Mobile Banking: “Sistema Bancário Moderno é um conjunto de Sistemas de Informações”

A Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2017 (clique para download), realizada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, mostra que o mobile banking consolidou-se definitivamente como o canal preferido dos brasileiros, tendo sido responsável por 21,9 bilhões das transações bancárias realizadas em 2016 – um crescimento de 96% em relação ao ano anterior.

Em termos de participação, o mobile lidera com 34% do total das operações, um aumento de 14 pontos percentuais, seguido pelo internet banking (23%). Considerando-se apenas as transações com movimentação financeira, o salto foi ainda mais representativo: 140%, passando de 500 milhões, em 2015, para 1,2 bilhão. Em termos de evolução histórica, o volume quadruplicou nos últimos três anos.

Em 2016, os investimentos e as despesas em TI dos bancos participantes somaram R$ 18,6 bilhões. Desse total, 45% destinaram-se ao desenvolvimento de software, 35% ao hardware, 19% Telecom e 1% a outras tecnologias – mesma tendência apontada nos estudos anteriores.

A pesquisa contou com a participação de 17 instituições financeiras, que representam 91% dos ativos dessa indústria no Brasil.

Desempenho e Ranking dos Bancos

Silvia Rosa (Valor, 25/04/17) informa que, com US$ 438 bilhões em ativos, o Itaú Unibanco ultrapassou o Banco de Brasil e assumiu a primeira posição no ranking dos 50 maiores bancos da América Latina, por ativos, ao fim de 2016, segundo levantamento da S&P Global Market Intelligence.

Um dos motivos da ascensão foi a fusão da unidade do Itaú no Chile com o CorpBanca, no segundo trimestre do ano passado, o que fortaleceu a sua carteira total de crédito. Além disso, as posições de ambos os bancos foram garantidas por uma forte recuperação do real, que subiu 21,7% ante o dólar em 2016.

Em moeda local, o crescimento total de ativos do Itaú e do Banco do Brasil no fim do exercício de 2016 foi de 4,9% e 0,02%, respectivamente. Mas quando convertidos em dólar, pela taxa do fim do período, o crescimento de ativos apresentado é de 27,6% e 21,7%.

O real mais forte ajudou também outros bancos a figurar no ranking dos 50 maiores da América Latina, colocando 12 instituições brasileiras na lista, incluindo os cinco primeiros lugares. No período anterior, dez bancos brasileiros haviam entrado no ranking. Continue reading “Desempenho e Ranking dos Bancos”

A Verdade sobre a BNDESPar por Luciano Coutinho

Luciano Coutinho, economista, é professor convidado do Instituto de Economia da Unicamp, foi presidente do BNDES entre 2007-2016 e meu professor no Mestrado (1975-1976). Face às críticas levianas que vem recebendo (leia abaixo, p.ex., a entrevista de ex-presidente do Banco, entre 1998 e 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, José Pio Borges de Castro Filho), resolveu responder (Valor, 12/06/17). É um registro histórico de fatos ocorridos na BNDESPar durante os nove anos de sua gestão. Reproduzo-o abaixo.

“A instabilidade política provocada pelas delações da JBS colocou em foco a atuação do BNDES e de sua subsidiária de participações acionárias, a BNDESPar, durante minha gestão. Devemos distinguir o debate substantivo quanto ao papel a ser desempenhado por um banco de desenvolvimento da ação oportunista dos que lançam dúvidas sobre a lisura do BNDES para desconstruí-lo.

Por isso, mais uma vez, devo deixar claro que nos nove anos em que estive à frente do BNDES fui testemunha de processos marcados por rigor técnico e impessoalidade. Tive o privilégio de presidir uma instituição que, por lei, segue orientações estratégicas de governos, mas faz isso com base em sólida governança, decisões colegiadas, excelência profissional, efetividade e transparência. Seu corpo técnico é íntegro e exemplar. As operações de participação acionária da BNDESPar, incluindo as da JBS, seguiram os procedimentos devidos, sem ingerências externas.

Com mais de 40 anos, a BNDESPar não é uma jabuticaba. Banco Mundial, BID e países como Alemanha, Japão, França, Itália, Coreia e China têm empresas similares de participação acionária. A missão dessas, em geral, é:

  1. capitalizar empresas nacionais,
  2. fortalecer o mercado de capitais e
  3. administrar carteiras de valores mobiliários com perspectiva de longo prazo. Continue reading “A Verdade sobre a BNDESPar por Luciano Coutinho”

Viúvos da Maria Sílvia

O presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), Paulo Skaf, recebeu Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES.

Os oportunistas neoliberais propagam seu credo, pregando que “tamanha corrupção só foi possível graças à pilhagem dos recursos de companhias estatais, bancos públicos e seus fundos de pensão”. Esses sábios-pregadores se esquecem dos corruptores do setor privado, pois sempre estão a louvar as virtude de O Mercado 3 Os (Onisciente, Onipotente e Onipresente)! B3? Não, 3O… 🙂

A reforma político-partidária é uma necessidade consensual para pessoas de bom-senso, porém não para os beneficiários dessa “ordem espontânea”, seja econômica, seja política. De que reforma estão, afinal, falando: uma individualista que propõe auto financiamento dos milionários, das igrejas, dos midiáticos, das “celebridades”, do crime organizado? Candidatos sem partidos?! Continuaremos no pior dos mundos!

Personalidade governando sem sustentação no Congresso Nacional, já vimos esse filme…

Outra ideia oportunista (e equivocada) de neoliberais é que “para que o combate à corrupção possa ser bem-sucedido é também imprescindível redimensionar a intervenção estatal na economia“. Contrapõem ao Capitalismo de Compadrio, emergido da promiscuidade entre o público e o privado, o Capitalismo de Livre-Mercado, idealização do século XVIII para o que deveria ser em vez da realidade de o que é. Economistas formados na cartilha ortodoxa não têm consciência democrática e republicana das conquistas de direitos civis, políticos, sociais e econômicos após 1789!

As interações entre direitos e deveres da cidadania propiciarão a emergência de um novo modo de vida democrático e republicano. A transição a ser completada, até mais ou menos 2050, se caracteriza como um Capitalismo de Estado Republicano. A continuidade das lutas por conquistas sociais talvez o transforme, em algum dia, em um novo modo de vida. Socialista? Talvez, quem sabe? Continue reading “Viúvos da Maria Sílvia”

Efeito Temer e Retaliação: Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão

Você pagou com traição
A quem sempre
Lhe deu a mão

Mas chora!

Chora!
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar

Em encontro de corruptor com corrupto aquele dá corda (propina) para este se enforcar… Mas este, antes de falecer, politicamente, busca vingança pessoal, usando todo o Poder do Estado em sua vendeta!

República é uma palavra que descreve uma forma de governo em que:

  1. o Chefe de Estado é eleito pelos representantes dos cidadãos ou pelos próprios cidadãos — viu, Temer?! — e
  2. exerce a sua função durante um tempo limitadojá deu, Temer, vaza! 

Esta palavra deriva do latim res publica, expressão que pode ser traduzida como “assunto público“. Em outras palavras, exige impessoalidade no trato da coisa pública.

Silvia Rosa e Vinícius Pinheiro (Valor, 08/06/17) informa que, enquanto a inadimplência no crédito começa a dar os primeiros sinais de controle, um segmento em particular ainda preocupa as instituições financeiras: o das grandes empresas. O risco de que a crise política, deflagrada pela delação dos controladores da JBS, prejudique o desempenho da economia reacendeu o temor de surgimento de novos casos de calote entre as companhias de maior porte. Além disso, os bancos permanecem em negociação com as empresas investigadas pela Operação Lava-Jato, que dependendo do desfecho pode trazer algum impacto para os índices de inadimplência.

A situação do próprio grupo J&F, dono da JBS, vem sendo acompanhada de perto por O Mercado Onisciente, Onipotente e Onipotente. Todas as grandes instituições financeiras possuem financiamentos concedidos a empresas do grupo.

O acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões fechado pela holding J&F com o Ministério Público Federal facilita o processo de negociação para a rolagem das dívidas das empresas do grupo com os credores. Mas os bancos não descartam tomar medidas como a exigência de mais garantias ou a redução dos limites das companhias para a rolagem dos compromissos.

Em medida que alguns enxergam como retaliação política, a Caixa suspendeu novas concessões de crédito para a JBS. No fim de maio de 2017, o presidente do banco público, Gilberto Occhi (PP), disse que a instituição havia feito provisões temporárias como medida prudencial. Mas afirmou que todas as operações com o grupo estavam adimplentes e tinham garantias.

Historicamente, é relativamente recente a concessão de créditos a empresas Corporate pela Caixa. Por exemplo, seus empréstimos à Petrobras eram R$ 1,308 bilhão em 2008 e se elevou para R$ 11,574 bilhões no primeiro trimestre de 2016. Nesta data, seu capital de referência era apenas R$ 75,441 bilhões.

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Revolução Tecnológica Bancária

Gustavo Brigatto (Valor, 07/06/17) informa que o perfil do investimento e dos gastos em tecnologia dos bancos brasileiros mudou bastante nos últimos dois anos. Hoje, o desenvolvimento de novos sistemas (softwares) recebe mais recursos do que a compra de equipamentos (hardware). E essa mudança fica clara no Ciab (http://www.ciab.org.br), feira de tecnologia para o setor financeiro organizada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que é realizada em maio/junho em São Paulo.

Nos corredores do evento, fintechs (startups de tecnologia financeira) e a moeda virtual bitcoin viraram as grandes estrelas — no passado, os espaços ficavam repletos de fabricantes de caixa eletrônicos, cofres, servidores e outras máquina. Até o Google veio falar de como suas tecnologias podem ser usadas pelas instituições financeiras. O mundo hoje é mais software. A experiência do clientes é o que conta mais.

Isso não quer dizer que o hardware esteja esquecido. Nomes como a japonesa Oki e as brasileiras Perto e Saque e Pague apresentaram novidades interessantes, como um caixa que reúne todas as funções de uma agência, permitindo saques, depósitos e pagamentos inclusive com moedas. Se o cliente precisar de atendimento, isso pode ser feito por videoconferência. A novidade, da Saque e Pague, já está em uso pelo Banpará. Continue reading “Revolução Tecnológica Bancária”