Ciência de Dados para Big Data

Jonathan Moules (Financial Times, 19/04/18) informa sobre um trabalho no departamento de tecnologia da informação da Tecnoquimicas, uma empresa farmacêutica sediada em Bogotá, na Colômbia. O departamento estava tomando decisões estratégicas para a empresa com base em dados coletados em resultados médicos. Em uma equipe de mais de 100 funcionários, a única com graduação em Administração avaliou que eles precisavam era de alguém com cabeça de negócios que também pudesse falar a linguagem dos engenheiros de softwares. Assim, ela abandonou seus planos de fazer um MBA e em vez disso escolheu um curso de pós-graduação em ciência de dados.

Os cursos de especialização em ciência de dados estão em rápida expansão, graças ao entusiasmo com o potencial da análise de dados para os negócios e ao medo que profissionais sentem de ficar para trás. Nos Estados Unidos, onde as inscrições para o tradicional curso de MBA de dois anos vêm caindo há vários anos, os mestrados em análise de dados são um mercado em crescimento.

Setenta e quatro por cento dos cursos de big data nos Estados Unidos reportaram aumento na demanda no ano passado, em comparação a 32% dos programas de MBA de dois anos em tempo integral, segundo o Graduate Management Admission Council, organização que aplica o teste de admissão para escolas de negócios.

Uma em cada dez mulheres e 15% dos homens entrevistados no ano passado pela consultoria especializada em educação CarringtonCrisp para sua pesquisa global com futuros alunos de escolas de negócios disseram que os programas de big data e análise de dados para negócios eram suas principais opções de especialização.

Na pesquisa mais recente da CarringtonCrisp, entre os homens, o big data só perdeu em popularidade para finanças, subindo da 13a posição no levantamento anterior. Para as mulheres, a mudança vem ocorrendo na mesma direção, mas de uma maneira menos significativa, com o curso passando do 13o posto para o 8o e ficando atrás de administração, contabilidade, recursos humanos e psicologia.

A demanda pelos cursos de big data é motivada por um crescimento das oportunidades de emprego lucrativas anunciadas para pessoas com essas qualificações, segundo Andrew Crisp, cofundador da CarringtonCrisp. A empresa de treinamento General Assembly, que oferece capacitações nessa área, sempre destaca em seus e-mails a falta de cientistas de dados qualificados em Londres. A demanda vem simplesmente de os estudantes verem empregadores tentando recrutar pessoas com essas habilidades.

Dados de 2015 mostram que, nos Estados Unidos, a remuneração anual média de cientistas de dados e analistas da área foi de US$ 94.576, segundo um relatório da PwC e do Business-Higher Education Forum que incluiu 48.347 empregos do tipo anunciados. Mais de um terço dessas ofertas exigia mestrado.

Há curso de análise de big data na Iéseg School of Management, da Universidade de Lille. Muitas companhias estão em busca de funcionários com as habilidades que ela oferece. O curso é um grande investimento, mas pode-se ver que ele vai se pagar rapidamente.

A poucos quilômetros da Iéseg, no campus da HEC Paris, a primeira turma que busca o diploma duplo de mestre em ciência de dados aplicado aos negócios, junto com a Ecole Polytechnique, ainda não se formou. Mas as escolas já receberam mais de mil candidatos para a segunda turma, de 60 alunos.

A Stern Business School, da Universidade de Nova York, tem um limite rígido de 70 alunos para a turma do mestrado em ciência de análises de dados de negócios. Se a turma fosse maior, os alunos que vêm da área de tecnologia se sentiriam menos confortáveis para compartilhar seu ponto de vista com os colegas de mentalidade mais voltada para os negócios.

Essa troca é crucial para o rompimento de barreiras entre as duas áreas. A ideia é ter os dois lados para que eles compartilhem diferentes perspectivas. Os alunos estão aprendendo uns com os outros sobre onde e como aplicar suas habilidades.

Alunos em período integral do mestrado em análise de negócios da Imperial College Business School, de Londres acreditam que até mesmo empregos em consultorias, que sempre pagaram muito bem, hoje estão sendo automatizados.

Definitivamente eles se sentem melhor preparados para o mundo do trabalho com uma especialização em big data no meu currículo. Não sabem quais empregos vão sobreviver no futuro, mas têm certeza que serão aqueles que envolvem o uso de dados.

Potenciais alunos precisam apresentar níveis parecidos de realizações acadêmicas independentemente de estarem se inscrevendo para mestrados na área de análise de dados ou para os tradicionais programas de MBA. Os caminhos se diferem nas especificidades da grade curricular do cursos.

Os estudantes de ciência de dados fazem disciplinas que ampliam suas habilidades quantitativas, como análise avançada de planilhas e aulas sobre os conceitos por trás de bancos de dados relacionais. Com frequência, essas matérias também incluem lições sobre como analisar o conteúdo das redes sociais e técnicas que as empresas usam para atribuir pontuações de crédito para clientes.

Os alunos dos programas de MBA podem abordar essas questões, mas o foco será na formação de habilidades de liderança e no entendimento dos negócios, geralmente fazendo uso de materiais de estudo de casos.

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