Como Fazer Previsões

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Sabemos que se define um economista como “um expert que saberá amanhã porque as coisas que ele previu ontem não aconteceram hoje”. A imprensa explora as divergências entre as previsões econômicas, pois existem tantas opiniões diferentes sobre o futuro da economia quanto existem economistas. Os homens de negócios reclamam porque um estudo de economista, geralmente, revela que a melhor época para comprar algo já passou…

Os peritos em previsões não falam com vozes discordantes; todos dizem mais ou menos a mesma coisa ao mesmo tempo. E o que dizem é quase sempre errado. Na realidade, a Economia é uma ciência exata. Erra 100% das vezes!

O problema maior está não nas diferenças entre as diversas previsões econômicas, mas sim nas diferenças entre as previsões como um todo e o que acontece.

Uma análise do desempenho dos modelos de previsão, checando com a (fácil) sabedoria ex-post, demonstra que existe uma previsão de consenso, em torno da qual agregam-se os peritos. Esse consenso, no entanto, não conseguiu prognosticar nenhum dos mais importantes acontecimentos econômicos dos últimos anos.

Um dos motivos para essa aglomeração das previsões em torno de um consenso deriva da maioria delas basear-se apenas na avaliação que os peritos fazem das opiniões e previsões de terceiros. Portanto, não é surpreendente  assemelharem entre si. A imprensa sempre consulta os mesmos notáveis, e estes leem o próprio grupo, quando não as mesmas fontes estrangeiras…

Eles não respondem às perguntas que jornalistas fazem porque sabem qual é a resposta. Eles respondem, simplesmente, porque foram perguntados!

Para peritos do mercado financeiro, cujas carreiras profissionais podem estar em jogo, é sempre mais seguro cometer o mesmo erro de todo mundo. Por isso, raramente se distanciam muito do consenso. Mesmo quando os fatos desmentem suas previsões, os peritos preferem insistir no consenso, pois senão seriam “culpados” individualmente de imperícia, em vez de se colocarem como “vítimas” coletivas dos acontecimentos.

Tecnicamente, a previsão consensual é fácil de ser conhecida. Pode-se obtê-la calculando a média dos dados do presente e a do passado.

  1. Quando as variáveis encontram-se em níveis historicamente baixos, o consenso é que subirão.
  2. Quando estão acima da média, o prognóstico modal é que deverão cair.
  3. E, finalmente, quando estão muito mais perto da média, a maioria dos peritos acha que irão permanecer onde estão

Não é de admirar que, adotando o mesmo princípio e o mesmo método, cheguem à mesma conclusão.

Nos modelos de previsão, com a ausência de choques exógenos, ou depois deles, retorna-se rapidamente à tendência histórica. A pressuposição de que “o futuro será parecido com o passado” é comum. Como não existem ainda “dados do futuro”, os modelos econômicos são criados fazendo relações entre variáveis-chave, baseadas em dados passados, para prever as variações futuras. No entanto, as mudanças estruturais na economia podem provocar grandes problemas para essa abordagem. Nem sempre o passado é um bom guia. Podem ocorrer mudanças no comportamento dos agentes econômicos, quebrando sua regularidade histórica.

A fraqueza fundamental da abordagem prospectiva é que ela é incapaz de identificar mudanças estruturais na economia. Por exemplo, as mudanças nos preços dos ativos desempenharam um papel no boom e no crash que não tinham sido vistos da mesma forma em ciclos econômicos anteriores. Fenômeno não visto e, portanto, não antecipado, por ser inédito, a “previsão consensual” deixa escapar quase inteiramente.

Além disso, a previsão consensual de que a inflação subirá, porque no passado sempre subiu, ou de que o crescimento de reverterá, porque isso sempre ocorreu, não ajuda muito nas tomadas de decisão, tanto dos empresários, quanto dos condutores de política econômica. O difícil não é prever “o apocalipse”, mas sim o timing exato da crise. Esta poderá resultar da convergência de fatores aleatórios imprevisíveis.

As decisões de qualquer pessoa – física ou jurídica – depende de expectativas incertas sobre o cenário futuro da economia. Este depende da resultante de comportamentos descentralizados, divergentes e desinformados de uns de outros agentes econômicos.

Pode-se, então, como a mídia frequentemente faz, ridicularizar a precisão de previsões  de economistas arrogantes. Eles cometem muitos erros, mas mesmo assim nunca demonstram dúvidas. Galbraith diz que temos duas classes de previsores: os que nada sabem… e os que não sabem que nada sabem!

Antes de nos arrogarmos de fazer nossas previsões, vamos captar as tendências históricas despontadas, ou melhor, desapontadas, recentemente…

2 thoughts on “Como Fazer Previsões

  1. Tudo está em mutação, obviamente em mudanças. Agora a economia de um determindo país pode se conseguir um quadro previsível.
    Imaginemos o Brasil, li que o país vai crescer a 4% no ano atual, essa é uma previsão totalmente fora da realidade. Eu não acredito em milagre.
    O país vai investir menos, não há recursos para as necessidades fundamentais: a infraestrutura-rodovias, ferrovia, portos e aeroportos em estado precários.
    Não vou falar de causas indiretas: Educação e Saúde ocupa os últimos lugares no mundo.
    Baseado nesses fatos pode-se afirmar com 80% de certeza que nossa economia não vai crescer de forma segura nos próximos anos.

    • Prezado Milton,
      a conferir no final do ano…
      Eu não faço previsão, só pondero que o PIB deste ano variará sobre um PIB que não se elevou muito no ano que passou, mas há crescimento de capacidade produtiva, seja com importações de máquinas e equipamentos, seja com maturação de investimentos, ou mesmo com o ingresso de nova força de trabalho. A taxa de desemprego está baixa e a massa de salário real está crescendo…
      att.

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