Sistema de Pagamento Instantâneo (PIX)

Jacilio Saraiva (Valor, 15/06/2020) informa: cento e quarenta instituições financeiras já solicitaram adesão ao sistema de pagamento instantâneo (PIX), desenvolvido pelo Banco Central (BC). A lista inclui os cinco maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), além de fintechs e credenciadoras de cartão. Mais empresas poderão aderir em dezembro.

A estimativa de analistas é, com a evolução do serviço e as novas opções de transações, a facilidade movimentar mais de R$ 16 trilhões ao ano e abrir janela de oportunidades no mercado financeiro. A fase de testes da ferramenta já começou e o plano do regulador é lançar o serviço em novembro.

O PIX vai permitir transferências e pagamentos entre pessoas, empresas e governos, a qualquer hora do dia, inclusive feriados, com o recebimento em poucos segundos, a partir da leitura de um QR Code ou informando apenas e-mail, número de celular ou CPF/CNPJ do beneficiário.

De acordo com pesquisa da consultoria Accenture, o setor de pagamentos instantâneos movimenta US$ 30 trilhões em mais de 20 países e pelo menos dez outros mercados estudam novas soluções no segmento. O PIX inclui o rastreamento das transações, o que permitirá uma melhor visão dos bancos sobre os clientes, com a oferta de mais produtos.

A novidade também pode trazer economia de custos às operações financeiras. O BC divulgou: cobrará R$ 0,01 a cada dez transações realizadas, valor competitivo e ainda não experimentado no mercado brasileiro. Há um potencial para o corte de gastos, conforme o tipo de transação, como DOCs, TEDs e saques em ATMs, explica. As reduções de despesas podem variar de 10% a 40%.

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Bancos Digitais e Fintechs

Roseli Loturco (Valor, 15/06/2020) informa: a área de tecnologia nunca foi tão colocada à prova pelos bancos como agora. Com o isolamento social e mais de 60% de seus funcionários trabalhando remotamente, os bancos tiveram que fazer rodar em nuvem e em tempo recorde – uma semana – todas as suas operações e serviços externos. O ponto mais sensível, o tráfego de dados de clientes, esteve no centro das preocupações estratégicas.

O fato é que por mais que este seja o setor que mais investe em tecnologia da informação (TI) e infraestrutura tecnológica do país – R$ 20 bilhões em 2019 – e que já vinha testando planos-piloto de colocar parte de seus colaboradores operando em casa, o projeto ainda era muito incipiente quando a pandemia chegou.

Algumas instituições financeiras, de olho no cenário externo, começaram o escalonamento três semanas antes, prevendo que o inevitável aconteceria. “Costumávamos rodar 3 mil pessoas em home office em caráter piloto e escalamos para 23 mil em três dias. Hoje, 52 mil dos 82,1 mil colaboradores estão em casa”, afirma Fábio Napoli, diretor de TI no Itaú Unibanco.

Para isso, foram feitos os acertos de infraestrutura, com a compra de 30 mil notebooks e 4 máquinas virtuais da AWS (Amazon Web Services), além de ajustes na engenharia de tráfego para suportar com segurança as operações.

Para o escalonamento das áreas que iriam primeiro para o home office, o banco usou o Business Impact Analysis (BIA), uma ferramenta que determina qual a ordem a priorizar. “O BIA seleciona as áreas mais críticas para o funcionamento do banco. Avalia as áreas de risco e a metodologia que segue. Formamos um núcleo entre as áreas de TI, negócios e riscos e seguíamos o BIA”, afirma Napoli.

Toda esta estrutura foi disponibilizada em nuvem. Em outra frente técnica, o BIA apontava as áreas específicas que não estavam homologadas em VPN, com protocolos de segurança e negócios do Itaú, como o contact center, que hoje tem 90% de seus atendimentos feitos em casa.

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Tecnologia Bancária

O atendimento bancário on-line ganhou um empurrão com o isolamento social. Somente no Bradesco, o volume de transações nos canais digitais, que reúnem interações por celular e outros dispositivos portáteis, avançou mais de 30% no período da pandemia. “Pelo menos dois milhões de usuários que não eram digitais passaram a ser”, destacou o vice-presidente executivo André Cano, durante mesa redonda do evento “Next Banking Generation”, promovido pela IBM e Valor.

Além de maior adesão dos clientes a facilidades que dispensam o contato físico, especialistas apostam que, nos próximos dois anos, a indústria financeira vai avançar rapidamente em nichos como inteligência artificial (IA), open banking e operações em tempo real.

“Prova disso é o início do funcionamento do PIX [previsto para novembro], sistema de pagamentos instantâneos coordenado pelo Banco Central”, lembra Leandro Vilain, diretor de política de negócios e operações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Uma preocupação crescente com a segurança dos dados dos correntistas também tomou conta da agenda do setor.

O sistema bancário nacional ocupa um lugar de vanguarda no mundo, em termos de novas tecnologias, e o usuário local é conhecido por ser receptivo às inovações. O tempo de adoção de ferramentas nas relações entre empresas e clientes deve cair um terço do que era previsto antes da pandemia, e o esperado acontecer em cinco ou seis anos, em termos de transformação digital, vai ocorrer em dois.

As instituições financeiras estão respondendo às novas demandas dos consumidores com velocidade porque o setor investiu cerca de R$ 20 bilhões ao ano, nos últimos anos, em infraestrutura de atendimento. Foi por isso que não houve instabilidade no sistema bancário, mesmo com o aumento no volume de transações, nas últimas semanas.

Somente as concessões de crédito somaram R$ 472,6 bilhões no país entre 16 de março, início da pandemia do novo coronavírus, e o fim de abril. O valor inclui novas operações, renovações e prorrogações de contratos. A Febraban não informou a variação em relação ao mesmo período do ano passado.

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Bolhas da Extrema-Direita infladas por Algoritmo

(The Intercept, 10 de Janeiro de 2019) escreveu reportagem merecedora de leitura por parte de todos interessados em entender a “câmara de ecos” da direita estúpida: Como o YouTube inflou Bolhas da Direita.

Essas conexões propiciadas por algoritmos vêm dos dados analisados pelo YouTube sobre seu comportamento no site e sobre os vídeos com os quais você interage, seja clicando sobre o vídeo, pausando, aumentando o volume ou até mexendo o mouse sobre as recomendações. Tudo é monitorado.

As métricas escolhem quais vídeos serão recomendados. São baseadas, principalmente, na possibilidade de um vídeo ser assistido pelo usuário. Ela faz parte de um mecanismo sofisticado de inteligência. Tem um objetivo principal: fazer com que você passe o máximo de tempo possível no YouTube.

Como conteúdos extremistas naturalmente chamam mais atenção, a plataforma cria uma bolha conectando vídeos bizarros. Assim, usuários mergulham cada vez mais fundo em um assunto. Não por acaso, da fabricação de martelos a repórter foi levada pelo algoritmo para um vídeo sobre munição e armas em apenas 13 passos. A mesma coisa acontece com vídeos relacionados à política. Continuar a ler

Propaganda Política Enganosa: Robotização da Rede Social

Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP) mostra robôs terem sido responsáveis por mais da metade das publicações favoráveis ao presidente desqualificado no Twitter: UFRJ-FESPSP – Coronavirus Pandemia e Infodemia – 31.03.2020

Inteligência Artificial X Burrice Natural

João Luiz Rosa (Valor, 25/11/2019) detalha uma visão de futuro, descrita pelo francês Jean-Philippe Courtois, presidente global de vendas, marketing e operações da Microsoft. A inteligência artificial será o fator de mudança mais radical na economia nos próximos cinco a dez anos, o que implica inúmeros riscos, incluindo a eliminação de empregos, mas não haverá nenhuma hecatombe digital se os cuidados necessários forem tomados a tempo.

“É correto dizer: alguns empregos serão completamente automatizados”, diz o executivo de 59 anos — 35 deles passados na companhia americana. A adoção crescente de robôs e sistemas capazes de aprenderem sem intervenção humana, o chamado aprendizado de máquina, é inevitável, porque traz ganhos econômicos indispensáveis à competição. Mas na maioria dos casos, só parte do trabalho será automatizada, o que abre espaço para as pessoas adquirirem novas habilidades e se reposicionarem no mercado de trabalho.

A inteligência artificial tem se disseminado tão rapidamente a ponto de mesmo operários e outros profissionais cujas atividades não tinham nenhuma conexão com a tecnologia – de balconistas de loja a funcionários de uma estação de trem – poderão ter a possibilidade se reposicionar. Isso porque as empresas nas quais trabalham dependem de sistemas de dados e precisam de pessoas para lidar com a demanda crescente por informações. Continuar a ler

Veículos Autônomos: Falência da “Indústria da Multa”?

Patrick McGee (Financial Times, 25/11/2019) afirma: até agora, os Estados Unidos têm sido uma terra sem lei para os veículos autônomos. Só a Califórnia abriga 62 empresas que estão testando veículos sem motorista – e algumas delas pretendem ativar frotas comerciais nos próximos dois anos.

A ideia de a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA, nas iniciais em inglês), o órgão federal de segurança de tráfego americano, interferir, dificultaria essa transição e foi, em grande medida, descartada. Em vez disso, o NHTSA tem apoiado os esforços, desempenhando um papel reativo de modo as empresas se “autocertificarem” de que cumprem os padrões de segurança. É o sonhado reino da autorregulação de O Mercado! Continuar a ler

Um Futuro Mais Humano e Mais Local

Richard Baldwin, autor de “A Revolta dos Globóticos” (2019), afirma: a automação e a globalização substituíram os empregos nos séculos XIX e XX. A criatividade humana sem limites inventou “necessidades” antes não existentes. Por isso, muitos de nós hoje trabalhamos em empregos inimagináveis para Charles Dickens na Londres do século XIX. Imagine o que ele pensaria se você dissesse a ele, naquela época, seus trinetos seriam desenvolvedores da web, treinadores de vida e operadores de drones?

Os empregos foram criados nos setores de serviços, pois eram os setores protegidos da automação e da globalização. O mesmo acontecerá novamente hoje. Os trabalhos aparecerão em setores protegidos. Mas quais tipo de empregos serão esses?

Não podemos saber quais serão os novos empregos, mas, estudando as vantagens competitivas da IA (Inteligência Artificial) ​​e do RI (Inteligência Remota), podemos dizer um pouco sobre como serão os empregos protegidos no futuro. Observando atentamente o que o RI faz bem, fica claro os trabalhos possíveis de sobreviverem à concorrência dos teletrabalhadores serão aqueles exigentes interações cara a cara, isto é, presenciais com empatia.

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Por Que Esta Hora É Diferente?

Richard Baldwin, autor de “A Revolta dos Globóticos” (2019), afirma: automação e globalização são histórias centenárias. Globóticos são diferentes por dois grandes motivos. Está chegando desumanamente rápido e isso parecerá incrivelmente injusto.

Globóticos estão avançando em um ritmo explosivo desde quando nossas capacidades para processar, transmitir e armazenar dados estão aumentando em incrementos explosivos. Mas o que significa “explosivo”?

Os cientistas definem uma explosão como a injeção de energia em um sistema em um ritmo de modo a sobrecarregar a capacidade do sistema de se ajustar. Isso produz um aumento local de pressão e – se o sistema não estiver confinado ou o confinamento puder ser quebrado – as ondas de choque se desenvolverão e se espalharão para fora. Eles podem viajar “distâncias consideráveis ​​antes de serem dissipados”, como uma definição científica descreveu secamente a devastadora onda de explosões.

Globóticos estão injetando pressão em nosso sistema sócio-político-econômico (via deslocamento de emprego) mais rapidamente se comparado ao tempo do nosso sistema poder absorvê-lo (via substituição de emprego). Isso pode quebrar os confinamentos da sociedade capazes de restringir a hostilidade e as reações violentas. O resultado pode ser ondas de explosão social. Elas percorrem distâncias consideráveis ​​antes de se dissiparem.

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Globóticos Telemigrantes: Nova Fase da Globalização

Richard Baldwin, autor de “A Revolta dos Globóticos” (2019), sugere pensar como o teletrabalho se tornou global. Pensar nisso como telemigração.

Esses “telemóveis” estão abrindo uma nova fase da globalização. Nos próximos anos, eles trarão ganhos de oportunidades, mas também dificuldades provocadas por competição internacional, para centenas de milhões de americanos e europeus capazes de viverem de trabalhos profissionais, de colarinho branco e de serviços. Essas pessoas não estão prontas para isso.

Até recentemente, a maioria dos empregos profissionais e de serviços era protegida da globalização pela necessidade de contato pessoal – e pela enorme dificuldade e custo de obter fornecedores de serviços estrangeiros na mesma sala com compradores de serviços domésticos. A globalização era um problema para as pessoas fabricantes de coisas. Elas tiveram e competir com mercadorias enviadas em contêineres da China.

Mas a realidade era poucos serviços se encaixarem em contêineres. Logo, muitos poucos trabalhadores de colarinho branco enfrentavam concorrência estrangeira. A tecnologia digital está mudando rapidamente essa realidade.

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Modelo de Fintech incorporado pelo Banco Itaú

Talita Moreira (Valor, 06/11/2019) informa: o Itaú Unibanco vem intensificando a adoção de modelos de negócios típicos de seus concorrentes digitais à medida que se desenha um novo cenário de competição no setor. A lógica é: se for para perder receita, vale pelo menos parte da receita “perdida” ser dentro de casa.

Esse é o caso da plataforma de pagamentos instantâneos “iti”, lançada para todo o mercado em outubro de 2019. O presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou: o produto certamente vai “canibalizar” parte da base de clientes do banco. “Mas não estamos especialmente preocupados.”

O iti oferece conta digital e serviços gratuitos ou mais baratos se comparados aos de uma conta tradicional. “Não somos o único ‘player’ no mercado. Se não lançarmos produtos que concorram com os nossos próprios, outros certamente irão”.

Maior banco privado do país, o Itaú tem insistido na sua transformação digital e da melhora dos índices de satisfação dos clientes. Neste ano até setembro, a instituição abriu 4 milhões de contas correntes e encerrou 2,4 milhões, revertendo a tendência de perda líquida vinda há alguns anos.

Em várias frentes, a estratégia é perder um pouco para não perder mais. Foi assim com a oferta lançada em abril pela Rede, credenciadora de cartões do banco. A empresa isentou pequenos lojistas da taxa de antecipação de recebíveis no cartão de crédito à vista, se tivessem domicílio bancário no Itaú. O prazo de pagamento caiu de 30 para dois dias. Continuar a ler

Softbank

O SoftBank é um conglomerado multinacional com foco em tecnologia, com valor investido acima de US$ 400 bilhões. Entre os maiores investimentos do SoftBank estão empresas como Uber, Alibaba, ARM e mais de 90 outras empresas de internet e tecnologia disruptiva.

O Softbank vem comprando uma série de participações em startups brasileiras, como parte de seu plano, anunciado em março deste ano, de investir US$ 5 bilhões em negócios na América Latina. O conglomerado japonês, que é sócio do aplicativo de transporte 99 e da empresa colombiana de entregas Rappi, tem destinado recursos à área de mobilidade urbana.

Em junho, liderou, ao lado da Microsoft, um investimento de US$ 150 milhões na empresa de logística paulista Loggi (na qual já tinha aplicado US$ 100 milhões no ano passado). Em outubro, integrou um grupo de investidores que fez aporte na Buser, uma espécie de Uber para viagens de ônibus.

A companhia também é sócia da varejista on-line de artigos para casa MadeiraMadeira, da startup de locação de imóveis QuintoAndar, da empresa de assinatura de academias Gympass, do Banco Inter (14,94%), da plataforma de empréstimo Creditas, entre outras startups brasileiras. Mais aportes estão por vir. Em setembro, o principal executivo da companhia no país, André Maciel, afirmou, em um evento em São Paulo, olhar para cerca de 40 empresas no país.

Arash Massoudi, Kana Inagaki e Leo Lewis (Financial Times, 05/11/2019) afirmam: enquanto a elite empresarial mundial desertava de uma conferência sobre investimentos na Arábia Saudita há um ano, depois do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi por agentes sauditas, o fundador do SoftBank, do Japão, viajava discretamente a Riad para um encontro reservado.

Masayoshi Son e seu principal auxiliar, Rajeev Misra, foram encontrar-se com Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro saudita que os havia ajudado a se tornarem os mais influentes investidores em tecnologia do mundo. Quase metade dos US$ 97 bilhões do Vision Fund, criado pelo SoftBank para investir no setor de tecnologia, veio do fundo soberano da realeza saudita – o maior volume de dinheiro privado já captado.

A mensagem deles ao príncipe foi clara: o SoftBank não iria abandoná-lo, segundo fontes a par da conversa. O príncipe prometeu nunca esquecer a lealdade deles. Continuar a ler