Calculadora da Desigualdade

Calculadora da Desigualdade

A Calculadora da Desigualdade, feita por Oxfam e por Ojo Público, permite a qualquer pessoa de 16 países da América Latina comparar sua renda familiar com o que ganham os multimilionários desses mesmos países. Nela, também é possível comparar as faixas de renda existentes e ver como a desigualdade está cada vez mais presente na região.

Mais detalhes sobre os conceitos e metodologias utilizados estão disponíveis no link “Como foi feito?

Todos os dados usados para os cálculos apresentados estão presentes no relatório “Privilégios que negam direitos”:

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Compare aqui a sua renda familiarCalculadora da Desigualdade Continue reading “Calculadora da Desigualdade”

A Volta dos Neoliberais Mortos-Vivos

2015 foi o ano do retorno da Velha Matriz Neoliberal. Sem palavras para comentar a crítica dos economistas da direita dirigida aos heterodoxos, já que os ortodoxos não dimensionam a besteira que falam em defesa do argumento que o ajuste fiscal em 2015 não foi depressivo. Basta ver a ilustração gráfica dos números abaixo…  Os ortodoxos continuarão brigando contra os números?!

PIB per capita 2000-2015PIB corrente - real - variação 1994-2015
PIB em R$ do último anoPIB em dólares 1994-2015PIB per capita 2000-2015Taxas de Crescimento do PIB 1962-2015

Qual Político Ocupará Um Lugar Digno na História do Brasil?

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Trechos inesquecíveis da Carta-testamento de Getúlio Vargas, 24 de agosto de 1954:
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. (…) 

Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. (…) 

Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história“.

Como isso foi parar lá

Você sabe quem foi o Café Filho? Nas eleições de 1950, o governador de São Paulo Ademar de Barros impôs o nome de Café Filho à vice-presidência como condição de apoiar a candidatura de Getúlio Vargas. Getúlio resistiu já que o nome de Café Filho desagradava os militares, que o consideravam um político de tendências esquerdistas, e e a igreja católica, pois ele era protestante.

Isto porque Café Filho foi contra a aplicação da Lei de Segurança Nacional em 1935. Em 1937, denunciou o Plano Cohen como uma tapeação militar para legitimar a ditadura do Estado Novo. No parlamento, fazia campanha contra o cancelamento do registro do PCB e a extinção do mandato dos parlamentares comunistas, além de ser defensor do divórcio. Mesmo companheiro de chapa, Getúlio nunca confiou em Café Filho por causa de seu passado. “Esquerdista”?!

Nas eleições de 1950 a escolha do vice era desvinculada do presidente. Mesmo assim, Café Filho foi eleito vice-presidente com uma diferença de 200 mil votos para o segundo colocado, Odilon Duarte Braga, da União Democrática Nacional (UDN). [Sigla inspiradora do comportamento de ave em vias de extinção política.]

Após o “tiro-no-pé” do atentado da rua Tonelero, o país entrou em grave crise política. Café Filho sugeriu, então, a Getúlio Vargas, que ambos renunciassem ao governo simultaneamente, abrindo as chances para um governo interino de coalizão.

Getúlio Vargas consultou o ministro da justiça, Tancredo Neves [avô de um tucano mineiro que será golpeado pelos tucanos paulistas], que recomendou rejeitar o plano, afirmando que era um golpe de Café Filho. Getúlio avisou a Café Filho que não renunciaria. Café Filho respondeu que, rejeitada sua proposta, não devia mais lealdade a Getúlio: “Caso o senhor deixe desta ou daquela maneira este palácio, a minha obrigação constitucional é vir ocupá-lo.” Já ouviram esse argumento de um vice-presidente traidor e golpista? Há de temer tal ambiçãoContinue reading “Qual Político Ocupará Um Lugar Digno na História do Brasil?”

Debate: Retórica da Ortodoxia

Luiz Fernando de Paula

ELIAS M. KHALIL JABBOUR, 40, é professor-adjunto na área de teoria e política do planejamento econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. LUIZ FERNANDO DE PAULA, 56, é professor titular da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e ex-presidente da Associação Keynesiana Brasileira. Publicaram artigo (FSP Ilustríssima, 21/08/2016) em resposta à provocação da direita ortodoxa em Economia.

RESUMO O texto procura rebater críticas aos economistas heterodoxos formuladas por Marcos Lisboa e Samuel Pessôa em artigo publicado no caderno (“As razões da divergência“, 17/7 – http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/07/1792072-no-brasil-direita-e-esquerda-tem-objetivos-semelhantes.shtml ). Entre outros argumentos, os autores apontam o uso de exercícios retóricos que os dois economistas consideram típicos dos desenvolvimentistas.

Em artigo publicado nesta “Ilustríssima“, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa afirmam que, enquanto os economistas tradicionais preferem a evidência dos dados, os heterodoxos desprezam os métodos estatísticos e partem aprioristicamente das conclusões, depreendendo que “nos principais centros da academia internacional, o debate deve ser resolvido pela evidência estatística dos dados disponíveis”.

Ainda segundo os autores, os primeiros consideram que o desenvolvimento econômico decorre da produtividade, ao passo que os heterodoxos –em especial na vertente estruturalista– sustentam que ele resulta do crescimento de atividades produtivas específicas, estimuladas por políticas setoriais.

Argumentam ainda que, para muitos heterodoxos brasileiros, o gasto público é sempre eficaz caso a economia se encontre em recessão, como em 2015 –ao que eles se contrapõem sustentando que, na realidade, a expansão dos gastos públicos nos últimos sete anos contribuiu para a crise atual.

A “miséria da ortodoxia“, não muito longe da crítica de Marx à “filosofia da miséria” de Proudhon, incorre nos seguintes pontos:

1) uso e abuso da retórica, que os autores condenam sob o mantra da “neutralidade” e “objetividade científica”;

2) desenvolvimento de uma visão deturpada e simplificada da heterodoxia econômica; e

3) generalizações claramente apriorísticas partindo de fatos e experiências específicas.

Como veremos a seguir, esses fatores estão relacionados entre si. A negação recorrente de um fato, método ou até mesmo de um fenômeno pode ser prelúdio de ato repetitivo daquilo que se tenta negar. Continue reading “Debate: Retórica da Ortodoxia”

Debate: Funcionamento da Economia segundo a Direita e a Esquerda

Samuel Pessoa

MARCOS DE BARROS LISBOA, 51, é doutor em economia pela Universidade da Pensilvânia, é presidente do Insper, e SAMUEL PESSÔA, 52, é doutor em economia pela USP, é pesquisador da FGV e colunista da Folha. Ambos publicaram o artigo abaixo (FSP, 17/07/16), típico da direita ortodoxa para chatear a esquerda heterodoxa. Receberam um artigo-resposta de LUIZ FERNANDO DE PAULA e ELIAS M. KHALIL JABBOUR que será postado em seguida.

Quanto à minha opinião sobre o debate entre economistas brasileiros, expressei em: Querelle des Écoles.

RESUMO  Os autores ortodoxos argumentam que entre nós, a diferença entre direita e esquerda na economia decorre de maneiras distintas de entender seu funcionamento. Ao contrário do que se vê em nações ricas, aqui as diferenças são mais de natureza positiva (como o mundo funciona), do que normativa (qual é o mundo desejado).

“O debate sobre política econômica nas principais economias decorre da contraposição de objetivos. Alguns preferem países mais igualitários, ainda que isto signifique menor crescimento econômico. Outros, por sua vez, aceitam maior desigualdade em troca de maior crescimento. Norberto Bobbio, por exemplo, define a esquerda pela defesa de políticas que promovam maior igualdade na distribuição de renda.

Não há, no entanto, discordância sobre a evidência empírica. As diversas vertentes utilizam o mesmo método de análise. A divergência decorre de preferências distintas sobre as implicações das políticas públicas.

A escolha entre crescimento ou igualdade requer juízo de valor. Nesse caso, a economia nada tem a dizer. Seu papel é apenas apresentar a melhor evidência sobre as diversas possibilidades e suas implicações. Cabe à sociedade, por meio de suas instâncias deliberativas, decidir sobre a política pública.

Nos países desenvolvidos, direita e esquerda defendem diferentes modelos de sociedade. A direita quer menor carga tributária e menor oferta de serviços públicos e de seguro social. A esquerda deseja o oposto. A controvérsia recente nos EUA sobre a criação de um serviço de saúde mais abrangente ilustra a natureza da divergência.

No Brasil, o debate é totalmente distinto. São outras as razões da divergência e para compreendê-las é útil recuperar o estudo dos modelos econômicos comparados. Continue reading “Debate: Funcionamento da Economia segundo a Direita e a Esquerda”

Divisão entre Economia Positiva e Economia Normativa

Hausman 2a. ed

Segundo Daniel M. Hausman (The Philosophy of Economics: An Anthology. Cambridge University Press 1984, 1994, 2008; Third Edition in print format: 2007), a visão metodológica de John Stuart Mill foi talvez a mais influente durante os séculos XIX e XX. Ela se reflete no argumento de autoridade de John Neville Keynes, apresentado no seu livro The Scope and the Method of Political Economy [Dimensão e Método da Economia Política], publicado em 1891. John Neville Keynes (1852-1949) foi um eminente economista inglês e pai do famoso John Maynard Keynes (1983-1946). Foi crítico da Ciência Moral.

Ele dividiu a Economia entre:

  1. Economia Positiva: o estudo de o que é a economia, e quais são suas aplicações,
  2. Economia Normativa: o estudo sobre o que ela se tornará, ou seja, o futuro da economia, e
  3. Arte da Economia: economia aplicada ou a tomada de decisões práticas.

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A Filosofia da Economia

Hausman 1a. ed

Enquanto as dúvidas sobre o valor da Economia, que ajudou a alimentar o interesse na metodologia econômica, que começou na década de 1970, têm diminuído, as razões teóricas para se interessar por essa matéria só têm tornado mais forte. Identifica-se três razões teóricas.

Em primeiro lugar, não só os economistas, mas também antropólogos, cientistas políticos, psicólogos sociais e sociólogos influenciados pelos economistas, têm argumentado que a “abordagem econômica” é a única abordagem teórica sensível ao estudo do comportamento humano. Esta afirmação provocativa – que a Economia é o modelo que todas as ciências sociais devem seguir –, obviamente, faz as questões metodológica relativas à Economia tornar-se mais importante para outros cientistas sociais.

Nos anos 1970 e 1980, foi irônico que alguns economistas estavam fazendo afirmações grandiosas sobre a validade universal da abordagem econômica para o comportamento humano, ao mesmo tempo que outros tinham sérios escrúpulos a respeito de sua própria disciplina. Como esses escrúpulos têm desaparecido, por isso, permanece essa ironia. Continue reading “A Filosofia da Economia”