Parasitas: Paralisia e Destruição de Valor por parte dos Golpistas

Parasitas são os golpistas que se comportam como um chupim. Vivem de (e em) outro organismo, dele obtendo alimento e não raro causando-lhe dano. Quem aceitou o cargo público por nomeação de golpista é cúmplice e será lembrado sempre como um indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou oportunismo.

Paralisia é a privação total ou diminuição considerável da sensibilidade ou dos movimentos voluntários, manifestada em órgãos ou sistemas do organismo. Em sentido figurado refere-se à impossibilidade de agir, de operar; marasmo, entorpecimento; paralisia das atividades econômicas. Este é o processo que a máquina pública está — e estará — sofrendo, e impondo ao bem-estar social, até que os golpistas sejam expelidos de cargos usurpados de maneira oportunista após o golpe na democracia eleitoral brasileira em 2016.

Claudia Safatle (Valor, 21/07/17) informa que, ao avaliar o seu primeiro ano na presidência da Petrobras, Pedro Parente disse que o que mais o tem surpreendido nesse período é a paralisia da gerência da empresa. “A média gerência está amedrontada, paralisada“, segundo ele, com os desdobramentos das investigações da Operação Lava-Jato e não quer se comprometer com o menor risco de envolvimento na operação da estatal.

O processo decisório na companhia está travado “porque eles respondem com o CPF“, contou o presidente da estatal durante jantar com um pequeno grupo de jornalistas e empresários, promovido pelo site de notícias Poder 360. Continue reading “Parasitas: Paralisia e Destruição de Valor por parte dos Golpistas”

A Economia dos Desajustados

A bela Alexa Clay (foto acima) é norte-americana, tem 33 anos, mesmo assim transita bem no mundo acadêmico e corporativo mais tradicional. Seu livro “A Economia dos Desajustados” (editora Figurati), escrito em parceria com Kyra Maya Phillips, é um best-seller entre jovens e executivos atrás de alternativas informais para um mundo em crise. Traduzido para mais de 15 idiomas, ele rendeu às autoras um programa na NatGeo, artigos na “Harvard Business Review” e o crédito do Fórum Econômico Mundial como um dos melhores livros de negócios da atualidade. Desde o lançamento em 2015, ela tem viajado o mundo dando palestras e workshops em empresas globais, universidades, ONGs, feiras e festivais de inovação como o SXSW.

Alexa esteve em São Paulo em um evento da Cia de Talentos para falar para mais de 200 executivos interessados em entender as transformações do mundo atual. Em seu livro, ela pesquisa como as companhias podem aprender a promover inovação usando a sabedoria informal dos hackers, traficantes, falsificadores, gangsters e ‘outsiders’, em geral. Um submundo, que, segundo ela, movimenta mais de US$ 10 trilhões na economia informal. “São exemplos de empreendedores à margem da sociedade que precisaram burlar leis para desenvolver seus negócios e que acabam sendo bastante inovadores em seus métodos e práticas de gestão.” Continue reading “A Economia dos Desajustados”

Economia Normativa: O Que Deveria Ser Para a Retomada do Crescimento

 

Já está acontecendo o que qualquer par de “2 neurônio” (sic) poderia ter previsto. Porém, faltou um neurônio (50%) para a maioria dos economistas neoliberais que apoiaram o golpe de Estado e suas medidas equivocadas e depressivas.

Depois da taxa de juros SELIC ficar quinze meses em 14,25% aa e o PIB cair -9% desde o início da recessão, que mergulhou em depressão, a inflação calculada em 12 meses no Brasil foi de 10,67% para 3,08%, se o IBGE confirmar essa estimativa esperada para junho de 2017. A retração da economia em 7,2% no biênio 2015 e 2016 foi uma das causas dessa desinflação, outra foi a ausência de fatores climáticos (seca) como nos outros anos.

Contudo, o que é muito positivo para a gestão monetária (e temerária) pode ser uma tragédia para a gestão fiscal (e temerária), sobretudo, a partir da aprovação de um limite para as despesas públicas em dezembro do ano de 2016. Foi um “tiro-no-pé”, assim como serão as outras medidas para cortar direitos sociais via reforma trabalhista e reforma da Previdência. Bastou dar para Temer “corda-para-se-enforcar”… Não resistiu ao contumaz suborno dos donos do capital.

A criação de um teto para o endividamento público por 20 anos é, sem dúvida, a medida mais anti-democrática (pois sequestra o direito dos eleitores elegerem programa de governo desejado pela maioria), desastrosa e idiota (sem consciência do mal que fazia a si e aos outros) no primeiro ano do governo Temer. Desde já se deduz que será improvável o cumprimento do limite!

Até a queda vertiginosa da inflação pode ser um problema para o governo, pois o limite a ser respeitado no endividamento será determinado pela correção das despesas pela inflação acumulada em 12 meses até junho. Provavelmente, aquela variação de 3,08% que o IBGE poderá anunciar nesta semana será o fator de correção dos gastos públicos em 2018. E essa atualização de valores será muito inferior ao necessário para gastos comprometidos.

A lei promulgada pelo presidente da República no fim do ano passado é clara: o cálculo dos gastos de 2018 utilizará a inflação medida entre julho de 2016 e junho de 2017. Esse cálculo vale para os orçamentos fiscal e de seguridade social e para todos os órgãos e Poderes da República. Se o governo temerário não se importa com Saúde Pública e Educação Pública, ele se importará com os limites individualizados impostos para tribunais, Conselho Nacional de Justiça, Senado, Câmara, Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público e Defensoria Pública da União. Afinal, seus membros o julgarão

Além disso, a trajetória esperada para a dívida bruta piorou, com algumas estimativas apontando para um número superior a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) já no ano eleitoral de 2018. A revisão se deve à redução nas projeções de crescimento e, em alguns casos, do resultado primário das contas públicas, devido ao surgimento da nova crise política, provocada pela “corda-para-Temer-se-enforcar”.

Em maio de 2017, o endividamento bruto ficou em 72,5% do PIB, o nível mais alto da série histórica iniciada em dezembro de 2006. Um dos principais termômetros de solvência fiscal de um país, o indicador subiu 21 pontos percentuais do PIB desde o fim de 2013, quando estava em 51,5% do PIB. Para comparar, a média da dívida bruta dos emergentes deve ficar em 48,6% do PIB neste ano, nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os “gênios da profissão”, louvados pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e asseclas de O Mercado 3 Os (Onipotente, Onisciente e Onipresente), depois de um ano de golpe, não conseguem entregar o que prometeram: ajuste fiscal. Muito antes pelo contrário, entregaram uma Grande Depressão que leva à queda da arrecadação fiscal. Conclusão: os “gênios”, ex-economistas-chefe de bancos, não estudaram sequer o maior pensamento econômico do século XX, o keynesiano.

E não aprenderam a história do New Deal: quando há Grande Depressão, o Estado tem de gastar mais, mesmo que seja deficitário. Depois da recuperação ele recupera as finanças públicas, ou seja, não há possibilidade de ajuste fiscal na crise!

Deveriam ler o artigo reproduzido abaixo de Luciano Coutinho. Ele é professor convidado do Instituto de Economia da Unicamp. Publicou artigo (04/05/17) apresentando sua visão de Macroeconomia Pró-Crescimento, i.é, a retomada do crescimento da economia brasileira. Continue reading “Economia Normativa: O Que Deveria Ser Para a Retomada do Crescimento”

Internet Industrial e Indústria Brasileira

Luciano Coutinho foi presidente do BNDES e meu ex-professor no Mestrado em Economia da UNICAMP. Escreveu artigo (Valor, 25/10/16) sobre a Internet Industrial e a Indústria Brasileira. Compartilho-o abaixo.

“A severa recessão em curso é bem mais profunda na indústria de transformação, pondo em risco a sobrevivência de grande parte dela. A forte queda da demanda, principalmente na metal-mecânica e bens duráveis combina-se com estrangulamento financeiro, escassez de crédito, incapacidade de pagar impostos e desemprego. Multiplicam-se falências e recuperações judiciais. A situação é crítica.

Para sobreviver é preciso que venha logo a reativação cíclica da demanda. Além disso é imperativo:

  1. reescalonar dívidas,
  2. reduzir o custo do crédito,
  3. desburocratizar e simplificar a tributação,
  4. acelerar a indução dos investimentos em infraestruturas e
  5. conter a valorização da taxa de câmbio.

A indústria que conseguir sobreviver terá, no entanto, vida dura pela frente. Além da expectativa de recuperação lenta da economia, precisará enfrentar novos e graves riscos decorrentes da onda de transformações tecnológicas nas economias desenvolvidas. Muitas delas poderão ser disruptivas. Ressalto as estratégias industriais em marcha nos Estados Unidos, Alemanha, China, Japão e Coreia para acelerar a automação computadorizada, abrangente e integrada pela denominada “internet industrial“. Continue reading “Internet Industrial e Indústria Brasileira”

4a. Revolução Industrial, Indústria 4.0 e/ou Servindústria

Carmen Nery (Valor, 22/06/17) informa que pesquisa da Capgemini com 150 empresas brasileiras dos segmentos de varejo, bens de consumo e finanças aponta que o conceito de transformação digital está ganhando impulso no país. O movimento é provocado pelo maior poder do consumidor conectado e pela concorrência de novos modelos de negócios de competidores nativos digitais, como o chamado “Gafa” – Google, Apple, Facebook e Amazon -, além de Uber, Airbnb, Netflix, bancos digitais e plataformas e aplicativos para os mais variados fins.

A pesquisa destaca que, embora ainda exista espaço para mudanças nas empresas ouvidas, 47% investem em transformação digital. O tema sensibiliza os executivos mais importantes, o “C level”, mas o envolvimento dos funcionários ainda é deficiente. As tecnologias digitais são utilizadas para entender melhor o mercado e os clientes: 63% usam a internet para esse fim; 57% usam mídias sociais; e 53% adotam serviços móveis, indicando que a abordagem multicanal tem sido importante para suas estratégias de negócio.

Hoje, para as empresas, perder a corrida da transformação digital significa perder sua capacidade de competir, ou, pior, pôr em risco a própria sobrevivência.

A transformação digital não é um risco de tecnologia, mas sim de negócio, e foi motivada pela internet e pela mobilidade. Essas tecnologias deram origem às redes sociais, à computação na nuvem e ao smartphone, que colocou uma capacidade poderosa na mão do usuário.

O crescimento contínuo das capacidades de processamento e de armazenamento a custos cada vez menores fez surgir novas tecnologias, como internet das coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e computação cognitiva. Uma das causas é a explosão dos dados, que dobram a cada dois anos, como resultado da combinação da mobilidade com as mídias sociais e da sensorização do mundo físico. Cerca de 80% são dados não estruturados – texto, áudio, vídeo – e quem souber tirar inteligência disso para tomar decisões vai atender melhor o cliente.

A transformação digital está sendo motivada pelo desejo de as pessoas compartilharem informações para colaborar, consumir e se expressar. Não basta digitalizar os produtos. É necessário, pelo menos, três frentes de trabalho:

  1. cultura e ambiente,
  2. processos de atendimento,
  3. oferta e portfólio.

É como fazer uma startup, se reinventando a todo momento.

A principal causa não é apenas o impacto das empresas disruptivas, e sim o aumento do poder do consumidor hiperconectado. Estamos no meio da mudança para um novo ciclo econômico provocado por novas tecnologias, a exemplo de inteligência artificial, IoT, robótica, nuvem, big data e analytics. A mudança no comportamento do consumidor é uma consequência dessas tecnologias.

  • Um alerta sobre um processo errado na fabricação de um equipamento na China pode, automaticamente, paralisar linhas de produção na Alemanha, nos Estados Unidos e no Brasil.
  • Um drone atuando no reconhecimento de matérias-primas em grandes depósitos pode impor mais agilidade ao trabalho.
  • A tecnologia de games sendo usada para simular a forma na qual as estações de trabalho podem trabalhar com mais produtividade.

Esses são alguns exemplos do caminho que está sendo trilhado por várias empresas ao adotarem o conceito de indústria 4.0. Nesse pacote estão abrigadas iniciativas digitais, de inteligência de suas fábricas e de conectividade.

O conceito de indústria 4.0 surgiu há quatro anos a partir de um projeto do governo alemão que aliou:

  1. modernização de processos,
  2. tecnologias relacionadas à operação e
  3. os avanços de TI.

Estão no coração desse processo plataformas como internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), big data e sistemas de inteligência artificial.

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Trabalho na Era da Automação

Laura Tyson, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente dos EUA, é professora da Haas School of Business da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e assessora sênior do Rock Creek Group. Publicou excelente artigo (Valor, 12/05/17) sobre a nova onda de automação.

Os avanços em inteligência artificial e robótica estão provocando uma nova onda de automação, com máquinas que combinam ou superam os seres humanos numa rapidamente crescente gama de tarefas, inclusive algumas que exigem capacidades cognitivas complexas e educação de nível superior. Esse processo superou as expectativas dos especialistas; não é de surpreender que seus possíveis efeitos negativos sobre a quantidade e a qualidade do emprego levantaram sérias preocupações.

Ouvindo o governo do presidente Donald Trump, poderíamos pensar que o comércio continua a ser o principal motivo para a perda de empregos de manufatura nos EUA. O secretário do Tesouro de Trump, Steven Mnuchin, declarou que o possível deslocamento tecnológico dos trabalhadores “sequer está na tela do radar [do governo]”.

Entre os economistas, porém, o consenso é de que cerca de 80% da perda de empregos na indústria de transformação americana nas últimas três décadas foi resultado de mudanças tecnológicas que poupam mão de obra e incrementam a produtividade, ficando o comércio em distante segundo lugar. A questão, então, é se estamos rumando para:

  1. um futuro de desemprego, em que a tecnologia deixa muita gente desempregada, ou
  2. um “bom futuro sem empregos“, no qual um número crescente de trabalhadores não pode mais auferir uma renda de classe média, independentemente de educação e habilidades.

A resposta pode ser: um pouco de cada coisa. O estudo mais recente sobre o tema descobriu que, de 1990 a 2007, a penetração de robôs industriais prejudicou tanto o emprego como os salários. Continue reading “Trabalho na Era da Automação”

Manifesto Trabalhista

Recebi uma mensagem do admirável Professor Ladislau Dowbor. Dada sua utilidade para nossa reflexão, eu a compartilho abaixo. Entretanto, desde já, advirto que penso que a esquerda deve mudar da velha tática de “combater o inimigo-do-povo”, encarnado na chamada “financeirização“, pois senão, lutando só contra esse tigre-de-papel, se tornará cada vez mais anacrônica, senão reacionária ao reagir contra o avanço da história. O capitalismo industrial não era melhor do que o capitalismo contemporâneo, denominado apressadamente de “capitalismo financeirizado“. 

A esquerda deveria dirigir seus esforços para a conquista de direitos e o exercício de deveres da cidadania. Assim, conseguirá a mudança social de modo-de-vida (e não apenas de modo-de-produção), por exemplo, diminuindo a jornada de trabalho semanal para 4 dias de 9 horas de trabalho alienante, com a manutenção dos salários e encargos trabalhistas, sobrarão 3 dias para o trabalho criativo!

Caros,

Nos últimos tempos têm aparecido trabalhos de fundo repensando o sistema. Queria aqui fazer um tipo de comentário de leitura sobre textos que têm em comum a convicção de que não se trata mais apenas do problema de Trump nos EUA, de Temer no Brasil, de Macri na Argentina, de Erdogan na Turquia, do Brexit na Inglaterra, do fato dos dois grandes partidos (socialista e republicano) que repartiram o poder na França não terem chegado, nem um nem outro, sequer ao segundo turno.

A Europa está se cobrindo de muros e cercas de arame farpado. Discute-se seriamente erguer um gigantesco muro de mais de mil quilómetros entre o México e os Estados Unidos. Os países mais poderosos estão se dotando de instrumentos sofisticados de invasão de privacidade e de controle das populações que assustam tanto pela amplitude da invasão como pela indiferença das populações.

E naturalmente o caos que se avoluma não diz respeito apenas à política e aos governos: os gigantes financeiros planetários geram um nível de desigualdade e de desmandos ambientais que tornam o mundo cada vez mais inseguro e o universo corporativo cada vez mais irresponsável. Continue reading “Manifesto Trabalhista”