Neurociência e Educação

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis ganhou notoriedade no mundo inteiro ao fazer macacos comandarem computadores usando apenas o que vulgarmente se conhece como “força do pensamento”. Nicolelis fez a seguinte previsão para Gilberto Dimenstein (Folha de S. Paulo, 02/05/10): “as novas descobertas sobre como funciona a mente vão virar de cabeça para baixo o modo como se transmite conhecimento. Isso afetará do jornalista ao professor”.

Experimentos com ressonância magnética mostram que as emoções são fundamentais para fixar as informações, o que explica por que esquecemos tão rapidamente o que somos obrigados apenas a decorar, sem que pareça ter qualquer utilidade. Explica também por que não esquecemos detalhes de momentos fortes: as primeiras experiências.

Educadores que usam arte, esporte e comunicação para estimular o aprendizado obtêm ótimos resultados. “As emoções são a cola das informações”, afirma Nicolelis, que desenvolve projetos curriculares para o ensino de ciências para crianças e adolescentes pobres. Por estudar o funcionamento do cérebro, Nicolelis faz com que as aulas sejam uma sucessão de experimentações e associações. “Aprender é associar.”

Neurocientistas investigam como as novas tecnologias acabam moldando o funcionamento do cérebro. Por exemplo, está sendo realizada série de testes empregando sensores vem sendo realizada com jovens acessando a internet ou lendo livro. Daí se tira a suspeita de que as novas tecnologias sejam ótimas para agilizar a cabeça, mas ruins para estimular a profundidade do pensamento. Entendem-se, assim, o crescimento vertiginoso do Twitter e a expansão do comércio, na internet, de trabalhos escolares, até de dissertações de mestrado e de teses de doutorado!

Essas modificações estão associadas ao fato de que o estudante quer recompensa mental imediata, não está disposto a elaborações mais complexas. Avolumam-se estudos indicando que esse imediatismo é um dos ingredientes por trás do aumento de dependência de drogas legalizadas do tipo ansiolíticos. Afinal, elaborar a dor dá trabalho.

Foi divulgada experiência da Universidade de Maryland com 200 estudantes americanos, convidados a ficar desligados por 24 horas. Não poderiam usar celular nem computador, nada de Facebook ou SMS.  Depois desse exílio tecnológico, parte das cobaias demonstrou sinais semelhantes aos de abstinência dos viciados em álcool e drogas. Apesar do tempo de sobra nessas 24 horas, a maioria daqueles estudantes não quis ler algum livro, assistir a algum noticiário da TV ou folhear algum jornal.

Ainda estamos nos acostumando a avaliar as escolas no Brasil com base no desempenho dos alunos em português e matemática. Mas já está na hora de nos prepararmos para usar as descobertas da neurociência, evitando graduar gente obsoleta que tiveram apenas professores com métodos didáticos desatualizados, defasados ou ultrapassados.

Psicologia e Neurociência Cognitivas: Implicações para Educação

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