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Livro para Download Gratuito: Ensino de Economia na Escola de Campinas – Memórias

O ensino de Economia na Unicamp – Universidade Estadual de Campinas está comemorando seus 50 anos. Em homenagem, como ex-aluno da segunda turma do Mestrado, iniciada em 1975, e professor contratado desde 1985, escrevi minhas Memórias a respeito de seu ensino. São memórias da formação de uma corrente de pensamento socioeconômico brasileiro.

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Nós Dizemos Não (por Julián Fuks)


Julián Fuks é um dos escritores contemporâneos mais premiados. Compartilho sua crônica sobre a próxima eleição brasileira.

“É melhor já ir se acostumando, dizem alguns. Nós dizemos não. Não vamos nos acostumar com a intolerância, a brutalidade retórica, a violência efetiva, o extermínio simbólico ou real das minorias, dessa multidão que nada tem de menor.

É preciso uma ação enérgica, dizem alguns. Nós dizemos não. Não acreditamos em nenhuma ação de subjugação do outro, de aniquilação da diferença, não aceitamos a energia empregada para a opressão.

Ele defende a família, dizem alguns. Nós dizemos não. Uma família não tem normas estritas de configuração, não responde a uma cartilha qualquer. Uma família pode ter incontáveis formas, e ninguém a defende se não respeita sua amplidão.

Mas ele vai nos livrar de toda esta corrupção, dizem alguns. Nós dizemos não. Ninguém jamais abateu a corrupção sozinho, por voluntarismo pessoal. Corrupção se combate em esforço coletivo, com os recursos mais transparentes de vigilância e supervisão.

Mas ele vai nos tirar desta crise, dizem alguns. Nós dizemos não. País nenhum saiu de uma crise por meio de sua própria supressão, com o exercício livre do abuso e do arbítrio. País nenhum viu luz com tal mergulho na escuridão.

Mas é preciso alguém de pulso firme, dizem alguns. Nós dizemos não. Hitler não, Mussolini não, Franco não, Salazar não, Pinochet não, Videla não, Médici não, Geisel não, Netanyahu não, Trump não. Ele não.”

#elenão

Complacência: Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode

O debate sobre produtividade dos trabalhadores brasileiros, uma obsessão neoclássica, demonstra bem a diferença entre, de um lado, os economistas ortodoxos com o individualismo metodológico, e, de outro, os heterodoxos com o holismo metodológico. Se quiser, troque, respectivamente, por neoliberais e desenvolvimentistas.

Para estes, as teorias sociais devem ser baseadas nos comportamentos de grupos irredutíveis de indivíduos, opondo-se ao “individualismo metodológico”. Para aqueles as teorias sociais devem ser baseadas em comportamentos individuais.

O Princípio do Holismo Metodológico procura compreender os fenômenos na sua totalidade como possuidor de funções próprias. A tendência da natureza e dos conjuntos sociais é, a partir da evolução criativa, “formar um todo que é distinto da soma de suas partes”. Em contraposição, o Princípio do Individualismo Metodológico só considera adequadas as explanações sobre os fenômenos macrossociais, políticos ou econômicos se colocadas em termos de crenças, atitudes e decisões dos indivíduos.

Fábio Giambiagi e Alexandre Schwartsman, “Complacência: Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode” (Rio de Janeiro: Elsevier/Campus; 2014), colunistas da “grande” imprensa brasileira e notórios combatentes antipetistas com base no credo neoliberal, fornecem uma amostra da visão de “tudo no mundo deve ser visto a partir do próprio umbigo”. Não percebem como o ego de cada qual deturpa ou não permite a visão do movimento sistêmico e complexo, i.é, com múltiplos componentes, visíveis a cada escala de análise. Continue reading “Complacência: Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode”

Ações Judiciais de Compradores de Ações X

 

Sergio Leo, no livro “Ascensão e queda do império X”, ex-sócios, amigos, gente do governo e outras pessoas próximas de Eike Batista insistem em dizer que em nenhum momento da saga X se pode atribuir fraude ou má-fé ao empresário. Nenhuma propaganda enganosa?! Só propaganda enganosa?!

Como fez durante boa parte de sua história, a OGX misturava, na propaganda sobre o potencial de petróleo a ser extraído, estimativas sujeitas a fortes correções, os chamados recursos contingentes ou prospectivos, com reservas provadas, comprovadamente medidas por meio de perfurações e avaliação de especialistas. A OGX não tinha, ainda, nenhuma reserva provada, e seus recursos contingentes na bacia de Campos, avaliados a partir de um número limitado de perfurações com descoberta de óleo, estavam, na hipótese mais conservadora divulgada, perto de cem milhões de barris.

“Ele teria sido vítima da própria personalidade, inclinada a atitudes que, quando dão certo, alimentam um folclore de excentricidades.” Por exemplo, “nos últimos anos da empresa, os visitantes do todo-poderoso da EBX eram surpreendidos por uma novidade peluda: ao lado do dono, estava Eric, arfante, o cão pastor comprado, dizia Eike, por US$ 50 mil e transportado de avião desde a Alemanha.”

Eike, de acordo com essa visão mítica, “concebeu projetos que tinham lógica e viabilidade, mas subestimou a complexidade da execução desses investimentos, de seu financiamento, da gerência, no dia a dia.” Continue reading “Ações Judiciais de Compradores de Ações X”

Bíblias de O Mercado abandonam Bolsonaro

 

Patrícia Campos Mello é repórter especial da Folha, foi correspondente nos EUA. É vencedora do prêmio internacional de jornalismo Rei da Espanha. Escreveu resenha jornalística (FSP, 21.set.2018) sobre noticiário internacional sobre o dano à imagem exterior do País com a ameaça da volta do regime militar autoritário.

Jornais e revistas financeiros internacionais criticam candidato e sinalizam trégua com Haddad

“Bolsonaro, cujo nome do meio é Messias, promove a salvação; na realidade, ele é uma ameaça para o Brasil e a América Latina.”

“Se ele ganhar, pode colocar em risco a sobrevivência da democracia do maior país da América Latina”

“Se Bolsonaro ganhar, o próximo governo não conseguirá nenhuma (das reformas) acima citadas. Pior, seus instintos autoritários podem enfraquecer ainda mais a democracia brasileira”

Não, não foi o Granma, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, que publicou essas frases. Isso estava no editorial (e em um briefing) da revista Economist, a bíblia dos livre-mercadistas e cabeças pensantes do mercado.

“Nos últimos dois meses, enquanto a maioria dos investidores em emergentes acordaram para o dólar forte, as taxas de juros em ascensão e a redução na liquidez barata que vinha sendo o grande motor dos mercados emergentes por tantos anos, eles também acordaram para a ideia de que talvez eles não consigam ter um presidente (no Brasil) pró-reformas. Começam a pensar mais na possibilidade de Bolsonaro não acreditar em reformas… Paulo Guedes certamente é um reformista, mas isso não significa que Bolsonaro vá ouvi-lo…e mesmo que Bolsonaro fosse o mais fervoroso reformista, ele provavelmente não conseguiria aprovar nada no Congresso. Então é irônico que aquele que era o azarão desta eleição até pouco tempo atrás, Fernando Haddad (…) é, na realidade, uma pessoa séria. Apesar de o programa do PT ser muito contrário a reformas, e inclusive prega que sejam desfeitas as reformas bem pequenas que foram feitas, ele é um cara sério que acredita em deixar a Petrobras e outras petrolíferas determinarem preços, acredita em uma previdência unificada, acabando com o sistema de previdência injusto que beneficia o setor público em detrimento de todo o resto. Então o mercado pode acabar conseguindo o que quer, do jeito que menos espera”.

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Sacrificar “Dez Vacas Sagradas do Brasil” em Nome do Neoliberalismo

Fabio Giambiagi, no livro “Brasil, raízes do atraso: paternalismo x produtividade – As Dez Vacas Sagradas que acorrentam o país” (Rio de Janeiro: Elsevier, 2007), junta citações “ixpiiiertas” ou frases de efeito engraçadinhas como argumentos para defender suas hipóteses neoliberais sobre as pressupostas raízes do atraso brasileiro.

O livro reflete dois aspectos pessoais do autor. O primeiro é uma mudança de filosofia. O segundo é o sentimento de urgência. Ele estava em plena crise de meia-idade.

“O Brasil tem colhido o que plantou: um país é resultado das suas escolhas — e, em 1988, nós fizemos as escolhas erradas. Mais de um membro daquela Assembleia Nacional Constituinte declarou anos depois que a Constituição teria assumido um perfil bem diferente se ela tivesse sido escrita em 1990, após a queda do Muro de Berlim. Como foi escrita antes desse episódio histórico, porém, ela foi uma espécie de “canto do cisne” do dirigismo distributivista. O país está pagando um preço — e caro — por isso. O livro, nesse sentido, é um apelo por mudanças.”

[Este argumento é típico do golpismo antidemocrático imperativo em mentes esnobes de iluminares. “Mais de um membro daquela Assembleia Nacional Constituinte” não reconhece a legitimidade democrática de sua eleição?! Se suas ideias neoliberais não foram contempladas após vinte anos de ditadura militar o autor taxa a Constituição brasileira como anacrônica?! Ora, qual Constituição é atualizada ao sabor da volatilidade do debate ideológico conjuntural?]

“O Brasil precisa mudar. Para isso, é preciso enfrentar alguns de nossos tabus. De forma intelectualmente provocativa, dei a eles aqui o nome de “vacas sagradas”. Escolhi dez delas, sabendo em sã consciência que o número verdadeiro é maior.” Continue reading “Sacrificar “Dez Vacas Sagradas do Brasil” em Nome do Neoliberalismo”

Crash das Ações da OGX, Petroleira do Grupo EBX

Sergio Leo, no livro “Ascensão e queda do império X”, conta: era “incomum, nas notificações feitas no Brasil, divulgar descobertas de petróleo com detalhes extremamente técnicos, como o tal net pay, a espessura dos reservatórios de óleo. Alguns céticos, na época, passaram a desconfiar de algo. Esse algo não demorou muito a aparecer.

Em março de 2013, a OGX divulgaria: suas primeiras descobertas, apesar de net pays impressionantes e notáveis detalhes geológicos, não eram viáveis comercialmente. Só então o público descobriria que o poço chamado Vesúvio ainda estava improdutivo e necessitava de uma avaliação mais detalhada. A OGX encontrara petróleo inaproveitável naquele poço. O material era tão pesado que a petroleira havia conseguido extrair apenas “borra” do reservatório, o primeiro a ser explorado pela empresa.

A descoberta do poço tinha sido feita, na verdade, anos antes, pela Petrobras. Ela não vira viabilidade econômica para o achado. Mas, segundo propaganda enganosa de diretor da OGX, egresso da empresa estatal, o poço era “o começo de uma campanha exploratória altamente promissora”.

Até a entrada em concordata da OGX, Eike afundou mais de R$ 10 bilhões na empresa e perfurou mais de 120 poços em sua campanha de prospecção. Mas as previsões invariavelmente exageradas e o desprezo por certos princípios de transparência que, teoricamente, regem a bolsa de valores fizeram da trajetória das ações da petroleira uma montanha-russa, com picos notáveis em 2010 e 2012 e ladeiras cadentes que levavam junto os ânimos dos sócios da empresa na bolsa. Continue reading “Crash das Ações da OGX, Petroleira do Grupo EBX”