Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil

Indústria-e-Desenvolvimento-Produtivo-no-Brasil_GNo último seminário que fiz no IBRE-FGV-RJ, ganhei um livro sobre a indústria brasileira que reúne pesquisadores de pensamentos divergentes, de liberais a desenvolvimentistas. Logo à primeira vista, coloquei-o na lista de minhas próximas leituras, assim que passar a atual fase de viagens-e-palestras semanais.

Com 712 páginas e o propósito de apresentar uma pluralidade de visões, a Fundação Getulio Vargas (FGV) lançará amanhã, no Rio, o livro “Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil“. O volume apresenta os desafios para a Indústria de Transformação, cuja participação na economia já encolheu 6,5 pontos percentuais em uma década: de 17,4% do PIB em 2005 para 10,9% no ano passado.

Cristian Klein (Valor, 18/05/15) informa que, com artigos de 36 autores, o livro da FGV é baseado em estudos apresentados em seminário organizado em São Paulo, em 2014, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e pela Escola de Economia de São Paulo (EESP), ambos da FGV.

“A relevância da indústria no processo de retomada do desenvolvimento é o ponto comum entre os autores, mas as estratégias é que são variadas“, afirma Nelson Marconi, professor da EESP e um dos organizadores do livro, ao lado de Mauricio Canêdo Pinheiro (Ibre), Laura Carvalho (USP) e do ministro do Planejamento Nelson Barbosa, oriundo da UFRJ, com passagem pelo IBRE-FGV.

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O Estado Empreendedor: Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado

O Estado Empreendedor Eu implico com o conceito de “financeirização” que muitos colegas heterodoxos e a própria Mariana Mazzucato se utiliza. Acho que é uma reminiscência da visão católica medieval anti-usura, que aliás já era um cinismo social na época, pois os banqueiros cristãos emprestavam com cobrança de juros e cristãos devedores inadimplentes recorriam ao antissemitismo para não pagar suas dívidas!

Sou contra todos os “discursos de ódio”, tipo anti-rentista ou anti-banqueiro, coerentemente com meu desprezo por discursos anti-comunista ou anti-petista. Acho que reflete pura ignorância e apelo à violência de quem o profere. Por isso, lamento quando meus camaradas de esquerda fazem tal discurso, reduzindo todos os problemas do capitalismo contemporâneo à “financeirização”.

Desde quando a relação de produção capitalista não se deu com o encontro do Capital-Dinheiro, acumulado previamente, com a Força-de-Trabalho livre, porque desapropriada, depois de libertada da escravidão ou da servidão feudal? O capital sempre foi financeiro! Ora bolas…

O capitalismo “industrial” nunca foi melhor do que este “financeiro” que está aí para todo o mundo ver e sentir. Só que agora os trabalhadores de renda média para cima já tem oportunidade de fazer investimentos financeiros para atender à necessidade de complementar sua Previdência Social, mantendo o padrão de vida após sua aposentadoria.

Apresento abaixo o argumento mais inteligente da Mariana Mazzucato, em tópico denominado “Financeirização“, no seu livro MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Ela o apresenta como “fato da vida capitalista” que devemos aprender a lidare não condenar, moralmente, como faz a classe média histérica, seja à direita, seja à esquerda, com seu discurso de ódio imbecil…

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Reinventando o Capitalismo de Estado

Reinventando o Capitalismo de Estado

Aldo Musacchio é professor associado de administração de empresas da Harvard Business School e Faculty Research Fellow do National Bureau of Economic Research. Sérgio G. Lazzarini é professor de Organização e Estratégia do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa. Dentro do contexto surgido a partir da onda de liberalização (e privatização a la brasileira com fundos de pensão paraestatais), que varreu os mercados nas décadas de 1980 e 1990, e afetou as maneiras como os governos gerenciam as suas economias, o livro de Aldo Musacchio e Sergio G. Lazzarini analisa a ascensão de uma nova espécie de capitalismo de Estado, em que os governos interagem com os investidores privados e, muitas vezes, usam sua influência para auxiliar setores ou empresas de olho em dividendos políticos. Entre os exemplos estudados estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Vale.

O tema de pesquisa é o mesmo do meu Capitalismo de Estado Neocorporativista, TDIE lançado em julho de 2012, porém o enfoque ideológico é oposto: o deles é neoliberal, o meu é socialdesenvolvimentista. O adjetivo Neocorporativista significa que esse sistema, datado e localizado, para dar salto de etapas históricas no processo de “tirar o atraso socioeconômico histórico”, sob liderança de um partido trabalhista, costura interesses estatais, trabalhistas, privados nacionais e estrangeiros, associando-os em projetos estratégicos para o desenvolvimento do País. Continuar a ler

Efeito do Viés Humano: Redução das Tendenciosidades

FHC sobre Aécio

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, conclui que a história da projeção na economia e em outras áreas sugere que as melhorias tecnológicas podem não ajudar muito se sofrerem o efeito do viés humano, e não há muitos indícios de que os previsores econômicos superaram suas tendenciosidades.

Por exemplo, eles não parecem ter aprendido com a experiência da Grande Recessão. Se analisarmos as projeções de crescimento do PIB feitas pela Survey of Professional Forecasters em novembro de 2011, veremos a mesma tendência ao excesso de confiança de 2007, pois os responsáveis por sua elaboração desconsideram muito mais os cenários de aceleração do que o justificável pela precisão histórica de suas projeções.

Se quisermos reduzir essas tendenciosidades — nunca conseguiremos nos livrar delas por completo —, temos duas alternativas fundamentais:

  • adotar uma abordagem pelo lado da oferta, criando um mercado para previsões econômicas precisas, ou
  • pelo lado da demanda, reduzindo a busca por previsões imprecisas e confiantes demais.

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Erros de Previsão e Vaidade pela Reputação

Previsão de Marina Silva

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, afirma que, com certeza, havia razões para pessimismo econômico em setembro de 2011, por exemplo, o desenrolar da crise da dívida na Europa, mas economistas midiáticos não as estavam analisando. Na realidade, tinha uma sopa aleatória de variáveis que confundia correlação com causalidade.

Em geral, os economistas têm alguma confiança em seu bom senso quando fazem uma projeção, em vez de apenas aceitar o resultado de um modelo estatístico. Considerando a quantidade de ruídos nos dados, esse comportamento provavelmente é útil.

Ajustes nos métodos de projeção estatística resultaram em previsões aproximadamente 15% mais precisas. A ideia de que um modelo estatístico seria capaz de “resolver” o problema das previsões econômicas esteve em voga nas décadas de 1970 e 1980, quando os computadores começaram a ser usados de modo mais amplo.

Porém, do mesmo modo que aconteceu também em outras áreas, como a projeção de terremotos naquela época, o avanço tecnológico não compensou a falta de compreensão teórica sobre a economia. Só propiciou aos economistas maneiras mais rápidas e sofisticadas de confundir ruído e sinal. Modelos aparentemente promissores falharam e acabaram indo para a lata de lixo. Continuar a ler

Teoria Física do Caos e Teoria Econômica da Complexidade

Previsão

O terceiro grande desafio para os especialistas em projeções econômicas, segundo Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, está no fato de seus dados brutos não serem muito bons. Ele mencionou (leia os outros posts) que é raro esses especialistas fornecerem intervalos de previsão em suas projeções — provavelmente porque isso minaria a confiança do público em relação ao trabalho deles. “Por que as pessoas não revelam intervalos? Por constrangimento”, afirma Hatzius. “Acredito que seja por isso. As pessoas se sentem constrangidas.”

A incerteza, porém, aplica-se não só às projeções econômicas, mas também às variáveis propriamente ditas. As séries de dados econômicos costumam ser submetidas a revisão, processo que pode durar meses ou até anos após a publicação das estatísticas. As revisões às vezes são enormes. Continuar a ler

Pontos de Virada

Leões X Jumentos

A respeito da ilustração acima, vote contra a fragmentação partidária e a favor de uma base parlamentar que propicie governabilidade à Presidenta Dilma Rousseff sem necessidade de tantas alianças partidárias: vote para deputados e senador do PT! Vote 13!

Consulte em: http://www.eleicoes2014.com.br/pt/  e/ou https://www.pt.org.br/

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, informa que nas extensas minutas preparadas pelo Fed após uma reunião realizada no final de outubro de 2007, o termo “recessão” não foi usado sequer uma vez. Como o Fed toma muito cuidado com a linguagem que utiliza, a possibilidade de uma recessão pode até ter sido aventada por meio da expressão riscos de queda. Mas ele não apostava em uma crise (sua projeção continuava prevendo crescimento), e havia poucos sinais de que se vislumbrava a ocorrência de uma recessão tão grave quanto a que viria a se desenrolar.

Talvez isso tenha ocorrido porque o Fed estava analisando dados do período da Great Moderation para definir a expectativa de precisão de suas projeções. Em particular, utilizou-se, com frequência, um artigo que analisava o desempenho das projeções econômicas para os anos de 1986 a 2006.

O problema de se observar apenas esses anos é que eles contêm muito pouca volatilidade econômica: só houve duas recessões relativamente brandas em 1990-1991 e em 2001. “Ao aferir a incerteza atual a partir de dados de meados da década de 1980 em diante”, advertiram os autores, “estamos pressupondo implicitamente que as condições de calmaria presentes desde a época da Great Moderation persistirão no futuro”. Era um pressuposto grandioso demais. Um motivo parcial para que o Fed tenha concluído que uma recessão severa seria improvável em 2007 pode ter sido sua decisão de ignorar os anos em que de fato houve uma recessão severa. Continuar a ler