Queda da Ocupação Formal: Efeito da Grande Depressão e da Reforma Trabalhista

Diagnosticar como estivesse em estado de “pós-recessão” uma economia rastejante, sem fôlego para sustentar um crescimento de renda e emprego, é forçar demasiadamente o otimismo propagandeado pelos golpistas midiáticos.  Endemoniaram o social-desenvolvimentismo porque seus resultados em termos de emprego tinham propiciado a vitória trabalhista em quatro eleições seguidas. Agora, depois dos golpistas cortarem os direitos trabalhistas e aprisionarem o maior líder trabalhista, desejam convencer a conservação do status quo atual ser o melhor para todos! O candidato tucano (e seus aliados conservadores) está defendendo isso!

Ana Conceição (Valor, 14/08/18) informa: a crise econômica que jogou milhões de pessoas na informalidade mudou também a composição do emprego por setor na economia. Em cinco grupamentos de atividade acompanhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de ocupados superou no segundo trimestre o registrado no período imediatamente anterior à recessão.

O destaque para a geração de ocupação são os setores de alimentação e transporte. Foram esses segmentos que receberam parte dos trabalhadores que perderam seus empregos e agora têm uma população ocupada maior que em 2014.

Essa recuperação relativa passa longe da indústria e da construção civil, que
cortaram milhões de vagas e ainda têm um número de ocupados bem abaixo daquele ano.

Segundo dados da Pnad Contínua trimestral, do IBGE, a construção civil perdeu 1,25 milhão de trabalhadores na comparação com segundo trimestre deste ano com o mesmo período de 2014. Uma queda de 16% no total de ocupados no setor. A indústria demitiu também 1,25 milhão (-9,5%), a agropecuária, outro 1,27 milhão (-13%). Neste último caso, a queda tem a ver também com o aumento de absorção de tecnologia pelo setor. Continue reading “Queda da Ocupação Formal: Efeito da Grande Depressão e da Reforma Trabalhista”

Plano A-Parente Serpente da Petrobras para BRF: “Dois Passos Atrás Para Um A Frente”…

Luiz Henrique Mendes (Valor, 02/07/18) apresenta um estudo de caso relevante para se entender como estão as grandes empresas brasileiras.

Era 3 de dezembro de 2015. No melhor ano de sua história, a BRF anunciava, de um vez só, três aquisições no exterior, por US$ 500 milhões. Estava em curso o projeto liderado pela gestora de recursos Tarpon e pelo empresário Abilio Diniz para transformar a companhia em um negócio global. De lá para cá, porém, a maré virou. Na última sexta-feira, a companhia de alimentos anunciou que aqueles negócios adquiridos em 2015 serão vendidos – e em conjunto com outros ativos.

Substituto de Abilio na presidência do Conselho de Administração da BRF desde 27 de abril e CEO da empresa há duas semanas — depois da “greve dos caminhoneiros” lhe dar um “passa-fora, moleque” da Petrobras com sua estapafúrdia política de reajustes diários dos preços dos combustíveis –, Pedro Parente anunciou uma “freada de arrumação” para tirar a empresa da crise, o que provocará a demissão mais de 4 mil funcionários no Brasil. Com a venda de ativos e outras medidas como a antecipação de recebíveis, a BRF pretende obter R$ 5 bilhões ainda neste ano.

Em teleconferência com analistas de O Mercado, o vice-presidente executivo global da BRF afirmou que a maior parte dos R$ 5 bilhões que a companhia pretende obter virá das vendas das operações na Europa, na Argentina e na Tailândia. Essas operações foram responsáveis por mais de R$ 3 bilhões em vendas no ano passado: 10% do faturamento de R$ 33 bilhões reportado pela companhia.

Ao deixar de produzir nessas regiões, a BRF vai concentrar a atuação:

  1. no Brasil, onde é a líder com as marcas Sadia e Perdigão,
  2. nos mercados muçulmanos (sobretudo no Oriente Médio) e também
  3. na Ásia. Continue reading “Plano A-Parente Serpente da Petrobras para BRF: “Dois Passos Atrás Para Um A Frente”…”

Desalavancagem Financeira e Reestruturação das Empresas: Prontas para Retomada do Crescimento?

Para elaborar um Plano de Governo, no contexto atual da economia brasileira, é óbvia a prioridade ser a retomada do crescimento da renda e do emprego, ampliando antes o mercado consumidor e a arrecadação fiscal, para posterior ajuste das Finanças Públicas. Para tanto, a concessão de crédito, para para PFs, quanto para PJs, será necessário. Daí brotam perguntas-chaves:

  1. o processo de desalavancagem financeira, i.é, queda do endividamento em relação às receitas, já findou para as empresas?
  2. quando cair a ameaça de desemprego as famílias reiniciarão novo ciclo de endividamento?
  3. os bancos públicos estarão capitalizados o suficiente para puxar a retomada do crédito, seja livre, seja direcionado?

Neste post se examina o que se passa com muitas empresas não-financeiras através de reportagem publicada por Carlos Rydlewski (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 18/05/18). Continue reading “Desalavancagem Financeira e Reestruturação das Empresas: Prontas para Retomada do Crescimento?”

Resultados da Pesquisa Capitais Brasileiros no Exterior (CBE)

A pesquisa Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) fornece panorama dos investimentos realizados por empresas e pessoas físicas residentes no Brasil em ativos no exterior. As principais modalidades de investimento são

  1. investimento direto,
  2. investimento em portfólio (ações e títulos), e
  3. outros investimentos (concessões de créditos comerciais e empréstimos, depósitos e imóveis).

O CBE é a principal fonte de dados para a compilação de estoques dos ativos externos que compõem a Posição de Investimento Internacional (PII), à exceção dos ativos de reserva. O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 379,5 bilhões em junho de 2018, correspondendo a 367% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico).

A pesquisa anual de CBE é conduzida pelo Banco Central desde 2001 e é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas detentoras de ativos no exterior, ao fim de cada ano-base, em montante igual ou superior ao equivalente a US$100 mil.

Os dados coletados no CBE ano-base 2017 foram compilados e incorporados às estatísticas da PII. Em 2017, a posição total de ativos brasileiros no exterior atingiu US$ 498,8 bilhões, recorde da série histórica, e expansão de 9,4% em relação à posição de 2016.

Dentre as modalidades, destaque-se o Investimento direto – Participação no capital, modalidade de maior importância em toda a série. Contribuiu para a ampliação dos estoques investidos no exterior em 2017 (elevação de US$42,9 bilhões ante 2016, equivalentes a 13,6%), acumulando US$ 357,9 bilhões. Esse tipo de investimento compreende alocações de capital em empresas não residentes, em que o investidor residente detenha 10% ou mais do poder de voto na empresa no exterior, além da posse de imóveis.

Perspectivas Agrícolas 2018-2027

Os preços de produtos agrícolas deverão continuar baixos no mercado internacional, sobretudo em um cenário de estoques elevados como o atual, o que torna uma retomada improvável nos próximos anos. A avaliação é do relatório “Perspectivas Agrícolas 2018-2027” da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) e da Agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO).

O relatório nota a produção rural ter aumentado fortemente em todas as categorias de produtos, atingindo no ano passado cifras recordes nos casos de cereais, carnes e produtos lácteos, enquanto os estoques se mantiveram em níveis jamais vistos.

Paralelamente, o crescimento da demanda começou a diminuir. Apoiada nos últimos dez anos pela alta de renda por habitante na China — estimulante do consumo de carnes, peixes e alimentos para animais — a demanda agora desacelera, em um cenário onde não se identifica nenhuma outra fonte de expansão para compensar a situação chinesa.

Em consequência disso, os preços reais da maioria dos produtos agrícolas deverá baixar nos próximos dez anos. A desaceleração da demanda deverá persistir ao longo dos próximos anos. O consumo por habitante de numerosos produtos deverá estagnar em escala mundial, sobretudo os de alimentos de base como cereais, raízes e tubérculos, cujos níveis de consumo estão próximos da saturação em vários países. Continue reading “Perspectivas Agrícolas 2018-2027”

Portugal, quantas léguas a nos separar…

Foi postado no Jornal GGN uma trilogia de minha autoria com 3 posts mapeando o debate eleitoral no Brasil:

Debate I: Prioridade à Retomada do Crescimento da Renda e do Emprego

Debate II: Linhas Ideológicas das Candidaturas em 2018

Debate III: Programas Econômicos dos Candidatos em 2018

No primeiro artigo, eu conclamo:

“Copiemos o exemplo recente de Portugal. Conforme a miséria se aprofundava esse país assumiu uma posição ousada. Em 2015, descartou as medidas de austeridade impostas por seus credores europeus e iniciou um ciclo virtuoso, colocando sua economia de volta no rumo do crescimento. O governo de centro-esquerda reverteu os cortes em salários, pensões e na seguridade social e ofereceu incentivos às empresas.

Os eleitores colocaram no poder Costa, um líder de centro-esquerda, no final de 2015, depois dele prometer a reversão dos cortes em suas rendas pessoais. Ele formou uma aliança incomum com o Partido Comunista e partidos de esquerda radical.”

Depois, achei prudente solicitar informações mais detalhadas sobre o que se passa em Portugal ao nosso estimado “correspondente europeu”: Miguel Amaral, amável seguidor português deste modesto blog pessoal. Ele me enviou os seguintes comentários, os quais compartilho com sua autorização.

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Maiores Grupos Econômicos no Brasil na Grande Depressão de 2015 e 2016

A regressão das empresas industriais em 2015 se deve ao choque neoliberal da gestão Joaquim Levy: ajuste fiscal + choque tarifário + choque cambial + choque de juros? Daí o apoio industrialista (FIESP) ao golpismo em 2016?

 No ranking das dez maiores empregadoras, há quatro empresas financeiras (Bradesco, BB, Caixa e Itaú), quatro industriais (Vale extrativa, BRF alimentos, Odebrecht obras, Petrobras extrativa), duas comerciais (GPA e Carrefour).

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