Sindicalismo Representativo, Autêntico e Combativo na Defesa dos Trabalhadores

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Fabio Graner (Valor, 06/01/17) avalia que a estrutura sindical brasileira é frágil e isso pode ser um complicador para o objetivo de colocar a negociação coletiva em patamar mais elevado no mercado de trabalho, objetivo declarado da reforma trabalhista enviada ao Congresso no fim de dezembro de 2016. Um texto publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca a necessidade de sindicatos mais representativos para atuar no novo ambiente que o governo pretende criar.

“Há milhares de sindicatos no Brasil, mas muitos com parcas condições de promover novas formas de regulação do trabalho”, diz o texto assinado por André Gambier Campos, técnico do Ipea. Provavelmente, a fim de mitigar esse tipo de problema, algumas mudanças estruturais (e históricas) na estrutura sindical talvez sejam necessárias e urgentes, com o intuito de promover sindicatos mais representativos e atuantes.

O estudo mostra que hoje no Brasil há 10,8 mil sindicatos de trabalhadores, sendo que 73,8% deles representam trabalhadores da área urbana. Pela legislação brasileira, mesmo com baixo índice de filiação, os sindicatos representam todos os trabalhadores que estão no território de atuação.

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Repetições da História: Tragédias e Farsas

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A história aparece como tragédia e se repete como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?

A heurística – a arte de inventar ou fazer descobertas – mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”…

Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso. Continue reading “Repetições da História: Tragédias e Farsas”

O que esperar deste ano de 2017?

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O que esperar deste ano de 2017? Eu não digo mais “pior do que está não pode ficar”, como disse — e errei — no final de 2015. Infelizmente, talvez ocorra “o quanto pior, melhor”. Melhor será porque, neste ano pré-eleitoral, por razão pragmática de sobrevivência — e o político profissional tem esse instinto bastante apurado — serão prováveis as dissidências na imensa base governista formada pelos golpistas no Congresso Nacional. Quem se arriscará a tomar um “abraço-de-afogado”? O PSDB/DEM/PPS?! 🙂

Os potenciais candidatos desses partidos apostam no “quanto pior, melhor”, já que assim o eleitor achará qualquer um melhor do que o golpista Temer!

Eu não me arrisco a fazer nenhuma previsão econômica, simplesmente, porque não há nenhuma experiência passada similar a o que poderá ocorrer na geopolítica mundial com a posse de um xenófobo/misógino/racista na presidência do Império (EUA). Será similar ao que ocorreu em 1933, quando o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano?

Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei Habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional-socialista. A questão-chave é: entramos na ante-sala da Terceira Guerra Mundial com a possibilidade de eleições de populistas de direita neofascista em diversos países do mundo ocidental?

Já o que ocorreu nos EUA, na virada do século XIX para o XX, talvez possa servir como guia do passado para o que ocorrerá no futuro do Brasil.

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Pedro Dutra Fonseca: Existe Populismo de Direita?

curto-e-grosso-contra-o-populismo-de-direitaExemplo de cartaz divulgado pelo movimento neofascista brasileiro:

populistas-fim-festa-america-sul1Na oportuna entrevista do estimado colega social-desenvolvimentista da UFRGS, Pedro Dutra Fonseca, ao jornal gaúcho Zero Hora — leia completa em: PEC do Teto tira a esperança das pessoas — tem uma pergunta cuja resposta achei polêmica. Há um grande debate a respeito do que se trata como “populismo“.

Na boca da elite paulistana/tucana, tudo que beneficia ao povo e demonstra “coração-mole” em seu tratamento, por exemplo, ao não se tomar “medidas impopulares”, reivindicadas por todos os associados da FIESP (e cúmplices do golpe contra a democracia eleitoral) ao presidente golpista, é mero “populismo“.

Pior, economistas novos-desenvolvimentistas costumavam classificar de “populismo cambial“, quando o governo de base trabalhista (2003-2014) se recusava a dar um choque cambial, que detonaria um choque inflacionário e a corrosão dos salários reais de sua base eleitoral.

Enfim, o conceito necessita ser discutido pelos intelectuais progressistas como Pedro Dutra Fonseca, que possui imenso conhecimento sobre o “populismo trabalhista“, que supostamente Getúlio Vargas teria adotado. A elite intelectual formada na Ciência Política da USP, na época do FHC, considerava essa herança um “entulho” a ser varrido para “a lata-de-lixo da história brasileira”…

Agora, o mundo assiste, perplexo e passivamente, movimentos neofascistas ascendendo por meio de eleições e/ou plebiscitos democráticos ao Poder, tanto na atual (EUA), como na ex-potência hegemônica (Reino Unido). E estes movimentos étnicos-racistas, de modo similar à eleição de Hitler e seu partido nazista, no contexto da crise depressiva após 1929, ascendem com apoio popular! A História está se repetindo como mais uma tragédia política e social…

Discutamos abaixo o que deve ser classificado como “populismo” e se cabe denominar os movimentos neofascistas contemporâneos, inclusive no Brasil, como “populismo de direita“.

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Estado da Nação e a Leitura do Jornaleco do Domingão

avaliac%cc%a7a%cc%83o-do-governo-temer-7-8-dez-16 comparac%cc%a7a%cc%83o-com-a-dilma-dez-16Rir para não chorar... A leitura dominical de jornal merece brevíssimos comentários.

“A maioria da população brasileira (63%) é favorável à renúncia do presidente Michel Temer (PMDB) ainda neste ano para que haja eleição direta, apontou a pesquisa do Datafolha. Segundo o levantamento, 27% dos entrevistados se disseram contra a saída do peemedebista para esse fim, 6% se declararam indiferentes e 3% não souberam responder. Para que a população vá às urnas e escolha um novo presidente para o mandato-tampão, seria necessário que Temer deixasse o cargo até 31 de dezembro de 2016”.

Segundo o artigo 81 da Constituição Federal, um novo pleito direto deve ser convocado em 90 dias se os cargos de presidente e vice-presidente ficarem sem titulares. Do contrário, a eleição é indireta. “Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita 30 dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional”, determina o texto constitucional.

Em síntese, neste Natal, fora Tender! Vaza a jato!

COMENTÁRIO: A maioria da opinião pública brasileira age como na confissão de Giordano Bruno, em 1600, perante o Papa da Igreja Católica, depois de ser torturado pela Inquisição:

“Eu apenas errei quando ousei pedir à Igreja que combatesse um sistema de superstição e ignorância que a sustenta. Errei eu quando acreditei poder reformar as condições dos homens com a ajuda deste ou daquele príncipe. Vi todas as tentativas que fiz acabarem em sangue.  Quanta perda [se provoca ao] pedir a quem tem os poderes que reforme o poder. Que ingenuidade… Quiseram minha confissão, já a tiveram. É a confissão de uma derrota”.

Pedir a um golpista traidor ter a grandeza de renunciar, para o bem da Nação brasileira, é o mesmo que pedi-lo para abandonar os poderes do Estado em benefício da defesa de si próprio e de seus prepostos, bando conhecido como a Camarilha dos Quatro. Que ingenuidade

Que se vayam todos! Refundação político-partidária no Brasil só com uma Assembleia Constituinte sem os envolvidos no esquema de financiamento eleitoral corrupto. Mas haverá o risco da Constituição sair pior do que a atualContinue reading “Estado da Nação e a Leitura do Jornaleco do Domingão”

Ponte (para o Futuro) Que Caiu! Que se Vayam Todos!

moro-e-aecioO nome do presidente Michel Temer aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é mencionado 45 vezes e Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, 35. O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente, surge em 67 trechos.

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), apontado como o “homem de frente” das negociações da empreiteira no Congresso, tem 105 menções no relato, um arquivo preliminar, ao qual a Folha de S.Paulo (10/12/16) teve acesso, do que o ex-executivo vai dizer em depoimento às autoridades da Lava Jato.

De acordo com Melo Filho, o presidente Temer atua de forma “indireta” na arrecadação financeira do PMDB, mas teve papel “relevante” em 2014, quando, segundo ele, pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para a campanha eleitoral durante jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Segundo o delator, Temer incumbiu Padilha de operacionalizar pagamentos de campanha. O ministro, diz o ex-executivo, cuidou da distribuição de R$ 4 milhões daqueles R$ 10 milhões: “Foi ele o representante escolhido por Michel Temer –fato que demonstrava a confiança entre os dois–, que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Michel Temer. Este fato deixa claro seu peso político, principalmente quando observado pela ótica do valor do pagamento realizado, na ordem de R$ 4 milhões”. Continue reading “Ponte (para o Futuro) Que Caiu! Que se Vayam Todos!”