Programa e Bibliografia de Mercado Bancário – 2019

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE ECONOMIA

CURSO DE EXTENSÃO

ECO-208 – MERCADO BANCÁRIO

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Objetivo: Apresentar fenômenos relacionados ao mercado bancário, tais como política monetária e financiamento; atuação social-desenvolvimentista de bancos públicos; Banco do Brasil e crédito agrícola; Caixa e crédito habitacional; BNDES e crédito à infraestrutura; BNB-BASA e crédito regional. Analisar segmentos do mercado bancário: mercado de reservas bancárias e sistema de pagamentos; mercado de captação de funding; precificação no mercado de crédito. Inovações Tecnológicas das Fintechs e/ou Neobanks. Debater as perspectivas futuras.

Programa e Bibliografia (click no link):

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Princípio do Fim para os Grandes Bancos?! Ora, ora…

Rodrigo Lowndes (Valor, 11/10/2019) foi presidente do Banco Morgan Stanley no Brasil e responsável pela empresa de private equity Southern Cross no Brasil. É sócio da empresa XPRT Consulting de assessoria financeira. Reproduzo seu artigo abaixo.

A tecnologia vem mudando significativamente a dinâmica de negócios tradicionais nos últimos 20 anos. Chegou a vez do setor financeiro. Em sua primeira onda, a tecnologia reduziu sensivelmente os custos operacionais dos bancos estabelecidos, através de caixas eletrônicos, internet banking e meios de pagamento digital. Esse movimento beneficiou inicialmente os grandes bancos, que conseguiram melhorar seus processos e reduzir seus custos. Mas essa redução de custos via tecnologia abriu caminho também para uma nova dinâmica de negócios no setor, permitindo a entrada de novos competidores.

Nesta nova fase, as mudanças tecnológicas vêm beneficiando enormemente novas plataformas financeiras digitais, seja através da redução do custo de captação de clientes ou novas formas de interação. Em seu primeiro movimento, as novas plataformas financeiras digitais estão buscando principalmente clientes mais lucrativos. Eles tradicionalmente compram produtos caros dos grandes bancos. Foi assim com as plataformas abertas de investimentos, como XP, Easynvest ou Genial, que trouxeram mais opções, melhores rentabilidades e menores custos de investimentos.

Foi assim também com as novas emissoras e processadoras de cartões de crédito, como a Nubank, Stone e PagSeguro, que utilizaram estratégias mais agressivas de marketing e precificação para ganhar mercado. Mais recentemente, os bancos digitais, como Inter, Nubank, Original e C6, vêm aumentando rapidamente o número de clientes, via facilidade de interação (completamente diferentes das plataformas digitais dos grandes bancos) e gratuidade de tarifas.

Em um futuro próximo, as plataformas digitais oferecerão, sem aumento de custos, serviços muito superiores aos atuais.

Por que preencher um formulário de perfil de risco se um algoritmo de inteligência artificial pode calcular seu perfil baseado em seus dados pessoais, situação familiar e profissional, estilo de vida (se a regulação permitir) e, subsequentemente, te oferecer os melhores investimentos, cartões e experiências?

Por que se acomodar com uma opção de financiamento oferecida pela concessionária de veículos ou loja de eletrodomésticos se um algoritmo pode instantaneamente analisar diversas ofertas de empréstimo disponíveis no mercado e te oferecer a melhor opção para financiar sua compra?

Por que as taxas de juros não variam dependendo do perfil de risco de cada pessoa buscando um empréstimo? Continuar a ler

Relatório de Estabilidade Financeira out 2019

Flávia Furlan e Talita Moreira (Valor, 11/10/2019) informam: a queda da taxa Selic em mais de oito pontos percentuais desde outubro de 2016, para a mínima histórica de 5,5% ao ano, ainda não teve influência significativa na rentabilidade dos bancos. Pelo contrário, no período, o indicador das principais instituições apresentou recuperação, após ter sido impactado pelo aumento da inadimplência nos anos de recessão. O atual patamar de juro, no entanto, representa uma pressão para as margens daqui para frente no contexto de aumento da competição no sistema financeiro.

Projeções de analistas acompanhantes do setor — e sempre equivocados em suas previsões — acham o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em patamar superior a 20%, apresentado pelos grandes bancos, não deverá ser mais a realidade nos próximos anos. Seus números fictícios apontam para uma queda a partir de 2021, chegando a um intervalo entre 15% e 20%, mais próximo dos padrões internacionais.

Eles se justificam pela perda de força dos fatores a neutralizar o efeito do juro menor na rentabilidade dos bancos:

  1. a reversão das elevadas provisões para perdas com crédito;
  2. os ganhos de eficiência operacional; e
  3. o ritmo mais lento de renovação dos empréstimos, protelando o repasse das taxas mais baixas, em comparação ao impacto, imediato, nos custos de captação. Continuar a ler

Em busca da “caixa-preta” do BNDES: onde está o pedido de desculpas do presidente aos funcionários?

Arthur Koblitz é presidente da Associação dos Funcionários do BNDES. Publicou hoje artigo em O Globo, mostrando: como era esperado, simplesmente não há evidências de malfeitos, de esquemas de corrupção, por mais que o presidente da República tenha nomeado mais um preposto, cujo único credencial é ser amigo de seu filho, para aparelhar o Banco — e denunciar seus funcionários. Os neoliberais aliados com neofascistas fazem tudo para criminalizar as instituições desenvolvimentistas do país. E não entregam nada, nenhum bem-estar social, aos brasileiros!

“Mais um presidente do BNDES, o quinto num período de três anos, entra no Banco com mandato para encontrar malfeitos e falcatruas, e conclui que elas não existem. Nenhum outro presidente do Banco de Desenvolvimento teve um mandato mais explícito nesse sentido do que Gustavo Montezano. Seu antecessor, Joaquim Levy, foi grosseiramente defenestrado do cargo sob a acusação, entre outras, de que tinha se recusado a abrir a “caixa-preta” do BNDES.

Principal objeto de calúnias, a exportação de serviços de engenharia acaba de merecer uma nota oficial da nova administração, na qual não consta qualquer registro que justifique a aplicação do termo “caixa-preta” às atividades realizadas por empregados do Banco de Desenvolvimento.

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Revolução Bancária Positiva para os Clientes: Neobanco

O artigo abaixo foi publicado na seção de relatórios especiais da edição impressa, sob o título “Crowning King Customer“. Fez parte do relatório especial da revista The Economist, 2 de maio de 2019: Banco, o futuro.

Para um matemático, uma transformação é o que acontece quando um objeto geométrico é deslocado no espaço, redimensionado, refletido ou girado. Os banqueiros também estão no negócio da transformação, mas é o dinheiro o movimentado por eles, e não apenas no espaço, mas no tempo. Eles captam depósitos de curto prazo dos poupadores e os emprestam aos mutuários por prazos mais longos. Agrupam ativos para reduzir riscos e vendê-los aos investidores. E ainda mais misteriosamente para quem está de fora, transformam o crédito concedido em ativos possíveis de serem emprestados novamente.

Tudo isso mantém a economia funcionando. Mas as pessoas comuns são às vezes negligenciadas. As redes de agências e caixas eletrônicos dos bancos principais e também o governo garantem: eles aportam o dinheiro em suas contas, mantêm os clientes chegando a ele de qualquer maneira. Em muitos países, incluindo a Grã-Bretanha, os bancos concentram muito de seus esforços em seus grandes tomadores de empréstimos corporativos. Os principais bancos de rua são geralmente descritos como os grandes financiadores.

Trocar de banco é raro. De acordo com a Novantas, apenas 8% dos clientes americanos trocam de banco em um determinado ano, mesmo quando mudar de estado geralmente significa lá mudar de banco. Na Grã-Bretanha, onde as licenças bancárias são nacionais, apenas 4% o fazem. A baixa rotatividade é frequentemente citada como evidência de os clientes estarem satisfeitos, mas seria mais preciso dizer eles não podem imaginar algo melhor, diz uma consultoria britânica de tecnologia bancária. “As pessoas teriam dito estarem satisfeitas com os táxis até a Uber aparecer. De repente, eles não queriam ficar na esquina, estendendo a mão na chuva”.

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Queda da Participação da Caixa no Mercado

O DIEESE – Subseção APCEF/SP, em seu Informe semanal – nº 233 – 19 de setembro de 2019, demonstra, à exceção do saldo dos depósitos em caderneta de poupança, a Caixa perdeu fatias de suas operações para a concorrência, em todos os produtos, na comparação do fechamento do segundo ante o primeiro trimestre de 2019. Aliás, a perda também se verificou, exceção novamente à poupança, na comparação com os saldos de dezembro de 2018. Caíram, assim, participações da Caixa no mercado em fundos de investimentos, depósitos à vista, carteira de crédito pessoa física, pessoa jurídica etc.

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Inação do Estado contra o Interesse da Nação

Participei como debatedor junto com o ex-ministro Ciro Gomes e a ex-senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) do evento “Audiência Pública sobre Privatizações de Empresas Estatais e suas Subsidiárias”, realizado na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília-DF, no dia 27 de agosto de 2019. Em um salão lotado por lideranças das diversas associações das corporações estatais a convite da ADVOCEF (Associação Nacional dos Advogados da Caixa Econômica Federal), eu falei especificamente sobre a devolução dos empréstimos perpétuos. São lastros dos seis Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Esta pequena sigla representa um grande impacto social. Possibilita à Caixa fazer os financiamentos necessários para cumprir sua missão de combater o imenso déficit habitacional do País: 7,8 milhões de Unidades Habitacionais.

O IHCD tem este nome por possuir características comuns ou “híbridas”, classificando-o tanto como passivo, pelo compromisso em remunerar o credor do empréstimo perpétuo como seu lastro, quanto como de capital, por permitir alavancagem financeira de empréstimo total em valor superior ao seu valor nominal. Ele não possui prazo de vencimento do valor principal, definindo por isso sua perpetuidade. Assim, esse instrumento é aceito pela Autoridade Monetária para ser contabilizado como componente do Patrimônio Líquido do banco, obtido o tratamento regulatório como Capital Principal.

A diferença entre o capital social e o IHCD é o primeiro, por representar os recursos usados pela União para a constituição, a criação e a expansão da Caixa, é remunerado por dividendos apenas quando a empresa estatal registra lucro. Já o lastro do IHCD, um empréstimo perpétuo, em princípio, é remunerado por juros, independentemente do fato da empresa estatal ter registrado ou não lucro no período.

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