Negócio da China

Ranking PIB PPC WB 2013Pelo ranking acima, o BRIC (grandes países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China), em 2013, não estava tão longe de ganhar posições em relação a algumas economias ícones do capitalismo maduro (EUA, Japão e Alemanha) em termos de PIB PPC.

No Brasil, onde a China substituiu os Estados Unidos como maior parceiro comercial do país, o primeiro-ministro chinês Li assinou acordos de pesquisa conjunta sobre a viabilidade de construir uma ferrovia através dos Andes para ligar o cinturão agrícola do Brasil à costa peruana no Pacífico. Esse antigo e ambicioso projeto, que até agora não saiu do papel, tem a meta de reduzir os custos de transporte das exportações brasileiras para a China. Na Nicarágua, uma empresa chinesa planeja construir um canal interoceânico de 277 quilômetros de extensão que vai comportar grandes navios, num momento em que o Panamá também expande seu canal.

A delegação chinesa também divulgou planos de investir US$ 53 bilhões em projetos de infraestrutura no Brasil, uma muito necessária injeção de capital para um governo tentando equilibrar suas contas com o ajuste fiscal. Para comparação, no ano passado, os financiamentos da China para a América Latina alcançaram US$ 22 bilhões, ultrapassando os empréstimos combinados de instituições tradicionais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, segundo estimativas do Diálogo Interamericano.

Edson Pinto de Almeida (Valor, 19/05/15) resenhou dois novos livros sobre a China. Com o objetivo de registrar para futura leitura, compartilho a resenha abaixo. Por ela, os autores preocupam-se mais em defender a ideologia do Livre Mercado e imaginam a possibilidade de um “equilíbrio de forças” na geoeconomia mundial…

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2015, exportações e importações movimentaram cerca US$ 21 bilhões, com um superávit de US$ 2,5 bilhões favorável a Pequim. A corrente de comércio entre os dois países alcança US$ 90 bilhões (2014). A ofensiva pela América do Sul faz parte da estratégia da China de ampliar a presença econômica no mundo para além de sua área de influência natural, na Ásia. A investida no Brasil, se concretizada totalmente, dobrará o estoque de investimentos chineses no país.

Em dois livros agora publicados no Brasil, os autores analisam fatores que impulsionaram o crescimento da China e quais são as perspectivas para o futuro do país. O economista russo Ivan Tselichtchev, no livro “China Versus Ocidente“, utiliza uma série de estatísticas e análises quantitativas para demonstrar a tese de que, apesar de seu rápido crescimento e ascensão, a China não deve assumir o papel de predominância semelhante ao que o Reino Unido, no século XIX, e Estados Unidos, do século XX para cá, exerceram de forma unilateral. Para o autor (que leciona na Nigata University of Management, no Japão), a dinâmica da globalização levará a um equilíbrio de forças cujo resultado final passa longe de previsões já desgastadas sobre a derrocada do Ocidente.

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Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil

Indústria-e-Desenvolvimento-Produtivo-no-Brasil_GNo último seminário que fiz no IBRE-FGV-RJ, ganhei um livro sobre a indústria brasileira que reúne pesquisadores de pensamentos divergentes, de liberais a desenvolvimentistas. Logo à primeira vista, coloquei-o na lista de minhas próximas leituras, assim que passar a atual fase de viagens-e-palestras semanais.

Com 712 páginas e o propósito de apresentar uma pluralidade de visões, a Fundação Getulio Vargas (FGV) lançará amanhã, no Rio, o livro “Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil“. O volume apresenta os desafios para a Indústria de Transformação, cuja participação na economia já encolheu 6,5 pontos percentuais em uma década: de 17,4% do PIB em 2005 para 10,9% no ano passado.

Cristian Klein (Valor, 18/05/15) informa que, com artigos de 36 autores, o livro da FGV é baseado em estudos apresentados em seminário organizado em São Paulo, em 2014, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e pela Escola de Economia de São Paulo (EESP), ambos da FGV.

“A relevância da indústria no processo de retomada do desenvolvimento é o ponto comum entre os autores, mas as estratégias é que são variadas“, afirma Nelson Marconi, professor da EESP e um dos organizadores do livro, ao lado de Mauricio Canêdo Pinheiro (Ibre), Laura Carvalho (USP) e do ministro do Planejamento Nelson Barbosa, oriundo da UFRJ, com passagem pelo IBRE-FGV.

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O Estado Empreendedor: Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado

O Estado Empreendedor Eu implico com o conceito de “financeirização” que muitos colegas heterodoxos e a própria Mariana Mazzucato se utiliza. Acho que é uma reminiscência da visão católica medieval anti-usura, que aliás já era um cinismo social na época, pois os banqueiros cristãos emprestavam com cobrança de juros e cristãos devedores inadimplentes recorriam ao antissemitismo para não pagar suas dívidas!

Sou contra todos os “discursos de ódio”, tipo anti-rentista ou anti-banqueiro, coerentemente com meu desprezo por discursos anti-comunista ou anti-petista. Acho que reflete pura ignorância e apelo à violência de quem o profere. Por isso, lamento quando meus camaradas de esquerda fazem tal discurso, reduzindo todos os problemas do capitalismo contemporâneo à “financeirização”.

Desde quando a relação de produção capitalista não se deu com o encontro do Capital-Dinheiro, acumulado previamente, com a Força-de-Trabalho livre, porque desapropriada, depois de libertada da escravidão ou da servidão feudal? O capital sempre foi financeiro! Ora bolas…

O capitalismo “industrial” nunca foi melhor do que este “financeiro” que está aí para todo o mundo ver e sentir. Só que agora os trabalhadores de renda média para cima já tem oportunidade de fazer investimentos financeiros para atender à necessidade de complementar sua Previdência Social, mantendo o padrão de vida após sua aposentadoria.

Apresento abaixo o argumento mais inteligente da Mariana Mazzucato, em tópico denominado “Financeirização“, no seu livro MAZZUCATO, Mariana. O Estado Empreendedor. Ela o apresenta como “fato da vida capitalista” que devemos aprender a lidare não condenar, moralmente, como faz a classe média histérica, seja à direita, seja à esquerda, com seu discurso de ódio imbecil…

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Reinventando o Capitalismo de Estado

Reinventando o Capitalismo de Estado

Aldo Musacchio é professor associado de administração de empresas da Harvard Business School e Faculty Research Fellow do National Bureau of Economic Research. Sérgio G. Lazzarini é professor de Organização e Estratégia do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa. Dentro do contexto surgido a partir da onda de liberalização (e privatização a la brasileira com fundos de pensão paraestatais), que varreu os mercados nas décadas de 1980 e 1990, e afetou as maneiras como os governos gerenciam as suas economias, o livro de Aldo Musacchio e Sergio G. Lazzarini analisa a ascensão de uma nova espécie de capitalismo de Estado, em que os governos interagem com os investidores privados e, muitas vezes, usam sua influência para auxiliar setores ou empresas de olho em dividendos políticos. Entre os exemplos estudados estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Vale.

O tema de pesquisa é o mesmo do meu Capitalismo de Estado Neocorporativista, TDIE lançado em julho de 2012, porém o enfoque ideológico é oposto: o deles é neoliberal, o meu é socialdesenvolvimentista. O adjetivo Neocorporativista significa que esse sistema, datado e localizado, para dar salto de etapas históricas no processo de “tirar o atraso socioeconômico histórico”, sob liderança de um partido trabalhista, costura interesses estatais, trabalhistas, privados nacionais e estrangeiros, associando-os em projetos estratégicos para o desenvolvimento do País. Continuar a ler

Efeito do Viés Humano: Redução das Tendenciosidades

FHC sobre Aécio

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, conclui que a história da projeção na economia e em outras áreas sugere que as melhorias tecnológicas podem não ajudar muito se sofrerem o efeito do viés humano, e não há muitos indícios de que os previsores econômicos superaram suas tendenciosidades.

Por exemplo, eles não parecem ter aprendido com a experiência da Grande Recessão. Se analisarmos as projeções de crescimento do PIB feitas pela Survey of Professional Forecasters em novembro de 2011, veremos a mesma tendência ao excesso de confiança de 2007, pois os responsáveis por sua elaboração desconsideram muito mais os cenários de aceleração do que o justificável pela precisão histórica de suas projeções.

Se quisermos reduzir essas tendenciosidades — nunca conseguiremos nos livrar delas por completo —, temos duas alternativas fundamentais:

  • adotar uma abordagem pelo lado da oferta, criando um mercado para previsões econômicas precisas, ou
  • pelo lado da demanda, reduzindo a busca por previsões imprecisas e confiantes demais.

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Erros de Previsão e Vaidade pela Reputação

Previsão de Marina Silva

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, afirma que, com certeza, havia razões para pessimismo econômico em setembro de 2011, por exemplo, o desenrolar da crise da dívida na Europa, mas economistas midiáticos não as estavam analisando. Na realidade, tinha uma sopa aleatória de variáveis que confundia correlação com causalidade.

Em geral, os economistas têm alguma confiança em seu bom senso quando fazem uma projeção, em vez de apenas aceitar o resultado de um modelo estatístico. Considerando a quantidade de ruídos nos dados, esse comportamento provavelmente é útil.

Ajustes nos métodos de projeção estatística resultaram em previsões aproximadamente 15% mais precisas. A ideia de que um modelo estatístico seria capaz de “resolver” o problema das previsões econômicas esteve em voga nas décadas de 1970 e 1980, quando os computadores começaram a ser usados de modo mais amplo.

Porém, do mesmo modo que aconteceu também em outras áreas, como a projeção de terremotos naquela época, o avanço tecnológico não compensou a falta de compreensão teórica sobre a economia. Só propiciou aos economistas maneiras mais rápidas e sofisticadas de confundir ruído e sinal. Modelos aparentemente promissores falharam e acabaram indo para a lata de lixo. Continuar a ler

Teoria Física do Caos e Teoria Econômica da Complexidade

Previsão

O terceiro grande desafio para os especialistas em projeções econômicas, segundo Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, está no fato de seus dados brutos não serem muito bons. Ele mencionou (leia os outros posts) que é raro esses especialistas fornecerem intervalos de previsão em suas projeções — provavelmente porque isso minaria a confiança do público em relação ao trabalho deles. “Por que as pessoas não revelam intervalos? Por constrangimento”, afirma Hatzius. “Acredito que seja por isso. As pessoas se sentem constrangidas.”

A incerteza, porém, aplica-se não só às projeções econômicas, mas também às variáveis propriamente ditas. As séries de dados econômicos costumam ser submetidas a revisão, processo que pode durar meses ou até anos após a publicação das estatísticas. As revisões às vezes são enormes. Continuar a ler