Desordem Global da Geopolítica Internacional

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Martin  Wolf (Financial Times apud Valor, 06/01/17) afirma que “não é verdade que a humanidade não consegue aprender com a história. Consegue e, no caso das lições do período sombrio entre 1914 e 1945, o Ocidente conseguiu. Mas ela parece ter esquecido essas lições. Estamos vivendo, mais uma vez, em uma era de gritante nacionalismo e xenofobia. As esperanças de um admirável mundo novo de progresso, harmonia e democracia, levantadas pela abertura dos mercados da década de 1980 e pelo colapso do comunismo soviético entre 1989 e 1991, transformaram-se em cinzas.

O que podemos esperar dos EUA, os criadores e fiadores da ordem liberal do pós-guerra, prestes a serem governados por um presidente que repudia as alianças permanentes, abraça o protecionismo e admira os déspotas?

O que esperar de uma combalida União Europeia (UE), que contempla a ascensão da “democracia não liberal” no Leste, o Brexit e a possibilidade de Marine Le Pen ser eleita presidente da França?

O que virá pela frente agora que a Rússia expansionista de Vladimir Putin exerce uma influência cada vez maior sobre o mundo, e que a China anunciou que o presidente Xi Jinping não é o primeiro entre iguais, e sim o “líder principal”?

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Estado de Bem-Estar Social X Capitalismo de Livre-Mercado

Dica para assistir no Netflix: o documentário mais recente do Michael Moore, O Invasor Americano (2015). O último que ele tinha lançado foi em 2009: Capitalismo – Uma História de Amor.

Com Where To Invade Next, o documentarista de Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 11 de Setembro (2004) compara a cultura de apreçamento dos Estados Unidos, onde tudo é precificado, para quem tem mais dinheiro poder usufruir melhores produtos e serviços, enquanto na Europa e em outros países — como na Tunísia — o combate à desigualdade social é visto como a prioridade. Pior, a ausência de um Estado de Bem-estar social nos EUA não só é defendida por políticos de seu país como por PhD colonizados culturalmente que voltam para seus Países de origem pregando o credo norte-americamo pró-livre-mercado.

Argumentam que, nos EUA, a carga tributária é menor. Porém, contabilizando-se tudo que se paga nos States e que na Europa é serviço público de acesso universal, com qualidade e gratuito, sai mais barato — e de modo menos injusto — viver neste continente.

Michael Moore sai em uma turnê mundial em busca de bons exemplos de avanços sociais e culturais para serem “confiscados” pela sua nação. Ele começa sua viagem pela Itália, país que tem uma das maiores expectativas de vida do mundo, e fica espantado com os direitos que garantem, praticamente, considerando os feriados, oito semanas de férias para os trabalhadores, duas horas de almoço, licença-maternidade, e um 13° salário! Os EUA não dispõe de nenhuma dessas conquistas sindicais que até o Brasil já incorporou! 

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Desemprego Tecnológico na 4a. Revolução Industrial nos EUA

 

Por Andrew Tangel e Patrick McGroarty (WSJ, 18 de Dezembro de 2016) informam que as fábricas já estavam voltando a operar nos Estados Unidos antes mesmo da promessa de revitalizar o setor industrial que ajudou a levar Donald Trump à presidência do país.

Mas os números de postos de trabalho que estão sendo verificados não são os mesmos do passado, uma realidade que tornará difícil para Trump — ou qualquer outra pessoa — impulsionar as taxas de emprego no coração industrial dos EUA, como ele prometeu. A tecnologia e a automação tornaram possível para as empresas manufatureiras funcionar, e mesmo prosperar, com menos empregados do que nunca antes.

A produção industrial do país está próxima dos níveis anteriores à recessão. Mas cerca de 1,5 milhão de empregos em fábricas — aproximadamente 20% dos postos perdidos durante a recessão — não retornaram. As indústrias empregaram 12,3 milhões de pessoas em novembro de 2016, bem abaixo dos 13,7 milhões registrados em dezembro de 2007, quando a recessão começou oficialmente.

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Efeito Trump sobre Câmbio, Inflação e Juros

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Chelsey Dulaney, Ben Eisen e Yantoultra Ngui (WSJ, 20 de Novembro de 2016) informam que o dólar continuou subindo fortemente desde a eleição de Trump, levando bancos centrais de países em desenvolvimento a tomar medidas para estabilizar suas próprias moedas e ameaçando criar turbulências para a já lenta recuperação da economia dos Estados Unidos.

A moeda americana se aproximou da paridade com o euro depois de avançar por dez dias seguidos, o período mais longo de altas em relação à moeda europeia desde que ela começou a circular, em 1999. O dólar também subiu em relação ao iene, atingindo sua maior cotação na moeda japonesa desde 30 de maio.

Os ganhos do dólar são ainda maiores ante muitas moedas de mercados emergentes, o que fez bancos centrais de vários países intervirem para conter a alta. Desde a eleição presidencial americana, em 8 de novembro, o dólar já saltou cerca de 12,4% em relação ao peso mexicano e 6,7% ante o real.

A alta do dólar torna os produtos importados e as viagens mais baratas para os consumidores dos EUA e poderia dar impulso às exportações do Japão e da Europa. Mas a tendência também está revivendo temores de que um dólar forte poderia prejudicar o lucro das empresas americanas e intensificar a fuga de capital do mundo em desenvolvimento, piorando as perspectivas de crescimento econômico. Continue reading “Efeito Trump sobre Câmbio, Inflação e Juros”

Há quatro meses, Michael Moore listava os motivos pelos quais Trump seria eleito

como-votaram-os-eleitores-nos-eua vitoria-de-trumpnovo-congresso-americano-2016Deu um trampo! No “país da piada pronta”, segundo o dicionário Aurélio, trampo é armadilha, ardil, trapaça, por extensão: fazer um trabalho pra descolar uma grana, tipo deu trump...

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O site Fórum (9 de novembro de 2016) informa que, em artigo publicado em julho deste ano no Huffington Post US, o cineasta, escritor e documentarista Michael Moore listou 5 razões pelas quais Donald Trump seria eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. Prevendo até a vitória de Trump em quatro estados do Meio-oeste, Moore contrariou as pesquisas e foi um dos poucos que acertou com tamanha precisão o resultado deste 9 de novembro de 2016. Para Moore, as pessoas que não acreditavam na vitória do empresário estavam “vivendo em uma bolha [online]”.

Confira abaixo o artigo na integra, traduzido pelo Huffington Post Brasil:

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Era da Virulência: Atentados Direitistas contra a Democracia

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Edward Luce (Financial Times apud Valor, 07/11/16) publicou uma longa reportagem intitulada Era da Virulência ameaça a Democracia. Edito-a abaixo, destacando as passagens mais universais. Antes, lembro que virulência significa “qualidade ou estado do que é ou está virulento”. Refere-se à capacidade de um vírus ou bactéria de se multiplicar dentro de um organismo, provocando doença, adquirindo o sentido figurativo do caráter daquilo ou daquele que está carregado de violência ou de ímpeto violento.

Agressões verbais cotidianas na rede social são acobertadas por serem postadas sem o nome ou a assinatura do criador. Aparentemente sem autoria  daquele que não revela o seu nome, revela a covardia do autor que não assina a sua obra com seu próprio nome, adotando substituinte. Quando assina, é porque ele é obscuro, desconhecido, não tem nome ou renome, ou seja, nem reputação profissional a zelar.

Não dimensionando o mal que fazem a si e aos outros, faz horríveis postagens no Twitter ou no feicebuque (sic). Tem a clara intenção de insultar todas as vítimas de sua “caça às bruxas”. Quando tuíta, usando seu nome real, ele se exulta com a indignação criada.

A provocação é a meta da assim chamada “direita alternativa” (“alt-right“), o universo amorfo de grupos de extrema direita que floresceram na Era de Donald Trump. Os memes são suas armas. A notoriedade é seu oxigênio. O último período de um ou dois anos marca o auge de seu divertimento. “Independentemente do que acontecer, serei profundamente grato a Trump pelo resto da minha vida”, diz o fulano direitista.

À semelhança de outras eleições na Era da Rede Social, esta parece ser a eleição presidencial americana mais furiosa de todos os tempos. A história poderá vir a recordar 2016 como:

  1. o ano em que os EUA finalmente escolheram uma mulher para comandá-los, ou
  2. o ano em que a ordem global americana do pós-guerra começou a ruir.

Outros o relembrarão como o ano da eleição em que um outsider truculento — ainda por cima um astro de reality show da TV — furou o cerco e mudou as regras do jogo político nos EUA.

[FNC: Nestas eleições norte-americanas, assim como no processo do golpe parlamentarista no Brasil, “o cimento do respeito mútuo”, que é tão vital a qualquer sociedade livre, se quebrou ao sabor dos conflitos ideológicos. Com a predominância deles, a população se afasta da ideologia democrática que produz a coesão nacional e a convivência civilizada de polos antagônicos.]

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Volta da Velha Matriz Neoliberal versus Redução da Extrema Pobreza na América Latina

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Juliano Basile (Valor, 18/10/16) informa que o ritmo de redução da pobreza está mais lento na América Latina desde 2012, segundo o Banco Mundial. A instituição verificou que, entre 2000 e 2014, a quantidade de pessoas vivendo com menos de US$ 2,50 por dia, o que equivale a extrema pobreza, diminuiu de 25,5% para 10,8%. Porém, nos últimos quatro anos, a desaceleração econômica em vários países da região, como o Brasil, resultou em um ritmo “muito mais lento” na taxa de redução da pobreza.

“Ao mesmo tempo, a desigualdade teve uma ligeira redução, embora ainda se mantenha em um patamar elevado”, verificou o Banco Mundial em relatório divulgado no dia 17/10/16, em Washington.

No documento, a instituição apontou que houve avanços na educação, como o aumento de matrículas escolares, e na expansão da prestação de serviços de eletricidade para as pessoas mais necessitadas. Por outro lado, a atual desaceleração econômica interrompeu a expansão da classe média.

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