Como as coisas funcionam em uma Pandemia

Por Kathryn Kvas e Mia Mercado

Da seção de humor Daily Shouts da revista New Yorker (13 de junho de 2020), este texto curto comenta diferentes assuntos do dia a dia, em tempo de pandemia. Os temas são: compras de mercado, e-mails, fundos de zoom, amigos, namoro, refeições, lavar louça, conversa fiada, roupas, dias, tempo, produtividade, carros, pais, exercícios em casa e cancelamento de planos.

Compras de supermercado

Limite o número de viagens à loja e, ao fazer compras, não armazene. Considere comprar itens estáveis ​​nas prateleiras, como vegetais enlatados, atum, arroz, a última caixa de macarrão (provavelmente sem glúten ou trigo integral), todos os tipos de feijão, frutas congeladas, jujubas, dia-a-dia como feijão, coco ralado porque você nunca sabe, comida de gato, no caso de toda a comida humana acabar, comida de peixe, no caso de toda a comida de gato acabar, e um pote de picles para enfiar na parte de trás da geladeira e esquecer. Antes de sair, coloque de volta aquele pacote extra de papel higiênico que você pegou em pânico. Vamos lá, você é melhor que isso!

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Pesquisa de Opinião: Qual é Seu Canalha Predileto?

Errata Importante: na reunião da Quadrilha Ministerial, onde o Chefe da Gang disse “Quero as famílias armadas”, leia-se “Quero meus milicianos armados”.

E quem é o seu canalha predileto?

1) Todos, porque ninguém discutiu o que fazer com a crise da pandemia, infectando e matando brasileiros. Essa opção é fácil demais. Favor escolher uma das opções abaixo.

2) O Ministro Contra o Meio Ambiente, fortíssimo candidato ao Prêmio Ignóbil. Disse abertamente: é preciso aproveitar agora, com a imprensa preocupada com a pandemia, para eliminar os regulamentos e fiscalizações de defesa ambiental.

3) O Ministro Contra a Educação, paladino da ignorância e também forte candidato ao Prêmio Ignóbil. Quer mandar prender os “vagabundos” do STF.

4) A Ministra Contra os Direitos Humanos, porta-bandeira do obscurantismo. Quer mandar prender os Governadores e Prefeitos. Em uma Ditadura, seria a Juíza capaz de jogar as “bruxas” feministas na fogueira e, se não for possível, na cadeia.

5) O Ministro Contra a Economia, um dos mais notáveis Robin Hood às avessas, transfere renda dos pobres para dar aos ricos. Disse: tem que mandar recursos públicos para as grandes empresas, porque apoiar as pequenas empresas seria perder dinheiro. Sobre o Banco do Brasil disse “Tem de vender essa porra logo!” Bolsonaro o corrigiu: “depois de 2013, se eu for eleito… E estou duvidando com tantos ministros medíocres em torno de mim!”

6) O Ministro Contra a Justiça tendo ficado calado emburrado, ouvindo barbaridades. Quando abriu a boca, falou abobrinha. Defensor dos crimes da famiglia mafiosa dos Bolsonaros, percebeu ele ter deixado de ser “a bola da vez” com a demissão de seu predileto na PF para encobertar o clã.

7) O Ministro Contra a Saúde, pouco falando, ignorou a questão da saúde pública — pediu seu boné… e foi embora, né?

8) O Presidente Sociopata, o big boss, pelo conjunto da obra e pelos crimes cometidos em suas falas. Quer armar a milícia, chamada eufemisticamente de “povo”, quer aparelhar a Polícia Federal com seus amigos para evitar investigação dos crimes de seus filhos, principalmente o 01 (caso Queiroz) e o 02 (suspeitíssimo de ser o mandante do assassinato da vereadora Marielle).

9) Os dois generais: eles a tudo assistiram com “cara de paisagem” e avalizaram a reunião com sua presença. Às vezes, a cara do general Mourão parecia dizer “O que eu estou fazendo aqui?”. O general Braga parecia um burocrata submisso e dócil. E foi incapaz de organizar uma pauta, uma ordem do dia, para a reunião da cúpula do Estado brasileiro, transformada em discussão de botequim.

10) Os eleitores de Bolsonaro, tanto o gado dos 25 a 30%, como aqueles hoje o criticando, ainda timidamente, porque não têm a coragem de admitir publicamente terem votado em Bolsonaro e contribuído para a barbárie.

Manifesto de A Batata (por Renato Terra)

“Empoderadas pela greve dos caminhoneiros, nós, batatas, atingimos uma valorização de 150%. Nossa autoestima está quente. Conquistamos nosso lugar de fala e também queremos fazer nossas reivindicações. Disputaremos narrativas com coxinhas, mortadelas e pamonhas que pedem intervenção militar.

Primeiro, é importante deixar claro que o sistema nos oprime. Uma penca de expressões e piadas reforça preconceitos contra nós ao longo dos séculos.

Vamos aos fatos: nossa reprodução é uma atividade malvista pela sociedade desde que “vai plantar batata” virou xingamento. Um sujeito descadeirado pode ser descrito como um saco de batatas sem que ninguém seja repreendido por isso. E ninguém contesta o tétrico estereótipo construído pelo Sr. Cabeça de Batata.

Machado de Assis, talvez o maior escritor brasileiro, contribuiu para o nosso mau agouro ao cunhar a irônica expressão “ao vencedor, as batatas”. Sem falar no tom pejorativo que ganhou a poesia “batatinha quando nasce/ se esparrama pelo chão”.

Não estamos representadas na novela das 9 da TV Globo. Não há conto de fadas em que a Rainha Má ofereça uma batata envenenada para a princesa. A carruagem vira abóbora. Popeye come espinafre. Magali, melancia. A cenoura se envolveu num boato maldoso na carreira de Mario Gomes. “Morango do Nordeste” virou sucesso nacional. Enquanto isso, nem Romero Britto se digna a pintar uma batata.

Até mesmo para noticiar as variações da inflação, a imprensa se esparrama no clichê das variações de preço do pãozinho. Pagamos nossos impostos em dia, e o Datena nos ignora. Luciano Huck nunca ajudou um morador de periferia a abrir uma batataria gourmet.

Basta! Continuar a ler

Capital Circulante

teoria-da-relatividade

Em uma cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo à custa de crédito.

Por sorte, chega um gringo e entra no único hotel.

O gringo saca uma nota de R$100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

O açougueiro, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.

O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

O veterinário, com a nota de R$100,00 em mãos, vai até ao puteiro pagar o que devia a uma prostituta. Em tempos de crise, essa profissão também aceita trabalhar a crédito.

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes. Como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de R$100,00.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$100,00 de volta, agradece, diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.

Ninguém ganhou um tostão, porém, agora todos saldaram suas dívidas e podem deixar de cortar gastos!

Moral da história: quando o dinheiro circula, não há por que temer… a crise!

Eu não voto Aécio não

Escute a música acima do Waldick Soriano, “Eu não sou cachorro não“, cantalorando outra letra:

Eu não voto Aécio não
 
Eu não voto Aécio não
Pra não ser mais humilhado.
Eu não voto Aécio não

Não quero mais ser desprezado.

Tu precisas compreender
Que ele mente, ele enrola.
Já votei, me arrependi

E por isso, é Dilma agora.

A pior coisa do mundo
É jogar seu voto fora.
Quem despreza trabalhador

Não merece meu respeito, nem tampouco ser votado.

Tu devias compreender
Que o PT é a solução.

Pelo amor de Deus, por nosso país

Não vote Aécio não.

 

Desemprego nos tempos do PSDB

Estado do Humor

Noite de Estreias

Diego Viana (Valor-Eu&Fim-de-Semana, 11/07/14) publicou reportagem sobre a próxima FLIP – Feira de Literatura de Paraty, cujo tema será o Humor. Há uma boa passagem sobre o debate a respeito do Estado do Humor no País, quando o PIO (Partido da Imprensa Oposicionista) venera tanto o “mau humor” de O Mercado.

“Esta FLIP coincide com um estado alterado de humor no país. Depois das manifestações de junho do ano passado, entre protestos e denúncias de violência, a polarização política parece ter se ampliado – principalmente na rede mundial de computadores -, favorecendo mais a tensão que a leveza.

“Que há um clima pesado não há duvida”, diz Luiz Fernando Verissimo. “É uma combinação de desencanto com o PT com um anti-petismo virulento, tudo agravado pela proximidade das eleições e o novo protagonismo da internet. Mas não acho que estamos perdendo o humor ou pelo menos a tradicional leveza brasileira de ser.”

O clima mudou, mas não para pior, pondera Antônio Prata. “Acho que perdendo o humor não estamos, mas não é um dos momentos em que se está mais livre, leve e solto por aí. E não sei se isso é necessariamente ruim”, afirma. “Num país que sempre camuflou os conflitos sob uma pátina de alegria, que sempre disse a si mesmo e ao mundo que era pacífico e não tinha racismo nem violência, às vezes é bom falar sério. E as vaias a Dilma [na abertura da Copa] são outro exemplo de que o humor continua vivo entre nós: a fatia da população que mais lucrou com ela no poder toda revoltadinha, mandando-a tomar…, não é hilário?Continuar a ler