Estratificação Social da Riqueza e Renda no Brasil

TDIE 270

Coloco para download um Texto para Discussão de minha autoria — TD270 Estratificação Social da Riqueza e Renda no Brasil –, postado ontem no site do IE-UNICAMP. Contém resultados da minha pesquisa sobre distribuição da riqueza e renda entre as castas conforme dados das DIRPF 2014 – AC 2013 e da ANBIMA.

No caso de análise com base em castas, a sociedade não é vista como um aglomerado de indivíduos atomizados, como os individualistas tendem a enxergar, nem como composta das classes econômicas dos coletivistas, segundo as quais as pessoas são categorizadas conforme suas propriedades. A sociedade é analisada sim como composta de grupos profissionais, cada um dos quais gerando seu próprio ethos, isto é, espírito, caráter, mentalidade.

Nesse sentido, o conceito de casta será útil para uma análise distinta daquela de “luta de classes”, colocando o foco na dinâmica dojogo de alianças entre castas” como construtor da longa história da civilização. Creio que uma reflexão sobre o tema é importante para análise da conjuntura que vivemos no Brasil.

TDIE 270

Estratificação social da riqueza e renda no Brasil

AUTOR: Fernando Nogueira da Costa
5/2016

 

Tenho alertado, para meus alunos, leitores e ouvintes, que novas teorias de vanguarda não implicam jogar todas as “velhas” teorias no “lixo do pensamento econômico”. Por exemplo, a Economia da Complexidade que trata a economia como um Sistema Complexo, emergente das interações de seus múltiplos e heterogêneos componentes, necessita de outras teorias para explicações em determinadas escalas, temporárias e transitórias.

Dependência de trajetória significa que “a história importa”… Até mesmo para analisar o gradual afastamento das condições iniciais em direção não para um equilíbrio estacionário, mas sim para algo mais parecido com o caos.

Da mesma forma, no TDIE acima, as DIRPF propiciaram dados, via planilha, para agrupar as ocupações em castas com rendas per capita e riquezas per capita mais similares, estabelecendo uma hierarquia social. Já para a riqueza financeira, com dados da ANBIMA, só consegui agrupar em segmentos de clientes: varejão, varejo de alta renda e private banking. Em outras palavras, classes baixa-média-alta estão mais próximas da classificação em classes de propriedade ou riqueza a la Marx.

Mas o mais interessante é que estamos agora medindo as gritantes disparidades sociais no Brasil. Ciência exige medição.

Jessé Souza, por sua vez, designa os párias como ralé. Ele se apresenta mais como weberiano do que como marxista. Critica a concepção economicista de classe apenas por faixa de renda ou consumo. Diz que classe é também uma construção cultural hereditária. Concordo com ele.

O desafio, acho eu, está em renovar o nosso pensamento de esquerda. O que nos une é a busca de maior igualitarismo social a la Norberto Bobbio.

Acho que já é mais do que hora da esquerda ir além de — no sentido de superar (mantendo o que é ainda válido) — Marx. Imerso em um século sem classe média universitária, ele não era vidente para visualizar o futuro. Falta nele também uma Teoria do Estado democrático.

Necessitamos nos perguntar: o que é o socialismo, para a esquerda, depois das experiências totalitárias do SOREX?

Para mim, é dialético: conquistas sociais incrementais, através da democracia, de maiores direitos e deveres da cidadania levarão à uma mudança de qualidade no modo de vida. Não vejo o socialismo apenas como um novo modo de produção com propriedade “coletiva” dos meios de produção. Muito menos como fruto de uma revolução ou golpe de Estado de uma vanguarda em alguma oportunidade política.

Com luta de classes, ditadura do proletariado, partido único, nomenclatura, culto de personalidade, etc., alcançaremos nossa utopia, i.é, a crítica da realidade capitalista? Acho que não.

Então, necessitamos pensar no jogo de interesses das castas e suas alianças, ascensões e quedas. O poder hereditário dinástico está vigente não só nos petro-Estados, mas em todo o mundo, inclusive nos EUA: Kennedy, Bush, Clinton, etc. No atual Congresso Nacional, 49% são praticantes do familismo.

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