Balanço Anual de 2016 em Fundo dos Investimentos

captac%cc%a7a%cc%83o-liquidad-da-industria-de-fundos-2012-2016captac%cc%a7a%cc%83o-liquida-de-fundos-de-previde%cc%82ncia-2012-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-do-pl-por-classe-2012-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-do-pl-por-segmento-do-investidor-dez-2016distribuic%cc%a7a%cc%83o-por-ativos-fi-2012-16renda-fixa-em-2016Dica: inscrever seu e-mail para receber as mensagens da ANBIMA avisando quando estão disponíveis suas publicações de dados e informações.

Já estão disponíveis os Boletins ANBIMA de janeiro de 2017 com todos os resultados do ano passado. É uma boa referência para seleção de carteira de ativos financeiros verificar as tendências do mercado financeiro, especialmente dos segmentos de clientes e suas escolhas de portfólio. Confira:

Fundos de investimento
Indústria registra captação líquida de R$ 109,1 bi em 2016 »

Renda fixa
Índices de maior duration apresentaram a melhor performance do ano »

Mercado de capitais
Emissões no mercado de capitais superam em 27,7% o total de 2015 »
Acesse tabelas de registros »

Nestas publicações você poderá ler que o Patrimônio Líquido dos Fundos atingiu R$ 3,417 trilhões. A captação líquida da indústria em 2016 alcançou R$ 109,1 bilhões, a segunda maior da série, superada, apenas pela de 2010, quando registrou R$ 113,5 bilhões. A captação líquida da classe Previdência no ano também foi recorde (R$ 48,2 bilhões) e respondeu pela maior parte do ingresso líquido de recursos no ano, sendo seguida pela classe Renda Fixa, com R$ 45,9 bilhões.

Observe também que as EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar: PGBL/VGBL) se tornaram os maiores investidores institucionais (45,7%), ultrapassando as EFPC (Entidades Fechadas de Previdência Complementar patrocinadas por empresas públicas – 15,2% – e privadas – 21,5%). A classe média de alta renda e o Private Banking demonstram estar adquirindo essa consciência da necessidade de complementar a Previdência Social.

No ano de 2016, os Fundos de Ações lideraram as rentabilidades na indústria, aproveitando a primeira valorização anual do Ibovespa desde 2012. O período também foi favorável à rentabilidade das carteiras dos Fundos de Renda Fixa com maior duration, que se beneficiaram da perspectiva da redução dos juros, iniciada em outubro de 2016. Na classe Multimercados, os maiores retornos foram registrados pelos tipos Long and Short Neutro (21,14%) e Macro (19,8%).

No entanto, todos esses fundos de renda variável são de maiores riscos, i.é, volatilidade em seus retornos. Se você tem em renda fixa uma “garantia” de elevada taxa de juros real, em comparação mundial, para que correr risco e não apenas proteger seu patrimônio financeiro da elevada taxa de inflação brasileira? Aqui, a diretoria do Banco Central cuida muito bem de evitar a “eutanásia dos rentistas”...

Os Fundos de Renda Fixa Duração Baixa Soberano (TDPb) teve rentabilidade de 13,92% no ano, os de Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento (“Crédito Privado”), 14,16%. O CDI médio do ano de 2016 foi 14%. E o IPCA no ano passado ficou em 6,29%.

Em Calcular Taxa de Juro Real você poderá estimar que a taxa de juro real ex-post ficou então em 7,25% no ano de 2016! Em outras palavras, o Banco Central do Brasil te ofereceu em RF DI, sem correr maior risco, mais do que o dobro da taxa de inflação!!!

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De Volta ao Passado Neoliberal: O “Cavalo-de-Pau” nos Bancos Públicos

 

politicas-operacionais-do-bndes-em-2017O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai assumir papel inédito como supridor de capital de giro para as empresas nacionais. Até 31 de dezembro de 2017, caso o governo golpista não caia antes, o banco vai oferecer R$ 13 bilhões na linha BNDES Progeren, de fortalecimento da capacidade de geração de emprego e renda, dos quais R$ 5 bilhões de forma direta, o que até agora nunca tinha ocorrido de maneira ampla, e R$ 8 bilhões via agentes financeiros.

A oferta de capital de giro sem a intermediação dos agentes faz parte das novas políticas operacionais anunciadas pelo BNDES na maior reformulação nas condições de financiamento em quase uma década. A última mudança havia ocorrido há nove anos na Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

“Nesse momento, nossa ênfase em capital de giro é para preservar a atividade econômica e os empregos”, disse Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES ao anunciar as novas políticas operacionais. Segundo ela, a instituição tem um olhar de curto prazo, conjuntural, em que busca ampliar o acesso a crédito para além da rede bancária tradicional. Um banco de desenvolvimento vai virar banco de varejo?!

O banco quer atrair novos canais de distribuição de produtos, dentro do esforço de aumentar o acesso a crédito. Entre esses canais, estão plataformas digitais e “fintechs, empresas que usam tecnologia de forma intensiva para oferecer produtos na área de serviços financeiros. “Estamos em conversas avançadas com uma grande plataforma [digital] e com uma “fintech” para que possam distribuir nossos produtos”, disse Maria Silvia. Espanto! O banco de desenvolvimento maior do que o Banco Mundial virou “fintech”! Vá pensar pequeno assim…  🙂

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Modelo “Jabuticaba” do Sistema de Pagamentos do Varejo com Cartões

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Alessandra Bellotto (Valor, 23/12/16) informa que, com a limitação do prazo do crédito rotativo para 30 dias, as taxas de juros cobradas nos cartões de crédito vão convergir para níveis mais baixos, de até um dígito ao mês, sem a necessidade de tabelamento de preço aventada pelo governo. Essa é a expectativa do presidente da Abecs, associação que representa as empresas do setor.

Ao transformar automaticamente a linha do crédito rotativo, cuja taxa alcança 475,8% ao ano, em crédito parcelado, com juros de 156% aa, o cliente passa a ter um prazo mais elástico para o pagamento do saldo remanescente.

Consequentemente, há um menor comprometimento da renda mensal, o que reduz a inadimplência e abre espaço para a convergência para taxas menores. A redução da taxa se dá por razões técnicas. Porém, ninguém garante que as taxas de cada banco vão cair significativamente para os níveis do parcelado, hoje de um dígito ao mês.

Segundo dados do Banco Central, em outubro de 2016, a inadimplência da pessoa física atingiu 36,1% no rotativo do cartão de crédito, ante 1% no crédito parcelado. Das concessões totais no cartão de crédito para a pessoa física naquele mês, equivalentes a R$ 91,2 bilhões, o rotativo respondeu por mais de 30% (R$ 27,5 bilhões) e o parcelado, por 2,6% (R$ 2,3 bilhões). A diferença refere-se ao pagamento à vista (67,4% ou R$ 61,4 bilhões).

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Bancos: Migração de Clientes para Atendimento Digital

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Felipe Marques e Vinícius Pinheiro (Valor, 27/12/16) informam sobre a possibilidade de resolver a maior parte da vida financeira via celular, fora de horário comercial, com um gerente de prontidão do outro lado da tela é o benefício mais visível da transformação digital do sistema financeiro do Brasil. Mas a mudança que facilitou a vida dos clientes trouxe também ganhos expressivos de eficiência porta giratória adentro e explica por que os grandes bancos vêm apostando tão alto na digitalização de suas interações com correntistas.

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander traduzem em números os ganhos trazidos pelo modelo de atendimento digital. No BB, os clientes atendidos pelos canais eletrônicos têm uma margem de contribuição, que mede o consumo de produtos e serviços do banco, 40% superior à dos clientes “analógicos” do banco. No Itaú, o índice de eficiência — relação entre despesas (DP + ODA) e receitas (RBIF + RPS) — de uma agência digital é entre 10 e 15 pontos percentuais melhor que o do ponto de atendimento físico.

O que diferencia o modelo digital de atendimento bancário do tradicional? Embora as minúcias da resposta variem de banco para banco, em linhas gerais a grande diferença é que o gerente responsável pelo cliente não fica mais localizado em uma agência de rua tradicional, mas sim em uma espécie de escritório.

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Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos

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Os membros da casta dos mercadores-financistas se apossaram dos cargos-chave na área econômico-financeira do governos temeroso: ex-presi de banco estrangeiro é o MinFaz e ex-economista-chefe de banco nacional privado é presi do BCB. Daí vão brotando “ideias-geniais” para elevar a riqueza financeira enquanto a economia brasileira vive uma Grande Depressão já trienal. Ela foi provocada com a volta da Velha Matriz Neoliberal ao comando da economia, em 2015, e se mantém, recebendo a louvação ilusória, cotidianamente, de colunistas idolatras do PIG.

A última ideia de “gênio-da-raça” foi esvaziar o funding da Caixa para financiamento de construção de Habitações de Interesse Social, cujos mutuários necessitam de recursos subsidiados do FGTS. De acordo com esse “populismo de direita”, o dinheiro sairá do FGTS e, provavelmente, irá abastecer o regime de capitalização dos fundos de Previdência Privada Complementar.

Sob o ponto de vista individualista do detentor de FGTS é uma manobra racional deixar de receber 3% aa + TR e passar a receber, p.ex., 13,04% como ocorreu no ano passado (2016) em PGBL com RF Crédito Privado.

Sob o ponto de vista social, considerando que a sociedade brasileira necessita cobrir o déficit habitacional em que 95% se refere às famílias que recebem menos de 5 salários mínimos, a medida é irresponsável!

Sob o ponto de vista dos financistas, a carência de ativos que agregam valor na produção levará à busca aos dados ativos financeiros. O choque de demanda na caça por “formas de manutenção de riqueza” (ativos) levará a uma alta artificial dos ativos — p.ex., ações de grandes empresas brasileiras — e, com o enriquecimento súbito de alguns apaniguados de O Mercado, a uma falsa euforia. Depois, quando a bolha de ativos se revelar sem sustentação em valor agregado, virá o pânicoContinue reading “Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos”

Oportunismo Liberalizante da Velha Matriz Neoliberal

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Os economistas neoliberais “chapas-brancas” atuam em defesa do governo golpista, dedicando-se, cotidianamente, em suas colunas no PIG, a louvar “remédios amargos [para quem, cara-pálida?] que estão dando certo”. Porém, nem torturando os números conseguem esconder a realidade para quem lê dados oficiais do IBGE e do BCB.

Em que ano o choque tarifário — liberalização de preços administrados — provocou o choque inflacionário com a taxa de inflação atingindo 10,7%, depois de dez anos abaixo do teto da meta? Em 2015, com a volta apologética de um neoliberal (Joaquim Levy) ao comando do MinFaz.

Qual foi o tratamento de choque fiscal aplicado pelos golpistas? Sabotagem da política econômica de Nelson Barbosa com aprovação de “pautas-bombas” no Congresso e impedimento do ajuste fiscal gradualista, seguido do tratamento de choque depressivo. Seu resultado — apontam os gráficos acima — foi agravar, drasticamente, a queda da absorção doméstica do mercado interno, mesmo que a exportação líquida tenha reagido ao choque cambial de 2015 e à Grande Depressão de 2015-16 com a queda das importações maior do que a queda das exportações.

Qual é a grande diferença entre a Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) e a volta da Era Neoliberal (2015-16)? A queda da População Ocupada (PO) e a elevação do desemprego, justamente, a partir da posse do Joaquim Levy em janeiro de 2015. Confira os gráficos acima, publicados pelo BCB, tendo como fonte o IBGE.

O resto dos argumentos dos neoliberais é retórica ou denúncia vazia! Eles não provam com números estatísticos o falso argumento da defasagem precisa da “bomba-relógio”, supostamente, implantada pela Nova Matriz Macroeconômica dos novos-desenvolvimentistas!

Agora, contra a Grande Depressão de 2015-2016, o causador principal — o Banco Central do Brasil com sua política de juros reais totalmente disparatada em relação ao resto do mundo (Selic real ex-post de 7,16% aa) — anuncia “band-aid” para estancar a sangria desatada!

Na verdade, usa o oportunismo do golpe parlamentarista para impor uma terapia equivocada a partir de um diagnóstico errado: “as causas das altíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos livres seriam as baixíssimas taxas de juros de empréstimos com recursos direcionados”.

Este é o modelo gangorra dos neoliberais: para eles, o juro está no “céu” não por causa do nível da SELIC (referência para o custo de captação de funding) nem por razão do spread bancário (seu alargamento pela avaliação superestimada do risco de perda dos créditos), mas sim por causa do “inferno” do crédito direcionado dos bancos públicos que concorre com os bancos privados. É um modelo “2 neurônio” (sic), tipo Tico-e-Teco…

O ex-economista-chefe do Itaú-Unibanco, atual presidente do BCB — assim como o ex-MinFaz JL era presidente do BRAM (Bradesco Asset Management) e o atual, ex-presi do Bank of Boston –, aproveita a oportunidade política para conceder esse beneplácito — aprovação régia ou de autoridade de instância superior — para o ex-patrão ganhar market-share no mercado de crédito livre pela perda da concorrência dos bancos públicos.

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Sintoma da Grande Depressão no Mercado de Locação Comercial

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Chiara Quintão (Valor, 28/12/16) confirma que os dois maiores mercados de escritórios de alto padrão do país fecham o ano com o pior desempenho de suas histórias. Tanto na cidade de São Paulo como na do Rio de Janeiro, a combinação de volume elevado de entregas de novos prédios com o reflexo da retração da economia na devolução de áreas ocupadas resultou em queda de preços em 2016

O mercado paulistano de escritórios de alto padrão tende a apresentar, em 2017, estabilidade dos valores de aluguel e talvez aumento na demanda por espaços. Este foi o pior ano da história do mercado paulistano em absorção líquida de áreas e valor de locação. Esperava-se o mesmo nível de 2015, mas a situação piorou com o golpe parlamentarista e a paralisia da economia.

Um dos fatores que mais afetaram, negativamente, o total das áreas ocupadas foi a redução do nível de emprego. Sem a perspectiva da recessão ser interrompida com essa equipe econômica depressiva, se a inflação ser equacionada e o país crescer pelo menos 0,5% em 2017, melhora pouco a perspectiva para o mercado imobiliário.

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