Economia e Complexidade

Eleutério F. S. Prado classifica seu livro “Economia e Complexidade” (São Paulo: Pléiade, 2014) como Tomo III, para distingui-lo dos títulos implícitos dos dois livros anteriores. O primeiro denominado “Economia, Complexidade e Dialética” (São Paulo: Plêiade, 2009) e o segundo, “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011).

Essa mesma denominação – Economia e Complexidade – foi empregada também em cursos de graduação e pós-graduação ministrados no Departamento de Economia da FEA-USP, assim como designativo do blog do autor mantido na internet: Blog Economia e Complexidade. O sítio publica artigos de Eleutério F. S. Prado. Divulga, também, textos importantes sobre Economia Política e sobre o tema da Complexidade. Continuar a ler

Complexidade contra Reducionismo

fractal_designs_by_iskariota666-d4yz91pEleutério Prado, em seu livro “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011), mostra que há um modo de fazer Ciência que é alternativo em relação àquele fundado no reducionismo. Essa nova cientificidade contraria ponto por ponto os fundamentos primeiros do mecanicismo, o qual se sustenta:

  1. na aparência das coisas e
  2. na concepção manipulatória de conhecimento científico via modelagem.

Criticando o “fechamento causal” da Ciência newtoniana, essa nova cientificidade recupera a Teoria das Quatro Causas de Aristóteles. Para tanto, trabalha na suposição de que a realidade natural é sempre formada por sistemas complexos. Os sistemas simples, nessas perspectiva, são sempre abstrações. Continuar a ler

Da Ciência Relacional

pcn-de-ciencias-naturais-e-biologia-20-638Eleutério Prado, no capítulo sobre Reducionismo e Dialética, em seu livro “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011), expõe as ideias de Robert E. Ulanowicz (A Third Window: Natural Life Beyond Newton and Darwin. Wsest Conshohocken, PA: Templeton Foundation Press, 2009), que trabalha na interface da Ciência Natural com a Ciência Social e critica o reducionismo. Ele pensa a partir da Ecologia: Ciência Biológica que estuda as relações dos organismos entre si e com o meio em que vivem. Por extensão, Ecologia inclui também o estudo das relações recíprocas entre o homem e seu meio moral, social, econômico.

Face aos complexos problemas da existência humana, em particular, os problemas ecológicos e ecopolíticos, Ulanowicz julgou que era necessário abrir uma terceira via na Ciência contemporânea. A primeira via é o mecanicismo determinista que partiu de Descartes e Galileu e atingiu Isaac Newton, desenvolvendo-se nos séculos XVI a XVIII. A segunda via é a surgida no pensamento dos economistas clássicos, que creem em ordem espontânea, mas que se firmou na Biologia Evolucionária de Charles Darwin no século XIX. Continuar a ler

Sistemas Complexos e Dinâmicos

computer generated patterns

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Na segunda metade do século XX, com o desenvolvimento da Ciência da Computação e da capacidade de manipular sistemas dinâmicos não triviais, desenvolveu-se todo um procedimento capaz de abranger certos plexos fenomênicos complicados. Eleutério Prado, em seu livro “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011), expõe essa evolução.

Antes desse desenvolvimento, quando o comportamento do Todo não podia ser decomposto de modo simples ao comportamento das Partes, certos fenômenos eram ignorados – ou drasticamente simplificados – pelos procedimentos científicos, porque se mostravam resistentes ao método reducionista tradicional.

Depois dessa inovação, certos comportamentos que resultavam da interação variada, local e encadeada de muitos elementos, que conformavam processos que envolviam causação não linear, realimentação negativa e positiva, assim como bifurcações, passaram a ser abarcados por meio de sistemas dinâmicos sofisticados. Continuar a ler

Concepção de Mundo da Ciência Moderna

fractal-6De acordo com Robert E. Ulanowicz (A Third Window: Natural Life Beyond Newton and Darwin. Wsest Conshohocken, PA: Templeton Foundation Press, 2009), a concepção de mundo da Ciência Moderna pode ser apresentada por meio de uma restrita coleção de características, não independentes umas das outras, mas fundamentais.

A primeira é o “fechamento causal”, que rejeita as formas substanciais e as qualidades ocultas, submetendo os fenômenos da Natureza às leis da Matemática. Em sua perspectiva, somente são válidas as explanações que fazem uso de causas eficientes – o cálculo diferencial e integral – e causas materiais – o necessário posicionamento dos fundamentos causais na própria Natureza.

Essa restrição impede que causas supranaturais (“divinas”) possam ser invocadas na explicação direta dos fenômenos da Natureza. Mas também faz que sejam banidas da Ciência a causa formal e a causa final que constam do esquema aristotélico de explicação de todas as coisas. Esses dois princípios de causalidade pressupõem que o mundo como um todo seja tomado como um cosmos, uma totalidade fechada, caracterizada pela boa arrumação e harmonia de todos os seus componentes.

A natureza da coisa e o seu lugar nessa ordem que determina a sua causa final – aquilo que em função da qual vem a ser. Todas as coisas têm uma causa formal ou essência – aquilo que faz cada coisa ser o que é. Continuar a ler

Da Ciência Reducionista

fractal_faceNo segundo tópico do seu quinto capítulo, em seu livro “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011), Eleutério F. S. Prado inicia afirmando que o método de apreender os fenômenos por meio do qual a Física de Isaac Newton se sobressaiu como conhecimento exemplar se difundiu para além dela própria. A própria Ciência enquanto tal passou a ser identificada com os seus conhecimentos abstratos.

O Método Reducionista da Ciência Moderna ordena que se parta de unidades analiticamente definidas por certas características intrínsecas, pertencentes a um determinado sistema fechado. Postula-se, assim, a separação entre o sistema e o seu ambiente, de tal modo que o comportamento das unidades em consideração não possa sofrer influência de eventuais mudanças que possam ocorrer no ambiente. Continuar a ler

Reducionismo e Dialética

complexidade-e-praxisEleutério Fernando da Silva Prado, em seu livro “Complexidade e Práxis” (São Paulo: Pléiade, 2011), informa que a primeira concepção de mundo que costuma ser considerada científica nasceu na Grécia Antiga com Aristóteles. De acordo com ela, o universo conhecido é um grande organismo – um cosmos – cujas partes têm finalidades e realizam funções.

A segunda grande concepção de mundo, na História da Civilização Ocidental, veio com a síntese newtoniana no século XVII. O universo passa a ser concebido como uma máquina cujas partes interagem externamente, sem quaisquer finalidades intrínsecas. Os processos da Natureza mantêm estabilidade. Apresentam, por isso, configurações constantes de fenômenos. A função da Ciência é apreender essas regularidades por meio de Leis e pela construção de Modelos. Continuar a ler