Retrocesso da Economia Brasileira: Desafio para o Social-Desenvolvimentismo

Com a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, o Brasil ganhou uma posição entre as maiores economias do planeta em 2021, superando a Austrália e indo para o 12o lugar.

A nova estimativa do IBGE apontou que a economia cresceu 5% no ano passado, e não 4,6%. Esse desempenho eleva o PIB nacional para US$ 1,65 trilhão em valores correntes, usando o câmbio médio adotado pelo FMI. Na projeção anterior, o PIB brasileiro somaria US$ 1,61 trilhão. Já o australiano seria de US$ 1,64 trilhão.

Pelas projeções de outubro do FMI para 2022, o Brasil fechará este ano exatamente com o 12o maior PIB global em valores correntes, superando não só a Austrália, mas também a Coreia do Sul – o Irã, no entanto, superaria o Brasil. Em 2023, o Brasil voltaria ao top 10, segundo as estimativas do Fundo.

Já o desempenho do PIB no terceiro trimestre, com crescimento de 0,4% no terceiro trimestre em relação ao período de abril a junho, colocou o país no meio da tabela na comparação com o resultado de outros 50 países.

O crescimento foi suficiente para o Brasil ocupar a 24a colocação, ao lado de Alemanha, Portugal e Tunísia. O percentual de 0,4% é exatamente a mediana do desempenho dos países que já divulgaram seus resultados do terceiro trimestre.

Foram poucos os emergentes que tiveram crescimento pior do que o brasileiro, especialmente os de fora da Europa. Na Ásia, países como Malásia, Filipinas e Indonésia tiveram alta superior a 1%.

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Finanças e Multicrises: recessão global da habitação

Finance and the polycrisis: The global housing downturn. Chartbook #171

Adam Tooze

Neste momento precário – no quarto trimestre de 2022, dois anos após a recuperação do COVID – entre todas as forças condutoras de uma desaceleração global abrupta e disruptiva, de longe a maior é a ameaça de um choque habitacional global.

Havia alguma ansiedade mesmo antes de 2020 com a escalada dos preços das casas em metrópoles de todo o mundo, mas a pandemia causou um choque sem precedentes nos mercados imobiliários. Em 2020 e 2021, os preços das casas subiram, fazendo o FMI soar o alarme em seu Relatório de Estabilidade Financeira de outubro de 2021.

No segundo semestre de 2021, a inflação acelerou, devido a choques de oferta e, em 2022, esse aumento se ampliou. Com as taxas de juros subindo com velocidade sem precedentes, a questão agora é se, após as paralisações de 2020 e a rápida recuperação de 2021, o inverno de 2022-3 verá o início de um colapso imobiliário global. Se isso ocorresse, o impacto seria enorme.

Na economia global, existem três classes de ativos realmente grandes:

  1. as ações emitidas por empresas (US$ 109 trilhões);
  2. os títulos de dívida emitidos por empresas e governos (US$ 123 trilhões);
  3. os ativos imobiliários, dominado por imóveis residenciais, avaliados mundialmente em US$ 258 trilhões.

Imóveis comerciais (US$ 32,6 trilhões) e terras agrícolas somam outros US$ 68 trilhões.

Se as notícias econômicas fossem divulgadas de forma mais sensata, os índices do mercado imobiliário global figurariam todos os dias ao lado do S&P500 e do Nasdaq.

O aumento nos preços globais das casas em 2019-2021 adicionou dezenas de trilhões à riqueza global medida. Se isso se desenrolar, causará um enorme choque recessivo.

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Números da Economia antes do Lula III

No campo da economia, muito tem se falado sobre o desafio fiscal do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E curto prazo, as negociações seguem em ritmo acelerado para garantir mais recursos no Orçamento de 2023.

O objetivo é tornar viável o aumento de despesas capaz de financiar promessas de campanha e projetos prioritários da gestão. Mais complexa é a negociação para um novo arcabouço fiscal que possa ser uma alternativa ao teto de gastos, ainda mais em discussão desde a pandemia.

Mas qual é a cara da economia brasileira que Lula vai encontrar em seu terceiro mandato? Como foi a evolução recente da inflação? Em que pé estão indústria, comércio e serviços, o tripé da atividade econômica? Qual é a atual situação do mercado de trabalho? Como estão os estão indicadores de pobreza e de endividamento da população?

Estão reunidos, no anexo em pdf, os principais indicadores da economia que o presidente Lula vai encontrar em 2023, 20 anos depois de sua primeira posse no Palácio do Planalto.

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Intrigas dos Colunistas “Faria Limers” contra o Governo Lula III antes da posse

Os colunistas neoliberais já começam a sabotar o governo do Lula, formando opinião pública contrária, antes de ele assumir! São pautados pelos idiotas da Faria Lima: não têm consciência do mal feito a si e aos outros!

Márcio Garcia (Valor, 11/11/22), professor neoliberal da PUC-Rio faz sua costumeira defesa de O Mercado.Sobre o ataque especulativo na segunda semana após a eleição afirma: O Mercado é bom de conta!

Cristiano Romero (Valor, 10/11/22) dá continuidade à sua obsessão: ataque misógino à Dilma Rousseff e sua cruzada contra a chamada NMM. Acusa em provas: Lula quer reeditar Nova Matriz Macroeconômica.

Cláudia Safatle (Valor, 11/11/22) cuida de fazer intrigas. Ideias de Lara Resende são música para governo Lula.

Para isso, ela se apoia em “fontes ocultas”: economistas sem coragem de apresentar seus nomes para não queimar a reputação profissional. Confira abaixo.

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Corrente de Comércio: recorde, mas não sustenta Crescimento Econômico em Longo Prazo

Anais Fernandes (Valor, 31/10/22) informa: a corrente de comércio do Brasil (soma das exportações e importações) está em níveis recordes, com ambos os fluxos aumentando consideravelmente. Embora analistas vejam a abertura comercial do país com bons olhos, o movimento também resulta em uma maior exposição da atividade doméstica ao cenário externo, para o qual a perspectiva é cada vez mais desfavorável.

A piora nos termos de troca (relação entre preços de exportação e de importação) e o arrefecimento da demanda nos principais mercados globais impactam negativamente a balança comercial do país e sua conta corrente, que mostra as transações de bens, serviços e rendas do Brasil com o exterior. A situação das contas externas brasileiras deve continuar benigna, mas em um quadro de menos folga que o estimado anteriormente.

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Efeito Eleitoreiro de Política Econômica para Crescimento Insustentável

Anais Fernandes (Valor, 30/09/22) avalia: tanto o mercado de trabalho quanto a atividade econômica no Brasil têm surpreendido positivamente neste ano, mas a recuperação do emprego tem sido mais acentuada do que seria consistente com a evolução do próprio PIB do país, indicam economistas. Para além de alguma mudança estrutural que torne parte desse ganho permanente, a constatação sugere que essa tendência muito positiva para o emprego pode ter fôlego mais curto.

Na teoria econômica, existe uma relação inversa entre PIB e taxa de desemprego (a chamada Lei de Okun). Um estudo do Itaú Unibanco mostra: até o terceiro trimestre de 2021, a variação do desemprego era consistente com o desempenho da atividade econômica, mas, desde o quarto trimestre de 2021, esses dados parecem ter se descolado.

“A taxa de desemprego acabou caindo muito mais do que o crescimento do PIB sugeriria pela regra”, diz Natalia Cotarelli, economista do Itaú e uma das autoras do estudo, junto com Matheus Fuck e Claudia Bruschi.

A taxa de desemprego dessazonalizada recuou de 11,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2022 para 8,8% nos três meses até julho, apesar da forte recuperação da taxa de participação no mercado de trabalho, que subiu de 61,7% para 63,5% no período. observa o Itaú. Então, o crescimento da população ocupada mais do que compensou o retorno de parte das pessoas à busca por trabalho.

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Cenário Internacional para Próximo Governo Social-Desenvolvimentista

Assis Moreira (Valor, 26/09/22) informa: a China, maior parceiro comercial do Brasil, será a única grande economia global que terá crescimento maior em 2023 do que em 2022, segundo projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em quadro comparando as expectativas de crescimento, a entidade aponta desaceleração em todas as outras grandes economias.

Pelas projeções da OCDE, a China terá um crescimento excepcionalmente fraco de 3,2% neste ano. Mas medidas tomadas por Pequim, que podem chegar até 2% do PIB para fortalecer o investimento em infraestrutura, e um efeito de recuperação das restrições relacionadas a covid-19 neste ano, devem ajudar a recuperar o crescimento para 4,7% em 2023.

Persistem alguns riscos importantes, como a evolução incerta dos preços dos alimentos e aqueles associados à alta dívida e ao fraco setor imobiliário na China.

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Alta dos Juros Norte-americano = Apreciação do Dólar = Depreciação das Demais Moedas Nacionais

Uma conjunção de fatores mantém o dólar nas alturas neste ano. A moeda americana está nas máximas em duas décadas, num cenário que deve se estender ao longo de 2023. O cenário reflete o aperto da política monetária dos Estados Unidos neste momento, mas também a fraqueza de outras divisas.

Segundo relatório do Bank of America (BofA), a moeda dos EUA está em seu momento mais forte desde o início dos anos 2000, em termos nominais, na métrica do índice ICE US Dollar, que compara a divisa dos Estados Unidos com uma cesta de pares globais. Quando se retira a inflação acumulada no período, a cotação atual equivale àquela vista no começo dos anos 1980, diz o banco. Além disso, a última vez em que o dólar esteve tão alto em relação ao iene japonês foi no fim dos anos 1990.

O dólar índice, que reflete o valor da divisa americana em relação a uma cesta de moedas, acumula alta de 13,6% neste ano.

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Desglobalização, Inflação e Desfinanceirização (sic)

O noticiário do jornalismo econômico está anunciando uma transição para novo contexto internacional. A Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta para uma estagnação no crescimento das exportações e importações nos próximos meses.

Ela mostra tendência de queda nas exportações de produtos automotivos e componentes eletrônicos e no frete aéreo. No primeiro semestre de 2022, o comércio internacional cresceu apenas 1,4% em volume.

A menor demanda global já diminuiu a pressão sobre a capacidade dos navios e reduziu os custos de embarques de mercadorias antes com problema de carência de containers. As taxas nas rotas para a China tiveram queda de 40% em um ano.

Ela, considerada a maior nação comerciante do mundo, medição por meio do fluxo comercial de exportações e importações em relação ao PIB, voltou a ter uma imposição de novo de lockdown em grandes áreas de produção e exportação, como Shenzhen, Dalian e Guangzhou. Visa combater à nova onda de covid-19, surgida nesse polo de indústria tecnológica no sul do país.

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Juro X Consumo: Perdas em Vendas na Indústria, Varejo e Serviços

Marli Olmos, Daniela Braun, Adriana Matos, Sergio Tauhata, Raquel Brandão, Ana Luiza Tieghi e Cristian Favaro (Valor, 18/07/22) publicaram uma reportagem sobre o estado atual lastimável do comércio varejista no Brasil.

A combinação da pressão inflacionária com a alta nos juros provocou queda de vendas na indústria, varejo e serviços no primeiro semestre e levou setores a rever projeções para o ano. Ao mesmo tempo, o consumidor de produtos que não são de primeira necessidade voltou a adotar hábitos que no passado marcaram os tempos de inflação elevada: passou a comprar de quem oferece parcelamento mais longo, a escolher produtos menos sofisticados, como no caso de computadores e televisores, ou simplesmente deixou de comprar, como tem acontecido com carros.

Aliado à perda do poder de compra, o impacto do crédito mais restrito e caro já começou a aparecer nos índices de inadimplência de grandes redes do varejo e leva empresários e especialistas a prever que, nos próximos meses, mais pessoas deixarão de cumprir com dívidas de financiamento.

Projeções do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) indicam tendência de alta na taxa de pessoas físicas com atrasos em pagamentos acima de 90 dias. A estimativa para julho é de 4,99% e de 5,40% e 5,10% em agosto e setembro, respectivamente.

A retração nas vendas é mais nítida em produtos dependentes do crédito, como eletroeletrônicos, automóveis e material de construção. A venda de notebooks caiu 18,9% de janeiro a maio em relação ao mesmo período de 2021, segundo a GfK, empresa de estudos de mercado.

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Juros X Quebra de Oferta de Alimentos

O aumento do protecionismo tem exacerbado o caos provocado nos mercados mundiais de alimentos pela guerra na Ucrânia, com os governos impondo restrições às exportações de produtos alimentícios básicos, como grãos, óleo de cozinha e leguminosas.

A disparada nos preços dos alimentos e, em alguns casos, a ameaça de distúrbios sociais levaram a um aumento no número de países exportadores que proibiram vendas para o exterior ou adotaram restrições tarifárias. Esse protecionismo só eleva ainda mais a conta da importação de alimentos para os países que dependem dos mercados internacionais para obter commodities alimentares importantes, e atinge especialmente alguns dos paíes mais pobres.

Antes da invasão da Ucrânia, secas e restrições trabalhistas relacionadas ao combate da covid-19 já tinham elevado os preços internacionais dos alimentos. De acordo com o centro de estudos americano International Food Policy Research Institute (IFPRI), a guerra levou 23 países a recorrer ao protecionismo na área alimentar.

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Repetição da Herança Maldita de Regime Militar: Regime de Alta Inflação

Nos EUA, há também um “choque do petróleo” para lembrar dos anos 70 com crise internacional e o estertores da ditadura militar brasileira. Pior, deixa um legado para penalizar nosso futuro!

Os preços ao consumidor nos EUA subiram a uma taxa anual de 8,3% em abril, acima das expectativas dos economistas, e se mantiveram na maior alta das últimas quatro décadas. Daí a urgência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) jogar a economia em recessão para acabar com a inflação. Isto embora o índice de preços ao consumidor (IPC) tenha caído pela primeira vez em oito meses – ficou um pouco abaixo do aumento de 8,5% registrado em março.

No Brasil, IPCA subiu 1,06% em abril, após alta de 1,62% em março. Ainda assim, foi o pior resultado para o mês desde 1996 (1,26%). No acumulado em 12 meses, os números também impressionam. Até abril, o índice sobe 12,13%, vindo de 11,3% em março. É a maior taxa, por essa medida, desde outubro de 2003 (13,98%).

O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril reforça o cenário de espalhamento para a inflação. É mais um índice de preços a mostrar pressões inflacionárias espalhadas pela economia, com altas fortes das cotações de alimentos, combustíveis, bens industriais e serviços. Isso aponta para a necessidade de mais aperto monetário, com os juros devendo ser mantidos elevados por mais tempo.

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