A FIESP está pagando o pato!

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A FIESP incentivou o golpe contra um governo eleito democraticamente, fornecendo até almoço para “os direitistas do patinho-amarelo” na sua sede. Depois colheu o que plantou: um ano com os piores resultados econômicos desde a Era Neoliberal (1988-2002). A FIESP está pagando o pato!

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Obs.: o índice de difusão, que mede o número de setores em que a produção subiu, passou de 50% pela primeira vez desde 2012, mostrando que a alta de dezembro não se baseou em apenas um segmento. Porém, não foi dessazonalizada

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O ano de 2016 foi “muito difícil” para a indústria, com queda em todos os pontos da pesquisa “Indicadores Industriais” da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pelo segundo ano consecutivo, desde a volta da Velha Matriz Neoliberal, os dados são todos negativos. O ano foi muito difícil porque a magnitude da queda em cima de queda já forte no ano anterior mostra corrosão do faturamento das empresas.

O faturamento foi o indicador com a maior queda no ano passado. Ele retrocedeu -12,1% na comparação entre 2015 e 2016.

Os indicadores de produção também tiveram um forte recuo no ano, com uma queda de 7,6% nas horas trabalhadas e 7,5% no nível de emprego. A comparação é com 2015. Os dados do mercado de trabalho continuam negativos, isso é um indicador da capacidade de compra dos trabalhadores e mostra dificuldade da economia retomar seu crescimento.

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Debate sobre o Juro Disparatado no Brasil

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Depois de passar pelo concurso para Professor Titular do IE-UNICAMP, no início de março de 2015, fui gentilmente convidado pelo IBRE-FGV, sob direção do Luiz Guilherme Schymura, para um seminário com os professores-pesquisadores seniores desta importante instituição. Queriam que eu respondesse três questões-chave formuladas pelo meu ex-colega Samuel Pessôa.

Ele me dirigiu perguntas aparentemente simples:

  1. Por que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada?
  2. Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa da inflação permanece muito elevada?
  3. Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa de poupança permanece muito baixa?

De imediato, em vez de dizer clichês a respeito, respondi-lhe que não se pode tratar com simples palavras uma questão complexa. É necessário estudar reflexões teóricas e evidências empíricas para tentar dar uma resposta mais consistente.

O encontro no IBRE-FGV-RJ foi muito profícuo com respeito mútuo entre economistas com formações teóricas distintas. Tanto foi proveitoso que o IBRE-FGV me convidou para outra apresentação em seguida.

Depois desta segunda apresentação, recebi um convite para participar de uma experiência inédita no debate intelectual brasileiro recente: economistas ortodoxos e heterodoxos debaterem um tema comum importante para a economia brasileira. Continue reading “Debate sobre o Juro Disparatado no Brasil”

Déficit na Previdência Social Devido à Grande Depressão

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O déficit do Regime Geral de Previdência Social disparou em 2016, fechando o ano em R$ 149,7 bilhões, alta de 74,5% na comparação com o rombo de R$ 85,8 bilhões registrado em 2015. Em valores corrigidos pela inflação, esse déficit foi de R$ 151,9 bilhões em 2016, o maior da série iniciada em 1995.

A maior parte do rombo deve ser atribuída a questões conjunturais, como a queda do emprego, que tem impacto fortemente negativo na arrecadação. A questão estrutural do envelhecimento da população ainda está pesando pouco nas contas, processo que deve se intensificar nas próximas décadas.

O problema é que o governo golpista, propositalmente, mistura as coisas para o público leigo achar que “o envelhecimento já chegou e a relação população ativa/inativa já despencou”! Com isso, espera que a opinião pública não barre a aprovação da proposta da reforma da Previdência no terceiro trimestre do ano corrente. Segundo o governo golpista, o objetivo da reforma não é acabar com o déficit, mas estabilizar as despesas previdenciárias em torno de 8% do PIB nas próximas décadas.

A perspectiva do governo golpista é tentar aprovar a proposta nos moldes em que ela foi encaminhada ao Congresso pelo Poder Executivo, mas o Poder Legislativo será o palco de discussões da proposta. Lembrem-se que 2017 é um ano pré-eleitoral. Não vote em congressista que retirar seus direitos sociais!

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Finanças Públicas em 2016: Por Muito Menos “Justificou-se” (sic) Um Golpe…

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O Setor Público Consolidado encerrou 2016 com um déficit primário de R$ 155,791 bilhões. O resultado do ano equivale a 2,47% do PIB, recorde histórico, e é ainda pior que o déficit de R$ 111,2 bilhões (1,85% do PIB) visto em 2015. Sendo que, em dezembro de 2015, o déficit tinha sido elevado em R$ 71,729 bilhões sob a pressão do TCU para o pagamento das chamadas “pedaladas fiscais”. Era mero pretexto para o golpe parlamentarista que se avizinhava…

No ano, os Estados, municípios e suas estatais registraram um superávit primário de R$ 4,519 bilhões ou 0,07% do PIB, enquanto o governo central teve um déficit de R$ 160,309 bilhões ou 2,54% do PIB.

A meta de déficit para o setor público consolidado para o ano era de R$ 163,942 bilhões ou 2,64% do PIB. Para o governo central, a meta era de um déficit R$ 170,5 bilhões, ou 2,75% do PIB e para os entes subnacionais a proposta era de superávit de R$ 6,554 bilhões.

A proposta inicial do Governo Dilma para o ano, antes do golpe, era de um superávit de R$ 30,5 bilhões ou 0,5% do PIB, sendo R$ 24 bilhões do governo central. Os golpistas mudaram a meta para um número absurdo sob o beneplácito do Congresso cúmplice. Para 2017, a proposta é de novo déficit de R$ 139 bilhões!

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Inflação: Inércia do Passado, Expectativa do Futuro… e a Grande Depressão do Presente?

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Arícia Martins (Valor, 19/01/17) informa que as expectativas inflacionárias e a inércia explicaram a maior parte da alta de 6,29% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2016, segundo estudo da MCM Consultores. Nos cálculos da consultoria, que usa metodologia diferente da do Banco Central para decompor a inflação de cada ano, as estimativas para 12 meses à frente e a influência da variação passada do IPCA sobre os preços correntes responderam por quase 87% do avanço do indicador do IBGE em 2016.

Apresentada normalmente pelo Banco Central no Relatório de Inflação do primeiro trimestre, que será divulgado no fim de março, a decomposição do aumento anual do IPCA analisa o peso de seis componentes na dinâmica de preços:

  1. inflação de preços livres,
  2. inflação de preços administrados,
  3. choques de oferta,
  4. repasse cambial,
  5. inércia e
  6. expectativas.

A MCM faz uso dessa mesma classificação, mas, ao contrário da autoridade monetária, que inclui em seu modelo somente a parcela de variação do IPCA que excede o centro da meta, de 4,5%, para calcular tanto a influência da inércia quanto das expectativas nos preços correntes, a consultoria avalia que usar os índices “cheios” é o critério mais correto.

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Desordem Global da Geopolítica Internacional

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Martin  Wolf (Financial Times apud Valor, 06/01/17) afirma que “não é verdade que a humanidade não consegue aprender com a história. Consegue e, no caso das lições do período sombrio entre 1914 e 1945, o Ocidente conseguiu. Mas ela parece ter esquecido essas lições. Estamos vivendo, mais uma vez, em uma era de gritante nacionalismo e xenofobia. As esperanças de um admirável mundo novo de progresso, harmonia e democracia, levantadas pela abertura dos mercados da década de 1980 e pelo colapso do comunismo soviético entre 1989 e 1991, transformaram-se em cinzas.

O que podemos esperar dos EUA, os criadores e fiadores da ordem liberal do pós-guerra, prestes a serem governados por um presidente que repudia as alianças permanentes, abraça o protecionismo e admira os déspotas?

O que esperar de uma combalida União Europeia (UE), que contempla a ascensão da “democracia não liberal” no Leste, o Brexit e a possibilidade de Marine Le Pen ser eleita presidente da França?

O que virá pela frente agora que a Rússia expansionista de Vladimir Putin exerce uma influência cada vez maior sobre o mundo, e que a China anunciou que o presidente Xi Jinping não é o primeiro entre iguais, e sim o “líder principal”?

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Abordagem Conjuntural-Estruturalista Keynesiano-Desenvolvimentista

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Li hoje um artigo de Carlos Luque, Simão Silber e Roberto Zagha (Valor, 06/01/17) que “quase eu assinaria embaixo”! Só achei incoerente com a argumentação do artigo — o equívoco do diagnóstico realizado e da terapia receitada pela atual equipe econômica a frase no parágrafo final: “nada que não possa ser implementado pela equipe econômica atual”. Ora, esta equipe tem um vício de nascença: pertence a um governo ilegítimo politicamente para implementar qualquer medida que peça sacrifício à sociedade já que a maioria dos eleitores não votou neste programa neoliberal de governo!

Carlos Luque é professor da FEA-USP e presidente da Fipe, Simão Silber é professor da FEA-USP e Roberto Zagha foi secretário da Comissão sobre o Crescimento e o Desenvolvimento organizada pelo Banco Mundial. Os autores somam à abordagem conjuntural keynesiana uma abordagem estruturalista a la Cepal, ou seja, desenvolvimentista. Reproduzo-o abaixo, para ser lido à luz dos dados acima.

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