Fundamentos da Economia Narrativa: Causalidade e Constelações

O objetivo deste livro de autoria de Robert J. Shiller, “Narrative Economics: How Stories Go Viral & Drive Major Economic Events” (Princeton University Press; 2019), é melhorar a capacidade das pessoas de antecipar e lidar com grandes eventos econômicos, como depressões, recessões ou estagnação secular, ou seja, de longo prazo. Incentiva-as a identificar e incorporar em seus pensamentos as narrativas econômicas. Elas ajudam a definir esses eventos.

Antes de podermos prever com confiabilidade, precisamos entender as verdadeiras causas finais desses eventos. O principal problema é determinar o que é uma causa versus o que é uma consequência.

Embora os economistas modernos tendam a ser muito atentos à causalidade, como regra geral eles não atribuem nenhum significado causal à invenção de novas narrativas. Shiller quer argumentar aqui não apenas a causalidade existir, mas também ser nos dois sentidos: novas narrativas contagiosas causam eventos econômicos e eventos econômicos causam mudanças nas narrativas.

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Da Exuberância Irracional À Economia Narrativa

Este livro de Robert J. Shiller, “Economia Narrativa” (2019), é a pedra angular de uma linha de pensamento desenvolvida ao longo de grande parte da sua vida. Ele se baseia no trabalho dele e seus colegas, principalmente George Akerlof, realizado ao longo de décadas, culminando em seu discurso presidencial, “Narrative Economics“, em sua posse na American Economic Association em 2017 e nas suas Marshall Lectures na Cambridge University em 2018.

Este livro faz uma ampla tentativa de sintetizar as ideias em todos esses trabalhos, vinculando essas ideias à epidemiologia (o ramo da Ciência preocupado com a disseminação de doenças) e propondo a noção de os vírus pensados ​​serem responsáveis ​​por muitas das mudanças observadas nas atividades econômicas. A “história” de nossos tempos e de nossas vidas pessoais está mudando constantemente, mudando assim como mudam nossos comportamentos.

As ideias sobre Economia Narrativa apresentadas neste livro se encaixam nos recentes avanços na tecnologia da informação e nas mídias sociais, porque esses são os canais pelos quais as histórias viajam pelo mundo e se tornam virais em milissegundos. Daí tiveram efeitos profundos no comportamento econômico.

No entanto, este livro também examina um longo período da história quando as comunicações eram mais lentas, quando as histórias eram repetidas por telefone e telégrafo e por jornais entregues por caminhão ou trem.

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Imperativo Moral de Antecipar Eventos Econômicos

Robert J. Shiller, no livro “Economia Narrativa” (2019), destaca o objetivo de a previsão ser intervir agora para alterar os resultados futuros em benefício da sociedade. Em seu discurso presidencial de 1969 à Associação Econômica Americana, Kenneth E. Boulding (outro professor influente sobre Shiller na Universidade de Michigan) disse: “a Economia deveria ser considerada uma ciência moral”, pois se preocupa com o pensamento e os ideais humanos. Ele investiu contra:

“uma doutrina que poderia ser chamada de Imaculada Conceição da Curva da Indiferença, ou seja, que os gostos são simplesmente dados e que não podemos investigar o processo pelo qual eles são formados. Essa doutrina é literalmente “para os pássaros”, cujos gostos são em grande parte criados para eles por suas estruturas genéticas e, portanto, pode ser tratada como uma constante na dinâmica das sociedades de pássaros.”

Boulding diz: “a Economia cria o mundo a ser por ela investigado”!

Muitas vezes, não queremos prever, mas alertar. Nós nunca queremos prever um desastre. Queremos tomar ações de modo a impedir o desastre.

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Melhores Previsões de Grandes Eventos Futuros

Robert J. Shiller, no livro “Economia Narrativa” (2019), acha muitos economistas contemporâneos tenderem a pensar as narrativas públicas “não são o nosso campo”. Se você os pressionar, eles podem sugerir você consultar os profissionais de outros Departamentos da Universidade, como os de Jornalismo e Sociologia. Mas os estudiosos desses outros campos frequentemente acham difícil pisar na terra da teoria econômica, deixando assim uma lacuna entre o estudo das narrativas e seus efeitos nos eventos econômicos.

Nenhum economista fez uma previsão credível da natureza mundial da Grande Depressão da década de 1930 antes dela acontecer, e apenas um punhado previu o pico do boom imobiliário nos EUA em 2005 ou a “Grande Recessão” e a “crise financeira mundial” de 2007–2009.

Alguns economistas, no final da década de 1920, argumentaram: a prosperidade alcançaria novos patamares na década de 1930! Enquanto isso, outros argumentaram o extremo oposto: o desemprego permaneceria alto para sempre, porque as máquinas de economia de trabalho substituiriam permanentemente os empregos. Mas parece não ter havido nenhuma previsão econômica pública dos eventos reais: uma década de desemprego muito alto e, em seguida, um retorno ao normal.

Tradicionalmente, os economistas estudam dados, mas têm se destacado na criação de modelos teóricos abstratos e na análise de dados econômicos de curto prazo. Eles podem prever com precisão as mudanças macroeconômicas daqui a alguns trimestres, mas, no último meio século, suas previsões de um ano foram, no geral, inúteis.

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Economia Narrativa: o que há em uma estória?

Robert J. Shiller, no livro “Economia Narrativa“, diz a expressão Economia Narrativa já ter sido usada antes, embora raramente. O Dicionário de Economia Política de R. H. Inglis Palgrave (1894) contém uma breve menção à Economia Narrativa, mas o termo parece se referir a um método de pesquisa. Ele apresenta a própria narrativa de eventos históricos.

Shiller não está preocupado em apresentar uma nova narrativa, mas em estudar as narrativas de outras pessoas sobre os principais eventos econômicos, as narrativas populares tornadas virais. Ao usar o termo Economia Narrativa, concentra-se em dois elementos:

(1) o contágio boca a boca de ideias na forma de histórias e

(2) os esforços feitos pelas pessoas para gerar novas histórias contagiosas ou para tornar as histórias mais contagiosas.

Antes de mais nada, quer examinar como o contágio narrativo afeta os eventos econômicos.

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O que é Economia Narrativa

Muitas narrativas econômicas parecem fantasiosas, mas foram repetidas com tanta frequência a ponto de serem difíceis de ignorar. Não é tão fácil ficar rico, e as pessoas mais inteligentes da década de 1920 devem ter percebido isso. Mas a narrativa oposta, apontando a loucura dos esquemas de enriquecimento rápido, aparentemente não era muito contagiosa.

Robert J. Shiller, no prefácio do livro “Narrative Economics: How Stories Go Viral & Drive Major Economic Events” (Princeton University Press; 2019), afirma: “a trajetória do mercado de ações e da economia, bem como o início da Grande Depressão, deviam estar ligadas às histórias, percepções errôneas e narrativas mais amplas do período. Mas os economistas nunca levaram isso a sério, e a ideia de contágio narrativo nunca entrou em seus modelos matemáticos da Economia. Esse contágio é o coração da Economia Narrativa”.

Na linguagem de hoje, histórias de investidores fabulosamente bem-sucedidos sem serem especialistas em Finanças “se tornaram virais”. Como uma epidemia, eles se espalham de pessoa para pessoa, de boca em boca, em jantares e outras reuniões, com ajuda de telefone, rádio, jornais e livros.

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Biografia de Ludwig von Mises: a Criação explica a Criatura?

Ludwig von Mises nasceu em Lemberg (hoje, Lviv na Ucrânia), no Império Austro-Húngaro, filho de pais judeus. Seu bisavô paterno havia sido elevado à pequena nobreza ao receber de Francisco José I o título de edler.

O seu pai trabalhava como engenheiro na cidade, e como descendentes de famílias de grande fortuna o jovem Ludwig teve uma infância confortável. A família lhe proporcionou uma esmerada educação. Assim, aos doze anos, Ludwig falava fluentemente alemão, polonês e francês, lia em latim, e entendia o ucraniano.

Quando Ludwig ainda era pequeno, sua família voltou para Viena, onde tinha raízes. Em 1900, Mises frequentou a Universidade de Viena, sendo influenciado pelos trabalhos de Carl Menger. Entre 1904 e 1914 Mises assistiu às aulas do economista austríaco Eugen von Boehm-Bawerk, tendo concluído seu doutorado em 1906.

Mises lecionou na Universidade de Viena de 1913 a 1934. Ele também atuou como conselheiro econômico do monarquista Otto von Habsburg e do governo austrofascista de Engelbert Dollfuss. Epa!

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