Maioria do Eleitorado (55%) Reprovado em Teste de QI: Má Educação

Hugo Passarelli (Valor, 18/12/18) informa: o Brasil não está conseguindo ampliar a fatia de jovens que concluem o ensino fundamental apesar da redução da população em idade escolar, mostra um estudo do Movimento Todos Pela Educação. Em 2018, 75,8% dos jovens de 16 anos haviam concluído o ensino fundamental, taxa praticamente estável ante 2017 (75,9%) e ainda distante da meta de 95% que consta no Plano Nacional de Educação (PNE), prevista para ser atingida em 2022.

No mesmo período, o número de brasileiros nesta faixa etária caiu em 275,4 mil, enquanto o número de concluintes foi menor em 212,2 mil. Em tese, a demografia mais favorável deveria ajudar a aumentar as taxas de conclusão na educação básica. De maneira inversa, só não houve queda porque a população total encolheu em ritmo mais intenso do que os formandos.

O recorte foi elaborado pelo Todos Pela Educação a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados atestam: apesar da ênfase em reformar o ensino médio, os problemas educacionais não estão circunscritos a este ciclo. Continuar a ler

Cenário 2019: Educação

Hugo Passarelli (Valor, 26/12/18) avalia: o ensino público brasileiro entra no novo governo com velhos desafios, reformas estruturais que precisam sair do papel e incertezas sobre qual será o perfil do Ministério da Educação (MEC) gerido por Ricardo Vélez Rodríguez, professor universitário sem atuação conhecida em gestão pública.

Por ora, especialistas dizem que a defesa da educação básica pelo novo governo, enfatizada durante e depois da campanha, é uma sinalização positiva. Mas a falta de um plano de voo explícito dificulta previsões. Eles acham também que há o risco de que pautas ideológicas dominem o debate e desviem o foco de políticas com real potencial de “desatar o nó” da aprendizagem.

De acordo com fonte que acompanha o trabalho de transição, mudanças abruptas ou descontinuidade de políticas importantes para o setor estão descartadas. “Não haverá caça às bruxas no MEC. Vamos manter o que está funcionando e alterar o que precisa ser melhorado”, afirma.

Um programa de alfabetização deve ser um dos primeiros a ganhar corpo. “A ideia é atuar em diversas frentes para sanar as deficiências na formação inicial de jovens e adultos”, ainda de acordo com essa fonte. Continuar a ler

Escola sem Partido: Censura e Perseguição nas Salas de Aula

Em conturbada tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei PL 7180/14, conhecido como “Escola sem Partido”, é uma das principais bandeiras da área educacional acenadas à população pelas forças conservadoras que emergiram no país nos últimos anos.

A ideia do “Escola sem Partido” foi cunhada originalmente, em 2003, pelo advogado Miguel Nagib, procurador do Estado de São Paulo em Brasília e ex-assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto proposto por ele, que serviria de orientação para o Projeto de Lei elaborado pelo deputado federal Erivelton Santana (PATRIOTA-BA) e encaminhado na Câmara em 2014 pelo seu relator, o deputado federal Flávio Bolsonaro (PSC-SP), filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro, dizia combater o que chamava de “doutrinação ideológica” nas escolas.

Após substitutivos no texto e já sob forte influência da chamada bancada evangélica no Congresso, o projeto de Flávio Bolsonaro transformou-se no atual PL 7180/14. Reforça o que chama de “combate à ideologia de gênero” nas salas de aula.

[O STF fugiu à sua responsabilidade de o julgar inconstitucional por violar a liberdade de expressão e a liberdade de cátedra.] Continuar a ler

Escola Sem Partido: Agravamento do Problema da Ignorância dos Brasileiros

Ingrid Fagundez (BBC News apud FSP, 05/11/18) publicou uma reportagem sobre a pressão da “nova direita” brasileira, predominantemente evangélica e estúpida — por provocar emburrecimento ao não ser inteligente e estudar ciência –, sobre os professores.

Os princípios do projeto e do movimento Escola sem Partido insistem na defesa do direito dos pais sobre o ensino dos filhos. Se é para eles permanecerem com a educação moralista, de acordo com as próprias convicções familiares, é melhor não irem à escola e ficarem no nível autossuficiente da ignorância doméstica.

Não sabem distinguir o espaço doméstico do lugar público. O primeiro pode ser religioso, escolhendo um dos diversos deuses para adorar, ou então ateu, quando não crê seja em um único deus, seja nos muitos deuses de todas as religiões, mas o segundo constitucionalmente é laico e plural, justamente, para a convivência tolerante com ideias distintas. O conhecimento tem de ser plural e não censurado em temas-tabus para a direita burra. Senão, a ignorância dela predominará e atrasará ainda mais o desenvolvimento sociocultural do País.

O discurso de que professores devem repassar apenas o conteúdo aprovado pelas famílias é recorrente entre os apoiadores do movimento. Outro ponto forte é o de que deve haver espaço igual para visões opostas sobre todos os temas — em teoria, seria possível criticar, mas também necessário listar as vantagens do capitalismo, por exemplo.

Ora, em ensino científico de excelência é recorrente ver todos os lados de uma questão. Porém, pelo nível de ignorância e intolerância demonstrado, os líderes desse movimento demonstram nunca terem estudado em boas escolas.

O Escola sem Partido é culmina um amplo processo de transformação do papel da escola, diz a professora da Faculdade de Educação da USP Maria Isabel de Almeida.

Incentivado por interesses de grupos educacionais, e de alcance global, tal processo “de mercantilização da educação” desejaria tornar a escola um lugar de transferência de conhecimento, onde o professor é o fornecedor e o aluno, o cliente, deixando de lado sua função de formação do cidadão.

No Brasil, esse processo se aliaria a uma onda conservadora que quer restringir discussões sobre sexualidade, gênero e raça na sala de aula. Continuar a ler

Literatura em uma Escola Sem Partido

Alana Freitas El Fahl, Professora Titular de Literatura Portuguesa e Brasileira na Universidade Estadual de Feira de Santana, imaginou o que seria uma aula de Literatura em uma Escola Sem Partido.

“A aula de hoje será sobre o Barroco. Melhor não, Gregório e Vieira perigosíssimos. Já olhou com atenção Epílogos e O sermão do Bom ladrão? Padre vermelho com certeza…

Pulemos para o Arcadismo já, coisas amenas, bucolismo… Desde que se excluam As cartas Chilenas, professora! E pseudônimos por que razão?

Romantismo, campo neutro, amor, morte. E Castro Alves questionando Deus? Deus, Deus, onde estais que não respondes? Melhor não, corremos riscos de falar de escravidão e cair na política de cotas. Corta Castro Alves, além disso, muito erótico, pode acender os hormônios dos alunos.

Realismo/Naturalismo. Pensando bem é melhor pular esse período todo. O Ateneu e O Bom-crioulo homossexualidade. O Cortiço, assimetrias sociais, tabus sexuais e exploração do homem pelo homem, teremos alunos com ódio dos patrões, gays e beberrões, nem pensar. Machado de Assis, neguinho metido a besta, péssimo exemplo. Os portugueses então? Eça, um safado que prega contra a moral das famílias, adultério, incesto. Queimem seus livros!

Parnasianismo e Simbolismo são tranquilos, arte pela arte, chapa-branca, Vaso Grego, Vaso chinês, Nefelibatas, Sinestesia… A cesta de Nero não! Ele era um pervertido!!! De Bilac, lembrar-se de não usar os sensuais, um fetichista safado. Cruz e Souza, um frustrado, péssimo exemplo de rancor. Continuar a ler

Escrita Criativa da Ideia ao Texto

RUBENS MARCHIONI é palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Autor de Criatividade e redação, A conquista e Escrita criativa. Da ideia ao texto.
rubensmarchioni@gmail.comhttp://rubensmarchioni.wordpress.com

ESCREVER. O que é esse ofício? O poeta Carlos Drummond de Andrade arrisca uma definição, que é genial: ‘Escrever é cortar palavras’. Contraditório? Parece. Afinal, quando abrimos um livro, nada do que vemos naquelas centenas de páginas impressas nos faz pensar que o autor fez algo parecido com isso. Mas, acredite, foi exatamente o que aconteceu. E aí, tudo é uma questão de quando se faz o que no trabalho de criar e escrever. Porque, assim como na gravidez, tudo aqui é processo. O parto não acontece antes de passar pelo terceiro mês de gestação.

A primeira etapa, na produção da mensagem escrita, consiste em relacionar tudo o que deve entrar naquele texto. Mas faça isso da forma mais livre e aleatória possível, sem quebrar ou impedir o fluxo de ideias. Isso seria fatal para a carreira de escritor.

O primeiro resultado vai parecer uma bagunça, algo que lembra o mapa do inferno? Possivelmente. E isso acontece, inclusive, com escritores que receberam prêmios importantes na literatura mundial. Normal. Agora você é um artista. E quantos artistas você conhece que são ‘certinhos’, ‘organizadinhos’ nessa etapa do trabalho? Por não serem assim rigorosos na hora de pensar, conseguem produzir resultados originais. Continuar a ler

STF X Escola Sem Partido: Movimento Neofascista Inconstitucional

Quatro jovens aparecem armados em foto clicada em sala da FEA
Quatro jovens aparecem armados em foto clicada em sala da FEA-USP.

Sobre a mesa leem-se ameaças escritas em duas placas: “Está com medo, petista safada?”. “A nova era está chegando”. Atrás delas, estão quatro rapazes.

Um com o bóton da bandeira da Coreia do Norte (regime totalitário) fixada ao terno segura um revólver, outro está trajado com uma camiseta escrita Trump acompanhada da frase icônica do presidente americano: “Faremos a América grande de novo”, em inglês.

No centro, há um terceiro jovem vestido com roupa militar acompanhado de mais um revólver. E, ao fundo, um quarto rapaz aparece com o rosto descaracterizado segurando bandeira nacionalista americana. Na lousa branca é possível ler a expressão “Nova era” e o símbolo B17, uma referência ao número da chapa de candidatura do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Toda essa produção ocorreu para uma foto clicada em uma sala da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da Universidade de São Paulo. A incitação à violência chocou os alunos e forçou a direção da instituição a abrir uma sindicância para investigar as circunstâncias do ato.

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