Desempenho do Mercado de Capitais em 2022: Recorde em Renda Fixa X Fuga de Capitais aplicados em Renda Fixa com MtM (Market-to-Market)

As emissões das empresas nacionais em instrumentos de renda fixa somaram R$ 457 bilhões em 2022, o que representa avanço de 6,6% sobre 2021. O volume é o maior da nossa série histórica de mercado de capitais, iniciada em 2012, e foi puxado pelas ofertas de debêntures, que totalizaram R$ 271 bilhões no período – resultado que também é recorde.

Mesmo diante de desafios nos cenários interno e externo, a renda fixa teve um bom desempenho em 2022, o que demonstra a força e a maturidade que o mercado de capitais doméstico atingiu nos últimos anos. Com essa evolução, além das debêntures, há outros instrumentos ampliando participação no financiamento das empresas, como as notas comerciais, os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).

No mercado de securitização, os CRIs totalizaram R$ 50,3 bilhões no ano, resultado que representa alta de 48,5% sobre 2021. Foram 677 operações, contra 623 no ano anterior. Os CRAs somaram R$ 40,8 bilhões, com avanço de 62,4%. O número de operações também cresceu na mesma base de comparação, passando de 185, em 2021, para 302. Os resultados dos CRIs e dos CRAs também são recordes da série histórica. Já os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) tiveram queda de 49,9% em relação a 2021, para R$ 46,2 bilhões.

Continuar a ler

Meta de Finanças Pessoais: Independência Financeira

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor. Escreveu a coluna abaixo (FSP, 06/01/23), útil para uso didático.

Para calcular qual seu objetivo de patrimônio financeiro para viver de renda, são necessários três dados:

1. o retorno no período de usufruto da renda do patrimônio,

2. o valor desejado para ter a renda mensal e

3. o prazo durante o qual deseja viver de renda.

É necessário aprender a estimar sua taxa de retorno no período de usufruto da renda. Para o prazo desejado viver de renda, seja cauteloso e considere você viver pelo menos até os 95 anos. Para definição deste período, você também precisa definir o momento quando deseja começar a receber a renda. O prazo desejado é a diferença entre 95 e a idade pretendida para alcançar a independência financeira.

Resta apenas selecionar o valor desejado receber mensalmente. Seja realista e ao mesmo tempo conservador. Considere, no primeiro momento, um valor 20% acima de suas despesas mensais neste momento. Lembre-se, o plano será revisado no futuro. Assim, se suas despesas mensais são de R$ 10 mil, considere uma renda alvo de R$ 12 mil.

Para chegar ao valor objetivo, use uma calculadora financeira. Se você colocar nos buscadores de internet a palavra “HP 12 C emulador” vai encontrar uma série de alternativas. Viriato costuma usar a disponível no link.

Continuar a ler

Previdência Privada perde perde investimentos com inflação e juros altos

Previdência perde fôlego com inflação e juros altos _ Finanças _ Valor Econômico (16/01/23)

O ano de 2022 foi mais de “rouba-monte” na previdência complementar do que de dinheiro novo, e 2023 tem elementos para repetir essa dinâmica. O setor guarda relação estreita com a atividade econômica, e fatores como juros altos e inflação consomem poder de compra e a capacidade de poupança da população. Mas são justamente os momentos de taxas elevadas considerados os melhores para se construir reservas para a aposentadoria, valendo-se da capitalização do dinheiro no tempo. A renda fixa tem liderado a preferência dos investidores.

Olhando-se a fotografia dos fundos que acolhem os recursos dos planos privados de previdência, a captação líquida totalizou R$ 13,0 bilhões no ano passado, um recuo de 2,5% em relação a 2021, com o patrimônio do segmento chegando a R$ 1,2 trilhão, segundo a Anbima, que representa o mercado de capitais e de investimentos. Em termos nominais, é o pior desempenho desde 2008.

Pelos números parciais de portabilidade da Susep, o regulador do setor de seguros e previdência, mais de R$ 40 bilhões tinham trocado de mãos, conforme as estatísticas disponíveis em novembro.

Continuar a ler

Investidor institucional tem a menor participação na bolsa em 12 anos

Fonte: Investidor institucional tem a menor participação na bolsa em 12 anos _ Finanças _ Valor Econômico (16/01/23)

Em um cenário de juros reais e nominais elevados, sem perspectiva de uma reversão no curto prazo, e ainda sofrendo com saques de cotistas, o investidor institucional – nesse caso, basicamente fundos de investimentos – tem encolhido progressivamente sua participação na bolsa brasileira. Depois de atingir um pico, ao responder por uma fatia de 35,2% dos negócios em 2019, a categoria viu sua participação ser reduzida a 23,7% no último dia 11, o menor percentual em 12 anos, mostra levantamento do Valor Data.

O movimento é oposto ao do investidor internacional. Mais otimista com o Brasil e com emergentes como um todo, por conta da reabertura da economia chinesa e do enfraquecimento do dólar com um possível fim do ciclo de aperto do Federal Reserve mais próximo, os estrangeiros registram agora 55,8% de participação na bolsa, o maior patamar desde o início da série histórica em 1994 – em 2019, essa fatia era de 42,6%.

O saldo de aportes dos não residentes no segmento secundário da B3 (ações listadas) no ano já era de R$ 1,54 bilhão até o dia 11, enquanto os institucionais acumulavam saques de R$ 965,9 milhões. No ano passado, o saldo foi positivo em R$ 100,8 bilhões para o estrangeiro e negativo em R$ 142,5 bilhões para o segundo grupo.

Parte da movimentação dos institucionais é explicada pelo próprio desempenho da indústria doméstica de fundos no ano passado, quando houve resgates em todas as modalidades – R$ 158,1 bilhões nos multimercados e de ações, e outros R$ 48,9 bilhões nos de renda fixa. Ou seja, os gestores tiveram que se mexer diante desse cenário.

Continuar a ler

Finanças Pessoais: Gurus Influencers X Economistas

Finanças pessoais_ quem está certo, os … economistas_ _ Eu & _ Valor Econômico

Tim Harford (Financial Times 17/01/2023) escreveu a coluna abaixo.

A bem da verdade, eu não enfrentei problemas financeiros imediatamente após ter terminado meu mestrado em economia. Levou meses para isso acontecer. Eu tinha um emprego bem-remunerado para diplomados nesse nível e vivia dentro do que o meu orçamento me possibilitava. Então, como é que aconteceu? Simples: eu tinha “espertamente” posto todas as minhas economias em uma conta de aplicação a prazo fixo de 90 dias a fim de maximizar os juros que ganhava. Quando fui surpreendido pela minha primeira conta de impostos, não tinha como cumprir o prazo final do pagamento. E aí, o que fazer?

Felizmente, meu pai tinha condições de cobrir meu déficit. Ele não tinha qualquer formação em economia, e sim três décadas de experiência adicional que lhe tinham ensinado uma lição simples e direta: as coisas podem dar errado, por isso é melhor manter algum dinheiro em reserva para uso imediato, se possível. Essa não foi a primeira trombada entre a economia formal e a escola da vida, e não será a última.

Chamou-me a atenção recentemente um artigo de James Choi, “Popular Personal Financial Advice versus the Professors”. Choi é professor de finanças em Yale. Essa é, tradicionalmente, uma disciplina altamente técnica, mas, após Choi ter concordado em dar aula de finanças pessoais a uma turma de estudantes de graduação, mergulhou de cabeça no mercado de livros de autoajuda financeira de grande sucesso para ver o que gurus como Robert Kiyosaki, Suze Orman e Tony Robbins tinham a dizer sobre o assunto.

Continuar a ler

Fundos Multimercados: Estratégias

Em 2022, os multimercados registraram saques recordes de R$ 86,8 bilhões e interromperam uma sequência de seis anos de captação positiva (R$ 397 bilhões acumulados), conforme dados da Anbima, os portfólios com estratégia macro tiveram um dos melhores desempenhos da história recente. Há ganhos de até 39%, caso do Asa Hedge, seguido por SPX Raptor, Vinland e Capstone, com carteiras com valorização acima de 30%. Há ainda uma série de exemplos com valorização perto dos 20%.

Superam com folga os 12,4% da Selic efetiva no ano e os 13,6% do índice de hedge funds (IHF) da Anbima. Reúne carteiras dos mais diversos estilos. Essa foto parte de uma amostra feita por Einar Rivero, da TradeMap, com carteiras com patrimônio acima de R$ 100 milhões.

Foi o combo pró-alta de juros nos Estados Unidos e em outras economias e de queda das bolsas que permeou boa parte das estratégias de gestores ouvidos pelo Valor (04/01/23). Para 2023, o comportamento da inflação e o ciclo de aperto monetário americano são ingredientes a serem depurados para buscar retornos acima do CDI, o chamado alfa. No Brasil, em meio à transição de governo e dúvidas sobre o quadro fiscal, as posições estão por ora mais contidas.

Continuar a ler

Proposta do Novo Arcabouço Fiscal

NOVO ARCABOUÇO FISCAL PROPOSTO POR GRUPO DE ECONOMISTAS DA TRANSIÇÃO

Como princípio geral, o novo regime fiscal deveria ser flexível, transparente e embasado em planos de longo prazo, com:

  • Meta geral de gasto para o ano seguinte, associado a estimativas de receita, de resultado primário, do pagamento de juros e da dívida
  • Dentro da meta geral, haveria meta de gasto corrente e meta de gasto de capital (investimentos), definida dentro de um plano plurianual
  • Dentro da meta de gasto corrente, por sua vez, deveria haver meta de gasto com servidores, baseada em um plano de recursos humanos de longo prazo
  • Haveria cenário para dívida dentro da meta de gasto, mas a dívida não seria gatilho para restrição orçamentária
  • Poderia ser fixado um intervalo para a projeção de resultado primário, bem como sanções em caso de descumprimento

Substituir o teto de gastos por uma meta de despesas, separando as obrigações correntes de curto prazo (que sustentam o custeio da máquina pública) do gasto com investimentos de longo prazo. Esse é um dos pilares do novo arcabouço fiscal proposto pelo grupo de economistas da transição, que reuniu André Lara Resende, Guilherme Mello, Nelson Barbosa Persio Arida.

Dos quatro, estão no governo hoje Mello (secretário de política econômica) e Barbosa (diretor do BNDES).

O quarteto entende que o conceito de meta para gastos poderia transportar para a política fiscal princípios que foram bem-sucedidos com o uso do sistema de metas de inflação na política monetária, como previsibilidade e senso de compromisso.

A proposta foi entregue aos integrantes do governo, mas não chegou a ser divulgada. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já disse que o novo arcabouço vai ser debatido com diferentes interlocutores, inclusive com representantes do mercado financeiro. A sugestão do grupo da transição é uma das que estão na mesa.

Dentro do PT, porém, existe um grupo que prefere a volta ao passado. Essa corrente defende que o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silve (PT) retome a lógica de se cumprir apenas a meta de resultado primário, retirando da conta investimentos públicos, por exemplo. Se essa ideia prevalecer, todas as sugestões alternativas de novo regime fiscal ficariam na gaveta.

O quarteto de economistas da transição não chegou a definir uma regra formal no relatório final, mas traçou pilares que dão um norte para o arcabouço que consideram mais eficiente.

Continuar a ler

Real Digital

A digitalização do real demandará a criação de um novo sistema de compensação de transações financeiras e de transferência de ativos, que hoje ocorrem de forma separada, mas que a tecnologia blockchain permite fazer simultaneamente.

O novo sistema poderá fazer a liquidação de um ativo financeiro, como ação ou título de dívida, contra pagamento em real, desde que ambos sejam tokens. Hoje a compensação financeira acontece no Sistema de Transferência de Reservas (STR) do Banco Central (BC), enquanto a mudança de titularidade do ativo ocorre na B3.

Criado há 20 anos, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) reúne as infraestruturas e participantes do mercado financeiro, mas não é compatível com contratos inteligentes e de programação do dinheiro das blockchains.

“Precisamos fazer o Sistema de Pagamento Digital, que será a plataforma do real digital, e que vai ter um funcionamento integrado com o que já existe”, disse Fabio Araujo, responsável pelo projeto do real digital no Banco Central.

A inspiração será o Ethereum, blockchain pública que concentra mais de 2.500 aplicações de finanças descentralizadas. Só que a rede brasileira, em fase de definição para posterior licitação, deverá ser fechada por razões jurídicas e de segurança, com acesso permissionado aos participantes do setor.

Continuar a ler

Contabilidade Criativa no Setor Privado: Feitiço contra Feiticeiro? Dossiê sobre Americanas

Fernanda Guimarães e Juliana Schincariol (Valor, 17/01/23) escreveram a reportagem abaixo. Segue a avaliação do risco sistêmico sobre os Fundos de Investimentos com ações e debêntures e mais dados sobre o grau de endividamento da rede Americanas.

Nos últimos cinco dias, auditores, contadores e executivos da área financeira estão debruçados sobre o “caso Americanas”, tentando entender o problema do balanço da varejista. Ele se tornou público na última quarta-feira por meio de um fato relevante que informou ao mercado sobre um rombo da ordem de R$ 20 bilhões A pergunta que ficou é onde está essa cifra bilionária no demonstrativo financeiro. A conclusão é de que houve uma “contabilidade muito criativa”.

O problema foi identificado na “conta sacado” — termo que todo o mercado foi obrigado a aprender ao longo dos últimos dias. Para os reguladores não é necessariamente uma novidade e há tempos é fonte de preocupação.

Foi esse sinal de alerta que levou, em 2016, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a se pronunciar sobre o tema. Com os problemas ganhando escala, mais recentemente, em novembro de 2021, o Iasb, organização internacional que publica e atualiza o IFRS (as normas de contabilidade), solicitou, via audiência pública, retornos dos agentes de mercado sobre uma possível orientação relacionada ao tema.

Esse tipo de transação começou a atrair mais atenção, diante do crescimento da atividade de “marketplaces” (shopping center on-line) no país, muito por conta do crescimento do comércio eletrônico, na esteira da pandemia. E as transações com fornecedores, envolvendo os bancos, se tornam essenciais para manter o fluxo das varejistas.

Os fornecedores menores, principalmente, precisam ser financiados e o número mensal de operações deu um salto. Isto passou a exigir mais atenção sobre como essa operação deve ser lançada nos balanços.

Continuar a ler

Dominância Estrangeira na Bolsa de Valores X Palpites Infelizes dos Especuladores Locais

O investidor estrangeiro colocou na bolsa brasileira o maior volume da história em 2022. A entrada de recursos de investidores não residentes nas ações já listadas na B3 totalizou R$ 100,8 bilhões no ano passado, a despeito da forte volatilidade do mercado. A percepção de que muitos papéis locais estavam baratos, a surpresa positiva do PIB e a expectativa de que o Banco Central (BC) pudesse começar a reduzir a taxa de juros já no começo de 2023 atraíram dinheiro internacional.

O Brasil também se beneficiou de uma certa falta de opções para o investidor de emergentes. Outros mercados – como China, em razão do combate à covid-19, e Rússia, em guerra contra a Ucrânia – tornaram-se menos atrativos. O conflito geopolítico teve outra consequência: elevou os preços das commodities, setor que tem participação importante na bolsa local.

Assim, a entrada de recursos de não residentes foi a maior da série iniciada em 2012, conforme levantamento do Valor Data (05/01/23). Os investidores institucionais locais, por sua vez, foram na direção contrária, e o saldo desse grupo no ano passado foi negativo em R$ 142,5 bilhões – também recorde. O Ibovespa acumulou alta de 4,69% em 2022, superando o S&P 500, que perdeu 19,4% no ano, e o índice MSCI de emergentes, que caiu 22,37%.

A percepção de que o Brasil estava fazendo “o dever de casa” pró-mercado ajudou. O crescimento do PIB surpreendeu positivamente, houve forte criação de postos de trabalho, a inflação começou a cair e, como os juros já estavam elevados, criou-se expectativa de queda nas taxas em 2023. Além disso, os ‘valuations’ [avaliação das companhias] do mercado local estavam atrativos e as empresas revisavam seus lucros para cima”.

Continuar a ler

Alavancagem Financeira do Varejo: Crônica da Quebra Anunciada (mas não Contabilizada) com Alta dos Juros de 2% a 13,75% em 15 meses (mar21-ago22)

O ano de 2022 exigiu esforço maior das empresas, pelo lado operacional e financeiro. O ano corrente de 2023, sem sinais de retomada na demanda e com manutenção dos juros altos, deve aumentar a pressão sobre determinados negócios.

No ano passado, varejistas e empresas de serviços trataram de retomar suas vendas, mas sentiram uma deterioração relevante no endividamento. Para este ano, a projeção de taxa Selic elevada por mais tempo, porque o regime de meta de inflação coloca o juro real a 8 pontos percentuais (13,75% – 5,75%), e a expectativa de fraca geração de caixa podem complicar o quadro de alavancagem financeira de certas atividades.

Levantamento realizado pelo Valor Data nos balanços de 48 empresas de comércio e serviços mostra, enquanto a dívida financeira líquida dos grupos aumentou 176% – passando de R$ 17,5 bilhões para R$ 48,3 bilhões entre o terceiro trimestre de 2021 e de 2022 – a geração de caixa operacional subiu bem menos, aumentando a pressão sobre o nível de endividamento.

No mesmo intervalo, o valor do lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (EBITDA, da sigla em inglês) avançou em ritmo menor, em 20,3%, para R$ 34,2 bilhões. Com isso, a relação entre dívida líquida e EBITDA foi além do dobro, de 0,62 vezes para 1,41 vezes. Ainda está em patamar abaixo de duas vezes, considerado crítico, mas em aceleração rápida em prazo curto.

É perceptível a alta desse indicador ao longo do ano – era 0,37 ao fim de 2021, pulou para 1,02 no primeiro trimestre de 2022, quando se registrou a maior aceleração trimestral, até atingir 1,41 em setembro. Para o cálculo foi usada a média ponderada, portanto, o valor total tem o peso das maiores empresas do grupo.

Continuar a ler

Forfait: faltar a um compromisso quebra uma cadeia de cumplicidades e provoca risco setorial

O escândalo contábil de R$ 20 bilhões no balanço da Americanas, denunciado pelo seu ex-presidente, Sergio Rial, no último dia 11, deixou várias perguntas em aberto. Sabe-se que a operação que deu origem a este montante é comum no varejo, chamada de “adiantamento a fornecedores“, ou “forfait“. Mas ainda é desconhecida a maneira como essa operação entrou no balanço financeiro de forma diferente da que deveria (ou se ela deixou de entrar).

A Folha (13/01/23) ouviu especialistas e consultores em varejo para entender como funciona o adiantamento a fornecedores, por que ele é fundamental para o varejo e o que pode ter acontecido na operação envolvendo a Americanas. A reportagem também entrou em contato com a varejista para esclarecer estes pontos, mas a empresa não quis se pronunciar.

O varejo brasileiro é muito dependente de crédito, para tudo. Até para produtos semiduráveis, como vestuário: não se vende roupa a crédito no mundo, em seis vezes, como fazemos aqui. A necessidade de “financiar o cliente” torna a demanda de capital de giro no varejo muito pesada.

Mas não dá para pedir para a indústria fornecedora financiar a venda dela na mesma proporção que o varejista financia o cliente, embora o varejo exerça, sim, muita pressão por prazos mais longos. Mas, principalmente, quando se trata de pequenos fornecedores, eles não têm fôlego para isso.

pessoas diante de uma loja de fachada vermelha e branca em que se lê Lojas Americanas
Pessoas em frente a uma loja da Americanas em Brasília (DF). – REUTERS/Ueslei Marcelino

Continuar a ler