Manifesto de A Batata (por Renato Terra)

“Empoderadas pela greve dos caminhoneiros, nós, batatas, atingimos uma valorização de 150%. Nossa autoestima está quente. Conquistamos nosso lugar de fala e também queremos fazer nossas reivindicações. Disputaremos narrativas com coxinhas, mortadelas e pamonhas que pedem intervenção militar.

Primeiro, é importante deixar claro que o sistema nos oprime. Uma penca de expressões e piadas reforça preconceitos contra nós ao longo dos séculos.

Vamos aos fatos: nossa reprodução é uma atividade malvista pela sociedade desde que “vai plantar batata” virou xingamento. Um sujeito descadeirado pode ser descrito como um saco de batatas sem que ninguém seja repreendido por isso. E ninguém contesta o tétrico estereótipo construído pelo Sr. Cabeça de Batata.

Machado de Assis, talvez o maior escritor brasileiro, contribuiu para o nosso mau agouro ao cunhar a irônica expressão “ao vencedor, as batatas”. Sem falar no tom pejorativo que ganhou a poesia “batatinha quando nasce/ se esparrama pelo chão”.

Não estamos representadas na novela das 9 da TV Globo. Não há conto de fadas em que a Rainha Má ofereça uma batata envenenada para a princesa. A carruagem vira abóbora. Popeye come espinafre. Magali, melancia. A cenoura se envolveu num boato maldoso na carreira de Mario Gomes. “Morango do Nordeste” virou sucesso nacional. Enquanto isso, nem Romero Britto se digna a pintar uma batata.

Até mesmo para noticiar as variações da inflação, a imprensa se esparrama no clichê das variações de preço do pãozinho. Pagamos nossos impostos em dia, e o Datena nos ignora. Luciano Huck nunca ajudou um morador de periferia a abrir uma batataria gourmet.

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Capital Circulante

teoria-da-relatividade

Em uma cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo à custa de crédito.

Por sorte, chega um gringo e entra no único hotel.

O gringo saca uma nota de R$100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

O açougueiro, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.

O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

O veterinário, com a nota de R$100,00 em mãos, vai até ao puteiro pagar o que devia a uma prostituta. Em tempos de crise, essa profissão também aceita trabalhar a crédito.

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes. Como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de R$100,00.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$100,00 de volta, agradece, diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

Ninguém ganhou um tostão, porém, agora todos saldaram suas dívidas e podem deixar de cortar gastos!

Moral da história: quando o dinheiro circula, não há por que temer… a crise!

Eu não voto Aécio não

Escute a música acima do Waldick Soriano, “Eu não sou cachorro não“, cantalorando outra letra:

Eu não voto Aécio não
 
Eu não voto Aécio não
Pra não ser mais humilhado.
Eu não voto Aécio não

Não quero mais ser desprezado.

Tu precisas compreender
Que ele mente, ele enrola.
Já votei, me arrependi

E por isso, é Dilma agora.

A pior coisa do mundo
É jogar seu voto fora.
Quem despreza trabalhador

Não merece meu respeito, nem tampouco ser votado.

Tu devias compreender
Que o PT é a solução.

Pelo amor de Deus, por nosso país

Não vote Aécio não.

 

Desemprego nos tempos do PSDB