Democracia Gratuita ou Campo de Concentração Bancário (por V. Katasonov)

No Cash Accepted

“Alguns eventos interessantes ocorreram na Escandinávia. O Governo dinamarquês propôs a isentar certas lojas da obrigação de aceitar pagamentos em dinheiro em um movimento visto como um passo em direção a uma economia isenta de dinheiro [FNC: sem dinheiro em papel-moeda, pois não existe nenhuma “economia de mercado isenta de dinheiro”, no caso, registros eletrônicos de depósitos à vista em bancos].

‘As lojas como vendedores de roupas, serviços e restaurantes, eventualmente, não terão mais a obrigação de aceitar o dinheiro em espécie no próximo ano’, disse o governo dinamarquês em 6 de maio de 2015. O movimento é parte de um pacote pré-eleitoral de medidas favoráveis ​​para o crescimento econômico, para reduzir custos e aumentar a produtividade do negócio.

Muitas lojas na Suécia já não aceitam papel-moeda, mas apenas cartões de débito ou de crédito. Agora, um cliente com os bolsos cheios de notas da moeda oficial pode deixar uma loja sueca ou dinamarquesa de mãos vazias!

Não é nenhum segredo que, em muitos países, o dinheiro em espécie perde o seu papel como meio de pagamento. Os montantes de dinheiro são de 10% nos países desenvolvidos e respondem por 15% das transações em países em desenvolvimento. É maior em alguns outros países. Na Arménia, é superior a 40%.

Os bancos e os governos promovem o processo. Em alguns países, há ativistas sociais que se converteram em defensores da ideia de cancelar completamente os pagamentos em dinheiro não eletrônico.

Aqueles que querem que o “dinheiro-vivo” torne-se uma coisa do passado argumentam como se segue. Eles dizem que a transição para pagamentos sem moeda física vai eliminar muitos males sociais, tais como o tráfico de drogas, o terrorismo, a escravidão, corrupção, etc. De fato, os pagamentos em “dinheiro sujo”, permitem aos criminosos esconderem sua identidade. Baseiam-se na economia paralela com fins de evasão fiscal.

A moeda física é complicada de ser emitida, circular e ser destruída. A ecologia sofre, pois a dioxina tóxica é produzida quando as notas são queimadas.

Argumenta-se também que a falta de pagamentos em dinheiro vai beneficiar o povo. Suas mãos não estarão tocando bilhetes infectados micróbios, não haverá risco de furto ou roubo, as pessoas gastarão menos tempo nas lojas. A lista de possíveis benefícios continua. (…)

Muitos países ocidentais estão adotando leis para, direta ou indiretamente reduzir o dinheiro em circulação. Eles tentam impor limites sobre os pagamentos em dinheiro. Por exemplo, atualmente, a soma de pagamento em espécie na Espanha e na França não pode exceder 3000 euros. [FNC: No Brasil, saque no caixa de bancos de mais de R$ 10.000 em papel-moeda tem de se justificar por escrito e assinar.] O governo francês afirma que pretende reduzir para 1.000 euros, como é na Itália.

Todos os pagamentos em dinheiro são regulados pelo governo. Um cidadão francês não pode gastar mais do que 3000 euros em dinheiro-vivo em uma semana. Você não pode retirar mais de 10.000 euros em sua conta bancária sem atrair a atenção dos órgãos de aplicação da lei. Montante superior a 1000 euros não podem ser convertidos em moeda estrangeira. Tais operações são estritamente reguladas pelo governo. Este é o exemplo de “democracia monetária” no país que proclamou em 1789 que a liberdade era sagrada…

Os bancos dão sua contribuição para este processo. Alguns simplesmente se recusam a aceitar dinheiro. Outros estabelecem taxas elevadas de transferências de dinheiro. Por exemplo, em abril de 2015, o Chase, maior banco nos Estados Unidos, e uma subsidiária da JP Morgan Chase & Co., juntaram-se à guerra contra o dinheiro. A nova política restringe a capacidade dos mutuários para usar o dinheiro para fazer pagamentos em seus cartões de crédito, hipotecas, linhas de crédito e financiamento de veículos. A perseguição vai a ponto mesmo de proibir o armazenamento de dinheiro em seus cofres!

Em uma carta aos clientes, datada de 01 de abril de 2015, que necessitam lidar com a atualização dos regulamentos dos cofres de locação, um dos pontos destaca precisamente: “Você concorda em não depositar dinheiro ou outras moedas senão aquelas com um valor de recolhimento compulsório”. O cliente poderá manter lá sua arma de fogo, mas não dinheiro, por favor!

O processo incluiu o transporte público. Uma pessoa que quer pagar em sua moeda oficial uma tarifa de ônibus não pode mais fazê-lo. Ela tem a escolha entre comprar uma subscrição com cartão-eletrônico [“bilhete-único”] ou pagar uma só passagem por SMS.

Na Alemanha, Peter Bofinger, economista conhecido, está em campanha para a abolição do dinheiro. Se a sociedade sem dinheiro [em espécie] está se tornando uma realidade, os mercados de trabalho informal e de drogas poderão ser drenados. Além disso, será mais fácil para os bancos centrais de impor suas políticas monetárias.

A ideia de uma sociedade sem dinheiro [em espécie] é muito popular na Suécia. A abolição do dinheiro é considerada uma contribuição para o êxito da luta contra o tráfico de drogas, crime, terrorismo, etc. Bjorn Ulvaeus, o chefe do ABBA – o grupo que era uma lenda da música pop nos anos 1970-1980 – é um forte defensor da ideia. O autor detentor do direito autoral sobre Money, Money, Money anunciou há dois anos uma campanha contra dinheiro. Em seguida, o museu ABBA em Estocolmo não iria vender bilhetes com pagamento em espécie. Aceitam-se os cartões inteligentes e smartphones hoje, e talvez eles vão inventar outra coisa amanhã…

São imensas as quantidades de coisas para pagamento eletrônico que estão sendo inventadas hoje. Suécia não é exceção. Este é o país do sistema de pagamento digital, basta digitalizar a palma de sua mão. Um estudante de engenharia na Universidade de Lund, na Suécia ajudou, dando à luz a primeira empresa – Quixter – conhecida no mundo para instalar a técnica de varredura das veias nas lojas e cafés. Ele não perdeu tempo em filas…

Os pagamentos em dinheiro-vivo se tornam escassos em quase todos os países. Cerca de 80% das operações nos EUA estão sendo realizadas sem dinheiro em espécie e O Mercado continua a se livrar de notas bancárias e moedas. O Conselho de Pagamentos do Reino Unido informou, recentemente, que o número de transações virtuais excede o número de pagamentos em dinheiro.

Dinamarca, Noruega e Finlândia lideram o processo. Os cartões de plástico são técnicas mais avançadas para pagar.

Na Dinamarca, um dinamarquês em três ja usa um sistema de pagamentos com celular, denominado MobilePay. A aplicação permite-lhe enviar e receber dinheiro via iPhone, Android e Windows Phone. O serviço é aberto aos clientes da Danske Bank e também para aqueles que não são. O usuário transfere dinheiro selecionando o número do celular da pessoa que está a receber o pagamento.

Na Suécia, o dinheiro é utilizado apenas em 3% das transações. Em comparação, esse índice é três vezes maior na Europa. O dinheiro aparece em 7% das transações nos Estados Unidos. O campeão é a Coréia do Sul, com transações em dinheiro-vivo só em 2% do total, de acordo com o Relatório Mundial sobre Pagamentos.

Os suecos gostam de recordar que o país inventou os bilhetes chamados de papel-moeda. Em 1661, o Banco Estocolmo sueco emitiu as primeiras notas para compensar uma escassez de moedas de prata. Agora, a Suécia está tornando-se um país pioneiro na Europa para finalmente abolir dinheiro.

Não há razão para acreditar que, de fato, os especialistas detentores de moeda (banqueiros) proporcionam incentivos para acelerar o processo ao fazer o seu melhor para esconder suas atividades. O que eles querem fazer com isso? Bem, talvez eles tenham objetivos diferentes dos da sociedade.

Em primeiro lugar, desde os anos 1970, as taxas de juros de ativos (empréstimos) e passivos (depósitos) diminuíram gradualmente. Juros negativos surgiram após a crise de 2007-2009. A tendência é não incentivar as pessoas a sacar seu dinheiro em espécie dos depósitos à vista em bancos. O dinheiro eletrônico é preferível. Com 100% das transações virtuais, os clientes nunca vão deixar os bancos.

[FNC: isto já é fato histórico, não haverá regressão. O ponto relevante é que o multiplicador monetário – a capacidade do sistema bancário criar moeda – com todo o dinheiro em forma eletrônica, ou seja, sem saque de papel-moeda, expande-se enormemente, aumentando o poder bancário de comando de decisões cruciais ao menor custo de transações eletrônicas. Isto se não houver regulamentação e/ou fiscalização da Autoridade Monetária.]

Em segundo lugar, o “dinheiro sem dinheiro” não vem por magia. Formas de pagamento vêm de moedas emitidas [por Casas-da-Moeda] por ordem dos bancos centrais. Clientes recorrem a dinheiro-real para os depósitos e os banqueiros convertem algumas linhas em moeda nacional (para cada dólar, libra, etc.) em créditos para contas correntes [que é dinheiro do banco, NDT].

[FNC: o relevante, para a manutenção da moeda oficial, é o Banco Central obrigar o recolhimento compulsório em espécie, isto é, “transportado por carros-fortes ao seu cofre-forte”, impondo certo limite para o multiplicador monetário.]

É uma falsificação, em grande escala, que está em vigor desde o século XIX. Isso só mostra que, em tempos de crise financeira, quando os clientes correm em massa [corrida bancária, NDT] para exigir o saque de seus depósitos à vista, os bancos entram em um impasse. Livros de Economia chamam isso de “garantias bancárias incompletas”. Quanto menos dinheiro estiver em circulação, mais oportunidades que os bancos [em conjunto] têm de “fazer dinheiro a partir do nada” [crédito ex nihilo].

[FNC: ex nihilo nihil fit é uma expressão latina que significa nada surge do nada. É uma expressão que indica um princípio metafísico segundo o qual o ser não pode começar a existir a partir do nada. Exceto o crédito bancário que pode alavancar n vezes o capital próprio…]

Em terceiro lugar, os detentores de moeda (principais bancos do mundo e todos os acionistas do Sistema da Reserva Federal dos Estados Unidos) pensam que o seu principal objetivo é alcançar o poder mundial absoluto. A transição para transações sem dinheiro significa construir um campo de concentração mundial supervisionados pelos banqueiros.

Todas as transações serão monitoradas eletronicamente. Comportamentos e até mesmo pensamentos dos titulares de contas virtuais estarão sob controle. Em caso de discrepâncias, as contas serão bloqueadas. Na prática, será uma sentença de morte. O dinheiro livre mundo 100% será transformado em um campo de concentração cujos prisioneiros serão enviados para o outro mundo, sem câmaras de gás ou execuções.”

[FNC: A partir desse ponto, o autor deste texto traduzido por mim, Valentin Katasonov, Strategic Culture, le 2 juin 2015, entra em paranoia antibanqueiro que lembra o antissemitismo e o antirentismo da igreja católica medieval, cujos chefes-de-Estado não-laicos disputavam o mercado de crédito com os judeus ou não desejavam pagar suas dívidas junto a eles. Infelizmente, parte da esquerda herdou, inconscientemente, essa velha tradição cristã de fazer dos banqueiros os bodes-expiatórios de todos os males capitalistas, condenando-os a arder nas fogueiras da sua Inquisição…]

Leia mais sobre o caso brasileiro de proibição da diferenciação entre preço à vista e a prazo (cartão de débito / papel-moeda X cartão de crédito):

Acordão Cartão Crédito STJ – Sind

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/12/21/diferenciacao-entre-precos-a-vista-e-a-prazo/

Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária – 2014

Bitcoin: Moeda Digital

One thought on “Democracia Gratuita ou Campo de Concentração Bancário (por V. Katasonov)

  1. Engraçado como a extrema esquerda e a extrema direita se encontram nas teorias da conspiração paranoicas quando o assunto é o fim do papel-moeda.
    Se a esquerda demoniza a conspiração mundial dos banqueiros, a direita (em particular a direita libertária norte-americana) atribui esse “plano maléfico” à interferência indevida dos governos na vida do cidadão.
    Com certeza existem problemas e riscos não desprezíveis em eliminar totalmente o papel-moeda, um deles sendo a segurança da informação contra ataques de hackers.
    Mas não deixa de ser irônico que os extremos se encontrem na demonização de uma medida polêmica

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