Estou estarrecido! Boquiaberto! Que Cleptocracia!

Coxinha-Trouxinhacoxinha-trouxinha-escondidinho

Estou estarrecido:  a notícia abaixo deixou-me perplexo, espantado. Estou horrorizado, aterrado! Estou boquiaberto: com a boca aberta, embasbacado, estupefato… Macularam a liturgia do cargo de VP da Caixa! A que ponto chegou a cleptocracia

Este é um regime político-social em que práticas corruptas, especialmente com o dinheiro público, são implicitamente admitidas ou mesmo consagradas. E a pobre da Dilma virou o bode-expiatório dos coxinhas-trouxinhas-escondidinhos

Será que há entre os políticos profissionais brasileiros — 49% herdeiros de dinastias políticas e/ou oligarquias regionais — uma cleptolagnia, isto é, uma variedade de cleptomania em que o ato de roubar provoca excitação sexual?!

A PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, sendo 12 em São Paulo. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da Lava Jato na corte. Em delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa, no período 2011-2015, Fabio Cleto — “destinado”: País da piada pronta –, ele afirmou que teve reuniões semanais com o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante quatro anos para tratar de um esquema de propina envolvendo o FI-FGTS e que o parlamentar embolsou 80% dos recursos desviadosSua delação deu origem à operação Sépsis, deflagrada nesta sexta-feira (01/07/16).

Ele denunciou que a Eldorado Brasil Celulose, do grupo J&F, controlador da JBS (leia post a respeito dela no domingo, 3/7/16), pagou a ele R$ 680 mil em propina. Também disse que cobrou vantagem indevida de uma série de empresas que apresentavam projetos no âmbito de sua vice-presidência!

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Entrevista da Presidenta Golpeada a El País

Dilma

Recebi a mensagem abaixo do caro “correspondente europeu”, Miguel Amaral, deste modesto blog:

Estimado Fernando,

Acabo de ler uma entrevista bastante interessante da Dilma, onde explica a situação do país e a sua posição. Sobretudo, gostei da sua serenidade.

Ao ler lembrei-me daquela fábula do sapo e do escorpião: o escorpião esta na margem do rio que queria atravessar e pediu ao sapo para o ajudar. O sapo acedeu, apesar, do perigo. Quando estavam a chegar quase a outra margem, o escorpião deu uma picada letal, os dois iriam morrer afogados, o sapo perplexo perguntou: — Porquê? Ao que o escorpião respondeu: — É a minha natureza…

Link da entrevista em Espanhol:
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/06/22/america/1466627246_497140.html

Link da entrevista em Português:
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/22/politica/1466621398_081819.html

É possível que a entrevista em Espanhol esteja mais completa.

Um Abraço,
Miguel.

Compartilho a entrevista abaixo: Continue reading “Entrevista da Presidenta Golpeada a El País”

Mesadas do PMDB: Onde estão os Moralistas Golpistas?

Mesadas do PMDB

Somando as mesadas do PMDB, suas lideranças receberam da Transpetro R$ 104.450.000,00! Compare com os demais: PSDB, R$ 2.000.000,00 (R$ 1.000.000 per capita); PSB: R$ 1.000.000 per capita; DEM, R$ 275.00 per capita; PP, R$ 250.000 per capita; PT, R$ 1.742.400,00 (R$ 348.400 per capita); PCdoB, R$ 100.000 per capita.

Ex-presidente da Transpetro e delator da Operação Lava-Jato, Sergio Machado disse que acertou com o presidente golpista Michel Temer doação de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita (PDT) à prefeitura de São Paulo em 2012, então pelo PMDB. Segundo ele, o “contexto da conversa deixava claro que Temer estava ajustando pedido de “recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”.

Machado disse que, enquanto esteve à frente da Transpetro, entre 2003 e 2011, repassou ao PMDB pouco mais de R$ 100 milhões originados de “comissões pagas ilicitamente por empresas contratadas”. Foi, segundo ele, deste valor que saiu o R$ 1,5 milhão para Temer e outros R$ 32 milhões para o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) e R$ 24 milhões para o senador Edison Lobão (MA). No total, ele citou 10 políticos do PMDB e 12 de seis partidos, como envolvidos em negociações por propina. Mas não se igualam os “pés-de-chinelo”, que financiaram suas campanhas eleitorais, com os “donos do Poder Oligárquico e Dinástico” que enriqueceram-se ainda mais: Temer e os clãs de Renan, Sarney, Lobão, Barbalho, Alves, Jucá, etc. Até quando essa gente provinciana comandará o País?!

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Ética da Convicção versus Ética da Responsabilidade: Purismo versus Pragmatismo

Após uma discussão

É uma nova experiência política, para a esquerda brasileira, ser destituída do Poder Executivo de forma pseudo-legal, através de um “golpe branco”. Este foi dado por uma maioria parlamentar que se uniu em defesa da interrupção das investigações sobre o financiamento corrupto de eleições, realizado costumeiramente por todos os políticos profissionais.

Seria democrático se a destituição fosse através de uma derrota eleitoral. Porém, os militantes em favor do igualitarismo social tem de processar racionalmente tudo que se passou, desde 2003, em um momento que a emoção ainda está “a flor da pele”.

Um personagem que existiu no passado — o ex-comunista que fazia uma autocrítica e girava 180 graus no espectro político-ideológico, p.ex., como o Carlos Lacerda — voltou a estar em voga: o ex-petista rancoroso em termos pessoais com ex-companheiros.

Na verdade, tornou-se um tipo comum o ex-petista que se apresenta como sendo uma pessoa de esquerda, mas acha que os inimigos/adversários políticos têm razão em tudo! Tudo que o PT fez entre 2003-2016 teria sido errado, inclusive, aceitam que “o golpe não é golpe”! O “arrependido” (ou dissidente), muitas vezes, de maneira oportunista, “cospe no prato que comeu”!

Ora, esse problema de conversão ideológica já aconteceu antes com ex-comunistas estalinistas que viraram direitistas. Então, parece ser um problema religioso: “ver a luz”, ficar subitamente iluminado pelo sobrenatural, no caso, assumindo o discurso adversário, cujas teses sempre combateu. Infelizmente, foi o erro da Dilma ao retornar à “velha matriz neoliberal” em 2015.

Mas é necessário aprender com os erros, para não repeti-los, ou então para adquirir o direito de cometer novos erros…

Para isso, como base de uma discussão entre os petistas e os demais militantes da esquerda, é necessário reconhecer a diferença entre o pragmatismo do que enfrenta a real politik e o purismo do observador crítico. Aquele tinha que governar, enquanto este apenas criticava sem apresentar nenhuma alternativa viável politicamente, ou seja, não fazia uma crítica construtiva.

Perguntas-chave que a esquerda brasileira terá de responder:

  1. teria sido (e será) possível governar por 13 anos um País predominantemente conservador — em ideologia e costumes — sem aliança com a direita, quando a esquerda se reduz a 99 deputados na Câmara?
  2. teria sido (e será) possível ser eleito sem o financiamento corporativo que não se dá “a fundo perdido”?
  3. o partido político é um instrumento para se alcançar o Poder ou apenas para fazer “denúncia do capitalismo”?!

Na realidade, é muito mais fácil “ser estilingue do que vidraça”… Fazer oposição sem a ética da responsabilidade e apenas com a ética da convicção foi cômodo para nossos “amigos pequeno-burgueses” a la antiga… :)

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Jogo de Alianças entre Castas e Golpe contra Domínio Irrestrito

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Decretado o fim do governo social-desenvolvimentista pelos golpistas neoliberais, a resistência democrática passa a ser defensiva na tentativa de evitar a regressão das conquistas de direitos (civis, políticos, sociais e econômicos) do período de mobilidade social. Sendo assim, há o reconhecimento implícito que houve, de fato, algo de novo na sociedade brasileira entre 2003 e 2014. Na verdade, no primeiro ano (2015) do segundo mandato da Presidenta reeleita, democraticamente, quando se adotou o ajuste fiscal neoliberal com tratamento de choque tarifário e sinalização de depressão econômica, a Era Social-desenvolvimentista findou.

Fim da hegemonia de uma casta, seja por crise econômica, seja por guerra ou revolução, ocorre em simultâneo como uma crise ideológica, onde se parte para “mudanças” a qualquer custo. A ordem social desmorona quando o governante passa a acreditar que está fracassando e, sob pressão, adota o programa de adversário, indo contra o ideário de sua base de apoio político-eleitoral.

A Era Social-desenvolvimentista (2003-2014) representou, a la socialdemocracia europeia, a aliança entre a casta de trabalhadores e a de sábios-criativos, com apoio da casta de “comerciantes-brandos”: empresários e financistas com tolerância política e liberalismo cultural. O apoio da casta dos sábios-tecnocratas oscila de acordo com “o governo de plantão”, pois cada administrador técnico concursado, seja do Poder Executivo, seja do Poder Judiciário, sabe que “os governos passam, mas ele fica”. Os valores predominantes, nessa Era, foram solidariedade, coletivismo, regulação e igualitarismo social.

A nova Era Neoliberal em gestação se ergue sobre uma aliança golpista entre as castas dos “comerciantes firmes”, ou seja, empresários nacionais e pequeno-burgueses sob pressão da concorrência internacional que passam a sobrevalorizar disciplina fiscal (corte de gastos e impostos), regras e autoridade, com as castas de governantes oligárquicos (herdeiros de aristocratas e/ou proprietários rurais) e de guerreiros (PF, MP, TCU, etc.). Os valores  culturais divulgados pela grande mídia são livre-mercado, competitividade, meritocracia e individualismo. Os intelectuais direitistas insistem no discurso da competência, eficácia e eficiência dos próprios pares: autoengano somado à validação ilusória…

Os grupos sociais, vistos como castas, não são só organismos que buscam
o interesse próprio e a vantagem econômica. Também constituem encarnações de ideias e estilos de vida, que procuram impor às outras. Quando tentam impor domínio irrestrito de seus valores, as ordens sociais tornam-se menos inclusivas e as alianças das castas excluídas ganham maioria em nova eleição ou partem para o golpe de Estado, seja parlamentarista, seja militar.

Então, se a Dilma representou a presunção arrogante típica dos especialistas da casta dos sábios-tecnocratas, Lula liderou a casta dos trabalhadores com forte espírito comunitário ou corporativista, que excluem “os de fora” em seu culto à personalidade e na indicação política para o aparelhamento do Estado. Porém, a casta dos guerreiros atiça guerras e processos judiciais intermináveis por honra e vingança, e adota discurso de ódio que incentiva a intolerância extremista contra os adversários. E a casta dos mercadores, se deixada livre de regulação, logo provocará a instabilidade econômica e a elevação das desigualdades sociais.

À luz dessa reflexão sociopolítica, leia e avalie o seguinte Editorial do PIG (Valor, 20/05/16) ainda em campanha política para decretar o fim definitivo do PT. Personaliza uma instituição. Fazer autocrítica ou mea culpa deve ser por parte de dirigentes que cometeram o crime de buscar financiar o PT como os demais partidos e não por parte de uma instituição partidária com milhares de militantes e simpatizantes inocentes. Isso também não exclue continuar a fazer a crítica à deslealdade dos adversários, muitos ex-aliados. Introjetar toda a culpa é típico de uma cultura cristã que crê na redenção pelo auto sacrifício. Continue reading “Jogo de Alianças entre Castas e Golpe contra Domínio Irrestrito”

Cadê os Indignados?

golpistas

A cada dia fica mais exposto o cinismo dos reacionários “moralizadores”. Como cobra Vladimir Safatle (FSP, 20/05/16), “se todo o processo de “impeachment” de Dilma Rousseff tivesse sido, de fato, impulsionado pela indignação popular contra a corrupção sistêmica no governo, teríamos, neste exato momento, um barulho ensurdecedor de panelas, milhares de pessoas iradas vestindo verde e amarelo nas ruas e a imprensa em coro pedindo a destituição do presidente interino e seu governo postiço de corruptos. Uma semana bastou para mostrar ao mundo o grau zero de comprometimento contra a corrupção da oligarquia que tomou de assalto o poder.

Mas não, meus amigos, vocês não estão ouvindo panelas, nem vendo seu vizinho urrar impropérios contra o governo, nem o senhor Sérgio Moro continua no noticiário com sua pretensa caça implacável e destemida contra usurpadores do bem comum. Não há nada no horizonte das famílias que tiravam selfies com a Polícia Militar que indique um desejo incontido de gritar “agora, é fora Temer“.

(…) Se, de fato, toda esta história sobre indignação contra a corrupção era uma farsa tosca, o que realmente aconteceu? Digamos que o Brasil viveu nestes últimos meses uma grande expiação, uma espécie de Carnaval macabro de liberação da frustração social que tinha como única finalidade tirar dessa liberação sua potência de transformação real e transformá-la em uma ação espetacular e improdutiva. Como em uma terapia catártica, a frustração social [pelas consequências da crise mundial terem finalmente atingido o Brasil] foi expiada por meio da imolação de uma presidenta. E assim tudo pode depois voltar ao normal”.

“Sobrou então (…) a simples tradução deste desencantamento generalizado em frustração social bruta, com direito a rituais de expiação e espetáculos de liberação de falas “politicamente incorretas” contra inimigos imaginários. Falas que repetem o mero prazer infantil de enunciar palavras proibidas marchando ao lado de patos gigantes e bonecos infláveis que pareciam saídos de desenhos animados. A temática da corrupção foi apenas a senha para começar esse Carnaval impotente. Seu destino era terminar ali.

Expiada a frustração, sacrificados os inimigos, todos podiam então voltar para casa e se submeter aos mesmos políticos corruptos de sempre, enquanto eles espoliam ainda mais nossos direitos. Assim, a era das panelas em fúria terminou. Agora, a verdadeira era da indignação pode começar.”

Depois da expiação, resta a espiadela do assalto ao butim dos mesmos políticos corruptos de sempre. E a direita dá seu sorriso de hiena por poder fazer novo desmanche do Estado social-desenvolvimentista… Sem necessidade de obter votos para isso…

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Economicismo e Familismo: Poder no Brasil de Castas, Clãs e Oligarcas de Dinastias

Private Banking por Domicílio - março 2016

Um dos problemas da “falsa ciência” é a transformação de correlação em causalidade. Faço humor para meus alunos dizendo se isso fosse verdade, eu teria descoberto a causa do câncer: beber água! Isto porque todos que morreram de câncer beberam água… :)

No caso da má Ciência Política, é comum o uso de variáveis como faixas de renda e riqueza como determinantes do posicionamento político. Se isso fosse verdade, automaticamente, lendo a tabela acima, encontraríamos a causa do antipetismo por parte da elite econômica paulistana. Cada membro dela possui, em média per capita, cerca de R$ 8 milhões em riqueza financeira, segundo dados do Relatório de Private Banking de março de 2016, publicado pela ANBIMA. E não apreciam pagar impostos para gastos sociais

No entanto, a boa Ciência da Complexidade sugere que um Sistema Completo resulta das interações entre seus múltiplos componentes. Se os 44.513 indivíduos pertencentes à classe dos super-ricos paulistanos fossem à Avenida Paulista em simultâneo — hipótese absurda já que essa gente esnobe teme o “povo da rua” –, só encheriam poucas quadras em torno do “pato amarelo” da FIESP golpista, aquele símbolo da louvação da sonegação de impostos com base na pobre justificativa de que “não querem pagar o pato”…

Aliás, uma das maiores causas dessa desigualdade social da riqueza no Brasil é justamente essa: os acionistas têm rendimentos sob forma de lucros e dividendos isentos! Assim como são isentos os rendimentos de titular e sócios de microempresas e empresas de pequeno porte! E os ricaços podem fazer transferências patrimoniais sob forma de doações e heranças isentas de imposto de renda!

Quando não o sonegam, só pagam o ITCMD estadual. Será que é por isso que sustentam o governo tucano, envolvido em corrupção do metrô e máfia da merenda escolar, em SP? Continue reading “Economicismo e Familismo: Poder no Brasil de Castas, Clãs e Oligarcas de Dinastias”