Jornalismo Investigativo no Cinema

Reportagens no Cinema

Elaine Guerini (Valor, 02/09/16) conta que, quando filmava “Se Beber, Não Case! Parte II” (2011), em Bangcoc, o cineasta Todd Phillips recebeu um artigo que seria publicado na revista “Rolling Stone“. Escrito por Guy Lawson, a reportagem “Arms and the Dudes” (As Armas e os Caras) contava a trajetória de dois negociantes inexperientes que fizeram fortuna com contrato assinado com o Pentágono para fornecimento de armas na Guerra do Iraque. “Percebi na hora que o caso precisaria ser retratado nas telas. Contando, ninguém acreditaria”, diz o diretor americano.

Batizada de “Cães de Guerra“, a adaptação dos eventos ocorridos em 2007 reforça uma tendência da indústria de cinema em procurar tramas no jornalismo. “Mark Gordon, o produtor que me enviou o artigo da ‘Rolling Stone’, é um caçador de histórias. Não sei como ele consegue ler as reportagens antes de chegarem às bancas”, diz Phillips, ao Valor, em Las Vegas.

Cães de Guerra” encabeça uma nova leva de filmes hollywoodianos inspirados em textos jornalísticos. A prática já resultou em produções de sucesso, como “Argo” (2012), vencedor do Oscar de melhor filme, “O Informante” (1999), “Os Gritos do Silêncio” (1984) e “Um Dia de Cão” (1975), indicados ao prêmio máximo da Academia (veja quadro acima com as principais produções).

A demanda por histórias “de impacto, emocionantes e provocadoras” encorajou a dupla de jornalistas americanos Joshua Davis e Joshuah Bearman a criar uma revista digital. Concebida como plataforma para histórias reais com potencial de adaptação, “Epic” foi lançada em 2013, após a consagração de “Argo” – dirigido por Ben Affleck, o filme foi inspirado em artigo escrito por Bearman. A operação para resgatar clandestinamente seis diplomatas americanos de Teerã, durante a Revolução Islâmica (1979), foi narrada no texto “The Great Escape” (A Grande Fuga), publicado na “Wired“, em 2007.

“A ‘Epic‘ foi a maneira que encontramos de apoiar o jornalismo investigativo“, diz Joshua Davis. Mais de 25 artigos da dupla já ganharam adaptações. “Todas as histórias podem ser lidas gratuitamente no nosso site [http://epicmagazine.com], para o qual não vendemos assinaturas ou mesmo espaço publicitário. Para o cinema, nosso acervo é visto em primeira mão pelo estúdio da Fox. Para TV, temos acordo com o canal A&E.”

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Melhores Séries Adultas da TV

Ontem, no jantar de arrecadação de fundos para a campanha eleitoral para Prefeito de Campinas por parte do melhor candidato (na minha opinião que o conheço pessoalmente), Márcio Pochmann, entre assuntos políticos, rolou papo sobre amenidades. Como é comum, atualmente, em conversa de classe média, checamos uns com outros quais séries de TV cada qual assistiu ou está assistindo.

Já assisti tantas que minha memória periférica (para nomes) costuma falhar quando tento lembrar das melhores. Resolvi agora pesquisar na web e sistematizar para minha memória sistêmica (para temas entrelaçados).

O site Oficina da Net lista as 10 melhores séries disponíveis na Netflix, segundo nota do IMDb. Utiliza a avaliação do IMDb como parâmetro, por ele ser um dos maiores sites do mundo sobre cinema e produções televisivas, onde milhares de usuários e críticos dão notas ao que estão assistindo.

Mas a definição de “melhor” é muito subjetiva. Das séries de TV que já assisti com temas adultos, envolvendo política, geopolítica e costumes sociais de época,  poucas das que eu recomendo estão na avaliação abaixo do IMDb. Veja minha lista abaixo.

Dica: veja na Netflix – Séries – TV Britânica Continue reading “Melhores Séries Adultas da TV”

Grandes Números de Empresas Nacionais: 2009-2014

Regime de Tributação CNPJ 2014 Quantidade de Empresas 2014

Uma publicação da Secretaria da Receita Federal, agora sob governo ilegítimo, i.é, não eleito democraticamente, tem por objetivo apresentar, de forma resumida, algumas informações fiscais relativas às empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL no período correspondente aos anos-calendário 2009 a 2014. Entre 4,5 milhões de empresas, 3/4 (ou 74%) optaram pelo modelo SIMPLES durante o governo social-desenvolvimentista (2003-2014). Eram felizes e não sabiam!

Trata-se de duas tabelas, uma na qual é possível selecionar, por unidade da federação e por ano-calendário, a quantidade de empresas, a receita bruta, a quantidade de empregados e a massa salarial, distribuídos por faixas de receita bruta e por anexo da LC 123, de 14 de dezembro de 2006. A outra apresenta a lista de todos os valores.

Download das Tabelas:

qtde-empresas-por-regime-e-cnae-2014

20160704Dados

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Estratificação do Imposto de Renda por Faixas de Salários Mínimos

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Róber Iturriet Avila é Doutor em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística e diretor sindical do SEMAPI. João Batista Santos Conceição é graduando em ciências econômicas na Unisinos e bolsista FAPERGS/FEE. Ambos publicaram artigo no Brasil Debate com um histórico dos rendimentos isentos de Imposto de Renda que desejo compartilhar e guardar neste modesto blog pessoal.

“Desde as primeiras sistematizações mais acuradas sobre o funcionamento da economia, ainda no século XVIII, preconiza-se que os tributos devem ser proporcionais à renda dos indivíduos. Naquela mesma época, ministros de Estado que propunham tal configuração eram desalojados de seus postos por forças refratárias a essa perspectiva, como ocorreu com Anne Robert Jacques Turgot. Continue reading “Estratificação do Imposto de Renda por Faixas de Salários Mínimos”

Indústria 4.0 (por David Kupfer)

Indústria 4.0

David Kupfer é diretor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ). Especialista em Economia Industrial, publicou artigo (Valor, 08/08/16) que permite a um leigo como eu uma atualização sobre as perspectivas da indústria. Compartilho seu artigo abaixo.

“De alguns anos para cá vem ganhando crescente visibilidade conceitos como “Manufatura Avançada” e “Indústria 4.0”. O conceito de Manufatura Avançada entrou em evidência após ancorar um plano estratégico publicado pelo governo americano (A National Strategic Plan for Advanced Manufacturing, Executive Office of the President and National Science and Technology Council, fevereiro de 2012). Já Indústria 4.0, como prefere denominar o governo alemão, ganhou vida como uma iniciativa conjunta do Ministério de Economia e Energia com empresas líderes, universidades e centros de pesquisa do país quando também em 2012 lançou as bases de um ousado programa de reconversão tecnológica da indústria germânica com essa marca (The Vision: Industrie 4.0, Federal Ministry for Economic Affairs and Energy, 2012).

Ambos os termos traduzem visões da indústria em um futuro próximo no qual fábricas inteligentes usam tecnologias de informação e comunicação para digitalizar os processos industriais em direção a níveis inimagináveis de eficiência, qualidade e “customização”. Manufatura Avançada ou Indústria 4.0 nada mais são do que um elenco de técnicas que dependem do uso coordenado de informação, automação, computação, software, sensoriamento e conexão em rede.

Conjugadas, essas técnicas proporcionam inovações:

  1. em robótica e eletrônica embarcada, que propiciam um super- barateamento da automação flexível;
  2. em manufatura aditiva, que estende as fronteiras de descentralização e fragmentação da produção; e, ainda,
  3. em computação em nuvem, internet das coisas, big data e interfaceamento, que alargam os horizontes dos experimentos de inteligência artificial.

O resultado é um salto evolutivo nas formas de organização da produção, em que se aprofunda sobremaneira a capacidade de interação M2M (máquina-máquina) sem a intervenção humana.

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Esquerda Democrática Pós-Marxista

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A esquerda ainda paga o preço político do totalitarismo na experiência do Socialismo Realmente Existente. Foi apenas fruto das circunstâncias históricas ou o “ovo da serpente” foi chocado a partir de Karl Marx e Friedrich Engels quando diagnosticaram, em O Manifesto Comunista (1848), que “a história de toda a sociedade até o presente é a história da luta de classes”?

Esta visão era historicamente falsa. A história humana tinha se definido até então pela predominância do regime de escravidão imposta pela casta dos guerreiros e aristocratas governantes em favor da casta dos comerciantes. A casta dos sábios-sacerdotes não se rebelava contra. Também a casta dos trabalhadores artesãos ou artífices não se incomodava, dado seu nicho de mercado de trabalho artesanal.

As alianças entre essas castas, indiferentes aos párias, foram (e são) golpeadas e contra golpeadas toda vez que há a tentativa de uma delas impor seus valores morais sobre as demais. Esse instável jogo de alianças entre castas explica melhor a longa história da humanidade. Vem de tempos remotos – e vai além do capitalismo.

As castas são membros de diversas redes e instituições de poder, cada uma apresentando sua própria cultura e incentivando determinado estilo de vida. Como tipos ideais, empregando o arquétipo de Weber, são úteis para mostrar como nossas ocupações se relacionam com nossos valores.

A profissão e a experiência de trabalho são fundamentais para a formação das atitudes políticas, porém, outros atributos de cada pessoa importam. Éthos é o conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres, etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.

Uma esquerda democrática pós-marxista necessita abandonar a ideia primária de ditadura do proletariado. Supostamente, esta superaria a ditadura da classe capitalista e levaria ao reino da abundância. Superada a fase socialista de “a cada qual segundo sua capacidade”, haveria a possibilidade da fase comunista de “a cada qual segundo sua necessidade”.

Essa crença idílica é não científica. Aposta em um determinismo histórico inelutável sob a batuta de um proletariado – aquele agrupamento social miserável que antes só tinha prole – já em extinção. Na tarefa lhe atribuída de ser o sujeito revolucionário, deixou de “não ter nada a perder” e de “ser a classe mais organizada”. Continue reading “Esquerda Democrática Pós-Marxista”

“Engenheiro de Obra-feita” ou “A Fácil Sabedoria ex-post”

Investimentos da 7 Brasil

José Goldemberg foi reitor da Universidade de São Paulo (1986 – 1990) e presidente da Sociedade Brasileira de Física de 1975 a 1979. No governo federal, foi secretário da Ciência e Tecnologia (1990 – 1991), ministro da Educação (1991 – 1992) e secretário do Meio Ambiente (março a julho de 1992), durante o governo de Fernando Collor de Mello. No estado de São Paulo, foi secretário do Meio Ambiente de 2002 a 2006. Em agosto de 2015 foi nomeado presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Embora tenha esse currículo brilhante, descontando as nódoas de ter sido “collorido” e das nomeações feitas por governos tucanos, escreveu artigo (Valor, 29/0716) como “engenheiro de obra-feita”, ou seja, com a fácil sabedoria ex-post. Após os fatos transcorridos é muito fácil criticar o passado. Se tivesse prevenido na época dos acontecimentos, poderia agora, justamente, indagar: “eu não disse?”.

Então, valer ler o artigo dele apenas para criticar a linha do raciocínio neoliberal e seu desprezo pelo planejamento estratégico, que resultou no “apagão de 2001”. A crise do apagão foi uma grande crise ocorrida no Brasil por causa do não planejamento do fornecimento e distribuição de energia elétrica. Ocorreu entre 1 de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, sendo causada por falta de planejamento e investimentos em geração de energia, deixando tudo para o livre-mercado. Por que o “tucano-de-carteirinha” não advertiu e/ou criticou os erros de seus colegas ou amigos?

O vidente é a pessoa que faz profecias, adivinhações, previsões, sem base em elementos da realidade, e sim por visão sobrenatural. Goldemberg é  profeta, adivinho, ou  apenas uma pessoa que tem muita intuição, perspicácia e tornou-se clarividente depois que o mundo atual tornou-se evidente? Continue reading ““Engenheiro de Obra-feita” ou “A Fácil Sabedoria ex-post””