Velha Matriz Macroeconômica X Nova Matriz Macroeconômica: Quais Resultados São Melhores?

Taxa de Inflação - IPCARealinhamento dos Preços RelativosA taxa de inflação se manteve sob controle (abaixo do teto do regime de meta) de 2005 a 2014. Foi o período da Nova Matriz Macroeconômica. Em 2015, voltou-se à Velha Matriz Macroeconômica, com choque tarifário (preços administrados) e preços de combustíveis acompanhando a volatilidade especulativa da taxa de câmbio, para alegria dos acionistas (minoritários) especuladores com ações da Petrobras.

Os idolatras do Livre-Mercado voltaram também ao surrado argumento da defasagem temporal. Em 2002, os problemas correntes eram devido ao futuro (Primeiro Governo Lula); em 2015, os problemas correntes são devido ao passado (Primeiro Governo Dilma). Haja coerência mental…

Eduardo Campos (Valor, 01/10/15) apresenta o diagnóstico dos economistas neoliberais: “a política monetária brasileira foi excessivamente frouxa durante os anos 2012 e 2013, quando perdurou a experiência da chamada “nova matriz macroeconômica”, e isso teve claras implicações inflacionárias”. A avaliação consta de estudo do professor titular licenciado do Departamento de Economia da USP, Carlos Eduardo Gonçalves, que mostra que a adoção do regime de metas para inflação não foi suficiente para evitar variações no regime monetário brasileiro.

“A política contracíclica adotada em 2009 evitou uma queda da inflação”. Não! Evitou uma recessão maior do que a deste ano (2009) nos anos seguintes!

“Mas as medidas expansionistas foram mantidas em 2010, ano eleitoral, lembra o professor, apesar do sinal de superaquecimento da economia: o PIB cresceu 7,5%.” Este diagnóstico superficial baseia-se no conceito de Produto Potencial, cuja aplicação prática, i.é, medição de qual é, sofre mutações de acordo com o humor (e a ideologia) do analista. Então, para facilitar a coisa, supõe-se que “um crescimento muito acima da curva” é sintoma de esgotamento da capacidade produtiva e, portanto, inflacionário. E a partir desse diagnóstico leviano receita-se a Regulação Macroprudencial, como foi adotada pelo BCB no primeiro semestre de 2011.

Em 2012, um ano após o início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, Gonçalves argumenta que “foi dado o “golpe de misericórdia” sobre o tripé macroeconômico, formado por superávit primário, metas para inflação e câmbio flutuante. Um novo paradigma foi introduzido, com membros do governo admitindo que o quadro macroeconômico tradicional passaria por mudanças”. Esse tal de Tripé Macroeconômico é a apresentação contumaz de algo banal em Regime de Política Econômica — a combinação dos 3 instrumentos de política econômica em curto prazo (e desconsiderando o grau de controle da mobilidade do capital) — como fosse algo sagrado!

Qualquer estudante de Macroeconomia Aberta, bem formado, é obrigado a saber quais são as 16 combinações possíveis desses 4 instrumentos de política econômica, considerando 4 graus de mobilidade de capital, capazes de obter crescimento da renda e do emprego ou, vice-versa, controlar a demanda agregada e, decorrentemente, a taxa de inflação. A Arte da Política Econômica é, de fato, a habilidade de saber baixar desse mais elevado nível de abstração, onde se observa a consistência dos instrumentos entre si, para o nível mais concreto, datado e localizado, quando se adota determinada combinação de acordo com a análise da conjuntura econômica e as perspectivas futuras.

Então, é fruto de pobreza de espírito essa louvação neoliberal da permanência do “tripé macroeconômico”! Ele, adotado em 1999, tornou-se a Velha Matriz Macroeconômica. Por que Velha? Porque referia-se à conjuntura de mudança de regime monetário, cambial e fiscal no início do segundo mandato de FHC. Convenhamos que o estado da economia mundial e da brasileira variou e está muito distinto, não?

Sob o título de Nova Matriz Macroeconômica, o crédito público cresceu rapidamente, as intervenções visando depreciação cambial se ampliaram, uma política fiscal mais solta foi adotada, devido à queda da relação dívida líquida / PIB para o patamar de 35%, e uma “indevida” (sic) política monetária frouxa foi perseguida.Como é “indevida” buscar tirar o País do primeiro lugar no ranking de maiores taxas de juros reais do mundo?! “Indevida” para quem, cara-pálida? Obviamente, para as castas dos comerciantes-financistas e dos sábios-tecnocratas, todos rentistas que se beneficiam dessa altíssima taxa de juros (média real de 6,6% aa entre 2003-2015). Ela supera amplamente a renda do trabalho (média real de 1,3% aa entre 2003-2015).

Veja a receita Tico-e-Teco, tipo “2 neurônio”, baseado no Modelo da Gangorra (sobe-e-desce): “a grande vantagem do regime de metas é ter uma regra simples e compreensível para todos de como o Banco Central atua: juro acima do neutro quando a inflação estiver acima da meta e juro abaixo do neutro com inflação abaixo da meta”. Assim, até economista neoliberal consegue entender!🙂

Mas o estudo, intitulado “Too Tight and Too Loose: Monetary Police in Brazil in the Last Decade” — http://www.iepecdg.com.br/uploads/artigos/The%20Matrix.pdf –, que avalia a política monetária desde a adoção do regime de metas em 1999, mostra que desvios da regra aconteceram e com claros custos inflacionários. O professor parte de um modelo econométrico de curto prazo para estimar a taxa neutra de juros, que no escopo do trabalho é aquela que resulta em hiato do produto zero (diferença entre o PIB observado e o PIB potencial) e inflação na meta estipulada pela autoridade monetária.

No período estudado, Gonçalves encontrou períodos em que a taxa de juros se desviou na direção errada, ou seja, juros acima do neutro com inflação abaixo da meta, como visto em 2006, período batizado pelo autor de “a fúria de Bevilaqua“, em referência ao então diretor de Política Econômica, Afonso Bevilaqua (ex-professor da PUC-RJ, mais um neoliberal infiltrado na Diretoria do BCB na Era Henrique Meirelles). E juro abaixo do neutro com inflação acima da meta, cenário mais comum, pois constatado em 2010, 2012 e 2013. Isto é falso e contrafactual — veja as taxas de inflação anual no gráfico do insuspeito Bradesco.

“E um dos períodos de maior desvio para o quadrante juro baixo com inflação alta aconteceu com a adoção da Nova Matriz Macroeconômica”. Se são falseados os dados da inflação em 12 meses, não é possível aceitar o estudo.

O que o estudo mostra é que apesar da escolha do regime de metas, há evidências fortes de mudanças no regime monetário vigente. “Na Nova Matriz há desvios muito grandes da taxa de juros neutra com relação ao que o modelo estima. Isso tem importância? Tem uma correlação desses desvios com a inflação mais à frente”, diz. Ah, é? E o choque de realinhamento de preços administrados, nada?! Que mitificação mentirosa…

Gonçalves repetiu o mesmo estudo, modelos e testes de modelo para avaliar a política de metas de inflação no Chile e não encontrou os desvios vistos por aqui. O único momento em que juro ficou abaixo do neutro com inflação para cima, no Chile, foi durante a crise de 2008/2009, mas isso é “absolutamente compreensível”. Em todo o resto do período, a resposta testada pelo modelo foi condizente com o que preconiza o regime de metas.

A pergunta que fica é por que em alguns países o regime funcionou melhor e em outros não? O que aconteceu no Brasil e não se viu no Chile? Segundo Gonçalves, não há uma resposta técnica para isso, mas seu palpite é que as personalidades no comando do BC acabaram influenciando o modelo de política, que foi diferente do tradicional regime de metas. Constatado o erro, no entanto, o desvio foi revertido e desde o fim do ano passado o BC voltou a atuar conforme a regra desenhada pelo modelo.

Ele deveria ler pelo menos com atenção os Relatórios sobre a Inflação, publicados pelo Banco Central do Brasil. Ele verificaria as causas reais da elevação da taxa de inflação. Não foi porque não se seguiu seu modelinho…

Mas tome ideologia! O neoliberal faz dar saudade do economista monetarista! Milton Friedman jamais defendeu Banco Central independente. Ele tinha pavor de se conceder arbitrío discricionário à sua diretoria. Sua doutrina, equivocada mas transparente, era o contrário da pregação dos neoliberais tupiniquins.

“Se você tem um BC independente, com mandado descasado entre presidente e presidente da República e cota para diretores de carreira, da academia e de mercado, seguramente se reduz esse risco”, diz Gonçalves. Diferentes participantes, com diferentes formações e interesses tenderiam a “vigiar” melhor uns aos outros proporcionando, em tese, melhor aderência ao regime monetário vigente. Curiosamente, ele disfarça, pregando uma equipe pluralista, porém a decisão vencedora terá de ser sempre favorável à alta taxa de juros…

De acordo com Gonçalves, quando a inflação começou a acelerar em 2012, membros do governo e alguns economistas lançaram o argumento de que a culpa recaía sobre o mercado internacional. Mas a evidência aponta que a inflação internacional estava em trajetória de queda desde 2011. “O que desancorou a inflação foi a percepção de uma mudança de regra de política monetária a partir de 2012”, explica Gonçalves.

Mentira! Falsidade! Ele sequer analisou a crise hídrica (seca) que levou às quebras de oferta de alimentos, produzidos no Brasil, e impactou os preços livres. Ao invés disso, confunde “alhos com bugalhos”, propositalmente, para iludir incautos. Uma coisa é “alimentos produzidos para o mercado interno”, outra é “commodities agrícolas para o mercado externo”.

Curiosamente, diz o estudo, depois da crise, mas antes da Nova Matriz, a inflação no Brasil seguiu mais ou menos o mesmo padrão mundial. Mas isso mudou depois de 2012. “Somando descrédito à tese dos choques externos adversos, o usual vilão conhecido como choque de oferta, as commodities agrícolas, já apontavam para baixo no fim de 2011. E durante o período da Nova Matriz, de 2012 a 2013, elas foram, de fato, um aliado”, diz o texto. Inércia de preços administradosInflação de preços livres e administrados Preços da commodities em reais Queda dos preços das commodities 2014

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