Crise de Chips e Preparação para Economia Digital

Carlos Prieto (Valor, 24/11/21) avalia: a falta de semicondutores hoje no mundo para atender segmentos tão distintos como eletroeletrônicos e montadoras se tornou o ícone dos problemas enfrentados pela indústria na cadeia de fornecedores. Mas ao apontar a pandemia da covid-19 como a grande responsável pelo caos logístico, muitas empresas acabam escondendo suas ineficiências internas e erros de estratégias.

Pesquisa realizada pela Accenture mostrou o estágio de vários segmentos da economia em relação ao chamado de “maturidade operacional”. Inclui os critérios adotados na hora de definir de quem e de onde virão seus insumos e componentes.

Quais os riscos de concentrar sua estratégia apenas nos custos, de não saber compartilhar informações com seus fornecedores e de ignorar os dados gerados diariamente nos diversos setores das empresas foram pontos abordados na pesquisa.

O desequilíbrio no fornecimento de semicondutores já existia e a pandemia apenas acelerou e deu visibilidade ao problema. Faltou (para as empresas que utilizam esse componente) mapear o risco. Elas falharam ao concentrarem em apenas uma região a produção de praticamente todos os semicondutores e de não preverem quais e em que estágio estavam seus concorrentes pelo mesmo insumo.

A pesquisa dividiu em quatro estágios o grau de maturidade das empresas: estável, eficiente, preditivo e preparadas para o futuro. Na média, o estudo indicou que apenas 7% das empresas estão “preparadas para o futuro”.

Mesmo entre os setores com melhor desempenho, como seguros e alta tecnologia, esse indicador não passa de 10%. Na outra ponta, entre os setores com pior desempenho, estão comunicações, saúde e mídia.

A estratégia de estoques das empresas precisa mudar, assim como os critérios na definição de quem, de onde e quando comprar. Não se pode mais dar importancia apenas ao custo. É preciso ficar atento também ao ambiente social onde o insumo é produzido.

Os novos desafios na cadeia de fornecedores exigem investimento em tecnologia e pessoas. Nesse ponto, destaca-se a importância de as lideranças comandarem esse processo e a necessidade de formação de profissionais. É necessários formar mais profissionais para as necessidades futuras. Não há ainda problemas com oferta de profissionais, mas poderá surgir em breve.

Outro pilar importante é o uso dos dados. Mais da metade das empresas classificadas como “preparadas para o futuro” utilizam “analytics” na tomada de decisões. “Experiência e intuição são vitais e insubstituíveis… também a obtenção de dados amplos e de alta qualidade para apoiar a tomada de decisões se tornou crucial”, destaca o estudo.

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