Meu Aluguel Minha Vida

Thais Carrança (Valor, 28/08/17) informa que o déficit habitacional brasileiro subiu a 6,2 milhões de domicílios em 2015, em um crescimento de 2% em relação a 2014 e de 5,8% em dois anos, em meio ao avanço do desemprego e redução da renda, além do corte de investimentos na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida. Em relação ao total de domicílios, a carência também avançou naquele ano, dos 9% de 2014 para 9,3%.

Calculado pela Fundação João Pinheiro, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o déficit habitacional considera a soma de:

  1. habitações precárias,
  2. casas compartilhadas por mais de uma família,
  3. residências com mais de três moradores em média por cômodo, além das
  4. famílias com rendimento de até três salários mínimos e gasto com aluguel superior a 30% da renda. Continue reading “Meu Aluguel Minha Vida”

Risco Lava-Jato: Corte de Crédito para Grandes Empresas

Vinicius Pinheiro (Valor, 24/08/17) afirma que, historicamente com risco muito baixo, o crédito às grandes empresas virou um grande risco para os bancos desde o agravamento da crise. O índice de inadimplência no segmento, que era de apenas 0,38% no fim de 2014, quase triplicou e encerrou o ano passado em 1,09%, de acordo com dados do Banco Central. Incluindo as dívidas que tiveram de passar por algum tipo de reestruturação, o índice sobe para 1,53%.

Como o risco de calote antes da crise era baixo, os empréstimos concedidos antes da crise também contavam com margens menores. O retorno obtido com a carteira de grandes empresas, que já era apertado, foi corroído com a alta da inadimplência.

O problema pode ser medido pelo número de pedidos de recuperação judicial, que atingiu quase 4 mil desde 2015, de acordo com dados da Serasa Experian. Desse total, 16% vieram de companhias de maior porte. Entre elas, gigantes como a operadora de telefonia Oi e a incorporadora imobiliária PDG Realty.

Além do balanço e das perspectivas para o setor das empresas que batem à porta dos bancos em busca de dinheiro, a análise dos financiamentos passou a incorporar o chamado “risco Lava-Jato”. Na prática, isso significou a redução ou até mesmo corte de limites para empresas ligadas aos setores de infraestrutura e óleo e gás. Só para fazer frente ao calote da Sete Brasil, fornecedora de sondas da Petrobras, os bancos precisaram reforçar as reservas contra calotes em pelo menos R$ 8,7 bilhões.

Depois de sofrerem calotes que custaram bilhões em provisões nos últimos anos e pisarem no freio na concessão de crédito em meio à crise, os bancos sinalizaram que, mesmo com a retomada da atividade, o crescimento da carteira de financiamento a grandes empresas deve perder força daqui para frente. As companhias continuarão tendo acesso ao crédito bancário, mas os recursos de longo prazo deverão vir principalmente de fontes alternativas, como o mercado de capitais. Continue reading “Risco Lava-Jato: Corte de Crédito para Grandes Empresas”

Desalavancagem Financeira

Alex Ribeiro e Eduardo Campos (Valor, 25/09/17) informam que os juros bancários interromperam tendência de queda em julho de 2017, apesar de o Banco Central (BC) ter mantido o ritmo do ciclo afrouxamento monetária e sinalizado ao mercado que a taxa Selic poderá chegar perto dos seus menores patamares da história.

A taxa média de juros cobrada pelos bancos dos seus clientes subiu de 28,8% para 29% ao ano entre junho e julho, primeira alta desde janeiro, segundo estatísticas divulgadas pelo próprio BC nesta quinta-feira.

O encarecimento do crédito atingiu indistintamente pessoas físicas e jurídicas. No caso do crédito livre, que teoricamente reflete de forma mais célere o ciclo de corte de juros, a taxa para empresas deu um salto de 24,8% ao ano para 25,3% ao ano. No caso das operações com pessoas físicas, a alta foi de 63,4% ao ano para 63,8% ao ano.

E o aumento no custo do dinheiro não encontrou correspondência na inadimplência, que seguiu estável em 3,8% da carteira total. No financiamento com recursos livres, a taxa de calotes permaneceu em 5,6%, reflexo de uma queda no segmento de pessoas físicas de 5,8% para 5,7% e de uma elevação na taxa das empresas, de 5,3% para 5,5%.

O crédito mais caro em julho ocorreu a despeito de os custos de captação dos bancos terem sofrido uma sensível queda, recuando de 9,6% para 9,3% ao ano, no caso dos recursos livres, refletindo a distensão monetária patrocinada pelo Banco Central. Continue reading “Desalavancagem Financeira”

“Deus dará… E o Diabo tomará!”

Adriana Cotias (Valor, 03/0717) informa que, em meio às discussões para a reforma da Previdência, “o brasileiro” [mas quem é este tipo representativo da heterogeneidade dos habitantes no Brasil, heim?] aumentou a sua reserva para a aposentadoria, mas ainda poupa menos do que o necessário para manter a sua renda e qualidade de vida, segundo uma pesquisa mundial da gestora americana Legg Mason.

No recorte de Brasil, a instituição ouviu 900 investidores, separando-os por grupos geracionais, de gênero e classes de renda. A percepção geral dos entrevistados é que um ano de salário seria suficiente para viver os anos da velhice fora do trabalho, e mesmo nas classes de renda mais alta se observa esse tipo de ilusão financeira.

Ao redor do mundo, os entrevistados têm poupado entre 3,7% e 14,6% do que precisariam, de fato, para prover um sustento estimado em 70% do que tinham na ativa por 20 anos, como recomenda a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil se fica com uma reserva de 5,3% do valor considerado adequado.

Pelo levantamento, na média:

  • quem já tem algum dinheiro para a aposentadoria acredita que R$ 170 mil acumulados são suficientes para viver a fase da velhice.
  • Os “millenials” (de 18 a 35 anos) calculam que R$ 133 mil bastam.
  • Já o grupo da geração X (de 36 a 52 anos) pensa que R$ 189,5 mil é um valor adequado.
  • Os “baby boomers” (de 53 a 71 anos) falam em R$ 233 mil.
  • Mesmo entre os indivíduos da alta renda afluente uma acumulação de R$ 519,8 mil é considerada o bastante.

O algoritmo 1 – 3 – 6 – 9 (abaixo) oferece maior realismo quanto às necessidades de reservas financeiras para manter o padrão de vida durante vinte anos de aposentadoria.


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Jovens Investidores X Velhos Acionistas

Tesouro Direto (Títulos de Dívida Pública): Bolsa de Valores (ações):

Nathália Larghi (Valor, 31/07/17) escreveu uma reportagem interessante sobre a faixa etária de investidores. Lembrei-me de dados da Bolsa de Valores que pesquisei recentemente. Estão nas tabelas acima para comparação.

De cara, uma observação: quando se soma os investidores ativos no Tesouro Direto (493 mil) com os da Bovespa (592 mil), atinge-se 1,085 milhão, ou seja, 10% dos 10,426 milhões em Fundos e Títulos e Valores Mobiliários. Em termos de valor, o total no mercado de renda variável era R$ 138,43 bilhões, enquanto no mercado de renda fixa (TVM + FIF) o saldo era de R$ 979,90 bilhões no varejo (tradicional + alta renda) e R$ 877,59 bilhões no Private Banking. E ainda tem PhDeus colonizado querendo que o Brasil deixe de ter uma economia de endividamento para se tornar uma economia de mercado de capitais!

Mais uma evidência do que é a concentração no mercado de ações no País. Idosos a partir dos 66 anos (eu! eu! eu!) eram 17% dos acionistas, porém possuíam 45% do valor de mercado. Que jovem investidor vai confrontar um “velho profissa de O Mercado”?!  

Como são 98.034 acionistas com mais de 66 anos possuindo R$ 61,84 bilhões em ações, a dedução que essa riqueza acionária per capita deles é R$ 630.801,56. São sete milhões de reais a menos do que a riqueza em FIFs e TVMs per capita dos 114.802 clientes Private Banking  (R$ 7.644.417,33), embora seja bem superior à riqueza financeira per capita do varejo de alta renda (R$ 177.345,42). É provável que muitos desses senhores sejam herdeiros e/ou acionistas PF expressivos no controle de capital de sociedades abertas — e não especuladores.

O grupo de jovens entre 16 e 25 anos já soma quase 162 mil investidores no Tesouro Direto e é o que mais cresce nesse tipo de aplicação. A alta no último ano foi de 142%. Eles representam hoje 10,9% do conjunto de 1,485 milhão de pessoas que constrói parte de seu portfólio pessoal investindo em títulos públicos pela internet, segundo os dados mais recentes, referentes a junho de 2017. Um ano atrás, a participação desses estreantes era de 8% para um total de 835 mil aplicadores. O aumento do acesso à informação e a difusão dos debates sobre investimentos e previdência são os fatores que explicam a tendência.

Na bolsa de valores, a presença dos mais jovens ainda é tímida, mas também foi a fatia que mais cresceu no último ano. Em junho de 2016, eram 11.547 investidores de 16 a 25 anos de um total de 559.518, ou 2,07%. No mês passado, o número chegou a 14.249 em um universo de 592.386 investidores (ou seja, 2,4%). Continue reading “Jovens Investidores X Velhos Acionistas”

Brechas dos Regimes de Previdência

O benefício de Previdência Privada Fechada inclui-se no rol das exceções do artigo 1.659, VII, do Código Civil de 2002 e, portanto, é excluído da partilha em virtude da dissolução de união estável, que observa, em regra, o regime da comunhão parcial dos bens. A decisão é da 3a Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tomada em julgamento de recurso especial interposto contra acórdão que negou a ex-companheira a partilha de montante investido em Previdência Privada fechada pelo ex-companheiro.

De acordo com as alegações da recorrente, a Previdência Privada é um contrato optativo e de investimento futuro, sendo uma das formas de acumulação de patrimônio. Por isso, segundo ela, não haveria impedimento de resgate do dinheiro a qualquer momento pelo contratante, até mesmo em razão da natureza de ativo financeiro.

O relator, ministro Villas Bôas Cueva, não acolheu os argumentos. Para ele, a verba destinada à Previdência Privada Fechada faz parte do rol de rendas excluídas da comunhão de bens previsto no artigo 1.659, VII, do CC/02. De acordo com o dispositivo, excluem-se da comunhão as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.

Para o ministro, a previdência privada fechada se enquadra no conceito de renda semelhante por tratar-se de uma espécie de pecúlio, bem personalíssimo. Ele salientou ainda que o benefício não poderia ter sido desfrutado no interregno da relação considerando que o requerido nem sequer estava aposentado durante a relação. O número deste processo não foi divulgado em razão de segredo judicial.

Em outras palavras, investimentos em EAPC (Entidade Aberta de Previdência Complementar) é uma salvaguarda não só contra custo de inventários, mas também contra dissolução matrimonial — e de fortuna –, fenômeno comum na atualidade. E contra as EFPC (Entidade Fechada de Previdência Complementar) e RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social)?

Confira a notícia abaixo, dada por Ribamar Oliveira (Valor, 22/06/17) sobre as brechas dos Regimes de Previdência.

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Juros Reais Líquidos Ex-Ante

Quando toma decisões de alocação do capital, o investidor financeiro deve estimar a taxa de juros real (acima da taxa de inflação), líquida (descontados o imposto de renda e a taxa de administração), ex-ante (antes do período considerado e não ex-post, i.é, resultado do passado). E com base nela, considerar o custo de oportunidade (o ganho de capital que se poderia obter com o mesmo montante de dinheiro aplicado em investimento alternativo).

Diana Benfatti (Valor, 31/07/17) responde à consulta financeira se um investidor com investimentos em renda fixa deve se preocupar com a queda da taxa de juros.

“Essa preocupação é natural e muito válida. A trajetória da taxa de juros é sim importante, mas o seu movimento isoladamente não determina o rendimento dos investimentos.

Muitos outros fatores são relevantes, como:

  1. o indexador do investimento,
  2. os preços da curva de juros futuros,
  3. a oferta e a demanda por títulos,
  4. as diretrizes da política monetária,
  5. o movimento da inflação,
  6. os impostos, etc.

São temas ricos e todos merecem aprofundamento. Aqui iremos focar no impacto da inflação e do imposto de renda, principalmente sobre os juros pós-fixados diários (Selic e CDI). Continue reading “Juros Reais Líquidos Ex-Ante”