Pode ser a gota d’água

O Editorial do jornal Valor (15/01/18), assumido plenamente pelo Grupo Globo, dita a aversão à política, comungada pela maioria dos brasileiros, iletrados ou não, já no seu título: “Pré-campanha presidencial exibe o pior da política”. Em vez de exibir um debate público pluralista com a expressão das diversas posições ideológicas em defesa explícita de seus interesses concretos, como se faz em países mais civilizados, a mídia tupiniquim continua atuando como PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Aliás, explicita cada vez mais seu partidarismo venal, isto é, que pode ser vendido, que é vendável, que se corrompe por dinheiro, que é receptivo a suborno e corrupto. Ela apoia somente os interesses da casta dos mercadores, seus grandes patrocinadores, seja através de publicidade em TV, jornais, revistas, web, etc., seja via assinaturas. Ao ser assinada, vista e lida por poucos, despreza cerca de 36% dos eleitores que optam por votar no candidato mais popular, Lula, criminalizando-o, torcendo contra ele e distorcendo os fatos ou as provas legais.

Um dos resultados desse desprezo por mais de ⅓ da opinião pública que se colocam à esquerda, estimando que ⅓ se posicionam à direita e o ⅓ restante não se definem, política ou ideologicamente, pode ser visto abaixo. A esquerda abandona a mídia brasileira — e era fica seguida mais por direitistas.

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Manifesto “Eleição sem Lula é Fraude”

Car@s amig@s

Não sei se já tomaram conhecimento do manifesto “Eleição sem Lula é Fraude”, que foi lançado ao final de dezembro de 2017 por iniciativa de alguns integrantes do Projeto Brasil Nação, em muito estimulados e até provocados pelo  ex-chanceller Celso Amorim, que faz parte deste grupo desde seu início.
Seus impusionadores  iniciais, dentre os quais me incluo, consideram que, dadas as atuais condições, independentemente das preferências partidárias de cada um, defender o direito de Lula se candidatar é defender a Democracia plena e não um simulacro.
Não por acaso, dois dos possíveis candidatos à presidência, Manuela D’Ávila e Gulherme Boulos, já o assinaram.
Apesar de ter sido lançado em pleno período de festas de final de ano (menos de uma semana antes do Natal), ele superou todas as expectativas e já conta com mais de 150 mil assinaturas, dentre os quais nomes altamente reputados como Noam Chomsky e Pepe Mujica.
Dada a proximidade do julgamento de Lula pelo TRF-4 em Porto Alegre no próximo dia 24, estamos intensificando a campanha de assinaturas, pois a existência e o sucesso desse manifesto pode contar como elemento de força e pressão para que a justiça seja feita e o ex-presidente não seja condenado sem a existência de provas.
Caso você ainda não o tenha visto e ainda não o tenha assinado, ele está no link abaixo, onde se encontra inclusive traduções do mesmo para outras línguas.
Se você concordar, assine, e ajude a divulgar. A Democracia agradece.
Abraços
Fernando

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Tutela do Poder Judiciário sobre as Eleições de 2018: Juízes substituem Eleitores!

Pensador original e influente por seus estudos sobre transformações sociais na era da internet, Manuel Castells acompanhou os protestos pelo mundo e lançou “Redes de Indignação e Esperança” (Zahar), em que constatava um mesmo padrão de comportamento em todos esses movimentos: a indignação fez os jovens do mundo superarem o medo, o sentimento básico de todos nós, e irem para as ruas com palavras de ordem libertárias e pela igualdade. “Agora, essa ânsia de mudanças se desviou dos movimentos positivos, como os Occupy, e passou para os movimentos destrutivos, populistas de direita“, diz ele.

E não adianta culpar as redes sociais. Ele cita frase de uma sentença de tribunal federal dos Estados Unidos em 1996: “É certo que a internet é um caos, mas, nos EUA, há o direito constitucional ao caos”.

Preocupa-lhe a situação brasileira. Leu uma entrevista do [ex-] presidente Fernando Henrique, em que dizia que “nunca viu uma situação tão ruim”. Reconhece que não conhece o Brasil o suficiente, mas se uma situação não tem saída com os instrumentos conhecidos, há que mudar os instrumentos. Se a reconciliação não passa pelo Congresso, tem de ser uma reconciliação da sociedade.

A sociedade não confia nos políticos, nem separados nem juntos. A Revolução Francesa, criadora das liberdades, começou com o chamado Terceiro Estado, reuniões e assembleias da sociedade com forças sociais, intelectuais e políticos não corruptos que se reuniram para proclamar uma Nova República.

Em situações extremas, como a do Brasil, precisaria de algo desse tipo que venha da sociedade e não do sistema político, totalmente deslegitimado. Não é daí que pode haver um processo de legitimação. Vê necessidade de uma mobilização social antes da construção política.

O problema é que essas manifestações de 2013 e 2015 com frequência são manipuladas. O protesto de 2013 foi espontâneo, claramente um movimento de jovens, e se dirigiu contra todo o sistema político: direita e esquerda. Como na época, o governo era de esquerda, foi contra o governo também.

A manifestação de 2015, importante para demitir a presidente Dilma, foi realmente manipulada. Há dados: a atuação do Movimento Brasil Livre foi chave e ele era financiado e apoiado pelas empresas Koch, os mesmos que financiaram sempre o Tea Party nos Estados Unidos.

Tudo o que se desenrolou depois foi apoiado pela “alt-right” americana — uma confederação de grupos de extrema direita nazistas, fascistas, cujo ideólogo é Steve Bannon, o ex- conselheiro de Trump -, que tem uma grande potência midiática e financeira. Esses grupos estão intervindo muito fortemente no Brasil, apoiando as tendências de extrema direita.

O Brasil é um pais decisivo na América Latina, e Castells crê que há um processo de desestabilização da democracia do Brasil, ligado a uma ofensiva em todo mundo da extrema direita e das forças econômicas mais conservadoras. Não é Wall Street, são as empresas depredadoras do capitalismo, empresas com interesse em controlar as riquezas naturais no mundo, seja fazendo fracking [extração de gás e óleo de xisto considerada poluidora], seja controlando a Amazônia. Não é mais a embaixada americana que organiza as conspirações, são essas empresas que apoiam os extremistas.

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Cenário de Resistência a mais Golpes contra Direitos Sociais em 2018

Nenhum neoliberal, entre os que aparecem de maneira contumaz na mídia brasileira, confronta suas ideias diretamente com as dos críticos mais radicais. Estes são discriminados e segregados, restando-lhes apenas a resistência na rede social.

O resultado desse monólogo neoliberal, aliás, monótono, é que a população brasileira não amadurece. Ao permanecer na menoridade, sendo infantilizada pelos meios de comunicação em massa, não adquire a capacidade de fazer uso do próprio entendimento da coisa pública.

A permanência da sociedade brasileira na menoridade se deve ao fato de ela não ousar pensar por conta própria, seja por covardia, seja por preguiça mental. Quando permanece na menoridade, torna-se incapaz de tomar as próprias decisões e fazer suas escolhas de maneira autônoma à opinião da classe dominante espelhada na mídia.

Exemplo disso diz respeito a um dos instrumentos chave do processo de distribuição de renda pelo qual o Brasil passou na última década e meia, a política de valorização do salário mínimo. Pelo menos no ritmo atual, imposto pelos golpista neoliberais, parece estar chegando ao fim.

Estevão Taiar (Valor, 18/12/17) informa que a regra atual de cálculo do salário mínimo vale até 2019, o que significa que o próximo presidente precisará decidir, logo em seu primeiro ano de mandato, como será o novo modelo. Com isso, o tema provavelmente será um dos destaques na campanha eleitoral do ano que vem. Continue reading “Cenário de Resistência a mais Golpes contra Direitos Sociais em 2018”

Cenário Político para 2018

Denise Neumann (Valor, 26/12/17) informa que, a menos de um ano das eleições presidenciais, a economia voltou a ganhar peso na lista dos principais problemas do país de acordo com o eleitor. Liderados pelo desemprego, o peso dos problemas econômicos triplicou em relação a 2014.

Se lá atrás 11% dos eleitores diziam que a falta de emprego, o salário ou a inflação (entre outros itens econômicos) eram o principal problema do país, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, hoje, são 28% que o fazem. Já a saúde está no topo de tudo e faz um grupo de questões que pode ser agrupado no “social” representar a principal preocupação para 43% dos eleitores, enquanto a corrupção é o maior problema para 15% deles.

Ainda que um em cada quatro eleitores aponte a saúde como o principal problema do país, economistas, analistas políticos e de pesquisas eleitorais dizem que a economia será o grande eleitor nas eleições presidenciais de 2018. Após a recessão de 2014 a 2016 e na sequência do “pibinho” de 2017, o quadro róseo pintado pela propaganda enganosa será de retomada do crescimento, recuperação do emprego, inflação baixa, alimento barato e juro muito baixo. Parece um cenário falso alardeado por hipócritas para eleger um candidato governista, que dê continuidade à atual gestão de política econômica — que é uma m**** — mas não será simples assim.

A questão é com qual momento da vida recente o eleitor vai comparar em 2018. E a comparação não se dará pelos indicadores de emprego, inflação e Produto Interno Bruto (PIB). É o filtro da percepção que determina a influência da política na economia e não o número frio do indicador, da estatística. O que conta é o filho ou o vizinho desempregado terem arrumado emprego, e o salário colocar mais comida na mesa ou sobrar um pouco para fazer um crediário. A propaganda enganosa beneficia o governo só no imediatismo, mas a comparação mais profunda com o passado um pouco mais distante pode beneficiar Lula, sem dúvida, na percepção do eleitor.

Chegará a hora da verdade! Quando o carnaval chegar… não sobrará falso argumento neoliberal para enganar o povo eleitor! Continue reading “Cenário Político para 2018”

Família + Clã + Dinastia + Tribo + Paróquia + Municipalismo + Bairrismo = Peemedebismo + Tucanos + Centrão + etc.

José de Souza Martins é sociólogo e Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, é autor de A Política do Brasil Lúmpen e Místico (Contexto). Assina artigos publicados no Valor-Eu&Fim-de-Semana que aprecio ler. Embora não concorde com tudo que ele escreve, admiro seu livre-pensar. Na última (08/12/17), fez uma reflexão sobre tema fundamental para se entender o País: ausência de impessoalidade no trato da coisa pública, trocada pelo toma-lá-dá-cá “em nome do torrão”. Reproduzo-o abaixo.

“O Brasil retrógrado custa caro. Para amaciar a consciência dos deputados que poderiam assegurar o mandato presidencial no embate recente, o governo comprometeu mais de R$ 20 bilhões. Foi para saciar a fome de benefícios tópicos do localismo brasileiro. Mais uma derrota do nosso republicanismo de mera colagem artificial de instituições modernas na armadura de um arcaico municipalismo, cujas funções sofreram poucas mudanças desde a criação do primeiro município brasileiro, São Vicente, em 1532. Funções alimentadas por recíprocas dependências dos que podem muito em relação aos que nada podem.

Somos dominados pela suposição completamente falsa de que o Brasil só pode ser moderno e desenvolvido se dominado pelo absolutismo do lucro. Os números astronômicos das propinas amaciantes semeiam a generalizada desconfiança de que medidas duras em relação aos ganhos e direitos já modestos dos que vivem de trabalho e salário são obra de quem não sabe o que é desenvolvimento econômico com desenvolvimento social.

Estamos em face de duas anomalias associadas. De um lado, a força política dos municípios e das regiões, que elegem os deputados federais e os senadores. Historicamente, as demandas municipais, desde a República, vêm colidindo com demandas propriamente nacionais.

Despesas com a educação superior, com as Forças Armadas, com rodovias e ferrovias, com as questões policiais de natureza federal, com a saúde pública, com a pesquisa científica, com a questão fundiária, com a questão indígena, com as questões relativas à emancipação dos brasileiros de suas carências e misérias, são frequentemente sacrificadas em nome da precedência dos gastos dos políticos do localismo.

O Brasil nacional tem sido o grande derrotado em face do Brasil municipal. Estamos vendo isso todos os dias no abandono da reforma agrária, no desamparo das populações indígenas despojadas de suas terras, de posse imemorial, nas deturpações da representação política.

De outro lado, a fragilidade política da nação em face da aldeia criou uma elite política negocista e vulnerável, incapaz de dar nascimento a uma elite propriamente nacional, que pudesse assegurar o equilíbrio justo entre o Brasil local e o Brasil nacional. Continue reading “Família + Clã + Dinastia + Tribo + Paróquia + Municipalismo + Bairrismo = Peemedebismo + Tucanos + Centrão + etc.”

Bancada BBB unida contra Fragmentação de Partidos

O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),  corrupto preso em Curitiba, angariou apoio parlamentar nas mais diversas investidas contra o Palácio do Planalto, lançando “pautas-bombas”. Mas é em uma delas, de caráter ultraconservador, que o peemedebista conseguiu de fato criar uma tropa de choque para golpear a Presidenta eleita democraticamente. Ele uniu três grupos de forte poder de pressão num só bloco, que passou a atuar conjuntamente. É a bancada “BBB”. Nada a ver com o ex-Big Brother Brasil, a sigla é uma alusão às iniciais de “Bala, Boi e Bíblia”.

Nas principais comissões e no plenário, as demandas dos três setores foram obtendo vitórias graças ao apoio mútuo e à liderança do corrupto presidente da Câmara.

Comparando com outras fontes de informações — ler post anterior –, parece ser um exagero dizer que a bancada da bala tem 275 parlamentares, a ruralista, 198, e a evangélica, 74. Vinte parlamentares atuavam nas três, entre eles, Cunha, que é evangélico. Nas frentes da “bala” e do “boi” há 105 deputados simultaneamente. E 22 congressistas estão nas frentes da “Bíblia” e da “bala” ao mesmo tempo. O presidente da bancada evangélica, por exemplo, é delegado de polícia e vice-presidente da bancada da bala.

Segundo essa fonte, no todo, 373 (73%) dos 513 deputados estão inscritos em pelo menos um dos três grupos.

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