Resultado Primário, Gasto com Juros e Dívida Líquida do Setor Público

A rodada de queda nas taxas de juros de mercado — veja acima o exemplo no dia 15 de maio de 2017 — tinha puxado a taxa de juro real para baixo de 4% pela primeira vez desde outubro de 2013, antes do Efeito Temer. O Mercado já percebeu que a manutenção de um golpista no cargo de Presidente da República só trará instabilidade para a economia brasileira: Fora Temer!

A renda fixa teve ontem (18/05/17) um dia em que as taxas futuras negociadas na BM&F tiveram altas recordes e a diferença entre os juros com vencimentos em janeiro de 2019 e janeiro de 2021 – uma medida de risco – sofreu o maior aumento em pelo menos uma década. Além disso, carteiras que seguem os preços de títulos atrelados à inflação (NTNs) amargaram a maior desvalorização em dois anos.

O caos tomou conta do mercado desde a abertura. As taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) alcançaram limites de máximas na BM&F, que decidiu elevar a tolerância de alta. Ainda assim, os DIs voltaram aos picos, o que fez os negócios entrarem em leilão em vários momentos.

A turbulência no mercado de derivativos foi vista também nas operações do segmento de balcão, no qual investidores correram para se desfazer de títulos públicos, buscando minimizar as fortes perdas contabilizadas na marcação a mercado desses papéis. A pressão foi tamanha que o Tesouro Nacional precisou não só cancelar a oferta de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT) prevista, como também anunciar leilões de compra e venda de LTN, Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) e Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B) de hoje até a próxima terça.

A partir de agora, com a zeragem de posições ordenada no pânico, posições mais seguras e de curtíssimo prazo serão as mais demandadas. Isso pode se traduzir em aplicações em LFT e operações compromissadas. A súbita reversão de expectativas deve desestimular operadores a assumir novas posições vendidas em juros.

Aquela baixa de juros, ocorrida anteriormente ao Efeito Temer — um presidente omisso quanto à denuncia de obstáculos à justiça torna-se cúmplice de crime comum –, foi resultado da redução do swap de juro de 360 dias, que é negociado a 8,8%, o menor desde o fim de junho de 2013. Descontando dessa taxa um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,7% projetado pelos próximos 12 meses, chega-se ao juro real “ex ante, de 3,92% aa. Há um mês, o juro real estava na casa de 4,80%.

A rodada de queda nos juros de mercado acontecia em meio a um aumento nas apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderia acelerar o ritmo de redução da Selic, hoje em 11,25%, no encontro do dia 31 de maio de 2017.

Eduardo Campos (Valor, 16/05/17) informou que O Mercado mantinha entre 8,25% e 8,50% aa a projeção para a taxa Selic no fim deste e do próximo ano. Confirmada tal expectativa, seria possível projetar uma economia com o custo da dívida pública entre R$ 120 bilhões a R$ 130 bilhões no período. Mas esse vetor positivo da redução do gasto com juro não se traduzirá em diminuição da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), pois o menor gasto com o juro é consumido pelo aumento da dívida, já que o governo não estima entregar um superávit primário até 2020. Assim, o déficit continua maior do que o ganho gerado pela queda do juro.

A trajetória da Selic é um dos principais fatores condicionantes da dívida pública. Segundo o BC, cada redução de 1 ponto percentual na taxa básica, mantida por 12 meses, reduz a dívida em R$ 22 bilhões. A Selic já caiu 3 pontos percentuais desde outubro, quando estava em 14,25% ao ano. Outros vetores relevantes são:

  1. o comportamento do câmbio e
  2. a evolução da inflação.

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CUT: Salário é Custo e Demanda

No beabá dos economistas, é obrigatório compreender que salário é, simultaneamente, custo e demanda. Os empresários defendem o auto interesse microeconômico, cortando custos, mas o reflexo macroeconômico é corte na demanda por seus produtos à venda…

Arícia Martins (Valor, 08/05/17) informa que uma das principais pressões de custos sobre a indústria de transformação está perdendo força e pode ajudar o setor a recuperar alguma competitividade este ano. O chamado Custo Unitário do Trabalho (CUT — sigla sugestiva, não?), indicador que mede a relação entre a folha de salários e o valor da produção física, subiu 1,2% no ano passado, menor alta desde 2010, quando havia aumentado 1,1%. Em 2015, a medida que representa a quantidade de trabalho usado para produzir uma unidade de produto avançou 20,6%.

Os cálculos são da MCM Consultores e consideram a folha de pagamento nominal da indústria, com base em dados da extinta Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, do IBGE, e da massa de rendimentos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Usando a folha de pagamentos real, o CUT teve redução de 7% em 2016, depois de ter crescido 10,6% no ano anterior. Ambas as medidas são em moeda local.

A principal explicação para o movimento de alívio é a deterioração do mercado de trabalho, afirma Bernardo Dutra, economista da MCM e autor dos cálculos. Os movimentos do CUT, tanto na época de alta quanto de baixa, são explicados pela massa de rendimentos, uma vez que a produtividade no Brasil cresce muito pouco.

Depois de um longo período de pressão – de 2003 a 2016, o custo nominal da hora trabalhada acumulou alta de 213% e o custo real, 40%, ambos medidos em reais – o arrefecimento dos salários está contribuindo para reduzir a inflação. Em outro exercício, a consultoria observa que há uma correlação positiva e significativa entre a evolução do CUT e do IPCA acumulado em 12 meses.

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Felicidade Interna Bruta em 2017

A felicidade nos EUA está em declínio e espera-se que continue em um caminho descendente, com as políticas de Donald Trump previstas para aprofundar a crise social do país. Os EUA caíram para o 14º lugar no World Happiness Report 2017, produzido pelas Nações Unidas. A superpotência econômica mundial está bem atrás da Noruega, embora permaneça acima da Alemanha em 17º lugar, no Reino Unido em 19º e na França em 32º lugar.

A Noruega derrubou a Dinamarca do primeiro lugar como o país mais feliz do mundo, com a Islândia e a Suíça a terminarem entre os quatro primeiros. Os autores do relatório ressaltam, contudo, que os quatro primeiros estão tão próximos que as mudanças não são estatisticamente significativas.

A próxima camada de países é regularmente encontrada na liderança em pesquisas de felicidade internacional: a Finlândia está em quinto lugar, seguida pelos Países Baixos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Suécia.

Os países “infelizes” do mundo estão todos no Oriente Médio e na África: o Iêmen e a Síria, atingidos pela guerra, estão entre os 10 primeiros, com a Tanzânia, o Burundi e a República Centro-Africana integrando os três últimos.

O relatório da ONU, que se baseia em pesquisas Gallup de auto-relato de bem-estar, bem como percepções de corrupção, generosidade e liberdade, este ano tem um foco especial na “história de felicidade reduzida” nos EUA. Continue reading “Felicidade Interna Bruta em 2017”

60 Anos da União Europeia

Valentina Pop (Valor, 25/03/17) informa que, para os líderes da União Europeia (UE), o encontro, em Roma, para comemorar o 60o aniversário do tratado de fundação do bloco, pretendia ser uma celebração genuína de um experimento bem-sucedido visando a reconstrução de um continente marcado pelas cicatrizes de duas guerras mundiais. Mas o Brexit, o mal-estar econômico, a imigração, a hostilidade russa, a indiferença dos Estados Unidos e o crescente ânimo nacionalista em toda a Europa estragaram a festa de aniversário.

Essa nuvem de problemas, claramente reforçada pela ausência da primeira-ministra britânica Theresa May na comemoração, revela profundas divisões entre as nações mais ricas e mais pobres do bloco, entre os falcões fiscais no norte e as nações devedoras no sul, e entre países ex-comunistas do leste e países membros do oeste.

Manter sintonizadas as seis nações que originalmente assinaram o Tratado de Roma em 1957 — que dirá as 22 que aderiram posteriormente — parece agora um grande desafio.

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Estratégia para Contratação de Câmbio para Exportação

José de Castro (Valor, 10/04/17) informa que os fluxos de exportação da safra agrícola recorde do Brasil deste ano devem representar um importante ponto de suporte ao câmbio ao longo de abril e possivelmente dos próximos meses, a despeito de pressões vindas de temas políticos e fiscais. Mesmo períodos de alta pontual do dólar já vão servir de estímulo para que exportadores vendam mais moeda, o que exercerá mais pressão de baixa sobre a cotação da moeda americana.

Abril é tradicionalmente um mês de crescimento da contratação de câmbio para exportação. Mas, neste ano, a expectativa dos analistas é que o aumento seja ainda maior. Números do Banco Central mostram que, entre 2006 e 2016, a contratação de câmbio para exportação nos meses de abril cresceu, em média, 26% sobre a média do primeiro trimestre. Na mesma base de comparação, as operações de Adiamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) — linha de financiamento para produção das mercadorias — aumentam 22%. E as operações de Pagamento Antecipado (PA) – quando o produtor recebe antecipadamente do importador os valores da exportação – saltam 51%.

No caso da exportação de soja, por exemplo, abril é o mês que mais concentra as vendas externas. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) mostram que, desde 2013, o mês responde pela maior parcela das exportações de soja em grão. Em 2016, a participação de abril foi de 21% das exportações de todo o ano, o equivalente a US$ 5,74 bilhões.

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Encolhimento do Fluxo Comercial do Brasil

Assis Moreira (Valor, 13/04/17) informa que o comércio exterior do Brasil encolheu US$ 188 bilhões em quatro anos, calculado em dólar, como resultado do preço menor das matérias-primas e forte recessão no país, conforme dados da OMC.

As importações caíram US$ 107 bilhões em quatro anos, passando de US$ 250 bilhões em 2013 para US$ 143 bilhões no ano passado. As exportações caíram US$ 57 bilhões, de US$ 242 bilhões para US$ 185 bilhões. A balança de serviços caiu US$ 24 bilhões no período.

Entre os grandes emergentes com maior volume de comércio, a Rússia perdeu US$ 394 bilhões nas trocas com o resto do mundo no período; a Índia, US$ 155 bilhões; e o México, US$ 13 bilhões.

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Comparando Recessões: 1996-2003 (Era Neoliberal) X 2015-2017 (Volta da Velha Matriz Neoliberal)

Naercio Menezes Filho, professor titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP. Publicou artigo (Valor, 17/03/17) comparando recessões. Apesar de não concordar com o simplório e ideológico diagnóstico — “esse é o tamanho do estrago que foi feito pelas políticas econômicas equivocadas (nova matriz econômica) do governo Dilma” –, reproduzo-o abaixo.

 “A crise atual está tendo efeitos sociais importantes. A taxa de desemprego atingiu mais de 12% esse ano, deixando mais de 12 milhões de pessoas sem emprego. Como essa crise se compara com períodos de baixo crescimento no passado recente? O que há de diferente no comportamento do mercado de trabalho hoje em dia? Quais são as perspectivas para o futuro próximo?

O período compreendido entre 1996 e 2003 pode servir de comparação para o que vem pela frente, apesar da situação atual ser bem pior do que naquela época. Naquele período de sete anos o país ficou estagnado em termos de bem-estar, já que o PIB per capita em 2003 foi praticamente igual ao de 1996. Também houve queda de salários e aumento de desemprego.

É claro que hoje em dia a situação é bem pior. [Com a volta da Velha Matriz Neoliberal] Houve queda brutal do PIB em 2015 e 2016 e o PIB per capita em 2016 foi quase 10% menor do que em 2013. Supondo um crescimento próximo a zero em 2017, o PIB terá que crescer 2% ao ano até 2025 para que o PIB per capita retorne ao nível de 2013. Esse é o tamanho do estrago que foi feito pelas políticas econômicas equivocadas (nova matriz econômica) do governo Dilma.

[FNC: vejam o que causa a cegueira ideológica dos “coxinhas”: este diagnóstico é contraditório com os próprios números que apresentam!]

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