Pós-Golpes (1964 e 2016): Menores Taxa de investimento em 50 anos

Sergio Lamucci (Valor, 27/06/19) informa: a taxa de investimento no Brasil está no menor nível em pouco mais de 50 anos, evidenciando a fraqueza dos gastos no país com máquinas e equipamentos, construção civil e inovação. Na média dos últimos quatro anos, a taxa ficou em apenas 15,5% do PIB – um percentual tão baixo só é encontrado na média dos quatro anos até 1967, segundo estudo dos economistas Marcel Balassiano e Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Reverter esse quadro é fundamental para que a economia possa reagir e crescer mais e, com isso, aumentar a geração de empregos.

Ao analisar uma série longa, usar uma média móvel de quatro anos é um modo de suavizar a volatilidade de curto prazo. Para a média dos últimos quatro anos, os dois economistas utilizaram a taxa de investimento de 2016, 2017, 2018 e a do primeiro trimestre de 2019. A formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação) sofreu muito na recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, e se recupera muito lentamente desde 2017.

Uma medida de como o Brasil investe pouco ao notar é, em 2018, 152 países de uma amostra de 172 economias terem uma taxa de investimento superior à brasileira, ou seja, 88,4% do total. Os números são do Fundo Monetário Internacional (FMI). No ano passado, a FBCF ficou em 15,8% do PIB. Segundo ele, a taxa média global ficou um pouco mais de dez pontos percentuais do PIB acima da do Brasil, em 26,2% do PIB. Com uma baixa taxa de investimento, o país tem pouca capacidade de crescer a um ritmo mais forte de modo sustentado. Continuar a ler

Desmatamento da Amazônia: Crime Ambiental do Clã Bolsonaro

Daniela Chiaretti (Valor, 25/06/19) informa: em 30 anos a floresta amazônica poderá estar dividida e com mais da metade das espécies de árvores ameaçada de extinção. A diagonal que dividirá o maior bloco de floresta tropical do mundo em uma parte ainda contínua, e outra completamente fragmentada, pode ser o resultado do desmatamento combinado ao impacto da mudança climática sobre a Amazônia.

O aquecimento global combinado ao desmatamento pode significar perda na riqueza de espécies de árvores de 58%, até 2050, no cenário pessimista, e de 43%, no otimista. O desmatamento sozinho, se continuar no ritmo atual, causaria uma redução entre 19% e 33%. O efeito da mudança do clima global na floresta é mais devastador – causaria redução nas espécies de árvores entre 47% e 53%.

Esses resultados alarmantes são algumas conclusões de estudo publicado na “Nature Climate Change” por três pesquisadores brasileiros e um holandês.

O grupo estudou a distribuição original de cada uma das 10.071 espécies de árvores amazônicas conhecidas. O número médio de espécies em área de 10 km2 seria de cerca de 1.500 espécies. Ali, onde as espécies estão confortáveis, coletaram informações de precipitação e temperatura. Depois cruzaram estes mapas com modelos climáticos e de desmatamento que fazem projeções para 2050. Continuar a ler

4a. Revolução Industrial: Atraso Brasileiro em Inovação Tecnológica

Vijay Gosula e Rafael Oliveira (Valor, 25/06/19) publicaram artigo sobre a Quarta Revolução Industrial. Reproduzo-o abaixo, seguido de um balanço do estado da arte tecnológica no Brasil.

“A chegada da quarta revolução industrial tem gerado questionamentos sobre a convivência de homens e robôs no ambiente de trabalho, em um futuro bem próximo. O potencial desta nova era em oferecer assertividade e velocidade no processo produtivo de modo que erros humanos e perdas na produção se tornem cada vez mais raros é surpreendente.

As tecnologias e ferramentas necessárias para aderir aos avanços da quarta revolução industrial, de fato, já temos. Mas quão próximos estamos dessa realidade?

Em nossa experiência no setor, vemos que os empresários brasileiros estão entusiasmados em relação aos temas de automação, internet das coisas e “advanced analytics” (análise avançada de dados).

Ponderam-se especialmente os benefícios dessas tecnologias para ganhos de competitividade. Uma pesquisa realizada pela McKinsey no ano passado com empresários brasileiros mostrou que 73% dos executivos de setores como automotivo, químico e de logística têm como prioridade a digitalização do negócio. O mesmo estudo aponta que 58% deles estão confiantes de que suas companhias avançaram na quarta revolução industrial na mesma medida que seus concorrentes. Somente 10% acham que estão atrasados e 32% acreditam estar à frente da concorrência.

Apesar disso, a implementação dessas soluções tem avançado a passos lentos. Continuar a ler

Ajuste Estrutural para sair da Semiestagnação (por LCBP)

Luiz Carlos Bresser-Pereira (Valor, 08/04/19) afirma: “desde 2007, quando foi publicado meu livro “Macroeconomia da Estagnação”, venho afirmando que a economia brasileira está semiestagnada desde 1980. Enquanto crescia 4,5% ao ano, entre 1950 e 1980. Desde 1980 cresce menos que 1% ao ano.

A direita não gosta de ouvir isto porque esteve no governo entre 1990 e 2002 (exceto 1993-1994), e desde 2016. A esquerda, também, porque governou entre 2003 e 2015. Em nenhum desses períodos o desenvolvimento econômico foi realmente retomado. Há algum tempo, Edmar Bacha reconheceu a semiestagnação. Foi um avanço. Agora leio no Valor de 14/3, um artigo de dois técnicos do Fundo Monetário Internacional (Antonio Spilimbergo e Krishna Srinivasan) que também reconhecem o fato. Ótimo. Mas para explicar o problema repetem o diagnóstico padrão da ortodoxia liberal: “faltam reformas”.

Um país deve estar permanentemente realizando reformas institucionais, mas é equivocado pensar que o Brasil não se desenvolve por falta de reformas. De que adiantaram a privatização, a abertura comercial e a abertura financeira dos anos 1990? Depois delas o Brasil continuou a não crescer. De que adiantou o equilíbrio fiscal entre 1999 e 2013? Nesse período o país, felizmente, apresentou um belo superavit primário, mas não cresceu a não ser quando houve o boom de commodities entre 2006 e 2010.

Aumento da produtividade ou o desenvolvimento econômico dependem de muitas coisas, mas dependem principalmente do investimento privado e do investimento público. Ora, a taxa de investimento caiu muito no Brasil, como podemos ver na tabela na qual comparamos três anos dos 1970s, depois que o “milagre” já acabara, com os últimos dois anos, depois de terminada a recessão. A queda aconteceu principalmente no investimento, mas isto não foi compensado pelo aumento do investimento privado, que também caiu. Continuar a ler

Economia do Brasil: desindustrialização e governo inerte

Enquanto a economia brasileira cai pelas tabelas, o governo neoliberal de extrema-direita fica inerte em termos de ações para o desenvolvimento. Aliás, só colabora com a decadência nacional ao colocar com base no favoritismo — ser amigo de um dos filhos do clã do capitão miliciano — um jovem com a missão de presidir a destruição do BNDES! Mais um crime lesa-pátria!

Arícia Martins (Valor, 14/06/19) informa: mesmo mantendo sua nona posição entre as dez maiores potências industriais mundiais, o Brasil perdeu ainda mais participação no mercado global de manufaturas e caminhou em sentido contrário à tendência de crescimento da indústria observada na média de todas as economias. As informações estão no relatório de 2019 da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).

A fatia brasileira no valor adicionado da indústria mundial, que já chegou a 2,81% em 2005, recuou ligeiramente entre 2017 e 2018, de 1,9% para 1,8%, segundo dados compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A virtual estagnação foi suficiente para que o país se mantivesse como nono maior parque industrial do mundo, atrás da França, com 2,2%.

Caso a trajetória de perda de relevância do parque fabril brasileiro persista, o setor nacional tem “riscos consideráveis” de ser ultrapassado pelo da Indonésia, atualmente a décima maior potência industrial do mundo, avalia Rafael Cagnin, economista do IEDI e autor do levantamento feito a partir de números da Unido. Continuar a ler

Brasil à Venda: Crime de Lesa Patria do Conluio da Direita Neoliberal

Os neoliberais com oportunismo estão acabando com a soberania do Estado nacional ao destruírem o BNDES, instituição financeira chave para não se depender do capital estrangeiro, e venderem o patrimônio público. A economia brasileira está se subordinando ao Capitalismo de Estado chinês. Quem viver, verá…

Roberto Rockmann (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 14/06/19) publicou reportagem investigativa sobre a privataria do atual governo do capitão. Atua como tivesse recebido um “cheque-em-branco” para implementar um programa não debatido na campanha eleitoral. Ganhou, circunstancialmente, por 6 pontos percentuais dos votos válidos (55% X 45%), mas não tem hoje o apoio da maioria da população. Portanto, não tem legitimidade para implementar a destruição do Estado brasileiro em nome de interesses privados e estrangeiros.

É um crime lesa pátria porque esta aliança política traiçoeira causa prejuízos irreversíveis ao País, ameaçando o futuro da Democracia, da Soberania e da Liberdade de seu povo, bem como efetuando desvios fraudulentos dos cofres públicos e da propriedade estatal com privatização não autorizada pelo Congresso Nacional. Impõe com isso um regime autoritário fundamentado na direita radical, aparelhando o Estado e subjugando a vontade popular ao fraudar o debate eleitoral para alcançar o Poder.

“O desenho do setor de infraestrutura no Brasil tem se caracterizado pela maior presença de estatais estrangeiras em concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e obras. Em cinco anos, mais de R$ 120 bilhões foram gastos por companhias internacionais em aquisições, fusões ou pagamento de outorgas. Esse movimento de desnacionalização vai crescer. Continuar a ler

Por que a economia brasileira não cresce

Fernando Rocha é economista­-chefe e sócio da JGP; Arlindo Vergaças é sócio fundador e diretor da JGP. Ambos publicaram artigo (Valor, 03/05/19) sobre tema a respeito do qual escrevi um Texto para Discussão nesta semana, embora eu esteja preocupado mais com a tendência de crescimento em longo prazo:

Porque a Economia Brasileira não tem um Crescimento Sustentado em longo prazo (I), por Fernando Nogueira da Costa

 

 

Reproduzo o artigo deles abaixo por apresentar uma visão de participantes de O Mercado. Discordo da queda da taxa de crescimento demográfico como causa do baixo crescimento em contexto de elevadíssima subutilização da força de trabalho. O problema crucial é faltar oferta de emprego e, quando houver, ela será desqualificada para ocupá-los.

Critico também o conceito utilizado de produtividade. Ele é indicador ex-post, i.é, após os fatos transcorridos. Logo, quando a produção ou renda está baixa, devido ao diminuto investimento multiplicador de renda e empregos, ao dividi-la pelo número de trabalhadores empregados, dedutivamente, se registra uma baixa produtividade. Portanto, ela indica apenas a baixa produção. Esta se elevará com investimentos em máquinas e equipamentos “poupadores de mão-de-obra”. Nesse caso, aumentará a produtividade dos trabalhadores qualificados capazes de ainda ficarem empregados.

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