Investimento em Infraestrutura

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A sociedade brasileira assiste (e sente na pele) a divulgação progressiva do custo do golpe parlamentarista no regime presidencialista. Tainara Machado (Valor, 19/12/16) avalia que o investimento brasileiro em infraestrutura deve ter sido o menor da história recente em 2016, segundo estudo da Pezco Microanalysis. No ano, os aportes para projetos na área diminuíram em R$ 96 bilhões, estima a consultoria, queda real de 6,2% em relação a 2015.

Com isso, os investimentos em infraestrutura devem ter caído para cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), nível não visto desde 2000, início da série calculada pela consultoria. Isso mal é suficiente para repor a depreciação do capital. Em 2015, o investimento já havia sido bastante baixo, de apenas 1,7% do PIB.

O estudo de Leonardo Correia e Hélcio Takeda não considera os investimentos no setor de óleo e gás e se baseia em uma série de dados de agências regulatórias a associações setoriais e balanços de empresas do ramo.

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Vinte e Um Anos de Economia Brasileira (1995-2015)

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investimento-publico-2002-13Caros amigos (as),

Com um atraso quase imperdoável,  motivado por uma série de alterações imprevistas na disponibilidade e conteúdo dos dados e informações utilizadas, aí vai a nova edição dos “Vinte Anos”, que agora são XXI, incluindo os dados de 2015, cuja versão em PowerPoint estará disponível a partir do dia 7 de dezembro de 2016 no site do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI: www.altosestudosbrasilxxi.org.br/

Gerson Gomes

Download: Vinte-e-Um Anos de Economia Brasileira 1995-2015

FNC: trata-se da melhor publicação de gráficos disponível para comparar a Era Neoliberal (1995-2002) com a Era Socialdesenvolvimentista (2003-2014), agora acrescentada do ano do estelionato eleitoral com a volta da Velha Matriz Neoliberal (2015). Praticamente todas as curvas em ascensão dos gráficos se revertem com a política econômica levyana!

Metas contra o Consumismo

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Os ecologistas, como Erik Assadourian, Pesquisador Sênior do Worldwatch Institute e Diretor de Projeto do Estado do Mundo 2010, acham que o papel do consumo e a aceitação de diferentes tipos de consumo podem ser alterados culturalmente. Mais uma vez, embora a noção exata disso possa variar nos diferentes sistemas culturais, três metas simples deveriam ser válidas universalmente. Para os social-desenvolvimentistas, a impressão é que eles tratam questões complexas com simples palavras.

Em primeiro lugar, o consumo que desestabiliza de modo acentuado o bem-estar precisa ser fortemente desestimulado. Os exemplos nessa categoria são muitos: consumo excessivo de alimentos industrializados e junk foods, tabagismo, produtos descartáveis, casas gigantescas que levam à ocupação desordenada de áreas suburbanas e dependência do automóvel, bem como a males sociais como obesidade, isolamento social, longos trajetos para e do trabalho e maior uso de recursos.

Através de estratégias como regulamentação governamental das escolhas disponíveis aos consumidores, pressão social, educação e marketing social, é possível transformar certos comportamentos e escolhas de consumo em tabu. Ao mesmo tempo, é importante criar fácil acesso a alternativas mais saudáveis – como a oferta de frutas e legumes a preços compatíveis, como um substituto a alimentos não saudáveis. Continue reading “Metas contra o Consumismo”

Raízes Institucionais do Consumismo

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Desde a última década do século 17, mudanças sociais na Europa começaram a criar os fundamentos para o surgimento do consumismo. O aumento populacional e uma base fundiária fixa, aliados ao enfraquecimento de fontes tradicionais de autoridade, tal como a igreja e estruturas sociais comunitárias, fizeram com que o percurso usual de um jovem rumo ao progresso social – herdar o pedaço de terra familiar ou o ofício do pai – deixasse de ser o caminho óbvio. As pessoas passaram a buscar novos canais de identificação e autossatisfação, sendo que a aquisição e uso de bens passaram a ser substitutos admirados.

Enquanto isso, os empreendedores rapidamente tiraram proveito dessas mudanças para estimular a compra de seus artigos: utilizando novas modalidades de propaganda e aprovação de gente de prestígio, expondo produtos à venda, vendendo produtos abaixo do preço de custo como forma de atrair clientes para a loja, recorrendo a opções criativas de financiamento, inclusive pesquisa com o consumidor, e atiçando novas modas passageiras. Continue reading “Raízes Institucionais do Consumismo”

Consumismo em Diferentes Culturas

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Continuamos apresentando os argumentos expressos no capítulo “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo“, escrito por Erik Assadourian, no relatório Estado do Mundo em 2010, publicado pela WorldWatch.

Para entender o que é consumismo, é necessário primeiramente entender o que é cultura. Cultura não se resume simplesmente às artes, ou aos valores, ou aos sistemas de crença. Não é uma instituição distinta funcionando ao lado de sistemas econômicos ou políticos. Ao contrário, são todos esses elementos – valores, crenças, costumes, tradições, símbolos, normas e instituições – combinados para criar as matrizes abrangentes que forjam o modo como os homens percebem a realidade.

Em função de existirem sistemas culturais distintos, uma pessoa pode interpretar um ato como insultante e outra pode considerálo amável – como por exemplo, fazer um sinal com o “polegar para cima” é um gesto extremamente vulgar em certas culturas. A cultura leva algumas pessoas a crer que os papéis sociais são designados pelo nascimento, determina onde os olhos da pessoa devem focar ao conversar com outra, e até mesmo dita que formas de relacionamentos sexuais (como monogamia, poliandria, ou poligamia) são aceitáveis.

As culturas, como sistemas mais amplos, são provenientes de interações complexas entre muitos elementos diferentes de comportamentos sociais e guiam os homens em um nível quase invisível. Elas são, nas palavras dos antropólogos Robert Welsch e Luis Vivanco, a soma de todos os “processos sociais que fazem com que aquilo que é artificial (ou construído pelos homens) pareça natural”. São esses processos sociais – a interação direta com outras pessoas e com artefatos ou “coisas” culturais, a exposição na mídia, leis, religiões e sistemas econômicos – que constroem as realidades dos povos. Continue reading “Consumismo em Diferentes Culturas”

Ausência de Sustentabilidade dos Atuais Padrões de Consumo

https://i0.wp.com/www.wwiuma.org.br/estado_2010.pdf
http://www.wwiuma.org.br/estado_2010.pdf

Desenvolvimentismo e Ambientalismo têm discordâncias a respeito do consumismo. Para os primeiros, o crescimento da demanda fomenta o desenvolvimento. Para os últimos, esse desenvolvimento não seria sustentável. Para os social-desenvolvimentistas, os ecologistas necessitam de, em vez de propor crescimento zero e manutenção do status quo, imaginar uma solução para alterar a condição de miséria social com políticas de emprego e distribuição de renda e sem regressão histórica a um suposto idílico passado sem consumismo.

Vamos ter empatia e nos colocar no lugar dos ambientalistas. Leiamos seus argumentos expressos no capítulo “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo“, escrito por Erik Assadourian, no relatório Estado do Mundo em 2010, publicado pela WorldWatch ( WWW.WORLDWATCH.ORG.BR).

Em 2006, pessoas no mundo todo gastaram US$ 30,5 trilhões em bens e serviços (em dólares de 2008). Esses dispêndios incluíram necessidades elementares, como alimentação e moradia. No entanto, com o aumento da renda discricionária, as pessoas passaram a gastar mais em bens de consumo: alimentos mais pesados, moradias maiores, televisões, carros, computadores e viagens de avião. Só em 2008, pessoas no mundo todo compraram 68 milhões de veículos, 85 milhões de geladeiras, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones móveis (celulares).

O consumo teve um crescimento tremendo nos últimos cinquenta anos, registrando um aumento de 28% em relação aos US$ 23,9 trilhões gastos em 1996 e seis vezes mais do que os US$ 4,9 trilhões gastos em 1960 (em dólares de 2008). Parte desse aumento é resultante do crescimento populacional, mas o número de seres humanos cresceu apenas a uma razão de 2,2 entre 1960 e 2006. Sendo assim, os gastos com consumo por pessoa praticamente triplicaram. Continue reading “Ausência de Sustentabilidade dos Atuais Padrões de Consumo”