Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI)

Danylo Martins (Valor, 05/11/19) informa: assim como a experiência com serviços sob demanda, como Netflix e Spotify, ou aplicativos de transporte, como Uber e 99, a indústria de meios de pagamento caminha para novas tecnologias  facilitadoras do processo de compra do consumidor. O uso de pulseira, anel, relógio e celular para realizar pagamentos por aproximação tem ganhado força. Ao mesmo tempo, o mercado avança na adoção das carteiras digitais (“wallets”) e em soluções de pagamentos instantâneos, cujo sistema deve ser lançado pelo Banco Central (BC) até o fim do próximo ano.

Será o fim do dinheiro? Ainda não dá para afirmar, mas o papel perderá participação nos próximos anos, conforme as previsões. No mundo, a expectativa é de o dinheiro passe a representar 17% das transações em pontos de venda em 2022, contra uma participação estimada de 31% em 2018, segundo pesquisa global da Worldpay from FIS. Na América Latina, a tendência é outra. Apesar da queda na participação — de 58% para 46% –, o dinheiro continuará como o meio mais utilizado, junto com cartão de débito e crédito.

Quando olhamos os pagamentos digitais, 60% ocorrem por meio de celular ou aplicativo. E o restante em outras mídias, como PC. Parte da explicação tem a ver com o anseio das novas gerações ou a população nativa digital. Essas pessoas querem soluções “on demand” e experiências imediatas, com preferência por serviços compartilhados. É uma mudança conceitual bastante relevante. O desafio passa por conseguir oferecer experiências em tempo real e com maior nível de personalização.

Além das mudanças no comportamento do consumidor, o setor de pagamentos também vê aumentar a concorrência, no Brasil e em outros países. Historicamente dominado pelos grandes bancos, o mercado começa a ganhar novos atores, como startups e empresas de outros setores interessadas em parte desse total. Não é para menos. A receita global de pagamentos tende a crescer a uma taxa anual de 5,5%, passando de US$ 1,5 trilhão neste ano para mais de US$ 2 trilhões até 2025, aponta estudo da Accenture. Continuar a ler

Inovações Tecnológicas Digitais com 5G

Ana Lúcia Moura Fé (Valor, 05/11/2019) informa: a evolução das tecnologias digitais e das redes sem fio vai transformar as telecomunicações e mudar a forma como as operadoras geram receita nos próximos anos. O setor — e, de resto, toda a indústria de TI e empresas usuárias — apronta-se para agarrar o máximo de oportunidades de negócios vislumbrados no rastro da quinta geração de celulares (5G). Ela já é realidade no mundo e deve desembarcar por aqui nos próximos anos.

Uma das poucas certezas do mercado é essas oportunidades virem, embora os leilões de espectro para 5G sequer tenham ocorrido e ninguém saiba ao certo qual será o modelo de negócios capaz de compensar os investimentos das teles na modernização das redes.

A expectativa de líderes do setor é os leilões focarem menos na arrecadação para a União e mais nos benefícios da tecnologia para a sociedade. Em outras palavras, além da pressa para distribuir frequências, eles querem equilíbrio entre preços e obrigações para as teles cumprir, de modo a sobrar recursos para investir no crescimento da rede 5G. Continuar a ler

Profissões com Risco de Desaparecimento pela Automação no Brasil

Bruno Villas Bôas (Valor, 03/10/2019) informa: mais da metade dos empregos formais e informais no Brasil (58,1%) pode ser substituída por máquinas nos próximos dez a 20 anos, o equivalente a 52,1 milhões de postos de trabalho. É o que mostra um estudo da consultoria IDados, obtido pelo Valor, que cruza a base de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do IBGE com um estudo da Universidade de Oxford que separa as ocupações em faixas de risco de automação.

Conforme o estudo elaborado pelo economista Bruno Ottoni e pelo matemático Paulo Rocha e Oliveira, o número refere-se aos empregos classificados na faixa de “risco alto” (maior do que 70%) de serem exercidos de forma automatizada nas próximas décadas por tecnologias já existentes. São geralmente as ocupações que não demandam originalidade e criatividade para serem exercidas, além de não exigirem relações socioemocionais e certas habilidades motoras.

Um exemplo bem acabado dessas profissões ameaçadas é a condução de automóveis, táxis e caminhonetes (98% de probabilidade de automação), tarefa que tende a ser substituída por carros autônomos, como os famosos veículos da Waymo, a divisão de automóveis sem motorista do Google. Também estão na lista os cobradores, entrevistadores de pesquisa de mercado, balconistas de serviços de alimentação e garçons, por exemplo.

Os empregos que demandam originalidade e criatividade, além das mencionadas habilidades socioemocionais, seriam os mais blindados. Com baixo risco de automatização estão 22,8% dos empregos hoje existentes no país, o correspondente a 20,5 milhões de vagas. Outros 19,1% dos empregos são classificados de risco médio de automação, o equivalente a 17,1 milhões postos de trabalho.

Das vagas com pouco risco de serem ocupadas por máquinas estão gerente de hotéis, psicólogo, engenheiro químico, advogados, juristas e veterinários. “O gerente de hotel, por exemplo, precisa da habilidade de se relacionar com funcionários e hóspedes. Um robô não substitui esse contato”, diz o economista Bruno Ottoni, pesquisador do IDados, acrescentando que a lógica vale para outros cargos gerenciais. Continuar a ler

Montadoras de Automóveis: entender hábitos das novas gerações

Marli Olmos (Valor, 25/09/2019) avalia: tempos atrás causaria estranheza a qualquer pessoa ouvir o presidente mundial da Mercedes-Benz se perguntando o que é luxo em um carro. Afinal de contas, a marca alemã transformou-se, ao longo de décadas, em um ícone da sofisticação. Mas Ola Källenius, no comando da Mercedes desde maio, estava sendo absolutamente sincero quando colocou a questão como um ponto de reflexão importante durante a apresentação do salão do automóvel de Frankfurt, neste mês. Ao apresentar uma nova plataforma para veículos elétricos, Källenius disse que “luxo é ser sustentável”.

Diante de novos hábitos de transporte, os fabricantes de veículos, em geral, têm tentado aliar sustentabilidade com prazer de dirigir. E marcas de luxo, como a Mercedes, precisam de esforço adicional para que o tradicional desenho elegante ou esportivo de seus produtos continuem a ser, para o consumidor, tão atraentes quanto passou a ser deslocar-se sem agredir o ambiente.

Boa parte do noticiário sobre a indústria automobilística, que passa por uma das fases de maior transformação de sua história, envolve a preparação para atender às regras de emissões de poluentes, cada vez mais rigorosas nos países desenvolvidos, na Europa, principalmente. Nos bastidores do setor, no entanto, está em curso um outro tipo de treinamento, voltado a entender os hábitos das novas gerações para convencê-las a comprar automóveis.

No Brasil, altos executivos têm se reunido com as equipes de planejamento, engenharia e de desenvolvimento de produto com mais frequência. Passam horas, segundo contam alguns, em discussões sobre o que pensam as novas gerações. Recorrem a todo o tipo de informação, seja em pesquisas próprias ou de empresas especializadas.

O cenário traçado nessas pesquisas não tem sido muito animador para os fabricantes de veículos no mundo. No Brasil, no entanto, os resultados têm mostrado consumidores mais propensos a ter carro próprio do que em alguns países desenvolvidos. Isso não quer dizer, porém, que as novas gerações de brasileiros tenham pelo automóvel a mesma paixão que tinham seus pais e avôs.

A Route Automotive, uma empresa de pesquisa especializada no setor automotivo, fez uma pergunta curiosa em recente pesquisa, envolvendo jovens de 18 a 24 anos: “Se você tivesse R$ 40 mil hoje, o que escolheria fazer com o dinheiro?”. A maioria respondeu que colocaria o dinheiro no banco para investir. Em segundo lugar, aparecem os que o usariam para quitar dívidas, próprias ou de seus familiares.

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Locação de Automóveis: Nova Tendência em Era de Desemprego

Há um novo fenômeno social na praça: uso de Uber/taxi/ônibus/metrô durante a semana de trabalho e locação de automóvel quando tiver uma viagem de fim-de-semana. O custo é bem inferior a ter um automóvel. Essa posse só vale se ele rodar 35 km/dia ou mais de 1.000 km/mês ou 12.000 km/ano. A estimativa de gasto com o automóvel a cada ano é de 14% do seu valor de mercado. Confira em:

Gustavo Brigatto (Valor, 06/09/19) informa: com pouco mais de um ano de fundação, a Kovi, startup atuante na locação de carros para motoristas de aplicativos, vai se tornar o maior cliente da Maestro Frotas, uma das maiores do setor de locação no país. Pelo acordo, a Kovi vai contratar 1.350 carros até janeiro de 2020, quase o dobro do atual maior cliente da Maestro, usando 700 carros. A startup já tem 400 carros contratados com a Maestro. Para atender à nova demanda, planeja investir um total de R$ 50 milhões.

Criada por dois ex-executivos da 99, a Kovi não opera com frota própria. Em
vez disso, aluga carros de outras locadoras e até de montadoras. A lista de
fornecedores conta com 15 empresas com as quais a startup tem cinco mil carros contratados.

A companhia tem conversado com concessionárias de veículos ao redor do país em tentativa de estimula-las a criar suas próprias locadoras, com as quais a Kovi poderia estabelecer alianças. Continuar a ler

Brasil atrasado na corrida da automação industrial

Gabriel Vasconcelos e Bruno Villas Bôas (Valor, 29/07/19) informam: o Brasil ficou para trás em automação industrial nos dez anos entre 2008 e 2017, quando se olha para esse movimento na comparação internacional, e terá dificuldade para ingressar na quarta revolução industrial, dizem especialistas. Um dos motivos é seu pequeno estoque de robôs industriais.

Segundo a consultoria Idados, que teve acesso aos últimos números divulgados pela Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), o país tinha 12.373 máquinas desse tipo em 2017, apenas 0,6% dos robôs então instalados no mundo. O número coloca o Brasil na 18a posição no ranking das nações mais automatizadas. Hoje as três principais fornecedoras de robôs para o mercado brasileiro – Fanuc, ABB e Yaskawa – estimam que esse estoque gire em torno de 16 mil autômatos.

Além de pequeno para uma economia do tamanho da brasileira, a oitava do mundo, mais da metade desse estoque de robôs (54%) está concentrado na indústria automobilística, restando poucas máquinas desse tipo ou mesmo vácuos de automação nos demais setores.

Robôs industriais são máquinas automáticas, reprogramáveis e capazes de realizar mais de uma atividade em pelo menos três eixos de movimento. Embora tenham surgido no final dos anos 1970, ainda estão no centro da chamada indústria 4.0. Ela prevê a integração e refinamento das atividades dessas máquinas por meio de tecnologias como internet das coisas (IOT, na sigla em inglês), inteligência artificial e sistemas ciberfísicos, nada mais que sistemas computacionais capazes de controlar objetos com precisão.

Na fronteira do desenvolvimento, estão os chamados robôs colaborativos (cobots), que convivem lado a lado com a mão de obra humana. Os cobots já existem em fábricas brasileiras, mas em iniciativas pontuais, quase sempre ligadas à verificação do padrão de qualidade de bens duráveis. Nem seus irmãos mais antigos, robôs tradicionais, que operam isolados por grades, são tão numerosos no Brasil. Continuar a ler