Chora, Direita! Maioria do Eleitorado não é nem Conservadora nem Neoliberal!

Como a mídia brasileira é unilateral, não apresentando um debate público entre as diversas posições políticas e ideológicas existentes na sociedade brasileira, ela “vende” uma ideia de que “tá tudo dominado” pelo conservadorismo. Faz, cotidianamente, o maior esforço para os tucanos elitistas e esnobes não se dividirem em torno da candidatura do governador paulista, “naturalmente”, mas como nem ele nem o prefeito coxinha sobem nas pesquisas eleitorais, já está propagando a ideia de que Boçalnaro dá para ser transformado em um neoliberal manipulável e palatável por O Mercado. Prefere a extrema-direita do que “o populismo” (sic) de Lula. Popularidade para ela é “populismo”, ou seja, não sacanear o povo.

Pior, como já se vê há três anos a campanha da extrema-direita organizada em espalhar o discurso de ódio antipetista por parte dos “haters“, em todos os comentários de qualquer notícia referente ao Lula ou à Dilma, só se lê analfabetos que maltratam o vocábulo para os desancar. Haters é uma designação de origem inglesa e que significa “os que odeiam” ou “odiadores” na tradução literal para a língua portuguesa. O termo hater é bastante utilizado na internet para classificar algumas pessoas que praticam “bullying virtual” ou “cyber bullying“. São aquelas pessoas que provam que o animal humano não evoluiu muito em autocontrole de sua selvageria. Os que odeiam são odientos ou odiosos!

 

Ricardo Mendonça (Valor, 17/11/17) informa que uma pesquisa recém-concluída pelo instituto Ideia Big Data sobre temas comportamentais e econômicos sugere, conforme os formuladores do levantamento, que as posições dos brasileiros são bem menos conservadoras do que tem aparecido nas análises políticas, nos discursos de parlamentares e em manifestações em redes sociais. Continue reading “Chora, Direita! Maioria do Eleitorado não é nem Conservadora nem Neoliberal!”

Economia Interdisciplinar e Riqueza Imobiliária

O artigo sobre “Riqueza Imobiliária”, que os alunos – Tatiana Rimoli Gzvitauski, Marcel Roberto Santos Dias, Rafael Bertazzi Costa Rosa, Daniel Herrera Pinto – e eu fomos coautores, como trabalho de avaliação no curso de Doutoramento no segundo semestre de 2016, foi o trabalho vencedor do I PRÊMIO LARES IBAPE/SP. O prêmio foi conferido na XVII Conferência Internacional da LARES 2017, onde foi apresentado. Nos tínhamos o publicado como Texto para Discussão 284 do IE-UNICAMP (TDIE).

Essa é uma experiência didática que se tem revelado frutífera. Na primeira vez, o artigo – “Economia Interdisciplinar” –, cujos coautores foram Taciana Santos, Daniel Pereira da Silva, Samir Luna de Almeida e eu, foi selecionado como o número 1 da primeira revista da UFABC. Esta Universidade, que busca fazer pesquisa na vanguarda tecnológica, queria criar uma revista para a Agência de Inovação da UFABC.

Seu editor me disse que o perfil editorial seria inovação, empreendedorismo, startups, negócios. Queria imprimir um perfil de artigos baseados mais nos modelos da complexidade e do evolucionismo. Estava procurando membros para o Conselho Editorial e artigos para o primeiro número. Solicitou-me sugestões.

Coincidentemente, na ocasião, meus alunos e eu estávamos debatendo e pretendendo publicar uma breve resenha sobre tema do curso Economia Interdisciplinar: Comportamental, Institucionalista, Evolucionária e Complexa. Enviamos e recebemos parecer nos parabenizando “pelo excelente artigo. Era exatamente o que precisávamos para o primeiro número, um artigo que mostra o perfil pretendido da revista no campo teórico. O resumo do artigo é perfeito para o foco que pretendemos. Este artigo também vai ajudar muito as nossas disciplinas ligadas à C&T”. Continue reading “Economia Interdisciplinar e Riqueza Imobiliária”

Gravidez na Adolescência

Ana Conceição (Valor, 17/10/17) informa que, no Brasil, um em cada cinco bebês é filho de mãe adolescente, com 10 a 19 anos. Sete em cada dez mães nessa faixa etária são afrodescendentes e aproximadamente metade mora nas regiões Norte e Nordeste. São números que refletem uma situação de grande desigualdade no acesso à saúde e aos direitos reprodutivos, cenário que tem potencial para comprometer o desenvolvimento econômico do país na medida em que restringe o acesso dessas jovens à educação e ao trabalho.

Entre essas meninas-mães, de cada cinco, três não trabalham nem estudam. A vulnerabilidade dessa parcela da população à pobreza, à exclusão e à violência e a necessidade de implementar políticas públicas direcionadas a ela no mundo é o tema do relatório “Situação da População Mundial 2017“, lançado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Com o subtítulo “Mundos Distantes – Saúde e Direitos Reprodutivos em Uma Era de Desigualdade“, o relatório indica que a demanda não atendida por serviços de saúde, incluindo o planejamento reprodutivo, “pode enfraquecer as economias e sabotar o progresso já alcançado para o cumprimento do primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o de eliminação da pobreza”. A desigualdade na saúde, diz o estudo, também pode prejudicar todos os outros 16 ODS pactuados na ONU em 2015, entre eles igualdade de gênero, segurança alimentar e educação.

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Estatísticas Fiscais do Governo Geral: Consolidação das Três Esferas de Governo

A partir do trabalho de depuração e reconstrução das séries de receitas e despesas das três esferas de governo da federação, Sérgio Wulff Gobetti & Rodrigo Octávio Orair, no Texto para Discussão do IPEA 2288 (Brasília, abril de 2017), intitulado Resultado Primário e Contabilidade Criativa: Reconstruindo as Estatísticas Fiscais “Acima Da Linha” do Governo Geral, conseguiram consolidar o resultado primário “acima da linha” do governo geral – federal, estadual e municipal.

Essa consolidação, sintetizada em uma imensa tabela detalhada para os valores anuais entre 2002 e 2015, foi feita com uma desagregação que busca seguir a classificação econômica do Sistema de Estatísticas Fiscais de FMI (2014). Nela, as receitas primárias foram agrupadas por simplicidade em três grupos – três tipos de receitas: tributos na definição geral do SEF (FMI, 2014), que inclui contribuições sociais; as transferências intergovernamentais; e as demais receitas (concessões, dividendos etc.) – e as despesas em seis grupos, a saber.

  1. Remuneração de empregados: corresponde não só aos salários de servidores, mas também a outras remunerações por prestação de serviços (como as bolsas para estudantes, alfabetizadores e pesquisadores que não possuem caráter assistencial), incluindo os encargos sociais incidentes sobre eles.
  2. Uso de bens e serviços: corresponde ao gasto com pagamento por prestação de serviços, inclusive os de utilidade pública (energia elétrica, telecomunicações e água), aluguéis e manutenção de prédios públicos, bem como aquisição de quaisquer bens que não sejam ativos fixos e sejam utilizados em atividades meio ou fim da administração pública – do papel higiênico ao medicamento de alta complexidade.
  3. Subsídios: corresponde ao custo arcado pelo governo ao financiar diretamente ou por meio de bancos públicos o consumo ou os investimentos do setor privado (empresas e famílias), o que pode se dar tanto pela equalização de taxas de juros, quanto de preços e tarifas, de forma explícita (com previsão e repercussão no orçamento público) ou de forma implícita (fora do orçamento, com operações para-fiscais, como os empréstimos do Tesouro ao BNDES).
  4. Benefícios sociais: corresponde aos gastos com pagamento de benefícios de natureza assistencial ou previdenciária, sendo estes últimos divididos entre os do regime geral (setor privado) e os do regime próprio dos servidores públicos (RPPS). Os benefícios assistenciais incluem todos os tipos de bolsas e auxílios financeiros a pessoas físicas que não se impliquem alguma espécie de contraprestação de serviços, mas a pura transferência de renda para reparar alguma situação de vulnerabilidade social (Bolsa Família, Bolsa de Volta para Casa, Bolsa Jovens Vulneráveis e Auxílio Desastre, por exemplo).
  5. Investimentos em ativos fixos: corresponde à parcela dos investimentos realizada diretamente pelos governos, ou seja, exclui as transferências de capital para outros entes.
  6. Demais despesas: inclui todas as despesas primárias não enquadradas antes, como transferências de capital para setor privado e exterior, inversões financeiras e determinados gastos de custeio.

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Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?

Após a morte precoce do pai, gente “sorteada pela cegonha a nascer em berço-de-ouro” precisa assumir sozinha a empresa da família ainda sem ter formação em Ensino Superior de boa qualidade. Muitos herdeiros ricos foram malcriados ou mimados, sendo formados em cursos de Administração de Empresas sem a exigência de desenvolver pensamento estratégico ou adquirir visão holística. O jovem herdeiro não pensa logo que precisa profissionalizar um negócio que já existe há décadas. Ao perceber essa necessidade, ele procura um curso voltado para executivos com foco em Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial.

A demanda de jovens herdeiros — ou até mesmo de seus pais — por preparação para assumir as empresas da família tem crescido no Brasil, país em que apenas 6% das companhias familiares chegam até a terceira geração, segundo dados da consultoria PwC. Por isso, estabelecimentos e institutos educacionais e até gestoras de fortunas têm investido em programas de formação para ajudar esses futuros executivos e acionistas a cuidar não só da empresa como de todo seu patrimônio. Continue reading “Educação Financeira ou Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial para Herdeiros?”

Estatísticas Fiscais do Governo Central: o Trabalho de Reconstrução

A partir da identificação das inconsistências nas estatísticas oficiais do governo central, Sérgio Wulff Gobetti & Rodrigo Octávio Orair, no Texto para Discussão do IPEA 2288, em Brasília, abril de 2017, intitulado Resultado Primário e Contabilidade Criativa: Reconstruindo as Estatísticas Fiscais “Acima Da Linha” do Governo Geral, reconstruíram a série do resultado primário acima da linha efetuando uma série de ajustes, tanto de composição quanto de magnitude.

No caso dos passivos com os bancos públicos, houve adições e subtrações à despesa primária, de maneira que passou a considerar o ajuste de contas intrassetor público, por exemplo, descontando passivos do governo central com o BNDES referentes a subsídios (equalização de taxa de juros) concedidos e efetivamente obtidos pelo setor privado.

A tabela 1 apresenta a evolução do resultado primário ajustado do governo central no primeiro estágio de desagregação, perfazendo um período de vinte anos. Essa decomposição do resultado fiscal mostra claramente que, no longo prazo, alguns poucos itens da despesa crescem acima do PIB sistematicamente:

  1. os benefícios sociais e, recentemente,
  2. os subsídios.

Juntos, esses dois itens da despesa passaram de 5,8% do PIB em 1997 para 11% do PIB em 2016 (valores acumulados até junho). No mesmo período, a soma das demais despesas praticamente não se alterou, situando-se em torno de 8% do PIB, com médias idênticas nos dois subperíodos de 1997-2006 e 2007-2016.

Por seu turno, as receitas apresentam uma evolução em forma de U invertido:

  1. crescendo muito aceleradamente entre 1997 e 2002, impulsionada por aumentos legislados de carga tributária,
  2. reduzindo o crescimento e estabilizando-se entre 2003 e 2008 e
  3. caindo a partir de 2009 influenciada pelas diversas políticas de desoneração adotadas e, mais recentemente, em função da crise econômica, que produz quedas na arrecadação mais acentuadas do que no próprio produto.

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Perfis dos Investidores Financeiros no Brasil

A pesquisa da ANBIMA sobre a trajetória financeira do brasileiro ganhou dados quantitativos. Uma rápida olhada acima dá para verificar que a diferença substantiva de Educação Financeira entre o Ensino Fundamental e o Ensino Superior é que, entre estes, há mais “sonhadores”. E entre as gerações é de se esperar pela “ordem natural de amadurecimento” que os jovens até 21 anos sejam proporcionalmente mais “sonhadores”. E os velhos baby-boomers planejam menos, afinal, entre 53 e 72 anos, estão na fase de desfrute (consumo) e não de acumulação.

Na primeira etapa, a pesquisa identifica as cinco formas mais comuns das pessoas se relacionarem com dinheiro (veja a descrição e a distribuição de cada um deles no material para download no final do post) que deram origem aos perfis:

  1. despreocupado: 11%,
  2. camaleão: 29%,
  3. construtor: 30%,
  4. sonhador: 8%,
  5. planejador: 22%.

Na segunda fase, os pesquisadores foram às ruas, com ajuda do DataFolha, para saber quantos somos em cada um desses segmentos. Ouviram 2.653 pessoas das classes A, B e C de 130 municípios do Brasil.

O levantamento identificou que para apenas 22% da população, os chamados planejadores, guardar dinheiro é um compromisso. Essas pessoas são consideradas organizadas e têm uma relação forte e sadia com o dinheiro.

O trabalho é parte de uma iniciativa maior, liderada pela área de Educação da ANBIMA, que teve como ponto de partida buscar explicações para a baixa poupança do brasileiro.

[Fernando Nogueira da Costa: simples, posso explicar ou desenhar de graça, é por causa do crescimento em ritmo muito baixo da renda agregada em comparação com o padrão de consumo das diversas classes de renda.] Continue reading “Perfis dos Investidores Financeiros no Brasil”