Brasil: Paciente em Estado de Negação

Amália Safatle (Valor, 21/05/21) escreveu reportagem com certa repercussão. O Brasil já nutria uma péssima autoimagem, que agora está evoluindo para um comportamento autodestrutivo.

Fosse o Brasil uma pessoa, dificilmente se levantaria do berço esplêndido para se deitar em um divã. É preciso admitir a existência de problemas para buscar um tratamento psicanalítico, mas esse sujeito se encontra em estado de negação. O negacionismo, palavra tão em voga, decorre da tentativa de fugir do trauma, um núcleo perturbador, constitutivo do sujeito, que portanto todo mundo tem, em maior ou menor grau. Mas, em vez de atravessar seu trauma, essa pessoa prefere contornar o sofrimento e optar por ideias exógenas, que lhe são mais convenientes.

Essa saída cobra seu preço. O sujeito age como um adolescente, embora já esteja envelhecendo, tendo acumulado questões não resolvidas de um passado doloroso, marcado por violência, autoritarismo e desilusões em série. A idade adulta chegou da pior forma, tornando esse indivíduo melancólico ou até mesmo depressivo. Mas há caminhos de cura – se o paciente aceitar ajuda terapêutica.

Este é um conjunto de visões descritas por psicanalistas convidados pelo Valor a imaginar um certo paciente Brasil, seus traços de personalidade, dores e crises. O exercício de imaginação foi encarado como um jogo por alguns, como Ricardo Goldenberg. Outros, como Sérgio de Castro, membro da Escola Brasileira de Psicanálise, viram como válida a extensão da psicologia individual para uma dimensão social.

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Esboço do Livro “Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective” (abril 2021)

Baixe a Introdução do Livro:

Lall Ramrattan e Michael Szenberg – Fundamentos da Felicidade Uma Perspectiva Econômica – abril 2021

Capítulo 1: Introdução e visão geral da felicidade econômica

Neste primeiro capítulo, pintamos o pano de fundo sobre o qual desenharemos nossos conceitos econômicos de felicidade. Descobrimos o domínio do conceito ser um conjunto aberto de ideias. 

O conceito de utilidade é proeminente nesse domínio e é de suma importância no desenvolvimento da economia. Diz respeito à felicidade dos indivíduos e da sociedade. Ambos têm desafios de mensuração. 

Pode-se adotar uma abordagem subjetiva ou objetiva para a felicidade econômica com base em sua inclinação. Essa é a visão panorâmica do projeto em questão. Ela é elucidada em diferentes capítulos especializados nas ideias substanciais encontradas na literatura.

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Escopo da Felicidade

Antigos pensamentos sobre felicidade estão ligados à ideia do bem supremo. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o supremo bem-criado é o mundo mais perfeito, ou seja, um mundo no qual todos os seres racionais são felizes e são dignos de felicidade” (Kant, 1963, p. 6). Isso implica existirem algumas considerações éticas subjacentes à felicidade.

Se alguém alcança a felicidade por meios injustos, então não será digno de felicidade. Visto do ponto de vista do conceito antigo do bem supremo, a riqueza e a saúde são necessárias para o bem-estar, mas devem estar associadas ao mérito e também ao fazer o bem.

A unidade de bem-estar e bem-estar pode ser rastreada até o conceito de simplicidade do cínico e do epicurista sobre prudência

Como Lall Ramrattan e Michael Szenberg mostram no capítulo seguinte do livro Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective, outras escolas, como a do Sofista, foram ligadas a Sócrates, Platão e Aristóteles e ancoraram esses conceitos no conhecimento e na sabedoria. 

Por exemplo, pessoas sábias anseiam pela verdade e apreendem coisas ainda mais distantes dos sentidos. Isso contrasta com os cirenaicos a buscarem apenas o prazer.

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Felicidade na Literatura

No romance The History of Rasselas: Prince of Abyssinia, Samuel Johnson (1889) fez um relato da busca do príncipe pela felicidade. Rasselas morava no Vale da Felicidade. Um dia ele decidiu buscar a felicidade no mundo exterior ao viajar para fora do vale. 

Ele descobriu várias verdades sobre a felicidade

  • primeiro, precisamos de estímulo mental para enfrentar a estagnação da vida; 
  • segundo, ninguém está perfeitamente feliz
  • terceiro, o prazer não pode satisfazer o desejo infinito da alma ansiosa e, portanto, deve-se buscar alguma atividade produtiva ou criativa (Kalpakgian, 2018).

As Teorias de Felicidade, elaborada por Johnson, sustentam uma pessoa não dever “negligenciar o estudo de si mesma, o conhecimento de sua própria posição, nas fileiras do ser humano, e suas várias relações com as inúmeras multidões em torno de si, e com as quais seu Criador o ordenou para estarem unidas para a recepção e comunicação da felicidade” (Probyn, 1978, p. 259).

Essa visão é baseada em preocupações éticas modernas, desde John Locke, a respeito de o autoconhecimento e a prática da piedade cristã (p. 259).

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Uma Medida Métrica de Felicidade

Ao desenvolver a Teoria da Utilidade, Jeremy Bentham fez a proposição da maior felicidade para a maioria das pessoas. Ele sugeriu o prazer dever ser medido por variáveis ​​como intensidade, duração, certeza, proximidade, fecundidade, pureza e extensão. 

Pode-se seguir Robert McNaughton ao traduzir esse conceito para uma medida métrica de preferências (McNaughton, 1953). Ele especificou um intervalo curto o suficiente para a experiência de felicidade ser a mesma no momento. 

Podemos então comparar esses momentos em experiências com outro momento. Dados dois desses momentos nas experiências, podemos ter relações de preferência e equivalentes entre eles. Então, podemos criar axiomas para medição métrica da seguinte maneira.

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Função de Utilidade de John Von Neumann e Oskar Morgenstern na Teoria dos Jogos

Em seu famoso livro de Teoria dos Jogos, John Von Neumann e Oskar Morgenstern  apresentaram seu Teorema da Utilidade Esperada. Com um conjunto de axiomas, eles provam existir uma função de utilidade a implicar os tomadores de decisão se comportarem de forma a maximizar sua utilidade esperada. 

Para ser mais preciso, eles “provam esses axiomas implicarem a existência de pelo menos um mapeamento (na verdade, é claro, de um número infinito) dos utilitários em números” (von Neumann e Morgenstern, 1953 [1944], pág. 617). 

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Utilidade como Método de Avaliação da Felicidade

A abordagem inicial de Jeremy Bentham sugeriu uma medida fundamental de utilidade. Para ele, toda a felicidade está na obtenção do útil, isto é, afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Isto não ocorre em termos de satisfação individual, mas em função da felicidade de todos. Como diz Stigler, “Bentham realmente plantou a árvore da utilidade”.

Nenhum leitor poderia ignorar o conceito de utilidade como uma magnitude numérica, e as implicações para a análise econômica não eram obscuras. Mas elas foram esquecidas (Stigler, 1965, pp. 74‒75). 

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Algumas Medidas Gerais de Felicidade

A correlação entre felicidade, dinheiro, riqueza, utilidade e renda foi feita ao longo da história. Por exemplo, a Boa Sociedade:

“Há, em primeiro lugar, o requisito absoluto e inescapável de todas as pessoas, em sociedades boas e decentes, terem uma fonte básica de renda. E se isso não está disponível no livre mercado, como agora é chamado. Deve vir do Estado. Nada, não esqueçamos, impõe um limite mais forte à liberdade do cidadão senão a total ausência de dinheiro no bolso (ou no banco)” (Galbraith, 1994, p. 167)

Uma medida do bem-estar de uma nação é o Produto Interno Bruto (PIB). Adam Smith, o pai da economia clássica, queria aumentar a riqueza de uma nação mais rapidamente. Ele escolheu um sistema de interesse próprio em parte porque as pessoas seguidoras de seu interesse próprio beneficiariam, involuntariamente, os outros.

Desde então, os economistas têm se preocupado com o desempenho inferior do sistema capitalista. Para David Ricardo, estava se lutando contra os retornos decrescentes da natureza; para Thomas Malthus, foi o rápido crescimento populacional; e para Karl Marx, era um conflito de classes. 

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Visão Geral da Felicidade Econômica

Nos tempos antigos, medievais e modernos, as pessoas lutaram pela busca da felicidade. Os humanos tentaram localizar a felicidade do ponto de vista do divino, do homem na terra, e alguma combinação conhecida como Deus-homem ou super-homem. 

A terra foi criada com recursos possíveis de fazer uma pessoa feliz por algum esforço, ação ou escolha guiada pela razão. Alguns psicólogos acham “buscar a felicidade” por meio da intuição, do acaso ou da graça é um conceito primitivo. Alguns filósofos pensam não haver caminho ou método para a felicidade. 

Um conjunto de pessoas pensa ser possível obter felicidade por meio da graça ou um dom de Deus, do Criador ou de um ser sobrenatural. Outro grupo de pessoas pensa a felicidade vir como uma coisa secundária de uma vida virtuosa. Enfim, muitas pessoas pensam isso se relacionar com o ganho de riqueza e renda.

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Fundamentos da Felicidade: Prefácio de Vernon Smith

O tema onipresente da Felicidade não foi tão bem tratado em parte alguma como em apenas cinco capítulos compactados deste livro. Junto com dezenas de outros, os coautores – Lall Ramrattan e Michael Szenberg – do livro Fundamentals of Happiness: An Economic Perspective (Edward Elgar Online, abril de 2021) fazem um ótimo trabalho ao incluir o que meu estudioso favorito tinha a dizer: Adam Smith, em The Theory of Moral Sentiments (1759).

Minha edição preferida de Dugald Stewart tem um subtítulo magnífico: Um ensaio para uma análise dos princípios pelos quais os homens julgam naturalmente a respeito da conduta e do caráter, primeiro de seus vizinhos e depois de si mesmos. A isso ele acrescenta (modestamente, garanto-lhe): Uma dissertação sobre as origens das línguas. Nova edição. Com uma memória biográfica e crítica do autor, de Dugald Stewart (Londres: Henry G. Bohn, 1853). Este Prefácio me dá uma desculpa para embelezar um pouco a discussão.

A palavra “felicidade” aparece 156 vezes na edição de Stewart, incluindo as memórias de Stewart de Adam Smith. Em que consiste a felicidade? Muito simplesmente, acredito, é ser amado e amável. Mas se não tivermos autenticidade, não pode haver amor, alegria ou propósito.

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Casta dos Sabidos-Pastores: Good-Business com Isenção Fiscal

Bruno Carazza é mestre em economia, doutor em direito e autor de “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”. Publicou artigo (Valor, 12/04/21) sobre a escandalosa isenção fiscal de Igrejas/Templos: a lucrativa exploração das cobranças de esmolas/dízimos do povo pobre em busca de reconhecimento pessoal e pregação contra os vícios dos parentes. O “rebanho” fica entre duas extorsões: de um lado, evangelismo, de outro, milicianismo!

Nos primórdios, a ordem era a seguinte: em primeiro lugar a Igreja, depois a unidade do Estado e as leis e só então viria o interesse da população.

“Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império e fazer observar a Constituição Política da Nação Brasileira, e demais Leis do Império, e prover ao bem geral do Brasil”, exigia o art. 103 da nossa primeira Constituição, proclamada por Pedro I em 25 de março de 1824.

Logo após a Independência, a liberdade de culto existia apenas no papel, pois o catolicismo era o credo oficial; o único com direito a possuir templos – as demais práticas religiosas eram permitidas apenas em residências ou espaços fechados, sem demonstração externa. E havia um detalhe: para ser deputado, era preciso ter pelo menos 400 mil réis de renda líquida e professar a religião do Estado – ou seja, ser católico.

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Biografia da Depressão: Psíquica e/ou Econômica

Uma Biografia da Depressão

Christian Dunker Paidós 240 págs., R$ 46,90

Sérgio Telles é psicanalista e escritor, autor de vários livros, entre eles “Posto de Observação” (Editora Blucher, 2017). Escreveu uma resenha sobre o livro de Christian Dunker (Valor, 26/03/21). Compartilho-a abaixo.

Christian Dunker – conhecido psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da USP e presença na mídia – organiza de forma criativa essa abrangente história da depressão, ao organizá-la como uma biografia com episódios intitulados de forma sugestiva, que atiçam a curiosidade do leitor.

Inicia a biografia com os nobres “antecedentes familiares” da depressão: a melancolia e a tristeza (acídia), descritos por Aristóteles e por monges medievais, bem como por escritores como Richard Burton (“A Anatomia da Melancolia”, de 1621).

O “nascimento” da depressão se dá em 1785, quando William Cullen retira a melancolia de suas origens ilustres e a inscreve no domínio da medicina, transformando-a numa das “doenças dos nervos”.

O aparecimento da “depressão” coincide com a instalação do romantismo nas artes, o que dá oportunidade a Dunker de estabelecer aproximações entre o transtorno e vários artistas, como Turner, Edvard Munch, Edward Hopper, Lewis Carroll, Samuel Beckett e Van Gogh.

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