Morte da Companheira

 

Lula e Marisa, nos anos 1970

A ex-primeira-dama e mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia Lula da Silva, 66, teve morte cerebral nesta quinta-feira (02/02/17) em razão de complicações causadas por um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico.

Além do filho de seu primeiro casamento, Marcos, adotado por Lula, Marisa deixa os filhos Fábio, Sandro, Luís Cláudio, a enteada Lurian (filha do ex-presidente com uma ex-namorada), e o marido, Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois foram casados por 43 anos.

Tive a oportunidade de conhecê-la em uma visita oficial que o casal fez à Caixa no primeiro semestre de 2007. No passado, jamais um Presidente da República tinha ido pessoalmente a este banco público. Deu para ver que ela era uma pessoa forte e determinada, com personalidade marcante, embora discreta. Quando dizia algo para o Lula, era imperativa.

Sua morte me deixa extremamente triste pela perda de uma companheira de luta. Até em coma teve de enfrentar discursos de ódio dos direitistas extremados.

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Fascismo na Tropicalização Antropofágica Miscigenada

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Nos últimos tempos, tem-se desenvolvido um novo tipo de abordagem do fascismo que tem como referência o esquema teórico da modernização. Considera os regimes fascistas como uma das formas político institucionais através das quais se operou historicamente a transição de uma sociedade agrária de tipo tradicional à moderna sociedade industrial.

As análises que antecedem — se excetuarmos a tentativa de explicar a implantação do Fascismo na Itália baseada no atraso geral da sociedade italiana — possuem um aspecto comum que é o de situarem os regimes fascistas em um contexto caracterizado, em seu conjunto, por uma situação de avançada industrialização.

São indicadores de um tipo de sociedade que já passou total ou parcialmente à modernidade:

  1. a dinâmica existente entre massas e elites,
  2. o conflito entre a grande burguesia e o proletariado no estágio imperialista do capitalismo, assim como
  3. a revolta das classes médias emergentes.

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Fascismo Latente: Chocando o “Ovo da Serpente”

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Similaridade não é igualdade. É similar o que é da mesma natureza ou espécie. É parecido ou semelhante a outro, mas não é o outro.

O “ovo da serpente” foi chocado durante a hiperinflação alemã nos anos 20 do século XX. Sua casca se quebrou, nos anos 30, durante a Grande Depressão.

Em 1933, o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano. Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei Habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional-socialista (nazi).

Hitler pregava:

  1. a eliminação dos judeus da Alemanha e
  2. o estabelecimento de uma Nova Ordem para combater o que ele via como injustiças pós-Primeira Grande Guerra, em uma Europa dominada pelos britânicos e franceses.

O conservadorismo crescente que assistimos hoje, aqui e em todo o mundo ocidental, tem raízes similares às desse “ovo da serpente”?

É reação dos reacionários xenófobos contra a imigração dos desterrados pela miséria ou guerra?

É fruto da insatisfação do operariado com perda do emprego industrial e de status social, provocada seja pela globalização, seja pela Grande Depressão pós-2008, e capitalizada politicamente por milionários/bilionários populistas de direita?

Quando lemos os comentários violentos, levianos e estúpidos, seja de colunistas da “grande imprensa brasileira”, seja postados embaixo de qualquer reportagem pró igualitarismo social, ou seja, favorável à esquerda, e lembramos dos ataques fascistas contra minorias na Europa pré-II Guerra Mundial, há similaridade?

Cabe usar o conceito de fascista para classificar a direita brasileira? Continue reading “Fascismo Latente: Chocando o “Ovo da Serpente””

Articuladores do impeachment são responsáveis pela atual indignidade (por Jânio de Freitas)

a-sombra-do-poder-os-bastidores-do-golpeEstava viajando de férias, mas me chamou a atenção o artigo do Jânio de Freitas (FSP, 15/01/17) reproduzido abaixo. Depois li a respeito do que o ex-“braço-direito-de-Temer”, Geddel Vieira Lima, aprontou quando foi indicado para ocupar o cargo de Vice-Presidente da Caixa Econômica Federal. Senti-me enojado, porém aliviado por não ter sido colega de um sujeito desse caráter e seus asseclas.

“Não se pode colocar raposas para cuidar do galinheiro”. Este deve ser um princípio básico para barrar qualquer político profissional em cargos de bancos públicos!

Depois do artigo do Jânio Freitas, inclusive com uma sugestão de leitura de um livro recém-publicado sobre o golpe de 2016, reproduzo a notícia sobre o que gente do PMDB aprontou na Caixa.

“A combinação de pessoas e ineficácias a que chamamos de governo Temer tem uma particularidade. Nos tortuosos 117 anos de República e ditaduras no Brasil, jamais houve um governo forçado a tantas quedas de integrantes seus em tão pouco tempo, por motivos éticos e morais, quanto nos oito meses de Presidência entregue a Michel Temer e seu grupo.

Entre Romero Jucá, que em 12 dias estava inviabilizado como ministro, e o brutamontes Bruno Julio, que, instalado na Presidência, propôs mais degolas de presos, a dúzia de ministros e secretários forçados a sair é mais numerosa do que os meses de Temer no Planalto.

Foi para isso que o PSDB, o PMDB, a Fiesp, o jurista Miguel Reale e o ex-promotor Hélio Bicudo, a direita marchadora e tantos meios de comunicação quiseram o impeachment de uma presidente de reconhecida honestidade? Continue reading “Articuladores do impeachment são responsáveis pela atual indignidade (por Jânio de Freitas)”

Sindicalismo Representativo, Autêntico e Combativo na Defesa dos Trabalhadores

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Fabio Graner (Valor, 06/01/17) avalia que a estrutura sindical brasileira é frágil e isso pode ser um complicador para o objetivo de colocar a negociação coletiva em patamar mais elevado no mercado de trabalho, objetivo declarado da reforma trabalhista enviada ao Congresso no fim de dezembro de 2016. Um texto publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca a necessidade de sindicatos mais representativos para atuar no novo ambiente que o governo pretende criar.

“Há milhares de sindicatos no Brasil, mas muitos com parcas condições de promover novas formas de regulação do trabalho”, diz o texto assinado por André Gambier Campos, técnico do Ipea. Provavelmente, a fim de mitigar esse tipo de problema, algumas mudanças estruturais (e históricas) na estrutura sindical talvez sejam necessárias e urgentes, com o intuito de promover sindicatos mais representativos e atuantes.

O estudo mostra que hoje no Brasil há 10,8 mil sindicatos de trabalhadores, sendo que 73,8% deles representam trabalhadores da área urbana. Pela legislação brasileira, mesmo com baixo índice de filiação, os sindicatos representam todos os trabalhadores que estão no território de atuação.

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Repetições da História: Tragédias e Farsas

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A história aparece como tragédia e se repete como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?

A heurística – a arte de inventar ou fazer descobertas – mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”…

Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso. Continue reading “Repetições da História: Tragédias e Farsas”

O que esperar deste ano de 2017?

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O que esperar deste ano de 2017? Eu não digo mais “pior do que está não pode ficar”, como disse — e errei — no final de 2015. Infelizmente, talvez ocorra “o quanto pior, melhor”. Melhor será porque, neste ano pré-eleitoral, por razão pragmática de sobrevivência — e o político profissional tem esse instinto bastante apurado — serão prováveis as dissidências na imensa base governista formada pelos golpistas no Congresso Nacional. Quem se arriscará a tomar um “abraço-de-afogado”? O PSDB/DEM/PPS?! 🙂

Os potenciais candidatos desses partidos apostam no “quanto pior, melhor”, já que assim o eleitor achará qualquer um melhor do que o golpista Temer!

Eu não me arrisco a fazer nenhuma previsão econômica, simplesmente, porque não há nenhuma experiência passada similar a o que poderá ocorrer na geopolítica mundial com a posse de um xenófobo/misógino/racista na presidência do Império (EUA). Será similar ao que ocorreu em 1933, quando o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano?

Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei Habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional-socialista. A questão-chave é: entramos na ante-sala da Terceira Guerra Mundial com a possibilidade de eleições de populistas de direita neofascista em diversos países do mundo ocidental?

Já o que ocorreu nos EUA, na virada do século XIX para o XX, talvez possa servir como guia do passado para o que ocorrerá no futuro do Brasil.

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