Benevolência enquanto Valor Escolhido

E alguém que é pobre, deficiente ou incapaz de se sustentar? O que fazer? É uma pergunta válida, segundo os objetivistas egoístas, “desde que não seja a primeira pergunta que fazemos sobre um sistema social”. Esta pergunta, necessariamente, tem de ser feita pelo filósofo objetivista David Kelley em ensaio publicado no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo.

É um legado do altruísmo pensar que o padrão principal para avaliar a sociedade é a maneira como trata seus membros menos produtivos. “Bemaventurados são os pobres de espírito”, disse Jesus, “bem-aventurados são os mansos”.

Mas, para o Objetivismo, não há razão justa para destinar qualquer estima especial aos pobres ou mansos ou considerar suas necessidades como principais. “Se tivéssemos que escolher entre uma sociedade coletivista na qual ninguém é livre, mas ninguém passa fome, e uma sociedade individualista em que todos são livres, mas algumas pessoas passam fome”, o  filósofo objetivista David Kelley  argumentaria que, nessa dicotomia reducionista, obviamente, a segunda, a sociedade livre, é a escolha moral. Ninguém pode exigir o direito de fazer com que os outros o sirvam involuntariamente, mesmo que sua própria vida dependa disso.

Mas essa não é a escolha que enfrentamos. “Na verdade, os pobres estão em uma situação muito melhor sob o capitalismo do que sob o socialismo, ou mesmo que o Estado assistencialista [reformista do Bem-Estar Social]. A história nos ensina que as sociedades nas quais ninguém é livre, como a antiga União Soviética, são sociedades nas quais muitas pessoas passam fome”.

[Nessa argumentação, o filósofo objetivista David Kelley demonstra o contumaz, infalível e leviano anticomunismo da direita, do qual nem os filósofos conservadores conseguem ficar imunes a não apelar para ele – sem fazer uma comparação histórica e estatística profunda –, assim como evidenciam os diversos autores no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo.]

As pessoas capazes de trabalhar têm um interesse vital no crescimento econômico e tecnológico, que ocorre mais rapidamente em uma ordem de mercado [existe outra?]. O investimento de capital e o uso de maquinário criam a possibilidade de empregar pessoas que do contrário não produziriam o suficiente para se sustentarem [e em fazendas de autossubsistência?]. Os computadores e os equipamentos de comunicação, por exemplo, agora possibilitam que pessoas com necessidades especiais trabalhem sem sair de casa [o aumento da produtividade permite a diminuição da jornada de trabalho em um novo modo de produção e de vida].

Quanto àqueles que simplesmente não podem trabalhar, as sociedades livres podem sempre fornecer inúmeras formas de auxílio privado e filantropia fora do mercado: organizações de caridade, sociedades benevolentes e assim por diante.

Nesse sentido, David Kelley apela, dizendo que não há contradição entre egoísmo e caridade. Em vista dos diversos benefícios que recebemos ao nos relacionar com os outros, é natural, quando não é necessário que sacrifiquemos nossos próprios interesses:

  1. considerar o resto da humanidade com um espírito de benevolência geral,
  2. simpatizar com os infortúnios e
  3. fornecer auxílio.

Mas há diferenças enormes entre a concepção de caridade de um egoísta e a de um altruísta.

Para um altruísta, a generosidade para com os outros é um princípio ético e deve ser levado ao ponto de sacrifício, sob o princípio de “doar até doer”. A doação é um dever moral, independentemente de qualquer outro valor que se possa ter, e o receptor tem direito a ela.

Para um egoísta, a generosidade é um entre tantos outros meios de se tentar realizar nossos valores, incluindo o valor que damos ao bem-estar alheio. Ela deve ser realizada no contexto dos outros valores de cada sujeito, sob o princípio de “doar quando isso ajuda”.

Doar não é um dever e o receptor não tem direito à doação.

Um altruísta tende a considerar a generosidade como uma expiação da culpa, sob o pressuposto de que há algo pecaminoso ou suspeito em ser capaz, bem-sucedido, produtivo ou rico.

[Que bobagem! Então, eu sou “um cisne negro”! Sem culpa… 🙂  ]

Um egoísta considera que esses mesmos traços são virtudes. Ele vê a generosidade como uma expressão de orgulho em tê-los.

O filósofo objetivista David Kelley disse, no princípio do ensaio publicado no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo, que o capitalismo é o resultado de três revoluções, cada uma das quais representou uma ruptura radical com o passado.

  1. A revolução política estabeleceu a primazia dos direitos individuais e o princípio de que o governo é o servo do homem, não seu senhor.
  2. A revolução econômica gerou um entendimento dos mercados.
  3. A Revolução Industrial expandiu radicalmente a aplicação de inteligência ao processo de produção.

Mas a humanidade nunca rompeu com seu passado ético. O princípio ético de que a habilidade individual é um bem social e incompatível com uma sociedade livre. Para que a liberdade sobreviva e prospere, David Kelley diz que “precisamos de uma quarta revolução, uma Revolução Moral, que estabeleça o direito moral do indivíduo de viver por si mesmo”.

[Ora, se quiser viver por si mesmo, afaste-se da divisão social do trabalho e da economia de mercado! Se for capaz, viva na autossubsistência em defesa egoísta apenas do seu auto interesse!]

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