Imigração para a América

Map of the world showing which countries that traffic in humans to the U.S.; map shows how individual countries comply with anti-trafficking laws. The Kansas City Star 2009

Diogo Bercito (FSP, 09/03/17) avalia que as primeiras semanas do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, foram marcadas pelo recrudescimento à migração e pelo veto à entrada de cidadãos vindos de países muçulmanos. Como relatou a correspondente Isabel Fleck, entre as decisões mais polêmicas tomadas pelo republicano está a de autorizar a deportação “expressa” para imigrantes ilegais que não consigam comprovar que vivem no país de maneira contínua por ao menos dois anos. As novas regras preocupam brasileiros que moram nos EUA — cerca de 1,4 milhão de pessoas, segundo o Itamaraty.

A rigidez dessas normas contrasta com a imagem tida dos EUA como um país formado por migrantes em busca de liberdade e de novas oportunidades. Uma imagem, aliás, repleta de contradições, como a vinda forçada de milhões de escravos e a restrição à entrada de raças consideradas inferiores em determinados momentos. O site http://www.vox.com/ em Immigration in America Maps reuniu nesta semana 37 mapas detalhados que explicam essa história. Quatro deles estão expostos a seguir.

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Investir em Devolução de Imposto

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Nicholas Megaw (Valor, 23/02/17) informa que o governo da Suécia tem uma queixa incomum: está recolhendo impostos demais. As taxas de juros negativas tornaram alguns dos impostos mais altos do mundo menos dolorosos. Empresas e indivíduos correm para transferir dinheiro para o Estado por causa dos retornos oferecidos, que são relativamente mais compensadores do que pagar para deixar reservas depositadas em bancos.

O governo sueco teve um superávit fiscal de 85 bilhões de coroas (US$ 9,5 bilhões) em 2016, com cerca de 40 bilhões de coroas vindos de pagamentos excessivos de impostos. O governo terá de devolver quase US$ 4,5 bilhões, depois que empresas e cidadãos pagaram impostos demais intencionalmente em 2016.

O governo quer desencorajar mais pagamentos excessivos, mas o órgão responsável pela dívida pública já admitiu que seus esforços provavelmente não serão suficientes. Isso simplesmente é consequência dos juros negativos atuais.

FNC: este “laboratório” confirma mais uma vez a interconexão e, portanto, a necessidade de coordenação sábia entre política fiscal e política de juros. Na Suécia e aqui!

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Porque é que a Inflação dos Estados Unidos é tão baixa?

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  • Os dados acima confirmam a hipótese neofisheriana de André Lara Resende, “vanguarda do pensamento econômico mundial” (sic)? 
  • Porque é que a flexibilização quantitativa tem coexistido com a estabilidade de preços nos Estados Unidos?
  • Porque é que a emissão monetária por parte da Reserva Federal não provocou uma inflação mais elevada?

Martin Feldstein, professor de Economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores de Economia de Ronald Reagan. Ele é também ex-presidente do National Bureau for Economic Research dos Estados Unidos.

Para responder essas intrigantes questões, naturalmente, ele não faz uma abordagem estruturalista a la Escola Desenvolvimentista Latino-Americana. Assim, não alerta sobre a especificidade da capacidade de emissão monetária por parte do governo dos EUA. Imprime papéis pintados de “dólar”, para fazer a monetização da dívida pública ou “afrouxamento monetário, e o resto mundo os aceita em troca de mercadorias! Além disso, os títulos de dívida pública norte-americanos são absorvidos em reservas cambiais dos países emergentes como China, Japão, Rússia, Brasil, Petro-Estados, etc. Logo, o resto do mundo financia o imenso déficit comercial norte-americano.

Obviamente, esta experiência é única e não pode ser generalizada como uma “nova teoria monetária”!

Os Estados Unidos fecharam 2016 com um déficit no balanço comercial de US$ 502,3 bilhões, o maior dos últimos quatro anos. Por países, o saldo negativo no comércio com a China caiu 5,5% em 2016, ficando em US$ 347 bilhões, abaixo do recorde de US$ 367 bilhões de 2015. Já com o México, as importações superaram as exportações em US$ 63,2 bilhões, uma alta de 4,2% e o valor mais alto desde 2011, de acordo com o Departamento de Comércio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu penalizar países como China e México, que acusa de práticas comerciais injustas, responsáveis pela perda de milhões de empregos americanos. Trump pretende renegociar o mais rápido possível o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), assinado há mais de 20 anos com o México e o Canadá. Resta a simples pergunta: com o fim do livre-comércio global a inflação nos EUA permanecerá baixa?!

Reproduzo abaixo o artigo de Martin Feldstein.

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China: Consequências do Fim da Política de Filho Único

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The Economist (24/02/2017) informa que a China é o país mais populoso do mundo, mas também é um dos mais rápidos em envelhecimento de sua população.

Assim, foi com alguma fanfarra que a Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar anunciou, em 22 de janeiro de 2017, que a taxa de natalidade do país subiu em 2016. Quase 18,5 milhões de bebês nasceram no ano passado, um salto anual de 11,5%.

O Escritório Nacional de Estatísticas também anunciou seus próprios números ao mesmo tempo: ele disse que o número de nascimentos subiu 8% para quase 18 milhões, o maior número desde 2000, e o maior aumento anual em três décadas.

Esses números são baseados em um levantamento por amostra da população e não dos registros hospitalares, daí a diferença. Ambas são metodologias válidas, e confirmam a mesma tendência. Continue reading “China: Consequências do Fim da Política de Filho Único”

O que define a Identidade Nacional

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The Economist (02/02/2017) informa que a ascensão do populismo na Europa e nos Estados Unidos revelou que os eleitores estão profundamente divididos sobre a imigração. Nacionalistas e populistas, de Donald Trump ao Partido da Independência do Reino Unido e a Alternativa para a Alemanha (AfD), proclamam que os governos devem dar prioridade para manter os estrangeiros fora de seus países. Mas fixar o que exatamente faz de alguém realmente um nacionalista ou um xenófobo é complicado. Isto porque, em parte, a identidade é baseada em uma mistura nebulosa dos valores, da língua, da história, da cultura e da cidadania.

Uma nova pesquisa do Pew Research Center, um think-tank, tenta desvendar a idéia de como alguém pode ser julgado ser genuinamente americano, britânico ou alemão. Perguntou aos entrevistados várias características – língua falada, costumes observados, religião e país de nascimento – e como elas eram importantes para ser um nacionalista de seu país. Continue reading “O que define a Identidade Nacional”

Mídia Norte-Americana e o Viés da Auto Validação

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Nos EUA, a “grande mídia” assume sem disfarce suas posições ideológicas. Aqui finge que é democrática, imparcial, neutra… Lá a expressão “liberal” caracteriza a esquerda democrata, aqui “neoliberal” louva o livre-mercado, mas defende protecionismo estatal para si, é politicamente conservador e adota o golpismo!

Segundo Amir Labaki (Valor, 20/01/17), “Trump foi eleito pelo brucutu branco, pelo machão desesperado diante do avanço no poder das fatias mais progressistas da sociedade americana”. É natural que o presidente republicado tenha se vangloriado da maior votação relativamente ao previsto que recebeu de mulheres, negros e latinos. Nem todos os eleitores de todos os segmentos possuem tirocínio político.

De fato, Trump recebeu 42% do voto feminino, 8 % do afro-americano e 28% do latino. Mas foi mesmo o macho branco pouco escolarizado (67% pró-Trump) que lhe deu a maioria de votos necessária para, mesmo perdendo no total dos eleitores, vencer nos Estados que lhe garantiram a vitória no ultrapassado Colégio Eleitoral. Sua eleição representa a vitória do rancoroso subempregado e do rico inescrupuloso, do “bully” da déli, mas, sobretudo, do caipira da América profunda.

Trump venceu em 80% do total de cidades, sendo superado no total pela vantagem aberta por Hillary nos centros urbanos de maior porte. Foi lá que colou a mensagem antiestablishment e antiglobalização (nacionalismo mais xenofobia) de Trump. Que a roda da de história — 4a. Revolução Industrial com robótica e automatização — inviabilize suas promessas de reindustrialização à antiga pouco importou. “O descompromisso de Trump, com as próprias palavras, eleito como em campanha, escuda-se em um vale-tudo retórico blindado pelo oportunismo reacionário”.

Shannon Bond (FT, 19/01/17) informa que a Fox News, que surfou a onda de interesse em Donald Trump no ano passado, domina a busca por notícias entre os simpatizantes conservadores do presidente eleito, segundo uma nova pesquisa do Pew Research Center. Quarenta por cento dos eleitores de Trump disseram à Pew que sintonizaram o canal de notícias a cabo pertencente à 21a Century Fox, de Rupert Murdoch, para assistir à cobertura eleitoral — muito à frente de qualquer outra fonte de notícias.

A Fox News teve uma relação tumultuada com Trump durante sua campanha presidencial. A Fox beneficiou-se da audiência recorde dos debates entre os candidatos e da transmissão de comícios e discursos de Trump que frequentemente transmitiu, mas Trump também entrou em confronto com Megyn Kelly, ex-estrela apresentadora da rede, insultando-a via Twitter e criticando-a em uma entrevista à CNN.

Em meio a uma proliferação de fontes de notícias — algumas com divulgações falsas sob a aparência de relatos legítimos [“pós-verdade”, sic] — e a ascensão da “Breitbart News“, de extrema direita, a Fox News continua a ser um pilar do conservadorismo americano. Essa tendência ficou evidenciada em pesquisa anterior da Pew sobre polarização política e hábitos de consumo de mídia. Em um relatório de 2014, a empresa de pesquisa descobriu que 47% daqueles que expressaram opiniões políticas “sistematicamente conservadoras” citaram a Fox News como sua principal fonte de notícias sobre o governo e a política.

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Familismo + Nacionalismo = Protecionismo X Globalização

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Martin Wolf (FT, 18/01/17) publicou mais um artigo cult, i.é, culto, bem-informado, analítico. Reproduzo-o abaixo.

A humanidade é tribal. Somos animais sociais e culturais. A cultura nos permite cooperar não apenas em círculos familiares como em comunidades imaginadas. De todas essas comunidades nada está mais perto de família do que “nação”, uma palavra que significa ascendência compartilhada.

Na capacidade de criar comunidades imaginadas está a vitalidade da humanidade e uma de suas maiores vulnerabilidades. A comunidade imaginada define o que as pessoas compartilham. Hoje, como no passado, os líderes fomentam o ressentimento nacionalista para justificar despotismo e guerras.

Durante grande parte da história humana, a guerra foi vista como a relação natural entre as sociedades. A vitória trazia pilhagem, poder e prestígio, pelo menos para as elites. Mobilizar recursos para guerras era um papel central dos Estados. Justificar tal mobilização era um papel central da cultura.

Existe outra maneira para alcançar a prosperidade: o comércio. O equilíbrio entre comércio e pilhagem é complexo. Ambos exigem instituições fortes apoiadas em culturas eficazes. Mas a guerra exige exércitos baseados em lealdade, ao passo que o comércio requer segurança, baseada em justiça.

[FNC: acrescento eu que o comerciante necessita ter empatia com o parceiro, ou seja, colocar-se em seu lugar, para elaborar a melhor proposta aceitável por ambos. Por isso, o capitalismo comercial significou um grande avanço em relação à Era Medieval, quando a riqueza de origem rural implicava na violência da conquista de territórios, matando ou escravizando “os inimigos”. A divisão de trabalho, inclusive entre regiões, que eleva a produtividade, substitui a violência pela cooperação com o parceiro comercial. A relação de inimizade é substituída pela relação de clientela.]

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