Exportações Brasileiras: Metade com 7 Commodities

Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador oficial de inflação avançou 0,32% em janeiro de 2019. Os bens comercializáveis ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,12% no mês passado, ante 0,13% em dezembro. Esse grupo representa cerca de 30% do IPCA. Nele, estão alimentos derivados de commodities, bens de consumo semiduráveis e duráveis — itens que podem ser comercializados com o exterior e, por isso, sofrem influência do câmbio. Em 12 meses, os comercializáveis subiram 1,81% até janeiro, também abaixo da inflação total, de 3,78%. O bom desempenho registrado no balanço comercial justifica parte da estabilidade cambial e daí parte da estabilidade inflacionária.

Sergio Lamucci (Valor, 11/02/19) informa: sete commodities responderam por metade do valor das exportações brasileiras em 2018, o percentual mais alto desde os 51,4% registrado em 2011. No ano passado, as vendas do complexo soja, óleos brutos de petróleo, minério de ferro, complexo carnes, celulose, açúcar e café renderam US$ 120,3 bilhões ao país, o equivalente a 50,2% do total exportado.

Houve em 2018 um forte aumento das exportações de soja, petróleo e celulose, produtos que ganharam espaço na pauta com alta simultânea de preços e volumes negociados com o exterior, num ano de crescimento ainda razoavelmente expressivo da economia global. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos manufaturados mostraram pouco dinamismo, um reflexo do impacto da crise da Argentina – grande compradora desses bens — e da crônica falta de competitividade da indústria brasileira.

Parte importante do aumento da concentração da pauta nessas commodities se deve à recuperação dos preços de alguns produtos, diz o economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A participação dessas sete commodities caiu para a casa de 45% do total exportado em 2015 e 2016, período em que a média das cotações de venda dos produtos básicos ao exterior recuou quase 35%, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Em 2017 e 2018, os preços de exportação dos básicos reagiram, subindo 21%.

Isso levou a participação das sete commodities no total exportado para a casa de 50%, um nível bastante elevado, mas ainda um pouco abaixo do recorde atingido em 2011. Foi quando muitas commodities atingiram o seu pico histórico. Continuar a ler

Arrecadação de royalties de Petróleo: Futuro de Economia do Petróleo

A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta sobre a possibilidade de volta ao déficit no mercado global de petróleo ainda no primeiro semestre de 2019. Tudo depende da implantação dos cortes anunciados por grandes países produtores – Opep e Rússia — e da velocidade de aumento da demanda neste ano. A agência projeta o Brasil aumentar sua produção diária para 3,7 milhões de barris de petróleo em 2025, 4,3 milhões em 2030 e 4,8 milhões em 2035.

O país encerrou 2018 com a melhor arrecadação federal de tributos em quatro anos, com uma receita total de R$ 1,457 trilhão, um crescimento real de 4,74% na comparação com 2017. O desempenho foi ajudado tanto pelo recolhimento geral de tributos como pelos royalties de petróleo. Eles alcançaram uma participação recorde nos números. Apesar do desempenho, os dados apontam para uma perda de ritmo no fim do ano.

O avanço acumulado das chamadas receitas administradas (que reúnem o
recolhimento tributário), usado como referência pelo Fisco para sinalizar a
trajetória dos números, arrefeceu no fechamento de 2018. Se no começo do
ano o avanço acumulado beirava 5% frente um ano antes (aos 4,82%), em março passou a ser próximo da casa dos 4% e chegou a dezembro em 3,41%. Os dados eliminam efeitos não recorrentes, como programas de regularização de dívida e alterações na tributação de combustível.

As receitas administradas registraram o primeiro avanço em cinco anos ao crescer 3,41% em relação a 2017, para R$ 1,398 trilhão. Continuar a ler

Prostração em vez de Recuperação Industrial e Carência de Investimentos em Infraestrutura

Ana Conceição (Valor, 02/01/19) avalia: depois da história de frustração em 2018, a indústria deve registrar alguma recuperação em 2019, influenciada pela retomada da economia em geral. Mas o crescimento previsto por analistas, em torno de 3%, ainda é modesto diante do desempenho ruim dos últimos anos. Em outubro de 2018, último dado disponível, a produção estava 16% abaixo de seu ponto mais alto, em maio de 2011.

Embora tenha saído do “fundo do poço”, o setor ainda vai enfrentar um cenário difícil no ano que vem.

  • No front interno, embora se espere um aumento no consumo das famílias, o desemprego deve se manter muito alto, limitando grandes avanços de produção.
  • No cenário externo, a crise na Argentina, importante mercado para a produção da indústria brasileira, e a provável desaceleração da economia mundial podem enfraquecer as exportações. As vendas de veículos para o país vizinho, por exemplo, caem há meses.

Em 2019 a CNI estima crescimento de 3% no PIB industrial no período e uma alta de 2,7% no PIB.

Depois de voltar ao positivo em 2017 (crescimento de 2,1%), após três anos de perdas em 2014 (-3%), 2015 (-8,3%) e 2016 (-6,4%), esperava-se um desempenho mais robusto da indústria em 2018. Vários fatores impediram um avanço maior:

  1. a piora das condições financeiras no primeiro trimestre,
  2. a greve dos caminhoneiros em maio,
  3. as incertezas eleitorais no segundo semestre.

No acumulado até outubro de 2018, a indústria cresceu menos (1,8%) que em 2017 (2,1%). Continuar a ler

Resultado das Operações Cambiais e Reservas Internacionais

Claudia Safatle (Valor, 04/01/19) deu informações merecedoras de se guardar.

O lucro apurado com as reservas cambiais em 2018, decorrente da apreciação do dólar em relação ao real, mais do que cobriu o custo de carregamento da acumulação de reservas de 2008 até o ano passado. A virada nas contas que zerou o custo da acumulação de quase US$ 400 bilhões em reservas internacionais ocorreu no ano passado.

“Nos últimos dez anos, as reservas se pagaram“, disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. “As pessoas costumam dizer que as reservas no Brasil são caras por que o juro internacional é mais barato do que o juro doméstico, que é alto. Só que elas esquecem que as reservas, além do diferencial de juros, são influenciadas pela depreciação e apreciação da moeda. Se você tem dólar no seu portfólio, toda vez que o dólar aprecia, você ganha”, explicou Ilan.

Assim, nos últimos dez anos, a apreciação do dólar mais do que compensou o diferencial de taxa de juros externa e interna. Continuar a ler

Valor Adicionado Estagnado e Valor Apropriado Concentrado

Valor adicionado é o agregado pelo trabalho aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo. É a contribuição ao Produto Interno Bruto pelas diversas atividades econômicas, obtida pela diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário absorvido por essas atividades.

O processo produtivo gera emprego e, em consequência, remuneração dos empregados. São despesas efetuadas pelos empregadores (salários mais contribuições sociais efetivas) em contrapartida do trabalho realizado.

Além dessa renda do trabalho, há a possibilidade de obtenção de renda de propriedade em uma economia capitalista. É renda recebida pelo proprietário de um ativo financeiro, ou de um ativo tangível não produzido, como terrenos arrendados, ou de um ativo imobiliário produzido, adquirido e alugado.

Ativos são formas de manutenção de riqueza. Ações, por exemplo, certificam seus possuidores serem os proprietários de certas frações de determinada empresa. Representam direitos em relação aos rendimentos. Os financeiros dão direito ao seu detentor (credor) de receber um pagamento de outra unidade (devedor) em certas circunstâncias especificadas entre eles por contrato de empréstimo ou endividamento.

Alavancagem financeira é termo usado para designar a obtenção de recursos de terceiros para realizar operações em maior escala. Significa a relação entre endividamento de longo prazo e o capital empregado por uma empresa. Quando o maior grau de alavancagem propicia uma rentabilidade patrimonial com uso de capital de terceiros, descontados os custos com juros, superior à obtida caso se utilizasse apenas o capital próprio, vale a pena do endividamento. Este é o segredo do negócio capitalista: trabalhar com capital de terceiros, ganhar mercado e multiplicar lucros! Continuar a ler

Cenário 2019: Macroeconomia

 Arícia Martins (Valor, 28/12/18) reporta a “especialistas” (sic): a economia brasileira está pronta para vivenciar um ciclo de expansão mais sustentável no próximo biênio, depois de uma brutal recessão seguida de dois anos de reação pífia. Mesmo em meio a um ambiente global mais desafiador que o de 2018, a tão aguardada agenda de reformas, os juros reais baixos e a melhora da confiança darão condições para que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,7% em 2019, segundo a estimativa mediana de 31 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data.

Perto da ponta mais otimista, Credit Suisse, UBS e Santander projetam alta de
cerca de 3% para o PIB já no próximo ano. A premissa para este cenário é a
aprovação da reforma previdenciária, que deve ocorrer somente no fim de 2019. Apesar do horizonte ainda incerto, a percepção de que a principal razão do desequilíbrio fiscal será solucionada terá impacto positivo sobre a confiança, avaliam economistas.

Como risco não desprezível às perspectivas mais benignas, especialistas mencionam o potencial de governabilidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o que ainda é pouco claro. A governabilidade é extremamente necessária para que as reformas passem no Congresso Nacional. Por isso, as projeções de crescimento mais expressivo são, também, um voto de confiança no sucesso do futuro governo em tirar o ajuste fiscal do papel.

Desde 2014 o Brasil tem ficado na lanterna de crescimento entre seus pares emergentes, mas, em 2019, este quadro vai se inverter, diz Fabio Ramos, economista do UBS Brasil. O país não está imune à perspectiva de desaceleração nos Estados Unidos, na União Europeia e na China nem ao aumento de juros na economia americana. No cenário interno, porém, a conjunção de juros reais ainda baixos e posição mais favorável do governo ao ambiente de negócios permite que o PIB cresça 3% no ano, estima Ramos. Continuar a ler

Subocupado por Insuficiência de Horas

Bruno Villas Bôas e Ana Conceição (Valor, 17/12/18) informam: há uma situação chamada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de “subocupado por insuficiência de horas“, um contingente que bateu recorde no trimestre encerrado em outubro, segundo dados divulgados pelo órgão.

São pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais e dedicariam mais tempo ao trabalho, se houvesse condições e oportunidade. O país tinha 6,987 milhões de subocupados no trimestre até outubro, 6,4% a mais do que nos três meses imediatamente anteriores, é o maior nível desde os 7 milhões alcançados no trimestre de 2012. Dali em diante, o número de subocupados caiu de forma constante, para voltar a crescer em meados de 2014. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número é 10,5% maior.

A subocupação foi uma parcela relevante das 1,24 milhão de ocupações surgidas no Brasil de agosto a outubro deste ano. O movimento reduziu a taxa de desemprego nacional para 11,7% no período, abaixo do verificado nos três meses anteriores (12,3%) e do mesmo período do ano passado, de 12,2%. O país tinha 12,351 milhões de desempregados no período. Continuar a ler