Ataque Especulativo contra a China e Efeito Contaminação Mundial

Previsão de Crescimento em 2016 pelo FMIExportações para ChinaExportações do Agronegócio 2014-2016

O Banco do Povo da China (o BC chinês) acredita que a supervalorização da moeda prejudica a competitividade do país e tenta impulsionar sua economia em desaceleração por meio da depreciação cambial. O BC fixou bandas de negociação mais fracas para a moeda, mas tenta evitar uma reedição da turbulência do mercado mundial desencadeada em agosto de 2015 com a forte perda de valor do yuan.

O yuan obteve do Fundo Monetário Internacional (FMI) o status de moeda de reserva no fim de novembro de 2015. O crescente diferencial entre as taxas de câmbio interna e externa sugere, no entanto, que o yuan não é, na verdade, “livremente utilizável”, como requer o FMI.

Operadores de fora da China estão precificando uma continuidade do enfraquecimento da moeda chinesa, o que põe à prova a determinação do BC chinês e seu desejo de uma depreciação controlada.

Porém, a fragilidade revelada pelo yuan, recentemente, não teve nada de controlada, o que pode obrigar o BC chinês a intervir. Há indícios de que o Banco do Povo da China estaria tentando retomar o controle da moeda, após bancos estrangeiros terem tido suas transações cambiais suspensas na China, no mês de dezembro de 2015.

Vários dos maiores bancos estrangeiros participantes do mercado do yuan foram suspensos. A medida pareceu ser uma tentativa das autoridades de Pequim de reduzir a diferença, ampliada recentemente, entre os preços interno e externo do yuan para um novo recorde de baixa. A China quis impedir que os bancos lançassem mão da arbitragem para se aproveitar da diferença entre esses dois mercados de moeda.

Desde o primeiro dia do ano, o yuan negociado “onshore” (interna) já caiu 1%, após recuar 2,6% nos últimos dois meses de 2015. A moeda perdeu 0,5% de seu valor ontem, ao recuar para seu patamar mais baixo desde março de 2011, enquanto a taxa de câmbio “offshore” (externa) chegou a perder 1,1%, rompendo a barreira dos 6,70 por dólar pela primeira vez desde sua criação, em 2010.

O banco central da China está dividido entre seu instinto de intervir no mercado de câmbio e sua promessa de implementar uma política cambial mais flexível.Mercado de Petróleo no Brasil nov 2015

Ajuste da Petrobras

Justin Scheck e Alex MacDonald (WSJ, 08/01/16) avaliam que as empresas de petróleo e mineração que cresceram rapidamente ao longo dos últimos 10 anos, quando os preços das commodities explodiram, já eliminaram dezenas de milhares de empregos e cancelaram projetos que somam bilhões de dólares. Agora elas devem tentar promover novas economias em meio à constatação de que as velhas esperanças de uma recuperação dos preços das commodities sucumbiram diante da fraca demanda chinesa.

Depois de as empresas de petróleo terem atravessado um grande ciclo de crescimento nos últimos 10 anos, elas estão agora em outro ciclo que será de queda por algum tempo.

Para as petrolíferas, um colapso prolongado pode ser parte de uma mudança na dinâmica mundial do mercado.

  • A demanda chinesa por commodities, que sustentou os preços por um longo tempo, agora está minguando.
  • Ao longo do último ano, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) abandonou seu papel tradicional de estabilizadora dos preços do petróleo e, em vez disso, alimentou o excedente de oferta competindo com os produtores de petróleo de xisto dos Estados Unidos.
  • Outros produtores de petróleo também mantiveram sua produção a todo vapor, em alguns casos para pagar suas dívidas ou apoiar os gastos do governo, mesmo que isso resulte em uma pressão ainda maior sobre os preços.

Após investir mais de US$ 200 bilhões em projetos de petróleo no ano passado, depois de os preços terem caído pela metade em relação a meados de 2014, as grandes empresas do setor podem não elevar os investimentos quando os preços se recuperarem.

Os investimentos das petrolíferas permanecerão limitados mesmo se os preços do petróleo subirem. A relação tradicional que faz entre o aumento dos investimentos e o preço do petróleo deve ser “quebrada” depois que as grandes empresas que investiram mais que seu fluxo de caixa quando os preços eram o triplo do que são hoje entrarem em um novo período de moderação de gastos.

Os problemas do setor pressionarão as petrolíferas a orquestrar compras e vendas de ativos, com empresas de private equity em posição privilegiada para se beneficiar dessa situação. O aumento do estresse forçará mais empresas a irem ao mercado. Os resultados se tornarão ainda mais enxutos sem a venda de ativos para equilibrar as contas.

Para as mineradoras, a situação financeira é mais grave. A suíça Glencore PLC e a gigante britânica Anglo American PLC cortaram seus dividendos — um passo que as grandes empresas estão relutantes em tomar receosas em desagradar acionistas importantes — depois que os preços das ações caíram diante de preocupações relativas a seus fluxos de caixa e dívidas.

A maior mineradora do mundo, a BHP Billiton Ltd., está enfrentando pressões similares com a queda dos preços do minério de ferro, tendo que lidar com o problema do rompimento da barragem de contenção de rejeitos da Samarco em Mariana, Minas Gerais, há dois meses. Uma porta-voz da BHP, que é acionista da Samarco, não quis comentar.

Os investidores manifestaram seus receios com amplo movimento de venda de ações, quando a queda dos mercados chineses criaram novas incertezas sobre a demanda por commodities.

O valor de mercado conjunto das cinco maiores mineradoras do mundo – BHP, Rio Tinto PLC, Glencore, Vale e Anglo American – caiu 52%, ou US$ 269 bilhões, desde janeiro de 2015. As cinco maiores petrolíferas privadas, ExxonMobil Corp., Shell, BP, Chevron Corp. e Total SA, viram seu valor de mercado total cair 20%, ou mais de US$ 205 bilhões no mesmo período.

Os preços do petróleo caíram mais de 65% desde 2014, atingindo o menor valor em onze anos, abaixo de US$ 33 por barril, antes de recuperar parte das perdas. Os preços dos principais metais industriais como cobre e zinco caíram 34% e 28% respectivamente desde junho 2014. A China é responsável por cerca de 45% da demanda global dos dois metais.

A combinação crise chinesa e produção de petróleo elevada nos EUA e da Opep oferece pouca esperança de recuperação no curto prazo. Para as petrolíferas, o esperado retorno das exportações do Irã quando as sanções ocidentais sobre o país forem suspensas este ano pode derrubar mais os preços.

As grandes petrolíferas – cujos investimentos em novos projetos, recompras de ações e pagamentos de dividendos afetaram o fluxo de caixa – têm sinalizado cortes. Elas desistiram de grandes projetos, como a Shell que abandonou empreendimento nas areias betuminosas canadenses. O setor petrolífero demitiu mais de 250 mil pessoas. Em dezembro, a Shell reduziu seus investimentos estimados para este ano em US$ 2 bilhões, para US$ 33 bilhões, após ter promovido em 2015 cortes de custos e outras reduções de investimento que somaram US$ 12 bilhões.

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