Progresso do Brasil

IPCA 1995-2014Desocupação 1995-2014Salário Mínimo 1995-2014PIB Brasil X Mundo 1962-2014PIB X Consumo X Indústria de TransformaçãoDólar Comercial 1995-2014Balanço Comercial 2000-2006-2014Rentabilidade Patrimonial 2000-2013Receita Líquida 2001-2013Lucro Líquido 2001-2013 Cristina Klein (Valor, 04/05/15) entrevistou a cientista política Argelina Figueiredo, do Iesp/Uerj. Do populismo cambial de Fernando Henrique Cardoso, passando por Lula e o incentivo excessivo ao consumo até chegar aos anos Dilma Rousseff, marcados pela queda de braço entre governo federal e grupos econômicos poderosos, crise política e baixo crescimento. A trajetória do país nos últimos 15 anos tem um caráter multifacetado, com altos e baixos, mas o balanço do período, para ela, é positivo: o Brasil está melhor. Continuar a ler

Possíveis Mudanças Econômicas no Caso da Islamização da França

Capa Submissao_Alfaguara para novo padrao.inddE quais serão as possíveis mudanças econômicas no caso da islamização da França?

(…) “de modo geral, a França recuperava um otimismo que não conhecera desde o fim dos Trente Glorieuses [período de grande crescimento econômico que vai de 1945 a 1975], meio século antes. O início do governo de união nacional instalado por Mohammed Ben Abbes foi unanimemente saudado como um sucesso, nunca um presidente da República recém-eleito se beneficiara de tamanho ‘estado de graça’, todos os comentaristas estavam de acordo sobre isso.

Eu costumava repensar no que Tanner me dissera, nas ambições internacionais do novo presidente, e notei com interesse uma informação que passou praticamente despercebida: a retomada das negociações sobre a adesão próxima do Marrocos à União Europeia; quanto à Turquia, já fora definido um calendário. Portanto, a reconstrução do Império romano estava em marcha, e no plano interno Ben Abbes tinha uma trajetória impecável.

A consequência mais imediata de sua eleição foi a diminuição da delinquência, e em proporções enormes: nos bairros mais problemáticos, ela despencou para menos de um décimo do total.

Outro sucesso imediato foi o desemprego, cujas taxas estavam em queda livre. Isso se devia, sem a menor dúvida, à saída maciça das mulheres do mercado de trabalho — e isso estava por sua vez ligado à considerável revalorização dos abonos familiares, primeira medida apresentada, simbolicamente, pelo novo governo. O fato de que o pagamento fosse condicionado à cessação de toda atividade profissional provocara, no início, uma certa chiadeira da esquerda; mas, diante das estatísticas do desemprego, o ranger de dentes logo parou. Continuar a ler

Submissão

Michel HouellebecqOs francófilos amantes dos valores da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – não podem deixar de ler o imperdível livro de ficção política de Michel Houellebecq, “Submissão”. Este título é a tradição de “Islã” em árabe. O protagonista-narrador é um professor universitário de Literatura, especialista em Joris-Karl Huysmans (1848-1907). Este foi um escritor francês e crítico de arte, primeiramente associado a Émile Zola e ao grupo de naturalistas. Depois, juntou-se ao Movimento Decadente Francês. A conversão de Huysmans, do Satanismo ao Catolicismo, da obsessão por sensações bizarras à busca da vida espiritual, pode ser seguida em livros como “A rebours” (1884), “Là-bas” (1891) e “La cathèdrale” (1898).

O professor universitário solteirão torna-se o alter ego – termo cunhado por Freud para conceituar coisas que estão no Ego de uma determinada pessoa, as quais podem ser transferidas para uma outra, que passa a funcionar como se fosse uma duplicata da primeira pessoa – de Huysmans. Vive o tédio de sua crise de meia-idade como observador crítico do cenário político da França a partir da eleição presidencial de 2022. De quebra, converte-se em um participante ativo na mudança de costumes impostas pelo islamismo nos desejados valores libertários, igualitários e fraternos dos franceses.

Em misto de ceticismo, cinismo e niilismo substituído por oportunismo, ele expõe sua verve irônica neste best-seller que seria lançado no dia do ataque do terrorismo islamita ao Charlie Hebdo. Na última edição antes do crime, que definiu “Submissão” como “golpe de mestre”, a capa era uma caricatura de Houellebecq, também ele alvo de blague. Após o atentado, o autor cancelou a divulgação da obra e deixou Paris.

Assim como, provavelmente, todos os leitores franceses, li o pequeno livro de ponta a ponta (225 páginas), em um só fôlego, na viagem de 12 horas em ida-e-volta de avião Campinas- Belém do Pará-Campinas. Fui lá, em um bate-e-volta, para dar uma palestra. É envolvente sua narrativa a respeito da cena política contemporânea da França e da perspectiva geopolítica europeia e islâmica. Imaginem todas as consequências de a centro-esquerda e a centro-direita se aliarem com um candidato islamita contra a candidata Marine Le Pen da Frente Nacional, partido xenófobo de extrema-direita, no segundo turno da eleição presidencial.

Leia pequenos trechos de: Michel Houellebecq, “Submissão”. Continuar a ler

Ler é Aprender

A-Arte-de-Ler-Mortimer-J-Adler

Certas vezes, e não sempre, a sabedoria se realiza pela leitura: a aquisição de conhecimentos, mas, não, de habilidade. Se concluirmos, entretanto, que a espécie de leitura que resulta em maior erudição ou compreensão é idêntica à espécie de aprendizado que resulta em mais conhecimento – estaremos cometendo um grande erro. Estaremos dizendo que ninguém pode adquirir conhecimento a não ser através da leitura, o que é falso.

Mortimer J. Adler, em “A Arte de Ler”, afirma que, na historia da educação, os homens sempre fizeram distinção entre a instrução e a descoberta, como fontes de conhecimentos. A instrução ocorre quando um homem ensina a outro, mediante a fala ou a escrita. Podemos, no entanto, adquirir conhecimento, sem que ninguém nos ensine. Se não fosse assim, e se cada professor tivesse um mestre naquilo que, por sua vez, ensina a outros, nunca se teria começado a adquirir conhecimento. Daí, a descobertaprocesso de aprender graças à pesquisa, à investigação, ao raciocínio, sem mestre de espécie alguma.

A descoberta está para a instrução, assim como aprender sem professor está para aprender com sua ajuda. Em ambos os casos, a atividade é de quem aprende. Seria um grave erro supor que a descoberta é ativa, e a instrução passiva. Não há aprendizado passivo, assim como não há leitura inteiramente passiva. Continuar a ler

Critérios da Boa e da Má Leitura

AArtee(aMagia)deLerPara classificar as etapas de uma leitura séria temos que esclarecer os critérios do melhor e do pior. Que critérios são esses?

O primeiro critério refere-se ao quando dizemos que um homem lê melhor do que outro quando o critério de ler refere-se a um assunto mais difícil. Muitas vezes medimos a aptidão de um homem pela dificuldade do trabalho que ele pode realizar. A agudeza de tal medida depende, sem dúvida, da precisão independente com que classificamos os trabalhos conforme sua dificuldade crescente.

Estaríamos em um circulo vicioso se disséssemos, por exemplo, que o livro mais difícil é aquele que só o melhor leitor domina. Isto é verdade, mas não ajuda. Para se compreender por que uns livros são mais difíceis do que outros, temos de saber o que eles exigem da habilidade do leitor. Por outras palavras, a dificuldade do assunto de leitura é sinal evidente e objetivo dos graus de habilidade em ler, mas não nos diz que diferença existe no tocante à habilidade do leitor.

Entretanto, o primeiro critério tem certa aplicação, pois quanto mais difícil é um livro, tanto menos leitores terá em qualquer época. Há certa dose de verdade nisso, porque geralmente, à medida em que se sobe na escala da perfeição em uma habilidade, o número de peritos diminui: quanto mais alto se está, mais raros são eles. Assim, ao contar as cabeças de leitores peritos, teremos a noção precisa da dificuldade de uma leitura qualquer. Continuar a ler

Ensinar: Dar Senha Para Aprender a Aprender Por Conta Própria

arte-de-lerPodemos ter ocupações que não nos obriguem a ler o tempo todo, sem deixar de admitir que esse tempo seria amenizado, em seus momentos de folga, por alguma instruçãoa que adquirimos, por nós mesmos, através da leitura. Nossa profissão pode exigir a leitura de determinado assunto técnico, ao correr do trabalho. Não importa se a leitura é para aprender ou para ganhar dinheiro. Pode ser bem ou mal feita.

Como alunos do colégio – e candidatos, talvez, a um diploma superior – compreendemos que o que nos estão dando é empanturramento e não, educação. Há muitos alunos que, ao se licenciarem, reconhecem ter levado quatro anos ouvindo e se descartando das lições nos exames. A destreza que se atinge nesse processo não depende das matérias, mas da personalidade do professor. Se o aluno se lembra razoavelmente do que lhe foi ensinado nas aulas e nos compêndios e se conhece as manias do professor, passa de ano, sem gastar energias. Mas deixa passar, também, a educação…

Podemos ensinar em uma escola, um colégio ou uma universidade. Como professores, torna-se obrigatório que saibamos que não lemos bem. Que não só nossos alunos são incapazes de o fazer; nós, também, não vamos muito além deles. Continuar a ler

Arte de Ler (por Mortimer J. Adler)

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Há várias espécies de leitura e vários graus de habilidade em ler. Não é contradição afirmar que este livro de Mortimer J. Adler, “A Arte de Ler”, é para os que querem ler melhor ou ler de um modo diferente do que lhes é habitual.

Então, para quem não foi ele escrito? O autor pode responder, simplesmente, à pergunta falando nos dois casos extremos. Há os que não sabem ler de todo: as crianças, os imbecis e outros inocentes. E há os que talvez sejam mestres na arte de ler – fazem qualquer espécie de leitura tão bem quanto é humanamente possível.

Muitos autores não achariam nada melhor do que escrever para tais mestres. Mas um livro como este, que trata da arte de ler propriamente dita, e que procura ajudar seus leitores a lerem melhor, não pretende exigir a atenção dos experientes. Continuar a ler