Inovações Tecnológicas Digitais com 5G

Ana Lúcia Moura Fé (Valor, 05/11/2019) informa: a evolução das tecnologias digitais e das redes sem fio vai transformar as telecomunicações e mudar a forma como as operadoras geram receita nos próximos anos. O setor — e, de resto, toda a indústria de TI e empresas usuárias — apronta-se para agarrar o máximo de oportunidades de negócios vislumbrados no rastro da quinta geração de celulares (5G). Ela já é realidade no mundo e deve desembarcar por aqui nos próximos anos.

Uma das poucas certezas do mercado é essas oportunidades virem, embora os leilões de espectro para 5G sequer tenham ocorrido e ninguém saiba ao certo qual será o modelo de negócios capaz de compensar os investimentos das teles na modernização das redes.

A expectativa de líderes do setor é os leilões focarem menos na arrecadação para a União e mais nos benefícios da tecnologia para a sociedade. Em outras palavras, além da pressa para distribuir frequências, eles querem equilíbrio entre preços e obrigações para as teles cumprir, de modo a sobrar recursos para investir no crescimento da rede 5G. Continuar a ler

Brasil: lento e atrasado na transformação digital

Stela Campos (Valor, 04/11/2019) afirma: o Brasil está mais atrasado na transformação digital que outros países da América Latina. Enquanto no México, Colômbia e Argentina, o assunto ocupa a pauta dos executivos há pelo menos seis anos, por aqui a discussão é recente e vem entrando na lista de prioridade das empresas apenas nos últimos três anos.

Mas existe um esforço neste momento para acelerar essas mudanças no país. Em pesquisa realizada com 600 executivos da região, 85% dos brasileiros afirmaram: a transformação está acontecendo neste momento em suas companhias.

O levantamento foi realizado com representantes do alto escalão latino-americano, sendo 17% CEOs e 51% diretores, a maioria de multinacionais de setores como consumo, farmacêutico, serviços, financeiro, indústria e tecnologia. “Tínhamos a impressão que o Brasil estava mais avançado neste processo mas a curva de transformação ainda é lenta. Demos apenas os primeiros passos”, diz Juan Pablo Correa, sócio da Exec. Ele coordenou o estudo no Brasil para a Panorama Search, rede de consultorias global. Ela reuni ainda a Glue na Argentina e a Talengo no México e Colômbia.

Continuar a ler

Privataria das Empresas Estatais: “comendo pelas beiradas”

O governo neoliberal não entregará nenhum crescimento de renda e emprego só cortando gastos públicos e descapitalizando os bancos públicos. Não sabe usar um instrumento-chave para a retomada do crescimento econômico, utilizado por todos os grandes países emergentes. Em sua visão contábil-fiscalista, só quer equilibrar saldos, vendendo seus estoques de ações. Ele é incapaz de pensar, dinamicamente, em geração de fluxos.

Danielle Brant & Fábio Pupo (FSP, 10/11/19) informam: apesar de afirmar não ter a intenção de privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa, o governo Jair Bolsonaro já vendeu R$ 91,3 bilhões em ativos das três estatais. O valor representa uma média de R$ 294 milhões por dia em 2019.

O levantamento foi feito pela Folha com base nos comunicados divulgados pelas empresas ao mercado ao longo deste ano, considerando negócios já assinados ou em fase de conclusão.

As vendas refletem a disposição do governo de reduzir sua participação em áreas de atuação que considera desnecessárias, conforme orientação privatizante seguida pela equipe econômica. Para alegria dos ex-parceiros de O Mercado!

O secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercado, Salim Mattar, usa como argumento para as vendas o artigo 173 da Constituição. Esse dispositivo diz: a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida se necessária à segurança nacional ou quando houver relevante interesse coletivo. Para Mattar, não é o que se vê no portfólio do governo.

Em outubro, segundo cálculos de sua secretaria, havia 637 estatais federais com participação direta e indireta da União —ainda mais do que o previsto no início do ano, quando a conta do governo indicava a existência de 440 empresas.

O Ministério da Economia mantém o discurso de que o governo Bolsonaro não pretende privatizar Petrobras, BB e Caixa. Também estão na lista outras empresas consideradas necessárias para a manutenção de políticas públicas. De qualquer forma, a venda das três grandes esbarraria em um empecilho legal. Continuar a ler

Liberalização Cambial: Risco de Dolarização da Economia Brasileira

Alex Ribeiro e Mariana Ribeiro (Valor, 08/10/2019) informam: o projeto de lei de liberalização cambial enviado pelo governo ao Congresso dá o primeiro passo para a abertura às fintechs do mercado de remessas internacionais, quebrando a exclusividade hoje em vigor de perto de duas centenas de bancos com carteira de câmbio.

A proposta também avança nas agendas de:

  1. conversibilidade da moeda, simplificando os fluxos de ingresso e saída de dólares do país;
  2. internacionalização do real, permitindo a atuação de bancos correspondentes; e
  3. permissão para pessoas físicas terem contas em moeda estrangeira.

A legislação hoje em vigor permite o ingresso e a saída de moeda estrangeira do país serem feitos apenas por bancos com autorização para operar no mercado de câmbio. O projeto de lei mantém essa determinação mais geral, mas abre espaço para o BC autorizar outros tipos de instituições a efetuar essas operações, obedecendo a diretrizes baixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Hoje, são 187 bancos autorizados a operar em câmbio, num sistema restritivo que garante maior controle sobre as remessas. O diretor de regulação do BC, Otávio Damaso, lembrou: em outros países, as fintechs atuam nesse mercado, barateando as operações. Daí, o monopólio de bancos na área cambial vai acabar.

Continuar a ler

Salve, André Lara Resende! Bem-vindo ao Desenvolvimentismo!

A visita ao IE-UNICAMP inoculou o vírus keynesianismo-desenvolvimentista! Virou heterodoxo progressista! Agora, só terá a alegria da luta justa!  🙂

André Lara Resende (Valor, 24/09/2019) escreveu o artigo abaixo. Embora algum desenvolvimentista possa discordar da proposta específica, sem dúvida é uma proposta pós-keynesiana de coordenação dos instrumentos de política econômica de curto-prazo com a política monetária financiando a política fiscal de elevação dos investimentos públicos. Defende esses investimentos serem avaliados por agência própria, com base em critérios técnicos e uma visão de longo prazo.

“O objetivo primordial de política econômica do governo é equilibrar o orçamento fiscal. As contas públicas estão verdadeiramente em frangalhos. O rápido crescimento das despesas correntes, sobretudo de pessoal e previdenciárias, somado ao serviço da dívida, não deixa espaço para despesas discricionárias. Atualmente, apenas 7% da despesa total pode ser discricionariamente alocada pelo governo. Incapaz de equilibrar receitas e despesas, o Estado cortou os investimentos. O investimento público líquido é hoje negativo, insuficiente para repor até mesmo a depreciação. A infraestrutura do país está envelhecida e os serviços são deficientes.

Sem investimentos de vulto na renovação da infraestrutura e na qualidade dos serviços prestados pelo Estado, não haverá crescimento sustentado da economia. A lição aparentemente esquecida de Keynes é que a economia é cíclica e pode permanecer estagnada, com desemprego e capacidade ociosa, por um longo tempo. Só o investimento público contracíclico pode tirar o país da estagnação. O Brasil de hoje é mais uma evidência cabal de que Keynes estava certo.

Ao contrário do que se propala, o investimento do Estado não expulsa o investimento privado. Quando há desemprego e capacidade ociosa, o investimento público não concorre com o investimento privado, mas, ao contrário, atua como um motor de arranque para os investimentos privados e a recuperação da economia. O bom investimento público é condição para aumento do investimento privado. Continuar a ler

Por que cortar gastos não é a solução para o Brasil ter crescimento vigoroso?

Para meus colegas, economistas desenvolvimentistas, a nova literatura econômica recomenda o inverso da receita neoliberal dos professores do INSPER e economistas de consultorias de O Mercado: mais investimento públicoEsther Dweck é professora do IE-UFRJ e ex-secretária de Orçamento Federal, Fernando Maccari Lara é professor da Unisinos, Guilherme Mello é professor do IE-Unicamp, Julia Braga é professora da Faculdade de Economia da UFF, e Pedro Rossi é professor do IE-Unicamp. Reproduzo o artigo-resposta (FSP, 15/09/19) abaixo. Pelo menos a Folha está percebendo a ameaça da aliança entre o neoliberalismo e o neofascismo no Brasil… e abrindo espaço, ainda timidamente, para um debate plural com contraponto.

Continuar a ler

Argumentos Neoliberais em Defesa do Conservadorismo Econômico

Marcos Lisboa é presidente do Insper, Marcos Mendes é pesquisador do Insper e MarceloGazzano é economista da A. C. Pastore. Nos últimos anos, só os neoliberais tiveram palanque  para expor sozinhos seus pontos de vista oficiosos na mídia brasileira. Nela deixou de haver debate pluralista (e civilizado)  para os social-desenvolvimentistas contraporem aos seus argumentos, baseados em método lógico-racional, com o uso do método histórico-indutivo.

No próximo post, economistas social-desenvolvimentistas apresentarão uma visão holística contra o individualismo metodológico dos neoliberais. Aos leitores, ouvintes e telespectadores ficariam mais claras as ideias de qual, em vez de imaginar o pensamento econômico ser monolítico… e equivocado. Contra o neoclassicismo há, pelo menos, o keynesianismo.

Reproduzo inicialmente o artigo dos neoliberais (FSP, 08/09/19) abaixo para depois fazer o debate público aqui em rede social. Sendo apenas em “câmara-de-eco”, o eleitorado fica mal informado e vota contra o próprio interesse social. Continuar a ler