Robôs Negociantes de Títulos de Dívidas: Desemprego Tecnológico e Concentração de Riqueza

Muito antes de haver empresas que emitiam ações para investimento, havia o uso sistemático da dívida para captar dinheiro. A dívida envolve emprestar dinheiro com a promessa de pagá-la de volta na íntegra, juntamente com o juros ao longo do tempo. A garantia dessa promessa é conhecida como um bond. Em outras palavras, as bonds representam títulos de dívida direta de empresas não-financeiras.

Traduzem na imprensa brasileira como bônus — remuneração de executivos — em vez de debêntures, no caso de empresas não financeiras, ou títulos de dívida pública, no caso de governos. Ambos oferecem renda fixa em vez de renda variável com ações.

Debênture é um título de crédito representativo de um empréstimo de uma companhia não financeira realizado junto a terceiros. Ele assegura a seus detentores direito contra a emissora, estabelecidos na escritura de emissão.

Robin Wigglesworth e Joe Rennison (Financial Times apud Valor, 10/05/18) publicaram reportagem sobre o uso de robôs em negociações financeiras. Vale ler para não ficar desatualizado com as inovações tecnológicas no mundo financeiro.

“Abbie teve um começo brilhante em seu novo emprego como gestora de fundos júnior na AllianceBernstein, um grupo de investimentos de Nova York com US$ 500 bilhões em ativos. Em seus primeiros três meses, conduziu milhares de negócios com bônus avaliados em quase US$ 19 bilhões, sem jamais reclamar, se confundir ou mesmo descansar.

Isso por que ela é um algoritmo.

O mais novo funcionário robótico da AllianceBernstein inicialmente teve um problema para entender algumas das sutilezas de seus chefes humanos, como as palavras “por favor“, mas ela já consegue realizar 35% dos negócios com bônus. A gestora acredita que em breve Abbie poderá automatizar grande parte do trabalho de duas dezenas de gestores humanos. [Desemprego tecnológico também no setor financeiro!] Continue reading “Robôs Negociantes de Títulos de Dívidas: Desemprego Tecnológico e Concentração de Riqueza”

Indústria 4.0

Renato Rostás e Tatiana Schnoor (Valor, 23/04/18) avaliam: Em busca de produtividade e competitividade no mercado internacional, o Brasil tem um grande desafio pela frente, de dar o salto tecnológico para a chamada “indústria 4.0“. Mas o cenário traz oportunidade adicional para as indústrias: oferecer serviços relacionados à digitalização de máquinas e equipamentos.

A chamada indústria 4.0 ou manufatura avançada é o uso de um conjunto de tecnologias digitais como internet das coisas, computação em nuvem, realidade aumentada, “big data”, manufatura aditiva, robôs colaborativos, integração de sistemas e segurança cibernética, de forma isolada ou em conjunto, nos processos produtivos ou cadeias de serviços. A adoção das tecnologias cria ambiente ciber-físico, em que máquinas e sistemas conversam entre si para tornar linhas de produção autônomas, flexíveis e customizáveis.

O problema é que, para especialistas, a maioria das indústrias brasileiras ainda sofre para chegar à terceira revolução industrial, do “toyotismo”, que começou a introduzir a automação e a produção sem desperdícios. A boa notícia é que a transição pode ser feita diretamente, opinam, tornando exponenciais os ganhos de receita para as fornecedoras, de redução de custos para as fábricas e de crescimento da economia. Continue reading “Indústria 4.0”

Revolução Monetária Digital

Entre os ex-professores da PUC-RJ, apesar das minhas divergências ideológicas, leio o André Lara Resende. Apesar dele ser chatinho como todo esnobe, é criativo, atualizado, e faz pensar, diferentemente de outros colegas. Estes são apenas “pregadores de ideologia“. Por exemplo, entre outros, Pérsio Arida: quanto mais envelhece, mais obtuso fica quanto ao neoliberalismo. Passou a pregar a privatização de tudo: o FGTS, a Petrobras… e o Pão-de-Açúcar! 🙂

André Lara Resende (Valor, 27/04/18) publicou artigo sobre “A Moeda do Futuro“. Discordo de algumas afirmações ideológicas dele, mas vale a pena ler para ver o que os adversários estão pensando. Debater — e combater — as divergências.

Detalhe importante: a pré-candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) foi pautada a dizer que o Brasil precisa do chamado tripé macroeconômico para voltar a crescer com sustentabilidade e também de um programa social de alcance do Bolsa Família para reduzir pobreza. O tripé é formado por metas de inflação, câmbio flutuante e controle fiscal. O primeiro é uma marca do governo do PSDB e, o segundo, da gestão do PT. Ficar em cima do muro, achando ser o centro uma virtude, é erro de pensamento comum.

“Não vamos reinventar a roda. Em termos de política macroeconômica, vamos manter o tripé do Plano Real [de 1994?!] com ajustes que precisam ser feitos”, disse ela, de acordo com seu lugar-comum sem substância de sempre. Marina é assessorada por Eduardo Gianetti da Fonseca e André Lara Resende. Eles estão à frente da pauta econômica de sua campanha. Entendeu, né?

Economistas neoliberais de agrado de O Mercado, de maneira oportunista, viram parasitas dos candidatos de centro-direita. Como estes não sabem o que dizer, são pautados por eles para louvar O Livre-Mercado e receber financiamento de pessoas físicas herdeiras de grandes fortunas. Por isso, entre outros fatores, o Brasil é (ou está) esta *****! Continue reading “Revolução Monetária Digital”

Realidade Virtual

Maria Isabel Moreira (Valor, 30/04/18) informa: depois de atuar durante 15 anos como uma agência de comunicação 360 graus, a Flex Interativa, de São Paulo, mudou de foco. Os sócios Fernando Godoy e Marcelo Rodiño, ambos com 46 anos, decidiram reposicioná-la como produtora de experiências digitais para o mercado corporativo.

Hoje, a empresa fatura R$ 1,5 milhão com o desenvolvimento de projetos de realidade virtual para clientes como Novartis, SAP e Dow Chemical. A Flex assina, por exemplo, a apresentação do novo sistema de automação de postos de combustíveis da Ipiranga e uma campanha da Mosaic Fertilizantes para mostrar como um produto específico atua na lavoura.

A realidade virtual democratiza a experiência da mesma forma que a internet democratizou a informação. É possível transportar o consumidor para qualquer lugar.

Continue reading “Realidade Virtual”

Mercado de Streaming de Vídeos

Jacilio Saraiva e Marília de Camargo César (Valor, 30/04/18) informam: o mercado de streaming de vídeos, com a transmissão de conteúdos de entretenimento e educação pela internet, ganha novos protagonistas com ideias inovadoras. Na esteira de grandes marcas da área, como Netflix e Amazon Prime Video, os empreendedores lançam suas plataformas e diversificam opções de pagamento, compra ou aluguel de títulos.

De acordo com pesquisa realizada pelo Google, a quantidade média de horas que o brasileiro vê vídeos por streaming cresceu 90% nos últimos três anos, passando de 8,1 para 15,4 horas semanais.

O jornalista Valter Cavalcanti, o publicitário Sergio Cestaro e o economista Leonardo Ferro somaram seus talentos na área de comunicação, tecnologias digitais e gestão financeira para criar a produtora Vocs, que se especializou na transmissão ao vivo de vídeos pela internet (live streaming). O conteúdo é direcionado a empresas, agências de publicidade e associações de classe. Continue reading “Mercado de Streaming de Vídeos”

Bata o telefone na cara do Robô

Telemarketing oferecia muito emprego. Não mais, o desemprego tecnológico chegou lá. Pode bater o telefone na cara de ligação de call center sem culpa!

Alexandre Melo (Valor, 30/04/18) informa: o cearense Ronaldo conversa com cerca de 400 pessoas por dia na central de atendimento que trabalha. Extrovertido, ele liga para os clientes da Sky no Nordeste que estão com fatura atrasada e fala de maneira objetiva. Na verdade, Ronaldo é um robô, criado exclusivamente para a operadora de TV por assinatura via satélite.

Assim como esse assistente virtual nordestino, a paulista Callflex, que desenvolve tecnologias para centrais de atendimento no país, tem outras 20 vozes em cerca de 200 operações de cobrança, vendas e atendimento receptivo trabalhando nos setores de telecomunicações, financeiro, varejo e planos de saúde.

Essa tecnologia começou a ser adotada no país em meados de 2015. Seu uso intensificou-se no ano passado e a perspectiva é de que mais empresas passem a adotar esse recurso. Os robôs falam em média 225 horas e 49 minutos por mês, enquanto os atendentes humanos das centrais ficam 112 horas.

Para criar um atendente virtual o locutor fica até quatro dias em estúdio gravando um roteiro com pelo menos 1 mil páginas. Além da mensagem que a empresa deseja comunicar ao cliente, é preciso ler os nomes de milhares de pessoas que estão na base de dados e os numerais que vão compor os valores das faturas. Depois, são mais dez dias de pós-produção. Continue reading “Bata o telefone na cara do Robô”

Aprendizado de Máquina (machine learning)

Martha Funke (Valor, 26/04/18) informa: maior acesso a recursos computacionais, crescimento das ofertas dos fornecedores, disponibilidade de dados e popularização do contato com assistentes pessoais inteligentes são alguns dos fatores dando impulso às aplicações de inteligência artificial (IA) ao redor do mundo.

A atratividade é tal que só no ano passado a indústria movimentou US$ 22 bilhões em 120 operações de aquisição de empresas e investimentos em startups do setor, contra US$ 12,5 bilhões em 2016, conforme pesquisa da A.T. Kearney. A maior aposta foi a da Intel, que pagou US$ 15 bilhões pela Mobileye, especializada em tecnologia para carros autônomos.

A inteligência artificial, na prática, é composta por uma coleção de ferramentas digitais que permitem às máquinas entender, aprender e tomar decisões como seres humanos e, em sua dimensão robótica, assumir também tarefas operacionais. Essas ferramentas estão dispostas em subdisciplinas, ou componentes, que podem ser empregados sozinhos ou em composições entre si e estão em desenvolvimento acelerado.

Uma delas é o aprendizado de máquina (machine learning), focada no uso de algoritmos e softwares para imitar ações humanas inteligentes inclusive sem supervisão ou regras, como no caso do aprendizado profundo (deep learning) baseado em redes neurais capazes de imitar o funcionamento do cérebro humano.

Outros elementos incluem o processamento de linguagem natural (NLP, na sigla em inglês), ou a habilidade de entender mensagens e respondê-las, a análise de imagens e vídeos ou visão computacional e a robótica. Continue reading “Aprendizado de Máquina (machine learning)”