Site do meu orientador na Dissertação de Mestrado e Tese de Doutorado: Wilson Cano

Apresentação do Professor Wilson Cano no site: https://www.wilsoncano.com.br/

Poderia parecer estranho que, doze anos após me aposentar, e mais recentemente, depois de ter passado por “pesada” cirurgia no pâncreas e por um enfarte, tenha decidido fazer um site pessoal. Não foram essas, contudo, as principais razões de minha decisão.

O principal motivo que me levou a isto é a quase escuridão em que estamos vivendo nestas últimas quatro décadas neste país. Entendamos bem: não se trata de instalar e ligar poderosos holofotes para que as coisas fiquem mais claras! Para isso, precisaríamos de uma enorme quantidade deles, coisa aliás, rara, nos dias atuais.

O que estou aqui tentando fazer, contudo, é acender mais uma “lamparina” nessas trevas! É, modestamente, contribuir com maior acesso ao conhecimento de nossa economia nacional, de seu subdesenvolvimento, da explosiva e má formação de suas   economias urbana e regional e dos crassos erros cometidos em suas políticas púbicas, fatos que hoje têm sido pouco e mal debatidos no país, notadamente na universidade, no sindicato e na mídia.

Outra, bem mais simples e prática, é poder dar acesso gratuito ao acervo que estou incluindo neste site, os principais resultados que obtive ao longo dos últimos  60 anos, com as  várias pesquisas que fiz, leituras, reflexões, viagens, aulas, conferências, simpósios, entrevistas e escritos.

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Desigualdade no Ensino Rural

A desigualdade do ensino no campo para as cidades permanece gritante, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas. É o que mostra um conjunto inédito de indicadores obtido pelo Valor (23/04/19). Dos jovens de 17 a 20 anos de áreas rurais, 75% concluíram o ensino fundamental, abaixo da média brasileira (85%). Só 47% das pessoas de 21 a 24 anos que moram no campo concluíram o ensino médio, enquanto, no total do país, 67% da população dessa idade tem essa escolaridade.

Para chegar aos números, o pesquisador Guilherme Hirata, da consultoria
IDados, recorreu aos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio Contínua (Pnad Contínua) de Educação, do IBGE, divulgados no ano passado. O instituto passou a incluir nos microdados da pesquisa a separação por zonas urbanas e rurais, embora não inclua os dados em relatórios.

Antigas pesquisas mostram que os indicadores já foram piores, embora os dados não sejam perfeitamente comparáveis por questões de amostragem e metodologias. Um estudo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iests) com base na velha Pnad do IBGE mostrou que, em 2005, 43% dos jovens das áreas rurais completaram o ensino fundamental, e 40%, o ensino médio.

Mesmo quando conseguem completar o ensino médio, os estudantes das áreas rurais ainda precisam superar grandes barreiras para alcançar o ensino superior. De acordo com o levantamento, a proporção de jovens de 18 a 24 anos que frequentam o ensino superior é de 7,2% em áreas rurais. Isso representa apenas um terço (19,7%) do verificado na média nacional.

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Metodologia Finlandesa de Ensino Superior

Stela Campos (Valor, 27/06/19) apresenta a proposta do curso de especialização “Ensino e Aprendizagem na Educação Superior”, programa da Universidade da Finlândia realizado em parceria com o Instituto Ânima: ensinar os professores brasileiros de cursos superiores a desenvolver metodologias próprias de ensino baseadas na experiência de seus pares da Finlândia –– referência mundial na área educacional.

O programa começa em setembro de 2019, com a primeira etapa on-line e a etapa presencial será ministrada na Universidade Judas Tadeu (USJT), em São Paulo e na UniBH, em Belo Horizonte. Ele será em português e terá o corpo docente formado por professores brasileiros treinados na Finlândia e por finlandeses, que serão responsáveis por dois módulos presenciais do curso, que soma 360 horas de aulas. Os participantes receberão dupla titulação pela USJT e pela Universidade de Tampere, na Finlândia.

A maior diferença entre a forma de ensinar na Finlândia e no Brasil é que no país nórdico os docentes têm muito mais flexibilidade para pensar pedagogicamente, segundo Kaisu Malkki, PhD e professora da Universidade de Tampere. Aqui os professores preparam alunos para provas porque as instituições [privadas] de ensino querem isso. Os finlandeses pensam em uma avaliação de modo a dar suporte a um aprendizado mais profundo e útil para a vida prática no trabalho.

Os números do ensino na Finlândia impressionam. O país tem 5,5 milhões de habitantes, onde 99% dos jovens concluem o ensino médio, maior índice do mundo. No teste educacional da OCDE, o Pisa, que avalia a competência de jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências, há anos os finlandeses figuram nas primeiras colocações. Este é um indicador de que o trabalho inovador dos professores tem surtido efeito. Até para dar aulas no ensino básico os professores precisam ter feito um mestrado,.

A ideia do programa não é apresentar teoricamente como se ensina na Finlândia, mas ajudar os brasileiros a desenvolverem as próprias práticas. A base do ensino finlandês está nas vivências em grupo, em trabalhos por projeto e no contato mais direto com os alunos.

Se estiverem em um ambiente estressante, muito hierárquico, em que precisam ser perfeitos o tempo todo, os estudantes não se desenvolvem. Eles precisam relaxar enquanto aprendem. Não significa eles poderem fazer o que bem entenderem, mas terem responsabilidade sobre o próprio aprendizado. Isto é significativo e respeitoso.

Um diferencial dos finlandeses em sala de aula é eles não cobrarem nem desconfiarem do aluno. Não existem provas ou notas mas “avaliações formativas e longitudinais”. A aprendizagem acompanha o ritmo de cada um. Cerca de 79 professores do instituto fizeram uma versão compacta desse curso, com 270 horas, em inglês.

Rendimentos do Trabalho no Brasil: 1976-2015

Os seguintes gráficos partem de um levantamento da iniciativa Brasil em Dados com base em dados da Pnad e analisam a evolução do rendimento real mensal (ajustado pela inflação) dos brasileiros, de 1976 a 2015, para diferentes grupos sociais.

Para todos os gráficos, é considerado o rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos, ou seja, não é considerada renda de aluguéis, lucros e juros.

Link para matéria no Nexohttps://www.nexojornal.com.br/grafico/2018/10/22/A-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-renda-do-trabalho-dos-brasileiros-desde-1976

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Pós-Golpe: Reconcentração de Renda e Classe Média Em Queda


Amália Safatle (Valor, 31/05/2019) publicou reportagem comparando o presente tenebroso com um contexto auspicioso da economia brasileira: a Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) iniciada no Governo Lula. Na primeira década dos anos 2000, a junção entre estabilidade da moeda, alta das commodities, expansão de emprego, renda e crédito, valorização do salário mínimo, políticas sociais e redistributivas abriu o horizonte de oportunidades para as classes desfavorecidas.

O brasileiro pôde comprar mais alimentos, como proteína, mas também investiu em moradia, saúde, transporte, estética pessoal e bens duráveis – o consumo deste último saltou 104% entre 2000 e 2012, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O maior acesso a bens culturais, à formação técnica e à educação superior veio no bojo do crescimento econômico. As estatísticas tradicionais que contabilizam a venda de livros físicos, ingressos de cinema e CDs não captam bem a realidade.

Segundo esses indicadores, o consumo de bens culturais não teria acompanhado o de bens duráveis que houve na ascensão da classe média entre 2003 e 2012. Mas, diferentemente do que dizem os números, o especialista em economia do entretenimento Fábio Sá Earp, professor da UFRJ, suspeita que o consumo de bens culturais, na verdade, tenha crescido — e muito. Continuar a ler

Uma conversa com os estudantes no 30 de maio (por Renato Dagnino)

Hoje de manhã vi algo inédito nos meus 40 anos de Unicamp. Um grupo de estudantes preparava cartazes para a manifestação com frases que mostravam como a universidade beneficiava com conhecimento a população.

Como eram alunos de Geografia, perguntei em que “território” da Unicamp eles consideravam que ocorria esse benefício. O que conto abaixo é o que ouvi.

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