Jabuti não sobe em árvore: como o MBL se tornou líder das manifestações pelo impeachment (por Marina Amaral)

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Marina Amaral, no livro de Ivana Jinkings, Kim Doria , Murilo Cleto (orgs), “Por que gritamos golpe?”, descreve muito bem a mobilização dos jovens direitistas, fascistas e golpistas para atuarem como agitadores da rede social e levar os reaças da classe média decadente às passeatas, vestidos com a camiseta da CBF (antro de corruptos) e/ou do pato amarelo da FIESP golpista. Ela já tinha investigado esse movimento direitista em: Marina Amaral, “A nova roupa da direita“, Pública, 23 jun. 2016; disponível online.

“Depois que os protestos contra a alta nas tarifas de ônibus e metrô tomaram o país, em junho de 2013, uma juventude que não costumava se manifestar nas ruas começou a aparecer nos jornais. Os novos integrantes, logo apelidados de “coxinhas” pela juventude de esquerda, repudiavam as bandeiras vermelhas a pretexto de impedir a “partidarização” do movimento, e assumiam o verde-amarelo “de todos os brasileiros”. Condenavam os black blocs e exaltavam a polícia militar, que reprimira com violência os protestos convocados pelo Movimento Passe Livre. Suas principais bandeiras eram contra a “roubalheira” e contra “tudo isso que está aí”, paulatinamente substituídos por um simples “Fora PT”.

A imprensa foi atrás de entrevistas com as novas lideranças, sem esclarecer sua origem.

  • Alguns grupos eram fáceis de rastrear, como o Vem Pra Rua, de Rogério Chequer, ligado à juventude do PSDB e ao senador Aécio Neves.
  • Ou o Revoltados Online, francamente autoritário, que pedia a volta da ditadura militar enquanto faturava com a venda online de camisetas e bonecos contra o PT.
  • O mais obscuro deles era o Movimento Brasil Livre (MBL), que parecia ter brotado da terra para assumir a liderança daquele que se tornaria o movimento pró-impeachment nos anos seguintes.

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Por Que Gritamos Golpe? Para entender o Impeachment e a Crise Política no Brasil

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Ivana Jinkings, Kim Doria e Murilo Cleto são os organizadores da coletânea de artigos de intelectuais, militantes e políticos recém-publicada pela editora Boitempo (2016). Trata-se de um registro histórico indispensável para os leitores contemporâneos quanto para os historiadores no futuro, quando investigarem a fundo as narrativas do Golpe Parlamentarista de 2016.

Trata-se de mais um golpe na história republicana brasileira, 52 anos depois do último Golpe Militar de 1964. Antes deste, tinha fracassado um Golpe Parlamentarista que os reacionários tentaram impor ao vice-presidente Jango Goulart. Este conseguiu submeter o parlamentarismo a um plebiscito popular, cuja maioria disse NÃO à tentativa de políticos representantes das oligarquias regionais comandarem a política brasileira.

Após a redemocratização do Brasil, uma emenda da nova Constituição determinava a realização de um plebiscito no qual os eleitores iriam decidir se o país deveria ter um Regime Republicano ou Monarquista controlado por um Sistema Presidencialista ou Parlamentarista. A lei número 8.624, promulgada pelo presidente Itamar Franco em 4 de fevereiro de 1993, regulamentou a realização do plebiscito para ocorrer em 21 de abril de 1993.

A maioria dos eleitores votou a favor do Regime Republicano e do Sistema Presidencialista, maneira pela qual o país havia sido governado desde a Proclamação da República 104 anos antes – com exceção de uma breve experiência parlamentar entre 1961 e 1963, que também havia sido derrotada em um plebiscito.

Apesar disso, o poder dinástico do familismo político brasileiro manteve seu poder paroquial, estadual e congressual. Com este Golpe de 2016, o Poder Legislativo assumiu o Poder Executivo contra o resultado da eleição democrática de 2014 e, reconhecidamente, sob a falsa alegação de “crime de responsabilidade” – tanto que a Presidenta Dilma não teve seus direitos políticos retirados –, sob o olhar benevolente (e passivo) do Poder Judiciário. Por ora, o Poder Militar, ainda silencioso, só observa a desordem política na democracia brasileira… Continue reading “Por Que Gritamos Golpe? Para entender o Impeachment e a Crise Política no Brasil”

Brasil e o Golpe: Não silenciarão os democratas!

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Quem é aquela figurinha que se infiltrou ali de lado para aparecer na foto, hein?! Parece que levou um “passa fora, Temer”… Usurpador é aquele que se apodera por violência ou meios injustos daquilo que não lhe pertence ou a que não tem direito.

Nosso correspondente europeu, Miguel Amaral, enviou-nos mais um artigo que saiu na imprensa portuguesa, no caso, no Expresso (expresso.sapo.pt). A autora é Isabel Moreira, Jurista e Deputada Socialista portuguesa. É um exemplo para os democratas brasileiros! No exterior não há um Partido da Imprensa Golpista (PIG) para esconder a realidade política brasileira!

Opinião de Isabel Moreira

isabel-moreira“Usando uma metáfora alheia, não posso viver a partir do código postal da minha casa, agarrada freneticamente ao mesmo, com a única aspiração de o manter a salvo. Essa é a postura conservadora e cega, egoísta e, de resto, perigosa. Pensar-se que o que acontece além-fronteiras não tem a ver connosco é a causa do desastre que estamos a viver na Europa com a crise dos migrantes e com o crescimento da extrema-direita.

Estive no Brasil quando da votação no Senado do Impeachment. Assisti a cada minuto das longas horas de um procedimento sem substância, horas que matam de asfixia qualquer democrata, horas de alegações políticas, porque nada havia a dizer sobre um inexistente crime de responsabilidade.

Dilma não tem uma única denúncia ou crime que lhe possam ser apontados (como o STF confirmou), ao contrário dos golpistas que nunca se conformaram com o fim da ditadura militar e que encontraram um “furo” para chegar ao poder sem voto e implementar um programa reacionário que nunca seria sufragado. Continue reading “Brasil e o Golpe: Não silenciarão os democratas!”

Diretas Já!

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A maioria dos brasileiros quer novas eleições para presidente, mas isso não vai acontecer a menos que a maioria de nós não reconheça a legitimidade do governo de Michel Temer. Junte-se à campanha para deixar o povo decidir quem deve liderar o nosso país e envie para todos:

ASSINE A PETIÇÃO

Queridos amigos,

90% dos brasileiros querem novas eleições! Mas Temer está nos ignorando e agindo rápido para se agarrar ainda mais ao poder.

O Congresso e o Tribunal Superior Eleitoral podem criar uma nova eleição, mas eles não vão se mexer a menos que milhões de pessoas se recusem a reconhecer um governo liderado por um homem que não pode nem legalmente concorrer a um cargo eletivo!

Apenas 13% dos brasileiros apoiam este governo – isso não é democracia! Nós somos o único movimento no país que pode chegar a oito milhões de pessoas nas próximas horas. Vamos construir o maior apelo para eleições antecipadas já visto – junte-se agora e conte para todos:

https://secure.avaaz.org/po/brasil_fora_temer_loc/?bGQQqkb&v=81111&cl=10647927005&_checksum=174323dea77efa85da322d793bc28bba26dc8c3bcd219f5f46bcde99d6c216bd Continue reading “Diretas Já!”

Agentes Provocadores: FSP e a SSpSp

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Captura de Tela 2016-09-05 às 16.28.58Eu era assinante da Folha de S.Paulo e a lia impressa como parte de minha rotina diária desde quando morava no Rio de Janeiro entre 1978 e 1985. Depois de ter sido golpista em 1964, ela foi progressista na Campanha das Diretas Já. Depois de 35 anos, troquei minha assinatura por uma digital — e estou pensando também em interromper esta para não me chatear tanto com sua leitura.

Infelizmente, o sucessor de “seu Frias” adotou outra linha ditatorial. Colocou muito mais gente escrevendo panfletos direitistas e, em uma falsa tentativa de se mostrar equilibrada (“em cima do muro”), permite a uns poucos “esquerdistas” a difícil missão de contrabalançar sua notória queda para a direita.

Assim, seu secretário de Redação, ex-editor de Opinião, Vinícius da Mota, não tem vergonha de assinar, em sua página de Editorial, um panfleto típico do discurso de ódio dos idiotas que assinam todos os comentários das suas notícias. Seu título é “Dilma insufla o ódio nas ruas e vai morar em Ipanema”! Vitimiza os agressores da PM paulista “sob as críticas furiosas da elite de vermelho” (veja-a acima)!

Detalhe: a tropa de choque foi deixada de prontidão durante todo o domingo, insuflando seu ódio contra os manifestantes. Não houve nenhum (falso) motivo para ela furar o olho de algum “inocente-útil”. Ao final do evento pacífico, quando os manifestantes já estavam se dispersando, recebeu o comando de investir covardemente contra eles. Ela agiu como um autêntico “agente provocador” para criar uma imagem negativa a ser estampada em destaque pela mídia golpista e assustar novas adesões ao movimento “Fora Temer”.

O responsável por essa violência policial, a ser acionado criminalmente na Justiça e politicamente nas urnas, é o atual governador do Estado. Isto apesar da suspeita que a PM esteja ainda sob ordens do ex-Secretário de Segurança Pública de São Paulo (SSpSp) e atual ministro da Justiça do governo golpista.

Um tal de Pondé, também hoje, em ato falho (tipo “Freud explica“), assina um panfleto “crítico aos críticos”. Demonstrando toda sua intolerância ideológica com “gente de esquerda”, não tem nenhum pudor ao afirmar “uma coisa me chama a atenção nos tais jovens críticos: sua intolerância”. Ora, ora, espelho, espelho meu

Para contrabalançar tanto direitismo explícito, há uma crônica de Gregório Duvivier (FSP, 05/09/2016) dizendo o que deveria ser dito a respeito do Editorial que a Folha de S.Paulo publicou depois que algum “black-bloc” pichou seus portões. Ela pediu “pau-nos-manifestantes” por ter sido tachada de golpista!

Leia a crônica abaixo. Continue reading “Agentes Provocadores: FSP e a SSpSp”

Wagner Moura: “O meu país está a viver o pior momento desde a ditadura”

Wagner Moura

Fonte: expresso.sapo.pt

Os novos episódios de “Narcos” chegaram esta sexta-feira ao Netflix. Mas, mais do que interpretar vilões, o ator brasileiro gosta de refletir sobre o que está por trás de cada período da história. Por isso, vai realizar um filme sobre a resistência à ditadura no Brasil.

“Vou realizar um filme no Brasil, algo que já estava a produzir antes de entrar em “Narcos”. É a história de Carlos Marighella, um guerrilheiro da resistência à ditadura brasileira nos anos 60 e 70 que chegou a ser considerado o inimigo número um do regime. É a minha primeira longa metragem e agora é essa a minha prioridade. O guião tem sido a maior dificuldade porque não quero começar a gravar com inseguranças”.

Como vê a atual situação brasileira?
Não está nada fácil. O meu país está a viver o pior momento desde a ditadura e não nos podemos esquecer que o Brasil é uma democracia muito jovem. Só nos livrámos da ditadura militar em 1985. É tudo muito recente e a democracia é frágil. Desde esse tempo, houve grandes melhorias e não posso deixar de reconhecer o esforço dos governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff. O maior problema dos países latino-americanos, especialmente do Brasil, são as diferenças sociais e estes dois políticos tiraram milhões de pessoas da miséria. Continue reading “Wagner Moura: “O meu país está a viver o pior momento desde a ditadura””