Socialismo: Baixe a Cartilha

Em destaque

Gosto de estudar lendo a Wikipedia, a enciclopédia livre onde todos podem editar. Encontram-se nela 1.069.109 artigos em português, sob contribuição de 9.469 editores ativos.

É considerada já a maior enciclopédia da História da Humanidade ao ultrapassar a dimensão da chinesa. O imperador chinês Yongle, da dinastia Ming, além de suas conquistas militares, era um intelectual com gosto pela leitura.

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Dia de Luta das Mulheres Negras Latino-Americanas

Li o texto da Magda Barros Biavaschi e Marilane Oliveira Teixeira: Desigualdades, Feminismo e Teorias Libertadoras. Foi publicado em: 

http://www.justificando.com/2021/07/15/desigualdades-feminismo-e-teorias-libertadoras-mulheres-que-combinaram-de-nao-morrer/

Minha primeira impressão, talvez preconceituosa, foi ser mais uma denúncia marxista do capitalismo, no caso, focado na tentativa de defender sua hipótese – “sem trabalho doméstico, os trabalhadores não se reproduzem e, sem trabalhadores, o capital não pode ser reproduzido” – como uma tese. No sentido de reprodução sexual, esse postulado seria um axioma sem necessidade de ser demonstrado.

As coautoras cometem um erro metodológico de análise. Afirmam uma contribuição dado pelo marxismo ao feminismo seria um “método para compreender as bases materiais das relações sociais de desigualdade, exploração e opressão”.

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Recolhimentos Diversos ao INSS durante Carreiras Profissionais

Edna Simão (Valor, 13/07/21) informa: em média no Brasil, um trabalhador fica registrado, ou seja com a carteira assinada, durante 51% do tempo de sua carreira, mas nem todo esse período é revertido em contribuições para a Previdência Social. Estudo do CAF, banco de desenvolvimento de América Latina, a ser divulgado hoje, mostra que 28% dos trabalhadores no Brasil contribuem para Previdência menos de um quarto da vida laboral.

“A elevada rotatividade entre as situações com e sem contribuição, e a curta duração dos períodos de contribuição, faz com que o tempo de contribuição acumulado ao longo da vida laboral seja reduzido”, explica o CAF em estudo intitulado “Os sistemas de pensões e saúde na América Latina: Os desafios do envelhecimento, as mudanças tecnológicas e a informalidade”.

Mas essa distorção não acontece apenas no Brasil. O trabalhador na Argentina fica, em média, 35% do tempo de sua carreira registrado. No Equador, esse porcentual é de 47%, e, no Uruguai, de 50%. Por outro lado, 50% dos trabalhadores na Argentina contribuem com menos de um quarto do tempo que poderiam ter contribuído para o sistema. Essa proporção é de 34% no Equador e 30% no Uruguai.

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Desempenho dos Fundos

As gestoras de recursos fora do bloco dos grandes conglomerados financeiros já detêm a maior parte dos volumes em fundos de ações e multimercados. Os cinco maiores – BB DTVM, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa – e as fundações com gestão própria, por sua vez, dominam em renda fixa e previdência. Isso é mostrado pelo levantamento feito pela Economática, considerando-se os portfólios líquidos, que estão sob as regras da instrução 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo Adriana Cotias (Valor, 12/07/21).

Por meio de uma ferramenta que exclui valores alocados pelos fundos em outros fundos, para eliminar a dupla contagem, os dados trazem que, em ações, as assets classificadas pela plataforma de informações financeiras como independentes já reúnem R$ 404,1 bilhões, ou 74% do bolo de R$ 542,8 bilhões. Em multimercados, as gestoras sem vínculo com cinco grupos financeiros dominantes totalizam R$ 671,5 bilhões, respondendo por 65,2% do conjunto. Os dados são referentes a junho.

Nas independentes, a captação no primeiro semestre foi mais expressiva nas carteiras de ações, com R$ 22,2 bilhões, o equivalente a 53,6% do que o setor atraiu no período. Já em multimercados, os cinco maiores bancos e as fundações receberam R$ 43,1 bilhões, 53% do total. Isso mostra uma reação dos principais bancos para oferecer produtos de maior valor agregado à sua base de clientes e fazer frente à concorrência.

Itaú, Santander, BB e Bradesco, por exemplo, criaram carteiras de alocação com diversos ativos e baixo valor de aplicação que têm feito sucesso nas suas redes de agências. O Itaú também tem investido num pool multimesas para alimentar seus principais multimercados e tem ganhado volume nas estratégias de retorno absoluto, que eram pouco representativas.

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Queima do Capital Excedente: Fusões e Aquisições de Concorrentes no Mercado de Capitais

O movimento de consolidação de empresas acelerou na pandemia e vai continuar intenso nos próximos meses, impulsionado por grandes negócios. O volume de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) anunciadas de janeiro até o dia 7 de julho já bateu em US$ 52,6 bilhões, encostando no recorde de 2017, quando o valor das transações no ano todo foi de US$ 52,7 bilhões.

A cifra também representa um salto em relação aos US$ 6,6 bilhões movimentados até 7 de julho do ano 2020, segundo a consultoria Dealogic. Em 2020, as operações de M&As totalizaram US$ 45,8 bilhões.

Grandes cheques foram desembolsados neste ano, afirmam executivos do mercado financeiro. As dez maiores operações realizadas até agora somaram US$ 36,7 bilhões, quase 70% do valor total de transações realizadas até julho, indicam os dados da Dealogic. Entre os principais negócios anunciados estão a cisão da fatia de 41,05% do Itaú Unibanco na XP, as fusões da Hapvida e Intermédica e da Raízen com Biosev, e a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM) para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi.

De janeiro a 7 de julho, a consultoria registrou 274 transações, frente a 230 no mesmo período do ano passado. Em 2017, houve 421 negócios de janeiro a dezembro.

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Desemprego na Pandemia: Baixe o Relatório do Banco Mundial

Crises econômicas, tais como a que a América Latina e o Caribe estão passando no momento, têm efeitos duradouros na estrutura de emprego e podem expulsar permanentemente muitas pessoas da economia formal, segundo  novo relatório do Banco Mundial.

De acordo com EMPREGO EM CRISE: Trajetória para Melhores Empregos na América Latina Pós-COVID-19a pandemia de Covid-19 vem causando maior impacto nos trabalhadores menos qualificados e agravando a já alta desigualdade na região.É comum que trabalhadores menos qualificados sofram com salários mais baixos por dez anos após uma crise, e trabalhadores mais qualificados consigam uma recuperação mais rápida.

Em consequência disso, as políticas governamentais devem ter como foco a proteção dos trabalhadores contra impactos significativos e de longo prazo, por meio do seguro-desemprego, de redes de proteção social e requalificação, da facilitação para a geração de postos de trabalho e de assistência aos trabalhadores para que possam estar nos locais onde há trabalho. Concorrência mais acirrada, maior flexibilidade para gerir recursos humanos e redução dos subsídios podem ajudar.

Por meio de políticas comerciais e contratos públicos, os governos podem criar um ambiente mais propício para as empresas competitivas prosperarem. Além disso,  investimento direcionado ao transporte público pode aproximar os trabalhadores dos empregos e  moradia acessível pode permitir que eles vivam próximos de onde há empregos.

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Poupança das Famílias e Financiamento Imobiliário

A subida de juros do crédito imobiliário promovida discretamente pelo Santander nesta semana, com taxa mínima passando de 6,99% para 7,99%, é um sinal para quem planeja comprar uma casa ou apartamento. Outros bancos vão seguir o movimento, motivado pelo ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central (BC).

Enquanto o mercado não voltar para taxas de dois dígitos, o custo dos financiamentos vai se manter como um incentivo às pessoas para tomarem crédito e adquirir imóveis. Se voltarem a superar a casa de 10% ao ano, ele se torna restritivo e grande parte dos potenciais tomadores volta para o aluguel.

Além da subida de juros pelo BC, outro componente pode tornar mais difícil a vida de quem quer comprar imóveis daqui para a frente. Com a forte demanda e uma inflação de insumos para a construção de dois dígitos em 12 meses, a alta de preços de imóveis começou a acelerar.

De acordo com o índice FipeZap, que acompanha o comportamento do preço médio de venda de imóveis residenciais em 50 cidades brasileiras, o mês de junho registrou a maior alta mensal desde agosto de 2014, com subida de 0,57%. O indicador mostra tendência de aumento de ritmo de elevações: em abril, o crescimento atingiu 0,30%, no mês seguinte subiu para 0,48% e em junho acelerou ainda mais.

Além da recomposição de preços defasados, o aumento da demanda de compra e venda tem adicionado pressão sobre os valores negociados. Os números da Abecip mostram: maio de 2021 registrou a segunda melhor cifra de novas concessões de crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE) da série histórica iniciada em 1994.

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BHC: Brasil – Haiti – Cuba

Correlação significa uma semelhança ou relação entre duas coisas, pessoas ou ideias. É uma semelhança ou equivalência existente entre duas hipóteses, situações ou objetos diferentes. No campo da Estatística e da Importação, atemática, a correlação se refere a uma medida entre duas ou mais variáveis relacionadas.

Tem nexos os acontecimentos marcantes, noticiados na semana passada, ocorridos no Brasil, Haiti e Cuba? Uma relação espúria é uma relação estatística existente entre duas variáveis, mas onde não existe nenhuma relação causa-efeito entre elas. Essa relação pode ocorrer por pura coincidência ou por causa de uma terceira variável.

É comum o erro, no jornalismo e na academia, de se apontar uma causalidade entre tudo antecedente e o consequente. É feita a “previsão do passado” com pressuposta linha de causalidade desde uma linha-de-partida imaginada até a linha-de-chegada conhecida. 

O historicismo ex-post (após os fatos transcorridos) aponta uma causalidade hipotética. Porém, daí não se desdobra em uma narrativa da “história do futuro”, quando não há regularidade possível de extrapolação.

No decorrente debate público, chamaram-me a atenção duas hipóteses a serem testadas.

Jaques Wagner (PT-BA) defendeu a diminuição da fragmentação partidária. “Hoje, o Brasil só tem menos partidos se comparado ao Haiti, uma democracia devastada. É impossível conduzir um país com 35 partidos. Temos de trabalhar no sentido de compactarmos os partidos e tornarmos a Presidência pelo menos exequível”.

Maria Rita Kehl, no site “A Terra é Redonda”, escreveu o seguinte no seu artigo “Vai pra Cuba”. “Apesar da pobreza sem ser miséria, não temos de comparar Cuba com o Brasil, mas com o Haiti. Sem o socialismo, Cuba seria um Haiti. Não temos de comparar a população de Havana com a das classes médias brasileiras, mas com a das nossas favelas”.

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Brasil mais Desigual, Pobre e Infeliz

Hugo Passarelli (Valor, 15/06/21) informa: a pandemia de covid-19 aumentou a desigualdade de renda para nível recorde, diminuiu o rendimento médio do trabalho e deixou os brasileiros mais infelizes e com mais sentimentos negativos em comparação com a média global, segundo estudo de Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social).

No aspecto comportamental, uma medida geral de felicidade obtida a partir do levantamento da Gallup World Poll mostra que, numa escala de 0 a 10, a satisfação do brasileiro ficou em 6,1 no ano passado, uma queda de 0,4 ponto percentual ante 2019, atingindo o menor ponto da série histórica. Ao mesmo tempo, a média de 40 países aponta que a mesma avaliação ficou estagnada de 2019 a 2020: de 6,02 para 6,04. A pesquisa inclui nações como Áustria, China e Zimbábue.

O estudo evidencia a “desigualdade da felicidade” entre as faixas de renda da população: a queda geral da satisfação foi puxada pelos 40% mais pobres e o grupo intermediário, entre os 40% a 60% mais pobres. Já nas duas camadas acima, a avaliação ficou praticamente igual de um ano a outro.

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Economia da Boa Vida em lugar da Economia da Felicidade

Criador do chamado paradoxo felicidade-renda, ao qual foi conferido seu nome, e pioneiro no estudo da relação entre satisfação pessoal e dinheiro, Richard A. Easterlin chega aos 95 anos, completados em janeiro, batendo na mesma tecla que o inspira desde 1974, quando publicou seu primeiro estudo sobre a questão. Um aumento de renda pode significar no curto prazo uma maior sensação de bem-estar, mas a médio e longo prazos não é o dinheiro que traz felicidade, diz ele, que se considera feliz em parte por se dedicar exatamente a esmiuçar o tema, como disse ao Valor, por e-mail.

Seu mais recente livro, “An Economist’s Lessons on Happiness – Farewell Dismal Science!” (“Lições de um economista sobre felicidade – Adeus, ciência triste!”, em tradução livre), entrou na lista das 16 melhores obras de economia do primeiro semestre de 2021 do “Financial Times”, na seleção feita por Martin Wolf, o principal analista econômico do jornal. Wolf destaca: mais e mais pessoas estão aceitando um ponto fundamental das teses de Easterlin – de ser possível medir (e produzir) a felicidade, e é tarefa dos governos promovê-la, em vez de mirar apenas o aumento da renda.

Download:

Richard A. Easterlin – An Economist’s Lessons On Happiness_ Farewell Dismal Science! -Springer (2021)

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FIB X PIB: Felicidade Interna Brasileira Já Era…

Delano Franco (Valor, 09/07/21) avalia: muito se tem falado sobre a tendência ESG na última década – o abandono, ou ao menos relativização, da ideia de que a melhor forma de uma empresa contribuir para o bem-estar da sociedade é maximizar lucros dentro da lei. Um tema macro correlato, menos abordado no dia a dia da imprensa, mas que deverá ter impacto importante no debate e nas decisões de política econômica nas próximas décadas, é o questionamento sobre se a primazia do PIB como medida de sucesso econômico de um país.

Como comparar, por exemplo, distintos perfis de crescimento com relação a qualidade de vida, coesão social, bem-estar e preservação do meio ambiente?

O PIB é uma estatística engenhosa, inventada nos anos 30, nos EUA, pelo economista bielorrusso Simon Kuznets, que busca comprimir em um único número o fluxo de circulação de bens e serviços em um determinado período.

Os questionamentos sobre o PIB podem tipicamente ser divididos em dois tipos.

O primeiro trata das dificuldades em se medir apropriadamente alguns tipos de atividade. O chamaremos de críticas à precisão do PIB.

O segundo questiona se o fluxo agregado de produção é algo sobre o qual deveríamos primordialmente nos preocupar. A este chamaremos de críticas ao propósito do PIB. Ao passo que este naturalmente envolve um debate mais filosófico, aquele em geral se foca em aspectos técnicos.

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Finanças Comportamentais para Bancos Centrais

Um quarto de século atrás, o economista vencedor do prêmio Nobel Robert Shiller organizou um estudo baseado em sondagens sobre a percepção de inflação dos consumidores. Ele chamou atenção para três pontos que são altamente relevantes hoje.

O primeiro é: as pessoas comuns não veem os preços como os economistas. As emoções, e não apenas os dados econômicos, importam.

O segundo é: as emoções em questão, como ansiedade e raiva, são poderosas mas difíceis de acompanhar em modelos.

O terceiro ponto é: esses sentimentos podem moldar percepções. Shiller constatou na época que a inflação era o termo econômico mais citado na imprensa.

As condições parecem diferentes hoje. Shiller conduziu sua pesquisa logo depois da crise do petróleo da década de 1970 e da estagflação. Mas as autoridades do Federal Reserve (Fed) e investidores deveriam ponderar suas constatações e considerar uma repetição de sua pesquisa.

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