Privatização Gradual do Banco do Brasil

Nada tão parecido com o triste fim do governo FHC — e decorrentes quatro derrotas eleitorais seguidas por seus apoiadores neoliberais — como o governo temeroso, imposto à Nação através de um golpe parlamentarista no presidencialismo. Os golpistas retomaram a agenda privatizante pró-mercado, sem apoio eleitoral nas urnas, apressadamente. O script é o mesmo.

Primeiro passo é justificar que “a necessidade de austeridade fiscal impõe a venda de ativos públicos”. Vinícius Pinheiro e Edna Simão (Valor, 08/05/17) informam que a União vai ficar próxima ao limite da participação mínima necessária para manter o controle acionário do Banco do Brasil. O Tesouro determinou a venda das ações do banco público detidas pelo Fundo Soberano. A operação será realizada ao longo dos próximos 24 meses, antes da eleição democrática de um novo governo legítimo.

Após a negociação, a participação da União no capital do BB cairá de 54,4% para 50,73%. O Fundo Soberano detém 3,67% das ações do banco BB, o equivalente a pouco menos de R$ 3,5 bilhões, com base na cotação de fechamento na bolsa no dia 05/05/17. Os recursos com a venda vão ajudar no cumprimento da meta de primário pelo governo central, mas ainda não é possível saber se o efeito da medida será mais concentrado neste ano ou em 2018. O Tesouro recomendou que a operação de venda aconteça de forma gradualista para evitar pressões sobre o preço das ações do BB.

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Oferta de Moeda Endógena por Forças do Mercado: Multiplicação Monetária no Sistema Bancário

Meu colega, Miguel Bacic, enviou-me gentilmente um artigo que pode ser do interesse dos seguidores deste modesto blog pessoal:

Bancos privados é que criam 97% de todo o dinheiro – não os governos ou os bancos centrais

por George Washington

Quem cria a moeda?

A maior parte das pessoas supõe que a moeda é criada por governos… ou talvez pelos bancos centrais.

Na realidade – como foi observado pelo Banco da Inglaterra, o banco central britânico – 97% de toda a moeda em circulação é criada pelos bancos privados.

Empréstimos bancários = Criação de moeda a partir do ar [FNC: na verdade, da alavancagem do capital próprio pelo banco que recebeu autorização da Autoridade Monetária.]

Mas como é que os bancos privados criam moeda?

Fomos ensinados que os bancos primeiro captam depósitos e a seguir eles emprestam esses depósitos às pessoas que querem contrair empréstimos.

Mas isto é um mito… O Banco da Inglaterra e o banco central alemão já explicaram que os empréstimos são concedidos antes de os depósitos existirem… e que os empréstimos criam depósitos.

A afirmação acima é de um vídeo oficial divulgado pelo Banco da Inglaterra. O Banco da Inglaterra explica :

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Golpe contra Bancos Públicos

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Por que um neoliberal aprecia tanto a carreira profissional PUC-RIO-BCB-ITAÚ-UNIBANCO, mas não gosta de crédito bancário, especialmente direcionado por bancos públicos? Sem considerar a concorrência destes com seus bancos privados, cujo eufemismo é “externalidades“, teoricamente, você poderia responder que é por causa da Doutrina da Poupança Forçada.

Esta prega que os bancos podem apenas agir como intermediários financeiros neutros, canalizando exatamente a poupança preexistente para o investimento, sem um tostão sequer a mais. Caso isso não ocorra assim, o crédito financiará investimento em demasia, que se desequilibrará com a poupança, provocando expansão da demanda agregada além da oferta agregada disponível. De acordo com com esse modelo mental estático-comparativo, tal desequilíbrio provocaria inflação, corroendo o poder aquisitivo dos salários reais, ou seja, forçando uma queda do consumo até o nível de poupança necessário àquele nível de investimento financiado pelo “excesso de crédito”. Genius, não?

Só falta o economista ortodoxo saber lidar com a variável tempo, pensar de maneira dinâmica e direcionar o crédito para investimento em infraestrutura e capacidade produtiva, aumentando a oferta agregada.

Na prática, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 3.074 bilhões em janeiro de 2017, com redução de 3,9% em doze meses. A relação crédito/PIB decresceu para 48,7%, ante 53,2% em janeiro de 2016.

A carteira de crédito com recursos livres recuou -5,1% em doze meses, situando-se em R$ 1.532 bilhões.  O crédito direcionado totalizou R$ 1.541 bilhões (-2,7% em doze meses), destacando-se as liquidações de créditos com recursos do BNDES. Continue reading “Golpe contra Bancos Públicos”

De Volta ao Passado Neoliberal: O “Cavalo-de-Pau” nos Bancos Públicos

 

politicas-operacionais-do-bndes-em-2017O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai assumir papel inédito como supridor de capital de giro para as empresas nacionais. Até 31 de dezembro de 2017, caso o governo golpista não caia antes, o banco vai oferecer R$ 13 bilhões na linha BNDES Progeren, de fortalecimento da capacidade de geração de emprego e renda, dos quais R$ 5 bilhões de forma direta, o que até agora nunca tinha ocorrido de maneira ampla, e R$ 8 bilhões via agentes financeiros.

A oferta de capital de giro sem a intermediação dos agentes faz parte das novas políticas operacionais anunciadas pelo BNDES na maior reformulação nas condições de financiamento em quase uma década. A última mudança havia ocorrido há nove anos na Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

“Nesse momento, nossa ênfase em capital de giro é para preservar a atividade econômica e os empregos”, disse Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES ao anunciar as novas políticas operacionais. Segundo ela, a instituição tem um olhar de curto prazo, conjuntural, em que busca ampliar o acesso a crédito para além da rede bancária tradicional. Um banco de desenvolvimento vai virar banco de varejo?!

O banco quer atrair novos canais de distribuição de produtos, dentro do esforço de aumentar o acesso a crédito. Entre esses canais, estão plataformas digitais e “fintechs, empresas que usam tecnologia de forma intensiva para oferecer produtos na área de serviços financeiros. “Estamos em conversas avançadas com uma grande plataforma [digital] e com uma “fintech” para que possam distribuir nossos produtos”, disse Maria Silvia. Espanto! O banco de desenvolvimento maior do que o Banco Mundial virou “fintech”! Vá pensar pequeno assim…  🙂

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Modelo “Jabuticaba” do Sistema de Pagamentos do Varejo com Cartões

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Alessandra Bellotto (Valor, 23/12/16) informa que, com a limitação do prazo do crédito rotativo para 30 dias, as taxas de juros cobradas nos cartões de crédito vão convergir para níveis mais baixos, de até um dígito ao mês, sem a necessidade de tabelamento de preço aventada pelo governo. Essa é a expectativa do presidente da Abecs, associação que representa as empresas do setor.

Ao transformar automaticamente a linha do crédito rotativo, cuja taxa alcança 475,8% ao ano, em crédito parcelado, com juros de 156% aa, o cliente passa a ter um prazo mais elástico para o pagamento do saldo remanescente.

Consequentemente, há um menor comprometimento da renda mensal, o que reduz a inadimplência e abre espaço para a convergência para taxas menores. A redução da taxa se dá por razões técnicas. Porém, ninguém garante que as taxas de cada banco vão cair significativamente para os níveis do parcelado, hoje de um dígito ao mês.

Segundo dados do Banco Central, em outubro de 2016, a inadimplência da pessoa física atingiu 36,1% no rotativo do cartão de crédito, ante 1% no crédito parcelado. Das concessões totais no cartão de crédito para a pessoa física naquele mês, equivalentes a R$ 91,2 bilhões, o rotativo respondeu por mais de 30% (R$ 27,5 bilhões) e o parcelado, por 2,6% (R$ 2,3 bilhões). A diferença refere-se ao pagamento à vista (67,4% ou R$ 61,4 bilhões).

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Indicadores para Análise do Desempenho do Setor Bancário

indicadores-dos-6-maiores-bancos-2014-2009Veja apresentação em Prezi: Indicadores Bancários

Com o objetivo de analisar o desempenho do setor bancário brasileiro, constata-se a tendência da rentabilidade em relação à registrada no ano anterior. Por exemplo, o efeito das receitas de floating fica patente a partir da evolução da conta de ganhos com passivos sem encargos deduzidos das perdas com ativos não-remunerados.

Compara-se o resultado bruto da intermediação financeira do ano corrente em relação ao ano anterior; busca-se a explicação para sua variação, verificando o custo de captação e as receitas de operações de crédito.

Examina-se, então, se as receitas de prestação de serviços (decorrentes da cobrança de tarifas bancárias) desempenharam papel relevante para a sustentação do nível de rentabilidade dos bancos.

Interessante também é ver até que ponto estas últimas receitas, isoladamente, cobririam as despesas administrativas ou, pelo menos, as despesas de pessoal.

Vale comparar as margens de intermediação financeira (relação do resultado bruto da intermediação com receitas de intermediação financeira) entre distintos grupos de bancos. Continue reading “Indicadores para Análise do Desempenho do Setor Bancário”

Contas de Resultados dos Bancos

balanc%cc%a7o-de-resultados-dos-6-maiores-bancos-2014-2009É útil conhecer também a variação sofrida, em sucessivos períodos, pelos elementos que formam o patrimônio dos bancos. Para tanto, o comum é calcular-se um índice de base fixa (igual a 100), para o período inicial, sendo os demais calculados em relação a ele.

Define-se os índices como indicações numéricas das gradações de um fenômeno, relacionadas com seu número básico inicial. Qualquer número só tem valor quando comparado com outro, pois isoladamente não fornece elementos de julgamento.

Comparações entre componentes de diferentes conjuntos patrimoniais e de variações patrimoniais permitem a determinação de coeficientes-padrão. O coeficiente-padrão é aquele que com maior frequência se apresenta nos balanços de empresas do mesmo ramo de atividade.

A classificação geral de cada instituição financeira nos rankings publicados por revistas especializadas, geralmente, considera variáveis que refletem:

  1. a representatividade global de cada banco (ativo total),
  2. a dimensão de seu capital próprio (patrimônio líquido) e
  3. o seu resultado no exercício considerado (lucro líquido).

Discriminam a composição por origem de capital:

  1. bancos estatais,
  2. privados nacionais e
  3. estrangeiros.

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