Corte do Spread do BNDES

Francisco Goes (Valor, 28/08/17) informa que uma decisão tomada este mês pelo Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mudando a forma de cálculo do retorno sobre o ativo (ROA) da carteira de crédito vai abrir espaço para a instituição de fomento reduzir os “spreads” das operações financeiras. A medida surge em momento em que o BNDES precisa buscar formas de ser mais competitivo como resultado da provável introdução, a partir de janeiro de 2018, da Taxa de Longo Prazo (TLP) que servirá como referência para os empréstimos do banco.

Em 4 de agosto, o Conselho de Administração do BNDES fixou pela primeira vez um ROA de 0,4% ao ano para os ativos de crédito. Até então esse índice era de 0,7% com a conta sendo feita sobre o total dos ativos do banco, incluindo o crédito, a renda variável e títulos em tesouraria. O ROA é um indicador financeiro que demonstra a capacidade dos ativos de uma empresa em gerar resultados.

Para especialistas, a medida vai reduzir o retorno ao controlador, o Tesouro Nacional, o que a diretoria e o corpo técnico do BNDES negam. “O retorno para o Tesouro não vai cair porque o banco será mais eficiente na renda fixa e variável. Baixamos o retorno sobre ativos no crédito porque queremos competir com spreads mais baixos”, disse o diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas. A partir da decisão do Conselho de Administração, a diretoria do banco vai poder calibrar os “spreads” para baixo. Continue reading “Corte do Spread do BNDES”

BNDES como Órgão Auxiliar do Banco Central em favor de O Mercado

Angela Bittencourt, Lucinda Pinto e Lucas Hirata (Valor, 10/08/17) informam que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a operar como “dealer” do Banco Central (BC) no mercado aberto. O credenciamento do banco de fomento para compor, com outras onze instituições, o grupo que atuará diretamente com a autoridade monetária nos próximos seis meses, além de surpreender os participantes do mercado financeiro desperta controvérsia entre especialistas. A atuação de um banco de fomento como dealer de banco central é algo inédito. Não há notícia de participação semelhante em outros países.

A estreia do BNDES como dealer focado nas operações compromissadas do BC com o mercado — representadas pela compra ou venda de títulos da carteira do BC com data pré-determinada para revenda ou recompra junto à autoridade monetária — acontece em um momento particular do debate sobre as contas públicas do país.

A escassez de receitas decorrente da grande queda do PIB em 7,5% em dois anos, apesar da ilusão de controle de gastos, ameaça o cumprimento da meta fiscal deste ano, deficitária em R$ 139 bilhões. Fartamente utilizado nos governos do PT para conter os estragos da crise financeira global de 2008 na economia doméstica, o BNDES tornou-se um importante devedor do Tesouro Nacional pelos subsídios implícitos que bancaram suas operações de crédito firmadas por uma taxa de juro (TJLP) que raras vezes se aproximou do custo de financiamento do Tesouro. Continue reading “BNDES como Órgão Auxiliar do Banco Central em favor de O Mercado”

Livro Verde do BNDES

No ano em que faz 65 anos, com a divulgação do Livro Verde, o BNDES toma a iniciativa de fazer uma prestação de contas à sociedade brasileira acerca de sua atuação ao longo do atual século, no período 2001-2016.

A publicação se destina a um duplo propósito. Por um lado, expor o conjunto de temas controversos que cercaram a atuação da instituição nesse período. Por outro, apresentar uma espécie de relatório, na forma de um balanço, de forma integrada e abrangente, de sua atuação em diversos campos ao longo desses 16 anos.

O arquivo disponível poderá sofrer alterações até o lançamento da versão final.

Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil

O Banco Central (BC) publicou, no dia 10/07/17, as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil, referentes a 2016. Esses dados, divulgados anualmente, compilam informações enviadas pelos diversos participantes do mercado. São divulgados números referentes ao uso dos instrumentos de pagamento no país, ao mercado de cartões de pagamento e aos canais de acesso a transações bancárias.

No final de 2016, 148,9 milhões de cartões de crédito tinham sido emitidos, mas 83,5 milhões estavam ativos, ou seja, 56% de ativação. Já cartões de débito 318,4 milhões tinham sido emitidos e 101,3 milhões estavam ativos (31,8% de ativação), que é uma boa proxy para o número de contas correntes ativas no País. É próximo da PEA – População Economicamente Ativa.

Logo, a bancarização atingiu a primeira etapa, em termos de público-alvo, para configurar uma clientela  bancária expressiva. Resta atender toda a PIA – População em Idade Ativa, alcançando inclusive estudantes acima de 15 anos, para o País ter plena cidadania financeira com acesso popular a banco e crédito. Continue reading “Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil”

Fintechs

Naiara Bertão (Exame, 20/06/17) avalia que, para empreendedores à caça de consumidores insatisfeitos, os bancos criaram um gigantesco mercado. Dependendo da pesquisa que se olhe, de 40% a 80% dos consumidores dizem não gostar dos bancos em que têm conta, por diferentes razões.

Um levantamento da consultoria EY, feito com 55.000 clientes bancários de 32 países, mostra que apenas um quarto deles acredita que os gerentes dão conselhos imparciais sobre produtos financeiros. De acordo com a consultoria Scratch, sete em cada dez jovens americanos preferem ir ao dentista a encarar uma conversa com o gerente da agência. A aversão aos bancos se deve, em parte, ao fato de que ser cliente deles não é uma escolha, mas uma obrigação para qualquer cidadão comum que precise pagar contas, receber e transferir dinheiro etc.

Mas virar cliente pode ser uma experiência desagradável: é preciso ir a uma agência, aguardar na fila, levar uma série de documentos, esperar o envio de outros documentos para ser assinados, cadastrar senhas com dez dígitos alfanuméricos e — só então — começar a pagar 30, 50, 80 reais de tarifa todos os meses. É verdade que clientes que têm dinheiro investido no banco recebem descontos e outras vantagens.

Mas aí surge outro problema: os bancos não têm tantas boas opções de investimento assim. Nada disso é exclusividade do Brasil: no mundo todo, os bancos exigem documentos e senhas, e fazem isso por uma necessária preocupação com a segurança. Cobrar por produtos e serviços também é, ou deveria ser, algo normal.

O problema para os bancos é que a maioria dos clientes acha que paga muito e recebe pouco. Se “disrupção” é o termo da moda, o setor bancário era um que estava maduro para ser virado de pernas para o ar. Nesse ambiente, surgiram as fintechs, startups especializadas em finanças que estão protagonizando a maior transformação do mercado financeiro em décadas. Continue reading “Fintechs”

Mobile Banking X Fintech

Felipe Datt (Valor,22/06/17) informa que o mobile banking já é, oficialmente, o canal preferido do brasileiro para realizar transações bancárias. Conforme a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2017, no último ano o canal respondeu por 34% do total de transações da indústria, ultrapassando o internet banking (23%) pela primeira vez. O crescimento é notável. Em 2013, o mobile respondia por 4% das transações, perdendo da máquinas de atendimento automático (ATMs) e das agências.

O que impressiona é a velocidade da mudança. A métrica de sucesso de um aplicativo não é mais atingir 100 mil downloads, mas milhares. O Bradesco contabiliza 10 milhões de usuários no mobile banking e o Banco do Brasil, 11,7 milhões de usuários do mobile. O Santander, quatro milhões de usuários do aplicativo. O Itaú possui sete milhões de usuários cadastrados no mobile banking.

Desde março de 2014, o acesso ao app do Bradesco não consome o plano de dados. O uso do app do Santander também não consome dados desde abril deste ano. Já o Itaú lançou em dezembro de 2016 uma versão light do seu aplicativo.

A curva de adesão é mais acelerada do que a verificada em internet banking, há quase duas décadas. Um dos fatores é que, para boa parte da população, o smartphone é a porta de entrada no universo digital. Outro fator é comportamental. Há duas décadas, houve um esforço enorme para convencer o cliente a usar o banco pela internet. Hoje, essa demanda ocorre de fora para dentro. No mobile banking, tem de se entregar uma boa experiência para o cliente. Do contrário, ele abandona e não compra. Continue reading “Mobile Banking X Fintech”

Sigam o Dinheiro!

Claudia Safatle e Eduardo Campos (Valor, 13/06/17) informam que o acordo de leniência previsto na Medida Provisória 784, que ampliou os poderes punitivos do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alcança exclusivamente as infrações administrativas cometidas por agentes do sistema financeiro e do mercado de capitais. Para abranger condutas criminais, como lavagem de dinheiro e corrupção, será preciso editar um projeto de lei ou apresentar uma emenda à medida provisória já em tramitação no Congresso prevendo a atuação do Ministério Público Federal (MPF), do BC e da CVM em um trabalho conjunto. Só o MPF tem a prerrogativa de persecução penal.

O procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, explicou: “O acordo de leniência com o BC só alcança infrações administrativas, não crimes. Não faria sentido um infrator celebrar acordo só com o BC, porque precisaria confessar e correr o risco de responder a ação penal movida pelo Ministério Público. Menos ainda no caso de fatos anteriores à edição da MP 784, quando a multa era [e continua sendo] de no máximo R$ 250 mil”.

Editada na primeira quinzena de junho de 2017, a medida tem sido objeto de críticas do MPF e de interpretações equivocadas seja em relação ao seu conteúdo quanto ao “timing” da sua publicação.

O BC atribui esses ruídos ao clima de “animosidade” que domina o país hoje. Seria essa a razão para se identificar a publicação da MP 784 com a eventual delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, envolvendo participantes do sistema financeiro, e às investigações sobre “insider trading” que teriam produzido ganhos da JBS no mercado de câmbio e de juros. Continue reading “Sigam o Dinheiro!”