Raízes Morais dos Liberais e dos Conservadores

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Jonathan Haidt em Palestra TED realizada em 2008, The moral roots of liberals and conservatives, disse o seguinte em 18 minutos.

Todos temos os mesmos estereótipos políticos. É um fato liberais apresentarem muito mais se comparados aos conservadores um traço de personalidade chamado de abertura à experiência. Pessoas abertas à experiência apreciam a novidade, variedade, diversidade, novas ideias, viagens. Pessoas ao contrário gostam de coisas familiares, seguras e confiáveis.

Se você conhece este traço, você é capaz de entender vários quebra-cabeças sobre o comportamento humano. Você é capaz de entender porque artistas são tão diferentes de contadores. Você pode prever que tipo de livros eles vão ler, para que tipo de lugares gostam de viajar, e que tipo de comidas gostam de comer.

Este traço também nos diz muito sobre política. O principal pesquisador deste traço, Robert McCrae diz que, “Indivíduos abertos tem uma afinidade por pontos de vista liberais, progressistas, de esquerda” — eles gostam de uma sociedade que está aberta e mudando — “enquanto indivíduos fechados preferem pontos de vista conservadores, tradicionais, de direita.”

Este traço também nos diz muito sobre o tipo de grupos dos quais as pessoas participam. Então aqui está a descrição de um grupo achado na Web. Que tipo de gente participaria de uma comunidade global à qual são bem-vindas pessoas de todas as disciplinas e culturas, que buscam um maior entendimento do mundo, e que esperam transformar este entendimento num futuro melhor para todos nós? Isto é de um cara chamado TED. (Risadas). Continuar a ler

Há cura para a divisão política entre discursos de ódio?

Chris Anderson: o mundo está de uma forma como não víamos há muito tempo. As pessoas não discordam mais da forma que estávamos habituados, divididos entre esquerda e direita. Diferenças bem mais profundas estão em andamento. O que está acontecendo, e como chegamos a este ponto?

Jonathan Haidt: Há hoje um sentimento muito mais apocalíptico. A pesquisa feita pela Pew Research mostra o grau de sentimento a respeito do outro lado não é só… nós não é só não gostarmos deles. Nós não gostamos de muito deles e achamos eles serem uma ameaça para a nação.

Esses números têm crescido cada vez mais, e estão em mais de 50% agora, em ambos os lados. As pessoas estão com medo, pois isso parece ser diferente da tolerância e convivência pacífica. É muito mais intenso.

Quando olho qualquer tipo de quebra-cabeça social, aplico os três princípios básicos de Psicologia Moral. Eles vão nos ajudar aqui.

A primeira coisa a sempre termos em mente, quando pensamos em política, é: somos tribais. Evoluímos através do tribalismo. Uma das maiores e mais simples descobertas sobre a natureza social humana é o provérbio beduíno: “Eu contra meu irmão; eu e meu irmão contra nosso primo; eu, meu irmão e meus primos contra o estranho”.

Esse tribalismo nos permitiu criar grandes sociedades e nos unirmos para competir com outros. Isso nos tirou da selva e dos pequenos grupos, mas significa também estarmos em um eterno conflito.

A questão a considerar é: quais aspectos da nossa sociedade tornam isso mais difícil, e quais acalmam esse conflito?

Isso está incutido nos circuitos mentais das pessoas, em certo nível. Isso é só um aspecto básico do conhecimento social humano. Mas também podemos conviver de forma muito pacífica, e inventamos várias formas divertidas de, digamos, “brincar de guerra”. Esportes, política, todos são formas de exercitarmos essa natureza tribal sem realmente ferir ninguém.

Também somos muito bons em negociar, em explorar e em encontrar novas pessoas. O comércio exigiu empatia e paz.

Então, nosso tribalismo como algo que tem altos e baixos: não estamos fadados a estar sempre lutando uns com os outros, mas nunca teremos a paz mundial. Continuar a ler

Chris Anderson entrevista Yuval Noah Harari

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Chris Anderson: Bem, estamos em Nova York para o primeiro de uma série de Diálogos TED, com Yuval Harari. Há um público no Facebook Live assistindo. Vamos iniciar as suas perguntas e as das pessoas no auditório.

Se você argumentar “precisamos passar pelo nacionalismo por causa da vinda do perigo tecnológico”, devido a muito do que está acontecendo, temos de ter uma conversa global sobre isso. É difícil conseguir as pessoas realmente acreditarem a IA (Inteligência Artificial) ser mesmo uma ameaça iminente. Pelo menos algumas pessoas se importam muito mais agora com a mudança climática e outras questões como os refugiados, as armas nucleares, e assim por diante. De alguma forma, essas questões precisam ser tratadas? Você falou sobre a mudança climática, mas Trump disse não acreditar nisso. Então, de certa forma, seu argumento mais poderoso, não pode ser usado neste caso.

Yuval Noah Harari: A mudança climática, à primeira vista, é bastante surpreendente haver uma correlação muito estreita entre nacionalismo e mudanças climáticas. Quase sempre, quem nega mudanças climáticas é nacionalista. À primeira vista, você pensa: Por quê? Qual é a conexão? Por que não temos socialistas negando mudanças climáticas? Mas quando pensamos nisso, fica óbvio: porque o nacionalismo não tem uma solução para as mudanças climáticas.

Se você quer ser um nacionalista, no século 21, você nega o problema. Se aceitar a realidade do problema, então você deve aceitar, sim, ainda há espaço no mundo para o patriotismo, ainda há espaço no mundo para lealdades especiais e obrigações para com seu próprio povo, e para com seu próprio país. Ninguém realmente está pensando em abolir isso. Mas, para enfrentar a mudança climática, precisamos de lealdades e compromissos adicionais em um nível além da Nação. Isso não deve ser impossível, porque as pessoas podem ter várias camadas de lealdade. Você pode ser leal à sua família, à sua comunidade, e ao seu país, então, por que você não pode também ser leal à humanidade como um todo? É claro, há ocasiões quando fica difícil o que colocar em primeiro lugar, mas a vida é difícil. Lide com isso. (Risos)

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Yuval Noah Harari: Nacionalismo versus Globalismo – Nova Divisão Política

Obs.: Legenda em português (BR) nas configurações à direita.

Chris Anderson, curador das Palestras TED, entrevista Yuval Noah Harari nos chamados Diálogos TED. É o primeiro de uma série a ser feita em resposta à agitação política atual. É motivo de muita preocupação a crescente divisão neste país e no mundo. Ninguém está ouvindo o outro, não é? Não estão.

Precisamos de um tipo diferente de conversa, baseada na razão, na escuta e na compreensão em um contexto mais amplo. Isso é o objetivo destes Diálogos TED.

Não poderíamos ter ninguém melhor hoje para esse início senão o autor do livro “Sapiens“. Ele conta a história da humanidade através de grandes ideias de modo a fazer você pensar de forma diferente. A continuação é o livro “Homo Deus“. Esta é a história dos próximos 100 anos. É extremamente dramática e muito alarmante para algumas pessoas. É uma leitura obrigatória.

Honestamente, não poderíamos ter ninguém melhor para ajudar a esclarecer o que está acontecendo no mundo agora.

Yuval, estamos em New York City, 2017, há um novo presidente no poder, e ondas de choque agitando o mundo todo. O que está acontecendo?

YNH: Basicamente, o que aconteceu é termos perdido a nossa história. Os seres humanos pensam em histórias, e tentamos entender o mundo, contando histórias. E nas últimas décadas, tivemos uma história muito simples e atraente sobre o que está acontecendo no mundo.

Essa história disse: o que está acontecendo é a economia estar sendo globalizada, a política estar sendo liberalizada, e a combinação dos dois criaria o paraíso na Terra! Só precisamos continuar globalizando a economia e a liberalizando o sistema político, e tudo seria maravilhoso.

Então, em 2016, um segmento muito grande, inclusive do mundo ocidental, deixou de acreditar nessa história. Por boas ou más razões, não importa. As pessoas pararam de acreditar na história. Quando você não tem uma história, não entende o que está acontecendo. Continuar a ler

Nova Direita Conservadora X Pensamento Politicamente Correto

Laura Greenhalgh (Valor, 15/02/19) escreveu longa reportagem sobre a nova direita — com o velho conservadorismo. O “espantalho” é o pensamento politicamente correto.

“Era o Carnaval de 1942. O jornalista e compositor David Nasser, então com 25 anos, cujo estilo irreverente já se fazia notar no Rio, lançou “Nêga do Cabelo Duro”, sucesso do grupo vocal Anjos do Inferno. Os temas capilares estiveram em alta nas marchinhas daquele ano: foi também a temporada de “Nós, os Carecas” e de “Os Cabeleiras”. Em samba com cadência marcada, Nasser e o parceiro Rubens Soares indagavam qual era o pente usado por uma mulher negra, cuja “misampli a ferro e fogo não desmancha nem na areia”. Outros artistas vieram a gravar a música, inclusive Elis Regina, numa interpretação memorável em que esses versos não aparecem.

Ao que se saiba, David Nasser foi tido como um atrevido rabo de saia naquele momento. Fosse hoje, não escaparia de uma condenação “politicamente correta”. Talvez o compositor tentasse se proteger das acusações de racismo valendo-se das promessas do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que, em discurso de posse no Palácio do Planalto, celebrou “o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

Quem sabe a fala presidencial o ajudasse a driblar reações, e seguramente processos, em torno de um samba que parece vestir a fantasia carnavalesca da discriminação? Se Nasser teria êxito nessa linha de defesa hoje, eis uma outra história. Continuar a ler

Assimetria da Política Monetária: Juros Altos derrubam Economia, Juros Baixos não expandem Economia

Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT. Publicou artigo (FT, 13/03/19) sobre o esgotamento da política monetária.

“Por que as taxas de juros estão tão baixas?

Será que a hipótese da “estagnação secular” ajuda a explicar isso?

Qual é a implicação de taxas de juros tão baixas sobre a provável eficácia da política monetária durante uma nova recessão?

Que outras políticas poderiam ser necessárias experimentar, como alternativa à política monetária ou como uma maneira de elevar sua eficácia?

Essas são as perguntas de macroeconomia mais importantes. São também muito polêmicas.

Recente estudo de Lukasz Rachel e Lawrence Summers joga luz sobre essas interrogações. Seu ponto principal é respaldar e desenvolver a hipótese da “estagnação secular”, revitalizada pelo professor Summers em 2015 como relevante para a nossa era. A mais relevante inovação desse estudo é tratar as grandes economias avançadas como um bloco único. Seguem- se quatro de suas conclusões. Continuar a ler

Socialismo X Populismo

Alexandria Ocasio­Cortez, a linda latina ex-garçonete de bar do Bronx, de 29 anos, saiu do zero para ser identificada pela onipresente sigla AOC, o que diz muito sobre o apetite por mudanças nos EUA. Ela é hoje a figura mais influente na política dos EUA, depois de Donald Trump.

Bertrand Badie diz: “pela primeira vez na história do mundo, um fenômeno político atinge ao mesmo tempo países tão diferentes quanto Estados Unidos, os da Europa Ocidental, o Brasil, a Turquia, muitos países do Norte, do Sul, do Leste e Oeste. É uma coisa única, um fenômeno quase universal.

Estamos na quarta etapa do populismo: a história do mundo é ritmada por sequências populistas, a primeira no fim do século XIX, a segunda entre as duas guerras, a terceira em alguns países do Sul depois da Segunda Guerra Mundial [1939-1945], e agora estamos na quarta fase, ou seja, tem também um elemento histórico.

O populismo traz uma contradição extremamente forte com a globalização — populismo e globalização são como a água e o fogo, uma contradição que pode prejudicar a globalização e levar o populismo a um impasse, ou seja, a uma incapacidade de gerir a política.

Os populismos trazem junto o crescimento do nacionalismo e da extrema-­direita ao redor do mundo. A esquerda não soube oferecer uma perspectiva moderna sobre a globalização. Então, todo o debate foi levado entre uma direita globalizada e liberal versus uma direita nacionalista e hostil à globalização. A esquerda, quase em todos os lugares do mundo, ficou fora da corrida. Continuar a ler