Queda da Indústria Brasileira no Atual Contexto Mundial Benigno

Confira, no ranking mundial, a queda de PIB baseado em PPC do Brasil com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Em 2005, durante o Governo Lula, a indústria brasileira era 2,9% da mundial; em 2016, sua representatividade caiu para 1,8%. Enquanto isso, a China e a Índia, utilizando-se da alavancagem financeira propiciada por seus bancos públicos, elevam seus PIBs. A China ultrapassou os EUA em 2014.

Confirme abaixo a importância de líderes como Lula, Obama e Merkel para seus países adotarem estratégia desenvolvimentista e compare com o quadro depressivo atual em função do golpe de Estado “semi-parlamentarista”.

 

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Baixa Taxa de Natalidade: Demografia X Economia

Raine Tiessalo (Valor, 25/09/17) afirma que “você sabe que você tem um problema quando mesmo as melhores cabeças não têm uma solução”. A Finlândia, um lugar excelente para ser mãe, registrou o menor número de recém nascidos em quase 150 anos. A taxa de natalidade vem caindo de forma constante desde o início da década, e há pouca coisa que sugira uma reversão da tendência.

Demografia é uma preocupação em todo o mundo desenvolvido, isso já sabemos. Mas é particularmente problemático para países com um generoso Estado de bem-estar, uma vez que coloca em risco sua sobrevivência de longo prazo.

A estatística é “assustadora”. Ela mostra a rapidez com que nossa sociedade está mudando e não temos soluções prontas para deter o fenômeno. Tem um grande setor público e o sistema precisa de contribuintes futuros no regime de repartição, quando ativos cobrem inativos.

Para isso, a taxa de fertilidade precisaria ser igual a dois filhos por mulher. As projeções apontavam para 1,57 em 2016, segundo a Statistics Finland. [A do Brasil já está abaixo desse nível, mas é a quinta maior população no mundo.]

Esse é um nível surpreendentemente baixo, em vista dos esforços do Estado para incentivar a geração de filhos. Continue reading “Baixa Taxa de Natalidade: Demografia X Economia”

Inflação Baixa: Armadilha da Liquidez ou Lei de Say?

Economistas neoclássicos/pré-keynesianos defendem a Ley de Say: a canalização exata de poupança para investimento propicia o equilíbrio entre demanda e oferta agregada. Na realidade, o sistema bancário não adota esse comportamento hipotético. Porém,  quando a taxa de inflação está baixa, os ultraliberais juram que é uma prova (ex-post) do acerto dessa sua previsão!

Economistas keynesianos retrucam que essa coincidência nivela por baixo e coloca a economia na “santa paz dos cemitérios”. Que “equilíbrio” é este, só visto pelos neoliberais, com desempregados procurando empregos sem os achar?!

Ora, o mundo está em plena armadilha da liquidez. Esta é a preferência pela liquidez generalizada que só ocorre durante uma Grande Depressão — e não é permanente como advogam economistas pós-keynesianos.

Segundo Sérgio Lamucci (Valor, 15/09/17) o economista argentino Guillermo Calvo avalia que, no mundo rico, a inflação permanece baixa mesmo com o crescimento um pouco mais forte da economia porque a grande quantidade de dinheiro em circulação não tem sido efetivamente canalizada para o crédito.

Professor da Universidade Columbia, em Nova York, Calvo diz que os bancos não estão dispostos a emprestar como antes da crise financeira global, que se intensificou depois do colapso do Lehman Brothers, em setembro de 2008. No caso dos EUA, a regulação mais rigorosa do setor financeiro também tornou mais difícil a concessão de empréstimos, afirma ele, numa referência à chamada lei Dodd-Frank.

“Nós estamos num tipo de regime de armadilha de liquidez, em que a liquidez está presa no setor bancário”, afirma ele. “Há muito dinheiro em circulação, eu concordo, mas esse dinheiro não se traduz em instrumentos de crédito.”

Nas atuais circunstâncias, a recuperação em curso no mundo rico levaria a uma alta de preços se houvesse a expectativa de aumento muito agressivo da oferta de dinheiro na economia, segundo Calvo. Não é isso, contudo, o que está ocorrendo. Continue reading “Inflação Baixa: Armadilha da Liquidez ou Lei de Say?”

Adeus ao Proletariado e à Socialdemocracia Alemã

Guy Chazan (Valor, 22/08/17) informa que os operários da região industrial do Vale do Ruhr sempre votaram nos social-democratas. Mas até agora têm dúvidas em relação ao partido que apoiaram a vida inteira, pois o SPD é bem menos ‘social’ hoje do que já foi.

A apenas seis semanas das eleições para o Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento alemão, as apreensões de operários eleitores da centro-esquerda estão transformando a política no país. Durante décadas, o SPD foi o partido natural da classe trabalhadora. Isso vem mudando.

Apoiado por gerações de mineiros e metalúrgicos leais, o SPD dominou a política local de regiões industriais, como o Vale do Ruhr, por décadas. Mas um número crescente de operários vem voltando as costas para o partido.

Alguns pararam completamente de votar, enquanto outros agora apoiam o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha, o AfD. Esse desencanto terá um impacto profundo nas eleições do mês que vem, nas quais o líder do SPD, Martin Schulz, espera derrotar Angela Merkel, a premiê de longa data da Alemanha, e introduzir um novo governo de esquerda.

Mas suas chances estão cada vez menores: uma pesquisa recente de intenção de voto coloca o SPD, hoje parceiro menor da coalizão de governo liderada pelo Partido Democrata Cristão (CDU), em 25%, 12 pontos atrás do bloco CDU/CSU de Merkel. Continue reading “Adeus ao Proletariado e à Socialdemocracia Alemã”

Crescimento Sincronizado na OCDE

Josh Zumbrun (Valor, 25/08/17) informa que, pela primeira vez em dez anos, as maiores economias do mundo estão crescendo em sincronia, resultado dos prolongados estímulos proporcionados pelas baixas taxas de juros dos bancos centrais e do gradual diminuição das crises que reverberaram pelo planeta nos últimos anos, desde os EUA e a Grécia até o Brasil.

Todos os 45 países acompanhados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estão no rumo para crescer neste ano, sendo que 33 deles deverão acelerar-se em comparação a 2016, segundo o grupo. É a primeira vez desde 2007 que todos estão em expansão e é o maior número de países em aceleração desde 2010, quando muitos vivenciaram uma recuperação passageira da crise financeira global.

Em julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava uma expansão de 3,5% da produção econômica global neste ano e de 3,6% em 2018 – de 3,2% em 2016.

Nos últimos 50 anos, foi raro ver um crescimento simultâneo em todos os países acompanhados pela OCDE. Além da década passada, isso aconteceu apenas no fim dos anos 80 e, por poucos anos, antes da crise do petróleo de 1973. Continue reading “Crescimento Sincronizado na OCDE”

Novo Socialismo dos Tolos: Antiglobalização

J. Bradford DeLong, ex-vice-secretário assistente do Tesouro dos EUA, é professor de Economia da Universidade da Califórnia, campus de Berkeley, e pesquisador adjunto da Agência Nacional de Pesquisa Econômica. Reproduzo abaixo seu artigo (Valor, 08/08/17) em que defende a globalização com argumentos inteligentes, portanto, diferentes neoliberais.

“De acordo com a teoria econômica tradicional, a globalização tende a
beneficiar as empresas e pessoas físicas em todos os níveis e tem pouco efeito sobre a distribuição de renda como um todo. Mas “globalização” não é sinônimo de eliminação de tarifas e de outras barreiras sobre as importações que proporcionam vantagens a produtores domésticos politicamente influentes em busca de rentabilidade.

Como costuma destacar o economista Dani Rodrik, da Universidade de Harvard, a teoria econômica prevê que a eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias produz, efetivamente, ganhos líquidos, mas também resulta em grandes redistribuições, motivo pelo qual eliminar barreiras menores rende redistribuições maiores em relação aos ganhos líquidos.

A globalização, para os nossos fins, é diferente. Deve ser entendida como um processo pelo qual o mundo se torna cada vez mais interconectado por meio de avanços tecnológicos que reduzem os custos com transporte e telecomunicações. Essa forma de globalização, com certeza, permite que os produtores externos exportem produtos e serviços para mercados distantes a um custo mais baixo. Mas também abre os mercados de exportação e reduz os custos para o outro lado. E, no final, os consumidores obtêm mais por menos. Continue reading “Novo Socialismo dos Tolos: Antiglobalização”

Para Entender a Guerra da Síria

Sociólogo, advogado, cientista político e diplomata, Paulo Sérgio Pinheiro tem no currículo uma trajetória de contribuições pela Organização das Nações Unidas (ONU) em regiões de conflito pelo mundo. Desde 2011, na condição de comissário que investiga violações de direitos humanos na Síria, está encarregado de preparar relatórios sobre a situação local, cuja guerra civil completará sete anos no primeiro semestre de 2018. Eu o conheci como professor do IFCH-UNICAMP, quando fiz o mestrado lá, onde se situava o DEPE, em 1975-1976.

Aos 73 anos, Pinheiro fala com a experiência de quem testemunhou de perto os horrores de outros massacres em regiões conflituosas. Entre 1995 e 1998 foi relator especial da ONU para o Burundi, na África, mesma função que desempenhou entre 2000 e 2008 em Myanmar, no Sudeste Asiático. Antes da Síria, ainda elaborou um relatório sobre a violência contra crianças no planeta em um trabalho que lhe permitiu visitar mais de 50 países em três anos.

A guerra civil na Síria, porém, tem particularidades que a diferenciam das demais, como ressalta o diplomata ao lembrar que o conflito extrapola as fronteiras territoriais e os interesses de potências regionais e internacionais. A divisão entre cinco países membros do Conselho de Segurança sobre Damasco, alerta, favoreceu a escalada militar e a radicalização, com o fortalecimento de organizações terroristas, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

“Trata-se de uma guerra movida pelos interesses das partes em conflito e dos países que apoiam os grupos rebeldes ou o governo de Bashar al-Assad. Os interesses da população síria não são levados em conta”, diz o diplomata que apresentará em setembro um novo relatório sobre violações contra minorias religiosas, uso de armas químicas pelo governo e o impacto dos ataques aéreos da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos.

Mesmo assim, Pinheiro se diz “cautelosamente otimista”. A paz, afirma, virá por etapas e uma nova janela de oportunidade se abriu com cessar fogo intermediado pela ONU com os EUA, a Rússia e Jordânia no sul da Síria, além do acordo de Astana, no Cazaquistão, que pode resultar na suspensão dos ataques aéreos em outras regiões do país. Fernando Taquari (Valor, 10/08/17) o entrevistou. Resumo a entrevista em seguida. Continue reading “Para Entender a Guerra da Síria”