Inovações Tecnológicas: do Streaming à IoT passando por 4G

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Robson Sales informa que o mercado de televisão por assinatura ficou estagnado em 2015, refletindo a crise econômica e a mudança de comportamento dos brasileiros, que começaram a trocar a TV a cabo por serviços de streaming, como Netflix e Amazon. Dados do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que analisou o acesso à internet, telefone celular e televisão, mostram que 32,1% dos domicílios tinham acesso à TV por assinatura. É uma proporção igual a registrada no ano anterior. Em 2013, a fatia dos brasileiros que tinham TV a cabo era de 29,5%, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Helena Monteiro, analista do IBGE responsável pelo estudo, afirma que:

  • por um lado, a crise econômica deixou o orçamento das famílias mais restrito;
  • de outro, o destaque é que está em curso uma mudança no hábito dos brasileiros, que estão migrando da TV a cabo para os serviços de televisão pela internet.

Passou a se trocar o plano de TV que assinava por canais via internet. Fica mais barato assinar Netflix, Amazon e HBO Go, por exemplo, do que assinar o pacote mais básico de TV a cabo.

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Desigualdade de Renda e o Poder de Estabelecer a Própria Renda

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O que é Poder? É o poder de fixar a própria remuneração sem limite.

Quem tem mais tem esse poder? Os membros da casta aristocrática do Poder Judiciário que julgam os outros, mas “não se enxergam”, isto é, abusam desse poder de barganha para o próprio usufruto.

Tainara Machado (Valor, 26/12/16) informa que as indenizações podem até quadruplicar o salário mensal de um procurador do Ministério Público Federal. Em alguns meses, a combinação de auxílios para moradia, alimentação e ajuda de custo fizeram com que procuradores chegassem a receber “supersalários” mensais de R$ 121 mil reais, dos quais R$ 96 mil em indenizações. A cifra já desconsidera os descontos previstos em lei, como Imposto de Renda e contribuição previdenciária.

Essas compensações, que não estão sujeitas ao teto salarial do funcionalismo público, representam 30,4% do gasto com folha dos servidores ativos do Ministério Público Federal, de acordo com levantamento do Valor a partir dos dados do Portal da Transparência sobre remuneração de membros ativos de janeiro a outubro, considerando os valores líquidos pagos aos procuradores.

Em outubro de 2016, por exemplo, os 1081 procuradores e subprocuradores federais na folha de pagamento do Ministério Público receberam, ao todo, R$ 31,6 milhões, já considerando os descontos obrigatórios. As indenizações e outras remunerações foram de R$ 13 milhões no mês, o que representou 41,1% da remuneração líquida recebida por esses servidores no período.

Por causa das indenizações, entre 10% e 20% dos procuradores ganham, todos os meses, mais do que o teto constitucional, dado pelo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de R$ 33,7 mil. Alguns procuradores chegam a ganhar mais de R$ 120 mil em um único mês, embora o salário bruto da categoria seja, em média, de R$ 28 mil.

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Três Aspectos Essenciais da Obra A Grande Transformação

a-gt-de-karl-polanyiDiogo Ramada Curto, Nuno Domingos, Miguel Bandeira Jerônimo, na Introdução ao livro “A Grande Transformação” de Karl Polanyi, se centram em três aspectos essenciais da obra.

Primeiro, há que considerar o sentido de um processo caracterizado pela extensão das relações de mercado: à medida que estas se foram tornando mais densas e difusas, as relações próprias da vida em comunidade e em família foram sendo subordinadas à lógica do mercado, passando a economia de mercado a assumir uma vida própria, governada pelas leis propostas pelos economistas clássicos e por Marx.

De modo mais concreto, o mesmo processo de transformação traduziu-se em:

  1. uma rejeição do sistema de beneficência e ajuda aos pobres, e
  2. na sua substituição por um mercado capaz de atribuir um preço ao trabalho, forçando homens e mulheres a viver de uma remuneração, por mais miserável que fosse.

O resultado é que a acumulação capitalista se passou a processar a uma escala até então inédita, que só teve paralelo nos processos de expropriação, deslocação forçada, desemprego e na destruição das relações e instituições sociais em que estavam anteriormente incrustadas:

  1. as atividades econômicas,
  2. o estatuto social,
  3. o orgulho no ofício e
  4. a própria expressão cultural do trabalho.

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Estado de Bem-Estar Social X Capitalismo de Livre-Mercado

Dica para assistir no Netflix: o documentário mais recente do Michael Moore, O Invasor Americano (2015). O último que ele tinha lançado foi em 2009: Capitalismo – Uma História de Amor.

Com Where To Invade Next, o documentarista de Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 11 de Setembro (2004) compara a cultura de apreçamento dos Estados Unidos, onde tudo é precificado, para quem tem mais dinheiro poder usufruir melhores produtos e serviços, enquanto na Europa e em outros países — como na Tunísia — o combate à desigualdade social é visto como a prioridade. Pior, a ausência de um Estado de Bem-estar social nos EUA não só é defendida por políticos de seu país como por PhD colonizados culturalmente que voltam para seus Países de origem pregando o credo norte-americamo pró-livre-mercado.

Argumentam que, nos EUA, a carga tributária é menor. Porém, contabilizando-se tudo que se paga nos States e que na Europa é serviço público de acesso universal, com qualidade e gratuito, sai mais barato — e de modo menos injusto — viver neste continente.

Michael Moore sai em uma turnê mundial em busca de bons exemplos de avanços sociais e culturais para serem “confiscados” pela sua nação. Ele começa sua viagem pela Itália, país que tem uma das maiores expectativas de vida do mundo, e fica espantado com os direitos que garantem, praticamente, considerando os feriados, oito semanas de férias para os trabalhadores, duas horas de almoço, licença-maternidade, e um 13° salário! Os EUA não dispõe de nenhuma dessas conquistas sindicais que até o Brasil já incorporou! 

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Repetições da História: Tragédias e Farsas

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A história aparece como tragédia e se repete como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?

A heurística – a arte de inventar ou fazer descobertas – mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”…

Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso. Continue reading “Repetições da História: Tragédias e Farsas”

A Grande Transformação: As Origens Políticas e Econômicas do Nosso Tempo

a-gt-de-kpA Grande Transformação, de Karl Polanyi (1886-1964): Questões de Interpretação, em sua edição portuguesa (Lisboa, Edições 70), tem Prefácio escrito por Joseph Stiglitz, Introdução de Fred Block e Ensaios Introdutórios com coautoria de Diogo Ramada Curto, Nuno Domingos, Miguel Bandeira Jerônimo. Por serem muito instrutivos, vou resumi-los em uma série de posts.

Karl Polanyi nasceu em Viena, em 1886, no seio de uma família judaica. O seu pai foi um engenheiro e empresário húngaro ligado à rede ferroviária. A sua mãe, também de origem russa, desempenhou papel de relevo nos círculos intelectuais e políticos de Budapeste. Quem com ele conviveu atribui diretamente à figura materna – irmã de um rabino que rompeu com as suas origens judaicas para descobrir o credo cristão – a influência decisiva na formação de uma atitude radical, qualquer que seja o sentido atribuído a tal expressão. Continue reading “A Grande Transformação: As Origens Políticas e Econômicas do Nosso Tempo”

Espiritualismo e Materialismo: O Resultado Econômico de Crendices

sucesso-financeiroSucesso financeiro se deve a investimento de sobra de renda do trabalho e/ou da herança em acumulação de renda capitalizada por juros compostos, cuja referência é determinada em última instância pelo Banco Central. Este não é Deus, talvez seja o Papa de O Mercado… Os neoliberais veem O Mercado como Deus.

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Desde agosto de 2006 até o fim da Era Social-desenvolvimentista em 2014, houve pequena evolução da renda dos evangélicos. Depois da volta da Velha Matriz Neoliberal, nos últimos dois anos, caiu o nível de renda deles. A fé em Deus diminuiu?

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Esta fé, que “Deus dará”, é falseada pelos dados de distribuição de renda no Brasil — isto sem considerar a dos países onde os povos seguem outras religiões: budismo, hinduísmo, islamismo, etc. –, já que apenas 1,7% da população ocupada — considerando o contingente de 94,8 milhões na população ocupada (PO) em 2015, eram 1,6 milhão pessoas — recebiam mais do que dez salários mínimos (R$ 8.800), sendo a Classe B [10-20 SM] 1,4% e a Classe A [>20 SM] 0,3% ou apenas 284,4 mil pessoas. A Classe C [2-10 SM] tinha 21% da PO, a Classe D [1-2 SM], 37%, tendo aumentado em 3,5 pontos percentuais em 2015, e a Classe E, 30,4%. Que riqueza esperada é esta — material ou espiritual? Continue reading “Espiritualismo e Materialismo: O Resultado Econômico de Crendices”