Uso de grandes dados (Big Data) para entender como as sociedades humanas evoluem

Alex Pentland, no livro “Física social: como boas ideias são disseminadas – as lições de uma nova ciência” (“Social Physics: How Good Ideas Spread-The Lessons from a New Science”. New York: The Penguin Press; 2014), afirma: o mecanismo impulsionador da Física Social é big data: os novos dados digitais onipresentes agora disponíveis sobre todos os aspectos da vida humana.

A Física Social funciona analisando padrões de experiência humana e troca de ideias dentro das migalhas digitais deixadas para trás por todos nós enquanto nos movemos pelo mundo – registros de chamadas, transações com cartões de crédito, correções de localização de GPS, entre outros. Esses dados contam a história da vida cotidiana registrando o que cada um de nós escolheu fazer.

Isso é muito diferente do colocado no Facebook. As postagens no Facebook são o que as pessoas escolhem para dizer umas às outras, editadas de acordo com os padrões do dia. Quem nós realmente somos é mais precisamente determinado por onde passamos nosso tempo e quais coisas compramos, não apenas por “o que dizemos que fazemos”.

O processo de analisar os padrões, dentro dessas “migalhas de pão digitais”, é chamado de mineração de realidade. Através dela podemos dizer uma quantidade enorme sobre quem são os indivíduos. Alex Pentland e seus alunos descobriram a possibilidade de uso para dizer se as pessoas têm probabilidade de ter diabetes ou se alguém é o tipo de pessoa capaz de pagar os empréstimos. Analisando esses padrões em comportamentos de muitas pessoas, estamos descobrindo a possibilidade de começar a explicar muitas coisas – colisões, revoluções, bolhas – aparentemente aleatórias ou “atos de Deus”. Por essa razão, a revista MIT Technology Review chamou esse desenvolvimento de mineração de realidade como uma das dez tecnologias capazes de mudar o mundo.

O método científico usado na Física Social é diferente daquele usado na maioria das Ciências Sociais, porque se baseia principalmente em “laboratórios vivos”. O que é um laboratório vivo?

Vamos imaginar a capacidade de colocar uma câmera de imagem em torno de uma comunidade inteira e, em seguida, registrar e exibir todas as facetas e dimensões de comportamento, comunicação e interação social entre seus membros. Agora pense em fazer isso por até vários anos, enquanto os membros da comunidade cuidam de suas vidas cotidianas. Esse é um laboratório vivo.

Durante a última década, Alex Pentland e seus alunos desenvolveram a capacidade de construir e implantar esses laboratórios vivos, medindo organismos sociais inteiros – grupos, empresas e comunidades inteiras – em uma base de segundo a segundo por até anos a cada vez. O método é simples: as medições são feitas coletando “migalhas de pão digitais” dos sensores de telefones celulares, postagens em mídias sociais, compras com cartões de crédito e muito mais.

Para conseguir isso, Pentland desenvolveu ferramentas jurídicas e de software para proteger os direitos e a privacidade das pessoas nesses laboratórios, para garantir elas estarem totalmente informadas sobre o que estava acontecendo com seus dados. Elas mantiveram o direito de desativá-los a qualquer momento. Como Pentland explica, as soluções desenvolvidas por ele foram importantes para ajudar a melhorar as proteções de privacidade dos cidadãos em todo o mundo.

Todos esses bilhões de registros de chamadas telefônicas, transações com cartões de crédito e localização de GPS forneceram aos cientistas uma nova lente. Ela nos permite examinar a sociedade em detalhes minuciosos.

Assim como quando os fabricantes holandeses de lentes criaram as primeiras lentes práticas e assim permitiram pesquisadores para construir os primeiros microscópios e telescópios, o laboratório de pesquisa de Alex Pentland criou ferramentas capazes de coletar todas “as migalhas de pão digitais” deixadas como rastros de uma comunidade inteira, permitindo-lhes construir alguns dos primeiros “socioscópios” práticos.

Essas novas ferramentas dão uma visão da vida em toda a sua complexidade – e São o futuro da Ciência Social. Assim como o microscópio e o telescópio revolucionaram o estudo da Biologia e da Astronomia, os socioscópios nos laboratórios vivos irão revolucionar o estudo do comportamento humano.

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