10 Feirinhas Culturais em São Paulo

Feira Boliviana

Assim como o Brasil é multi-étnico, São Paulo é uma cidade multicultural, tem feira livre e feirinha gastronômica de vários povos através de seus imigrantes italianos, japoneses, bolivianos, árabes, africanos, etc.  Conheça as 10 melhores feiras com comida típica em SP segundo o site Momondo:

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Difusão da Pressão pela Previdência e Autocontrole

corrupção

Norbert Elias, no segundo tópico da Sinopse “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, afirma que o que empresta ao processo civilizador no Ocidente seu caráter especial e excepcional é o fato de que, aqui, a divisão de funções atingiu um nível, os monopólios da força e tributação uma solidez, e a interdependência e a competição uma extensão, tanto em termos de espaço físico quanto do número de pessoas envolvidas, que não tiveram iguais na história mundial.

Até então, redes extensas de moeda ou comércio, com monopólios razoavelmente estáveis de força física em seus centros, haviam se desenvolvido quase exclusivamente ao longo de vias navegáveis, isto é, acima de tudo nas margens de rios e costas de oceanos. As grandes áreas do interior permaneciam mais ou menos no nível da economia de troca, isto é, as pessoas continuavam na maior parte autárquicas e eram curtas suas cadeias de interdependência, mesmo quando algumas artérias de comércio cruzavam as áreas e existiam alguns grandes mercados.

Tendo a sociedade ocidental como ponto de partida, desenvolveu-se uma teia de interdependência que não só abrange os oceanos em maior extensão do que em qualquer tempo no passado, mas se estende às terras aráveis mais distantes do interior remoto.

Correspondendo a tudo isso, surgiram a necessidade de sincronização da conduta humana em territórios mais amplos e a de um espírito de previsão no tocante a cadeias mais longas de ações como jamais haviam existido. Ocorreu ainda o fortalecimento do autocontrole e a permanência das compulsõesa inibição de paixões e o controle de pulsões — impostas pela vida no centro dessas redes. Continue reading “Difusão da Pressão pela Previdência e Autocontrole”

Sumário de “Sem Lucro, Sem Investimento” (Carta IEDI nº 738)


Despesas Financeiras X Custos de Produção Margem de Lucro Rentabilidade ENF Desempenho

A recuperação da economia brasileira passa necessariamente pela recuperação da confiança empresarial, que se traduzirá, em algum momento no futuro, em novos investimentos produtivos. [Fernando Nogueira da Costa: desde que o Estado brasileiro lhe aponte projetos estratégicos com incentivos fiscais e creditícios, pois sem eles jamais houve “iniciativa particular” neste pobre País de ricos empresários que não pagam impostos sobre Lucros e Dividendos distribuídos à Pessoa Física…] Mas como diversos estudos indicam, a imobilização de capital na produção depende de recursos provenientes da acumulação de lucros retidos pelas empresas e do acesso a financiamentos de longo prazo do BNDES.

A Carta IEDI n. 738 se propõe, então, a analisar a evolução de um desses delimitadores da capacidade de investimento, qual seja o desempenho econômico-financeiro das grandes empresas, procurando avaliar como a piora gradativa da situação econômica e a grave recessão atual, afetaram a rentabilidade empresarial, assim como seu endividamento e a composição dos seus ativos. Para tanto, foi levado em conta o desempenho de 340 empresas não financeiras com capital aberto entre 2010 e 2015.

Em síntese, o estudo do IEDI mostra que para além da recente deterioração das expectativas e do ambiente econômico e político no Brasil, outro fator mais objetivo também contribuiu para reduzir a capacidade de investimento da indústria: a rentabilidade muito baixa ou mesmo negativa das empresas. Continue reading “Sumário de “Sem Lucro, Sem Investimento” (Carta IEDI nº 738)”

Sociogênese do Absolutismo

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Norbert Elias, no livro “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, afirma que alguns dos mecanismos mais importantes que, em fins da Idade Média, foram aumentando o poder da autoridade central de um território podem ser descritos sumariamente neste estágio preliminar. Eles foram, de modo geral, semelhantes em todos os maiores países do Ocidente, e isso pode ser observado com especial clareza no desenvolvimento da monarquia francesa.

A expansão gradual do setor monetário da economia, a expensas do setor de troca, ou escambo, em uma dada região na Idade Média gerou consequências muito diferentes para a maior parte da nobreza guerreira, por um lado, e para o rei ou príncipe, por outro. Quanto mais moeda entrasse em circulação numa região, maior seria o aumento dos preços [Elias se mostra refém da Teoria Quantitativa de Moeda]. Todas as classes cuja renda não aumentava à mesma taxa, todos aqueles que viviam de renda fixa, ficavam em situação desvantajosa, sobretudo os senhores feudais, que auferiam foros fixos por suas terras.

As funções sociais cuja renda se elevava com essas novas oportunidades passaram a desfrutar de vantagens. Incluíam elas certos setores da burguesia, mas, acima de tudo, o rei, o senhor central. Isto porque a máquina de coleta de impostos lhe conferia uma parcela da riqueza crescente; para ele se encaminhava parte de todos os lucros obtidos nessa área, e sua renda, em consequência, crescia em grau extraordinário com a circulação cada vez maior da moeda. Continue reading “Sociogênese do Absolutismo”

Sociedade Aristocrática de Corte Pré-Nacional

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Norbert Elias, no livro “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, comenta que a mais influente das sociedades de corte desenvolveu-se, como sabemos, na França. A partir de Paris, os mesmos códigos de conduta, maneiras, gosto e linguagem difundiram-se, em variados períodos, por todas as cortes europeias.

Mas isso não aconteceu apenas porque a França fosse o país mais poderoso da época. Somente se tornou possível porque, em uma transformação geral da sociedade europeia, formações sociais semelhantes, caracterizadas por formas análogas de relações humanas, surgiram por toda a parte.

A aristocracia absolutista de corte dos demais países inspirou-se na nação mais rica, mais poderosa e mais centralizada da época, e adotou aquilo que se adequava às suas próprias necessidades sociais: maneiras e linguagem refinadas que a distinguiam das camadas inferiores da sociedade.

Na França ela via, plenamente desenvolvido, algo que nascera de uma situação social semelhante e que se ajustava a seus próprios ideais: pessoas que podiam exibir seu status, enquanto observavam também as sutilezas do intercâmbio social, definindo sua relação exata com todos acima e abaixo através da maneira de cumprimentar e de escolher as palavraspessoas de “distinção”, que dominavam a “civilidade”. Continue reading “Sociedade Aristocrática de Corte Pré-Nacional”

Entrevista da Presidenta Golpeada a El País

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Recebi a mensagem abaixo do caro “correspondente europeu”, Miguel Amaral, deste modesto blog:

Estimado Fernando,

Acabo de ler uma entrevista bastante interessante da Dilma, onde explica a situação do país e a sua posição. Sobretudo, gostei da sua serenidade.

Ao ler lembrei-me daquela fábula do sapo e do escorpião: o escorpião esta na margem do rio que queria atravessar e pediu ao sapo para o ajudar. O sapo acedeu, apesar, do perigo. Quando estavam a chegar quase a outra margem, o escorpião deu uma picada letal, os dois iriam morrer afogados, o sapo perplexo perguntou: — Porquê? Ao que o escorpião respondeu: — É a minha natureza…

Link da entrevista em Espanhol:
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/06/22/america/1466627246_497140.html

Link da entrevista em Português:
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/22/politica/1466621398_081819.html

É possível que a entrevista em Espanhol esteja mais completa.

Um Abraço,
Miguel.

Compartilho a entrevista abaixo: Continue reading “Entrevista da Presidenta Golpeada a El País”

O Processo Civilizador: Volume 2 – Formação do Estado e Civilização

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Na apresentação do livro “O Processo civilizador: volume 2 – Formação do Estado e Civilização”, Renato Janine Ribeiro informa que o autor “Norbert Elias demorou a ser reconhecido, ou sequer conhecido, no mundo acadêmico. Ele faleceu a 1º de agosto de 1990, em idade avançada — menos de dois meses antes, completara noventa e três anos. E no entanto, embora tenha escrito este Processo Civilizador na década de 1930 (primeira edição, 1939, na Suíça), somente nos anos 70 é que ele alcançou um reconhecimento mais amplo, começando sua obra a ser citada e a inspirar novas pesquisas. Com efeito, muitas questões que se consideravam menores, por exemplo a da etiqueta ou das boas maneiras, adquiriram, graças ao uso que Elias fez da ideia de “processo”, um sentido. Provavelmente, aliás, é a questão do sentido que deve nortear uma apreciação das indicações mais notáveis desse sociólogo de vocação interdisciplinar”.

O Volume I de O Processo Civilizador intitula-se Uma história dos Costumes. Ele consiste de dois capítulos. O Volume II, publicado em inglês pela primeira vez em 1982, consistia inicialmente do Capítulo 3 (em duas Partes) e de uma Sinopse. Essas divisões são designadas na edição da Zahar como Parte I (composta de dois capítulos) e Parte II: Sinopse.

Ao olhar para o passado, não devemos nunca nos esquecer que a sociedade humana se torna predominantemente urbana há pouco tempo. Em dimensão planetária, isso ocorreu em 2010, quando a população urbana chinesa ultrapassou a rural. No Brasil, o Censo Demográfico de 1970 registrou essa ultrapassagem. Na Índia, com apenas cerca de 1/3 de sua população morando em cidades, embora tenha o maior número de grandes metrópoles do mundo, isso ainda demorará algumas décadas para ocorrer.

Antes, em uma sociedade rural, a riqueza predominante era constituída pela posse de terras. Houve época em que a conquista de terras se dava pela força da violência…

As lutas entre a nobreza, a Igreja e os príncipes por suas respectivas parcelas no controle e produção da terra prolongaram-se durante toda a Idade Média. Nos séculos XII e XIII, emerge mais um grupo como participante nesse entrechoque de forças: os privilegiados moradores das cidades, a “burguesia”. Continue reading “O Processo Civilizador: Volume 2 – Formação do Estado e Civilização”