Social-democratas do PSDB: Voto contra o Autoritarismo

O primeiro dos muitos problemas do Partido da Social Democracia Brasileira foi a desistência do eleitorado popular, tornando-se um partido apenas da classe média, sem votos nas regiões mais pobres do Brasil. O golpismo instalado logo após a eleição de 2014 levou ao impeachment de Dilma Rousseff.

Seus velhos líderes fundadores passaram a ser rejeitados internamente. Uma nova geração de políticos de direita do PSDB, como João Dória, deram a facada final no partido, diz o historiador Lincoln Secco, professor de História Contemporânea na Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro História do PT (Ateliê Editorial).

O site português Publico  o entrevistou.

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Democratas contra o Neofascismo

Os democratas portugueses estão muito preocupados com o risco de um candidato de extrema-direita, militar e autoritário, ganhar a eleição brasileira. O correspondente europeu deste modesto blog pessoal, Miguel Amaral, envia-me artigos a respeito, publicados na imprensa portuguesa.

Estimado Fernando,

Desculpe mais uma vez, mas parece que aqui as eleições brasileiras estão a transformar-se num tema mais intenso. Noto mais opiniões a serem expressas, mas sobretudo o quebrar do silêncio.

Acho este artigo abaixo particularmente interessante porque reúne três personalidades com trajectórias e pensamento distintas. Um reflexo quiçá do que deveria ser a estratégia política no Brasil, a união dos democratas e a afirmação de um projecto político.

Neste artigo articulam-se Freitas do Amaral (um político de origem no centro direita moderado e foi ministro dos negócios estrangeiros num governo socialista), Pilar del Rio (a esposa de José Saramago) e Francisco Louçã (Intelectual de Esquerda, fundador do Bloco de Esquerda, Professor Universitário e consultor do Banco de Portugal).

Penso que o interessante está nesta simbiose e nesta convergência lúcida pela defesa dos valores democráticos. Talvez essa seja a ideia-chave para Haddad ganhar, um Projecto Político alicerçado na defesa da Democracia e a dignidade humana.

Links:

https://www.publico.pt/2018/10/14/mundo/opiniao/ha-um-perigo-no-brasil-e-nao-fechamos-os-olhos-1847422

https://www.publico.pt/2018/10/11/mundo/opiniao/um-canalha-a-porta-do-planalto-1847097

https://www.publico.pt/2018/10/13/mundo/opiniao/o-projecto-autoritario-de-bolsonaro-uma-hipotese-de-trabalho-1847402

O ódio deitou no meu divã

Fernando Limongi: “Líderes responsáveis não têm o direito de se isentar diante da insanidade de Bolsonaro”

https://elpais.com/internacional/2018/10/14/actualidad/1539534339_255025.html

https://elpais.com/elpais/2018/10/14/opinion/1539530782_976260.html

Um Abraço,

Miguel.

Mutatis Mutandis

Obs.: o vídeo acima possui cenas covardemente violentas dos neofascistas brasileiros comparadas com as cenas degradantes do nazismo alemão. Só veja se estiver preparado(a) emocionalmente. Serve para provar a quem duvidar se estamos com o risco do fascismo no Brasil.

Mutatis mutandis é uma expressão em latim com o significado de “mudando o que tem de ser mudado”. Grosso modo, pode ser entendida como: “com as devidas modificações”.

Oliver Stuenkel postou uma reportagem intitulada “Por Que Votamos em Hitler” no jornal espanhol El País (08/10/18), na versão eletrônica em português. Foi justamente no dia da eleição brasileira. Embora tenha circulado nas redes sociais, é provável não ter sido lida por todos os eleitores democratas ainda em dúvida quanto a votar, no segundo turno, na democracia (Haddad/PT) ou no neofascismo (Bolsonaro/PSL).

Sua introdução situa informa o leitor sobre quem era o personagem em questão e o situa no contexto histórico. “Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão. Poucas pessoas o levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo”.

Lança então a pergunta-chave: “por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?” Continue reading “Mutatis Mutandis”

Roger Water (Pink Floyd): Neo-Fascism is on The Rise in Brazil – Bolsonaro

Precisamos falar sobre o show do Roger Waters em São Paulo.

Eu tinha muitas expectativas pra esse show e, dentro delas, duas certezas:
1. Roger Waters se posicionaria contra Bolsonaro;
2. Ia dar problema.

Eu preciso começar falando que não tem como esperar posicionamento diferente do integrante de uma banda com albuns como The Wall, Animals e The Final Cut. Quem achou um absurdo o que ele falou, definitivamente passou a vida toda ouvindo OUTRA banda.

Agora, voltemos ao início. O show começou com fortes críticas ao Trump e à política antirrefugiados que ele defende. Nessa hora o estádio do Palmeiras concordava em uníssono, urrando palavras de amor ao baixista do Pink Floyd. Todas as vezes que o Trump apareceu no telão as pessoas gritaram, estavam achando a crítica excelente.

Eis que Waters encerra o primeiro bloco do show anunciando um intervalo de 20 minutos, nos quais foram projetadas diversas frases no telão com teor político e humanitário (seguem algumas imagens no post). A expectativa de pessoas que, como eu, ouviram Pink Floyd a vida toda e tinham total compreensão dos assuntos abordados nos discos, era grande. A qualquer momento um nome ou uma hashtag apareceria. E apareceu.

Na sequência da frase “RESISTA AO NEO-FASCISMO” apareceu uma tela com exemplos de neo-fascistas pelo mundo. Trump apareceu. Putin apareceu. Bolsonaro apareceu.

Nessa hora, a plateia explodiu com diferentes reações. Uns (eu inclusive) quase perderam a voz de tanto gritar a favor da crítica. Outros… ah, os outros… os outros que até aquele momento estavam IDOLATRANDO Roger Waters, passaram a desprezá-lo. Gritos de “ESSE VELHO GAGÁ NÃO SABE O QUE ELE TÁ FALANDO”, “VAI TOMAR NO CU SEU FILHO DA PUTA”, “EU VOU EMBORA DESSA MERDA”, “EU QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA”, “QUEM TE PERGUNTOU, SEU MERDA?”. Continue reading “Roger Water (Pink Floyd): Neo-Fascism is on The Rise in Brazil – Bolsonaro”

E o que você acha? Pensa já ter acabado a eleição?

No primeiro turno, Bolsonaro teve 46% dos votos válidos e Haddad, 29%. A primeira pesquisa informa o deputado-militar ter 58% dos votos válidos, enquanto o professor universitário, ex-prefeito paulistano e ministro da Educação contar com o apoio de 42%. Então, necessita conquistar 8% dos eleitores mais 1 voto para superar o candidato autoritário da extrema-direita.

Uma companheira de 40 anos de luta, desde o levante democrático contra a ditadura militar, lança-me as perguntas acima. Essas perguntinhas aparentemente simples exigem reflexão sobre questões complexas impossíveis de serem respondidas com simples e poucas palavras.

No primeiro turno, quase metade do eleitorado abandonou os candidatos de centro-direita e concentrou votos no ex-capitão da extrema-direita. Qual seria o argumento deles? Medo da derrota face à ascendente preferência pela centro-esquerda?

Isto é meia-verdade. Meio-vazio. O outro lado é o fastio contra tudo e todos do establishment político a ponto dos nomes conhecidos tanto de golpistas quanto de contra golpistas não terem sido (re)eleitos. Foi depositado nas urnas um sentimento de repugnância ou de aversão, senão um sentimento de enfado, aborrecimento e tédio contra “a velha política”, como dizia Marina Silva. Foi politicamente enterrada.

Muitos novos eleitos são representantes das castas da farda, da toga e dos mercadores. Estas são as origens de muitos novos deputados/senadores e de prováveis novos governadores. Tem militar, juiz, advogado e empresário. Mas não só, jovens ativistas à direita e à esquerda também foram eleitos. Metade (46% do Bolsonaro mais 4,6% do João Amoedo, Álvaro Dias e Cabo Daciolo) do eleitorado optou no Sul-Sudeste e Centro-Oeste pela violenta elevação do poder da ordem, da lei e do livre-mercado. Entretanto, 42% dos eleitores de Haddad, Ciro, Boulos e do PSB discordam dessa alternativa extremista. Optam pela moderação e conciliação da centro-esquerda democrática.

Se política fosse matemática, estariam em jogo, no segundo turno, o destino dos 7% de votos de eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB). Eles somaram, grosso modo, 7% dos votos.

Mas a política – uma ação coletiva em busca da predominância de determinados interesses – não é tão racional. É emotiva. Exige a arte da argumentação. O convencimento é ato ou efeito de convencer (e convencer-se). Para tanto, temos de usar nossa convicção, a certeza de algo: o projeto da extrema-direita, misturado com ultra liberalismo econômico, será péssimo para o País. Continue reading “E o que você acha? Pensa já ter acabado a eleição?”

Por que tantas pessoas instruídas votaram em um patético bufão capaz de levar o país ao abismo?

 

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

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Brigadas  de seguidores fascistas (e covardes como sempre foram) atacam em bando qualquer pessoa discordante. Está emergindo o neofascismo brasileiro. Confira: Continue reading “Por que tantas pessoas instruídas votaram em um patético bufão capaz de levar o país ao abismo?”