Por que cortar gastos não é a solução para o Brasil ter crescimento vigoroso?

Para meus colegas, economistas desenvolvimentistas, a nova literatura econômica recomenda o inverso da receita neoliberal dos professores do INSPER e economistas de consultorias de O Mercado: mais investimento públicoEsther Dweck é professora do IE-UFRJ e ex-secretária de Orçamento Federal, Fernando Maccari Lara é professor da Unisinos, Guilherme Mello é professor do IE-Unicamp, Julia Braga é professora da Faculdade de Economia da UFF, e Pedro Rossi é professor do IE-Unicamp. Reproduzo o artigo-resposta (FSP, 15/09/19) abaixo. Pelo menos a Folha está percebendo a ameaça da aliança entre o neoliberalismo e o neofascismo no Brasil… e abrindo espaço, ainda timidamente, para um debate plural com contraponto.

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Argumentos Neoliberais em Defesa do Conservadorismo Econômico

Marcos Lisboa é presidente do Insper, Marcos Mendes é pesquisador do Insper e MarceloGazzano é economista da A. C. Pastore. Nos últimos anos, só os neoliberais tiveram palanque  para expor sozinhos seus pontos de vista oficiosos na mídia brasileira. Nela deixou de haver debate pluralista (e civilizado)  para os social-desenvolvimentistas contraporem aos seus argumentos, baseados em método lógico-racional, com o uso do método histórico-indutivo.

No próximo post, economistas social-desenvolvimentistas apresentarão uma visão holística contra o individualismo metodológico dos neoliberais. Aos leitores, ouvintes e telespectadores ficariam mais claras as ideias de qual, em vez de imaginar o pensamento econômico ser monolítico… e equivocado. Contra o neoclassicismo há, pelo menos, o keynesianismo.

Reproduzo inicialmente o artigo dos neoliberais (FSP, 08/09/19) abaixo para depois fazer o debate público aqui em rede social. Sendo apenas em “câmara-de-eco”, o eleitorado fica mal informado e vota contra o próprio interesse social. Continuar a ler

Sobre a Floresta Amazônica (por Geraldo Luís Lino)

Geraldo Luís Lino é Geólogo, ex-consultor ambiental e cofundador e diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Enviou-me, gentilmente, o texto abaixo compartilhado, originalmente publicado no link https://msiainforma.org/o-que-todo-o-mundo-brasileiros-inclusive-precisa-saber-sobre-a-floresta-amazonica/.

1) A Floresta Amazônica é um bioma, uma grande comunidade biológica estável e desenvolvida, com extensão de 6,7 milhões de quilômetros quadrados, compartilhados entre o Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa. Cerca de 62% dela encontram-se no Brasil, onde 84% da sua área original existente na chegada dos portugueses estão preservados. Esta área predominantemente intocada equivale em tamanho à França, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Finlândia, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Portugal juntos; se fosse um país, seria o sétimo do mundo em extensão, maior que a Índia.

2) A Floresta Amazônica não deve ser confundida com a Amazônia Legal, uma região geográfica delimitada para fins de estabelecimento de incentivos fiscais para atividades econômicas nos nove estados do Norte do Brasil. Compreendem 61% do território nacional, mas menos de 13% da população e representam menos de 8% do PIB do Brasil.

Os seus baixos níveis de vida podem ser avaliados pelos fatos de apenas 13% dos seus habitantes urbanos terem acesso a sistemas de esgoto, e de ali viverem grande parte dos mais de 4 milhões de brasileiros que não têm um simples vaso sanitário em casa. A região também abriga partes significativas de dois outros biomas brasileiros, o Cerrado e o Pantanal.

A Amazônia Legal tem uma área de 5,1 milhões de quilômetros quadrados. A parte brasileira da Floresta Amazônica, 4,2 milhões de km2.

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Era da Inflação e dos Juros Baixos

Conheci em debate no COFECON, em Brasília, o Carlos Luque, professor da FEA- USP e presidente da Fipe. Ele é desenvolvimentista. Escreve bons artigos em coautoria com Simão Silber, também professor da FEA-USP, e Roberto Zagha. Este foi professor Assistente na FEA-USP nos anos 1970 e no Banco Mundial a partir de 1980, onde encerrou a carreira em 2012 como Secretário da Comissão sobre o Crescimento e o Desenvolvimento, e diretor para a Índia. Reproduzo seu artigo (Valor, 27/08/19) abaixo.

“Nossa inflação foi um problema por mais de um século. Chegou a 16% ao ano durante 1889-93 com um pico de 25% em 1891. Este surto inflacionário foi seguido por muitos outros. Períodos de estabilidade de preços: poucos e curtos. A partir dos anos 1980, com o segundo choque do petróleo, a inflação se descontrolou, chegando a 100% ao ano. Depois de vários planos que deram resultados temporários, a estabilização fiscal de 1993, o Plano Real e o “tripé” conseguiram estabilizar os preços de maneira durável.

Mas o espectro da inflação continuou dominando o país. Como explicar a política de taxas de juros do Banco Central? Com a retomada decepcionante dos últimos anos seria adequado o BC seguir o exemplo dos bancos centrais dos EUA, Europa e Japão. Estes bancos centrais reduziram suas taxas de juros reais para níveis negativos e sinalizaram que a política monetária por si só não poderia reanimar suas economias: políticas fiscais e monetárias expansionistas ambas são necessárias.

A decisão de reduzir a Selic a 6% indicando possíveis reduções adicionais é excelente. Mas não podemos esquecer que o excesso de juros pagos ao longo dos últimos anos comprometeu as finanças públicas e inibiu por completo os investimentos públicos. Certamente a trajetória de crescimento teria sido diferente. É importante agora que a redução de juros seja acompanhada por políticas fiscais expansionistas que permitam estimular nossa economia.

Como no caso dos EUA, UE e Japão a prioridade no Brasil é de fato a adoção de políticas fiscais e monetárias expansionistas. As condições são favoráveis para uma expansão dos gastos privados e públicos em nossa dilapidada infraestrutura, financiados por um programa ambicioso de privatização e concessões e emissão de títulos do governo de longo prazo. A “regra de ouro” permite este endividamento e o Tesouro pode se endividar a taxas de longo prazo que estão em queda. Continuar a ler

Livro “Alternativas para o Desenvolvimento Brasileiro”

O Instituto de Economia da UNICAMP convida para a leitura do livro “Alternativas para o desenvolvimento brasileiro – Novos horizontes para a mudança estrutural com igualdade”, organizado por Marcos Vinicius Chiliatto Leite, oficial de assuntos econômicos da Cepal em Brasília.

A publicação, comemorativa dos 70 anos da Cepal, traz artigos de professores e doutores pelo Instituto e permite uma ampla análise sobre temas como desigualdade, desenvolvimento, políticas sociais, agenda climática, câmbio, inserção produtiva periférica, vulnerabilidade externo do Brasil, inflação e muito mais.

O livro é gratuito e pode ser baixado no repositório da Cepal (ou clicando aqui).

Pós-Golpes (1964 e 2016): Menores Taxa de investimento em 50 anos

Sergio Lamucci (Valor, 27/06/19) informa: a taxa de investimento no Brasil está no menor nível em pouco mais de 50 anos, evidenciando a fraqueza dos gastos no país com máquinas e equipamentos, construção civil e inovação. Na média dos últimos quatro anos, a taxa ficou em apenas 15,5% do PIB – um percentual tão baixo só é encontrado na média dos quatro anos até 1967, segundo estudo dos economistas Marcel Balassiano e Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Reverter esse quadro é fundamental para que a economia possa reagir e crescer mais e, com isso, aumentar a geração de empregos.

Ao analisar uma série longa, usar uma média móvel de quatro anos é um modo de suavizar a volatilidade de curto prazo. Para a média dos últimos quatro anos, os dois economistas utilizaram a taxa de investimento de 2016, 2017, 2018 e a do primeiro trimestre de 2019. A formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação) sofreu muito na recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, e se recupera muito lentamente desde 2017.

Uma medida de como o Brasil investe pouco ao notar é, em 2018, 152 países de uma amostra de 172 economias terem uma taxa de investimento superior à brasileira, ou seja, 88,4% do total. Os números são do Fundo Monetário Internacional (FMI). No ano passado, a FBCF ficou em 15,8% do PIB. Segundo ele, a taxa média global ficou um pouco mais de dez pontos percentuais do PIB acima da do Brasil, em 26,2% do PIB. Com uma baixa taxa de investimento, o país tem pouca capacidade de crescer a um ritmo mais forte de modo sustentado. Continuar a ler

Desmatamento da Amazônia: Crime Ambiental do Clã Bolsonaro

Daniela Chiaretti (Valor, 25/06/19) informa: em 30 anos a floresta amazônica poderá estar dividida e com mais da metade das espécies de árvores ameaçada de extinção. A diagonal que dividirá o maior bloco de floresta tropical do mundo em uma parte ainda contínua, e outra completamente fragmentada, pode ser o resultado do desmatamento combinado ao impacto da mudança climática sobre a Amazônia.

O aquecimento global combinado ao desmatamento pode significar perda na riqueza de espécies de árvores de 58%, até 2050, no cenário pessimista, e de 43%, no otimista. O desmatamento sozinho, se continuar no ritmo atual, causaria uma redução entre 19% e 33%. O efeito da mudança do clima global na floresta é mais devastador – causaria redução nas espécies de árvores entre 47% e 53%.

Esses resultados alarmantes são algumas conclusões de estudo publicado na “Nature Climate Change” por três pesquisadores brasileiros e um holandês.

O grupo estudou a distribuição original de cada uma das 10.071 espécies de árvores amazônicas conhecidas. O número médio de espécies em área de 10 km2 seria de cerca de 1.500 espécies. Ali, onde as espécies estão confortáveis, coletaram informações de precipitação e temperatura. Depois cruzaram estes mapas com modelos climáticos e de desmatamento que fazem projeções para 2050. Continuar a ler