Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política

Na revolução francesa, a direita referia-se ao grupo parlamentar que se sentava ao lado direito do presidente da respectiva assembléia. Era, tradicionalmente, constituído por elementos pertencentes aos partidos conservadores. Contrapunha a ele a parte da assembléia que ficava à esquerda do presidente. Em Ciências Políticas, o conjunto de indivíduos ou grupos políticos partidários de alguma reforma social ou revolução socialista compõe a esquerda.

Entende-se como ação política a que tem por finalidade a formação de decisões coletivas que, uma vez tomadas, passam a vincular toda a coletividade. Política, portanto, é ação coletiva.

“Esquerda” e “direita” indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence, habitualmente, à ação política. Possuem contrastes não só de idéias, mas também de interesses econômicos e de prioridades a respeito da direção a ser seguida pela sociedade. Esses contrastes existem em toda sociedade. Aliás, não há nada mais ideológico do que a afirmação de que as ideologias estão em crise ou de que a distinção entre direita e esquerda desapareceu.

Politicamente, os jogos de interesses são muitos. Os diversos blocos, partidos e tendências têm entre si convergências e divergências. São possíveis as mais variadas combinações de umas com as outras. O maniqueísmo – doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal, segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, e o mal absoluto ou o Diabo – não é a forma adequada de se encarar essa distinção política: quem não é de direita é de esquerda ou vice-versa.

Entre a escuridão e a luz, existe a penumbra. Entre o preto e o branco, não existe apenas o cinza, mas sim um arco-íris de colorações políticas

As posições “progressista” e “reacionária” não constituem monopólios permanentes. A reação, defensora de algum sistema político extremamente conservador, contrário às idéias que envolvem importantes transformações político-sociais, muda de defensores. Com o tempo, o que antes era popular, avançado e democrático pode se tornar populista, corporativista,retrógrado ou totalitário.

Mas “direita” e “esquerda”, argumenta Norberto Bobbio, em seu livro “Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política” (São Paulo, Editora da UNESP, 1995, 129 páginas) continuam a servir como pontos de referência indispensáveis. Esse filósofo italiano contemporâneo levanta quais são os critérios para se dizer que alguém é de direita ou de esquerda.

Parte da constatação de que os homens, por um lado, são todos iguais entre si; de outro, cada indivíduo é diferente dos demais. Os que consideram mais importante, para a boa convivência humana, aquilo comum que os une, em uma coletividade, estão na margem esquerda e podem ser corretamente chamados de igualitários. Os que acham relevante, para a melhor convivência, a diversidade e/ou a competitividade, estão na margem direita e podem ser chamados de meritocratas.

São de esquerda as pessoas que se interessam pela eliminação das desigualdades sociais. A direita insiste na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não são elimináveis.

Entre os economistas, não há porque descartar a distinção política entre direita e esquerda. Uma moeda possui duas faces, embora “cara” e “coroa” se alternem… Hora uma está por cima, hora outra. Mas há também dubiedade entre os economistas, aquela esquizofrenia em que o “coração” (emoção) está à esquerda e a “cabeça” (razão), à direita.

Quais são as explicações convencionais para determinado economista ser classificado como da “direita”? Algumas são mais empiristas do que científicas, entre as quais ganha destaque a idéia de que se trata de mera adaptação ao ambiente competitivo profissional: para subir na carreira profissional, no setor privado, imagina-se que é mais conveniente ser defensor da “liberdade das forças de O Mercado”.

Outra explicação seria a adoção de conservadorismo de posição conquistada com a mobilidade social. Este alpinismo social dependeria de ambição ou da crença que é superior aos outros, em sociedade de desiguais, plena de conflitos de interesses. Porém, geralmente, esse excesso de otimismo é devido ao viés de autovalidação: pergunta apenas à gente que pensa igual se, de fato, ele é superior aos colegas que pensam diferente dele. Torna-se por auto-atribuição, simplesmente, um esnobe.

Nesse posicionamento ideológico direitista, é comum se adotar o chamado “discurso da competência“, ou seja, sugerir que “não é qualquer um que pode dizer qualquer coisa a qualquer outro em qualquer ocasião e em qualquer lugar”. Só os “competentes” ou “eficazes”, nas entrelinhas, aquele que está falando e, no máximo, seus pares ou discípulos, podem se pronunciar. Os demais são “incompetentes”…

A direita confia que as desigualdades sociais possam ser diminuídas à medida que se favoreça a competitividade geral; minimiza a proteção social e maximiza o esforço individual. A esquerda prioriza a proteção contra a competição social. Na escolha entre a competitividade e a solidariedade, enfatiza esta última.

O que define a posição de direita é a idéia de que a vida em sociedade reproduz a vida natural, com sua violência, hierarquia e eficiência. Se os homens são seres biológicos desiguais, devem submeter-se à lei do darwinismo social. Segundo essa concepção, a sociedade mercantil faz também a seleção, neste caso “social”, entre os indivíduos que podem se desenvolver — “os vencedores” — e os que podem apenas sobreviver — “os perdedores”.

A regra de ouro da direita econômica é: quem melhor se adapta ao meio ambiente econômico enriquece, inclusive dando continuidade a sua dinastia. O homem de direita, acima de tudo, preocupa-se com a defesa da tradição, herança e costumes conservadores.

Já a atitude de esquerda pressupõe que a condição humana é fundada pela negação da herança natural. A sociedade se desenvolve, opondo-se às forças cegas da natureza. Nada mais parecido com o livre-mercado do que a livre-natureza. Quem acredita na essência humana como essencialmente egoísta e imutável é de direita, mesmo sem saber.

Para ter consciência de si, assumindo claramente sua posição política na sociedade, a (re)leitura de Norberto Bobbio, em seu livro “Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política”, é sempre oportuna.

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103 thoughts on “Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política

  1. Bom artigo professor. Concordo plenamente que o que caracteriza um indivíduo fundamentalmente de direita é o fato deste acreditar na natureza humana imutável e egoísta. Acredito que esta é uma questão crítica que permeia o mundo contemporâneo: O problema de certas relações sociais, ideologias e comportamentos se cristalizarem de tal forma que os indivíduos perdem a percepção de seu caráter socialmente construído e passam a considerá-las como características essencialmente inatas, naturais…
    Observando o trecho “A direita confia que as desigualdades sociais possam ser diminuídas à medida que se favoreça a competitividade geral; minimiza a proteção social e maximiza o esforço individual”, fiquei me indagando como, em tese, poderíamos eliminar as desigualdades sociais pelo estímulo à competitividade, tendo em conta que o sistema capitalista é um jogo de soma zero?
    abs

    1. Diego,
      creio que os “darwinistas sociais” acreditam que a seleção competitiva acabará eliminando a desigualdade via extermínio desta… Credo!
      O jogo não será 0 X 0 ou, como se diz, oxo. Os “vencedore” golearão os “perdedores” até eles desistirem do campeonato. Será possível alguém acreditar nisso?!
      Parece que sim, veja The Classe Media Way of Life – link em meus Favoritos (nova página).
      Abraço.

      1. Fiquei incrivelmente decepcionado com sua (ausência de) resposta para o Thauã, abaixo, que pacientemente expõe sua opinião, mostrando que o sistema capitalista não é de “soma zero” (e não é mesmo). Enfim, que pena. Fica parecendo que você só não tem “preguiça mental” de responder àqueles que contigo concordam…

      2. É, de fato, tenho “preguiça mental” de responder a quem estampa uma bandeirinha brasileira e se apresenta como um mero provocador de direita sem apresentar nenhuma ideia nova… Aliás, Macunaíma espelha melhor “a cultura brasileira” contra essa gente: ai, que preguiça!

    2. Você só se engana em um ponto:
      Capitalismo, economia, não é jogo de soma zero.
      Do contrário estaríamos ainda no capitalismo mercântil!

      Vou usar alguns exemplos para fazer você entender melhor.
      Imagine que eu planto batatas e meu vizinho, cenouras. Ambos plantamos o suficiente para sobrevivermos.
      O que acontece se eu trocar metade da minha produção pela metade da dele? Eu vou passar a comer batatas e cenouras. Soma zero? Não, pois agora com uma dieta mais variada eu como de maneira mais saudável!
      Veja bem, o capitalismo se reduz a um símples jogo de trocas voluntárias e mutualmente benéficas.entre indivíduos. Se alguém decide vender fertilizantes pra mim e pro meu vizinho, agora teremos um excedente de produção que podemos trocar por mais adubo, mais terras para o cultivo, ferramentas melhores… Enquanto o excedente da produção fomenta um crescimento populacional ou melhores hábitos alimentares. Esse povo novo que está nascendo ainda vai trabalhar para mim nas minhas terras. Um passa o arado,o outro escolhe as sementes, o outro cuida da irrigação… Enfím, ao invés de me dedicar a diversas atividades, eu me especializo numa só,o que me tornará muito mais eficiente nela, portanto, com muito mais tempo para aproveitar a vida.
      Nesse processo todo, alguém saiu perdendo?
      É o mesmo com uma fábrica, porém o custo do meio de produção é tão elevado, mas tão elevado que só pode ser conseguido por uma pessoa com um plano e uma ambição. Essa pessoa raramente é uma só. O capitalismo financeiro, o princípio de funcionamento do mercado de ações, que fomentou as nossas primeiras fábricas é o maior aliado desta pessoa. Veja que as Grandes Navegações, fomentadas pelo comércio de especiarías, eram financiadas por ricos mercadores que buscavam satisfazer necessidades. Porém eles financiavam-nas sozinhos, ou seja, se o navío afundasse, tudo o que se podia fazer era lamentar as perdas.Eis que os holandeses tiveram uma idéia: Por que não juntar um monte de interessados e mandar não um, mas uma dezena de navios em expedição? Assim, se um deles afundar, nós ainda teremos 90% do loot, dividido proporcionalmente ao investimento de cada um! Aí estava criado o princípio do Mercado Financeiro. você deve ter ouvido falar em bolsa de valores, ações e títulos, não? Tudo nasceu com os holandeses.
      Agora eu não vou entrar em detalhes de como a Bolsa funciona, mas perceba uma coisa: é o sistema mais democrático já criado.
      Como fundar uma companhia? Ora, é do mesmo jeito que faziam os holandeses. Junte gente interessada em lucrar, apresente uma boa proposta, junte o dinheiro, funde uma empresa e reparta os lucros entre seus investidores. Onde não havia nada, agora é uma indústria, que gerou empregos e passou a suprir a sociedade com aquilo que você disse aos seus acionistas que iria produzir.
      Entendeu? A soma na verdade é positiva. Você está injetando valor na sociedade,produzindo, desenvolvendo e inovando, enquanto emprega muita gente pra te ajudar no meio tempo.

      Sobre o texto, eu adorei. São poucos os que conseguem largar a ideologia e apresentar os fatos de forma clara e não enviesada.

      Porém discordo da afirmação sobre competitividade geral. Primeiramente na esfera econômica, onde as vias da direita divergem entre conservadorismo e liberalismo, onde o primeiro até aceita monopólios estatais (fora dos serviços básicos, como bombeiros, justiça e política, ou seja, monópolios de saúde, educação, mineração e indústrias estratégicas) enquanto o segundo por pragmatismo defende que o Estado seja total alheio à economia, deixando para a iniciativa privada a gestão). Existem também os anarcocapitalistas que são coniventes com trustes, monopólios e imperialismo, enquanto estes três valores são abominados pelos liberais clássicos e conservadores, por permitirem abusos por parte de companhias corruptas ou incompetentes.
      Portanto embora um dos valores centrais da Direita seja sim o individualismo, estes estão na verdade completamente alheios à competição da espécie, preferindo que o Mercado acabe por dar aos menos favorecidos a chance de se tornarem economicamente ativos e assim manterem um padrão de vida confortável, embora mais humilde que outros.

      Veja que os padrões de vida mais elevados para a população em geral caminham lado a lado com os países mais capitalistas. São exemplo principalmente a Coréia do Sul, Japão, Cingapura e a Nova Zelândia, países cujo milagre econômico se deve a políticas liberais que resgataram economias pobres ou devastadas em pouquíssimo tempo. Por que todo mundo se beneficiou, ao invés de, como pregam erroneamente os socialistas, só um seleto grupo de magnatas gananciosos? Ora, porque os capitalistas aprenderam a lição muito bem com a Grande Depressão de 1931 nos EUA: Não adianta produzir muito e muito barato se ninguém pode comprar o que produz. Os trabalhadores então passaram a ser vistos não só como produtores, mas como consumidores. Aí o que se viu foi um real aumento de salários e uma sociedade onde o “pobre” poderia ser considerado um milionário se comparado com alguns anos atrás.
      Esse aumento de salários porém trouxe uma nova necessidade: a de reduzir os custos sem prejudicar o padrão de vida dos empregados. Então a partir daí passou-se a automatizar ainda mais as fábricas, o que levou muitos dos agora desempregados a buscarem alternativas, como a indústria do entretenimento, as áreas acadêmicas e até mesmo a abrirem seus próprios negócios.
      Enquanto a fábrica e seus robôs produzem, suprem as necessidades, a sociedade faz as trocas. Seja em vender os produtos de forma conveniente, seja em produzir e vender sua arte, seja em escrever textos na internet.

      1. Prezado Thauã,
        você escreveu tanto “para fazer você entender melhor” em resposta ao Diego ou a mim?
        De qualquer forma, deu-me preguiça mental ler tanto e ainda explicar minhas discordâncias…
        att.

      2. Bom, Fernando, como sabemos, o capitalismo não é mesmo um “jogo de soma zero”. A compreensão, mesmo em linhas gerais, de como funciona o sistema (não acho o termo adequado, mas vá lá…) é importante e tem impacto nas opiniões político-ideológicas, embora o aspecto econômico não encerre a questão. A chamada natureza humana (sem esquecer que a sociedade é formada por indivíduos que reagem de maneira diferente a certos estímulos) só foi em parte moldada por ele; muito mais verdadeiro é o contrário. Estou sempre procurando me informar, mas, até o momento, estou com Rawls e seu liberalismo igualitário.
        Abraço, Alexandre.

      3. Leandro, o crescimento econômico não ocorre necessariamente com “exploração”. Aliás, esta provavelmente é a parte menos importante (explicativa) do fenômeno. Recursos naturais e humanos próprios, cultura empreendedora, leis adequadas, etc contam mais.
        Um abraço.

  2. Texto incrível. Conseguiu abordar um tema tão complexo de maneira absolutamente clara! Pude, pela primeira vez, entender os conceitos de “esquerda” e “direita”.

    Parabéns e obrigada!

  3. Creio que a direita não insiste na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não elimináveis. A direita acredita que a esquerda não presta !!

    1. Prezado Ricardo,
      esta é a visão simplória do homem de direita, expressa no sentimento de imaginar-se superior ao resto do mundo…
      É comum o viés heurístico de “excesso de (auto)confiança”… A maioria superestima suas capacidades. Considera suas habilidades acima da média, o que não pode ser verdade por definição.
      Geralmente, essas pessoas relutam em buscar informações que contradizem suas crenças formadas previamente. São céticos quanto às evidência que enfraquecem suas opiniões.
      Homens primatas tem postura selvagem, agressiva, violenta. São algozes dos outros seres humanos.
      att.

      1. este [comentário de Thauã] é a visão simplória do homem de direita, expressa no sentimento de imaginar-se superior ao resto do mundo… Fale mais sobre imaginar-se superior…

      2. Muito bom o texto e concordo com quando tudo que li. Me considero de direita mas não me enxergo como uma pessoa melhor do que ninguém, porém, procuro ser o melhor que posso é melhorar sempre sem medir esforços ou sacrifícios.
        Olho a minha volta e vejo pessoas de esquerda bem sucedidas apenas na área política, sociólogos, artistas, já os discípulos, nem um pouco, sem contar, claro, os estudantes “revolucionários” . Sou de direita e nunca me preocupei em trabalhar mais do que a carga horária estabelecida pelos leis trabalhistas. Nunca senti que estivesse trabalhando para os outros ou sendo explorada mas sempre em fazer mais e melhor, no final das contas, por mim mesma. Olho a minha volta e vejo pessoas infelizes, mal remuneradas, reclamando e fazendo greves sem buscar outros rumos enquanto contam os minutos para bater o ponto. Desculpe, mas nesse contexto eu me sinto melhor sim, quando comparo sutilmente a minha luta pessoal com a do meu semelhante, que é motivado pela emoção e que tem coração, que geralmente se apresenta como de esquerda. Os enxergo como pessoas acomodadas, que pensam mais em seus direitos e menos em sua produtividade. Em resumo, é isso.
        Abçs,

      3. Prezada Cristiane,
        o individualismo caracteriza sim o perfil da pessoa que se situa à direita do espectro político.

        Você diz que “não me enxergo como uma pessoa melhor do que ninguém”. No entanto, destaca em todo seu comentário a pressuposição de sua superioridade em relação às “pessoas de esquerda”…

        É necessário empatia para se colocar no lugar dos outros que são diferentes de si. Tanto o seu conformismo quanto a rebeldia com o sistema fazem parte do mundo.

        Talvez seja o caso de rever seu critério de ser “bem sucedido”. Não é apenas o enriquecimento, mas também a reputação e/ou o reconhecimento social por valores humanitários, políticos e culturais.

        O que passou a unir todos os seres humanos em um pacto social é a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Se todos seguirem os direitos e os deveres da cidadania, inclusive da democracia duramente conquistada, um mundo melhor será possível.
        att.

      4. Fernando, a Cristiane não disse ser “superior” no sentido que você colocou. (Pessoas podem ser superiores a outras, sem traumas, em certas atividades, e inferiores em outras. De novo: sem traumas.) E veja que pessoas “de esquerda” reclamam uma superioridade moral apenas por se dizerem como tal. Ou seja, não é por aí. No mais, acho que concordamos que ser “bem sucedido” não significa ter mais dinheiro ou sucesso profissional, e não é “a direita” que reclama esse tipo de pensamento.

      5. Prezado Alexandre,
        não entendi qual é a “régua” que você usa para medir “superioridade pessoal”…

        Sempre observei pessoas de direita se jactarem de riqueza. É o caso de uma alta correlação sem causalidade?

        Jactar-se é expressar orgulho exagerado de si mesmo ou ostentar os próprios ou pretensos méritos e conquistas. Em outras palavras, usar de vanglória ao referir-se a si mesmo. Será esse defeito próprio de apenas uma ideologia? Creio que não, é um defeito humano.

        O ponto interessante é que indivíduos são particulares e diferentes entre si. A direita aprecia essa diferenciação. A esquerda aprecia ver o que há de comum entre os diferentes: sua humanidade.
        att.

      6. Oi, Fernando, vamos lá.

        Do ponto de vista estritamente científico, apenas sua observação sobre as “pessoas de direita” não seria suficiente para caracterizar a questão. Além disso, jactar-se sobre riqueza não é algo de fundo filosófico, é apenas (mau) gosto. Outros se jactam por uma, às vezes figurativa, bondade.

        Pessoas de direita não se caracterizam pelo complexo de superioridade, mas sim por acreditarem, entre outras coisas, que as desigualdades são naturais, no sentido de serem inerentes ao ser humano. Nem todos têm os mesmos talentos e ambições.

        Méritos e conquistas são validados no ambiente (mercado) ou não – é isso que separa a pretensão da realidade.

        Quem é liberal de direita – há uma clivagem com os conservadores ligados aos costumes, etc – acredita que, se todos tiverem as mesmas oportunidades (ressalva importante!), o esforço, o talento, o mérito portanto, devem determinar os resultados. Sem maniqueísmos.

      7. Prezado Alexandre,
        concordo com suas observações.

        Acrescento que, na nossa “jovem democracia”, as pessoas, seja de esquerda, seja de direita, adquiriram muita consciência dos direitos básicos de todos os seres humanos, mas pouca dos deveres dos cidadãos, inclusive o de ser contribuinte não sonegador.

        Entre os direitos civis e políticos estão os direitos à vida, à propriedade, liberdades de pensamento, de expressão, de crença, igualdade formal, ou seja, de todos perante a lei, direitos à nacionalidade, de participar do governo do seu Estado, podendo votar e ser votado, fundamentados no valor da liberdade.

        Há também direitos difusos e coletivos, por exemplo, direito à paz, direito ao progresso, autodeterminação dos povos, direito ambiental, direitos do consumidor, inclusão digital, fundamentados no valor da fraternidade.

        Os direitos econômicos, sociais e culturais são representados por direitos ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à distribuição de renda, à moradia, entre outros, fundamentados no valor da igualdade de oportunidades.

        Portanto, independentemente de ser de direita ou de esquerda, todos devem defender os valores da Liberdade, Fraternidade e Igualdade de Oportunidades. Coerentemente com esses princípios, devem abominar golpismos contra a democracia que defende esses direitos.
        att.

      8. Oi, Fernando.
        Também concordo, em essência, com suas observações. Eu não incluiria “distribuição de renda” como um direito, pois considero-a uma consequência, provável ou desejável, da igualdade de oportunidades de que falei, sendo esta sim um direito (ou princípio, para ser mais exato). No mais, acho que é isso aí, e que as pessoas de diversas correntes políticas respeitem a democracia – “local” onde os direitos são legitimamente estabelecidos -, o que, sabemos, vale para além do que se diz nas ruas, nos palanques e nos cargos públicos.
        Abs.

  4. Belíssimo texto! Eu também, como disse a Luara, consegui, enfim, identificar as diferentes nuances entre esquerda e direita.

  5. Achei o texto excelente e sanou algumas das minhas dúvidas, porém, fica explícito que, a esquerda é boazinha, coerente e se preocupa com o social enquanto que a direita é a vilã. Para mim ambas têm sérios problemas, a esquerda porque ao meu ver e isso fica explícito no texto, não ajuda o indivíduo se desenvolver e acha que ele deve ser cuidado, já a direita mais egoísta, acha que cada um tem que se desenvolver por seus próprios méritos.

    “A direita confia que as desigualdades sociais possam ser diminuídas à medida que se favoreça a competitividade geral; minimiza a proteção social e maximiza o esforço individual. A esquerda prioriza a proteção contra a competição social. Na escolha entre a competitividade e a solidariedade, prioriza esta última.”

    Andei pesquisando sobre essas posições políticas e cheguei a seguinte conclusão: a esquerda “solidária” geralmente está nos regimes autoritários, onde a população perece com escassez de tudo, vide: Cuba, Coreia do Norte, China (economia aberta) mas a população não tem liberdade, e mais alguns países da América Latina que estão ou são quase esquerda. Já a direita lá atrás, incluía fascistas, nazistas, reacionários, progressistas, capitalistas, neoliberais e classe média, etc.

    Bem acho que é isso pois não sou nenhuma “expert” no assunto, sou apenas uma pessoa querendo aprender. Parabéns pelo texto! E fique à vontade para sanar minhas dúvidas.

    “Um expert é um homem que parou de pensar. Para que pensar, se ele é um expert?
    — Frank Lloyd Wright

    1. Prezada Marta,
      grato pelo elogio. Gostei muito da citação!

      Quanto aos seus comentários, eu costumo dizer que há o “racionamento socialista”, via fila, onde quem chegar primeiro leva; e há o “racionamento capitalista”, via preço, quando quem tem mais dinheiro leva…

      Recentemente, tenho lido mais Filosofia, e tentando conhecer mais sobre o “individualismo libertário” e a importância da “propriedade individual” da terra e/ou moradia como uma conquista social contra as Monarquias Absolutistas e a aristocracia fundiária.

      Postei a respeito, p.ex.:
      https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/03/sobre-o-objetivismo/
      https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/04/sobre-o-subjetivismo/
      https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/04/sobre-o-individualismo-e-o-liberalismo/
      https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/18/hannah-arendt/

      Agendei mais posts sobre o tema do “indivíduo autônomo” para a próxima semana.
      att.

    2. Marta, muito interessante o seu comentário! Já me peguei várias vezes com as mesmas dúvidas em relação a posição mais lógica a tomar: Direita ou Esquerda? Não seria mais viável tanto do ponto de vista social,político,econômico e etc, que a política fosse um resumo das similaridade entre os pontos positivos de ambas? Ou entraríamos no campo das utopias,hein? Ou quem sabe,como você mesmo acentua, a competitividade de uma e a solidariedade de outra não é que dinamiza o debate ideológico entre o ser ou não ser da convivência humana, em todos os aspectos?

      1. Prezado Edivaldo,
        essa é a “teoria do contrabalanço e/ou do centrismo” em que supostamente uma média, ou “ficar em cima do muro”, não caindo nem à direita, nem à esquerda, seria melhor ou mais prudente. Eu não aprecio essa “ideologia do fim das ideologias”.
        Outra teoria é a do “ciclo político pendular” em que, depois de certos anos com dominância de uma ideologia, o eleitorado oscila para outra. Na vida democrática, a alternância de poder é esperada.
        Vale refletir também sobre o ideário do liberalismo político norte-americano, isto é, da esquerda dos EUA. Ela defende o individualismo iluminista e/ou esclarecido, ou seja, os direitos individuais contra a usurpação por um Estado, uma mídia ou uma opinião pública avassaladores, inclusive que tentam pressionar a Justiça a favor de seus interesses. Esse individualismo não é um valor somente da direita. É a solidariedade com indivíduos contra a turba.
        att.

      2. Olá, Fernando.

        Posso estar enganado, mas acho que o comentário do Edivaldo também também pode estar relacionado à dificuldade de discernir as posições da direita e da esquerda à luz de determinados casos concreto; ou, em outras palavras, de apontar onde terminam as fronteiras entre as ideologias, o que implicaria questionar a funcionalidade (ou praticidade) delas para o mundo real. Pode-se, por exemplo, ser a favor ou contra a privatização/concessão da Vale ou do campo de Libra, mas só seria possível classificá-las como de direita ou de esquerda se também fosse possível contextualizá-las com precisão. (Governos de esquerda, ou ditos de esquerda, privatizam e concedem serviços públicos quando, espera-se, julgam pragmaticamente que os benefícios para a população são maiores que os custos políticos envolvidos).

        Além disso, penso haver contextos históricos e/ou culturais que fazem com que a simples transposição de ideário político de um país para outro seja inadequada, em alguma medida. O Partido Democrata dos EUA (esquerda americana?), no Brasil, estaria à direita de todos os nossos partidos importantes, por exemplo. Por outro lado, a caracterização que postou da esquerda americana (ou de seu ideário) cabe para a maior parte de nossos eleitores, imagino. Todos queremos respeito às nossas individualidades, mas também uma mãozinha do Estado. Não há nada errado nisso; o (grande) problema é acertar o ponto de equilíbrio.

        Bom, aqui, nos EUA, ou na Europa, indivíduos que cometem delitos devem pagar por eles, assegurado, claro, o amplo direito de defesa. E isto, espera-se, deve ser concedido e exigido tanto pela esquerda quanto pela direita, de qualquer parte do mundo e sem distinção.

        Um abraço.

        PS.: O fato é que os conceitos de direita e esquerda são complexos e controversos. O Bobbio é apenas um (importantíssimo, diga-se) dos intelectuais que abordam o assunto, sabemos. Eu gostaria de poder indicar, a título de contribuição, outras leituras específicas sobre o tema, mas infelizmente não me ocorre nenhuma agora.

      3. Prezado Alexandre,
        grato pelos precisos comentários que enriquecem o debate.
        Por exemplo, o Partido Republicano, nos EUA do século XIX, estava “à esquerda”, quando Abraham Lincoln garantiu a nomeação para a candidatura presidencial de 1860 pelo Partido Republicano e liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a União e abolindo a escravidão, fortalecendo o governo nacional e modernizando a economia, não?
        abraço

      4. Pois é, Fernando, eu não saberia responder a isso com convicção suficiente, até porque são ações políticas de naturezas diferentes, apesar de estarem interrelacionadas. A abolição da escravatura, além de seu (muito mais importante) motivo moral, modernizou a economia do Sul no sentido de torná-la mais próxima da economia do Norte, pelo menos no que se refere ao modo de produção. Ao mesmo tempo, a Guerra ajudou no fortalecimento do Estado-nação, quando as feridas sararam… Não sei como classificar (ou mesmo se é possível classificar) o conjunto dessas ações no esquema dicotômico esquerda-direita.
        As reformas do Obama no sistema de saúde americano são de esquerda, com certeza. Já não teria a mesma certeza ao classificar sua política de imigração, que, imagino, tem desdobramentos mais complexos…
        Abraço.

      5. Prezado Alexandre,
        quanto à classificação ideológica de atos nacionalistas ou republicanos, é um critério difícil… A dicotomia simplifica demasiadamente a complexidade.
        Em princípio, coerentemente com sua origem, a esquerda seria a maior defensora dos Direitos Humanos e da República.
        Eu não consigo me identificar com o sujeito de direita, conservador, retrógrado, violento, esnobe, individualista, etc. Isso não significa que eu não defenda os direitos do indivíduo contra o poder da multidão, mídia e Estado totalitário. Na democracia, os direitos da minoria devem ser sempre preservados.
        abs

      6. Oi, Fernando, mas aí penso que cairemos novamente naquelas questões: O que é um direito (humano)? A quem cabe garanti-lo? Qual é a igualdade justa, possível e desejável? O que é justiça (social)? Etc.
        A direita de hoje não pode ser comparada ao que se convencionou chamar de direita na Revolução Francesa. Hoje, a direita (liberal) defende a República, ou, mais ainda, o republicanismo.
        Você listou alguns adjetivos que não podem ser associados somente à direita; na verdade, um ou outro – a violência e o esnobismo, por exemplo – depende de cada indivíduo, independentemente de sua inclinação política. O individualismo, como você mesmo destacou antes, não pode ser confundido com o egoísmo. (Lembro que a tradição do trabalho voluntário e coletivo é forte nos EUA. Famílias se reúnem para concertar cercas, pintar escolas, etc.)
        Acho também que o termo conservador costuma ser desconhecido ou mal interpretado no Brasil, ganhando mesmo um conteúdo pejorativo que, não raro, é utilizado na luta política. (Sobre o assunto, acho esclarecedor um artigo de Russel Kirk: “A essência do conservadorismo”.)
        Adjetivos podem ser injustos e perigosos quando não devidamente contextualizados. É por isso que eu desconfio de rótulos e prefiro a análise sobre os casos concretos. Por exemplo: Que sistema de saúde queremos exatamente? Como ele será financiado? Acho que a discussão política no Brasil ainda não chegou perto de abordar as questões de forma satisfatoriamente clara, seja no nível conceitual, seja no nível, digamos, prático. A democracia ainda engatinha no Brasil.
        Abraço.

      7. Prezado Alexandre,
        Direitos Humanos foram definidos por uma história de conquista social que partiu da Revolução Francesa e se consagrou na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.
        E quem defende o Monarquismo também não é de direita? Os trabalhistas britânicos defendem-na? Cada país é um caso…
        Os adjetivos são subjetivos, concordo, porém, em princípio, os indivíduos que se colocam acima dos outros e os agridem, seja fisicamente, seja verbalmente, se caracterizam por ser direitistas. Acreditam mais na competitividade do que na solidariedade.
        O conservadorismo se confunde com o tradicionalismo, para o mal (sendo reacionário) e para o bem (mantendo conquistas). Evidentemente, a linguística refere-se também a cada país: ser liberal nos EUA é diferente de ser liberal no Brasil, mas isto não significa que aqui é “mal interpretado”.
        Também desconfio de rótulos e concordo que a história da democracia no Brasil é curta, embora tenha dado saltos, p.ex., no sistema eleitoral. O norte-americano é produto de sua história de “estados unidos”, mas depende de pacto federativo que não é o caso de se repetir no Brasil, tal como na Primeira República (1889-1930).
        O SUS foi definido como gratuito e universal. Terá ser financiado por arrecadação fiscal. Também nesse caso o que os EUA adota (privatismo) não é bom exemplo para o Brasil.
        Abraço

      8. Oi, Fernando. Bom, a questão no Reino Unido é sim bem particular, e essa particularidade pode provocar confusão entre os conceitos de liberalismo e conservadorismo. Liberais (de direita) não defendem, pelo menos como princípio, o monarquismo.
        Quantos aos adjetivos, acho que existe aí certo maniqueísmo. Indivíduos – por definição, pessoas com características únicas – que se colocam acima dos outros e os agridem não apresentam esses defeitos por serem de direita; esquerdistas podem perfeitamente comportar-se desse jeito (conheço vários casos…). O termo ‘competitividade’ traz questões semânticas interessantes (assim como “solidariedade’), e também pode ser substituído por ‘meritocracia’ ou ‘ambição’. Ela, em alguma medida, é intrínseca ao ser-humano, e é um dos pilares do capitalismo, que tanta coisa positiva vem nos dando ao longo dos séculos. (Pessoas podem ser extremamente competitivas e agressivas dentro de um partido de extrema-esquerda, para, por exemplo, disputar cargos.)
        Sobre o conservadorismo, o que quis dizer é que aqui no Brasil (e provavelmente em muitos outros lugares) ele é apenas associado ao reacionarismo (mesmo este termo tem carga pejorativa…), sendo utilizado na retórica política em contraposição ao progressismo, como se este último fosse necessariamente bom para todos os casos. (O texto do Kirk é preciso neste ponto).
        Sim, o SUS foi definido como gratuito (o Friedman deu um pulo aqui) e universal. (O caso americano é único, por causa de sua história realmente única. Não pode mesmo servir de exemplo para nós.) A grande maioria dos brasileiros (e meu incluo neste conjunto) deve concordar que seja assim, mas ainda restarão as dúvidas: Quem (e em que medida) deve contribuir mais para a arrecadação fiscal? Que tipo de procedimentos médicos estariam incluídos? Que equipamentos e medicamentos devem estar disponíveis? Etc.
        Acho que só teremos uma democracia plena quando o discurso político abordar as questões (governar é escolher) de modo honesto e maduro. O plano retórico tem sua utilidade, claro. Mas, no Brasil de hoje, vejo-o mais confundindo que resolvendo. Daí minha insistência nos casos concretos. Não existe democracia perfeita (que pressupõe, entre outras coisas, nivelamento de informações), mas ainda podemos melhorar muito.
        Abraço.

      9. Prezado Alexandre,
        acho que concordo com todas suas ponderações…
        As classificações de direita e esquerda simplificam demasiadamente a complexidade dos indivíduos. O critério de seleção da cada qual para relacionamento é pessoal, tentando pesar as virtudes e os defeitos que todos os seres humandos possuem. O que incomoda a alguns pode até ser admirado ou pelo menos tolerado por outros. Daí, até o critério de meritocracia e ambição é relativo ao contexto. E as pessoas mudam ao longo do tempo, tanto para pior, quanto para melhor, sob o critério de cada um.
        Enfim, quem sou eu para classificar todas as pessoas de forma apenas binária, e por um atributo transitório?!
        Abraço

  6. Olá, Fernando. Bom, começo parabenizando-o pela iniciativa, embora seja claro que um artigo apenas não poderia dar conta da questão toda. Existe toda uma explicação filosófica e até psicológica que sustenta (ou não) os argumentos centrais e periféricos dos dois lados. (São só dois lados mesmo? Penso agora no exemplo do copo meio cheio ou meio vazio…) Vou mais na linha de Rawls, algo como um “liberalismo igualitário”. Acho que é preciso dar, na medida do possível, oportunidades iguais a todos “na largada”, mas, depois, valem as individualidades. Alguns são mais capazes, outros mais ambiciosos, outros tantos mais esforçados, etc. É preciso também que o estado não permita abusos, como, por exemplo, monopólios e salários vis. Acho que já li o suficiente para saber que o “x” da questão está nos conceitos de direito e justiça (social). (Que direitos todos devemos ter? E em que magnitude? Dar determinado direito a um pressupõe tirá-lo de outro? O que é socialmente justo? O quanto do sucesso de alguém é explicado por seu próprio mérito? É correto privar alguém do direito de exercer ao máximo (e dentro das leis) sua capacidade?) Regimes de extrema esquerda sempre acabam por suprimir as liberdades individuais, exterminando os direitos de empreender, de contratar e ser contratado, de trocar pelo que acha justo, etc.
    Então devo ser de direita, mas em termos mais moderados.
    Um abraço e parabéns novamente (por todo o blog), Alexandre.
    P.S.: Permita-me um comentário extra: achei sua resposta ao Ricardo (aí encima) um pouco maniqueísta e fora do tom, embora ele tenha sido grosseiro. Na verdade, a afirmação dele é muito utilizada por ambos os “lados”.

    1. Prezado Alexandre,
      grato pelo comentário em que levanta questões pertinentes – e insolúveis.
      É interessante a divisão ideológica entre aqueles (geralmente influenciados pela cultura norte-americana) que defendem o igualitarismo de oportunidades e aqueles (em geral herdeiros da cultura europeia) que defendem o igualitarismo de resultados. Os primeiros alegam que todos devem estar na mesma “linha de partida”, os segundos, que todos devem se igualar na “linha de chegada”, para o que se deve usar políticas afirmativas e/ou compensatórias.
      Não aprecio afirmações peremptórias, tipo “regimes de extrema esquerda sempre acabam por suprimir as liberdades individuais”, quando não se coloca o verbo no passado, datando e localizando. A afirmação transparece um determinismo histórico que eu questiono, pois desconhecemos a história futura ainda a ser construída por lutas sociais e individuais.
      Aliás, ditaduras ou totalitarismos de direita merecem as mesmas observações, não?
      att.
      PS: quanto à citada resposta ao comentário, apenas usei a heurística da auto-validação (e a do excesso do otimismo), que é o hábito individual de se colocar acima de todos os outros diferentes de si mesmo.

      1. Oi, Fernando. Acredito sim que devam haver políticas compensatórias, ou reparadoras. Ocorre que nem todos têm as mesmas condições (acaso, sorte…) de desempenhar seu potencial, e digo isso já considerando a igualdade na linha de partida. Para dar um exemplo bem objetivo, cito problemas de saúde que alguém possa ter ao logo da vida. Existem muitos bons motivos humanitários para defender tais políticas. Mas isso tem que ocorrer na medida certa, claro. (Existem pessoas na Europa, saudáveis e supercapazes, que vivem anos às custas dos outros…) Em outras palavras, é apenas uma estilização o modelo de igualdade na linha de partida, pois a realidade é mais complexa.
        Com relação aos regimes de extrema esquerda (socialismo/estado onipresente), apoiei meu comentário no que tem ocorrido até aqui: todos só se mantiveram (ou se mantêm) com ditaduras. E o comunismo, tal qual imaginado por seus ideólogos, nunca conseguiu se estabelecer. As razões são conhecidas e derivam, no fundo, de se ignorar a natureza humana. Os regimes de direita, por outro lado, podem perfeitamente existir em democracias. Vide os EUA, apesar dos defeitos, claro.

        Abraço, Alexandre.

        P.S.: Bom, não acho que pessoas de direita necessariamente se coloquem acima das outras. Existe aí uma questão de juízo de valor que não é obrigatória, na minha opinião.

      2. Prezado Alexandre,
        quando você falou em regimes de extrema esquerda, pensei no SOREX – Socialismo Realmente Existente, e os comparei com regimes de extrema direita, tais como o fascismo italiano, o nazismo germânico e as ditaduras militares latino-americanas, entre outros. Portanto, seja em uma ideologia (esquerda), seja em outra (direita), a democracia deve ser defendida sempre.
        A primeira deve refletir mais a respeito do individualismo esclarecido e/ou iluminista e sobre o direito à propriedade individual como conquista histórica. A direita necessita incorporar a solidariedade e a proteção social em seu ideário, não?
        abs
        PS: quanto aos vieses heurísticos, eles não são nem de direita, nem de esquerda, são simplesmente humanos…

        Sugiro a leitura do divertido texto do Antônio Prata a respeito desse debate: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/02/22/direita-x-esquerda-por-antonio-prata/

      3. Sim, Fernando, o ideário da direita pode sim contemplar, em maior ou menor grau, a solidariedade e a proteção social (até citei um exemplo). E o ideário da esquerda deve contemplar o respeito às individualidades. O importante (e o difícil) é conseguir o ponto ótimo de equilíbrio, sabemos disso. Aliás, a democracia real deve mesmo passar por aí…
        Há controvérsias quanto ao fascismo e ao nazismo, pois muitos intelectuais importantes os consideram regimes derivados de alguma forma de socialismo, na medida em que suprimem as individualidades em benefício de um nacionalismo exacerbado. Nesse contexto, as que existem, mesmo econômicas, são toleradas (até por serem úteis; ex: Krupp), mas não tão desejadas assim.
        Vou ler o texto do Prata. Obrigado pelo conselho.

        Um abraço.

  7. Fernando,

    Este é o primeiro texto que eu encontro falando sobre sobre esta questão de direita e esquerda de forma puramente didática. Por ser um tema sempre polêmico, 99% do que se acha na net é manifestação de opinião de um ou de outro pensamento.

    Achei muito importante esta leitura, pois volta e meia, no meu dia-a-dia (posso me arriscar a dizer “nosso”), sempre nos deparamos com cobranças sobre nossa posição política. Quanto mais aprofundamos nosso conhecimento nas coisas que gostamos, e as tratamos como hobby (música e arte em geral, futebol, entre outras coisas), sempre vemos um envolvimento político absurdo nelas. Não podemos passar isso de maneira impune.

    Por isso gostaria de, humildemente, tentar entender de fato o que é direita e o que é esquerda, quais são as falácias que podem ocorrer dos dois lados sobre a ideologia oposta. Reconhecer o outro lado de maneira maniqueística é comum. Esse é um tema muito sério, que permeia as nossas vidas a todo momento em tudo quanto é coisa que a gente faça. Vou procurar este livro que você indicou e agradeço a oportunidade de leitura de um texto importante como esse.

    1. Prezado Franklin,
      agradeço o incentivo.

      É postura totalmente distinta do rancoroso e mal educado comentário de quem se apresenta como “ortodoxo” ou “direitista”.

      Por exemplo, recebi o seguinte: “Teria mais acessos se permitisse críticos (ortodoxos, direitistas) postarem nos tópicos do blog. Que eu saiba, esquerdistas são contra autoritarismo.”

      Não quero ter mais visitantes desse tipo, para ser agredido, e não acrescentar nada a um debate educado, culto e produtivo.

      Não é “autoritarismo” eu arbitrar meu próprio blog!

      Uma das boas coisas que aprendi no último ano é jogar, sumariamente, esses eventuais comentários mau-educados para o lixo, não dando espaço para a selvageria da web.

      Deixei isto claro na aba acima “Temas do Blog”: “Não serão aceitos comentários negativistas, depreciativos, irônicos, ofensivos, direitistas, etc., pela seguinte razão: Internauta + Idiota = Interniota.”

      Desculpe-me usar sua resposta para esclarecer, mais uma vez, esse ponto. Eu não esperava meu blog receber também visitas de “ortodoxos direitistas”…

      abraço

  8. Olha… O simplismo que reduz a esquerda ao altruísmo e a direita ao egoísmo, mesmo que com um discurso rebuscado, além de incorreto é muito, mas muito tosco. Me faz lembrar a “revolução dos bichos”: “quatro patas bom, duas patas ruim”. Nessa altura do campeonato, não cola mais.

  9. As pessoas são desiguais por natureza. Umas trabalham e estudam mais, outras menos. É claro que a Direita Liberal-Conseradora quer o fim da miséria, mas é realista, o Estado JAMAIS será o agente dessas mudanças, pois como vemos é impossível garantir saúde e educação, por exemplo, n’um padrão FIFA, muito menos utilizando-se de métodos revolucionários, em consequência, violentos, imorais e ilegais, para atingir esses utópicos objetivos. O Lucro e a iniciativa privada é que vão garantir esses intentos, gerando riqueza para todos,desde que não haja intervencionismo estatal, fazendo com que os salários sempre aumentem junto com a economia como um todo. Veja só como está o Brasil hoje dominado pela esquerda: atraso, corrupção, falta de investimentos, incompetência, falta de competitividade, caos nos transportes e infraestrutura, violência, abusos governamentais, ameaça à democracia, à liberdade, à propriedade e desmoralização. Tudo isso pelo o que? Bolsa família? Deveria estar diminuindo as desigualdades, não? Incrível, a cada ano o programa sofre expansão para acomodar mais Brasileiros. Os vermelhos podem explicar?

    1. Prezado Marcelo Cunha,
      eu não tenho permitido comentários direitistas idiotas (aqueles não tem consciência do mal que fazem a si e aos outros), mas deixarei o seu com propósito didático: é o protótipo do direitista com ideias fixas, não refletidas profundamente, e sem apresentar evidência empírica.

      Antes de apenas repetir velha catilinária de direita, já apresentada no post acima, deveria refletir com o mínimo de inteligência e coerência.

      Por exemplo, não percebe (ou talvez desconheça por não ter acesso a ensino de qualidade) que o que afirma a respeito de “como está o Brasil hoje dominado pela esquerda: atraso, corrupção, falta de investimentos, incompetência, falta de competitividade, caos nos transportes e infraestrutura, violência, abusos governamentais, ameaça à democracia, à liberdade, à propriedade e desmoralização”, poderia ser dito também no período de domínio da direita durante a ditadura militar?!

      Aliás, boa parte disso ou é herança histórica ou é falso como “ameaça à democracia e à liberdade”. Pense um pouco se isso não cabia dizer apenas durante a ditadura de direita.

      O comentário, então, leva ao leitor se perguntar: será que toda a direita é tão burra?
      att.

      PS: não perca seu tempo retrucando, violentamente, pois não terá mais espaço aqui para essa catilinária.

  10. Fernando, E’ sempre elucidativo o seu blog. O debate das ideias, a oportunidade do contraditorio, permite chegar a sintese que se aproxima da verdade que desejamos atingir.Parabens.Teria talvez algo a acrescentar, mas deixarei para outra oportunidade.

  11. Muito bom texto, esclarecedor.

    Mas li os comentários e a dúvida do Zé (16/02/2014) é a mesma dúvida que eu tenho.
    Eu perguntei a mesma coisa para várias pessoas e até hoje não obtive uma resposta objetiva. Afinal, quando queremos entender alguma coisa, vem à cabeça os porquês.

    Vejo a nação dividida por causas de particularismos e coisas que interferem diretamente na ordem pública.
    Eu não domino retórica política, nem sou fã de maniqueísmo, a minha dúvida é muito simples. O mínimo que um cidadão deve esperar da política é a Ordem. E por que está faltando ordem? Por quê, se a nação é atualmente conduzida pela esquerda? Simplificando as coisas, por que essa bagunça?
    Eu não estou desafiando você, eu desejo sinceramente saber.

    Grata.

    1. Prezada Lis,
      em Ordem democrática os conflitos de interesses individuais emergem, naturalmente, são discutidos e votados no Parlamento.

      Em Ordem autoritária, eles são reprimidos, pois não há liberdade de expressão.

      Portanto, a falsa impressão de “bagunça” é parte do jogo democrático. Porém, é mera impressão, pois “bagunça”, de fato, é uma ordem autoritária impor pela força (armas, censura, prisões, tortura, etc.) apenas um ponto-de-vista, em geral minoritário.

      A esquerda defende o igualitarismo, isto é, busca uma virtude que é comum entre os diversos seres humanos, igualando-os pelo altruísmo. A direita descrê dessa possibilidade, pois acha que os indivíduos são, naturalmente, desiguais, egoístas e só defendem o próprio interesse.

      A esquerda venceu as quatro últimas eleições democráticas e por direito assumiu o Poder Executivo. No entanto, como é minoritária no Poder Legislativo, tem a necessidade de fazer coalizão político-partidária com partidos de direita. Setores destes, atualmente, a sabotam, por isso dá essa sua impressão de “bagunça”.
      att.

      1. Vou discordar do final de seu último post, Fernando. E por dois motivos: (1) os “setores” de que fala são apenas exemplos das raízes clientelistas e patrimonialistas deste país, pouco ou nada tendo de afinidade filosófica com a Direita que, suponho, tenha sido abordada em seu texto; (2) não se pode considerar como “sabotagem” as divergências no Congresso, naturais na ordem democrática. O PT, ou a esquerda, foi eleita para governar uma república, não para imperar. E lembremos da oposição ferrenha que levaram a acabo durante os governos FHC.

      2. Prezado Alexandre,
        de fato, discordamos.

        Discordo de que “os representantes das raízes clientelistas e patrimonialistas deste país, pouco ou nada tendo de afinidade filosófica com a Direita”. Como não, se defendem sem nenhum pudor a desigualdade social favorável a eles?!

        Discordo de que não seja “sabotagem”, sistematicamente, o presidente da Câmara, membro de partido da base governista, colocar o governo federal como refém, barganhando vantagens fisiológicas.

        O ônus da prova de que o PT “impera” é seu. Se imperasse, não estaria passando pelos dissabores atuais…

        Quanto à “oposição ferrenha”, a diferença para a oposição atual ao governo Dilma é que o PT nunca pediu impeachment do FHC ou incentivou manifestações golpistas. Muito menos foi apoiar os golpistas da Venezuela…
        att.

      3. Fernando, defender uma posição privilegiada (que não é sinônimo de injustiça social) NÃO significa incorporar um pensamento filosófico, e a Direita NÃO defende posições privilegiadas, defende o mérito (que aqueles ali supostamente não têm). Você está com uma leitura preconceituosa e enviesada da Direita, que sequer condiz com o texto do blog sobre o assunto.

        Quanto ao “jogo” no Congresso, o PT já cansou de fazer o mesmo em outras ocasiões, quando barganhava o que lhe interessava, inclusive votando contra o que veio a defender depois. E negociar no Congresso não é sabotagem.

        O PT, como tem sido amplamente divulgado, e como é do conhecimento geral, e como eu me lembro muito bem, pediu o impeachment do FHC por uma fração do que aconteceu até agora nos governos Lula e Dilma.

        Sinceramente, acho melhor ficar na parte filosófica da questão.

        Abs.

      4. Prezado Alexandre,
        o discurso de ódio antipetista obscurece a razão, pois analisa a política de maneira enviesada e emocional.

        A defesa da igualdade de oportunidades e, a partir disso, que não há no Brasil, justificar toda a hierarquia social com base no mérito pessoal não é correto, embora seja típico da postura de direita. A “linha-de-largada” não é a mesma. Dessa forma, não haverá a igualdade de resultados que a esquerda defende.

        Aponte quando (e como) o PT, através de sua liderança formal ou de um documento oficial, pediu impeachment. O “Fora FHC” foi palavra-de-ordem de extremistas que não representavam o PT.

        A parte “filosófica” da questão entre direita X esquerda é mais interessante para a direita não precisar justificar a longa ditadura a que submeteu o País. Na minha juventude, não tinha liberdade de expressão para as minhas posições ideológicas, ao contrário da ampla mídia que vocês de direita gozam hoje com a democracia.
        att.

  12. Esqueci de comentar que a situação da Venezuela não é de golpismo, é de uma protoditadura. Aliás, aparentemente defendida pelo PT.

    1. Prezado Alexandre,
      não darei mais palanque para você, simplesmente, vociferar o discurso direitista da Veja.
      Para dirigir comentários desagradáveis ou acusações à esquerda, existem jornais, revistas e blogs direitistas.
      att.

  13. Prezado Fernando,

    esquerda e direita (left and right), para mim representam orientações do GPS. No tocante ao pensamento político precisamos eliminar essas diretivas e acabar com o preconceito existente, não é possível que na era da inteligência artificial, robotização em massa dos meios de produção, acesso a todo o conhecimento do planeta num piscar de olhos, ainda existe esse atraso conceitual. Precisamos virar essa página e começar a usar a teoria da complexidade, os grupos de Lie, a geometria homeomórfica, a irreversibilidade de Prigogine, Wolframalpha, etc. Talvez isso ajude a fazer o pensamento alcançar o próximo degrau evolutivo.

    Imagine agora, temos ao nosso dispor um prompt (campo aberto), nele você poderá literalmente obter todo o conhecimento da humanidade num piscar de olhos. O que será que precisamos embutir nos cérebros dos políticos para que percebam e saibam quais são as práticas corretas e abordagens estruturais adequadas para resolver os problemas sociais do nosso país? Será que não sabem o que é um prompt?!

    Talvez o maior problema esteja naquelas práticas tupiniquins que insistem em não mudar, como aconteceu na arte dos egípcios que ficou estática por 3000 anos. Talvez o Brasil mude quando já estivermos colonizando outros planetas em outras estrelas… rsrsrs
    Siga os sinais, garanto que não é nem esquerda e nem direita: assista mais humano do que o humano!

    http://rcristo.com.br/2015/03/06/como-a-arte-fez-o-mundo-episodios-1-a-4-mais-humano-do-que-o-humano-bbc/

    O livro do Bobbio está aqui: http://www.libertarianismo.org/livros/nbdee.pdf

    Abs.

  14. Sou de Direita, Liberal igualitário, e acredito que o meio para se acabar com a miséria é aumentando a produtividade. Muitos criticam o capitalismo mas não observam os benefícios que o mesmo trouxe ao longo das décadas, desde o fim da escravidão até os dias de hoje. É claro que as lutas sociais foram fundamentais, e o papel do Estado quando bem desempenhado, importantíssimo.

    O Capitalismo liberal, da livre competição é o mais justo e eficiente modelo, e é baseado nas próprias leis da natureza, e portanto, adaptado ao nosso universo onde os recursos são limitados e os mais bem adaptados a essa condição atingem o sucesso. Lutar contra isso é como nadar contra a correnteza, é como questionar a Deus as leis que o universo nos impõe.

    Acredito que o estado deve apenas estabelecer as regras do jogo de modo a garantir a sobrevivência do sistema. No entanto, algumas ideias que comumente atribuem a esquerda, eu acredito ser de direita como no caso da liberação das drogas. Liberar as drogas é uma ação em que o estado deixa de interferir no mercado, portanto é uma atitude Liberal, e a politica liberal é atribuída a Direita na minha concepção, ou estou errado?

    1. Prezado João Guilherme,
      você, assim como qualquer cidadão em uma democracia, possui o livre-arbítrio de assumir a ideologia que quiser, exceto a que prega a destruição dessa liberdade de escolha, p.ex., a nazista.

      Há uma contradição entre seus termos “direita”, “liberal” e “igualitário”, da maneira em que são entendidos no Brasil. Liberal nos EUA é de esquerda, i.é, defende o igualitarismo contra a desigualdade social. É liberal lá porque é a favor do “individualismo libertário”. É coerente com a história norte-americana que nasce da insurgência dos emigrantes britânicos puritanos contra a Monarquia Absolutista que os perseguia e a concentração fundiária a favor da aristocracia inglesa.

      Concordo contigo que no capitalismo industrial que mais ocorreram progresso econômico e social. Entretanto, a burguesia que era progressista, durante as revoluções dos séculos XVII (Inglaterra) e XVIII (EUA e França), tornou-se reacionária contra as conquistas populares da cidadania: direitos civis, políticos, sociais e econômicos. Os socialistas e social-democratas lideraram essas lutas políticas que ocorreram contra os que achavam que “a desigualdade era natural e, portanto, insuperável”.

      Dizer que o que “O Capitalismo liberal, da livre competição é o mais justo e eficiente modelo, e é baseado nas próprias leis da natureza… etc.”, como está em seu segundo parágrafo, já não concordo, pois é um grande equívoco em termos científicos. O Homo Sapiens surgiu há 200.000 anos, a revolução cognitiva há 70.000 anos, a revolução agrícola há 12.000 anos, a revolução científica há 500 anos e a revolução industrial capitalista há apenas 200 anos. Como você diz que esta é “natural”?! Pior, apelar para um ente sobrenatural — um deus entre muitos das muitas religiões existentes — para justificar isso?!

      Milton Friedman, guru monetarista e ultraliberal, defendia a descriminalização das drogas leves, inclusive por uma razão do custo de combate face ao suposto benefício medicinal da maconha. Porém, creio que não chegava a defender a liberalização geral com fé na “auto regulação do mercado”. Este é um exemplo de ingenuidade, pois o custo de tratamento dos drogados é socializado entre os contribuintes. E a perda de vidas provocadas pelas drogas é também arcado socialmente.
      att.

    2. João, sua pergunta é pertinente. Eu diria que a liberação das drogas é uma política libertária, e não estou fazendo aqui juízo de valor ou julgando o mérito da medida. Socialistas em geram prometem um mundo utópico, no qual coexistem todas as vantagens do capitalismo e a igualdade socialista. (E quem disse que igualdade socioeconômica e justiça social são sinônimos?) Apenas não conseguem explicar como isso funcionaria, e com liberdades individuais garantidas. Socialismo democrático não existe. Nem no papel.

      1. Prezado João,
        o debate entre igualitarismo e meritocracia é mais profundo. Os chineses e norte-americanos defendem a igualdade de oportunidades. Os europeus defendem a igualdade de resultados, ou seja, política compensatórias, já que a desigualdade é de nascença.

        Aqui, curiosamente, trabalhadores com ensino “superior” (sic) não se enxergam. Acham que viraram burgueses! Passam a defender interesses antagônicos à própria mobilidade social!
        att.

      2. Meritocracia pressupõe haver igualdade de oportunidades, já com compensações possíveis a desigualdades vindas de condição socioeconômica da família. Igualdade de resultados não é justiça, é generosidade, quando muito (pois não dá ao “generoso” a oportunidade de exercer sua generosidade livremente, como tem que ser). Evoco aqui Victor Hugo: “Ser bom é fácil, difícil é ser justo”.
        Trabalhadores de nível superior não são burgueses (estes ficaram no passado). E não têm interesses necessariamente homogêneos ou antagônicos à mobilidade social. Podem ter se movido de baixo para cima e continuar se movendo, como ocorre aos montes nos EUA.

    3. Oi, João, postei um comentário para você que não apareceu, por isso tento de novo.
      Achei sua pergunta pertinente. Para mim, a liberação em questão é ligada ao movimento libertário, mais que ao liberalismo.
      Socialistas em geral sustentam que é possível um mundo utópico onde coexistam todas as vantagens materiais – e até espirituais! – do capitalismo e as alegadas vantagens igualitárias inerentes ao socialismo. Mas não explicam como isso funcionaria, incluindo a manutenção das liberdades individuais.
      Mais: não existe socialismo democrático. Nem no papel.

      1. Prezado Alexandre,
        papel aceita tudo, até ***** 🙂

        Há uma grande tradição de literatura socialista, que toda pessoa culta deveria tomar conhecimento, pois socialistas/social-democratas estiveram na linha de frente de inúmeras conquistas populares da cidadania, depois que a burguesia tornou-se reacionária a partir do século XIX.

        O Socialismo Realmente Existente merece também uma reflexão, para se evitar regime totalitário com culto à personalidade.

        Acho que todos indivíduos almejam a liberdade de ter sonhos (reais), lutar pela alternativa (possível) e vislumbrar uma utopia (necessária)…
        att.

      2. Acho que numa coisa estamos de acordo: papel aceita tudo. Mas isso não resolve o problema de quem precisa explicar certas coisas. O socialismo, a pretexto de corrigir problemas decorrentes de (suposto ou não) reacionarismo da burguesia, criou muitos outros. Não vejo como haver socialismo (não é social-democracia!) não totalitário. Utopias não ou mal explicadas podem ser muito perigosas.

      3. Prezado Alexandre,
        quanto à explicação original de Karl Marx sobre sua utopia, sugiro ler:
        https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/04/22/comunismo-segundo-karl-marx/
        https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/01/29/cidadania-em-sorex-socialismos-realmente-existentes/

        O mercado totalmente livre, sem regulação do Estado, também não é uma utopia liberal? Ele não permitiria a exploração sem travas por parte dos com maior poder de mercado sobre os mais fracos? Mercado livre sem democracia é apenas uma ditadura.
        att.

  15. Oi, Fernando, ainda não vi o comentário que postei aqui em resposta ao seu de 17/03 (7:52). Esta é a segunda vez que lhe peço.

      1. Ora, Fernando, e onde viste tais qualificativos em meu comentário?? O que aparece em mais destaque, logo no alto, são os termos ética e democracia’. Em nome deste último, peço-lhe que coloque meu comentário, ou ao menos justifique o motivo de ter atribuído a ele, repito, qualquer dos qualificativos acima enfileirados. Obrigado.

      2. Parece-me, Alexandre, que você postou duas vezes o mesmo comentário, e eu decidi postar apenas uma vez, sendo assim cliquei no “lixo” para um deles. Se eu estiver errado, perdoe-me, porque estou passando por momentos de grande aflição, seja na vida pessoal, seja na vida pública. Então, favor reenviar o comentário para meu exame.
        att.

      3. Fernando, não tenho mais “aquele” comentário aqui, portanto vou tentar reescrevê-lo de memória.

        Liberais não acham que o livre mercado seja sinônimo de mercado totalmente livre, sem qualquer tipo de regulação. Existe a clássica regulação econômica – ex: evitar monopólios – e regulações técnicas (área na qual trabalho). Mesmo Roberto Campos prescreveu instrumentos regulatórios em sua concepção de estado e sua relação com o indivíduo – a menor das minorias. Liberais não lidam com utopias ou sistemas perfeitos, mas com liberdades individuais.
        Mas estou mais para conservador (na acepção de Scruton) que para liberal.
        Posso até ler o link da utopia de Marx, mas a verdade é que ela, por meio de seus hermeneutas, só nos trouxe mortes aos montes.
        PS: O link ‘discurso do ódio’ não cabe para mim, sinceramente. Se existe ódio contra comunistas, sabemos que também existe contra capitalistas, seja lá o que entendam por isso.

  16. Pelo artigo eu me enquadro na esquerda em quase todos os pontos. Mas alguns ítens eu caio na direita. Ex., ítem ‘armas’, eu sou a favor da posse de armas, totalmente contra desarmar a população. E no ítem ‘migração’, eu tendo a achar que pobres imigrando podem traser problemas para a sociedade onde eles vão migrar. Mas na grande maioria eu me posiciono à esquerda. Conheço pessoas que caem na direita em quase todos os pontos, mas defendem liberdade total para comercio e consumo de drogas. E aí, como fica?

      1. O Espirito Santo me deu uma pequena mostra sobre o que ocorre com pessoas desarmadas.

    1. “Fica” assim: o assunto não é tão simples. E a direita não é monolítica. Para começar, existem ao menos duas: a liberal e a conservadoras, com todos os seus matizes. Sou conservador e liberal em várias questões distintas, por exemplo.
      PS: A imigração maciça, quando sai da abstração e cai para a vida real, acaba mostrando que, a depender dos interesses específicos, determinados fatores aproximam conservadores e socialistas.

      1. Prezado Alexandre,
        o mundo é mais complexo do que alcança nossa parca sabedoria.

        Indivíduos por definição são particulares, específicos. A Ciência Social tenta agrupá-los por comodidade intelectual, já que não conseguimos descrever cerca de 7 bilhões pessoas.

        Ideologia e valores éticos ou morais não se alinham, automaticamente, de um lado ou de outro. Por isso, a sabedoria é ser seletivo na escolha de amigos e educado na convivência coletiva. Amigo a gente escolhe, parentes, colegas e vizinhos não…
        att.

      2. Sim, sim, claro. Daí inclusive meu comentário. O problema é quando se leva a Ciência Social muito a sério e se começa então a distribuir (acreditar em) rótulos – muitas vezes de forma maniqueísta – por aí.
        Um abraço.

  17. Muito bom o texto! Mas não consigo imaginar que no mundo de hoje um dia existirá uma competitividade que realmente seja igualitária. Trabalhei com a rede pública e particular de ensino e as diferenças são gritantes. Não pela capacidade dos indivíduos – o que para mim seria realmente o principal atributo de uma competitividade justa – mas por todos os degraus que estes tem a seguir. Primeiro na questão de oportunidades: “somente” estudar, viajar, cultura, lazer… Depois pelo histórico familiar – tive diversos alunos que os pais eram analfabetos, não sabiam como conduzir os filhos em questões escolares, e na mente apenas o velho: estuda pra crescer meu filho. Quando entrei na faculdade (era FHC), quase 100% da turma vinha de instituições privadas ou pagaram cursos preparatórios. Usava a universidade pública e a vida inteira pagaram por seus ensinos. Muito contraditório. Hoje vejo que a oportunidade de ingressar na faculdade aumentou, mas meus ex-alunos de instituição pública ainda tem que trabalhar para ajudar a auxiliar a família. Tem um seriado brasileir (3%) na Netflix que realmente mostra como seria uma competitividade justa. O problema seria apenas aceitá-la. Recomendo.

    1. Pois é, Bárbara, o conceito de meritocracia deve incluir as condições “de partida” aproximadamente iguais (ou na medida do possível). Por outro lado, a imensa maioria das crianças foram concebidas voluntariamente. Os pais também têm suas responsabilidades na criação dos filhos. (Imaginemos, por exemplo, um casal de classe média que tenha esbanjado todo o seu dinheiro com festas e etc. em detrimento da educação/criação de seus 5 filhos.)
      Um abraço.

  18. Só Um Erro a Idéia De Que as Pessoas Não Precisam De Deus Para Serem Melhores Vem Do Iluminismo Britânico Que é De Direita

  19. Tanto o artigo quanto os comentários esclareceu muitas dúvidas minhas, exceto uma, como saber ser tão crítica e saber argumentar? Espero aprender um dia. Vc é demais Fernando!

  20. Boa tarde. Uma pergunta recorrente, já inclusive formulada e respondida em muitos blogues, é se as pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de espectro político de direita. No Blog do Nassif teve acalorada discussão, onde os direitistas claramente não discutiram o mérito, antes disso, tentaram desqualificar a pesquisa citada. Elo aqui.).

    Eu não respondi lá, pois o Post é bastante antigo, mas eu iria argumentar que um conceito pode servir de corroborador ou cotejador da inteligência (socialmente falando) dos esquerdas: empatia.

    Só um ser dotado de inteligência pode se colocar no lugar de seu semelhante. É, sem dúvida, um balizador do comportamento e do nível de inteligência social humanos.

    Mas observe. Não adianta se tornar uma Madre Theresa de Calcutá (há controvérsias sobre seu samaritanismo, mas a cito, assim mesmo) e automaticamente se tornar um Carl Sagan.

    É o que o Ronaldo [Sepulcro] Caiado tentou. Numa das eleições de Lula, um vidente (?) vaticinou que o próximo Presidente viria num cavalo branco. Como ele não acreditava em São Jorge, comprou-lhe um…

    1. Prezado Morvan,
      algumas pessoas são mais inteligentes do que outras ou elas desenvolvem a inteligência durante a vida?

      Howard Gardner, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, responde que ambas as coisas ocorrem. Nós todos não temos o mesmo potencial em cada tipo de inteligência. Esse potencial é determinado geneticamente. Você pode ter todo o potencial, mas se não tiver oportunidades de aprendizagem, motivação, bons professores, você não vai desenvolvê-lo.

      Os tipos de inteligência que os seres humanos possuem são:
      Lógico-matemática: capacidade de raciocínio lógico e compreensão de modelos matemáticos; habilidade de lidar com conceitos científicos.
      Lingüística: domínio da expressão com a linguagem verbal.
      Espacial: percepção do sentido de movimento, localização e direção.
      Musical: domínio da expressão com sons.
      Corporal-cinestésica: domínio dos movimentos do corpo.
      Intrapessoal: capacidade de autocompreensão, automotivação e conhecimento de si mesmo; habilidade de administrar os sentimentos a seu favor.
      Interpessoal: capacidade de se relacionar com o outro, entender reações e criar empatia; inclui-se nesta categoria a inteligência naturalista, que é a facilidade de apreender os processos da natureza.

      Portanto, por mais que a direita, de maneira geral, nos pareça ser burra ou estúpida, porque prega a violência e/ou os golpes para resolver problemas sociais, nem todo indivíduo conservador é ignorante. Há cultos que, inteligente e interesseiramente, defendem a Tradição, a Família e a Propriedade, ou seja, a herança.

      Como resolver a Trindade Impossível, isto é, ter ao mesmo tempo Liberdade, Fraternidade e Igualdade, o lema da República?
      1. se há justiça, quem se esforçar mais deverá enriquecer mais;
      2. se há liberdade de escolha, ele poderá doar o que tem para quem quiser;
      3. se há paternidade, ele doará para quem mais ama: seus filhos;
      4. então, deixará de haver justiça e igualdade, pois quem não trabalhou por aquela riqueza obterá a herança pela “sorte do berço”.

      Necessitamos de inteligência e consenso social entre igualitários (esquerda) e individualistas (direita) para resolver esse dilema e estabelecer uma igualdade de oportunidades que supere “o acaso do berço-de-ouro” com políticas afirmativas ou compensatórias, não?
      att.

      1. A pergunta mencionada pelo Morvan já traz, embutida, uma enorme confusão.

        Para começar, seria preciso um nivelamento conceitual do que seria direita e esquerda. (Eu, pessoalmente, estou muito mais para a distinção de Thomas Sowell do que para a de Bobbio.)

        Mais: há uma premissa falsa: a de que a esquerda tem empatia pelo semelhante e a direita não. (Isso faz uma enorme diferença quando se discute o que seria socialmente justo.)

        Além disso, uma posição seminal da direita é justamente não reconhecer na esquerda a capacidade de compreender a natureza humana, ou, de outro jeito, de compatibilizá-la com regimes políticos extremamente reguladores.

        P.S. A “sorte do berço” não independe do comportamento, da moral e da responsabilidade dos pais. Muito pelo contrário. Portanto, é preciso haver equilíbrio!
        Um abraço.

      2. Boa noite.

        Howard Gardner, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, responde que ambas as coisas ocorrem. Nós todos não temos o mesmo potencial em cada tipo de inteligência. Esse potencial é determinado geneticamente. Você pode ter todo o potencial, mas se não tiver oportunidades de aprendizagem, motivação, bons professores, você não vai desenvolvê-lo

        Isso, Fernando. Já temos alguns frameworks ou hardwares, dejá, mas o meio (a quem, erroneamente, já se atribuiu todas as virtudes e mazelas) acabará por se tornar o catalisador (ou não) desse ferramental atávico.

        Mas a predisposição para aceitar o próprio ser humano, suas especificidades, com relação aos outros animais (onde, via de regra, é a lei do murici (não o do São Paulo), ou seja, cada qual por si), já evidencia uma modalidade de inteligência.

        Não podemos alegar ser o meio quem os tornou empáticos, nem tampouco dizer que é exclusivamente inato. Continuo considerando a empatia como um balizador, esqueço a minha formação. Calco-me na minha vivência pobre, onde eu conheci os que eram capazes (e eu parecia ser um dos tais, sem qualquer autoindulgência) de ver além da sua própria miséria material.

        A propósito, sou pedagogo. Com muito orgulho. Estudei Direito até o sétimo semestre, mas abandonei. Sim, independente de qualquer considerando, que bom ter este espaço para discutir.

      3. Boa noite.

        A pergunta mencionada pelo Morvan já traz, embutida, uma enorme confusão.

        Para começar, seria preciso um nivelamento conceitual do que seria direita e esquerda. (Eu, pessoalmente, estou muito mais para a distinção de Thomas Sowell do que para a de Bobbio.)

        Mais: há uma premissa falsa: a de que a esquerda tem empatia pelo semelhante e a direita não. (Isso faz uma enorme diferença quando se discute o que seria socialmente justo.)

        Alexandre, a discussão já estava tão acalorada que nem ousei entrar (na verdade, não quis reativá-la…). É um tema que suscita muita discussão e acredite. É bem antiga. O próprio tópico do GGN (Nassif) é de 2013.

        Não se aponta nenhum determinismo, aqui. Mas situações verificáveis, pela práxis dos envolvidos na pendenga do dia a dia.

        Quanto às características da direita X esquerda, a tabela comparativa do Fernando é eloquente e bastante. Ali se elencam o que cada um defende, sendo que não são, a rigor, estanques. São características verificáveis. Só isso. Se houve confusão, não foi minha e se minha a intencionalidade perece.

      4. Morvan, de novo: os conceitos de esquerda e direita estão longe de serem simples e incontroversos. Quando se formula – e se aplica – uma teoria de justiça (social), é preciso antes fundamentá-la em premissas. No caso, estas, em minha opinião, dependem do entendimento sobre a natureza humana.

        Empatia não é exclusividade de esquerda – se é que é mesmo uma característica constitutiva dela. Repare: ninguém é impedido de ser solidário (fraterno), mas muitos são obrigados a sê-lo. Não é incomum que atividades como o trabalho voluntário sejam executadas por pessoas que se situam à direita no espectro político. Nos EUA, esse tipo de atividade é muito mais comum que no Brasil, aliás.

        Sem ofensas, mas a pergunta suscitada no blog que mencionou é, por natureza, arrogante. Pressupõe que o “outro lado” só não concorda com o seu (direita ou esquerda, tanto faz) porque é menos inteligente.

        P.S. Tenho as piores impressões sobre o GGN.

      5. Bom dia.

        Alexandre (10/10/2017 às 8:33):

        “Morvan, de novo: os conceitos de esquerda e direita estão longe de serem simples e incontroversos…
        Empatia não é exclusividade de esquerda – se é que é mesmo uma característica constitutiva dela…
        Sem ofensas, mas a pergunta suscitada no blog que mencionou é, por natureza, arrogante…”

        Fernando, a La Jack, vamos por partes.

        Primeiro, mesmo não sendo simplório, não são também um exercício de elucubração, margear ideias e ações de espectro político; não afirmei que empatia, de modo cabal, seja atributo da esquerda, mas é uma característica dos seres mais evoluídos (isto eu estou afirmando peremptoriamente!).

        Neles, a empatia, a senciência e a autoconsciência apontam claramente uma direção evolutiva; e, por fim, a pergunta não parece arrogante, para mim, mas muito instigante. Uma assunção de posição, sem se discutir, talvez o fosse.

        Abraço fraterno e como é bom discutir, debater.

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