Download Gratuito do Livro “A vida está difícil. Lide com isso.”

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Download: Fernando Nogueira da Costa – A Vida está Difícil. Lide com Isso.

Reuni resenhas da literatura recente de não-ficção postadas neste blog. São narrativas da crise mundial na atual transição histórica. Li e resumi 43 livros de autores estrangeiros — veja a bibliografia abaixo –, em geral publicados nos últimos anos, exceto os de Metodologia. Apresento as explicações sobre crise financeira, metodologia econômica, transição histórica devido à revolução tecnológica, consequências políticas vivenciadas e propostas políticas para evitar a atual polarização destrutiva. Continuar a ler

Retomada do Crescimento: Condições para Combate ao Desemprego

Contra esta, apresento na conclusão algumas ideias para um programa alternativo de obtenção dos bens básicos universais para uma boa vida.

Heterodoxia X Ortodoxia = Mainstream

Em “The Changing Face of Mainstream Economics”, escrito por David Colander, Ric Holt e Barkley Rosser (Middlebury College Economics Discussion Paper No. 03-27 – Department Of Economics – Middlebury College – http://www.middlebury.edu/~econ, November 2003), os coautores reconhecem ser útil para o argumento deles em defesa da Ordem dos Economistas considerarem cuidadosamente os termos mainstream, ortodoxia e heterodoxia. Como eles são usados muitas vezes em sentido pejorativo, espelhando discursos de ódio mútuo, é necessário mostrar como eles se relacionam com a sua ideia de a dinâmica da mudança em uma profissão estar à margem dessa profissão.

Começam a argumentação com o termo mainstream economics. Em algum sentido, economia mainstream é o mais fácil dos termos acima para definir, claramente, embora possa ser o mais difícil de identificar na prática. É em grande parte uma categoria definida sociologicamente. Mainstream consiste nas ideias mantidas por aqueles indivíduos dominantes nas principais instituições acadêmicas, organizações e periódicos, a qualquer momento, especialmente nas principais instituições de pesquisa de pós-graduação. A

Economia mainstream consiste nas ideias cuja elite na profissão acha aceitável, onde por elite Colander, Holt e Rosser entendem os principais economistas no topo das escolas de graduação. Não é um termo suficiente para descrever uma escola historicamente determinada, mas sim um termo capaz de descrever as crenças [e os preconceitos] vistas pelas principais escolas e instituições na profissão como intelectualmente válidas e, portanto, vale a pena trabalhar com elas [para obter mobilidade social dentro da carreira profissional]. Devido a isso, a economia mainstream geralmente representa uma abordagem mais ampla e mais eclética da Economia em lugar da caracterizada como “ortodoxia” na profissão.

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A Praça e a Torre: Redes, Hierarquias e a Luta pelo Poder Global

Niall Ferguson, no prefácio do livro “A Praça e a Torre: Redes, Hierarquias e a Luta pelo Poder Global” (São Paulo: Planeta do Brasil; 2018. 608 p.), afirma a palavra network (rede) ter sido raramente utilizada antes do fim do século XIX. Hoje, é usada em excesso tanto como verbo quanto como substantivo na língua inglesa.

Para um jovem ambicioso vale sempre a pena ampliar a rede de contatos (networking). Por sua vez, para um idoso, a palavra “rede” tem outra conotação. Suspeita de o mundo ser controlado por redes poderosas e exclusivas: Os Banqueiros, A Elite Governante, O Sistema, O Mercado, Os Judeus, Os Maçons, etc. As teorias conspiratórias não seriam tão persistentes se essas redes de “caça às bruxas” ou “sacrifício de bodes-expiatórios” não existissem de nenhuma forma.

O problema em defender essas teorias conspiratórias é, se excluídos, sentem-se lesados, e daí eles invariavelmente têm dificuldades para entender e interpretar o modo como as redes operam. Em particular, eles tendem a partir do princípio de redes de elite controlarem em segredo e com facilidade as estruturas formais do poder.

A pesquisa de Niall Ferguson – assim como a sua própria experiência – indica não ser esse o caso. Pelo contrário, as redes informais costumam ter uma relação altamente ambivalente, às vezes até hostil, com as instituições estabelecidas. Continuar a ler

Mudança de Paradigma dentro da Profissão de Economista

Em “The Changing Face of Mainstream Economics”, escrito por David Colander, Ric Holt e Barkley Rosser (Middlebury College Economics Discussion Paper No. 03-27 – Department Of Economics – Middlebury College – http://www.middlebury.edu/~econ, November 2003), eles destacam: questões sociológicas interferem e restringem o que é possível intelectualmente.

A reprodução de ideias envolve as estruturas sociais, políticas e econômicas dos acadêmicos e da formulação de políticas em estabelecimentos de ensino e pesquisa onde as ideias são desenvolvidas e transmitidas. Ideias, embora originais e possivelmente maravilhosas, se não forem aceitas por algumas cabeças da “elite da profissão”, eventualmente não terão suas pesquisas financiadas por órgãos de governo, não serão aceitas e transmitidas dentro da profissão. Para internamente mover a disciplina para uma nova posição, algumas das pessoas inclusas dentro da “elite da profissão” devem aceitar essas ideias.

[Observa-se a indiferença quanto à liberdade de pensamento e expressão ao aceitar essa Teoria das Elites como o padrão dominante. É uma postura não só elitista como também conservadora, adotada apenas pelos idolatras dessa hierarquia ortodoxa.]

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Pressuposição da Racionalidade dos Agentes Econômicos: Autoestima do Animal Humano

Alan P. Kirman, autor do ensaio “Comportamento individual e agregado: de formigas e homens”, considera outra visão do mundo, onde os indivíduos funcionam em um local limitado e a maioria de suas informações vem daqueles com quem eles interagem. Além disso, suas capacidades de raciocínio são limitadas e eles se adaptam ao invés de otimizar. Não é possível, em tal mundo, o resultado coletivo ter certas propriedades desejáveis?

O que ele descreve tem grande correspondência com a situação em um ninho de formigas ou em uma colmeia. Isso é muito diferente de um mundo onde, pela dotação de inteligência, indivíduos calculistas antecipam eventos futuros racionalmente.

Uma visão da economia como uma colônia de insetos sociais é um anátema para aqueles convencidos de os animais humanos, ao contrário das formigas, terem intenções conscientes a respeito de o que eles querem fazer. Embora isso seja verdade até certo ponto, também é verdade as escolhas feitas por qualquer entidade econômica serem fortemente restringidas pelo lugar onde essa entidade ocupa na estrutura econômica.

Se aceitarmos isso, somos imediatamente confrontados com um dilema. O comportamento de um indivíduo, e sua contribuição para a atividade econômica, depende do papel cumprido por ele ou ela – e não apenas de algumas características intrínsecas a cada qual. Isso significa não bastar olhar para algum “agente representativo”, a fim de entender o que vai acontecer no nível agregado. Você não imaginaria olhar para o comportamento de uma formiga representativa se você quisesse prever a evolução da atividade do seu ninho.

Nessa visão, a atividade agregada não é uma versão ampliada do comportamento individual. A passagem do micro para o macro é mais complexa do que uma simples soma de indivíduos independentes. Comportamento macroeconômico certamente reflete o comportamento microeconômico subjacente, mas “não tem a forma de boneco de corda”. Se nós somos interessados em relações macroeconômicas relativas à reação a mudanças em várias variáveis ​​agregadas não devemos começar no nível isolado do agente racional. Continuar a ler

Mudança do Modelo de Cartões de Pagamento no Brasil

Credenciadoras de cartões têm basicamente três fontes de receitas. Elas estão sendo afetadas pela forte concorrência que chegou ao setor.

A primeira delas é com o aluguel ou a venda de “maquininhas”, sendo que esse último foi um modelo trazido para o mercado pelas novatas e depois copiado pelas incumbentes.

Outra fonte de ganhos é com a taxa de desconto ou MDR (“merchant discount rate“), cobrada em cada transação para remunerar os serviços prestados pela credenciadora, as bandeiras e os emissores dos cartões. A concorrência derrubou essa taxa de 2,95%, em 2009, para 2,63%, em 2017, no caso das operações com cartão de crédito.

A terceira fonte de receita é com a operação de antecipação de recebíveis das transações com cartões de crédito à vista e também parcelado. Os lojistas costumam receber esses recursos a cada 30 dias, mas podem antecipá-lo para dois dias desde que paguem uma taxa de antecipação. Nas credenciadoras focadas na base da pirâmide, esse serviço pode responder a 60% do faturamento. Na nova disputa do setor, essa taxa tem sido reduzida ou eliminada.

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Plataforma de Pagamentos Instantâneos no Brasil

Talita Moreira (Valor, 23/04/19) informa: o Banco Central (BC) começa a implantar no segundo semestre a infraestrutura que vai viabilizar a adoção de uma plataforma de pagamentos instantâneos abrangente no Brasil.

O modelo em desenvolvimento pelo órgão regulador contempla a participação de todos os agentes atuais da cadeia de pagamentos – bancos, bandeiras de cartões, credenciadoras e fintechs — em um único sistema interoperável. Na prática, um consumidor vai poder transferir recursos de sua conta corrente para uma conta de pagamentos, por exemplo, em poucos segundos, a partir de seu celular. As transações poderão ser feitas a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana.

O BC quer evitar que prevaleçam no mercado brasileiro os sistemas fechados de pagamentos instantâneos, ou seja, que as transferências automáticas possam ser feitas apenas entre os clientes de uma determinada empresa. Foi o modelo que prosperou na China, onde o WeChat e o Alipay dominaram o mercado, mas surgiram como soluções estanques, sem que fosse possível mandar dinheiro de um para o outro.

Debruçado sobre o assunto desde o ano passado, o órgão regulador tem olhado experiências de outros países para definir o modelo brasileiro. A avaliação do BC é que, na China, a falta de atuação do Estado levou a um duopólio e em mercados como Estados Unidos e Austrália há barreiras à disseminação dos pagamentos instantâneos porque não há uniformidade. Continuar a ler