Obstrução da Justiça + Tráfico de Influência + Prevaricação = Fora, Temer! E Trump!

O que tem de comum entre Trump e Temer? Obstrução da Justiça: um crime comum pelos quais Presidentes da República podem ser processados e cassados.

Este cargo eleito — ou nomeado pelos congressistas — exige seguir o Princípio da Impessoalidade, pois ele não se refere ou não se dirige a uma pessoa em particular, que tenha acesso privilegiado ao Estado, mas sim às pessoas em geral. Significa que a Administração Pública não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento.

Receber e dar aval às ações corruptoras de um sujeito investigado pela Justiça que narra como ele está obstruindo, ilegalmente, a investigação e corrompendo agentes públicos?! Fora, Temer!

Continue reading “Obstrução da Justiça + Tráfico de Influência + Prevaricação = Fora, Temer! E Trump!”

Felicidade Interna Bruta em 2017

A felicidade nos EUA está em declínio e espera-se que continue em um caminho descendente, com as políticas de Donald Trump previstas para aprofundar a crise social do país. Os EUA caíram para o 14º lugar no World Happiness Report 2017, produzido pelas Nações Unidas. A superpotência econômica mundial está bem atrás da Noruega, embora permaneça acima da Alemanha em 17º lugar, no Reino Unido em 19º e na França em 32º lugar.

A Noruega derrubou a Dinamarca do primeiro lugar como o país mais feliz do mundo, com a Islândia e a Suíça a terminarem entre os quatro primeiros. Os autores do relatório ressaltam, contudo, que os quatro primeiros estão tão próximos que as mudanças não são estatisticamente significativas.

A próxima camada de países é regularmente encontrada na liderança em pesquisas de felicidade internacional: a Finlândia está em quinto lugar, seguida pelos Países Baixos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Suécia.

Os países “infelizes” do mundo estão todos no Oriente Médio e na África: o Iêmen e a Síria, atingidos pela guerra, estão entre os 10 primeiros, com a Tanzânia, o Burundi e a República Centro-Africana integrando os três últimos.

O relatório da ONU, que se baseia em pesquisas Gallup de auto-relato de bem-estar, bem como percepções de corrupção, generosidade e liberdade, este ano tem um foco especial na “história de felicidade reduzida” nos EUA. Continue reading “Felicidade Interna Bruta em 2017”

A Força do Povo X Em Nome do Povo

Enquanto aqui se luta contra o retrocesso em conquistas sociais, na França se propõe no debate eleitoral um avanço em direção a novas conquistas sociais.

No Brasil, o relator da reforma trabalhista, deputado do PSDB, portanto, representante das castas dos mercadores e dos sábios-neoliberais, propõe a flexibilização do mercado de trabalho. Seu relatório amplia o principal ponto do projeto do governo golpista, que é fazer os acordos entre sindicatos e empresas prevalecerem sobre a legislação em alguns pontos, como o cumprimento da jornada de trabalho, desde que respeitadas a Constituição (máximo de 44 horas semanais); banco de horas; adicional por produtividade; participação nos lucros e resultados. A oposição criticou e disse que muitos sindicatos são “capturados” pela empresa e aceitam regras prejudiciais aos trabalhadores. As centrais sindicais reclamam ainda que o projeto fortalece a negociação coletiva ao mesmo tempo que enfraquece os sindicatos, ao acabar com o pagamento obrigatório do imposto sindical.

Compare com as propostas em debate na França. Assis Moreira (Valor, 12/04/17) informa que a possibilidade de a eleição presidencial na França ser decidida por “dois populistas”, um de extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, e outra de extrema-direita, Marine Le Pen, em maio de 2017, elevou o nervosismo nos mercados financeiros e o risco de uma crise política sem precedentes na segunda maior economia da Europa.

A ascensão de Mélenchon como o terceiro mais forte candidato, a menos de duas semanas do primeiro turno, no dia 23 de abril, fez investidores internacionais venderem ações e títulos soberanos franceses. O prêmio dos títulos da dívida francesa de dez anos subiu para quase 1%, enquanto que o dos títulos da Alemanha, vistos como ativo seguro, é de apenas 0,2%. Os bancos BNP Paribas, Crédit Agricole e Société Générale perderam ontem mais de 1% em valor de mercado.

O cenário de um voto “anti-establishment na eleição francesa cresceu com Mélenchon passando a 19% das intenções de voto no primeiro turno, em empate técnico com o candidato da direita tradicional, François Fillon, que tem 18,5%, e se aproximando do centrista Emmanuel Macron, com 23%, e de Marine Le Pen, 24%, segundo pesquisa do instituto Ifop.

Continue reading “A Força do Povo X Em Nome do Povo”

60 Anos da União Europeia

Valentina Pop (Valor, 25/03/17) informa que, para os líderes da União Europeia (UE), o encontro, em Roma, para comemorar o 60o aniversário do tratado de fundação do bloco, pretendia ser uma celebração genuína de um experimento bem-sucedido visando a reconstrução de um continente marcado pelas cicatrizes de duas guerras mundiais. Mas o Brexit, o mal-estar econômico, a imigração, a hostilidade russa, a indiferença dos Estados Unidos e o crescente ânimo nacionalista em toda a Europa estragaram a festa de aniversário.

Essa nuvem de problemas, claramente reforçada pela ausência da primeira-ministra britânica Theresa May na comemoração, revela profundas divisões entre as nações mais ricas e mais pobres do bloco, entre os falcões fiscais no norte e as nações devedoras no sul, e entre países ex-comunistas do leste e países membros do oeste.

Manter sintonizadas as seis nações que originalmente assinaram o Tratado de Roma em 1957 — que dirá as 22 que aderiram posteriormente — parece agora um grande desafio.

Continue reading “60 Anos da União Europeia”

Comércio Mundial de Alimentos: EUA X Brasil

Assis Moreira (Valor, 24/04/17) informa que os Estados Unidos e o Brasil, primeiro e segundo maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas, confrontam-se na Organização Mundial do Comércio (OMC) com questionamentos recíprocos sobre supostos subsídios proibidos à exportação, em meio uma intensa corrida por participações maiores do mercado mundial.

Os EUA ampliaram a pressão sobre o Brasil em relação à ajuda aos produtores do trigo, ao mesmo tempo em que tentam arrancar alguma vantagem para exportar seu cereal ao mercado brasileiro. De seu lado, o Brasil questiona o montante de subvenções que os EUA concedem para commodities como algodão, soja e milho. 

Em reunião periódica do Comitê de Agricultura da OMC, os dois gigantes do comércio mundial de alimentos vão ter de responder a questionamentos submetidos com antecedência, e depois decidir os passos seguintes.

Há anos os EUA questionam o Brasil por causa do Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) e do Prêmio de Equalização pago ao Produtor (Pepro), duas ferramentas utilizadas pelo governo para apoiar o escoamento da produção de trigo. Agora, contudo, Washington busca arregimentar aliados para aumentar a pressão, segundo fontes a par das articulações.

Continue reading “Comércio Mundial de Alimentos: EUA X Brasil”

Plano Made in China 2025: meta de tornar o país autossuficiente no desenvolvimento de tecnologia de ponta

Louise Lucas e Emily Feng (apud Valor, 24/03/17) avaliam que Tim Byrnes é um símbolo improvável do esforço da China para se tornar uma superpotência mundial no ramo da alta tecnologia. Para começar, ele é australiano. Mesmo assim, a decisão desse físico quântico de 39 anos de trocar um cargo de pesquisa em Nova York por Xangai, explica de certa forma até onde Pequim está indo em seus esforços para alterar a ordem mundial.

“A física quântica é muito forte na China”, diz Byrnes. “Os principais grupos são tão bons quanto em qualquer outra parte do mundo… e estão fazendo algumas coisas incríveis.”

Byrnes está trabalhando no desenvolvimento de novas tecnologias que, acredita, ajudarão a criar o Santo Graal do setor: um computador quântico.

Sua posição de professor assistente de Física da New York University Shangai é resultado de um esforço global de recrutamento que almeja a contratação de 10.000 das mentes mais brilhantes do planeta. O recrutamento é parte de uma estratégia mais ampla para construir o poder tecnológico da China, juntamente com os esforços para reestruturar sua política industrial por meio de um esquema conhecido como Made in China 2025.

Bilhões de dólares já foram injetados em pesquisas e na aquisição de ativos internacionais, preocupando concorrentes globais. Só nos últimos dois anos, a China anunciou acordos de fusão e aquisição no setor tecnológico avaliados em mais de US$ 110 bilhões, segundo a Dealogic, desencadeando temores de segurança nacional por causa do papel desempenhado por Pequim em alguns dos negócios.

O Plano Made in China 2025 foi caracterizado por Robert Atkinson, presidente da Information Technology and Innovation Foundation, ao Congresso dos Estados Unidos, em janeiro, como “uma agressiva estratégia ‘custe o que custar’ que envolve manipulações sérias de mercado, roubos arbitrários e transferência coercitiva de know-how americano”.

Continue reading “Plano Made in China 2025: meta de tornar o país autossuficiente no desenvolvimento de tecnologia de ponta”

Multilateralismo e Internacionalismo versus Bilateralismo e Imperialismo

Jeremy Adelman é diretor do Laboratório de História Mundial da Universidade de Princeton. Anne-Laure Delatte é pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, no laboratório EconomiX, filiado ao Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE) e professora-visitante da Universidade de Princeton. Ambos, Jeremy Adelman e Anne-Laure Delatte, são coautores de artigo (Valor, 24/03/17) sobre a atual geopolítica internacional com informações históricas interessantes. Reproduzo-o abaixo.

“A América em primeiro lugar”, dispara Donald Trump. “O Reino Unido em primeiro lugar”, dizem os defensores do Brexit. “A França em primeiro lugar”, vociferam Marine Le Pen e sua Frente Nacional. “A Rússia em primeiro lugar”, proclama o Kremlin de Vladimir Putin. Com tanta ênfase em soberania nacional atualmente, a globalização parece condenada.

Não está. A luta que se desenrola nos nossos dias não é a do globalismo contra
o antiglobalismo. Em vez disso, o mundo pende entre dois modelos de
integração:

  • um é multilateral e internacionalista;
  • o outro é bilateral e imperialista.

Ao longo de toda a idade contemporânea, o mundo oscilou entre eles.

Continue reading “Multilateralismo e Internacionalismo versus Bilateralismo e Imperialismo”