Desemprego Tecnológico em Bancos

Nicholas Comfort (Bloomberg — Frankfurt 28/12/2019) informa: bancos em todo o mundo fazem demissões no maior ritmo em quatro anos para reduzir custos em resposta a uma economia em desaceleração e adaptação à tecnologia digital.

Este ano, mais de 50 instituições financeiras anunciaram planos para cortar 77.780 empregos, o maior número desde as 91.448 demissões em 2015, segundo registros de empresas e sindicatos.

Os cortes em 2019 elevam o total de demissões nos últimos seis anos para mais de 425.000. O número provavelmente é maior porque muitos bancos eliminam empregos sem divulgar os dados.

O Morgan Stanley é a mais recente empresa a buscar eficiência no fim do ano, com o corte de cerca de 1.500 empregos, segundo pessoas a par do assunto. O presidente do banco, James Gorman, havia dito que as demissões representam cerca de 2% da força de trabalho.

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Investimento Direto Estrangeiro no Setor Financeiro Brasileiro

Estevão Taiar (Valor, 11/12/2019) informa: o setor financeiro é responsável por quase um quinto do estoque de investimentos estrangeiros diretos no país (IDP). Até o fim do ano passado, o IDP no setor financeiro somava US$ 96,3 bilhões — o equivalente a 19% do total e quase três vezes a participação do segundo setor mais importante.

O estoque total de participação no capital na economia brasileira atingiu US$ 499,3 bilhões no fim do ano de 2018, segundo relatório do Banco Central com os dados mais recentes. Nos cálculos não são consideradas operações intercompanhia, como empréstimos e créditos comerciais.

Depois do financeiro, os setores com maior participação de capital estrangeiro eram:

  • eletricidade, gás e outras utilidades (US$ 36,9 bilhões ou 7%);
  • bebidas (US$ 36,5 bilhões com aproximadamente 7% do total).
  • comércio atacadista, exceto veículos (6%);
  • extração de petróleo e gás natural (5%);
  • telecomunicações (4%);
  • produtos alimentícios (4%);
  • produtos químicos (3%); e
  • metalurgia (3%).
  • os demais setores somavam 41%. Continuar a ler

Avanço das Fintechs em direção a PJ (Empresas)

Danylo Martins (Valor, 03/12/2019) informa: depois de focalizar como clientes a pessoa física, as fintechs começam a ampliar a oferta de produtos e serviços para empresas. Do total de 553 startups do setor em operação no Brasil, 54% têm soluções para o segmento B2B, segundo levantamento feito pela Distrito, empresa de inovação aberta. Os negócios avançam em mercados historicamente dominados por grandes bancos. O tamanho do incômodo é difícil de quantificar, ao menos por ora, mas não há dúvidas de que os bancos estão atentos aos novos entrantes.

Fundada em 2015, a Finpass conecta uma base de 40 mil pequenas e médias empresas (PMEs) a 350 financiadores, entre bancos médios, financeiras, fundos de direitos creditórios (FIDCs) e fintechs de crédito. Pela plataforma, as companhias acessam modalidades como crédito com ou sem garantia e desconto de duplicatas.

O negócio chamou a atenção do BTG Pactual. Ele investiu este ano na startup – na rodada (valor não revelado), a gestora e.Bricks Ventures aumentou sua participação na empresa.

A startup começou a desenvolver também ferramentas específicas para os bancos melhorarem a oferta de crédito digital para empresas. Muitos bancos querem tornar o crédito mais digital, mas não têm estrutura pronta. Com a nova linha de negócios, a startup prevê crescer a receita de quatro a cinco vezes, diz ele, sem revelar o faturamento. O investimento em tecnologia também impulsionou os negócios. Neste ano, a plataforma soma mais de R$ 4 bilhões em propostas de crédito – em 2018, o número foi de R$ 1,5 bilhão. Continuar a ler

FCVS e EMGEA: Método à Brasileira para Enfrentar “Crise do Subprime” Avant La Lettre

Edna Simão (Valor, 28/11/2019) explica algo pouco conhecido por leigos não especialistas.

Criado em 1967, o Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) tinha como objetivo assumir o saldo devedor de contratos de financiamento da casa própria no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

O descasamento nos contratos ocorria porque nos financiamentos no SFH as prestações eram corrigidas pela variação salarial e as dívidas, de acordo com a inflação. Com isso, o valor das parcelas pagas mensalmente era insuficiente para amortizar a dívida e evitar a disparada do saldo devedor.

Esse descompasso provocou uma bola de neve tanto para os mutuários – que até hoje não conseguiram quitar os contratos – quanto para o governo, que desembolsa bilhões para cobrir incentivos concedidos na época para viabilizar o pagamento das diferenças dos financiamentos. Em 1988, o governo passou a garantir, ainda, o equilíbrio da apólice do seguro habitacional do SFH.

Com elevado passivo, em 2000, a União passou a assumir as obrigações do FCVS passando a honrá-las por meio de emissão de títulos públicos (novação). Cerca de R$ 164 bilhões já foram novados em valores atualizados em janeiro de 2019.

A gestão do FCVS compete ao Ministério da Economia por meio do Conselho Curador formado por seis integrantes: três do governo, dois de associações de agentes financeiros, além da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

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Bancos Digitais X Bancos Tradicionais

Talita Moreira (Valor, 25/11/2019) informa: um terço dos brasileiros bancarizados já é cliente de algum banco digital. No entanto, em apenas 9% dos casos as pessoas têm em um “neobanco” sua conta principal. Os dados são de estudo feito pela consultoria Kantar. Eles mostram: as fintechs ainda têm um longo caminho a percorrer para arrebanhar uma fatia mais relevante do mercado.

O levantamento mostra a adesão aos chamados neobancos (aqueles nativos digitais) é bem maior no Brasil, na Índia e na China em lugar do ocorrido nos países desenvolvidos. Uma das razões para isso, segundo a consultoria, é nesses três países a população ser menos bancarizada ou até tem conta, mas não tem acesso a serviços financeiros. Continuar a ler

Modelo de Fintech incorporado pelo Banco Itaú

Talita Moreira (Valor, 06/11/2019) informa: o Itaú Unibanco vem intensificando a adoção de modelos de negócios típicos de seus concorrentes digitais à medida que se desenha um novo cenário de competição no setor. A lógica é: se for para perder receita, vale pelo menos parte da receita “perdida” ser dentro de casa.

Esse é o caso da plataforma de pagamentos instantâneos “iti”, lançada para todo o mercado em outubro de 2019. O presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou: o produto certamente vai “canibalizar” parte da base de clientes do banco. “Mas não estamos especialmente preocupados.”

O iti oferece conta digital e serviços gratuitos ou mais baratos se comparados aos de uma conta tradicional. “Não somos o único ‘player’ no mercado. Se não lançarmos produtos que concorram com os nossos próprios, outros certamente irão”.

Maior banco privado do país, o Itaú tem insistido na sua transformação digital e da melhora dos índices de satisfação dos clientes. Neste ano até setembro, a instituição abriu 4 milhões de contas correntes e encerrou 2,4 milhões, revertendo a tendência de perda líquida vinda há alguns anos.

Em várias frentes, a estratégia é perder um pouco para não perder mais. Foi assim com a oferta lançada em abril pela Rede, credenciadora de cartões do banco. A empresa isentou pequenos lojistas da taxa de antecipação de recebíveis no cartão de crédito à vista, se tivessem domicílio bancário no Itaú. O prazo de pagamento caiu de 30 para dois dias. Continuar a ler

Softbank

O SoftBank é um conglomerado multinacional com foco em tecnologia, com valor investido acima de US$ 400 bilhões. Entre os maiores investimentos do SoftBank estão empresas como Uber, Alibaba, ARM e mais de 90 outras empresas de internet e tecnologia disruptiva.

O Softbank vem comprando uma série de participações em startups brasileiras, como parte de seu plano, anunciado em março deste ano, de investir US$ 5 bilhões em negócios na América Latina. O conglomerado japonês, que é sócio do aplicativo de transporte 99 e da empresa colombiana de entregas Rappi, tem destinado recursos à área de mobilidade urbana.

Em junho, liderou, ao lado da Microsoft, um investimento de US$ 150 milhões na empresa de logística paulista Loggi (na qual já tinha aplicado US$ 100 milhões no ano passado). Em outubro, integrou um grupo de investidores que fez aporte na Buser, uma espécie de Uber para viagens de ônibus.

A companhia também é sócia da varejista on-line de artigos para casa MadeiraMadeira, da startup de locação de imóveis QuintoAndar, da empresa de assinatura de academias Gympass, do Banco Inter (14,94%), da plataforma de empréstimo Creditas, entre outras startups brasileiras. Mais aportes estão por vir. Em setembro, o principal executivo da companhia no país, André Maciel, afirmou, em um evento em São Paulo, olhar para cerca de 40 empresas no país.

Arash Massoudi, Kana Inagaki e Leo Lewis (Financial Times, 05/11/2019) afirmam: enquanto a elite empresarial mundial desertava de uma conferência sobre investimentos na Arábia Saudita há um ano, depois do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi por agentes sauditas, o fundador do SoftBank, do Japão, viajava discretamente a Riad para um encontro reservado.

Masayoshi Son e seu principal auxiliar, Rajeev Misra, foram encontrar-se com Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro saudita que os havia ajudado a se tornarem os mais influentes investidores em tecnologia do mundo. Quase metade dos US$ 97 bilhões do Vision Fund, criado pelo SoftBank para investir no setor de tecnologia, veio do fundo soberano da realeza saudita – o maior volume de dinheiro privado já captado.

A mensagem deles ao príncipe foi clara: o SoftBank não iria abandoná-lo, segundo fontes a par da conversa. O príncipe prometeu nunca esquecer a lealdade deles. Continuar a ler