: em São Paulo, apenas os 10% mais ricos conseguem comprar um imóvel de valor mediano. Custa cerca de R$ 600 mil.

Os dados são da plataforma de inteligência de mercado Urbit. Criou um índice para verificar a acessibilidade financeira dos imóveis na cidade, comparando a renda dos paulistanos com o valor dos apartamentos.

Segundo a pesquisa, um casal com dois filhos com uma renda mediana consegue comprar um imóvel de até R$ 190 mil. Uma pessoa ao morar sozinha tem poder de compra para um imóvel de até R$ 110 mil.

Nenhum bairro da cidade tem apartamentos com três ou quatro quartos que caibam nesse orçamento, e a oferta de imóveis de até R$ 190 mil está concentrada em apartamentos de um dormitório.

A renda mediana, ou seja, no meio entre a porção de renda mais baixa e mais alta da cidade, foi estimada em R$ 3.887 para um casal com dois filhos e em R$ 2.390,93 para quem vive sozinho. Na média de São Paulo, uma pessoa que vive só precisa acumular o equivalente a 14 anos de salário para comprar um imóvel de um quarto. A situação é ainda pior para o casal com dois filhos, que precisa juntar 25 anos de trabalho, sem outros gastos, para comprar um imóvel de 3 ou 4 quartos.

Continuar a ler

Risco de Pobreza

Crianças e adolescentes pobres no Brasil sofrem não apenas por causa da renda mais baixa, mas por causa da fragilidade dessa renda. Estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, mostra que os domicílios pobres apresentam características que deixam a renda da família ainda mais vulnerável, se comparados com os lares dos 20% com mais renda no país. São questões como parcelas maiores de trabalhadores ocupados sem carteira assinada e por conta própria, menor fatia dos que contribuem para Previdência e uma menor participação da renda proveniente do trabalho.

Nesses domicílios com crianças pobres, 31,2% dos trabalhadores ocupados de 18 a 64 anos eram contribuintes de instituto de previdência em 2019, frente a taxa de 87% nos lares de maior renda. Já o percentual de trabalhadores sem carteira assinada era de 34,7%, ante 6,5% do outro grupo. A parcela dos que trabalham por conta própria também é bem superior: 35,1% contra 18,6%.

Existe uma outra dimensão de pobreza que precisa ser acompanhada no país – que vai além dos brasileiros hoje atendidos pelos programas sociais, como o Bolsa Família. Um dos aspectos que preocupam especialistas é a instabilidade de rendimentos dos brasileiros de renda mais baixa, o que traz consequências não apenas naquele momento de dificuldades, mas também para as perspectivas de futuro dessas famílias.

Há um grupo enorme não incluído dentro dos critérios de elegibilidade de programas sociais, mas com grande volatilidade de renda. Vimos isso na pandemia.

Continuar a ler

Reforma Fiscal: Solicitar aos Representantes dos Isentos para Pagar Impostos sobre Lucros e Dividendos

É proverbial a autocrítica da Giordano Bruno diante da Igreja Católida: — Minha ingenuidade foi pedir a quem tem poder para mudar o poder!

A pandemia produziu, do ponto de vista tributário, o casamento de duas discussões: uma de que é preciso reverter a desigualdade; e é, também, preciso fornecer recursos para que o setor público possa administrar o crescimento da dívida pública decorrente da pandemia. Isso trouxe desdobramentos.

Nos Estados Unidos, o governo Biden, por exemplo, refez o pacote de redução da carga tributária das empresas patrocinado pelo seu antecessor, Donald Trump, para aumentar a arrecadação e propôs o imposto mínimo global – que foi a primeira iniciativa de um mecanismo global de tributação, citou Manoel Pires.

A tendência nos anos de 1980 foi de revisão dos impostos sobre as empresas e os muito ricos, sob a ideia de que tributá-los demais produziria crescimento de menos, na medida em que o Estado se apropriava de recursos que deveriam financiar novos investimentos privados. A partir da crise de 2008/2009, porém, surgiram pesquisas que atestaram que esse modelo não gerou mais investimentos, segundo o economista; gerou, sim, mais desigualdade, completou.

Aqui, a discussão também se trava diante de uma dívida pública elevada como proporção do PIB. No curtíssimo prazo, o governo se vê sob uma grande pressão orçamentária e, em meio a isso, ele apresentou um pacote de alterações do Imposto de Renda. O foco do projeto do IR era a tributação dos lucros e dividendos recebidos pelos acionistas e uma alíquota menor do imposto sobre as empresas.

Continuar a ler

Transdisciplinaridade: Baixe o Livro

Este livro-resenha teria sido escrito a várias mãos, caso fosse resultante do encontro direto dos autores. Não sendo essa ambição possível, na realidade pessoal, embora possa ser imaginada, na realidade consensual, desenvolvi aqui minha atualização de leitura de livros recém-lançados, em inglês, e escrevi seus resumos para memorizar suas ideias principais. Fiz até certo ponto um esforço mais longo, face ao inicialmente pretendido, para obter esse trabalho cooperativo de juntar novas ideias na criação deste livrotexto de referência didática

Então, cada ideia apresentada aqui, nos distintos níveis de realidade onde se insere (realidade objetiva e realidade consensual, senão realidade pessoal), deve ser compreendida como fruto de uma criação coletiva – não é um trabalho autoral ou pessoal. A mistura consistente de ideias transdisciplinares gera criatividade.

Sob a forma de capítulos, fiz resumos das obras escolhidas, seja de autoria individual, seja de dupla de autores. Coerentemente com seu título, essa inteligência coletiva seria uma forma coerente de expressar o modo transdisciplinar de relacionamento e pensamento dos autores de áreas de conhecimento distintas: médica, física, de cientista de dados, tecnologia de informações, economia, etc. 

Continuar a ler

Catraca Livre: 15 sites para baixar livros gratuitamente

opções de leitura gratuita:

1. Universia

Reúne mais de mil arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.

2. Open Library ou Library Genesis

http://libgen.rs/

Projeto com pretensão de catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em diversos idiomas.

3. Brasiliana

O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.

4. Blog Midia8

Página reúne mais de 200 links de livros sobre comunicação em português, inglês e espanhol para ler online e fazer download.

5. Casa de José de Alencar

A Biblioteca Virtual do site do pai do romance brasileiro disponibiliza para download gratuito 14 de suas obras, incluindo romances e peças de teatro.

6. Read Print

Essa espécie de livraria virtual oferece mais de 8 mil títulos em inglês para estudantes, professores e entusiastas de clássicos.

7. Biblioteca Digital de Obras Raras

O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.

8. Portal Domínio Público

Biblioteca virtual criada para divulgar clássicos da literatura mundial, oferece download gratuito de mais de 350 obras.

9. Amazon

A gigante americana que conta com preços agressivos, disponibiliza milhares de e-books gratuitos.

10. Biblioteca Nacional de Portugal

Entre os destaques do portal está um site dedicado ao escritor José Saramago. Nele estão disponíveis manuscritos do autor.

11. Machado de Assis 

Criado pelo MEC, o site disponibiliza a obra completa do escritor – em pdf ou html – para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.

12. Biblioteca Mundial Digital

Oferece milhares de documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.

13. Dear Reader

Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber  diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.

14. eBooks Brasil

Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.

15. Projeto Gutenberg

Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.

Bônus:

Unesp Aberta

Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita”, o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está aberto para consulta em diversos formatos.

VEJA TAMBÉM: 10 clássicos da literatura brasileira para ler de graça

VEJA TAMBÉM: Amazon disponibiliza gratuitamente centenas de livros acadêmicos

Uso Político do Microcrédito pelo Populismo de Direita

Lauro Gonzalez (Valor, 06/10/21) escreveu artigo pertinente sobre tema no qual fui divulgador, publicando artigos na Folha de S.Paulo na virada para a primeira década deste milênio. Compartilho-o abaixo.

“Notícias recentes mostram que oportunismo e captura política rondam o microcrédito no Brasil. O presidente do Banco do Nordeste (BNB) acaba se ser exonerado em meio “à disputa política pela área que cuida do programa de microcrédito”.

Segundo consta, a troca no comando do banco teria ocorrido a partir de denúncias do ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL e figura carimbada no álbum das CPIs recentes. Costa Neto descobriu agora um contrato entre o BNB e a ONG Instituto Nordeste de Cidadania (Inec), que operacionaliza o Crediamigo, maior programa de microcrédito urbano do Brasil, com cerca de 2,4 milhões de clientes.

Qualquer pedido de esclarecimento sobre o contrato precisa ser imediatamente atendido pelas partes envolvidas. Entretanto, para quem acompanha o árido caminho das microfinanças no Brasil, o episódio suscita curiosidade exatamente pela ausência de informação sobre quais seriam os problemas, uma vez que a parceria entre o BNB e o Inec se iniciou em 2003.

Um dos resultados importantes dessa parceria foi a realização de elevados investimentos para a criação de uma força de agentes de crédito que são imprescindíveis para operacionalização do Crediamigo. Vários desses agentes são inclusive contratados por bancos e fintechs interessados em atuar no microcrédito. Portanto, é preciso explicitar o que há de errado, sob pena de “jogar a criança junto com a água do banho”.

Continuar a ler

Pensamento (Conservador) Antiliberal

Para não ser sempre masoquista, eu também fico feliz em ler meu estimado ex-professor Luiz Gonzaba Belluzzo. Em sua coluna (Valor, 05/10/21), ele publicou mais um belo artigo, onde demonstra sua vasta cultura e erudição com sofisticado estilo de escrita. É um cavalheiro elegante ao dar suas estocadas nos rudes conservadores. Comenta, com razão, ser muito assustadora a indigência cultural de quem se vê acima dos cidadãos livres e iguais em sua diversidade.

Instigado (ou provocado?) pelo avanço do pensamento conservador no Brasil e no mundo, cuidei de me entregar à releitura do livro de Karl Mannheim sobre o tema. “O Pensamento Conservador” é mais uma obra que enriquece os estudos do grande sociólogo, considerado o patrono da sociologia do conhecimento. Os leitores devem saber que ele escreveu um livro fundador – “Ideologia e Utopia” – para o desvendamento das raízes sociais e culturais do pensamento nos mundos da modernidade.

Mannheim morreu em 1947 aos 55 anos, na aurora do período mais glorioso e igualitário do capitalismo na Europa e nos Estados Unidos. Entre outras obras, escreveu os clássicos “Ideologia e Utopia” e “Ensaios Sobre a Sociologia da Cultura”. No livro “Liberdade, Poder e Planejamento Democrático”, publicado postumamente, cuidou do papel da educação no fortalecimento das democracias que acordavam dos pesadelos totalitários dos anos 1930.

Continuar a ler