Contas Nacionais Trimestrais – 3o. 2017

O Produto Interno Bruto (PIB) variou 0,1% no 3º trimestre de 2017 frente ao 2º trimestre de 2017, na série com ajuste sazonal. Em relação a igual período de 2016, o crescimento foi de 1,4%. No acumulado em quatro trimestres terminados no 3º trimestre de 2017, o PIB registrou queda de 0,2%, frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Já acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 0,6%, em relação a igual período de 2016.

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,641 trilhão, no 3º trimestre de 2017, sendo R$ 1,416 trilhões referentes ao Valor Adicionado e R$ 225,8 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

As informações completas sobre as Contas Trimestrais podem ser acessadas aqui.

Continue reading “Contas Nacionais Trimestrais – 3o. 2017”

Apropriação do Valor Adicionado e Crise das Empresas Não-financeiras em 2013-2015

Os Demonstrativos do Valor Adicionado (DVA) compõem as informações contábeis das empresas como a principal fonte de informações. Esta permite separar o valor adicionado líquido em: (i) Pessoal; (ii) Tributos; (iii) Bancos; (iv) Acionistas; (v) Lucros Retidos. Estas informações mostram a remuneração dos fatores (salários e benefícios, juros, aluguéis, impostos e lucros) que são fluxos de renda em pagamento da sociedade. Esses fluxos, em parte, retornam às empresas na forma de demanda por produtos e serviços. Quanto à parte que não retorna, pois é investida em bancos, leva à demanda de novos empréstimos bancários por parte das empresas não-financeiras. Esta é a abordagem da circulação.

A participação de 129 empresas de capital aberto do setor industrial, amostra examinada por Júlio Sergio Gomes de Almeida, Luís Fernando Novais, e Marco Antônio Rocha, em A fragilização financeira das empresas não financeiras no Brasil pós-crise (Campinas; Texto para Discussão 281 do IE-UNICAMP; outubro de 2016), em relação ao valor adicionado, aos impostos e as aquisições de ativos imobilizados contabilizados no PIB, dá a dimensão da importância destas companhias para a economia brasileira. Na média do período 2013 a 2015, o valor adicionado por este conjunto contribuiu anualmente com 8,4% da riqueza adicionada na economia, com 11,4% do investimento e com 20,5% dos impostos arrecadados pelo governo.

A evolução a cada ano desta participação mostra que a grande empresa industrial tem um comportamento bastante pró-cíclico, ou seja, avança nos períodos de expansão econômica e se retraí nos períodos de retração. Em 2015, a participação do valor adicionado, dos investimentos e dos impostos deste conjunto de empresas no PIB caiu, respectivamente para 8,2%, 10,5% e 18,1%. Continue reading “Apropriação do Valor Adicionado e Crise das Empresas Não-financeiras em 2013-2015”

Rentabilidade, Margens de Lucro, Estrutura Patrimonial e Endividamento de Empresas Não-financeiras Pré-Golpe

O Texto para Discussão 281 (Campinas; IE-UNICAMP; outubro de 2016), intitulado A fragilização financeira das empresas não financeiras no Brasil pós-crise, com coautoria de Júlio Sergio Gomes de Almeida, Luís Fernando Novais, e Marco Antônio Rocha, caracteriza o período 2010-2015 – o de criação de condições econômicas necessárias para o ambiente político do golpe de Estado – por um crescente comprometimento das receitas operacionais com as despesas financeiras.

Em 2010, a participação das despesas financeiras líquidas na receita operacional para o conjunto de empresas passou de 2,4% em 2010, para 8,3% em 2015. O lucro operacional no início do período cobria três vezes o serviço das dívidas e, em 2015, esse percentual foi de apenas 0,3% ou 1/3.

Tomando o total da variação cambial e monetário sobre os fluxos de caixa e sobre o estoque da dívida pode-se observar o crescimento da magnitude dos efeitos cambiais sobre a situação de caixa das empresas. Do lado das margens de lucro, o peso da variação monetária e cambial líquida na receita operacional contribuiu para a expressiva queda na rentabilidade líquida.

Ainda que os efeitos sejam bem heterogêneos dentro da amostra – variando entre setores com ganhos significativos por conta do câmbio e setores com perdas acumuladas ao longo de todo período – no total as perdas foram crescentes ao longo do período. O que ressalta a importância do comportamento da taxa de câmbio em definir o desempenho das empresas não financeiras no pós-crise. Quando a moeda nacional se aprecia, elas perdem competitividade face aos importados. Quando passa a ser depreciada, mesmo gradualmente após julho de 2011, e de forma abrupta em 2015, as endividadas em dólares têm um choque de custos financeiros.

De forma geral, pode-se dizer que um conjunto de fatores atuou diretamente na redução da rentabilidade das empresas analisadas. A dependência em relação à acumulação interna de lucros como forma de autofinanciamento cria uma relação estreita entre rentabilidade e capacidade de financiamento de novos investimentos pelo setor produtivo. Continue reading “Rentabilidade, Margens de Lucro, Estrutura Patrimonial e Endividamento de Empresas Não-financeiras Pré-Golpe”

Fragilização Financeira das Empresas Não Financeiras no Brasil Pós-Crise

O Texto para Discussão 281 (Campinas; IE-UNICAMP; outubro de 2016), intitulado A fragilização financeira das empresas não financeiras no Brasil pós-crise, com coautoria de Júlio Sergio Gomes de Almeida, Luís Fernando Novais, e Marco Antônio Rocha, apresenta uma análise do desempenho econômico-financeiro das empresas não financeiras no período posterior a crise de 2008/2009. A análise procura demonstrar como um conjunto de fatores levou a deterioração dos indicadores financeiros das empresas, sugerindo que a retração econômica vivida nos últimos anos pela economia brasileira desencadeou um processo de fragilização financeira generalizado no setor produtivo. O texto desenvolve também uma proposta de um índice de fragilização financeira com inspiração nos trabalhos de Hyman Minsky.

A base de informações são os balanços patrimoniais, as demonstrações financeiras, os demonstrativos de valor adicionado e o fluxo de caixa das empresas não financeiras listadas na Bolsa de valores brasileira. A seleção de empresas tomou com referência o sistema da Economática.

Resumirei as principais conclusões do trabalho em três posts. Nos dois primeiros posts, apresentarei a análise de um conjunto de 340 empresas não financeiras, para o período de 2010 a 2015, de:

  1. a rentabilidade,
  2. a estrutura patrimonial e
  3. o endividamento.

No último post, a análise do desempenho, entre 2013 e 2015, de 129 empresas do setor industrial que apresentaram informações sobre:

  1. a distribuição do valor adicionado e
  2. as aquisições de ativos imobilizados. Continue reading “Fragilização Financeira das Empresas Não Financeiras no Brasil Pós-Crise”

Desinflação do Tomate

A realidade se encarregou de provar que houve overdose de juros, levando à maior concentração de riqueza financeira, inclusive nos próprios arbitradores do COPOM. Beneficiaram, em última análise, ao próprio enriquecimento financeiro sob o falso argumento que, via extermínio da demanda agregada, se controla qualquer choque inflacionário, inclusive o ocorrido por “acidente climático” (seca no tucanês) com consequente quebra de oferta de alimentos. Finalmente, li os economistas do Departamento Econômico da Gradual Investimentos, André Guilherme Pereira Perfeito e Camila de Caso,  mostrando que “o rei está nu!”

Embora o IPCA de outubro de 2017 tenha se registrado ligeiramente abaixo da mediana das projeções e acelerado 0,42% no mês, em 12 meses mantém os recordes de baixa em 2,7%, o menor patamar para o mês desde 1999.

O resultado benigno da inflação ao consumidor do nosso principal índice não é exatamente resultado da ação tempestiva do nosso Banco Central, se bem que é inegável – mas também impossível de calcular com previsão – que a postura do atual COPOM tenha ancorado certos ruídos de médio prazo.

O fato é que o IPCA está caindo de maneira relevante devido à dois fatores exógenos à Autoridade Monetária. Continue reading “Desinflação do Tomate”

Crescimento da Produção X Crescimento do Emprego: Como se define Recessão/Depressão?


Na série histórica do IBGE-PNADC de março de 2012 a agosto de 2017, o número de pessoas desocupadas atingiu o mínimo de 6,052 milhões em dezembro de 2013. Esse “pleno emprego” (sic) manteve-se até dezembro de 2014: 6,452 milhões. O máximo do desemprego foi atingido em março de 2017: 14,176 milhões pessoas desocupadas. Nessa data, a população na força do trabalho era 103,123 milhões, logo, a taxa de desemprego atingiu 13,75% da PEA.

 informam que a recessão, iniciada no segundo trimestre de 2014 e transformada em Grande Depressão com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015, terminou no final do ano passado. Ela foi a mais severa que o país viveu desde, pelo menos, o início dos anos 1980.

O Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), grupo formado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), se reuniu no dia 27/10/2017 e estabeleceu que a economia brasileira começou a sair do fundo do poço no último trimestre de 2016.

Com a decisão do colegiado – que determina [melhor seria dito “que avalia“] o início e o fim de períodos de expansão e queda da atividade no Brasil –, ficou estabelecido que a recessão durou 11 trimestres, levando o PIB (Produto Interno Bruto) a uma queda acumulada de 8,6%.

A severidade de uma recessão é medida por dois critérios:

  1. sua duração em trimestres e
  2. o tamanho da queda acumulada da produção econômica.

Bolha de Commodities Infla-Desinfla-Reinfla: Crescimento Insustentável da Economia Brasileira

Demanda Externa => arranque
Demanda Interna => sustentação

A Carta IEDI 811 resenha o Panorama da Economia Mundial (World Economic Outlook – WEO) de outubro de 2017, divulgado pelo FMI. Ele prevê um crescimento de 3,6% da economia mundial em 2017 frente ao percentual de 3,2% em 2016.

Diagnosticar que “as perspectivas para a economia brasileira também melhoraram desde abril, passando de um crescimento previsto de 0,2% para 0,7% em outubro de 2017, ou seja, uma taxa muito baixa e insuficiente para elevar o dinamismo da região como um todo” é querer “vender otimismo”. Os principais fatores subjacentes a essa revisão foram:

  1. o bom desempenho da safra agrícola e
  2. os pequenos efeitos dinamizadores sobre o consumo das famílias dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) autorizados em maio.

Contudo, a projeção para 2018 foi rebaixada de 1,7% em abril para 1,5% em função de:

  1. o desempenho medíocre do investimento e
  2. as incertezas políticas provocadas pelo golpe semi parlamentarista de corruptos.

O maior ritmo de expansão das economias avançadas e emergentes e em desenvolvimento exerceu pressão altista sobre os preços das commodities primárias, o que, por sua vez, favoreceu o desempenho exportador dos países exportadores desses bens. Contudo, embora as cotações estejam bem acima do patamar registrado em 2016, a trajetória ascendente foi revertida entre fevereiro e agosto de 2017 (datas de fechamento dos cenários de abril e outubro) nos mercados de commodities energéticas e agrícolas, enquanto os preços metais registraram alta moderada.

Dos US$ 107,7 bilhões embarcados pelo Brasil no primeiro semestre de 2017, mais de 30% – US$ 34,8 bilhões – foram em minério de ferro, petróleo e soja. Enquanto a exportação do grão subiu 20% de janeiro a junho deste ano em relação a iguais meses de 2016, a de minério de ferro quase dobrou, com alta de US$ 4,7 bilhões para US$ 8,9 bilhões. A venda de petróleo mais do que dobrou no mesmo período, de US$ 4 bilhões para US$ 9,2 bilhões.

Continue reading “Bolha de Commodities Infla-Desinfla-Reinfla: Crescimento Insustentável da Economia Brasileira”