Concurso para Professor Titular da UNICAMP

Conceição

Prezados Seguidores,

hoje é um dia especial para mim. Estarei prestando o Concurso para Professor-Titular da UNICAMP. Simboliza, caso eu seja aprovado, atingir o topo da carreira acadêmica.

A banca julgadora será composta pelos seguintes membros:

MCT - desenhoMaria da Conceição Tavares (IE-UNICAMP/IE-UFRJ): é uma das economistas de maior influência sobre o pensamento econômico brasileiro desde os anos 60, em especial o heterodoxo. Após estudar Matemática em Lisboa, veio para o Brasil onde se formou economista pela então Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Trabalhou na CEPAL e tornou-se professora da UFRJ e, mais tarde, da UNICAMP. Sua carreira acadêmica e sua obra sempre se pautaram por suas convicções éticas e políticas, de defesa de uma sociedade mais justa e solidária.

Seu espírito de luta acabou por levá-la a pleitear uma cadeira na Câmara de Deputados, mandato obtido e exercido de 1995 a 1999, em plena Era Neoliberal. Entretanto, sentiu não ser ali que melhor poderia servir às suas idéias e voltou às lides acadêmicas após esse período. Tornou-se célebre não só pelo vigor de seu pensamento, mas também pela paixão com que defende seus pontos de vista, sempre procurando identificar quais os interesses da grande maioria da população, excluída dos frutos do desenvolvimento, e tomar o seu partido: Partido dos Trabalhadores.

Sua obra é bastante diversificada: escreveu artigos e livros influentes, tanto no campo teórico quanto acerca de aspectos variados da economia brasileira. Seu primeiro trabalho clássico foi “Auge e declínio do processo de substituição de importações no Brasil“. Neste artigo já estavam presentes as questões que priorizaria mais adiante com a compreensão da dinâmica própria de economias como as latino-americanas, em particular a brasileira: como se inserem essas economias no mercado internacional, como evolui sua distribuição de renda, como se dá o progresso técnico, como é possível financiar o investimento e o consumo, superando a precariedade dos sistemas financeiros locais, foram alguns dos problemas para cujo equacionamento procurou contribuir. Uma preocupação fundamental, característica de seu pensamento, já estava aí presente: a assimetria de poder existente entre as diversas economias.

Esses problemas nortearam sua luta intelectual em defesa dos interesses dos excluídos e explorados. Profundamente interligados, tais problemas foram tratados tanto teórica quanto historicamente.

ana_celia_castroAna Célia Castro: Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1976), doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1988) e pos-doutorado na USP e na Universidade da Califórnia, Berkeley (1999-2000). Atualmente é professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Institucional, atuando principalmente nos seguintes temas: sistema agroindustrial, tendências tecnológicas, inovação, competitividade e propriedade intelectual. É coordenadora do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (Instituto de Economia da UFJR www.ie.ufrj.br ewww.ideiad.com.br/pped), vice-coordenadora do INCT-PPED (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento http://inctppedreport.ie.ufrj.br/) e coordenadora de MINDS (Multidisciplinary Institute on Development and Strategies) www.minds.org.br.

João Antônio de Paula: Professor titular do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG. Graduado em Ciências Econômicas por essa universidade (1973), é mestre em Economia pela Unicamp (1977) e doutor em História pela USP (1988). É autor de mais de uma centena de artigos, em publicações acadêmicas, e capítulos de livros. Somam mais de uma vintena os livros que publicou e organizou. Tem mantido constante colaboração em revistas de divulgação científica e participação em conferências, congressos e seminários. Tem pesquisado e publicado em várias áreas das Ciências Sociais: Economia Política, História Econômica, História das Ideias, História das Cidades, Meio Ambiente. Publicou Raízes da modernidade em Minas Gerais (2000); A economia política da mudança: os desafios e os equívocos do início do governo Lula (2003); Adeus ao desenvolvimento. A opção do governo Lula (2005); O Ensaio Geral: Marx e a crítica da economia política (2010).

Luiz Fernando de PaulaLuiz Fernando de Paula: Professor titular da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE/UERJ) e pesquisador nível 1 do CNPq. Ex-presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB). É autor do livro “Financial Liberalization and Economic Performance: Brazil at the Crossroads” (Routledge) e coautor do livro “Economia Monetária e Financeira: Teoria e Política” (Campus/Elsevier). Publicou vários artigos acadêmicos na área de Economia Bancária, Macroeconomia e Economia Internacional.

 

claudio dedecca

Cláudio Salvadori Dedecca: Professor titular do Instituto de Economia da Unicamp com especialização na área de economia social e do trabalho. Atualmente é membro titular da Comissão de Avaliação e Desenvolvimento Institucional – CADI da Unicamp e da Congregação do Instituto de Economia. Ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho. Atua como professor e pesquisador visitante de universidades e instituições de pesquisa internacionais. Assessora instituições de pesquisa e desenvolvimento nacionais e estrangeiras, e participa de grupos interdisciplinares e interinstitucionais de pesquisa.

Em minha prova didática, darei a seguinte aula, quando tentarei demonstrar meu didatismo “como fosse para uma turma de alunos da Graduação”:

Prova Didática no Concurso para Titular – Mercado Bancário 020315

Antes de responder à arguição da banca julgadora, farei um resumo, para a platéia, dos temas em debate:

Apresentação do Memorial Acadêmico

Pelo calendário oficial, a Prova de Títulos será às 09:30 h, a Prova Didática (aula) será às 11:00 h e a Arguição será às 14:00 h. Serão na sala 23 do Pavilhão da Pós-Graduação. Se a audiência for muito grande, passaremos para o Auditório do IE-UNICAMP.

Todos estão convidados, pois a Prova Didática e a Arguição são públicas. Jogar no próprio campo, com torcida a favor, ajuda a sair do banco (de reservas) e virar titular!

PS: à noite a Professora Maria da Conceição Tavares será homenageada com um jantar, promovido pelo IE-UNICAMP, em reconhecimento à sua extraordinária carreira acadêmica e política.

Economista Carioca: Bairrista ou Cosmpolita?

Rio-São-Paulo

Meu avô paterno era português. Morava na Avenida Visconde do Pirajá, em Ipanema, no Rio. Meus avós maternos eram mineiros, mas moraram, nos anos 50s, na Avenida Atlântica em Copacabana em apartamento com varandão voltado para o mar. Parte das férias na minha infância eram sempre passadas lá.

Meu pai era mineiro, assim como são nascidos em Minas Gerais minha mãe e meus quatro irmãos. Cada qual já morou em algum canto do mundo. Minha mulher é carioca, filha de paraibanos, meus filhos são paulistas. Já morei em Beagá, Rio, Campinas, Brasília e 2 a 3 dias por semana, durante 4,5 anos, em São Paulo. Portanto, sou apenas um brasileiro!

Bairrista é aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados. Não é raro encontrar cariocas voltados apenas para o mar e de costas para o Brasil…

Chico Santos e Alessandra Saraiva (Valor, 13/02/15) escreveram um artigo tipo “porque eu me ufano de ser economista carioca!”. Rio desse bairrismo, pois eu me identifico muito com os colegas cariocas. Acho que eles preferem ser vistos como cosmopolitas. É aquele que se porta como um cidadão que habita as grandes cidades e capitais mundiais, visitando-as com frequência e adotando-lhes o espírito urbano, um cidadão do mundo.

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Rio: 450 Anos de História do Brasil

Rio 400 AnosRio 450 AnosViolência no Rio

Fazer declaração de amor ao Rio é redundante, principalmente por parte de quem se casou com uma carioca, embora tenha se apaxionado por muitas… Frequento o Rio praticamente desde que nasci. Lá morei quando ainda era bebê (confira foto ao lado) e no início de minha carreira profissional (1978-1985), ou seja, entre os 26 e os 34 anos. Bom tempo para lá viver e fazer militância pelo fim da ditadura. Luta & Prazer. Fiz tantos amigos — e o lugar que a gente gosta é onde estão os amigos — que até hoje, depois de viver trinta anos entre Campinas, Brasília e alguns dias em São Paulo, sinto-me mais à vontade no Rio, mais até do que em Belo Horizonte, minha terra-natal. Talvez ainda realize meu desejo de voltar a morar perto das (praias) cariocas… :)

O que me surpreende é que quando pergunto aos meus alunos e amigos paulistas, muitos dizem que, devido ao medo, nunca foram ao Rio! Digo que nenhum brasileiro deve se privar do prazer de conhecer pessoalmente o que é o “bem-estar” na Cidade Maravilhosa. É uma cidade do prazer da Rua e não do conforto da Casa, como são as outras.

Hoje, comemora-se 450 anos do Rio de Janeiro. Compartilho dois artigos polêmicos que representam o “espírito carioca”, para o bem, para o mal…

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Críticas à Ciência da Complexidade

2001 Odisseia no Espaço

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, mostram que não há definição inconteste de Complexidade na literatura. Complexo e Complicado são sinônimos?

Há também uma crítica à alegação da Ciência da Complexidade de que não é possível manter o paradigma do reducionismo científico, dado que a soma das partes constituintes não seria suficiente para explicar o fenômeno. Este fenômeno (macrossocial por exemplo) seria mais que a soma de suas partes. Em outras palavras, a abordagem complexa postula que há mecanismos “novos ou inesperados” nas interações que apenas “emergem” quando se observa o conjunto de interações entre os indivíduos.

Contra o conceito de O Todo como “mais que” soma das partes, argumenta-se que a definição usual “o todo como a soma das partes” não implica ausência de propriedades emergentes. De fato, as propriedades são efeitos das ações das partes, o que incluiria suas interações.

Aliás, este sinergismo entre as partes já estaria considerado na análise matemática recente, com a ajuda de computação. De todo modo, seria contraditório definir um objeto como a soma de suas partes e, ao mesmo tempo, dizer que há propriedade emergente porque o sistema se comporta diferente de suas partes. Continuar a ler

HAL e IA (Inteligência Artificial)

2001 A Space Odyssey

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, afirmam que Von Neumann não distingue “complicação” de complexidade. Ele anuncia o conceito sabidamente vago e imperfeito de “complicação” para, em seguida, definir complexidade.

“Um objeto se classifica no mais alto grau de complexidade se consegue fazer coisas muito difíceis e intrincadas.”

Ainda em relação aos organismos vivos, Von Neumann reforça que os organismos são como “agregações complicadas”, probabilisticamente “improváveis”, de partes elementares.

Von Neumann vai além e descreve sua surpresa com o fato de que os organismos conseguem gerar outros organismos mais “complicados” que eles próprios. E, nesse sentido, não estão necessariamente imbuídas no organismo original receitas, dicas ou “previsões” acerca do organismo que o sucede.

Isto não ocorre no caso de autômatos artificiais, ou seja, a síntese feita por dado autômato precisa estar completamente descrita. Continuar a ler

Caos: Impossibilidade de Previsões de Longo Prazo

teoria-do-caos

Ainda na discussão sobre modelos, os autores da Ciência da Complexidade desenvolveram teorema segundo o qual o regulador de um sistema que almeja simplicidade e efetividade deve necessariamente ter um modelo. Além disso, o regulador deve conhecer, pelo menos estruturalmente, exatamente como o sistema funciona. Em outras palavras, deve se identificar com o sistema a ponto de conhecer sua estrutura e forma. Mais ainda, a continuidade da efetividade do regulador depende do aprofundamento de seu conhecimento sobre o sistema.

Portanto, para desenvolver o teorema, os autores definem, sucessivamente, regulação, modelo e sistema.

Modelos não lineares, ainda que muito simples, podem apresentar uma vasta gama de comportamentos dinâmicos, que vão desde a existência de pontos estáveis até flutuações aparentemente aleatórias.

Uma mesma lógica de recorrência, em que a magnitude de uma população em uma geração se relaciona com a magnitude desta mesma população na geração anterior, pode ser encontrada em diferentes campos do conhecimento. Na Economia, podem-se estudar relações entre preço e quantidade de bens, ciclos econômicos e efeitos temporais de variáveis econômicas. Nas Ciências Sociais, pode-se analisar o número de bits de informação lembrados após um intervalo t, ou a propagação de rumores em diferentes estruturas da sociedade. Continuar a ler

Complexidade: Construção de Modelos

Complexidade Gestão

Os autores do TD-IPEA 2019, Complexidade: Uma Revisão dos Clássicos, Bernardo Alves Furtado e Patrícia Alessandra Morita Sakowski, esperam, com este texto para discussão, fornecer ao leitor acesso direto ao pensamento original (e complexo) que se encontra em partes dispersas, com tênues linhas temporais em algumas disciplinas, mas ainda não consolidadas em forma de texto único como eles se propõem apresentar.

O texto conta com a introdução – que define o conceito geral e faz discussão inicial de cunho epistemológico (seção 1) — resumida neste post; uma seção sobre modelos e regulação (seção 2), seguida da discussão sobre sistemas dinâmicos, suas regras e comportamentos emergentes (seção 3). A seção 4 apresenta os autômatos celulares e sua importância para a consolidação da computação e da inteligência artificial. A seção seguinte fundamenta a Teoria da Informação (seção 5) e é seguida pelos princípios de redes (seção 6). Finalmente, apresentam-se conceitos adotados da área de evolução (seção 7). Conclui-se o texto com críticas (contemporâneas) sobre a “ciência da complexidade” e são feitas as considerações finais. Faremos, neste post, apontamentos sobre a construção de modelos científicos. Continuar a ler