Locação de Automóveis: Nova Tendência em Era de Desemprego

Há um novo fenômeno social na praça: uso de Uber/taxi/ônibus/metrô durante a semana de trabalho e locação de automóvel quando tiver uma viagem de fim-de-semana. O custo é bem inferior a ter um automóvel. Essa posse só vale se ele rodar 35 km/dia ou mais de 1.000 km/mês ou 12.000 km/ano. A estimativa de gasto com o automóvel a cada ano é de 14% do seu valor de mercado. Confira em:

Gustavo Brigatto (Valor, 06/09/19) informa: com pouco mais de um ano de fundação, a Kovi, startup atuante na locação de carros para motoristas de aplicativos, vai se tornar o maior cliente da Maestro Frotas, uma das maiores do setor de locação no país. Pelo acordo, a Kovi vai contratar 1.350 carros até janeiro de 2020, quase o dobro do atual maior cliente da Maestro, usando 700 carros. A startup já tem 400 carros contratados com a Maestro. Para atender à nova demanda, planeja investir um total de R$ 50 milhões.

Criada por dois ex-executivos da 99, a Kovi não opera com frota própria. Em
vez disso, aluga carros de outras locadoras e até de montadoras. A lista de
fornecedores conta com 15 empresas com as quais a startup tem cinco mil carros contratados.

A companhia tem conversado com concessionárias de veículos ao redor do país em tentativa de estimula-las a criar suas próprias locadoras, com as quais a Kovi poderia estabelecer alianças. Continuar a ler

Brasil atrasado na corrida da automação industrial

Gabriel Vasconcelos e Bruno Villas Bôas (Valor, 29/07/19) informam: o Brasil ficou para trás em automação industrial nos dez anos entre 2008 e 2017, quando se olha para esse movimento na comparação internacional, e terá dificuldade para ingressar na quarta revolução industrial, dizem especialistas. Um dos motivos é seu pequeno estoque de robôs industriais.

Segundo a consultoria Idados, que teve acesso aos últimos números divulgados pela Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), o país tinha 12.373 máquinas desse tipo em 2017, apenas 0,6% dos robôs então instalados no mundo. O número coloca o Brasil na 18a posição no ranking das nações mais automatizadas. Hoje as três principais fornecedoras de robôs para o mercado brasileiro – Fanuc, ABB e Yaskawa – estimam que esse estoque gire em torno de 16 mil autômatos.

Além de pequeno para uma economia do tamanho da brasileira, a oitava do mundo, mais da metade desse estoque de robôs (54%) está concentrado na indústria automobilística, restando poucas máquinas desse tipo ou mesmo vácuos de automação nos demais setores.

Robôs industriais são máquinas automáticas, reprogramáveis e capazes de realizar mais de uma atividade em pelo menos três eixos de movimento. Embora tenham surgido no final dos anos 1970, ainda estão no centro da chamada indústria 4.0. Ela prevê a integração e refinamento das atividades dessas máquinas por meio de tecnologias como internet das coisas (IOT, na sigla em inglês), inteligência artificial e sistemas ciberfísicos, nada mais que sistemas computacionais capazes de controlar objetos com precisão.

Na fronteira do desenvolvimento, estão os chamados robôs colaborativos (cobots), que convivem lado a lado com a mão de obra humana. Os cobots já existem em fábricas brasileiras, mas em iniciativas pontuais, quase sempre ligadas à verificação do padrão de qualidade de bens duráveis. Nem seus irmãos mais antigos, robôs tradicionais, que operam isolados por grades, são tão numerosos no Brasil. Continuar a ler

Futuro da Mente: Inteligência Artificial (IA)

Susan Schneider escreveu artigo para a Edge (Época, 27/06/2019). Reproduzo-o abaixo.

Penso na natureza fundamental da mente e na natureza do “eu”. Ultimamente, tenho refletido sobre essas questões tendo em vista tecnologias emergentes. Tenho pensado sobre o futuro da mente e, mais especificamente, sobre como a tecnologia de inteligência artificial (IA) pode remodelar a mente humana e criar mentes sintéticas. À medida que a IA fica mais sofisticada, uma coisa que me interessa bastante é saber se os seres que talvez consigamos criar poderão ter experiências conscientes.

A experiência consciente é o aspecto sensorial de sua vida mental. Quando você vê os exuberantes tons de um pôr do sol ou sente o aroma de café pela manhã, você está tendo uma experiência consciente. Ela lhe é bastante familiar. Inclusive, não há um momento de sua vida em que você não seja um ser consciente.

O que quero saber é, se tivermos uma inteligência artificial geral — capaz de conectar ideias de maneira flexível através de diferentes domínios e de talvez ter algo similar a uma experiência sensorial —, seria ela consciente ou tudo estaria sendo computado no escuro — envolvendo coisas como tarefas de reconhecimento visual de uma perspectiva computacional e pensamentos sofisticados, mas sem ser verdadeiramente conscientes?

Ao contrário de muitos filósofos, especialmente aqueles na mídia e transumanistas, costumo ter uma abordagem de “esperar para ver” em relação à consciência das máquinas. Primeiro porque rejeito a linha totalmente cética. Existiram filósofos muito conhecidos no passado que não acreditavam na possibilidade de consciência das máquinas — notoriamente John Searle —, mas creio que seja cedo demais para falar. Haverá muitas variáveis que determinarão se máquinas conscientes existirão.

Em segundo lugar, temos de nos perguntar se a criação de máquinas conscientes é ao menos compatível com as leis da natureza. Não sabemos se a consciência pode ser implementada em outros substratos. Não sabemos qual será o microchip mais rápido, portanto não sabemos de que material uma inteligência artificial geral será feita. Então, até este momento, é muito difícil dizer que algo altamente inteligente será consciente.

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Ocupações em Risco pela IA: Disputa com Robôs

Ana Conceição (Valor, 18/07/19) pergunta: na era das máquinas, o emprego é de quem? Um trabalho recente da Universidade de Brasília (UnB) sobre o avanço da tecnologia no mercado de trabalho brasileiro assim como inúmeras pesquisas no mundo tentam responder a essa questão. Na verdade, ela é feita pelo menos desde a primeira revolução industrial, 200 anos atrás. A diferença agora é que a Inteligência Artificial (IA) pode criar máquinas com capacidades cognitivas até então exclusivas dos humanos.

Assim, a resposta é complexa, mas um resumo possível é que boa parte das ocupações conhecidas serão radicalmente transformadas, ou mesmo extintas, para dar lugar a dispositivos dotados de IA. Outras, contudo, serão criadas. E a capacidade de ocupá-las é o que fará a diferença entre emprego e desemprego no futuro.

O estudo que faz a pergunta acima, do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (Lamfo), da UnB, avaliou 2.062 ocupações e concluiu que 25 milhões de empregos (ou 54% do total) estão alocados em funções com probabilidade alta (de 60% a 80%) ou muito alta (80%) de automação. A base é a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2017, do Ministério da Economia, analisada por 69 acadêmicos e especialistas em aprendizado de máquina. Estariam a perigo trabalho repetitivo, como cobradores de ônibus e operadores de telemarketing, mas também especializados como fonoaudiólogos e advogados.

Sobreviverá por mais tempo o que depender de empatia, cuidado, interpretação subjetiva, como assistentes sociais, babás e psicanalistas. E há ainda ocupações em que apenas uma parte é “robotizável”: 40% do trabalho de um contador, por exemplo. O trabalho replica uma conhecida metodologia que os cientistas Carl Frey e Michael Osborne, da Universidade de Oxford, usaram para estimar o potencial de automatização das ocupações nos EUA: 47%. As estimativas do Lamfo/UnB são preliminares, mas dão uma dimensão do que vem por aí. Continuar a ler

Libra: Moeda Global do Facebook

Martin Wolf (Financial Times, 26/06/19) avalia a moeda digital Libra.

Na semana passada o Banco da Inglaterra divulgou o resultado de uma avaliação independente do futuro do sistema financeiro, juntamente com sua reação a isso. Como se quisesse provar a importância dessas questões, o Facebook e 27 parceiras anunciaram um plano de lançar uma moeda digital mundial que se chamará Libra e um sistema de pagamentos associado a ela. Como se deveria estimar a relevância, o potencial e os riscos desses desdobramentos? Como os órgãos reguladores deveriam reagir? A resposta é: com cautela.

A revolução da informação, agora ampliada pela Inteligência Artificial (IA), certamente vai revolucionar o sistema financeiro. Oferece enormes vantagens potenciais, sob a forma de pagamentos mais rápidos e mais baratos, serviços financeiros de melhor qualidade e melhor gestão de risco. Já assistimos a uma queda acentuada no uso de dinheiro vivo e a um crescimento explosivo dos pagamentos digitais. Na China, a revolução da tecnologia de pagamentos, encabeçada pela Alipay (atualmente parte da Ant Financial), é extraordinária. O Facebook está tentando criar um concorrente. Note-se bem: nesse caso, os EUA estão seguindo o exemplo da China.

Mas o sistema financeiro também é uma infraestrutura decisiva. Um colapso do sistema financeiro tende a criar uma enorme crise econômica. A inovação mal compreendida revelou ser, muitas vezes, a parteira de calamidades como essas. É vital, portanto, garantir que as implicações de grandes inovações, como a Libra, sejam bem entendidas. Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra, argumentou na semana passada em seu discurso na Mansion House que o banco “se aproxima da Libra com a cabeça aberta, mas não com a porta aberta”. A cabeça não pode se abrir totalmente, no entanto.

Uma primeira pergunta tem de ser se podemos confiar no patrocinador de uma inovação tão delicada. O Facebook foi repulsivamente irresponsável com relação a seu impacto sobre as nossas democracias. Não podemos, obviamente, lhe confiar os nossos sistemas de pagamento. O Facebook dispõe de uma resposta para isso: tem apenas um voto na Libra Association, que terá governança independente localizada em Genebra. A meta é ter 100 membros até o lançamento, em 2020. Mas o Facebook parece tendente a dominar o desenvolvimento técnico da Libra. Isso certamente lhe dará uma influência hegemônica.

Randal Quarles, presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, tem razão ao dizer aos dirigentes dos países do G-20, reunidos no Japão, que “um uso mais amplo de novos tipos de criptoativos para fins de pagamento de varejo asseguraria um monitoramento estreito pelas autoridades a fim de garantir que eles cumpram altos padrões de regulamentação”.

Portanto, independentemente das dúvidas com relação ao patrocinador, um novo sistema mundial de pagamentos tem de ser avaliado por sua estabilidade técnica, seu impacto sobre a estabilidade monetária e financeira (especialmente nos países em desenvolvimento) e sua vulnerabilidade aos fraudadores, criminosos e terroristas. Surgem também inquietantes interrogações sobre as concentrações de poder, no caso de a empreitada ter êxito.

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Fim de Soberanias Nacionais na Emissão Monetária: Dossier sobre Libra

Hannah Murphy (Valor, 19/06/19) anuncia: o Facebook revelou os planos para lançar sua ambiciosa moeda digital, a Libra, pondo fim a meses de especulação sobre o projeto. O trabalho está em seus estágios iniciais e a companhia de tecnologia divulgou documentos revelando ideias para a moeda e alguns parceiros pesos-pesados do projeto.

Muitos dos detalhes serão discutidos publicamente nos próximos meses. Abaixo está o sabido até agora: Continuar a ler