Tempo para Ingresso em Ensino Superior após Ensino Médio

Tempo para Ingresso no Ensino Superior

Beth Koike (Valor, 11/12/15) informa que apenas 5% dos alunos que concluíram o ensino médio há quatro ou cinco anos ingressam no ensino superior. Já entre os jovens que terminaram o colégio há um ano, quase 30% vão para a universidade. Trocando em miúdos: quanto mais tempo a pessoa estiver longe dos bancos escolares menores são as chances de ir para o ensino superior.

“Considerando um período de cinco anos, até 62% dos alunos ingressaram no ensino superior. Mas 42% entram na faculdade nos dois anos seguintes à conclusão do ensino médio. Com o passar do tempo, a adesão vai diminuindo”, disse Paulo Presse, coordenador de Estudos de Mercado da Hoper, consultoria especializada em educação.

Esse levantamento faz cair por terra uma crença muito propagada no setor de educação. Até então, acreditava-se que os milhares de brasileiros que concluíram o ensino médio antes do boom das faculdades privadas – ou seja, antes dos anos 2000, quando havia poucas universidades privadas e o valor da mensalidade era elevado – e ainda não têm diploma universitários seriam potenciais alunos. Continue reading “Tempo para Ingresso em Ensino Superior após Ensino Médio”

Debate sobre Educação Financeira

 

cifraoLuciana Seabra (Valor, 05/11/15) reporta a resposta à crítica dirigida à Educação fFnanceira: “ela funciona sim, desde que seja repetitiva e dedicada a alterar o comportamento, não a ensinar juros compostos”. Essa é a réplica dos pesquisadores do Banco Central do Brasil depois de se debruçarem sobre o estudo de um trio de Ph.Ds, um deles brasileiro, que havia chegado a uma conclusão bem menos otimista: de que a educação financeira praticamente não produz efeitos sobre o comportamento e que as políticas públicas dedicadas ao tema seriam um desperdício de recursos.

A publicação das conclusões do estudo pelo Valor em 11 de junho de 2015 [leia abaixo] gerou grande repercussão nos meios que trabalham com Educação Financeira, aponta o artigo que acaba de ser publicado como parte da série Cidadania Financeira, do Banco Central. “Existe alguma fragilidade na análise? Que ensinamentos pode trazer para quem trabalha com Educação Financeira?”, questionaram os pesquisadores da autarquia.

O estudo original é de um trio de peso – Daniel Fernandes, mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor da Universidade Católica Portuguesa, John Lynch, economista e especialista em psicologia e professor da Universidade de Colorado, e Richard Netemeyer, especialista em econometria e professor da Universidade de Virginia. A partir do estudo de 168 artigos, com 201 estudos empíricos, eles concluíram que intervenções para promover a alfabetização financeira explicam somente 0,1% da variação nos comportamentos financeiros estudados, com efeitos ainda mais fracos em populações de baixa renda.

A réplica ficou sob responsabilidade técnica de outro Ph.D. em economia, pela Washington University, José Ricardo da Costa e Silva, analista do Departamento de Educação Financeira do Banco Central. E virou tema de debate no Fórum de Cidadania Financeira em Brasília. Veja abaixo algumas das críticas do Banco Central ao estudo que aponta efeitos insignificantes da educação financeira. Em alguns pontos, a autarquia põe em xeque questões centrais da pesquisa, em outros somente mira as conclusões de uma perspectiva mais positiva. Continue reading “Debate sobre Educação Financeira”

Programa de Educação Financeira nas Escolas

img-programa-aposentados-485x727Luiz Antônio Cintra (Valor, 29/10/15) informa que  são recentes as iniciativas em prol da educação financeira no país. Mas, desde 2011, quando foi criado o Programa de Educação Financeira nas Escolas, do Ministério da Educação e de instituições da iniciativa privada, o público beneficiado por políticas para a divulgação de termos e princípios financeiros cresceu rapidamente. Para conhecer mais da Estratégia Nacional de Educação Financeira, acesse www.vidaedinheiro.gov.br.

À frente de várias iniciativas, em parceria com o MEC e outras instituições, a Associação de Educação Financeira, a AEF Brasi l, Oscip criada há três anos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), BMF&Bovespa, Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) e a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). “Temos trabalhado para desenvolver tecnologias pedagógicas para a educação financeira, para alunos do ensino médio, fundamental e também adultos”, diz Fábio Moraes, superintendente da AEF Brasil. Nesse período, a OSCIP desenvolveu livros didáticos, paradidáticos, games e plataformas digitais, apresentando conceitos ligados ao tema a 986 escolas, 236 mil alunos e 3,7 mil professores em todos os estados.

Na primeira rodada, o foco da atuação foram os alunos do ensino médio e os materiais pedagógicos produzidos foram pensados para ir além de conceitos matemáticos. “Podem ser usados também por professores de outras áreas, como História e Geografia, entre outras”, diz o superintendente da AEF Brasil, que estima já terem sido investidos mais de R$ 10 milhões pela organização.

Um bom caminho para acessar o material produzido é o site da AEF Brasil (http://www.aefbrasil.org.br/) , que abriga plataformas digitais de conteúdo multimídia, abertas e gratuitas, por meio das quais é possível fazer o download de livros, cartilhas, vídeos e outros itens pedagógicos. “Agora começamos um projeto-piloto para alunos mais novos, do ensino fundamental, em Manaus e Joinville”, diz Moraes. Nesse caso, a iniciativa terá a participação de técnicos do Banco Mundial, encarregados de avaliar a eficácia do projeto.

A AEF Brasil também criou, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e do Ministério da Previdência Social, um Programa para levar a Educação Financeira ao público adulto considerado “fragilizado”. Foram escolhidas 12 mil pessoas, entre mulheres cujas famílias participam do Bolsa-família, e aposentados de menor renda. A iniciativa conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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Manifesto: Para que servem os economistas se todos eles dizem a mesma coisa?

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A propósito do post Debate na França sobre Ensino de Economia, seu autor — o prezado seguidor Vinícius — enviou-nos a tradução do livro (http://assoeconomiepolitique.org/wp-content/uploads/manifeste_pour_une_economie_pluraliste-AFEP.pdf. ), cujo original foi redigido em francês.

DownloadManifesto – Para que servem os economistas se eles todos dizem a mesma coisa

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Palestra TED: Ensinar Estatística em vez de priorizar Cálculo

Arthur Benjamin tem uma sugestão a qual imagino que melhoraria em muito o ensino da Matemática neste país. E seria fácil de implementar e de baixo custo.

Nosso atual currículo escolar de Matemática é baseado nos fundamentos da Aritmética e Álgebra. E tudo que aprendemos a partir deste ponto é direcionado a um assunto. E no topo desta pirâmide, está o Cálculo. Ele deu uma palestra na TED para dizer que acha que este é o pico errado da pirâmide… O pico correto – que todos nossos estudantes, todos formados no ensino médio deveriam saber – deveria ser Probabilidade e Estatística.

Não lhe interpretem mal. Cálculo é uma disciplina importante. É um dos grandes produtos da mente humana. As leis da natureza estão escritas na linguagem do Cálculo. E todo estudante que estuda Matemática, Ciências, Engenharia, Economia, deveria definitivamente aprender Cálculo ao final do primeiro ano de faculdade. Continue reading “Palestra TED: Ensinar Estatística em vez de priorizar Cálculo”

Debate na França sobre Ensino de Economia

eu_nao_sou_seu_pai_que_eu_apenas_ensino_a_economia_camiseta-r3725cc39948e42958492510dd1d95357_8nhm6_324Prezados seguidores,

recebi um comentário do Vinicius, neste modesto blog,  com informações que compartilho abaixo com maior destaque.

Já postei aqui o “Manifesto Pós-Autista“:

Manifesto Pós-Autista: Carta Aberta dos Estudantes aos Professores e Responsáveis pelo Ensino de Economia

Abaixo do Comentário, traduzi a Carta Aberta ao Jean Tirole.

Abraços,

Fernando

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Prezado Prof. Fernando,

Não sei se você tem ciência do capítulo que se desenrola na França há alguns meses a respeito deste debate sobre o ensino da nossa disciplina. Em sendo você um dos representantes de peso entre os heterodoxos no Brasil, tomo a liberdade de sugerir que este tema seja novamente objeto de reflexão sua neste blog, que vem cada vez mais se consolidando como uma excelente alternativa ao “mais do mesmo” no debate sobre economia no nosso país. Enfim, o “resumo da ópera”:

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Censo Escolar do Ministério da Educação

Menos alunos Sem educação

Lígia Guimarães (Valor, 24/09/15) informa que, em 14 anos, o Brasil reduziu em cerca de 7,2 milhões o número de crianças e adolescentes matriculados no ensino fundamental (6 a 15 anos de idade) das escolas da rede pública e privada de ensino. Ganhou, no entanto, 2,5 milhões de novas matrículas na educação infantil (creches e pré-escolas, para crianças de até 5 anos), e perdeu outras 360,9 mil no ensino médio (15 a 18 anos). No saldo líquido, a educação básica perdeu, entre 2000 e 2014, 5,1 milhões de alunos, segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação.

A mudança no fluxo escolar abre espaço para que a gestão pública repense o modo de investir em educação, realocando recursos com mais foco em qualidade. As prioridades, na visão de economistas e especialistas em Educação passam por:

  1. ampliar a oferta de ensino integral,
  2. selecionar melhores professores e
  3. recuperar os milhares de alunos que estão fora da escola no país.

Como em todos os comentários superficiais, dizem o óbvio, para o qual ser executado é necessário fazer gastos, mas os economistas e especialistas em educação não esclarecem de onde virão os recursos… Continue reading “Censo Escolar do Ministério da Educação”