Locaute Empresarial para o Golpe em maio de 2016: Caça à Bruxa ou Bode-Expiatório pelo Mau Desempenho Econômico-Financeiro após junho de 2013

Gráfico 1.2.3.1: Indicadores econômico-financeiros

Fonte: Economática e Banco Central do Brasil
Empresas Não-Financeiras
Rentabilidade Índice de cobertura de juros Dívida Líquida / EBITDA
201206 6,4 4,8 2,3
201209 6,0 5,2 2,2
201212 6,4 5,3 2,3
201303 6,0 4,9 2,3
201306 6,6 5,2 2,3
201309 6,4 4,9 2,2
201312 6,3 4,6 2,1
201403 6,2 4,6 2,2
201406 5,9 4,8 2,3
201409 5,4 4,0 2,4
201412 5,8 3,8 2,5
201503 5,2 3,8 2,6
201506 5,2 3,5 2,7
201509 3,9 3,1 3,0
201512 2,5 2,5 3,1
201603 2,2 2,7 3,2
201606 1,2 2,6 3,1
201609 1,5 3,1 2,8
201612 3,2 3,0 2,6
201703 4,0 3,2 2,6
201706 2,5 2,7 2,8
201709 3,0 3,2 2,7
201712 4,2 3,6 2,4
201803 5,1 3,7 2,7
201806 5,4 3,5 2,8
201809 5,3 3,7 2,8
201812 7,1 4,1 2,5
201903 7,4 4,4 2,7
201906 7,3 4,6 2,4

A rentabilidade patrimonial foi obtida pelo quociente entre lucro líquido e patrimônio líquido médio (ROE – Return on Equity).

O índice de cobertura de juros foi obtido pelo quociente entre EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) e despesa financeira bruta. O indicador EBITDA / Despesas Financeiras mede o grau de cobertura das despesas financeiras pela geração de lucro operacional.

A relação Dívida Líquida / EBITDA representa o grau de fragilidade financeira das empresas não-financeiras. A dívida é líquida quando se desconta dos juros pagos pelo endividamento os juros recebidos por aplicações financeiras. Compara esse fluxo de juros com o fluxo de lucro operacional.

O grau de endividamento pode ser medido pela relação entre o endividamento líquido e o capital próprio. Nesse caso, é uma relação entre estoques ou saldos.

Um boxe do Relatório da Estabilidade Financeira, publicado pelo Banco Central do Brasil em setembro de 2016, apresentou uma breve análise dos indicadores econômico-financeiros das companhias não financeiras de capital aberto. Demonstrava, de modo sintético, os principais efeitos do ambiente econômico na situação financeira dessas empresas.

Lembre-se: em abril de 2013, encerrando a “Cruzada da Dilma”, o Banco Central voltou a elevar os juros de 7,25% aa até 14,25% em junho de 2015. Permaneceu nesse elevado patamar até outubro de 2016. O atraso em abaixá-lo, quando a inflação já caia desde fevereiro, levou ao enriquecimento de muitos, agravando a concentração da riqueza financeira no Brasil.

Do mau desempenho empresarial é possível deduzir a motivação golpista de associações patronais tipo FIESP. A casta dos mercadores, inclusive dos midiáticos, aliou-se, inicialmente, com a casta dos sábios-juristas e sabidos-pastores e a casta dos oligarcas-governantes do Congresso. Em 2018, aliou-se, eleitoralmente, com a casta dos guerreiros-milicianos. Lançou-se contra a aliança socialdemocrata entre a casta dos trabalhadores organizados e a casta dos sábios-intelectuais. De suas perversas alianças vieram o desemprego, a reforma trabalhista e a reforma da Previdência Social com corte de direitos dos trabalhadores, inclusive intelectuais. A ameaça agora é cortar a estabilidade dos servidores públicos, ou seja, da casta dos sábios-tecnocratas. Enquanto esses conflitos de interesses acontece entre as castas brasileiras, os “párias”… sofrem mais ainda.

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Mas quem é, hem? (a partir de Leandro Karnal)

Para quem idealiza o mito como um gênio do mal, é preciso dizer: se o mal é bem empregado no caso, gênio é um equívoco. Não cabe dizer: “Ele é um miliciano, mas é brilhante”. Mesmo as biografias apologéticas já indicam: não se pode sustentar a tese da inteligência do capitão reformado.

De forma ainda mais contundente é possível derrubar, tijolo por tijolo, a imagem de estrategista político poderoso ou brilhante. É homem medíocre, limitado em todos os sentidos, com uma visão de mundo na qual sua tacanhice faz par com seus ódios.

Ele é tão banal a ponto de ficar o incômodo de como alguém assim chegou ao ponto de ameaçar de genocídio a ecologia amazônica e, junto, os nativos remanescentes. Talvez o segredo de sua popularidade vulgar seja este: ele entende o brasileiro comum por ser um homem comum. Usa (e é abusado por) a cultura brega tipo Bahamas, Havan, Record, SBT, casta dos sabidos-pastores…

Como alguém tão estúpido chega ao poder? Oh, brasileiros, oh, cidadãos da minha terra amada: vocês têm certeza de desejar lhes fazerem esse questionamento? Por que o presidente seria diferente de nós?

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Neofascismo Verde-e-Amarelo

fascismo no Brasil teve na Ação Integralista Brasileira (AIB) sua principal organização, criada na década de 1930, logo após o Movimento Constitucionalista de 1932. Seu principal representante foi Plínio Salgado, e os membros da AIB eram conhecidos por integralistas, camisas verdes ou, pejorativamente, como galinhas-verdes, por conta da cor de seus uniformes. O que principalmente caracterizava o integralismo era o exacerbado militarismo e o nacionalismo.

Renato Janine Ribeiro é ex-ministro da Educação (2015, governo Dilma), professor titular de ética e filosofia política da USP e professor visitante da Unifesp. Reproduzo seu artigo (FSP, 17/09/19) sobre o neofascismo verde-e-amarelo. Os galinhas-verdes acrescentaram o amarelo-canarinho aos seus uniformes: up-grade para serem chamados de canarinhos! Ou canalhinhas… junção de canarinhos com galinhas.

“Afirmei nesta Folha, em meu artigo “A Flip e o fascismo” (16.jul), que a principal diferença entre o fascismo e outros autoritarismos de extrema-direita é que ele tem militantes ativos, empenhados, empolgados: quem o apoia não se envergonha de usar a violência de forma banal e corriqueira. Foi o caso dos ataques a Glenn Greenwald, durante a Flip, e das ameaças a Miriam Leitão, convidada a outra feira literária.

Mas há mais dois fatores, pelo menos, que distinguem o fascismo do restante da extrema-direita: um é o desgaste ou destruição das instituições; o outro, a invasão totalitária da vida privada. Mussolini dizia: “Nada acima do Estado, nada contra o Estado” —e, pior ainda, “nada fora do Estado”. Ora, numa democracia o Estado tem várias instituições que se equilibram, fazendo o que chamamos de pesos e contrapesos. No Brasil, por forte que seja o presidente, seu poder é limitado por ao menos quatro instituições civis que pertencem também ao Estado. Como vão elas?

Virtude da Tolerância e Vício da Omissão

Pedro Cafardo é editor-executivo do Valor Econômico. Escreveu artigo (Valor, 10/09/19) sobre a atual ascensão do neofascismo-neoliberal brasileiro. Reproduzo-o abaixo.

“Quem já conseguiu atravessar as 1.200 páginas da edição condensada da monumental obra de Winston Churchill denominada “Memórias da Segunda Guerra Mundial” pôde notar a decepção do autor com o fracasso das democracias europeias por ter permitido aquela absurda matança do século XX. Cerca de 60 milhões de pessoas morreram durante a guerra, sendo 8% da população da Alemanha e 14% dos habitantes da então União Soviética.

Churchill, que foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a guerra, confessa que teria sido extremamente fácil evitar aquela tragédia. Observa que a maldade dos perversos foi reforçada pela fraqueza dos virtuosos; que as recomendações de prudência e continência se transformaram nos principais agentes de um perigo mortal; que o meio-termo adotado em função de desejos de segurança e de uma vida tranquila conduziu ao desastre.

Quando Churchill expõe essas ideias, está falando claramente de omissão. Está dizendo que se pode pagar muito caro por omissões e que elas muitas vezes são mortais.

Depois da Primeira Guerra Mundial, escreve Churchill, teria sido simples manter a Alemanha desarmada e os vencedores aliados armados, para impor um longo período de paz na Europa. Mas não se fez isso.

Em 1936, Adolf Hitler invadiu a Renânia, região da fronteira da Alemanha com a França que havia sido desmilitarizada pelo Tratado de Versalhes no fim da Primeira Guerra. A região era uma barreira natural para uma eventual invasão da França pelos alemães. Violando o Tratado de Versalhes, Hitler enviou suas tropas para a Renânia e os países aliados, para evitar conflitos, toleraram. Acreditaram no blefe de Hitler de que o exército alemão tinha ordens para não resistir e retirar- se da região se houvesse algum confronto.

Em resumo, a eclosão da Segunda Guerra, depreende-se do relato de Churchill, se deu por causa de omissões. Quando Hitler colocou seus exércitos na Renânia, que deveria ficar desmilitarizada, França e Reino Unido disseram “deixa pra lá, ele vai parar por aí”. Mas depois ele invadiu a Áustria, a Checoslováquia e não parou. Quando França e Reino Unido se deram conta, era tarde demais.

Teria sido extremamente fácil, portanto, ter impedido a ascensão de Hitler, segundo Churchill, se os vencedores da Primeira Guerra não tivessem pecado pela omissão. Viram, mas se omitiram quando Hitler tornou o serviço militar obrigatório e foi ampliando seu exército, quando montou as fábricas de munições e quando transformou toda a sua indústria num arsenal bélico. Continuar a ler

Brevemente, Ruptura da Casta dos Mercadores com a Casta dos Milicianos

Hugo Passarelli (Valor, 06/09/19) anuncia: o baixo crescimento da economia brasileira e a retórica contundente do governo boçalnaro em temas sensíveis, como o meio-ambiente, afastam investidores estrangeiros do Brasil, isolando ainda mais o país nas trevas. Antes do isolacionismo adotado como política externa brasileira por sujeitos ineptos para os cargos nomeados, os investidores estrangeiros planejavam entrar em projetos de infraestrutura, concessões ou privatizações, opinam especialistas nessa corretagem da venda de patrimônio público.

Já houve uma virada brusca de humor em relação ao Brasil — acabou o “soft-power” brasileiro!

São inúmeros exemplos de elementos estúpidos trazidos pelo novo governo e prejudiciais à economia brasileira. São capazes de frustrar a tentativa de, em cenário de restrição fiscal, atrair capital privado para destravar investimentos.

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Valeu a pena eleger a burrice?

Bruno Bimbi é jornalista e escritor argentino, doutor em estudos da linguagem (PUC-Rio) e autor dos livros “O fim do armário” e “Casamento igualitário” (ed. Garamond). Expressa (FSP, 06/09/19) uma pergunta-chave a ser respondida por muitos brasileiros: valeu a pena eleger o capitão despreparado para o cargo?!

Deve fazer mea culpa quem, no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, esteve entre 57,8 milhões de eleitores iludidos. Isso representou 55,1% dos votos válidos e 39,2% do eleitorado total apto a votar, 147,3 milhões de pessoas.

“Desde janeiro, ninguém governa o Brasil. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) insulta e ameaça adversários e jornalistas, seus filhos se dedicam a outras coisas —zero um, a lavar dinheiro da milícia; zero dois, a difamar pessoas com fake news; e zero três, a explicar que ter fritado hambúrguer nos EUA o habilita a ser embaixador. Ninguém cuida dos assuntos públicos, que, em países normais, são prioridade. Não é um mau governo, nem mesmo um desgoverno, mas um antigoverno.

A função do ministro da Educação é destruí-la. Cortando bolsas de pós-graduação e pesquisa, asfixiando as universidades e incentivando a caça às bruxas contra o comunismo imaginário e a inexistente “ideologia de gênero” nas escolas, sua missão é deseducar. Enquanto isso, o presidente e seu guru terraplanista negam o conhecimento científico e reescrevem a história. Da mesma forma, o ministro do Meio Ambiente ataca ONGs ambientalistas, demite cientistas e técnicos concursados, flexibiliza normas e controles e incentiva a depredação ambiental.

Enciclopédia do Golpe em Dois Volumes

A Enciclopédia do Golpe (Projeto editorial Praxis/Declatra, 2017), organizado por Bárbara Caramuru Teles e coordenado por Giovanni Alves, Mírian Gonçalves, Maria Luiza Quaresma Tonelli e Wilson Ramos Filho, é um grandioso esforço de parcela importante da intelectualidade brasileira de esquerda na tarefa de esclarecimento político do Golpe de 2016. Contra as Trevas do Golpe, o Esclarecimento da Razão histórica.

Em comemoração das 8 milhões visitas recebidas neste modesto blog pessoal, faça o download gratuito em:

Enciclopedia do Golpe – vol_1

Enciclopedia do Golpe – vol_2