Fluxos de Renda Real e Valores Atribuídos a Capital Fictício

A Lista dos Bilionários Brasileiros, publicada no número especial da revista de origem norte-americana Forbes, traz uma estimativa de patrimônio apurada principalmente a partir do valor de mercado das empresas nas quais os citados têm participação acionária total ou parcial. É uma riqueza fictícia, resultante da atual bolha de ações, ou seja, são valores atribuídos por impressionismo de poucos investidores interativos.

Um leitor leigo pode ter se surpreendido com o salto no número de bilionários desde o fim da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) e a volta da Velha Matriz Neoliberal (2015-2019): de 150 para 206. A fortuna deles passou de 11% a 13% do PIB, ficando oscilando entre 13% e 14% até o ano corrente quando deu um salto para 17%.

Neste período (2015-2019), houve uma Grande Depressão (-7,2 pp do PIB em um biênio) seguida de uma estagdesigualdade. O crescimento anual do PIB foi inferior a 1%, ou seja, pouco valor novo foi adicionado como fluxo de renda, mas o estoque de riqueza acionária se elevou muito, apesar da depressão deflacionária não ser bom fundamento.

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POF 2017-2018

ANA CAROLINA SANTOS, AMANDA ROSSI E RENATA BUONO (piauí; 14out2019) são autores da reportagem abaixo, importante de ser reproduzida para fins didáticos.

 

O fosso entre os gastos das famílias mais pobres e mais ricas no Brasil é enorme. Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostram que o grupo mais pobre das famílias brasileiras tem gasto médio de R$ 1.494 por mês, enquanto o grupo mais rico despende o equivalente a dezoito vezes esse valor (R$ 27.234). Em um mês, o total que uma família mais rica investe em educação é igual a todas as despesas de uma família mais pobre. Os resultados se referem a 2018. O =igualdades desses jornalistas é sobre o consumo das famílias brasileiras. Continuar a ler

Modelo das Três Grandes Forças

Ray Dalio acredita três forças principais conduzirem a maior parte da atividade econômica:

1) o crescimento da produtividade além da linha de tendência,

2) o ciclo da dívida em longo prazo e

3) o ciclo da dívida em curto prazo.

Figurativamente falando, eles se parecem com os mostrados abaixo.

O que se segue em seu livro é uma explicação de todas essas três forças. Mostra como, sobrepondo o arquétipo de ciclo da dívida em curto prazo ao topo do ciclo arquetípico da dívida de longo prazo, há a sobreposição de ambos à produtividade.

Na linha de tendência, pode-se derivar um bom modelo para rastrear a maioria dos movimentos econômicos de mercado. Enquanto essas três forças se aplicam às economias de todos os países, neste estudo, Dalio examina a economia dos EUA nos últimos 100 anos como um exemplo para transmitir o modelo. Este modelo mostrará tudo o que Dalio tem a dizer.

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Como funciona a Economia como Componente de um Sistema Complexo

Analisando a Economia com um dos componentes interativos dos quais emerge um Sistema Complexo, abandona-se o paradigma inspirado na Física Newtoniana, referência para todo o pensamento — e jargão — neoclássico: equilíbrio. Os ortodoxos são binários. Pensam a economia como em equilíbrio ou fora do equilíbrio. Neste caso, provavelmente, culpam o Estado e os sindicatos — e defendem o livre-mercado, isto é, a autorregulação da comunidade pelo mercado ou a  “desincrustração” deste em relação à sociedade!

Na visão do mainstream, em especial da Escola Austríaca, não há nada a fazer contra o desequilíbrio, o laissez-faire se encarrega de tudo, porque há apenas dois tipos de problemas no mundo:

  1. os insolúveis…
  2. os que se resolvem por si só!

Economia como parte de um Sistema Complexo, incrustada na Sociedade, ou Mercado e Estado submissos à Comunidade, analisa a auto-organização a cada momento. São configurações transitórias como fossem um fractal.

Entenda, didaticamente, como se analisa a economia-de-mercado em ciclos de endividamento assistindo o vídeo acima, baseado no livro de Ray Dalio. São seguidas (e irregulares) fases sem periodicidade predefinida.

Leia minha tradução de parte do livroRAY DALIO – Crise da Grande Dívida

Como o sistema baseado no mercado funciona

Como mencionado por Ray Dalio, no livro Economic Principles (2015), os atores econômicos descritos anteriormente compram e vendem 1) bens e serviços e 2) recursos financeiros ativos e podem pagar por eles com 1) dinheiro ou 2) crédito.

Em um sistema de mercado, essa troca ocorre por livre escolha, ou seja, existem “mercados livres” nos quais compradores e vendedores de bens, serviços e ativos financeiros fazem suas transações em busca de seus próprios interesses. A produção e compras de ativos financeiros (isto é, empréstimos e investimentos) são chamados de “formação de capital”.

Isso ocorre porque o comprador e o vendedor desses ativos financeiros acreditam a transação ser boa para eles. Aqueles com dinheiro e crédito fornecem aos destinatários em troca das “promessas” dos destinatários para pagar-lhes mais.

Então, para esse processo funcionar bem, deve haver um grande número de provedores de capital capazes, ou seja, investidores / credores optantes por doar dinheiro e crédito a um grande número de receptores e concessores de capital (mutuários e mutuantes) em troca da afirmações confiáveis ​​dos destinatários de eles garantirem a devolução das quantias em dinheiro concedidas como crédito em valor nominal superior ao concedido, devido à remuneração em juros.

Embora a quantidade de dinheiro existente seja controlada pelos Bancos Centrais, a quantidade de crédito em estoque (saldo) pode ser criada do nada, ou seja, bastam duas partes dispostas a aceitar ou concordar em fazer uma transação a crédito, embora isso seja influenciado pelas políticas do banco central. Em bolhas, mais crédito é criado em relação ao possível de ser pago mais tarde. Isto cria crashes.

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Pensando em Equilíbrio

Foi publicado, em 9 de agosto de 2019, um artigo reproduzindo uma versão editada de uma entrevista conduzida pelo Professor Eric Beinhocker, diretor executivo do INET (Institut New Economic Thinking) da Oxford University, com o professor Sanjit Dhami da Universidade de Leicester, autor de Análise dos Fundamentos da Economia Comportamental. Este livro foi lançado em 9 de maio de 2019 na Universidade de Oxford.

A análise de equilíbrio é muito útil para ilustrar alguns dos principais princípios econômicos por trás das curvas de demanda e oferta. Em dadas condições, geralmente fazem previsões sensatas.

Por exemplo, um aprimoramento do gosto em relação a um bem aumenta seu preço no curto prazo, por exemplo, um aumento do preço dos abacates após sua identificação como super alimento sanitário. Ou um aumento de impostos aumenta os custos marginais dos produtores e aumenta o preço de um bem.

No entanto, em longo prazo, a oferta poderá recuperar o atraso e os preços poderão realmente cair. Tudo isso também pode ser acomodado na análise de equilíbrio. No entanto, e este é um ponto que é muitas vezes esquecido, o mesmo também pode ser previsto por modelos de não equilíbrio.

Também muitas vezes não se percebe a noção de equilíbrio ser adaptada à dinâmica de sistemas em constante estado de fluxo, o que também é uma característica de sistemas complexos. Isso, por exemplo, pode ser encontrado no trabalho de Peyton Young e colegas que pesquiso em Dhami (2016, capítulo 16, intitulado “Dinâmica social estocástica”). Dá origem a equilíbrios pontuados e outras noções de equilíbrios temporais, tais como estados estocásticos estáveis. Foram úteis no estudo de normas sociais.

Acontece existir uma conexão estreita entre os equilíbrios de Nash na teoria neoclássica dos jogos e as normas sociais previstas por esses modelos sob o pressuposto de os indivíduos se envolverem em uma racionalidade de baixo nível, ou seja, usando simples regras práticas e simples regras adaptativas de aprendizado. Para vários exemplos ver Dhami (2016, capítulo 16). Infelizmente, este trabalho quase não teve impacto em Economia Convencional.

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Princípios Econômicos

No rascunho de seu livro lançado em setembro de 2018, Ray Dalio escreveu Economic Principles, em 2015, uma referência ao título de seu best-seller na área de gestão.

Ele afirma: “a economia é como uma máquina. No nível mais fundamental, é uma máquina relativamente simples. Mas muitas pessoas não entendem – ou não concordam com o modo como isso funciona – e isso levou a muitos fatores econômicos a desnecessários sofrimentos. Sinto um profundo senso de responsabilidade em compartilhar meu modelo econômico simples, mas prático. Eu escrevi essa peça literária para descrever como acredito ela funcionar.

Minha descrição de como a economia funciona é diferente da maioria dos economistas. Funcionou melhor, permitindo-me antecipar as grandes desalavancagens e mudanças de mercado ignoradas a maioria dos outros analistas de mercado. É porque é mais prático. Eu certamente não quero você cegamente acreditar na minha descrição de como a máquina econômica funciona, mas eu a expus claramente, para você poder avaliar o valor por si mesmo. Então, vamos começar”.

Uma economia é simplesmente a soma das transações componentes. Uma transação é uma coisa simples. Porque tem muitas delas, a economia parece mais complexa face ao que realmente é. Se, em vez de olhar de cima para baixo, a olhamos sob o ponto de vista das interações entre as transações, é muito mais fácil entender.

Uma transação consiste no comprador dando dinheiro (ou crédito) a um vendedor e o vendedor dando um bem, um serviço ou um ativo financeiro para o comprador em troca. Um mercado consiste em todos os compradores e os vendedores fazerem trocas por as mesmas coisas, por exemplo, o mercado de um produto consiste em pessoas diversas fazendo transações diferentes por distintas razões ao longo do tempo.

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