Pós-Modernismo na Universidade

Na coletânea de ensaios e entrevistas “A ideologia da Competência” de Marilena Chaui (organizador André Rocha. Belo Horizonte: Autêntica Editora; São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014. Escritos de Marilena Chaui: 3), a filósofa analisa o pós-modernismo. Ele corresponde a uma forma de vida determinada pela insegurança e violência institucionalizada pelo mercado.

Essa forma de vida possui quatro traços principais:

(1) a insegurança, que leva a aplicar recursos no mercado de futuros e de seguros;

(2) a dispersão, que leva a procurar uma autoridade política forte, com perfil despótico;

(3) o medo, que leva ao reforço de antigas instituições, sobretudo a família, e ao retorno das formas místicas e autoritárias ou fundamentalistas de religião;

(4) o sentimento do efêmero e da destruição da memória objetiva dos espaços, levando ao reforço de suportes subjetivos da memória (diários, biografias, fotografias, objetos).

A peculiaridade pós-moderna, isto é, a paixão pelo efêmero e pelas imagens, depende de uma mudança sofrida no setor da circulação das mercadorias e do consumo. De fato, as novas tecnologias deram origem a um tipo novo de publicidade e marketing no qual não se vendem e compram mercadorias, mas os signos delas, isto é, vendem-se e compram-se imagens que, por serem efêmeras, precisam ser substituídas rapidamente. Dessa maneira, o paradigma do consumo é dado pelo mercado da moda, veloz, efêmero e descartável.

Porque é parte da ideologia neoliberal ou da nova forma da acumulação do capital, o pós-modernismo relega à condição de mitos eurocêntricos totalitários os conceitos que fundaram e orientaram a modernidade:

  1. as ideias de racionalidade, universalidade,
  2. o contraponto entre necessidade e contingência,
  3. os problemas da relação entre subjetividade e objetividade,
  4. a história como dotada de sentido imanente,
  5. a diferença entre natureza e cultura, etc.

Continue reading “Pós-Modernismo na Universidade”

Livre Pensar – Cinebiografia da Maria da Conceição Tavares

Obs.: veja mais vídeos-aulas da Professora no novo canal do YouTube do Instituto de Economia da Unicamp (clique no link)

O lançamento do filme (75 minutos aproximados) Livre Pensar – Cinebiografia da Maria da Conceição Tavares foi realizado na Unicamp no dia 19 de junho, às 18h, no auditório da Adunicamp, como parte das comemorações dos 50 anos do Instituto de Economia. O evento foi aberto ao público e teve um debate ao final da exibição entre o diretor do filme José Mariani e professores do IE.

Para meu (verdadeiro) orgulho, fui convidado a dar um depoimento a respeito da minha Professora – e amiga –, ao lado do Professor Wilson Cano. Como de hábito, meu estimado orientador no Mestrado e Doutorado exortou-nos a pesquisar o atual estado calamitoso da economia brasileira e fazer o bom combate em debate público a respeito. Estimulou-nos a buscar e propor saídas racionais para o impasse político e econômico da Nação.

Em narrativa pessoal, eu transmiti outra lição de vida: a gente tem de ir atrás de bons professores para o desenvolvimento intelectual. Mentor é aquele indivíduo experiente capaz de guiar (ou dar conselhos a) uma outra pessoa. Serve a alguém de guia, de sábio e experiente conselheiro. Ele inspira, estimula a criatividade, o livre pensar. Não necessariamente é o orientador presencial de ideias, ações, projetos, realizações etc. Continue reading “Livre Pensar – Cinebiografia da Maria da Conceição Tavares”

Fernando Cardim Carvalho

 

28 de março de 2018
Estimado Fernando,

desde sempre sou um admirador de você. Por seu bom caráter, educação, bom senso, inteligência e cultura, entre outras virtudes. É uma das boas pessoas que tenho a honra de compartilhar uma velha amizade. Mesmo que distantes, amigos se engatam de imediato.

Foi assim que me senti quando li sua mensagem. Meu sentimento foi a respeito de sua exemplar serenidade.

Ontem, dei uma palestra e transmiti a seguinte ideia que me recordei agora: “necessitamos alcançar a serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, a coragem para modificarmos aquelas que podemos, e a sabedoria para distinguirmos umas das outras”.

Sem dúvida, você possui essa sabedoria.

Mantenha essa admirável serenidade e lembre-se: enquanto existirmos, a morte não existe. Quando a morte existir, não existiremos

Com todo o afeto e a amizade, desejo-lhe o restabelecimento.

Abraços para toda a família (Fernanda, Tiago, nora e netos),

em especial, para você,

do amigo

Fernando

1 de abril de 2018

Caro Fernando,

você é muito importante na nossa vida. Aprendemos muito contigo, tanto Economia quanto sua postura exemplar.

Abraço afetuoso,

Fernando
26 de abril de 2018

Estimado Fernando,

boas notícias, meu amigo!

A Medicina parece a Economia, não cura, mas busca dar um bem-estar. Individual, uma. Social, outra.

Seus netos já estão grandinhos! Deve ser uma alegria conviver com eles.

O Tiago se adaptou perfeitamente, não?

Envio abraços para ele e a Fernanda,

e um grande abraço para você,

Fernando

PS: deixo compartilhadas aqui, com muita tristeza, minhas últimas mensagens ao meu colega e amigo.

Viés da Confirmação e Intolerância Sectária

Temos a tendência de interpretar novas informações de modo que sejam compatíveis com nossas teorias, visões de mundo e convicções. Filtramos, então, novas informações contraditórias de tal forma que nossas crenças permaneçam intactas sem testar nossas hipóteses como a Ciência exige.

Há sabedoria em defender a liberdade de pensamento e expressão, mas evitar impor aos outros assuntos antagônicos que rompem o pacto de convivência social, tais como religião, política e futebol.

Senão, face à intolerância com ideias alheias, preferimos cada vez mais ficar apenas em comunidades de pessoas que pensam tal como nós. Cresce assim o Viés do Algoritmo.

Sob o risco de destruir o contrato social, deve-se evitar a pregação das próprias ideias em grupo de desconhecidos no WhatsApp, lista de e-mails, comentários na imprensa ou blogs, etc. O sábio-pregador deve se restringir tal como um sacerdote que só “prega para os já convertidos”.

Sou ateu, esquerdista e cruzeirense. Quem quiser ler minhas ideias, aqui eu as disponho. Quem não as desejar, simplesmente dê um clique…

Biblioteca Digital Mundial

A Biblioteca Digital Mundial da UNESCO — https://www.wdl.org/pt/  — reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, um caráter patrimonial cultural, antecipou Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”. Continue reading “Biblioteca Digital Mundial”

Leitura Analítica e Leitura Comparativa

Claudio Moura Castro, no livro “Você sabe estudar?”, diz que, depois da fase de leitura inicial, começa a leitura analítica. O que veio antes é uma exploração do livro, para não ler às cegas e não ter surpresas. É como se fosse o trailer de um filme.

Nesse momento, passamos para uma leitura metódica. Aqui, novamente, Mortimer Adler nos reserva uma surpresa. De início, propôs folhear o livro, lendo um pedaço aqui, outro acolá. Agora, ele propõe uma leitura perfeitamente linear.

É para ler da primeira à última página, entendendo ou não, mas sem parar, mesmo se faltar compreensão. É para entender o que der para entender nessa leitura corrida.

Nesse ponto, Castro discorda ligeiramente de Adler. “Diria que vamos ler linearmente todas aquelas partes do livro que nos interessam em particular. Não necessariamente todo o livro, pois lemos para aprender alguma coisa e, muitas vezes, os livros entram em assuntos que não estão no nosso campo de interesse, pelo menos naquele momento”. Continue reading “Leitura Analítica e Leitura Comparativa”