Eleições 2022: Educação na Encruzilhada

A oportunidade trazida pela transição demográfica no país, com redução do contingente de crianças e jovens, é um dos eixos centrais de um estudo enviado às equipes dos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais de todo o país com propostas para a educação. O trabalho argumenta que a mudança na composição etária da população abre espaço para que, com os mesmos recursos, seja possível fazer mais pela qualidade do ensino básico no país (inclui da pré-escola ao ensino médio).

A ideia é investir mais em gestão e eficiência para garantir um salto no ensino, especialmente com nova política de atração e treinamento de professores, sem necessidade de mais dinheiro. Entre especialistas, no entanto, não há consenso. Há quem defenda que ainda assim é preciso ampliar orçamento para permitir melhores alcance e qualidade da educação.

Com mais de 70 páginas, o documento “Eleições 2022: a educação na encruzilhada” foi encomendado pelo Instituto Alfa e Beto à consultoria IDados, do mesmo grupo, e defende que a nova estrutura etária reduz a pressão por demanda de vagas. O estudo cita dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de redução do número de matrículas.

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Ensino Técnico em vez de Ensino Superior

O avanço do ensino técnico profissionalizante de cerca de atuais 10% para 40% ou 50% na oferta de vagas do ensino médio é uma estratégia que pode contribuir para o desenvolvimento do país, com elevação de produtividade, redução de desigualdades e ampliação de oportunidades para jovens, segundo especialistas. Considerado “revolucionário” por alguns, esse caminho demanda tempo e precisa constar da agenda do país, com participação de lideranças do setor público e também das empresas.

Para Guilherme Lichand, professor de Economia da Universidade de Zurique, é preciso mudar a forma como se enxerga o ensino técnico no Brasil.

“Há uma visão no Brasil de que o ensino técnico é algo inferior. O desejado é o ensino superior e o técnico é para quem não conseguiu isso. Não é assim na Europa, onde mais da metade vai para o ensino técnico e somente 20% ou 30% vão para o superior”, aponta.

No Brasil, diz ele, segue-se o modelo dos Estados Unidos, no qual só o superior atende. “Isso não é desejável, não há empregos para isso. Basta ver a enorme dívida de crédito estudantil que Biden [Joe Biden, presidente dos EUA] teve que perdoar. No Brasil teremos um problema parecido daqui a dez anos.”

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Ensino Privado e Mal Pago

Após dois anos de pandemia, as faculdades voltaram a registrar, neste primeiro semestre de 2022, aumento de novas matrículas nos cursos presenciais – modalidade que perdeu cerca de 700 mil alunos entre 2020 e 2021. Os percentuais de crescimento variam entre as instituições de ensino, com casos de expansão de até 35%. No entanto, ainda há muita dificuldade para reajustar o valor da mensalidade, com muitas faculdades reduzindo o preço, diante do atual cenário de inflação alta e desemprego.

O valor médio das mensalidades em São Paulo, maior mercado de ensino superior do país, está em R$ 814,90 o que representa uma queda de 19% quando comparado a 2021, segundo pesquisa do Instituto Semesp.

“Captamos bem, conseguimos manter a base de alunos no presencial. Mas não há margem para crescimento de tíquete. A pandemia deixou um legado de dívidas e desemprego”, disse Arthur Sperandéo de Macedo, CEO da FMU, centro universitário controlado pela gestora Faralllon.

Segundo Celso Niskier, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) e da Unicarioca, as instituições de ensino que voltaram a ofertar aulas presenciais mais cedo, conseguiram melhor captação, com aumento de até 30%. “Estamos num momento de retomada e o desempenho varia também conforme a praça. No Rio, a captação cresceu menos. Ainda temos guerra de preços”, disse Niskier. Em sua instituição de ensino, a Unicarioca, o volume de ingressantes da graduação presencial subiu 10% e o valor médio da mensalidades caiu na mesma proporção.

Levantamento da consultoria Educa Insights com 20 grandes faculdades, mostra crescimento de 30% a 35% no número de calouros no semestre, em relação ao primeiro semestre de 2021, mas ainda com valor de mensalidade menor. O tíquete médio nacional dos cursos presenciais é de R$ 750.

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Evasão no Ensino Superior

Há progressos relevantes, mas localizados. A qualidade geral do ensino no Brasil continua baixa e o atraso e o abandono são a regra.

Nos últimos 40 anos, o produto por trabalhador no Brasil cresceu somente 0,5% ao ano, valor em torno de um terço do observado em países que já eram ricos em 1980. Comparativamente ao mundo desenvolvido, o Brasil retrocedeu. O pior é que os principais determinantes do desenvolvimento econômico – educação e eficiência produtiva – avançaram pouco, quando não retrocederam no passado recente.

A figura – construída a partir da base de dados Barro-Lee – mostra a evolução da educação primária e superior no Brasil e Coreia do Sul da população entre 30 e 34 anos, uma amostra da força de trabalho. Em 1950, a proporção de pessoas nessa faixa etária com no máximo educação primária era semelhante nos dois países, 94% do total. Já a parcela com alguma educação superior era ínfima em ambos países, cerca de 1%. Em suma, Brasil e Coreia apresentavam o mesmo quadro educacional muito ruim.

A evolução até o presente, entretanto, foi muito diferente. Em 2010, menos de 0,5% dos coreanos entre 30 e 34 anos não haviam completado o equivalente ao Ensino Fundamental, mas no Brasil essa cifra ainda era muito alta: 36,4%. Quanto ao ensino superior, cerca de 70% dos coreanos entre 30 e 34 anos o possuíam, enquanto somente 13,5% dos brasileiros haviam chegado à universidade.

Alunos do ensino superior na rede privada que não contam com financiamento estudantil têm mais probabilidade de abandonar os estudos. A evasão de estudantes de universidades particulares sem financiamento chega a 60%, dez pontos percentuais a mais do que dentre alunos que têm financiamento ou que estudam na rede pública.

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Ensino Superior: Quantidade X Qualidade

Quatro das dez ocupações que mais empregam jovens no país têm baixa exigência de escolaridade, de apenas o ensino fundamental incompleto. A conta considera o número de jovens em relação ao total de trabalhadores em determinada atividade.

Situação semelhante é observada também entre as ocupações com maior número absoluto de trabalhadores entre 15 e 29 anos: quatro entre as dez primeiras têm ensino fundamental incompleto como escolaridade mais frequente. As informações são de levantamento feito pela consultoria IDados para Lucianne Carneiro (Valor, 26/04/22) a partir de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referentes ao quarto trimestre de 2021, os mais recentes para o indicador.

Entre essas atividades estão, por exemplo, condutores de bicicleta, trabalhadores de centrais de atendimento e de serviços domésticos em geral e trabalhadores elementares da construção de edifícios.

O retrato coincide com momento em que há um avanço no grau de escolaridade dos jovens brasileiros. Para se ter uma ideia, 14,9% dos trabalhadores entre 15 e 29 anos têm o ensino superior completo, sendo que apenas parte deles teria idade para tal.

Somando-se os 12% de quem tem a formação incompleta, a parcela do ensino superior ultrapassa um quarto dos trabalhadores dessa faixa etária (26,9%). Além disso, são 42,9% com ensino médio completo. A fatia dos que têm apenas até o fundamental completo, por outro lado, é bem inferior, de 17,2%.

Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski são empresários. Publicaram artigo (Valor, 22/04/22) onde tecem críticas ao desmantelamento do Ensino Superior brasileiro, promovido pelo atual desgoverno.

Inspirados na famosa frase de Georges Clemenceau de 1887 (“La Guerre! C’est une chose trop grave pour la confier à des militaires”), podemos dizer que o ensino superior brasileiro é importante demais para ser deixado exclusivamente por conta dos nossos educadores. É uma questão para toda a sociedade brasileira.

[Ora, quais “educadores” foram ministros da Educação no atual desgoverno?! A casta dos militares no comando do Estado brasileiro desmantelaram a formação da casta dos sábios-intelectuais, da qual têm ódio, porque são recalcados e incultos.]

Vejamos o que indicam as estatísticas mais recentes disponíveis sobre os cursos de graduação no ensino superior presencial brasileiro (Inep – Censo da Educação Superior 2020), um dos muitos gritos de alerta a favor de uma atenção menos enviesada e dispersa que se dá a este assunto:

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Falta de Qualificação Técnica: Explicação para Desemprego sob Individualismo Metodológico – não sob Holismo Metodológico

Em um mercado de trabalho em que mais da metade (58,1%) dos jovens entre 18 e 27 anos têm o ensino médio/técnico completo, a inserção desses jovens é parte importante dos esforços para melhorar as perspectivas de uma nova geração. Uma ampla pesquisa realizada com 802 empresas dos setores de indústria, comércio e serviços de todas as regiões do Brasil mostra os desafios para a contratação e a gestão de jovens para cargos de ensino médio/técnico e aponta caminhos para a inclusão deles.

A falta de qualificações técnicas é a principal dificuldade na contratação de cargos de médios/técnicos, apontada por dois terços (66%) dos entrevistados, seguida por falta de comprometimento (29%) e candidatos com pouca experiência (24%). Na hora de escolher entre habilidades técnicas ou socioemocionais na contratação, no entanto, as companhias revelam que preferem contratar um jovem com competência comportamental, mesmo que precise desenvolver a parte técnica (82%) do que quem tenha competência técnica, mas precise desenvolver comportamento e postura (18%).

Os dados são do estudo “Oportunidades e desafios para a inclusão profissional de jovens com ensino técnico: experiências do setor produtivo”, produzido em parceria por Itaú Educação e Trabalho, Fundação Roberto Marinho e Fundação Arymax e desenvolvida pela consultoria Plano CDE.

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Ganhos com Educação Básica

Um bom desempenho ao longo da trajetória do ensino básico de jovens tem reflexos positivos já a curto prazo (cinco anos) em indicadores sociais, como número de homicídios, de matrículas no ensino superior e no saldo de empregos. A avaliação é resultado de um novo estudo do professor do Insper e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Naercio Menezes Filho, ao lado do aluno de mestrado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) Luciano Salomão. O estudo é financiado pelo Instituto Natura.

Foi criado um índice de qualidade no ensino básico nos municípios, chamado Ideb- Enem (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica-Exame Nacional do Ensino Médio), que leva em consideração dois aspectos: o percentual de alunos matriculados no primeiro ano do ensino fundamental que conseguem concluir o ensino médio no tempo previsto, sem repetência, e fazem o Enem em seguida, de cada cidade, e a nota média desses alunos no exame. A ideia é medir a evolução do aprendizado dos jovens do ensino fundamental ao fim do ensino médio. A partir daí, os pesquisadores correlacionaram a variação do índice entre duas gerações de jovens (com conclusão do ensino médio em 2009 e 2014) com os indicadores de violência, educação e emprego de cinco anos depois de formados.

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Educação por si só não gera Emprego

Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, professor associado da FEA-USP e membro da Academia Brasileira de Ciências (naercioamf@insper.edu.br). Ele (Valor,18/03/22) argumenta os impactos da Educação vão muito além de maiores salários, diminuem os homicídios sofridos e cometidos pelos jovens. Porém, sob o ponto de vista macroeconômico, não geram novos empregos. Estes são gerados mais por investimentos produtivos dos capitalistas.

Muitos municípios brasileiros sofrem com os altos índices de desemprego e de criminalidade dos seus jovens. Em que medida esses indicadores são resultados da baixa efetividade da educação básica? Será que uma educação de qualidade consegue realmente mudar a vida dos jovens? Em que medida os municípios que entregam jovens bem-preparados para a sociedade conseguem reduzir o crime, criar mais empregos com carteira assinada e aumentar as matrículas no ensino superior como consequência?

Para responder essas questões, em artigo recente nós criamos um novo indicador de qualidade da educação básica e investigamos seus efeitos sobre estes indicadores sociais1. Nosso índice mede quanto cada município contribui para a progressão e o aprendizado dos jovens no seu sistema escolar, desde o primeiro ano do ensino fundamental até o final do ensino médio. Esse indicador tem dois componentes. O primeiro é dado pelo número de alunos que completam o ensino médio e fazem o Enem, entre todos os que entraram na escola 10 anos antes. O segundo é a nota média que esses alunos tiram nas provas do Enem.

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Khan Academy: Habilidades do Futuro são Matemática, Escrita, Leitura

“Eu acredito muito em pessoas programando e aprendendo cálculo, mas se você tiver a habilidade de ter um pensamento crítico, um pensamento em nível algébrico, puder escrever, você vai ter uma compreensão de leitura sólida e já vai estar à frente de 95% das pessoas do planeta”, disse em entrevista ao Valor (13/01/22) Salman Khan, 45 anos, influente pensador da educação no mundo.

Ele é fundador da Khan Academy, organização sem fins lucrativos que proporciona ensino on-line em várias áreas do conhecimento para mais de 102 milhões de pessoas, entre alunos e professores, em 109 países. Americano, filho de pai bengalês e mãe indiana, Khan decidiu largar o emprego no mercado financeiro para se dedicar em tempo integral ao seu projeto, de oferecer educação gratuita, de qualidade, para qualquer pessoa do mundo, em 2009.

A ideia surgiu por acaso, quando sua prima de 12 anos pediu ajuda na Matemática ao jovem executivo formado em Engenharia Elétrica, Ciência da Computação e Matemática, com mestrado no MIT e MBA pela Universidade Harvard. As aulas começaram pelo telefone, mas logo migraram para vídeos no YouTube, porque primos e amigos de todos os cantos dos Estados Unidos também queriam aprender com ele. Em pouco tempo, já tinha milhares de usuários.

Os filhos de Bill Gates se engajaram em suas aulas curtas e funcionais e chamaram a atenção do pai, que se tornou um dos primeiros doadores do projeto. Hoje, a Khan Academy conta com um orçamento anual em doações de US$ 60 milhões e atrai doadores ilustres como Elon Musk, mas também pessoas comuns que contribuem com US$ 10 mensais.

Outro doador foi Jorge Paulo Lemann, que por meio da sua fundação trouxe a Khan Academy para o Brasil em 2013. Aqui, o número de usuários já ultrapassa 4 milhões e o conteúdo educacional é utilizado em escolas por 36 secretarias de educação.

Kahn defende um novo modelo de escola, onde os alunos conversam sobre tudo em diálogos socráticos e passam mais tempo aprendendo sozinhos para depois trocarem experiências. Ele diz estar cansado do excesso de Zoom e que as competências do futuro são as tradicionais como a leitura, a escrita e a matemática. A seguir, os principais trechos da entrevista:

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Aprendizagem Híbrida = Ensino Presencial + Ensino à Distância

Quando as universidades foram fechadas abruptamente e as aulas passaram a ser on-line, em 2020, previsivelmente muitos estudantes ficaram menos felizes com a educação recebida. Mas no Imperial College London ocorreu o contrário.

Uma Pesquisa Nacional de Estudantes (NSS) do ano passado mostrou: a satisfação dos estudantes na verdade aumentou nessa instituição voltada para as Ciências Naturais, contrariando a tendência geral. Como resultado, o Imperial College saltou 80 posições no ranking de satisfação dos estudantes da NSS entre as universidades do Reino Unido.

O sucesso se deveu ao fato de os professores terem feito mais além de apenas dar aulas pela internet. Em vez disso, eles experimentaram novas maneiras de ensinar virtualmente.

Um professor de ciências da Terra coletou dados de locais internacionais para criar mundos computadorizados em 3D para visitas de estudo virtuais.

Vários departamentos enviaram kits “lab-in-abox”. Eles reproduziam equipamentos de laboratório em miniatura, para que os alunos pudessem realizar em casa experiências para a compreensão do comportamento das ondas elétricas e as propriedades térmicas dos materiais.

Agora, com as restrições sendo derrubadas, as universidades do Reino Unido voltaram a se ajustar a um cenário educacional diferente. Seminários presenciais e aulas on-line em horários prefixados oferecem aos alunos flexibilidade para combinar os dois. Não são apenas possíveis, mas exigidos formalmente.

Isso aumentou as expectativas. Os alunos, nos anos de pandemia, viram ser possível fazer as coisas a distância. Querem essa flexibilidade ser mantida.

Mas o retorno às aulas presenciais continuam sendo prioridade. A maioria das universidades britânicas vem optando por devolver os laboratórios e os seminários aos campi, em resposta à demanda dos estudantes.

Encontrar um equilíbrio entre a flexibilidade e os benefícios de um campus movimentado tem sido complicado. A mistura das aulas presenciais e online poderá complicar as relações de trabalho e vida pessoal.

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Para Desenvolvimento do País Há Necessidade de Aumento do Número de Estudantes no Ensino Superior

Beth Koike (Valor, 24/11/21) informa: nenhum país consegue se desenvolver tendo apenas 20% da população, na faixa etária de 30 anos, com Ensino Superior. Esse é o caso do Brasil. A afirmação é de Eduardo Parente, presidente da Yduqs, segundo maior grupo de Ensino Superior privado do país.

Em sua visão, em mundo ideal, toda a educação brasileira – desde o ensino infantil até o superior – deveria ser pública.

O país enfrenta um problema estrutural. Cerca de 50 milhões de alunos da educação básica, o que representa cerca de 70% do total, estudam na rede pública, mas a farta maioria ingressa em faculdades privadas. Já nas universidades públicas, onde a concorrência no vestibular é mais acirrada, ocorre o inverso: quase todos vêm de colégios particulares.

No Ensino Superior, 2 milhões estão matriculados na rede pública e 6,5 milhões nas instituições privadas. “Apesar desse cenário, evoluímos na educação, mas não podemos estar satisfeitos com a qualidade”, disse Parente.

Formado pela UFRJ, o executivo falou sobre algumas sugestões para melhorar a qualidade da educação básica pública. Entre elas, a capacitação de professores com uso de tecnologia e adoção de sistemas de ensino, que tem um formato padronizado de aprendizagem. A própria Yduqs adotou para seus alunos da Estácio um sistema de ensino desenvolvido por professores da UFRJ e do Ibmec, instituição de ensino que pertence ao grupo desde 2019.

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Necessidade de Reforma do Ensino Médio

João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa e Beto. Critica (Valor, 24/11/21): “os responsáveis por decisões sobre políticas do Ensino Médio creem sua função principal ser preparar para o vestibular — e o resto é resto”.

O Enem sempre mobiliza a mídia. É uma das poucas arenas em que a ação do governo na educação afeta a vida da classe média. Neste momento, temos duas crises. A primeira é passageira: a crise institucional que levou a um pedido de demissão em massa dos funcionários do Inep, órgão do MEC responsável pelo Enem. A segunda é estrutural: o futuro do Enem, que tem tudo a ver com o futuro do ensino médio. Sobre isso há notícias no front. E talvez não sejam boas.

O ensino médio é um problema. Para a economia, para o sistema educacional, para os alunos. O desempenho da maioria deles é baixíssimo. Os ganhos de aprendizagem nas escolas públicas ao longo dos três anos do ensino médio são irrisórios. O nível de deserção, elevadíssimo. Cerca de 20% dos alunos estão matriculados em cursos noturnos de eficácia duvidosa. Menos de 9% dos alunos estão em cursos profissionalizantes.

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