Economia Donut: Sete Maneiras de Pensar como um Economista do Século 21

A essência do Donut é um alicerce social de bem-estar, do qual ninguém deve cair abaixo, e um teto ecológico de pressão planetária, limite além do qual não devemos ir. Entre os dois encontra-se um espaço seguro e justo para todos. Entre esses dois anéis está o próprio Donut, o espaço onde podemos atender às necessidades de todos dentro dos meios do planeta.

Donuts açucarados e fritos dificilmente parecem uma metáfora provável para as aspirações da humanidade, mas havia algo nessa imagem impactante para Kate Raworth. Por isso, ficou impregnada em sua mente. Isso provocou uma questão chave: se a meta do século XXI da humanidade é entrar no Donut, qual mentalidade econômica nos dará a melhor chance de chegar lá?

Com o Donut na mão, Kate Raworth deixou seus livros antigos de lado e procurou as melhores ideias emergentes possíveis dela encontrar. Explorou o novo pensamento econômico com estudantes universitários de mente aberta, líderes empresariais progressistas, acadêmicos inovadores e profissionais de ponta.

Constatou três grandes mazelas contemporâneas:

  1. crise financeira permanente;
  2. desigualdade extrema na distribuição da riqueza;
  3. pressão implacável sobre o meio ambiente.

Diagnosticou: o sistema econômico regente de nossas vidas está falido. Existe alguma alternativa viável?

Para a economista Kate Raworth, a resposta é uma drástica mudança de paradigma, para a Economia Donut. Analisando os sete pontos críticos com os quais a economia dominante nos trouxe à ruína – do propagandeado mito do “homem econômico racional” à obsessão pelo crescimento ilimitado a qualquer custo –, ela propõe um sistema no qual as necessidades de todos serão satisfeitas sem esgotar os recursos do planeta. Para ilustrar esse ponto de equilíbrio, a autora fez o seu já icônico desenho de um “donut” – a clássica rosquinha –, representando o espaço seguro para a prosperidade humana.

Vencedor do Prêmio Transmission, Livro do Ano pelo Financial Times e Forbes, Economia Donut oferece um modelo econômico original para responder aos desafios do século XXI e ampliar os horizontes do pensamento econômico.

Kate Raworth, autora do livro “Economia de Donut: sete maneiras de pensar como um economista do século 21”[Doughnut Economics: Seven Ways to Think Like a 21st-Century Economist] (Rio de Janeiro: Zahar; 16/05/2019), avalia: apesar dos receios dos economistas mais influentes do século XX, o domínio da perspectiva do economista sobre o mundo só se espalhou, mesmo na linguagem da vida pública.

Em hospitais e clínicas em todo o mundo, pacientes e médicos foram reformulados como clientes e prestadores de serviços. Em campos e florestas em todos os continentes, os economistas estão calculando o valor monetário do ‘capital natural’ e ‘serviços ecossistêmicos’, variando do valor econômico das terras úmidas do mundo (estimadas em US$ 3,4 bilhões por ano) ao valor global da polinização por insetos: serviços equivalentes a US $ 160 bilhões por ano.

Enquanto isso, a importância do setor financeiro é constantemente reforçada por reportagens da mídia, com manchetes diárias de rádio e impressos anunciando os últimos resultados trimestrais das empresas, enquanto os preços das ações rolam ao estilo tickertape em legendas nos noticiários da TV.

Dado o domínio da Economia na vida pública, não é surpresa tantos universitários, se lhes for dada a oportunidade, optarem por estudar um pouco dela como parte de sua educação. Todos os anos, cerca de cinco milhões de estudantes universitários nos Estados Unidos se formam com pelo menos um curso de Economia em seus currículos.

Um curso introdutório padrão originado nos EUA – amplamente conhecido como Econ 101 – é agora ensinado em todo o mundo, com estudantes da China ao Chile aprendendo com as traduções dos mesmos livros usados ​​em Chicago e Cambridge, Massachusetts. Para todos esses alunos, o Econ 101 tornou-se parte essencial de uma educação ampla, seja para se tornar um empreendedor ou médico, jornalista ou ativista político. Mesmo para aqueles sem nunca terem estudado Economia, a linguagem e a mentalidade do Econ 101 permeiam o debate público. Ele molda a maneira como todos pensamos sobre a Economia: o que é, como funciona e para que serve.

Aqui está o problema. A jornada da humanidade ao longo do século XXI será liderada pelos formuladores de políticas, empresários, professores, jornalistas, organizadores comunitários, ativistas e eleitores ainda hoje sendo educados nesse formato ultrapassado. Esses cidadãos de 2050 estão aprendendo uma mentalidade econômica enraizada nos livros didáticos de 1950. Eles, por sua vez, estão enraizados nas teorias de 1850.

Dada a natureza em rápida mudança do século XXI, isso está se moldando para ser um desastre. É claro: o século XX deu origem a um novo pensamento econômico inovador, o mais influente na batalha de ideias entre Keynes e Hayek. Mas embora aqueles pensadores icônicos mantivessem perspectivas opostas, eles herdaram suposições errôneas e pontos cegos comuns não examinados como raiz de suas diferenças. O contexto do século XXI exige tornarmos essas suposições explícitas e os pontos cegos antes invisíveis, para podermos, uma vez mais, repensar a Economia.

Este livro reúne as principais ideias descobertas ao longo do caminho: insights sobre maneiras de pensar certeiras, ensinadas e aprendidas desde o início da própria educação econômica. Raworth acredita essas ideias devem fazer parte do kit de ferramentas de todos os economistas hoje.

Baseia-se em diversas escolas de pensamento, tais como Complexidade, Economia Ecológica, Feminista, Institucional e Comportamental. Todas elas são ricas em discernimento, mas ainda há o risco de elas permanecerem separados em silos, cada escola de pensamento aninhada em seus próprios periódicos, conferências, blogs, livros didáticos e postos de ensino, cultivando sua crítica de nicho do pensamento do século passado. O verdadeiro avanço está, é claro, em combinar o que cada um tem a oferecer e descobrir o que acontece quando elas se tornam uma única Economia Interdisciplinar. Isto é exatamente o que este livro se propõe a fazer.

A humanidade enfrenta alguns desafios formidáveis. Suas ameaças são, em grande parte, graças aos pontos cegos e às metáforas equivocadas do pensamento econômico ultrapassado. Mas para quem está pronto para se rebelar, olhar para o lado, questionar e pensar novamente de maneira original, então estes são tempos excitantes.

Os alunos devem aprender a descartar velhas ideias, como e quando as substituir… como aprender, desaprender e reaprender”, escreveu o futurista Alvin Toffler. Isso não poderia ser mais verdadeiro para quem busca alfabetização econômica: agora é um grande momento de desaprender e reaprender os fundamentos da economia.

Todo mundo está dizendo: precisamos de uma nova história econômica, uma narrativa do nosso futuro econômico compartilhado, adequada para o século XXI. Concordamos. Mas não vamos esquecer uma coisa: as histórias mais poderosas ao longo da história foram as contadas com fotos.

Se queremos reescrever a Economia, também precisamos redesenhar suas imagens, porque temos poucas chances de contar uma nova história se nos ativermos às velhas ilustrações. E se desenhar novas imagens lhe parecer frívolo acredite não ser. Melhor ainda, Raworth se propõe a provar isso.

Imagens, diagramas e gráficos há muito estão no coração da narrativa humana. A razão é simples: nossos cérebros são conectados para recursos visuais. “Ver vem antes das palavras. A criança olha e reconhece antes de falar”, escreveu o teórico de mídia John Berger nas linhas de abertura de seu clássico de 1972, Ways of Seeing. A Neurociência desde então confirmou o papel dominante da visualização na cognição humana.

Se você se considera um veterano econômico ou novato, agora é a hora de descobrir o graffiti econômico. Ele persiste em todas as nossas mentes e, se você não gostar do encontrado, apague-o. Melhor ainda, é pintá-lo com novas imagens de modo a atender melhor às nossas necessidades e momentos.

O restante deste livro propõe sete maneiras de pensar como um economista do século XXI. Revela para cada uma dessas sete maneiras a imagem espúria ocupada em nossas mentes, como ela se tornou tão poderosa e sua influência prejudicial.

Mas o tempo da mera crítica é passado. Por isso, o foco aqui é criar novas imagens de modo elas capturarem os princípios essenciais para nos guiarem agora. Os diagramas deste livro visam resumir esse salto do antigo para o novo pensamento econômico. Juntos, eles estabelecem, literalmente, um novo quadro geral para o economista do século XXI. Então, antes é possível dar um rápido tour nas ideias e imagens da Donut Economics.

Primeiro, mude o objetivo. Há mais de 70 anos está a economia fixada em PIB, ou produção nacional, como medida primária de progresso. Essa fixação foi usada para justificar desigualdades extremas de renda e riqueza, juntamente com a destruição sem precedentes do mundo vivo.

Para o século XXI, uma meta muito maior é necessária: atender aos direitos humanos de cada pessoa dentro dos meios de nosso planeta vivificante. Esse objetivo é encapsulado no conceito do Donut. O desafio agora é criar economias – das locais até as globais – de modo a ajudar a trazer toda a humanidade para o espaço seguro e justo do Doughnut. Em vez de buscar um PIB crescente, é hora de descobrir como se desenvolver em equilíbrio.

Sumário de sete maneiras de pensar como um economista do século XXI:

  1. Mudar o objetivo: do PIB ao Donut
  2. Analisar o quadro geral: do mercado autônomo à economia integrada
  3. Estimular a natureza humana: do homem econômico racional a seres humanos sociais adaptáveis
  4. Compreender o funcionamento dos sistemas: do equilíbrio mecânico à complexidade dinâmica
  5. Projetar para distribuir: do “reequilíbrio pelo crescimento” a uma concepção distributiva
  6. Criar para regenerar: de “o crescimento limpará tudo de novo” a uma concepção regenerativa
  7. Ser agnóstico em relação ao crescimento: de viciado em crescimento a agnóstico em relação ao crescimento

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