ITAÚ X XP: Zé com Zé

Tássia KastnerJulio Wiziack (FSP, 29/06/20) informam: o colete de nylon, símbolo da dura disputa travada na semana passada entre XP e Itaú, é também uma espécie de uniforme do mercado financeiro, que veste 8.295 agentes autônomos de investimento em atuação no país. Cerca de 7.000 deles são vinculados à XP.

Esse exército ainda é considerado pequeno para a corretora, o que ajuda a contar uma segunda parte da história por trás dos ataques entre as duas instituições financeiras, que vai além da queda de braço pelo dinheiro dos clientes.

Quando em 2018 a XP anunciou ter a ambição de chegar a R$ 1 trilhão em ativos sob custódia (está em R$ 412 bilhões), afirmou que precisaria reunir 10.000 agentes autônomos, um exército com coletinhos, capazes de captar recursos antes investidos em bancos.

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Sistema de Pagamento Instantâneo (PIX)

Jacilio Saraiva (Valor, 15/06/2020) informa: cento e quarenta instituições financeiras já solicitaram adesão ao sistema de pagamento instantâneo (PIX), desenvolvido pelo Banco Central (BC). A lista inclui os cinco maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), além de fintechs e credenciadoras de cartão. Mais empresas poderão aderir em dezembro.

A estimativa de analistas é, com a evolução do serviço e as novas opções de transações, a facilidade movimentar mais de R$ 16 trilhões ao ano e abrir janela de oportunidades no mercado financeiro. A fase de testes da ferramenta já começou e o plano do regulador é lançar o serviço em novembro.

O PIX vai permitir transferências e pagamentos entre pessoas, empresas e governos, a qualquer hora do dia, inclusive feriados, com o recebimento em poucos segundos, a partir da leitura de um QR Code ou informando apenas e-mail, número de celular ou CPF/CNPJ do beneficiário.

De acordo com pesquisa da consultoria Accenture, o setor de pagamentos instantâneos movimenta US$ 30 trilhões em mais de 20 países e pelo menos dez outros mercados estudam novas soluções no segmento. O PIX inclui o rastreamento das transações, o que permitirá uma melhor visão dos bancos sobre os clientes, com a oferta de mais produtos.

A novidade também pode trazer economia de custos às operações financeiras. O BC divulgou: cobrará R$ 0,01 a cada dez transações realizadas, valor competitivo e ainda não experimentado no mercado brasileiro. Há um potencial para o corte de gastos, conforme o tipo de transação, como DOCs, TEDs e saques em ATMs, explica. As reduções de despesas podem variar de 10% a 40%.

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Bancos Digitais e Fintechs

Roseli Loturco (Valor, 15/06/2020) informa: a área de tecnologia nunca foi tão colocada à prova pelos bancos como agora. Com o isolamento social e mais de 60% de seus funcionários trabalhando remotamente, os bancos tiveram que fazer rodar em nuvem e em tempo recorde – uma semana – todas as suas operações e serviços externos. O ponto mais sensível, o tráfego de dados de clientes, esteve no centro das preocupações estratégicas.

O fato é que por mais que este seja o setor que mais investe em tecnologia da informação (TI) e infraestrutura tecnológica do país – R$ 20 bilhões em 2019 – e que já vinha testando planos-piloto de colocar parte de seus colaboradores operando em casa, o projeto ainda era muito incipiente quando a pandemia chegou.

Algumas instituições financeiras, de olho no cenário externo, começaram o escalonamento três semanas antes, prevendo que o inevitável aconteceria. “Costumávamos rodar 3 mil pessoas em home office em caráter piloto e escalamos para 23 mil em três dias. Hoje, 52 mil dos 82,1 mil colaboradores estão em casa”, afirma Fábio Napoli, diretor de TI no Itaú Unibanco.

Para isso, foram feitos os acertos de infraestrutura, com a compra de 30 mil notebooks e 4 máquinas virtuais da AWS (Amazon Web Services), além de ajustes na engenharia de tráfego para suportar com segurança as operações.

Para o escalonamento das áreas que iriam primeiro para o home office, o banco usou o Business Impact Analysis (BIA), uma ferramenta que determina qual a ordem a priorizar. “O BIA seleciona as áreas mais críticas para o funcionamento do banco. Avalia as áreas de risco e a metodologia que segue. Formamos um núcleo entre as áreas de TI, negócios e riscos e seguíamos o BIA”, afirma Napoli.

Toda esta estrutura foi disponibilizada em nuvem. Em outra frente técnica, o BIA apontava as áreas específicas que não estavam homologadas em VPN, com protocolos de segurança e negócios do Itaú, como o contact center, que hoje tem 90% de seus atendimentos feitos em casa.

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Tecnologia Bancária

O atendimento bancário on-line ganhou um empurrão com o isolamento social. Somente no Bradesco, o volume de transações nos canais digitais, que reúnem interações por celular e outros dispositivos portáteis, avançou mais de 30% no período da pandemia. “Pelo menos dois milhões de usuários que não eram digitais passaram a ser”, destacou o vice-presidente executivo André Cano, durante mesa redonda do evento “Next Banking Generation”, promovido pela IBM e Valor.

Além de maior adesão dos clientes a facilidades que dispensam o contato físico, especialistas apostam que, nos próximos dois anos, a indústria financeira vai avançar rapidamente em nichos como inteligência artificial (IA), open banking e operações em tempo real.

“Prova disso é o início do funcionamento do PIX [previsto para novembro], sistema de pagamentos instantâneos coordenado pelo Banco Central”, lembra Leandro Vilain, diretor de política de negócios e operações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Uma preocupação crescente com a segurança dos dados dos correntistas também tomou conta da agenda do setor.

O sistema bancário nacional ocupa um lugar de vanguarda no mundo, em termos de novas tecnologias, e o usuário local é conhecido por ser receptivo às inovações. O tempo de adoção de ferramentas nas relações entre empresas e clientes deve cair um terço do que era previsto antes da pandemia, e o esperado acontecer em cinco ou seis anos, em termos de transformação digital, vai ocorrer em dois.

As instituições financeiras estão respondendo às novas demandas dos consumidores com velocidade porque o setor investiu cerca de R$ 20 bilhões ao ano, nos últimos anos, em infraestrutura de atendimento. Foi por isso que não houve instabilidade no sistema bancário, mesmo com o aumento no volume de transações, nas últimas semanas.

Somente as concessões de crédito somaram R$ 472,6 bilhões no país entre 16 de março, início da pandemia do novo coronavírus, e o fim de abril. O valor inclui novas operações, renovações e prorrogações de contratos. A Febraban não informou a variação em relação ao mesmo período do ano passado.

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Observatório FEBRABAN – 08/06/2020

Cada ser humano tem a tendência de se sentir superior aos demais. Infelizmente, nem todos podem estar acima da média… Confira a pesquisa acima, a maioria acha sua microeconomia será superior à macroeconomia brasileira.

Os canais digitais se tornaram mais acessados durante a pandemia de covid-19 e serão o meio preferencial de atendimento para 46% dos brasileiros no pós-crise, mostra pesquisa divulgada pela Febraban. O primeiro resultado do Observatório está disponível neste link.

Uma parcela de 37% dos brasileiros bancarizados planeja frequentar agências e acessar também os meios digitais – o atendimento presencial se mostra mais relevante quanto menor a renda e maior a idade. Apenas 14% dos entrevistados apontam a rede física como canal preferencial.

Os resultados fazem parte da primeira edição do Observatório Febraban, o primeiro se uma série de estudos mensais que a entidade passa a divulgar. Neste mês, o foco foram as perspectivas de mudança no comportamento econômico-financeiro dos consumidores após a pandemia. A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) com 1 mil brasileiros bancarizados entre os dias 1o e 3 de junho.

Conforme o levantamento, 74% dos entrevistados preveem a economia levar pelo menos um ano para superar os impactos da pandemia. No entanto, quase a metade (49%) dos respondentes espera recuperar sua situação financeira pessoal e familiar em até 12 meses.

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Estrutura de Poder no BNDES: Quem manda no Banco?

Francisco Góes (Valor, 09/06/2020) informa: no começo de fevereiro de 2020, quando ainda não havia registros oficiais de mortes pelo novo coronavírus no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendeu R$ 22 bilhões em ações ordinárias de Petrobras na maior oferta do gênero no país em uma década. A operação contou com o envolvimento direto do Conselho de Administração do BNDES.

Hoje, olhada em retrospectiva, a transação é considerada por agentes de mercado como um “marco” da postura mais ativa adotada pelo novo colegiado do banco, sob comando do administrador de empresas Marcelo Serfaty.

De fevereiro para cá, o Conselho do BNDES e, particularmente, Serfaty se aprofundaram nas discussões sobre medidas de apoio do banco para superação da crise. Serfaty coordena, a pedido do ministro Paulo Guedes, de quem foi sócio no banco Pactual, o comitê de bancos públicos e privados a discutir medidas setoriais para empresas aéreas e para as indústrias automotiva e de energia elétrica. O banco anunciou novas ações de combate aos efeitos econômicos e sociais da covid-19.

A atuação proativa do Conselho, porém, tem suscitado questionamentos até que ponto o colegiado do BNDES não estaria ingressando na gestão executiva, na operação da Diretoria do banco propriamente dita, o que Serfaty e conselheiros negam. No limite, o debate coloca em questão quem realmente manda no BNDES. Continuar a ler

Relatório de Economia Bancária – 2019

Alex Ribeiro (Valor, 05/06/2020) informa: o peso do lucro dos bancos no spread das operações de crédito cresceu de 17,8% para 21,53% entre 2018 e 2019, mostra o Relatório de Economia Bancária – 2019, divulgado na véspera pelo Banco Central. É o segundo ano seguido de alta desde quando foi adotada uma nova metodologia de decomposição do custo dos empréstimos.

Apontado como o grande vilão no custo do crédito, o peso da inadimplência voltou a cair. Passou de 33,82% do custo do spread para 30,98%, de 2018 para 2019. Dois anos atrás, a contribuição da inadimplência no spread bancário era de 39,23%.

O Banco Central diz que o peso do lucro dos bancos no spread bancário aumentou devido à queda dos juros básicos da economia. As instituições financeiras ainda carregam em seus balanços safras de operações de crédito contratadas com juros mais altos, ao passo que passaram a pagar menos para captar depósitos de seus clientes depois que a taxa Selic caiu a percentuais historicamente baixos.

Quando há uma surpresa na queda de juros, os bancos ganham mais por ter o funding pós-fixado e o crédito prefixado. Quando os juros sobem mais do que o esperado, ocorre o contrário, e os bancos perdem dinheiro. Continuar a ler

Planejamento para Recuperação Sustentável: Negócio da China

Adair Turner, presidente da Comissão de Transições de Energia, foi presidente da Autoridade Reguladora dos Serviços Financeiros do Reino Unido de 2008 a 2012. Seu último livro é Between Debt and the Devil (Entre a Dívida e o Diabo). Publicou artigo (Valor, 25/05/2020) com estudo de caso real: o planejamento para retomada de crescimento na China após a crise de 2008.

Quando a crise financeira mundial de 2008 estourou, as exportações da China desabaram, o que criou o risco de perdas enormes de postos de trabalho. Em resposta, a China pôs em marcha o maior boom de construção civil do mundo, e despejou mais concreto entre 2011 e 2013 do que os Estados Unidos em todo o século XX.

O investimento total aumentou de 43% para 48% do Produto Interno Bruto (PIB) durante esse período, enquanto a dívida total saltou de 140% em 2008 para mais de 200% em 2013 e chegou a 250% em 2017, à medida que os bancos concediam empréstimos à vontade para os governos locais, a indústria pesada estatal e incorporadoras imobiliárias.

Os empregos na construção aumentaram de 39 milhões para 53 milhões, e o emprego urbano total continuou a crescer no ritmo anual de 12 milhões necessário para absorver a migração das áreas rurais. O crescimento anual do PIB só diminuiu l de 9,6% em 2008 para 9,2% em 2009.

Hoje, a China está diante de um desafio semelhante. Como outras economias asiáticas, ela conseguiu conter a ameaça da covid-19 de forma mais eficaz do que a Europa Ocidental ou os Estados Unidos; quase todas as suas fábricas estão em funcionamento de novo, e os números de abril sobre as exportação mostram um comércio intenso com os vizinhos asiáticos. Mas, como as economias desenvolvidas ocidentais ainda estão em quarentena parcial e só devem se recuperar lentamente, a China enfrenta enormes obstáculos ao crescimento. A tentação será repetir um estímulo baseado na construção civil.

Mas o boom da construção pós-2008 teve três efeitos adversos. Continuar a ler

Presidente do BNDES: Vergonhoso Apoio a “Passar a Boiada”

O “gado” bolsonarista cometeu seguidos atos-falhos explicados por Freud na reunião ministerial tornada pública. “Passar a boiada”, na área ambiental, enquanto a imprensa está focalizando o pandemia, expressa o típico mau-caráter desse gado.

Arthur Koblitz (UOL, 25.mai.2020) destaca a intervenção menos comentada pela imprensa do presidente do BNDES, Gustavo Montezano, durante a propalada reunião ministerial do presidente Jair Bolsonaro.

Frise-se que Montezano é responsável pela principal instituição que o estado brasileiro dispõe para enfrentar a atual crise e coordenar a recuperação da economia. Sua intervenção na reunião resumiu-se a três objetivos:

1) mostrar sua total submissão aos desígnios de Paulo Guedes;

2) apoiar integralmente a escandalosa e repudiada fala de Ricardo Salles;

3) fazer marketing sobre sua administração ao presidente Bolsonaro.

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Cenário Pessimista para Bancos e Crédito

Maria Luíza Filgueiras (Valor, 18/05/2020) informa: o efeito da pandemia para bancos de atacado e investimento este ano pode chegar a uma retração nos resultados de até 277% no ano, reflexo da queda de 16% nas receitas e perda de crédito de até US$ 300 bilhões. Esse é parte do cenário mais pessimista traçado em um estudo feito pela consultoria Oliver Wyman em parceria com o banco Morgan Stanley com dados de instituições globais, incluindo Brasil.

Nesse cenário, a consultoria considera uma extensão de 12 meses ou mais para a pandemia, em que ainda há medidas de isolamento social, ritmo elevado de contágio e mortalidade, e ausência de vacina ou tratamento estabelecido. É o que traria o Produto Interno Bruto (PIB) global a uma queda de 2% este ano e empurraria os primeiros sinais de recuperação econômica para o final de 2021.

“Com essa crise entrando de sola, ninguém sabe ainda como será o próximo trimestre. Dependerá muito ainda da reação de cada governo e da coordenação disso com a sociedade e setor privado”, diz Gabriela Bertol, diretora da área de serviços financeiros da Oliver Wyman.

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Provisões contra Devedores Duvidosos: Queda de Lucros e Dividendos dos Bancos

Talita Moreira e Flávia Furlan (Valor, 05/05/2020) informam sobre fenômeno, senão inédito, raro na história bancária brasileira.

A crise provocada pelo coronavírus já mostrou seus sinais nos grandes bancos brasileiros. O lucro combinado de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander somou R$ 11,518 bilhões no primeiro trimestre, apontando uma rara queda de 30,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A decisão de aumentar as reservas contra uma iminente escalada da inadimplência foi o fator que mais pressionou o resultado, embora não tenha sido o único. Indicativas do risco do crédito, as despesas líquidas com Provisões contra Devedores Duvidosos (PDD) dispararam, aumentando 96,7%, para R$ 20,219 bilhões. Encontraram um cenário de receitas já pressionadas pelo teto do juro do cheque especial e aumento da competição com mais bancos e fintechs.

A crise veio em um momento em que o crédito buscava recuperação. O estoque de empréstimos e financiamentos dos maiores bancos privados alcançou R$ 1,888 trilhão no fim de março, alta de 7,12% em relação a dezembro e de 18,44% quando comparado a igual mês do ano passado. Continuar a ler

211,5 Milhões sob um Trouxa

Em videoconferência promovida pelo Itaú BBA, no dia 9 de maio de 2020, o ministro parasita da Economia, centralizador da Fazenda, Planejamento, Trabalho, Previdência, Indústria e Comércio sob seu oportunismo de aliar sua casta de mercadores-financistas à casta dos militares, criticou a concentração do sistema bancário do Brasil. Para ele, com reformas neoliberais haverá ampliação de investimentos e a economia ficará mais competitiva.

“Em vez de termos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis bancos, seis empreiteiras, seis empresas de cabotagem, seis distribuidoras de combustíveis; em vez de sermos isso, vai ser o contrário. Teremos centenas, milhares de empresas”.

O posto Ipiranga assumiu todo o poder sob o olhar complacente e ignorante de seu capitão tendo como principal projeto cortar os direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros. Cumprida essa missão, não consegue entregar nenhum projeto de retomada do crescimento da renda e do emprego na economia brasileira – mas continua parasitando nossa vida pública, ou seja, vivendo à custa dos “trouxas”.

Suas ideias nefastas constituem a pura ideologia neoliberal. Sua parolagem é defender “reformas estruturantes no país para estimular investimentos e criar uma classe média empreendedora como forma de estimular a economia.” Em sua tagarelice, lengalenga, conversa sem consequência, haveria maior valorização dos trabalhadores, porque a mão-de-obra seria menor. Pasme com tanta ignorância!

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