Sobre Fernando Nogueira da Costa

Professor Titular do Instituto de Economia da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, SP - Brasil. Autor do livro "Brasil dos Bancos". Ex-VP Caixa (2003-07).

Retrocesso do Rio de Janeiro: Milicianos contra Ordem e Progresso

Alessandra Saraiva (Valor, 27/09/22) informa: o Estado do Rio de Janeiro foi a unidade da federação com menor ritmo de crescimento anual no país entre 1985 e 2019. Com isso, ficou abaixo da média de crescimento econômico nacional anual para o período.

Já a economia de Mato Grosso apresentou maior cadência de alta anual do Produto Interno Bruto (PIB) – sendo quase duas vezes mais rápida face à média anual do Brasil. As economias menores crescem mais por partirem de menor patamar.

Este estudo é da economista Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), e de Marcel Balassiano, pesquisador licenciado do FGV Ibre e atualmente subsecretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da prefeitura do Rio de Janeiro.

No levantamento, os especialistas calculam: a taxa de crescimento real média do Rio foi de 1,5% ao ano no período, inferior a de outros Estados e abaixo da de 2,3% para Brasil em 35 anos. No entendimento dos pesquisadores, a menor atratividade do Rio para investimento, ao longo das décadas, causada por políticas públicas ineficientes, levou ao atual cenário: os milicianos corruptos afastaram os investidores! Pior, alastraram-se para o Distrito Federal!

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Desmonte da Propaganda Fascista

Maria Cristina Fernandes (Valor, 30/09/22) avalia: nenhuma proposta construtiva apareceu na campanha marcada pelos valores que o bolsonarismo acredita professar e pela desconstrução daqueles de seus adversários.

O atraso do país não é sinal, mas sintoma. Revela o ruído da comunicação de um grupo político que não chegou ao poder para governar, mas para desfazer. Em um dos programas de sua reta final de campanha, Bolsonaro surgiu orgulhoso para apresentar como feito a retirada de 4 mil radares das estradas brasileiras!

Na tentativa de pautar a agenda pública com propostas ou feitos do seu governo, reforçou a agenda alheia. Foi isso que aconteceu com o Auxílio Brasil, por exemplo. Mesmo que as peças publicitárias deixassem claro que o programa tinha chegado para substituir o Bolsa Família, a ênfase só reforçou a agenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu à frente, em todas as pesquisas, no público que recebe o benefício.

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Bolsonaro e seus Seguidores: o Horror em 3.560 frases

Bolsonaro e seus Seguidores – o Horror em 3.560 frases

O livro para download acima é um registro histórico dessa lamentável fase da política contemporânea brasileira. Para o autor, Walter Barretto Jr., a produção do livro representou um misto de cansaço mental com a expectativa positiva de colaborar com a disseminação de conhecimento para uma reflexão pública sobre o projeto político da extrema direita brasileira. Ela surge em linha com movimentos extremistas e intolerantes verificados em diversos países do mundo.

Embora seja um livro de frases, propõe uma leitura para além delas. É preciso compreender a mensagem implícita. Lidas e interpretadas, cada uma delas, será possível perceber desconfortavelmente aonde já chegamos com o avanço neofascista. Como a maioria do eleitorado brasileiro permitiu isto em 2018?!

É hora da correção desse erro histórico! Vote contra a reeleição deste sujeito desqualificado para o cargo maior da República!

Beleza da Democracia

Na tensa véspera do primeiro turno da eleição de 2022, é necessário recorrer ao apoio emocional dos companheiros, para combater a insônia e a depressão. São provocadas pelas notícias de ataques à mão armada por parte de intolerantes com as diferenças ou divergências políticas. Nesse sentido, o humor é fundamental.

Contra a contínua, quase diária, divulgação de pesquisas com base científica, um sujeito ignorante anuncia não aceitar sua derrota esperada na apuração dos votos por conta de sua amostra… visual! Argumenta: em todos os comícios dele, vê muitos apoiadores…

O defensor do “Datapovo” questiona: “o Datafolha entrevistou 6.754 eleitores em todo o Brasil, distribuídas em 343 municípios, mas o Brasil tem mais de 5.600!” Em resposta, foi lhe sugerido: “quando você for fazer seu próximo exame de sangue, pede para tirar todo seu sangue…”

Análise de pesquisa eleitoral exige certa sutileza quanto às sobreposições dos dados. Por exemplo, na ânsia pela reeleição (e imunidade investigativa), ele lidera a rejeição entre os candidatos à Presidência da República: 52% não votariam de jeito nenhum no atual presidente, indica o Datafolha de 22/09/22.

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Redes Políticas por Proximidade e Raízes do Neofascismo em Santa Catarina

Nossos laços com outras pessoas influenciam, entre outros fatores, a evolução da situação econômico-financeira e política. As cadeias de interconexões se ramificam como raios, configurando padrões intricados por toda a sociedade humana.

Em uma rede social, o número de laços com outros seres humanos e a complexidade da ramificação aumentam em escala crescente. Quando pessoas estão conectadas em vastas redes, a influência social vai muito além das pessoas conhecidas.

Se influenciarmos nossas interconexões, e elas influenciarem seus outros laços, nossas ações coletivas podem, potencialmente, influenciar pessoas desconhecidas por nós. Os seres humanos se reúnem em ações coletivas para via Política realizar o não possível de se fazer sozinho.

Em campanha eleitoral, interessa-nos descobrir a origem das convicções políticas das pessoas e examinar como a tentativa de certa pessoa de resolver um problema social ou político influencia outros militantes e conquista votos dos eleitores. As redes prospectadas por cientistas sociais são muito mais complicadas, se comparadas às redes elétricas ou às redes de neurônios, por exemplo, porque os nós nessas teias sociais são seres humanos pensantes e reativos – e não células ou átomos passivos.

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Planejamento de Investimentos em Infraestrutura

Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B é um dos nomes mais respeitados do mercado quando se fala em infraestrutura. Ele fez o Mestrado na UNICAMP duas turmas depois da minha.

Ele informa: desde 2014, o investimento total no setor diminuiu de 2,43% para 1,66% do PIB. Tem havido estabilidade dos desembolsos privados e uma redução brutal dos aportes públicos. Na média das duas últimas décadas, os recursos aplicados em energia, transportes, telecomunicações e saneamento foram de 2,04% do PIB. Para suprir o déficit do país, deveriam ter alcançado 3,51%.

Para alcançar essa meta deve-se fazer o seguinte planejamento:

1. aumentar esses investimentos em 0,2 a 0,3 ponto percentual do PIB anualmente ao longo da próxima década;

2. fortalecer o BNDES como estruturador de projetos;

3. ampliar a participação do mercado de capitais para o financiamento;

4. rigor na escolha dos projetos, incluindo análise do custo-benefício e de sua “taxa social” de retorno;

5. defender as agências reguladoras.

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Ranking da Taxa de Juro Real face à Inflação Projetada

Eduardo Cucolo (FSP, 21/09/22) informa: o Brasil é o país com a maior taxa real de juros ao ano, descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, segundo o ranking elaborado pelo portal MoneYou e pela gestora Infinity Asset Management. A lista tem 40 países.

Até fevereiro deste ano, o país estava no topo do ranking, mas foi ultrapassado pela Rússia em março, após o forte aumento de juros no país em meio à Guerra da Ucrânia. Em maio, quando o banco central russo cortou a taxa de 20% para 14% ao ano, o Brasil voltou ao topo da lista.

Esse patamar de juro real é considerado significativamente contracionista para a atividade econômica no Brasil, onde a taxa de equilíbrio é estimada em torno de 4,5%.

No dia 21/09/22, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, o que ajuda a consolidar a posição do Brasil.

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Quebrando Mitos

Quebrando Mitos” revela a masculinidade frágil e catastrófica de do presidente homofóbico sob o ponto de vista de um casal LGBT – o cineasta Fernando Grostein Andrade (“Quebrando o Tabu”, Coração Vagabundo” e “Abe”) e o ator e cantor Fernando Siqueira. Depois de ameaças anônimas por conta de críticas de Andrade à homofobia, o casal partiu para a Califórnia e decidiu fazer um documentário onde misturam suas biografias com a resistência ao fascismo no Brasil. Imperdível como registro histórico!

Número de milionários no Brasil

O Brasil fechou 2021 com 266 mil milionários, ante 207 mil no ano anterior. projeção é que esse número cresça 115% até 2026, chegando a 572 mil. Os dados são do Global Wealth Report 2022, divulgado nesta terça-feira (20) pelo Credit Suisse.

No mundo, o total de pessoas com riqueza igual ou superior a US$ 1 milhão era de 62,5 milhões ao final de 2021, um acréscimo de 5,2 milhões em relação ao ano anterior. O grupo representa 1,2% dos adultos do mundo e possui 47,8% da riqueza mundial.

O banco espera que o número de milionários no mundo avance 40% até 2026, chegando a 87,6 milhões. Além do Brasil, o montante deve dobrar em países como a China (+97%), Índia (+105%) e Hong Kong (+98%). Na América Latina como um todo, o crescimento esperado é de 99% e na África, de 173%.

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Efeito Autocrata: Queda do Brasil no Ranking de Liberdade

Gideon Rachman (Financial Times, 22/04/22) avalia: Putin cultivou com sucesso o apoio do conservadorismo no mundo ao denunciar o ‘politicamente correto’. Estilo político ‘antiglobalista’ fincou raízes profundas em todas as regiões do mundo em 20 anos. Pior, a ascensão de Trump nos EUA legitimou política de ‘homens de direita’ até mesmo em democracias maduras do Ocidente.

Poucas semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia, o premiê da Hungria, Viktor Orbán, visitou o presidente Vladimir Putin em Moscou. Enquanto outros encontros de Putin com líderes ocidentais foram tensos e antagônicos, o clima entre eles foi quase festivo.

O governo de Orbán estava no meio de um confronto com o resto da União Europeia (UE) por estar minando a democracia e o estado de direito. “Os tempos são difíceis, mas estamos em muito boa companhia”, disse Orbán na entrevista coletiva após o encontro, arrancando um sorriso de Putin. O húngaro, que é o líder mais antigo no cargo na UE, gabou-se de seus muitos encontros com Putin. “Não pretendo sair”, disse. “Tenho boas esperanças de que poderemos trabalhar juntos por muitos anos.”

A expectativa de Orbán de que continuará comandando a Hungria por muito tempo foi confirmada no início de abril. O partido Fidesz, que ele lidera, venceu as eleições – beneficiando-se de um sistema eleitoral e da mídia que são tão profundamente a favor de Orbán que a Hungria passou a ser considerada um país apenas “parcialmente livre” pela Freedom House, centro de estudos dos EUA.

A eleição na Hungria e seu domínio por Orbán são um lembrete de que o estilo político do homem forte – tão associado a Putin – tem adeptos no mundo todo, inclusive dentro de democracias estabelecidas do Ocidente.

Desde 2000, a ascensão do líder forte tornou-se uma característica da política global. Em capitais tão diversas quanto Moscou, Pequim, Nova Déli, Ankara, Budapeste, Manila, Washington, Riad e Brasília, autointitulados “homens fortes” (e, até agora, todos eles são homens conservadores e autoritários) chegaram ao poder.

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Mais uma Idiotia do Guedes antes do Passa-Fora, Moleque!

O Posto Ipiranga, sem consciência do mal feito a si e aos outros, portanto, um idiota, estuda a criação de uma meta para as reservas internacionais. A ideia não encontra, no entanto, consenso nos escalões técnicos do próprio Ministério da Economia, fonte do vazamento da idiotia.

Elas são um seguro, acumulado desde o governo Lula II, depois de romper a dependência com o FMI. De maneira simplificada, o Tesouro Nacional emite títulos no Brasil e, com a quantia arrecadada, compra principalmente dólares para investir em títulos do Tesouro americano. Segundo os dados do Banco Central (BC), as reservas internacionais do Brasil somavam US$ 339 bilhões em 2 de setembro de 2022. Guedes queimou US$ 27 bilhões!

De acordo com o integrante do governo, o estabelecimento da meta com bandas de flutuação tal como a idiotia de 1995-1998 para taxas de juros, ocorre hoje com a condução da taxa de juros e as metas de inflação. Ele nega a proposta representar uma meta para a própria taxa de câmbio em si, ou seja, adotar novamente o regime de câmbio fixo.

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