Evolução da preferência pelo PT

Partido mais popular do país, desde o ano 2000, o PT reconquistou o apoio que havia perdido durante a crise do “denuncismo político”, artificialmente provocada pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), em 2005. O PT, que chegou a ter 24% de preferência, em dezembro de 2004, despencou para 15%, em fevereiro de 2006. A recuperação começou com a campanha da reeleição de Lula. Em dezembro de 2009, o PT atingiu 25% de preferência popular, valor que permanece estável desde então, segundo o Datafolha. A própria Folha de S. Paulo (02/08/10) o aponta como a legenda preferida por um em cada quatro eleitores, patamar mais alto de sua história, sendo destes quatro, dois declaram não ter nenhum partido predileto. O número de pessoas aptas a votar em outubro será de 135,8 milhões.

A retomada da popularidade em ano eleitoral pode ser vista como indicador de aumento da bancada petista na Câmara dos Deputados. Levantamento feito pela Folha mostra que há 20 anos existe grande correlação entre o índice de preferência do PT e o total de votos que o partido obtém para seus candidatos a deputado federal. Se a correlação se mantiver na disputa deste ano, o PT poderá eleger mais de cem deputados federais.

Em 1990, segundo o Datafolha, 9% dos eleitores afirmavam que o PT era seu partido preferido. A legenda teve então 10,2% dos votos e elegeu 7% dos deputados. Em 1994, com 13% de preferência, teve 12,9% dos votos e 9,6% de deputados; em 1998, 11% de preferência, 11,2% dos votos e 11,3% de deputados; em 2002, 20% de preferência, 18,4% dos votos e 17,7% de deputados; em 2006, 16% de preferência, 14,9% dos votos e 16,2% de deputados federais.

A diferença entre a preferência do PT aferida pelo Datafolha e o percentual de votos do partido nunca superou 1,6 ponto percentual. Entretanto, a discrepância em relação às bancadas eleitas é maior (3,4 pontos), em razão das coligações partidárias e sobretudo das distorções na distribuição das cadeiras da Câmara entre os Estados.

Na década de 90, o PT era mais forte no Sul e no Sudeste. Com 60% do eleitorado, as regiões tinham 49,6% das vagas na Câmara. Daí por que o partido conquistava menos cadeiras que votos. O crescimento nos anos posteriores ocorreu sobretudo no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que têm proporcionalmente mais vagas. Em 2006, a legenda conseguiu mais cadeiras que votos. O PT também chegou ao interior. Em 1993, estava presente de forma organizada em cerca de 40% das cidades; em 2009, em 96%.

A preferência partidária não é indicador certo de intenção de voto. Se a regra parece valer para o PT, no caso dos outros partidos não é possível encontrar correlação. Em 2006, por exemplo, o PSDB elegeu 12,9% dos deputados, mas tinha 5% de preferência. Porém, o PP, com apenas 1% de preferência, elegeu 8% dos deputados.

O PT hoje é exceção quando o assunto é preferência partidária. Enquanto ¼ é petista, metade dos eleitores declara não ter nenhum partido predileto. Portanto, ele pode ainda crescer muito. As demais siglas têm índices bem menores. O segundo colocado é o PMDB, com 7%, seguido pelo PSDB, com 5%. Sendo assim, opta por todos os outros 24 partidos existentes no Brasil cerca de 13% dos eleitores.

O PT é o partido preferido dos brasileiros também segundo outras sondagens divulgadas por outros institutos de pesquisa. De acordo com o Ibope, a legenda conta com a preferência de 29% dos eleitores. Segundo o Vox Populi, o partido tem a simpatia de 18% do eleitorado.

As legendas de oposição – PSDB e DEM (ex-PFL) – estão bem atrás na preferência do eleitorado. De acordo com números do Ibope, os tucanos contam com 7%, enquanto os demos somam apenas 1%. A mesma tendência é verificada na sondagem do Vox Populi: o PSDB aparece com 4%, enquanto o DEM nem chega a ser mencionado pelos eleitores.

O PT lidera nas cinco regiões do País. Segundo o Ibope, o melhor desempenho é no Nordeste, onde a legenda tem a simpatia de 33% da população. Nas regiões Norte, Centro Oeste e Sudeste, o partido aparece com 29%. No Sul, com 18%. De acordo com o Vox Populi, o partido também prevalece no Nordeste, com 21%. No Centro Oeste e no Sudeste, a legenda soma 18%. No Sul e no Norte, o partido tem 16% e 14%, respectivamente.

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