ECO 207 – Macroeconomia

UnicampCurso de Especialização em Economia Financeira

Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas

Maiores Informações: Secretaria de Extensão (das 09h00 às 21h00)  Fone: (019) 3521-5709 / 3521-5834
E-mail: extensao@eco.unicamp.br :http://www.eco.unicamp.br

Macroeconomia – carga horária: 30 horas

Prof. Titular Fernando Nogueira da Costa

OBJETIVO:

O objetivo geral do curso é mostrar como o conhecimento multidisciplinar possibilita uma melhor análise para as diversas tomadas de decisão econômico-financeira, no nosso cotidiano, sistematizando o conhecimento genérico do cidadão e socializando o conhecimento específico do economista. O primeiro objetivo parcial é examinar microfundamentos da macroeconomia através das teorias das decisões básicas dos agentes econômicos ou das firmas. O segundo objetivo parcial é examinar macrofundamentos da microeconomia através das teorias dos principais problemas resultantes sistêmicos (inflação, desemprego, ciclo econômico e crise cambial) e das relações internacionais entre as decisões de políticas macroeconômicas, em economia aberta. Portanto, diversas disciplinas (economia monetária, microeconomia, macroeconomia e economia internacional) serão apresentadas de maneira integrada ou articuladas entre si.

PROGRAMA E BIBLIOGRAFIA:

O programa seguirá a ordem de apresentação do livro Economia em 10 Lições (São Paulo, Makron Books, 2000), cuja autoria é do professor do curso. As dez aulas propiciarão uma leitura dirigida, com foco nas respostas das seguintes perguntas-chave.

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Progresso Tecnológico e Crescimento

22 Progresso tecnológico e crescimento

Resumo da aula:

O Modelo de Solow atribui o crescimento econômico: 1. à acumulação de capital,  2. ao crescimento da força de trabalho e 3. às alterações tecnológicas. Na versão mais simples, 1. o produto per capita é função crescente da proporção entre capital e trabalho e do estado da tecnologia; 2. a poupança é igual ao investimento (em economia fechada); 3. supõe-se que a taxa de crescimento populacional seja constante e exógena. No equilíbrio estável, o capital, a mão-de-obra e o produto crescem todos à mesma taxa, dada pela taxa exógena de crescimento populacional. Taxa mais alta de crescimento populacional provoca aumento permanente da taxa de crescimento, mas redução dos níveis do produto per capita, no estado estacionário. O progresso tecnológico permite crescimento permanente mais rápido. Em economia aberta, as taxas de poupança e investimento não necessariamente são as mesmas, dentro de determinado país: a poupança externa (capital) pode fluir. O Modelo de Solow sugere que a proporção capital / trabalho e produto per capita tendem a convergir entre países. A convergência do produto per capita parece se originar, basicamente, da convergência dos níveis de progresso tecnológico.

A abordagem neo-schumpeteriana parte da crítica aos pressupostos neoclássicos do modelo de crescimento. Nessa perspectiva neo-schumpeteriana,  o desenvolvimento se refere, fundamentalmente,  às mudanças qualitativas em termos tecnológicos, organizacionais e institucionais. O foco é voltado para a própria evolução competitiva dos diferentes países, envolvendo 1. defasagens tecnológicas e econômicas, 2. mudança  nas posições do ranking competitivo internacional, 3. situações de crônico atraso ou de vantagens insuperáveis, etc. A convergência, assim, não é processo natural decorrente da lógica de mercado.

Mecanismo de Transmissão Interação e Iteração

19 Mecanismo de Transmissão Interação e Iteração

Resumo da aula:

Os modelos quantitativistas pretendem transformar a medição da condição inicial da oferta de moeda em simulação de tendências futuras em termos do nível de atividades e de preços. Mas sistema dinâmico complexo como o capitalista tem pontos de instabilidade que modificam a cadeia de acontecimentos. Ele é sistema que nunca se encontra em estado estacionário. Ele quase se repete, mas nunca exatamente do mesmo jeito, pois seu comportamento é não-periódico. Daí a incapacidade dos economistas de prevê-lo: há elo entre aperiodicidade e imprevisibilidade. O modo de análise do mecanismo de transmissão monetário baseado em teoria das decisões interdependentes tem aspiração de descrever trajetórias dinâmicas e não de determinar níveis das variáveis econômicas em torno de determinado centro de gravitação. Portanto, faz repúdio da noção de equilíbrio, ou seja, estado no qual os planos dos agentes são consistentes entre si sem nunca haver desapontamentos. O fundamento microeconômico da macroeconomia pós-keynesiana apresenta esta como resultante ex-post daquelas decisões ex-ante tomadas sob condições de incerteza. Elas assumem estratégias diversas, de maneira descentralizada, mas acabam se tornando interdependentes. Com esse esforço de análise dinâmica se descarta o niilismo teórico, ou seja, a impostura de defender a impossibilidade de teorizar o mecanismo de transmissão dinâmico, que parece caótico à primeira vista.

Crescimento em Longo Prazo

20 Crescimento em longo prazo

Resumo da Aula:

Como a expansão da renda implica a necessidade de execução de investimentos, a economia encontra-se sujeita às forças contrapostas de demanda (renda) e de oferta (capacidade produtiva). O Modelo do Multiplicador e Acelerador mostra que, por um lado, devido à rigidez da propensão ao consumo, é necessário investir sempre para manter a demanda efetiva em nível adequado para assegurar os gastos exigidos para atingir o pleno emprego. Por outro, cada investimento determina expansão da capacidade produtiva que tornará ainda mais necessário gastos futuros superiores aos gastos correntes, para alcançar o novo nível de pleno emprego de todos os recursos produtivos.

Ciclo de Preços dos Ativos

18 Ciclo de preços dos ativos

Resumo da Aula:

“Bolhas” surgem quando os preços de mercado dos ativos são inconsistentes com o que os fundamentos macroeconômicos justificariam, porque a tendência de crescimento no preço desses ativos excede a tendência de crescimento na renda nacional, durante período significativo.  A economia de boom, isto é, com alto crescimento, gera a bolha de ativos quando a escala de influxos nominais de riqueza à caça de oportunidades em ativos reais ultrapassa a capacidade de criação desses ativos de capital. As bolhas de ativos, seguidas por colapsos de ativos, são virtualmente onipresentes em economias (ou em mercados) com fronteiras delimitadas.

Teoria de Kalecki sobre Ciclos de Investimentos

17 Teoria dos ciclos de investimento elaborada por Kalecki

Resumo da aula:

Pode-se explicar o mecanismo causador das flutuações econômicas em termos da interação mútua dos dois principais determinantes que induzem o investimento: o efeito estimulante da rentabilidade maior e o efeito depressivo do crescimento da ociosidade da capacidade produtiva. O ciclo econômico, de acordo com Kalecki, é resultado das mudanças interrelacionadas (e defasadas): as encomendas de investimento; a acumulação bruta (efeito da produção de bens de investimento); e o volume do equipamento. A taxa de juros em longo prazo é que seria relevante no que diz respeito à determinação de decisão de longo prazo como é o investimento. Tendo em vista que ela não apresenta flutuações cíclicas pronunciadas, Kalecki a  releva, i.é, não a considera relevante no mecanismo do ciclo econômico. Esse autor, portanto, se insere na tradição que coloca como o fato fundamental sobre as flutuações cíclicas a flutuação característica na produção de instalações e equipamentos.