SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática)

O IBGE lançou oficialmente, no dia 06/12/2016, durante a 3ª Conferência Nacional de Produtores e Usuários de Informações Estatísticas, Geográficas e Ambientais (INFOPLAN), a nova versão do SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), uma ferramenta digital que pode ser acessada em qualquer navegador de internet e permite consultar, de forma simples e rápida, dados de estudos e pesquisas realizados pelo Instituto. A nova interface oferece acesso amigável em qualquer plataforma, seja celular, tablet ou computador. A interação é bastante visual e intuitiva, com informações e funcionalidades sendo encontradas facilmente.

O acesso ao website do SIDRA é feito pelo endereço http://sidra.ibge.gov.br. A aplicação também dispõe de uma API (Interface de Programação de Aplicação), que permite a extração dos dados utilizando programas e aplicativos web, pelo endereço http://api.sidra.ibge.gov.br.

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Automação e Compartilhamento de Carros

Automação total pode dar impulso a modelo de compartilhamento de carros  

Dan Neil (WSJ, 1712/15) avalia que Henry Ford era um homem inteligente, mas ele nunca fez as contas antes de dizer que fabricaria um carro para cada família americana.

Um século depois do Ford T, o mundo enfrenta um problema com os carros. Os Estados Unidos e a China vão comprar cerca de 40 milhões de automóveis em 2015. No mundo todo, o número deve chegar a 100 milhões de veículos em 2020.

É uma inundação de carros diante da qual tanto legisladores quanto cidadãos comuns tem se mostrando impotentes. Mesmo na superpoluída Pequim, o apetite pelo automóvel — um símbolo de status e de sucesso pessoal na frágil mentalidade pós-colonial — não está diminuindo, apesar de limites à propriedade e o crescente alarme do governo.

O absurdo dessa velha abordagem à mobilidade é capturado nas estatísticas. Nos EUA, por exemplo, a taxa de utilização dos carros é de cerca de 5%. Para os restantes 95% do tempo, os carros dos americanos simplesmente ficam parados, queimando dinheiro.

Mas, e se esses carros pudessem ser compartilhados? E não me refiro ao consumo colaborativo no transporte do tipo da Uber — simbólico e transitório e que deve durar somente até que a automação total aconteça e o motorista se torne desnecessário.

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Quarta Revolução Industrial / Internet das Coisas industrial / Fábricas Inteligentes

Fábrica de locomotivas da GE, uma grande defensora da internet industrial. Fábrica de locomotivas da GE, uma grande defensora da internet industrial.

Christopher Mims (WSJ, 16 de Novembro de 2016) informa que, amplamente automatizada e cada vez menos dependente de mão de obra, a indústria americana ainda assim apresenta um paradoxo: embora sofisticada, ela não é tão de alta tecnologia.

Imagine máquinas de estamparia de metais em uma fábrica de autopeças que podem ter uma vida útil de até 40 anos. Agora, pense na linha de montagem, perto de Austin, no Texas, onde a Samsung Electronics Co. produz chips para os iPhones da Apple Inc. A fábrica é um ambiente branco impecável cheio de robôs carregando pastilhas de silicone de uma estação para outra. Cada detalhe do local é medido por sensores que transmitem dados para uma central, onde eles podem ser processados para aperfeiçoar o processo de produção. As únicas pessoas presentes estão lá para consertar as máquinas, que executam todo o trabalho.

Inteligência Artificial

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Gustavo Brigatto (Valor, 21/11/16) informa que é praticamente impossível manter uma conversa com um investidor, ou com uma startup no Vale do Silício, a meca do mundo da tecnologia, sem que duas palavras mágicas sejam ditas: “machine learning”, ou aprendizado de máquinas, que nada mais é do que uma aplicação do conceito de inteligência artificial.

A ideia de dar aos computadores a capacidade de aprender e tomar decisões sem interferência humana deixou de ser um assunto complicado e se tornou uma verdadeira febre entre as empresas de tecnologia instaladas na região – e, consequentemente de muitas outras ao redor do mundo, que seguem as tendências do Vale.

Não é preciso fazer muito esforço para ver aplicações práticas. Robôs que fazem o atendimento a clientes nas redes sociais, assistentes pessoais digitais em smartphone, drones, carros autônomos, aplicativos de edição de imagem, mecanismos de recomendação de compras no varejo digital e uma infinidade de outros produtos já usam “machine learning”, ou uma outra disciplina do mundo da inteligência artificial, o “deep learning” (aprendizado profundo).

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Bolha OnLine: Viés Heurístico da Auto Validação Ilusória

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Há tempos, seja no Brasil, seja nos EUA,  apresenta-se uma divisão política não tão alinhada com a desigualdade social na apropriação da renda. Lá está separando republicanos e democratas, conservadores de liberais. Cá, separando tucanos e petistas e aguçando a clivagem entre a direita e a esquerda.

Mas as divisões que apareceram em 2016, nos EUA, não apresentam “precedentes”, diz Bill McInturff, pesquisador republicano e um dos coordenadores da pesquisa realizada para o “Wall Street Journal”/NBC News. As rupturas deste ano foram de natureza mais fundamental, quase primitiva, ocorrendo ao longo das linhas mais básicas da sociedade: gênero, raça e educação. Um olhar detalhado na pesquisa pré-eleitoral do “WSJ”/NBC, concluída neste fim de semana, ilumina essas linhas.

Mais notavelmente, uma nova lacuna educacional foi aberta. Quando foi apresentada aos eleitores a opção dos dois principais candidatos, Hillary apareceu na liderança com 51% das intenções de voto entre os brancos com diplomas universitários ante os 41% de Trump. Ele liderou entre brancos sem ensino superior com uma proporção de 2 para 1.

Ele conseguiu o apoio de 3 em cada 5 americanos moradores de áreas rurais, enquanto ela conquistou 3 em cada 5 habitantes de zonas urbanas. E as divisões mais tradicionais são agora como abismos escancarados. Ela liderou entre os eleitores não brancos por uma margem de 75% a 15%.

Além disso, esta foi uma eleição em que os eleitores de Trump e de Clinton não discordaram apenas sobre quem escolher. Muitos eleitores de um candidato sequer podem imaginar como cidadãos poderiam escolher o outro!

Talvez o mais alarmante seja que 90% dos eleitores de Hillary disseram na pesquisa que não se sentiriam confortáveis em apoiar Trump como presidente, enquanto pouco mais de 90% dos eleitores de Trump expressaram os mesmos sentimentos em relação a Hillary como presidente. Mais de 50% dos eleitores de Trump e Hillary disseram que o país permaneceria dividido após as eleições.

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Virgilio Almeida é professor visitante na Universidade de Harvard e foi secretário de política de informática no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no período 2011-2015. Danilo Doneda é professor da Escola de Direito da UERJ, doutor em Direito Civil e especialista em privacidade e proteção de dados. São coautores de um artigo (Valor, 08/11/16) sobre o que em Economia Comportamental se denomina viés heurístico de auto validação ilusória. É tipo “eu só converso com minha turma, vá procurar sua turma!”

Com esse sectarismo o ser humano erra, pois não conversa com quem poderia lhe mostrar seus equívocos. Só troca ideias com quem concorda a priori. Nunca é alertado do risco de estar errado. Quando levanta uma hipótese, só pesquisa dados que a confirmam, “varrendo prá debaixo do tapete” aqueles que a desmentem!

Reproduzo o pertinente artigo abaixo.

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Necessidade de Projeto Brasileiro da Indústria do Futuro: Padrão 4.0

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Luciano Coutinho, economista, foi presidente do BNDES. O Brasil perdeu um valoroso servidor público e o debate público brasileiro recuperou um notável intelectual. Com toda a parcialidade de ser seu ex-aluno, no Mestrado em Economia na UNICAMP (1975-76), sou “testemunha-ocular” de seu conhecimento sempre atualizado. Ele se caracteriza por ser um adepto da Economia Normativa, isto é, não se contenta a ficar restrito ao diagnóstico da Economia Positiva de “o que é” e sempre propõe “o que deveria ser”. Confira seu artigo (Valor, 25/10/16) abaixo reproduzido.

A severa recessão em curso é bem mais profunda na indústria de transformação, pondo em risco a sobrevivência de grande parte dela. A forte queda da demanda, principalmente na metal-mecânica e bens duráveis combina-se com estrangulamento financeiro, escassez de crédito, incapacidade de pagar impostos e desemprego. Multiplicam-se falências e recuperações judiciais. A situação é crítica. Para sobreviver é preciso que venha logo a reativação cíclica da demanda. Além disso é imperativo:

  1. reescalonar dívidas,
  2. reduzir o custo do crédito,
  3. desburocratizar e simplificar a tributação,
  4. acelerar a indução dos investimentos em infraestruturas e
  5. conter a valorização da taxa de câmbio.

A indústria que conseguir sobreviver terá, no entanto, vida dura pela frente. Além da expectativa de recuperação lenta da economia, precisará enfrentar novos e graves riscos decorrentes da onda de transformações tecnológicas nas economias desenvolvidas. Muitas delas poderão ser disruptivas. Ressalto as estratégias industriais em marcha nos Estados Unidos, Alemanha, China, Japão e Coreia para acelerar a automação computadorizada, abrangente e integrada pela denominada “internet industrial“.

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