Anistia para os Crimes da Ditadura: Consequências Tardias da Impunidade da Direita

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Um grupo de cerca de 50 idiotas, cujas consciências políticas não imaginam o mal que fazem a si e à população brasileira ao atacarem uma instituição da ordem democrática, ocupou ontem por mais de três horas o plenário da Câmara para pedir uma intervenção militar e o fechamento do Congresso Nacional. Após a invasão, leram um manifesto em que acusam o governo de estar “implantando o comunismo no Brasil”!

A burrice e o anacronismo da direita brasileira são espantosos… Os reaças vivem ainda no anti-comunismo da época da Guerra Fria. Passou-se mais de 1/4 de século que essa se encerrou e eles não perceberam. Se tivessem sido punidos pelos assassinatos, sequestros e torturas, certamente, se lembrariam. Espero que, depois desse ato insano, não fiquem impunes. O ovo-da-serpente fascista está sendo chocado.

Pedem golpe militar, agridem jornalistas, matam o próprio filho

Leonardo Sakamoto, em seu Blog (17/11/2016) comenta os gravíssimos fatos de ontem.

1) Um grupo de 50 manifestantes ocupou a mesa diretora da Câmara dos Deputados e exigiu um golpe militar, anunciando – de forma sebastianista – a chegada de um ”general” redentor. Defendiam o fechamento do Congresso Nacional que, segundo alguns deles, estaria tentando implantar o comunismo no país.

2) Jornalistas apanharam de manifestantes em um protesto contra o pacote de corte de gastos do governo do Rio de Janeiro – que, se aprovado, reduzirá direitos de servidores públicos. Entre os que protestavam, uma grande quantidade de policiais e agentes penitenciários. Caco Barcellos, um dos maiores repórteres deste país, foi agredido fisicamente e hostilizado por uma turba ensandecida de manifestantes sob gritos de ”golpista”. Repórteres do UOL, do G1 e de O Globo também foram agredidos.

3) Após Gilmar Mendes pedir vistas e interromper um julgamento sobre uma ação que trata de direitos de trabalhadores (estava no lado que já havia sido vencido pela maioria dos ministros), ele e Ricardo Lewandowski bateram boca em plena sessão. O barraco do Supremo Tribunal Federal, com cada um tentando provar que o outro era mais leviano no trato com a coisa pública, quebra a imagem de uma corte constitucional, que deveria ser de diálogo e serenidade.

4) Um engenheiro de 60 anos matou a tiros seu filho, um universitário de 20, por – de acordo com a polícia – discordar de que o jovem participasse de protestos estudantis e por ser contra suas preferências políticas – o rapaz seria anarquista. O filho chegou a fugir, mas foi perseguido pelo carro do pai, que o abateu. E, depois, se matou.

São quatro acontecimentos violentos, frutos do desrespeito a instituições que são estruturantes de nossa sociedade e do consequente abandono de regras que balizam os limites de nossos desejos e de nossos atos. Limites que tornam possível conviver no mesmo pedaço de chão.

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Primeiramente, Fora Temer!

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Ricardo Mendonça (Valor, 13/10/16) informa que, no conjunto da população, há mais desconhecimento do que conhecimento a respeito das reformas da Previdência e trabalhista. A ideia geral sobre essas iniciativas, porém, tem mais aceitação do que rejeição. O problema ocorre quando elas são associadas à imagem do golpista Michel Temer, o personagem odiento que, em tese, deverá fazer a condução política dos cortes de direitos sociais e trabalhistas, aproveitando, de maneira oportunista, que sua carreira de político profissional dependente de votos já acabou.

As conclusões são de uma pesquisa nacional da Ipsos sobre o assunto, realizada entre os dias 6 de 16 de setembro, mas só divulgada agora. Os dados do instituto mostram que praticamente metade dos brasileiros (49%) sequer ouviu falar sobre reforma da Previdência Social. Em relação à trabalhista, a taxa de desconhecimento é ainda maior, beira 60%.

Mesmo sem saber o que elas são, há mais gente a favor dessas iniciativas (“reformas”) do que contra. A reforma da Previdência Social, segundo a mesma pesquisa, é defendida por 41%; enquanto a trabalhista alcança 43%. Os contingentes de entrevistados que manifestaram contrariedade nos dois assuntos são 37% e 31%, respectivamente.

A desconfiança em relação às reformas cresce bastante, no entanto, quando elas são associadas ao nome do golpista Michel Temer. Segundo a Ipsos, 54% dos brasileiros desaprovam a maneira como o pemedebista vem atuando na reforma da Previdência. A aprovação é de apenas 21%. Outros 25% não responderam ou não souberam responder.

Em relação à reforma trabalhista, os resultados são parecidos. A desaprovação à atuação sem legitimidade de Temer é manifestada por 51%. Os que aprovam somam 23%. E um grupo de 26% não responderam ou não souberam opinar.

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Esquerda Brasileira = Esquerda Europeia: Conjuntura não é de Centrismo, mas sim de Resistência ao Neoliberalismo

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A avaliação do governo golpista do Michel Temer, segundo os dados da pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje, continua ruim/péssimo para 39% dos entrevistados, tal como registrado anteriormente. Para 34%, o governo é regular – esse percentual era de 36% na última pesquisa, quando Temer ainda era presidente interino.

A aprovação pessoal do presidente golpista variou negativamente, de 31% para 28%, no mesmo período. Somam 55% os que desaprovam a maneira de governar, ante 53% em junho.

A confiança da população em Michel Temer teve piora na avaliação: 26% confiam e 68% não confiam no vice-presidente traidor. Esses percentuais eram 27% e 66%, respectivamente.

Segundo a pesquisa, 31% consideram o governo golpista de Temer pior que o democrático de Dilma, 24% dos entrevistados golpistas consideram o governo Temer melhor. Para 38%, as duas gestões são iguais. No levantamento anterior, 44% consideraram que as duas administrações eram iguais e 25% preferiam o governo Dilma.

A CNI/Ibope ressalta que, entre os que avaliam que o governo melhorou com Temer, estão principalmente os “reaça” residentes da região Sul (nativistas fãs da “República de Curitiba”) e entrevistados com renda familiar superior a cinco salários mínimos. Residentes da região Nordeste e aqueles com renda familiar até um salário mínimo compõem a maior parte dos que consideram que o governo piorou com a saída de Dilma Rousseff.

O levantamento mostrou ainda que aumentou a perspectiva negativa da população sobre o futuro do governo usurpador. Para 38% dos entrevistados, o restante da gestão do peemedebista golpista será ruim ou péssima – em junho, eram 35%.

Esta percepção negativa deverá aumentar muito, haja vista que, depois do eleitorado das metrópoles votar para o PMDB “vazar”, o governo golpista está propondo corte nas pensões por morte para 50% a 60% do vencimento integral do cônjuge. A geração de mulheres que se dedicou, exclusivamente, ao trabalho doméstico penará!

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Frente Ampla da Esquerda Democrática

Liszt Vieira

Leia:

Carta aberta aos membros da REDE

Trecho Final:

“Acreditamos que a tarefa, hoje, dos que percebem a necessidade de resistir à tsunami ultra-conservadora e à temporada caça-direitos é contribuir para a articulação, na sociedade, de uma ampla frente democrática e progressista, da qual, tragicamente, a REDE está se auto excluindo.

Por conta dessa avaliação, consideramos que nossa presença na REDE não faz mais sentido. Permanecer, especialmente em um quadro onde o debate interno substantivo é uma ficção, seria apenas legitimar um processo que, rapidamente, repete a doença senil dos partidos.

Assim, desejando que esta carta contribua para a reflexão interna da REDE e anime sua militância em direção a um caminho diverso desse que nos parece frustrante e melancólico, seguimos em frente, sem partido, mas com a mesma disposição de lutar por nossos sonhos.”

Rio de Janeiro e Porto Alegre, 3 de outubro de 2016,

Luiz Eduardo Soares

Miriam Krenzinger

Marcos Rolim

Liszt Vieira

Tite Borges

Carla Rodrigues Duarte

Sonia Bernardes

PS:

Considerem, para reflexão política, os seguintes dados publicados por Alessandra Bellotto (Valor, 03/10/16): Continue reading “Frente Ampla da Esquerda Democrática”

Voto Útil na Esquerda

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No Blog do Rovai, reproduzido no Jornal GGN, li o post Por que não é inútil debater o voto útil, por Renato Rovai. Só acrescentaria que, nesta conjuntura difícil para a esquerda, durante um governo golpista de direita, se pudesse, eu votaria em todos os lugares no candidato de esquerda que está com maior chance de chegar ao segundo turno.

“Numa boa, se você vai deixar de votar numa pessoa para votar em alguém que considera uma tragédia, não faça isso. Mas se você poderia votar sem sofrer em alguém que seria muito melhor do que as outras opções e que se não o fizer pode levar dois direitopatas para o segundo turno, faça-o.

Na eleição de São Paulo, Erundina e Haddad são ótimas opções. [FNC: mas eu votaria no Haddad para chegar ao segundo turno.]

No Rio, Freixo, Jandira e Molon. [FNC: eu votaria no Freixo para chegar ao segundo turno.] Continue reading “Voto Útil na Esquerda”

Discurso de Ódio Antipetista

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Busco entender, sem ainda compreender, as raízes mais profundas do discurso de ódio antipetista.

Empatia é a capacidade de entender e sentir o que outra pessoa está experimentando, partindo da perspectiva referencial que é pessoal a ela, ciente das próprias limitações em acurácia, sem confundir a si mesmo com o outro. Seria o exercício afetivo e cognitivo de buscar interagir, percebendo a situação sendo vivida por outra pessoa, além da própria situação pessoal.

Na Psicologia e na neurociência contemporânea, a empatia é uma espécie de inteligência emocional. Pode ser dividida em dois tipos:

  1. a cognitiva: relacionada com a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e
  2. a afetiva: relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

Levanto as seguintes hipóteses para se raciocinar não emocionalmente (em uma tentativa de racionalizar) a respeito da origem do discurso de ódio contra os milhares de eleitores — maioria nas quatro últimas eleições — e/ou simpatizantes petistas: Continue reading “Discurso de Ódio Antipetista”

Odeio Você, Odeio Política, Políticos, Temer…

veio e não veio quem eu desejaria

se dependesse de mim

São Paulo em cheio nas luzes da Bahia

tudo de bom e ruim

era o fim, é o fim, mas o fim é demais também

 

odeio você, odeio você, odeio você

odeio

 

Odeio estar sendo idiota. Esta palavra vem do grego idiótes, expressão usada para designar quem não participava da vida política, considerada atividade suprema e nobre.

Odeio o idiota. Idiota se refere também a quem não tem consciência do mal que faz a si próprio ou aos outros.

Odeio estar junto com a rejeição geral da população à política e, em especial, aos políticos e aos partidos tradicionais.

Odeio o oportunista, embora filiado a partido conservador há anos, se apresenta como um candidato que projeta a falsa imagem de não político na atual eleição.

Odeio o candidato-celebridade, conhecido apenas pela carreira empresarial de radialista ou de apresentador de TV.

Odeio a exploração da imagem de apolítico na propaganda eleitoral: o político que repete o mote “eu não sou político”. Continue reading “Odeio Você, Odeio Política, Políticos, Temer…”